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O Retrato de Dorian Gray/IV
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2026-04-02T21:30:49Z
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<div class="prose">
Uma tarde, um mês depois, Dorian Gray achava-se estendido em uma luxuosa poltrona, na pequena biblioteca da casa de lorde Henry, em Mayfair. A biblioteca era, no gênero, um atraente retiro, com altos forros lavrados de carvalho azeitonado, a frisa e o teto creme destacando a moldura e o tapete persa, cor de tijolo, de longas franjas de seda. Sobre uma mesinha de madeira brunida, havia uma estatueta de Clodion, ao lado de um exemplar das ''Cem novelas'', encadernado para Margarida de Valois por Clovis Eve e semeado de boninas de ouro, escolhidas para emblema por essa rainha. Em grandes vasos azuis da China, achavam-se dispostas tulipas listradas sobre o pano da chaminé. A viva luz adamascada de um dia de verão londrino entrava à farta através dos pequenos losangos de chumbo das janelas.
Lorde Henry ainda não havia entrado. Ele andava sempre atrasado por princípio, sendo de opinião que a pontualidade era um roubo de tempo. O adolescente parecia, assim, contrariado, folheando descuidosamente com o dedo uma edição ilustrada de ''Manon Lescaut'', que encontrara numa das prateleiras da biblioteca. Incomodava-o o tique-taque monótono do relógio Luís XIV. Uma vez ou duas, lembrara se de partir...
Enfim, percebeu o ruído de passos, fora, e a porta abriu-se.
— Como chegas atrasado, Harry — murmurou ele.
— Receio que não se trate de Harry, mr. Gray — falou uma voz clara.
Ele abriu vivamente os olhos e endireitou-se...
— Peço perdão. Pensava...
— Acreditava que fosse meu marido. É apenas sua esposa. É preciso que eu me apresente por mim mesma. Conheço-o muito bem pelas suas fotografias. Creio que meu marido possui ao menos 17...
Não; como 17, lady Henry?
Bom. então 18. E ainda à noite passada o vi em sua companhia, na Opera.
Ela ria nervosamente falando-lhe e o observava com seus olhos de miosótis. Era uma curiosa mulher, cujos vestidos pareciam concebidos em acessos de raiva e preparados sob uma tempestade.
Estava sempre intrigada com alguém e, como seu amor jamais fora correspondido, conservava todas as ilusões. Procurava parecer pitoresca, mas só conseguia ser desordenada. Chamava-se Victoria e tinha a mania inveterada de ir à igreja.
— Foi durante o ''Lohengrin'', lady Henry?
— Sim, foi durante esse precioso Lohengrin. Amo Wagner mais que ninguém. É tão ruidoso que se pode conversar durante todo o tempo sem ser ouvida. É uma grande vantagem, não concorda, mr. Gray?...
O mesmo riso nervoso escapou de seus lábios finos e ela começou a brincar com um longo corta papel de escamas.
Dorian sorriu, abanando a cabeça.
— Receio não ser da mesma opinião, lady Henry; eu nunca falo durante a música, ao menos durante a boa música. Se se ouve má música, é dever abafá-la com o rumor da conversa.
— Ah! Aí está uma ideia de Harry não é, mr. Gray? Apanho sempre as suas opiniões por meio de seus amigos: é mesmo o único meio que tenho para conhecê-las. Não pense, porém, que não gosto de boa música. Adoro-a, posto que me atemorize: faz-me um pouco romanesca. Tenho simplesmente um culto pelos pianistas, já adorei dois de uma só vez, como me dizia Harry. Nem sei o que eram; talvez fossem estrangeiros. Quase todos o são, até mesmo os nascidos na Inglaterra, não é verdade? É uma habilidade da parte deles e uma homenagem prestada à arte o fazê-la cosmopolita. Mas por que não vem às minhas reuniões, mr. Gray? É preciso vir. Não posso oferecer orquídeas, mas não poupo despesa alguma para atrair os estranhos. Eles se prestam a uma camaradagem tão pitoresca... Eis Harry! Harry, eu vinha pedir-te qualquer coisa, não-sei-quê e aqui encontrei mr. Gray. Tivemos uma palestra divertida, a propósito da música. Temos afinal as mesmas ideias. Não! Creio que divergimos, mas ele foi verdadeiramente amável. Sinto-me muito contente por havê-lo descoberto.
— Estou enlevado, minha querida, todo enlevado — disse lorde Henry, soerguendo as sobrancelhas negras e arqueadas e contemplando os dois com um sorriso faceto. — Sinto-me seriamente contrariado por chegar tão atrasado, Dorian; estive em Wardour Street procurando um pedaço de velho brocado e precisei negociar duas horas; hoje, cada qual sabe o preço de tudo e ninguém sabe o valor de coisa alguma.
— Sou forcada a deixá-los — exclamou lady Henry, rompendo o silêncio com uma intempestiva risada. — Prometi à duquesa acompanhá-la de carro. Até a vista, mr. Gray; até a vista, Harry. Vão jantar fora? Eu também. Talvez os encontre em casa de lady Thornbury.
— É provável, cara amiga — disse lorde Henry, cerrando a porta depois de ela passar.
Semelhante a uma ave de paraíso, que houvesse passado a noite sob a chuva, ela voou, deixando um sutil odor de frangipana. Ele acendeu um cigarro e atirou-se ao canapé.
— Nunca te cases com uma mulher de cabelos cor de palha, Dorian — aconselhou ele, depois de algumas baforadas.
— Por quê, Harry?
— Porque são muito sentimentais.
— Eu gosto de pessoas sentimentais.
— Não te cases nunca, Dorian. Os homens se casam por fadiga, as mulheres por curiosidade: todos são logrados.
— Não creio que esteja em ponto de me casar, Harry. Sou excessivamente amoroso. Eis um dos teus aforismos. Eu o ponho em prática, como tudo o que dizes.
— De quem andas amoroso? — perguntou lorde Harry depois de uma pausa.
— De uma atriz — confessou Dorian Gray, corando.
Lorde Harry sacudiu os ombros:
— É um início bem comum...
— Não dirias isso, se a houvesse visto, Harry.
— Quem é?
— Chama-se Sibyl Vane.
— Nunca ouvi falar...
— Ninguém ouviu; mas hão de falar dela um dia. É genial.
— Meu caro ingênuo, nenhuma mulher é genial. As mulheres formam um sexo decorativo. Nunca sabem o que dizer, mas dizem-no de uma maneira admirável. As mulheres representam triunfo da matéria sobre a inteligência, assim como os homens representam o triunfo da inteligência sobre os costumes.
— Harry, podes afirmar isso?
— Meu caro Dorian, é absolutamente verdadeiro. Analiso a mulher neste momento e, assim, devo conhecê-la. O assunto é menos abstrato do que eu pensava. Em resumo, descubro
que só há duas espécies de mulheres: as naturais e as postiças. As mulheres naturais são muito úteis; se queres adquirir uma reputação de respeitabilidade, só tens que conduzi-las a cear. As outras são inteiramente agradáveis; todavia, cometem uma falta. Pintam-se para ensaiar o remoçamento. Nossas avós pintavam-se para parecer mais brilhantes. O "Vermelhão e o Espírito" andavam juntos. Tudo isso acabou. Enquanto uma mulher pode parecer dez anos mais moça que sua própria filha, está perfeitamente satisfeita. Quanto à conversação, não há mais de cinco mulheres em Londres, às quais valha a pena dirigir-se a palavra, e duas dentre elas não podem ser recebidas em uma sociedade que se respeita. A propósito, fala-me do teu gênio. Desde quando a conheces?
— Ah! Harry, as tuas ideias me aterrorizam!
— Não ligues importância. Desde quando a conheces?
— Há três semanas.
— E como a encontraste?
— Conto te, sob a condição de que não rias, Harry, mas não quero que... Afinal, o fato nunca se daria, se eu não te houvesse encontrado. Tu me encheste do ardente desejo de tudo saber da vida. Durante dias, após o nosso encontro, qualquer coisa de novo parecia pulsar me nas veias. Quando passeava por Hyde Park ou descia por Piccadilly, observava todos os transeuntes, imaginando com a mais viva curiosidade que espécie de existência poderia levar cada um deles. Alguns me fascinavam. Outros me apavoravam. Havia como um esquisito veneno no ar. Eu tinha a paixão dessas sensações... Pois bem, uma noite, pelas sete horas, resolvi sair em busca de qualquer aventura. Sentia que a nossa cinzenta e monstruosa Londres, com seus milhões de habitantes, seus sórdidos pecadores e seus pecados esplêndidos, como dizias, devia ter para mim qualquer coisa reservada. Imaginava mil coisas. O simples perigo produzia-me uma sorte de contentamento. Lembrava-me de tudo quanto me disseras durante essa maravilhosa tarde, quando jantamos juntos pela primeira vez, a propósito da pesquisa da Beleza, que é o verdadeiro sentido da existência. Não sei bem o que esperava, mas encaminhei-me para leste e logo me perdi em um labirinto de vielas escuras e ferozes e praças de relva pelada. Pelas oito e meia, passei diante de um absurdo teatrinho flamejante de fios de luzes e com cartazes multicores. Um horrendo judeu, vestindo o mais espantoso jaleco que já vi em minha vida, encontrava se à entrada, fumando um ignóbil charuto. Tinha melenas oleosas e um enorme diamante faiscava no plastrão manchado de sua camisa. "Quer eis um camarote, ''my'' lorde?", disse ele, logo que me percebeu e levantando o chapéu com um servilismo especial. Achei qualquer coisa de divertido nele, Harry. Era um verdadeiro monstro. Tu rirás de mim, bem sei, mas a verdade é que entrei e paguei um guinéu por esse camarote. Hoje, não poderia dizer como isso se passou; e, entretanto, se assim não tivesse sido, meu caro Harry, se assim não fosse, eu teria perdido o mais magnífico romance de toda a minha vida... Percebo que ris. Não fazes bem.
— Não estou rindo, Dorian; ou, ao menos, não estou rindo de ti; mas não precisas dizer: o mais magnífico romance da tua vida. Deves dizer o primeiro romance de toda a tua vida. Tu serás sempre amado e estarás sempre amoroso. ''Uma grande paixão'' é a sorte daqueles que nada têm a fazer. É a única utilidade das classes desocupadas de um país. Nada receies. Esperam-te prazeres exóticos. Isto agora é apenas o começo.
— Julgas-me uma natureza tão fútil? — quis saber Dorian Gray aborrecido.
— Não, acho-a até profunda.
— Que queres dizer?
— Meu caro filho, os verdadeiros fúteis são os que amam só uma vez na vida. O que eles chamam a sua lealdade ou fidelidade eu classifico o sono do hábito ou a sua falta de imaginação. A fidelidade é para a vida sentimental o mesmo que a estabilidade é para a vida intelectual — simplesmente uma confissão de impotência. A fidelidade! Eu a analisarei um dia! Há nela a paixão da propriedade. Abandonaríamos muitas coisas, se não tivéssemos o receio de que outros as recolhessem. Não quero, porém, interromper-te. Prossegue na tua narração.
— Bem. Achava-me, pois, instalado em um horroroso camarotinho, fronteiro a um vulgaríssimo pano de entreato Pus me a contemplar a sala. Era uma lantejoulada decoração de cornucópias e Cupidos; dir-se-ia a câmara montada para um casamento de terceira classe. As galerias e a platéia regurgitavam de espectadores, mas as duas fileiras de poltronas sujas estavam absolutamente vazias e havia justamente uma pessoa no que eu suponho que devessem chamar a varanda. Mulheres circulavam com laranjas e cerveja gengibrada; fazia-se um espantoso consumo de nozes.
— Devia ser como nos gloriosos dias do drama inglês.
— Com certeza. Muito sem conforto, aliás, comecei a indagar o que poderia fazer, quando lancei os olhos ao programa! Que imaginas que representavam, Harry?
— Suponho que ''O idiota ou o mundo inocente''. Nossos pais gostavam muito dessa sorte de peças. Quanto mais vivo, Dorian, mais vivamente sinto que o que era bom para nossos pais não presta para nós. Em arte, como em política, ''les grands-pères ont toujours tort''...
— Esse espetáculo era bom para nós, Harry. Era ''Romeu e Julieta'': devo confessar que me contrariou a ideia de ver Shakespeare representado naquela barafunda. Sentia-me, todavia, intrigado. A todo risco, decidi me esperar o primeiro ato. Havia uma maldita orquestra, dirigida por um jovem hebreu sentado num piano em ruínas, que me provocava a vontade de sair, mas ergueu-se o pano e a peça começou. Romeu era um gordo ''gentleman'' idoso, com sobrancelhas enegrecidas à rolha queimada, uma voz rouca de tragédia e uma figura como um barril de cerveja. Mercúrio era pouco mais ou menos tão feio. Representava como esses cômicos de baixo grau, que juntam suas insânias aos papéis, e parecia entender-se muito amigavelmente com a platéia. Eram ambos tão grotescos como as decorações; os espectadores poderiam julgar-se em uma barraca de mascataria. Mas Julieta! Imagina, Harry, uma donzela de 17 anos apenas, com a figura de uma flor, uma pequena cabeça grega com trancas de castanho carregado, olhos apaixonados de profundezas violáceas e lábios como pétalas de rosa! Era a mais adorável figura que eu jamais vira. Disseste-me uma vez que eras insensível perante o patético. Essa beleza, porém, essa simples beleza te traria lágrimas aos olhos. Asseguro— te, Harry, que apenas vi essa rapariga através da névoa de pranto que me umedeceu as pálpebras. E a voz! Nunca ouvi voz igual! Falava muito baixo a principio, em tom profundo e melodioso, como se sua palavra só se destinasse a um ouvido; depois fez-se ouvir mais alto e o som lembrava o de uma flauta ou de um oboé longínquo. Na cena do jardim, havia um êxtase tremente que se percebe antes da aurora, quando cantam os rouxinóis. Um pouco depois, havia momentos em que essa voz tomava o tom de intensa paixão dos violinos. Tu sabes quanto uma voz pode comover. Tua voz e a de Sibyl Vane são duas músicas que nunca mais esquecerei. Quando cerro os olhos, eu as ouço, e cada uma delas fala diversamente. Não sei qual delas seguir. Por que não a amaria, Harry? Amo-a. Ela é tudo para mim na vida. Todas as noites vou vê-la representar. Um dia é Rosalinda e, no dia seguinte, Imogênia. Eu a vi morrer no horror sombrio de um túmulo italiano, aspirando o veneno dos lábios de seu amante. Acompanhei-a, errando na floresta de Ardenes, disfarçada em rapazote, de gibão e polainas, com um pequeno chapéu. Estava doida e achava-se em face de um rei culpado, a quem fazia tomar ervas amargas. Ela era inocente e as negras mãos do ciúmes comprimiam-lhe a garganta fina como uma cana. Admirei a em todos os tempos e sob todos os costumes. As mulheres ordinárias não despertam as nossas imaginações. São limitadas à sua época. Nenhuma magia as transfigura. Conhecemos os seus corações como os seus chapéus. Adivinha se tudo nelas; em nenhuma delas há mistério. Passam as manhãs no parque e tagarelam em chás, à tarde. Trazem os seus sorrisos estereotipados e regulam as suas maneiras pela moda. São perfeitamente límpidas. No entanto, uma atriz! Quão diferente é uma atriz! Harry! Por que não me ensinaste que o único ser digno do amor é uma atriz?
— Porque já amei demais, Dorian.
— Oh!, sim; horrendas criaturas de cabelos tintos e peles pintadas.
— Não desprezes os cabelos tintos e as peles pintadas que, muitas vezes, têm um encanto extraordinário — disse lorde Henry.
— Fora melhor não te haver falado de Sibyl Varie.
— Não poderias agir de outro modo, Dorian. Durante toda a tua vida, de hoje em diante, tu me referirás o que fizeres.
— Sim, Harry, creio que isso é verdade. Não posso deixar de dizer-te tudo. Exerces uma singular influência sobre mim. Se algum dia cometesse um crime, iria buscar-te para confessá-lo. Tu me compreendes.
— Os homens como tu, fatídicos raios de sol da existência, não cometem crimes, Dorian. Agradeço-te, todavia, as atenções. E agora dize-me — passa-me os fósforos... Obrigado.
— Quando estreitas as tuas relações com Sibyl Vane?
Dorian Gray deu um salto, ruborizou-se e seus olhos incendiaram-se:
— Harry! Sibyl Vane é sagrada!
— Só as coisas sagradas merecem pesquisa, Dorian — disse lorde Henry, com estranho acento, penetrante. — Por que te inquietas? Ela será tua qualquer dia. Quando se ama, a princípio cada um abusa de si próprio, mas sempre acaba abusando dos outros. É o que o mundo chama um romance. Em todo caso, tu a conheces...
— Conheço-a, não há dúvida. Desde a primeira noite em que fui ao teatro, o vil judeu veio rondar em torno de meu camarote e, findo o espetáculo, propôs-se a apresentar-me a ela. Revoltei me e disse lhe que Julieta estava morta, havia séculos, e que seu corpo repousava em um túmulo de mármore em Verona. Pelo seu olhar estuporado, compreendi que ele teve a impressão de que eu houvesse bebido muito champanhe ou coisa que o valha.
— Não me surpreendo.
— Então, o homem perguntou-me se eu escrevia em algum jornal. Respondi-lhe que nem sequer os lia. Ele pareceu-me extremamente desapontado, depois confiou-me que tinha coligados contra si todos os críticos dramáticos e que estes se vendiam.
— Quanto ao primeiro ponto, nada posso dizer, mas quanto ao segundo, a julgar pelas aparências, eles não devem custar muito caro.
— Talvez; mas o homem mostrava acreditar que eles estavam acima dos seus recursos — disse Dorian rindo. — Nesse ponto, apagaram-se as luzes do teatro e eu tratei de retirar me. O judeu quis fazer-me fumar charutos, que recomendava insistentemente; declinei do oferecimento. Na noite seguinte, naturalmente, voltei. Desde que ele me viu fez-me uma profunda reverência e assegurou-me que eu era um magnífico protetor das artes. Era uma temível alimária, embora alimentasse uma extraordinária paixão por Shakespeare. Disse-me uma vez, com orgulho, que as suas cinco falências eram inteiramente devidas ao Bardo, como ele o chamava com persistência. Parecia possuir nisso um título de glória.
— Era um, meu caro Dorian, verdadeiro. Muita gente se arruina por haver muito ousado nesta era de prosa. Arruinar-se pela poesia é uma honra. Quando, porém, falaste, pela primeira vez, a miss Sibyl Vane?
— Na terceira noite. Ela havia representado Rosa linda. Eu não podia decidir-me. Havia-lhe atirado flores e ela me havia olhado, como eu, ao menos, presumia. O velho judeu insistia. Mostrou-se tão resolvido a conduzir-me ao palco que eu, por fim, consenti. É curioso, não achas, esse retraimento?
— Não.
— Meu caro Harry, por quê?
— Eu te direi depois. Agora quero saber o que aconteceu à pequena.
Sibyl? Oh!, estava tão tímida, tão encantadora! Lembra uma criança: seus olhos abriam-se maravilhados, quando lhe falava no seu talento; parece absolutamente inconsciente da própria força. Creio que estávamos um pouco enervados. O velho judeu fazia caretas no corredor do camarim poeirento, pairando por nossa conta, enquanto nos contemplávamos como crianças. Ele perseverava em chamar-me ''my'' lorde e eu fui forçado a declarar a Sibyl que absolutamente não era tal. Ela disse me singelamente: "Tendes antes um ar de príncipe e eu quero chamar-vos o Príncipe Encantador".
— Realmente, Dorian, miss Sibyl sabe dirigir um cumprimento!
— Tu não a compreendes, Harry... Ela me considerava um herói de teatro. Não sabe nada da vida. Vive com sua mãe, uma velha abatida que, na primeira noite, representava a lady Capuleto, numa espécie de roupão vermelho, e que parecia ter conhecido melhores dias.
— Conheço esse aspecto. Desanima — resmungou lorde Henry, examinandos os anéis.
— O judeu quis contar-me sua história, mas eu declarei-lhe que não me interessava.
— Tens razão. Há qualquer coisa de infinitamente mesquinho nas tragédias dos outros.
— Sibyl é o único ente que me interessa. Que me importa saber de onde ela vem? De sua cabecinha aos seus pés minúsculos, ela é absolutamente divina. Cada noite vou vê-la representar e cada noite ela é mais maravilhosa.
— Eis por que, sem dúvida, não jantas mais comigo. Bem imaginei que linhas qualquer romance preparado: não me enganei, mas isso não é, certamente, o que eu esperava.
— Meu caro Harry, nós almoçamos e ceamos juntos, todos os dias, e fui à Opera contigo várias vezes disse Dorian, arregalando os olhos azuis espantados.
— Chegas sempre tão tarde!
— Não posso, porém, deixar de ir ver Sibyl, durante um ato que seja! — exclamou ele. — Vou faminto da sua presença; e, quando penso na alma prodigiosa que se esconde nesse corpinho de marfim, sinto-me angustiado!
— Podes jantar comigo esta noite, Dorian?
Dorian balançou a cabeça.
— Hoje à noite, ela é Imogênia e amanhã será Julieta.
— Quando ela é Sibyl Vane?
— Nunca.
— Felicito-te.
— Como és perverso! Ela resume todas as grandes heroínas do mundo em uma só pessoa. É mais que uma individualidade. Tu ris e eu disse-te que ela era genial. Amo-a; é preciso que me faça amar por ela. Tu, que conheces todos os segredos da vida, ensina me o que devo fazer para que Sibyl Vane me ame! Quero fazer Romeu ciumento. Quero que todos os amantes de outrora nos ouçam rir e fiquem tristes! Quero que um sopro de nossa paixão reanime as suas cinzas e os desperte na sua pena! Meu Deus! Harry, como eu a adoro.
Dorian ia e vinha de um para outro lado no gabinete; um rubor de febre inflamava lhe as faces. Parecia excitadíssimo.
Lorde Harry observava-o com um sutil sentimento de prazer. Como era diferente, agora, do mancebo tímido, amedrontado, que ele havia encontrado no ateliê de Basil Hallward! O natural havia-se desenvolvido como uma flor desabrochada em feitio de uma umbela escarlate. A alma saíra do esconderijo e o desejo a tinha encontrado.
— E o que propões fazer? interrogou enfim lorde Harry.
— Queria que tu e Basil viésseis comigo vê-la trabalhar, uma noite destas. Não tenho a menor dúvida quanto ao resultado. Ambos reconhecerão certamente o seu talento. Então havemos de retirá-la das mãos do judeu. Ele contratou-a por três anos, ou dois anos e oito meses, presentemente. Deverei, sem dúvida, pagar qualquer coisa. Feito isto, procurarei um teatro em West End e torná-la-ei convenientemente conhecida. Ela extasiará o mundo.
— Isto é impossível.
— Sim, ela o conseguirá; ela não só tem talento, o instinto consumado da arte, como uma verdadeira personalidade; e muitas vezes me disseste que eram as personalidades e não os talentos que revolviam as épocas.
— Bem, quando iremos nós?
— Vejamos: hoje é terça-feira... Amanhã! Ela, amanhã, interpretará Julieta.
— Muito bem; no Bristol, às oito horas. Eu trarei Basil.
— As oito horas não, Harry, por favor! As seis e meia. É necessário que lá estejamos antes da subida do pano. Devemos vê-la no primeiro ato, quando ela encontra Romeu.
— Seis horas e meia! Que horário! Teremos então um chá ou uma leitura de romance inglês... Escolhamos sete horas. Nenhum ''gentleman'' janta antes das sete horas. Verás Basil ou devo escrever lhe?
— Caro Basil! Há uma semana não o vejo! Procedo mal com ele. Enviou o meu retrato numa admirável moldura, especialmente por ele desenhada, e, embora eu tenha ciúmes da pintura, um mês mais moça que eu, devo reconhecer que me deleita. Talvez fosse melhor que lhe escrevesses, pois não desejo vê-lo só... Diz-me coisas fastidiosas e dá-me bons conselhos.
Lorde Henry sorriu:
— Por prazer, nos desembaraçamos do que precisamos. É o que eu chamo o abismo da generosidade.
— Oh! Basil é o melhor dos meus camaradas, mas parece-me um pouco filisteu. Descobri isto, Harry, desde que te conheço.
— Basil, meu caro, emprega em suas obras tudo quanto há nele de delicioso. A consequência é que só conserva para a sua vida os seus prejuízos, os seus princípios, o seu senso comum. Os únicos artistas que conheci pessoalmente deliciosos eram maus artistas. Os verdadeiros artistas só existem no que produzem e, conseguintemente, as suas pessoas não oferecem interesse algum. Um grande poeta, um verdadeiro grande poeta, é o mais prosaico dos seres. Os poetas inferiores, porém, são os homens mais sedutores. Quanto pior sabem rimar, mais pitorescos se tornam. O simples fato de haver publicado um livro de sonetos de segunda ordem torna um homem perfeitamente irresistível. Este vive o poema que não consegue escrever; os outros escrevem o poema que não ousam realizar.
— Creio que é verdadeiramente assim, Harry — disse Dorian Gray, perfumando o lenço em um grande frasco de tampo de ouro que se achava sobre a mesa. — Assim deve ser, mesmo porque dizes. E agora adeus. Imogênia me espera; amanhã, não te esqueças... Até a vista.
Logo que outro partiu, caíram as pesadas pálpebras de lorde Henry e este pôs-se a refletir. Na verdade, poucos seres jamais o tinham interessado tanto quanto Dorian Gray, e a paixão do adolescente por quem fosse causava-lhe um ligeiro arrepio de aborrecimento ou de ciúme. Estava contente. Aos seus próprios olhos, tornava-se mais um interessante objeto de estudo. Sempre fora dominado pelo atrativo das ciências, mas os assuntos ordinários das ciências naturais haviam-lhe parecido vulgares e pouco curiosos. De sorte que havia começado pela análise de si mesmo e acabava por analisar os outros. A vida humana — eis a única coisa que lhe parecia digna de investigação. Nenhuma outra, comparativamente, apresentava o menor valor. Na verdade, quem considerasse a vida e seu estranho cadinho de dores e delícias, não poderia suportar na face a máscara de vidro do químico, nem impedir que os vapores sulfurosos lhe turvassem o cérebro e imbuíssem a sua imaginação de monstruosas fantasias e sonhos disformes. Havia venenos tão sutis que, para conhecer as suas propriedades, seria preciso alguém experimentá-los em si próprio. Havia moléstias tão exóticas que alguém deveria suportá-las, se quisesse conhecer a sua natureza. E, então, que recompensa! Quão prodigioso se tornaria o mundo inteiro! Notar a áspera e estranha lógica das paixões, a vida emocional e colorida da inteligência, observar o ponto em que elas se encontram ou se separam, como vibram uníssonas e como discordam — nisso haveria um verdadeiro gozo! Que importava o seu preço? Nunca seriam pagas muito caro tais sensações.
Ele tinha consciência de que — e tal pensamento punha-lhe um brilho de prazer nos olhos de ágata escura... — era devido a certas palavras suas, palavras musicais, pronunciadas em tom musical, que a alma de Dorian Gray se voltara para essa branca rapariga e tombara em adoração diante dela. O adolescente era de algum modo sua própria criação. Ele o fizera abrir-se prematuramente à vida. Era alguma coisa. A gente vulgar espera que a vida lhe descubra os segredos; ao menor número, porém, aos mais seletos, esses mistérios são revelados antes que o véu seja arrancado. Algumas vezes isso é um efeito de arte, particularmente da literatura, que afeta diretamente as paixões e a inteligência. De tempos em tempos, porém, uma personalidade complexa toma o lugar da arte, torna-se assim, no seu gênero, uma verdadeira obra de arte, tendo a vida as suas obras-primas, tal qual a poesia, a escultura ou a pintura.
Sim, o adolescente era precoce; ceifava na primavera. Existia nele o impulso da paixão e da mocidade, mas tornava-se pouco a pouco consciente de si mesmo. Era um gosto observá-lo. Com sua bela figura e sua bela alma devia fazer sonhar. Por que inquietar-se pela maneira como acabaria ou com o fim fatal disso tudo?... Ele era como uma dessas graciosas figuras de um espetáculo, cujas alegrias nos espantam, mas cujas mágoas nos despertam o sentimento da beleza e as chagas nos aparecem como rosas rubras.
A alma e o corpo, o corpo e a alma, que mistérios! Há animalidade na alma e o corpo temos seus momentos de espiritualidade. Os sentidos podem afinar-se e a inteligência, degradar-se. Quem seria capaz de dizer onde cessam as impulsões da carne e onde começam as sugestões psíquicas?
Como são limitadas as arbitrárias definições dos psicólogos! E que dificuldade de decidir entre as pretensões das diversas escolas! A alma seria uma sombra reclusa na casa do pecado? Ou o corpo e a alma não seriam realmente senão uma só coisa, como pensava Giordano Bruno? A separação do espírito e da matéria era um mistério, como era também um mistério a união da matéria e do espírito.
Como tentamos fazer da psicologia uma ciência tão absoluta, capaz de revelar-nos as menores molas da vida?... Na verdade, nós nos iludimos constantemente e raramente compreendemos os outros. A experiência não tem valor ético. É somente o nome que os homens dão a seus erros. Os moralistas a apreciam, de ordinário, como uma forma de aviso; reclamaram para ela uma eficácia ética na formação dos caráteres; elogiaram-na como qualquer coisa que nos ensinasse o que cumpre fazer-se e o que convém evitar-se. Não existe, porém, poder algum ativo na experiência. Ela é uma coisinha móvel como a própria consciência. Tudo quanto está verdadeiramente demonstrado é que o nosso futuro poderá ser o que foi o nosso passado e que o pecado, em que uma vez caímos com desgosto, nós o cometeremos ainda muitas vezes, e com prazer.
Tornava se evidente para lorde Harry que o método experimental é o único pelo qual se pode chegar à análise científica das paixões e que Dorian Gray era, certamente, para ele um assunto prometedor de ricos e frutuosos resultados. Sua paixão súbita por Sibyl Vane não era um fenômeno psicológico de estreito interesse. Sem dúvida, a curiosidade aí entrava em grande parte, a curiosidade e o desejo de adquirir uma nova experiência; mas a paixão era mais complexa do que simples. O que continha de puro instinto sensual de puberdade havia se transformado, pelo trabalho da imaginação, em qualquer coisa que parecia ao adolescente alheia aos sentidos e não era, por isso, menos grave. As paixões sobre cuja origem nos enganamos tiranizam-nos mais violentamente do que todas as outras. Nossos mais fracos motores são aqueles de que conhecemos a natureza. Muitas vezes acontece que, quando pensamos fazer uma experiência nos outros, fazemo-la em nós mesmos.
Enquanto lorde Henry, assentado, refletia sobre todas essas coisas, bateram na porta e seu criado entrou para lembrar-lhe que era tempo de vestir-se para o jantar. Ele levantou-se e espiou a rua. O sol poente inflamava de púrpura e ouro as janelas altas das casas fronteiras. As vidraças lampejavam como placas de metal ardente. No alto, o céu parecia uma rosa fanada. Ele pensou na vitalidade impetuosa de seu jovem amigo, curioso de saber como tudo findaria.
Quando regressou a casa, às doze e meia da noite, encontrou um telegrama sobre a mesa. Abriu-o e percebeu que era de Dorian Gray. Este participava-lhe que havia prometido desposar Sibyl Vane.
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[[Categoria:O Retrato de Dorian Gray (João do Rio)|Capitulo 04]]
[[en:The Picture of Dorian Gray (1891)/Chapter 4]]
[[et:Dorian Gray portree/IV]]
[[fr:Le Portrait de Dorian Gray/IV]]
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" /></noinclude>{{cab|ANT}}
{{lema|ANTIQUARIO}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Inveſtigador de antiguidades, o que faz profissão e eſtudo particular de conhecer e deſcobrir couſas antigas}}. Do Lat. ''Antiquarius''. {{bib|Leão}}, Deſcript. 2 André Alciato, e Onuphrio Panvinio, diligentes ''antiquarios. {{bib|Freir.}} Vid. 1, 57 Forão buſcados velhos e ''antiquarios'', ſcientes em differentes lingoas. {{bib|Brand.}} Mon. 3, 8, 26 Pudêra ſervir a eſte autor, já que ſe profeſſava ''antiquario'', o dito de táo grave peſſoa, como João de Barros, para fazer algum exame neſte ponto.
{{lema|ANTIQUISSIMAMENTE}} {{catgram|adv. ſuperl.}} ''Muito antigamente, na mais remota antiguidade''. {{bib|Luc.}} Vid. 1, 15. {{bib|Vieir.}} Palavr, 13, 2, 3. p. 67.
{{lema|ANTIQUISSIMO, A.}} {{catgram|ſuperl.}} ''Muito antigo''. Do Lat. ''Antiquiſſimus''. {{bib|Barreir.}} Chorog. 7 . {{bib|Fernand.}} Palm. 3, 2. {{bib|Brit.}} Chr. 1, 9.
{{lema|ANTIRRHINA}} {{catgram|s.f.}} ''O meſmo que'' Antherino. {{bib|Curv.}} Atal. 271 He grande remedio trazer ao peſcoço hum bracelete da ſemente de ''antirrhina''.
{{lema|ANTISCORBUTICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} ''Contrario ao eſcorbuto ou util para curalo''. {{bib|Curv.}} Polyanth. 2, 21, 143. n. 31 Foi huma qualidade venenola eſcorbutica, que zomba dos remedios, que eſtancão o ſangue, e ſó obedece aos remedios ''antiſcorbuticos''.
{{lema|ANTISPASMODICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} ''Contrario ao eſpamo, proprio para ſocegar as convulsões, os movimentos convulſivos, e a diſpoſição das partes para as convulsões; diſpoſição, que ſe chama particularmente eſpamo''. {{bib|Curv.}} Polyanth. 2, 9, 73. n. 71 Uſemos de remedios ''antiſpaſmodicos''.
{{lema|ANTISPODIO}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|Pharmac.}} Vej. Eſpodio. {{bib|Ort.}} Colloq. 50, 193 Não ha mais que hum eſpodio no mundo ou pófolix ou tutía: e por falta deſte tomavão outras mezinhas os Gregos, e chamavãolhes ''antiſpodio'', que quer dizer eſpodio falſo ou contrafeito; mas os Arabios não fazem menção deſte eſpodio, ſenão debaixo do nome de tutía ou pófolix, nem de ''antiſpodio'' fazem alguma menção.
{{lema|ANTISTITE}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|pouc. uſ.}} ''O meſmo que'' Prelado. Do Lat. ''Antiſtes''. acc. na antepenult. {{bib|CARDOS.}} Agiol. 3, Vagando a mitra de Girona... o deſtinou ſeu ''Antiſtite'' [a S. João Godo] &c.
{{lema|ANTISTRUMATICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} ''Contrario ás alporcas ou util para curalas''. {{bib|Curv.}} Atal. 13 E então entrará a tomar doze ou quatorze vezes as minhas pirolas ''antiſtrumaticas''.
{{lema|ANTITHESIS}}. {{catgram|s. f.}} {{uso|Rhet.}} ''Certa figura, de que ſe uſa quando na oração ſe ajuntão ſentenças ou palavras contrarias''. Greg. ἀντίθεσις. acc. na antepenult. {{bib|Vieir.}} Serm. 2, 13, 6. n. 426 Tomára ter mais honradas ''antitheſes'', mas eſtas são as que lemos na Eſcritura. {{bib|M. Fern.}} Alm. 2, 1, 26. n. 13 São eſtas ''antitheſis'' de hum coração, que buſca allivio no aumento do ſeu meſmo ſentimento.
{{parindent|{{uso|Gramm.}} ''Certa figura de Grammatica, quando ſe põe huma letra em lugar de outra''. {{bib|Barr.}} Gramm. 165 ''Antitheſis'', quer dizer, poſtura de letra huma por outra; como quando dizemos, dixe por diſſe.}}
{{lema|ANTITONE}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|Geogr.}} ''O meſmo que'' Antipoda. acc. na antepenult. {{bib|M. de Figueir.}} Chronogr. 3, 22 Tambem lhe chamárão [aos antipodas] ''antítones''.
{{lema|ANTITYPO}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|Theol.}} ''O que he ſignificado por typo ou exemplar.'' Do Lat. ''Antitypum''. {{bib|M. Bern.}} Medit. 11, 3 O' generoſa filha do grande Patriarca Abraham, e ſeu ''antitypo'' completo no ſacrificio do figurado Iſaac.
{{lema|ANTIVENEREO, A}}. {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} ''Contrario ás enfermidades venereas, ou proprio para curalas''. {{bib|Curv.}} Obſerv. 7, 1 Pelo contrario digo, que nem por iſſo ſe devem curar as enfermidades com medicamentos ''antivenereos''.
{{lema|ANTOJAR}}. {{catgram|v. a.}} Figurar ou repreſsentar à vontade ou ao deſejo. {{bib|CALV.}} Defení. Ded. Apregoando não o que lhe moſtrava a luz, mas ''antojava'' a inveja. {{bib|Ceit.}} Serm. 1, 127, 4 Ainda os proprios idolatras, que adoravão tantos Idolos por deoſes, quantos o appetite lhes ''antojava'', concedião hum ſupremo ſobre todos, que chamavão Jupiter.
<p style="text-indent:2em; margin-top:-1em">Com pron. peſſ. ''Offerecerſe á imaginação as mais das vezes ſem razão, nem fundamento''. {{bib|Ceit.}} Quadrag. 2, 99, 1 Não quizeſtes eſtar pela ordem do céo, e quizeſtes ''quem ſe vos antojou''. {{bib|Fernand. Galv.}} Serm. 1, 70, 4 Por iſſo moſtráo [os Phariſeos] que tem receio do povo dos Judeos, e das armas dos Romanos, e ''ſe'' lhe ''antoja'' tudo por acabado, porque todo o invejoſo he cobarde. {{bib|S. Ann.}} Chr. 3, 43, 876 He grande deſordem e ſemrazão ... que hum Prélado, em ''ſe'' lhe ''antojando'', que [o ſubdito] guarda mal ſuas ordens, ſejão taes ſeus atrufos, ſeus ſentimentos, ſuas carrancas, que o atemorize com ellas.</p>
{{lema|ANTOJO}} {{catgram|s. m.}} ''Imaginação, juizo ou apprehensão, que ſe faz de alguma couſa ſem baſtante fundamento''. {{bib|Paiv.}} Serm. 1, 31 Todos os que vivem por appetite, vivem acaſo e de ''antojo''. {{bib|S. Ann.}} Chr. 1, 3, 20 Paſſada a primeira turbação, como a visão foi imaginaria, e a primeira, que teve, parecèolhe engano e antojo, e ſe deo or deſentendida.
<p style="text-indent:2em; margin-top:-1em">''Appetite, deſejo vehemente, as mais das vezes fundado na vontade e contrario á razão.'' {{bib|Sá de Mir.}} Ecl. 8, 31 Come de toda a vianda, Não andes neſſes ''antojos''. {{bib|Ceit.}}, Quadrag. 2, 138, 2 Para Deos os divertir [aos Iſraelitas] daquelle ''antojo'', mandou &c. {{bib|Pint. Rib.}} Prefer. 1, 168 Os poderoſos tem para ſi, que ò que he vontade e ''antojo'' ſeu, ſe lhes deve de juſtiça.</p>
<p style="text-indent:2em; margin-top:-1em">''Appetite deſordenado, deſejo extravagante, goſto depravado, como ás vezes tem as mulheres prenhes, os enfermos, &c.'' {{bib|Ceit.}} Serm. 2, 153, 3 ''Antojo'' foi do enfermo, mas aſſás grande honra do Medico. {{bib|M. Bern.}} Arm. 26, 7 Como em algumas mulheres pejadas, que lhes pede o ſeu ''antojo'' comer cal, e carvão, e outras peiores couſas.</p>
{{lema|ANTOLHAR}}. {{catgram|v. a.}} ſo ſe uſa com pron. peſſ. ''Figurarſe ou repreſentarſe aos olhos ou à imaginação''. Das couſas corporeas. {{bib|Cam.}} Luſ. 4, 71 Das agoas ſe lhe ''antolha'', que fahião ... Dous homens. {{bib|Maus}} Aff. Af. 12, 185 Não ſei, que foi! foi meu deſtino triſte, ''Antolhouſeme'' o Principe diante; Eu vou ſeguindo, elle em fugir inſiſte: Vede a cegueira de hum novel amante
<p style="text-indent:2em; margin-top:-1em"> {{Uso|Met.}} ''Proporſe ou offerecerſe à imaginação, ao deſejo ou appetite.'' {{bib|Barr.}} Dec. 1, 3, 2 Porém em quanto a obra durou, ſempre ſe teve grande vigia e tento nelles, não ſe lhe ''antolhaſſe'' outra vaidade alguma. {{bib|Leão.}}, Chr. de D. Pedr. 177 Era, pois, el Rei Dom Pedro azedo e terrivel de ſua condição em punir os delinquentes, ou que ſe lhe ''antolhava'' que o erão. {{bib|Barth. Guerreir.}} Cor. 2, 1, 192 Quando ſe lhe ''antolhou'', que ouvira huma voz que duas vezes o chamȧra: Marcello? Marcello?</p>
{{lema|ANTOLHOS}} {{catgram|s. m. pl.}} ''Pedaços de couro, redondos ou quadrados, e de figura concava, os quaes pegados nas cabeçadas das beſtas, lhes eſcondem o que lhes fica de lado''. {{bib|Tr. da Ginet.}} 18, 50 Pera ficardes mais forte, ſe lhe tirem os ''antolhos''. {{bib|S. Ann.}} Chr. 1, 17, 101 Accrecentando alguns ás cordas outras inſignias de mortificação
e opprobrio, como vendas de panno, ou de cilicio, ou de ''antolhos'' d'eſparto nos olhos.
<p style="text-indent:2em; margin-top:-1em"> {{Uso|Met.}} {{bib|Cam.}} Luſ. 10, 33 Eis vem o pai com ânimo e estupendo, trazendo fúria e magoa por ''antolhos''. {{bib|Fr. Bernard. da Silv.}} Defenſ. 2, 24 E ſem ''antolhos'' ſe deixa bem ver ſer a noſſa Luſitania &c. {{bib|Machad.}} Alf. 2, 85 Se atégora com ''antolhos'' Da vãa e cega affeição, Me trouve Amor da razão Tapados os claros olhos, Jágora abertos eſtão.</p>
<p style="text-indent:2em; margin-top:-1em">Antolhos. {{uso|ant.}} ''Appetites, deſejos vehementes, mais fundados na vontade, que na razão.'' {{bib|Sa de Mir.}} Ecl. 4 Amor, que por ''antolhos'' tudo ordena, Bem pouco ſe lhe da de que a fe ſanta Se quebre com grão culpa, ou com pequena. {{bib|Ferr. de Vasc.}} Aulegr. 5, 1 Meu amigo foiſe co ſaber de ſeus ''antolhos''.</p>
{{lema|ANTONIANO, A.}} {{catgram|adj.}} ''Pertencente á Antonio, nome proprio de homem''. Particularmente fe applica á Provincia reformada de Franciſcanos Capuchos, denominada de Santo Antonio. {{bib|Cardos.}} Agiol. 2, 44 E com a meſma ſatisfação viſitou as Provincias da Piedade e ''Antoniana'' neſte Reino.
{{lema|ANTONINO, A.}} {{catgram|adj.}} ''O meſmo que'' Antoniano. Applicaſe aos Religioſos da Provinca dos Capuchos, denominada de Santo Antonio. {{bib|Esper.}} Hiſt. 2, 10, 43. n. 7 E depois que os Padres ''Antoninos'' nos levarão a Recoleição inteira, o fizemos [o convento] Recolero. {{bib|Cardos.}} Agiol. 2, 586 Diſſe a Miſſa D. Fr. Lourenço de Souſa, Biſpo d’Elvas, Frade ''Antonino''.
{{lema|ANTONOMASIA}}. {{catgram|s. f.}} {{uso|Rhet.}} ''Certa figura, da qual ſe uſa, quando ſe põe alguma voz appellativa em lugar do nome proprio de alguma peſſoa''. Lat. ''Antonomaſia''. {{bib|Barr.}} Gramm. 174 ''Antonomaſia'', quer dizer, poſtura de nome por nome quando poemos algum nome commum por outro proprio, e iſto por alguma excellencia, que o proprio tem como ſe entende por Philoſopho, Ariſtoteles, per Poeta ácerca dos Latinos, Vergilio, e ácerca dos Gregos, Homero. {{bib|Sous.}} Vid. 1, 26 De maneira que nomean-<noinclude></noinclude>
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{{lema|ANTIQUARIO}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Inveſtigador de antiguidades, o que faz profissão e eſtudo particular de conhecer e deſcobrir couſas antigas}}. Do Lat. ''Antiquarius''. {{bib|Leão}}, Deſcript. 2 André Alciato, e Onuphrio Panvinio, diligentes ''antiquarios. {{bib|Freir.}} Vid. 1, 57 Forão buſcados velhos e ''antiquarios'', ſcientes em differentes lingoas. {{bib|Brand.}} Mon. 3, 8, 26 Pudêra ſervir a eſte autor, já que ſe profeſſava ''antiquario'', o dito de táo grave peſſoa, como João de Barros, para fazer algum exame neſte ponto.
{{lema|ANTIQUISSIMAMENTE}} {{catgram|adv. ſuperl.}} ''Muito antigamente, na mais remota antiguidade''. {{bib|Luc.}} Vid. 1, 15. {{bib|Vieir.}} Palavr, 13, 2, 3. p. 67.
{{lema|ANTIQUISSIMO, A.}} {{catgram|ſuperl.}} ''Muito antigo''. Do Lat. ''Antiquiſſimus''. {{bib|Barreir.}} Chorog. 7 . {{bib|Fernand.}} Palm. 3, 2. {{bib|Brit.}} Chr. 1, 9.
{{lema|ANTIRRHINA}} {{catgram|s.f.}} ''O meſmo que'' Antherino. {{bib|Curv.}} Atal. 271 He grande remedio trazer ao peſcoço hum bracelete da ſemente de ''antirrhina''.
{{lema|ANTISCORBUTICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} ''Contrario ao eſcorbuto ou util para curalo''. {{bib|Curv.}} Polyanth. 2, 21, 143. n. 31 Foi huma qualidade venenola eſcorbutica, que zomba dos remedios, que eſtancão o ſangue, e ſó obedece aos remedios ''antiſcorbuticos''.
{{lema|ANTISPASMODICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} ''Contrario ao eſpamo, proprio para ſocegar as convulsões, os movimentos convulſivos, e a diſpoſição das partes para as convulsões; diſpoſição, que ſe chama particularmente eſpamo''. {{bib|Curv.}} Polyanth. 2, 9, 73. n. 71 Uſemos de remedios ''antiſpaſmodicos''.
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{{lema|ANTISTITE}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|pouc. uſ.}} ''O meſmo que'' Prelado. Do Lat. ''Antiſtes''. acc. na antepenult. {{bib|CARDOS.}} Agiol. 3, Vagando a mitra de Girona... o deſtinou ſeu ''Antiſtite'' [a S. João Godo] &c.
{{lema|ANTISTRUMATICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} ''Contrario ás alporcas ou util para curalas''. {{bib|Curv.}} Atal. 13 E então entrará a tomar doze ou quatorze vezes as minhas pirolas ''antiſtrumaticas''.
{{lema|ANTITHESIS}}. {{catgram|s. f.}} {{uso|Rhet.}} ''Certa figura, de que ſe uſa quando na oração ſe ajuntão ſentenças ou palavras contrarias''. Greg. ἀντίθεσις. acc. na antepenult. {{bib|Vieir.}} Serm. 2, 13, 6. n. 426 Tomára ter mais honradas ''antitheſes'', mas eſtas são as que lemos na Eſcritura. {{bib|M. Fern.}} Alm. 2, 1, 26. n. 13 São eſtas ''antitheſis'' de hum coração, que buſca allivio no aumento do ſeu meſmo ſentimento.
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{{lema|ANTITYPO}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|Theol.}} ''O que he ſignificado por typo ou exemplar.'' Do Lat. ''Antitypum''. {{bib|M. Bern.}} Medit. 11, 3 O' generoſa filha do grande Patriarca Abraham, e ſeu ''antitypo'' completo no ſacrificio do figurado Iſaac.
{{lema|ANTIVENEREO, A}}. {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} ''Contrario ás enfermidades venereas, ou proprio para curalas''. {{bib|Curv.}} Obſerv. 7, 1 Pelo contrario digo, que nem por iſſo ſe devem curar as enfermidades com medicamentos ''antivenereos''.
{{lema|ANTOJAR}}. {{catgram|v. a.}} Figurar ou repreſsentar à vontade ou ao deſejo. {{bib|CALV.}} Defení. Ded. Apregoando não o que lhe moſtrava a luz, mas ''antojava'' a inveja. {{bib|Ceit.}} Serm. 1, 127, 4 Ainda os proprios idolatras, que adoravão tantos Idolos por deoſes, quantos o appetite lhes ''antojava'', concedião hum ſupremo ſobre todos, que chamavão Jupiter.
{{Parindent|Com pron. peſſ. ''Offerecerſe á imaginação as mais das vezes ſem razão, nem fundamento''. {{bib|Ceit.}} Quadrag. 2, 99, 1 Não quizeſtes eſtar pela ordem do céo, e quizeſtes ''quem ſe vos antojou''. {{bib|Fernand. Galv.}} Serm. 1, 70, 4 Por iſſo moſtráo [os Phariſeos] que tem receio do povo dos Judeos, e das armas dos Romanos, e ''ſe'' lhe ''antoja'' tudo por acabado, porque todo o invejoſo he cobarde. {{bib|S. Ann.}} Chr. 3, 43, 876 He grande deſordem e ſemrazão ... que hum Prélado, em ''ſe'' lhe ''antojando'', que [o ſubdito] guarda mal ſuas ordens, ſejão taes ſeus atrufos, ſeus ſentimentos, ſuas carrancas, que o atemorize com ellas.}}
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}}
{{Parindent|''Appetite deſordenado, deſejo extravagante, goſto depravado, como ás vezes tem as mulheres prenhes, os enfermos, &c.'' {{bib|Ceit.}} Serm. 2, 153, 3 ''Antojo'' foi do enfermo, mas aſſás grande honra do Medico. {{bib|M. Bern.}} Arm. 26, 7 Como em algumas mulheres pejadas, que lhes pede o ſeu ''antojo'' comer cal, e carvão, e outras peiores couſas.}}
{{lema|ANTOLHAR}}. {{catgram|v. a.}} ſo ſe uſa com pron. peſſ. ''Figurarſe ou repreſentarſe aos olhos ou à imaginação''. Das couſas corporeas. {{bib|Cam.}} Luſ. 4, 71 Das agoas ſe lhe ''antolha'', que fahião ... Dous homens. {{bib|Maus}} Aff. Af. 12, 185 Não ſei, que foi! foi meu deſtino triſte, ''Antolhouſeme'' o Principe diante; Eu vou ſeguindo, elle em fugir inſiſte: Vede a cegueira de hum novel amante
{{Parindent|{{Uso|Met.}} ''Proporſe ou offerecerſe à imaginação, ao deſejo ou appetite.'' {{bib|Barr.}} Dec. 1, 3, 2 Porém em quanto a obra durou, ſempre ſe teve grande vigia e tento nelles, não ſe lhe ''antolhaſſe'' outra vaidade alguma. {{bib|Leão.}}, Chr. de D. Pedr. 177 Era, pois, el Rei Dom Pedro azedo e terrivel de ſua condição em punir os delinquentes, ou que ſe lhe ''antolhava'' que o erão. {{bib|Barth. Guerreir.}} Cor. 2, 1, 192 Quando ſe lhe ''antolhou'', que ouvira huma voz que duas vezes o chamȧra: Marcello? Marcello?}}
{{lema|ANTOLHOS}} {{catgram|s. m. pl.}} ''Pedaços de couro, redondos ou quadrados, e de figura concava, os quaes pegados nas cabeçadas das beſtas, lhes eſcondem o que lhes fica de lado''. {{bib|Tr. da Ginet.}} 18, 50 Pera ficardes mais forte, ſe lhe tirem os ''antolhos''. {{bib|S. Ann.}} Chr. 1, 17, 101 Accrecentando alguns ás cordas outras inſignias de mortificação
e opprobrio, como vendas de panno, ou de cilicio, ou de ''antolhos'' d'eſparto nos olhos.
{{Parindent|{{Uso|Met.}} {{bib|Cam.}} Luſ. 10, 33 Eis vem o pai com ânimo e estupendo, trazendo fúria e magoa por ''antolhos''. {{bib|Fr. Bernard. da Silv.}} Defenſ. 2, 24 E ſem ''antolhos'' ſe deixa bem ver ſer a noſſa Luſitania &c. {{bib|Machad.}} Alf. 2, 85 Se atégora com ''antolhos'' Da vãa e cega affeição, Me trouve Amor da razão Tapados os claros olhos, Jágora abertos eſtão.</p>
{{Parindent|Antolhos. {{uso|ant.}} ''Appetites, deſejos vehementes, mais fundados na vontade, que na razão.'' {{bib|Sa de Mir.}} Ecl. 4 Amor, que por ''antolhos'' tudo ordena, Bem pouco ſe lhe da de que a fe ſanta Se quebre com grão culpa, ou com pequena. {{bib|Ferr. de Vasc.}} Aulegr. 5, 1 Meu amigo foiſe co ſaber de ſeus ''antolhos''.}}}}
{{lema|ANTONIANO, A.}} {{catgram|adj.}} ''Pertencente á Antonio, nome proprio de homem''. Particularmente fe applica á Provincia reformada de Franciſcanos Capuchos, denominada de Santo Antonio. {{bib|Cardos.}} Agiol. 2, 44 E com a meſma ſatisfação viſitou as Provincias da Piedade e ''Antoniana'' neſte Reino.
{{lema|ANTONINO, A.}} {{catgram|adj.}} ''O meſmo que'' Antoniano. Applicaſe aos Religioſos da Provinca dos Capuchos, denominada de Santo Antonio. {{bib|Esper.}} Hiſt. 2, 10, 43. n. 7 E depois que os Padres ''Antoninos'' nos levarão a Recoleição inteira, o fizemos [o convento] Recolero. {{bib|Cardos.}} Agiol. 2, 586 Diſſe a Miſſa D. Fr. Lourenço de Souſa, Biſpo d’Elvas, Frade ''Antonino''.
{{lema|ANTONOMASIA}}. {{catgram|s. f.}} {{uso|Rhet.}} ''Certa figura, da qual ſe uſa, quando ſe põe alguma voz appellativa em lugar do nome proprio de alguma peſſoa''. Lat. ''Antonomaſia''. {{bib|Barr.}} Gramm. 174 ''Antonomaſia'', quer dizer, poſtura de nome por nome quando poemos algum nome commum por outro proprio, e iſto por alguma excellencia, que o proprio tem como ſe entende por Philoſopho, Ariſtoteles, per Poeta ácerca dos Latinos, Vergilio, e ácerca dos Gregos, Homero. {{bib|Sous.}} Vid. 1, 26 De maneira que nomean-<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" /></noinclude>{{cab|ANT}}
{{lema|ANTIQUARIO}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Inveſtigador de antiguidades, o que faz profissão e eſtudo particular de conhecer e deſcobrir couſas antigas}}. Do Lat. ''Antiquarius''. {{bib|Leão}}, Deſcript. 2 André Alciato, e Onuphrio Panvinio, diligentes ''antiquarios. {{bib|Freir.}} Vid. 1, 57 Forão buſcados velhos e ''antiquarios'', ſcientes em differentes lingoas. {{bib|Brand.}} Mon. 3, 8, 26 Pudêra ſervir a eſte autor, já que ſe profeſſava ''antiquario'', o dito de táo grave peſſoa, como João de Barros, para fazer algum exame neſte ponto.
{{lema|ANTIQUISSIMAMENTE}} {{catgram|adv. ſuperl.}} {{Def|Muito antigamente, na mais remota antiguidade.}} {{bib|Luc.}} Vid. 1, 15. {{bib|Vieir.}} Palavr, 13, 2, 3. p. 67.
{{lema|ANTIQUISSIMO, A.}} {{catgram|ſuperl.}} {{Def|Muito antigo.}} Do Lat. ''Antiquiſſimus''. {{bib|Barreir.}} Chorog. 7 . {{bib|Fernand.}} Palm. 3, 2. {{bib|Brit.}} Chr. 1, 9.
{{lema|ANTIRRHINA}} {{catgram|s.f.}} ''O meſmo que'' Antherino. {{bib|Curv.}} Atal. 271 He grande remedio trazer ao peſcoço hum bracelete da ſemente de ''antirrhina''.
{{lema|ANTISCORBUTICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} {{Def|Contrario ao eſcorbuto ou util para curalo.}} {{bib|Curv.}} Polyanth. 2, 21, 143. n. 31 Foi huma qualidade venenola eſcorbutica, que zomba dos remedios, que eſtancão o ſangue, e ſó obedece aos remedios ''antiſcorbuticos''.
{{lema|ANTISPASMODICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} {{Def|Contrario ao eſpamo, proprio para ſocegar as convulsões, os movimentos convulſivos, e a diſpoſição das partes para as convulsões; diſpoſição, que ſe chama particularmente eſpamo.}} {{bib|Curv.}} Polyanth. 2, 9, 73. n. 71 Uſemos de remedios ''antiſpaſmodicos''.
{{lema|ANTISPODIO}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|Pharmac.}} Vej. Eſpodio. {{bib|Ort.}} Colloq. 50, 193 Não ha mais que hum eſpodio no mundo ou pófolix ou tutía: e por falta deſte tomavão outras mezinhas os Gregos, e chamavãolhes ''antiſpodio'', que quer dizer eſpodio falſo ou contrafeito; mas os Arabios não fazem menção deſte eſpodio, ſenão debaixo do nome de tutía ou pófolix, nem de ''antiſpodio'' fazem alguma menção.
{{lema|ANTISTITE}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|pouc. uſ.}} ''O meſmo que'' Prelado. Do Lat. ''Antiſtes''. acc. na antepenult. {{bib|CARDOS.}} Agiol. 3, Vagando a mitra de Girona... o deſtinou ſeu ''Antiſtite'' [a S. João Godo] &c.
{{lema|ANTISTRUMATICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} {{Def|Contrario ás alporcas ou util para curalas.}} {{bib|Curv.}} Atal. 13 E então entrará a tomar doze ou quatorze vezes as minhas pirolas ''antiſtrumaticas''.
{{lema|ANTITHESIS}}. {{catgram|s. f.}} {{uso|Rhet.}} {{Def|Certa figura, de que ſe uſa quando na oração ſe ajuntão ſentenças ou palavras contrarias.}} Greg. ἀντίθεσις. acc. na antepenult. {{bib|Vieir.}} Serm. 2, 13, 6. n. 426 Tomára ter mais honradas ''antitheſes'', mas eſtas são as que lemos na Eſcritura. {{bib|M. Fern.}} Alm. 2, 1, 26. n. 13 São eſtas ''antitheſis'' de hum coração, que buſca allivio no aumento do ſeu meſmo ſentimento.
{{parindent|{{uso|Gramm.}} ''Certa figura de Grammatica, quando ſe põe huma letra em lugar de outra''. {{bib|Barr.}} Gramm. 165 ''Antitheſis'', quer dizer, poſtura de letra huma por outra; como quando dizemos, dixe por diſſe.}}
{{lema|ANTITONE}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|Geogr.}} ''O meſmo que'' Antipoda. acc. na antepenult. {{bib|M. de Figueir.}} Chronogr. 3, 22 Tambem lhe chamárão [aos antipodas] ''antítones''.
{{lema|ANTITYPO}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|Theol.}} {{Def|O que he ſignificado por typo ou exemplar.}} Do Lat. ''Antitypum''. {{bib|M. Bern.}} Medit. 11, 3 O' generoſa filha do grande Patriarca Abraham, e ſeu ''antitypo'' completo no ſacrificio do figurado Iſaac.
{{lema|ANTIVENEREO, A}}. {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} {{Def|Contrario ás enfermidades venereas, ou proprio para curalas.}} {{bib|Curv.}} Obſerv. 7, 1 Pelo contrario digo, que nem por iſſo ſe devem curar as enfermidades com medicamentos ''antivenereos''.
{{lema|ANTOJAR}}. {{catgram|v. a.}} {{Def|Figurar ou repreſsentar à vontade ou ao deſejo.}} {{bib|CALV.}} Defení. Ded. Apregoando não o que lhe moſtrava a luz, mas ''antojava'' a inveja. {{bib|Ceit.}} Serm. 1, 127, 4 Ainda os proprios idolatras, que adoravão tantos Idolos por deoſes, quantos o appetite lhes ''antojava'', concedião hum ſupremo ſobre todos, que chamavão Jupiter.
{{Parindent|Com pron. peſſ. ''Offerecerſe á imaginação as mais das vezes ſem razão, nem fundamento''. {{bib|Ceit.}} Quadrag. 2, 99, 1 Não quizeſtes eſtar pela ordem do céo, e quizeſtes ''quem ſe vos antojou''. {{bib|Fernand. Galv.}} Serm. 1, 70, 4 Por iſſo moſtráo [os Phariſeos] que tem receio do povo dos Judeos, e das armas dos Romanos, e ''ſe'' lhe ''antoja'' tudo por acabado, porque todo o invejoſo he cobarde. {{bib|S. Ann.}} Chr. 3, 43, 876 He grande deſordem e ſemrazão ... que hum Prélado, em ''ſe'' lhe ''antojando'', que [o ſubdito] guarda mal ſuas ordens, ſejão taes ſeus atrufos, ſeus ſentimentos, ſuas carrancas, que o atemorize com ellas.}}
{{lema|ANTOJO}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Imaginação, juizo ou apprehensão, que ſe faz de alguma couſa ſem baſtante fundamento.}} {{bib|Paiv.}} Serm. 1, 31 Todos os que vivem por appetite, vivem acaſo e de ''antojo''. {{bib|S. Ann.}} Chr. 1, 3, 20 Paſſada a primeira turbação, como a visão foi imaginaria, e a primeira, que teve, parecèolhe engano e antojo, e ſe deo or deſentendida.
{{Parindent|''Appetite, deſejo vehemente, as mais das vezes fundado na vontade e contrario á razão.'' {{bib|Sá de Mir.}} Ecl. 8, 31 Come de toda a vianda, Não andes neſſes ''antojos''. {{bib|Ceit.}}, Quadrag. 2, 138, 2 Para Deos os divertir [aos Iſraelitas] daquelle ''antojo'', mandou &c. {{bib|Pint. Rib.}} Prefer. 1, 168 Os poderoſos tem para ſi, que ò que he vontade e ''antojo'' ſeu, ſe lhes deve de juſtiça.
}}
{{Parindent|''Appetite deſordenado, deſejo extravagante, goſto depravado, como ás vezes tem as mulheres prenhes, os enfermos, &c.'' {{bib|Ceit.}} Serm. 2, 153, 3 ''Antojo'' foi do enfermo, mas aſſás grande honra do Medico. {{bib|M. Bern.}} Arm. 26, 7 Como em algumas mulheres pejadas, que lhes pede o ſeu ''antojo'' comer cal, e carvão, e outras peiores couſas.}}
{{lema|ANTOLHAR}}. {{catgram|v. a.}} ſo ſe uſa com pron. peſſ. {{Def|Figurarſe ou repreſentarſe aos olhos ou à imaginação.}} Das couſas corporeas. {{bib|Cam.}} Luſ. 4, 71 Das agoas ſe lhe ''antolha'', que fahião ... Dous homens. {{bib|Maus}} Aff. Af. 12, 185 Não ſei, que foi! foi meu deſtino triſte, ''Antolhouſeme'' o Principe diante; Eu vou ſeguindo, elle em fugir inſiſte: Vede a cegueira de hum novel amante
{{Parindent|{{Uso|Met.}} {{Def|Proporſe ou offerecerſe à imaginação, ao deſejo ou appetite.}} {{bib|Barr.}} Dec. 1, 3, 2 Porém em quanto a obra durou, ſempre ſe teve grande vigia e tento nelles, não ſe lhe ''antolhaſſe'' outra vaidade alguma. {{bib|Leão.}}, Chr. de D. Pedr. 177 Era, pois, el Rei Dom Pedro azedo e terrivel de ſua condição em punir os delinquentes, ou que ſe lhe ''antolhava'' que o erão. {{bib|Barth. Guerreir.}} Cor. 2, 1, 192 Quando ſe lhe ''antolhou'', que ouvira huma voz que duas vezes o chamȧra: Marcello? Marcello?}}
{{lema|ANTOLHOS}} {{catgram|s. m. pl.}} {{Def|Pedaços de couro, redondos ou quadrados, e de figura concava, os quaes pegados nas cabeçadas das beſtas, lhes eſcondem o que lhes fica de lado.}} {{bib|Tr. da Ginet.}} 18, 50 Pera ficardes mais forte, ſe lhe tirem os ''antolhos''. {{bib|S. Ann.}} Chr. 1, 17, 101 Accrecentando alguns ás cordas outras inſignias de mortificação
e opprobrio, como vendas de panno, ou de cilicio, ou de ''antolhos'' d'eſparto nos olhos.
{{Parindent|{{Uso|Met.}} {{bib|Cam.}} Luſ. 10, 33 Eis vem o pai com ânimo e estupendo, trazendo fúria e magoa por ''antolhos''. {{bib|Fr. Bernard. da Silv.}} Defenſ. 2, 24 E ſem ''antolhos'' ſe deixa bem ver ſer a noſſa Luſitania &c. {{bib|Machad.}} Alf. 2, 85 Se atégora com ''antolhos'' Da vãa e cega affeição, Me trouve Amor da razão Tapados os claros olhos, Jágora abertos eſtão.</p>
{{Parindent|Antolhos. {{uso|ant.}} ''Appetites, deſejos vehementes, mais fundados na vontade, que na razão.'' {{bib|Sa de Mir.}} Ecl. 4 Amor, que por ''antolhos'' tudo ordena, Bem pouco ſe lhe da de que a fe ſanta Se quebre com grão culpa, ou com pequena. {{bib|Ferr. de Vasc.}} Aulegr. 5, 1 Meu amigo foiſe co ſaber de ſeus ''antolhos''.}}}}
{{lema|ANTONIANO, A.}} {{catgram|adj.}} {{Def|Pertencente á Antonio, nome proprio de homem.}} Particularmente fe applica á Provincia reformada de Franciſcanos Capuchos, denominada de Santo Antonio. {{bib|Cardos.}} Agiol. 2, 44 E com a meſma ſatisfação viſitou as Provincias da Piedade e ''Antoniana'' neſte Reino.
{{lema|ANTONINO, A.}} {{catgram|adj.}} ''O meſmo que'' Antoniano. Applicaſe aos Religioſos da Provinca dos Capuchos, denominada de Santo Antonio. {{bib|Esper.}} Hiſt. 2, 10, 43. n. 7 E depois que os Padres ''Antoninos'' nos levarão a Recoleição inteira, o fizemos [o convento] Recolero. {{bib|Cardos.}} Agiol. 2, 586 Diſſe a Miſſa D. Fr. Lourenço de Souſa, Biſpo d’Elvas, Frade ''Antonino''.
{{lema|ANTONOMASIA}}. {{catgram|s. f.}} {{uso|Rhet.}} {{Def|Certa figura, da qual ſe uſa, quando ſe põe alguma voz appellativa em lugar do nome proprio de alguma peſſoa.}} Lat. ''Antonomaſia''. {{bib|Barr.}} Gramm. 174 ''Antonomaſia'', quer dizer, poſtura de nome por nome quando poemos algum nome commum por outro proprio, e iſto por alguma excellencia, que o proprio tem como ſe entende por Philoſopho, Ariſtoteles, per Poeta ácerca dos Latinos, Vergilio, e ácerca dos Gregos, Homero. {{bib|Sous.}} Vid. 1, 26 De maneira que nomean-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" /></noinclude>{{cab|ANT}}
{{lema|ANTIQUARIO}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Inveſtigador de antiguidades, o que faz profissão e eſtudo particular de conhecer e deſcobrir couſas antigas}}. Do Lat. ''Antiquarius''. {{bib|Leão}}, Deſcript. 2 André Alciato, e Onuphrio Panvinio, diligentes ''antiquarios. {{bib|Freir.}} Vid. 1, 57 Forão buſcados velhos e ''antiquarios'', ſcientes em differentes lingoas. {{bib|Brand.}} Mon. 3, 8, 26 Pudêra ſervir a eſte autor, já que ſe profeſſava ''antiquario'', o dito de táo grave peſſoa, como João de Barros, para fazer algum exame neſte ponto.
{{lema|ANTIQUISSIMAMENTE}} {{catgram|adv. ſuperl.}} {{Def|Muito antigamente, na mais remota antiguidade.}} {{bib|Luc.}} Vid. 1, 15. {{bib|Vieir.}} Palavr, 13, 2, 3. p. 67.
{{lema|ANTIQUISSIMO, A.}} {{catgram|ſuperl.}} {{Def|Muito antigo.}} Do Lat. ''Antiquiſſimus''. {{bib|Barreir.}} Chorog. 7 . {{bib|Fernand.}} Palm. 3, 2. {{bib|Brit.}} Chr. 1, 9.
{{lema|ANTIRRHINA}} {{catgram|s.f.}} ''O meſmo que'' Antherino. {{bib|Curv.}} Atal. 271 He grande remedio trazer ao peſcoço hum bracelete da ſemente de ''antirrhina''.
{{lema|ANTISCORBUTICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} {{Def|Contrario ao eſcorbuto ou util para curalo.}} {{bib|Curv.}} Polyanth. 2, 21, 143. n. 31 Foi huma qualidade venenola eſcorbutica, que zomba dos remedios, que eſtancão o ſangue, e ſó obedece aos remedios ''antiſcorbuticos''.
{{lema|ANTISPASMODICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} {{Def|Contrario ao eſpamo, proprio para ſocegar as convulsões, os movimentos convulſivos, e a diſpoſição das partes para as convulsões; diſpoſição, que ſe chama particularmente eſpamo.}} {{bib|Curv.}} Polyanth. 2, 9, 73. n. 71 Uſemos de remedios ''antiſpaſmodicos''.
{{lema|ANTISPODIO}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|Pharmac.}} Vej. Eſpodio. {{bib|Ort.}} Colloq. 50, 193 Não ha mais que hum eſpodio no mundo ou pófolix ou tutía: e por falta deſte tomavão outras mezinhas os Gregos, e chamavãolhes ''antiſpodio'', que quer dizer eſpodio falſo ou contrafeito; mas os Arabios não fazem menção deſte eſpodio, ſenão debaixo do nome de tutía ou pófolix, nem de ''antiſpodio'' fazem alguma menção.
{{lema|ANTISTITE}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|pouc. uſ.}} ''O meſmo que'' Prelado. Do Lat. ''Antiſtes''. acc. na antepenult. {{bib|CARDOS.}} Agiol. 3, Vagando a mitra de Girona... o deſtinou ſeu ''Antiſtite'' [a S. João Godo] &c.
{{lema|ANTISTRUMATICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} {{Def|Contrario ás alporcas ou util para curalas.}} {{bib|Curv.}} Atal. 13 E então entrará a tomar doze ou quatorze vezes as minhas pirolas ''antiſtrumaticas''.
{{lema|ANTITHESIS}}. {{catgram|s. f.}} {{uso|Rhet.}} {{Def|Certa figura, de que ſe uſa quando na oração ſe ajuntão ſentenças ou palavras contrarias.}} Greg. ἀντίθεσις. acc. na antepenult. {{bib|Vieir.}} Serm. 2, 13, 6. n. 426 Tomára ter mais honradas ''antitheſes'', mas eſtas são as que lemos na Eſcritura. {{bib|M. Fern.}} Alm. 2, 1, 26. n. 13 São eſtas ''antitheſis'' de hum coração, que buſca allivio no aumento do ſeu meſmo ſentimento.
{{parindent|{{uso|Gramm.}} {{Def|Certa figura de Grammatica, quando ſe põe huma letra em lugar de outra.}} {{bib|Barr.}} Gramm. 165 ''Antitheſis'', quer dizer, poſtura de letra huma por outra; como quando dizemos, dixe por diſſe.}}
{{lema|ANTITONE}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|Geogr.}} ''O meſmo que'' Antipoda. acc. na antepenult. {{bib|M. de Figueir.}} Chronogr. 3, 22 Tambem lhe chamárão [aos antipodas] ''antítones''.
{{lema|ANTITYPO}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|Theol.}} {{Def|O que he ſignificado por typo ou exemplar.}} Do Lat. ''Antitypum''. {{bib|M. Bern.}} Medit. 11, 3 O' generoſa filha do grande Patriarca Abraham, e ſeu ''antitypo'' completo no ſacrificio do figurado Iſaac.
{{lema|ANTIVENEREO, A}}. {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} {{Def|Contrario ás enfermidades venereas, ou proprio para curalas.}} {{bib|Curv.}} Obſerv. 7, 1 Pelo contrario digo, que nem por iſſo ſe devem curar as enfermidades com medicamentos ''antivenereos''.
{{lema|ANTOJAR}}. {{catgram|v. a.}} {{Def|Figurar ou repreſsentar à vontade ou ao deſejo.}} {{bib|CALV.}} Defení. Ded. Apregoando não o que lhe moſtrava a luz, mas ''antojava'' a inveja. {{bib|Ceit.}} Serm. 1, 127, 4 Ainda os proprios idolatras, que adoravão tantos Idolos por deoſes, quantos o appetite lhes ''antojava'', concedião hum ſupremo ſobre todos, que chamavão Jupiter.
{{Parindent|Com pron. peſſ. {{Def|Offerecerſe á imaginação as mais das vezes ſem razão, nem fundamento.}} {{bib|Ceit.}} Quadrag. 2, 99, 1 Não quizeſtes eſtar pela ordem do céo, e quizeſtes ''quem ſe vos antojou''. {{bib|Fernand. Galv.}} Serm. 1, 70, 4 Por iſſo moſtráo [os Phariſeos] que tem receio do povo dos Judeos, e das armas dos Romanos, e ''ſe'' lhe ''antoja'' tudo por acabado, porque todo o invejoſo he cobarde. {{bib|S. Ann.}} Chr. 3, 43, 876 He grande deſordem e ſemrazão ... que hum Prélado, em ''ſe'' lhe ''antojando'', que [o ſubdito] guarda mal ſuas ordens, ſejão taes ſeus atrufos, ſeus ſentimentos, ſuas carrancas, que o atemorize com ellas.}}
{{lema|ANTOJO}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Imaginação, juizo ou apprehensão, que ſe faz de alguma couſa ſem baſtante fundamento.}} {{bib|Paiv.}} Serm. 1, 31 Todos os que vivem por appetite, vivem acaſo e de ''antojo''. {{bib|S. Ann.}} Chr. 1, 3, 20 Paſſada a primeira turbação, como a visão foi imaginaria, e a primeira, que teve, parecèolhe engano e antojo, e ſe deo or deſentendida.
{{Parindent|''Appetite, deſejo vehemente, as mais das vezes fundado na vontade e contrario á razão.'' {{bib|Sá de Mir.}} Ecl. 8, 31 Come de toda a vianda, Não andes neſſes ''antojos''. {{bib|Ceit.}}, Quadrag. 2, 138, 2 Para Deos os divertir [aos Iſraelitas] daquelle ''antojo'', mandou &c. {{bib|Pint. Rib.}} Prefer. 1, 168 Os poderoſos tem para ſi, que ò que he vontade e ''antojo'' ſeu, ſe lhes deve de juſtiça.
}}
{{Parindent|''Appetite deſordenado, deſejo extravagante, goſto depravado, como ás vezes tem as mulheres prenhes, os enfermos, &c.'' {{bib|Ceit.}} Serm. 2, 153, 3 ''Antojo'' foi do enfermo, mas aſſás grande honra do Medico. {{bib|M. Bern.}} Arm. 26, 7 Como em algumas mulheres pejadas, que lhes pede o ſeu ''antojo'' comer cal, e carvão, e outras peiores couſas.}}
{{lema|ANTOLHAR}}. {{catgram|v. a.}} ſo ſe uſa com pron. peſſ. {{Def|Figurarſe ou repreſentarſe aos olhos ou à imaginação.}} Das couſas corporeas. {{bib|Cam.}} Luſ. 4, 71 Das agoas ſe lhe ''antolha'', que fahião ... Dous homens. {{bib|Maus}} Aff. Af. 12, 185 Não ſei, que foi! foi meu deſtino triſte, ''Antolhouſeme'' o Principe diante; Eu vou ſeguindo, elle em fugir inſiſte: Vede a cegueira de hum novel amante
{{Parindent|{{Uso|Met.}} {{Def|Proporſe ou offerecerſe à imaginação, ao deſejo ou appetite.}} {{bib|Barr.}} Dec. 1, 3, 2 Porém em quanto a obra durou, ſempre ſe teve grande vigia e tento nelles, não ſe lhe ''antolhaſſe'' outra vaidade alguma. {{bib|Leão.}}, Chr. de D. Pedr. 177 Era, pois, el Rei Dom Pedro azedo e terrivel de ſua condição em punir os delinquentes, ou que ſe lhe ''antolhava'' que o erão. {{bib|Barth. Guerreir.}} Cor. 2, 1, 192 Quando ſe lhe ''antolhou'', que ouvira huma voz que duas vezes o chamȧra: Marcello? Marcello?}}
{{lema|ANTOLHOS}} {{catgram|s. m. pl.}} {{Def|Pedaços de couro, redondos ou quadrados, e de figura concava, os quaes pegados nas cabeçadas das beſtas, lhes eſcondem o que lhes fica de lado.}} {{bib|Tr. da Ginet.}} 18, 50 Pera ficardes mais forte, ſe lhe tirem os ''antolhos''. {{bib|S. Ann.}} Chr. 1, 17, 101 Accrecentando alguns ás cordas outras inſignias de mortificação
e opprobrio, como vendas de panno, ou de cilicio, ou de ''antolhos'' d'eſparto nos olhos.
{{Parindent|{{Uso|Met.}} {{bib|Cam.}} Luſ. 10, 33 Eis vem o pai com ânimo e estupendo, trazendo fúria e magoa por ''antolhos''. {{bib|Fr. Bernard. da Silv.}} Defenſ. 2, 24 E ſem ''antolhos'' ſe deixa bem ver ſer a noſſa Luſitania &c. {{bib|Machad.}} Alf. 2, 85 Se atégora com ''antolhos'' Da vãa e cega affeição, Me trouve Amor da razão Tapados os claros olhos, Jágora abertos eſtão.}}}}
{{Parindent|Antolhos. {{uso|ant.}} {{Def|Appetites, deſejos vehementes, mais fundados na vontade, que na razão.}} {{bib|Sa de Mir.}} Ecl. 4 Amor, que por ''antolhos'' tudo ordena, Bem pouco ſe lhe da de que a fe ſanta Se quebre com grão culpa, ou com pequena. {{bib|Ferr. de Vasc.}} Aulegr. 5, 1 Meu amigo foiſe co ſaber de ſeus ''antolhos''.}}}}
{{lema|ANTONIANO, A.}} {{catgram|adj.}} {{Def|Pertencente á Antonio, nome proprio de homem.}} Particularmente fe applica á Provincia reformada de Franciſcanos Capuchos, denominada de Santo Antonio. {{bib|Cardos.}} Agiol. 2, 44 E com a meſma ſatisfação viſitou as Provincias da Piedade e ''Antoniana'' neſte Reino.
{{lema|ANTONINO, A.}} {{catgram|adj.}} ''O meſmo que'' Antoniano. Applicaſe aos Religioſos da Provinca dos Capuchos, denominada de Santo Antonio. {{bib|Esper.}} Hiſt. 2, 10, 43. n. 7 E depois que os Padres ''Antoninos'' nos levarão a Recoleição inteira, o fizemos [o convento] Recolero. {{bib|Cardos.}} Agiol. 2, 586 Diſſe a Miſſa D. Fr. Lourenço de Souſa, Biſpo d’Elvas, Frade ''Antonino''.
{{lema|ANTONOMASIA}}. {{catgram|s. f.}} {{uso|Rhet.}} {{Def|Certa figura, da qual ſe uſa, quando ſe põe alguma voz appellativa em lugar do nome proprio de alguma peſſoa.}} Lat. ''Antonomaſia''. {{bib|Barr.}} Gramm. 174 ''Antonomaſia'', quer dizer, poſtura de nome por nome quando poemos algum nome commum por outro proprio, e iſto por alguma excellencia, que o proprio tem como ſe entende por Philoſopho, Ariſtoteles, per Poeta ácerca dos Latinos, Vergilio, e ácerca dos Gregos, Homero. {{bib|Sous.}} Vid. 1, 26 De maneira que nomean-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" /></noinclude>{{cab|ANT}}
{{lema|ANTIQUARIO}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Inveſtigador de antiguidades, o que faz profissão e eſtudo particular de conhecer e deſcobrir couſas antigas}}. Do Lat. ''Antiquarius''. {{bib|Leão}}, Deſcript. 2 André Alciato, e Onuphrio Panvinio, diligentes ''antiquarios''. {{bib|Freir.}} Vid. 1, 57 Forão buſcados velhos e ''antiquarios'', ſcientes em differentes lingoas. {{bib|Brand.}} Mon. 3, 8, 26 Pudêra ſervir a eſte autor, já que ſe profeſſava ''antiquario'', o dito de táo grave peſſoa, como João de Barros, para fazer algum exame neſte ponto.
{{lema|ANTIQUISSIMAMENTE}} {{catgram|adv. ſuperl.}} {{Def|Muito antigamente, na mais remota antiguidade.}} {{bib|Luc.}} Vid. 1, 15. {{bib|Vieir.}} Palavr, 13, 2, 3. p. 67.
{{lema|ANTIQUISSIMO, A.}} {{catgram|ſuperl.}} {{Def|Muito antigo.}} Do Lat. ''Antiquiſſimus''. {{bib|Barreir.}} Chorog. 7 . {{bib|Fernand.}} Palm. 3, 2. {{bib|Brit.}} Chr. 1, 9.
{{lema|ANTIRRHINA}} {{catgram|s.f.}} ''O meſmo que'' Antherino. {{bib|Curv.}} Atal. 271 He grande remedio trazer ao peſcoço hum bracelete da ſemente de ''antirrhina''.
{{lema|ANTISCORBUTICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} {{Def|Contrario ao eſcorbuto ou util para curalo.}} {{bib|Curv.}} Polyanth. 2, 21, 143. n. 31 Foi huma qualidade venenola eſcorbutica, que zomba dos remedios, que eſtancão o ſangue, e ſó obedece aos remedios ''antiſcorbuticos''.
{{lema|ANTISPASMODICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} {{Def|Contrario ao eſpamo, proprio para ſocegar as convulsões, os movimentos convulſivos, e a diſpoſição das partes para as convulsões; diſpoſição, que ſe chama particularmente eſpamo.}} {{bib|Curv.}} Polyanth. 2, 9, 73. n. 71 Uſemos de remedios ''antiſpaſmodicos''.
{{lema|ANTISPODIO}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|Pharmac.}} Vej. Eſpodio. {{bib|Ort.}} Colloq. 50, 193 Não ha mais que hum eſpodio no mundo ou pófolix ou tutía: e por falta deſte tomavão outras mezinhas os Gregos, e chamavãolhes ''antiſpodio'', que quer dizer eſpodio falſo ou contrafeito; mas os Arabios não fazem menção deſte eſpodio, ſenão debaixo do nome de tutía ou pófolix, nem de ''antiſpodio'' fazem alguma menção.
{{lema|ANTISTITE}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|pouc. uſ.}} ''O meſmo que'' Prelado. Do Lat. ''Antiſtes''. acc. na antepenult. {{bib|CARDOS.}} Agiol. 3, Vagando a mitra de Girona... o deſtinou ſeu ''Antiſtite'' [a S. João Godo] &c.
{{lema|ANTISTRUMATICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} {{Def|Contrario ás alporcas ou util para curalas.}} {{bib|Curv.}} Atal. 13 E então entrará a tomar doze ou quatorze vezes as minhas pirolas ''antiſtrumaticas''.
{{lema|ANTITHESIS}}. {{catgram|s. f.}} {{uso|Rhet.}} {{Def|Certa figura, de que ſe uſa quando na oração ſe ajuntão ſentenças ou palavras contrarias.}} Greg. ἀντίθεσις. acc. na antepenult. {{bib|Vieir.}} Serm. 2, 13, 6. n. 426 Tomára ter mais honradas ''antitheſes'', mas eſtas são as que lemos na Eſcritura. {{bib|M. Fern.}} Alm. 2, 1, 26. n. 13 São eſtas ''antitheſis'' de hum coração, que buſca allivio no aumento do ſeu meſmo ſentimento.
{{parindent|{{uso|Gramm.}} {{Def|Certa figura de Grammatica, quando ſe põe huma letra em lugar de outra.}} {{bib|Barr.}} Gramm. 165 ''Antitheſis'', quer dizer, poſtura de letra huma por outra; como quando dizemos, dixe por diſſe.}}
{{lema|ANTITONE}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|Geogr.}} ''O meſmo que'' Antipoda. acc. na antepenult. {{bib|M. de Figueir.}} Chronogr. 3, 22 Tambem lhe chamárão [aos antipodas] ''antítones''.
{{lema|ANTITYPO}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|Theol.}} {{Def|O que he ſignificado por typo ou exemplar.}} Do Lat. ''Antitypum''. {{bib|M. Bern.}} Medit. 11, 3 O' generoſa filha do grande Patriarca Abraham, e ſeu ''antitypo'' completo no ſacrificio do figurado Iſaac.
{{lema|ANTIVENEREO, A}}. {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} {{Def|Contrario ás enfermidades venereas, ou proprio para curalas.}} {{bib|Curv.}} Obſerv. 7, 1 Pelo contrario digo, que nem por iſſo ſe devem curar as enfermidades com medicamentos ''antivenereos''.
{{lema|ANTOJAR}}. {{catgram|v. a.}} {{Def|Figurar ou repreſsentar à vontade ou ao deſejo.}} {{bib|CALV.}} Defení. Ded. Apregoando não o que lhe moſtrava a luz, mas ''antojava'' a inveja. {{bib|Ceit.}} Serm. 1, 127, 4 Ainda os proprios idolatras, que adoravão tantos Idolos por deoſes, quantos o appetite lhes ''antojava'', concedião hum ſupremo ſobre todos, que chamavão Jupiter.
{{Parindent|Com pron. peſſ. {{Def|Offerecerſe á imaginação as mais das vezes ſem razão, nem fundamento.}} {{bib|Ceit.}} Quadrag. 2, 99, 1 Não quizeſtes eſtar pela ordem do céo, e quizeſtes ''quem ſe vos antojou''. {{bib|Fernand. Galv.}} Serm. 1, 70, 4 Por iſſo moſtráo [os Phariſeos] que tem receio do povo dos Judeos, e das armas dos Romanos, e ''ſe'' lhe ''antoja'' tudo por acabado, porque todo o invejoſo he cobarde. {{bib|S. Ann.}} Chr. 3, 43, 876 He grande deſordem e ſemrazão ... que hum Prélado, em ''ſe'' lhe ''antojando'', que [o ſubdito] guarda mal ſuas ordens, ſejão taes ſeus atrufos, ſeus ſentimentos, ſuas carrancas, que o atemorize com ellas.}}
{{lema|ANTOJO}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Imaginação, juizo ou apprehensão, que ſe faz de alguma couſa ſem baſtante fundamento.}} {{bib|Paiv.}} Serm. 1, 31 Todos os que vivem por appetite, vivem acaſo e de ''antojo''. {{bib|S. Ann.}} Chr. 1, 3, 20 Paſſada a primeira turbação, como a visão foi imaginaria, e a primeira, que teve, parecèolhe engano e antojo, e ſe deo or deſentendida.
{{Parindent|''Appetite, deſejo vehemente, as mais das vezes fundado na vontade e contrario á razão.'' {{bib|Sá de Mir.}} Ecl. 8, 31 Come de toda a vianda, Não andes neſſes ''antojos''. {{bib|Ceit.}}, Quadrag. 2, 138, 2 Para Deos os divertir [aos Iſraelitas] daquelle ''antojo'', mandou &c. {{bib|Pint. Rib.}} Prefer. 1, 168 Os poderoſos tem para ſi, que ò que he vontade e ''antojo'' ſeu, ſe lhes deve de juſtiça.
}}
{{Parindent|''Appetite deſordenado, deſejo extravagante, goſto depravado, como ás vezes tem as mulheres prenhes, os enfermos, &c.'' {{bib|Ceit.}} Serm. 2, 153, 3 ''Antojo'' foi do enfermo, mas aſſás grande honra do Medico. {{bib|M. Bern.}} Arm. 26, 7 Como em algumas mulheres pejadas, que lhes pede o ſeu ''antojo'' comer cal, e carvão, e outras peiores couſas.}}
{{lema|ANTOLHAR}}. {{catgram|v. a.}} ſo ſe uſa com pron. peſſ. {{Def|Figurarſe ou repreſentarſe aos olhos ou à imaginação.}} Das couſas corporeas. {{bib|Cam.}} Luſ. 4, 71 Das agoas ſe lhe ''antolha'', que fahião ... Dous homens. {{bib|Maus}} Aff. Af. 12, 185 Não ſei, que foi! foi meu deſtino triſte, ''Antolhouſeme'' o Principe diante; Eu vou ſeguindo, elle em fugir inſiſte: Vede a cegueira de hum novel amante
{{Parindent|{{Uso|Met.}} {{Def|Proporſe ou offerecerſe à imaginação, ao deſejo ou appetite.}} {{bib|Barr.}} Dec. 1, 3, 2 Porém em quanto a obra durou, ſempre ſe teve grande vigia e tento nelles, não ſe lhe ''antolhaſſe'' outra vaidade alguma. {{bib|Leão.}}, Chr. de D. Pedr. 177 Era, pois, el Rei Dom Pedro azedo e terrivel de ſua condição em punir os delinquentes, ou que ſe lhe ''antolhava'' que o erão. {{bib|Barth. Guerreir.}} Cor. 2, 1, 192 Quando ſe lhe ''antolhou'', que ouvira huma voz que duas vezes o chamȧra: Marcello? Marcello?}}
{{lema|ANTOLHOS}} {{catgram|s. m. pl.}} {{Def|Pedaços de couro, redondos ou quadrados, e de figura concava, os quaes pegados nas cabeçadas das beſtas, lhes eſcondem o que lhes fica de lado.}} {{bib|Tr. da Ginet.}} 18, 50 Pera ficardes mais forte, ſe lhe tirem os ''antolhos''. {{bib|S. Ann.}} Chr. 1, 17, 101 Accrecentando alguns ás cordas outras inſignias de mortificação
e opprobrio, como vendas de panno, ou de cilicio, ou de ''antolhos'' d'eſparto nos olhos.
{{Parindent|{{Uso|Met.}} {{bib|Cam.}} Luſ. 10, 33 Eis vem o pai com ânimo e estupendo, trazendo fúria e magoa por ''antolhos''. {{bib|Fr. Bernard. da Silv.}} Defenſ. 2, 24 E ſem ''antolhos'' ſe deixa bem ver ſer a noſſa Luſitania &c. {{bib|Machad.}} Alf. 2, 85 Se atégora com ''antolhos'' Da vãa e cega affeição, Me trouve Amor da razão Tapados os claros olhos, Jágora abertos eſtão.}}}}
{{Parindent|Antolhos. {{uso|ant.}} {{Def|Appetites, deſejos vehementes, mais fundados na vontade, que na razão.}} {{bib|Sa de Mir.}} Ecl. 4 Amor, que por ''antolhos'' tudo ordena, Bem pouco ſe lhe da de que a fe ſanta Se quebre com grão culpa, ou com pequena. {{bib|Ferr. de Vasc.}} Aulegr. 5, 1 Meu amigo foiſe co ſaber de ſeus ''antolhos''.}}}}
{{lema|ANTONIANO, A.}} {{catgram|adj.}} {{Def|Pertencente á Antonio, nome proprio de homem.}} Particularmente fe applica á Provincia reformada de Franciſcanos Capuchos, denominada de Santo Antonio. {{bib|Cardos.}} Agiol. 2, 44 E com a meſma ſatisfação viſitou as Provincias da Piedade e ''Antoniana'' neſte Reino.
{{lema|ANTONINO, A.}} {{catgram|adj.}} ''O meſmo que'' Antoniano. Applicaſe aos Religioſos da Provinca dos Capuchos, denominada de Santo Antonio. {{bib|Esper.}} Hiſt. 2, 10, 43. n. 7 E depois que os Padres ''Antoninos'' nos levarão a Recoleição inteira, o fizemos [o convento] Recolero. {{bib|Cardos.}} Agiol. 2, 586 Diſſe a Miſſa D. Fr. Lourenço de Souſa, Biſpo d’Elvas, Frade ''Antonino''.
{{lema|ANTONOMASIA}}. {{catgram|s. f.}} {{uso|Rhet.}} {{Def|Certa figura, da qual ſe uſa, quando ſe põe alguma voz appellativa em lugar do nome proprio de alguma peſſoa.}} Lat. ''Antonomaſia''. {{bib|Barr.}} Gramm. 174 ''Antonomaſia'', quer dizer, poſtura de nome por nome quando poemos algum nome commum por outro proprio, e iſto por alguma excellencia, que o proprio tem como ſe entende por Philoſopho, Ariſtoteles, per Poeta ácerca dos Latinos, Vergilio, e ácerca dos Gregos, Homero. {{bib|Sous.}} Vid. 1, 26 De maneira que nomean-<noinclude></noinclude>
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{{lema|ANTIQUARIO}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Inveſtigador de antiguidades, o que faz profissão e eſtudo particular de conhecer e deſcobrir couſas antigas}}. Do Lat. ''Antiquarius''. {{bib|Leão}}, Deſcript. 2 André Alciato, e Onuphrio Panvinio, diligentes ''antiquarios''. {{bib|Freir.}} Vid. 1, 57 Forão buſcados velhos e ''antiquarios'', ſcientes em differentes lingoas. {{bib|Brand.}} Mon. 3, 8, 26 Pudêra ſervir a eſte autor, já que ſe profeſſava ''antiquario'', o dito de táo grave peſſoa, como João de Barros, para fazer algum exame neſte ponto.
{{lema|ANTIQUISSIMAMENTE}} {{catgram|adv. ſuperl.}} {{Def|Muito antigamente, na mais remota antiguidade.}} {{bib|Luc.}} Vid. 1, 15. {{bib|Vieir.}} Palavr, 13, 2, 3. p. 67.
{{lema|ANTIQUISSIMO, A.}} {{catgram|ſuperl.}} {{Def|Muito antigo.}} Do Lat. ''Antiquiſſimus''. {{bib|Barreir.}} Chorog. 7 . {{bib|Fernand.}} Palm. 3, 2. {{bib|Brit.}} Chr. 1, 9.
{{lema|ANTIRRHINA}} {{catgram|s.f.}} ''O meſmo que'' Antherino. {{bib|Curv.}} Atal. 271 He grande remedio trazer ao peſcoço hum bracelete da ſemente de ''antirrhina''.
{{lema|ANTISCORBUTICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{Uso|Med.}} {{Def|Contrario ao eſcorbuto ou util para curalo.}} {{bib|Curv.}} Polyanth. 2, 21, 143. n. 31 Foi huma qualidade venenola eſcorbutica, que zomba dos remedios, que eſtancão o ſangue, e ſó obedece aos remedios ''antiſcorbuticos''.
{{lema|ANTISPASMODICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} {{Def|Contrario ao eſpamo, proprio para ſocegar as convulsões, os movimentos convulſivos, e a diſpoſição das partes para as convulsões; diſpoſição, que ſe chama particularmente eſpamo.}} {{bib|Curv.}} Polyanth. 2, 9, 73. n. 71 Uſemos de remedios ''antiſpaſmodicos''.
{{lema|ANTISPODIO}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|Pharmac.}} Vej. Eſpodio. {{bib|Ort.}} Colloq. 50, 193 Não ha mais que hum eſpodio no mundo ou pófolix ou tutía: e por falta deſte tomavão outras mezinhas os Gregos, e chamavãolhes ''antiſpodio'', que quer dizer eſpodio falſo ou contrafeito; mas os Arabios não fazem menção deſte eſpodio, ſenão debaixo do nome de tutía ou pófolix, nem de ''antiſpodio'' fazem alguma menção.
{{lema|ANTISTITE}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|pouc. uſ.}} ''O meſmo que'' Prelado. Do Lat. ''Antiſtes''. acc. na antepenult. {{bib|CARDOS.}} Agiol. 3, Vagando a mitra de Girona... o deſtinou ſeu ''Antiſtite'' [a S. João Godo] &c.
{{lema|ANTISTRUMATICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} {{Def|Contrario ás alporcas ou util para curalas.}} {{bib|Curv.}} Atal. 13 E então entrará a tomar doze ou quatorze vezes as minhas pirolas ''antiſtrumaticas''.
{{lema|ANTITHESIS}}. {{catgram|s. f.}} {{uso|Rhet.}} {{Def|Certa figura, de que ſe uſa quando na oração ſe ajuntão ſentenças ou palavras contrarias.}} Greg. ἀντίθεσις. acc. na antepenult. {{bib|Vieir.}} Serm. 2, 13, 6. n. 426 Tomára ter mais honradas ''antitheſes'', mas eſtas são as que lemos na Eſcritura. {{bib|M. Fern.}} Alm. 2, 1, 26. n. 13 São eſtas ''antitheſis'' de hum coração, que buſca allivio no aumento do ſeu meſmo ſentimento.
{{parindent|{{uso|Gramm.}} {{Def|Certa figura de Grammatica, quando ſe põe huma letra em lugar de outra.}} {{bib|Barr.}} Gramm. 165 ''Antitheſis'', quer dizer, poſtura de letra huma por outra; como quando dizemos, dixe por diſſe.}}
{{lema|ANTITONE}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|Geogr.}} ''O meſmo que'' Antipoda. acc. na antepenult. {{bib|M. de Figueir.}} Chronogr. 3, 22 Tambem lhe chamárão [aos antipodas] ''antítones''.
{{lema|ANTITYPO}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|Theol.}} {{Def|O que he ſignificado por typo ou exemplar.}} Do Lat. ''Antitypum''. {{bib|M. Bern.}} Medit. 11, 3 O' generoſa filha do grande Patriarca Abraham, e ſeu ''antitypo'' completo no ſacrificio do figurado Iſaac.
{{lema|ANTIVENEREO, A}}. {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} {{Def|Contrario ás enfermidades venereas, ou proprio para curalas.}} {{bib|Curv.}} Obſerv. 7, 1 Pelo contrario digo, que nem por iſſo ſe devem curar as enfermidades com medicamentos ''antivenereos''.
{{lema|ANTOJAR}}. {{catgram|v. a.}} {{Def|Figurar ou repreſsentar à vontade ou ao deſejo.}} {{bib|CALV.}} Defení. Ded. Apregoando não o que lhe moſtrava a luz, mas ''antojava'' a inveja. {{bib|Ceit.}} Serm. 1, 127, 4 Ainda os proprios idolatras, que adoravão tantos Idolos por deoſes, quantos o appetite lhes ''antojava'', concedião hum ſupremo ſobre todos, que chamavão Jupiter.
{{Parindent|Com pron. peſſ. {{Def|Offerecerſe á imaginação as mais das vezes ſem razão, nem fundamento.}} {{bib|Ceit.}} Quadrag. 2, 99, 1 Não quizeſtes eſtar pela ordem do céo, e quizeſtes ''quem ſe vos antojou''. {{bib|Fernand. Galv.}} Serm. 1, 70, 4 Por iſſo moſtráo [os Phariſeos] que tem receio do povo dos Judeos, e das armas dos Romanos, e ''ſe'' lhe ''antoja'' tudo por acabado, porque todo o invejoſo he cobarde. {{bib|S. Ann.}} Chr. 3, 43, 876 He grande deſordem e ſemrazão ... que hum Prélado, em ''ſe'' lhe ''antojando'', que [o ſubdito] guarda mal ſuas ordens, ſejão taes ſeus atrufos, ſeus ſentimentos, ſuas carrancas, que o atemorize com ellas.}}
{{lema|ANTOJO}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Imaginação, juizo ou apprehensão, que ſe faz de alguma couſa ſem baſtante fundamento.}} {{bib|Paiv.}} Serm. 1, 31 Todos os que vivem por appetite, vivem acaſo e de ''antojo''. {{bib|S. Ann.}} Chr. 1, 3, 20 Paſſada a primeira turbação, como a visão foi imaginaria, e a primeira, que teve, parecèolhe engano e antojo, e ſe deo or deſentendida.
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}}
{{Parindent|''Appetite deſordenado, deſejo extravagante, goſto depravado, como ás vezes tem as mulheres prenhes, os enfermos, &c.'' {{bib|Ceit.}} Serm. 2, 153, 3 ''Antojo'' foi do enfermo, mas aſſás grande honra do Medico. {{bib|M. Bern.}} Arm. 26, 7 Como em algumas mulheres pejadas, que lhes pede o ſeu ''antojo'' comer cal, e carvão, e outras peiores couſas.}}
{{lema|ANTOLHAR}}. {{catgram|v. a.}} ſo ſe uſa com pron. peſſ. {{Def|Figurarſe ou repreſentarſe aos olhos ou à imaginação.}} Das couſas corporeas. {{bib|Cam.}} Luſ. 4, 71 Das agoas ſe lhe ''antolha'', que fahião ... Dous homens. {{bib|Maus}} Aff. Af. 12, 185 Não ſei, que foi! foi meu deſtino triſte, ''Antolhouſeme'' o Principe diante; Eu vou ſeguindo, elle em fugir inſiſte: Vede a cegueira de hum novel amante
{{Parindent|{{Uso|Met.}} {{Def|Proporſe ou offerecerſe à imaginação, ao deſejo ou appetite.}} {{bib|Barr.}} Dec. 1, 3, 2 Porém em quanto a obra durou, ſempre ſe teve grande vigia e tento nelles, não ſe lhe ''antolhaſſe'' outra vaidade alguma. {{bib|Leão.}}, Chr. de D. Pedr. 177 Era, pois, el Rei Dom Pedro azedo e terrivel de ſua condição em punir os delinquentes, ou que ſe lhe ''antolhava'' que o erão. {{bib|Barth. Guerreir.}} Cor. 2, 1, 192 Quando ſe lhe ''antolhou'', que ouvira huma voz que duas vezes o chamȧra: Marcello? Marcello?}}
{{lema|ANTOLHOS}} {{catgram|s. m. pl.}} {{Def|Pedaços de couro, redondos ou quadrados, e de figura concava, os quaes pegados nas cabeçadas das beſtas, lhes eſcondem o que lhes fica de lado.}} {{bib|Tr. da Ginet.}} 18, 50 Pera ficardes mais forte, ſe lhe tirem os ''antolhos''. {{bib|S. Ann.}} Chr. 1, 17, 101 Accrecentando alguns ás cordas outras inſignias de mortificação
e opprobrio, como vendas de panno, ou de cilicio, ou de ''antolhos'' d'eſparto nos olhos.
{{Parindent|{{Uso|Met.}} {{bib|Cam.}} Luſ. 10, 33 Eis vem o pai com ânimo e estupendo, trazendo fúria e magoa por ''antolhos''. {{bib|Fr. Bernard. da Silv.}} Defenſ. 2, 24 E ſem ''antolhos'' ſe deixa bem ver ſer a noſſa Luſitania &c. {{bib|Machad.}} Alf. 2, 85 Se atégora com ''antolhos'' Da vãa e cega affeição, Me trouve Amor da razão Tapados os claros olhos, Jágora abertos eſtão.}}}}
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{{lema|ANTONINO, A.}} {{catgram|adj.}} ''O meſmo que'' Antoniano. Applicaſe aos Religioſos da Provinca dos Capuchos, denominada de Santo Antonio. {{bib|Esper.}} Hiſt. 2, 10, 43. n. 7 E depois que os Padres ''Antoninos'' nos levarão a Recoleição inteira, o fizemos [o convento] Recolero. {{bib|Cardos.}} Agiol. 2, 586 Diſſe a Miſſa D. Fr. Lourenço de Souſa, Biſpo d’Elvas, Frade ''Antonino''.
{{lema|ANTONOMASIA}}. {{catgram|s. f.}} {{uso|Rhet.}} {{Def|Certa figura, da qual ſe uſa, quando ſe põe alguma voz appellativa em lugar do nome proprio de alguma peſſoa.}} Lat. ''Antonomaſia''. {{bib|Barr.}} Gramm. 174 ''Antonomaſia'', quer dizer, poſtura de nome por nome quando poemos algum nome commum por outro proprio, e iſto por alguma excellencia, que o proprio tem como ſe entende por Philoſopho, Ariſtoteles, per Poeta ácerca dos Latinos, Vergilio, e ácerca dos Gregos, Homero. {{bib|Sous.}} Vid. 1, 26 De maneira que nomean-<noinclude></noinclude>
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{{lema|ANTIQUISSIMAMENTE}} {{catgram|adv. ſuperl.}} {{Def|Muito antigamente, na mais remota antiguidade.}} {{bib|Luc.}} Vid. 1, 15. {{bib|Vieir.}} Palavr, 13, 2, 3. p. 67.
{{lema|ANTIQUISSIMO, A.}} {{catgram|ſuperl.}} {{Def|Muito antigo.}} Do Lat. ''Antiquiſſimus''. {{bib|Barreir.}} Chorog. 7 . {{bib|Fernand.}} Palm. 3, 2. {{bib|Brit.}} Chr. 1, 9.
{{lema|ANTIRRHINA}} {{catgram|s.f.}} ''O meſmo que'' Antherino. {{bib|Curv.}} Atal. 271 He grande remedio trazer ao peſcoço hum bracelete da ſemente de ''antirrhina''.
{{lema|ANTISCORBUTICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{Uso|Med.}} {{Def|Contrario ao eſcorbuto ou util para curalo.}} {{bib|Curv.}} Polyanth. 2, 21, 143. n. 31 Foi huma qualidade venenola eſcorbutica, que zomba dos remedios, que eſtancão o ſangue, e ſó obedece aos remedios ''antiſcorbuticos''.
{{lema|ANTISPASMODICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} {{Def|Contrario ao eſpamo, proprio para ſocegar as convulsões, os movimentos convulſivos, e a diſpoſição das partes para as convulsões; diſpoſição, que ſe chama particularmente eſpamo.}} {{bib|Curv.}} Polyanth. 2, 9, 73. n. 71 Uſemos de remedios ''antiſpaſmodicos''.
{{lema|ANTISPODIO}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|Pharmac.}} Vej. Eſpodio. {{bib|Ort.}} Colloq. 50, 193 Não ha mais que hum eſpodio no mundo ou pófolix ou tutía: e por falta deſte tomavão outras mezinhas os Gregos, e chamavãolhes ''antiſpodio'', que quer dizer eſpodio falſo ou contrafeito; mas os Arabios não fazem menção deſte eſpodio, ſenão debaixo do nome de tutía ou pófolix, nem de ''antiſpodio'' fazem alguma menção.
{{lema|ANTISTITE}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|pouc. uſ.}} ''O meſmo que'' Prelado. Do Lat. ''Antiſtes''. acc. na antepenult. {{bib|CARDOS.}} Agiol. 3, Vagando a mitra de Girona... o deſtinou ſeu ''Antiſtite'' [a S. João Godo] &c.
{{lema|ANTISTRUMATICO, A.}} {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} {{Def|Contrario ás alporcas ou util para curalas.}} {{bib|Curv.}} Atal. 13 E então entrará a tomar doze ou quatorze vezes as minhas pirolas ''antiſtrumaticas''.
{{lema|ANTITHESIS}}. {{catgram|s. f.}} {{uso|Rhet.}} {{Def|Certa figura, de que ſe uſa quando na oração ſe ajuntão ſentenças ou palavras contrarias.}} Greg. ἀντίθεσις. acc. na antepenult. {{bib|Vieir.}} Serm. 2, 13, 6. n. 426 Tomára ter mais honradas ''antitheſes'', mas eſtas são as que lemos na Eſcritura. {{bib|M. Fern.}} Alm. 2, 1, 26. n. 13 São eſtas ''antitheſis'' de hum coração, que buſca allivio no aumento do ſeu meſmo ſentimento.
{{parindent|{{uso|Gramm.}} {{Def|Certa figura de Grammatica, quando ſe põe huma letra em lugar de outra.}} {{bib|Barr.}} Gramm. 165 ''Antitheſis'', quer dizer, poſtura de letra huma por outra; como quando dizemos, dixe por diſſe.}}
{{lema|ANTITONE}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|Geogr.}} ''O meſmo que'' Antipoda. acc. na antepenult. {{bib|M. de Figueir.}} Chronogr. 3, 22 Tambem lhe chamárão [aos antipodas] ''antítones''.
{{lema|ANTITYPO}}. {{catgram|s. m.}} {{uso|Theol.}} {{Def|O que he ſignificado por typo ou exemplar.}} Do Lat. ''Antitypum''. {{bib|M. Bern.}} Medit. 11, 3 O' generoſa filha do grande Patriarca Abraham, e ſeu ''antitypo'' completo no ſacrificio do figurado Iſaac.
{{lema|ANTIVENEREO, A}}. {{catgram|adj.}} {{uso|Med.}} {{Def|Contrario ás enfermidades venereas, ou proprio para curalas.}} {{bib|Curv.}} Obſerv. 7, 1 Pelo contrario digo, que nem por iſſo ſe devem curar as enfermidades com medicamentos ''antivenereos''.
{{lema|ANTOJAR}}. {{catgram|v. a.}} {{Def|Figurar ou repreſsentar à vontade ou ao deſejo.}} {{bib|CALV.}} Defení. Ded. Apregoando não o que lhe moſtrava a luz, mas ''antojava'' a inveja. {{bib|Ceit.}} Serm. 1, 127, 4 Ainda os proprios idolatras, que adoravão tantos Idolos por deoſes, quantos o appetite lhes ''antojava'', concedião hum ſupremo ſobre todos, que chamavão Jupiter.
{{Parindent|Com pron. peſſ. {{Def|Offerecerſe á imaginação as mais das vezes ſem razão, nem fundamento.}} {{bib|Ceit.}} Quadrag. 2, 99, 1 Não quizeſtes eſtar pela ordem do céo, e quizeſtes ''quem ſe vos antojou''. {{bib|Fernand. Galv.}} Serm. 1, 70, 4 Por iſſo moſtráo [os Phariſeos] que tem receio do povo dos Judeos, e das armas dos Romanos, e ''ſe'' lhe ''antoja'' tudo por acabado, porque todo o invejoſo he cobarde. {{bib|S. Ann.}} Chr. 3, 43, 876 He grande deſordem e ſemrazão ... que hum Prélado, em ''ſe'' lhe ''antojando'', que [o ſubdito] guarda mal ſuas ordens, ſejão taes ſeus atrufos, ſeus ſentimentos, ſuas carrancas, que o atemorize com ellas.}}
{{lema|ANTOJO}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Imaginação, juizo ou apprehensão, que ſe faz de alguma couſa ſem baſtante fundamento.}} {{bib|Paiv.}} Serm. 1, 31 Todos os que vivem por appetite, vivem acaſo e de ''antojo''. {{bib|S. Ann.}} Chr. 1, 3, 20 Paſſada a primeira turbação, como a visão foi imaginaria, e a primeira, que teve, parecèolhe engano e antojo, e ſe deo or deſentendida.
{{Parindent|''Appetite, deſejo vehemente, as mais das vezes fundado na vontade e contrario á razão.'' {{bib|Sá de Mir.}} Ecl. 8, 31 Come de toda a vianda, Não andes neſſes ''antojos''. {{bib|Ceit.}}, Quadrag. 2, 138, 2 Para Deos os divertir [aos Iſraelitas] daquelle ''antojo'', mandou &c. {{bib|Pint. Rib.}} Prefer. 1, 168 Os poderoſos tem para ſi, que ò que he vontade e ''antojo'' ſeu, ſe lhes deve de juſtiça.
}}
{{Parindent|''Appetite deſordenado, deſejo extravagante, goſto depravado, como ás vezes tem as mulheres prenhes, os enfermos, &c.'' {{bib|Ceit.}} Serm. 2, 153, 3 ''Antojo'' foi do enfermo, mas aſſás grande honra do Medico. {{bib|M. Bern.}} Arm. 26, 7 Como em algumas mulheres pejadas, que lhes pede o ſeu ''antojo'' comer cal, e carvão, e outras peiores couſas.}}
{{lema|ANTOLHAR}}. {{catgram|v. a.}} ſo ſe uſa com pron. peſſ. {{Def|Figurarſe ou repreſentarſe aos olhos ou à imaginação.}} Das couſas corporeas. {{bib|Cam.}} Luſ. 4, 71 Das agoas ſe lhe ''antolha'', que fahião ... Dous homens. {{bib|Maus}} Aff. Af. 12, 185 Não ſei, que foi! foi meu deſtino triſte, ''Antolhouſeme'' o Principe diante; Eu vou ſeguindo, elle em fugir inſiſte: Vede a cegueira de hum novel amante
{{Parindent|{{Uso|Met.}} {{Def|Proporſe ou offerecerſe à imaginação, ao deſejo ou appetite.}} {{bib|Barr.}} Dec. 1, 3, 2 Porém em quanto a obra durou, ſempre ſe teve grande vigia e tento nelles, não ſe lhe ''antolhaſſe'' outra vaidade alguma. {{bib|Leão.}}, Chr. de D. Pedr. 177 Era, pois, el Rei Dom Pedro azedo e terrivel de ſua condição em punir os delinquentes, ou que ſe lhe ''antolhava'' que o erão. {{bib|Barth. Guerreir.}} Cor. 2, 1, 192 Quando ſe lhe ''antolhou'', que ouvira huma voz que duas vezes o chamȧra: Marcello? Marcello?}}
{{lema|ANTOLHOS}} {{catgram|s. m. pl.}} {{Def|Pedaços de couro, redondos ou quadrados, e de figura concava, os quaes pegados nas cabeçadas das beſtas, lhes eſcondem o que lhes fica de lado.}} {{bib|Tr. da Ginet.}} 18, 50 Pera ficardes mais forte, ſe lhe tirem os ''antolhos''. {{bib|S. Ann.}} Chr. 1, 17, 101 Accrecentando alguns ás cordas outras inſignias de mortificação
e opprobrio, como vendas de panno, ou de cilicio, ou de ''antolhos'' d'eſparto nos olhos.
{{Parindent|{{Uso|Met.}} {{bib|Cam.}} Luſ. 10, 33 Eis vem o pai com ânimo e estupendo, trazendo fúria e magoa por ''antolhos''. {{bib|Fr. Bernard. da Silv.}} Defenſ. 2, 24 E ſem ''antolhos'' ſe deixa bem ver ſer a noſſa Luſitania &c. {{bib|Machad.}} Alf. 2, 85 Se atégora com ''antolhos'' Da vãa e cega affeição, Me trouve Amor da razão Tapados os claros olhos, Jágora abertos eſtão.}}
{{Parindent|Antolhos. {{uso|ant.}} {{Def|Appetites, deſejos vehementes, mais fundados na vontade, que na razão.}} {{bib|Sa de Mir.}} Ecl. 4 Amor, que por ''antolhos'' tudo ordena, Bem pouco ſe lhe da de que a fe ſanta Se quebre com grão culpa, ou com pequena. {{bib|Ferr. de Vasc.}} Aulegr. 5, 1 Meu amigo foiſe co ſaber de ſeus ''antolhos''.}}
{{lema|ANTONIANO, A.}} {{catgram|adj.}} {{Def|Pertencente á Antonio, nome proprio de homem.}} Particularmente fe applica á Provincia reformada de Franciſcanos Capuchos, denominada de Santo Antonio. {{bib|Cardos.}} Agiol. 2, 44 E com a meſma ſatisfação viſitou as Provincias da Piedade e ''Antoniana'' neſte Reino.
{{lema|ANTONINO, A.}} {{catgram|adj.}} ''O meſmo que'' Antoniano. Applicaſe aos Religioſos da Provinca dos Capuchos, denominada de Santo Antonio. {{bib|Esper.}} Hiſt. 2, 10, 43. n. 7 E depois que os Padres ''Antoninos'' nos levarão a Recoleição inteira, o fizemos [o convento] Recolero. {{bib|Cardos.}} Agiol. 2, 586 Diſſe a Miſſa D. Fr. Lourenço de Souſa, Biſpo d’Elvas, Frade ''Antonino''.
{{lema|ANTONOMASIA}}. {{catgram|s. f.}} {{uso|Rhet.}} {{Def|Certa figura, da qual ſe uſa, quando ſe põe alguma voz appellativa em lugar do nome proprio de alguma peſſoa.}} Lat. ''Antonomaſia''. {{bib|Barr.}} Gramm. 174 ''Antonomaſia'', quer dizer, poſtura de nome por nome quando poemos algum nome commum por outro proprio, e iſto por alguma excellencia, que o proprio tem como ſe entende por Philoſopho, Ariſtoteles, per Poeta ácerca dos Latinos, Vergilio, e ácerca dos Gregos, Homero. {{bib|Sous.}} Vid. 1, 26 De maneira que nomean-<noinclude></noinclude>
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PARA SE FORMAR
O DICCIONARIO
DA
LINGOA PORTUGUEZA,
OFFERECIDA
Á
ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS
DE LISBOA,}}
{{center|NA SESSAÕ PÚBLICA DE 4 DE JULHO DE 1780,
E APPROVADA PELA MESMA ACADEMIA EM CONFERENCIA PARTICULAR DE 24 DE NOVEMBRO DO DITO ANNO.}}
{{center|Floreça, falle, cante, ouçaſe, e viva}}
{{center|A Portugueza lingoa, e já onde for,}}
{{center|Senhora vá de ſi, ſoberba, e altiva.}}
{{center|Se téqui eſteve baixa, e ſem louvor,}}
{{center|Culpa he dos que a mal exercitárão,}}
{{center|Eſquecimento noſſo e deſamor.}}
{{center|{{bib|FERR.}} ''Poem''. ''Cart''. 1, 3.}}
{{c|INTRODUCÇÃO}}
'''D'''eſejando cooperar, quanto deixa permittilo a minha tenue poſſibilidade, para os glorioſos nada tão conforme ao eſpirito de patriotiſmo, que ſingularmente a anima, me occorreo lhe poderia apreſentar no fautiſſimo dia da ſua Abertura, como a Planta ſobre que houveſſe de ſe formar o Diccionario da Lingoa Portugueza, que a meſma Academia determina fazer. A parte, que me cabe de honra, ſendo hum dos nomeados para eſta ardua compoſição, he tambem outro motivo, que a iſſo me conduz. Eſpero pois que à Academia neſta conſideração me conceda favoravel aquella indulgencia, de que ao certo muito neceſſitará offerta de preço, póde ſer, extremamente baixo; por quanto proprio he de hum tão ſabio, e por todos os titulos eſclarecido Congreſſo eſtimala, não já pelo valor, mas fim pela tenção, com que ſe lhe dirige. Conſiſte eſta em promover, ſegundo o que em mim he, a cultura e adiantamento da noſſa lingoa na certeza de ſer hum tal meio a ſólida baſe de todos os demais, que em beneficio da inſtrucção nacional a Academia procura empregar. Em todas as idades, conhece ella, correrão ſempre parelhas com a riqueza da lingoa os progreſſos das Artes e Sciencias, e as Nações em geral ſó contão por luminoſas épocas das ſuas letras, ou (a dizelo mais propriamente) da ſua verdadeira gloria e pública felicidade aquelles tempos, em que mais abundárão de eloquentes e polidos eſcritores. Tal he pois a elegancia, que ſem reſtringirſe a hum ſó e determinado genero de talentos ou de profiſsoes, a tudo infenfivelmente fe communica; e qual luz ſubtiliſſima lá vão ferir ſeus raios, ou quando menos os reflexos delles, onde não era de preſuppôr que chegaſſem já mais a ſe introduzir. Não baſta porém que os engenhos ſuperiores hajão estabelecido o caracter de cada lingoa, pois nenhuma deixa de o ter; he demais neceſſario, que eſte tal caracter, fundado na propriedade e energia das vozes, correcção da fraſe, e regras de analogia, ſe conſerve fixo e conſtante ſobre eſtes unicamente ſeguros e inalteraveis principios. Sendo ao contrario couſa facillima decahir elle, quando aſſim ſe não ſuſtenta, daquella elevação, a que ſe vio ſublimado e neſte caſo os mesmos embaraços, que os Eſpiritos (ſem exceptuar os da primeira ordem) encontravão para ganhar a ſua natural extensão, quando a lingoa informe os comprimia com ſua penuria, (<ref>(a) Les langues ſont donc plus ou moins parfaites, à proportion qu'elles ſont plus ou moins propres aux analyſes. Plus elles les facilitent, plus elles donnent de ſecours à l'esprit. En effet, nous jugeons & nous raiſonnons avec des vem</ref>)
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PARA SE FORMAR
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DA
LINGOA PORTUGUEZA,
OFFERECIDA
Á
ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS
DE LISBOA,}}
{{center|NA SESSAÕ PÚBLICA DE 4 DE JULHO DE 1780,
E APPROVADA PELA MESMA ACADEMIA EM CONFERENCIA PARTICULAR DE 24 DE NOVEMBRO DO DITO ANNO.}}
{{center|Floreça, falle, cante, ouçaſe, e viva}}
{{center|A Portugueza lingoa, e já onde for,}}
{{center|Senhora vá de ſi, ſoberba, e altiva.}}
{{center|Se téqui eſteve baixa, e ſem louvor,}}
{{center|Culpa he dos que a mal exercitárão,}}
{{center|Eſquecimento noſſo e deſamor.}}
{{center|{{bib|FERR.}} ''Poem''. ''Cart''. 1, 3.}}
{{c|INTRODUCÇÃO}}
'''D'''eſejando cooperar, quanto deixa permittilo a minha tenue poſſibilidade, para os glorioſos nada tão conforme ao eſpirito de patriotiſmo, que ſingularmente a anima, me occorreo lhe poderia apreſentar no fautiſſimo dia da ſua Abertura, como a Planta ſobre que houveſſe de ſe formar o Diccionario da Lingoa Portugueza, que a meſma Academia determina fazer. A parte, que me cabe de honra, ſendo hum dos nomeados para eſta ardua compoſição, he tambem outro motivo, que a iſſo me conduz. Eſpero pois que à Academia neſta conſideração me conceda favoravel aquella indulgencia, de que ao certo muito neceſſitará offerta de preço, póde ſer, extremamente baixo; por quanto proprio he de hum tão ſabio, e por todos os titulos eſclarecido Congreſſo eſtimala, não já pelo valor, mas fim pela tenção, com que ſe lhe dirige. Conſiſte eſta em promover, ſegundo o que em mim he, a cultura e adiantamento da noſſa lingoa na certeza de ſer hum tal meio a ſólida baſe de todos os demais, que em beneficio da inſtrucção nacional a Academia procura empregar. Em todas as idades, conhece ella, correrão ſempre parelhas com a riqueza da lingoa os progreſſos das Artes e Sciencias, e as Nações em geral ſó contão por luminoſas épocas das ſuas letras, ou (a dizelo mais propriamente) da ſua verdadeira gloria e pública felicidade aquelles tempos, em que mais abundárão de eloquentes e polidos eſcritores. Tal he pois a elegancia, que ſem reſtringirſe a hum ſó e determinado genero de talentos ou de profiſsoes, a tudo infenfivelmente fe communica; e qual luz ſubtiliſſima lá vão ferir ſeus raios, ou quando menos os reflexos delles, onde não era de preſuppôr que chegaſſem já mais a ſe introduzir. Não baſta porém que os engenhos ſuperiores hajão estabelecido o caracter de cada lingoa, pois nenhuma deixa de o ter; he demais neceſſario, que eſte tal caracter, fundado na propriedade e energia das vozes, correcção da fraſe, e regras de analogia, ſe conſerve fixo e conſtante ſobre eſtes unicamente ſeguros e inalteraveis principios. Sendo ao contrario couſa facillima decahir elle, quando aſſim ſe não ſuſtenta, daquella elevação, a que ſe vio ſublimado e neſte caſo os mesmos embaraços, que os Eſpiritos (ſem exceptuar os da primeira ordem) encontravão para ganhar a ſua natural extensão, quando a lingoa informe os comprimia com ſua penuria, (<ref>(a) Les langues ſont donc plus ou moins parfaites, à proportion qu'elles ſont plus ou moins propres aux analyſes. Plus elles les facilitent, plus elles donnent de ſecours à l'esprit. En effet, nous jugeons & nous raiſonnons avec des vem</ref>)
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PARA SE FORMAR
O DICCIONARIO
DA
LINGOA PORTUGUEZA,
OFFERECIDA
Á
ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS
DE LISBOA,}}
{{center|NA SESSAÕ PÚBLICA DE 4 DE JULHO DE 1780,
E APPROVADA PELA MESMA ACADEMIA EM CONFERENCIA PARTICULAR DE 24 DE NOVEMBRO DO DITO ANNO.}}
{{center|Floreça, falle, cante, ouçaſe, e viva}}
{{center|A Portugueza lingoa, e já onde for,}}
{{center|Senhora vá de ſi, ſoberba, e altiva.}}
{{center|Se téqui eſteve baixa, e ſem louvor,}}
{{center|Culpa he dos que a mal exercitárão,}}
{{center|Eſquecimento noſſo e deſamor.}}
{{center|{{bib|FERR.}} ''Poem''. ''Cart''. 1, 3.}}
{{c|INTRODUCÇÃO}}
'''D'''eſejando cooperar, quanto deixa permittilo a minha tenue poſſibilidade, para os glorioſos nada tão conforme ao eſpirito de patriotiſmo, que ſingularmente a anima, me occorreo lhe poderia apreſentar no fautiſſimo dia da ſua Abertura, como a Planta ſobre que houveſſe de ſe formar o Diccionario da Lingoa Portugueza, que a meſma Academia determina fazer. A parte, que me cabe de honra, ſendo hum dos nomeados para eſta ardua compoſição, he tambem outro motivo, que a iſſo me conduz. Eſpero pois que à Academia neſta conſideração me conceda favoravel aquella indulgencia, de que ao certo muito neceſſitará offerta de preço, póde ſer, extremamente baixo; por quanto proprio he de hum tão ſabio, e por todos os titulos eſclarecido Congreſſo eſtimala, não já pelo valor, mas fim pela tenção, com que ſe lhe dirige. Conſiſte eſta em promover, ſegundo o que em mim he, a cultura e adiantamento da noſſa lingoa na certeza de ſer hum tal meio a ſólida baſe de todos os demais, que em beneficio da inſtrucção nacional a Academia procura empregar. Em todas as idades, conhece ella, correrão ſempre parelhas com a riqueza da lingoa os progreſſos das Artes e Sciencias, e as Nações em geral ſó contão por luminoſas épocas das ſuas letras, ou (a dizelo mais propriamente) da ſua verdadeira gloria e pública felicidade aquelles tempos, em que mais abundárão de eloquentes e polidos eſcritores. Tal he pois a elegancia, que ſem reſtringirſe a hum ſó e determinado genero de talentos ou de profiſsoes, a tudo infenfivelmente fe communica; e qual luz ſubtiliſſima lá vão ferir ſeus raios, ou quando menos os reflexos delles, onde não era de preſuppôr que chegaſſem já mais a ſe introduzir. Não baſta porém que os engenhos ſuperiores hajão estabelecido o caracter de cada lingoa, pois nenhuma deixa de o ter; he demais neceſſario, que eſte tal caracter, fundado na propriedade e energia das vozes, correcção da fraſe, e regras de analogia, ſe conſerve fixo e conſtante ſobre eſtes unicamente ſeguros e inalteraveis principios. Sendo ao contrario couſa facillima decahir elle, quando aſſim ſe não ſuſtenta, daquella elevação, a que ſe vio ſublimado e neſte caſo os mesmos embaraços, que os Eſpiritos (ſem exceptuar os da primeira ordem) encontravão para ganhar a ſua natural extensão, quando a lingoa informe os comprimia com ſua penuria, (<ref>(a) Les langues ſont donc plus ou moins parfaites, à proportion qu'elles ſont plus ou moins propres aux analyſes. Plus elles les facilitent, plus elles donnent de ſecours à l'esprit. En effet, nous jugeons & nous raiſonnons avec des vem [continuação na nota 8 da página seguinte]</ref>)
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>II.
{{center|INTRODUCÇÃO.}}
vem com pouca differença a ſentirſe todas as vezes, que ella degenera corrompida pela affectação e refinada ſubtileza. Os effeitos pernicioſos deſte funeſto contagio são os que tantas ſociedades de Sabios em toda a Europa tomão por objecto primario de ſeus eſtudos atalhar o mais, que poſſivel he, cuidando com deſvelo ſummo preſervar delle a lingoa do ſeu paiz, e conſervarlhe immudavel aquelle genio, que o longo tempo, muitas e reflectidas combinações, e ſobre tudo autores originaes em diverſos generos lhe conſtituirão. He maxima aſſentada não ſe dar eſcritor abalizado ſobre materia alguma, ſe falta eſte cuidado, (<ref>(a) Sans la langue, en un mot, l'Autcur le plus divin
<p style="text-indent: 2em;">Eſt toujours, quoi qu'il faſſe, un méchant ecrivain. {{bib|Deſpréaux,}} Art Poétiq. chant. I. v. 161 162. Fieri autem poteſt, vt recte quis ſentiat, et id, quod ſentit, polite eloqui non poſlit. Sed mandare quemquam litteris cogitationes ſuas, qui eas nec diſponere, nec illuſtrare poſlit, nec delectatione allicere lectorem, hominis eſt intemperanter abutentis et otio et litteris. {{bib|Cic.}} Diſput. Tufcul. lib. I. cap. 3. num. 6</p></ref>
) donde procede havelo ſempre honrado e protegido a Politica mais illuſtrada. (<ref>(b) Muitos Soberanos erigirão Academias ſomente da Lingoa da Nação, e as condecorárão, e protegêrio ſempre com ſingulares demonſtrações de benevolencia e favor. Pódeſe ver, por não ir longe, nem allegar outras muitas provas em razão de vulgares, a Hiſtoria da Academia Heſpanhola no primeiro tomo do ſeu Diccionario. Porei meraniente aqui a carta, que de ordem da Mageſtade Catholica de Carlos IIl. dirigio ao Secretario da dita Academia o Marquez de Grimaldi, do Conſelho de Eſtado, e primeiro Secretario do deſpacho do Rei, por occaſião de a Academia offerecer ao meſmo Rei a Grammatica da Lingoa Caſtelhana. Eſta carta impreſſa ao principio da referida Grammatica he do theor ſeguinte.,, Aplaudiendo el Rey el zelo con que la Real Academia Eſpañola, ſin deſcaecer en la aſidua cor,,reccion y aumento de ſu Diccionario, ha dedicado ſus deſvelos á la formacion de una Gramática de la lengua caſtellana, ſe ha dignado de concederla el permiſo que en ſu nombre ſolicita V. S. con fecha de ſiete del corriente para dar á luz aquella obra. El beneficio que en ello logrará el público, y el juſto elogio que reſultará à
", la Academia de ſubminiſtrarlhe un tratado de tal importancia, aumentan la complacencia con que participo á V. S. ,,eſta nueva demonſtracion del ſingular aprecio que merecen á S. M. tan útiles tareas, y de ſu conſtante deſeo de fomentarlas, &c.,</ref>) Temſe por couſa averiguada dever elle principiar pela compoſição de hum Diccionario, onde ſe recolha tudo, que melhor póde contribuir para fixar o bem regulado uſo de cada huma das lingoas. Todos os cabedaes deſtas ſe encorporão aqui, como em theſouro commum, e toda aquella riqueza, que antes com trabalho extremo ſó ſe encontrava diſperſa pelos eſcritos dos ſeus autores claſſicos, iſto he, os mais apurados na elocução e no eſtilo, junta no Diccionario, fica então ſendo de hum uſo prontiſſimo è univerſal. Do meſmo Diccionario ſe deduzem depois ſem violencia as demais obras, de que reſulta o complemento dos fundamentaes preceitos de qualquer lingoa. E ainda que na noſſa, ſegundo obſerva o douto Manoel Severim de Faria, (<ref>(c) Diſc. 2, 81.</ref>) não ha muitas impreſsões (aſſim falla relativamente ao ſeu tempo) pela pouca applicação, que os Portuguezes tem a eſtampar ſuas obras ; com tudo ("proſegue elle) não faltão autores, em que ſe vejão exemplos da capacidade aptidão, que ella tem para todos os eſtilos, e alguns dos ditos autores taes, que com a perfeição de ſeus eſcritos ſupprem bem a falta do mór numero delles. Quanto pois á meſma lingoa em ſi, viſto ſer eſta, como tão manifeſtamente ſe percebe, e a pouco cuſto ſe moſtra, quaſi latina com pouca corrupção, de nenhuma qualidade, com que ſe ennobrecem as que mais ſe prezão de excellentes, fica ella por eſte modo carecendo; o que já por muitos ſe acha com ſuperabundancia confirmado. » A ſua gravidade, graça laconica, e autorizada pronunciação (conforme ſente hum dos
» ſeus bons cultores (<ref>(d) Jorge Ferreira de Vaſconcellos, no Prol. da Comed. Eufroſ.</ref>) nada cede á propria lingoa Latina; e ſendo (continua a dizer) o principal cabedal das copioſas, o mais delle empreſtado, a Portugueza com o ſeu he tão rica, que lhe achareis alfaias proprias, de que as outras carecem fóra diſto he conhecida em partes, em que a Hebrea, Grega, e Latina nunca forão viſtas, nem ouvidas. » E ſem embargo de ſer a Italiana entre as vulgares huma das mais celebres e copioſas, e talvez a mais diligentemente aperfeiçoada, o Biſpo D. Fr. Amador Arraiz, (<ref>(e) Dial. 3, 1.</ref>) inſigne meſtre da noſſa, fórma de ambas o ſeguinte juizo. » Tenho ( são formaes termos) por melhor lingoagem a noſſa Portugueza, que >> a da Italia, porque em menos palavras contém mores conceitos, e com menos rodeios, e mais » graves termos deſcobre o que ſe pretende; além de conſervar manifeſtos veſtigios da antiga lingoa Latina, que foi huma das tres do mundo mais esclarecidas. » Mas ſem fazer menos preço de nenhuma outra para mais exalçar a noſſa, (<ref>(f) Yo tengo por coſa ridicula el argumentar de lenguas por hazer una ſuperior a otra aviendo hallado en el conocimiento de algunas, que cada una tiene palabras y terminos excelentes para lo que quiere. {{bib|Far. e Souf.}} Comment. a las Rim. de Cam. Son. 1, 8.
</ref>) aſlás grande louvor ſeu he quadrarlhe em verdade o que por cima de varias outras prerogativas lhe aſſigna Franciſco Rodrigues Lobo.» (<ref>(g) Cott. 1, 9.</ref>) Tem (eſcreve elle) de todas as lingoas o melhor; a pronunciação da Latina; a origem da Grega; a familiaridade da Caſtelhana; a brandura da Franceza; a elegancia da Italiana.
mots, comme nous calculons avec des chiffres & les langues ſont pour les peuples ce qu'eſt l'algebre pour les géometres. En un mot, les langues ne ſont que des méthodes, & les méthodes ne ſont que des langues. Par conséquent, ſi les géometres n'ont fait des progrés, qu' autant qu' ils ont perfectionné leurs méthodes; l'eſprit d'un peuple ne ſera des progrès, qu'autant qu'il perfectionnera ſa langue: & comme l'imperfection des méthodes met des bornes à l' art de calculer, l'imperfection du langage met des bornes à l'art de penſer. {{bib|Condillac, Courf d'Etud.}} Diſe. Prélim.<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>II.
{{center|INTRODUCÇÃO.}}
vem com pouca differença a ſentirſe todas as vezes, que ella degenera corrompida pela affectação e refinada ſubtileza. Os effeitos pernicioſos deſte funeſto contagio são os que tantas ſociedades de Sabios em toda a Europa tomão por objecto primario de ſeus eſtudos atalhar o mais, que poſſivel he, cuidando com deſvelo ſummo preſervar delle a lingoa do ſeu paiz, e conſervarlhe immudavel aquelle genio, que o longo tempo, muitas e reflectidas combinações, e ſobre tudo autores originaes em diverſos generos lhe conſtituirão. He maxima aſſentada não ſe dar eſcritor abalizado ſobre materia alguma, ſe falta eſte cuidado, (<ref>(a) Sans la langue, en un mot, l'Autcur le plus divin
<p style="text-indent: 2em;">Eſt toujours, quoi qu'il faſſe, un méchant ecrivain. {{bib|Deſpréaux,}} Art Poétiq. chant. I. v. 161 162. Fieri autem poteſt, vt recte quis ſentiat, et id, quod ſentit, polite eloqui non poſlit. Sed mandare quemquam litteris cogitationes ſuas, qui eas nec diſponere, nec illuſtrare poſlit, nec delectatione allicere lectorem, hominis eſt intemperanter abutentis et otio et litteris. {{bib|Cic.}} Diſput. Tufcul. lib. I. cap. 3. num. 6</p></ref>
) donde procede havelo ſempre honrado e protegido a Politica mais illuſtrada. (<ref>(b) Muitos Soberanos erigirão Academias ſomente da Lingoa da Nação, e as condecorárão, e protegêrio ſempre com ſingulares demonſtrações de benevolencia e favor. Pódeſe ver, por não ir longe, nem allegar outras muitas provas em razão de vulgares, a Hiſtoria da Academia Heſpanhola no primeiro tomo do ſeu Diccionario. Porei meraniente aqui a carta, que de ordem da Mageſtade Catholica de Carlos IIl. dirigio ao Secretario da dita Academia o Marquez de Grimaldi, do Conſelho de Eſtado, e primeiro Secretario do deſpacho do Rei, por occaſião de a Academia offerecer ao meſmo Rei a Grammatica da Lingoa Caſtelhana. Eſta carta impreſſa ao principio da referida Grammatica he do theor ſeguinte.,, Aplaudiendo el Rey el zelo con que la Real Academia Eſpañola, ſin deſcaecer en la aſidua cor,,reccion y aumento de ſu Diccionario, ha dedicado ſus deſvelos á la formacion de una Gramática de la lengua caſtellana, ſe ha dignado de concederla el permiſo que en ſu nombre ſolicita V. S. con fecha de ſiete del corriente para dar á luz aquella obra. El beneficio que en ello logrará el público, y el juſto elogio que reſultará à
", la Academia de ſubminiſtrarlhe un tratado de tal importancia, aumentan la complacencia con que participo á V. S. ,,eſta nueva demonſtracion del ſingular aprecio que merecen á S. M. tan útiles tareas, y de ſu conſtante deſeo de fomentarlas, &c.,</ref>) Temſe por couſa averiguada dever elle principiar pela compoſição de hum Diccionario, onde ſe recolha tudo, que melhor póde contribuir para fixar o bem regulado uſo de cada huma das lingoas. Todos os cabedaes deſtas ſe encorporão aqui, como em theſouro commum, e toda aquella riqueza, que antes com trabalho extremo ſó ſe encontrava diſperſa pelos eſcritos dos ſeus autores claſſicos, iſto he, os mais apurados na elocução e no eſtilo, junta no Diccionario, fica então ſendo de hum uſo prontiſſimo è univerſal. Do meſmo Diccionario ſe deduzem depois ſem violencia as demais obras, de que reſulta o complemento dos fundamentaes preceitos de qualquer lingoa. E ainda que na noſſa, ſegundo obſerva o douto Manoel Severim de Faria, (<ref>(c) Diſc. 2, 81.</ref>) não ha muitas impreſsões (aſſim falla relativamente ao ſeu tempo) pela pouca applicação, que os Portuguezes tem a eſtampar ſuas obras ; com tudo ("proſegue elle) não faltão autores, em que ſe vejão exemplos da capacidade aptidão, que ella tem para todos os eſtilos, e alguns dos ditos autores taes, que com a perfeição de ſeus eſcritos ſupprem bem a falta do mór numero delles. Quanto pois á meſma lingoa em ſi, viſto ſer eſta, como tão manifeſtamente ſe percebe, e a pouco cuſto ſe moſtra, quaſi latina com pouca corrupção, de nenhuma qualidade, com que ſe ennobrecem as que mais ſe prezão de excellentes, fica ella por eſte modo carecendo; o que já por muitos ſe acha com ſuperabundancia confirmado. » A ſua gravidade, graça laconica, e autorizada pronunciação (conforme ſente hum dos
» ſeus bons cultores (<ref>(d) Jorge Ferreira de Vaſconcellos, no Prol. da Comed. Eufroſ.</ref>) nada cede á propria lingoa Latina; e ſendo (continua a dizer) o principal cabedal das copioſas, o mais delle empreſtado, a Portugueza com o ſeu he tão rica, que lhe achareis alfaias proprias, de que as outras carecem fóra diſto he conhecida em partes, em que a Hebrea, Grega, e Latina nunca forão viſtas, nem ouvidas. » E ſem embargo de ſer a Italiana entre as vulgares huma das mais celebres e copioſas, e talvez a mais diligentemente aperfeiçoada, o Biſpo D. Fr. Amador Arraiz, (<ref>(e) Dial. 3, 1.</ref>) inſigne meſtre da noſſa, fórma de ambas o ſeguinte juizo. » Tenho ( são formaes termos) por melhor lingoagem a noſſa Portugueza, que >> a da Italia, porque em menos palavras contém mores conceitos, e com menos rodeios, e mais » graves termos deſcobre o que ſe pretende; além de conſervar manifeſtos veſtigios da antiga lingoa Latina, que foi huma das tres do mundo mais esclarecidas. » Mas ſem fazer menos preço de nenhuma outra para mais exalçar a noſſa, (<ref>(f) Yo tengo por coſa ridicula el argumentar de lenguas por hazer una ſuperior a otra aviendo hallado en el conocimiento de algunas, que cada una tiene palabras y terminos excelentes para lo que quiere. {{bib|Far. e Souf.}} Comment. a las Rim. de Cam. Son. 1, 8.
</ref>) aſlás grande louvor ſeu he quadrarlhe em verdade o que por cima de varias outras prerogativas lhe aſſigna Franciſco Rodrigues Lobo.» (<ref>(g) Cott. 1, 9.</ref>) Tem (eſcreve elle) de todas as lingoas o melhor; a pronunciação da Latina; a origem da Grega; a familiaridade da Caſtelhana; a brandura da Franceza; a elegancia da Italiana.
<ref>[continuação da nota 1 da página anterior] mots, comme nous calculons avec des chiffres & les langues ſont pour les peuples ce qu'eſt l'algebre pour les géometres. En un mot, les langues ne ſont que des méthodes, & les méthodes ne ſont que des langues. Par conséquent, ſi les géometres n'ont fait des progrés, qu' autant qu' ils ont perfectionné leurs méthodes; l'eſprit d'un peuple ne ſera des progrès, qu'autant qu'il perfectionnera ſa langue: & comme l'imperfection des méthodes met des bornes à l' art de calculer, l'imperfection du langage met des bornes à l'art de penſer. {{bib|Condillac, Courf d'Etud.}} Diſe. Prélim.</ref><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" /></noinclude>{{right|III}}
{{center|INTRODUCÇÃO.}}
O que porém ſe acaſo deixára de ſer aſſim, longe he de controverſia ſobre eſte particular o judicioſo parecer do noſſo illuſtre Poeta Antonio Ferreira; (<ref>(a) Poem. Cart. 2; 10.</ref>) vem a ſer, que
{{center|Geralmente foi dada boa licença<br>}}
{{center|A's lingoas; humas ás outras ſe roubárão:<br>}}
{{center|Só o bom ſpirito faz a differença.}}
Pelo que tendo a Nação Portugueza, como ſem dúvida tem, cópia deſtes bons e raros eſpiritos, os quaes, pelo dizer com palavras de outro tambem famoſo Poeta noſſo, (<ref>(b) {{bib|Bern. Lim.}} Cart. 4.</ref>) nos forão a lingoa enriquecendo, nas rimas e na proſa em altos ditos; ſó parece nos falta converter em proveito commum pelo modo, que vou a apontar, o muito, que delles ſe póde e deve tomar,
para o reduzir a hum ſó corpo. E já que por induſtria ſua a meſma lingoa chegou a obter tanta abundancia, gala, elevação, e nobreza; da noſſa diligencia ſeja procurarlhe a conſervação e perpetuidade de huns tão bellos dotes, ou, ſe poſſivel for, até mesmo darlhes luſtre mais realçado. Se pois a Planta, que apreſento, de hum Diccionario da referida lingoa, como inſtrumento, que ſó conſidero proprio para ſe conſeguir o ſobredito fim; ſe, como digo, eſta Planta na fórma, que reſpeitoſamente a offereço á Academia, não deſmerecer a ſua benevola graça, ou for tão venturoſa, que debaixo da ſua ſabia direcção, e honorifico patrocinio paſſe a executarfe, terei por grande dita haver com tão debeis forças ſubminiſtrado eſte ligeiro ſerviço á meſma lingoa, e moſtrado igualmente aſſim, hum tal qual indicio de zelo nacional, á Academia. Deſta he bem que ella ſó haja de eſperar tudo quanto deſde já ſe lhe póde felizmente augurar, quero dizer, a perfeição e a immortalidade. E tempo virá, em que por eſte reſpeito com juſta conveniencia melhor ſe lhe accommodem eſtes verſos, que já ſe lhe applicárão:
{{center|Ditoſa lingoa noſſa, que eſtendendo<br>}}
{{center|Vás já teu nome tanto, que ſeguro<br>}}
{{center|Inveja a toda outra irás fazendo. (<ref>(c) O meſmo ahi meſmo.</ref>)}}
Ou eſtoutros, os quaes ainda mais por ſua genuina allusão ao deſtino da Academia, muito ao proprio lhe poderão convir:
{{center|Renova mil memorias<br>}}
{{center|Lingoa aos teus eſquecida,<br>}}
{{center|Ou por falta d'amor, ou falta d'arte ;<br>}}
{{center|Sé para ſempre lida<br>}}
Nas Portuguezas glorias,<br>}}
{{center|Que em ti a Apollo honra darão e a Marte. (<ref>(d) {{bib|Ferr}}. Poem. Od. 1, 1.</ref>)}}
O muito, que o infatigavel e erudito P. D. Raphael Bluteau tentou fazer em beneficio da noſſa lingoa, de juſtiça deve merecer á Nação Portugueza não menor reconhecimento, do que a Heſpanhola dedica por igual motivo a D. Sebaſtião Covarrubias. O ſeu Theſouro da lingoa Caſtelhana da meſma ſorte, que o Vocabulario Portuguez e Latino do ſobredito Bluteau, forão os com que anticipárão a ambas as nações o conhecimento da neceſſidade e fructo, que ſe dá em obras deſta natureza. Mas aſſim como a Real Academia Heſpanhola não teve por baſtante o anterior trabalho do ſeu Covarrubias para deixar de compôr hum Diccionario inteiramente novo, igual razão ſe deve formar o noſſo , pois não he mais do que os Heſpanhoes tinhão, aquillo, que entre nós neſta parte ſe acha feito. Porém a fim de que ſe conheça quanto nos he grata a memoria do dito Bluteau pelos ſerviços, que conſagrou á Nação Portugueza, e quão de veras ſe lhe deſeja por hum tão honroſo titulo perpetuar ſeu celebre nome, não ſó com elle ſe autorizárão todas aquellas vozes, que em nenhum outro eſcritor noſſo ſe encontrarem; mas das ſuas meſmas definições, etymologias e obſervações, ſe podem ( parecendo ) receber aquellas, que por ſeu incançavel eſtudo ſe conhecerem com exacção preoccupadas. Se alguem com tudo preſumir a olhos cerrados , que deſneceſſariamente ſe emprehende hum Diccionario da Lingoa Portugueza, em razão de já poſſuirmos o ſeu volumoſo Vocabulario; o titulo deſte meſmo Vocabulario, a redundancia da ſua prolixa erudição, a falta de innumeraveis vocabulos Portuguezes, e de autoridades, que na maior parte das ſuas accepções qualifiquem os meſmos, que traz, finalmente a má eleição deſſas taes poucas autoridades fſem crítica, nem graduação, ſerá per ſi de ſobejo para logo lhe deſvanecer a ſua falſa ſuppoſição. E iſto meſmo com facilidade ſumma ſe lhe fizera evidente (ſe tal fora o deſignio) dandolhe a ver hum ſem conto de definições ou explicações de termos por varios modos defeituoſas, muitas etymologias erradas ou pouco ſeguras, havendo outras certas ou mais provaveis, e não menos citações de Autores Portuguezes impropriamente allegadas, ou em confirmação de ſignificado, para que não ſervem, ou pelo modo viciado com que eſtão tranſcritas; (<ref>(e) Sirva de exemplo o lugar de {{bib|Barros}}, Dec. 1. liv. 1. cap. 11, que Bluteau traz para confirmação de que a palavra Carnagem ſignifica matança de homens, quando a dita voz alli ſe entende por provisão de carnes; e devende manſmo </ref>) além de outros defeitos aſſás notaveis ainda naquillo meſ-<noinclude></noinclude>
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{{center|INTRODUCÇÃO.}}
O que porém ſe acaſo deixára de ſer aſſim, longe he de controverſia ſobre eſte particular o judicioſo parecer do noſſo illuſtre Poeta Antonio Ferreira; (<ref>(a) Poem. Cart. 2; 10.</ref>) vem a ſer, que
{{center|Geralmente foi dada boa licença<br>}}
{{center|A's lingoas; humas ás outras ſe roubárão:<br>}}
{{center|Só o bom ſpirito faz a differença.}}
Pelo que tendo a Nação Portugueza, como ſem dúvida tem, cópia deſtes bons e raros eſpiritos, os quaes, pelo dizer com palavras de outro tambem famoſo Poeta noſſo, (<ref>(b) {{bib|Bern. Lim.}} Cart. 4.</ref>) nos forão a lingoa enriquecendo, nas rimas e na proſa em altos ditos; ſó parece nos falta converter em proveito commum pelo modo, que vou a apontar, o muito, que delles ſe póde e deve tomar,
para o reduzir a hum ſó corpo. E já que por induſtria ſua a meſma lingoa chegou a obter tanta abundancia, gala, elevação, e nobreza; da noſſa diligencia ſeja procurarlhe a conſervação e perpetuidade de huns tão bellos dotes, ou, ſe poſſivel for, até mesmo darlhes luſtre mais realçado. Se pois a Planta, que apreſento, de hum Diccionario da referida lingoa, como inſtrumento, que ſó conſidero proprio para ſe conſeguir o ſobredito fim; ſe, como digo, eſta Planta na fórma, que reſpeitoſamente a offereço á Academia, não deſmerecer a ſua benevola graça, ou for tão venturoſa, que debaixo da ſua ſabia direcção, e honorifico patrocinio paſſe a executarfe, terei por grande dita haver com tão debeis forças ſubminiſtrado eſte ligeiro ſerviço á meſma lingoa, e moſtrado igualmente aſſim, hum tal qual indicio de zelo nacional, á Academia. Deſta he bem que ella ſó haja de eſperar tudo quanto deſde já ſe lhe póde felizmente augurar, quero dizer, a perfeição e a immortalidade. E tempo virá, em que por eſte reſpeito com juſta conveniencia melhor ſe lhe accommodem eſtes verſos, que já ſe lhe applicárão:
{{center|Ditoſa lingoa noſſa, que eſtendendo<br>}}
{{center|Vás já teu nome tanto, que ſeguro<br>}}
{{center|Inveja a toda outra irás fazendo. (<ref>(c) O meſmo ahi meſmo.</ref>)}}
Ou eſtoutros, os quaes ainda mais por ſua genuina allusão ao deſtino da Academia, muito ao proprio lhe poderão convir:
{{center|Renova mil memorias<br>}}
{{center|Lingoa aos teus eſquecida,<br>}}
{{center|Ou por falta d'amor, ou falta d'arte ;<br>}}
{{center|Sé para ſempre lida<br>}}
{{center|Nas Portuguezas glorias,<br>}}
{{center|Que em ti a Apollo honra darão e a Marte. (<ref>(d) {{bib|Ferr}}. Poem. Od. 1, 1.</ref>)}}
O muito, que o infatigavel e erudito P. D. Raphael Bluteau tentou fazer em beneficio da noſſa lingoa, de juſtiça deve merecer á Nação Portugueza não menor reconhecimento, do que a Heſpanhola dedica por igual motivo a D. Sebaſtião Covarrubias. O ſeu Theſouro da lingoa Caſtelhana da meſma ſorte, que o Vocabulario Portuguez e Latino do ſobredito Bluteau, forão os com que anticipárão a ambas as nações o conhecimento da neceſſidade e fructo, que ſe dá em obras deſta natureza. Mas aſſim como a Real Academia Heſpanhola não teve por baſtante o anterior trabalho do ſeu Covarrubias para deixar de compôr hum Diccionario inteiramente novo, igual razão ſe deve formar o noſſo , pois não he mais do que os Heſpanhoes tinhão, aquillo, que entre nós neſta parte ſe acha feito. Porém a fim de que ſe conheça quanto nos he grata a memoria do dito Bluteau pelos ſerviços, que conſagrou á Nação Portugueza, e quão de veras ſe lhe deſeja por hum tão honroſo titulo perpetuar ſeu celebre nome, não ſó com elle ſe autorizárão todas aquellas vozes, que em nenhum outro eſcritor noſſo ſe encontrarem; mas das ſuas meſmas definições, etymologias e obſervações, ſe podem ( parecendo ) receber aquellas, que por ſeu incançavel eſtudo ſe conhecerem com exacção preoccupadas. Se alguem com tudo preſumir a olhos cerrados , que deſneceſſariamente ſe emprehende hum Diccionario da Lingoa Portugueza, em razão de já poſſuirmos o ſeu volumoſo Vocabulario; o titulo deſte meſmo Vocabulario, a redundancia da ſua prolixa erudição, a falta de innumeraveis vocabulos Portuguezes, e de autoridades, que na maior parte das ſuas accepções qualifiquem os meſmos, que traz, finalmente a má eleição deſſas taes poucas autoridades fſem crítica, nem graduação, ſerá per ſi de ſobejo para logo lhe deſvanecer a ſua falſa ſuppoſição. E iſto meſmo com facilidade ſumma ſe lhe fizera evidente (ſe tal fora o deſignio) dandolhe a ver hum ſem conto de definições ou explicações de termos por varios modos defeituoſas, muitas etymologias erradas ou pouco ſeguras, havendo outras certas ou mais provaveis, e não menos citações de Autores Portuguezes impropriamente allegadas, ou em confirmação de ſignificado, para que não ſervem, ou pelo modo viciado com que eſtão tranſcritas; (<ref>(e) Sirva de exemplo o lugar de {{bib|Barros}}, Dec. 1. liv. 1. cap. 11, que Bluteau traz para confirmação de que a palavra Carnagem ſignifica matança de homens, quando a dita voz alli ſe entende por provisão de carnes; e devende manſmo </ref>) além de outros defeitos aſſás notaveis ainda naquillo meſ-<noinclude></noinclude>
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O que porém ſe acaſo deixára de ſer aſſim, longe he de controverſia ſobre eſte particular o judicioſo parecer do noſſo illuſtre Poeta Antonio Ferreira; (<ref>(a) Poem. Cart. 2; 10.</ref>) vem a ſer, que
{{center|Geralmente foi dada boa licença<br>}}
{{center|A's lingoas; humas ás outras ſe roubárão:<br>}}
{{center|Só o bom ſpirito faz a differença.}}
Pelo que tendo a Nação Portugueza, como ſem dúvida tem, cópia deſtes bons e raros eſpiritos, os quaes, pelo dizer com palavras de outro tambem famoſo Poeta noſſo, (<ref>(b) {{bib|Bern. Lim.}} Cart. 4.</ref>) nos forão a lingoa enriquecendo, nas rimas e na proſa em altos ditos; ſó parece nos falta converter em proveito commum pelo modo, que vou a apontar, o muito, que delles ſe póde e deve tomar,
para o reduzir a hum ſó corpo. E já que por induſtria ſua a meſma lingoa chegou a obter tanta abundancia, gala, elevação, e nobreza; da noſſa diligencia ſeja procurarlhe a conſervação e perpetuidade de huns tão bellos dotes, ou, ſe poſſivel for, até mesmo darlhes luſtre mais realçado. Se pois a Planta, que apreſento, de hum Diccionario da referida lingoa, como inſtrumento, que ſó conſidero proprio para ſe conſeguir o ſobredito fim; ſe, como digo, eſta Planta na fórma, que reſpeitoſamente a offereço á Academia, não deſmerecer a ſua benevola graça, ou for tão venturoſa, que debaixo da ſua ſabia direcção, e honorifico patrocinio paſſe a executarfe, terei por grande dita haver com tão debeis forças ſubminiſtrado eſte ligeiro ſerviço á meſma lingoa, e moſtrado igualmente aſſim, hum tal qual indicio de zelo nacional, á Academia. Deſta he bem que ella ſó haja de eſperar tudo quanto deſde já ſe lhe póde felizmente augurar, quero dizer, a perfeição e a immortalidade. E tempo virá, em que por eſte reſpeito com juſta conveniencia melhor ſe lhe accommodem eſtes verſos, que já ſe lhe applicárão:
{{center|Ditoſa lingoa noſſa, que eſtendendo<br>}}
{{center|Vás já teu nome tanto, que ſeguro<br>}}
{{center|Inveja a toda outra irás fazendo. (<ref>(c) O meſmo ahi meſmo.</ref>)}}
Ou eſtoutros, os quaes ainda mais por ſua genuina allusão ao deſtino da Academia, muito ao proprio lhe poderão convir:
{{center|Renova mil memorias<br>}}
{{center|Lingoa aos teus eſquecida,<br>}}
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{{center|Sé para ſempre lida<br>}}
{{center|Nas Portuguezas glorias,<br>}}
{{center|Que em ti a Apollo honra darão e a Marte. (<ref>(d) {{bib|Ferr}}. Poem. Od. 1, 1.</ref>)}}
O muito, que o infatigavel e erudito P. D. Raphael Bluteau tentou fazer em beneficio da noſſa lingoa, de juſtiça deve merecer á Nação Portugueza não menor reconhecimento, do que a Heſpanhola dedica por igual motivo a D. Sebaſtião Covarrubias. O ſeu Theſouro da lingoa Caſtelhana da meſma ſorte, que o Vocabulario Portuguez e Latino do ſobredito Bluteau, forão os com que anticipárão a ambas as nações o conhecimento da neceſſidade e fructo, que ſe dá em obras deſta natureza. Mas aſſim como a Real Academia Heſpanhola não teve por baſtante o anterior trabalho do ſeu Covarrubias para deixar de compôr hum Diccionario inteiramente novo, igual razão ſe deve formar o noſſo , pois não he mais do que os Heſpanhoes tinhão, aquillo, que entre nós neſta parte ſe acha feito. Porém a fim de que ſe conheça quanto nos he grata a memoria do dito Bluteau pelos ſerviços, que conſagrou á Nação Portugueza, e quão de veras ſe lhe deſeja por hum tão honroſo titulo perpetuar ſeu celebre nome, não ſó com elle ſe autorizárão todas aquellas vozes, que em nenhum outro eſcritor noſſo ſe encontrarem; mas das ſuas meſmas definições, etymologias e obſervações, ſe podem ( parecendo ) receber aquellas, que por ſeu incançavel eſtudo ſe conhecerem com exacção preoccupadas. Se alguem com tudo preſumir a olhos cerrados , que deſneceſſariamente ſe emprehende hum Diccionario da Lingoa Portugueza, em razão de já poſſuirmos o ſeu volumoſo Vocabulario; o titulo deſte meſmo Vocabulario, a redundancia da ſua prolixa erudição, a falta de innumeraveis vocabulos Portuguezes, e de autoridades, que na maior parte das ſuas accepções qualifiquem os meſmos, que traz, finalmente a má eleição deſſas taes poucas autoridades fſem crítica, nem graduação, ſerá per ſi de ſobejo para logo lhe deſvanecer a ſua falſa ſuppoſição. E iſto meſmo com facilidade ſumma ſe lhe fizera evidente (ſe tal fora o deſignio) dandolhe a ver hum ſem conto de definições ou explicações de termos por varios modos defeituoſas, muitas etymologias erradas ou pouco ſeguras, havendo outras certas ou mais provaveis, e não menos citações de Autores Portuguezes impropriamente allegadas, ou em confirmação de ſignificado, para que não ſervem, ou pelo modo viciado com que eſtão tranſcritas; (<ref>(e) Sirva de exemplo o lugar de {{bib|Barros}}, Dec. 1. liv. 1. cap. 11, que Bluteau traz para confirmação de que a palavra Carnagem ſignifica matança de homens, quando a dita voz alli ſe entende por provisão de carnes; e devende manſmo </ref>) além de outros defeitos aſſás notaveis ainda naquillo meſ-<noinclude></noinclude>
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O que porém ſe acaſo deixára de ſer aſſim, longe he de controverſia ſobre eſte particular o judicioſo parecer do noſſo illuſtre Poeta Antonio Ferreira; (<ref>(a) Poem. Cart. 2; 10.</ref>) vem a ſer, que
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{{center|A's lingoas; humas ás outras ſe roubárão:<br>}}
{{center|Só o bom ſpirito faz a differença.}}
Pelo que tendo a Nação Portugueza, como ſem dúvida tem, cópia deſtes bons e raros eſpiritos, os quaes, pelo dizer com palavras de outro tambem famoſo Poeta noſſo, (<ref>(b) {{bib|Bern. Lim.}} Cart. 4.</ref>) nos forão a lingoa enriquecendo, nas rimas e na proſa em altos ditos; ſó parece nos falta converter em proveito commum pelo modo, que vou a apontar, o muito, que delles ſe póde e deve tomar,
para o reduzir a hum ſó corpo. E já que por induſtria ſua a meſma lingoa chegou a obter tanta abundancia, gala, elevação, e nobreza; da noſſa diligencia ſeja procurarlhe a conſervação e perpetuidade de huns tão bellos dotes, ou, ſe poſſivel for, até mesmo darlhes luſtre mais realçado. Se pois a Planta, que apreſento, de hum Diccionario da referida lingoa, como inſtrumento, que ſó conſidero proprio para ſe conſeguir o ſobredito fim; ſe, como digo, eſta Planta na fórma, que reſpeitoſamente a offereço á Academia, não deſmerecer a ſua benevola graça, ou for tão venturoſa, que debaixo da ſua ſabia direcção, e honorifico patrocinio paſſe a executarfe, terei por grande dita haver com tão debeis forças ſubminiſtrado eſte ligeiro ſerviço á meſma lingoa, e moſtrado igualmente aſſim, hum tal qual indicio de zelo nacional, á Academia. Deſta he bem que ella ſó haja de eſperar tudo quanto deſde já ſe lhe póde felizmente augurar, quero dizer, a perfeição e a immortalidade. E tempo virá, em que por eſte reſpeito com juſta conveniencia melhor ſe lhe accommodem eſtes verſos, que já ſe lhe applicárão:
{{center|Ditoſa lingoa noſſa, que eſtendendo<br>}}
{{center|Vás já teu nome tanto, que ſeguro<br>}}
{{center|Inveja a toda outra irás fazendo. (<ref>(c) O meſmo ahi meſmo.</ref>)}}
Ou eſtoutros, os quaes ainda mais por ſua genuina allusão ao deſtino da Academia, muito ao proprio lhe poderão convir:
{{center|Renova mil memorias<br>}}
{{center|Lingoa aos teus eſquecida,<br>}}
{{center|Ou por falta d'amor, ou falta d'arte ;<br>}}
{{center|Sé para ſempre lida<br>}}
{{center|Nas Portuguezas glorias,<br>}}
{{center|Que em ti a Apollo honra darão e a Marte. (<ref>(d) {{bib|Ferr}}. Poem. Od. 1, 1.</ref>)}}
O muito, que o infatigavel e erudito P. D. Raphael Bluteau tentou fazer em beneficio da noſſa lingoa, de juſtiça deve merecer á Nação Portugueza não menor reconhecimento, do que a Heſpanhola dedica por igual motivo a D. Sebaſtião Covarrubias. O ſeu Theſouro da lingoa Caſtelhana da meſma ſorte, que o Vocabulario Portuguez e Latino do ſobredito Bluteau, forão os com que anticipárão a ambas as nações o conhecimento da neceſſidade e fructo, que ſe dá em obras deſta natureza. Mas aſſim como a Real Academia Heſpanhola não teve por baſtante o anterior trabalho do ſeu Covarrubias para deixar de compôr hum Diccionario inteiramente novo, igual razão ſe deve formar o noſſo , pois não he mais do que os Heſpanhoes tinhão, aquillo, que entre nós neſta parte ſe acha feito. Porém a fim de que ſe conheça quanto nos he grata a memoria do dito Bluteau pelos ſerviços, que conſagrou á Nação Portugueza, e quão de veras ſe lhe deſeja por hum tão honroſo titulo perpetuar ſeu celebre nome, não ſó com elle ſe autorizárão todas aquellas vozes, que em nenhum outro eſcritor noſſo ſe encontrarem; mas das ſuas meſmas definições, etymologias e obſervações, ſe podem ( parecendo ) receber aquellas, que por ſeu incançavel eſtudo ſe conhecerem com exacção preoccupadas. Se alguem com tudo preſumir a olhos cerrados , que deſneceſſariamente ſe emprehende hum Diccionario da Lingoa Portugueza, em razão de já poſſuirmos o ſeu volumoſo Vocabulario; o titulo deſte meſmo Vocabulario, a redundancia da ſua prolixa erudição, a falta de innumeraveis vocabulos Portuguezes, e de autoridades, que na maior parte das ſuas accepções qualifiquem os meſmos, que traz, finalmente a má eleição deſſas taes poucas autoridades fſem crítica, nem graduação, ſerá per ſi de ſobejo para logo lhe deſvanecer a ſua falſa ſuppoſição. E iſto meſmo com facilidade ſumma ſe lhe fizera evidente (ſe tal fora o deſignio) dandolhe a ver hum ſem conto de definições ou explicações de termos por varios modos defeituoſas, muitas etymologias erradas ou pouco ſeguras, havendo outras certas ou mais provaveis, e não menos citações de Autores Portuguezes impropriamente allegadas, ou em confirmação de ſignificado, para que não ſervem, ou pelo modo viciado com que eſtão tranſcritas; (<ref>(e) Sirva de exemplo o lugar de {{bib|Barros}}, Dec. 1. liv. 1. cap. 11, que Bluteau traz para confirmação de que a palavra Carnagem ſignifica matança de homens, quando a dita voz alli ſe entende por provisão de carnes; e devende manſmo [continuação na nota 5 da página seguinte]</ref>) além de outros defeitos aſſás notaveis ainda naquillo meſ-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>IV {{center|PLANTA DO DICCIONARIO.}}
mo, que directamente toca á lingoa Portugueza. E deſta ſorte ficaria a toda a luz manifeſto, que a referida lingoa não ſe acha atégora enriquecida, como por inadvertencia ſuppoſerão os Academicos Heſpanhoes (<ref>(a) Hiſt. da Acad. Heſpanh. tom. I. do Diccionario, §. 4.</ref>) com hum perfeitiſſimo Diccionario.
{{center|{{larger|PLANTA DO DICCIONARIO.}}}}
{{center|I.}}
'''O''' Diccionario da Lingoa Portugueza, cujo projecto ſe offerece, deverá conter os vocabulos puramente Portuguezes em todas as ſuas ſignificações, aſſim proprias, como translatas, declarandoſe em cada huma dellas a ſua natureza, propriedade é força, juntamente com o uſo regular ou anomalia das palavras e fraſes, fixado tudo pelos exemplos dos Autores claſſicos da ſobredita lingoa, e conſtruido, ſegundo parece, pelo methodo ſeguinte.
{{center|II.}}
<p style="text-indent: 2em;">Começarſcha a leitura dos Autores Portuguezes, que conſervamos, pelos primeiros Eſcritores, que principiárão a formar a noſſa lingoa. Taes são o Nobiliario do Conde D. Pedro, as Chroni-
cas de Fernão Lopes, Gomes Eannes d'Azurara, a anonyma do Condeſtavel D. Nuno Alvares Pereira, a Vita Chriſti, que ſe diz ſer de Fr. Bernardo de Alcobaça, a Regra e Perfeição da converſação dos Monges pela Senhora Infanta D. Catharina, o Cancioneiro geral, publicado por Garcia de Refende, a Menina e Moça e mais obras de Bernardim Ribeiro, as de Gil Vicente, e
quaeſquer outras, que estiverem impreſſas, aindaque ſejão da mais remota antiguidade; poisque a eſta em todas as lingoas ſe conſagra huma eſpecie de culto, como a reſpeito de Ennio diz Quintiliano. (<ref>(b) Ennium ſicut ſacros vetuſtate lucos adoremus, in quibus grandia et antiqua robora iam non tantam habent ſpeciem, quantam religionem. ''Inſt. Orat. lib. X. c. 1''.</ref>) Todas as palavras antiquadas dos referidos eſcritos entrarão no Diccionario, da meſma ſorte as dos antigos monumentos, como eſcrituras, doações, teſtamentos, &c. que eſtiverem impreſſos, ajuntandoſelhes a declaração do anno ou ſeculo, a que pertencem, e citandoſe o Autor ou livro, onde ſe encontra o tal monumento. Continuarſeha a meſma leitura deſde Franciſco de Sá de Miranda, o primeiro dos noſſos polidos e elegantes Claſſicos, o mais chronologicamente, que for poſſivel por todo o decurſo do XVI e XVII ſeculos, em cujo fim, ſe lhes fixará o
termo. (<ref>(c) Quando ſe fecha o numero dos Eſcritores, que autorizão as vozes do Diccionario, no fim do ſeculo XVII não he porque ſe entenda, que deſde então até ao preſente deixára de haver entre nós quantidade de bons eſcritores em differentes generos. Porém como, particularmente do meio do paſſado ſeculo por diante, os eſtudos eſcolaticos, e
o eſpirito commum de ſubtilizar, começarão a corromper a arte de bem dizer; e a maior parte dos Literatos, empregada
em erudições, ſe foi deſcuidando de praticar os primores da noſſa lingoa, vindo eſta depois com exceſſo a eſtragarſe quaſi de todo pela leitura de livros eſtrangeiros, eſpecialmente Francezes, em que muitos ſó ſe occuparão, e mais que tudo pelas peſſimas traducções dos ditos livros, fique por iſſo para tempo mais remoto do noſſo, graduar o merecimento daquellas obras, que ſouberão preſervarſe de huma tal infecção. Semelhante juizo, como feito impune e livremente ſem reſpeitos, nem parcialidade, ficará ſendo, como he já por conſenſo univerſal o dos Autores, de que nos ſervimos, recto, ſólido e inalteravel. Outro tanto fez a Real Academia Heſpanhola no ſeu Diccionario, o que tambem já antes havia praricado a de Cruſca, e varias outras.</ref>)</p>
{{center|III.}}
<p style="text-indent: 2em;">Darſeha ſempre a preferencia para autorizar os vocabulos áquelles dos noſſos Autores, que indiſputavelmente ſe reputão Claſſicos. E poſtoque neſte numero ſe devão contar todos quantos decorrem deſde o meio do XVI ſeculo até fim deſte meſmo ſeculo, e ainda alguns primeiros do outro immediato; (<ref>(d) A idade mais elegante da pureza da noſſa lingoa poderá (parecendo) contarſe deſde o anno de 1540, em que começarão a ler na Universidade de Coimbra os inſignes Meſtres, que elRei D. João III. nella eſtabeleceo; e terminarſe no anno de 1626, na qual ſahio a luz a primeira parte da Hiſtoria de S. Domingos por Fr. Luiz de Souſa, por ſer esta a ultima obra, que o Autor em ſua vida publicou.</ref>) aquelles porém, que mais conſtantemente caſtigárão as ſuas obras, e tem mais reconhecido e provado credito por cauſa da elegancia de ſeu eſtilo, ſerão tambem com mais frequencia citados, não ſe havendo tanto conſideração ao tempo, como ao intrinſeco merecimento de ſeus eſcritos.</p>
{{center|IV.}}
<p style="text-indent: 2em;">Da meſma ſorte ſe procederá com os Autores, que ſe ſeguem a Fr. Luiz de Souſa até ao fim do ſeculo paſſado. Delles ſe fará porém ſelecção, admittindo ſómente os que por ſua lingoagem e estilo ſe julgarem diſſo merecedores. Guidarſeha em ajuntar algum deſtes aos precedentes,</p>
creverſe deſta maneira: E na ida e vinda té tornar á Ilha das Garças fazer carnagem, per vezes que ſabirão na terra firme, tomarão cincoenta almas; o Bluteau o cita aſſim: Se tornar à Ilha fazer carnagens, por vezes, que ſabirão na terra firme.<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>IV {{center|PLANTA DO DICCIONARIO.}}
mo, que directamente toca á lingoa Portugueza. E deſta ſorte ficaria a toda a luz manifeſto, que a referida lingoa não ſe acha atégora enriquecida, como por inadvertencia ſuppoſerão os Academicos Heſpanhoes (<ref>(a) Hiſt. da Acad. Heſpanh. tom. I. do Diccionario, §. 4.</ref>) com hum perfeitiſſimo Diccionario.
{{center|{{larger|PLANTA DO DICCIONARIO.}}}}
{{center|I.}}
'''O''' Diccionario da Lingoa Portugueza, cujo projecto ſe offerece, deverá conter os vocabulos puramente Portuguezes em todas as ſuas ſignificações, aſſim proprias, como translatas, declarandoſe em cada huma dellas a ſua natureza, propriedade é força, juntamente com o uſo regular ou anomalia das palavras e fraſes, fixado tudo pelos exemplos dos Autores claſſicos da ſobredita lingoa, e conſtruido, ſegundo parece, pelo methodo ſeguinte.
{{center|II.}}
<p style="text-indent: 2em;">Começarſcha a leitura dos Autores Portuguezes, que conſervamos, pelos primeiros Eſcritores, que principiárão a formar a noſſa lingoa. Taes são o Nobiliario do Conde D. Pedro, as Chroni-
cas de Fernão Lopes, Gomes Eannes d'Azurara, a anonyma do Condeſtavel D. Nuno Alvares Pereira, a Vita Chriſti, que ſe diz ſer de Fr. Bernardo de Alcobaça, a Regra e Perfeição da converſação dos Monges pela Senhora Infanta D. Catharina, o Cancioneiro geral, publicado por Garcia de Refende, a Menina e Moça e mais obras de Bernardim Ribeiro, as de Gil Vicente, e
quaeſquer outras, que estiverem impreſſas, aindaque ſejão da mais remota antiguidade; poisque a eſta em todas as lingoas ſe conſagra huma eſpecie de culto, como a reſpeito de Ennio diz Quintiliano. (<ref>(b) Ennium ſicut ſacros vetuſtate lucos adoremus, in quibus grandia et antiqua robora iam non tantam habent ſpeciem, quantam religionem. ''Inſt. Orat. lib. X. c. 1''.</ref>) Todas as palavras antiquadas dos referidos eſcritos entrarão no Diccionario, da meſma ſorte as dos antigos monumentos, como eſcrituras, doações, teſtamentos, &c. que eſtiverem impreſſos, ajuntandoſelhes a declaração do anno ou ſeculo, a que pertencem, e citandoſe o Autor ou livro, onde ſe encontra o tal monumento. Continuarſeha a meſma leitura deſde Franciſco de Sá de Miranda, o primeiro dos noſſos polidos e elegantes Claſſicos, o mais chronologicamente, que for poſſivel por todo o decurſo do XVI e XVII ſeculos, em cujo fim, ſe lhes fixará o
termo. (<ref>(c) Quando ſe fecha o numero dos Eſcritores, que autorizão as vozes do Diccionario, no fim do ſeculo XVII não he porque ſe entenda, que deſde então até ao preſente deixára de haver entre nós quantidade de bons eſcritores em differentes generos. Porém como, particularmente do meio do paſſado ſeculo por diante, os eſtudos eſcolaticos, e
o eſpirito commum de ſubtilizar, começarão a corromper a arte de bem dizer; e a maior parte dos Literatos, empregada
em erudições, ſe foi deſcuidando de praticar os primores da noſſa lingoa, vindo eſta depois com exceſſo a eſtragarſe quaſi de todo pela leitura de livros eſtrangeiros, eſpecialmente Francezes, em que muitos ſó ſe occuparão, e mais que tudo pelas peſſimas traducções dos ditos livros, fique por iſſo para tempo mais remoto do noſſo, graduar o merecimento daquellas obras, que ſouberão preſervarſe de huma tal infecção. Semelhante juizo, como feito impune e livremente ſem reſpeitos, nem parcialidade, ficará ſendo, como he já por conſenſo univerſal o dos Autores, de que nos ſervimos, recto, ſólido e inalteravel. Outro tanto fez a Real Academia Heſpanhola no ſeu Diccionario, o que tambem já antes havia praricado a de Cruſca, e varias outras.</ref>)</p>
{{center|III.}}
<p style="text-indent: 2em;">Darſeha ſempre a preferencia para autorizar os vocabulos áquelles dos noſſos Autores, que indiſputavelmente ſe reputão Claſſicos. E poſtoque neſte numero ſe devão contar todos quantos decorrem deſde o meio do XVI ſeculo até fim deſte meſmo ſeculo, e ainda alguns primeiros do outro immediato; (<ref>(d) A idade mais elegante da pureza da noſſa lingoa poderá (parecendo) contarſe deſde o anno de 1540, em que começarão a ler na Universidade de Coimbra os inſignes Meſtres, que elRei D. João III. nella eſtabeleceo; e terminarſe no anno de 1626, na qual ſahio a luz a primeira parte da Hiſtoria de S. Domingos por Fr. Luiz de Souſa, por ſer esta a ultima obra, que o Autor em ſua vida publicou.</ref>) aquelles porém, que mais conſtantemente caſtigárão as ſuas obras, e tem mais reconhecido e provado credito por cauſa da elegancia de ſeu eſtilo, ſerão tambem com mais frequencia citados, não ſe havendo tanto conſideração ao tempo, como ao intrinſeco merecimento de ſeus eſcritos.</p>
{{center|IV.}}
<p style="text-indent: 2em;">Da meſma ſorte ſe procederá com os Autores, que ſe ſeguem a Fr. Luiz de Souſa até ao fim do ſeculo paſſado. Delles ſe fará porém ſelecção, admittindo ſómente os que por ſua lingoagem e estilo ſe julgarem diſſo merecedores. Guidarſeha em ajuntar algum deſtes aos precedentes,</p>
<ref>[continuação da nota 5 da página anterior] creverſe deſta maneira: E na ida e vinda té tornar á Ilha das Garças fazer carnagem, per vezes que ſabirão na terra firme, tomarão cincoenta almas; o Bluteau o cita aſſim: Se tornar à Ilha fazer carnagens, por vezes, que ſabirão na terra firme.</ref><noinclude></noinclude>
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{{center|PLANTA DO DICCIONARIO.}}
e iſto muito em particular naquellas vozes, que de preſente paſsão por velhas ou totalmente antiquadas, para que aſſim ſe conheça não o ſerem na realidade tanto, que dellas não ſe hajão ſervido autores de boa nota, e não muito afaſtados do noſſo tempo. Quando houver exemplo de Poeta que autorize os vocabulos em cada huma das ſuas accepções, aindaque elle não ſeja dos da maior conſideração, nunca o tal exemplo ſe omittirá, fazendoſe outro tanto nas vozes, que ſe julgão puramente poeticas, todas as vezes, que para ellas ſe der autoridade da proſa. Mas
quando neſtes ſegundos ſe encontrar a definição, explicação ou etymologia da voz dominante, em tal caſo ſe porá ſempre eſta autoridade, que deverá até meſmo (ſe neceſſario for) preferir a de qualquer eſcritor ou mais antigo, ou mais illuſtre, que com ella poſſa concorrer. Os Autores e livros facultativos confirmárão meramente os termos privativos das materias, em que ſe empregárão.
{{center|V.}}
<p style="text-indent: 2em;">Logo que ſe for lendo cada hum dos Autores , para ſe lhes extrahirem os paſſos, que hão de comprovar as palavras e fraſes, ſe irá formando hum juizo crítico, feito por analyſe ou comparação, e corroborado com teſtemunhos extrinſecos, ſe os houver, para pelo dito juizo ſe lhe determinar o gráo de autoridade, em que ſe deve conſtituir. A iſto ſe ajuntará huma breve noticia do meſmo Autor, notandoſe aquillo, que ou por omissão calou, ou enganoſamente referio o não menos erudito, que laborioſo Abbade Diogo Barboſa Machado na Bibliotheca Luſitana. Nunca deixarão de ſe declarar as ſeguintes particularidades. Vem a ſer; o nome por inteiro do Autor, o anno em que naſceo e morreo, ou ao menos o ſeculo ou reinado em que floreceo, e a ſua patria. O titulo tambem de cada obra ſe trasladará tal, qual ſe acha impreſſo, com o nome do Impreſſor ou officina, anno da impressão, fórma do volume, e, quando alguma dellas couſtar de muitos volumes ou tomos, ſe expreſſará o total numero deſtes. Devem eſcolherſe para a leitura as edições mais correctas, ou por primeiras, ou por haverem ſido reviſtas pelos proprios Autores, ou finalmente formadas ſobre originaes autographos: e ſó na abſoluta falta deſtas ſe lançará mão de outras, dando ſempre a preferencia ás que mais ſe aproximarem á idade dos Autores.</p>
{{center|VI.}}
<p style="text-indent: 2em;">Todas as palavras appellativas da Lingoa Portugueza, qualquer que ſeja dellas a eſpecie, ſem excluir (como já ſe diſſe) as antiquadas, terão lugar no Diccionario. Nellas ſe obſervará para facilidade e commodo de todo genero de leitores, a inalteravel ordem de alphabeto. Eſta regra ſerá ſem exceição, pois que até os participios, os termos compoſtos, verbaes, diminutivos, augmentativos, e os ſuperlativos, ou eſtes regularmente ſe formem dos ſeus poſitivos, ou ſejão irregulares, aſſim como tambem os adverbios de toda a qualidade, ſe não devem della eximir. Os modos ou fórmulas adverbiaes, que ſe compõe de duas dicções, ſem embargo de ſe haverem de collocar na voz dominante, irão ſempre no ſeu lugar alphabetico, remettendo para ella o leitor, com a declaração: Vej. ''vejaſe''; aſſim como: A''' vontade. Vej. Vontade''; ''De repente. Vej. Repente''; ''Por fim. Vej. Fim''. Porém aquellas fórmulas adverbiaes, que pelo coſtume de ſe proferirem inſeperaveis, parecem huma ſó dicção; aſſim como: ''Abaixo, Acima, Adiante, &c.'', e as outras, cujo ſimples não eſtá em uſo, por exemplo: ''A eito, A pique, A's rebatinhas, &c''. irão ſegundo a regularidade do alphabeto. Iſto meſmo ſe poderá tambem permittir a algumas poucas das da primeira eſpecie acima indicada, á haver de ſuppôrſe que mais facil e ordinariamente ſe procurarão no Diccionario com a união da particula, que na palavra, a que ella ſe ajunta.</p>
{{center|VII.}}
<p style="text-indent: 2em;">Os termos privativos das Provincias e Conquiſtas de Portugal, que ſe achão nas obras impreſſas dos noſſos eſcritores claſſicos, entrarão igualmente no ſobredito numero dos mais appellativos.
E como taes ſerão pelo meſmo modo admittidos no Diccionario os adjectivos formados dos nomes proprios, por cauſa das ſuas varias inflexões. Por conclusão da claſſe dos appellativos em
geral ſó deixarão de ſe receber as palavras, que nuamente exprimem objecto deshoneſto ou ſordido, e as locuções de ''gira'' apenas conhecidas e uſadas por peſſoas da infima condição. Mas nunca ſe haja de entender, que na conta deſtas ultimas ſe incluem as expreſsões burleſcas e vulgares, que ſuppoſto não convenhão aos aſſumptos ſerios e graves, não deixão por iſſo de ſer Portuguezas, muito proprias do eſtilo jocoſo, e energicas no familiar. Quando porém os termos comicos ou ruſticos ſe encontrão com orthographia de propoſito viciada, para ſe arremedar aſſim ao natural o idiotiſmo da baixa plebe, eſtes taes ſem terem artigo de per ſi, reduzirſehão á voz principal; aſſim como: ''Aceitalar'' a ''Acutilar'', ''Arcambuz'' e ''Alcambuz'' a ''Arcabuz'', ''Coiração'' a ''Coração'',
&c. e ſemelhantemente os demais, pondolhes exemplos com eſta tal configuração.</p>
{{center|4}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>XIV
{{center|PLANTA DO DICCIONARIO.}}
{{center|VIII.}}
<p style="text-indent: 2em;">Os nomes proprios das peſſoas e lugares, que pertencem á Hiſtoria, á Fabula e á Geographia por commum acordo de todos os bons Criticos, e autoridade dos mais reſpeitaveis Diccionariſtas devemſe excluir dos Diccionarios das lingoas. (<ref>(a) Far. e Souſ. Comment. alas Rim. de Cam. Cent. 1. ſon. 100. p. 189. col. 1. Geſner. Praef. ling. et erudit. Rom. Theſaur. e outros. 22</ref>) Os motivos, que para iſto ſe eſpecificão, tem tão innegavel efficacia, que he de força hajamos de os abraçar. Porém quando os ditos nomes proprios particularmente os mythologicos ou em virtude de translação entre os Poetas, ou pelo uſo commum, paſſarem a ter ſignificação geral, como ſe ''Amphitrite'' ou ''Neptuno'' ſe tomarem pelo mar, &c. confervarſchão neſte ſentido, depois de ſe lhes declarar o proprio, e ſe autorizarão ſómente as accepções metaphoricas, e de que procedem fraſes particulares. Admittirſehão tambem as vozes peculiares ás Sciencias, ás Artes liberaes e mechanicas, ſe eſtas vozes ſe acharem impreſſas nos Autores approvados e Diccionarios Portuguezes. As autoridades tomadas deſtes ultimos ſó terão lugar, quando não houver outra alguma, que ſe poſſa produzir. Por conclusão alguns dos termos novos, que ſe entender eſtão univerſalmente recebidos com pública approvação, ſe podem igualmente admittir; pois que a falta de autoridade antiga, e o ſignal ''us''., que tanto val, como ''voz uſada'' ou ''ſó do uſo commum'', ſerão per ſi baſtantes para lhes indicar o caracter. Mas neſta adopção de vocabulos modernos e eſtrangeiros ſe guarde ſempre aquella judicioſa economia, que a Crítica recommenda, por quanto como bem nos
aſſegura o eloquentiſſimo Padre Antonio Vieira, (<ref>(b) Approv. da III. part. da Hiſt. de S. Dom. por Fr. Luiz de Souſa. Eſta meſma deſneceſſatia introdução de vozes novas na noſſa lingoa reprova justamente o douro e elegantiſſimo P. Manoel Bernardes (Floreſt. 4, 16, 251) dizendo aſſim: Eſte vicio de curioſidade e affeição a conſas novas paſſa tambem aos trages, aos edificios, aos comeres, e até meſmo ás palavras; porque não fáltão novelleiros, que querem emendar, ou illuſtrar o idioma commum
introduzindo palavras exoticas, e termos, que lhes parecem mais elegantes, ſendo na verdade mais ridiculos.,, O Abbade João Salgado de Araujo (Suceſſ. 3, 8.) tambem á eſte reſpeito eſcreve o ſeguinte:,, Horacio diz que o povo a tem [autoridade] para introduzir novas palavras, mas he certo aſea muito ao autor dellas. O que eſcreve ha de uſar das que
uſa a commum gente, porém com eloquencia.,, Manoel de Faria e Souſa, Fuent. de Aganip. Part. I. Prol. num. 10. diz: Porque dieron los hombres en buſcar palabras modernas, i no terminos vereranos, que ſon los finos.,,</ref>) » ſó os mendigão de outras lingoas, os que
» são pobres de cabedaes da noſſa, tão rica e bem dotada, como filha primogenita da Latina.</p>
{{center|IX.}}
<p style="text-indent: 2em;">O numero das autoridades, que houverem de confirmar cada hum dos ſignificados ou uſos.
das vozes, ſerá aquelle, que ſe julgar ſufficiente para vua inteira certeza e ſegurança. (<ref>(c) Julgouſe ſufficiente, que em cada hun dos ſignificados não paſſaſſem de tres as autoridades; que ſe puſeſſem duas
ao mais nas fraſes, e huma nos epitheros, ou quando muito huma de proſa, e outra de verſo. Se porém as differentes regencias dos verbos ſuffem mais de tres, ſe excedeſſe ſó então por tal motivo eſte prefixo numero.</ref>) Eſtas taes autoridades não ſerão prolixamente diffuſas, iſto he, não ſe tranſcreverá hum comprido periodo, nem huma eſtancia, quarteto, terceto, &c. mas ſimpleſmente aquella oração, membro ou ainda coma, por que com abſoluta independencia do texto ſe poſſa, ſem recorrer a elle, alcançar a perfeita intelligencia, e total força da voz, que ſe qualifica. E no caſo de haver algum penſamento intermedio hum pouco extenſo, ſe ſupprimirá eſta tal oração ſubjunctiva, reſervando unicamente illeſa e clara aquella parte, que baſte a explicar a genuina ſignificação da palavra ou fraſe, que deve authenticarſe. Porém a fim de ſe evitar a deſconfiança, de que houve omissão em trasladar a autoridade, ſe com ella ſe conferir o texto, convém pôr no lugar das palavras ſupprimidas tres pontinhos... Eſte mefmo ſignal ſupprirá a voz dominante do artigo, quando eſta tambem ſe omittir; a qual voz, e qualquer outra, que ſe houver poſto ao principio ou da regra ou da oração precedente, ſe entenderá repetida com huma linha lançada ao comprido. Havendo ſobejo numero de autoridades, que moſtrem o valor das expreſsões em cada hum dos ſeus ſentidos, a ſerem aquellas de eſcritor de igual toque, ou muitas em hum meſmo autor, ſe preferirão ſempre as mais proprias, adequadas, e terminantes, e entre eſtas as que contiverem algum grave e engenhoſo penſamento, ou maxima e documento moral. Nunca para confirmação de huma ſó couſa ſe allegará da meſma obra de algum Eſcritor ſegunda autoridade; e apenas ſendo voz deſconhecida ou deſuſada, e nelle ſingular, ſe lhe ajuntará outra ſua, ſe a houver, tanto para lhe aclarar o ſentido, como para fazer certo não ſe dar erro no primeiro lugar citado, pois a dira voz ſe acha repetida.</p>
{{center|X.}}
<p style="text-indent: 2em;">Para abbreviar os lugares de longa extensão onde alguma voz, de que depende o ſentido completo do penſamento, eſtá muito remota, e na oração ſó ſe acha verbo, adjectivo, pronome</p><noinclude></noinclude>
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{{center|PLANTA DO DICCIONARIO.}}
ou relativo, que a declare, ſendo eſſencial á precepção do conceito exprimir individualmente a referida palavra, pôrſeha então entre ganhos, [] a que os Orthographos chamão Paratheſis, a palavra ſubentendida, aſſim como ſe vê nos ſeguintes exemplos tomados de Barros. Dec.
1, 1, 5 Não puderão tomar [o navio ] ſenão ao outro dia pola menhãa. — I, I, 2 Por verem que era mis groſſa [terra] e azada pera fructificar todalas ſementes e plantas de proveito —
1, 1, 7 Sobre cada huma dellas [almadias] hião tres e quatro homens nús eſcanchados. — 1, 1, 10 Afóra outras [almas] que perecêrão em ſeu defendimento.
{{center|XI.}}
<p style="text-indent: 2em;">Admittirſeha por agora aquella orthographia, que mais ſe conformar com a etymologia, principalmente latina, e que ſe eſtabelece na euphonia e prática dos eruditos, em quanto a Academia não recebe para ſeu uſo hum ſyſtema orthographico, livre de toda a variedade e ordinaria inconſtancia. Porém como alguns ou por ignorarem a verdadeira derivação dos vocabulos, ou pelo coſtume de ler os noſſos antigos Autores, irão buſcar no Diccionario eſtes meſmos vocabulos ſegundo o modo vulgar ou antigo de os eſcrever, por lhes evitar embaraço, não ſó a cada huma das dicções ſe ajuntarão immediatas á definição as ſuas varias orthographias, mas ainda as principaes ſe porão no lugar de alphabeto, que lhes tocar, apontandoſe aquelloutro, em que conforme a orthographia recebida, ſe houverem collocado. Aſſim approvando o Diccionario como melhor eſcrever: ''Affecto, devoção, entre, &c''. metterá todavia na ordem alphabetica: ''Affeito, devação, antre, &c''. remettendo eſtes taes para a voz approvada com hum Vej. ''vejaſe''.</p>
{{center|XII.}}
<p style="text-indent: 2em;">Mas iſto ſe fará tão ſómente nas dicções, em que pela mudança das letras, ſe altera ſenſivelmente a pronunciação, como nas ſobreditas. Aquellas porém onde a duplicação das conſoantes, ou a troca das vogaes não produz hum tal effeito como ſuccede em muitas vozes, que ſe eſcrevião por ''e'' e ''o'', em lugar de ''i'' e ''u'', e ao contrario; ou por ''f'' e ''am'' em lugar de ''pb'' e ''ão'', e affim a inconſtante troca de ''ç'' em dous ''ſſ'', ou do ſimples ''c'' em ''ſ'', do ''qu'' em ''c'', e do ''z'' em ''ſ'', não neceſſitão que a ſeu reſpeito ſe faça expreſſa menção de huns taes accidentes. Outro tanto ſe praticará pelo que toca ás vozes, que antigamente começavão por ''ſ'', e hoje ſe eſcrevem por ''es'', e todas aquellas, a que ſe accreſcentava ou ſupprimia o ''h'' antes das vogaes. Em cada huma deſtas letras ſe ha de eſpecificar quaes hajão ſido as suas alterações e mudanças, aſſim ſabido em commum que os Antigos trocavão humas por outras contra o uſo preſente, parece eſcuſado repetir frequentemente couſas em ſi accidentaes, e de nenhum proveito para o principal objecto
do Diccionario. E poſta huma nota no principio do lugar do alphabeto, a que pertencem as referidas letras, ficará ella por huma ſó vez baſtando para dar ſobre eſte particular a neceſſaria inſtrucção; como ſe ſe differ por exemplo no S ou H: ''Os vocabulos que alguns ou que antigamente eſcrevião por S ou H inicial, e aqui não estão, buſquemſe em Es, ou na vogal ſubſequente ao H.'' Da meſma ſorte ſe procederá a reſpeito das conſoantes dobradas, pondo (ſupponhamos) aſſim: ''As vozes, que ſe achão eſcritas algumas vezes, v. gr. por Ac ou por Ap ſimples, devemſe procurar em Acc ou App, ou ao contrario'', e ſemelhantemente em as demais.</p>
{{center|XIII.}}
<p style="text-indent: 2em;">Como porém ha muitos verbos, e termos verbaes compoſtos da particula a, os quaes tem o ſignificado de outros ſimplices, daquelles ſe formárão artigos diſtinctos, e huns e outros ſe confirmarão com exemplos da orthographia, que tiverem. E iſto ſe fará não ſó naquelles verbos e verbaes, cuja preferencia mal póde determinarſe; como por exemplo: ''Agalardoar'' e ''Galardoar''.
''Apreſentar'' e ''Preſentar'', ''Apregoar'' e ''Pregoar'', ''Aſſinalado'' ou ''Sinalado'', ''Aſſegurador'' e ''Segurador'', &c. mas até meſmo naquelloutros, que eſtão em deſuſo, taes, como: ''Alembrar'', ''Apremiar'', ''Avoar'', ''Aſſocegado'', ''Arreceoſo'', &c. A differença porém conſiſtirá em que os primeiros formarão cada hum artigo ſobre ſi, como ſe entre hum e outro, não houveſſe relação ou dependencia alguma; e nos segundos ſe fará remissão para o que está em uso, pondoſe por exemplo: ''Alémbrar''. ''v. a. ant.'' O meſmo que ''Lembrar''; ou ao contrario: ''Doecer. v. n. ant.'' O meſmo que ''Adoecer''. Mas as autoridades de ambas as orthographias ſe collocarão nos lugares, a que pertencem.</p>
{{center|XIV.}}
<p style="text-indent: 2em;">Todas as vezes, que nos ſobreditos verbos compoſtos ſe der a meſma ſignificação dos ſimplices, como por exemplo: ''Acalmar'' e ''Calmar'', fallando do mar alterado; ''Atirar'' e ''Tirar'' por deſpedir tiro; ''Acommetter'' e ''Commetter'' por ''Emprehender'', &c. ou no ſimples ou no composſto ſe fará</p><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>XVI
{{center|PLANTA DO DICCIONARIO.}}
fará menção ſeparadamente do tal ſignificado de menos uſo, pondo por exemplo no fim do verbo Calmar: ''Tambem ſignifica o mesmo que'' Acalmar, e iſto ſe fará certo com autoridades, declarandoſe ſer ſó dos Antigos o referido uſo. Outro tanto ſe praticará com os nomes, a que antigamente ſe accrefcentava a dita particula ''a'', como: ''Acipreſte, Alacráo, Atambor'', &c. remettendoos para ''Cipreſte, Lacráo, Tambor'', &c. ou ao contrario: ''Percebimento, Real, Vezado'', &c. para ''Apercebimento, Arraial, Avezado'', &c. O meſmo ſe executará nas vozes, cuja particula a punhão os Antigos na compoſição por em, aſſim como: ''Encalmar'', ''Endereçar, Enzinheira'', &c. por ''Acalmar, Adereçar, Azinheira'', &c. ou ao contrario: ''Acoſtar, Afeitar, Atupir,'' &c. por ''Encoſtar, Enfeitar, Entupir,'' &c.
{{center|XV.}}
<p style="text-indent: 2em;">Como ſe intenta fazer hum Diccionario da Lingoa Portugueza, e não Portuguez e Latino, pela meſma natureza da obra ſe conhece, que não devem entrar nelle mais do que aquellas palavras Latinas, que ſervirem para moſtrar o valor das Portuguezas em virtude da analogia ou etymologia. Nem baſta haver em contrario exemplos de bons Diccionarios de lingoas particulares, poisque ſe lhes podem contrapor outros, quando pouco de autoridade nada inferior. E ſe a principal razão, como alguns declarão, he o commodo dos Eſtrangeiros, que deſta forte mais facilmente perceberão o ſentido das palavras e fraſes, e melhor entrarão na intelligencia da lingoa propria dos ditos Diccionarios, eſta razão quadra mal aos Diccionarios, que procurão, como o noſſo, formar e fixar, quanto poſſivel he, a perfeição de huma ſó lingoa, pois não são elles os de que devem ſervirſe os Eſtrangeiros para entendela, mas fim outros dirigidos a eſte ſó fim. Além de que nem todos os Eſtrangeiros, ainda meſmo eſtudioſos, ſabem latim, ſendolhes em tal caſo de muito maior proveito ajuntarſe a cada huma das vozes e fraſes Portuguezas, as Francezas conreſpondentes, como de lingoa geralmente conhecida e uſada. Ultimamente (por não allegar mais motivos) como iſto, ainda quando ſe quizera fazer, não pudera de modo algum executarſe ſem imperfeições, melhor he não tentalo. Falta pois lingoa Latina hun ſem numero de palavras, que adequadamente e com clareza interpretem varios termos modernos,
até meſmo não ha nella certas locuções e fraſes, que exprimão as noſſas couſas domeſticas, civís, e militares. Por cuja cauſa ou he neceſſaro recorrer a vozes barbaras, ou á circuitos commummente forçados e menos intelligiveis que a propria couſa por elles explicada. Os Academicos da Cruſca, (<ref>(a) Pref. do Vocab. §. 3.</ref>) Bluteau, e outros ou com ingenuidade o confeſsão, ou com evidencia o teſtificão no meſmo, que fizerão.</p>
{{center|XVI.}}
<p style="text-indent: 2em;">As palavras ſe diſporão com a ſeguinte ordem. Cada huma dellas ſerá immediatamente acompanhada da declaração, que lhe pertence. Convém a ſaber, que parte he da oração, e ſe for facultativa, forenſe, mechanica, de provincia, vulgar, (<ref>(b) Vulgaria [verba] ergo quae ſunt? quibus utitur vulgus, id eſt, indocti ſine ratione arque lectione. Nam ſuat quaedam verba, quae, quamvis obſoleta ſint, tamen vitanda non ſunt, ſi nimium propria ſunt, et illis melius expeditur oratio. Fortunatian. Rheror. Pithoen. pag. 70.</ref>) comica, proverbial, antiga (
<ref>(c) Palavras antigas ſe dizem aquellas que deixando de ſer correntes no actual uſo da lingoa, poderão com tudo (a querelo aſſim o meſmo uſo) renaſcer, ou por neceſſidade, ou por elegancia, ſe forem com diſcrição e moderadamente empregadas.,, Não tenho por grande defeito (diz Franciſco Rodrigues Lobo, Cort. 9, 82.) aproveirar de algumas [palavras] antigas, muito bem uſadas em outro tempo, e deſterradas ſem razão na noſſa idade.,, Tal he ſobre eſte ponto a doutrina de Quinctiliano, (Inſt. Orat. VIII. 3.), Quaedam tamen [verba] adhuc vetera, vetuſtate, ipſa gratius nitent, quaedam etiam neceſſario interim ſumuntur: ennncupare, eſſari, et multa alia etiam aud enribus grata inferi poſſunt, ſed ita demum ſi non appareat affectatio.</ref>) ou antiquada, (<ref>(d) Palavras antiquadas ſe chamão as que de todo eſtão eſquecidas, chegando algumas dellas a não ſer hoje entendidas pelo commum da nação. Eſtas taes, ſegundo enſina Cicero. (de Orat. III. c. 37. 11. 150) ſe devem inteiramente evitar In propriis eſt igitur verbis illa laus oratoris, et abjecta atque obſoleta fagiat. . As palavras pera boas, co,,mo eſcreveo Fr. Heitor Pinto, (Dial. 1, 1, 8.) não hão de ſer muito antigas, cá como diz Phavorino, e refe-,, reo Bartholomeu a Chaffaneo na prefação do catalogo da gloria do mundo: a lingoagem ha de ſer de vocabulos, preſentes, e a vida de coſtumes antigos.,, As palavras antigas, conforme pondera Franciſco Rodrigues Lobo (Cort. 82.),, poſto que em algum tempo foſſem boas, não o ficão ſendo na parte, em que ſe perdeo o uſo dellas pois, (como o já diſſe) eſſe ſo he o fundamento, e a razão das palavras; e aſſim não diremos, ''leixou, trove, dixe'', ''cd, ficais, acram, leidice'', e outros vocabulos, de que usão Autores graviſſimos, de cujos eſcritos podemos apprender a perfeição da lingoagem Portugueza. E baſtou o contrario uſo para neſta parte paderem ſeguir os que agora fallão
e eſcrevem bem.,, Nem baſta que os ditos vocabulos em algumas terras fóra da Corte ſe conſervem ainda na pratica vulgar, por quanto (aſſim o adverte Manoel Severim de Faria, Notic. 8, 251.),, ſómente na Corte ſe pratica
a pureza da lingoa natural. A perfeição da qual como quer o Conde Balthazar Caſtilhioni (''lib''. 1. ''Saturn''. c. 5) eſta no uſo mais recebido, e praticado da Corte; pois nos outros póvos fóra della vemos conſervaremſe outros vocabulos, e raes', que quando ſeus moradores vem à Metrópoli, usão tão neceſſariamente das palavras do tempo de Evnu por dizer aſſi) como o outro em Macrobio as uſava de propoſito.</ref>) &c. a que faculdade toca, ou o caracter, que tem. Eſtas declarações farſehão em abbreviaturas formadas do menor numero de letras, que couber no poſſivel. Seguirſeha a definição, explicação ou deſcripção da meſma palavra, depois a ſua etymologia. Proximo a iſto irá</p><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>{{right|XVII}}
{{center|PLANTA DO DICCIONARIO.}}
a dita voz eſcrita com as ſuas varias orthographias, principalmente antigas e que lhe alterão a pronunciação, e ſubſequentemente ſe collocarão as autoridades, que lhe comprovão os ſignificados. O nome ou appellido do Autor precederá ás autoridades, e para que ſeja mais preceptivel á viſta, ſe imprimirá em verſaletes. Junto a elle irá o titulo da obra: mas ſe a obra for anonyma, o ſeu titulo fará então as vezes dos nomes e appellidos dos Autores, e ſe imprimirá, como eſtes, em diſtincto caracter.
{{center|XVII.}}
<p style="text-indent: 2em;">Nas vozes, em que houver muitas e differentes Vignificações, caberá ſempre o primeiro lugar áquella, que ſe julgar primitiva e original, e della ſe deduzirão progreſſivamente as metaphoricas e os demais ſentidos, ſegundo a ordem, que parecer mais conforme à natureza, com que huns procedem de outros, ou ſe ligão entre ſi; reſervandoſe para ultimos os facultativos: Éſtas diſtinções farſehão em linhas ou regras ſeparadas, pondoſelhes no principio o ſignal privativo dos ſeus ſignificados. No fim de cada vocabulo irão os Adagios ou Proverbios, que lhe tocarem, e por fecho de tudo as obſervações criticas, que lhe convierem. Os Adagios ou entrarão
em quaeſquer dicções, a que melhor ſe accommodão, ou ſómente naquella, que pela ordem alphabetica for primeira no Diccionario. Não ſe lhes explicará o ſentido, porque ſendo eſte na maior parte delles allegorico, póde por iſſo admittir diverſiſſimas intelligencias á proporção do engenho, com que ſe applicão. A's obras, que em particular tratão eſte aſſumpto, pertence a largueza, que ſobre elle ſe requer, e não he compativel com hum Diccionario ſem a nota ou de prolixo ou de diminuto.</p>
{{center|XVIII.}}
<p style="text-indent: 2em;">Os nomes levarão a differença de ſerem ſubſtantivos ou adjectivos. Nos ſubftantivos ſe declararão os ſeus generos, maſculino ou feminino. Sobre os que admittírão ambos os generos como: a''rvore, catastrophe, cisma, enfaſe, fim, moral, perſonagem,'' &c. ſe fará particular advertencia, ſem que deixe de ſe notar qual dos dous generos ſubſiſte agora, ou ſe ambos correm bem acceitos no preſente uſo. Huma e outra couſa ſe confirmará com exemplos. O que tambem ſe praticará quando a ſua terminação tiver variedade, como em p''agem, frenesí, Infante'', no fem. &c. e
com o plural dos nomes em ''ão'', que humas vezes ſe mudão em ''des'', e outras em ''ães'' e ''ons''; e da meſma ſorte a reſpeito de alguns com a terminação em ''es'', que ſendo pelo commum a meſma em ambos os numeros, foi todavia diverſa entre os Antigos, como: ''Alferezes, Ourivezes,'' &c. Aos ſubſtantivos ſe chamarão especialmente as fraſes, que delles dependem. Porſehão tambem com elles os mais dos ſubſtantivos, que de ordinario ſe lhes antepõe, e os epíthetos mais notaveis e rigoroſamente taes, iſto he, convenientes á ſubſtancia, a que ſe ajuntão.</p>
{{center|XIX.}}
<p style="text-indent: 2em;">Os adjectivos, que tem ambas as terminações, irão na maſculina, levando ſó a ultima letra da feminina; como: ''Douto, a''. E ſe antigamente tinhão huma ſó; como: ''commum'', e os que acabão, em
''ez, ol'', e ''or''; como: ''Portuguez, Heſpanhol, perſeguidor'', e agora ſe lhes dão duas, eſtes taes neceſſitão de particular advertencia, e levarão exemplos em ambas as terminações com a declaração do mais ſeguido uſo. Em geral nos nomes aumentativos, diminutivos, ſuperlativos, e participios
paſſivos, ſó ſe expreſſará, quando ſe diſſer a ſua qualidade, a raiz, poſitivo, ou verbo, de que ſahem ou ſe derivão, por não ſer neceſſario mais para ſe lhes entender a ſignificação. Os verbaes em ''ção'' e ''ento'' pela meſma cauſa baſtará explicalos, dizendo: ''acção e effeito de'' ... e da meſma forte os em ''or'', dizendo por exemplo: ''Acarretador. s. m. O que acarreta''. Porém ſe eſtes verbaes tiverem ſignificados, que nos verbos ſe não comprehendão, delles ſe formarão ſobre ſi individuaes artigos, que ſerão autorizados. Outro tanto ſe fará nos participios paſſivos, quando ſimplesmente ſe usão como adjectivos. A's outras partes da oração, como Pronomes, Adverbios, Prepoſições, Articulos, Conjunções e Interjeições ſe aſſignará igualmente a ſua peculiar denominação, uſo, e regularidade.</p>
{{center|XX.}}
<p style="text-indent: 2em;">Os verbos terão ſignal de ſerem activos, neutros, impeſſoaes, &c. e de que alguns deſtes ſe usão com os pronomes peſſoaes ''me, te, fe, nos, vos, ſe'', quando for neceſſario, que iſto ſe
eſpecifique. (<ref>(a) Eſtes verbos ſe chamáo ordinariamente reciprocos ou reflexivos, convindolhes com propriedade ſó a denominação de pronominaes, como bem ſe adverte na Gramm, da ling. Caſtelh. pela Real Acad. Heſpanh. part. 1. cap. 6. art. 2.: nos yorém, ſem lhes attribuirmos nome determinado, temos por ſufficiente a ſobredita declaração. A todos os verbos activos ſe podem ajuntar os referidos pronomes, quando a acção deſtes verbos ſe refere ao meſmo ſugeito, que a faz; ou eſte ſeja hum ſó, como: Fulano regalaſe, mortificaſe, mataſe, &c; ou fejão muitos, que alternadamente obrão, dif-</ref>) Pôrſehão no infiniti; como: ''Folgar, comer, pedir'', &c. Em cada hum dos ſeus</p><noinclude></noinclude>
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{{center|PLANTA DO DICCIONARIO.}}
a dita voz eſcrita com as ſuas varias orthographias, principalmente antigas e que lhe alterão a pronunciação, e ſubſequentemente ſe collocarão as autoridades, que lhe comprovão os ſignificados. O nome ou appellido do Autor precederá ás autoridades, e para que ſeja mais preceptivel á viſta, ſe imprimirá em verſaletes. Junto a elle irá o titulo da obra: mas ſe a obra for anonyma, o ſeu titulo fará então as vezes dos nomes e appellidos dos Autores, e ſe imprimirá, como eſtes, em diſtincto caracter.
{{center|XVII.}}
<p style="text-indent: 2em;">Nas vozes, em que houver muitas e differentes Vignificações, caberá ſempre o primeiro lugar áquella, que ſe julgar primitiva e original, e della ſe deduzirão progreſſivamente as metaphoricas e os demais ſentidos, ſegundo a ordem, que parecer mais conforme à natureza, com que huns procedem de outros, ou ſe ligão entre ſi; reſervandoſe para ultimos os facultativos: Éſtas diſtinções farſehão em linhas ou regras ſeparadas, pondoſelhes no principio o ſignal privativo dos ſeus ſignificados. No fim de cada vocabulo irão os Adagios ou Proverbios, que lhe tocarem, e por fecho de tudo as obſervações criticas, que lhe convierem. Os Adagios ou entrarão
em quaeſquer dicções, a que melhor ſe accommodão, ou ſómente naquella, que pela ordem alphabetica for primeira no Diccionario. Não ſe lhes explicará o ſentido, porque ſendo eſte na maior parte delles allegorico, póde por iſſo admittir diverſiſſimas intelligencias á proporção do engenho, com que ſe applicão. A's obras, que em particular tratão eſte aſſumpto, pertence a largueza, que ſobre elle ſe requer, e não he compativel com hum Diccionario ſem a nota ou de prolixo ou de diminuto.</p>
{{center|XVIII.}}
<p style="text-indent: 2em;">Os nomes levarão a differença de ſerem ſubſtantivos ou adjectivos. Nos ſubftantivos ſe declararão os ſeus generos, maſculino ou feminino. Sobre os que admittírão ambos os generos como: a''rvore, catastrophe, cisma, enfaſe, fim, moral, perſonagem,'' &c. ſe fará particular advertencia, ſem que deixe de ſe notar qual dos dous generos ſubſiſte agora, ou ſe ambos correm bem acceitos no preſente uſo. Huma e outra couſa ſe confirmará com exemplos. O que tambem ſe praticará quando a ſua terminação tiver variedade, como em p''agem, frenesí, Infante'', no fem. &c. e
com o plural dos nomes em ''ão'', que humas vezes ſe mudão em ''des'', e outras em ''ães'' e ''ons''; e da meſma ſorte a reſpeito de alguns com a terminação em ''es'', que ſendo pelo commum a meſma em ambos os numeros, foi todavia diverſa entre os Antigos, como: ''Alferezes, Ourivezes,'' &c. Aos ſubſtantivos ſe chamarão especialmente as fraſes, que delles dependem. Porſehão tambem com elles os mais dos ſubſtantivos, que de ordinario ſe lhes antepõe, e os epíthetos mais notaveis e rigoroſamente taes, iſto he, convenientes á ſubſtancia, a que ſe ajuntão.</p>
{{center|XIX.}}
<p style="text-indent: 2em;">Os adjectivos, que tem ambas as terminações, irão na maſculina, levando ſó a ultima letra da feminina; como: ''Douto, a''. E ſe antigamente tinhão huma ſó; como: ''commum'', e os que acabão, em
''ez, ol'', e ''or''; como: ''Portuguez, Heſpanhol, perſeguidor'', e agora ſe lhes dão duas, eſtes taes neceſſitão de particular advertencia, e levarão exemplos em ambas as terminações com a declaração do mais ſeguido uſo. Em geral nos nomes aumentativos, diminutivos, ſuperlativos, e participios
paſſivos, ſó ſe expreſſará, quando ſe diſſer a ſua qualidade, a raiz, poſitivo, ou verbo, de que ſahem ou ſe derivão, por não ſer neceſſario mais para ſe lhes entender a ſignificação. Os verbaes em ''ção'' e ''ento'' pela meſma cauſa baſtará explicalos, dizendo: ''acção e effeito de'' ... e da meſma forte os em ''or'', dizendo por exemplo: ''Acarretador. s. m. O que acarreta''. Porém ſe eſtes verbaes tiverem ſignificados, que nos verbos ſe não comprehendão, delles ſe formarão ſobre ſi individuaes artigos, que ſerão autorizados. Outro tanto ſe fará nos participios paſſivos, quando ſimplesmente ſe usão como adjectivos. A's outras partes da oração, como Pronomes, Adverbios, Prepoſições, Articulos, Conjunções e Interjeições ſe aſſignará igualmente a ſua peculiar denominação, uſo, e regularidade.</p>
{{center|XX.}}
<p style="text-indent: 2em;">Os verbos terão ſignal de ſerem activos, neutros, impeſſoaes, &c. e de que alguns deſtes ſe usão com os pronomes peſſoaes ''me, te, fe, nos, vos, ſe'', quando for neceſſario, que iſto ſe
eſpecifique. (<ref name="n1">(a) Eſtes verbos ſe chamáo ordinariamente reciprocos ou reflexivos, convindolhes com propriedade ſó a denominação de pronominaes, como bem ſe adverte na Gramm, da ling. Caſtelh. pela Real Acad. Heſpanh. part. 1. cap. 6. art. 2.: nos yorém, ſem lhes attribuirmos nome determinado, temos por ſufficiente a ſobredita declaração. A todos os verbos activos ſe podem ajuntar os referidos pronomes, quando a acção deſtes verbos ſe refere ao meſmo ſugeito, que a faz; ou eſte ſeja hum ſó, como: Fulano regalaſe, mortificaſe, mataſe, &c; ou fejão muitos, que alternadamente obrão, dif-</ref>) Pôrſehão no infiniti; como: ''Folgar, comer, pedir'', &c. Em cada hum dos ſeus</p><noinclude></noinclude>
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{{center|PLANTA DO DICCIONARIO.}}
a dita voz eſcrita com as ſuas varias orthographias, principalmente antigas e que lhe alterão a pronunciação, e ſubſequentemente ſe collocarão as autoridades, que lhe comprovão os ſignificados. O nome ou appellido do Autor precederá ás autoridades, e para que ſeja mais preceptivel á viſta, ſe imprimirá em verſaletes. Junto a elle irá o titulo da obra: mas ſe a obra for anonyma, o ſeu titulo fará então as vezes dos nomes e appellidos dos Autores, e ſe imprimirá, como eſtes, em diſtincto caracter.
{{center|XVII.}}
<p style="text-indent: 2em;">Nas vozes, em que houver muitas e differentes Vignificações, caberá ſempre o primeiro lugar áquella, que ſe julgar primitiva e original, e della ſe deduzirão progreſſivamente as metaphoricas e os demais ſentidos, ſegundo a ordem, que parecer mais conforme à natureza, com que huns procedem de outros, ou ſe ligão entre ſi; reſervandoſe para ultimos os facultativos: Éſtas diſtinções farſehão em linhas ou regras ſeparadas, pondoſelhes no principio o ſignal privativo dos ſeus ſignificados. No fim de cada vocabulo irão os Adagios ou Proverbios, que lhe tocarem, e por fecho de tudo as obſervações criticas, que lhe convierem. Os Adagios ou entrarão
em quaeſquer dicções, a que melhor ſe accommodão, ou ſómente naquella, que pela ordem alphabetica for primeira no Diccionario. Não ſe lhes explicará o ſentido, porque ſendo eſte na maior parte delles allegorico, póde por iſſo admittir diverſiſſimas intelligencias á proporção do engenho, com que ſe applicão. A's obras, que em particular tratão eſte aſſumpto, pertence a largueza, que ſobre elle ſe requer, e não he compativel com hum Diccionario ſem a nota ou de prolixo ou de diminuto.</p>
{{center|XVIII.}}
<p style="text-indent: 2em;">Os nomes levarão a differença de ſerem ſubſtantivos ou adjectivos. Nos ſubftantivos ſe declararão os ſeus generos, maſculino ou feminino. Sobre os que admittírão ambos os generos como: a''rvore, catastrophe, cisma, enfaſe, fim, moral, perſonagem,'' &c. ſe fará particular advertencia, ſem que deixe de ſe notar qual dos dous generos ſubſiſte agora, ou ſe ambos correm bem acceitos no preſente uſo. Huma e outra couſa ſe confirmará com exemplos. O que tambem ſe praticará quando a ſua terminação tiver variedade, como em p''agem, frenesí, Infante'', no fem. &c. e
com o plural dos nomes em ''ão'', que humas vezes ſe mudão em ''des'', e outras em ''ães'' e ''ons''; e da meſma ſorte a reſpeito de alguns com a terminação em ''es'', que ſendo pelo commum a meſma em ambos os numeros, foi todavia diverſa entre os Antigos, como: ''Alferezes, Ourivezes,'' &c. Aos ſubſtantivos ſe chamarão especialmente as fraſes, que delles dependem. Porſehão tambem com elles os mais dos ſubſtantivos, que de ordinario ſe lhes antepõe, e os epíthetos mais notaveis e rigoroſamente taes, iſto he, convenientes á ſubſtancia, a que ſe ajuntão.</p>
{{center|XIX.}}
<p style="text-indent: 2em;">Os adjectivos, que tem ambas as terminações, irão na maſculina, levando ſó a ultima letra da feminina; como: ''Douto, a''. E ſe antigamente tinhão huma ſó; como: ''commum'', e os que acabão, em
''ez, ol'', e ''or''; como: ''Portuguez, Heſpanhol, perſeguidor'', e agora ſe lhes dão duas, eſtes taes neceſſitão de particular advertencia, e levarão exemplos em ambas as terminações com a declaração do mais ſeguido uſo. Em geral nos nomes aumentativos, diminutivos, ſuperlativos, e participios
paſſivos, ſó ſe expreſſará, quando ſe diſſer a ſua qualidade, a raiz, poſitivo, ou verbo, de que ſahem ou ſe derivão, por não ſer neceſſario mais para ſe lhes entender a ſignificação. Os verbaes em ''ção'' e ''ento'' pela meſma cauſa baſtará explicalos, dizendo: ''acção e effeito de'' ... e da meſma forte os em ''or'', dizendo por exemplo: ''Acarretador. s. m. O que acarreta''. Porém ſe eſtes verbaes tiverem ſignificados, que nos verbos ſe não comprehendão, delles ſe formarão ſobre ſi individuaes artigos, que ſerão autorizados. Outro tanto ſe fará nos participios paſſivos, quando ſimplesmente ſe usão como adjectivos. A's outras partes da oração, como Pronomes, Adverbios, Prepoſições, Articulos, Conjunções e Interjeições ſe aſſignará igualmente a ſua peculiar denominação, uſo, e regularidade.</p>
{{center|XX.}}
<p style="text-indent: 2em;">Os verbos terão ſignal de ſerem activos, neutros, impeſſoaes, &c. e de que alguns deſtes ſe usão com os pronomes peſſoaes ''me, te, fe, nos, vos, ſe'', quando for neceſſario, que iſto ſe
eſpecifique. (<ref>(a) Eſtes verbos ſe chamáo ordinariamente reciprocos ou reflexivos, convindolhes com propriedade ſó a denominação de pronominaes, como bem ſe adverte na Gramm, da ling. Caſtelh. pela Real Acad. Heſpanh. part. 1. cap. 6. art. 2.: nos yorém, ſem lhes attribuirmos nome determinado, temos por ſufficiente a ſobredita declaração. A todos os verbos activos ſe podem ajuntar os referidos pronomes, quando a acção deſtes verbos ſe refere ao meſmo ſugeito, que a faz; ou eſte ſeja hum ſó, como: Fulano regalaſe, mortificaſe, mataſe, &c; ou fejão muitos, que alternadamente obrão, dif- [continuação na nota 2 da página seguinte]</ref>) Pôrſehão no infiniti; como: ''Folgar, comer, pedir'', &c. Em cada hum dos ſeus</p><noinclude></noinclude>
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{{center|PLANTA DO DICCIONARIO.}}
differentes ſignificados ſe collocarão as fraſes mais notaveis ou principaes idiotiſmos, que conſtituem a elegancia da noſſa lingoa. Se forem irregulares, apontarſehão os tempos e peſſoas, em que ſe dá a dita anomalía; como: ''Arço'' e ''arça'' em ''Arder'', ''val'' em ''valer'', ''trouxe'' ou ''trove'' ant. em ''trazer'', &c. Outro tanto ſe praticará com os defectivos, eſpecificandoſe as peſſoas ou tempos, conhecidamente e com certeza carecem. Tambem ſe fará menção daquelles tempos, em que que os Antigos guardavão regularidade, e o contrario ſe uſa ao preſente; como: ''Imos, acude, fuge, pida, impida'', &c. Todas as vezes, que houver nos verbos varias regencias, ou diverſidade de prepoſições e particulas, que os acompanhem, ſe notarão; poisque daqui procede a parte mais eſſencial da noſſa ſintaxe; aſſim em ''Fugir'': ''Fugir alguem'' ou ''alguma couſa'', ''fugir de'', ''fugir para'', ''fugir com''; em ''Rir'': ''Rir de alguem'' ou ''de alguma couſa'', ''rir á alguem'' ou ''para alguem'', &c. Os adverbios e fórmulas adverbiaes, que frequentemente ſe lhes ajuntão, ſe porão immediatos ás ſiguificações, a que pertencem.
{{center|XXI.}}
<p style="text-indent: 2em;">Quando ſe diz que as palavras hão de levar as ſuas definições, não ſe toma o termo definição no apertado ſentido da Logica. He pois ſabido haver quantidade de vocabulos, que fora
impoſſivel definir por ſemelhante modo. Por definição ſómente e entende aqui o conhecimento claro e intelligivel do termo, que ſe quer explicar, dado com tal individuação, que a todos fique bem preceptivel o que elle ſignifica. Sendo aſſim (o que muito ſe deve procurar) pouco importa ſe lhe chame definição, deſcripção ou explicação. Se algum dos noſſos eſcritores a houver já feito, nunca eſta deverá omittirſe, e o ſeu meſmo exemplo ſerá ás vezes ſufficiente para dar a neceſſaria noção do vocabulo, cujo ſentido ſe explica. Ha occaſiões, em que a referida explicação ſe poderá fazer por alguma voz de igual ſignificado, a que de commum ſe chama ſynonymo, com tanto que ſe procure, ſegundo for poſſivel, a mais parecida e equivalente; e outras vezes até meſmo por palavra de contraria intelligencia. Nem tambem haja duvida em ſe receberem, as de Bluteau, ſe ſe julgarem merecedoras de acceitação. Todas ellas nas diverſas accepções de cada voz ſerão impreſſas em grifo; e aſſim meſmo os epíthetos, adverbios ou fórmulas adverbiaes, fraſes, e tudo mais que dentro dos artigos ſe julgar convém que ſeja diſtincto e bem ſenſivel á viſta na leitura. Nos termos antiquados, e que exprimem as couſas antigas de Portugal haverá particular cuidado em ſe moſtrar com exacção e clareza o que por elles ſe entendia no tempo paſſado. Aquelles porém, a que ſe não alcançar ſentido ſe porão ſem embargo diſſo, pois alguem haverá que poſſa deſcobrilo, ou quando ſe dé erro da impreſsão no lugar citado, tambem aſſim ſe poderá eſte mais facilmente emendar. Para intelligencia dos termos pertencentes á Hiſtoria Natural, ſe permittirá alguma deſcripção mais circunſtanciada, com que elles ſegundo a lingoagem technica dos modernos Naturaliſtas, ſe differenção e eſpecificão por ſeus ſinaes caracteriſticos.</p>
{{center|XXII.}}
<p style="text-indent: 2em;">As etymologias são materia, que depende de erudição e criterio, por ſer toda empeçada de dúvidas e cheia de difficuldades. Aſſim ſem ſe indagarem derivações violentas e eſquadrinhadas á força de engenho., logo que a voz tiver por lingoa matriz a Hebraica, Grega, Latina ou Arabiga, (<ref>(a) As etymologias Arabigas ſe tirárão do livro dado modernamente á luz com o titulo: ''Veſtigios da Lingua Arabica em Portugal'', ou ''Lexicon Etymologico das palavras, e nomes Portuguezes, que tem origem Arabica, compofto por ordem da Academia Real das Sciencias de Lisboa, por Fr. João de Souſa, Correfpondente de Numero da meſma Sociedade, e interprete de S. Mageſtade para a lingua Arabica. Lisboa, na Officina da Academia Real das Sciencias. Anno M. DCC. LXXXIX. 4.''</ref>) ſe manifeſtará a raiz ou principio, de que immediatamente procede, ſem paſſar adiante, nem entrar em diſcuſsões philologicas ſobre a ſua nativa e primeira origem. Péloque ainda aquellas meſmas dicções, que ſabidamente ſe deduzem do Grego, ou de outra lingoa ainda mais
remota, ſe os Romanos ou até meſmo os eſcritores da baixa Latinidade, as houverem feito ſuas, ſe lhes declarará ſómente a raiz Latina, ſem apontar a Grega ou qualquer outra, como couſa já tratada pelos Etymologiſtas Latinos. E ſó no caſo, em que de todo ſeja incerto, como em muitos termos technicos, ſe elles nos vierão ou do Grego ou do Latim, ſe notará huma e</p>
como: ''Abraçarſe, acutilarſe, ajudarſe'', &c. Tambem o pronome ſe ſe ajunta ás terceiras peſſoas e infinitos dos meſmos verbos, que ficão deſta ſorte fazendo vezes de paſſivos; como: ''amaſe'' a ''traição'', ''aborreceſ'' e o ''traidor''. Em todos eſtes caſos o verbo fica tão activo, como era, e aſſim ſe deve meramente conſiderar ſem que forme artigo ſobre ſi. Ha porém verbos, que ſe usão já com o pronome ſe, já ſem elle, conſervando de ambos os modos a meſma natureza e ſentido; como ''Aclarar'' e ''Aclararſe'', ''Anoitecer'' e ''Anoitecerſe''; eſtes taes bastará polos ſeparadamente debaixo do artigo principal, declarandoſe que tem eſte uſo, o qual ſe autorizará, aſſi como ſe faz aos activos, que ás vezes ſe usão como neutros. E ſe acontecer que com o pronome paſſem de activos a neutros, ou mudem de ſignificação, tudo iſto ſe advertirá, e ſe porão tantas accepções de novo, quantas forem as que com aquelle adjuncto, differem das que ſem elle tem. Finalmente aquelles verbos, que nunca ou rariſſimas vezes apparecem ſem pronome, ainda aſſim meſmo ſe não denominarão reciprocos, mas ſim activos ou neutros, advertindo, que ſempre ou de ordinario ſe lhes ajunta pronome peſſoal; como: ''Arrependerſe, atreverſe, compadecerſe'', &c.<noinclude></noinclude>
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differentes ſignificados ſe collocarão as fraſes mais notaveis ou principaes idiotiſmos, que conſtituem a elegancia da noſſa lingoa. Se forem irregulares, apontarſehão os tempos e peſſoas, em que ſe dá a dita anomalía; como: ''Arço'' e ''arça'' em ''Arder'', ''val'' em ''valer'', ''trouxe'' ou ''trove'' ant. em ''trazer'', &c. Outro tanto ſe praticará com os defectivos, eſpecificandoſe as peſſoas ou tempos, conhecidamente e com certeza carecem. Tambem ſe fará menção daquelles tempos, em que que os Antigos guardavão regularidade, e o contrario ſe uſa ao preſente; como: ''Imos, acude, fuge, pida, impida'', &c. Todas as vezes, que houver nos verbos varias regencias, ou diverſidade de prepoſições e particulas, que os acompanhem, ſe notarão; poisque daqui procede a parte mais eſſencial da noſſa ſintaxe; aſſim em ''Fugir'': ''Fugir alguem'' ou ''alguma couſa'', ''fugir de'', ''fugir para'', ''fugir com''; em ''Rir'': ''Rir de alguem'' ou ''de alguma couſa'', ''rir á alguem'' ou ''para alguem'', &c. Os adverbios e fórmulas adverbiaes, que frequentemente ſe lhes ajuntão, ſe porão immediatos ás ſiguificações, a que pertencem.
{{center|XXI.}}
<p style="text-indent: 2em;">Quando ſe diz que as palavras hão de levar as ſuas definições, não ſe toma o termo definição no apertado ſentido da Logica. He pois ſabido haver quantidade de vocabulos, que fora
impoſſivel definir por ſemelhante modo. Por definição ſómente e entende aqui o conhecimento claro e intelligivel do termo, que ſe quer explicar, dado com tal individuação, que a todos fique bem preceptivel o que elle ſignifica. Sendo aſſim (o que muito ſe deve procurar) pouco importa ſe lhe chame definição, deſcripção ou explicação. Se algum dos noſſos eſcritores a houver já feito, nunca eſta deverá omittirſe, e o ſeu meſmo exemplo ſerá ás vezes ſufficiente para dar a neceſſaria noção do vocabulo, cujo ſentido ſe explica. Ha occaſiões, em que a referida explicação ſe poderá fazer por alguma voz de igual ſignificado, a que de commum ſe chama ſynonymo, com tanto que ſe procure, ſegundo for poſſivel, a mais parecida e equivalente; e outras vezes até meſmo por palavra de contraria intelligencia. Nem tambem haja duvida em ſe receberem, as de Bluteau, ſe ſe julgarem merecedoras de acceitação. Todas ellas nas diverſas accepções de cada voz ſerão impreſſas em grifo; e aſſim meſmo os epíthetos, adverbios ou fórmulas adverbiaes, fraſes, e tudo mais que dentro dos artigos ſe julgar convém que ſeja diſtincto e bem ſenſivel á viſta na leitura. Nos termos antiquados, e que exprimem as couſas antigas de Portugal haverá particular cuidado em ſe moſtrar com exacção e clareza o que por elles ſe entendia no tempo paſſado. Aquelles porém, a que ſe não alcançar ſentido ſe porão ſem embargo diſſo, pois alguem haverá que poſſa deſcobrilo, ou quando ſe dé erro da impreſsão no lugar citado, tambem aſſim ſe poderá eſte mais facilmente emendar. Para intelligencia dos termos pertencentes á Hiſtoria Natural, ſe permittirá alguma deſcripção mais circunſtanciada, com que elles ſegundo a lingoagem technica dos modernos Naturaliſtas, ſe differenção e eſpecificão por ſeus ſinaes caracteriſticos.</p>
{{center|XXII.}}
<p style="text-indent: 2em;">As etymologias são materia, que depende de erudição e criterio, por ſer toda empeçada de dúvidas e cheia de difficuldades. Aſſim ſem ſe indagarem derivações violentas e eſquadrinhadas á força de engenho., logo que a voz tiver por lingoa matriz a Hebraica, Grega, Latina ou Arabiga, (<ref>(a) As etymologias Arabigas ſe tirárão do livro dado modernamente á luz com o titulo: ''Veſtigios da Lingua Arabica em Portugal'', ou ''Lexicon Etymologico das palavras, e nomes Portuguezes, que tem origem Arabica, compofto por ordem da Academia Real das Sciencias de Lisboa, por Fr. João de Souſa, Correfpondente de Numero da meſma Sociedade, e interprete de S. Mageſtade para a lingua Arabica. Lisboa, na Officina da Academia Real das Sciencias. Anno M. DCC. LXXXIX. 4.''</ref>) ſe manifeſtará a raiz ou principio, de que immediatamente procede, ſem paſſar adiante, nem entrar em diſcuſsões philologicas ſobre a ſua nativa e primeira origem. Péloque ainda aquellas meſmas dicções, que ſabidamente ſe deduzem do Grego, ou de outra lingoa ainda mais
remota, ſe os Romanos ou até meſmo os eſcritores da baixa Latinidade, as houverem feito ſuas, ſe lhes declarará ſómente a raiz Latina, ſem apontar a Grega ou qualquer outra, como couſa já tratada pelos Etymologiſtas Latinos. E ſó no caſo, em que de todo ſeja incerto, como em muitos termos technicos, ſe elles nos vierão ou do Grego ou do Latim, ſe notará huma e</p>
<ref name="n1">como: ''Abraçarſe, acutilarſe, ajudarſe'', &c. Tambem o pronome ſe ſe ajunta ás terceiras peſſoas e infinitos dos meſmos verbos, que ficão deſta ſorte fazendo vezes de paſſivos; como: ''amaſe'' a ''traição'', ''aborreceſ'' e o ''traidor''. Em todos eſtes caſos o verbo fica tão activo, como era, e aſſim ſe deve meramente conſiderar ſem que forme artigo ſobre ſi. Ha porém verbos, que ſe usão já com o pronome ſe, já ſem elle, conſervando de ambos os modos a meſma natureza e ſentido; como ''Aclarar'' e ''Aclararſe'', ''Anoitecer'' e ''Anoitecerſe''; eſtes taes bastará polos ſeparadamente debaixo do artigo principal, declarandoſe que tem eſte uſo, o qual ſe autorizará, aſſi como ſe faz aos activos, que ás vezes ſe usão como neutros. E ſe acontecer que com o pronome paſſem de activos a neutros, ou mudem de ſignificação, tudo iſto ſe advertirá, e ſe porão tantas accepções de novo, quantas forem as que com aquelle adjuncto, differem das que ſem elle tem. Finalmente aquelles verbos, que nunca ou rariſſimas vezes apparecem ſem pronome, ainda aſſim meſmo ſe não denominarão reciprocos, mas ſim activos ou neutros, advertindo, que ſempre ou de ordinario ſe lhes ajunta pronome peſſoal; como: ''Arrependerſe, atreverſe, compadecerſe'', &c.</ref><noinclude></noinclude>
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<p style="text-indent: 2em;">Quando ſe diz que as palavras hão de levar as ſuas definições, não ſe toma o termo definição no apertado ſentido da Logica. He pois ſabido haver quantidade de vocabulos, que fora
impoſſivel definir por ſemelhante modo. Por definição ſómente e entende aqui o conhecimento claro e intelligivel do termo, que ſe quer explicar, dado com tal individuação, que a todos fique bem preceptivel o que elle ſignifica. Sendo aſſim (o que muito ſe deve procurar) pouco importa ſe lhe chame definição, deſcripção ou explicação. Se algum dos noſſos eſcritores a houver já feito, nunca eſta deverá omittirſe, e o ſeu meſmo exemplo ſerá ás vezes ſufficiente para dar a neceſſaria noção do vocabulo, cujo ſentido ſe explica. Ha occaſiões, em que a referida explicação ſe poderá fazer por alguma voz de igual ſignificado, a que de commum ſe chama ſynonymo, com tanto que ſe procure, ſegundo for poſſivel, a mais parecida e equivalente; e outras vezes até meſmo por palavra de contraria intelligencia. Nem tambem haja duvida em ſe receberem, as de Bluteau, ſe ſe julgarem merecedoras de acceitação. Todas ellas nas diverſas accepções de cada voz ſerão impreſſas em grifo; e aſſim meſmo os epíthetos, adverbios ou fórmulas adverbiaes, fraſes, e tudo mais que dentro dos artigos ſe julgar convém que ſeja diſtincto e bem ſenſivel á viſta na leitura. Nos termos antiquados, e que exprimem as couſas antigas de Portugal haverá particular cuidado em ſe moſtrar com exacção e clareza o que por elles ſe entendia no tempo paſſado. Aquelles porém, a que ſe não alcançar ſentido ſe porão ſem embargo diſſo, pois alguem haverá que poſſa deſcobrilo, ou quando ſe dé erro da impreſsão no lugar citado, tambem aſſim ſe poderá eſte mais facilmente emendar. Para intelligencia dos termos pertencentes á Hiſtoria Natural, ſe permittirá alguma deſcripção mais circunſtanciada, com que elles ſegundo a lingoagem technica dos modernos Naturaliſtas, ſe differenção e eſpecificão por ſeus ſinaes caracteriſticos.</p>
{{center|XXII.}}
<p style="text-indent: 2em;">As etymologias são materia, que depende de erudição e criterio, por ſer toda empeçada de dúvidas e cheia de difficuldades. Aſſim ſem ſe indagarem derivações violentas e eſquadrinhadas á força de engenho., logo que a voz tiver por lingoa matriz a Hebraica, Grega, Latina ou Arabiga, (<ref>(a) As etymologias Arabigas ſe tirárão do livro dado modernamente á luz com o titulo: ''Veſtigios da Lingua Arabica em Portugal'', ou ''Lexicon Etymologico das palavras, e nomes Portuguezes, que tem origem Arabica, compofto por ordem da Academia Real das Sciencias de Lisboa, por Fr. João de Souſa, Correfpondente de Numero da meſma Sociedade, e interprete de S. Mageſtade para a lingua Arabica. Lisboa, na Officina da Academia Real das Sciencias. Anno M. DCC. LXXXIX. 4.''</ref>) ſe manifeſtará a raiz ou principio, de que immediatamente procede, ſem paſſar adiante, nem entrar em diſcuſsões philologicas ſobre a ſua nativa e primeira origem. Péloque ainda aquellas meſmas dicções, que ſabidamente ſe deduzem do Grego, ou de outra lingoa ainda mais
remota, ſe os Romanos ou até meſmo os eſcritores da baixa Latinidade, as houverem feito ſuas, ſe lhes declarará ſómente a raiz Latina, ſem apontar a Grega ou qualquer outra, como couſa já tratada pelos Etymologiſtas Latinos. E ſó no caſo, em que de todo ſeja incerto, como em muitos termos technicos, ſe elles nos vierão ou do Grego ou do Latim, ſe notará huma e</p>
<ref follow="n1">como: ''Abraçarſe, acutilarſe, ajudarſe'', &c. Tambem o pronome ſe ſe ajunta ás terceiras peſſoas e infinitos dos meſmos verbos, que ficão deſta ſorte fazendo vezes de paſſivos; como: ''amaſe'' a ''traição'', ''aborreceſ'' e o ''traidor''. Em todos eſtes caſos o verbo fica tão activo, como era, e aſſim ſe deve meramente conſiderar ſem que forme artigo ſobre ſi. Ha porém verbos, que ſe usão já com o pronome ſe, já ſem elle, conſervando de ambos os modos a meſma natureza e ſentido; como ''Aclarar'' e ''Aclararſe'', ''Anoitecer'' e ''Anoitecerſe''; eſtes taes bastará polos ſeparadamente debaixo do artigo principal, declarandoſe que tem eſte uſo, o qual ſe autorizará, aſſi como ſe faz aos activos, que ás vezes ſe usão como neutros. E ſe acontecer que com o pronome paſſem de activos a neutros, ou mudem de ſignificação, tudo iſto ſe advertirá, e ſe porão tantas accepções de novo, quantas forem as que com aquelle adjuncto, differem das que ſem elle tem. Finalmente aquelles verbos, que nunca ou rariſſimas vezes apparecem ſem pronome, ainda aſſim meſmo ſe não denominarão reciprocos, mas ſim activos ou neutros, advertindo, que ſempre ou de ordinario ſe lhes ajunta pronome peſſoal; como: ''Arrependerſe, atreverſe, compadecerſe'', &c.</ref><noinclude></noinclude>
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differentes ſignificados ſe collocarão as fraſes mais notaveis ou principaes idiotiſmos, que conſtituem a elegancia da noſſa lingoa. Se forem irregulares, apontarſehão os tempos e peſſoas, em que ſe dá a dita anomalía; como: ''Arço'' e ''arça'' em ''Arder'', ''val'' em ''valer'', ''trouxe'' ou ''trove'' ant. em ''trazer'', &c. Outro tanto ſe praticará com os defectivos, eſpecificandoſe as peſſoas ou tempos, conhecidamente e com certeza carecem. Tambem ſe fará menção daquelles tempos, em que que os Antigos guardavão regularidade, e o contrario ſe uſa ao preſente; como: ''Imos, acude, fuge, pida, impida'', &c. Todas as vezes, que houver nos verbos varias regencias, ou diverſidade de prepoſições e particulas, que os acompanhem, ſe notarão; poisque daqui procede a parte mais eſſencial da noſſa ſintaxe; aſſim em ''Fugir'': ''Fugir alguem'' ou ''alguma couſa'', ''fugir de'', ''fugir para'', ''fugir com''; em ''Rir'': ''Rir de alguem'' ou ''de alguma couſa'', ''rir á alguem'' ou ''para alguem'', &c. Os adverbios e fórmulas adverbiaes, que frequentemente ſe lhes ajuntão, ſe porão immediatos ás ſiguificações, a que pertencem.
{{center|XXI.}}
<p style="text-indent: 2em;">Quando ſe diz que as palavras hão de levar as ſuas definições, não ſe toma o termo definição no apertado ſentido da Logica. He pois ſabido haver quantidade de vocabulos, que fora
impoſſivel definir por ſemelhante modo. Por definição ſómente e entende aqui o conhecimento claro e intelligivel do termo, que ſe quer explicar, dado com tal individuação, que a todos fique bem preceptivel o que elle ſignifica. Sendo aſſim (o que muito ſe deve procurar) pouco importa ſe lhe chame definição, deſcripção ou explicação. Se algum dos noſſos eſcritores a houver já feito, nunca eſta deverá omittirſe, e o ſeu meſmo exemplo ſerá ás vezes ſufficiente para dar a neceſſaria noção do vocabulo, cujo ſentido ſe explica. Ha occaſiões, em que a referida explicação ſe poderá fazer por alguma voz de igual ſignificado, a que de commum ſe chama ſynonymo, com tanto que ſe procure, ſegundo for poſſivel, a mais parecida e equivalente; e outras vezes até meſmo por palavra de contraria intelligencia. Nem tambem haja duvida em ſe receberem, as de Bluteau, ſe ſe julgarem merecedoras de acceitação. Todas ellas nas diverſas accepções de cada voz ſerão impreſſas em grifo; e aſſim meſmo os epíthetos, adverbios ou fórmulas adverbiaes, fraſes, e tudo mais que dentro dos artigos ſe julgar convém que ſeja diſtincto e bem ſenſivel á viſta na leitura. Nos termos antiquados, e que exprimem as couſas antigas de Portugal haverá particular cuidado em ſe moſtrar com exacção e clareza o que por elles ſe entendia no tempo paſſado. Aquelles porém, a que ſe não alcançar ſentido ſe porão ſem embargo diſſo, pois alguem haverá que poſſa deſcobrilo, ou quando ſe dé erro da impreſsão no lugar citado, tambem aſſim ſe poderá eſte mais facilmente emendar. Para intelligencia dos termos pertencentes á Hiſtoria Natural, ſe permittirá alguma deſcripção mais circunſtanciada, com que elles ſegundo a lingoagem technica dos modernos Naturaliſtas, ſe differenção e eſpecificão por ſeus ſinaes caracteriſticos.</p>
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<p style="text-indent: 2em;">As etymologias são materia, que depende de erudição e criterio, por ſer toda empeçada de dúvidas e cheia de difficuldades. Aſſim ſem ſe indagarem derivações violentas e eſquadrinhadas á força de engenho., logo que a voz tiver por lingoa matriz a Hebraica, Grega, Latina ou Arabiga, (<ref>(a) As etymologias Arabigas ſe tirárão do livro dado modernamente á luz com o titulo: ''Veſtigios da Lingua Arabica em Portugal'', ou ''Lexicon Etymologico das palavras, e nomes Portuguezes, que tem origem Arabica, compofto por ordem da Academia Real das Sciencias de Lisboa, por Fr. João de Souſa, Correfpondente de Numero da meſma Sociedade, e interprete de S. Mageſtade para a lingua Arabica. Lisboa, na Officina da Academia Real das Sciencias. Anno M. DCC. LXXXIX. 4.''</ref>) ſe manifeſtará a raiz ou principio, de que immediatamente procede, ſem paſſar adiante, nem entrar em diſcuſsões philologicas ſobre a ſua nativa e primeira origem. Péloque ainda aquellas meſmas dicções, que ſabidamente ſe deduzem do Grego, ou de outra lingoa ainda mais
remota, ſe os Romanos ou até meſmo os eſcritores da baixa Latinidade, as houverem feito ſuas, ſe lhes declarará ſómente a raiz Latina, ſem apontar a Grega ou qualquer outra, como couſa já tratada pelos Etymologiſtas Latinos. E ſó no caſo, em que de todo ſeja incerto, como em muitos termos technicos, ſe elles nos vierão ou do Grego ou do Latim, ſe notará huma e</p>
<ref "n1">como: ''Abraçarſe, acutilarſe, ajudarſe'', &c. Tambem o pronome ſe ſe ajunta ás terceiras peſſoas e infinitos dos meſmos verbos, que ficão deſta ſorte fazendo vezes de paſſivos; como: ''amaſe'' a ''traição'', ''aborreceſ'' e o ''traidor''. Em todos eſtes caſos o verbo fica tão activo, como era, e aſſim ſe deve meramente conſiderar ſem que forme artigo ſobre ſi. Ha porém verbos, que ſe usão já com o pronome ſe, já ſem elle, conſervando de ambos os modos a meſma natureza e ſentido; como ''Aclarar'' e ''Aclararſe'', ''Anoitecer'' e ''Anoitecerſe''; eſtes taes bastará polos ſeparadamente debaixo do artigo principal, declarandoſe que tem eſte uſo, o qual ſe autorizará, aſſi como ſe faz aos activos, que ás vezes ſe usão como neutros. E ſe acontecer que com o pronome paſſem de activos a neutros, ou mudem de ſignificação, tudo iſto ſe advertirá, e ſe porão tantas accepções de novo, quantas forem as que com aquelle adjuncto, differem das que ſem elle tem. Finalmente aquelles verbos, que nunca ou rariſſimas vezes apparecem ſem pronome, ainda aſſim meſmo ſe não denominarão reciprocos, mas ſim activos ou neutros, advertindo, que ſempre ou de ordinario ſe lhes ajunta pronome peſſoal; como: ''Arrependerſe, atreverſe, compadecerſe'', &c.</ref><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>XVIII
{{center|PLANTA DO DICCIONARIO.}}
differentes ſignificados ſe collocarão as fraſes mais notaveis ou principaes idiotiſmos, que conſtituem a elegancia da noſſa lingoa. Se forem irregulares, apontarſehão os tempos e peſſoas, em que ſe dá a dita anomalía; como: ''Arço'' e ''arça'' em ''Arder'', ''val'' em ''valer'', ''trouxe'' ou ''trove'' ant. em ''trazer'', &c. Outro tanto ſe praticará com os defectivos, eſpecificandoſe as peſſoas ou tempos, conhecidamente e com certeza carecem. Tambem ſe fará menção daquelles tempos, em que que os Antigos guardavão regularidade, e o contrario ſe uſa ao preſente; como: ''Imos, acude, fuge, pida, impida'', &c. Todas as vezes, que houver nos verbos varias regencias, ou diverſidade de prepoſições e particulas, que os acompanhem, ſe notarão; poisque daqui procede a parte mais eſſencial da noſſa ſintaxe; aſſim em ''Fugir'': ''Fugir alguem'' ou ''alguma couſa'', ''fugir de'', ''fugir para'', ''fugir com''; em ''Rir'': ''Rir de alguem'' ou ''de alguma couſa'', ''rir á alguem'' ou ''para alguem'', &c. Os adverbios e fórmulas adverbiaes, que frequentemente ſe lhes ajuntão, ſe porão immediatos ás ſiguificações, a que pertencem.
{{center|XXI.}}
<p style="text-indent: 2em;">Quando ſe diz que as palavras hão de levar as ſuas definições, não ſe toma o termo definição no apertado ſentido da Logica. He pois ſabido haver quantidade de vocabulos, que fora
impoſſivel definir por ſemelhante modo. Por definição ſómente e entende aqui o conhecimento claro e intelligivel do termo, que ſe quer explicar, dado com tal individuação, que a todos fique bem preceptivel o que elle ſignifica. Sendo aſſim (o que muito ſe deve procurar) pouco importa ſe lhe chame definição, deſcripção ou explicação. Se algum dos noſſos eſcritores a houver já feito, nunca eſta deverá omittirſe, e o ſeu meſmo exemplo ſerá ás vezes ſufficiente para dar a neceſſaria noção do vocabulo, cujo ſentido ſe explica. Ha occaſiões, em que a referida explicação ſe poderá fazer por alguma voz de igual ſignificado, a que de commum ſe chama ſynonymo, com tanto que ſe procure, ſegundo for poſſivel, a mais parecida e equivalente; e outras vezes até meſmo por palavra de contraria intelligencia. Nem tambem haja duvida em ſe receberem, as de Bluteau, ſe ſe julgarem merecedoras de acceitação. Todas ellas nas diverſas accepções de cada voz ſerão impreſſas em grifo; e aſſim meſmo os epíthetos, adverbios ou fórmulas adverbiaes, fraſes, e tudo mais que dentro dos artigos ſe julgar convém que ſeja diſtincto e bem ſenſivel á viſta na leitura. Nos termos antiquados, e que exprimem as couſas antigas de Portugal haverá particular cuidado em ſe moſtrar com exacção e clareza o que por elles ſe entendia no tempo paſſado. Aquelles porém, a que ſe não alcançar ſentido ſe porão ſem embargo diſſo, pois alguem haverá que poſſa deſcobrilo, ou quando ſe dé erro da impreſsão no lugar citado, tambem aſſim ſe poderá eſte mais facilmente emendar. Para intelligencia dos termos pertencentes á Hiſtoria Natural, ſe permittirá alguma deſcripção mais circunſtanciada, com que elles ſegundo a lingoagem technica dos modernos Naturaliſtas, ſe differenção e eſpecificão por ſeus ſinaes caracteriſticos.</p>
{{center|XXII.}}
<p style="text-indent: 2em;">As etymologias são materia, que depende de erudição e criterio, por ſer toda empeçada de dúvidas e cheia de difficuldades. Aſſim ſem ſe indagarem derivações violentas e eſquadrinhadas á força de engenho., logo que a voz tiver por lingoa matriz a Hebraica, Grega, Latina ou Arabiga, (<ref>(a) As etymologias Arabigas ſe tirárão do livro dado modernamente á luz com o titulo: ''Veſtigios da Lingua Arabica em Portugal'', ou ''Lexicon Etymologico das palavras, e nomes Portuguezes, que tem origem Arabica, compofto por ordem da Academia Real das Sciencias de Lisboa, por Fr. João de Souſa, Correfpondente de Numero da meſma Sociedade, e interprete de S. Mageſtade para a lingua Arabica. Lisboa, na Officina da Academia Real das Sciencias. Anno M. DCC. LXXXIX. 4.''</ref>) ſe manifeſtará a raiz ou principio, de que immediatamente procede, ſem paſſar adiante, nem entrar em diſcuſsões philologicas ſobre a ſua nativa e primeira origem. Péloque ainda aquellas meſmas dicções, que ſabidamente ſe deduzem do Grego, ou de outra lingoa ainda mais
remota, ſe os Romanos ou até meſmo os eſcritores da baixa Latinidade, as houverem feito ſuas, ſe lhes declarará ſómente a raiz Latina, ſem apontar a Grega ou qualquer outra, como couſa já tratada pelos Etymologiſtas Latinos. E ſó no caſo, em que de todo ſeja incerto, como em muitos termos technicos, ſe elles nos vierão ou do Grego ou do Latim, ſe notará huma e</p>
como: ''Abraçarſe, acutilarſe, ajudarſe'', &c. Tambem o pronome ſe ſe ajunta ás terceiras peſſoas e infinitos dos meſmos verbos, que ficão deſta ſorte fazendo vezes de paſſivos; como: ''amaſe'' a ''traição'', ''aborreceſ'' e o ''traidor''. Em todos eſtes caſos o verbo fica tão activo, como era, e aſſim ſe deve meramente conſiderar ſem que forme artigo ſobre ſi. Ha porém verbos, que ſe usão já com o pronome ſe, já ſem elle, conſervando de ambos os modos a meſma natureza e ſentido; como ''Aclarar'' e ''Aclararſe'', ''Anoitecer'' e ''Anoitecerſe''; eſtes taes bastará polos ſeparadamente debaixo do artigo principal, declarandoſe que tem eſte uſo, o qual ſe autorizará, aſſi como ſe faz aos activos, que ás vezes ſe usão como neutros. E ſe acontecer que com o pronome paſſem de activos a neutros, ou mudem de ſignificação, tudo iſto ſe advertirá, e ſe porão tantas accepções de novo, quantas forem as que com aquelle adjuncto, differem das que ſem elle tem. Finalmente aquelles verbos, que nunca ou rariſſimas vezes apparecem ſem pronome, ainda aſſim meſmo ſe não denominarão reciprocos, mas ſim activos ou neutros, advertindo, que ſempre ou de ordinario ſe lhes ajunta pronome peſſoal; como: ''Arrependerſe, atreverſe, compadecerſe'', &c.<noinclude></noinclude>
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{{center|PLANTA DO DICCIONARIO.}}
differentes ſignificados ſe collocarão as fraſes mais notaveis ou principaes idiotiſmos, que conſtituem a elegancia da noſſa lingoa. Se forem irregulares, apontarſehão os tempos e peſſoas, em que ſe dá a dita anomalía; como: ''Arço'' e ''arça'' em ''Arder'', ''val'' em ''valer'', ''trouxe'' ou ''trove'' ant. em ''trazer'', &c. Outro tanto ſe praticará com os defectivos, eſpecificandoſe as peſſoas ou tempos, conhecidamente e com certeza carecem. Tambem ſe fará menção daquelles tempos, em que que os Antigos guardavão regularidade, e o contrario ſe uſa ao preſente; como: ''Imos, acude, fuge, pida, impida'', &c. Todas as vezes, que houver nos verbos varias regencias, ou diverſidade de prepoſições e particulas, que os acompanhem, ſe notarão; poisque daqui procede a parte mais eſſencial da noſſa ſintaxe; aſſim em ''Fugir'': ''Fugir alguem'' ou ''alguma couſa'', ''fugir de'', ''fugir para'', ''fugir com''; em ''Rir'': ''Rir de alguem'' ou ''de alguma couſa'', ''rir á alguem'' ou ''para alguem'', &c. Os adverbios e fórmulas adverbiaes, que frequentemente ſe lhes ajuntão, ſe porão immediatos ás ſiguificações, a que pertencem.
{{center|XXI.}}
<p style="text-indent: 2em;">Quando ſe diz que as palavras hão de levar as ſuas definições, não ſe toma o termo definição no apertado ſentido da Logica. He pois ſabido haver quantidade de vocabulos, que fora
impoſſivel definir por ſemelhante modo. Por definição ſómente e entende aqui o conhecimento claro e intelligivel do termo, que ſe quer explicar, dado com tal individuação, que a todos fique bem preceptivel o que elle ſignifica. Sendo aſſim (o que muito ſe deve procurar) pouco importa ſe lhe chame definição, deſcripção ou explicação. Se algum dos noſſos eſcritores a houver já feito, nunca eſta deverá omittirſe, e o ſeu meſmo exemplo ſerá ás vezes ſufficiente para dar a neceſſaria noção do vocabulo, cujo ſentido ſe explica. Ha occaſiões, em que a referida explicação ſe poderá fazer por alguma voz de igual ſignificado, a que de commum ſe chama ſynonymo, com tanto que ſe procure, ſegundo for poſſivel, a mais parecida e equivalente; e outras vezes até meſmo por palavra de contraria intelligencia. Nem tambem haja duvida em ſe receberem, as de Bluteau, ſe ſe julgarem merecedoras de acceitação. Todas ellas nas diverſas accepções de cada voz ſerão impreſſas em grifo; e aſſim meſmo os epíthetos, adverbios ou fórmulas adverbiaes, fraſes, e tudo mais que dentro dos artigos ſe julgar convém que ſeja diſtincto e bem ſenſivel á viſta na leitura. Nos termos antiquados, e que exprimem as couſas antigas de Portugal haverá particular cuidado em ſe moſtrar com exacção e clareza o que por elles ſe entendia no tempo paſſado. Aquelles porém, a que ſe não alcançar ſentido ſe porão ſem embargo diſſo, pois alguem haverá que poſſa deſcobrilo, ou quando ſe dé erro da impreſsão no lugar citado, tambem aſſim ſe poderá eſte mais facilmente emendar. Para intelligencia dos termos pertencentes á Hiſtoria Natural, ſe permittirá alguma deſcripção mais circunſtanciada, com que elles ſegundo a lingoagem technica dos modernos Naturaliſtas, ſe differenção e eſpecificão por ſeus ſinaes caracteriſticos.</p>
{{center|XXII.}}
<p style="text-indent: 2em;">As etymologias são materia, que depende de erudição e criterio, por ſer toda empeçada de dúvidas e cheia de difficuldades. Aſſim ſem ſe indagarem derivações violentas e eſquadrinhadas á força de engenho., logo que a voz tiver por lingoa matriz a Hebraica, Grega, Latina ou Arabiga, (<ref>(a) As etymologias Arabigas ſe tirárão do livro dado modernamente á luz com o titulo: ''Veſtigios da Lingua Arabica em Portugal'', ou ''Lexicon Etymologico das palavras, e nomes Portuguezes, que tem origem Arabica, compofto por ordem da Academia Real das Sciencias de Lisboa, por Fr. João de Souſa, Correfpondente de Numero da meſma Sociedade, e interprete de S. Mageſtade para a lingua Arabica. Lisboa, na Officina da Academia Real das Sciencias. Anno M. DCC. LXXXIX. 4.''</ref>) ſe manifeſtará a raiz ou principio, de que immediatamente procede, ſem paſſar adiante, nem entrar em diſcuſsões philologicas ſobre a ſua nativa e primeira origem. Péloque ainda aquellas meſmas dicções, que ſabidamente ſe deduzem do Grego, ou de outra lingoa ainda mais
remota, ſe os Romanos ou até meſmo os eſcritores da baixa Latinidade, as houverem feito ſuas, ſe lhes declarará ſómente a raiz Latina, ſem apontar a Grega ou qualquer outra, como couſa já tratada pelos Etymologiſtas Latinos. E ſó no caſo, em que de todo ſeja incerto, como em muitos termos technicos, ſe elles nos vierão ou do Grego ou do Latim, ſe notará huma e</p>
<ref>[continuação da nota 1 da página anterior] como: ''Abraçarſe, acutilarſe, ajudarſe'', &c. Tambem o pronome ſe ſe ajunta ás terceiras peſſoas e infinitos dos meſmos verbos, que ficão deſta ſorte fazendo vezes de paſſivos; como: ''amaſe'' a ''traição'', ''aborreceſ'' e o ''traidor''. Em todos eſtes caſos o verbo fica tão activo, como era, e aſſim ſe deve meramente conſiderar ſem que forme artigo ſobre ſi. Ha porém verbos, que ſe usão já com o pronome ſe, já ſem elle, conſervando de ambos os modos a meſma natureza e ſentido; como ''Aclarar'' e ''Aclararſe'', ''Anoitecer'' e ''Anoitecerſe''; eſtes taes bastará polos ſeparadamente debaixo do artigo principal, declarandoſe que tem eſte uſo, o qual ſe autorizará, aſſi como ſe faz aos activos, que ás vezes ſe usão como neutros. E ſe acontecer que com o pronome paſſem de activos a neutros, ou mudem de ſignificação, tudo iſto ſe advertirá, e ſe porão tantas accepções de novo, quantas forem as que com aquelle adjuncto, differem das que ſem elle tem. Finalmente aquelles verbos, que nunca ou rariſſimas vezes apparecem ſem pronome, ainda aſſim meſmo ſe não denominarão reciprocos, mas ſim activos ou neutros, advertindo, que ſempre ou de ordinario ſe lhes ajunta pronome peſſoal; como: ''Arrependerſe, atreverſe, compadecerſe'', &c.</ref><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>{{right|XIX}}
{{center|PLANTA DO DICCIONARIO.}}
outra origem. Se houver differença de opiniões quanto a huma meſma voz, e eſtas opiniões parecerem iguaes em probabilidade, referirſehão, deixando ao leitor a eſcolha da preferencia. As etymologias applicarſehão unicamente ás palavras ſimplices e primitivas: mas ſobre eſte particular deverſeha ter ſempre confideração á judicioſa advertencia do noſſo douto Gaſpar Barreiros. (<ref>(a) Chorogr. 85. O meſmo pondera Fr. Manoel da Eſperança (Hiſt. 1, 4, 13. n. z) dizendo:,, Mas neſtas detivações e ſemelhanças dos nomes mais ſuſpeita muitas vezes o engenho, do que a verdade ſoſſre.,, João de Barros 55 (Gramm. pag. 78) nos deixou tambem outra igual ponderação. Se quizeſſemos (diz elle) buſcar o fundamento e 3, raiz donde vierão os noſſos vocabulos, ſeria ir buſcar as fontes do Nilo. E pois Iſidoro nas ſuas Etymologias, a não pôde achar a muitas couvas; menos a daremos aos noſſos vocabulos. Baſta ſaber que temos Latinos, Arabigos, e outros de diverſas nações, que conquiſtámos, e com quem tivemos commercio: aſſi como elles tem outros de nós.,,
O P. D. Raphael Bluteau (Vocab. Prol. ao Leit. Indouto) declara o ſeguinte.,, Não fiz caſo de etymologias arrafstadas e forçadas; que ha palavras, como peſſoas naſcidas (como diz o vulgo) das hervas, e cuja origem ſeria mais
difficultoſa de deſcobrir, que aos primeiros exploradores da America, o novo mundo.</ref>) »» As etymologias (diz elle) tem ſeus certos limites, que não convém paſſar, como tem todalas couſas. Porque ſe quizermos buſcar a interpretação dos vocabulos Hebraicos em os Gregos, » ou dos Gregos nos Latinos nunca nos faltará que dizer pola ſemelhança, que tem huns vocabulos com outros. » E depois accreſcenta. » Por onde eu creio ſer tão facil couſa inventar derivações de nomes, que qualquer groſſo engenho o poderá fazer, e póde ſer que ſeja mais proprio delles, que dos delgados.
{{center|XXIII.}}
<p style="text-indent: 2em;">Os nomes ou appellidos dos Autores, e os titulos de ſuas obras (cuidandoſe particularmente em não os confundir entre ſi) com as divisões deſtas meſmas obras precederão aos lugares, que ſe citão. Tudo iſto ſe formará em claras e ſuccintas abbreviaturas á fim de que o volume do Diccionario não creſca ſuperfluamente na ſua eſtructura. Peloque ſe excluirão no tocante á divisão das obras as ordinarias abbreviaturas de vol. tom. liv. cap. titul. ſecç. pag. fol. &c. baſtando que as obras ſe dividão pelos numeros arithmeticos, com tanto que eftes per fi fós não paffem de tres, por ſe evitar confusão. Aſſim o primeiro numero indicará o tomo, volume ou parte, ſe tal for a divisão mais conſideravel da obra, o ſegundo o livro, o terceiro o capitulo, paragrapho, &c. Deſta forte pondoſe por exemplo: {{bib|BARE.}} Dec. 1, 2, 3. {{bib|Sous.}} Hiſt. 2, 3, 4. {{bib|CAM.}} Luſ. 3, 4. {{bib|FERR.}} Poem. Cart. 2, 9; ſe entende, que o primeiro numero moſtra em Barros a Decada, em Souſa a Parte, em Camões o Canto, e em Ferreira o livro; e que o ſegundo denota nos dous primeiros o livro, no terceiro a eſtancia, e no quarto a carta; e do meſmo modo que o terceiro numero em Barros e Souſa aponta o capitulo. Por quanto, conhecido em geral que o primeiro numero ſerve ſempre para a divisão principal, e que os outros repreſentão as demais ſubdivisões de qualquer qualidade, que ſejão, ficará ſendo facillimo achalas á viſta da obra allegada. E ſe por maior clareza ſe quizer accreſcentar ás ſobreditas alguma quarta ou quinta divisão, eſta ſerá ſempre acompanhada de ſignal, que bem a deixe perceber. As obras, que não tiverem
divisões intrinſecas ſe citarão por paginas ou folhas. As autoridades ſimplefmente de per ſi determinarão o merecimento de cada vocabulo, ſem que ſeja neceſſario ajuntarlhe outra alguma qualificação, por quanto eſta ſó depende do juizo do eſcritor, ſegundo a applicação, que ſouber fazer das palavras á materia, de que trata. (<ref>(b) Verba frequenter ius ab auctoribus ſumunt. Quinct. Inſt. Orat. I. 4. Cum ſint [verba] alia aliis aut magis propria, aut magis ornata, aut plus efficientia, aut melius ſonantia debent, eſſe non ſolum nota omnia, ſed in promptu, atque (ut ita dicam) in conſpectu, ut cum ſe judicio dicentis oſtenderint, facilis ex his oprimorum ſit electio. Id. ibid. X. 1.</ref>) O contrario diſto, como acima fica declarado, apenas ſe praticará nas vozes facultivas, e nas de particular e conhecido caracter.</p>
{{center|XXIV.}}
<p style="text-indent: 2em;">O eſtilo do Diccionario ſerá claro, conciſo, e deſcarregado de toda aquella redundante e apparatoſa erudição, que deixe de ſervir para repreſentar a formoſura da lingoa, deſcobrir a ſua
natural elegancia, e fixar pelo modo poſſivel o valor de ſuas palavras e fraſes. Iſto aſſim executado, poderſeha (me parece) conſeguir o fim propoſto, que independente do minimo intereſſe peſſoal tem por unico objecto o ſerviço da patria e luſtre da Nação Portugueza. Nem tambem ficará deſta ſorte lugar para outra ſemelhante queixa, qual a do grande zelador da honra da ſua patria, (<ref>(c) Aſſim o denomina {{bib|Brand.}} Mon. 3, 11, 10.</ref>) Manoel Severim de Faria; (<ref>(d) Diſe. 84 .</ref>) vem a ſer, » que eſtando a lingoa Latina, e as outras vulgares tão cheias de volumes, de Traducções, Copias, Frafes, Elegancias, e de Theſouros de ſua eloquencia, com que as vemos ornadas de tão ricos atavios; ſó a noſſa eſtá pobre de todo o artificio, e ſem mais compoſtura que a formoſura natural. » Pelo que entendemos, ſegundo o que igualmente muito deſejamos, continuando com termos ſeus ao mefmo propoſito, (<ref>(e) Ahi meſmo, 85.</ref>) » que ninguem haverá que queira ſer tão deſconhecido á ſua patria, que aborreça o</p><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>XX
{{center|PLANTA DO DICCIONARIO.}}
>proprio por invejar o alheio, e conſinta ſermos vencidos no amor da lingoa materna de todas > as outras gentes aſſim barbaras, como politicas, que tanto as ſuas proprias eſtimão. » E ceſſará, ao menos quanto a eſta parte, a geral e por muitos titulos aſſás bem merecida cenvura, que além de outros nos faz hum antigo Poeta noſſo, (<ref>(a) {{bib|Machad. Cerc.}} 2, 72 y.</ref>) dizendo:
{{center|Que por natureza}}
{{center|E conſtellação do clima,}}
{{center|Eſta Nação Portugueza}}
{{center|O nada eſtrangeiro eſtima,}}
{{center|O muito dos ſeus deſpreza.}}
{{center|XXV.}}
Como a experiencia e prática do trabalho ha de ſer a regra ſobre todas mais ſegura, tanto para ſe applicarem os meios conducentes á melhor execução de huma tal obra, como para felizmente ſe levar ao ſeu deſejado complemento: eſta meſma experiencia ſeja pois a que ſuppra tudo aquillo, que na preſente Planta deixar de ſe advertir. O Público, parecendolhé, poderá tambem ſubminiſtrarlhe aquelles reparos e obſervações, que ſuppuſer de importancia, ſem receio de que ſe lhe negue a mais grata acceitação e devido reconhecimento, ſe taes reflexões forem, como ſó deve preſumirſe que povsão ſer, juſtas e ſólidas. He pois de intereſſe commum que a todos ſeja livre e permittido concorrer com os auxilios, que lhes for poſſivel excogitar, para ſe conſeguir aquella perfeição, a que prudentemente póde aſpirarſe, quando pela primeira vez ſe põe mão em ſemelhantes obras. (<ref>(b) A difficuldade de formar pela primeira vez hum Diccionario de qualquer lingoa moderna, ſe póde bem alcançar, ſem mais ponderações, do muito tempo, que niſſo empregárão as tres mais celebres Academias, que ſe tem occupado neſte genero de compoſição. Todas eſtas tiverão por principal objecto da ſua inſtituição o referido trabalho. A Academia da Cruſca, fundada em 1582, publicou o primeiro tomo do ſeu Diccionario em 1612. A Real Academia Franceza, compoſta de quarenta Academicos, teve principio no anno de 1629, e concluio o ſeu Diccionario no de 1694. A Real Academia Heſpanhola, que conſta de vinte e quatro Socios, começou no anno de 1713, e no de 1726 deo a luz o primeiro tomo do ſeu Diccionario, o quai comprehende as duas primeiras letras do alphabeto.
</ref>) Neſta por inteiro conſagrada á pública utilidade da noſſa patria, poderá cada hum, conforme bem entender, aſſinalar aſſim ſeu louvavel zelo, virtude, que
em nenhum outro tempo deveria tanto gravar nos eſpiritos verdadeiramente Portuguezes iguaes eſtimulos de actividade e patriotiſmo, como no preſente, em que de continuo ſe lhes está offerecendo para a imitação o mais poderoſo dos exemplos. Por conclusão, rematando com palavras do illuſtre Poeta, Antonio Ferreira, ((<ref>c) Poem. Cart. I, 3.</ref>) tão zeloſo da noſſa lingoa, quanto della benemerito, por meio de huma tal diligencia he poſſivel chegue a conſeguirſe,
{{center|Que os que a mal julgárão,}}
{{center|E ainda as eſtranhas lingoas mais deſejão,}}
{{center|Confeſſem cedo ante ella quando errárão.}}
{{center|E os que depois de nós vierem, vejão}}
{{center|Quanto ſe trabalhou por ſeu reſpeito,}}
{{center|Porque elles para os outros aſſim ſejão.}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>MEMORIAS E LOUVORES
DA
LINGOA PORTUGUEZA,
QUE SE ACHÃO EM DIVERSOS AUTORES.
O MARQUE'S DE SANTILLANA D. IÑIGO LOPEZ DE MENDOZA.
CArta efcrita ao Condeftavel de Portugal D. Pe- fa
dro, filho do Infante D. Pedro, Duque de Coim-
bra, e impreffa no primeiro tomo da Collecção de
Poefias Caftelbanas, anteriores ao feculo XV. a
qual publicou em Madrid, D. Thomás Antonio San-
ches, Bibliothecario de fua Mageftade Catholica.
Entre nosotros [Caftellanos] ufófe primera
mente el metro en afaz formas... E defpues fal-
laron efta arte que mayor fe llama, è el arte co-
mul, creo, en los Reynos de Galicia è Portugal;
doude non es de dubdar que el exercicio deftas fcien-
cias mas que en ningunas otras regiones ui provin
cias de la Efpaña se acoftumbró; en tanto grado que
non ha mucho tiempo qualefquier decidores è trova-
dores deftas partes, agora fuefen Caftellanos, Anda-
luces, ò de la Eftremadura todas fus obras compo-
nian en lengua Gallega ò Portuguefa. E aun deftos
es cierto refcibimos los nombres del Arte, afi como
Maestria mayor è menor encadenados, lexapren,
è manfobre.
Abi mefmo.
Ahi começarás tu de fentir o louvor da nof-
lingoagem [ Portugueza ], que fendo nolla, a en-
tenderá o Latino, porque he fua. Efta perrogativa
tem fobre todalas lingoagens prefentes: mageftade
pera coufas graves, e hua efficacia baroil, que re-
prefenta grandes feitos. E o final onde fe ifto mais
claro vê, he na mufica, que naturalmente acerca de
cada nação fegue o modo da falla: lingoagem gra-
ve, mufica grave e fentida..
and Abi mefmo.
Nefta gravidade (como já diffe) a Portugue-
za [lingoagem] leva [vantagem] a todas, e tem
em fi huma pureza e Tequidão pera coufas baixas,
que fe lhe pode poer a tacha, que Perfio (Satyr.
prima) punha aos verfos de Virgilio: os quaes di-
zia ferem tão de fovero, e cobertos de calca, que
fe não podião abrandar..... A lingoagem Portu-
gueza, que tenha efta gravidade, não perde a for-
ça pera declarar, mover, deleitar, e exhortar a par-
agende alumnes dute, a que fe inclina; feja em qualquer genero de
JOÃO DE BARROS. defcritura. Verdade he fer em fi tão lionefta e cafta,
zolonist als que parece não confentir em fi huma tal obra como
Prologo ou Dedicatoria da Cartinba, em a intro- Celestina. E Gil Vicente, Comico, que a mais tratou
ducção da Grammatica da Lingoa Portuguesa. em compofturas, que algúa peffoa deftes Reinos, nun-
ca fe atreveo a introduzir lium Centurio Portuguez;
porque como o não confente a nação, affi o não
foffre a lingoagem. Certo, a quem não falecer ma-
teria e engenho pera demoftrar fua tenção, em nof-
fa lingoagem não lhe falecerão vocabulos. Porque
de crer he que fe Ariftoteles fora noffo natural, não
fora bufcar lingoagem empreftada pera efcrever na
Philofophia, e em todalas outras materias, de que
O AUTOR DA COMEDIA EUFROSSINA.
Aquella [lingoagem Portugucza] que em Eu-
ropa he eftimada, em Africa e Afia por amor, arinas,
e leis tão amada e efpantofa, que por jufto titulo lhe
pertence a monarchia do mar, e os tributos dos infieis
da terra. Aquella, que como hum novo Apoftolo,
na força das mesquitas e pagódes de todalas feitas
e idolatrias do mundo, defpréga prégando e ven-
cendo as Reaes Quinas de Chrifto; com que mui-
tos povos da gentilidade são mertidos em o curral
do Senhor.
Grammatica da Lingoa Portugueza, pag. 73, na
ediçao de 1785.
tratou.
Prologo.
,
Eu tenho em muito a [lingoagem ] Portugue-
pza, cuja gravidade > graça Laconica. e autorizada
pronunciação nada deve á Latina, que vola exalça
Por ifo cu quero raivar
Ufando dos termos da Grammatica Latina, cu mais que fempito he, com os Portuguêzes]
jos filhos nós fomos, por não degenerar della.
com feus naturaes
que a tachão [a fua lingoagen ] defamandoa de po-
Dialogo em louvor da noffa Lingoagem. bre, e não lhe confentindo alfaiarfe do alheio, co-
mo que o principal cabedal das copiofas não feja o
Que fe póde defejar na lingoa Portugueza,
mais delle emprestado, e a Portugueza com o feu
que ella
Caftelhana ]tenlia? conformidade, com a he tão rica, que lhe achareis alfaias proprias, de que
Latina? Neftes verfos feitos em louvor da nofla pa- as outras carecem.... A lingoagem [Portugueza
tria, fe póde ver quanta tem, porque affi são Por- he ] conhecida em partes, em que a Hebrea, Gre-
tuguezes, que os entende o Portuguez, e tão Lati- ga, e Latina nunca forão viftas, nem ouvidas; c
nos, que os não estranhará quem
fouber a lingoa La- fe os Portuguezes fe prezaffen deila, como das ar-
7. Eignil Comas, deixarião efcrituras de móres façanhas , que
hos Hebreos de incredulidades, os Gregos de fabu-
las, e os Latinos de Deidades, dando moftra del-
las e della, que téqui efteve encouchads fem poder
furgir efcufandole de muitas guerras.
tina. 70m
quam divinos acquiris terra triumphos:
Tam fortes animos alta de forte creando.
De numero fanéto gentes tu firma refervas.
Per longos annos, vivas-tu terra-beata.
Contra non fanctos te armas furiofa paganos.
Vivas perpetuo, gentes mactando feroces
- Que Aethiopas. Turcos, fortes Indos das falvos:
De Jefu Chrifto fanctos monftrando prophetas.
Man
O AUTOR INCERTO DO DIALOGO DAS LINGOAS..
Origines de la lengua Española compuestos
* 6
por<noinclude></noinclude>
p1ayh401p525xjylfhkv7dtfbm36au7
Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/46
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MLReis
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{{c|EXPLICAÇÃO DAS ABBREVIATURAS}}
{{c|Dos nomes e appellidos dos Autores, titulos de ſuas obras, e tambem a das obras anonymas, com a dos numeros, por que ſe deſignão os lugares deſtas obras.}}
{{c|ADVERTENCIA.}}
'''A'''s divisões das obras ſe diſtinguem pelos numeros arithmeticos em cifra Arabiga, indicando o primeiro numero a principal divisão como volume ou tomo, parte, livro ou qualquer outra, com tanto que ſeja a mais conſideravel: o ſegundo e terceiro, moſtrão as demais ſubdivisões, como são livro, capitulo, paragrapho, folha, pagina, &c. Quando porém, ou por ſer extenſa a ultima divisão, ou por evitar alguma equivocação ſe accreſcenta ás ſobreditas alguma quarta ou quinta divisão para com
mais facilidade ſe achar a autoridade, eſtas taes divisões ſe acompanhão então de algum final, que as dé bem a perceber, como são: c. capitulo; cant. canto; col. columna; f. folha; n. numero; not. nota; P. pagina, part. parte; tit. titulo; §. paragrapho. Os Autores, que eſcreverão huma ſó obra ſobre particular materia, a que precedem os ſeguintes titulos: Arte, Cerco, Chronica, Commentarios, Compendio, Deſcripção, Dialogo, Diſcurſo ou Diſcurſos, Hiſtoria, Methodo, Relação ou Relações, Sermão ou Sermões, Suceſſo ou Succeſſos, Tratado ou Tratados, Vida, ſem que outra declaração ſe lhes ajunte, pois não tem com quem confundirſe, ſe citão ſimplémente: Art. Cerc. Chr. Comm. Comp. Deſcripç. Dial. Diſe. Hiſt. Meth. Rel. Serm. Succeſſ. Vid. Tr. Os Diſcurfos, Relações e Tratados ſe differenção pelos ſeus numeros ſegundo a ordem da impressão, com que ſe achão collocados.
{{bib|ACAD. DOS SING}}..... Academia dos Singulares de
Lisboa. ''Num''. Parte, academia. ''Accreſcentaſelhe'': Decim. Madrig. Oraç. Romanç. Silv. Son. Decima, Madrigal, Oração, Romance, Silva, Soneto.<br>
{{bib|A. DA CRUZ}}, Recop..... Antonio da Cruz, Recopilação da Cirurgia. Cap. univ. Capitulo univerſal. Num. pagina. Os outros num. Livro, capitulo. No livro quinto. Num. Livro, pagina.<br>
{{bib|A. DE VASC}}. Anj..... P. Antonio de Vaſconcellos, Tratado do Anjo da Guarda. Num. Tomo, livro, capitulo.
<p style="text-indent: 2em;">{{bib|Anj. Solil}}..... Tratado do Anjo da Guarda. Soliloquios de huma alma com Deos. Numi. Soliloquio, pagina. No fim do primeiro tomo do
Anjo da Guarda.</p>
{{bib|A. FERNAND}}. Art... ... Antonio Fernandes, Arte de Muſica de Canto d'Orgão, e Canto Chão, e proporções de Muſica. Num. Tratado, capitulo.<br>
{{bib|A. FERR.}} Luz..... Antonio Ferreira, Luz verdadeira e recopilado exame de toda a Cirurgia. ''Num''. Livro, pagina.<br>
<p style="text-indent: 2em;">Pratic..... Nova Pratica e Theorica de Cirurgia. ''Num''. Capitulo.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Tr. Nov... Addição breve, e Tratatado novo, em que ſe faz menção do modo, com que ſe deva haver o Cirurgião em as Juntas, &c. ''Num''. Conſulta, pagina.</p>
{{bib|AFF. GUERREIR}}. Feſt..... Affonſo Guerreiro. Das Feſtas, que ſe fizerão em Lisboa, na entrada del-Rey, D. Filippe primeiro de Portugal. ''Num''. Capitulo.<br>
{{bib|A. GALV.}} Tr..... Antonio Galvão, Tratado dos diverſos e deſvairados caminhos por onde nos tempos paſſados a pimenta e eſpeciaria veio da India ás noſſas partes, &c. ''Num''. Folha.<br>
{{bib|ALÃO}}, Antig..... Alão [Manoel de Brito]
Antiguidade da Sagrada Imagem de Noſſa Senhora
da Nazareth. ''Num''. Capitulo.<br>
{{bib|ALBUQ}}. Comm..... Albuquerque [Affonſo de] Commentarios do Grande Affonſo de Albuquerque. ''Num''. Parte, capitulo.<br>
{{bib|ALVAR. DA CUNH.}} Campanh..... Alvares da Cunha [D. Antonio] Campanha de Portugal &c. ''Num''. Pagina.<br>
<p style="text-indent: 2em;">Eſcól... Eſcóla das verdades &c. Num. Verdade, paragraphio.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Obeliſc. . Obeliſco Portuguez, Chronologico, &c. ''Num''. Pagina.</p>
{{bib|AMAD. REBELL}}. Cap..... P. Amador Rebello, Alguns capitulos tirados das cartas, que vierão eſte anno de 1588 dos Padres da Companhia de Jeſu, que andão nas partes da India, China, &c. ''Num''. Folhia.<br>
{{bib|AMARAL}}, Serm..... [P. Franciſco do ] Sermoes. ''Num'', Pagina, numero.<br>
{{bib|ANDRAD}}. Cerc..... [Franciſco de ] O primeiro Cerco, que os Turcos puſerão á Fortaleza de Dio. ''Num''. Canto, folha, columna.<br>
<p style="text-indent: 2em;">Chr..... Chronica do muito alto; e muito poderoſo Rei deſtes Reinos de Portugal Dom João III, deſte nome. ''Num''. Parte, capitulo.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Inſtit..... Inſtituição del Rei noſſo Senhor. ''Num''. Folha.</p>
{{bib|ANDR. DE RESEND}}. Hiſt..... André de Reſende, Hiſtoria da antiguidade da cidade de Evora. ''Num''. Capitulo.<br>
<p style="text-indent: 2em;">Hiſt. Fall..... As duas fallas no fim da ſobredita Hiſtoria. Sem numeros.</p>
{{bib|ARAUJ.}} Succeſſ..... Araujo [João Salgado de] Succeſſos Militares das Armas Portuguezas em ſuas Fronteiras depois da Real acclamação contra Caſtella. ''Num''. Livro, capitulo.<br>
{{bib|ARR.}} Dial..... Arraiz [D. Fr. Amador] Dialogos. ''Num''. Dialogo, capitulo.<br>
{{bib|ART. DA ARTILH}}..... Arte da Artilharia. Breve Tratado da Arte da Artilharia, &c. Num. Capitulo.<br>
{{bib|ART. DE FURT}}..... Arte de Furtar, Eſpelho de enganos, &c. ''Num''. Capitulo, pagina.<br>
{{bib|AVEIR.}} Itin... Aveiro [Fr. Pantalião de] Itinerario da Terra Santa. ''Num''. Capitulo.<br>
{{bib|AVELL.}} Report.... Avellar [André do ] Reportorio dos tempos. ''Num''. Tratado, titulo.<br>
{{bib|AZEV}}. Correç..... Azevedo [Fr. Manoel de ] Correção de abuſos introduzidos contra o verdadeiro methodo de Medicina. ''Num. Na primeira parte:'' Parte, tratado, capitulo. ''Na ſegunda'': Parte, tratado, capitula. ''Mas ſe ao ultimo numero ſe accre ſcenta. p. pagina, o precedente então he capitulo, o que ſo tem lugar no primeiro dos tres Tratados, de que ella ſe compõe.''<br>
{{bib|AZUR}}. Chr..... Azurara [Gomes Eannes d'] Chronica del Rei D. João I. de boa memoria, e dos Reis de Portugal o decimo. Terceira parte. NUm. Parte, capitulo.<br>
BAPTIST. Baptiſterio, Ceremonial dos Sacramentos da Santa Madre Igreja de Roma, conforme ao Catheciſmo Romano. ''Num''. Folha.<br>
{{bib|BAKAT}}. Exempl..... Barata [Manoel] Exemplares de diverſas sortes de lertas. ''Num''. Folha.<noinclude></noinclude>
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{{c|EXPLICAÇÃO DAS ABBREVIATURAS}}
{{c|Dos nomes e appellidos dos Autores, titulos de ſuas obras, e tambem a das obras anonymas, com a dos numeros, por que ſe deſignão os lugares deſtas obras.}}
{{c|ADVERTENCIA.}}
'''A'''s divisões das obras ſe diſtinguem pelos numeros arithmeticos em cifra Arabiga, indicando o primeiro numero a principal divisão como volume ou tomo, parte, livro ou qualquer outra, com tanto que ſeja a mais conſideravel: o ſegundo e terceiro, moſtrão as demais ſubdivisões, como são livro, capitulo, paragrapho, folha, pagina, &c. Quando porém, ou por ſer extenſa a ultima divisão, ou por evitar alguma equivocação ſe accreſcenta ás ſobreditas alguma quarta ou quinta divisão para com
mais facilidade ſe achar a autoridade, eſtas taes divisões ſe acompanhão então de algum final, que as dé bem a perceber, como são: c. capitulo; cant. canto; col. columna; f. folha; n. numero; not. nota; P. pagina, part. parte; tit. titulo; §. paragrapho. Os Autores, que eſcreverão huma ſó obra ſobre particular materia, a que precedem os ſeguintes titulos: Arte, Cerco, Chronica, Commentarios, Compendio, Deſcripção, Dialogo, Diſcurſo ou Diſcurſos, Hiſtoria, Methodo, Relação ou Relações, Sermão ou Sermões, Suceſſo ou Succeſſos, Tratado ou Tratados, Vida, ſem que outra declaração ſe lhes ajunte, pois não tem com quem confundirſe, ſe citão ſimplémente: Art. Cerc. Chr. Comm. Comp. Deſcripç. Dial. Diſe. Hiſt. Meth. Rel. Serm. Succeſſ. Vid. Tr. Os Diſcurfos, Relações e Tratados ſe differenção pelos ſeus numeros ſegundo a ordem da impressão, com que ſe achão collocados.
{{bib|ACAD. DOS SING}}..... Academia dos Singulares de
Lisboa. ''Num''. Parte, academia. ''Accreſcentaſelhe'': Decim. Madrig. Oraç. Romanç. Silv. Son. Decima, Madrigal, Oração, Romance, Silva, Soneto.<br>
{{bib|A. DA CRUZ}}, Recop..... Antonio da Cruz, Recopilação da Cirurgia. Cap. univ. Capitulo univerſal. Num. pagina. Os outros num. Livro, capitulo. No livro quinto. Num. Livro, pagina.<br>
{{bib|A. DE VASC}}. Anj..... P. Antonio de Vaſconcellos, Tratado do Anjo da Guarda. Num. Tomo, livro, capitulo.
<p style="text-indent: 2em;">{{bib|Anj. Solil}}..... Tratado do Anjo da Guarda. Soliloquios de huma alma com Deos. Numi. Soliloquio, pagina. No fim do primeiro tomo do
Anjo da Guarda.</p>
{{bib|A. FERNAND}}. Art... ... Antonio Fernandes, Arte de Muſica de Canto d'Orgão, e Canto Chão, e proporções de Muſica. Num. Tratado, capitulo.<br>
{{bib|A. FERR.}} Luz..... Antonio Ferreira, Luz verdadeira e recopilado exame de toda a Cirurgia. ''Num''. Livro, pagina.<br>
<p style="text-indent: 2em;">Pratic..... Nova Pratica e Theorica de Cirurgia. ''Num''. Capitulo.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Tr. Nov... Addição breve, e Tratatado novo, em que ſe faz menção do modo, com que ſe deva haver o Cirurgião em as Juntas, &c. ''Num''. Conſulta, pagina.</p>
{{bib|AFF. GUERREIR}}. Feſt..... Affonſo Guerreiro. Das Feſtas, que ſe fizerão em Lisboa, na entrada del-Rey, D. Filippe primeiro de Portugal. ''Num''. Capitulo.<br>
{{bib|A. GALV.}} Tr..... Antonio Galvão, Tratado dos diverſos e deſvairados caminhos por onde nos tempos paſſados a pimenta e eſpeciaria veio da India ás noſſas partes, &c. ''Num''. Folha.<br>
{{bib|ALÃO}}, Antig..... Alão [Manoel de Brito]
Antiguidade da Sagrada Imagem de Noſſa Senhora
da Nazareth. ''Num''. Capitulo.<br>
{{bib|ALBUQ}}. Comm..... Albuquerque [Affonſo de] Commentarios do Grande Affonſo de Albuquerque. ''Num''. Parte, capitulo.<br>
{{bib|ALVAR. DA CUNH.}} Campanh..... Alvares da Cunha [D. Antonio] Campanha de Portugal &c. ''Num''. Pagina.<br>
<p style="text-indent: 2em;">Eſcól... Eſcóla das verdades &c. Num. Verdade, paragraphio.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Obeliſc. . Obeliſco Portuguez, Chronologico, &c. ''Num''. Pagina.</p>
{{bib|AMAD. REBELL}}. Cap..... P. Amador Rebello, Alguns capitulos tirados das cartas, que vierão eſte anno de 1588 dos Padres da Companhia de Jeſu, que andão nas partes da India, China, &c. ''Num''. Folhia.<br>
{{bib|AMARAL}}, Serm..... [P. Franciſco do ] Sermoes. ''Num'', Pagina, numero.<br>
{{bib|ANDRAD}}. Cerc..... [Franciſco de ] O primeiro Cerco, que os Turcos puſerão á Fortaleza de Dio. ''Num''. Canto, folha, columna.<br>
<p style="text-indent: 2em;">Chr..... Chronica do muito alto; e muito poderoſo Rei deſtes Reinos de Portugal Dom João III, deſte nome. ''Num''. Parte, capitulo.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Inſtit..... Inſtituição del Rei noſſo Senhor. ''Num''. Folha.</p>
{{bib|ANDR. DE RESEND}}. Hiſt..... André de Reſende, Hiſtoria da antiguidade da cidade de Evora. ''Num''. Capitulo.<br>
<p style="text-indent: 2em;">Hiſt. Fall..... As duas fallas no fim da ſobredita Hiſtoria. Sem numeros.</p>
{{bib|ARAUJ.}} Succeſſ..... Araujo [João Salgado de] Succeſſos Militares das Armas Portuguezas em ſuas Fronteiras depois da Real acclamação contra Caſtella. ''Num''. Livro, capitulo.<br>
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{{bib|ART. DA ARTILH}}..... Arte da Artilharia. Breve Tratado da Arte da Artilharia, &c. Num. Capitulo.<br>
{{bib|ART. DE FURT}}..... Arte de Furtar, Eſpelho de enganos, &c. ''Num''. Capitulo, pagina.<br>
{{bib|AVEIR.}} Itin... Aveiro [Fr. Pantalião de] Itinerario da Terra Santa. ''Num''. Capitulo.<br>
{{bib|AVELL.}} Report.... Avellar [André do ] Reportorio dos tempos. ''Num''. Tratado, titulo.<br>
{{bib|AZEV}}. Correç..... Azevedo [Fr. Manoel de ] Correção de abuſos introduzidos contra o verdadeiro methodo de Medicina. ''Num. Na primeira parte:'' Parte, tratado, capitulo. ''Na ſegunda'': Parte, tratado, capitula. ''Mas ſe ao ultimo numero ſe accre ſcenta. p. pagina, o precedente então he capitulo, o que ſo tem lugar no primeiro dos tres Tratados, de que ella ſe compõe.''<br>
{{bib|AZUR}}. Chr..... Azurara [Gomes Eannes d'] Chronica del Rei D. João I. de boa memoria, e dos Reis de Portugal o decimo. Terceira parte. NUm. Parte, capitulo.<br>
BAPTIST. Baptiſterio, Ceremonial dos Sacramentos da Santa Madre Igreja de Roma, conforme ao Catheciſmo Romano. ''Num''. Folha.<br>
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{{c|EXPLICAÇÃO DAS ABBREVIATURAS}}
{{c|Dos nomes e appellidos dos Autores, titulos de ſuas obras, e tambem a das obras anonymas, com a dos numeros, por que ſe deſignão os lugares deſtas obras.}}
{{c|ADVERTENCIA.}}
'''A'''s divisões das obras ſe diſtinguem pelos numeros arithmeticos em cifra Arabiga, indicando o primeiro numero a principal divisão como volume ou tomo, parte, livro ou qualquer outra, com tanto que ſeja a mais conſideravel: o ſegundo e terceiro, moſtrão as demais ſubdivisões, como são livro, capitulo, paragrapho, folha, pagina, &c. Quando porém, ou por ſer extenſa a ultima divisão, ou por evitar alguma equivocação ſe accreſcenta ás ſobreditas alguma quarta ou quinta divisão para com
mais facilidade ſe achar a autoridade, eſtas taes divisões ſe acompanhão então de algum final, que as dé bem a perceber, como são: c. capitulo; cant. canto; col. columna; f. folha; n. numero; not. nota; P. pagina, part. parte; tit. titulo; §. paragrapho. Os Autores, que eſcreverão huma ſó obra ſobre particular materia, a que precedem os ſeguintes titulos: Arte, Cerco, Chronica, Commentarios, Compendio, Deſcripção, Dialogo, Diſcurſo ou Diſcurſos, Hiſtoria, Methodo, Relação ou Relações, Sermão ou Sermões, Suceſſo ou Succeſſos, Tratado ou Tratados, Vida, ſem que outra declaração ſe lhes ajunte, pois não tem com quem confundirſe, ſe citão ſimplémente: Art. Cerc. Chr. Comm. Comp. Deſcripç. Dial. Diſe. Hiſt. Meth. Rel. Serm. Succeſſ. Vid. Tr. Os Diſcurfos, Relações e Tratados ſe differenção pelos ſeus numeros ſegundo a ordem da impressão, com que ſe achão collocados.
{{bib|ACAD. DOS SING}}..... Academia dos Singulares de
Lisboa. ''Num''. Parte, academia. ''Accreſcentaſelhe'': Decim. Madrig. Oraç. Romanç. Silv. Son. Decima, Madrigal, Oração, Romance, Silva, Soneto.<br>
{{bib|A. DA CRUZ}}, Recop..... Antonio da Cruz, Recopilação da Cirurgia. Cap. univ. Capitulo univerſal. Num. pagina. Os outros num. Livro, capitulo. No livro quinto. Num. Livro, pagina.<br>
{{bib|A. DE VASC}}. Anj..... P. Antonio de Vaſconcellos, Tratado do Anjo da Guarda. Num. Tomo, livro, capitulo.
<p style="text-indent: 2em;">{{bib|Anj. Solil}}..... Tratado do Anjo da Guarda. Soliloquios de huma alma com Deos. Numi. Soliloquio, pagina. No fim do primeiro tomo do
Anjo da Guarda.</p>
{{bib|A. FERNAND}}. Art... ... Antonio Fernandes, Arte de Muſica de Canto d'Orgão, e Canto Chão, e proporções de Muſica. Num. Tratado, capitulo.<br>
{{bib|A. FERR.}} Luz..... Antonio Ferreira, Luz verdadeira e recopilado exame de toda a Cirurgia. ''Num''. Livro, pagina.<br>
<p style="text-indent: 2em;">Pratic..... Nova Pratica e Theorica de Cirurgia. ''Num''. Capitulo.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Tr. Nov... Addição breve, e Tratatado novo, em que ſe faz menção do modo, com que ſe deva haver o Cirurgião em as Juntas, &c. ''Num''. Conſulta, pagina.</p>
{{bib|AFF. GUERREIR}}. Feſt..... Affonſo Guerreiro. Das Feſtas, que ſe fizerão em Lisboa, na entrada del-Rey, D. Filippe primeiro de Portugal. ''Num''. Capitulo.<br>
{{bib|A. GALV.}} Tr..... Antonio Galvão, Tratado dos diverſos e deſvairados caminhos por onde nos tempos paſſados a pimenta e eſpeciaria veio da India ás noſſas partes, &c. ''Num''. Folha.<br>
{{bib|ALÃO}}, Antig..... Alão [Manoel de Brito]
Antiguidade da Sagrada Imagem de Noſſa Senhora
da Nazareth. ''Num''. Capitulo.<br>
{{bib|ALBUQ}}. Comm..... Albuquerque [Affonſo de] Commentarios do Grande Affonſo de Albuquerque. ''Num''. Parte, capitulo.<br>
{{bib|ALVAR. DA CUNH.}} Campanh..... Alvares da Cunha [D. Antonio] Campanha de Portugal &c. ''Num''. Pagina.<br>
<p style="text-indent: 2em;">Eſcól... Eſcóla das verdades &c. Num. Verdade, paragraphio.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Obeliſc. . Obeliſco Portuguez, Chronologico, &c. ''Num''. Pagina.</p>
{{bib|AMAD. REBELL}}. Cap..... P. Amador Rebello, Alguns capitulos tirados das cartas, que vierão eſte anno de 1588 dos Padres da Companhia de Jeſu, que andão nas partes da India, China, &c. ''Num''. Folhia.<br>
{{bib|AMARAL}}, Serm..... [P. Franciſco do ] Sermoes. ''Num'', Pagina, numero.<br>
{{bib|ANDRAD}}. Cerc..... [Franciſco de ] O primeiro Cerco, que os Turcos puſerão á Fortaleza de Dio. ''Num''. Canto, folha, columna.<br>
<p style="text-indent: 2em;">Chr..... Chronica do muito alto; e muito poderoſo Rei deſtes Reinos de Portugal Dom João III, deſte nome. ''Num''. Parte, capitulo.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Inſtit..... Inſtituição del Rei noſſo Senhor. ''Num''. Folha.</p>
{{bib|ANDR. DE RESEND}}. Hiſt..... André de Reſende, Hiſtoria da antiguidade da cidade de Evora. ''Num''. Capitulo.<br>
<p style="text-indent: 2em;">Hiſt. Fall..... As duas fallas no fim da ſobredita Hiſtoria. Sem numeros.</p>
{{bib|ARAUJ.}} Succeſſ..... Araujo [João Salgado de] Succeſſos Militares das Armas Portuguezas em ſuas Fronteiras depois da Real acclamação contra Caſtella. ''Num''. Livro, capitulo.<br>
{{bib|ARR.}} Dial..... Arraiz [D. Fr. Amador] Dialogos. ''Num''. Dialogo, capitulo.<br>
{{bib|ART. DA ARTILH}}..... Arte da Artilharia. Breve Tratado da Arte da Artilharia, &c. Num. Capitulo.<br>
{{bib|ART. DE FURT}}..... Arte de Furtar, Eſpelho de enganos, &c. ''Num''. Capitulo, pagina.<br>
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{{bib|AVELL.}} Report.... Avellar [André do ] Reportorio dos tempos. ''Num''. Tratado, titulo.<br>
{{bib|AZEV}}. Correç..... Azevedo [Fr. Manoel de ] Correção de abuſos introduzidos contra o verdadeiro methodo de Medicina. ''Num. Na primeira parte:'' Parte, tratado, capitulo. ''Na ſegunda'': Parte, tratado, capitula. ''Mas ſe ao ultimo numero ſe accre ſcenta. p. pagina, o precedente então he capitulo, o que ſo tem lugar no primeiro dos tres Tratados, de que ella ſe compõe.''<br>
{{bib|AZUR}}. Chr..... Azurara [Gomes Eannes d'] Chronica del Rei D. João I. de boa memoria, e dos Reis de Portugal o decimo. Terceira parte. NUm. Parte, capitulo.<br>
BAPTIST. Baptiſterio, Ceremonial dos Sacramentos da Santa Madre Igreja de Roma, conforme ao Catheciſmo Romano. ''Num''. Folha.<br>
{{bib|BAKAT}}. Exempl..... Barata [Manoel] Exemplares de diverſas sortes de lertas. ''Num''. Folha.<noinclude></noinclude>
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{{c|Dos nomes e appellidos dos Autores, titulos de ſuas obras, e tambem a das obras anonymas, com a dos numeros, por que ſe deſignão os lugares deſtas obras.}}
{{c|ADVERTENCIA.}}
'''A'''s divisões das obras ſe diſtinguem pelos numeros arithmeticos em cifra Arabiga, indicando o primeiro numero a principal divisão como volume ou tomo, parte, livro ou qualquer outra, com tanto que ſeja a mais conſideravel: o ſegundo e terceiro, moſtrão as demais ſubdivisões, como são livro, capitulo, paragrapho, folha, pagina, &c. Quando porém, ou por ſer extenſa a ultima divisão, ou por evitar alguma equivocação ſe accreſcenta ás ſobreditas alguma quarta ou quinta divisão para com
mais facilidade ſe achar a autoridade, eſtas taes divisões ſe acompanhão então de algum final, que as dé bem a perceber, como são: c. capitulo; cant. canto; col. columna; f. folha; n. numero; not. nota; P. pagina, part. parte; tit. titulo; §. paragrapho. Os Autores, que eſcreverão huma ſó obra ſobre particular materia, a que precedem os ſeguintes titulos: Arte, Cerco, Chronica, Commentarios, Compendio, Deſcripção, Dialogo, Diſcurſo ou Diſcurſos, Hiſtoria, Methodo, Relação ou Relações, Sermão ou Sermões, Suceſſo ou Succeſſos, Tratado ou Tratados, Vida, ſem que outra declaração ſe lhes ajunte, pois não tem com quem confundirſe, ſe citão ſimplémente: Art. Cerc. Chr. Comm. Comp. Deſcripç. Dial. Diſe. Hiſt. Meth. Rel. Serm. Succeſſ. Vid. Tr. Os Diſcurfos, Relações e Tratados ſe differenção pelos ſeus numeros ſegundo a ordem da impressão, com que ſe achão collocados.
{{bib|ACAD. DOS SING}}..... Academia dos Singulares de
Lisboa. ''Num''. Parte, academia. ''Accreſcentaſelhe'': Decim. Madrig. Oraç. Romanç. Silv. Son. Decima, Madrigal, Oração, Romance, Silva, Soneto.<br>
{{bib|A. DA CRUZ}}, Recop..... Antonio da Cruz, Recopilação da Cirurgia. Cap. univ. Capitulo univerſal. Num. pagina. Os outros num. Livro, capitulo. No livro quinto. Num. Livro, pagina.<br>
{{bib|A. DE VASC}}. Anj..... P. Antonio de Vaſconcellos, Tratado do Anjo da Guarda. Num. Tomo, livro, capitulo.
<p style="text-indent: 2em;">Anj. Solil..... Tratado do Anjo da Guarda. Soliloquios de huma alma com Deos. Numi. Soliloquio, pagina. No fim do primeiro tomo do
Anjo da Guarda.</p>
{{bib|A. FERNAND}}. Art... ... Antonio Fernandes, Arte de Muſica de Canto d'Orgão, e Canto Chão, e proporções de Muſica. Num. Tratado, capitulo.<br>
{{bib|A. FERR.}} Luz..... Antonio Ferreira, Luz verdadeira e recopilado exame de toda a Cirurgia. ''Num''. Livro, pagina.<br>
<p style="text-indent: 2em;">Pratic..... Nova Pratica e Theorica de Cirurgia. ''Num''. Capitulo.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Tr. Nov... Addição breve, e Tratatado novo, em que ſe faz menção do modo, com que ſe deva haver o Cirurgião em as Juntas, &c. ''Num''. Conſulta, pagina.</p>
{{bib|AFF. GUERREIR}}. Feſt..... Affonſo Guerreiro. Das Feſtas, que ſe fizerão em Lisboa, na entrada del-Rey, D. Filippe primeiro de Portugal. ''Num''. Capitulo.<br>
{{bib|A. GALV.}} Tr..... Antonio Galvão, Tratado dos diverſos e deſvairados caminhos por onde nos tempos paſſados a pimenta e eſpeciaria veio da India ás noſſas partes, &c. ''Num''. Folha.<br>
{{bib|ALÃO}}, Antig..... Alão [Manoel de Brito]
Antiguidade da Sagrada Imagem de Noſſa Senhora
da Nazareth. ''Num''. Capitulo.<br>
{{bib|ALBUQ}}. Comm..... Albuquerque [Affonſo de] Commentarios do Grande Affonſo de Albuquerque. ''Num''. Parte, capitulo.<br>
{{bib|ALVAR. DA CUNH.}} Campanh..... Alvares da Cunha [D. Antonio] Campanha de Portugal &c. ''Num''. Pagina.<br>
<p style="text-indent: 2em;">Eſcól... Eſcóla das verdades &c. Num. Verdade, paragraphio.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Obeliſc. . Obeliſco Portuguez, Chronologico, &c. ''Num''. Pagina.</p>
{{bib|AMAD. REBELL}}. Cap..... P. Amador Rebello, Alguns capitulos tirados das cartas, que vierão eſte anno de 1588 dos Padres da Companhia de Jeſu, que andão nas partes da India, China, &c. ''Num''. Folhia.<br>
{{bib|AMARAL}}, Serm..... [P. Franciſco do ] Sermoes. ''Num'', Pagina, numero.<br>
{{bib|ANDRAD}}. Cerc..... [Franciſco de ] O primeiro Cerco, que os Turcos puſerão á Fortaleza de Dio. ''Num''. Canto, folha, columna.<br>
<p style="text-indent: 2em;">Chr..... Chronica do muito alto; e muito poderoſo Rei deſtes Reinos de Portugal Dom João III, deſte nome. ''Num''. Parte, capitulo.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Inſtit..... Inſtituição del Rei noſſo Senhor. ''Num''. Folha.</p>
{{bib|ANDR. DE RESEND}}. Hiſt..... André de Reſende, Hiſtoria da antiguidade da cidade de Evora. ''Num''. Capitulo.<br>
<p style="text-indent: 2em;">Hiſt. Fall..... As duas fallas no fim da ſobredita Hiſtoria. Sem numeros.</p>
{{bib|ARAUJ.}} Succeſſ..... Araujo [João Salgado de] Succeſſos Militares das Armas Portuguezas em ſuas Fronteiras depois da Real acclamação contra Caſtella. ''Num''. Livro, capitulo.<br>
{{bib|ARR.}} Dial..... Arraiz [D. Fr. Amador] Dialogos. ''Num''. Dialogo, capitulo.<br>
{{bib|ART. DA ARTILH}}..... Arte da Artilharia. Breve Tratado da Arte da Artilharia, &c. Num. Capitulo.<br>
{{bib|ART. DE FURT}}..... Arte de Furtar, Eſpelho de enganos, &c. ''Num''. Capitulo, pagina.<br>
{{bib|AVEIR.}} Itin... Aveiro [Fr. Pantalião de] Itinerario da Terra Santa. ''Num''. Capitulo.<br>
{{bib|AVELL.}} Report.... Avellar [André do ] Reportorio dos tempos. ''Num''. Tratado, titulo.<br>
{{bib|AZEV}}. Correç..... Azevedo [Fr. Manoel de ] Correção de abuſos introduzidos contra o verdadeiro methodo de Medicina. ''Num. Na primeira parte:'' Parte, tratado, capitulo. ''Na ſegunda'': Parte, tratado, capitula. ''Mas ſe ao ultimo numero ſe accre ſcenta. p. pagina, o precedente então he capitulo, o que ſo tem lugar no primeiro dos tres Tratados, de que ella ſe compõe.''<br>
{{bib|AZUR}}. Chr..... Azurara [Gomes Eannes d'] Chronica del Rei D. João I. de boa memoria, e dos Reis de Portugal o decimo. Terceira parte. NUm. Parte, capitulo.<br>
BAPTIST. Baptiſterio, Ceremonial dos Sacramentos da Santa Madre Igreja de Roma, conforme ao Catheciſmo Romano. ''Num''. Folha.<br>
{{bib|BAKAT}}. Exempl..... Barata [Manoel] Exemplares de diverſas sortes de lertas. ''Num''. Folha.<noinclude></noinclude>
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{{c|EXPLICAÇÃO DAS ABBREVIATURAS}}
{{bib|BARBOS.}} Dict... Barboſa [Agostinho] Dictionarium Luſitanico-Latinum. ''Sem numeros por ſeguir a ordem alphabetica.''<br>
{{bib|BARR.}} Cartinh..... Barros [João de] Cartinha para apprender a ler. ''Num''. Pagina. Na ediç. de 1785.
<p style="text-indent: 2em;">Clarim..... Chronica do Emperador Clarimundo. ''Num''. Livro, capitulo.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Dec..... Aſia de João de Barros, dos feitos, que os Portuguezes fizerão no deſcobrimento e conquista dos mares e terras do Oriente. ''Num''. Decada, livro, capitulo.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Dial. em louv..... Dialogo em louvor da noſſa lingoa. Num. Pagina. Na edic. de 1785.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Gramm.... Grammatica da lingoa Portugueza com a Orthographia. ''Num''. Pagina. Na ediç. de 1785.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Orthogr..... Orthographia. Num. Pagina. Na
ediç. de 1785.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Paneg..... Panegyrico. ''Num''. Pagina. Nas Noticias de Portugal de Manoel Severim de Faria.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Viciof. Vergonh..... Dialogo da vicioſa ver-
gonha. Num. Folha.</p>
{{bib|BARREIR.}} Cenſur. de Beroſ..... Cenſura ſobre huns livros intitulados em Beroſo, Sacerdote Chaldeo. ''Sem numeros.''<br>
<p style="text-indent: 2em;">Cenſur. de Cat. . . . . Cenſura ſobre huns fragmentos intitulados em M. Porcio Catão de Originibus. ''Sem numeros''.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Cenſur. de Maneth..... Cenſura ſobre hum livro intitulado em Manethon, Sacerdote gentio do Egypto. ''Sem numeros.''</p>
<p style="text-indent: 2em;">Cenſur. de Q. Fab. Pict..... Cenſura ſobre hum livro intitulado em Q. Fabio Pictor Romano, de Aurato Soeculo, et origine vrbis Romae. ''Sem numeros''.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Chorogr..... Chorographia. ''Num''. Pagina.</p>
{{bib|BARRET.}} Eneid..... Barreto [João Franco] Eneida Portugueza. ''Num''. Livro, oitava.<br>
<p style="text-indent: 2em;">Diccion..... Diccionario de todos os nomes proprios e fabulas. ''No fim de cada volume da Eneida, queecomprehende ſeis livros, por ordem alphabetica.''</p>
<p style="text-indent: 2em;">Flos Sanct.... Flos Sanctorum, Hiſtoria das Vidas e obras inſignes dos Santos ''Num''. Parte, pagina, columna.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Orthogr..... Orthographia da lingoa Portugueza. ''Num''. Capitulo.</p>
<p style="text-indent: 2em;">Rel..... Relação da Viagem, que a França fizerão Franciſco de Mello, Monteiro mór, e o Doutor Antonio Coelho de Carvalho &c. ''Num''. Pagina.</p>
BARTH. GUERREIR. Cor..... P. Bartholomeu Guer-
reiro, Gloriofa Coroa de esforçados Religiofos da
Companhia de Jefus &c. Num. Parte, capitulo,
pagina.
Jorn.... Jornada dos Vaffallos
da Coroa de Portugal, para fe recuperar a cida-
de do Salvador da Bahia de todos os Santos, Num.
Capitulo.
BENT. PER. Orthogr..... Regras geraes, breves, e
comprehenfiveis da melhor Orthographia. Num.
Parte, regra.
Thef..... Thefouro da lingoa Portu-
gueza. Sem numeros pela ordem alphabetica das pa-
lavras.
BERN. Flor... Bernardes [Diogo ] Flores do Li-
ma. Num. Pagina com o titulo da obra.
Lim. Cart. Ecl.- Son..... O Liina. Num.
Carta, Ecloga, Soneto, com feus numeros.
Rim. ao B. Jef..... Rimas ao Bom Jefus.
Num. Pagina, com o titulo da obra.
BERNARD. RIP. Cantig..... Bernardim Bibeiro, Can-
tigas. Num. Pagina.
gina.
Romanc..... Romance. Num. Pa-
Sext..... Sextina. Num.. Pagina.
B. ESTAÇ. Rim..... Balthazar Eftaço, Sonetos,
Canções, Eclogas, e outras Rimas. Num. Pagina,
e algumas vezes o titulo da obra.
BLUT. Vocab..... Bluteau [D. Raphael] Vocabu-
lario Portuguez e Latino. Sem numeros, e fegun-
do a ordem alphabetica das palavras.
Vocab. Suppl..... Supplemento ag Vocabula-
rio Portuguez e Latino. Sem numeros e na mef-
ma conformidade precedente.
BRAND. Mon..... Brandão [Fr. Antonio] Monar-
chia Lufitana. Terceira e quarta parte. Num. Par-
te, livso, capitulo.
BRIT. Chr..... Brito [Fr. Bernardo de ] Primeira
parte da Chronica de Cifter. Num. Livro, capi
tulo.
Elog... Elogios dos Reis de Portugal.
Num: Elogio.
Geogr..... Geographia antiga da Lufitania.
Num Capitulo.
Mon....Monarchia Lufitana. Num. Parte,
livro. c. capitulo. tit. titulo.
BRIT. DE LEM. Abeced..... Brito de Lemos [João
de] Abecedario Militar. Num. Livro, capitulo,
pagina.
CABREIR. Comp..... Cabreira [Gonçalo Rodrigues]
Compendio de muitos e varios remedios da Cirur
gia. Num. Capitulo.
Peft..... Tratado e remedios perfervati-
vos e curativos para todo o tempo de pefte. Num.
Capitulo.
Tr. Unic..... Tratado unico das Terçãas
perniciofas. Num. Capitulo.
CALV. Defenf..... Calvo [Fr. Pedro ] Defensão das
lagrimas dos Juftos &c. Num. Parte, capitulo.
Homil..... Homilias da Quarefma. Nam.
Parte, pagina.
CAM. Anfitr..... Camões [Luiz de] Anfitriões,
Comedia. Sem numeros.
Canç..... Canções. Num. Canção, estancia.
Cart, ... Carta. Num. Carta.
Ecl... Ecloga Num. Ecloga, eftancia.
Eleg.....Elegias. Num. Elegia, eftancia.
Endech..... Endecha. Num. Pagina da ediç.
de 1669.
Filod.... Filodemo, Auto ou Comedia.
Num. Pagina, nos Autos de Antonio Preftes.
Glof..... Glofa. Num. Pagina da ediç. de
1669.
Luf.. Os Lufiadas. Num, Canto, eftancia.
Mot..... More. Num. Pagina da ediç. de
1669.
Od..... Odes. Num. Ode, eftancia.
Oitav..... Oitavas. Num. Oitava, eftancia.
Redond..... Redondilhas. Num. Pagina da
ediç. de 1669.
Seleuc.... Comedia delRei Seleuco. Sem nu-
meros.
Sext..... Sextinas. Num. Sextina, eftancia.
Volt,.... Voltas. Num. Pagina da ediç. de
1669.
CAMINH. Fórm. dos Contrat... ... Caminha [Grego-
rio Martins] Fórma dos Contratos. Num. Pa-
gina.
Fórm. dos Libell..... Forma dos Libellos.
Num. Pagina.
CAMP. Receb..... Campos [Manoel de ] Relação
do folemne recebimento, que fe fez em Lisboa ás
fan-
BERNARD. RIB. Ecl..... Eclogas. Num. Egloga.
Menin..... Hiftoria da Menina e
Moça. Num. Livro, capitulo.<noinclude></noinclude>
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D. HILAR. Voz, 33, 181 A primeira [couſa] he o deſprezo do mundo, na ''abdicação'' e ''alheamento'' de todos os [bens] temporaes.
<p style="text-indent:2em; margin-top:-1em">{{Maroon|Met.}} D. HILAR. Voz, 6, 25 Os Santos, que deſta graça receberão muito, dizem, que mortificação ou negamento de ſi meſmo, não he ourra couſa, ſalvo hum eſquecimento de ſi meſmo, ou huma ''abdicação'' voluntaria de todo proprio querer e ſentir. {{bib|A. DE VASC.}} Anj. 2, 5, 2. parr. 7. p. 409 São João Climaco diſſe era a pobreza religiſa huma renunciação e abdicação dos cuidados das couſas ſeculares.</p>
{{lema|ABDICAR}}. {{catgram|v. a.}} {{uso|Juriſpr.}} {{Def|Deixar, renunciar voluntariamente alguma dignidade ou dominio ſem nomear ſucceſſor.}} Do Lat. Abdicare. Reg, ''alg''. c. ou ''alg''. c. de ''ſi''. {{bib|FR. LEÃO}}, Bened. 1. Prelud. 2, 2 ''Abdicando'' de ſi o dominio do que poſſuião. {{bib|VIEIR}}. Serm. 2, 1, 3. n. 14 Porque não ''abdicou'' a Mageſtade, porque não deixou de ſer Rainha ?
{{bib|SERR}}. Diſe. 1, 179 Eſtando na ſua mão... o exame do direito dos perrenſores da ſua coroa ''abdicou'' eſte poder legirimo de ſi.
{{Parindent|{{Uso|Met.}} {{Def|Deſiſtir de alguma couſa deixala por qualquer modo.}} {{bib|CEIT.}}. Quadrag. 1, 89, 3 Pelo que quando compramos a Deos (na fórma licita, em que iſto póde
ſer) como fez a Senhora, fica Deos, por especial modo e titulo, ſendo noſſo; mas quando o vendemos, he querer de todo ''abdicalo'' e alienalo de nós. {{bib|M. BERN.}} Floreſt. 2, 1, 255, C Porém por iſſo meſmo convem, que ſe tenhão por ſuſpeirolos de ſi meſmos, abdicando
de ſi o ſentencear precipitadamente.}}
{{Parindent|Com pron. peſſ. {{Def|Abdicarſe de alguma couſa. Dimittila de ſi, renunciala.}} {{bib|VELASC.}} Acclam. 32 Poſto que...os povos transferiſſem nos Reis ſeu poder e imperio, não foi abdicandoſe totalmente, dele. {{bib|D. F. MAN.}} Apol. 185 Suppoſto que nunca [os Principes] ſe abdicaſſem do ſeu exercicio. {{bib|M. BERN.}} Floreſt. 5, 4, 299, B Iſto antes de ter os exemplos de outros tres Padres deſta Congregação, que, nomeados em outros tres Biſpados, todos ſe abdicarão deſta honra e dignidade.}}
{{lema|ABDOMEN}}. {{catgram| s. m.}} {{uso|Anatom.}} ''Barriga ventre, terceira e
ultima cavidade do corpo humano, do diaphragma até o fim do tronco, ou o véo, que cobre os inteſtinos.'' Lar. ''Abdomen''. {{bib|MORAT.}} LUZ, 5, I Nos affectos e inflammações, que ſobrevem ao ''abdomen'', e muſculos do ventre ſobre o embigo, ſe ſangra a vêa no artelho. {{bib|Azev.}} Correcç. 1, 3, 4. p. 285 E como eſtes eſtejão na região do ''abdomen'' por noſſo nome infima &c. {{bib|Curv.}} Polyanth. 1, 1, 4 Podem proceder os vomitos do ''abdomen'' pela communicação, que tem com o eſtomago.
{{lema|ABEBERA}}. {{catgram|s. f.}} {{uso|ant.}} Vej. Bebera. {{bib|BENT.}} {{bib|PER.}} Thes.
{{lema|ABECE}}. Vej. ABC.
{{lema|ABEBERADO, A}}. {{catgram|adj.}} {{uso|ant.}} ''A que ſe deo de beber, que
bebeo.'' Reg. ''com''. ou ''de''. {{bib|VIT. CHRIST.}} 3, 43, 105 Por vós encarnei eu, e converſei em as terras abertamente, e fui cuſpido e ferido com palmadas, crucificado, e ''abeverado'' de vinagre. {{bib|D. CATH. INF.}} Regr. 2, 17 Alli certamente todos aquelles, que hi são, mui avondoſamente são ''abeberados'' daquella fonre perennal. {{bib|D.
HILAR. }} Voz, 35, 197 Chriſto Jeſu eſtendido na cruz ſe chamou cythara e pſalteiro, porque alli tocado com o martello e pregos, e ''abeberado'' com o fel e vinagre deo
de ſi aquella voz mui ſonora, que &c.
{{lema|ABECEDARIO}}. {{catgram|s. m.}} ''Collecção das letras elementares de de huma lingoa poſtas por ordem, alphabeto, carta do
ABC.'' {{bib|BRIT.}} Mon. 1, 2. rit. 3 Referindo primeiro o abecedario antigo. {{bib|AMAD. REBELL.}} Capit. 18 A cauſa de ſer eſta lingoa tão difficultoſa he eſcreverem os Chinas todas as ſuas coufas, não por letras de ''abecedario'', ſenão por cifras ou imagens. {{bib|M. BERN.}} Luz e Cal. 2, 3, 342 Eu ſou Alfa e Omega, a primeira e ultima letra
do ''abecedario''.
<p style="text-indent:2em; margin-top:-1em">{{Maroon|Met.}} {{bib|M. BERN.}} Luz e Cal. I, 6, 138 Foi neceſſario áquelles Monges antigos inventar e compor hum novo ''abecedario'' de acções e acenos, para explicar os nomes mais geraes e preciſos.</p>
<p style="text-indent:2em; margin-top:-1em">''Eſcrito ou obra feita por ordem alphabetica.'' {{bib|VIEIR.}} Serm. 4, 9, 2. n. 317 Os vicios da lingoa são tantos, que fez Drexelio hum abecedario inteiro e muito copioſo delles.</p>
{{lema|ABECEDARIO, A}}. {{catgram|adj.}} {{uso|pouc. uſ.}} ''Que reſpeita o alphabeto.''
{{bib|ROBOR.}} Raiz. 2 A palavra, que não estiver em ſeu lugar abecedario, hum pouco mais acima ou mais abaixo ſe achará — Port. 12 Porém todas as vezes, que acontecer ſer o derivado primeiro em ordem ''abecedaria'' &c.
{{lema|ABEGÃO}}. {{catgram|s. m.}} ''Feitor, aquelle, a que eſtá commettido pelo dono o cuidado e adminiſtração de huma quinta on herdade.'' {{bib|FERNAND.}} Palm. 3, 61 Não me parecia a mim máo pera voſſo companheiro, que ſe alugaſſe a hum ''abegão'' de boa graça, pera vindimar parreiras. {{bib|LOB.}} Ecl. 4
Acudiráo todavía Os ''abegões'' da ribeira. {{bib|CEIT.}} Serm. 1, 98, 3 E romou o Sanro a fraſe da parabola de Chriſto do trigo e ſizania, onde ſe diz, que o homem inimigo, dormindo os abegoes, ſobreſemeou ervilhaca.
<p style="text-indent:2em; margin-top:-1em">{{uso|Pl.}} Os que curão nos hoſpitaes. {{bib|BENT. PER.}} Theſ</p>
{{lema|ABEGARIA}}. {{catgram|s. f.}} Vej. ''Abegoaria''. {{bib|BENT. PER.}} Theſ
{{lema|ABEGOA}}. {{catgram|s. f.}} ''Mulher do abegão.'' {{bib|JER. CARDOS.}} Dict. {{bib|BARBOS.}} Dic. {{bib|BENT. PER.}} Theſ
{{lema|ABEGOARIA}}. {{catgram|s. f.}} ''Trem da agricultura, apparato de lavoura, que faz a riqueza do lavrador e o trafego ruſtico, como bois, gado, charruas, &c.'' {{bib|LEÃO}}, Orig. 8 díz que vem do Lar. Pecuaria. {{bib|M. DE FIGUEIR.}} Chronogr.2, 31 He bom... fazer ''abegoarias'', carros, e todo o genero
de vitualhas, que lhe pertencer. {{bib|L. Arv.}} Serm. 1, 12, 2. n. 5 Se tem muitos creados, todos são neceſſarios para a fabrica de ſuas ''abegoarias''. {{bib|CARV.}} Chorogr. 2, I, 3. c. 3 E as mais dellas [Peninſulas] são hoje mui cultivadas com caſas de ''abegoaria'' e de recreação.
{{lema|ABEGOURA}}. {{catgram|s. f.}} ''Lavoura, ſementeira.'' {{bib|BENT. PER.}} Theſ
{{lema|ABEIJARUCO}}. {{catgram|s. m.}} ''O meſmo que Abelheiro, ou Abelharuco''. {{bib|BENT. PER.}} Theſ
{{lema|A'BEIRA}}. {{catgram|form. adv.}} Vej. Beira.
{{lema|ABEL}}. {{catgram|s. m.}} ''Nome proprio de hum dos filhos de Adão''. Tomaſe por homem ſanto, puro, e innocente. {{bib|VEIG.}} Laur.
Ded. Sangue do Regio ''Abel'', que inda hoje choras. {{bib|Sous.}} Lagr. 2 Hoje he o día, que começa o voſſo Divino ''Abel'' a caminhar pera o campo, em que o eſpera a maior traição.
{{lema|ABELHA}}, {{catgram|s. m.}} ''Certo inſecto bem conhecido que prepara a cera e o mel nas colmeas domeſticas, e ao qual os Entomologistas modernos chamão: Apis mellifica.'' No Syſtema de Linneo as abelhas em geral, tanto domeſticas, como ſilveſtres pertencem à divisão dos inſectos Hymnopreros, iſto he, dos que tem quatro azas membranoſas, nervoſas e ſem eſcamas algumas pulveriformes: as ſuas antennas são dobradas no meio em fórma de cotovelo, compoſtas de muitas peças, a primeira deſtas (que medeia entre a cabeça e eſpecie de cotovelo) mais comprida; as azas inferiores mais curtas do que as de cima; a bocca guarnecida de queixos, de lingoa e labio;
no anus hum ferrão ſimples e aſſovelado, em cuja baſe ſe acha huma veſicula cheia de humor venenoſo , a qual, rebentando na ferroada do inſecto, cauſa grande inflammação; o ſeu ventre eſtá apegado ao peito por meio de hum curtiſſimo peciolo; tem poſteriormente entre os
olhos hum ſtemma, ou eſpecie de corôa compoſta de tres pontinhos luzentes; em fim o ſeu corpo he ſempre mais ou menos felpudo. As abelhas domeſticas, de que ſomente aqui devemos fazer menção são pouco felpudas, tem à parte ſuperior do peito de côr griſea, o ventre fuſco, as pernas poſteriores celheadas, e eſtriadas por dentro tranſverſalmente. Vivem juntas em
ſociedade, como todos ſabem, dentro de colmeas: neſtes domicilios achãoſe ordinariamente tres ſortes de abelhas: 1. huma, duas, ou tres femeas, à proporção da grandeza da morada; 2.° hum certo numero de machos de ſeſſenta até novecentos, conforme a grandeza da ſociedade, e habitação; 3.° as que nem são femeas nem
machos, ou lhes faltão todos os orgãos ſexuaes; estas são as mais numeroſas, e ſe achão em cada colmea desde dez mil até quarenta mil; são chamadas neutras ; hybridas, e operarias, por ſerem de todas, as que compõe o enxame, as unicas, que trabalhão, fabricando os favos dos cortiços com a cera colhida do pó das antheras das flores, ajuntando e preparando o mel, e alimentando as larvas, que devem continuar a exiſtencia da ſua eſpecie. As femeas forão condecoradas por alguns Naturaliſtas antigos com os nomes de Abelhas meſtras, de Reis ou Rainhas das abelhas, e conſideradas como ſeu General derão sujeito muitos maravilhoſos contos. As abelhas femeas podem reconhecerſe pela ſua grandeza, porque são as maiores de todas as da colmea; as ſuas antennas são compoſtas de quinze peças; o ventre muito groſſo, mais comprido do que as azas, e compoſto de ſete ſegmentos; o ſeu ferrão he mais comprido do que o das demais abelhas, e hum tanto curtado para o ventre mas eſta arma ſervelhes de muito pouco, porque ordinariamente não ſahem do cortiço. As maſ-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>16 {{cab|ABD}}
{{bib|D. HILAR.}} Voz, 33, 181 A primeira [couſa] he o deſprezo do mundo, na ''abdicação'' e ''alheamento'' de todos os [bens] temporaes.
{{Parindent|{{Uso|Met.}} {{bib|D. HILAR.}} Voz, 6, 25 Os Santos, que deſta graça receberão muito, dizem, que mortificação ou negamento de ſi meſmo, não he ourra couſa, ſalvo hum eſquecimento de ſi meſmo, ou huma ''abdicação'' voluntaria de todo proprio querer e ſentir. {{bib|A. DE VASC.}} Anj. 2, 5, 2. parr. 7. p. 409 São João Climaco diſſe era a pobreza religiſa huma renunciação e abdicação dos cuidados das couſas ſeculares.}}
{{lema|ABDICAR}}. {{catgram|v. a.}} {{uso|Juriſpr.}} {{Def|Deixar, renunciar voluntariamente alguma dignidade ou dominio ſem nomear ſucceſſor.}} Do Lat. Abdicare. Reg, ''alg''. c. ou ''alg''. c. de ''ſi''. {{bib|FR. LEÃO}}, Bened. 1. Prelud. 2, 2 ''Abdicando'' de ſi o dominio do que poſſuião. {{bib|VIEIR}}. Serm. 2, 1, 3. n. 14 Porque não ''abdicou'' a Mageſtade, porque não deixou de ſer Rainha ?
{{bib|SERR}}. Diſe. 1, 179 Eſtando na ſua mão... o exame do direito dos perrenſores da ſua coroa ''abdicou'' eſte poder legirimo de ſi.
{{Parindent|{{Uso|Met.}} {{Def|Deſiſtir de alguma couſa deixala por qualquer modo.}} {{bib|CEIT.}}. Quadrag. 1, 89, 3 Pelo que quando compramos a Deos (na fórma licita, em que iſto póde
ſer) como fez a Senhora, fica Deos, por especial modo e titulo, ſendo noſſo; mas quando o vendemos, he querer de todo ''abdicalo'' e alienalo de nós. {{bib|M. BERN.}} Floreſt. 2, 1, 255, C Porém por iſſo meſmo convem, que ſe tenhão por ſuſpeirolos de ſi meſmos, abdicando
de ſi o ſentencear precipitadamente.}}
{{Parindent|Com pron. peſſ. {{Def|Abdicarſe de alguma couſa. Dimittila de ſi, renunciala.}} {{bib|VELASC.}} Acclam. 32 Poſto que...os povos transferiſſem nos Reis ſeu poder e imperio, não foi abdicandoſe totalmente, dele. {{bib|D. F. MAN.}} Apol. 185 Suppoſto que nunca [os Principes] ſe abdicaſſem do ſeu exercicio. {{bib|M. BERN.}} Floreſt. 5, 4, 299, B Iſto antes de ter os exemplos de outros tres Padres deſta Congregação, que, nomeados em outros tres Biſpados, todos ſe abdicarão deſta honra e dignidade.}}
{{lema|ABDOMEN}}. {{catgram| s. m.}} {{uso|Anatom.}} {{Def|Barriga ventre, terceira e ultima cavidade do corpo humano, do diaphragma até o fim do tronco, ou o véo, que cobre os inteſtinos.}} Lar. ''Abdomen''. {{bib|MORAT.}} {{bib|LUZ}}, 5, I Nos affectos e inflammações, que ſobrevem ao ''abdomen'', e muſculos do ventre ſobre o embigo, ſe ſangra a vêa no artelho. {{bib|Azev.}} Correcç. 1, 3, 4. p. 285 E como eſtes eſtejão na região do ''abdomen'' por noſſo nome infima &c. {{bib|Curv.}} Polyanth. 1, 1, 4 Podem proceder os vomitos do ''abdomen'' pela communicação, que tem com o eſtomago.
{{lema|ABEBERA}}. {{catgram|s. f.}} {{uso|ant.}} Vej. Bebera. {{bib|BENT.}} {{bib|PER.}} Thes.
{{lema|ABECE}}. Vej. ABC.
{{lema|ABEBERADO, A}}. {{catgram|adj.}} {{uso|ant.}} {{Def|A que ſe deo de beber, que bebeo.}} Reg. ''com''. ou ''de''. {{bib|VIT. CHRIST.}} 3, 43, 105 Por vós encarnei eu, e converſei em as terras abertamente, e fui cuſpido e ferido com palmadas, crucificado, e ''abeverado'' de vinagre. {{bib|D. CATH. INF.}} Regr. 2, 17 Alli certamente todos aquelles, que hi são, mui avondoſamente são ''abeberados'' daquella fonre perennal. {{bib|D. HILAR. }} Voz, 35, 197 Chriſto Jeſu eſtendido na cruz ſe chamou cythara e pſalteiro, porque alli tocado com o martello e pregos, e ''abeberado'' com o fel e vinagre deo de ſi aquella voz mui ſonora, que &c.
{{lema|ABECEDARIO}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|Collecção das letras elementares de de huma lingoa poſtas por ordem, alphabeto, carta do ABC.}} {{bib|BRIT.}} Mon. 1, 2. rit. 3 Referindo primeiro o abecedario antigo. {{bib|AMAD. REBELL.}} Capit. 18 A cauſa de ſer eſta lingoa tão difficultoſa he eſcreverem os Chinas todas as ſuas coufas, não por letras de ''abecedario'', ſenão por cifras ou imagens. {{bib|M. BERN.}} Luz e Cal. 2, 3, 342 Eu ſou Alfa e Omega, a primeira e ultima letra
do ''abecedario''.
{{Parindent||{{Uso|Met.}} {{bib|M. BERN.}} Luz e Cal. I, 6, 138 Foi neceſſario áquelles Monges antigos inventar e compor hum novo ''abecedario'' de acções e acenos, para explicar os nomes mais geraes e preciſos.}}
{{Parindent|{{Def|Eſcrito ou obra feita por ordem alphabetica.}}{{bib|VIEIR.}} Serm. 4, 9, 2. n. 317 Os vicios da lingoa são tantos, que fez Drexelio hum abecedario inteiro e muito copioſo delles.}}
{{lema|ABECEDARIO, A}}. {{catgram|adj.}} {{uso|pouc. uſ.}} {{Def|Que reſpeita o alphabeto.}} {{bib|ROBOR.}} Raiz. 2 A palavra, que não estiver em ſeu lugar abecedario, hum pouco mais acima ou mais abaixo ſe achará — Port. 12 Porém todas as vezes, que acontecer ſer o derivado primeiro em ordem ''abecedaria'' &c.
{{lema|ABEGÃO}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|Feitor, aquelle, a que eſtá commettido pelo dono o cuidado e adminiſtração de huma quinta on herdade.}} {{bib|FERNAND.}} Palm. 3, 61 Não me parecia a mim máo pera voſſo companheiro, que ſe alugaſſe a hum ''abegão'' de boa graça, pera vindimar parreiras. {{bib|LOB.}} Ecl. 4 Acudiráo todavía Os ''abegões'' da ribeira. {{bib|CEIT.}} Serm. 1, 98, 3 E romou o Sanro a fraſe da parabola de Chriſto do trigo e ſizania, onde ſe diz, que o homem inimigo, dormindo os abegoes, ſobreſemeou ervilhaca.
<p style="text-indent:2em; margin-top:-1em">{{uso|Pl.}} Os que curão nos hoſpitaes. {{bib|BENT. PER.}} Theſ</p>
{{lema|ABEGARIA}}. {{catgram|s. f.}} Vej. ''Abegoaria''. {{bib|BENT. PER.}} Theſ
{{lema|ABEGOA}}. {{catgram|s. f.}} {{Def|Mulher do abegão.}} {{bib|JER. CARDOS.}} Dict. {{bib|BARBOS.}} Dic. {{bib|BENT. PER.}}
{{lema|ABEGOARIA}}. {{catgram|s. f.}} {{lema|Trem da agricultura, apparato de lavoura, que faz a riqueza do lavrador e o trafego ruſtico, como bois, gado, charruas, &c.}} {{bib|LEÃO}}, Orig. 8 díz que vem do Lar. Pecuaria. {{bib|M. DE FIGUEIR.}} Chronogr.2, 31 He bom... fazer ''abegoarias'', carros, e todo o genero de vitualhas, que lhe pertencer. {{bib|L. Arv.}} Serm. 1, 12, 2. n. 5 Se tem muitos creados, todos são neceſſarios para a fabrica de ſuas ''abegoarias''. {{bib|CARV.}} Chorogr. 2, I, 3. c. 3 E as mais dellas [Peninſulas] são hoje mui cultivadas com caſas de ''abegoaria'' e de recreação.
{{lema|ABEGOURA}}. {{catgram|s. f.}} Lavoura, ſementeira. {{bib|BENT. PER.}} Theſ
{{lema|ABEIJARUCO}}. {{catgram|s. m.}} ''O meſmo que Abelheiro, ou Abelharuco''. {{bib|BENT. PER.}} Theſ
{{lema|A'BEIRA}}. {{catgram|form. adv.}} Vej. Beira.
{{lema|ABEL}}. {{catgram|s. m.}} {{lema|Nome proprio de hum dos filhos de Adão.}} Tomaſe por homem ſanto, puro, e innocente. {{bib|VEIG.}} Laur. Ded. Sangue do Regio ''Abel'', que inda hoje choras. {{bib|Sous.}} Lagr. 2 Hoje he o día, que começa o voſſo Divino ''Abel'' a caminhar pera o campo, em que o eſpera a maior traição.
{{lema|ABELHA}}, {{catgram|s. m.}} {{Def|Certo inſecto bem conhecido que prepara a cera e o mel nas colmeas domeſticas, e ao qual os Entomologistas modernos chamão: Apis mellifica.}} No Syſtema de Linneo as abelhas em geral, tanto domeſticas, como ſilveſtres pertencem à divisão dos inſectos Hymnopreros, iſto he, dos que tem quatro azas membranoſas, nervoſas e ſem eſcamas algumas pulveriformes: as ſuas antennas são dobradas no meio em fórma de cotovelo, compoſtas de muitas peças, a primeira deſtas (que medeia entre a cabeça e eſpecie de cotovelo) mais comprida; as azas inferiores mais curtas do que as de cima; a bocca guarnecida de queixos, de lingoa e labio; no anus hum ferrão ſimples e aſſovelado, em cuja baſe ſe acha huma veſicula cheia de humor venenoſo , a qual, rebentando na ferroada do inſecto, cauſa grande inflammação; o ſeu ventre eſtá apegado ao peito por meio de hum curtiſſimo peciolo; tem poſteriormente entre os olhos hum ſtemma, ou eſpecie de corôa compoſta de tres pontinhos luzentes; em fim o ſeu corpo he ſempre mais ou menos felpudo. As abelhas domeſticas, de que ſomente aqui devemos fazer menção são pouco felpudas, tem à parte ſuperior do peito de côr griſea, o ventre fuſco, as pernas poſteriores celheadas, e eſtriadas por dentro tranſverſalmente. Vivem juntas em ſociedade, como todos ſabem, dentro de colmeas: neſtes domicilios achãoſe ordinariamente tres ſortes de abelhas: 1. huma, duas, ou tres femeas, à proporção da grandeza da morada; 2.° hum certo numero de machos de ſeſſenta até novecentos, conforme a grandeza da ſociedade, e habitação; 3.° as que nem são femeas nem machos, ou lhes faltão todos os orgãos ſexuaes; estas são as mais numeroſas, e ſe achão em cada colmea desde dez mil até quarenta mil; são chamadas neutras ; hybridas, e operarias, por ſerem de todas, as que compõe o enxame, as unicas, que trabalhão, fabricando os favos dos cortiços com a cera colhida do pó das antheras das flores, ajuntando e preparando o mel, e alimentando as larvas, que devem continuar a exiſtencia da ſua eſpecie. As femeas forão condecoradas por alguns Naturaliſtas antigos com os nomes de Abelhas meſtras, de Reis ou Rainhas das abelhas, e conſideradas como ſeu General derão sujeito muitos maravilhoſos contos. As abelhas femeas podem reconhecerſe pela ſua grandeza, porque são as maiores de todas as da colmea; as ſuas antennas são compoſtas de quinze peças; o ventre muito groſſo, mais comprido do que as azas, e compoſto de ſete ſegmentos; o ſeu ferrão he mais comprido do que o das demais abelhas, e hum tanto curtado para o ventre mas eſta arma ſervelhes de muito pouco, porque ordinariamente não ſahem do cortiço. As maſ-<noinclude></noinclude>
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{{bib|D. HILAR.}} Voz, 33, 181 A primeira [couſa] he o deſprezo do mundo, na ''abdicação'' e ''alheamento'' de todos os [bens] temporaes.
{{Parindent|{{Uso|Met.}} {{bib|D. HILAR.}} Voz, 6, 25 Os Santos, que deſta graça receberão muito, dizem, que mortificação ou negamento de ſi meſmo, não he ourra couſa, ſalvo hum eſquecimento de ſi meſmo, ou huma ''abdicação'' voluntaria de todo proprio querer e ſentir. {{bib|A. DE VASC.}} Anj. 2, 5, 2. parr. 7. p. 409 São João Climaco diſſe era a pobreza religiſa huma renunciação e abdicação dos cuidados das couſas ſeculares.}}
{{lema|ABDICAR}}. {{catgram|v. a.}} {{Uso|Juriſpr.}} {{Def|Deixar, renunciar voluntariamente alguma dignidade ou dominio ſem nomear ſucceſſor.}} Do Lat. Abdicare. Reg, ''alg''. c. ou ''alg''. c. de ''ſi''. {{bib|FR. LEÃO}}, Bened. 1. Prelud. 2, 2 ''Abdicando'' de ſi o dominio do que poſſuião. {{bib|VIEIR}}. Serm. 2, 1, 3. n. 14 Porque não ''abdicou'' a Mageſtade, porque não deixou de ſer Rainha ?
{{bib|SERR}}. Diſe. 1, 179 Eſtando na ſua mão... o exame do direito dos perrenſores da ſua coroa ''abdicou'' eſte poder legirimo de ſi.
{{Parindent|{{Uso|Met.}} {{Def|Deſiſtir de alguma couſa deixala por qualquer modo.}} {{bib|CEIT.}}. Quadrag. 1, 89, 3 Pelo que quando compramos a Deos (na fórma licita, em que iſto póde
ſer) como fez a Senhora, fica Deos, por especial modo e titulo, ſendo noſſo; mas quando o vendemos, he querer de todo ''abdicalo'' e alienalo de nós. {{bib|M. BERN.}} Floreſt. 2, 1, 255, C Porém por iſſo meſmo convem, que ſe tenhão por ſuſpeirolos de ſi meſmos, abdicando
de ſi o ſentencear precipitadamente.}}
{{Parindent|Com pron. peſſ. {{Def|Abdicarſe de alguma couſa. Dimittila de ſi, renunciala.}} {{bib|VELASC.}} Acclam. 32 Poſto que...os povos transferiſſem nos Reis ſeu poder e imperio, não foi abdicandoſe totalmente, dele. {{bib|D. F. MAN.}} Apol. 185 Suppoſto que nunca [os Principes] ſe abdicaſſem do ſeu exercicio. {{bib|M. BERN.}} Floreſt. 5, 4, 299, B Iſto antes de ter os exemplos de outros tres Padres deſta Congregação, que, nomeados em outros tres Biſpados, todos ſe abdicarão deſta honra e dignidade.}}
{{lema|ABDOMEN}}. {{catgram| s. m.}} {{uso|Anatom.}} {{Def|Barriga ventre, terceira e ultima cavidade do corpo humano, do diaphragma até o fim do tronco, ou o véo, que cobre os inteſtinos.}} Lar. ''Abdomen''. {{bib|MORAT.}} {{bib|LUZ}}, 5, I Nos affectos e inflammações, que ſobrevem ao ''abdomen'', e muſculos do ventre ſobre o embigo, ſe ſangra a vêa no artelho. {{bib|Azev.}} Correcç. 1, 3, 4. p. 285 E como eſtes eſtejão na região do ''abdomen'' por noſſo nome infima &c. {{bib|Curv.}} Polyanth. 1, 1, 4 Podem proceder os vomitos do ''abdomen'' pela communicação, que tem com o eſtomago.
{{lema|ABEBERA}}. {{catgram|s. f.}} {{uso|ant.}} Vej. Bebera. {{bib|BENT.}} {{bib|PER.}} Thes.
{{lema|ABECE}}. Vej. ABC.
{{lema|ABEBERADO, A}}. {{catgram|adj.}} {{uso|ant.}} {{Def|A que ſe deo de beber, que bebeo.}} Reg. ''com''. ou ''de''. {{bib|VIT. CHRIST.}} 3, 43, 105 Por vós encarnei eu, e converſei em as terras abertamente, e fui cuſpido e ferido com palmadas, crucificado, e ''abeverado'' de vinagre. {{bib|D. CATH. INF.}} Regr. 2, 17 Alli certamente todos aquelles, que hi são, mui avondoſamente são ''abeberados'' daquella fonre perennal. {{bib|D. HILAR. }} Voz, 35, 197 Chriſto Jeſu eſtendido na cruz ſe chamou cythara e pſalteiro, porque alli tocado com o martello e pregos, e ''abeberado'' com o fel e vinagre deo de ſi aquella voz mui ſonora, que &c.
{{lema|ABECEDARIO}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|Collecção das letras elementares de de huma lingoa poſtas por ordem, alphabeto, carta do ABC.}} {{bib|BRIT.}} Mon. 1, 2. rit. 3 Referindo primeiro o abecedario antigo. {{bib|AMAD. REBELL.}} Capit. 18 A cauſa de ſer eſta lingoa tão difficultoſa he eſcreverem os Chinas todas as ſuas coufas, não por letras de ''abecedario'', ſenão por cifras ou imagens. {{bib|M. BERN.}} Luz e Cal. 2, 3, 342 Eu ſou Alfa e Omega, a primeira e ultima letra
do ''abecedario''.
{{Parindent||{{Uso|Met.}} {{bib|M. BERN.}} Luz e Cal. I, 6, 138 Foi neceſſario áquelles Monges antigos inventar e compor hum novo ''abecedario'' de acções e acenos, para explicar os nomes mais geraes e preciſos.}}
{{Parindent|{{Def|Eſcrito ou obra feita por ordem alphabetica.}}{{bib|VIEIR.}} Serm. 4, 9, 2. n. 317 Os vicios da lingoa são tantos, que fez Drexelio hum abecedario inteiro e muito copioſo delles.}}
{{lema|ABECEDARIO, A}}. {{catgram|adj.}} {{uso|pouc. uſ.}} {{Def|Que reſpeita o alphabeto.}} {{bib|ROBOR.}} Raiz. 2 A palavra, que não estiver em ſeu lugar abecedario, hum pouco mais acima ou mais abaixo ſe achará — Port. 12 Porém todas as vezes, que acontecer ſer o derivado primeiro em ordem ''abecedaria'' &c.
{{lema|ABEGÃO}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|Feitor, aquelle, a que eſtá commettido pelo dono o cuidado e adminiſtração de huma quinta on herdade.}} {{bib|FERNAND.}} Palm. 3, 61 Não me parecia a mim máo pera voſſo companheiro, que ſe alugaſſe a hum ''abegão'' de boa graça, pera vindimar parreiras. {{bib|LOB.}} Ecl. 4 Acudiráo todavía Os ''abegões'' da ribeira. {{bib|CEIT.}} Serm. 1, 98, 3 E romou o Sanro a fraſe da parabola de Chriſto do trigo e ſizania, onde ſe diz, que o homem inimigo, dormindo os abegoes, ſobreſemeou ervilhaca.
<p style="text-indent:2em; margin-top:-1em">{{uso|Pl.}} Os que curão nos hoſpitaes. {{bib|BENT. PER.}} Theſ</p>
{{lema|ABEGARIA}}. {{catgram|s. f.}} Vej. ''Abegoaria''. {{bib|BENT. PER.}} Theſ
{{lema|ABEGOA}}. {{catgram|s. f.}} {{Def|Mulher do abegão.}} {{bib|JER. CARDOS.}} Dict. {{bib|BARBOS.}} Dic. {{bib|BENT. PER.}}
{{lema|ABEGOARIA}}. {{catgram|s. f.}} {{lema|Trem da agricultura, apparato de lavoura, que faz a riqueza do lavrador e o trafego ruſtico, como bois, gado, charruas, &c.}} {{bib|LEÃO}}, Orig. 8 díz que vem do Lar. Pecuaria. {{bib|M. DE FIGUEIR.}} Chronogr.2, 31 He bom... fazer ''abegoarias'', carros, e todo o genero de vitualhas, que lhe pertencer. {{bib|L. Arv.}} Serm. 1, 12, 2. n. 5 Se tem muitos creados, todos são neceſſarios para a fabrica de ſuas ''abegoarias''. {{bib|CARV.}} Chorogr. 2, I, 3. c. 3 E as mais dellas [Peninſulas] são hoje mui cultivadas com caſas de ''abegoaria'' e de recreação.
{{lema|ABEGOURA}}. {{catgram|s. f.}} Lavoura, ſementeira. {{bib|BENT. PER.}} Theſ
{{lema|ABEIJARUCO}}. {{catgram|s. m.}} ''O meſmo que Abelheiro, ou Abelharuco''. {{bib|BENT. PER.}} Theſ
{{lema|A'BEIRA}}. {{catgram|form. adv.}} Vej. Beira.
{{lema|ABEL}}. {{catgram|s. m.}} {{lema|Nome proprio de hum dos filhos de Adão.}} Tomaſe por homem ſanto, puro, e innocente. {{bib|VEIG.}} Laur. Ded. Sangue do Regio ''Abel'', que inda hoje choras. {{bib|Sous.}} Lagr. 2 Hoje he o día, que começa o voſſo Divino ''Abel'' a caminhar pera o campo, em que o eſpera a maior traição.
{{lema|ABELHA}}, {{catgram|s. m.}} {{Def|Certo inſecto bem conhecido que prepara a cera e o mel nas colmeas domeſticas, e ao qual os Entomologistas modernos chamão: Apis mellifica.}} No Syſtema de Linneo as abelhas em geral, tanto domeſticas, como ſilveſtres pertencem à divisão dos inſectos Hymnopreros, iſto he, dos que tem quatro azas membranoſas, nervoſas e ſem eſcamas algumas pulveriformes: as ſuas antennas são dobradas no meio em fórma de cotovelo, compoſtas de muitas peças, a primeira deſtas (que medeia entre a cabeça e eſpecie de cotovelo) mais comprida; as azas inferiores mais curtas do que as de cima; a bocca guarnecida de queixos, de lingoa e labio; no anus hum ferrão ſimples e aſſovelado, em cuja baſe ſe acha huma veſicula cheia de humor venenoſo , a qual, rebentando na ferroada do inſecto, cauſa grande inflammação; o ſeu ventre eſtá apegado ao peito por meio de hum curtiſſimo peciolo; tem poſteriormente entre os olhos hum ſtemma, ou eſpecie de corôa compoſta de tres pontinhos luzentes; em fim o ſeu corpo he ſempre mais ou menos felpudo. As abelhas domeſticas, de que ſomente aqui devemos fazer menção são pouco felpudas, tem à parte ſuperior do peito de côr griſea, o ventre fuſco, as pernas poſteriores celheadas, e eſtriadas por dentro tranſverſalmente. Vivem juntas em ſociedade, como todos ſabem, dentro de colmeas: neſtes domicilios achãoſe ordinariamente tres ſortes de abelhas: 1. huma, duas, ou tres femeas, à proporção da grandeza da morada; 2.° hum certo numero de machos de ſeſſenta até novecentos, conforme a grandeza da ſociedade, e habitação; 3.° as que nem são femeas nem machos, ou lhes faltão todos os orgãos ſexuaes; estas são as mais numeroſas, e ſe achão em cada colmea desde dez mil até quarenta mil; são chamadas neutras ; hybridas, e operarias, por ſerem de todas, as que compõe o enxame, as unicas, que trabalhão, fabricando os favos dos cortiços com a cera colhida do pó das antheras das flores, ajuntando e preparando o mel, e alimentando as larvas, que devem continuar a exiſtencia da ſua eſpecie. As femeas forão condecoradas por alguns Naturaliſtas antigos com os nomes de Abelhas meſtras, de Reis ou Rainhas das abelhas, e conſideradas como ſeu General derão sujeito muitos maravilhoſos contos. As abelhas femeas podem reconhecerſe pela ſua grandeza, porque são as maiores de todas as da colmea; as ſuas antennas são compoſtas de quinze peças; o ventre muito groſſo, mais comprido do que as azas, e compoſto de ſete ſegmentos; o ſeu ferrão he mais comprido do que o das demais abelhas, e hum tanto curtado para o ventre mas eſta arma ſervelhes de muito pouco, porque ordinariamente não ſahem do cortiço. As maſ-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>16 {{cab|ABD}}
{{bib|D. HILAR.}} Voz, 33, 181 A primeira [couſa] he o deſprezo do mundo, na ''abdicação'' e ''alheamento'' de todos os [bens] temporaes.
{{Parindent|{{Uso|Met.}} {{bib|D. HILAR.}} Voz, 6, 25 Os Santos, que deſta graça receberão muito, dizem, que mortificação ou negamento de ſi meſmo, não he ourra couſa, ſalvo hum eſquecimento de ſi meſmo, ou huma ''abdicação'' voluntaria de todo proprio querer e ſentir. {{bib|A. DE VASC.}} Anj. 2, 5, 2. parr. 7. p. 409 São João Climaco diſſe era a pobreza religiſa huma renunciação e abdicação dos cuidados das couſas ſeculares.}}
{{lema|ABDICAR}}. {{catgram|v. a.}} {{Uso|Juriſpr.}} {{Def|Deixar, renunciar voluntariamente alguma dignidade ou dominio ſem nomear ſucceſſor.}} Do Lat. Abdicare. Reg, ''alg''. c. ou ''alg''. c. de ''ſi''. {{bib|FR. LEÃO}}, Bened. 1. Prelud. 2, 2 ''Abdicando'' de ſi o dominio do que poſſuião. {{bib|VIEIR}}. Serm. 2, 1, 3. n. 14 Porque não ''abdicou'' a Mageſtade, porque não deixou de ſer Rainha ?
{{bib|SERR}}. Diſe. 1, 179 Eſtando na ſua mão... o exame do direito dos perrenſores da ſua coroa ''abdicou'' eſte poder legirimo de ſi.
{{Parindent|{{Uso|Met.}} {{Def|Deſiſtir de alguma couſa deixala por qualquer modo.}} {{bib|CEIT.}} Quadrag. 1, 89, 3 Pelo que quando compramos a Deos (na fórma licita, em que iſto póde
ſer) como fez a Senhora, fica Deos, por especial modo e titulo, ſendo noſſo; mas quando o vendemos, he querer de todo ''abdicalo'' e alienalo de nós. {{bib|M. BERN.}} Floreſt. 2, 1, 255, C Porém por iſſo meſmo convem, que ſe tenhão por ſuſpeirolos de ſi meſmos, abdicando de ſi o ſentencear precipitadamente.}}
{{Parindent|Com pron. peſſ. {{Def|Abdicarſe de alguma couſa. Dimittila de ſi, renunciala.}} {{bib|VELASC.}} Acclam. 32 Poſto que...os povos transferiſſem nos Reis ſeu poder e imperio, não foi abdicandoſe totalmente, dele. {{bib|D. F. MAN.}} Apol. 185 Suppoſto que nunca [os Principes] ſe abdicaſſem do ſeu exercicio. {{bib|M. BERN.}} Floreſt. 5, 4, 299, B Iſto antes de ter os exemplos de outros tres Padres deſta Congregação, que, nomeados em outros tres Biſpados, todos ſe abdicarão deſta honra e dignidade.}}
{{lema|ABDOMEN}}. {{catgram| s. m.}} {{uso|Anatom.}} {{Def|Barriga ventre, terceira e ultima cavidade do corpo humano, do diaphragma até o fim do tronco, ou o véo, que cobre os inteſtinos.}} Lar. ''Abdomen''. {{bib|MORAT.}} {{bib|LUZ}}, 5, I Nos affectos e inflammações, que ſobrevem ao ''abdomen'', e muſculos do ventre ſobre o embigo, ſe ſangra a vêa no artelho. {{bib|Azev.}} Correcç. 1, 3, 4. p. 285 E como eſtes eſtejão na região do ''abdomen'' por noſſo nome infima &c. {{bib|Curv.}} Polyanth. 1, 1, 4 Podem proceder os vomitos do ''abdomen'' pela communicação, que tem com o eſtomago.
{{lema|ABEBERA}}. {{catgram|s. f.}} {{uso|ant.}} Vej. Bebera. {{bib|BENT.}} {{bib|PER.}} Thes.
{{lema|ABECE}}. Vej. ABC.
{{lema|ABEBERADO, A}}. {{catgram|adj.}} {{uso|ant.}} {{Def|A que ſe deo de beber, que bebeo.}} Reg. ''com''. ou ''de''. {{bib|VIT. CHRIST.}} 3, 43, 105 Por vós encarnei eu, e converſei em as terras abertamente, e fui cuſpido e ferido com palmadas, crucificado, e ''abeverado'' de vinagre. {{bib|D. CATH. INF.}} Regr. 2, 17 Alli certamente todos aquelles, que hi são, mui avondoſamente são ''abeberados'' daquella fonre perennal. {{bib|D. HILAR. }} Voz, 35, 197 Chriſto Jeſu eſtendido na cruz ſe chamou cythara e pſalteiro, porque alli tocado com o martello e pregos, e ''abeberado'' com o fel e vinagre deo de ſi aquella voz mui ſonora, que &c.
{{lema|ABECEDARIO}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|Collecção das letras elementares de de huma lingoa poſtas por ordem, alphabeto, carta do ABC.}} {{bib|BRIT.}} Mon. 1, 2. rit. 3 Referindo primeiro o abecedario antigo. {{bib|AMAD. REBELL.}} Capit. 18 A cauſa de ſer eſta lingoa tão difficultoſa he eſcreverem os Chinas todas as ſuas coufas, não por letras de ''abecedario'', ſenão por cifras ou imagens. {{bib|M. BERN.}} Luz e Cal. 2, 3, 342 Eu ſou Alfa e Omega, a primeira e ultima letra
do ''abecedario''.
{{Parindent||{{Uso|Met.}} {{bib|M. BERN.}} Luz e Cal. I, 6, 138 Foi neceſſario áquelles Monges antigos inventar e compor hum novo ''abecedario'' de acções e acenos, para explicar os nomes mais geraes e preciſos.}}
{{Parindent|{{Def|Eſcrito ou obra feita por ordem alphabetica.}}{{bib|VIEIR.}} Serm. 4, 9, 2. n. 317 Os vicios da lingoa são tantos, que fez Drexelio hum abecedario inteiro e muito copioſo delles.}}
{{lema|ABECEDARIO, A}}. {{catgram|adj.}} {{uso|pouc. uſ.}} {{Def|Que reſpeita o alphabeto.}} {{bib|ROBOR.}} Raiz. 2 A palavra, que não estiver em ſeu lugar abecedario, hum pouco mais acima ou mais abaixo ſe achará — Port. 12 Porém todas as vezes, que acontecer ſer o derivado primeiro em ordem ''abecedaria'' &c.
{{lema|ABEGÃO}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|Feitor, aquelle, a que eſtá commettido pelo dono o cuidado e adminiſtração de huma quinta on herdade.}} {{bib|FERNAND.}} Palm. 3, 61 Não me parecia a mim máo pera voſſo companheiro, que ſe alugaſſe a hum ''abegão'' de boa graça, pera vindimar parreiras. {{bib|LOB.}} Ecl. 4 Acudiráo todavía Os ''abegões'' da ribeira. {{bib|CEIT.}} Serm. 1, 98, 3 E romou o Sanro a fraſe da parabola de Chriſto do trigo e ſizania, onde ſe diz, que o homem inimigo, dormindo os abegoes, ſobreſemeou ervilhaca.
<p style="text-indent:2em; margin-top:-1em">{{uso|Pl.}} Os que curão nos hoſpitaes. {{bib|BENT. PER.}} Theſ</p>
{{lema|ABEGARIA}}. {{catgram|s. f.}} Vej. ''Abegoaria''. {{bib|BENT. PER.}} Theſ
{{lema|ABEGOA}}. {{catgram|s. f.}} {{Def|Mulher do abegão.}} {{bib|JER. CARDOS.}} Dict. {{bib|BARBOS.}} Dic. {{bib|BENT. PER.}}
{{lema|ABEGOARIA}}. {{catgram|s. f.}} {{lema|Trem da agricultura, apparato de lavoura, que faz a riqueza do lavrador e o trafego ruſtico, como bois, gado, charruas, &c.}} {{bib|LEÃO}}, Orig. 8 díz que vem do Lar. Pecuaria. {{bib|M. DE FIGUEIR.}} Chronogr.2, 31 He bom... fazer ''abegoarias'', carros, e todo o genero de vitualhas, que lhe pertencer. {{bib|L. Arv.}} Serm. 1, 12, 2. n. 5 Se tem muitos creados, todos são neceſſarios para a fabrica de ſuas ''abegoarias''. {{bib|CARV.}} Chorogr. 2, I, 3. c. 3 E as mais dellas [Peninſulas] são hoje mui cultivadas com caſas de ''abegoaria'' e de recreação.
{{lema|ABEGOURA}}. {{catgram|s. f.}} Lavoura, ſementeira. {{bib|BENT. PER.}} Theſ
{{lema|ABEIJARUCO}}. {{catgram|s. m.}} ''O meſmo que Abelheiro, ou Abelharuco''. {{bib|BENT. PER.}} Theſ
{{lema|A'BEIRA}}. {{catgram|form. adv.}} Vej. Beira.
{{lema|ABEL}}. {{catgram|s. m.}} {{lema|Nome proprio de hum dos filhos de Adão.}} Tomaſe por homem ſanto, puro, e innocente. {{bib|VEIG.}} Laur. Ded. Sangue do Regio ''Abel'', que inda hoje choras. {{bib|Sous.}} Lagr. 2 Hoje he o día, que começa o voſſo Divino ''Abel'' a caminhar pera o campo, em que o eſpera a maior traição.
{{lema|ABELHA}}, {{catgram|s. m.}} {{Def|Certo inſecto bem conhecido que prepara a cera e o mel nas colmeas domeſticas, e ao qual os Entomologistas modernos chamão: Apis mellifica.}} No Syſtema de Linneo as abelhas em geral, tanto domeſticas, como ſilveſtres pertencem à divisão dos inſectos Hymnopreros, iſto he, dos que tem quatro azas membranoſas, nervoſas e ſem eſcamas algumas pulveriformes: as ſuas antennas são dobradas no meio em fórma de cotovelo, compoſtas de muitas peças, a primeira deſtas (que medeia entre a cabeça e eſpecie de cotovelo) mais comprida; as azas inferiores mais curtas do que as de cima; a bocca guarnecida de queixos, de lingoa e labio; no anus hum ferrão ſimples e aſſovelado, em cuja baſe ſe acha huma veſicula cheia de humor venenoſo , a qual, rebentando na ferroada do inſecto, cauſa grande inflammação; o ſeu ventre eſtá apegado ao peito por meio de hum curtiſſimo peciolo; tem poſteriormente entre os olhos hum ſtemma, ou eſpecie de corôa compoſta de tres pontinhos luzentes; em fim o ſeu corpo he ſempre mais ou menos felpudo. As abelhas domeſticas, de que ſomente aqui devemos fazer menção são pouco felpudas, tem à parte ſuperior do peito de côr griſea, o ventre fuſco, as pernas poſteriores celheadas, e eſtriadas por dentro tranſverſalmente. Vivem juntas em ſociedade, como todos ſabem, dentro de colmeas: neſtes domicilios achãoſe ordinariamente tres ſortes de abelhas: 1. huma, duas, ou tres femeas, à proporção da grandeza da morada; 2.° hum certo numero de machos de ſeſſenta até novecentos, conforme a grandeza da ſociedade, e habitação; 3.° as que nem são femeas nem machos, ou lhes faltão todos os orgãos ſexuaes; estas são as mais numeroſas, e ſe achão em cada colmea desde dez mil até quarenta mil; são chamadas neutras ; hybridas, e operarias, por ſerem de todas, as que compõe o enxame, as unicas, que trabalhão, fabricando os favos dos cortiços com a cera colhida do pó das antheras das flores, ajuntando e preparando o mel, e alimentando as larvas, que devem continuar a exiſtencia da ſua eſpecie. As femeas forão condecoradas por alguns Naturaliſtas antigos com os nomes de Abelhas meſtras, de Reis ou Rainhas das abelhas, e conſideradas como ſeu General derão sujeito muitos maravilhoſos contos. As abelhas femeas podem reconhecerſe pela ſua grandeza, porque são as maiores de todas as da colmea; as ſuas antennas são compoſtas de quinze peças; o ventre muito groſſo, mais comprido do que as azas, e compoſto de ſete ſegmentos; o ſeu ferrão he mais comprido do que o das demais abelhas, e hum tanto curtado para o ventre mas eſta arma ſervelhes de muito pouco, porque ordinariamente não ſahem do cortiço. As maſ-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>{{cab|ABE}}
maſculas vulgarmente chamadas zangáos (''fuci'') são menos compridas do que as femeas, porém mais groſſas do que as operarias; as ſuas antennas tem ſómente onze peças; os olhos são muito maiores do que os das operarias; o peito mais felpudo, e o ventre mais lizo; não tem ferrão, e em lugar delle tem o genital deſtinado á fecundação dos ovos. As operarias são as mais pequenas de todas; as ſuas anténnas conſtão de quinze peças, como as das femeas, mas os ſeus olhos são mais pequenos tem ferrão e ſete ſegmentos ou anneis no ventre; além diſto podem ainda ſer reconhecidas por terem humas certas eſcovinhas na parte interior das ſuas coxas poſteriores, as quaes lhes fervem para ajuntar a materia da cera: eſtas eſcovinhas são maiores nas operarias do que nas maſculas, e faltão nas femeas. Todas
eſtas abelhas tem na cabeça lateralmente dous queixos, e entre elles huma eſpecie de tromba ou lingoa acompanhada de duas laminas duras e eſcamoſas; eſta tromba com os ſeus eſtojos he mais comprida nas operarias do que nas maſculas. As femeas; e maſculas ſervem
unicamente para a propagação da eſpecie. Comtudo as maſculas não tem cóito algum com as abelhas meftras, nem conſtituem o ſeu ſerralho, como alguns Naturaliſtas penſárão, os ſeús deveres ſexuaes limirãoſe meramente a fecundar os ovos por hum modo analogo ào dos peixes. Na primavera a femea ou femeas vão correndo pelos favos de cellula em cellula, e no fundo de cada
huma dellas põe hum ovo. As maſculas cuidão com toda a brevidade em fecundar eſtes óvos, eſparzindo ſobre cada hum delles o líquido eſpermatico. Dentro de poucos dias ſahe de cada ovo hum bichinho branco, a que os Entomologistas chamão larva. As operarias poe
em continente todo o cuidado em alimentar eſtas larvas, até que ellas ſe poſsão mudar em nymphas, iſto he, em abelhinhas brancas, molles, e tenrinhas. Chegado eſte periodo, as operarias põe huma tampa no orificio de cada cellula, encerrando aſſim as nymphas, até que
eſtas, cobrando força e conſiſtencia, poſsão com ſeus queixos romper a ſobredita tampa, e ſahir já formadas abelhas perfeitas das tres differentes fortes acima mencionadas. As larvas deſtas diverſas ſortes de abelhas são nutridas e alojadas em differentes cellulas, as quaes as
operarias por hum inſtincto particular ſabem fabricar de figura, grandeza, e numero adequado. As cellulas, em que devem ſer poſtos os óvos de que hão de ſahir as larvas das maſculas, são exagonas, como as das operarias, porém maiores e ſituadas ordinariamente na borda dos favos. As que são deſtinadas para as femeas (chamadas vulgarmente cellulas reaes) são ainda maiores, mais fortes, e de figura redonda. As cellulas das larvas, de que devem ſahir as operarias, são as mais eſtreitas
e mais pequenas de todas. As larvas das abelhas meſtras são tiradas pelas operarias deſtas ultimas cellulas, e poſtas nas cellulas reaes, cuja deſaſogada largueza contribue tanto para lhes fazer perfeitamente deſenvolver os orgãos ſexuaes femineos, quanto a eſtreiteza das cellulas das larvas das neutras concorre para fazer obliterar os meſmos orgãos nas ditas neutras, até ficarem inteiramente inviſiveis. Em quanto as maſculas são neceſſarias para a propagação da eſpecie, são tratadas pelas operarias com ſummo deſvélo, mas apenas são reconhecidas oneroſas e inuteis, eſte deſvélo he mudado em crueldade. Desde o mez de Junho ou principio de Julho as operarias começão a matar com ferroadas todas as maſculas da colmêa, ſem perdoar nem ainda meſmo ás ſuas nymphas e larvas. Acabada eſta cruel mortandade,
operarias tornão aos ſeus coſtumados trabalhos. A abelha meſtra vai continuando a pôr, e dos ſeus óvos ſe vão renovando os machos, e femeas. A's vezes ſuccede haver duas ou tres femeas em huma colmêa; ſe eſta não he demaſiadamente numeroſa, ellas vivem ſem perturbação; mas ſe ella he numeroſa, e ſe as operarias temem grande multiplicação, principalmente ſendo na
entrada do inverno, matão então todas as femeas, como tinhão feito aos machos, e deixão ſó huma, que baſta para a propagação futura. Se eſta perece, as operariás, perdendo toda a eſperança de multiplicação, deſanimão de ſeus trabalhos, e morrem todas em breve tempo. Como os óvos de huma ſó femea são numeroſos, ſe eſta continúa a viver, os habitantes, da colmêa, não podendo dentro de certo eſpaço de tempo caber nella, são obrigados a deixala, e ir buſcar novo domicilio. Eſtas novas colonias são chamadas enxames.. Sáo todos compoſtos de operarias novas, e velhas, de huma femea, e de alguns machos. Logo que eſcolherão lugar
de habitação, as operarias começão ſuas lidas da meſma forte, que as das colmêas, de que são originarias, tinhão praticado. {{bib|FERN.}} Lor. Chr. de D. J. I.2, 144 Ca das ''abelhas'' naturalmente vemos, que huma ſó he principal
e regedor dellas. {{bib|CAM.}} Ecl. 2, 39 Nem as hervas das agoas deſejadas Se fartão nem de flores as ''abelhas''. {{bib|VIEIR.}} Serm. 6, 3, 6. n. 98 He proprio da abelha, em picando, cahir morta.
<p style="text-indent:2em; margin-top:-1em"> {{catgram|Subſt}} ''Cortiço de abelhas''. {{bib|GOES}}, Chr. de D. Man. 3, 35. ''Enxame de'' ... {{bib|SOVER.}} Hiſt. 3, 6. ''Segredo dá''... {{bib|BLUT.}} Vocab.</p>
<p style="text-indent:2em; margin-top:-1em"> {{Uso|Epith.}} ''Artificioſa''. {{bib|BARRET.}} Flos Sanct. 2, 331, 2.
''Aſtuta''. {{bib|PER.}} Elegiad. 3, 37 y. ''Cuidadoſa''. {{bib|BARRET.}} Flos Sanct. 1, 187, 1. ''Diligente''. {{bib|S. ANN.}} Chr. I, 44, 263. ''Doce'', {{bib|CAM}}, Ecl. 5, 21. ''Engenhoſa''. {{bib|ALV. DA CUNH.}} Eſcol. 12, 9. ''Induſtrioſa''. {{bib|HEIT. PINT.}} Dial. 2, 2, 4. ''Mellifera''.{{bib|CAM}}, Eleg. 6, 5. ''Mellifica''. {{bib|CURV.}} Obſerv. 20, 5. ''Mimoſa''. {{bib|LOB.}} Primav. 2, 7. Proveitoſa. {{bib|SEPULCHR.}} Refeiç. 1. Prol. I.; 5. ''Prudente''. {{bib|PER.}} Elegiad. 10, 135 . ''Pura''. {{bib|ESPER.}} Hiſt. 2, 6, 27. n. 4. ''Sábia''. {{bib|Ros.}} Hiſt. 2, 199, 3. ''Solicita''. {{bib|CAM}} Ecl. 5, 21.
{{bib|M. BERN.}} Paraiſ. 56.</p>
<p style="text-indent:2em; margin-top:-1em">Abelha meſtra. ''A maioral das abelhas, que rege e guia o enxame.'' {{bib|HEIT. PINT.}} Dial. 2, 4, 2 A ''abelha
meſtra'', que rege todas as outras, ainda que tem aguilhão, não uſa delle, como o diz Plinio; ou ao menos, raramente. {{bib|PER.}} Elegiad. 5, 63 O que viſto dos ſeus, a Todo o prigo Todos vão apos elle: como quando Deſgarra a ''meſtra abelha'', o doce abrigo A outro tronco concavo mudando. {{bib|ARR.}} Dial. 5, 1 A ''abelha meſtra''; que governando as outras, não tem aguilhão, com que laſtime &c.</p>
<p style="text-indent:2em; margin-top:-1em"> {{Maroon|Met.}} {{bib|FERR. DE VASC.}} Aulegr. 4, 5 E voſſa comadre, ''abelha mestra''?</p>
<p style="text-indent:2em; margin-top:-1em">Rei das abelhas. ''O meſmo que Abelha meſtra''. {{bib|ARR.}} Dial. 5, Deſarmado criou a natureza o ''Rei das abelhas'', e com menores azas. {{bib|FERNAND. GALV.}} Serm. 1, 43, 3 Diz Seneca, que o ''Rei das abelhas'' não tem aguilhão, com que magoe. {{bib|LEON. DA COST.}} Georg. 4, 115. not. a Ariſtoteles no livro quinTo, tratando dos ''Reis das abelhas'', diz que ha dous generos; hum delles louro, e eſte he o melhor; e o outro negro e mais vario, e que são maiores duas vezes, que as outras abelhas.</p>
:{{uso|Adag.}} ''Abelha'' e ovelha e a penna de traz da orelha e parte na Igreja deſejava para ſeu filho a velha. {{bib|DELIC.}} Adag. 168.<br>
''Abelhas'' e ovelhas tem ſuas defezas. {{bib|DELIC.}} Adag. 82.<br>
Anno de ovelhas, anno de abelhàs. {{bib|DELIC.}} Adag, 82.<br>
De Deos vem o bem, e das ''abelhas'' o mel {{bib|DELIC.}} Adag. 106.<br>
Diz a ''abelha'': trazeme cavalleira, dartehei mel e cera. {{bib|DELIC.}} Adag. 21.<br>
Miguel, Miguel, não tens ''abelhas'' e vendes mél. {{bib|DELIC.}} Adag. 111.<br>
Morta he a ''abelha'', que dava mel è cera. {{bib|DELIC.}} Adag. 22.<br>
Morto por morto antes á ''abelha'', que ao porco. {{bib|HERN.}} Nun, Refran. 94.<br>
Não morde a ''abelha'', ſenão a quem trata com ella. {{bib|BLUT.}} Vocab.<br>
O Rei das ''abelhas'' não tem aguilhão. {{bib|DELIC.}} Adag. 167.<br>
Quando te vires (ou eſtiveres) morto tornate á ''abelha'' e ao porco. {{bib|DELIC.}} Adag. 12. {{bib|HERN.}} NUN. Refran. 94.<br>
Quanto chupa a ''abelha'', mel torna, e quanto a aranha; peçonha. {{bib|DELIC.}} Adag. 12.<br>
Quem tem ''abelha'', ovelha, e moinho entra com el Rei em deſafio. {{bib|DELIC.}} Adag. 14.<br>
Vaiſe o bem para o bem, e as ''abelhas'' para o mel. {{bib|DELIC.}} Adag. 15.<br>
{{lema|ABELHA}}., {{catgram|s. f.}} ''Certa planta.'' He huma das da familia natural das Orchideas, á qual algúns Botanicos modernos da eſcola de Linneo chamão ''Ophrys myodes'', pela razão da ſua flor ſe aſſemelhar de algum modo a huma grande moſca ou abelha. Na ſua raiz ha hum bolbo baſtardo hum tanto redondo e compreſſo, ſemelhante ao Salepo. O ſeu caule tem quaſi meio pé de alto, he guarnecido de algumas folhas rentes e lanceoladas, e terminado ſimplesmente em huma eſpiga de cinco até oi-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>326 ANT
meando entre Portuguezes Viana fingellamente, te entenderá efta noffa, de que ao prefente tratamos, pela figura, que os Rhetoricos chamão antonomafia ou excellencia. VIEIR. Serm. 4, 1, 8. n. 36 As palavras do Santo Apoftolo, entre todos por antonomafia o Theologo,
no capitulo quinto são eftas.
{{lema|ANTONOMASTICO, A.}} {{catgram|adj.}} De antonomafia on pertencente à antonomafia. {{bib|CARLOS}}. Agiol. 2, 644 Acquirindo
com tão estranho rigor o antonomaftico nome de Trichi-
nas.
Subft. O mefimo que Antonomafia. M. BEкN. Flo-
reft. 4, 1, 492 S. João Efmoler (que com muita juf-
tiça fe levantou com efte gloriofo autonomaftico ) tinha
já tão palpado cfte facco, do que diva &c.
{{lema|ANTONTEM}}. adv. temp. Vej. Ante hontem.
ANTORA. adv. temp. ant. Antes de tempo. De Antes e
Hora por contracção. GIL Vic. Obr. 3, 179 Que he,
c vós chorais autora.
ANTORCHADO. s. m. antiq. T. de Alfaiate. Certo orna-
to, de que fe ufava antigamente nos veftidos. Leis EXTRAY.
4, 1, 4 E fe em ingar do dito debrum, antes quize-
rem trazer hum paflamane, autrochado, frocco, ou ef-
piguilha de sêda, ou retrós pelas bordas dos golpes, os
poderão trazer fem mistura de ouro ou prata.
ANTRAMBOS. ant. contracção. de Antre ambos.
ANTRAZ. s. m. O mefo que Carbunculo. Do Lat. An-
trex. A. DA CRU, Recep. 2, 3 Carbunculo e antraz
são quafi huma mefma coufa, e differem, fegundo mais
ou micnos, como diz Guido; porque antraz não he ou-
tra coufa fenão carbunculo arruinado. Cuav. Polyanth. 1.
cap. unic. 5, 24 Se o chamavão antes de apparecer al-
gum bubão, antraz, ou pinta, davalhes vomitorios de
crocus metallorum.
ANTRE. prep. ant. O mefmo que Entre, e he como hoje
fe diz e emendão Leão, Orrhogr. e BARRET. Orthogr.
266. Mas os Autores antigos geralmente efcreverão affim
efta voz, tanto feparada a prepofição, como compofta.
Os pofteriores a mudarão em entre quali fempre nos vo-
cabulos compoftos; alguns porém, conformandofe antes
a etymologia Latina, os começão por inter, e aflim di-
zem: interlinba, interpor, interlocutor, &c. ALBUQ. Comm.
1, 10. CORT. R. Naufr. 9, 86. Luc. Vid. 2, 12.
ANTRECAMBADO, A. adj. ant. Armar. Misturado, mefclado. Fr. Leão, Bened. 2, 2. Append. E quatro folhas de figueira de verde antrecambadas, e timbre &c.
ANTRECAMBAMENTO. s. in. antiq. Mistura, mesela. D. CATH. INF. Regr. 2, 1 Acerca do qual [fenhor] não hahi mudamento, nem antrecambamento de efcuridão ou defeito.
ANTRECORRER. v. a. antiq. Contrabir. SABELL. Encid.
1, 3, 12 Os facerdotes rapão os corpos cada tres dias
por não autrecorrer nenhuma çujidade.
ANTREDANHA. s. f. antiq. U mefmo que Entranha. Commummente fe ula no plural. Vir. CHRIST I, 13, 43
Porque a efto, que ouvio, fe revolverom todas fuas
antredanbas. SABEIL. Encid. 1, 4, 23 E tambem elle
foi o primeiro, que tirou ahi agoa das antredanbas da
terra, cavando poços altos pera iflo. CANCION. 2, 3 Mas
tu fufpiras, que corras Alma, bófes, antredanbas,
Não allegas com cftranhas Teftemunhas, que são mortas.
ANTREDITO. s. m. antiq. O mefimo que intredito. REGR.
DA ORD. DE SANTIAG. 2; y. VERCIAL, Sacram. 2, 54,
54.
ANTREDUZIR. v. a. antiq. O mefino que Introduzir. Fr.
A. DE S. Dos. Vid. 201, 1.
ANTRELLES. ant. contracção de Antre elles. BARR. Vi
cios. Vergonh, 12 y. ALBUQ. Coma. I, 5. FR. GASP.
DA CRUZ, Tr. 4, 1.
ANTREFEITO, A. adj. antiq. Feito entre. PROV. DA HIST.
GEN. 1, 3, 31. p. 468. ann. 1429 Contrato do cafamen-
to antrefeito com o Duque Filippe de Borgonha e a In-
fante Dona Ifabel.
ANTREGUE. adj. de huma term. antiq. O mefmo que En-
tregue. TELL. Chr. 1, 2, 32. 11. 5.
ANTRELINHA. s. f. antiq. O mefimo que Intrelinha. CAN:
CION. 25, 2. FERR. DE VASC. Ulyllip. 3, 4. PROV. DA
HIST. GEN. 2, 4, 2. part. 3. ann. 1445.
ANTREMETTER. v. a. antiq. O mefimo que Entremetter.
D. CATH. INF. Regr. 1, 7. VERCIAL, Sacram. I, 35,
30 V. CASTANH. Hift. 2, 6.
ANTREMETTIDO, A. p. p. de Antremetter. CASTANH.
Hift. 2, 5. D. GASP.. DE LEÃO, Tr. 12, 47 .
ANTREMETTIMENTO. s. m. antiq. O mefimo que Entre-
méttimento. D. CATH. INF. Regr. 1, 7.
ANT
ANTREMEZ. s. m. antiq. O mesmo que Entremez. CAN
CION. 25, 2. FERR. DE VASC. Ulyffip. 2, 7. CART. DE
JAP. 1, 285, 2.
>
C
ANTREPOIMENTO. s. m. antiq. Intrepofição. D. CATH
INF. Regr. 2, 17 Aquella [fabedoria] certamente, que
per quaclquer conjunturas fe pode haver e receber, ain-
daque afague e feja branda aos humanaes fentidos
que de golto ao coração, pero já mais nom poderá dar
chcia, nem acabada fartura; e por feus antrepoimentos
e mudança faz o coração do amante fem folgança,
canfao. Azur. Chr. 3, 36 Oh quanto minha vontade de
fejava chegar ao fim defta victoria fem algum antrepoi-
mento de trifteza.
ANTREPOSTO, A. p. p. O mefmo que Intrepofto. OR-
DEN. DE D. MAN. 1, 1.
ANTRESACHADO, A. p. p. antiq. O mefmo que Entre-
fachado. HEIT. PINT. Dial. 2, 3, 22.
ANTRESEIO. s m. antiq. O memo que Entrefeio. Eu-
FROS. 5, 5.
ANTRESOLHO, s. m. antiq. O mefmo que Entrefolho.
FERR. DE VASC. Aulegr. 3, 4. A. GALV. Tr. 26 y.
ANTRETALHADO, A. p. p. antiq. O mefimo que Entre-
talhado. CASTANH. Hift. 3, 75.
ANTRETALHO. s. m. antiq. O mefmo que Entretalho.
REGR. DA ORD. DE SANTIAG. da ediç. de 50y. 76, 1.
RESEND. Chr. 127. DESCOBR. DA FROLID. 8.
ANTRETANTO. adv. antiq. O mefimo que Entretanto. FERR.
DE VASC. Ulyip. 2, 4.
ANTRETER. v. a. antiq. O mesmo que Entreter. CASTANH.
Hift. 6, 114. PAIV. Serm. 1, 138.
ANTREVALLO. s. m. antiq. O mefmo que Intervallo. FR.
G. na Sv. Vid. 1, 23. ORDEN. DE D. MAN. 1, 67.
PAIX. DE JES. CHRIST. 10, 15.
ANTRO. s. m. Cova,, caverna, gruta formada pela na-
tureza. Do Lat. Antrian. FR. SIM. COELU. Chr. 1, 1,
I Cujo antro frequentava pera efte effeito. MAUS. Aff.
Afr. 5, 81 Ou quaes do pafto de Hybla florefcente
Se recolhem nos antros as abelhas, F. DE MENDOÇ. Serm.
2, 181, 3 Comparou [Erafmo] aquelle antro ou lapa
de Bethlem, em que S. Jeronymo fe recolheo, com o
templo Delphico do Sol.
ANTRODUCÇÃO. s. f. antiq. O mefmo que Introducção.
VIT. CHRIST. 1, 39, 125 .
ANULLAÇÃO. s. f. Aeção e effeito de anullar. Fr. Six.
COELH. Chr. 2, 16, 166 E vai acrecentando as annd-
lações das ditas Ordens. D. GASP. DE Leão, Tr 9, 36
Porém como provaremos a anullação dos facrificios? MON-
TEIR. Art. 26, 23 Voto folemne he o mefimo, que vo-
to, que prohibe e anulla matrimonio futuro; 'em fórma,
que fenão tiver efta efficacia de anullação, de nenhum
modo he folemne.
He
ANULLADO, A. p. p. de Anullar. HEIT. PINT. Dial.
25 15. MEND. DE VASC. Art. 45. Sous. Vid. 3, 22.
ANULLAR. v. a. Invalidar, abrogar, declarar ou dar por
nullo on de nenbum effeito c valor algum tratado, contra-
to, privilegio, b. ORDEN. DE D. MAN. Prof. Revo-
gando e anullando quaefquer outras ordenações, que tó-
ra defta compilação fe acharem. ARR. Dial. 3,
verdade, que o direito civil analla o matrimonio cele-
brado por injuria com medo da morte, MEND. PINT. Pe-
regr. 101 Fazendo anullar o que fobre ifto era proceffado,
Aniquilar, deftruir, reduzir a nada. Sous. Cou-
TINH. Cerc. Proem. Porque o tempo com feu difcurfo
c diverfos effeitos os não confuma [feitos illuftres] e anul-
le, fegundo fua propriedade. HET. PINT. Dial. i, 6, 1
Voa o tempo, e vai com feu difcurfo anullando c con-
funindo as coufas BRIT. Chr. 1, 6 Não quiz dar ou-
vidos ao que fe lhe pedia acerca de anullar fua religião.
ANUVIADO, A. p. p. de Anuviar. BARBOS: Dict.
ANUVIAR. v. a. Cobrir de nuvens. BARBOS. Dict.
ANXIA. s. f. ant. Vej. Ancia. D. HILAR, Voz, 5, 24.
ANXIEDADE. s. f. O mefmo que Ancia. Do Lat. Anxietas.
PAIV. Serm. 1, 265 O que não póde deixar de dar mui-
ta anxiedade e turbação. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 13.
n. 9 Mil anxiedades e dores defta vida. M. BERN. Flo-
reft. 5, 2, 7, CE comecei a entrarme de vapor e an-
xiedade por não achar refugio, aonde ampararnie.
Sendo procedida de enfermidade. MADEIR, Meth.
1, 30, 6 Não move naufeas, nem vomitos, nem faz
anxiedades. CURV. Polyanth. 2, 9, 65. n. 17 Delle [lei-
te] coalhado fuccedem muitas vezes fuores frios, def-
maios, faltas de refpiração, tremores, anxid..des, gotta
coral.
ANZARUT. s. m. T. da India. O mefmo que Nefpera. ORT.
Col-
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<noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" /></noinclude>{{center|'''EXPLICAÇÃO'''}}
{{center|''Das abbreviaturas, que denotão a qualidade e cenſura das palavras, ou deſignão quaesquer outras couſas''}}
Abſ. . . . . . . . . . . . Absolutamente ou em sentido absoluto.<br>
Acc. na antepenult. . . . . . Accento na antepenultima ſyllaba.<br>
Acc. na penult. . . . . . . Accento na penultima ſyllaba.<br>
Acc. na ult. . . . . . . . . Accento na ultima ſyllaba.<br>
Act. . . . . . . . . . . . Activo ou na voz activa.<br>
Adag. . . . . . . . . . . Adagio ou adagios.<br>
Adj. . . . . . . . . . . . Adjectivo ou adjectivos.<br>
Adv. . . . . . . . . . . . Adverbio ou adverbios.<br>
Adv. lug. . . . . . . . . . . Adverbio de lugar.<br>
Adv. mod. . . . . . . . . . . Adverbio de modo.<br>
Adv. temp. . . . . . . . . . Adverbio de tempo.<br>
Agric. . . . . . . . . . . Voz da Agricultura.<br>
Alg. . . . . . . . . . . Alguem ou algum.<br>
Alg. c. . . . . . . . . . . Alguma couſa.<br>
Algebr. . . . . . . . . . . Voz da Algebra.<br>
Alg. lug. . . . . . . . . . Algum lugar.<br>
Altan. . . . . . . . . . Voz da caça de Altanaria.<br>
Alveit. . . . . . . . . . . Voz da Alveitaria.<br>
Anat. . . . . . . . . . . Voz da Anatomia.<br>
Ant. . . . . . . . . . . Voz, fraſe ou orthographia antiga.<br>
Antiq. . . . . . . . . . . Voz ou fraſe antiquada.<br>
Arab. . . . . . . . . . . Arabigo ou voz Arabiga.<br>
Archit. . . . . . . . . . . Voz da Architectura.<br>
Argum. . . . . . . . . . . Argumento.<br>
Arithm. . . . . . . . . . . Voz da Arithmética.<br>
Armar. . . . . . . . . . . Voz da Armaria.<br>
Aſcet. . . . . . . . . . . Voz aſcética.<br>
Aſtron. . . . . . . . . . . Voz da Aſtronomia.<br>
Aum. . . . . . . . . . . Aumentativo.<br>
Botan. . . . . . . . . . . Voz da Botanica.<br>
Burl. . . . . . . . . . . Voz burleſca.<br>
Cavall. . . . . . . . . . . Voz da Cavallaria.<br>
Chim. . . . . . . . . . . Voz da Chimica.<br>
Chronol. . . . . . . . . . . Voz da Chronologia.<br>
Cirurg. . . . . . . . . . . Voz da Cirurgia.<br>
Comic. . . . . . . . . . . Voz comica<br>
Conj. . . . . . . . . . . Conjunção.<br>
Ded. . . . . . . . . . . Dedicatoria.<br>
Dialect. . . . . . . . . . . Voz da Dialectica.<br>
Dim. . . . . . . . . . . Diminutivo.<br>
Direit. Canon. . . . . . . . Voz do Direito Canonico.<br>
Direit. Civ. . . . . . . . Voz do Direito Civil.<br>
Doaç. . . . . . . . . . . Doação<br>
Eccleſ. . . . . . . . . . . Voz eccleſiaſtica.<br>
Epith. . . . . . . . . . . Epítheto ou epíthetos.<br>
Eſcrit. . . . . . . . . . . Eſcritura.<br>
Eſcult. . . . . . . . . . . Voz da Eſcultura.<br>
Eſgrim. . . . . . . . . . . Voz da Eſgrima.<br>
Fam. . . . . . . . . . . Voz ou fraſe familiar.<br>
Fem. . . . . . . . . . . Femenino.<br>
Forenſ. . . . . . . . . . . Voz ou fraſe Forenſe.<br>
Fórm. . . . . . . . . . . Fórmula ou fórmulas.<br>
Fórm. adv. . . . . . . . . . Fórmula adverbial.<br>
Fortif. . . . . . . . . . . Voz da Fortificação.<br>
Fraſ. . . . . . . . . . . Fraſe ou fraſes.<br>
Fraſ. met. . . . . . . . . . Fraſe metaphorica.<br>
Fraſ. proverb. . . . . . . . Fraſe proverbial.<br>
Geogr. . . . . . . . . . . Voz da Geographia.<br>
Geom. . . . . . . . . . . Voz da Geometria.<br>
Gram. . . . . . . . . . . Voz da Grammatica.<br>
Greg. . . . . . . . . . . Grego ou voz Grega.<br>
Impeſſ. . . . . . . . . . . Impeſſoal.<br>
Indecl. . . . . . . . . . . Indeclinavel.<br>
Indeterm. . . . . . . . . . . Indeterminado.<br>
Interj. . . . . . . . . . . Interjeição.<br>
Introd. . . . . . . . . . . Introducção.<br>
Irregul. . . . . . . . . . . Irregular.<br><noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 236 ALP {{lema|ALPHABETADO, A.}} p. p. de Alphabetar. M. BERN. Floreft. 5, 10, 463, B. {{lema|ALPHABETAR.}} v. a. {{Def|Por em ordem de alphabeto}}. M. BERN. Floreft. 1. Prol. Lourenço Beyerlinch, e Conrado Lycofthenes tambem alphabetárão as fuas [fentenças.] ALPHABETICO, A. adj. Pertencente ao alphabeto ou fei- to jegundo a ordem do alpbabeto. acc. na antepenult. Pu- RIF. Chr. 2, 6, 5. §. 1 E o diz o Meftre Fr. Pedro Ramires no feu...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>236 ALP
{{lema|ALPHABETADO, A.}} p. p. de Alphabetar. M. BERN. Floreft. 5, 10, 463, B.
{{lema|ALPHABETAR.}} v. a. {{Def|Por em ordem de alphabeto}}. M. BERN. Floreft. 1. Prol. Lourenço Beyerlinch, e Conrado Lycofthenes tambem alphabetárão as fuas [fentenças.]
ALPHABETICO, A. adj. Pertencente ao alphabeto ou fei-
to jegundo a ordem do alpbabeto. acc. na antepenult. Pu-
RIF. Chr. 2, 6, 5. §. 1 E o diz o Meftre Fr. Pedro
Ramires no feu catalogo alphabetico, &c.
ALPHABETO. s. m. Abecedario, ferie das letras de qual.
quer lingoa, fegundo a coordinação, que em cada buma tem.
Do Lat. Alphabetum. BARR. Dec. 1. Ded. Difpoftas. [as
letras na ordem fignificativa da valia, que cada nação
deo ao feu alphabeto. HEIT. PINT. Dial. 1, 3, 4 Ifto
quizerão fignificar os antigos Hebréos no feu alpbabeto.
VIEIR. Serm. 4, 2, 3. n. 54 Alpha e ómega são a pri-
meira e a ultima letra do alphabeto Grego.
Met. Principio ou fundamento de alguma coufa. Sous.
Hift. 2, 1, 16 Mas porque o affento exterior, que he
o primeiro alphabeto da Religião, &c. D. F. MAN. Muf.
160. Viol. de Thal. Por fer letra que a todo o Poeta
efcapa, Ja no alpbabeto do veftido a kapa.
ALPHADO, A. adj. Mufic. Que tem alpha. A. FERNAND.
Art. 2, 12 Os poutos, que ha no cantochão são os fe-
guintes, a faber longos, quadrados, ligados, alphados,
triangulados.
ALPINO, A. adj. Poct. Pertencente ou femelhante aos Al-
pes, montanhas, que feparão Italia da França e da Ale-
manha. Do Lat. Alpinus. ANDRAD. Cerc. 14, 71, 4 De-
ce là do intratavel cume Alpino O arrebatado rio. CAS-
TR. Ulyff. 1, 77 Se moftrio com decoro, e com gran-
deza Penhas, aonde fe vêm neves Alpinas. Sous. DE MAC.
Ulyp. 5, 37 Endurecida ao tempo neve Alpina.
ALPISTE. s. m. Certa planta umilobada da familia das
Gramineas. He denominado por Linnco Phalaris Canari-
enfis. O fea colmo he direito, folheado, de altura de
dous ou tres pés. As folhas são de largura de tres ou mais
linhas, brandas, ordinariamente, glabras, e tem a fua
bainha muito comprida, e coroada de huma pequena mem-
brana branca. A bainha da folha fuperior he hum pouco
barriguda, ou inchada. A efpiga das flores he terminal,
oval, ou quafi cylindrica, groffa, e com pennachos bran-
cos, e verdes. As granças são glabras, póftas fobre pc-
quenos pedunculos pontudos, e achatados para os lados,
e allinalados com linhas verdes. Dáfe em Provença,
Hefpanha, Portugal, Canarias. HisT. TRAG. MARIT I,
146 Deo a cada peffoa obra de hum celamim de alpifte.
ALPISTEIRO. s. m. Vej. Apifteiro.
ALPISTO. s. m. Vej. Apifto.
ALPONDRAS. s. f. pl. Pedras, que fervem de pafadeiras
á gente de pé nos rios pequenos em lugar de ponte. CABV.
Chorogr. 1, 1, 2: E outro, a que chamão o barco da
taipa, aonde no verão fe paffa a cavallo hum vão, c
a pé humas alpondras para a Cidade de Braga. BARBOS.
Dict. Alpondras. Ponticuli lapidci. BENT. PER. Thef.
ALPORCA. s. f. Med. Tumor duro, feirrojo bumas vezes com
dor, outras fem ella, que fe forma pouco a pouco nas glan-
dulas conglobadas do pafcoço, garganta, fovacos, &c. Un-
fe commum mente no plural. GIL Vic. Obr. 1, 78 Dona
Franca Pomba cafou em Buarcos Com Bento Capaio, ca-
pador de gatos, Que furando alporcas morreo em Tavil-
la. Sous. Hift. 1, 2, 26 Deráolhe [ao moço] humas al-
porcas, tinhãolhe o pefcoço tão afeado &c. M. BERNARD.
Floreft. 4, 1, 487 He o que diz o adagio Latino, ftru-
mam dibapha tegere: cobrir a alporca com a. purpura.
ALPORCADO, A. p. p. de Alporcar. FERR. DE VASC.
Aulegr. 4. 1.
Ufafe como adj. Que tem a enfermidade das alpor-
cas. PINT., PACHEC. Tr. 17 Que não tenha [o cavallo]
os braços encoronhados ou alporcados, que tudo he o
mefmo.
ALPORCAR. v. a. Agric. Metter os ramos de buma plan-
ta n'huma cova, deixandolhe buma ponta fóra da terra,
que cobre o mais, a qual calcada ao pe, lança buma va-
ia, que fe cobre, e do pé da que fe calcou nafcem muitos
ramus. VAL. FERNAND. Report. Nelte mez [de Novem-
bro] em o crecente da Lua he bom... alporcar e mer-
gulhar. FEST. NA CANON, 20 E nelle [quadro ] hum
homem alporcando hum cardo.
Alporcar hortaliça. Cobrila com terra levantada, e
repartida en regos. Leio, Defcripç. 32 Semeáráofe [as
-chicorcase aprenderão a alporcalas, dãofe agora táo
formofas e tacs, que &c.
ALPORQUENTO, A. adj. Doente das alporças, ou que
cubren ain
ALQ
tem alporcas, principalmente no pefcoço. Cuav: Atal. 14
Depois de fangrado o alporquento, algumas vezes, e
purgado, tomará doze vezes as minhas pirolas antiftru-
maticas.
ALQUEBRAR. v. n. Marinh. Render, abrir, quebrar pe-
las cintas do coftado. Dos navios. BARR. Dec. 1, 10, z
Querendo tirar a monte [o navio ] por the alquebrar, á
mingoa de não ter apparelhos. 2, 4, 2 D. Afion fo
querendo por a monte o navio, por andar desbara-
tado, alquebrou, e abrio de maneira; que ficou fem em-
barcação.
ALQUEIRE. s. m. Certa medida, de todo o genero de grãos,
feis das quaes fazem bum Jacco, e feffenta hum moio. Do
Arab. alqueile. Derivafe do verbo cala, medir. RESEND.
Mifc. 168 Anno vi tão abaftado, Que a octo reaes
comprado Foi o alqueire de pão. ORDEN. DE D. MÅN.
1,15 Item todas as Cidades e Villas de noifos Reinos
e Senhorios de qualquer numero de vizinhos, que fe-
jáo, terão padrão de vara e covado. E medidas de pão,
convém a faber, alqueire, e meio alqueire, e quarta de
alqueire. Goes, Chr. de D. Man. 1, 70 A terra he tão
fertil > que ordinariamente colhem de hum alqueire de
Páo, que femeão, trinta.
Alqueire de azeite. Certa medida de feis canadas.
ORDEN. LED. MAN, 15. E medidas de azeite., con-
vém a faber, alqueire, meio alqueire, e quarta
qucire. S. ANN. Chr. 2, 3, 475 Pedião eftes [Padres]
nas pias azeite, e ajuntando tres alqueires delle, os re-
colherão na cafa de Bartholomeu Pacz no fundo de hum
pote. L. ALVAR. Serm. 1, 8, 3. n. 9 Devo cem alqueires
de azeite.
Para
Saber quantos pães deita ou faz hum alqueire. Fraf.
proverb. e met. Entender do governo economico da cafa.
D. F. MAN. Muf. 59. Canf. de Euterp. Ecl. E faiba, pois
que lhe toca, Quantos pies deita bum alqueire JA
ALQUEIVADÓ, A. p. p. de Alqueivar. GIL Vic. Obr. 4,
208. MEND. PINT. Peregr. 98. FR. THOM. DA VEIG. Con-
fid. 1, 2, 3.
ALQUEIVAR. v. a. Lavrar a terra fem a femear,
que defcance. M. DE FIGUEIR. Chronogr. 4, 26 Quando
eftiver nelles [fignos terreos] he bom alqueivar as ter-
ras pera fe femearem ao tempo, que os lavradores fe-
meão. FR, THOM. DA VEIG. Confid. r., 7, 6. n. 2 l'or
ventura fempre o lavrador ha de alquivar e arar as ter-
ras fem que chegue o tempo, em que as femee.
ALQUEIVE. s. m. Agric. Terra lavrada, que fe não fe-
Mela, e affim de anno em anno, ou de dous en dous,
defcança e dá mais pão. ant. Alqueve. F. ALv. Inform. 17
Aqui começamos caminhar terra chaa, alqueves e lavou-
ras á guifa de Portugal. LEÃO, Defcripç. 32. Se lavrão
muitas terras, como alqueives para trigo. L. BRAND. Me-
dit. 3, 6, 276. p. 471. Por iffo o Senhor aconfelhava pe-
lo Profeta a feu Povo, que fizeffe alqueve, lavrafe, e
...tornafe a lavrar a terraces
ALQUEQUENGE. s. m. Certa planta vivace. He denomi-
nada por Linneo Phyfalis alkekingi. Efta planta eftendefe
muito, mas não fe eleva mais que á altura de hum pé,
ou pé e meio. A raiz, que he reptante, lança troncos
herbaceos, folheados, c ramofos. As folhas são pecioladas,
ovacs, pontudas, inteiras, ou levemente ondeadas e bina-
das nas inferções. As flores são de cor branca pallida ou
amarellada, folitarias, axilares, e fuftentadas por pedun-
culos mais curtos que os peciolos. Os calices fe incháo
na maturação do fructo, e acquirem huma cor vermelha
viva. Achafe efta planta nas vinhas, e lugares fombrios
da França, de Alemanha, de Italia, e do Japão. O
feu fructo he reputado por hum poderofo diuretico, re-
frigerante, e algum tanto anodyno. Tres ou quatro ba-
gas ou graos defta planta são excellentes para a reten-
ção da ourina, para a cólica neuphritica, e para a hy-
dropefia. Servemie delles ou em cozimento, ou algumas
vezes feccos e em pó. GRISL. Defeng. 3, 182, 240 Al-
quequengue. Solanum veficarium alkekeengi, Difcor. lib.
4. cap. 61. fria e fecça no fegundo gráo. CABREIR. Comp.
29 E fe o ardor for grande, poderá accrefcentar meia du-
zia de grãos de alquequengues. CuRv. Atal. 58 Dous; ef
crupulos de trocifcos de alquequenjes verdadeiros, toma-
dos em agoa de almeirão, confolidão bem as chagas da
bexiga.
AGJA
ALQUER. s. m. antiq. O mefmo que Alqueire. REGR. DA
ORD. DE SANTIAG. da ediç. de 1509. 1045 3.
ALQUER MES. s. m. Vej. Alchermes.
ALQUERIA. s. f. pouc. uf. Cafa de campo, para guardar
todos os apparelhos e inftrumentos da lavoura. GALHEG.
"Al-
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<noinclude><pagequality level="1" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>236 ALP
{{lema|ALPHABETADO, A.}} p. p. de Alphabetar. M. BERN. Floreft. 5, 10, 463, B.
{{lema|ALPHABETAR.}} v. a. {{Def|Por em ordem de alphabeto}}. M. BERN. Floreft. 1. Prol. Lourenço Beyerlinch, e Conrado Lycofthenes tambem alphabetárão as fuas [fentenças.]
{{lema|ALPHABETICO, A.}} adj. Pertencente ao alphabeto ou feito jegundo a ordem do alpbabeto. acc. na antepenult. PuRIF. Chr. 2, 6, 5. §. 1 E o diz o Meftre Fr. Pedro Ramires no feu catalogo alphabetico, &c.
ALPHABETO. s. m. Abecedario, ferie das letras de qual. quer lingoa, fegundo a coordinação, que em cada buma tem.
Do Lat. Alphabetum. BARR. Dec. 1. Ded. Difpoftas. [as
letras na ordem fignificativa da valia, que cada nação
deo ao feu alphabeto. HEIT. PINT. Dial. 1, 3, 4 Ifto
quizerão fignificar os antigos Hebréos no feu alpbabeto.
VIEIR. Serm. 4, 2, 3. n. 54 Alpha e ómega são a pri-
meira e a ultima letra do alphabeto Grego.
Met. Principio ou fundamento de alguma coufa. Sous.
Hift. 2, 1, 16 Mas porque o affento exterior, que he
o primeiro alphabeto da Religião, &c. D. F. MAN. Muf.
160. Viol. de Thal. Por fer letra que a todo o Poeta
efcapa, Ja no alpbabeto do veftido a kapa.
ALPHADO, A. adj. Mufic. Que tem alpha. A. FERNAND.
Art. 2, 12 Os poutos, que ha no cantochão são os fe-
guintes, a faber longos, quadrados, ligados, alphados,
triangulados.
ALPINO, A. adj. Poct. Pertencente ou femelhante aos Al-
pes, montanhas, que feparão Italia da França e da Ale-
manha. Do Lat. Alpinus. ANDRAD. Cerc. 14, 71, 4 De-
ce là do intratavel cume Alpino O arrebatado rio. CAS-
TR. Ulyff. 1, 77 Se moftrio com decoro, e com gran-
deza Penhas, aonde fe vêm neves Alpinas. Sous. DE MAC.
Ulyp. 5, 37 Endurecida ao tempo neve Alpina.
ALPISTE. s. m. Certa planta umilobada da familia das
Gramineas. He denominado por Linnco Phalaris Canari-
enfis. O fea colmo he direito, folheado, de altura de
dous ou tres pés. As folhas são de largura de tres ou mais
linhas, brandas, ordinariamente, glabras, e tem a fua
bainha muito comprida, e coroada de huma pequena mem-
brana branca. A bainha da folha fuperior he hum pouco
barriguda, ou inchada. A efpiga das flores he terminal,
oval, ou quafi cylindrica, groffa, e com pennachos bran-
cos, e verdes. As granças são glabras, póftas fobre pc-
quenos pedunculos pontudos, e achatados para os lados,
e allinalados com linhas verdes. Dáfe em Provença,
Hefpanha, Portugal, Canarias. HisT. TRAG. MARIT I,
146 Deo a cada peffoa obra de hum celamim de alpifte.
ALPISTEIRO. s. m. Vej. Apifteiro.
ALPISTO. s. m. Vej. Apifto.
ALPONDRAS. s. f. pl. Pedras, que fervem de pafadeiras
á gente de pé nos rios pequenos em lugar de ponte. CABV.
Chorogr. 1, 1, 2: E outro, a que chamão o barco da
taipa, aonde no verão fe paffa a cavallo hum vão, c
a pé humas alpondras para a Cidade de Braga. BARBOS.
Dict. Alpondras. Ponticuli lapidci. BENT. PER. Thef.
ALPORCA. s. f. Med. Tumor duro, feirrojo bumas vezes com
dor, outras fem ella, que fe forma pouco a pouco nas glan-
dulas conglobadas do pafcoço, garganta, fovacos, &c. Un-
fe commum mente no plural. GIL Vic. Obr. 1, 78 Dona
Franca Pomba cafou em Buarcos Com Bento Capaio, ca-
pador de gatos, Que furando alporcas morreo em Tavil-
la. Sous. Hift. 1, 2, 26 Deráolhe [ao moço] humas al-
porcas, tinhãolhe o pefcoço tão afeado &c. M. BERNARD.
Floreft. 4, 1, 487 He o que diz o adagio Latino, ftru-
mam dibapha tegere: cobrir a alporca com a. purpura.
ALPORCADO, A. p. p. de Alporcar. FERR. DE VASC.
Aulegr. 4. 1.
Ufafe como adj. Que tem a enfermidade das alpor-
cas. PINT., PACHEC. Tr. 17 Que não tenha [o cavallo]
os braços encoronhados ou alporcados, que tudo he o
mefmo.
ALPORCAR. v. a. Agric. Metter os ramos de buma plan-
ta n'huma cova, deixandolhe buma ponta fóra da terra,
que cobre o mais, a qual calcada ao pe, lança buma va-
ia, que fe cobre, e do pé da que fe calcou nafcem muitos
ramus. VAL. FERNAND. Report. Nelte mez [de Novem-
bro] em o crecente da Lua he bom... alporcar e mer-
gulhar. FEST. NA CANON, 20 E nelle [quadro ] hum
homem alporcando hum cardo.
Alporcar hortaliça. Cobrila com terra levantada, e
repartida en regos. Leio, Defcripç. 32 Semeáráofe [as
-chicorcase aprenderão a alporcalas, dãofe agora táo
formofas e tacs, que &c.
ALPORQUENTO, A. adj. Doente das alporças, ou que
cubren ain
ALQ
tem alporcas, principalmente no pefcoço. Cuav: Atal. 14
Depois de fangrado o alporquento, algumas vezes, e
purgado, tomará doze vezes as minhas pirolas antiftru-
maticas.
ALQUEBRAR. v. n. Marinh. Render, abrir, quebrar pe-
las cintas do coftado. Dos navios. BARR. Dec. 1, 10, z
Querendo tirar a monte [o navio ] por the alquebrar, á
mingoa de não ter apparelhos. 2, 4, 2 D. Afion fo
querendo por a monte o navio, por andar desbara-
tado, alquebrou, e abrio de maneira; que ficou fem em-
barcação.
ALQUEIRE. s. m. Certa medida, de todo o genero de grãos,
feis das quaes fazem bum Jacco, e feffenta hum moio. Do
Arab. alqueile. Derivafe do verbo cala, medir. RESEND.
Mifc. 168 Anno vi tão abaftado, Que a octo reaes
comprado Foi o alqueire de pão. ORDEN. DE D. MÅN.
1,15 Item todas as Cidades e Villas de noifos Reinos
e Senhorios de qualquer numero de vizinhos, que fe-
jáo, terão padrão de vara e covado. E medidas de pão,
convém a faber, alqueire, e meio alqueire, e quarta de
alqueire. Goes, Chr. de D. Man. 1, 70 A terra he tão
fertil > que ordinariamente colhem de hum alqueire de
Páo, que femeão, trinta.
Alqueire de azeite. Certa medida de feis canadas.
ORDEN. LED. MAN, 15. E medidas de azeite., con-
vém a faber, alqueire, meio alqueire, e quarta
qucire. S. ANN. Chr. 2, 3, 475 Pedião eftes [Padres]
nas pias azeite, e ajuntando tres alqueires delle, os re-
colherão na cafa de Bartholomeu Pacz no fundo de hum
pote. L. ALVAR. Serm. 1, 8, 3. n. 9 Devo cem alqueires
de azeite.
Para
Saber quantos pães deita ou faz hum alqueire. Fraf.
proverb. e met. Entender do governo economico da cafa.
D. F. MAN. Muf. 59. Canf. de Euterp. Ecl. E faiba, pois
que lhe toca, Quantos pies deita bum alqueire JA
ALQUEIVADÓ, A. p. p. de Alqueivar. GIL Vic. Obr. 4,
208. MEND. PINT. Peregr. 98. FR. THOM. DA VEIG. Con-
fid. 1, 2, 3.
ALQUEIVAR. v. a. Lavrar a terra fem a femear,
que defcance. M. DE FIGUEIR. Chronogr. 4, 26 Quando
eftiver nelles [fignos terreos] he bom alqueivar as ter-
ras pera fe femearem ao tempo, que os lavradores fe-
meão. FR, THOM. DA VEIG. Confid. r., 7, 6. n. 2 l'or
ventura fempre o lavrador ha de alquivar e arar as ter-
ras fem que chegue o tempo, em que as femee.
ALQUEIVE. s. m. Agric. Terra lavrada, que fe não fe-
Mela, e affim de anno em anno, ou de dous en dous,
defcança e dá mais pão. ant. Alqueve. F. ALv. Inform. 17
Aqui começamos caminhar terra chaa, alqueves e lavou-
ras á guifa de Portugal. LEÃO, Defcripç. 32. Se lavrão
muitas terras, como alqueives para trigo. L. BRAND. Me-
dit. 3, 6, 276. p. 471. Por iffo o Senhor aconfelhava pe-
lo Profeta a feu Povo, que fizeffe alqueve, lavrafe, e
...tornafe a lavrar a terraces
ALQUEQUENGE. s. m. Certa planta vivace. He denomi-
nada por Linneo Phyfalis alkekingi. Efta planta eftendefe
muito, mas não fe eleva mais que á altura de hum pé,
ou pé e meio. A raiz, que he reptante, lança troncos
herbaceos, folheados, c ramofos. As folhas são pecioladas,
ovacs, pontudas, inteiras, ou levemente ondeadas e bina-
das nas inferções. As flores são de cor branca pallida ou
amarellada, folitarias, axilares, e fuftentadas por pedun-
culos mais curtos que os peciolos. Os calices fe incháo
na maturação do fructo, e acquirem huma cor vermelha
viva. Achafe efta planta nas vinhas, e lugares fombrios
da França, de Alemanha, de Italia, e do Japão. O
feu fructo he reputado por hum poderofo diuretico, re-
frigerante, e algum tanto anodyno. Tres ou quatro ba-
gas ou graos defta planta são excellentes para a reten-
ção da ourina, para a cólica neuphritica, e para a hy-
dropefia. Servemie delles ou em cozimento, ou algumas
vezes feccos e em pó. GRISL. Defeng. 3, 182, 240 Al-
quequengue. Solanum veficarium alkekeengi, Difcor. lib.
4. cap. 61. fria e fecça no fegundo gráo. CABREIR. Comp.
29 E fe o ardor for grande, poderá accrefcentar meia du-
zia de grãos de alquequengues. CuRv. Atal. 58 Dous; ef
crupulos de trocifcos de alquequenjes verdadeiros, toma-
dos em agoa de almeirão, confolidão bem as chagas da
bexiga.
AGJA
ALQUER. s. m. antiq. O mefmo que Alqueire. REGR. DA
ORD. DE SANTIAG. da ediç. de 1509. 1045 3.
ALQUER MES. s. m. Vej. Alchermes.
ALQUERIA. s. f. pouc. uf. Cafa de campo, para guardar
todos os apparelhos e inftrumentos da lavoura. GALHEG.
"Al-
A
cm
1
2
4
6
9 10 11 unesp 14 15 16 17 18 19 20 21 22
23 24<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>236 ALP
{{lema|ALPHABETADO, A.}} p. p. de Alphabetar. M. BERN. Floreft. 5, 10, 463, B.
{{lema|ALPHABETAR.}} v. a. {{Def|Por em ordem de alphabeto}}. M. BERN. Floreft. 1. Prol. Lourenço Beyerlinch, e Conrado Lycofthenes tambem alphabetárão as fuas [fentenças.]
{{lema|ALPHABETICO, A.}} adj. Pertencente ao alphabeto ou feito jegundo a ordem do alpbabeto. acc. na antepenult. PuRIF. Chr. 2, 6, 5. §. 1 E o diz o Meftre Fr. Pedro Ramires no feu catalogo alphabetico, &c.
ALPHABETO. s. m. Abecedario, ferie das letras de qual. quer lingoa, fegundo a coordinação, que em cada buma tem.
Do Lat. Alphabetum. BARR. Dec. 1. Ded. Difpoftas. [as
letras na ordem fignificativa da valia, que cada nação
deo ao feu alphabeto. HEIT. PINT. Dial. 1, 3, 4 Ifto
quizerão fignificar os antigos Hebréos no feu alpbabeto.
VIEIR. Serm. 4, 2, 3. n. 54 Alpha e ómega são a pri-
meira e a ultima letra do alphabeto Grego.
Met. Principio ou fundamento de alguma coufa. Sous.
Hift. 2, 1, 16 Mas porque o affento exterior, que he
o primeiro alphabeto da Religião, &c. D. F. MAN. Muf.
160. Viol. de Thal. Por fer letra que a todo o Poeta
efcapa, Ja no alpbabeto do veftido a kapa.
ALPHADO, A. adj. Mufic. Que tem alpha. A. FERNAND.
Art. 2, 12 Os poutos, que ha no cantochão são os fe-
guintes, a faber longos, quadrados, ligados, alphados,
triangulados.
ALPINO, A. adj. Poct. Pertencente ou femelhante aos Al-
pes, montanhas, que feparão Italia da França e da Ale-
manha. Do Lat. Alpinus. ANDRAD. Cerc. 14, 71, 4 De-
ce là do intratavel cume Alpino O arrebatado rio. CAS-
TR. Ulyff. 1, 77 Se moftrio com decoro, e com gran-
deza Penhas, aonde fe vêm neves Alpinas. Sous. DE MAC.
Ulyp. 5, 37 Endurecida ao tempo neve Alpina.
ALPISTE. s. m. Certa planta umilobada da familia das
Gramineas. He denominado por Linnco Phalaris Canari-
enfis. O fea colmo he direito, folheado, de altura de
dous ou tres pés. As folhas são de largura de tres ou mais
linhas, brandas, ordinariamente, glabras, e tem a fua
bainha muito comprida, e coroada de huma pequena mem-
brana branca. A bainha da folha fuperior he hum pouco
barriguda, ou inchada. A efpiga das flores he terminal,
oval, ou quafi cylindrica, groffa, e com pennachos bran-
cos, e verdes. As granças são glabras, póftas fobre pc-
quenos pedunculos pontudos, e achatados para os lados,
e allinalados com linhas verdes. Dáfe em Provença,
Hefpanha, Portugal, Canarias. HisT. TRAG. MARIT I,
146 Deo a cada peffoa obra de hum celamim de alpifte.
ALPISTEIRO. s. m. Vej. Apifteiro.
ALPISTO. s. m. Vej. Apifto.
ALPONDRAS. s. f. pl. Pedras, que fervem de pafadeiras
á gente de pé nos rios pequenos em lugar de ponte. CABV.
Chorogr. 1, 1, 2: E outro, a que chamão o barco da
taipa, aonde no verão fe paffa a cavallo hum vão, c
a pé humas alpondras para a Cidade de Braga. BARBOS.
Dict. Alpondras. Ponticuli lapidci. BENT. PER. Thef.
ALPORCA. s. f. Med. Tumor duro, feirrojo bumas vezes com
dor, outras fem ella, que fe forma pouco a pouco nas glan-
dulas conglobadas do pafcoço, garganta, fovacos, &c. Un-
fe commum mente no plural. GIL Vic. Obr. 1, 78 Dona
Franca Pomba cafou em Buarcos Com Bento Capaio, ca-
pador de gatos, Que furando alporcas morreo em Tavil-
la. Sous. Hift. 1, 2, 26 Deráolhe [ao moço] humas al-
porcas, tinhãolhe o pefcoço tão afeado &c. M. BERNARD.
Floreft. 4, 1, 487 He o que diz o adagio Latino, ftru-
mam dibapha tegere: cobrir a alporca com a. purpura.
ALPORCADO, A. p. p. de Alporcar. FERR. DE VASC.
Aulegr. 4. 1.
Ufafe como adj. Que tem a enfermidade das alpor-
cas. PINT., PACHEC. Tr. 17 Que não tenha [o cavallo]
os braços encoronhados ou alporcados, que tudo he o
mefmo.
ALPORCAR. v. a. Agric. Metter os ramos de buma plan-
ta n'huma cova, deixandolhe buma ponta fóra da terra,
que cobre o mais, a qual calcada ao pe, lança buma va-
ia, que fe cobre, e do pé da que fe calcou nafcem muitos
ramus. VAL. FERNAND. Report. Nelte mez [de Novem-
bro] em o crecente da Lua he bom... alporcar e mer-
gulhar. FEST. NA CANON, 20 E nelle [quadro ] hum
homem alporcando hum cardo.
Alporcar hortaliça. Cobrila com terra levantada, e
repartida en regos. Leio, Defcripç. 32 Semeáráofe [as
-chicorcase aprenderão a alporcalas, dãofe agora táo
formofas e tacs, que &c.
ALPORQUENTO, A. adj. Doente das alporças, ou que
cubren ain
ALQ
tem alporcas, principalmente no pefcoço. Cuav: Atal. 14
Depois de fangrado o alporquento, algumas vezes, e
purgado, tomará doze vezes as minhas pirolas antiftru-
maticas.
ALQUEBRAR. v. n. Marinh. Render, abrir, quebrar pe-
las cintas do coftado. Dos navios. BARR. Dec. 1, 10, z
Querendo tirar a monte [o navio ] por the alquebrar, á
mingoa de não ter apparelhos. 2, 4, 2 D. Afion fo
querendo por a monte o navio, por andar desbara-
tado, alquebrou, e abrio de maneira; que ficou fem em-
barcação.
ALQUEIRE. s. m. Certa medida, de todo o genero de grãos,
feis das quaes fazem bum Jacco, e feffenta hum moio. Do
Arab. alqueile. Derivafe do verbo cala, medir. RESEND.
Mifc. 168 Anno vi tão abaftado, Que a octo reaes
comprado Foi o alqueire de pão. ORDEN. DE D. MÅN.
1,15 Item todas as Cidades e Villas de noifos Reinos
e Senhorios de qualquer numero de vizinhos, que fe-
jáo, terão padrão de vara e covado. E medidas de pão,
convém a faber, alqueire, e meio alqueire, e quarta de
alqueire. Goes, Chr. de D. Man. 1, 70 A terra he tão
fertil > que ordinariamente colhem de hum alqueire de
Páo, que femeão, trinta.
Alqueire de azeite. Certa medida de feis canadas.
ORDEN. LED. MAN, 15. E medidas de azeite., con-
vém a faber, alqueire, meio alqueire, e quarta
qucire. S. ANN. Chr. 2, 3, 475 Pedião eftes [Padres]
nas pias azeite, e ajuntando tres alqueires delle, os re-
colherão na cafa de Bartholomeu Pacz no fundo de hum
pote. L. ALVAR. Serm. 1, 8, 3. n. 9 Devo cem alqueires
de azeite.
Para
Saber quantos pães deita ou faz hum alqueire. Fraf.
proverb. e met. Entender do governo economico da cafa.
D. F. MAN. Muf. 59. Canf. de Euterp. Ecl. E faiba, pois
que lhe toca, Quantos pies deita bum alqueire JA
ALQUEIVADÓ, A. p. p. de Alqueivar. GIL Vic. Obr. 4,
208. MEND. PINT. Peregr. 98. FR. THOM. DA VEIG. Con-
fid. 1, 2, 3.
ALQUEIVAR. v. a. Lavrar a terra fem a femear,
que defcance. M. DE FIGUEIR. Chronogr. 4, 26 Quando
eftiver nelles [fignos terreos] he bom alqueivar as ter-
ras pera fe femearem ao tempo, que os lavradores fe-
meão. FR, THOM. DA VEIG. Confid. r., 7, 6. n. 2 l'or
ventura fempre o lavrador ha de alquivar e arar as ter-
ras fem que chegue o tempo, em que as femee.
ALQUEIVE. s. m. Agric. Terra lavrada, que fe não fe-
Mela, e affim de anno em anno, ou de dous en dous,
defcança e dá mais pão. ant. Alqueve. F. ALv. Inform. 17
Aqui começamos caminhar terra chaa, alqueves e lavou-
ras á guifa de Portugal. LEÃO, Defcripç. 32. Se lavrão
muitas terras, como alqueives para trigo. L. BRAND. Me-
dit. 3, 6, 276. p. 471. Por iffo o Senhor aconfelhava pe-
lo Profeta a feu Povo, que fizeffe alqueve, lavrafe, e
...tornafe a lavrar a terraces
ALQUEQUENGE. s. m. Certa planta vivace. He denomi-
nada por Linneo Phyfalis alkekingi. Efta planta eftendefe
muito, mas não fe eleva mais que á altura de hum pé,
ou pé e meio. A raiz, que he reptante, lança troncos
herbaceos, folheados, c ramofos. As folhas são pecioladas,
ovacs, pontudas, inteiras, ou levemente ondeadas e bina-
das nas inferções. As flores são de cor branca pallida ou
amarellada, folitarias, axilares, e fuftentadas por pedun-
culos mais curtos que os peciolos. Os calices fe incháo
na maturação do fructo, e acquirem huma cor vermelha
viva. Achafe efta planta nas vinhas, e lugares fombrios
da França, de Alemanha, de Italia, e do Japão. O
feu fructo he reputado por hum poderofo diuretico, re-
frigerante, e algum tanto anodyno. Tres ou quatro ba-
gas ou graos defta planta são excellentes para a reten-
ção da ourina, para a cólica neuphritica, e para a hy-
dropefia. Servemie delles ou em cozimento, ou algumas
vezes feccos e em pó. GRISL. Defeng. 3, 182, 240 Al-
quequengue. Solanum veficarium alkekeengi, Difcor. lib.
4. cap. 61. fria e fecça no fegundo gráo. CABREIR. Comp.
29 E fe o ardor for grande, poderá accrefcentar meia du-
zia de grãos de alquequengues. CuRv. Atal. 58 Dous; ef
crupulos de trocifcos de alquequenjes verdadeiros, toma-
dos em agoa de almeirão, confolidão bem as chagas da
bexiga.
AGJA
ALQUER. s. m. antiq. O mefmo que Alqueire. REGR. DA
ORD. DE SANTIAG. da ediç. de 1509. 1045 3.
ALQUER MES. s. m. Vej. Alchermes.
ALQUERIA. s. f. pouc. uf. Cafa de campo, para guardar
todos os apparelhos e inftrumentos da lavoura. GALHEG.
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2026-04-02T15:39:22Z
MLReis
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{{center|ALP}}
{{lema|ALPHABETADO, A.}} {{Def|p. p. de Alphabetar.}} M. BERN. Floreſt. 5, 10, 463, B.
{{lema|ALPHABETAR.}} v. a. {{Def|Por em ordem de alphabeto}}. M. BERN. Floreſt. 1. Prol. Lourenço Beyerlinch, e Conrado Lycoſthenes tambem alphabetárão as ſuas [ſentenças.]
{{lema|ALPHABETICO, A.}} adj. {{Def|Pertencente ao alphabeto ou feito ſegundo a ordem do alphabeto.}} acc. na antepenult. PURIF. Chr. 2, 6, 5. §. 1 E o diz o Meſtre Fr. Pedro Ramires no ſeu catalogo alphabetico, &c.
{{lema|ALPHABETO.}} s. m. {{Def|Abecedario, ſerie das letras de qualquer lingoa, ſegundo a coordinação, que em cada huma tem.}} Do Lat. Alphabetum. BARR. Dec. 1. Ded. Diſpoſtas. [as
letras na ordem ſignificativa da valia, que cada nação deo ao ſeu alphabeto. HEIT. PINT. Dial. 1, 3, 4 Iſto quizerão ſignificar os antigos Hebréos no ſeu alphabeto. VIEIR. Serm. 4, 2, 3. n. 54 Alpha e ómega são a primeira e a ultima letra do alphabeto Grego.
{{Parindent|Met. {{Def|Principio ou fundamento de alguma couſa.}} Sous. Hiſt. 2, 1, 16 Mas porque o aſſento exterior, que he o primeiro alphabeto da Religião, &c. D. F. MAN. Muſ. 160. Viol. de Thal. Por ſer letra que a todo o Poeta eſcapa, Ja no alpbabeto do veſtido a kapa.}}
{{lema|ALPHADO, A.}} adj. Muſic. {{Def|Que tem alpha}}. A. FERNAND. Art. 2, 12 Os poutos, que ha no cantochão são os ſeguintes, a ſaber longos, quadrados, ligados, alphados,
triangulados.
{{lema|ALPINO, A.}} adj. {{Def|Poet. Pertencente ou ſemelhante aos Alpes, montanhas, que ſeparão Italia da França e da Alemanha.}} Do Lat. Alpinus. ANDRAD. Cerc. 14, 71, 4 Dece lá do intratavel cume Alpino O arrebatado rio. CASTR. Ulyſſ. 1, 77 Se moſtrão com decoro, e com grandeza Penhas, aonde ſe vêm neves Alpinas. SOUS. DE MAC. Ulſſip. 5, 37 Endurecida ao tempo neve Alpina.
{{lema|ALPISTE.}} s. m. {{Def|Certa planta unilobada da familia das Gramineas.}} He denominado por Linnco Phalaris Canarienfis. O ſeu colmo he direito, folheado, de altura de
dous ou tres pés. As folhas são de largura de tres ou mais linhas, brandas, ordinariamente, glabras, e tem a ſua bainha muito comprida, e coroada de huma pequena membrana branca. A bainha da folha ſuperior he hum pouco barriguda, ou inchada. A eſpiga das flores he terminal, oval, ou quaſi cylindrica, groſſa, e com pennachos brancos, e verdes. As granças são glabras, póſtas ſobre pequenos pedunculos pontudos, e achatados para os lados, e allinalados com linhas verdes. Dáſe em Provença, Heſpanha, Portugal, Canarias. HisT. TRAG. MARIT I, 146 Deo a cada peſſoa obra de hum celamim de alpiſte.
{{lema|ALPISTEIRO.}} s. m. {{Def|Vej. Apiſteiro.}}
{{lema|ALPISTO.}} s. m. {{Def|Vej. Apiſto.}}
{{lema|ALPONDRAS.}} s. f. pl. {{Def|Pedras, que fervem de paſadeiras á gente de pé nos rios pequenos em lugar de ponte.}} CARV. Chorogr. 1, 1, 2: E outro, a que chamão o barco da
taipa, aonde no verão ſe paſſa a cavallo hum vão, e a pé humas alpondras para a Cidade de Braga. BARBOS. Dict. Alpondras. Ponticuli lapidei. BENT. PER. Theſ.
{{lema|ALPORCA.}} s. f. Med. {{Def|Tumor duro, ſeirroſo humas vezes com dor, outras ſem ella, que ſe forma pouco a pouco nas glandulas conglobadas do paſcoço, garganta,ſovacos, &c.}} Unſaſe commum mente no plural. GIL Vic. Obr. 1, 78 Dona Franca Pomba caſou em Buarcos Com Bento Capaio, capador de gatos, Que furando alporcas morreo em Tavilla. Sous. Hiſt. 1, 2, 26 Deráolhe [ao moço] humas alporcas, tinhãolhe o peſcoço tão afeado &c. M. BERNARD. Floreſt. 4, 1, 487 He o que diz o adagio Latino, ſtrumam dibapha tegere: cobrir a alporca com a. purpura.
{{lema|ALPORCADO, A.}} {{Def|p. p. de Alporcar}}. FERR. DE VASC. Aulegr. 4. 1.
{{Parindent|Uſaſe como adj. {{Def|Que tem a enfermidade das alporcas.}} PINT., PACHEC. Tr. 17 Que não tenha [o cavallo] os braços encoronhados ou alporcados, que tudo he o meſmo.}}
{{lema|ALPORCAR.}} v. a. Agric. {{Def|Metter os ramos de huma planta n'huma cova, deixandolhe huma ponta fóra da terra, que cobre o mais, a qual calcada ao pe, lança huma vaia, que ſe cobre, e do pé da que ſe calcou naſcem muitos ramos.}} VAL. FERNAND. Report. Neſte mez [de Novembro] em o crecente da Lua he bom... alporcar e mergulhar. FEST. NA CANON, 20 E nelle [quadro ] hum homem alporcando hum cardo.
{{Parindent|Alporcar hortaliça. {{Def|Cobrila com terra levantada, e repartida en regos.}} Leão, Deſcripç. 32 Semeáráoſe [as chicorceas] aprenderão a alporcalas, dãoſe agora táo
formoſas e taes, que &c.}}
{{lema|ALPORQUENTO, A.}} {{Def|adj. Doente das alporças, ou que tem alporcas, principalmente no peſcoço.}} CURV: Atal. 14
Depois de ſangrado o alporquento, algumas vezes, e purgado, tomará doze vezes as minhas pirolas antiſtrumaticas.
{{lema|ALQUEBRAR.}} v. n. Marinh. {{Def|Render, abrir, quebrar pelas cintas do coſtado. Dos navios.}} BARR. Dec. 1, 10, z
Querendo tirar a monte [o navio ] por lhe alquebrar, á mingoa de não ter apparelhos. — 2, 4, 2 D. Afoſon ... querendo por a monte o navio, por andar desbaratado, alquebrou, e abrio de maneira; que ficou ſem embarcação.
{{lema|ALQUEIRE.}} s. m. {{Def|Certa medida, de todo o genero de grãos, ſeis das quaes fazem hum ſacco, e ſeſſenta hum moio.}} Do Arab. alqueile. Derivaſe do verbo cala, medir. RESEND. Miſc. 168 Anno vi tão abaſtado, Que a octo reaes comprado Foi o alqueire de pão. ORDEN. DE D. MAN.1,15 Item todas as Cidades e Villas de noſſos Reinos e Senhorios de qualquer numero de vizinhos, que ſejão, terão padrão de vara e covado. E medidas de pão, convém a ſaber, alqueire, e meio alqueire, e quarta de
alqueire. Goes, Chr. de D. Man. 1, 70 A terra he tão fertil que ordinariamente colhem de hum alqueire de Pão, que ſemeão, trinta.
{{Parindent|Alqueire de azeite. {{Def|Certa medida de ſeis canadas.}} ORDEN. LED. MAN, 15. E medidas de azeite, convém a ſaber, alqueire, meio alqueire, e quarta alqueire. S. ANN. Chr. 2, 3, 475 Pedião eſtes [Padres] nas pias azeite, e ajuntando tres alqueires delle, os recolherão na caſa de Bartholomeu Paez no fundo de hum pote. L. ALVAR. Serm. 1, 8, 3. n. 9 Devo cem alqueires de azeite.}}
{{Parindent|Saber quantos pães deita ou faz hum alqueire. Fraſ. proverb. e met. {{Def|Entender do governo economico da caſa.}} D. F. MAN. Muſ. 59. Canſ. de Euterp. Ecl. E ſaiba, pois que lhe toca, Quantos pies deita bum alqueire}}
{{lema|ALQUEIVADO, A.}} {{Def|p. p. de Alqueivar.}} GIL Vic. Obr. 4, 208. MEND. PINT. Peregr. 98. FR. THOM. DA VEIG. Conſid. 1, 2, 3.
{{lema|ALQUEIVAR.}} v. a. {{Def|Lavrar a terra ſem a ſemear, que deſcance.}} M. DE FIGUEIR. Chronogr. 4, 26 Quando eſtiver nelles [ſignos terreos] he bom alqueivar as terras pera ſe ſemearem ao tempo, que os lavradores ſemeão. FR, THOM. DA VEIG. Conſid. r., 7, 6. n. 2 l'or
ventura ſempre o lavrador ha de alquivar e arar as terras ſem que chegue o tempo, em que as ſemee.
{{lema|ALQUEIVE.}} s. m. Agric. {{Def|Terra lavrada, que ſe não ſemeia, e aſſim de anno em anno, ou de dous en dous, deſcança e dá mais pão.}} ant. Alqueve. F. ALV. Inform. 17
Aqui começamos caminhar terra chãa, alqueves e lavouras á guiſa de Portugal. LEÃO, Deſcripç. 32. Se lavrão muitas terras, como alqueives para trigo. L. BRAND. Medit. 3, 6, 276. p. 471. Por iſſo o Senhor aconſelhava pelo Profeta a ſeu Povo, que fizeſſe alqueve, lavraſe, e tornaſe a lavrar a terra.
{{lema|ALQUEQUENGE.}} s. m. {{Def|Certa planta vivace.}} He denominada por Linneo Phyfalis alkekingi. Eſta planta eſtendeſe muito, mas não ſe eleva mais que á altura de hum pé, ou pé e meio. A raiz, que he reptante, lança troncos
herbaceos, folheados, e ramoſos. As folhas são pecioladas, ovaes, pontudas, inteiras, ou levemente ondeadas e binadas nas inſerções. As flores são de côr branca pallida ou amarellada, ſolitarias, axilares, e ſuſtentadas por pedunculos mais curtos que os peciolos. Os calices ſe inchão na maturação do fructo, e acquirem huma côr vermelha viva. Achaſe eſta planta nas vinhas, e lugares ſombrios da França, de Alemanha, de Italia, e do Japão. O
ſeu fructo he reputado por hum poderoſo diuretico, refrigerante, e algum tanto anodyno. Tres ou quatro bagas ou graos deſta planta são excellentes para a retenção da ourina, para a cólica neuphritica, e para a hydropefia. Servemſe delles ou em cozimento, ou algumas
vezes ſeccos e em pó. GRISL. Deſeng. 3, 182, 240 Alquequengue. Solanum veficarium alkekeengi, Diſcor. lib. 4. cap. 61. fria e ſecça no ſegundo gráo. CABREIR. Comp. 29 E ſe o ardor for grande, poderá accreſcentar meia duzia de grãos de alquequengues. CURV. Atal. 58 Dous; eſcrupulos de trociſcos de alquequenjes verdadeiros, tomados em agoa de almeirão, conſolidão bem as chagas da bexiga.
{{lema|ALQUER.}} s. m. antiq. {{Def|O meſmo que Alqueire.}} REGR. DA ORD. DE SANTIAG. da ediç. de 1509. 1045 3.
{{lema|ALQUERMES.}} s. m. {{Def|Vej. Alchermes.}}
{{lema|ALQUERIA.}} s. f. pouc. uſ. {{Def|Caſa de campo, para guardar todos os apparelhos e inſtrumentos da lavoura.}} GALHEG. Al-<noinclude></noinclude>
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MLReis
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{{center|ALP}}
{{lema|ALPHABETADO, A.}} {{Def|p. p. de Alphabetar.}} M. BERN. Floreſt. 5, 10, 463, B.
{{lema|ALPHABETAR.}} v. a. {{Def|Por em ordem de alphabeto}}. M. BERN. Floreſt. 1. Prol. Lourenço Beyerlinch, e Conrado Lycoſthenes tambem alphabetárão as ſuas [ſentenças.]
{{lema|ALPHABETICO, A.}} adj. {{Def|Pertencente ao alphabeto ou feito ſegundo a ordem do alphabeto.}} acc. na antepenult. PURIF. Chr. 2, 6, 5. §. 1 E o diz o Meſtre Fr. Pedro Ramires no ſeu catalogo alphabetico, &c.
{{lema|ALPHABETO.}} s. m. {{Def|Abecedario, ſerie das letras de qualquer lingoa, ſegundo a coordinação, que em cada huma tem.}} Do Lat. Alphabetum. BARR. Dec. 1. Ded. Diſpoſtas. [as
letras na ordem ſignificativa da valia, que cada nação deo ao ſeu alphabeto. HEIT. PINT. Dial. 1, 3, 4 Iſto quizerão ſignificar os antigos Hebréos no ſeu alphabeto. VIEIR. Serm. 4, 2, 3. n. 54 Alpha e ómega são a primeira e a ultima letra do alphabeto Grego.
{{Parindent|Met. {{Def|Principio ou fundamento de alguma couſa.}} Sous. Hiſt. 2, 1, 16 Mas porque o aſſento exterior, que he o primeiro alphabeto da Religião, &c. D. F. MAN. Muſ. 160. Viol. de Thal. Por ſer letra que a todo o Poeta eſcapa, Ja no alpbabeto do veſtido a kapa.}}
{{lema|ALPHADO, A.}} adj. Muſic. {{Def|Que tem alpha}}. A. FERNAND. Art. 2, 12 Os poutos, que ha no cantochão são os ſeguintes, a ſaber longos, quadrados, ligados, alphados,
triangulados.
{{lema|ALPINO, A.}} adj. {{Def|Poet. Pertencente ou ſemelhante aos Alpes, montanhas, que ſeparão Italia da França e da Alemanha.}} Do Lat. Alpinus. ANDRAD. Cerc. 14, 71, 4 Dece lá do intratavel cume Alpino O arrebatado rio. CASTR. Ulyſſ. 1, 77 Se moſtrão com decoro, e com grandeza Penhas, aonde ſe vêm neves Alpinas. SOUS. DE MAC. Ulſſip. 5, 37 Endurecida ao tempo neve Alpina.
{{lema|ALPISTE.}} s. m. {{Def|Certa planta unilobada da familia das Gramineas.}} He denominado por Linnco Phalaris Canarienfis. O ſeu colmo he direito, folheado, de altura de
dous ou tres pés. As folhas são de largura de tres ou mais linhas, brandas, ordinariamente, glabras, e tem a ſua bainha muito comprida, e coroada de huma pequena membrana branca. A bainha da folha ſuperior he hum pouco barriguda, ou inchada. A eſpiga das flores he terminal, oval, ou quaſi cylindrica, groſſa, e com pennachos brancos, e verdes. As granças são glabras, póſtas ſobre pequenos pedunculos pontudos, e achatados para os lados, e allinalados com linhas verdes. Dáſe em Provença, Heſpanha, Portugal, Canarias. HisT. TRAG. MARIT I, 146 Deo a cada peſſoa obra de hum celamim de alpiſte.
{{lema|ALPISTEIRO.}} s. m. {{Def|Vej. Apiſteiro.}}
{{lema|ALPISTO.}} s. m. {{Def|Vej. Apiſto.}}
{{lema|ALPONDRAS.}} s. f. pl. {{Def|Pedras, que fervem de paſadeiras á gente de pé nos rios pequenos em lugar de ponte.}} CARV. Chorogr. 1, 1, 2: E outro, a que chamão o barco da
taipa, aonde no verão ſe paſſa a cavallo hum vão, e a pé humas alpondras para a Cidade de Braga. BARBOS. Dict. Alpondras. Ponticuli lapidei. BENT. PER. Theſ.
{{lema|ALPORCA.}} s. f. Med. {{Def|Tumor duro, ſeirroſo humas vezes com dor, outras ſem ella, que ſe forma pouco a pouco nas glandulas conglobadas do paſcoço, garganta,ſovacos, &c.}} Unſaſe commum mente no plural. GIL Vic. Obr. 1, 78 Dona Franca Pomba caſou em Buarcos Com Bento Capaio, capador de gatos, Que furando alporcas morreo em Tavilla. Sous. Hiſt. 1, 2, 26 Deráolhe [ao moço] humas alporcas, tinhãolhe o peſcoço tão afeado &c. M. BERNARD. Floreſt. 4, 1, 487 He o que diz o adagio Latino, ſtrumam dibapha tegere: cobrir a alporca com a. purpura.
{{lema|ALPORCADO, A.}} {{Def|p. p. de Alporcar}}. FERR. DE VASC. Aulegr. 4. 1.
{{Parindent|Uſaſe como adj. {{Def|Que tem a enfermidade das alporcas.}} PINT., PACHEC. Tr. 17 Que não tenha [o cavallo] os braços encoronhados ou alporcados, que tudo he o meſmo.}}
{{lema|ALPORCAR.}} v. a. Agric. {{Def|Metter os ramos de huma planta n'huma cova, deixandolhe huma ponta fóra da terra, que cobre o mais, a qual calcada ao pe, lança huma vaia, que ſe cobre, e do pé da que ſe calcou naſcem muitos ramos.}} VAL. FERNAND. Report. Neſte mez [de Novembro] em o crecente da Lua he bom... alporcar e mergulhar. FEST. NA CANON, 20 E nelle [quadro ] hum homem alporcando hum cardo.
{{Parindent|Alporcar hortaliça. {{Def|Cobrila com terra levantada, e repartida en regos.}} Leão, Deſcripç. 32 Semeáráoſe [as chicorceas] aprenderão a alporcalas, dãoſe agora táo
formoſas e taes, que &c.}}
{{lema|ALPORQUENTO, A.}} {{Def|adj. Doente das alporças, ou que tem alporcas, principalmente no peſcoço.}} CURV: Atal. 14
Depois de ſangrado o alporquento, algumas vezes, e purgado, tomará doze vezes as minhas pirolas antiſtrumaticas.
{{lema|ALQUEBRAR.}} v. n. Marinh. {{Def|Render, abrir, quebrar pelas cintas do coſtado. Dos navios.}} BARR. Dec. 1, 10, z
Querendo tirar a monte [o navio ] por lhe alquebrar, á mingoa de não ter apparelhos. — 2, 4, 2 D. Afoſon ... querendo por a monte o navio, por andar desbaratado, alquebrou, e abrio de maneira; que ficou ſem embarcação.
{{lema|ALQUEIRE.}} s. m. {{Def|Certa medida, de todo o genero de grãos, ſeis das quaes fazem hum ſacco, e ſeſſenta hum moio.}} Do Arab. alqueile. Derivaſe do verbo cala, medir. RESEND. Miſc. 168 Anno vi tão abaſtado, Que a octo reaes comprado Foi o alqueire de pão. ORDEN. DE D. MAN.1,15 Item todas as Cidades e Villas de noſſos Reinos e Senhorios de qualquer numero de vizinhos, que ſejão, terão padrão de vara e covado. E medidas de pão, convém a ſaber, alqueire, e meio alqueire, e quarta de
alqueire. Goes, Chr. de D. Man. 1, 70 A terra he tão fertil que ordinariamente colhem de hum alqueire de Pão, que ſemeão, trinta.
{{Parindent|Alqueire de azeite. {{Def|Certa medida de ſeis canadas.}} ORDEN. LED. MAN, 15. E medidas de azeite, convém a ſaber, alqueire, meio alqueire, e quarta alqueire. S. ANN. Chr. 2, 3, 475 Pedião eſtes [Padres] nas pias azeite, e ajuntando tres alqueires delle, os recolherão na caſa de Bartholomeu Paez no fundo de hum pote. L. ALVAR. Serm. 1, 8, 3. n. 9 Devo cem alqueires de azeite.}}
{{Parindent|Saber quantos pães deita ou faz hum alqueire. Fraſ. proverb. e met. {{Def|Entender do governo economico da caſa.}} D. F. MAN. Muſ. 59. Canſ. de Euterp. Ecl. E ſaiba, pois que lhe toca, Quantos pies deita bum alqueire}}
{{lema|ALQUEIVADO, A.}} {{Def|p. p. de Alqueivar.}} GIL Vic. Obr. 4, 208. MEND. PINT. Peregr. 98. FR. THOM. DA VEIG. Conſid. 1, 2, 3.
{{lema|ALQUEIVAR.}} v. a. {{Def|Lavrar a terra ſem a ſemear, que deſcance.}} M. DE FIGUEIR. Chronogr. 4, 26 Quando eſtiver nelles [ſignos terreos] he bom alqueivar as terras pera ſe ſemearem ao tempo, que os lavradores ſemeão. FR, THOM. DA VEIG. Conſid. r., 7, 6. n. 2 l'or
ventura ſempre o lavrador ha de alquivar e arar as terras ſem que chegue o tempo, em que as ſemee.
{{lema|ALQUEIVE.}} s. m. Agric. {{Def|Terra lavrada, que ſe não ſemeia, e aſſim de anno em anno, ou de dous en dous, deſcança e dá mais pão.}} ant. Alqueve. F. ALV. Inform. 17
Aqui começamos caminhar terra chãa, alqueves e lavouras á guiſa de Portugal. LEÃO, Deſcripç. 32. Se lavrão muitas terras, como alqueives para trigo. L. BRAND. Medit. 3, 6, 276. p. 471. Por iſſo o Senhor aconſelhava pelo Profeta a ſeu Povo, que fizeſſe alqueve, lavraſe, e tornaſe a lavrar a terra.
{{lema|ALQUEQUENGE.}} s. m. {{Def|Certa planta vivace.}} He denominada por Linneo Phyfalis alkekingi. Eſta planta eſtendeſe muito, mas não ſe eleva mais que á altura de hum pé, ou pé e meio. A raiz, que he reptante, lança troncos
herbaceos, folheados, e ramoſos. As folhas são pecioladas, ovaes, pontudas, inteiras, ou levemente ondeadas e binadas nas inſerções. As flores são de côr branca pallida ou amarellada, ſolitarias, axilares, e ſuſtentadas por pedunculos mais curtos que os peciolos. Os calices ſe inchão na maturação do fructo, e acquirem huma côr vermelha viva. Achaſe eſta planta nas vinhas, e lugares ſombrios da França, de Alemanha, de Italia, e do Japão. O
ſeu fructo he reputado por hum poderoſo diuretico, refrigerante, e algum tanto anodyno. Tres ou quatro bagas ou graos deſta planta são excellentes para a retenção da ourina, para a cólica neuphritica, e para a hydropefia. Servemſe delles ou em cozimento, ou algumas
vezes ſeccos e em pó. GRISL. Deſeng. 3, 182, 240 Alquequengue. Solanum veficarium alkekeengi, Diſcor. lib. 4. cap. 61. fria e ſecça no ſegundo gráo. CABREIR. Comp. 29 E ſe o ardor for grande, poderá accreſcentar meia duzia de grãos de alquequengues. CURV. Atal. 58 Dous; eſcrupulos de trociſcos de alquequenjes verdadeiros, tomados em agoa de almeirão, conſolidão bem as chagas da bexiga.
{{lema|ALQUER.}} s. m. antiq. {{Def|O meſmo que Alqueire.}} REGR. DA ORD. DE SANTIAG. da ediç. de 1509. 1045 3.
{{lema|ALQUERMES.}} s. m. {{Def|Vej. Alchermes.}}
{{lema|ALQUERIA.}} s. f. pouc. uſ. {{Def|Caſa de campo, para guardar todos os apparelhos e inſtrumentos da lavoura.}} GALHEG. Al-<noinclude></noinclude>
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{{lema|ALPHABETADO, A.}} p. p. de Alphabetar. M. BERN. Floreſt. 5, 10, 463, B.
{{lema|ALPHABETAR.}} v. a. {{Def|Por em ordem de alphabeto}}. M. BERN. Floreſt. 1. Prol. Lourenço Beyerlinch, e Conrado Lycoſthenes tambem alphabetárão as ſuas [ſentenças.]
{{lema|ALPHABETICO, A.}} adj. {{Def|Pertencente ao alphabeto ou feito ſegundo a ordem do alphabeto.}} acc. na antepenult. PURIF. Chr. 2, 6, 5. §. 1 E o diz o Meſtre Fr. Pedro Ramires no ſeu catalogo alphabetico, &c.
{{lema|ALPHABETO.}} s. m. {{Def|Abecedario, ſerie das letras de qualquer lingoa, ſegundo a coordinação, que em cada huma tem.}} Do Lat. Alphabetum. BARR. Dec. 1. Ded. Diſpoſtas. [as
letras na ordem ſignificativa da valia, que cada nação deo ao ſeu alphabeto. HEIT. PINT. Dial. 1, 3, 4 Iſto quizerão ſignificar os antigos Hebréos no ſeu alphabeto. VIEIR. Serm. 4, 2, 3. n. 54 Alpha e ómega são a primeira e a ultima letra do alphabeto Grego.
{{Parindent|Met. {{Def|Principio ou fundamento de alguma couſa.}} Sous. Hiſt. 2, 1, 16 Mas porque o aſſento exterior, que he o primeiro alphabeto da Religião, &c. D. F. MAN. Muſ. 160. Viol. de Thal. Por ſer letra que a todo o Poeta eſcapa, Ja no alpbabeto do veſtido a kapa.}}
{{lema|ALPHADO, A.}} adj. Muſic. {{Def|Que tem alpha}}. A. FERNAND. Art. 2, 12 Os poutos, que ha no cantochão são os ſeguintes, a ſaber longos, quadrados, ligados, alphados,
triangulados.
{{lema|ALPINO, A.}} adj. {{Def|Poet. Pertencente ou ſemelhante aos Alpes, montanhas, que ſeparão Italia da França e da Alemanha.}} Do Lat. Alpinus. ANDRAD. Cerc. 14, 71, 4 Dece lá do intratavel cume Alpino O arrebatado rio. CASTR. Ulyſſ. 1, 77 Se moſtrão com decoro, e com grandeza Penhas, aonde ſe vêm neves Alpinas. SOUS. DE MAC. Ulſſip. 5, 37 Endurecida ao tempo neve Alpina.
{{lema|ALPISTE.}} s. m. {{Def|Certa planta unilobada da familia das Gramineas.}} He denominado por Linnco Phalaris Canarienfis. O ſeu colmo he direito, folheado, de altura de dous ou tres pés. As folhas são de largura de tres ou mais linhas, brandas, ordinariamente, glabras, e tem a ſua bainha muito comprida, e coroada de huma pequena membrana branca. A bainha da folha ſuperior he hum pouco barriguda, ou inchada. A eſpiga das flores he terminal, oval, ou quaſi cylindrica, groſſa, e com pennachos brancos, e verdes. As granças são glabras, póſtas ſobre pequenos pedunculos pontudos, e achatados para os lados, e allinalados com linhas verdes. Dáſe em Provença, Heſpanha, Portugal, Canarias. HisT. TRAG. MARIT I, 146 Deo a cada peſſoa obra de hum celamim de alpiſte.
{{lema|ALPISTEIRO.}} s. m. Vej. Apiſteiro.
{{lema|ALPISTO.}} s. m. Vej. Apiſto.
{{lema|ALPONDRAS.}} s. f. pl. {{Def|Pedras, que fervem de paſadeiras á gente de pé nos rios pequenos em lugar de ponte.}} CARV. Chorogr. 1, 1, 2: E outro, a que chamão o barco da taipa, aonde no verão ſe paſſa a cavallo hum vão, e a pé humas alpondras para a Cidade de Braga. BARBOS. Dict. Alpondras. Ponticuli lapidei. BENT. PER. Theſ.
{{lema|ALPORCA.}} s. f. Med. {{Def|Tumor duro, ſeirroſo humas vezes com dor, outras ſem ella, que ſe forma pouco a pouco nas glandulas conglobadas do paſcoço, garganta,ſovacos, &c.}} Unſaſe commum mente no plural. GIL Vic. Obr. 1, 78 Dona Franca Pomba caſou em Buarcos Com Bento Capaio, capador de gatos, Que furando alporcas morreo em Tavilla. Sous. Hiſt. 1, 2, 26 Deráolhe [ao moço] humas alporcas, tinhãolhe o peſcoço tão afeado &c. M. BERNARD. Floreſt. 4, 1, 487 He o que diz o adagio Latino, ſtrumam dibapha tegere: cobrir a alporca com a. purpura.
{{lema|ALPORCADO, A.}} p. p. de Alporcar. FERR. DE VASC. Aulegr. 4. 1.
{{Parindent|Uſaſe como adj. {{Def|Que tem a enfermidade das alporcas.}} PINT., PACHEC. Tr. 17 Que não tenha [o cavallo] os braços encoronhados ou alporcados, que tudo he o meſmo.}}
{{lema|ALPORCAR.}} v. a. Agric. {{Def|Metter os ramos de huma planta n'huma cova, deixandolhe huma ponta fóra da terra, que cobre o mais, a qual calcada ao pe, lança huma vaia, que ſe cobre, e do pé da que ſe calcou naſcem muitos ramos.}} VAL. FERNAND. Report. Neſte mez [de Novembro] em o crecente da Lua he bom... alporcar e mergulhar. FEST. NA CANON, 20 E nelle [quadro ] hum homem alporcando hum cardo.
{{Parindent|Alporcar hortaliça. {{Def|Cobrila com terra levantada, e repartida en regos.}} Leão, Deſcripç. 32 Semeáráoſe [as chicorceas] aprenderão a alporcalas, dãoſe agora táo formoſas e taes, que &c.}}
{{lema|ALPORQUENTO, A.}} adj. {{Def|Doente das alporças, ou que tem alporcas, principalmente no peſcoço.}} CURV: Atal. 14 Depois de ſangrado o alporquento, algumas vezes, e purgado, tomará doze vezes as minhas pirolas antiſtrumaticas.
{{lema|ALQUEBRAR.}} v. n. Marinh. {{Def|Render, abrir, quebrar pelas cintas do coſtado. Dos navios.}} BARR. Dec. 1, 10, z Querendo tirar a monte [o navio ] por lhe alquebrar, á mingoa de não ter apparelhos. — 2, 4, 2 D. Afoſon ... querendo por a monte o navio, por andar desbaratado, alquebrou, e abrio de maneira; que ficou ſem embarcação.
{{lema|ALQUEIRE.}} s. m. {{Def|Certa medida, de todo o genero de grãos, ſeis das quaes fazem hum ſacco, e ſeſſenta hum moio.}} Do Arab. alqueile. Derivaſe do verbo cala, medir. RESEND. Miſc. 168 Anno vi tão abaſtado, Que a octo reaes comprado Foi o alqueire de pão. ORDEN. DE D. MAN.1,15 Item todas as Cidades e Villas de noſſos Reinos e Senhorios de qualquer numero de vizinhos, que ſejão, terão padrão de vara e covado. E medidas de pão, convém a ſaber, alqueire, e meio alqueire, e quarta de
alqueire. Goes, Chr. de D. Man. 1, 70 A terra he tão fertil que ordinariamente colhem de hum alqueire de Pão, que ſemeão, trinta.
{{Parindent|Alqueire de azeite. {{Def|Certa medida de ſeis canadas.}} ORDEN. LED. MAN, 15. E medidas de azeite, convém a ſaber, alqueire, meio alqueire, e quarta alqueire. S. ANN. Chr. 2, 3, 475 Pedião eſtes [Padres] nas pias azeite, e ajuntando tres alqueires delle, os recolherão na caſa de Bartholomeu Paez no fundo de hum pote. L. ALVAR. Serm. 1, 8, 3. n. 9 Devo cem alqueires de azeite.}}
{{Parindent|Saber quantos pães deita ou faz hum alqueire. Fraſ. proverb. e met. {{Def|Entender do governo economico da caſa.}} D. F. MAN. Muſ. 59. Canſ. de Euterp. Ecl. E ſaiba, pois que lhe toca, Quantos pies deita bum alqueire}}
{{lema|ALQUEIVADO, A.}} p. p. de Alqueivar. GIL Vic. Obr. 4, 208. MEND. PINT. Peregr. 98. FR. THOM. DA VEIG. Conſid. 1, 2, 3.
{{lema|ALQUEIVAR.}} v. a. {{Def|Lavrar a terra ſem a ſemear, que deſcance.}} M. DE FIGUEIR. Chronogr. 4, 26 Quando eſtiver nelles [ſignos terreos] he bom alqueivar as terras pera ſe ſemearem ao tempo, que os lavradores ſemeão. FR, THOM. DA VEIG. Conſid. r., 7, 6. n. 2 l'or ventura ſempre o lavrador ha de alquivar e arar as terras ſem que chegue o tempo, em que as ſemee.
{{lema|ALQUEIVE.}} s. m. Agric. {{Def|Terra lavrada, que ſe não ſemeia, e aſſim de anno em anno, ou de dous en dous, deſcança e dá mais pão.}} ant. Alqueve. F. ALV. Inform. 17 Aqui começamos caminhar terra chãa, alqueves e lavouras á guiſa de Portugal. LEÃO, Deſcripç. 32. Se lavrão muitas terras, como alqueives para trigo. L. BRAND. Medit. 3, 6, 276. p. 471. Por iſſo o Senhor aconſelhava pelo Profeta a ſeu Povo, que fizeſſe alqueve, lavraſe, e tornaſe a lavrar a terra.
{{lema|ALQUEQUENGE.}} s. m. {{Def|Certa planta vivace.}} He denominada por Linneo Phyfalis alkekingi. Eſta planta eſtendeſe muito, mas não ſe eleva mais que á altura de hum pé, ou pé e meio. A raiz, que he reptante, lança troncos herbaceos, folheados, e ramoſos. As folhas são pecioladas, ovaes, pontudas, inteiras, ou levemente ondeadas e binadas nas inſerções. As flores são de côr branca pallida ou amarellada, ſolitarias, axilares, e ſuſtentadas por pedunculos mais curtos que os peciolos. Os calices ſe inchão na maturação do fructo, e acquirem huma côr vermelha viva. Achaſe eſta planta nas vinhas, e lugares ſombrios da França, de Alemanha, de Italia, e do Japão. O ſeu fructo he reputado por hum poderoſo diuretico, refrigerante, e algum tanto anodyno. Tres ou quatro bagas ou graos deſta planta são excellentes para a retenção da ourina, para a cólica neuphritica, e para a hydropefia. Servemſe delles ou em cozimento, ou algumas vezes ſeccos e em pó. GRISL. Deſeng. 3, 182, 240 Alquequengue. Solanum veficarium alkekeengi, Diſcor. lib. 4. cap. 61. fria e ſecça no ſegundo gráo. CABREIR. Comp. 29 E ſe o ardor for grande, poderá accreſcentar meia duzia de grãos de alquequengues. CURV. Atal. 58 Dous; eſcrupulos de trociſcos de alquequenjes verdadeiros, tomados em agoa de almeirão, conſolidão bem as chagas da bexiga.
{{lema|ALQUER.}} s. m. antiq. {{Def|O meſmo que Alqueire.}} REGR. DA ORD. DE SANTIAG. da ediç. de 1509. 1045 3.
{{lema|ALQUERMES.}} s. m. {{Def|Vej. Alchermes.}}
{{lema|ALQUERIA.}} s. f. pouc. uſ. {{Def|Caſa de campo, para guardar todos os apparelhos e inſtrumentos da lavoura.}} GALHEG. Al-<noinclude></noinclude>
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{{lema|ALPHABETADO, A.}} p. p. de Alphabetar. M. BERN. Floreſt. 5, 10, 463, B.
{{lema|ALPHABETAR.}} v. a. {{Def|Por em ordem de alphabeto}}. M. BERN. Floreſt. 1. Prol. Lourenço Beyerlinch, e Conrado Lycoſthenes tambem alphabetárão as ſuas [ſentenças.]
{{lema|ALPHABETICO, A.}} adj. {{Def|Pertencente ao alphabeto ou feito ſegundo a ordem do alphabeto.}} acc. na antepenult. PURIF. Chr. 2, 6, 5. §. 1 E o diz o Meſtre Fr. Pedro Ramires no ſeu catalogo alphabetico, &c.
{{lema|ALPHABETO.}} s. m. {{Def|Abecedario, ſerie das letras de qualquer lingoa, ſegundo a coordinação, que em cada huma tem.}} Do Lat. Alphabetum. BARR. Dec. 1. Ded. Diſpoſtas. [as
letras na ordem ſignificativa da valia, que cada nação deo ao ſeu alphabeto. HEIT. PINT. Dial. 1, 3, 4 Iſto quizerão ſignificar os antigos Hebréos no ſeu alphabeto. VIEIR. Serm. 4, 2, 3. n. 54 Alpha e ómega são a primeira e a ultima letra do alphabeto Grego.
{{Parindent|Met. {{Def|Principio ou fundamento de alguma couſa.}} Sous. Hiſt. 2, 1, 16 Mas porque o aſſento exterior, que he o primeiro alphabeto da Religião, &c. D. F. MAN. Muſ. 160. Viol. de Thal. Por ſer letra que a todo o Poeta eſcapa, Ja no alpbabeto do veſtido a kapa.}}
{{lema|ALPHADO, A.}} adj. Muſic. {{Def|Que tem alpha}}. A. FERNAND. Art. 2, 12 Os poutos, que ha no cantochão são os ſeguintes, a ſaber longos, quadrados, ligados, alphados,
triangulados.
{{lema|ALPINO, A.}} adj. Poet. {{Def|Pertencente ou ſemelhante aos Alpes, montanhas, que ſeparão Italia da França e da Alemanha.}} Do Lat. Alpinus. ANDRAD. Cerc. 14, 71, 4 Dece lá do intratavel cume Alpino O arrebatado rio. CASTR. Ulyſſ. 1, 77 Se moſtrão com decoro, e com grandeza Penhas, aonde ſe vêm neves Alpinas. SOUS. DE MAC. Ulſſip. 5, 37 Endurecida ao tempo neve Alpina.
{{lema|ALPISTE.}} s. m. {{Def|Certa planta unilobada da familia das Gramineas.}} He denominado por Linnco Phalaris Canarienfis. O ſeu colmo he direito, folheado, de altura de dous ou tres pés. As folhas são de largura de tres ou mais linhas, brandas, ordinariamente, glabras, e tem a ſua bainha muito comprida, e coroada de huma pequena membrana branca. A bainha da folha ſuperior he hum pouco barriguda, ou inchada. A eſpiga das flores he terminal, oval, ou quaſi cylindrica, groſſa, e com pennachos brancos, e verdes. As granças são glabras, póſtas ſobre pequenos pedunculos pontudos, e achatados para os lados, e allinalados com linhas verdes. Dáſe em Provença, Heſpanha, Portugal, Canarias. HisT. TRAG. MARIT I, 146 Deo a cada peſſoa obra de hum celamim de alpiſte.
{{lema|ALPISTEIRO.}} s. m. Vej. Apiſteiro.
{{lema|ALPISTO.}} s. m. Vej. Apiſto.
{{lema|ALPONDRAS.}} s. f. pl. {{Def|Pedras, que fervem de paſadeiras á gente de pé nos rios pequenos em lugar de ponte.}} CARV. Chorogr. 1, 1, 2: E outro, a que chamão o barco da taipa, aonde no verão ſe paſſa a cavallo hum vão, e a pé humas alpondras para a Cidade de Braga. BARBOS. Dict. Alpondras. Ponticuli lapidei. BENT. PER. Theſ.
{{lema|ALPORCA.}} s. f. Med. {{Def|Tumor duro, ſeirroſo humas vezes com dor, outras ſem ella, que ſe forma pouco a pouco nas glandulas conglobadas do paſcoço, garganta,ſovacos, &c.}} Unſaſe commum mente no plural. GIL Vic. Obr. 1, 78 Dona Franca Pomba caſou em Buarcos Com Bento Capaio, capador de gatos, Que furando alporcas morreo em Tavilla. Sous. Hiſt. 1, 2, 26 Deráolhe [ao moço] humas alporcas, tinhãolhe o peſcoço tão afeado &c. M. BERNARD. Floreſt. 4, 1, 487 He o que diz o adagio Latino, ſtrumam dibapha tegere: cobrir a alporca com a. purpura.
{{lema|ALPORCADO, A.}} p. p. de Alporcar. FERR. DE VASC. Aulegr. 4. 1.
{{Parindent|Uſaſe como adj. {{Def|Que tem a enfermidade das alporcas.}} PINT., PACHEC. Tr. 17 Que não tenha [o cavallo] os braços encoronhados ou alporcados, que tudo he o meſmo.}}
{{lema|ALPORCAR.}} v. a. Agric. {{Def|Metter os ramos de huma planta n'huma cova, deixandolhe huma ponta fóra da terra, que cobre o mais, a qual calcada ao pe, lança huma vaia, que ſe cobre, e do pé da que ſe calcou naſcem muitos ramos.}} VAL. FERNAND. Report. Neſte mez [de Novembro] em o crecente da Lua he bom... alporcar e mergulhar. FEST. NA CANON, 20 E nelle [quadro ] hum homem alporcando hum cardo.
{{Parindent|Alporcar hortaliça. {{Def|Cobrila com terra levantada, e repartida en regos.}} Leão, Deſcripç. 32 Semeáráoſe [as chicorceas] aprenderão a alporcalas, dãoſe agora táo formoſas e taes, que &c.}}
{{lema|ALPORQUENTO, A.}} adj. {{Def|Doente das alporças, ou que tem alporcas, principalmente no peſcoço.}} CURV: Atal. 14 Depois de ſangrado o alporquento, algumas vezes, e purgado, tomará doze vezes as minhas pirolas antiſtrumaticas.
{{lema|ALQUEBRAR.}} v. n. Marinh. {{Def|Render, abrir, quebrar pelas cintas do coſtado. Dos navios.}} BARR. Dec. 1, 10, z Querendo tirar a monte [o navio ] por lhe alquebrar, á mingoa de não ter apparelhos. — 2, 4, 2 D. Afoſon ... querendo por a monte o navio, por andar desbaratado, alquebrou, e abrio de maneira; que ficou ſem embarcação.
{{lema|ALQUEIRE.}} s. m. {{Def|Certa medida, de todo o genero de grãos, ſeis das quaes fazem hum ſacco, e ſeſſenta hum moio.}} Do Arab. alqueile. Derivaſe do verbo cala, medir. RESEND. Miſc. 168 Anno vi tão abaſtado, Que a octo reaes comprado Foi o alqueire de pão. ORDEN. DE D. MAN.1,15 Item todas as Cidades e Villas de noſſos Reinos e Senhorios de qualquer numero de vizinhos, que ſejão, terão padrão de vara e covado. E medidas de pão, convém a ſaber, alqueire, e meio alqueire, e quarta de
alqueire. Goes, Chr. de D. Man. 1, 70 A terra he tão fertil que ordinariamente colhem de hum alqueire de Pão, que ſemeão, trinta.
{{Parindent|Alqueire de azeite. {{Def|Certa medida de ſeis canadas.}} ORDEN. LED. MAN, 15. E medidas de azeite, convém a ſaber, alqueire, meio alqueire, e quarta alqueire. S. ANN. Chr. 2, 3, 475 Pedião eſtes [Padres] nas pias azeite, e ajuntando tres alqueires delle, os recolherão na caſa de Bartholomeu Paez no fundo de hum pote. L. ALVAR. Serm. 1, 8, 3. n. 9 Devo cem alqueires de azeite.}}
{{Parindent|Saber quantos pães deita ou faz hum alqueire. Fraſ. proverb. e met. {{Def|Entender do governo economico da caſa.}} D. F. MAN. Muſ. 59. Canſ. de Euterp. Ecl. E ſaiba, pois que lhe toca, Quantos pies deita bum alqueire}}
{{lema|ALQUEIVADO, A.}} p. p. de Alqueivar. GIL Vic. Obr. 4, 208. MEND. PINT. Peregr. 98. FR. THOM. DA VEIG. Conſid. 1, 2, 3.
{{lema|ALQUEIVAR.}} v. a. {{Def|Lavrar a terra ſem a ſemear, que deſcance.}} M. DE FIGUEIR. Chronogr. 4, 26 Quando eſtiver nelles [ſignos terreos] he bom alqueivar as terras pera ſe ſemearem ao tempo, que os lavradores ſemeão. FR, THOM. DA VEIG. Conſid. r., 7, 6. n. 2 l'or ventura ſempre o lavrador ha de alquivar e arar as terras ſem que chegue o tempo, em que as ſemee.
{{lema|ALQUEIVE.}} s. m. Agric. {{Def|Terra lavrada, que ſe não ſemeia, e aſſim de anno em anno, ou de dous en dous, deſcança e dá mais pão.}} ant. Alqueve. F. ALV. Inform. 17 Aqui começamos caminhar terra chãa, alqueves e lavouras á guiſa de Portugal. LEÃO, Deſcripç. 32. Se lavrão muitas terras, como alqueives para trigo. L. BRAND. Medit. 3, 6, 276. p. 471. Por iſſo o Senhor aconſelhava pelo Profeta a ſeu Povo, que fizeſſe alqueve, lavraſe, e tornaſe a lavrar a terra.
{{lema|ALQUEQUENGE.}} s. m. {{Def|Certa planta vivace.}} He denominada por Linneo Phyfalis alkekingi. Eſta planta eſtendeſe muito, mas não ſe eleva mais que á altura de hum pé, ou pé e meio. A raiz, que he reptante, lança troncos herbaceos, folheados, e ramoſos. As folhas são pecioladas, ovaes, pontudas, inteiras, ou levemente ondeadas e binadas nas inſerções. As flores são de côr branca pallida ou amarellada, ſolitarias, axilares, e ſuſtentadas por pedunculos mais curtos que os peciolos. Os calices ſe inchão na maturação do fructo, e acquirem huma côr vermelha viva. Achaſe eſta planta nas vinhas, e lugares ſombrios da França, de Alemanha, de Italia, e do Japão. O ſeu fructo he reputado por hum poderoſo diuretico, refrigerante, e algum tanto anodyno. Tres ou quatro bagas ou graos deſta planta são excellentes para a retenção da ourina, para a cólica neuphritica, e para a hydropefia. Servemſe delles ou em cozimento, ou algumas vezes ſeccos e em pó. GRISL. Deſeng. 3, 182, 240 Alquequengue. Solanum veficarium alkekeengi, Diſcor. lib. 4. cap. 61. fria e ſecça no ſegundo gráo. CABREIR. Comp. 29 E ſe o ardor for grande, poderá accreſcentar meia duzia de grãos de alquequengues. CURV. Atal. 58 Dous; eſcrupulos de trociſcos de alquequenjes verdadeiros, tomados em agoa de almeirão, conſolidão bem as chagas da bexiga.
{{lema|ALQUER.}} s. m. antiq. O meſmo que Alqueire. REGR. DA ORD. DE SANTIAG. da ediç. de 1509. 1045 3.
{{lema|ALQUERMES.}} s. m. Vej. Alchermes.
{{lema|ALQUERIA.}} s. f. pouc. uſ. {{Def|Caſa de campo, para guardar todos os apparelhos e inſtrumentos da lavoura.}} GALHEG. Al-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>ALQ
Templ. 3, 174 E o que de Lerma a melhor Villa HMpana Goza cercada de hortas e alquerias.
ALQUEVE. s. m. ant. Vcj. Alqueive...
ALQUIAR. v. a. antiq. O mefmo que Alquilar. FERN. Lor: Chr. de D. J. I. 2, 77 E fe alguem póde aqui haver trigo, e delle quer fazer farinha, alquia a mó aquelle, que a tem, e moe.
ALQUICE. s. m. Veftidura mouifca a modo de capa: comnumente be branca, e de lia. Do Arab. alquecai. Derivafe do verbo caça, veftir, cobrir. GIL Vic. Obr. 3, 168 A moça irà n'hum alguidar, E veftido hum alquicé, &c. CASTANH. Hift. 2, 11 Huma alcatifa de féda carme-
zim, hum alquicé branco e roxo muito fino. BARR. Dec. I, I, IO E em fatisfação difto the derão hum alquicé
cobrir fuas carnes.
ALQUICER, 3. m. O memo, que Alquicé. Sous. Hift. 1 1, 4,6 Moftrafe dentro da arca ainda hoje o alquicer do Mouro. Derivafe do verbo ca-
fa medir ou tomar inèdida com cordel ou vara. Leão,
Orig. 10 Alquies, medida dos cortidores.
ALQUILADO. A. p. p. de Alquilar. SERR. Difc. 2, 341.
ALQUILADOR. s. m. O que alquila. BLUT. Vocab.
ALQUILAR. v. a. pouc. ul. Dar ou tomar de aluguel ou arrendamento alguma coufa por certo tempo e preço. Do Arab. alquerd, alugar. Derivafe do verbo cará, alugar por certo tempo. M. BERN. Floreft. 4, 16, 249 Introduzio com deftreza o conto ou fabula de hum caminhan-
te, que alquilara hum jumento &c.
ALQUIES. s. m. Do Arab. Arab, alquias. Defile
ALQUILE.' s. m. ant. O mefmo que Alquiler. JER. CARDOS.Dict.
ALQUILER. s. m. Aluguel ou arrendamento, que fe faz de alguma coufa por certo tempo e preço. Commummente
fe diz das cavalgaduras,que, fendo aflim tomadas, fe
dizem de alquiler. Do Arab. alquere. Derivafe do verbo
-card, alugar por certo tempo. LEIT. D'ANDRAD. Mifc.
3, 86 Vindo de Madrid. em mulas de alquiler. ALÃO,
Antig. 41, 107 y. Entrárão pelo fitio feis Clerigos, c
dous leigos em mulas de alquiler. MONTEIR. Meth. 67
E com tudo o dono quizelle ganho das beftas de al-
quiler.
O preço, que fe dá pela coufa, que fe toma de alu-
guel ou arrendamento. ALv. DA CUNH. Efcól. 10, 2 Gri-
tava hum pedindo o alquiler da cafa ao meio anno.
Cavalgadura ou befta de aluguel. F. DE ABR. Rel
1 Nobres e grandes Senhores todos fahirão pela porta,
e não havendo alquileres pera tantos, correrão muitos em
cavallos regalados.
of Met. M. BERN. Floreft. 5, 3, 248, B Não he
loucura dar hum homem o feu dinheiro en quantidade
confideravcl a huma mulherinha torpe, eftabulo dos vi-
cios, e alquiler do, demonio, porque diffe hum chifte,
ou porque faltou bem no baile.
ALQUIME. s. n. Certa composição de prata, ouro, e latão.
CEIT. Quadrag: I, 59, 4 Muitas vezes o entendimento
governado pela razão erra, como fe vé no alquime toma-
do por ouro. SprтTOM. Ribeir. 4, 111 Que aggrave e
queira, que amor odio feja? E a falta de ouro falfo
alquine invente: CARDOS. Agiol. 2, 14, I Tres anneis,
hum de alquime com laceca engaftada.
Mer. Puar. Chr. 1, 2, 3. S. 5 E não foi de
balde noffa diligencia, pois achamos fer alquime puro,
ou ter muita parte delle, o que parecia ouro de vinte
e quatro quilates.
O mefmo que Alquimia. LoB. Cort. 7, 69 E ain-
da os outros metaes fe querem converter nelle [ouro] por
meio de alquime.
ALQUIMEA. s. f. O mefmo que Alquime. FR. BERN. DA
SILV. Defenf. 2, 18. Fazlhe o amor proprio parecer ou-
ro fino o que na verdade he alquimed falla.
ALQUIMIA. s. f. Arte fuppofta de couverter os metaes em
ouro. Do Arab. alquiuia. Derivale do verbo camá, occul-
tar, encobrir, efconder por certo tempo. (Alchimia.) SA'
DE MIR. Vilhalp. I, 4 Com tudo tenho já commettido
com a alquimia. LoB. Cort, 16, 153 São efcólas, nas
quaes na mefma maneira, que por alquiniia de cobre fe
faz ouro, nellas de hum idiota, e quafi bruto fe faz ho-
mem. VIEIR. Serm. 11, 9. 3. n. 374 Affim como a al-
quimia por arte tudo converte em ouro, aflim a obedien-
cia por natureza tudo tranftorna c converte em virtude.
Met. FERR. DE VASC. Ulyflip. 2, 4 Afli como en-
rendi eftes difcrctos alcandorados em fua alquimia. Paiv.
Serm. 1, 148 y Fez Deos huma alquimia em fua mor-
te de maneira, que me fica em occafião de efperança
AL Q
237
o que me pudera' juftamente fer caufa de receio. Lor.
Primav. I, 4 Faço alquimia do meu mal Para con
vertelo em bem.
O mesmo que Alquime. No fentido proprio e meta-
phorico. SorтOM. Jard. Eleg. Fazemos de ouro o bem
de outro metal, De alquimia aquelle bem, que he ver-
dadeiro, E afli do bem douramos fempre o mal. FER-
NAND. GALV.. Serm. 3, 207, 2 Ha muitas luzes de alqui-
mia, que não são verdadeiras, nem durão. Sous. Hilt
1, 4, 15 Defcobriol he as alquimias do mundo.
Adag. Alquimia he provada, ter renda, e não gaf-
tar nada.. DeLic. Adag. 61.
ALQUIMIADO, A. adj. De alquime. No fentido proprio
c metaphorico. Sous. Hift. 2, 1, 14 Conhecia que tudo
o melhor da terra era... ouro fallo e alquimiado. PA-
RAD. Dial. 13, 89 Toda [a profperidade] do mundo he
alquimiada e falfa, como diz Santo Agostinho.
ALQUIMILLA. s. f. Certa planta de flores imconipletas.
He denominada por Linneo Alchimilla vulgaris. A raiz
defta planta he groffa, lignofa, e efcura, ou negra, e
muito villofa. Lança muitos troncos cylindricos, folhea-
dos, ramofos, e de hum pé de altura ou ponco menos.
As folhas são alternas, pecioladas, fobre tudo as infe-
riores, arredondadas e tem as extremidades repartidas de
feis até dez lobos denteados. São glabras por cima, ner-
vofas, e venofas por baixo,, e tem pelos curtos nas fuas
extremidades, e nervuras. As folhas no alto dos tron-
cos são rentes e tem as eftipulas vaginäes da fua bafe
muito abertas, e como franjadas. As flores são peque-
nas, numerofas, efverdinhadas, difpoftas em ramilhetes
corymbofos, e poftas nos fins dos. troncos, e dos ramos.
Dále efta planta nos prados montuofós da Europa. He
vulneraria, e adftringente. Do Arab. alchamelia. (Alchi
milla) Cusv. Atal. 393 Tomai de raizes de alchimilla (a
que o povo chama pé de leão) meia onça.
ALQUIMISTA. s. m. O que exercita ou profeffa a arte de
alquimia. (Alchimifta) SA DE MIR. Cart. 3, 4 Dos Al-
quimistas fe diz, Que he doce a fadiga väa. FERR. DE
VASc. Aulegr. 3, 2 Difcretos, em tentar refpeitos, gaf
tão a vida como Alquimistas.
Met. EUFROS. 1, i Affentai que fou grande alqui-
mifta defta coufa. Loa. Condeft. 19, 14 O' homens, fe
ainda o fois, da noffa idade; Alquimiftas da honra e da
juftiça. Ris. DE MAC. Ariftip. 3 Sempre houve alquimif-
tas, que deftillárão as coufas humanas, que derão mais
liberdade da que devião ás fuas conjecturas e murmura-
ções.
Official, que faz obras de alquime on fabrica o mef
mo alquime, PALAC. Summ. 25 O alchimifta que vende
ouro falfo por verdadeiro, he por direito infame. FR. NIC.
DE OLIV. Grandez. 4, 8 Alquimiftas, que fazem alqui-
me e brincos delle, doze. L. ALv. Am. 19 Enganofos al-
quiniftas, que vos avalião o alquime por. outo, e por
prata chumbo.
ALQUIRIVIA. s. f. O mefmo que Chirivia. BLUT. Vocab.
Suppl.
ALQUITIRA. s. f. Certo arbusto de ftores polypetalas, e
da familia das leguminofas. He denominada por Linnco
Aftragalus tragacantha. He hum arbufto pequeno, efpi-
nhofo que nafce frequentemente na Afia, nas vizinhan-
ças de Alepo, em Candia, e outras mais partes. Os feus
troncos são da groffura de huma pollegada, e de dous até
tres pés de altura, lançados em redondo fobre a terra,
e de huma fubftancia efponjofa. Os ramos, que são chlos
de espinhos, são fem folhas na parte, inferior, de forte
que
que nefta parte parece a planta fecca, e como morta.
parte fuperior he chea de pequenas folhas oppoftas.
As flores são pequenas, leguminofas, e quafi purpuri-
nas. A's flores fuccedem bainhas villofas, inchadas, e chèas
de pequenos grãos da figura de hum rim. Nos principios
de Junho, e mezes feguintes corre, ou naturalmente, ou
por incisões feitas no tronco ou ramo: defte arbusto, em
maneira de fio, ou fita mais ou menos comprida, enro
lada, crefpa, ou em grumos, hum fucco gonimofo, bran-
co, ou cinzento, luzidio, leve, fem gofto, ou cheiro,
que fe chama tambem gomma alquitira, on fó alquitira.
Quando fe lança de infusão em agoa fe incha muito, e
parece huma efpecie de creme gelado. Efta mucilagem
da gomma alquítira ferve na Pharmacia, e outros ufos.
He voz puramente Arabiga, feguudo Covarrubias, que
traz as origens, que lhe affignão Diogo de Urréa e o
P. Guadix. A. DA CRUZ, Recop. 2, 8 Fação efte cole
rio. R. Sarcaiola nutrida... alquitirà, &c. AZEV. Cor
recc. 2, 2, 121 Alquifira e gomma arabiga. Monar. Pra<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" /></noinclude>{{center|ALQ}}
Templ. 3, 174 E o que de Lerma a melhor Villa Hiſpana, Goza cercada de hortas e alquerias.
{{lema|ALQUEVE.}} s. m. ant. {{Def|Vej. Alqueive.}}
{{lema|ALQUIAR.}} v. a. antiq. {{Def|O meſmo que Alquilar.}} FERN. Lor: Chr. de D. J. I. 2, 77 E ſe alguem póde aqui haver trigo, e delle quer fazer farinha, alquia a mó aquelle, que a tem, e moe.
{{lema|ALQUICE.}} s. m. {{Def|Veſtidura mouriſca a modo de capa: commumente he branca, e de lãa.}} Do Arab. alquecai. Derivaſe do verbo caça, veſtir, cobrir. GIL Vic. Obr. 3, 168 A moça irà n'hum alguidar, E veſtido hum alquicé, &c. CASTANH. Hiſt. 2, 11 Huma alcatifa de ſéda carmezim, hum alquicé branco e roxo muito fino. BARR. Dec. I, I, IO E em ſatisfação diſto lhe derão hum alquicé cobrir ſuas carnes.
{{lema|ALQUICER.}} s. m. {{Def|O meſmo, que Alquicé.}} Sous. Hiſt. 1 1, 4,6 Moſtraſe dentro da arca ainda hoje o alquicer do Mouro.
{{lema|ALQUIES}}. s.m. Do Arab. alquias. Derivaſe do verbo caſa medir ou tomar inèdida com cordel ou vara. Leão, Orig. 10 Alquies, medida dos cortidores.
{{lema|ALQUILADO. A.}} {{Def|p. p. de Alquilar.}} SERR. Diſc. 2, 341.
{{lema| ALQUILADOR.}} s. m. {{Def|O que alquila.}} BLUT. Vocab.
{{lema|ALQUILAR.}} v. a. pouc. uſ. {{Def|Dar ou tomar de aluguel ou arrendamento alguma couſa por certo tempo e preço.}} Do Arab. alquerd, alugar. Derivaſe do verbo cará, alugar por certo tempo. M. BERN. Floreſt. 4, 16, 249 Introduzio com deſtreza o conto ou fabula de hum caminhante, que alquilara hum jumento &c.
{{lema|ALQUILE.'}} s. m. ant. {{Def|O meſmo que Alquiler.}} JER. CARDOS.Dict.
{{lema|ALQUILER.}} s. m. {{Def|Aluguel ou arrendamento, que ſe faz de alguma couſa por certo tempo e preço.}} CAommummente ſe diz das cavalgaduras, que, ſendo aſſim tomadas, ſe
dizem de alquiler. Do Arab. alquere. Derivaſe do verbo cará, alugar por certo tempo. LEIT. D'ANDRAD. Miſc. 3, 86 Vindo de Madrid. em mulas de alquiler. ALÃO, Antig. 41, 107 y. Entrárão pelo ſitio ſeis Clerigos, e dous leigos em mulas de alquiler. MONTEIR. Meth. 67 E com tudo o dono quizelle ganho das beſtas de alquiler.
{{Parindent|{{Def|O preço, que ſe dá pela couſa, que ſe toma de aluguel ou arrendamento.}} ALV. DA CUNH. Eſcól. 10, 2 Gritava hum pedindo o alquiler da caſa ao meio anno.}}
{{Parindent|{{Def|Cavalgadura ou beſta de aluguel.}} F. DE ABR. Rel. 1 Nobres e grandes Senhores todos ſahirão pela porta, e não havendo alquileres pera tantos, correrão muitos em cavallos regalados.}}
{{Parindent|Met. M. BERN. Floreſt. 5, 3, 248, B Não he loucura dar hum homem o ſeu dinheiro em quantidade conſideravel a huma mulherinha torpe, eſtabulo dos vicios, e alquiler do, demonio, porque diſſe hum chiſte, ou porque faltou bem no baile.}}
{{lema|ALQUIME.}} s. n. {{Def|Certa composição de prata, ouro, e latão.}} CEIT. Quadrag: I, 59, 4 Muitas vezes o entendimento governado pela razão erra, como ſe vé no alquime tomado por ouro. SOTTOM. Ribeir. 4, 111 Que aggrave e
queira, que amor odio ſeja? E a falta de ouro falſo alquine invente? CARDOS. Agiol. 2, 14, I Tres anneis, hum de alquime com laceca engaſtada.
{{Parindent|Mer. Puar. Chr. 1, 2, 3. S. 5 E não foi de balde noſſa diligencia, pois achamos ſer alquime puro, ou ter muita parte delle, o que parecia ouro de vinte e quatro quilates.}}
{{Parindent|{{Def|O meſmo que Alquimia.}} LOB. Cort. 7, 69 E ainda os outros metaes ſe querem converter nelle [ouro] por meio de alquime.}}
{{lema|ALQUIMEA.}} s. f. O meſmo que Alquime. FR. BERN. DA SILV. Defenſ. 2, 18. Fazlhe o amor proprio parecer ouro fino o que na verdade he alquimed falſa.
{{lema|ALQUIMIA.}} s. f. {{Def|Arte ſuppoſta de couverter os metaes em ouro.}} Do Arab. alquimia. Derivaſe do verbo camá, occultar, encobrir, eſconder por certo tempo. (Alchimia.) SÁ DE MIR. Vilhalp. I, 4 Com tudo tenho já commettido com a alquimia. LOB. Cort, 16, 153 São eſcólas, nas quaes na meſma maneira, que por alquimia de cobre ſe faz ouro, nellas de hum idiota, e quaſi bruto ſe faz homem. VIEIR. Serm. 11, 9. 3. n. 374 Aſſim como a alquimia por arte tudo converte em ouro, aſſim a obediencia por natureza tudo tranſforma e converte em virtude.
{{Parindent|Met. FERR. DE VASC. Ulyſſip. 2, 4 Aſſi como entendi eſtes diſcretos alcandorados em ſua alquimia. Paiv. Serm. 1, 148. Fez Deos huma alquimia em ſua morte de maneira, que me fica em occaſião de eſperança o que me pudera juſtamente ſer cauſa de receio. Lor. Primav. I, 4 Faço alquimia do meu mal Para convertelo em bem.}}
{{Parindent|{{Def|O mesmo que Alquime.}} No ſentido proprio e metaphorico. SOTTOM. Jard. Eleg. Fazemos de ouro o bem de outro metal, De alquimia aquelle bem, que he verdadeiro, E aſſi do bem douramos ſempre o mal. FERNAND. GALV. Serm. 3, 207, 2 Ha muitas luzes de alquimia, que não são verdadeiras, nem durão. Sous. Hiſt
1, 4, 15 Deſcobriolhe as alquimias do mundo.}}
{{Parindent|Adag. Alquimia he provada, ter renda, e não gaſtar nada. DELIC. Adag. 61.}}
{{lema|ALQUIMIADO, A.}} adj. {{Def|De alquime.}} No ſentido proprio e metaphorico. Sous. Hiſt. 2, 1, 14 Conhecia que tudo o melhor da terra era... ouro falſo e alquimiado. PARAD. Dial. 13, 89 Toda [a proſperidade] do mundo he
alquimiada e falſa, como diz Santo Agostinho.
{{lema|ALQUIMILLA.}} s. f. {{Def|Certa planta de flores inconipletas.}} He denominada por Linneo Alchimilla vulgaris. A raiz deſta planta he groſſa, lignoſa, e eſcura, ou negra, e
muito villoſa. Lança muitos troncos cylindricos, folheados, ramoſos, e de hum pé de altura ou pouco menos. As folhas são alternas, pecioladas, ſobre tudo as inferiores, arredondadas e tem as extremidades repartidas de ſeis até dez lobos denteados. São glabras por cima, nervoſas, e venoſas por baixo, e tem pelos curtos nas ſuas extremidades, e nervuras. As folhas no alto dos troncos são rentes e tem as eſtipulas vaginäes da ſua baſe muito abertas, e como franjadas. As flores são peque-
nas, numeroſas, eſverdinhadas, diſpoſtas em ramilhetes corymboſos, e poſtas nos fins dos troncos, e dos ramos. Dáſe eſta planta nos prados montuoſós da Europa. He vulneraria, e adſtringente. Do Arab. alchamelia. (Alchimilla) CURV. Atal. 393 Tomai de raizes de alchimilla (a que o povo chama pé de leão) meia onça.
{{lema|ALQUIMISTA.}} s. m. {{Def|O que exercita ou profeſſa a arte de alquimia.}} (Alchimiſta) SÁ DE MIR. Cart. 3, 4 Dos Alquimistas ſe diz, Que he doce a fadiga vãa. FERR. DE
VASC. Aulegr. 3, 2 Diſcretos, em tentar reſpeitos, gaſtão a vida como Alquimistas.
{{Parindent|Met. EUFROS. 1, 1 Aſſentai que ſou grande alquimiſta deſta couſa. Lob. Condeſt. 19, 14 O' homens, ſe ainda o ſois, da noſſa idade; Alquimiſtas da honra e da juſtiça. RIB. DE MAC. Ariſtip. 3 Sempre houve alquimiſtas, que deſtillárão as couſas humanas, que derão mais liberdade da que devião ás ſuas conjecturas e murmurações.}}
{{Parindent|{{Def|Official, que faz obras de alquime ou fabrica o meſmo alquime.}} PALAC. Summ. 25 O alchimiſta que vende ouro faſfo por verdadeiro, he por direito infame. FR. NIC. DE OLIV. Grandez. 4, 8 Alquimiſtas, que fazem alquime e brincos delle, doze. L. ALv. Am. 19 Enganoſos alquiniſtas, que vos avalião o alquime por ouro, e por prata chumbo.}}
{{lema|ALQUIRIVIA.}} s. f. {{Def|O meſmo que Chirivia.}} BLUT. Vocab. Suppl.
{{lema|ALQUITIRA.}} s. f. {{Def|Certo arbusto de flores polypetalas, e da familia das leguminoſas.}} He denominada por Linneo
Aſtragalus tragacantha. He hum arbuſto pequeno, eſpinhoſo que naſce frequentemente na Aſia, nas vizinhanças de Alepo, em Candia, e outras mais partes. Os ſeus troncos são da groſſura de huma pollegada, e de dous até tres pés de altura, lançados em redondo ſobre a terra, e de huma ſubſtancia eſponjoſa. Os ramos, que são cheios
de espinhos, são ſem folhas na parte, inferior, de ſorte que que neſta parte parece a planta ſecca, e como morta. A parte ſuperior he chea de pequenas folhas oppoſtas. As flores são pequenas, leguminoſas, e quaſi purpurinas. A's flores ſuccedem bainhas villoſas, inchadas, e chèas de pequenos grãos da figura de hum rim. Nos principios de Junho, e mezes ſeguintes corre, ou naturalmente, ou por incisões feitas no tronco ou ramo: deſte arbusto, em maneira de fio, ou fita mais ou menos comprida, entelada, creſpa, ou em grumos, hum ſucco gonimoſo, branco, ou cinzento, luzidio, leve, ſem goſto, ou cheiro, que ſe chama tambem gomma alquitira, on ſó alquitira. Quando ſe lança de infusão em agoa ſe incha muito, e parece huma eſpecie de creme gelado. Eſta mucilagem da gomma alquítira ſerve na Pharmacia, e outros uſos. He voz puramente Arabiga, ſegundo Covarrubias, que
traz as origens, que lhe aſſignão Diogo de Urréa e o P. Guadix. A. DA CRUZ, Recop. 2, 8 Fação eſte colerio. R. Sarcaiola nutrida... alquitira, &c. AZEV. Correcc. 2, 2, 121 Alquiſira e gomma arabiga. MORAT. Pra-<noinclude></noinclude>
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Templ. 3, 174 E o que de Lerma a melhor Villa Hiſpana, Goza cercada de hortas e alquerias.
{{lema|ALQUEVE.}} s. m. ant. Vej. Alqueive.
{{lema|ALQUIAR.}} v. a. antiq. O meſmo que Alquilar. FERN. Lor: Chr. de D. J. I. 2, 77 E ſe alguem póde aqui haver trigo, e delle quer fazer farinha, alquia a mó aquelle, que a tem, e moe.
{{lema|ALQUICE.}} s. m. {{Def|Veſtidura mouriſca a modo de capa: commumente he branca, e de lãa.}} Do Arab. alquecai. Derivaſe do verbo caça, veſtir, cobrir. GIL Vic. Obr. 3, 168 A moça irà n'hum alguidar, E veſtido hum alquicé, &c. CASTANH. Hiſt. 2, 11 Huma alcatifa de ſéda carmezim, hum alquicé branco e roxo muito fino. BARR. Dec. I, I, IO E em ſatisfação diſto lhe derão hum alquicé cobrir ſuas carnes.
{{lema|ALQUICER.}} s. m. O meſmo, que Alquicé. Sous. Hiſt. 1 1, 4,6 Moſtraſe dentro da arca ainda hoje o alquicer do Mouro.
{{lema|ALQUIES}}. s.m. Do Arab. alquias. Derivaſe do verbo caſa medir ou tomar inèdida com cordel ou vara. Leão, Orig. 10 Alquies, medida dos cortidores.
{{lema|ALQUILADO. A.}} p. p. de Alquilar. SERR. Diſc. 2, 341.
{{lema| ALQUILADOR.}} s. m. O que alquila. BLUT. Vocab.
{{lema|ALQUILAR.}} v. a. pouc. uſ. {{Def|Dar ou tomar de aluguel ou arrendamento alguma couſa por certo tempo e preço.}} Do Arab. alquerd, alugar. Derivaſe do verbo cará, alugar por certo tempo. M. BERN. Floreſt. 4, 16, 249 Introduzio com deſtreza o conto ou fabula de hum caminhante, que alquilara hum jumento &c.
{{lema|ALQUILE.'}} s. m. ant. O meſmo que Alquiler. JER. CARDOS.Dict.
{{lema|ALQUILER.}} s. m. {{Def|Aluguel ou arrendamento, que ſe faz de alguma couſa por certo tempo e preço.}} CAommummente ſe diz das cavalgaduras, que, ſendo aſſim tomadas, ſe
dizem de alquiler. Do Arab. alquere. Derivaſe do verbo cará, alugar por certo tempo. LEIT. D'ANDRAD. Miſc. 3, 86 Vindo de Madrid. em mulas de alquiler. ALÃO, Antig. 41, 107 y. Entrárão pelo ſitio ſeis Clerigos, e dous leigos em mulas de alquiler. MONTEIR. Meth. 67 E com tudo o dono quizelle ganho das beſtas de alquiler.
{{Parindent|{{Def|O preço, que ſe dá pela couſa, que ſe toma de aluguel ou arrendamento.}} ALV. DA CUNH. Eſcól. 10, 2 Gritava hum pedindo o alquiler da caſa ao meio anno.}}
{{Parindent|{{Def|Cavalgadura ou beſta de aluguel.}} F. DE ABR. Rel. 1 Nobres e grandes Senhores todos ſahirão pela porta, e não havendo alquileres pera tantos, correrão muitos em cavallos regalados.}}
{{Parindent|Met. M. BERN. Floreſt. 5, 3, 248, B Não he loucura dar hum homem o ſeu dinheiro em quantidade conſideravel a huma mulherinha torpe, eſtabulo dos vicios, e alquiler do, demonio, porque diſſe hum chiſte, ou porque faltou bem no baile.}}
{{lema|ALQUIME.}} s. n. {{Def|Certa composição de prata, ouro, e latão.}} CEIT. Quadrag: I, 59, 4 Muitas vezes o entendimento governado pela razão erra, como ſe vé no alquime tomado por ouro. SOTTOM. Ribeir. 4, 111 Que aggrave e queira, que amor odio ſeja? E a falta de ouro falſo alquine invente? CARDOS. Agiol. 2, 14, I Tres anneis, hum de alquime com laceca engaſtada.
{{Parindent|Mer. Puar. Chr. 1, 2, 3. S. 5 E não foi de balde noſſa diligencia, pois achamos ſer alquime puro, ou ter muita parte delle, o que parecia ouro de vinte e quatro quilates.}}
{{ParindentO meſmo que Alquimia. LOB. Cort. 7, 69 E ainda os outros metaes ſe querem converter nelle [ouro] por meio de alquime.}}
{{lema|ALQUIMEA.}} s. f. O meſmo que Alquime. FR. BERN. DA SILV. Defenſ. 2, 18. Fazlhe o amor proprio parecer ouro fino o que na verdade he alquimed falſa.
{{lema|ALQUIMIA.}} s. f. {{Def|Arte ſuppoſta de couverter os metaes em ouro.}} Do Arab. alquimia. Derivaſe do verbo camá, occultar, encobrir, eſconder por certo tempo. (Alchimia.) SÁ DE MIR. Vilhalp. I, 4 Com tudo tenho já commettido com a alquimia. LOB. Cort, 16, 153 São eſcólas, nas quaes na meſma maneira, que por alquimia de cobre ſe faz ouro, nellas de hum idiota, e quaſi bruto ſe faz homem. VIEIR. Serm. 11, 9. 3. n. 374 Aſſim como a alquimia por arte tudo converte em ouro, aſſim a obediencia por natureza tudo tranſforma e converte em virtude.
{{Parindent|Met. FERR. DE VASC. Ulyſſip. 2, 4 Aſſi como entendi eſtes diſcretos alcandorados em ſua alquimia. Paiv. Serm. 1, 148. Fez Deos huma alquimia em ſua morte de maneira, que me fica em occaſião de eſperança o que me pudera juſtamente ſer cauſa de receio. Lor. Primav. I, 4 Faço alquimia do meu mal Para convertelo em bem.}}
{{Parindent|O mesmo que Alquime. No ſentido proprio e metaphorico. SOTTOM. Jard. Eleg. Fazemos de ouro o bem de outro metal, De alquimia aquelle bem, que he verdadeiro, E aſſi do bem douramos ſempre o mal. FERNAND. GALV. Serm. 3, 207, 2 Ha muitas luzes de alquimia, que não são verdadeiras, nem durão. Sous. Hiſt 1, 4, 15 Deſcobriolhe as alquimias do mundo.}}
{{Parindent|Adag. Alquimia he provada, ter renda, e não gaſtar nada. DELIC. Adag. 61.}}
{{lema|ALQUIMIADO, A.}} adj. {{Def|De alquime.}} No ſentido proprio e metaphorico. Sous. Hiſt. 2, 1, 14 Conhecia que tudo o melhor da terra era... ouro falſo e alquimiado. PARAD. Dial. 13, 89 Toda [a proſperidade] do mundo he alquimiada e falſa, como diz Santo Agostinho.
{{lema|ALQUIMILLA.}} s. f. {{Def|Certa planta de flores inconipletas.}} He denominada por Linneo Alchimilla vulgaris. A raiz deſta planta he groſſa, lignoſa, e eſcura, ou negra, e muito villoſa. Lança muitos troncos cylindricos, folheados, ramoſos, e de hum pé de altura ou pouco menos. As folhas são alternas, pecioladas, ſobre tudo as inferiores, arredondadas e tem as extremidades repartidas de ſeis até dez lobos denteados. São glabras por cima, nervoſas, e venoſas por baixo, e tem pelos curtos nas ſuas extremidades, e nervuras. As folhas no alto dos troncos são rentes e tem as eſtipulas vaginäes da ſua baſe muito abertas, e como franjadas. As flores são pequenas, numeroſas, eſverdinhadas, diſpoſtas em ramilhetes corymboſos, e poſtas nos fins dos troncos, e dos ramos. Dáſe eſta planta nos prados montuoſós da Europa. He vulneraria, e adſtringente. Do Arab. alchamelia. (Alchimilla) CURV. Atal. 393 Tomai de raizes de alchimilla (a que o povo chama pé de leão) meia onça.
{{lema|ALQUIMISTA.}} s. m. {{Def|O que exercita ou profeſſa a arte de alquimia.}} (Alchimiſta) SÁ DE MIR. Cart. 3, 4 Dos Alquimistas ſe diz, Que he doce a fadiga vãa. FERR. DE VASC. Aulegr. 3, 2 Diſcretos, em tentar reſpeitos, gaſtão a vida como Alquimistas.
{{Parindent|Met. EUFROS. 1, 1 Aſſentai que ſou grande alquimiſta deſta couſa. Lob. Condeſt. 19, 14 O' homens, ſe ainda o ſois, da noſſa idade; Alquimiſtas da honra e da juſtiça. RIB. DE MAC. Ariſtip. 3 Sempre houve alquimiſtas, que deſtillárão as couſas humanas, que derão mais liberdade da que devião ás ſuas conjecturas e murmurações.}}
{{Parindent|{{Def|Official, que faz obras de alquime ou fabrica o meſmo alquime.}} PALAC. Summ. 25 O alchimiſta que vende ouro faſfo por verdadeiro, he por direito infame. FR. NIC. DE OLIV. Grandez. 4, 8 Alquimiſtas, que fazem alquime e brincos delle, doze. L. ALv. Am. 19 Enganoſos alquiniſtas, que vos avalião o alquime por ouro, e por prata chumbo.}}
{{lema|ALQUIRIVIA.}} s. f. O meſmo que Chirivia. BLUT. Vocab. Suppl.
{{lema|ALQUITIRA.}} s. f. {{Def|Certo arbusto de flores polypetalas, e da familia das leguminoſas.}} He denominada por Linneo Aſtragalus tragacantha. He hum arbuſto pequeno, eſpinhoſo que naſce frequentemente na Aſia, nas vizinhanças de Alepo, em Candia, e outras mais partes. Os ſeus troncos são da groſſura de huma pollegada, e de dous até tres pés de altura, lançados em redondo ſobre a terra, e de huma ſubſtancia eſponjoſa. Os ramos, que são cheios de espinhos, são ſem folhas na parte, inferior, de ſorte que que neſta parte parece a planta ſecca, e como morta. A parte ſuperior he chea de pequenas folhas oppoſtas. As flores são pequenas, leguminoſas, e quaſi purpurinas. A's flores ſuccedem bainhas villoſas, inchadas, e chèas de pequenos grãos da figura de hum rim. Nos principios de Junho, e mezes ſeguintes corre, ou naturalmente, ou por incisões feitas no tronco ou ramo: deſte arbusto, em maneira de fio, ou fita mais ou menos comprida, entelada, creſpa, ou em grumos, hum ſucco gonimoſo, branco, ou cinzento, luzidio, leve, ſem goſto, ou cheiro, que ſe chama tambem gomma alquitira, on ſó alquitira. Quando ſe lança de infusão em agoa ſe incha muito, e parece huma eſpecie de creme gelado. Eſta mucilagem da gomma alquítira ſerve na Pharmacia, e outros uſos. He voz puramente Arabiga, ſegundo Covarrubias, que traz as origens, que lhe aſſignão Diogo de Urréa e o P. Guadix. A. DA CRUZ, Recop. 2, 8 Fação eſte colerio. R. Sarcaiola nutrida... alquitira, &c. AZEV. Correcc. 2, 2, 121 Alquiſira e gomma arabiga. MORAT. Pra-<noinclude></noinclude>
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Templ. 3, 174 E o que de Lerma a melhor Villa Hiſpana, Goza cercada de hortas e alquerias.
{{lema|ALQUEVE.}} s. m. ant. Vej. Alqueive.
{{lema|ALQUIAR.}} v. a. antiq. ''O meſmo que'' Alquilar. FERN. Lor: Chr. de D. J. I. 2, 77 E ſe alguem póde aqui haver trigo, e delle quer fazer farinha, alquia a mó aquelle, que a tem, e moe.
{{lema|ALQUICE.}} s. m. {{Def|Veſtidura mouriſca a modo de capa: commumente he branca, e de lãa.}} Do Arab. alquecai. Derivaſe do verbo caça, veſtir, cobrir. GIL Vic. Obr. 3, 168 A moça irà n'hum alguidar, E veſtido hum alquicé, &c. CASTANH. Hiſt. 2, 11 Huma alcatifa de ſéda carmezim, hum alquicé branco e roxo muito fino. BARR. Dec. I, I, IO E em ſatisfação diſto lhe derão hum alquicé cobrir ſuas carnes.
{{lema|ALQUICER.}} s. m. ''O meſmo, que'' Alquicé. Sous. Hiſt. 1 1, 4,6 Moſtraſe dentro da arca ainda hoje o alquicer do Mouro.
{{lema|ALQUIES}}. s.m. Do Arab. alquias. Derivaſe do verbo caſa medir ou tomar inèdida com cordel ou vara. Leão, Orig. 10 Alquies, medida dos cortidores.
{{lema|ALQUILADO. A.}} p. p. de Alquilar. SERR. Diſc. 2, 341.
{{lema| ALQUILADOR.}} s. m. O que alquila. BLUT. Vocab.
{{lema|ALQUILAR.}} v. a. pouc. uſ. {{Def|Dar ou tomar de aluguel ou arrendamento alguma couſa por certo tempo e preço.}} Do Arab. alquerd, alugar. Derivaſe do verbo cará, alugar por certo tempo. M. BERN. Floreſt. 4, 16, 249 Introduzio com deſtreza o conto ou fabula de hum caminhante, que alquilara hum jumento &c.
{{lema|ALQUILE.'}} s. m. ant. ''O meſmo que'' Alquiler. JER. CARDOS.Dict.
{{lema|ALQUILER.}} s. m. {{Def|Aluguel ou arrendamento, que ſe faz de alguma couſa por certo tempo e preço.}} CAommummente ſe diz das cavalgaduras, que, ſendo aſſim tomadas, ſe
dizem de alquiler. Do Arab. alquere. Derivaſe do verbo cará, alugar por certo tempo. LEIT. D'ANDRAD. Miſc. 3, 86 Vindo de Madrid. em mulas de alquiler. ALÃO, Antig. 41, 107 y. Entrárão pelo ſitio ſeis Clerigos, e dous leigos em mulas de alquiler. MONTEIR. Meth. 67 E com tudo o dono quizelle ganho das beſtas de alquiler.
{{Parindent|{{Def|O preço, que ſe dá pela couſa, que ſe toma de aluguel ou arrendamento.}} ALV. DA CUNH. Eſcól. 10, 2 Gritava hum pedindo o alquiler da caſa ao meio anno.}}
{{Parindent|{{Def|Cavalgadura ou beſta de aluguel.}} F. DE ABR. Rel. 1 Nobres e grandes Senhores todos ſahirão pela porta, e não havendo alquileres pera tantos, correrão muitos em cavallos regalados.}}
{{Parindent|Met. M. BERN. Floreſt. 5, 3, 248, B Não he loucura dar hum homem o ſeu dinheiro em quantidade conſideravel a huma mulherinha torpe, eſtabulo dos vicios, e alquiler do, demonio, porque diſſe hum chiſte, ou porque faltou bem no baile.}}
{{lema|ALQUIME.}} s. n. {{Def|Certa composição de prata, ouro, e latão.}} CEIT. Quadrag: I, 59, 4 Muitas vezes o entendimento governado pela razão erra, como ſe vé no alquime tomado por ouro. SOTTOM. Ribeir. 4, 111 Que aggrave e queira, que amor odio ſeja? E a falta de ouro falſo alquine invente? CARDOS. Agiol. 2, 14, I Tres anneis, hum de alquime com laceca engaſtada.
{{Parindent|Mer. Puar. Chr. 1, 2, 3. S. 5 E não foi de balde noſſa diligencia, pois achamos ſer alquime puro, ou ter muita parte delle, o que parecia ouro de vinte e quatro quilates.}}
{{Parindent|''O meſmo que'' Alquimia. LOB. Cort. 7, 69 E ainda os outros metaes ſe querem converter nelle [ouro] por meio de alquime.}}
{{lema|ALQUIMEA.}} s. f. ''O meſmo que'' Alquime. FR. BERN. DA SILV. Defenſ. 2, 18. Fazlhe o amor proprio parecer ouro fino o que na verdade he alquimed falſa.
{{lema|ALQUIMIA.}} s. f. {{Def|Arte ſuppoſta de couverter os metaes em ouro.}} Do Arab. alquimia. Derivaſe do verbo camá, occultar, encobrir, eſconder por certo tempo. (Alchimia.) SÁ DE MIR. Vilhalp. I, 4 Com tudo tenho já commettido com a alquimia. LOB. Cort, 16, 153 São eſcólas, nas quaes na meſma maneira, que por alquimia de cobre ſe faz ouro, nellas de hum idiota, e quaſi bruto ſe faz homem. VIEIR. Serm. 11, 9. 3. n. 374 Aſſim como a alquimia por arte tudo converte em ouro, aſſim a obediencia por natureza tudo tranſforma e converte em virtude.
{{Parindent|Met. FERR. DE VASC. Ulyſſip. 2, 4 Aſſi como entendi eſtes diſcretos alcandorados em ſua alquimia. Paiv. Serm. 1, 148. Fez Deos huma alquimia em ſua morte de maneira, que me fica em occaſião de eſperança o que me pudera juſtamente ſer cauſa de receio. Lor. Primav. I, 4 Faço alquimia do meu mal Para convertelo em bem.}}
{{Parindent|O mesmo que Alquime. No ſentido proprio e metaphorico. SOTTOM. Jard. Eleg. Fazemos de ouro o bem de outro metal, De alquimia aquelle bem, que he verdadeiro, E aſſi do bem douramos ſempre o mal. FERNAND. GALV. Serm. 3, 207, 2 Ha muitas luzes de alquimia, que não são verdadeiras, nem durão. Sous. Hiſt 1, 4, 15 Deſcobriolhe as alquimias do mundo.}}
{{Parindent|Adag. Alquimia he provada, ter renda, e não gaſtar nada. DELIC. Adag. 61.}}
{{lema|ALQUIMIADO, A.}} adj. {{Def|De alquime.}} No ſentido proprio e metaphorico. Sous. Hiſt. 2, 1, 14 Conhecia que tudo o melhor da terra era... ouro falſo e alquimiado. PARAD. Dial. 13, 89 Toda [a proſperidade] do mundo he alquimiada e falſa, como diz Santo Agostinho.
{{lema|ALQUIMILLA.}} s. f. {{Def|Certa planta de flores inconipletas.}} He denominada por Linneo Alchimilla vulgaris. A raiz deſta planta he groſſa, lignoſa, e eſcura, ou negra, e muito villoſa. Lança muitos troncos cylindricos, folheados, ramoſos, e de hum pé de altura ou pouco menos. As folhas são alternas, pecioladas, ſobre tudo as inferiores, arredondadas e tem as extremidades repartidas de ſeis até dez lobos denteados. São glabras por cima, nervoſas, e venoſas por baixo, e tem pelos curtos nas ſuas extremidades, e nervuras. As folhas no alto dos troncos são rentes e tem as eſtipulas vaginäes da ſua baſe muito abertas, e como franjadas. As flores são pequenas, numeroſas, eſverdinhadas, diſpoſtas em ramilhetes corymboſos, e poſtas nos fins dos troncos, e dos ramos. Dáſe eſta planta nos prados montuoſós da Europa. He vulneraria, e adſtringente. Do Arab. alchamelia. (Alchimilla) CURV. Atal. 393 Tomai de raizes de alchimilla (a que o povo chama pé de leão) meia onça.
{{lema|ALQUIMISTA.}} s. m. {{Def|O que exercita ou profeſſa a arte de alquimia.}} (Alchimiſta) SÁ DE MIR. Cart. 3, 4 Dos Alquimistas ſe diz, Que he doce a fadiga vãa. FERR. DE VASC. Aulegr. 3, 2 Diſcretos, em tentar reſpeitos, gaſtão a vida como Alquimistas.
{{Parindent|Met. EUFROS. 1, 1 Aſſentai que ſou grande alquimiſta deſta couſa. Lob. Condeſt. 19, 14 O' homens, ſe ainda o ſois, da noſſa idade; Alquimiſtas da honra e da juſtiça. RIB. DE MAC. Ariſtip. 3 Sempre houve alquimiſtas, que deſtillárão as couſas humanas, que derão mais liberdade da que devião ás ſuas conjecturas e murmurações.}}
{{Parindent|{{Def|Official, que faz obras de alquime ou fabrica o meſmo alquime.}} PALAC. Summ. 25 O alchimiſta que vende ouro faſfo por verdadeiro, he por direito infame. FR. NIC. DE OLIV. Grandez. 4, 8 Alquimiſtas, que fazem alquime e brincos delle, doze. L. ALv. Am. 19 Enganoſos alquiniſtas, que vos avalião o alquime por ouro, e por prata chumbo.}}
{{lema|ALQUIRIVIA.}} s. f. O meſmo que Chirivia. BLUT. Vocab. Suppl.
{{lema|ALQUITIRA.}} s. f. {{Def|Certo arbusto de flores polypetalas, e da familia das leguminoſas.}} He denominada por Linneo Aſtragalus tragacantha. He hum arbuſto pequeno, eſpinhoſo que naſce frequentemente na Aſia, nas vizinhanças de Alepo, em Candia, e outras mais partes. Os ſeus troncos são da groſſura de huma pollegada, e de dous até tres pés de altura, lançados em redondo ſobre a terra, e de huma ſubſtancia eſponjoſa. Os ramos, que são cheios de espinhos, são ſem folhas na parte, inferior, de ſorte que que neſta parte parece a planta ſecca, e como morta. A parte ſuperior he chea de pequenas folhas oppoſtas. As flores são pequenas, leguminoſas, e quaſi purpurinas. A's flores ſuccedem bainhas villoſas, inchadas, e chèas de pequenos grãos da figura de hum rim. Nos principios de Junho, e mezes ſeguintes corre, ou naturalmente, ou por incisões feitas no tronco ou ramo: deſte arbusto, em maneira de fio, ou fita mais ou menos comprida, entelada, creſpa, ou em grumos, hum ſucco gonimoſo, branco, ou cinzento, luzidio, leve, ſem goſto, ou cheiro, que ſe chama tambem gomma alquitira, on ſó alquitira. Quando ſe lança de infusão em agoa ſe incha muito, e parece huma eſpecie de creme gelado. Eſta mucilagem da gomma alquítira ſerve na Pharmacia, e outros uſos. He voz puramente Arabiga, ſegundo Covarrubias, que traz as origens, que lhe aſſignão Diogo de Urréa e o P. Guadix. A. DA CRUZ, Recop. 2, 8 Fação eſte colerio. R. Sarcaiola nutrida... alquitira, &c. AZEV. Correcc. 2, 2, 121 Alquiſira e gomma arabiga. MORAT. Pra-<noinclude></noinclude>
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Templ. 3, 174 E o que de Lerma a melhor Villa Hiſpana, Goza cercada de hortas e alquerias.
{{lema|ALQUEVE.}} s. m. ant. Vej. Alqueive.
{{lema|ALQUIAR.}} v. a. antiq. ''O meſmo que'' Alquilar. FERN. Lor: Chr. de D. J. I. 2, 77 E ſe alguem póde aqui haver trigo, e delle quer fazer farinha, alquia a mó aquelle, que a tem, e moe.
{{lema|ALQUICE.}} s. m. {{Def|Veſtidura mouriſca a modo de capa: commumente he branca, e de lãa.}} Do Arab. alquecai. Derivaſe do verbo caça, veſtir, cobrir. GIL Vic. Obr. 3, 168 A moça irà n'hum alguidar, E veſtido hum alquicé, &c. CASTANH. Hiſt. 2, 11 Huma alcatifa de ſéda carmezim, hum alquicé branco e roxo muito fino. BARR. Dec. I, I, IO E em ſatisfação diſto lhe derão hum alquicé cobrir ſuas carnes.
{{lema|ALQUICER.}} s. m. ''O meſmo, que'' Alquicé. Sous. Hiſt. 1 1, 4,6 Moſtraſe dentro da arca ainda hoje o alquicer do Mouro.
{{lema|ALQUIES}}. s.m. Do Arab. alquias. Derivaſe do verbo caſa medir ou tomar inèdida com cordel ou vara. Leão, Orig. 10 Alquies, medida dos cortidores.
{{lema|ALQUILADO. A.}} p. p. de Alquilar. SERR. Diſc. 2, 341.
{{lema| ALQUILADOR.}} s. m. O que alquila. BLUT. Vocab.
{{lema|ALQUILAR.}} v. a. pouc. uſ. {{Def|Dar ou tomar de aluguel ou arrendamento alguma couſa por certo tempo e preço.}} Do Arab. alquerd, alugar. Derivaſe do verbo cará, alugar por certo tempo. M. BERN. Floreſt. 4, 16, 249 Introduzio com deſtreza o conto ou fabula de hum caminhante, que alquilara hum jumento &c.
{{lema|ALQUILE.'}} s. m. ant. ''O meſmo que'' Alquiler. JER. CARDOS. Dict.
{{lema|ALQUILER.}} s. m. {{Def|Aluguel ou arrendamento, que ſe faz de alguma couſa por certo tempo e preço.}} CAommummente ſe diz das cavalgaduras, que, ſendo aſſim tomadas, ſe
dizem de alquiler. Do Arab. alquere. Derivaſe do verbo cará, alugar por certo tempo. LEIT. D'ANDRAD. Miſc. 3, 86 Vindo de Madrid. em mulas de alquiler. ALÃO, Antig. 41, 107 y. Entrárão pelo ſitio ſeis Clerigos, e dous leigos em mulas de alquiler. MONTEIR. Meth. 67 E com tudo o dono quizelle ganho das beſtas de alquiler.
{{Parindent|{{Def|O preço, que ſe dá pela couſa, que ſe toma de aluguel ou arrendamento.}} ALV. DA CUNH. Eſcól. 10, 2 Gritava hum pedindo o alquiler da caſa ao meio anno.}}
{{Parindent|{{Def|Cavalgadura ou beſta de aluguel.}} F. DE ABR. Rel. 1 Nobres e grandes Senhores todos ſahirão pela porta, e não havendo alquileres pera tantos, correrão muitos em cavallos regalados.}}
{{Parindent|Met. M. BERN. Floreſt. 5, 3, 248, B Não he loucura dar hum homem o ſeu dinheiro em quantidade conſideravel a huma mulherinha torpe, eſtabulo dos vicios, e alquiler do, demonio, porque diſſe hum chiſte, ou porque faltou bem no baile.}}
{{lema|ALQUIME.}} s. n. {{Def|Certa composição de prata, ouro, e latão.}} CEIT. Quadrag: I, 59, 4 Muitas vezes o entendimento governado pela razão erra, como ſe vé no alquime tomado por ouro. SOTTOM. Ribeir. 4, 111 Que aggrave e queira, que amor odio ſeja? E a falta de ouro falſo alquine invente? CARDOS. Agiol. 2, 14, I Tres anneis, hum de alquime com laceca engaſtada.
{{Parindent|Mer. Puar. Chr. 1, 2, 3. S. 5 E não foi de balde noſſa diligencia, pois achamos ſer alquime puro, ou ter muita parte delle, o que parecia ouro de vinte e quatro quilates.}}
{{Parindent|''O meſmo que'' Alquimia. LOB. Cort. 7, 69 E ainda os outros metaes ſe querem converter nelle [ouro] por meio de alquime.}}
{{lema|ALQUIMEA.}} s. f. ''O meſmo que'' Alquime. FR. BERN. DA SILV. Defenſ. 2, 18. Fazlhe o amor proprio parecer ouro fino o que na verdade he alquimed falſa.
{{lema|ALQUIMIA.}} s. f. {{Def|Arte ſuppoſta de couverter os metaes em ouro.}} Do Arab. alquimia. Derivaſe do verbo camá, occultar, encobrir, eſconder por certo tempo. (Alchimia.) SÁ DE MIR. Vilhalp. I, 4 Com tudo tenho já commettido com a alquimia. LOB. Cort, 16, 153 São eſcólas, nas quaes na meſma maneira, que por alquimia de cobre ſe faz ouro, nellas de hum idiota, e quaſi bruto ſe faz homem. VIEIR. Serm. 11, 9. 3. n. 374 Aſſim como a alquimia por arte tudo converte em ouro, aſſim a obediencia por natureza tudo tranſforma e converte em virtude.
{{Parindent|Met. FERR. DE VASC. Ulyſſip. 2, 4 Aſſi como entendi eſtes diſcretos alcandorados em ſua alquimia. Paiv. Serm. 1, 148. Fez Deos huma alquimia em ſua morte de maneira, que me fica em occaſião de eſperança o que me pudera juſtamente ſer cauſa de receio. Lor. Primav. I, 4 Faço alquimia do meu mal Para convertelo em bem.}}
{{Parindent|O mesmo que Alquime. No ſentido proprio e metaphorico. SOTTOM. Jard. Eleg. Fazemos de ouro o bem de outro metal, De alquimia aquelle bem, que he verdadeiro, E aſſi do bem douramos ſempre o mal. FERNAND. GALV. Serm. 3, 207, 2 Ha muitas luzes de alquimia, que não são verdadeiras, nem durão. Sous. Hiſt 1, 4, 15 Deſcobriolhe as alquimias do mundo.}}
{{Parindent|Adag. Alquimia he provada, ter renda, e não gaſtar nada. DELIC. Adag. 61.}}
{{lema|ALQUIMIADO, A.}} adj. {{Def|De alquime.}} No ſentido proprio e metaphorico. Sous. Hiſt. 2, 1, 14 Conhecia que tudo o melhor da terra era... ouro falſo e alquimiado. PARAD. Dial. 13, 89 Toda [a proſperidade] do mundo he alquimiada e falſa, como diz Santo Agostinho.
{{lema|ALQUIMILLA.}} s. f. {{Def|Certa planta de flores inconipletas.}} He denominada por Linneo Alchimilla vulgaris. A raiz deſta planta he groſſa, lignoſa, e eſcura, ou negra, e muito villoſa. Lança muitos troncos cylindricos, folheados, ramoſos, e de hum pé de altura ou pouco menos. As folhas são alternas, pecioladas, ſobre tudo as inferiores, arredondadas e tem as extremidades repartidas de ſeis até dez lobos denteados. São glabras por cima, nervoſas, e venoſas por baixo, e tem pelos curtos nas ſuas extremidades, e nervuras. As folhas no alto dos troncos são rentes e tem as eſtipulas vaginäes da ſua baſe muito abertas, e como franjadas. As flores são pequenas, numeroſas, eſverdinhadas, diſpoſtas em ramilhetes corymboſos, e poſtas nos fins dos troncos, e dos ramos. Dáſe eſta planta nos prados montuoſós da Europa. He vulneraria, e adſtringente. Do Arab. alchamelia. (Alchimilla) CURV. Atal. 393 Tomai de raizes de alchimilla (a que o povo chama pé de leão) meia onça.
{{lema|ALQUIMISTA.}} s. m. {{Def|O que exercita ou profeſſa a arte de alquimia.}} (Alchimiſta) SÁ DE MIR. Cart. 3, 4 Dos Alquimistas ſe diz, Que he doce a fadiga vãa. FERR. DE VASC. Aulegr. 3, 2 Diſcretos, em tentar reſpeitos, gaſtão a vida como Alquimistas.
{{Parindent|Met. EUFROS. 1, 1 Aſſentai que ſou grande alquimiſta deſta couſa. Lob. Condeſt. 19, 14 O' homens, ſe ainda o ſois, da noſſa idade; Alquimiſtas da honra e da juſtiça. RIB. DE MAC. Ariſtip. 3 Sempre houve alquimiſtas, que deſtillárão as couſas humanas, que derão mais liberdade da que devião ás ſuas conjecturas e murmurações.}}
{{Parindent|{{Def|Official, que faz obras de alquime ou fabrica o meſmo alquime.}} PALAC. Summ. 25 O alchimiſta que vende ouro faſfo por verdadeiro, he por direito infame. FR. NIC. DE OLIV. Grandez. 4, 8 Alquimiſtas, que fazem alquime e brincos delle, doze. L. ALv. Am. 19 Enganoſos alquiniſtas, que vos avalião o alquime por ouro, e por prata chumbo.}}
{{lema|ALQUIRIVIA.}} s. f. O meſmo que Chirivia. BLUT. Vocab. Suppl.
{{lema|ALQUITIRA.}} s. f. {{Def|Certo arbusto de flores polypetalas, e da familia das leguminoſas.}} He denominada por Linneo Aſtragalus tragacantha. He hum arbuſto pequeno, eſpinhoſo que naſce frequentemente na Aſia, nas vizinhanças de Alepo, em Candia, e outras mais partes. Os ſeus troncos são da groſſura de huma pollegada, e de dous até tres pés de altura, lançados em redondo ſobre a terra, e de huma ſubſtancia eſponjoſa. Os ramos, que são cheios de espinhos, são ſem folhas na parte, inferior, de ſorte que que neſta parte parece a planta ſecca, e como morta. A parte ſuperior he chea de pequenas folhas oppoſtas. As flores são pequenas, leguminoſas, e quaſi purpurinas. A's flores ſuccedem bainhas villoſas, inchadas, e chèas de pequenos grãos da figura de hum rim. Nos principios de Junho, e mezes ſeguintes corre, ou naturalmente, ou por incisões feitas no tronco ou ramo: deſte arbusto, em maneira de fio, ou fita mais ou menos comprida, entelada, creſpa, ou em grumos, hum ſucco gonimoſo, branco, ou cinzento, luzidio, leve, ſem goſto, ou cheiro, que ſe chama tambem gomma alquitira, on ſó alquitira. Quando ſe lança de infusão em agoa ſe incha muito, e parece huma eſpecie de creme gelado. Eſta mucilagem da gomma alquítira ſerve na Pharmacia, e outros uſos. He voz puramente Arabiga, ſegundo Covarrubias, que traz as origens, que lhe aſſignão Diogo de Urréa e o P. Guadix. A. DA CRUZ, Recop. 2, 8 Fação eſte colerio. R. Sarcaiola nutrida... alquitira, &c. AZEV. Correcc. 2, 2, 121 Alquiſira e gomma arabiga. MORAT. Pra-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="84.23.221.150" /></noinclude>ELUCIDÁRIO MADEIRENSE - VOLUME I
Índia e Mina. Preso por liberal, por ordem da alçada que veio a esta ilha durante o governo de D. Miguel, foi
enviado para Lisboa a bordo do bergantim *S. Boaventura+, sendo condenado, por sentença de 3 de Agosto
de 1830, a não voltar à Madeira durante 3 anos. Em 23 de Junho de 1838, foi nomeado tabelião do registo
de hipotecas da comarca ocidental, e, em 11 de Junho de 1841, escrivão da administração do concelho do
Funchal. Tendo renunciado este último cargo, por seguir para Cabo Verde, veio a falecer naquele
arquipélago em 1842, em idade pouco avançada. Desempenhou o cargo de secretário da Sociedade dos
Amigos das Sciencias e Artes, e traduziu o Compêndio Elementar de Economia Política, de Adolfo Blanqui,
e o Discurso sobre as revoluções da superfície do globo, pelo barão de Cuvier.
Abreu (Francisco Jorge de). Nasceu no Funchal a 23 de Abril de 1878, e frequentou o liceu e os
três primeiros anos da Escola Médico Cirúrgica desta cidade. Colaborou no antigo jornal funchalense o
Diário Popular, e foi director do Século de Lisboa, e do Primeiro de Janeiro do Porto, tendo sido antes um
dos redactores de A Capital. Além de muitos artigos disseminados pelos referidos jornais, traduziu alguns
romances, publicados em Folhetim, e várias peças teatrais.
Publicou em volumes separados A Revolução Portuguesa, a 31 de Janeiro (Porto 1891), Lisboa, 1912, de 178
pags.; A Revolução Portuguesa, o 5 de Outubro (Lisboa 1910), Lisboa,1912, de 208 pags. e a Boémia
Jornalística. Faleceu no Porto a 7 de Junho de 1932.
Abreu (João de). Gaspar Correia, nas Lendas da Índia, refere se ao madeirense João de Abreu, que
chegou à barra de Goa em Setembro de 1513 na armada do comando de João de Sousa Lima, e que, por
terras do Oriente, se distinguiu em diversos recontros com os indianos, deixando nome ilustre nos anais das
nossas lutas de além mar.
Abreu (João Gomes de). Era conhecido pelo nome de João Gomes de Abreu da lha. Foi capitão
duma nau da armada que partiu para a Índia em 1506. Tomou parte nos combates contra os mouros das
cidades de Brava e ilha do Socotorá e seguiu depois para Cananor, onde deu provas de extremada valentia,
segundo o testemunho de Gaspar Correia nas Lendas da Índia.
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<noinclude><pagequality level="1" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>Jurifpr.
Lat.
Lat. barb.
Logic.
Marinh.
Mathem.
Med.
Met.
Milic.
Montar.
Mufic.
Mythol.
Neutr.
Orthogr.
P. a.
P. p.
Part. pail.
Pharmac.
Philof
Phyfic.
Pintur.
Pl.
Poet.
Pouc. uf.
Prep.
Prol.
Pron.
Pron. peff.
Propr.
Reg.
Rhet.
Ruftic.
Sent.
S. f.
Signif.
S. m.
Subft.
Superl.
T.
Term.
Teftam.
Theol.
V. a.
Vej.
Verb.
V. impeff.
V. n.
Volat.
Uf.
Vulg.
Voz da Juriſprudencia. I
Latim ou voz Latina.
Latim barbaro...
Voz da Logica.
Voz da Marinha.
Voz da Mathematica.
Voz da Medicina.
Metaphora, metaphorico ou metaphoricamente.
Voz da Milicia.
Voz da Montaria.
Voz da Mufica.
Voz da Mythologia.
Neutro ou voz neutra..
Voz da Orthographia.
Participio activo.
Participio paffivo.
Participio paffivo..
Voz pharmaceutica ou, da Pharmacia.
Voz Philofophica ou da Philofophia.
Voz da Phyfica.
Voz da Pintura.
Plural.
Voz ou frafe poctica.
Voz ou frafe de pouco ufo.
Prepofição.
Prologo.
Pronome.
Pronome peffoal.
Proprio ou fentido proprio.
Regefc.
Voz da Rhetorica.
.Voz ruftica.
Sentido.
Subftantivo femenino.
Significação ou fignificado.
Subftantivo mafculino.
A
Subftantivo ou fubftantivos, fubftantivado ou fubftantivadamente.
Superlativo.
Termo.
Terminação.
Teftamento.
Voz Theologica ou da Theologia..
Verbo activo.
Vejafe.
Verbo ou verbos.
Verbo impeffoal.
Verbo neutro.
Voz da Volataria.
Voz ou frafe do ufo.
1.
Voz ou frafe vulgar ou do vulgo.<noinclude></noinclude>
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!
cm
1
A
N
T
ANT
chamamos Joáo branco. Cam. Canç. p, i He Feliz, pof
tiocheno. Estaç. Antig. ^2, 4 Dignos de grande louvor
sáo hefta parte os Amiochenfes.
antiphrafi infelice. Orient. Lufit 114 Noutra planta...
á qual por delicado antiphrafi chamamos os naturaes ArANTIPAPA. s. m. O que fem haver fido canonicamente eleivore Trifte. Lisb. Jard. 223 , i Ufa de hama antiphrafi ^
to Papa , pertetide fer reconhecido por tal contra o verdaque he efpecie de ironia (como tem Quinftiliano. )
deiro e legitimo. Barreir. Chorogr. 221 De maneira,
que fe continuou efta fcifma per efpaço de alguns annos , AímTIPLEURITICO , A. adj. Med. Contrario ao pltU'
riz , ou util para o curar. Curv. Obferv. 4 , 52 Mandei
a qual ainda nào fenecco per morte defte C.irdeal Viâor, Antipapa. Leão, Delcripç.yj Maurício, Arcebiflogo ao Boticário de S. Domingos , que preparaíTe huma canada da minha agoa antipeuritica, e que de feis
po de Braga, que foi Antipapa em tempo de Callifto
cm feis horas tomaíTe meio quartilho delia mórna.
II, Brit. Chr. 2,9 Pera metter o Pontitice dentro em
Koma , e lançar delia o Antip.ipa Anacleto com os fcis- ANTIPODA. s. m. Habitador do globo terreftre, diametralmente oppofto pela fua futiação a outro. Do Lat. Antipematicos, que íuftentaváo íua parte.
des. acc. na antepenult. Corr. Comm. 8, 44 Antipodas
ANTIPAPADO, s. m. Dignidade illegitima de Antipapa.
he nome Grego , compofto de duas palavras, da prepoM. Bern. Floreft.
a, 154} B Trinta dos quaes [annos] teve o antipapado o dito Pedro de Luna.
fiçáo Grega á»TÍ, que quer dizer, contra, e de Trór, o
ANTIPARALYTICO j A. adj. Med. Contrario a parapé , por (erem homens , que pizão a terra ao contrario
de noíTos pés. M. de Figueir. Chronogr.
22. Antilyfia. CuRv. Polyanth. 2, 16, 116. n.
E quando a
parlefia refifta a eftas fomentaçóes, recorreremos á fepodas chamáo aquelles , que com os pés huns pera os ouguinte confeiçáo antiparalytica.
tros , andáo nas extremidades do diâmetro da terra, náa
ANTIPATHIA. s. f. Òontrariedade ou oppoft^ão de gênio ou
podem eftar em huma mefma parte do mundo, fe huns
eftivercm na parte feptcntrional, outros eftaráo na aufnatureza , que fe tem a outro. Das pelToas , animaes , e
tral, eftes tem hum mefmo horizonte e meridiano , o
coufas inanimadas. Lat. Antipathia. acc. na pcnnlt. Barr,
zenith de huns he nadir dos outros, ao contrario eftes
Dec. 2,6,4 Táo maiavilhofa he a natureza na antipathia das coufas. Luc. Vid. 8,40 odio , a amizade, e
tem tudo ao contrario , s. quando a huns he noite , a ouconcordia , que os Gregos chamáo antipathia c fimpathia
tros he dia 8cc. Carv. Via, i , i , i. c. 15 Antipodas
dos animaes feros ou manfos &c. Ceit. íierm. 2,
sáo os qií^ habitão cm parallelos oppoftos em diverfos fe1 Òs que trarão das coufas naturaes, dizem fcr tanta a
micirculos do meridiano, quer dizer, que fe oppóe diaoppofiçáo e antipathia , que ainda depois de mortas , a
metralmente, e differençáofe no tempo; porque quando
a huns he meia noite, a outros he meio dia,e pelo
conferváo.
contrario quando a huns he meio dia, a outros he meia
ANTIPEDE. s. m. antiq. O mefmo que Antipoda. Cancion.
roite.
f ^ Diana já repoufada Por fcu curlo natural De
Met. Luc. Vid. 7, 4 Avifadamente diíTe quem os
nolía vifta privada 0's antipedes paflava. ( imprejfo por
erro Antipeles. )
chsmou [aos Japóes] noíTos antipodas nos eftilos antes ,
que nos fitios. Tell-. Chr. 2, 4, 51. n. 4 Se recolhia
ANTIPERISTASLS. s, m. ou f. Acção de duas qualidades
contrarias, ktma das quaes aumenta a força da outra pe[^certo fidalgo] da caía do jogo áquellas horas , e fe hia
pera huma fua quinta ( que deftes antipodas do tempo
la fua oppofição. Lat. Antiperifiafts. (Antipcriftafe , Anciperiftafi) ant. Antipariftafis. acc. na antepenult. Luc. Vid.
nunca faltâo muitos em Lisboa.) L. Alv. Serm. 2 , 2
2 , 5 Como fe também nefta parte valêra a vizinhança
2. n. 4 Sáo os peccadores antipodas da virtude.
Ufafe como adj. poet. M. Thom. Inful. 6, 14 Eirt
e cerco de hum contrario ( a que chamáo antiperifiaft )
pera melhorar e refinar o outro. Ceit. Serm. 2, ^24,
fuga leva enráo menos ligeira A luz ao anti^oda hori4 Fundo eíte meu difcurfo em a^^uella commum philozonte. Galiieg. Templ. 3 , 129 E merecia Ter da antipcda terra a monarquia.
fophia , que enfina , que o antiperifiafts, id eft , juxta
pojitio contrarii , reforça e anima a cada qual dos con- ANTIPODRAGICO, A. adj. Med. Contrario a enfermitrários pera com mais elEcacia e viveza fe reíiílirem. M.
dade da gotta , ou util para curala. Curv, Obferv., 72,
p Lhe fiz tomar de cinco em cinco dias huma pilula
Bern. Floreft. 4, 12, loi A philofophia deí^s antiptrifiafes efpírituaes ió as pôde expliòar quem as experide feis grãos dos pós antipodragicos.
menta.
ANTIP0L10RCET1CA. s. F, Archit. Milit. Aparte da.
ANTIPHEN. s. m. Orthogr. Certo final, de que fe ufa na
architeãhra militíir , que trata da dcfenfa ou ^pofição. Pimint.-Mcth. Prol. Outra []parte da architeftura militar]
correccão dos efcritos para que fe hajão de apartar as letras bu dicções, que por erro ejião juntas , devendo fer fecom o nome de antipoliorcetica ou repugnatoria , que traparadas. Barret. Orthogr. 54 Ha outra figura , que os
ta da defcnfa ou oppofiçáo. Blut. Vocab. AntipoliornoíTos Orthographos chamáo defuniáo ; eu ( fe alíi me
cetica. He palavra Grep , compofta dc anti, contra, c
he licito, feguindo os preceitos de Horacio , e de Ci^oliorquein, que quer dizer, cercar, fitiar. Vai o mefcero ) lhe chamarei aníiphen : outros lhe chamáo («fenáo
nio , que parte repugnatoria da arthite£lura militar , oa
defenfa das praças.
me engano ) Hypodiaftole , porque he o hyphcn ás aveffas , como
, e ferve de apartar as letras ou dicções ANTIPOLITICA. s. f. Politica aveja, e contraria d ver' juntas, que devèrâo efcreverfc fcparadas : e huma e oudadeira Pülitica. Rib. de Mac. Ariftipp. 2 Com as maximas defta antipolitica preíidiráo muitos ao governo do
tra he commum aos correílores das imprefsóes.
ANTIPHONA. s. f. Verfxculo , que fe reza ou canta no Ofmundo.
ficio divino, antes de começar os Pfalmos. Lar. Antipbona. ANTIPOLOGIA. s. f. Impugnação de alguma apologia:
acc. na penult.' Arr. Dial. 0,6 Os quaes . .. remitto
acc. na antepenult. Azvk. Chr. 3 , <54 E os Sacerdotes
cantarom emmentes huma antíphona. Brit. Chr. i , 18
áb apologias e antipologias de hum famofo Canoniíta.
Se ouvia no coro cantar alguma antiphona em louvor feu ANTiPTOSIS. s. f. Grair.m. Certa figura da Grammatica , quando fe poe hum cafo em lugar de outro. Greg.
j^de N. SenhoraH . . . largava tudo das mãos. Seus. Hift,
A TíTr.í^c/ç. acc. na penult. Barr. Gramm, 167 Antiplt"
1,2,25 Diííelhes que o ajudafleni ... a rogar por elfis, quer dizer cafo por cafo, cá per efta figura, o que
la , oftereccndo a Nofla Senhora a antiphona Salve Reha de eftar cm hum cafo poemos em outro, per femegína.
Ihante exemplo: do homem, de que fallavamos, vem
ANTIPHONARIO. s. m. O que no coro diz ou levanta a
antiphona, ant. Antiphonairo. Estat. dos Coneg. Azues ,
agora; por dizer; o homem, de que fallavamos, vem
agora.
42 , 30 ^ E o antiphonairo pede a benção.
Livro do coro, que contém as antiphonas de todo o ANTIQUADO, A. p. p. de Antiquar, Mercur, de Agoft.
anno , ordinariamente notadas em cantochão. Const. i>e
dc 666. PiMENT. Meth, 2,3, 334, M, Bern, Floreft.
Leir. 22 , 2 Ffalterio , antiphonario , c gradual. Const.
I j 5j »77J C,
EE Brag. 26, i , I E na noffa Sc, e Igrejas CollegiaUfale como adj. O mefmo que Antigo, L. Alv.
das, ou em que houver Beneficiados , que cantem cm
Serm. i , 14, 7. n. 2^ O. ultimo remedio do peccador
antiquado ha dc fer a ultima circunftancia , que em Lacoio, haverá pfalterios , antiphcnàrios , graduaes, Scc.
Barret. Fios San£í. i , 602 , 2 Efcrevem defte Santo
zaro confidero,
2 , 13 , 7. n. 2^ EÍTa he a defgraça dos vicios antiquados.
o Breviario Romano , e o Antiphonario de S. Gregorio.
Aí*JTIPHRASIS. s. m. ou f. Certa figura de Rhetorica, pe- ANTIQUAR, v. a. pouc. uf. Fazer que perca o ufo defde
muito tempo. Particularmente do mefmo tempo a refpeila qual fe declara ou denota huma coufa com palavras,
que fignificão o contrario. Greg. A'»Tí®pctrír. ( Antiphrafe,
to das leis e coftumes de huma nação , ou das palaAntipnrafi) acc. na antepenult. Barr. Gramm. 176 Anvras e frafes de huma lingoa. Do Lat, Antiquare, Fr.
tiphrafís , quer dizer , falia contraira , quando per hum
Leao , Bened. 2 1,2. Prclud. I E depois ou o temrome entendemos ontro contrair© a elle j como a negra
po a antiquariíf, QU
AN-
10
11
unesp
14
15
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17
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19
20
21
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