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História da Mitologia/VI
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text/x-wiki
{{navegar
|obra=[[História da Mitologia]]<BR>
|autor=Thomas Bulfinch
|anterior=[[História da Mitologia/V|V - Faetonte]]
|posterior=[[História da Mitologia/VII|VII - Prosérpina - Glauco e Cila]]
|seção= VI - Midas, Baucis e Filémon
|notas=
}}
<div class="prose"><div style="text-align:justify">
<center>
==Capítulo VI==
</center>
<center>
===[[:w:Midas|Midas]]===
</center>
[[Ficheiro:Baco, por Caravaggio.jpg|thumb|300px|right|<center>Baco<br>pintura de [[:w:Caravaggio|Caravaggio]] (1571-1610)</center>]]
[[:w:Baco|Baco]], em certa ocaisão, encontrou com seu antigo mestre e pai de criação, [[:w: Sileno|Sileno]], que estava perdido.
O velhinho andava bebendo, e nesse estado ficou vagueando, quando foi encontrado por alguns aldeões, que o conduziram até seu rei, [[:w:Midas|Midas]]. Midas o reconheceu, e o tratou com hospitalidade, divertindo-o durante dez dias e noites com festas regadas de alegria. No décimo primeiro dia ele decidiu devolver Sileno a Baco, a cujos braços foi entregue com segurança. Diante das circunstâncias, Baco ofereceu a Midas que ele optasse por uma recompensa, qualquer uma que desejasse. Midas então, pediu para que tudo que ele tocasse se transformasse em ouro. Baco concordou, embora lamentasse que ele não tivesse feito uma escolha melhor.
[[File:Midas gold2.jpg|thumb|300px|right|<center>A filha de Midas se transforma em ouro<br>ao ser tocada por ele<br>ilustração de [[:w:Walter Crane|Walter Crane]] (1845-1915)</center>]]
Midas seguiu seu caminho, regozijando-se com o poder recém adquirido, que fez questão de colocar em prática imediatamente. Mal pode acreditar em seus olhos quando ele encontrou um galho de carvalho, do qual ele havia arrancado, e que se transformara em ouro ao toque de suas mãos. Ele pegou uma pedra; e esta se transformou em ouro. Tocou num punhado de terra; e aconteceu o mesmo. Tocou numa maçã que estava no pé; e você poderia acreditar que ele a havia roubado do [[:w:Jardim das Hespérides|jardim das Hespérides]]. A sua felicidade não admitia limites, e assim que ele chegou em casa, ele ordenou que os seus criados lhe pusessem um esplêndido jantar na mesa. Então, ele ficou desesperado pois quando ele tocou o pão, este endureceu imediatamente em suas mãos; ou quando colocava algum pedaço em sua boca, era um desafio para os seus dentes.
Tomou de um cálice de vinho, mas este escorria pela garganta como se fosse ouro derretido.
Consternado diante de uma aflição sem precedentes, esforçava-se por ver-se livre de tal poder; odiava o dom que ultimamente havia cobiçado tanto. Mas de nada adiantava; a fome parecia convidá-lo. Ele levantou os braços, todo reluzente de ouro, e suplicou em preces a Baco, para que este o libertasse daquela fulgurante destruição.
Baco, que era divindade misericordiosa, o ouviu e o atendeu. "Vai até o [[:w:Pactolo|Rio Pactolo]]," disse o deus, percorre todo o fluxo do rio até a sua nascente, e mergulha tua cabeça e teu corpo em suas águas, e te verás livre do erro e do castigo." E assim o fez, e mal ele havia tocado as águas, quando notou que o poder de transformar tudo em ouro havia sido transferido para o rio, e as suas areias ficaram cobertas de ouro, e assim permanecem até o dia de hoje.
Daí em diante Midas, começou a odiar a riqueza e o esplendor, passou a viver no campo, e se tornou adorador de [[:w:Pã (mitologia)|Pã]], o deus dos bosques.
Em certa ocasião, Pã teve a ousadia de comparar a sua música com a de [[:w:Apolo|Apolo]], chegando a desafiar o deus da lira para uma competição de habilidades. O desafio foi aceito, e [[:w:Tmolo|Tmolo]], o deus das montanhas, foi nomeado árbitro. O velhinho tomou um assento, e removeu as árvores de seus ouvidos para ouvir melhor. Quando o sinal foi dado, Pã soprou sua [[:w:Flauta de pã|flauta]], e com sua rústica melodia causou grande satisfação a si mesmo, bem como a seu fiel seguidor, o rei Midas, que por acaso estava presente. Então, Tmolo virou a sua cabeça em direção ao deus sol, e todas as suas árvores fizeram o mesmo.
Apolo se levantou, tendo a cabeça adornada pelo loureiro parnasiano, enquanto que seu manto de [[:w:Púrpura tíria|púrpura tíria]] chegava até o chão. Com sua mão esquerda segurava a lira, e com a mão direita tocava as cordas. Encantado pela harmonia, Tmolo imediatamente concedeu a vitória ao deus da lira, e todos, com exceção de Midas, concordaram com o julgamento. Ele discordou, e questionou com relação à justiça da recompensa. Apolo não poderia permitir que um par de orelhas tão viciado tivesse a honra de se apresentar sob a forma humana, e fez com que elas aumentassem em tamanho, ficassem cabeludas, por dentro e por fora, e se movimentassem em suas raízes; resumindo, tornaram-se um modelo perfeito como aquelas de um asno.
O rei Midas se sentiu humilhado ao extremo com este infortúnio; mas procurava se consolar achando que fosse possível ocultar a sua desgraça, e fez isso usando um enorme turbante ou um adereço para a cabeça. Mas o seu camareiro naturalmente conhecia o seu segredo. Então, ele foi proibido de mencionar o acontecido, e ameaçado com cruéis punições caso tentasse desobedecer. Mas o criado achou que era pedir demais à sua discrição para guardar um segredo tão relevante; então, ele foi até o meio de um pasto, cavou um buraco no chão, inclinou-se, e sussurou tudo o que sabia para dentro do buraco, cobrindo-o de terra imediatamente. Passado muito tempo, uma densa camada de juncos foi sendo criada no meio do pasto, e a medida que crescia em tamanho, a história era ouvida como se fosse um sussurro soprado pelo vento, continuando assimdo mesmo jeito, daqueles tempos até os dias de hoje, e toda vez que a brisa passa por aquele lugar.
A história do rei Midas foi contada por outros autores com algumas variações. [[:w:John Dryden|Dryden]], em seu poema "A história da Mulher se banhando,"<ref>[https://en.wikipedia.org/wiki/The_Wife_of_Bath's_Tale História da Mulher se Banhando] Wikipedia em inglês</ref><ref>[http://english.fsu.edu/canterbury/wife.html The Wife of Bath's Tale]</ref> diz que a esposa de Midas foi quem revelou o segredo:
"Midas sabia disto, e não ousava dizer a ninguém exceto à sua esposa o segredo da sua condição."
Midas era rei de [[:w:Frígia|Frígia]]. Ele era filho de [[:w:Górdio|Górdio]], pobre camponês, que foi incitado pelo povo a se tornar rei, em obediência à ordem do oráculo, que prognosticava que o futuro rei seria trazido numa carruagem. Quando o povo estava reunido, durante uma discussão pública, Górdio com sua esposa, e acompanhados do filho, chegaram dirigindo uma carruagem na praça pública.
Górdio, assumiu o trono, e dedicou a sua carruagem à divindade do oráculo, amarrando o veículo no local com um nó bem apertado. Este nó ficou conhecido como o nó de Górdio, o qual, nos tempos posteriores se costumava dizer, que aquele que conseguisse desatá-lo se tornaria o senhor de toda a Ásia. Muitos tentaram desamarrá-lo, mas nenhum conseguiu, até que Alexandre, o Grande, em sua vida de conquistas, chegou à Frígia. Ele tentou com toda a sua habilidade, mas não teve sucesso assim como aconteceu com os outros, até que ele ficou impaciente, sacou de sua espada e cortou o nó. Quando então, ele conseguiu submeter à Ásia sob seus domínios, as pessoas começaram a achar que ele havia cumprido literalmente todos os termos do oráculo.
<center>
===[[:w: Baucis|Baucis]] e [[:w:Filémon e Baucis|Filémon]]===
</center>
[[Ficheiro:Adam Elsheimer - Philemon and Baucis.jpg|thumb|300px|right|<center>Júpiter e Mercúrio na casa de Filémon e Baucis<br>pintura de [[:w:Adam Elsheimer|Adam Elsheimer]] (1578-1610)</center>]]
Numa certa colina da Frígia existe um pé de [[:w:Tilia|tília]] e um [[:w:Carvalho|carvalho]], cercados por uma pequena muralha. Não longe desse lugar ficava um pântano, que antigamente fora uma terra habitável, mas que agora era pontilhada de lagos, um paraíso para os pássaros do brejo e dos cormorões. De certa feita, Júpiter, disfarçado de ser humano, visitou essa região, acompanhado de seu filho [[:w: Mercúrio (mitologia)|Mercúrio]] (o criador do [[:w:Caduceu| Caduceu]]), porém, sem as suas asas. Eles se apresentaram, como viajantes cansados, na porta de alguns moradores, em busca de descanso e refúgio, mas todas as portas estavam fechadas, porque já era noite, e os habitantes inóspitos não queriam se levantar para abrir a porta para recebê-los.
Até que um humilde solar decidiu recebê-los, uma pequena cabana coberta de palha, onde Baucis, uma senhora bastante piedosa, e seu marido Filémon, que embora casados ainda jovens, haviam envelhecidos juntos. Não se envergonhavam da pobreza em que viviam, tornando-a suportável em razão dos hábitos moderados e de suas tendências generosas. Não se conseguia saber ali quem era o mestre e quem era o criado; ambos se dedicavam às tarefas domésticas, ora como patrões ora como criados igualmente. Quando os dois visitantes celestiais cruzaram o humilde solar, e tiveram que baixar suas cabeças para passar pela porta que era baixa, o velhinho disponibilizou um assento, sobre o qual Baucis, preocupada e atenciosa, estendeu um pano, e pediu para que eles se sentassem.
Ela então, retirou algumas brasas das cinzas, e acendeu uma pequena fogueira, alimentada por folhas e cascas secas, e soprando vagarosamente criou uma grande chama. De um cantinho retirou algumas madeiras e galhos secos, quebrou-os em pedacinhos, e os colocou debaixo de pequena chaleira. Seu marido coletou alguns potes de ervas no jardim, arrancando-as junto com as raízes e preparando-as dentro de uma panela. Com um pequeno pedaço de pau bifurcado, retirou um pedaço de toucinho que estava pendurado na chaminé, fatiou um pequeno pedaço, e o colocou dentro da panela para ferver junto com as ervas, separando o que sobrou para uma outra ocasião.
Uma tigela de [[:w:Faia|faia]] foi enchida com água quente, para que seus convidados pudessem se lavar. Enquanto tudo isto era feito, eles preenchiam o tempo conversando. No banco que os convidados estavam sentados, fora colocada uma almofada estufada com algas marinhas; e uma toalha, usada somente em grandes ocasiões, mas antiga e rústica o suficiente, fora colocada por cima.
A velha senhora, usando um avental, e tremendo de emoção arrumou a mesa. Uma perna da mesa era menor que as outras, mas um pedaço de ardósia fora colocado para que a mesa não ficasse desequilibrada. Depois de consertada, ela esfregou e limpou a mesa com algumas ervas de sabor adocicado. Algumas azeitonas da casta [[:w:Minerva|Minerva]] foram também adicionadas, e também algumas bagas de cornizos conservadas em vinagre, além de acrescentar rabanetes e queijos, com ovos levemente cozidos nas brasas. Tudo foi servido em pratos de barro, e um cântaro de barro, com copos feitos de madeira, foram colocados ao redor. Depois que tudo ficou pronto, o cozido, quente e fumegante, foi colocado em cima da mesa. Um pouco de vinho, que não era o mais envelhecido, foi adicionado; e como sobremesa, maçãs e mel selvagem; e melhor do que tudo aquilo que era oferecido, os rostos amáveis e simples eram muito mais que uma recepção calorosa.
Ora, enquanto era feita a refeição, os anfitriões ficaram surpresos porque o vinho, a medida que era servido, era enchido automaticamente dentro do cântaro. Assustados com o fato, Baucis e Filémon reconheceram seus convidados celestiais, e caíram de joelhos, e de mãos súplices imploravam perdão pela pobre recepção. Eles tinham um ganso velho, o qual fazia o papel de guardião da humilde choupana; e eles tiveram a ideia de preparar este sacrifício em homenagem aos convidados. Mas o ganso, que era muito ágil, utilizando-se dos pés e das asas, para fugir de seus anfitriões, enganou seus perseguidores, para enfim buscar refúgio juntos aos próprios deuses.
Eles pediram para que o ganso não fosse sacrificado; e disseram o seguinte: "Nós somos deuses. Esta aldeia inóspita sofrerá o castigo pela sua impiedade; apenas vocês serão poupados de castigos tão cruéis. Deixai vossa casa, e vinde conosco para o topo daquela colina." Os dois obedeceram apressadamente, e, apoiados em seus cajados, colocaram-se a caminho da subida íngreme. Eles haviam chegado a distância de alguns passos do topo, quando seus olhos se voltaram para baixo, e viram que toda a região havia sido inundada e se transformada num lago, apenas a casa deles havia ficado de pé. Enquanto olhavam espantados este quadro tão assustador, lamentavam o destino de seus vizinhos, apenas a casa deles havia se transformado num templo.
Os antigos caibros foram substituidos por imensas colunas, a palha ficou amarela e surgiu um teto dourado, o piso ficou coberto de mármore, e as portas foram enfeitadas com entalhes e ornamentos de ouro. Então, Júpiter falou com expressões de benevolência: "Meu honorável velhinho, e respeitável senhora digna de tão bondoso marido, falai, expressai vossos desejos; o que gostaríeis de receberdes como recompensa?" Filémon durante alguns minutos consultou a opinião de Baucis para saber o que ela desejava; só então, revelaram aos deuses o pedido que haviam decidido em comum acordo. "Gostaríamos de ser os sacerdotes e guardiães do templo que erigiste em vossa homenagem; e uma vez que passamos toda a nossa vida com amor e harmonia, desejamos que a vida nos seja retirada na mesma hora e no mesmo instante, para que eu não viva para ver a sepultura de minha esposa, nem seja por ela sepultado." A rogativa deles foi atendida.
Eles se tornaram guardiães do templo enquanto viveram. E quando ficaram velhinhos, certo dia, quando se encontravam diante dos degraus do edifício sagrado, e estavam contando a história daquele templo, Baucis viu quando Filémon começou a estender algumas folhas no chão, e o velho Filémon viu quando Baucis passou por idêntica metamorfose. E então, uma coroa de flores cresceu na cabeça de cada um deles, enquanto trocavam palavras de despedidas, e na medida em que conseguiam expressar seus sentimentos. "Adeus, minha querida esposa," "adeus, meu querido marido," disseram ao mesmo tempo, as suas bocas se fecharam como se fossem cascas secas. O pastor de [[:w:Tiana (Capadócia)|Tiana]] ainda pode ser visto na forma de duas árvores, postas lado a lado, e criadas a partir de duas pessoas bondosas e amorosas.
A história de Baucis e Filémon foi imitada por [[:w:Jonathan Swift|Swift]], num estilo burlesco, sendo que o papel dos atores é representado por dois santos perambulantes, e a casa transformada em igreja, da qual Filémon se tornou sacerdote.
Os versos seguintes traduzem esse sonho:
{{multicol}}{{multicol-break}}
"Mal haviam começado a falar, quando bem suavemente,
O teto começou a se elevar para o alto;
E cada viga e cada trave também se elevava;
As pesadas paredes subiram pouco depois.
As chaminés se expandiam e subiam cada vez mais alto,
Tornando-se um campanário na torre.
A chaleira fora levantada até o teto.
E ali ficou presa a uma viga,
Mas virada para baixo,
Para mostrar a inclinação, se distanciando lá de baixo;
Tudo inutilmente, porque uma força superior,
Aplicada em sentido contrário, interrompe-lhe o movimento;
Condenando-a a ficar em suspensão para sempre,
Não como uma chaleira, mas agora um sino.
Um suporte de espeto de madeira,
Que há muito não era usado na arte de assar,
Sente-se uma súbita modificação
Aumentado por movimentos circulares internos;
E que exalta ainda mais o maravilhoso.
A apresentação torna mais lento o movimento;
A mosca, pensando que tinha pés de chumbo,
Deu uma volta tão rápida que mal se poderia perceber isso;
Mas que reduziu seus movimentos devido a algum poder secreto,
E que agora mal percorre alguns centímetros numa hora.
O suporte de espeto e a chaminé, quase aliados,
Jamais saindo um do lado do outro:
A chaminé que fora transformada em torre,
Não deixaria o suporte sozinho;
Mas sobe apoiado pela torre,
E torna-se um relógio, preso junto a ela;
E o seu amor pelos afazeres domésticos
Não declara ao meio dia com voz estridente,
Avisando a cozinheira para que não deixe queimar
A carne assada que ela não consegue girar;
A cadeira que range começa a se arrastar,
Como enorme caracol, através da parede;
E ali fica presa diante da visão pública,
E com uma pequena modificação, surge o púlpito.
Uma estrutura de cama, de estilo antigo,
De madeira compacta e que suporta muita carga,
Como usavam os nossos ancestrais,
É transformada em bancos
Que ainda mantém sua natureza anterior
Acolhendo pessoas com disposição para dormir."
{{multicol-break}}{{multicol-end}}
=== Notas e Referências do Tradutor ===
<references />
[[en:The Age of Fable/Chapter VI]]
[[Categoria:História da Mitologia]]
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História da Mitologia/XXI
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text/x-wiki
{{Em tradução}}
{{navegar
|obra=[[História da Mitologia]]<BR>
|autor=Thomas Bulfinch
|anterior=[[História da Mitologia/XX|XX - Teseu e Dédalo]]
|posterior=[[História da Mitologia/XXII|XXII - As divindades rurais]]
|seção= XXI - Baco e Ariadne
|notas=
}}
{{multicol}}<div class="prose"><div style="text-align:justify">
<center>
== Baco ==
</center>
[[:w:Baco|Baco]] era filho de [[:w:Júpiter|Júpiter]] e [[:w:Sêmele|Sêmele]]. [[:w:Juno|Juno]], para satisfazer seus ressentimentos contra Sêmele, arquitetou um plano para destruí-la. Tendo assumido a forma de Beroe, sua já idosa criada, lançou dúvidas em seu coração se era de fato o próprio Jove, seu amante, que haveria de chegar. Dando um suspiro, ela disse, "Espero que seja ele mesmo, mas não posso deixar de ficar assustada. As pessoas nem sempre são o que elas pretendem ser. Se ele for Jove realmente, faze com que ele me dê uma prova disso. Pede a ele que venha vestido com todo seu esplendor, da maneira que ele costuma se trajar no céu. Isso irá tirar qualquer dúvida." Sêmele foi convencida a fazer um teste. E pede a ele um favor, sem mencionar do que se tratava.
[[file:Leonardo da Vinci 001.jpg|thumb|300px|center|<center>Baco de [[:w:Leonardo da Vinci|Leonardo da Vinci]]</center>]]
Jove lhe dá a palavra, vindo a confirmá-la com um julgamento irrevogável, sob testemunho do [[:w:Estige|Rio Estige]], que era terrível para com os próprios deuses. Então, ela deu a conhecer o que desejava. O deus a teria impedido de falar, mas ela falava com muita pressa. As palavras lhe fugiram, e ele não conseguia nem descumprir a promessa nem atender-lhe o pedido. Profundamente aflito, ele saiu e retornou até os páramos superiores. Então, ele se vestiu com todo seu esplendor, despido de todos os horrores, como na tarde em que derrotou os gigantes, mas com as vestimentas conhecidas entre os deuses como seu troféu mais modesto. Trajado desta maneira, ele adentrou o quarto de Sêmele. A estrutura humana da jovem não conseguiu suportar os resplendores de seu brilho imortal.
E ela se transformou em cinzas. Jove levou o pequeno Baco e o colocou aos cuidados das [[:w:Nisa (Turquemenistão)|ninfas de Nisa]], que o amamentaram na infância e na meninice, e por terem cuidado dele, elas foram recompensadas por Júpiter sendo colocadas, como as [[:w:Híades|Híades]], entre as estrelas. Quando Baco ficou grande, ele descobriu a cultura do vinho e a maneira de extrair seu suco precioso; mas Juno fez com que ele enlouquecesse, e o transformou num peregrino vagando pelas várias partes da Terra. Na [[:w:Frígia|Frígia]] a deusa [[:w:Reia|Reia]] lhe devolveu a saúde e ensinou a ele seus rituais religiosos, e ele continuou viajando pela Ásia, ensinando às pessoas o cultivo da uva. A parte mais famosa de suas andanças foi a sua expedição até a Índia, que dizem ter durado vários anos.
Ao retornar em triunfo, começou a introduzir na Grécia o culto à sua pessoa, porém, teve a resistência de alguns príncipes, que receavam-lhe a adoração por conta das desordens e da loucura que lhe eram atribuídas. A medida que ele se aproximava de [[:w: Tebas (Grécia)|Tebas]], sua cidade natal, [[:w:Penteu|Penteu]] o rei que não respeitava o novo culto, proibiu que esses rituais fossem realizados. Porém, quando ficaram sabendo que Baco estava nas imediações, homens e mulheres, mas, principalmente as mulheres, jovens e de idade, se apressaram para encontrá-lo e se juntar à sua marcha triunfal.
O poeta [[:w:Henry Wadsworth Longfellow|Longfellow]] (1807-1882) em sua "Canção à Bebida" descreve desta maneira a marcha de Baco:
<poem>
"Faunos acompanham o jovem Baco;
Coroas de hera que cingem, celestiais
Como a fronte de Apolo,
Detentora da juventude eterna
"Lindas bacantes dançam em torno dele,
Portando címbalos, flautas e tirsos<ref>Tirsos:Bastões, enfeitados com heras e pâmpanos, e com extemidades em forma de pinha, com os quais se representam Baco e as Bacantes.</ref>,
Selvagens das matas de [[:w:Naxos|Naxos]]
Vinhedos de [[:w: Zaquintos|Zantes]], cantam versos delirantes,"
</poem>
Inutilmente, Penteu protestatava, ordenava, e ameaçava. "Ide," dizia ele para os seus servidores, "e prendei este líder vagabundo que causa toda essa desordem e trazei-o até aqui. Logo o farei confessar suas falsas pretensões de parentescos celestiais e abjurar sua presumida adoração." De nada adiantou que seus amigos mais próximos e conselheiros mais sábios protestassem e lhe pedissem para ele não se opor ao deus. O protesto de seus sequazes apenas o deixava mais violento.
Mas os serviçais que haviam sido enviados para prender Baco já haviam retornado. Eles haviam sido expulsos pelos bacanais, mas haviam conseguido trazer um como prisioneiro, o qual, com suas mãos atadas para trás, foi colocado diante do rei. Penteu, contemplando-o com o semblando irado, disse, "O companheiro será imediatamente colocado à morte, para que a tua sorte seja um aviso para os outros; porém, embora eu relute em adiar a tua morte, falai, dize-nos quem és, e do que se trata esse novos rituais que vocês se atrevem realizar."
O prisioneiro, respondeu, sem se atemorizar, "Meu nome é [[:w:Acetes|Acetes]]; e meu país se chama Meônia<ref>Meônia: reino da [[:w:Lídia|Lídia]], na [[:w:Turquia|Turquia]]</ref>; meus pais eram gente pobre, que não tinham campos ou rebanhos para me deixar, mas eles me deixaram suas varas de pescar e suas redes, além do comércio da pesca. Durante alguns anos tive essa profissão, até que fui ficando cansado de permanecer no mesmo lugar, então, aprendi a arte da navegação e como orientar o meu curso olhando as estrelas. E aconteceu que quando estávamos navegando em direção a cidade de Delos, passamos pela ilha chamada [[:w:Dia (ilha)|Dia]] onde desembarcamos. Na manhã seguinte, enviei meus homens para que buscassem água fresca, então, eu mesmo fui até a montanha, para observar a direção do vento; quando os meus homens retornaram, traziam com eles um prêmio, como pensavam, era um garoto com aspecto delicado, que eles haviam encontrado dormindo."
"Acharam que se tratava de um jovem da nobreza, talvez o filho de um rei, e que poderiam conseguir um resgate generoso com ele. Observei as roupas que ele usava, seu jeito de andar e o seu aspecto. Havia nele algo que me dava a certeza de tratar-se de alguém maior que um mortal. Então, disse aos meus homens, "Que deus estará oculto nessa aparência eu não sei, mas alguém aí se encontra com certeza. Perdoa-nos, gentil divindade, pela violência com que te tratamos, e faze com que sejamos bem sucedidos em nossos cometimentos." Dictys<ref>Dictys:um dos marinheiros que tentou abduzir Dionísio mas foi transformado pelo deus num golfinho.</ref>, um dos meus melhores homens em subir e descer do mastro usando as cordas, [[:w:Melanto|Melanto]], meu timoneiro, e [[:w:Epopeu|Epopeu]], líder dos marinheiros, gritaram todos de uma só vez, "Guarda para nós tuas orações." Porque a sede de lucro nos cegou! Quando eles se preparavam para colocá-lo a bordo fui contra."
[[file:Baco, por Caravaggio.jpg|thumb|300px|center|<center>Baco de [[:w:Caravaggio|Caravaggio (1571–1610)]]</center>]]
"Este navio não será profanado com tanta impiedade," disse eu. "A minha parte nele é maior do que qualquer um de vocês." Mas [http://referenceworks.brillonline.com/entries/brill-s-new-pauly/lycabas-e713200?s.num=1&s.au=%22Bischoff,+Doerte%22&s.f.s2_parent_title=Brill%E2%80%99s+New+Pauly+Supplements+I+-+Volume+4+:+The+Reception+of+Myth+and+Mythology Lícaba], um companheiro criador de casos, me pegou pela garganta e tentou me atirar para fora do navio, e por pouco não consegui me salvar pendurando-me nas cordas. Os demais concordaram com o que havia sido feito. "Então, Baco, (pois era de fato ele), como que fugindo da própria sonolência, exclamou, "O que fazeis comigo? Porque estão todos discutindo? Quem me trouxe até aqui? Para onde vocês estão me levando?" Um deles respondeu, "Nada temais; dize-nos onde queres ir e te levaremos até lá." "Naxos é onde moro," disse Baco; "levai-me lá e sereis bem recompensado." Eles prometeram que o fariam, e me pediram para que pilotasse o navio até Naxos.
Naxos ficava à direita, e eu estava manejando as velas para chegarmos até lá, quando alguns, através de sinais e outros sussurrando, me davam a entender que eu deveria velejar em sentido contrário, e levar o garoto até o Egito para vendê-lo como escravo. Eu fiquei confuso e disse, "Será que alguém poderia pilotar o navio;" e me retirei, afastando-me de qualquer responsabilidade da maldade que pretendiam. Eles me ofenderam, e um deles, exclamando, "Não se vanglorie por dependermos de você para nossa segurança;" tomou o lugar de piloto, e zarpou de Naxos. "Então, o deus, fingindo que acabava de tomar conhecimento daquela traição, olhou a imensidão do mar e disse com voz chorosa, "Marinheiros, estas não são as praias que prometestes me levar; aquela ilha não é onde moro."
"O que foi que eu fiz para me tratarem assim? Que glória insignificante tereis iludindo um pobre garoto." Chorei ao ouví-lo, mas a tripulação ria de nós dois, e imprimiram ao navio maior velocidade. Mas, de repente – essa é a verdade, por mais estranho que isso possa parecer – o navio parou, em pleno mar, tão rapidamente como se estivesse preso ao solo. Os homens, assustados, colocaram mais força em seus remos, e estenderam mais as velas, tentar obter algum sucesso com a ajuda de ambos, mas era tudo em vão. Uma hera se enroscou em torno dos remos impedindo-lhes o movimento, e agarrou-se às velas, com os pesados cachos de seus frutos. Um vinhedo, carregado de uvas, subiu pelo mastro, percorrendo as laterais do navio. Sons de flautas eram ouvidos e o odor da fragrância do vinho se espalhava por toda parte."
"O próprio deus usava uma coroa com folhas de uva, e trazia em suas mãos uma lança feita de hera. Tigres estavam agachados aos seus pés, e figuras de linces e de panteras pintadas brincavam em torno dele. Os homens ficaram todos loucos e alienados; alguns saltavam para fora do navio; e outros que se preparavam para fazer o mesmo contemplavam seus companheiros que sofriam uma modificação ao atingirem a água, seus corpos ficavam achatados com terminações em caldas retorcidas. Um deles exclamou, "Que coisa mais estranha!" e enquanto ele falava, a sua boca ficava mais larga, as suas narinas se expandiam, e escamas cobriam todo o seu corpo. Um outro, que tentava mover os remos, percebeu que suas mãos encolhiam e na verdade elas não eram mais mãos, porém, barbatanas; um outro que tentava levantar seus braços para pegar uma corda, percebeu que ele não tinha braços, e dobrando seu corpo mutilado, pulou para dentro do mar."
"O que antes era suas pernas havia se transformado em duas extremidades de uma cauda em formato crescente. Toda a tripulação havia se transformado em golfinhos e ficava nadando em torno do barco, ora pela superfície, ora debaixo dela, lançando jatos dágua, e jorrando água pelas suas enormes narinas. Dos vinte homens só restava eu. Tremendo de medo, o deus me animou. "Nada temas," disse ele; "conduza-nos até Naxos." Obedeci, e ao chegarmos lá, acendi incenso nos altares e celebrei os sagrados rituais de Baco." O meu amigo Penteu exclamou, "Já perdemos tempo demais com esta história maluca. Levem-no embora e façam com que ele seja executado sem demora." Acetes foi levado embora pelos servidores e lacrado numa prisão; mas, enquanto eles estavam preparando os instrumentos para a execução as portas da prisão começaram a se abrir sem mãos humanas e as correntes se soltaram de seus membros, e quando foram procurá-lo ele não foi encontrado em lugar nenhum.
Penteu ficou furioso, mas ao invés de enviar outros homens, decidiu ele mesmo ir até o palco das solenidades. O [[:w:Monte Citerão|monte Citerão]] estava lotado de adoradores, e os gritos dos bacanais ecoavam por toda parte. O barulho despertou a fúria de Penteu, assim como o som de uma trombeta incendeia a valentia de um cavalo de guerra. Ele atravessou a floresta até chegar num espaço aberto onde a cena principal das orgias chocaram os seus olhos. No mesmo instante as mulheres o viram; e na frente delas estava a sua própria mãe, [[:w:Agave (mitologia)|Agave]], enceguecida pelo deus, que gritava, "Vejam o javali selvagem, o maior monstro a perambular por estas florestas! Venham, irmãs! Eu serei a primeira a ferir o javali selvagem."
E todo o grupo começou a correr atrás dele, e embora ele se mostrasse agora menos arrogante, ora se desculpando, ora admitindo o próprio erro a implorar perdão, elas o acuaram e ele acaba ferido. Em vão ele grita para as suas tias protegerem-no de sua mãe. Autonoe pegou um de seus braços, Ino o outro, e ele foi feito em pedaços pelas duas, enquanto sua mãe gritava, "Vitória! Vitória! nós conseguimos; a glória é nossa!" E assim o culto a Baco foi instaurado na Grécia.
Há uma alusão à história de Baco e os marinheiros no poema "Comus" de [[:w:John Milton|Milton]] (1608-1674), na linha 46. A história de Circe será contada no Capítulo XXIX.
<poem>
"Baco tendo surgido primeiro das uvas púrpuras
Anula o doce veneno enólico em excesso,
Transformado segundos os hábitos de Toscana,
Nas costas do Tirreno elencados pelos ventos
Cai na ilha de Circe (quem não conhece Circe,
A filha do sol? cuja taça encantada
Quem a provou, perdeu a forma vertical,
Caindo rastejante como porcos).
</poem>
[[file:Tizian 048.jpg|thumb|400px|center|<center>Baco e Ariadne de [[:w:Ticiano|Ticiano (1490–1576)]]</center>]]
<center>
== Ariadne ==
</center>
Vimos, na história de Teseu, como Ariadne, filha do rei Minos, depois de ajudar Teseu a fugir do labirinto, foi raptada por ele até a ilha de Naxos e lá foi deixada dormindo, enquanto o ingrato Teseu fazia o caminho de volta para casa sem ela. Ariadne, quando acordou e viu que tinha sido abandonada, entregou-se à desilusão. Mas Vênus ficou com dó dela, e a consolou com a promessa de que teria um amor imortal, no lugar do mortal que ela havia perdido. A ilha onde Ariadne foi deixada era a ilha favorita de Baco, a mesma para onde ele queria que os marinheiros tirrenos o tivessem levado, quando eles, de maneira tão sórdida, pretendiam fazer dele um troféu.
Como Ariadne estivesse lamentando sua sorte, Baco a encontrou, a confortou, e fez dela sua esposa. Como presente de casamento, ele ofereceu a ela uma coroa de ouro, repleta de pedras preciosas, e quando ela morreu, ela levou consigo a coroa, atirando-a para o céu. A medida que subia as pedras preciosas foram se tornando mais brilhantes e se transformaram em estrelas, e preservando a própria forma, a coroa de Ariadne se fixou no espaço celeste como uma constelação, entre Hercules de joelhos e o homem segurando a serpente.
O poeta [[:w:Edmund Spenser|Spenser]] (1552-1599) se refere à coroa de Ariadne, embora ele tenha cometido alguns equívocos em sua mitologia. Foi no casamento de Pirítoo, e não de Teseu, que os [[:w:Centauro|Centauros]] e os [[:w:Lápitas|Lápitas]] tiveram uma briga.
<poem>
"Veja como a coroa usada por Ariadne
Em sua fronte de marfim naquele mesmo dia
Quando Teseu ostentou a ela em seu noivado,
Então os corajosos Centauros criaram aquela confusão sangrenta
Quando os ferozes lápitas lhes causaram desalento;
Sendo agora entronada no firmamento,
Pelo céu brilhante exibindo seu feixe de luz,
Sendo para as estrelas um ornamento,
Que, bem alinhadas, giram em torno de seus movimentos."
</poem>
== Notas e Referências do Tradutor ==
<references />
[[en:The Age of Fable/Chapter XXI]]
[[Categoria:História da Mitologia]]
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Hino do município de Sigefredo Pacheco
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HINO DE SIGEFREDO PACHECO
Feliz caatinga agreste,
de gente boa aguerrida,
ver ergue-se uma ermida,
Conceição nome celeste.
O teu solo é sagrado,
pro vaqueiro e o lavrador,
sendo a fé nosso legado,
obrigado Monsenhor.
Oh, cidade, tão querida,
és guarida pra quem chega,
queira Deus, que os filhos teus,
não se esqueçam de te amar.
Foi com grande alegria
que o teu povo te cantou,
29 de abril,
liberdade enfim chegou.
Sigefredo Pacheco vive
sob as bênçãos de Maria,
a esperança te ilumina,
como o sol ao meio dia.
Oh, cidade tão querida,
és guarida pra quem chega,
queira Deus que os filhos teus
não se esqueçam de te amar.
Mandacaru sempre valente
faz contraste a natureza,
verdes matas que beleza,
és o orgulho dessa gente.
Oh, cidade, tão querida,
és guarida pra quem chega,
queira Deus, que os filhos teus,
não se esqueçam de te amar.
Oh, cidade, tão querida,
és guarida pra quem chega,
queira Deus, que os filhos teus,
não se esqueçam de te amar.
Letra: Ir. Carminada
Música: Raimundo Brito
Melodia: Raimundo Brito
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{Cabeçalho|2|{{sc|curso de lingua tupí viva ou nhehengatú}}|}}</noinclude><section begin="Do modo de lêr"/>3.º A E O tem tres sons: aberto, fechado, nasal. A — aberto ''tahá''; ''ạ'' fechado ''mạrạma''; ''ã'' nasal ''mahā''.
Quando estas vogaes forem escriptas sem signal algum no fim das palavras, se entenda que são quasi mudas; quando fechadas levarão um ponto em baixo, assim: ''ạ, ẹ, ọ''. U — tem o mesmo som que em portuguez e allemão, e corresponde ao ''ou'' francez e aos dous ''oo'' inglez.
O ''ã, ẽ, ĩ, õ, ũ'' nasaes, representamos com um til, e lêem-se como em portuguez ''am, em, im, om, um''.
3.º Ha um som gutural de difficil representação, porque não existe semelhante em nenhuma das linguas europeas, e é o que representaremos pelo i̙ tartarico e
chinez. Para pronuncial-o abra-se a boca, encolha-se a lingua, contraiham-se os labios, e pronuncie-se o ''i'' na garganta, e será o som. Este som é o que os grammaticos jesuitas representavam pelo ''y'', ou ''i'' grosso.
4.º Nesta lingua as letras iniciaes das palavras mudam algumas vezes, conforme a palavra é absoluta ou não, segundo regras que ensinaremos na pratica. O ''s'', mesmo entre duas vogaes, nunca tem o som de ''z''.
5.º Quando o nome parece terminar em consoante, essa consoante é sempre seguida de um ''a, e, i, o'' breves; a palavra — casar — alguns escrevem ''menar''; eu,
porém, escrevo ''menára'', porque é assim que elles pronunciam, em bora o ultimo ''a'' seja quasi imperceptivel.
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? anteposto indica que a pro-
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∗ indica que é muito impro-
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ALBUQUERQUE (Afonso de). ''Cartas'', 3 vol. Lisboa, 1884.
ALWIS (Rev. C.). ''The Sinhalese Hand-book''. Colombo, 1880.
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''A Polyglott Vocabulary, English, German, Canarese, Tulu and Malayalam''.
Mangalore, 1880.
''Archivo Portuguez Oriental'', em 5 fascículos e 2 suplementos, por J. H. da
Cunha Rivara. Nova-Goa, 1857 e seguintes.
BARBOSA (Duarte). ''Livro''. In ''Collecção de Noticias''.
BARROS (João de). ''Decadas da Asia''. Lisboa, 1638.
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Calcutta, 1900.
BEAMES (John). ''Outlines of Indian Philology''. London, 1868.
— ''Comparative Grammar of the Modern Aryan Languages of India''. Lon-
don, 1872.
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BELOT (P. J. B.). ''Vocabulaire Arabe-français''. Beyrouth, 1899.
— ''Petit Dictionnaire Français-arabe''. Beyrouth, 1900.
BEHARE (M. B.). ''An Etymological Gujarati-English Dictionary''. Ahmedabad,
1904.
BERGÉ (Adolphe). ''Dictionnaire Persan-français''. Paris, 1868.
BIKKER (Dr. A. J. W.). ''Malay, Achinese, French and English Dictionary''.
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BLUTEAU (Padre D. Rafael). ''Vocabulario Portuguez e Latino''. Lisboa, 1712-
1728.
BOCARRO (António). ''Decada XIII da Historia da India''. Lisboa, 1876.
— ''Livro das Plantas das fortalezas da India'' (Ms. da Biblioteca de Évora),
publicado por Cunha Rivara em ''O Chronista de Tissuary''.
''Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa''. Colecção inteira.
BOTELHO (Simão). ''Tombo do Estado da India''. In ''Subsidios'', q. v.
BROOKS (William). ''A Oriya and English Dictionary''. Cuttack, 1875.
BROWN (Charles Philip). ''A Dictionary of mixed Telugu''. Madras, 1854.
CALDWELL (Rev. Robert). ''A Comparative Grammar of the Dravidian or South
Indian Family of Languages''. London, 1875.
CAMÕES (Luis de). ''Os Lusiadas''. Lisboa, 1905.<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
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ALBUQUERQUE (Afonso de). ''Cartas'', 3 vol. Lisboa, 1884.
ALWIS (Rev. C.). ''The Sinhalese Hand-book''. Colombo, 1880.
AMARAKOÇA. ''Diccionário sanscrito do 5.° século''. Ed. de Bombaim, 1890.
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Mangalore, 1880.
''Archivo Portuguez Oriental'', em 5 fascículos e 2 suplementos, por J. H. da
Cunha Rivara. Nova-Goa, 1857 e seguintes.
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BEHARE (M. B.). ''An Etymological Gujarati-English Dictionary''. Ahmedabad,
1904.
BERGÉ (Adolphe). ''Dictionnaire Persan-français''. Paris, 1868.
BIKKER (Dr. A. J. W.). ''Malay, Achinese, French and English Dictionary''.
London, 1882.
BLUTEAU (Padre D. Rafael). ''Vocabulario Portuguez e Latino''. Lisboa, 1712-
1728.
BOCARRO (António). ''Decada XIII da Historia da India''. Lisboa, 1876.
— ''Livro das Plantas das fortalezas da India'' (Ms. da Biblioteca de Évora),
publicado por Cunha Rivara em ''O Chronista de Tissuary''.
''Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa''. Colecção inteira.
BOTELHO (Simão). ''Tombo do Estado da India''. In ''Subsidios'', q. v.
BROOKS (William). ''A Oriya and English Dictionary''. Cuttack, 1875.
BROWN (Charles Philip). ''A Dictionary of mixed Telugu''. Madras, 1854.
CALDWELL (Rev. Robert). ''A Comparative Grammar of the Dravidian or South
Indian Family of Languages''. London, 1875.
CAMÕES (Luis de). ''Os Lusiadas''. Lisboa, 1905.<noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/348
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MLReis
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== Erratas e aditamentos ==
{| class="wikitable" style="text-align:left;"
! ''Pág.'' !! ''Col.'' !! ''Lin.'' !! ''Onde se lê'' !! ''Leia-se''
|-
| 18 || 2.ª || 2 || patskó, saró || patskó saró
|-
| 22 || 1.ª || 38 || bateiras || baterias
|-
| 30 || 2.ª || 6 || '''Boneco''' || '''Boneca'''
|-
| 51 || 1.ª || 33 || n’est prennent || n’en prennent
|-
| 57 || 2.ª || 27 || ''tripudiens'' || ''tripudians''
|-
| 59 || 1.ª || 37 || cambajono || cambajono
|-
| 72 || 1.ª || 5 || Mal. ''nóna'' || Mal. ''dónia'', ''nóna''
|-
| 81 || 1.ª || 28 || ''forgata'' || ''fragata''
|-
| 96 || 2.ª || 24 || ''lashkārí'', de ''lashkār'' || ''lashkarí'', de ''lashkar''
|-
| 110 || 2.ª || 24 || Ach || Mal., Ach.
|-
| 113 || 1.ª || 10 || naiqus || naiques
|-
| 128 || 1.ª || 14 || '''Pimentas''' || '''Pimentos'''
|-
| 129 || 2.ª || 13 || junta || junto
|-
| 130 || 2.ª || 29 || Jav. || Jav., Mad.
|-
| 136 || 1.ª || 23 || rent || rent (talvez do ingl.)
|-
| 137 || 1.ª || 14 || L.-Hindust. || Mal.
|-
| 138 || 2.ª || 31 || Khas. || Kash.
|-
| 143 || 1.ª || 37 || Quer-mo || Quer-me antes
|-
| 151 || 2.ª || 28 || Tet. || Tel.
|-
| 188 || 2.ª || 8 || Suceder || ''Suceder'' (T.)
|}
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{| class="wikitable" style="text-align:left;"
! !! !! !! Adite-se:
|-
| 8 || 1.ª || 26 || Mal. ''amah'', ama chinesa.
|-
| 14 || 2.ª || 32 || Mal. ''aria''.
|-
| 19 || 2.ª || 11 || ? Mal. ''balasan''.
|-
| 30 || 2.ª || 11 || Indo-franc. ''bonite''.
|-
| 99 || 1.ª || 8 || Mal. ''lis''.
|-
| 131 || 2.ª || 8 || Mal. ''paránja''.
|-
| 137 || 1.ª || 13 || Indo-ingl. ''reaper''.
|-
| 149 || 1.ª || 16 || Sing. ''tambákka''.
|-
| 156 || 1.ª || 27 || Mal. ''tĕrompet''.
|}
''Adicionar à lista do malaio (pág. 229): ama, arrear, bálsamo, lâmina, lista, prancha, trombeta.''<noinclude></noinclude>
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! ''Pág.'' !! ''Col.'' !! ''Lin.'' !! ''Onde se lê'' !! ''Leia-se''
|-
| 18 || 2.ª || 2 || patskó, saró || patskó saró
|-
| 22 || 1.ª || 38 || bateiras || baterias
|-
| 30 || 2.ª || 6 || '''Boneco''' || '''Boneca'''
|-
| 51 || 1.ª || 33 || n’est prennent || n’en prennent
|-
| 57 || 2.ª || 27 || ''tripudiens'' || ''tripudians''
|-
| 59 || 1.ª || 37 || cambajono || cambajono
|-
| 72 || 1.ª || 5 || Mal. ''nóna'' || Mal. ''dónia'', ''nóna''
|-
| 81 || 1.ª || 28 || ''forgata'' || ''fragata''
|-
| 96 || 2.ª || 24 || ''lashkārí'', de ''lashkār'' || ''lashkarí'', de ''lashkar''
|-
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! !! !! !! Adite-se:
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{{center| INTRODUÇÃO }}
vigoram sómente em certos lugares. Do outro lado, deve-se-lhe a
difusão de muitos termos portugueses em línguas vernáculas.
O indo-inglês tem, portanto, cabimento no meu trabalho<ref>O erudito glossário de Yule & Burnell tem-me aproveitado imenso.</ref>.
{{center | § 21. — INDO-FRANCÊS<ref>Vid, Aristide Marre, N''otice sur la langue portugaise dans l'Inde Française et
en Malaisie''.</ref>}}
Os franceses chegaram tarde à Índia, onde já se encontravam em
contenda os portugueses, os holandeses e os ingleses, e quási nenhuma
influência de carácter geral e duradouro ali exerceram. As suas mi-
núsculas colónias não teem crioulos nacionais, como os não teem as
inglesas; falava-se nelas, e fala-se ainda hoje, pôsto que em menor
escala, o indo-português, ao lado dos vernáculos<ref>Dr. Schuchardt inclui Pondichery e Chandernagar nas regiões onde se
fala indo-português, e dá espécimes do crioulo português de Mahé. E A. Marre
diz: «Il résulte évidemment des propres termes de l'Annuaire que le portugais
est parlé par une partie de la population de l'Inde française».</ref>.
Como o indo-inglês, o francês falado na Índia tem no seu vocabu-
lário algumas palavras genuinamente portuguesas e muitas asiáticas
aportuguesadas, que lhe foram, na sua generalidade, transmitidas
pelo indo-português, alêm das que recebeu directamente dos idiomas
vernáculos. Vários dêsses termos, designativos de objectos peculia-
res, passaram ao francês continental, como aconteceu com o inglês
da Europa.
As razões que me induziram a incluir o indo-inglês no meu traba-
lho militam igualmente a favor do indo-francês, conquanto não seja
igual a sua importância. Não conheço nenhuma obra especial sobre o
assunto alêm da citada, nem lhe prestei atenção senão à última hora,
quando me convenci de que não era nele pequena a influência do
português asiático. É, portanto, natural que a lista de vocábulos por-
tugueses no indo-francês seja deficiente.
{{center | § 22. — GARÓ}}
Na parte inferior do vale de Assão há um grupo de línguas pouco
importantes, denominado ''bodó'', pertencente à sub-família tibeto-bir-
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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{{center| INTRODUÇÃO}}
mânica, e falado por seiscentos mil homens. Uma dessas línguas é
garó, falada por 186:000, a qual conta vários dialectos e tem sido
suficientemente estudado. Possui escolas e livros escolares e religio-
sos, devidos a missionários americanos, que se servem actualmente,
para o seu ensino, de livros ingleses em substituição dos bengalis, e
fazem largo uso de terminologia inglesa, em aditamento à árica.
Os vocábulos portugueses no garó penetraram por via do assamês
e do bengali, e alguns, talvez, por intermédio dos missionários.
{{center| § 23. — BIRMANÊS}}
A língua da Birmânia (ou Bramá), falada por sete milhões e meio
de habitantes, é aglutinativa e culta. Tem muitos vocábulos áricos,
introduzidos pelo budismo, religião dominante, juntamente com a
literatura pálica. Possui alfabeto próprio, derivado do indiano. Os
seus principais dialectos são: aracanês, tavogui ou tancagsori e yó.
Alêm do tibetano, o birmanês é a única língua importante do grupo
tibeto-birmânico. A sua literatura data de alguns séculos; mas a lin-
guagem literária não difere muito da de Sião.
A influência da língua portuguesa no birmanês, a julgar pelo único
vocabulário que tive à mão, é muito limitada. Mais alguns vocábulos
de origem lusitana devem naturalmente existir, levados pelos comer-
ciantes e aventureiros portugueses ou introduzidos pelas línguas de
Bengala e de Sião.
{{center| § 24. — TIBETANO<ref>Vid. C. A. Bell, ''Manual of Colloquial Tibetan''.</ref>}}
O tibetano acha-se no estado de transição do sistema remático para
o aglutinativo. Possui vasta literatura antiga e moderna e quatro for-
mas de alfabeto silábico, derivado do árico, que foi introduzido no
século VII<ref>It is to intimate relations thus established, so it seems to me, that Tibet
probably ows not only her Buddhism in great measure, but also her written
alphabet». I. A. Waddell, in ''Asiatic Quaterly Review''.</ref>. A linguagem literária difere notávelmente da coloquial.
«Tibete é essencialmente, segundo Bell, um país de dialectos; um pro-
vérbio muito corrente diz: cada distrito tem o seu dialecto; cada lama
tem a sua doutrina». O mais importante é o de Lhassa, que passa
por normal e língua franca do inteiro territorio.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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{{center| INTRODUÇÃO}}
em Camboja e por quinhentos mil em Sião e Annão. Possui três dia-
lectos: xong, samre e khamen-boran.
O cambojano é monossilábico, como os outros ramos da família,
mas sem variedade de tons, é repleto de palavras do siamês, com
que foi confundido por longo tempo, e importa muitos termos do páli,
malaio, annamita e peguano, em grande parte contraídos, para os
ajeitar à sua índole. Tem dois alfabetos modernos, sagrado e vulgar,
derivados do devanágari, e monumentos literários antigos, que datam
do século XIII.
A influência do português, relativamente considerável, no vocabu-
lário cambojano, deve-se às antigas relações comerciais, políticas e
religiosas, e às línguas circunvizinhas, especialmente à malaia<ref>Vid. Fr. João dos Santos, ''Ethiopia oriental'', 11, cap. 7.</ref>.
Achando-se ao presente o reino sob o protectorado de França, vão-se
introduzindo muitos termos franceses, o que ocasiona incerteza com
respeito à proveniência de certos vocábulos romanicos.
{{center| § 27. — SIAMÊS<ref>Vid. Michell, ''A Siamese-English Dictionary. Lunet de Lajonquière, Dition-
naire français-siamois.''</ref>}}
O siamês é o representante de maior importância do ramo tai da
sub-família siamo-chinesa, e pertence, como o chinês, à classe de lín-
guas monossilábicas isoladas<ref>Mas as línguas indo-chinesas eram antigamente inflexivas, como o teem de-
monstrado as recentes investigações. Vid. Grierson, ''The Languages of India'',
p. 6.</ref>. O nome de Sião é corrução de ''sham'',
outro nome da raça tai ou thai, que no século VII invadiu a Birmânia
Superior e foi depois estabelecer-se neste país e em Assão<ref>Os nossos antigos escritores chamam a Sião ''Sornau''. Vid. Fernão Mendes
Pinto. Duarte Barbosa diz Danseam. «O segundo Reyno continuado a este pela
parte do Norte he ''Chaumúa'', os pouos do qual tem lingua per si: e propriamente
o Reyno, a que nos chamamos Sião, nome entre elles estranho, e imposto pelos
estrangeiros áquelle seu estado, e não per elles». João de Barros, Déc. III,
II, 5.</ref>.
A área do siamês é vasta: estende-se da Birmânia ao lago de Cam-
boja e do golfo de Sião aos confins de Laos. É falado por dois
milhões de indivíduos, que seguem o budismo do Sul, e escrito em
alfabeto de origem indiana, indicando-se os tons por acentos. Tem
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LVI
{{center| INTRODUÇÃO}}
avultada literatura religiosa e profana, e três dialectos: o dos livros
sagrados, o das classes elevadas e o do povo. O seu vocabulário,
que, segundo Michell, tem 14:000 palavras, contêm numerosos vo-
cábulos peregrinos, em geral deformados, tirados do páli, sânscrito,
cambojano, malaio, chinês e de línguas europeias.
Atentas as freqùentes relações de várias espécies que Portugal teve
com Sião, era de esperar que o siamês tivesse muitos termos portu-
gueses; mas nos seus dicionários só se vê um número muito limi-
tado, o que acontece igualmente com outras Jínguas monossilábicas<ref>Existem em Sião, com carácter de permanência, 43 portugueses, católi-
cos... São 250 os portugueses de origem chinesa, que se acham inscritos no con-
sulado... Finalmente há mais 68 protegidos portugueses de origem chinesa, re-
sidindo em Sião. Ao todo, 361 portugueses inscritos. (''Boletim'' da S. G. L.). Vid.
Fr. João dos Santos, 11, cap. 6; e Frederico Pereira, ''Relação de Portugal com
Sião'', in Bol., 8. sér., pp. 385-404.</ref>.
A gente letrada cunha dições com elementos sânscritos para denotar
objectos novos, como telégrafo, telefone, estenografia; e os jornais
e o povo em contacto com os europeus preferem palavras inglesas<ref>Tais como: ''bank'', ''bill'', ''boat'', ''boot'', ''foot'', ''madam'', ''mister'', ''minute'', ''agent'', ''hotel'', ''office'', ''pen'', ''police'', ''salute'', ''stamp'', ''station'', ''tape''.</ref>.
{{center| §§ 28-29. ANNAMITA е TONKINÊS}}
Por annamita ou, melhor, annamês, se entende ou a língua do an-
tigo reino de Annão, ou, mais restritamente, o dialecto cochinchinês,
em distinção do tonkinês<ref>A qual terra os Chijs chamão Reyno de Cacho, e os Siameses e Malaios
Cauchinchina: a differença do Cochij do Malabar». João de Barros, Déc. III,
VIII, 6.</ref>.
Não estão de acordo os glotólogos acêrca da classificação do annamês
em geral. Logan relaciona-o com mon-khmēr, constituindo um grupo
mon-anão. Cust e Grierson põem em dúvida tal conexão, posto que
haja khmers no território. Sylvain Lévi relaciona-o, por informação
verbal,. com o siamês ou tai, mas admite grande influência do chinês.
Em todo o caso, não se notam nele nenhuns vestígios da civilização
indiana, que cessa depois de Camboja, para dar lugar à chinesa.
O povo professa o budismo do tipo chinês, possui considerável
literatura, e serve-se duma grande quantidade de idiógrafos chine-
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LVII
{{center| INTRODUÇÃO}}
ses, usados fonéticamente como silabário. Mas a classe mais ilus-
trada prefere integralmente os caracteres chineses. À vista da difi-
culdade que oferece o conhecimento dêsses caracteres, os missionários
católicos inventaram um esmerado sistema de transcrição em alfabeto
romano, denominado ''quôc ngũ'', para representar fielmente todos os
sons e tonalidades do idioma. Êste sistema é geralmente seguido pelos
filólogos e, segundo Lajonquière, pelos próprios indígenas da Cochin-
china<ref>«Alem da letra sinina têem outra da lingua propria da terra, de que com-
mummente usam, e a podem aprender ainda as mulheres». António Francisco
Cardim, ''Batalhas da Companhia de Jesus'', p. 69.</ref>.
O tonkinês difere dialectalmente do annamita; tem sua literatura e
livros especiais para o seu estudo; mas a julgar pelo seu vocabulário
a diferença não é notável<ref>«Sendo os cochinchinas da mesma nação que os tonquins, chamando-se todo.
o reino Annam, e os portugueses o dividiram em nome de Cochinchina e Ton-
quim, sendo na verdade a mesma nação, e nada differente na '''lingua''', trajo e cos-
tumes, como se dissessemos o reino dos Algarves em respeito de Portugal». Car-
dim, p. 69.</ref>. Um e outro teem as mesmas palavras
europeias, que são pouquíssimas e pela maior parte de procedência
francesa, excepto alguns termos religiosos, que denunciam claramente
a origem portuguesa. Alêm do trato comercial, havia em Tonquim
missões portuguesas muito florescentes, que contavam nos meados do
século XVII 205 igrejas e cêrca de 200:000 almas<ref>Vid. Cardim, op. cit.</ref>.
{{center| § 30.- MALAIO<ref>Vid. Favre, ''Grammaire de la Langue Malaise''. Swettenham, ''Vocabulary of the
English and Malay Languages''. Heyligers, ''Traces de Portugais'', etc. Gonçalves
Viana, ''Vocabulário malaio derivado do português''. Fokker, O ''Elemento português
na língua malaia''.</ref>}}
Com relação ao meu trabalho, o malaio é, depois do concani, a
mais importante das línguas asiáticas, e é êle que me induziu a es-
tender a órbita do meu estudo para alêm da Índia própria<ref>«Tem lingoa sobre si que se chama malaya que he muy doce e facil de to-
mar». Castanheda, 11, cap. 112.
«Par sa politesse et sa douceur, le mal
ais a mérité à juste titre d'être
appellé l'italien de l'Orient». Favre.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LVIII
{{center| INTRODUÇÃO}}
Fala-se em Malaca e nas ilhas de Sumatra (de mistura com outras
línguas), Banca, Billiton, nas Molucas (ou Maluco<ref>«Mas a lingua mais comum, e de que todos vsão, he a Malaya: que por ser
mais doce, e de melhor pronunciação, se lhe afeiçoarão todos». Diogo do Couto,
Déc. IV, VII, 7.</ref>) e em algumas
outras partes. A sua população está orçada em mais de dez milhões.
Distingue-se em malaio própriamente dito e baixo malaio. O primeiro
tem seu representante normal em Singapura e Malaca, e possui litera-
tura em prosa e verso, escrita no alfabeto árabe modificado. O segundo,
destituído de fonemas árduos e de formas complicadas, passa por lín-
gua franca da Insulíndia, como o hindustani é a da Índia, e como tal
é falado pela população indígena dos portos marítimos, embora não
seja malaia de raça, e escreve-se comummente em caracteres ro-
manos<ref>«Chama-se a gente natural Malaya, e a lingoa tambem, que he propria, e
per rezam do commercio de Malaca com todas as ilhas vizinhas, quasi por todas
ellas se pratica, e entende». Lucena, ''Historia da vida do Padre Francisco de Xa-
vier'', liv. 111, cap. 10.
«La langue qu'on appelle Malaye, est parmi les Orientaux ce que la langue
Latine est dans nôtre Europe». Tavernier, ''Voyages'', IV, p. 251.</ref>.
Ao baixo malaio pertence a fala de Batávia. Algumas palavras
portuguesas tomam nela formas especiais, que vão notadas no voca-
bulário, assim como as privativas das Molucas<ref>Os samsanas de Quedda em Malaca, siameses de raça, muçulmanos de reli-
gião, falam malaio misturado com o siamês.</ref>.
O malaio tem grande adaptabilidade a exotismos, e o seu vocabu-
lário está repleto de ingredientes do sânscrito, árabe, persa, javanês,
chinês, telugu e das línguas europeias<ref>«O malaio e o hindustani manifestam aquela capacidade para a absorção e
assimilação de elementos estranhos que nós reconhecemos fazer do inglês a maior
língua vernácula que o mundo jámais viu». Cust.
A la suite des Portugais, vinrent les Hollandais, puis les Anglais, les Espa-
gnols; en un mot, l'Europe entière vint s'implanter dans la Malaisie, dont la lan-
gue dut s'augmenter d'une nouvelle série des mots appartenants aux diverses
langues européennes», Favre.</ref>.
A influência do português no malaio, particularmente no baixo,
proveniente de conquista, longo domínio, comércio, evangelização,
missões e crioulos, é vasta e funda, pois abrange enorme quantidade
de vocábulos e estende-se até a verbos e partículas.
Felizmente, há muitos trabalhos gerais e especiais sôbre o assunto.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LIX
{{center| INTRODUÇÃO}}
O mais antigo é o ''Dicionário'' do padre Haex, que regista muitas pa-
lavras que se não vêem nas obras modernas, ou por estarem actual-
mente obsoletas, ou por não terem então sido de uso comum, mas
restrito e privativo dos missionários e cristãos<ref>Diz o autor: <<In calce Dictionarii Malaio-Latini adiunctae sunt Lusitanicae
et Tarnaticae dictiones, quae valde sunt communia et vocabulis Malaicis in
Insulis Amboyna, Banda, Java et Moluccis intermiscuntur». Por faltar este
apêndice (pp. 51-54) no exemplar da Biblioteca Nacional, pertencente à antiga
de Alcobaça, um amigo de Roma mandou-me de empréstimo o da biblioteca do
cardeal Mezzofanti, ora integrada na do Colégio da Propaganda Fide.</ref>. Entre os modernos
merece especial menção o do Sr. Gonçalves Viana, que em grande
parte compreende os outros anteriores.
{{center| § 31. — ACHINÊS<ref>Vid. ''Encyclopedia Britannica''.</ref>}}
O achinês é uma das linguas de Samatra, a qual tem, como indica
o nome, a sua vivenda em Achem (própriamente Acheh), que fica no
extremo norte e pertence à Holanda<ref>The Portuguese generally called it Achem (or frequently, by the adhesion
of the genitive preposition, ''Dachem'')». Hobson-Jobson. António Nunes distingue
Dachem grande e Dachem pequeno. ''Livro dos Pesos da Ymdia''.</ref>. Apresenta íntimas afinidades
com o malaio, mas é menos culto e muito menos rico no vocabulário.
A sua literatura consta de obras poéticas e teológicas e de muitas
crónicas. A população é quási toda maometana e serve-se do alfabeto
árabe.
A influência do português nesta língua não é muito considerável,
e deve ter provindo directa e indirectamente, por via do malaio. Os
portugueses tiveram frequentes relações, de ordinário hostis, com os
achineses, que nos séculos XVI e XVII eram a maior potência indígena
de Samatra<ref>«Posto que o pensamento
Occupado tenhaes na guerra infesta,
Ou do sanguinolento
Taprobanico Achem, que o mar molesta».
Camões, nos ''Coloquios'' de Garcia da Orta.</ref>.
{{center| § 32. — BATTA}}
Batta ou batak é outra língua da ilha de Samatra, falada por um
povo pagão e canibalesco, mas não inteiramente inculto, que se vai
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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{{center| INTRODUÇÃO}}
agora maometanizando e cristianizando<ref>«Noted especially for their cannibal institutions». ''Hobson-Jobson''. «In ejus
insulae, quam dicunt Bathek, parte, anthropophagi habitant... capita humana in
thesauris habent, quae ex hostibus captis abscissa, esis carnibus recondunt,
iisque utuntur pro nummis». Nicolo Conti (1430), De ''Varietate Fortunae''.
«Chamão '''Bátas''', os quais comem carne humana, gente mais agreste e guerreira
de toda a terra. João de Barros, Déc. III, v, 1.</ref>. Possui literatura em prosa
e verso e alfabeto próprio, sendo a escrita feita de baixo para cima
e da esquerda para a direita.
Cust menciona três dialectos: dáiri, toba e mandailung. Joustra
acrescenta karo, sem fornecer muitas informações.
A influência do português nesta língua, que uns aproximam do
antigo javanês e outros do malaio, não é muito grande e parece ter
sido quási toda exercida por via do malaio, pôsto que os portugueses
tivessem tido com o país trato comercial e relações políticas<ref>Vid. Fernão Pinto, capp. xIII e segg.</ref>. Os vo-
cábulos que registo como de batta pertencem própriamente ao dialecto
karo, conforme o dicionário de Joustra.
{{center| § 33. — SUNDANÊS<ref>Vid. em especial Rigg, A ''Dictionary of the Sunda Language'</ref>'.}}
A língua de Sunda, parte ocidental de Java, é provávelmente a
primitiva da ilha inteira e pertence ao grupo javanês. Não tem lite-
ratura antiga. Emprega na escrita caracteres javaneses, mas em me-
nor número, e igualmente os romanos. Aproximando-se, pela sua po-
sição geográfica e pela forma dos vocábulos, mais do malaio que do
javanês, inscrevo-o antes dêste último.
A influência do português no seu vocabulário, que é mais verná-
culo do que o das línguas congéneres, é directa e indirecta, como no
javanês. Havia em Sunda uma numerosa colónia portuguesa, de que
Fernão Pinto e outros escritores fazem muitas vezes menção.
{{center| § 34. — JAVANES}}
«Sob o ponto de vista glotológico, a língua javanesa é sem dúvida
a mais importante de todas as línguas malaio-polinésias. É falada por
muitos milhões de homens, pertencentes a uma tríbu, que entre os
povos do Arquipélago ocupa inquestionávelmente o primeiro lugar em
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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{{center| INTRODUÇÃO}}
que o sundanês e o madurês. Escreve-se geralmente em olas ou folhas
de palmeira com caracteres javaneses. O seu vocabulário acusa in-
gredientes do sânscrito pelo kavi (língua poética de Java), do javanês
e do malaio. As classes inferiores falam um dialecto mais vernáculo,
isento de exotismos.
Encontram-se mui poucos termos portugueses nos dicionários pu-
blicados pelos holandeses, que dominam na ilha, e êsses mesmos são
de transmissão mediata. Mas é provável que haja mais.
{{center| § 37.― DAYAK}}
Dayak ou dyak é a principal das doze línguas da vasta ilha de
Bornéu. É também o nome genérico da população puramente indí-
gena, que é pagã. Nas costas há elementos étnicos malaios, javane-
ses, búguis e chineses. O idioma é inculto, nem tem literatura nem
alfabeto.
Os portugueses tiveram uma feitoria em Bornéu (1590-1643). Os
vocábulos portugueses, porêm, que aparecem no dayak, parece te-
rem-se introduzido mormente por via do malaio e doutras línguas
congéneres, e atento o meio de transmissão e o grau de civilização,
não deixa de ser notável o número dêsses vocábulos.
{{center| § 38.-MAKASSARES<ref>Vid. Matthes, ''Makassarsch-Hollandseh Woordenboek''.</ref>}}
O makassarês (ou macaçarês) tem a sua vivenda na parte meri-
dional da ilha de Celebes, do mesmo nome, e pertence a um grupo
especial<ref>«According to Crawfurd this name (Celebes) is unknown to the natives, not
only of the great island itself but of the Archipelago generally, and must have
arisen from some Portuguese misunderstanding or corruption». ''Hobson-Jobson''.
Fernão Pinto chama-lhe «Ilha dos Selebres».</ref>. É culto, tem literatura, e possui caracteres próprios, clas-
sificados conforme o alfabeto devanagárico.
No seu léxico entram muitos termos malaios, javaneses, sundane-
ses, chineses e árabes. É assim pelo malaio e pelo javanês, como pela
influência directa, especialmente religiosa<ref>Vid. Diogo do Couto, Déc. V, VII, 2.</ref>, muito intensa, que se lhe
transmitiram os vocábulos portugueses<ref>Não se sabe quando e por quem foram introduzidos os termos portu-</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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{{center| INTRODUÇÃO}}
{{center| § 39. — BÚGUIA<ref>Vid. Matthes, ''Boegincesch-Hollandsch Woordenboek''.</ref>}}
Búgui ou vúgui (''bugi'' ou ''wugi'') é outra língua importante de Cele-
bes, muito parecida com o makassarês, a qual, segundo Cust, exer-
ceu grande influência nas das outras ilhas. Tem copioso vocabulário,
em que entram muitas vozes arábicas pelo maometismo, e vasta lite-
ratura moderna e alguma antiga, e uma linguagem arcaica. O seu
alfabeto é o mesmo que o de makassarês.
A influência do vocabulário português no búgui deve ter sido
directa e indirecta, como no makassarês. A grande quantidade de
termos desta procedência, alguns dos quais se não encontram nas
outras línguas malaio-polinésias, bem mostra que foi muito extenso e
fundo o influxo da civilização portuguesa.
''Nota''. — Há muitas outras línguas pertencentes a diversos grupos
do arquipélago, mas não possuo elementos de estudo para a sua aná-
lise. Pode-se porêm conjecturar, pelas congéneres que fazem parte
dêste trabalho, que também nelas, não sendo bárbaras e segregadas
do convívio, se terão infiltrado diversas palavras portuguesas, espe-
cialmente as mais generalizadas e as que não teem equivalentes ver-
náculos.
{{center| § 40. — NICOBARÉS}}
O nicobarês, língua das ilhas de Nicobar, é relacionado na sua
estrutura actual com a família malaio-polinésia, mas tem por base
outra língua, ora extinta. Com respeito a essa língua antiga, diz o
Sr. Grierson: «Deve-se admitir que há no fundo das línguas mundas
faladas pelos coles, das línguas dos mon-khmeres e das dos nicoba-
reses e dos «urangutangs», um substracto comum, que, no caso, pelo
menos, dos mon-khmeres e dos nicobareses, conquanto manifeste
claros vestígios da sua existência, foi sobreposto por uma língua per-
tencente a uma família de fala inteiramente diferente».
O nicobarês é inculto, sem alfabeto próprio; mas tem muitos dia-
lectos, que se distinguem conforme as ilhas habitadas.
Os portugueses teriam freqùentemente tocado nestas ilhas nas suas
gueses do jôgo de voltarete, os quais não ocorrem senão nesta língua e na
bugui.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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{{center| INTRODUÇÃO}}
desenvolvimento e em civilização. Esta língua, que se estende ao cen-
tro da ilha de Java, bem como à parte leste, distingue-se pela riqueza
do seu vocabulário e das suas formas, assim como pela riqueza da
sua literatura». Heyligers.
Há três dialectos principais: alto-javanês, -dialecto cerimonial;
baixo-javanês, - dialecto popular; médio-javanês, - dialecto familiar.
Existe a mais uma língua poética, denominada ''kavi'', impregnada de
sanscritismos. O vocabulário tem os mesmos elementos peregrinos
que o malaio. O alfabeto é derivado do índico, mas muito modificado
e complicado.
Se bem que os portugueses não tivessem conquistado a ilha, visita-
ram, contudo, freqùentemente os seus portos, e mantiveram relações
comerciais e por vezes políticas. É por êste meio e pela comunicação
doutras línguas, mormente do baixo malaio, que se introduziram no
javanês palavras portuguesas. Algumas dessas passam por evolução
especial no ''krama'' ou alto-javanês, em harmonia com a índole do dia-
lecto.
{{center| § 35. - MADURÊS}}
O madurês é a língua indígena da ilha de Madura e dos imigrantes
estabelecidos, há séculos, na parte oriental de Java. É falado por
milhão e meio de indivíduos e escrito em caracteres javaneses. É de
construção mais simples, mas de enunciação difícil e áspera. Tem um
dialecto chamado Sumanap, alêm de formas peculiares de linguagem
coloquial.
Parece que os portugueses não tiveram grande trato com a ilha, e
que a inserção dos vocábulos portugueses na sua língua se deve
principalmente atribuir ao javanês e ao baixo malaio. Ainda assim,
é considerável o número dos que nela figuram e que geralmente se-
guem a forma javanesa.
{{center| § 36. - BALINES<ref>Vid. R. Van Eck, ''Eerste Proeve van een Balineesch-Hollandsch Woordenboek''.</ref>}}
O balinês é a única língua da ilha de Báli, falada por uma popu-
lação de quinhentos mil, que professa o hinduísmo e o budismo, im-
portados de Java e muito deturpados. Segundo Cust, é mais polido
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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{{center| INTRODUÇÃO}}
navegações da Índia e de Ceilão para Malaca, e ter-lhes-iam transmi-
tido muitas palavras suas, como ''rei'', ''chumbo'', ''sal'', ''lebre'', ''cabra'', que
se não encontram nas outras línguas<ref>«Achão-se cinco ou seis ilhas, que tem muy boas agoas e pousos para nãos,
pouoadas de Gentios proues, as quais se chamaom Nacabar». Duarte Barbosa,
p. 374. «O qual Francisco de Almeida indo da India para lá (Samatra), faleceu
de febres nas Ilhas de Nicubar». Fernão Pinto, cap. xx. «Tornando a D. Paulo
de Lima (que tinha ficado nas calmarias entre as ilhas de Nicobar)». Fr. João
dos Santos, II, p. 210.</ref>. As outras que aparecem no
vocabulário nicobarês devem ter entrado, em grande parte, por via
do malaio. Houve tambêm missões católicas nas ilhas no século XVII.
{{center| § 41.- TETO<ref>Vid. Aparicio da Silva, ''Diccionario de Portuguez-tetum''. Rafael das Dores, ''Diccionario Teto-português''. Dr. Alberto Osório de Castro, ''Flores de Coral'', s. v. ''Timor''.
</ref>}}
A colónia portuguesa de Timor tem um milhão de população indí-
gena, composta de malaios adventícios e de negritos aborígenes. Fa-
lam-se no território cinco línguas ou dialectos principais, muito apa-
rentados e com variantes locais: tétum, galóli, uaimá, macaçáe e
midic<ref>Vid. Dr. Castro, ''op. cit''., p. 189.</ref>.
O tétum ou teto é o mais generalizado da ilha<ref>É falado em Dili, Viqueque, Luca, Lacluta, Alas, Suai, Monofahi, Berique,
Dotic, Bibiçuçu, Samoro, Batugadi, Sanir, Balibó, Cova, Joanilo, Silacan e Fia-
laran.
«O Tétum é quasi uma lingoa-franca do territorio, como o é o ''galóli'' entre os
povos do littoral a Leste de Dilli». Dr. Castro, p. 189.</ref>. É inculto, não tem
alfabeto nem escrita. A fala de Dili, sede do govêrno, difere das do
interior assim no vocabulário, como na morfologia e na sintaxe<ref>«O dialecto que se falla em Delly, que é ''teto'' ou ''tetum'', & comprehendido em
toda a ilha; todavia o teto que se falla em Lachuta e noutras partes diverge
muito d'aquelle dialecto. José dos Santos Vaquinhas, ''Timor'', in Bol. S. G. L.,
4.° sér., p. 276.</ref>.
Sendo Timor uma possessão portuguesa e teto um idioma muito
pobre, é óbvio que o seu vocabulário está inçado de termos portugue-
ses, mais ou menos vulgarizados, conforme o maior ou menor contacto
dos seus povos com a civilização europeia. Não reproduzo no voca-
bulário todas as palavras portuguesas consignadas nos dicionários do
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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{{center| INTRODUÇÃO}}
teto e do galóli, muitas das quais são evidentemente dadas para su-
prir a falta de correspondentes vernáculos; mas incluo-as nos seus
respectivos índices.
{{center| § 42. - GALÓLI<ref>Vid. Padre Alves da Silva, ''Noções da Grammatica Galóli''; ''Diccionario Por-
tuguez-galóli''.</ref>}}
O galóli é outra língua ou dialecto principal de Timor. A seu res-
peito diz o Padre Silva: «Dialecto mais usado e commum das chris-
tandades do nordeste de Timor, que constitue a parte de Malesia mais
obediente e fiel á coroa portuguesa... Com o galóli igualmente se no-
tam essas alterações, ainda que menos sensiveis; e assim este dialecto
falado em Manatuto, se bem que compreendido em Laleia e Vemasse,
apresenta comtudo certas variantes, que se observam até em Lacló,
apesar d'este reino distar d'aquelle apenas duas horas de caminho».
A influência do português nesta língua é análoga à que se exerce
no teto. No seu dicionário notam-se menos palavras portuguesas<ref>Não ha nenhuns elementos para o estudo de uaimá, macaçáe e midic.</ref>.
{{center| § 43.- MALGACHE<ref>Vid. Malzac, ''Dictionnaire Français-malgache''. Marre, ''Vocabulaire des mots
d'origine européenne'', etc.</ref>}}
Pela sua posição geográfica, a ilha de Madagascar, «ilha de S. Lou-
renço dos nossos antigos escritores, pertence à África; mas étnica
e glotológicamente está relacionada com a Ásia<ref>«Os nomes de Madagascar e de S. Lourenço são estrangeiros; que entre os
naturaes até agora não ha achar nome geral a toda a ilha». P. Luis Mariano,
''Relação da jornada e descobrimento da ilha de S. Lourenço'' (1613), in Bol. S. G.
L., 7.a sér., p. 315.</ref>. É por isso que Cust
inclui o malgache (ou malagási), idioma da ilha, no seu estudo das
línguas indianas<ref>Esta ilha de São Lourenço, a que os escritores chamão Madagascar... He
toda esta ilha pouoada de hûas gentes, nem tão pretas como Cafres, nem tão al-
uas como os mouros de toda aquella costa... Presumesse que foi já esta ilha con-
quistada de Jáos, e que são estas gentes mestiços, dantre elles, e os antigos na-
turaes, que devião de ser Cafres da outra banda da terra firme». Diogo do Couto,
Déc. VII, iv, 5.
«Se tem por certo serem estes buques da ilha de S. Lourenço procedidos de
muitos achens (de Samatra) que d'aquella banda de fóra tem dado e dão á costa
n'ella». António Bocarro, Déc. XIII, p. 683.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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{{center| INTRODUÇÃO}}
A sua população, que orça em dois milhões e meio, está dividida
em numerosas tríbus, que se distinguem pelas diferenças fisionómicas,
provenientes de maior ou menor mistura do elemento africano com
o malaio, árabe e indiano<ref>O segundo Rey Mouro que reinou em Cambaya, que foi grande conquista-
dor, mandou certas náos á costa de Melinde... vieram a ter á Ilha de São Lou-
renço, e por as nãos não serem pera navegar, ficaram nella, e povoáram alguns
portos. ''Commentarios de Afonso de Albuquerque'', IV, cap. 23.</ref>. Mas todas falam uma língua comum, que
consta de dez dialectos, sendo o hova o principal e geralmente enten-
dido<ref>«A lingua universal, que é buque,... é tão uniforme em toda a ilha que os
naturaes da ponta do S. se entendem com os naturaes da ponta do N., pobre de
vocabulos, porem facil assim para se aprender como para se pronunciar». P. Ma-
riano, ''loc. cit.'', p. 353.</ref>. E não havendo alfabeto próprio, servem-se comummente do ro-
mano.
A afinidade do malgache com a família malaio-polinésia foi notada
há perto de quatro séculos, e tem sido confirmada pelas modernas
investigações de Van der Tuuck, Marre, Marin e W. E. Cousins<ref>«Pela ilha dentro e mais partes e costas d'ella falla-se sómente a lingua
buqua, a qual é propria dos naturaes, differente totalmente da lingua cafre, mas
muito similhante á lingua malaia, argumento quasi certo que dos portos de Ma-
laqua vieram os primeiros moradores». ''Id''., p. 323.
«Por algûas bayas destas (de Madagascar) acharão algûas pessoas que pa-
recião Jaòs: por onde vierão a cuidar que ja fóra aquella costa pella banda de
fora pouoada de Jaòs, porque falauão a sua lingua». Diogo do Couto, Déc. VII,
VIII, 1. Vid. ''ibid''.</ref>.
Mas as raízes não são todas dissilábicas, como nas línguas da Insu-
líndia. As palavras terminam todas em vogal, especialmente em ''a'' e ''i''.
No seu vocabulário entram muitos elementos exóticos, particularmente
ingleses<ref>Como: ''book'', ''glass'', ''page'', ''pencil'', ''Christian'', ''Christmas'', ''monastery'', ''catechist'',
''Bible'', ''angel''.</ref>
, devidos à intensa propaganda protestante, e franceses,
graças ao domínio e à evangelização católica.
Os portugueses visitaram muitas vezes os portos de Madagascar,
a que deram nomes agiológicos; não tiveram porêm relações políticas
ou comerciais, gerais e permanentes. De Goa foram mandadas algu-
mas expedições político-religiosas, que tambêm não deram grandes
resultados; e os trabalhos missionários, iniciados por padres jesuítas,
foram de pouco fruto e de pouca dura<ref>Vid. Bocarro, capp. 42, 108, 146 e 147; e Fr. João dos Santos, II, cap. 9.</ref>. De entre os termos românicos,
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXVII
{{center| INTRODUÇÃO}}
introduzidos no malgache, é dificil discernir os que são de proce-
dência portuguesa imediata ou mediata, estando a presunção sempre
a favor do francês e do inglês, como canais de transmissão<ref>«Tendo ouvidas estas cousas, e notadas algumas palavras portuguesas, hoje
em dia correntes entre esta gente: ''camisa'', ''calção'', ''romã'', ''filho meu'', ''espingarda'' e
outras similhantes, se recolheram á caravella aos 11». P. Mariano, p. 341.</ref>.
{{center| § 44. — PIDGIN-ENGLISH<ref>Vid. Leland, ''Pidgin-English Sing-Song''.</ref>}}
Nas cidades marítimas da China está em voga um dialecto do in-
glês, que serve de meio de comunicação, como outrora o crioulo por-
tuguês, entre os indígenas e os estrangeiros da Europa e da Amé-
rica, e em alguns casos, mesmo entre os próprios chineses que falam
dialectos muito diferentes.
«Na sua primeira e baixa forma, diz Leland, como está dado nos
vocabulários publicados para uso de criados, Pidgin é um ''jargon''
muito rude, no qual palavras inglesas, singularmente deformadas,
devido à dificuldade de representar os seus sons em escrita chinesa,
são expostas conforme os princípios da gramática chinesa. É de facto
versão palavra por palavra, com pouco esforço para inflexão ou con-
jugação, visto que tais formas de gramática, como nós as entende-
mos, não existem no chinês. O resultado disto naturalmente é que,
sendo o vocabulário muito limitado, um chinês aprende o Pidgin-
English com não maior dificuldade do que a apresentada pela aquisi-
ção de poucas centenas de palavras, cuja pronunciação e gramática
se teem modificado para se acomodar às da sua própria língua. Cor-
responde nisto exactamente ao ''posh an posh'', ou corruto dialecto rom-
many, falado pelos ciganos ingleses, no qual palavras hindi-persas
seguem a estrutura inglesa<ref>«O Pitchin english (business english) é a lingua commercial dos portos da
China; mau inglez com algumas palavras portuguezas e construcção grammati-
cal ingleza». J. H. Calado Crespo, ''Cousas da China'', p. 16.</ref>.
«É devido à facilidade com que os chineses aprendem êste dialecto,
e à boa vontade dos estrangeiros de lhes irem ao encontro a meio
caminho, que se tem propagado à tão incrível extensão, preparando
assim o terreno para fazer do inglês a língua do Pacífico. E como o
chinês aprende mais fácilmente uma língua românica do que o inglês
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>lxviii
{{center| INTRODUÇÃO }}
puro, é provável que se não fôra o ''jargon'' Pidgin, um português corruto teria formado o meio popular de comunicação entre os estrangeiros e os naturais da China. A grande quantidade de vocábulos
portugueses que ora existe no Pidgin-English parece prová-lo».
A palavra ''pidgin'' supõe-se ser corrução da inglesa ''business'', mas
com significação muito mais ampla e variada. É como o comércio é o
grande laço de união entre os chineses e os residentes estrangeiros,
não admira que o termo se tenha aplicado à língua que se formou no
seu serviço. Não falta porém quem julgue que ''pidgin'' é derivado do
português ''ocupação''
<ref>No vocabulário anglo-chinês há muitos termos hindustanis e anglo-indianos,
levados principalmente pelos ingleses, como: ''bangee'', ''bobbery'', ''chop'', ''pukkha'', ''punkah'', ''puttee''; ''go-down'', ''tiffin'', ''Griffin''.</ref>.
{{center| § 45. — JAPONÊS<ref>Vid. ''The Encyclopaedia Britannica, La Grande Encyclopédie''.N. Murakámi,
''The Influence of early intercourse''. Ladislau Batalha, ''O Japão por dentro''. Wenceslau de Morais, no ''Boletim'' da Sociedade de Geografia de Lisboa, 2ª série,
nº6. E, em particular, Gonçalves Viana, ''Palestras Filológicas''.</ref>}}
Os glotólogos não estão de acôrdo em classificar genealógicamente
o idioma do Japão, o ''yamato''. Uns divisam nele afinidades com a família árica. Outros colocam-no na família uralo-altaica, relacionando-o
com o coreano, manchu e mongólico. Outros, finalmente, consideram-no inteiramente isolado, do mesmo modo como a raça japonesa.
Morfológicamente, o japonês é aglutinativo e polissilábico. A linguagem falada e popular é muito diferente da linguagem escrita e
literária, em que entram muitíssimos vocábulos chineses<ref>«A língua nipponica primitiva, o ''Yamato-kotóba'', devia ser necessariamente
mui pobre de termos; e parece certo que os primeiros japoneses ignoraram por
completo o uso da escripta. Com relações successivas e crescentes do Japão com
a China, ahi pelo nosso século III, começou a enriquecer-se ''Yamato-kotóba'' com
palavras chinesas, por mais estranha que pareça a alliança; iniciando-se então
a arte de dar á idéa fórma graphica». Wenceslau de Morais, ''op. cit.''</ref>. No seu
vocabulário encontram-se várias palavras do sânscrito ou, antes, do
páli, introduzidas pelo budismo<ref>Tais como; ''araghyo'' = ''arghya'', ''arano'' = ''aranya'', ''biku'' = ''bhiksu'', ''butsu'' = ''buddha'', ''karancho'' = ''krañcha'', ''daruma'' = ''dharma'', ''namae'' = ''nama'', ''shishi'' = ''çisya'',
''shishū'' = ''simha''.</ref>.
As diferenças dialectais que se notam em diversas localidades são
pouco importantes; não se podem comparar com as que se dão na
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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{{center| INTRODUÇÃO}}
China. Merece especial menção o dialecto do grupo das ilhas Riukiu,
que conserva o seu carácter antiquado. A fala das tríbus Ainos das
ilhas de Spezo é totalmente distinta do japonês puro, e por isso não
é entendido pela gente doutras ilhas.
Na escrita empregam-se geralmente caracteres idiográficos chineses
em número de três mil. O alfabeto própriamente japonês é silábico,
constando de 47 sílabas<ref>As modificações dalgumas dessas sílabas elevam o número total a 73. Vid.
Ballhorn, ''Alphabete orientalischer und occidentalischer Sprachen''.</ref>, e chama-se ''kana'', de que há duas varieda-
des: ''katakana'' e ''hiragana''. O japonês escreve-se em colunas verticais
da direita para a esquerda. A sua literatura conta doze séculos de
existência<ref>«Catorze sortes de letras differentes nam do corte de figuras sómente, mas
na propriedade, e modo de significação, aprendem nos mosteiros dos Bonzos os
moços fidalgos. Lucena, ''Historia da vida do Padre Francisco de Xavier'', liv. VII, 5.</ref> .
Portugal foi a primeira nação europeia que entrou em contacto com
o Japão e manteve por longo período relações comerciais e missio-
nárias. Deixou, como quási em toda a parte, vestigios indeléveis da
sua língua na do país, na sua maioria devidos à introdução de novos
objectos e da nova religião. Alguns dos termos estão de tal modo na-
turalizados, que a sua origem estrangeira não é de fácil reconheci-
mento. Os livros antigos abundam, segundo o testemunho do Dr. Mu-
rakámi, em palavras religiosas peregrinas, que sómente em pequeno
número penetraram na linguagem comum<ref>Dr. Murakáni, director da Escola de línguas estrangeiras em Tókio, teve
a amabilidade de me enviar uma lista de tais termos, que êle não tinha reprodu-
zido no seu opúsculo já citado. Modernamente, teem-se introduzido muitas pa-
lavras do inglês ou por via do inglês, como: ''alcali, alcool, blanket, butter, beer,
brush, gallon, gas, glass, lace, race, panorama, piano, pin, pipe, pump, punch,
matches, soda, yard''.</ref>.
{{center | § 46. PERSA<ref>Vid. ''The Encyclopaedia Britannica''. K. Brugmann, ''Abrégé de Grammaire
Comparative des Langues Indo-européennes''. A. Meillet, ''Introduction à l'Étude
comparative des Langues Indo-européennes''.</ref>}}
O persa tem passado por diversas fases. O eránio primitivo tinha
dois dialectos principais: o eránio ocidental ou persa antigo, escrito
em caracteres cuneiformes, sendo o mais antigo documento do tempo
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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{{center| INTRODUÇÃO}}
de Dario; e eránio oriental; atestado por Avesta e escrito em um al-
fabeto de procedência aramaica. A forma média do antigo persa é
conservada nas inscrições ''pehlvis'' ou ''pahlavis'', as mais antigas das
quais datam do século III da era cristã. O persa literário aparece com
as dinastias muçulmanas, no século IX. O persa moderno, especial-
mente o escrito, está largamente eivado de vocábulos árabes; não
há nenhuma palavra desta origem que não tenha ou não possa ter
cabimento no seu vocabulário. O seu alfabeto é tambêm árabe com
leves modificações. Mas a sua estrutura permanece eránica.
O persa esteve em grande voga na Índia no período da dominação
maometana: era a língua da côrte e dos tribunais, oficial e literária. O
primeiro digesto de direito indiano, compilado por ordem de Warren
Hastings — ''The Gentoo Code'' — foi vertido de sânscrito em persa e
depois trasladado a inglês. Muitos dos funcionários ingleses se viam
na necessidade, até no século passado, de saber esta língua<ref>Vid. W. T. Tucker, ''A Pocket Dictionary of English and Persian''.</ref>; e ainda
hoje há escolas de persa em várias partes. Os tratados dos portugue-
ses com os soberanos maometanos eram feitos em português e em
persa<ref>Concluidos estes capitulos se passarão dous estromentos em Parseo e Por-
tuguês, um pera darem ao Embaixador, e outro pera ficar em estado... Deste
juramento se fizerão dous autos em Parseo e Português». Diogo do Couto, Déc.
V, I, 9.</ref>.
{{center| § 47. - ÁRABE}}
Há muitos trabalhos acerca da influência do árabe nos idiomas his-
pânicos, mas pouquissimos no sentido inverso. A razão deve certa-
mente ser que a influência das falas da península não foi tão intensa,
tão duradoira e tão geral na língua dos dominadores. O mais impor-
tante estudo que conheço sobre o assunto é o de Simonet; mas pa-
rece que não é guia seguro, porque muitos dos vocábulos que regista
como recebidos pelos árabes em Espanha fazem suspeitar origem
diversa e uso restrito.
O árabe é a língua sagrada dos muçulmanos da Índia, onde há
escolas para o seu estudo. Mas poucos termos portugueses ter-se-lhe
hão transmitido por esta via. Os que entram no meu vocabulário per-
tencem sómente ao árabe oriental, e não ao africano, que tem muitos
mais. E estes mesmos não indicam com certeza, na generalidade, o<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXXI
{{center| INTRODUÇÃO}}
étimo português. Os lexicógrafos referem muitos dêles, como noto em
vários casos, ao grego, ao latim, ao francês e ao italiano. O árabe e
o persa entram, portanto, no meu trabalho como línguas secundárias.
{{center| § 48.- OUTRAS LÍNGUAS}}
Alêm das línguas já referidas, há umas poucas cujos vocábulá-
rios não foram objecto directo do meu estudo, como são o chinês, o
rabino, o turco e os idiomas das Filipinas. Os dicionários das outras
línguas que analisei mencionam incidentemente algumas palavras ro-
mânicas que se encontram nesses vocabulários. Mas poucas destas
são de origem portuguesa certa, como ''leilão'' e ''padre'' no chinês; ou-
tras podem ter tido procedência diversa. As de tagalo e bisaio devem
ter imediatamente provindo do espanhol. As rabinas e as turcas são
reproduzidas do ''Glossário'' de Simonet. A sua ocorrência no meu tra-
balho deve sujeitar-se a esta ressalva.
ANDAMANÊS. — Examinei dois dicionários das línguas, ainda não
classificadas, das ilhas de Andaman<ref>''A Manual of the Andamanese Languages'', by M. V. Portman, London 1887.
''Notes on
the Languages of the South Andaman Group of Tribes'', by M. V. Portman,
Calcutta 1898.</ref>, e não encontrei neles nenhuma
palavra portuguesa; porque não registam nenhum vocábulo peregrino
e por isso omitem os termos ''sabão'', ''mesa'', ''tabaco'', etc. Conquanto os
andamaneses sejam selvagens, é de presumir que na sua fala tenham
entrado algumas dições portuguesas por via do hindustani e do inglês,
como tem acontecido em casos análogos<ref>«Foise perder nas ilhas que chamão de Andramu: a gente das quais come
carne humana». João de Barros, Déc. III, v, 3.</ref>.
{{center| XIV. — '''Alfabetos e transcrições'''<ref>Vid. Beames, ''Comparative Grammar of the Modern Aryan Languages of India''.
Caldwell, ''A Comparative Grammar of the Dravidian Languages''. Arthur Macdo-
nell, ''A History of Sanskrit Literature''. Friedrich Ballhorn, ''Alphabete orienta-
lischer und occidentalischer Sprachen''. G. Bühler, ''On the Origin of the Indian
Brahma Alphabet''.</ref>}}
É agora ponto assente entre os sanscritólogos, após as investiga-
ções paleográficas do Dr. Bühler, que a escrita era conhecida na In-
dia no século VIII antes de Cristo, pôsto que não fôsse então, nem
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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{{center| INTRODUÇÃO}}
muito depois, empregada para fins literários. E de origem semítica do
tipo finício, semelhante à da estala moabita, introduzida por merca-
dores por via da Mesopotâmia. Os mais antigos documentos que pos-
suímos são as inscrições lapidares do imperador Açoca (século III
antes de Cristo), que já apresentam numerosos cambiantes gráficos.
A remodelação, a sistematização e a adaptação dos caracteres
semíticos à fonética indo-europeia deram em resultado, no século V,
o alfabeto conhecido pelo nome de bra̅hmi̅. É dêste que derivam to-
dos os alfabetos modernos da Índia, mesmo os dravídicos, por mais
divergentes que ao presente pareçam. O mais importante é o ''na̅gari̅''
(«urbano») ou ''devana̅gari̅'' («da cidade de Deus»), no qual principal-
mente estão exarados os monumentos literários da língua sânscrita,
e que na sua caracterização gráfica data pelo menos do século VIII
da era vulgar.
Seguem o alfabeto devanagárico: o hindi, o nepali, o bihari, o kash-
miri; o sindhi e o hindustani, conjuntamente com o árabe-persiano;
o marata (vid. XIII, § 2), o concani, parcialmente, e o gujarati (vid.
XIII, § 3). O panjabi, o bengali, o oriya, o assamês, o singalês, o te-
lúgu, o canarês com túlu e o malayálam teem alfabetos próprios, que
diferem do devanágari gráficamente, e não fonética ou metódicamente.
Muitas destas línguas porêm não usam no vocabulário vernáculo
todos os fónemas do devanágari, e algumas há que teem um ou outro
fonema especial ou fonemas e letras a mais.
Entre as línguas dravídicas só o alfabeto do tamul difere notável-
mente do nagárico, assim por falta de muitas letras, como pelo acres-
centamento dalgumas consoantes, e mais pelo emprêgo de certas
consoantes para representar dois ou tres fonemas.
Servem-se do alfabeto árabe-persiano: o hindustani, o sindhi com
sistema especial de diacríticos, o malaio e o achinês.
O birmanês, o tibetano, o siamês, o cambojano, o batta, o javanês
com o sundanês e o balinês, e o madurês teem alfabetos peculiares,
derivados do índico, mas muito modificados. O alfabeto do búgui e
do makassarês é coordenado conforme o sistema devanagárico.
O garó, o klassi, o dayak, o nicobarês, o teto, o galóli, o malga-
che, e, em parte, o concani, o baixo malaio e o sundanês usam ca-
racteres romanos. O annamita, o tonkinês e o japonês empregam
idiógrafos chineses<ref>Rev. J. Knowles afirma que «os alfabetos do império indiano atingem a</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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{{center| INTRODUÇÃO}}
O congresso dos orientalistas, realizado em Genebra em 1994,
adoptou, quanto ao devanágari, um sistema uniforme de transcrição,
que desde então tem sido geralmente seguido pelos sanscritólogos. O
mesmo pode e convêm aproveitar-se para a transcrição dos outros
alfabetos que teem idêntica origem, com notação particular, fácilmente
inteligivel, das letras especiais.
Importa, portanto, conhecer principalmente a transcrição dos alfa-
betos devanagárico, tamul e árabe-persiano.
{{center| Transcrição do alfabeto devanagárico}}
Vogais:
Guturais:
Palatais:
Cacuminais:
Dentais:
Labiais:
Semivogais:
Sibilantes:
Aspirante:
{{center| OBSERVAÇÕES}}
I. ''A'' sôa como a vogal neutra ou o ''a'' pequeno. Em concani e em
bengali aproxima-se do ''ŏ'' breve. A, i, u, ṛ , ḷ são breves (= ă, ĭ, ŭ,
ṛ̆, ḷ); a, i, u, são longos. As vogais ṛ, ṝ, ḷ são privativas de vocá-
bulos sânscritos. ''E'' e ''o'' consideram-se ditongos em sânscrito (origi-
náriamente ǎi e ǎu) e, como tais, são longos e fechados (= ê, ô).
II. Nas línguas dravídicas e em algumas das neo-áricas ''e'' e ''o'' são
breves e longos. Represento-os por ē e ō, quando longos e átonos. O
singalês tem, a mais, e ditongo (=ae), breve e longo, muito palati-
soma de cinquenta - número maior que o de todas as outras línguas do mundo,
antigas e modernas por junto».<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXXIV
{{center| INTRODUÇÃO}}
zado; transcreve-se comummente em ''ẹ'' e ''ẹ̄'' ou, melhor, em ''ẹ̣'' e ''ẹ̣̄'' . O
concani tem ''e'' e ''o'' abertos e fechados; destingo-os, se é necessário,
por ''é'' e ''ó'', quando abertos e tónicos, e por ''ê'' e ''ô'', sendo fechados. As
línguas dravídicas finalizam muitas palavras em ''u'' muito breve de
apoio, que se costuma notar por ''ụ'' ou ''u̥''. Os gramáticos dão-lhe,
conforme Caldwell, um quarto da quantidade de vogal longa.
III. Muitas das línguas neo-áricas não pronunciam o ''a'' breve final
e freqùentemente nem o medial, pôsto que escrevam a consoante in-
teira (sem o ''virāma''), como se o tivesse inerente. Assim, escreve-se
rāma, mas pronuncia-se ''rām'''. Nestes casos, omito o ''a'' na trans-
crição.
IV. Os idiomas dravídicos e muitos dos neo-áricos teem o fonema,
bem como a letra ḷa cacuminal, que no sânscrito somente ocorre
na escrita védica.
V. O concani, o marata e o telúgu teem duas letras com dois fo-
nemas cada uma, sem distinção gráfica: o normal (antes de ''e'' e ''i'') ''ch''
explosivo (como o italiano ''c'' antes de ''e'' e ''i'') e ''ts'', quási equivalente ao
de ''zz'' em italiano; ''j'' explosivo (como em inglês) e ''z'' (ou ''dz'')<ref>Beames denomina ''ts'' e ''dz'' «palatais não-assimiladas».</ref>
. Distin-
go-os na transcrição.
VI. Por motivos ponderosos e especiais, faço as seguintes alterações
na transcrição acima dada: ''ch'', ''chh'' por ''c'', ''ch''; ''x'' (palatal) por ''ç'' (ou ''s'')
e ''s''; e emprego ''n'', em geral, não sómente para designar a nasal den-
tal, mas tambêm a gutural ''n'' e a palatal ''n''. Todas as nasais mediais,
desacompanhadas de vogal, são de ordinário representadas na escrita
neo-árica por um ponto (anusvāra), colocado por cima da letra ante-
cedente, como o português til; e distinguem-se fonéticamente pela
consoante que segue, como em concani: ''ang'' por ''añg'', ''vamjh'' por
''vanjh'', ''phamț'' por ''phant'', ''damt'' por ''dant'', ''rimpi'' por ''ximpi''.
VII. Em quási todas as linguas polissilábicas o acento recai na
última sílaba, se fôr longa, ou na penúltima, longa ou breve, se a
última fôr breve. Em singalês porém pode o acento protrair-se à ante-
penúltima, ainda que seja breve, como ''annasiya'', «ananás»As palavras esdrúxulas singalesas teem o acento tónico na 4ª sílaba, in-
cluindo o sufixo ''yx'' ou ''-va'': ''kámaraya'' = câmara, ''púkuruva'' = púcaro, ''viduruva'' =
vidro.
. Indico
as excepções pelo acento agudo, sendo longa a vogal; pelo acento e
sinal de breve, sendo breve a vogal.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>INTRODUÇÃO
{{center| '''Transcrição do alfabeto tamul'''
<ref>Vid Caldwell, op. cit , Percival, ''Tamil-English Dictionary''.</ref>
}}
Letras para fonemas sânscritos:
{{center| OBSERVAÇÕES}}
I. Êste alfabeto dravídico é também silábico; o ponto por cima da
consoante, equivalente ao sânscrito ''virāma'', indica a ausência do ''a''
breve inerente.
II. O tamul não tem fonemas aspirados, nem letras especiais para
consoantes brandas; um mesmo carácter serve para representar ambos os fonemas.
III. ''K, ch, t, t, p'', sendo mediais e simples, isto é, não geminados, soam ''g, j'' (pouco usado em palavras vernáculas), ḍ, d, b. ''Ch''
inicial, e mesmo intervocálico simples, abranda-se às vezes em ''x'' ou
o sânscrito ''ś'' ou ''ç''; e também se emprega para representar a sibilante
dental ''s''. Transcrevo ''ch, j'' e ''s'', mas não ''x'', que não é vulgar. O ''d''
intervocálico do tamul e do malayálam é muito brando como ''th'' inglês em ''than, that''. Não o distingo de ''d'' simples, nem o faz Caldwell.
Em vocábulos peregrinos ocorrem sonoras iniciais.
IV. A regra temúlica de sonoras mediais é igualmente observada
no malayálam, mas com letras distintas, excepto ''k'' medial que sôa ''g''
muito fraco, quási como ''h'', e transcreve-se por um sinal especial, que
eu omito.
V. As consoantes peculiares são: ''l, r, n''. A primeira, que ocorre
igualmente no malayálam, «pronuncia-se diferentemente em diferentes
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXXVII
{{center| INTRODUÇÃO}}
hindustani, como: ''th'' = ''s''; ''dh'' = ''z''; ''ḍ'' = hindust. ''z; t, z'' = hindust.
''t, z''.
IV. O referido congresso dos orientalistas tambêm fixou a trans-
crição do alfabeto arábico, que eu sigo, preferindo as variantes opta-
tivas. Mas substituo ''ḍ'' por ''ẓ'', para evitar a confusão com o ''ḍ'' do hin-
dustani, e ''w'' por ''v'', para manter a harmonia com a transcrição do
alfabeto devanagárico.
V. Como Simonet e outros autores adoptam diversas transcrições,
que nem sempre explicam, reproduzo várias dições arábicas destas
fontes sem observar rigorosa ou uniformemente a transcrição do con-
gresso.
VI. O malaio não emprega no vocabulário vernáculo as seguintes
letras arábicas: ''th, h, kh, z, sh, ṣ, ḍ, ṭ̣, ẓ̣,', gh, f''; e tem a mais as
seguintes: ''ch, ng, p, g, ñ'' ou ''ny''.
VII. Os autores holandeses, conformando-se com a índole da sua
língua, transcrevem por ''tj, dj'' e ''nj'', as letras ''ch, j'' e ''ñ'' do malaio e
outras línguas do Arquipélago, as quais se pronunciam exactamente
como no devanagári. «''Ch'' sempre se pronuncia como o ''ch'' em ''church''».
Swettenham. «<Ou como a palavra espanhola ''muchacho''». Favre. ''J'' deve
pronunciar-se como em ''jury, justice, jew''». Rigg. «''Ñ'' pronuncia-se
como ''gn'' em ''agneau''; é o ñ espanhol». Favre<ref>«The Dutch language does not contain this sound (''ch''), and it is consequently
represented by them by ''tj'', which does not convey the sound even according
to the Dutch use of letters, as ''j'' with them has the power of the English ''y''. It
rather conveys the force of the French letters so applied». Rigg.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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HARDELAND (Aug.). ''Dajaksch-Deutsches Worterbuch''. Amsterdam, 1859.
HEPBURN (J. C.). ''Japanese-English and English-Japanese Dictionary''. Tokyo,
1907.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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{{center| BIBLIOGRAFIA }}
''Diccionario Contemporâneo da Lingua Portugueza''. Lisboa, 1881.
''Diccionario Portuguez-concani'', composto por um missionário italiano. Nova-Goa, 1868.
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D'ROZARIO (P. S.), ''A Dictionary of English, Bángáli and Hindustani''. Calcutta, 1837.
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dum missionário de Báli, alguns extraídos doutros autores, como Van derTunck, Friedrich.</ref>.
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HARDELAND (Aug.). ''Dajaksch-Deutsches Worterbuch''. Amsterdam, 1859.
HEPBURN (J. C.). ''Japanese-English and English-Japanese Dictionary''. Tokyo,
1907.
== Notas ==
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com a planta, cuja pátria diz o Dr. D.
G. Dalgado ser incerta (''Flora de
Goa e Savantradi''), é notável que
tenha produzido em marata tantos
compostos, com várias acepções,
como as seguintes, registadas por
Molesworth, que não indica a origem da palavra; ''bhompļá-devatá''
(depreciativo), rapariga traquinas,
mulher esgarabulhona. ''Bhompļá-suti'' (adj.), grosso, grosseiro, tôsco,
bruto, desordenado, desalinhado.
Bhompļi-kharbúz, espécie de melão
almiscarado. Bhompļyá-rôg, corpulência, obesidade».
Há termos vernáculos para outras variedades: ''dudhí, konknó
dudhí, mahāró dudhí, kāļó dudhi,
kuxmāļó'', em concaui; kovhālá,
kushmand, kāxi-phal, dudhyá, kāļá dudhyá, devdangar, em marata;
tónasu, kabocha (= Camboja), em
japonês<ref>Kabocha (pumnkins) must have been introduced from Cambodia». Murakámi.</ref>
.
Nos crioulos ásio-portugueses,
''abóbora'' corrompe-se em ''bóbra, bobr''.
'''[[:d:Lexeme:L8751|Abril]]''' , Cone. ''ābríl''. - - Tet., Gal.
''abril''. — Mal. ''april'' (Marre). 'id.
''agosto''.
'''Acafelar''' (indo-port. ''caflá''). Cone.
''kāphlair-kurunk''. Term. vern. ''chunó-kās kādhunk''. — Guj. ''kaphlád''
(subst., «cal, estuque»). — Sing. kapaláruvā<ref>Em singalês, -vá ó desinência do infinitivo.</ref>
. - Malayál. ''kabalarikka''
«argamassar»; us. no Malabar
setentrional)<ref>''Ikka'' é desinência do infinitivo. Cf.
''capar''.</ref>.
Mal. ''kápor''
(subst.)<ref>«'''Acafelada''' com a cal e as agoas
cheirosas». Gaspar Correia, III, p. 714.</ref>.
O concaui acrescenta ''karunk''
(«fazer») aos verbos portugueses
transitivos, e zāvunk («fazer-se»)
aos intransitivos. Exceptua-se ''pintar'', que faz ''pintārunk''. A mudança
de ''f'' em ''p'' é normal em singalês,
que não tem tal fonema, sendo
''ph'' o ''p'' aspirado, como em sânscrito; cf. ''adufa''. Em malayálam, bem
como em tamul, a consoante surda
(''k, t, p'') intervocálica torna-se sonora (''g, d, b'').
'''Açafrão''' (indo-port. ''safrão'', ''safran''). Siam. ''fárắn''.—Jap. ''safuran''<ref>«'''Açafrão''' de Portugal, sabão, porce-
lanas». António Bocarro, Déc. XII, p. 588.</ref>.
'''Acêrca'''. Mal. ''acerca'' (Haex).
Haex não indica, de ordinário, a
exacta pronunciação das palavras
portuguesas, adoptadas em malaio,
nem emprega grafia especial. «Vocabula, diz elle, non prout scribuntur et connectuntur, sed prout
prouuntiantur, hic scribuntur».
'''[[:d:Lexeme:L471981|Achar]]''' (subst. masc.; indo-port.:
«conserva de frutos em vinagre ou
em salmoira», inglês ''pickles'').
Mar. ''āchár''. Term. vern. ''loṇchém''
(como em concani),—Hindi, Hindust. ''achár''.— Or., Ass., Panj.
''āchár''. — Sindh. ''ācháru''. Term.
== Notas ==
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com a planta, cuja pátria diz o Dr. D.
G. Dalgado ser incerta (''Flora de
Goa e Savantradi''), é notável que
tenha produzido em marata tantos
compostos, com várias acepções,
como as seguintes, registadas por
Molesworth, que não indica a origem da palavra; ''bhompļá-devatá''
(depreciativo), rapariga traquinas,
mulher esgarabulhona. ''Bhompļá-suti'' (adj.), grosso, grosseiro, tôsco,
bruto, desordenado, desalinhado.
Bhompļi-kharbúz, espécie de melão
almiscarado. Bhompļyá-rôg, corpulência, obesidade».
Há termos vernáculos para outras variedades: ''dudhí, konknó
dudhí, mahāró dudhí, kāļó dudhi,
kuxmāļó'', em concaui; kovhālá,
kushmand, kāxi-phal, dudhyá, kāļá dudhyá, devdangar, em marata;
tónasu, kabocha (= Camboja), em
japonês<ref>Kabocha (pumnkins) must have been introduced from Cambodia». Murakámi.</ref>
.
Nos crioulos ásio-portugueses,
''abóbora'' corrompe-se em ''bóbra, bobr''.
'''[[:d:Lexeme:L8751|Abril]]''' , Cone. ''ābríl''. - - Tet., Gal.
''abril''. — Mal. ''april'' (Marre). 'id.
''agosto''.
'''Acafelar''' (indo-port. ''caflá''). Cone.
''kāphlair-kurunk''. Term. vern. ''chunó-kās kādhunk''. — Guj. ''kaphlád''
(subst., «cal, estuque»). — Sing. kapaláruvā<ref>Em singalês, -vá ó desinência do infinitivo.</ref>
. - Malayál. ''kabalarikka''
«argamassar»; us. no Malabar
setentrional)<ref>''Ikka'' é desinência do infinitivo. Cf.
''capar''.</ref>.
Mal. ''kápor''
(subst.)<ref>«'''Acafelada''' com a cal e as agoas
cheirosas». Gaspar Correia, III, p. 714.</ref>.
O concaui acrescenta ''karunk''
(«fazer») aos verbos portugueses
transitivos, e zāvunk («fazer-se»)
aos intransitivos. Exceptua-se ''pintar'', que faz ''pintārunk''. A mudança
de ''f'' em ''p'' é normal em singalês,
que não tem tal fonema, sendo
''ph'' o ''p'' aspirado, como em sânscrito; cf. ''adufa''. Em malayálam, bem
como em tamul, a consoante surda
(''k, t, p'') intervocálica torna-se sonora (''g, d, b'').
'''Açafrão''' (indo-port. ''safrão'', ''safran''). Siam. ''fárắn''.—Jap. ''safuran''<ref>«'''Açafrão''' de Portugal, sabão, porce-
lanas». António Bocarro, Déc. XII, p. 588.</ref>.
'''Acêrca'''. Mal. ''acerca'' (Haex).
Haex não indica, de ordinário, a
exacta pronunciação das palavras
portuguesas, adoptadas em malaio,
nem emprega grafia especial. «Vocabula, diz elle, non prout scribuntur et connectuntur, sed prout
prouuntiantur, hic scribuntur».
'''[[:d:Lexeme:L471981|Achar]]''' (subst. masc.; indo-port.:
«conserva de frutos em vinagre ou
em salmoira», inglês ''pickles'').
Mar. ''āchár''. Term. vern. ''loṇchém''
(como em concani),—Hindi, Hindust. ''achár''.— Or., Ass., Panj.
''āchár''. — Sindh. ''ācháru''. Term.
== Notas ==
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G. Dalgado ser incerta (''Flora de
Goa e Savantradi''), é notável que
tenha produzido em marata tantos
compostos, com várias acepções,
como as seguintes, registadas por
Molesworth, que não indica a origem da palavra; ''bhompļá-devatá''
(depreciativo), rapariga traquinas,
mulher esgarabulhona. ''Bhompļá-suti'' (adj.), grosso, grosseiro, tôsco,
bruto, desordenado, desalinhado.
Bhompļi-kharbúz, espécie de melão
almiscarado. Bhompļyá-rôg, corpulência, obesidade».
Há termos vernáculos para outras variedades: ''dudhí, konknó
dudhí, mahāró dudhí, kāļó dudhi,
kuxmāļó'', em concaui; kovhālá,
kushmand, kāxi-phal, dudhyá, kāļá dudhyá, devdangar, em marata;
tónasu, kabocha (= Camboja), em
japonês<ref>Kabocha (pumnkins) must have been introduced from Cambodia». Murakámi.</ref>
.
Nos crioulos ásio-portugueses,
''abóbora'' corrompe-se em ''bóbra, bobr''.
'''[[:d:Lexeme:L8751|Abril]]''' , Conc. ''ābríl''. - - Tet., Gal.
''abril''. — Mal. ''april'' (Marre). 'id.
''agosto''.
'''Acafelar''' (indo-port. ''caflá''). Conc.
''kāphlair-kurunk''. Term. vern. ''chunó-kās kādhunk''. — Guj. ''kaphlád''
(subst., «cal, estuque»). — Sing. kapaláruvā<ref>Em singalês, -vá ó desinência do infinitivo.</ref>
. - Malayál. ''kabalarikka''
«argamassar»; us. no Malabar
setentrional)<ref>''Ikka'' é desinência do infinitivo. Cf.
''capar''.</ref>.
Mal. ''kápor''
(subst.)<ref>«'''Acafelada''' com a cal e as agoas
cheirosas». Gaspar Correia, III, p. 714.</ref>.
O concaui acrescenta ''karunk''
(«fazer») aos verbos portugueses
transitivos, e zāvunk («fazer-se»)
aos intransitivos. Exceptua-se ''pintar'', que faz ''pintārunk''. A mudança
de ''f'' em ''p'' é normal em singalês,
que não tem tal fonema, sendo
''ph'' o ''p'' aspirado, como em sânscrito; cf. ''adufa''. Em malayálam, bem
como em tamul, a consoante surda
(''k, t, p'') intervocálica torna-se sonora (''g, d, b'').
'''Açafrão''' (indo-port. ''safrão'', ''safran''). Siam. ''fárắn''.—Jap. ''safuran''<ref>«'''Açafrão''' de Portugal, sabão, porce-
lanas». António Bocarro, Déc. XII, p. 588.</ref>.
'''Acêrca'''. Mal. ''acerca'' (Haex).
Haex não indica, de ordinário, a
exacta pronunciação das palavras
portuguesas, adoptadas em malaio,
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prouuntiantur, hic scribuntur».
'''[[:d:Lexeme:L471981|Achar]]''' (subst. masc.; indo-port.:
«conserva de frutos em vinagre ou
em salmoira», inglês ''pickles'').
Mar. ''āchár''. Term. vern. ''loṇchém''
(como em concani),—Hindi, Hindust. ''achár''.— Or., Ass., Panj.
''āchár''. — Sindh. ''ācháru''. Term.
== Notas ==
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___''Supplement ofhet Boegineesch-Hollandsch Woordenhoek''. Amsterdam, 1889.<noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/99
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|2}}|ABÓBORA}}</noinclude>''avánaya'', ''avánē'', ''aváne''. Term. vern.
''pavanpata'', ''pavan-atta'', ''vatā-pata''.
Muitos dos nomes substantivos
singaleses, e em particular os peregrinos, pertencentes ao género
neutro, como sao todos os que representam objectos inanimados,
tomam o sufixo -''ya'', — ou -''va'', se
terminam em -''u'', — como; ''gữņaya'',
«qualidade», sâsc. ''guņa''; ''tálaya'',
«tom», sânsc. ''tāla''; ''garắdaya'' =
grade; ''sinuva'' =
sino, ''bébaduva''. bêbado. No meio da frase ''-ya'' contrai-se, de ordinário, em ''ē'' longo:
''janélaya, janétē'' (pl. ''janéla''); ''kamísaya, kamisē'' (pl. ''kamísa'') = camisa.
'''Ábita''' (naut.). L.-Hindust. a''bít,
habít''. - Mal. ''abit'' (Marre).
'''[[:d:Lexeme:L524633|Abóbora]]''' (''Cucurbita Pepo''). Cone.
''bhobļó''; ''bobr'' (us. em Salcete).
''Bhohļí'', aboboreira. — Mar. ''bhopļá'',
''bhompļá''. ''Bhohļí'', ''bhompļí'' — Jap. ''bóbura''. - Ár. ''bobra'', ''bubra'', segundo Simonet<ref>O Dr. Hugo Schuchardt {Kreolische
Sludien, ix) diz (pie no malaio de Timor
hohera é Cucurhita Melopepo, «abóbora
da Guiné»; mas os dicionários de teto e
galóli não o registam.</ref>.
Em concani,'''bhobļó'' significa figuradamente «homem gordo e mole».
Em marata, bem como em concani, o vocábulo tambêm designa o
tampo de certos instrumentos de
corda, por se fazer geralmente de
abóbora, como o de ''viņá'', «lira indiana», o de ''satar'', «guitarra», o
de nāgsúr, «gaita de foles».
Acêrca do ''bh'' aspirado, cf. ''cruz,
camisa, buraco''. A queda de ''a'' inicial é regular, como em indo-português (''bobra''); cf. ''acafelar''. O ''ļ'' cacuminal por ''r'' pode-se explicar pela
vulgarização do vocábulo e pela
tendência destas duas línguas. A
nasalização da primeira sílaba em
marata (''bhö''-) tem paralelos em
''pínp'' — pipa, ''phint'' — fita.
A etimologia da palavra ''abóbora'',
que é usada únicamente na península hispânica — e mesmo nela nem
em toda a parte — não está até
hoje assente entre os lexicógrafos.
O ''Dicionário Contemporaneo'' diz
que é incerta; o Dr. Adolfo Coelho
diz que é de ''aboborar''; o Sr. Cândido
de Figueiredo tira-a do baixo latim ''apopres'', que não aparece no
''Glossarium'' de Du Cange; Francisco Simonet afirma que ó do
hispano-Iatino ou ibérico ''apopores'',
dado como correspondente à ''cucurbita'' por Santo Isidoro, Lib. XVII,
cap. 10.
Se o termo foi levado de Portugal, como suponho<ref>«Trouxeram muitas '''aboboras''' e pipinos». ''Roteiro da Viagem de Vasco da
Gama'', 2ª ed., p. 92.
«Brinjèlas, limões '''abobaras'''». S. Botelho, ''Tombo do Estado da India'', p. 49.
«Melões, '''aboboras''' de Portugal e de
Guiné, patecas, combalengas». Gabriel
Rebêlo, ''Informação das Cousas de Maluco'', in ''Collecção de Noticias para a
Historia e Geographia das Nações Ultra- '
marinas'', tom. XII, p. 172.</ref>, e introduzido
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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''pavanpata'', ''pavan-atta'', ''vatā-pata''.
Muitos dos nomes substantivos
singaleses, e em particular os peregrinos, pertencentes ao género
neutro, como sao todos os que representam objectos inanimados,
tomam o sufixo -''ya'', — ou -''va'', se
terminam em -''u'', — como; ''gữņaya'',
«qualidade», sâsc. ''guņa''; ''tálaya'',
«tom», sânsc. ''tāla''; ''garắdaya'' =
grade; ''sinuva'' =
sino, ''bébaduva''. bêbado. No meio da frase ''-ya'' contrai-se, de ordinário, em ''ē'' longo:
''janélaya, janétē'' (pl. ''janéla''); ''kamísaya, kamisē'' (pl. ''kamísa'') = camisa.
'''[[:d:Lexeme:L1562055|Ábita]]''' (naut.). L.-Hindust. a''bít,
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'''[[:d:Lexeme:L524633|Abóbora]]''' (''Cucurbita Pepo''). Cone.
''bhobļó''; ''bobr'' (us. em Salcete).
''Bhohļí'', aboboreira. — Mar. ''bhopļá'',
''bhompļá''. ''Bhohļí'', ''bhompļí'' — Jap. ''bóbura''. - Ár. ''bobra'', ''bubra'', segundo Simonet<ref>O Dr. Hugo Schuchardt {Kreolische
Sludien, ix) diz (pie no malaio de Timor
hohera é Cucurhita Melopepo, «abóbora
da Guiné»; mas os dicionários de teto e
galóli não o registam.</ref>.
Em concani,'''bhobļó'' significa figuradamente «homem gordo e mole».
Em marata, bem como em concani, o vocábulo tambêm designa o
tampo de certos instrumentos de
corda, por se fazer geralmente de
abóbora, como o de ''viņá'', «lira indiana», o de ''satar'', «guitarra», o
de nāgsúr, «gaita de foles».
Acêrca do ''bh'' aspirado, cf. ''cruz,
camisa, buraco''. A queda de ''a'' inicial é regular, como em indo-português (''bobra''); cf. ''acafelar''. O ''ļ'' cacuminal por ''r'' pode-se explicar pela
vulgarização do vocábulo e pela
tendência destas duas línguas. A
nasalização da primeira sílaba em
marata (''bhö''-) tem paralelos em
''pínp'' — pipa, ''phint'' — fita.
A etimologia da palavra ''abóbora'',
que é usada únicamente na península hispânica — e mesmo nela nem
em toda a parte — não está até
hoje assente entre os lexicógrafos.
O ''Dicionário Contemporaneo'' diz
que é incerta; o Dr. Adolfo Coelho
diz que é de ''aboborar''; o Sr. Cândido
de Figueiredo tira-a do baixo latim ''apopres'', que não aparece no
''Glossarium'' de Du Cange; Francisco Simonet afirma que ó do
hispano-Iatino ou ibérico ''apopores'',
dado como correspondente à ''cucurbita'' por Santo Isidoro, Lib. XVII,
cap. 10.
Se o termo foi levado de Portugal, como suponho<ref>«Trouxeram muitas '''aboboras''' e pipinos». ''Roteiro da Viagem de Vasco da
Gama'', 2ª ed., p. 92.
«Brinjèlas, limões '''abobaras'''». S. Botelho, ''Tombo do Estado da India'', p. 49.
«Melões, '''aboboras''' de Portugal e de
Guiné, patecas, combalengas». Gabriel
Rebêlo, ''Informação das Cousas de Maluco'', in ''Collecção de Noticias para a
Historia e Geographia das Nações Ultra- '
marinas'', tom. XII, p. 172.</ref>, e introduzido
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«qualidade», sâsc. ''guņa''; ''tálaya'',
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sino, ''bébaduva''. bêbado. No meio da frase ''-ya'' contrai-se, de ordinário, em ''ē'' longo:
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'''[[:d:Lexeme:L524633|Abóbora]]''' (''Cucurbita Pepo''). Cone.
''bhobļó''; ''bobr'' (us. em Salcete).
''Bhohļí'', aboboreira. — Mar. ''bhopļá'',
''bhompļá''. ''Bhohļí'', ''bhompļí'' — Jap. ''bóbura''. - Ár. ''bobra'', ''bubra'', segundo Simonet<ref>O Dr. Hugo Schuchardt {Kreolische
Sludien, ix) diz (pie no malaio de Timor
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da Guiné»; mas os dicionários de teto e
galóli não o registam.</ref>.
Em concani,'''bhobļó'' significa figuradamente «homem gordo e mole».
Em marata, bem como em concani, o vocábulo tambêm designa o
tampo de certos instrumentos de
corda, por se fazer geralmente de
abóbora, como o de ''viņá'', «lira indiana», o de ''satar'', «guitarra», o
de nāgsúr, «gaita de foles».
Acêrca do ''bh'' aspirado, cf. ''cruz,
camisa, buraco''. A queda de ''a'' inicial é regular, como em indo-português (''bobra''); cf. ''acafelar''. O ''ļ'' cacuminal por ''r'' pode-se explicar pela
vulgarização do vocábulo e pela
tendência destas duas línguas. A
nasalização da primeira sílaba em
marata (''bhö''-) tem paralelos em
''pínp'' — pipa, ''phint'' — fita.
A etimologia da palavra ''abóbora'',
que é usada únicamente na península hispânica — e mesmo nela nem
em toda a parte — não está até
hoje assente entre os lexicógrafos.
O ''Dicionário Contemporaneo'' diz
que é incerta; o Dr. Adolfo Coelho
diz que é de ''aboborar''; o Sr. Cândido
de Figueiredo tira-a do baixo latim ''apopres'', que não aparece no
''Glossarium'' de Du Cange; Francisco Simonet afirma que ó do
hispano-Iatino ou ibérico ''apopores'',
dado como correspondente à ''cucurbita'' por Santo Isidoro, Lib. XVII,
cap. 10.
Se o termo foi levado de Portugal, como suponho<ref>«Trouxeram muitas '''aboboras''' e pipinos». ''Roteiro da Viagem de Vasco da
Gama'', 2ª ed., p. 92.
«Brinjèlas, limões '''abobaras'''». S. Botelho, ''Tombo do Estado da India'', p. 49.
«Melões, '''aboboras''' de Portugal e de
Guiné, patecas, combalengas». Gabriel
Rebêlo, ''Informação das Cousas de Maluco'', in ''Collecção de Noticias para a
Historia e Geographia das Nações Ultra- '
marinas'', tom. XII, p. 172.</ref>, e introduzido
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tomam o sufixo -''ya'', — ou -''va'', se
terminam em -''u'', — como; ''gữņaya'',
«qualidade», sâsc. ''guņa''; ''tálaya'',
«tom», sânsc. ''tāla''; ''garắdaya'' =
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sino, ''bébaduva''. bêbado. No meio da frase ''-ya'' contrai-se, de ordinário, em ''ē'' longo:
''janélaya, janétē'' (pl. ''janéla''); ''kamísaya, kamisē'' (pl. ''kamísa'') = camisa.
'''[[:d:Lexeme:L1562055|Ábita]]''' (naut.). L.-Hindust. ''abít'',
''habít.'' - Mal. ''abit'' (Marre).
'''[[:d:Lexeme:L524633|Abóbora]]''' (''Cucurbita Pepo''). Cone.
''bhobļó''; ''bobr'' (us. em Salcete).
''Bhohļí'', aboboreira. — Mar. ''bhopļá'',
''bhompļá''. ''Bhohļí'', ''bhompļí'' — Jap. ''bóbura''. - Ár. ''bobra'', ''bubra'', segundo Simonet<ref>O Dr. Hugo Schuchardt {Kreolische
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da Guiné»; mas os dicionários de teto e
galóli não o registam.</ref>.
Em concani,'''bhobļó'' significa figuradamente «homem gordo e mole».
Em marata, bem como em concani, o vocábulo tambêm designa o
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abóbora, como o de ''viņá'', «lira indiana», o de ''satar'', «guitarra», o
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Acêrca do ''bh'' aspirado, cf. ''cruz,
camisa, buraco''. A queda de ''a'' inicial é regular, como em indo-português (''bobra''); cf. ''acafelar''. O ''ļ'' cacuminal por ''r'' pode-se explicar pela
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marata (''bhö''-) tem paralelos em
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O ''Dicionário Contemporaneo'' diz
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''Glossarium'' de Du Cange; Francisco Simonet afirma que ó do
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Se o termo foi levado de Portugal, como suponho<ref>«Trouxeram muitas '''aboboras''' e pipinos». ''Roteiro da Viagem de Vasco da
Gama'', 2ª ed., p. 92.
«Brinjèlas, limões '''abobaras'''». S. Botelho, ''Tombo do Estado da India'', p. 49.
«Melões, '''aboboras''' de Portugal e de
Guiné, patecas, combalengas». Gabriel
Rebêlo, ''Informação das Cousas de Maluco'', in ''Collecção de Noticias para a
Historia e Geographia das Nações Ultra- '
marinas'', tom. XII, p. 172.</ref>, e introduzido
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Ananás
? Apa
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? Biscoito
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Cafre
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? Candil
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*Cavalo
? Chapa
Citar
Cravo
Dado
Dona
Fita
? Fuzil
Gage
? Gago
Jôgo
Leilão
Mainato
Manteiga
Mesa
? Mesquinho
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Mister
Munição
? Palangana
Pelouro
Pipa
? Pires
Pistola
Ponto
Rial
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Sábado
Sabão
*Sagu
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Varanda
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Sabão
''S. João Baptista'' = Gisang Baotixita
''S. José'' = thành Ju de
''S. Lourenço'' = thành Lô-ren-sô
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''S. João Baptista'' = Gisang Baotixita
''S. José'' = thành Ju de
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? Tabaco
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Sábado<br>
Sabão<br>
<nowiki>*</nowiki> Sagu<br>
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Varanda
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: DOS VOCÁBULOS PORTUGUESES TÚLU Aia Ama Ananás Apóstolo Arco Armário Arrátel Arrear Bacia Baixel Balde Batata Bilimbim Bomba Bordo Botão Cafó Cafre Camisa Católico Chá Chapéu Chave Colher Compadre Confessar Copo Corja Coronel Couve Cozinha Cruz Damasco Dobrado Doce Estirar ? Foguete Folha ? Fulano Granada Gudão Hospital Igreja Jalapa Jangada Jogar Lanterna Leilão Lista Machila Madre Maná Mangual Meirinho Mestre Mulato Padre ? Palanga...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>DOS VOCÁBULOS PORTUGUESES
TÚLU
Aia
Ama
Ananás
Apóstolo
Arco
Armário
Arrátel
Arrear
Bacia
Baixel
Balde
Batata
Bilimbim
Bomba
Bordo
Botão
Cafó
Cafre
Camisa
Católico
Chá
Chapéu
Chave
Colher
Compadre
Confessar
Copo
Corja
Coronel
Couve
Cozinha
Cruz
Damasco
Dobrado
Doce
Estirar
? Foguete
Folha
? Fulano
Granada
Gudão
Hospital
Igreja
Jalapa
Jangada
Jogar
Lanterna
Leilão
Lista
Machila
Madre
Maná
Mangual
Meirinho
Mestre
Mulato
Padre
? Palangana
Pangaio
Papuzes
Pato
Pena
Pera
Picão
Pistola
Prancha
Prato
Querubim
Eecibo
Renda
Rial
Ripa
Ronda
Sabão
? Sagu
Setim
Sorte
Tabaco
Tambaca
? Tanque
Tresdobrado
Toalha
Tronco
? Tufão
Yara
Varanda
Verruma
Vis agra
TURCO
Castanha
Fustão
Gancho
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Anacastrosalgado
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<noinclude><pagequality level="1" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>DOS VOCABULOS PORTUGUESES
TÚLU
Aia
Confessar
Ama
Copo
Jangada
Jogar
Querubim
Ananás
Corja
Recibo
Apóstolo
Coronel
Lanterna
Renda
Arco
Couve
Leilão
Rial
Armário
Cozinha
Lista
Ripa
Arrátel
Cruz
Ronda
Arrear
Machila
Damasco
Madre
Sabão
Bacia
Dobrado.
Maná
? Sagu
Baixel
Doce
Mangual
Setim
Balde
Meirinho
Sorte
Batata
Estirar
Mestre
Bilimbim
Mulato
Tabaco
Bomba
? Foguete
Bordo
Folha
Padre
Botão
? Fulano
?Palangana
Pangaio
Tambaca.
? Tanque
Tresdobrado
Toalha
Café
Granada
Papuzes
Tronco
Cafre
Gudão
Pato
? Tufão
Camisa
Pena
Católico
Hospital
Pera
Vara
Chá
Picão
Varanda
Chapéu
Igreja
Pistola
Verruma
Chave
Prancha
Visagra
Colher
Jalapa
Prato
Compadre
TURCO
Castanha
Fustão
Gancho
Salada
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/311
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Anacastrosalgado
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 214 LISTAS PARTICULAEES Sacrário Sacrifício Sacrilégio Sacristão Sacristia Sagrado ? Sagu Saguate Saia Sala Salada Saleiro Salitre («sormith») Salmo Salsaparrilha Salva Salvação Salvar Salve Sanfona Sangria («sargeta») Sanguinho Santa Cruz Santa Unção (sãntesámv) Santíssimo Santíssimo Sacramento Santo San-Tomé Sapal ( « khãzan») Sapata (de parede) Sapateiro Sapato Saraça Sarapatél Sargento Sarja Satanás Satisfação («kuxali) Saúde...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>214
LISTAS PARTICULAEES
Sacrário
Sacrifício
Sacrilégio
Sacristão
Sacristia
Sagrado
? Sagu
Saguate
Saia
Sala
Salada
Saleiro
Salitre («sormith»)
Salmo
Salsaparrilha
Salva
Salvação
Salvar
Salve
Sanfona
Sangria («sargeta»)
Sanguinho
Santa Cruz
Santa Unção (sãntesámv)
Santíssimo
Santíssimo Sacramento
Santo
San-Tomé
Sapal ( « khãzan»)
Sapata (de parede)
Sapateiro
Sapato
Saraça
Sarapatél
Sargento
Sarja
Satanás
Satisfação («kuxali)
Saúde
Sé
Secretaria
Secretário
Secidar
Seda
Segredo {igíulhy>)
Segunda (t. mus.)
Segundo (subst.
Seguro
Sela
Selado
Selim
Stdo
Semana
Semana Santa
Seminário
Sempre (p. us.)
Sem-razão (serezámv)
Senhor
Senhora
Sentença
Sentido
Sentimento
Sentinela
Separado
Sepulcro (Santo —)
Sequestro
Serafim
Seringa
Sério
Sermão
Serpente (p. us.; «sarapy>)
Serventia
Serviço
Servir
Sesma
Setembro
Setim
Silaba («akxar»)
Sinal
Sinapismo
Sincero («bholó»)
Sinfonia
Sirgueiro (sirgir)
Soberbo
Sobrado («mulog»)
Sobrecasaca
Sobrecéu
Sobregola
Sobremesa
Sobrepeliz
Sobrinha
Sobrinho
Sociedade
Sócio («bhãgeli»)
Soda
Sofá
Sola
Soldado
Solfa («sár»)
Solidéu
Solteiro (p. us.; ãnkuvár»)
Som («nád, ãváz»)
Sopa
Sopeira («prato sopeiro; port. de Goa»)
Sorte
Sossegado
Sossêgo
Sota
Subdiácono
Subscrever
Subscrição
Subscritor<noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/289
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Anacastrosalgado
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/291
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Anacastrosalgado
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 194 LISTAS PARTICULARES ÁRABE Abóbora ? Aia Âncora Arcediago Baixel Bálsamo Banco Bandeira Barcaça Barril Bocal Calafate Calçado Camisa Capão Capote Castanha Católico Chá Comandante Copo Espada Esponja Forno Frasco Fustão Gávea Gêsso Guarda Guitarra Passaporte * Querubim Rial História Mármore Mesa Música ? Naulo Sabão Saia Salada Sapato Tabaco Terebintina Órgão Galeão Galeota Papa Vapor Verruma ASSAMES Achar Aia Alfinete Arm...
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LISTAS PARTICULARES
ÁRABE
Abóbora
? Aia
Âncora
Arcediago
Baixel
Bálsamo
Banco
Bandeira
Barcaça
Barril
Bocal
Calafate
Calçado
Camisa
Capão
Capote
Castanha
Católico
Chá
Comandante
Copo
Espada
Esponja
Forno
Frasco
Fustão
Gávea
Gêsso
Guarda
Guitarra
Passaporte
* Querubim
Rial
História
Mármore
Mesa
Música
? Naulo
Sabão
Saia
Salada
Sapato
Tabaco
Terebintina
Órgão
Galeão
Galeota
Papa
Vapor
Verruma
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Achar
Aia
Alfinete
Armário
Chá
? Chapa
Chave
Compasso
Bacia
? Bafo
Boiao
Bomba
Estirar
Janela
Jôgo
Leilão
Limão
Fita
Gudão
Café
Cafre
Inglês
Igreja
Mastro
Mesa
Mestre
Pato
Peru
Pipa
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Recibo
Sabão
Saia
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<center>'''ÁRABE'''</center>
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Âncora<br>
Arcediago<br>
Baixel<br>
Bálsamo<br>
Banco<br>
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Calçado<br>
Camisa<br>
Capão<br>
Capote<br>
Castanha<br>
Católico<br>
Chá<br>
Comandante<br>
Copo<br>
Espada<br>
Esponja<br>
Forno<br>
Frasco<br>
Fustão<br>
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Gávea<br>
Gêsso<br>
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Mármore<br>
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Tabaco<br>
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Vapor<br>
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Boiao<br>
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Baixel<br>
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Barcaça<br>
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Calçado<br>
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Capão<br>
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Católico<br>
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<noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" /></noinclude>194
<center>'''LISTAS PARTICULARES'''</center>
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Inglês<br>
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Mastro<br>
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Anacastrosalgado
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: BIBLIOGRAFIA LXXXI1I Mendis (Revs. T. Mosckop and B. A.). A Sinhalese-English Dictionary. Colombo, 1899. Michell (C. B.), A Siamese-English Dictionary. Bangkok, 1892. Molesworth (J. T.). A Dictionary Maráthl and English. Bombay, 1857. Morais (António de — Silva). Diccionario da Língua Portugueza. Lisboa, 1844. Morais (Wenceslau de). Day-Nippon. Lisboa, 1897. Moura (Ml). Vocahulaire Français-camhodgian et tíambodgian-français. Paris,...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>BIBLIOGRAFIA
LXXXI1I
Mendis (Revs. T. Mosckop and B. A.). A Sinhalese-English Dictionary. Colombo, 1899.
Michell (C. B.), A Siamese-English Dictionary. Bangkok, 1892.
Molesworth (J. T.). A Dictionary Maráthl and English. Bombay, 1857.
Morais (António de — Silva). Diccionario da Língua Portugueza. Lisboa, 1844.
Morais (Wenceslau de). Day-Nippon. Lisboa, 1897.
Moura (Ml). Vocahulaire Français-camhodgian et tíambodgian-français. Paris, 1878.
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Nicholson (Rev. James). A Pocket Dictionary of the English and Sinhalese
Languages. Colombo, 1895.
Nunes (António). Ljyvro dos Pesos da Ymdia e asi Medidas e Moedas, fn
Subsidias.
O Chronisía de Tissuary. Revista histórica, dirigida por Cunha Rivara. NovaGoa, 1866-1869.
O Gabinete Ldtterario das Fontainhas. Revista dirigida por Filipe Néri Xavier. Nova-Goa, 1846-1848.
Oppert (Gustav). On the Classificatim of Languages. Madras, 1869.
Orta (Garcia da). Colloquios dos simples e drogas da índia. Edição comentada
pelo Conde de Ficalho. Lisboa, 1891.
O Ultramar. Periódico de Margão.
Palmer (C. H.). A Concise Dictionary English-Persian, London, 1883.
Patel (L. G.). A Pocket Gujarati-English Dictionary. Ahmedabad, 1892.
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Patel (Withalrau Vyasand Thankerbhai). The Studenfs Standard EnglishGujarati Dictionary. Ahmedabad, 1896,
Paul (Bulloram). An enlarged English to Bengali Dictionary. Calcutta, 1888.
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1898,
Pyrahd (Francisco— de Lavai). Viagem. Tradução de J. H. da Cunha Rivara. Nova-Goa, 1558.
Ramósio (G. Battista). Delle Navigationi et Viaggi. 3 vol. Veuetia, 1583, 1563,
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Rebêlo (Gabriel). In/oTOiação das cousas de Maluco. In Collecção de Noticias.
Reeve (Rev, W.). A Dictionary Canarese and English. Bangalore, 1858.
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Riieede (H.). Hortus Indicus Malabaricus. Amstelod, 1686.
Rigg (Jonathan). A Dictionary of the Sunda Language. Batavia, 1862.<noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/89
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Anacastrosalgado
41047
/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: LXXXIV BIBLIOGRAFIA Rivaha (Joaquim Heliodoro da Cunha). Vid. Ardiivo, O Chronista e Pyrakd. Roberts (Rev. H.). An Anglo-Khassi Dictionary. Calcutta, 1878. Roteiro da Viagem de Vasco da Gama. Lisboa, 1838. Sakuna (N.). An Intermediate Japonese-English Dictionary. Tokio, 1904. Sankaranaravana (P.). A Smaller English- Telugu Dictionary. Madras, 1894. Santos (Pr. João dos). Ethiopia Oriental. Lisboa, 1892. S. Bernardino (Fr. Gaspar de—)....
550907
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXXXIV BIBLIOGRAFIA
Rivaha (Joaquim Heliodoro da Cunha). Vid. Ardiivo, O Chronista e Pyrakd.
Roberts (Rev. H.). An Anglo-Khassi Dictionary. Calcutta, 1878.
Roteiro da Viagem de Vasco da Gama. Lisboa, 1838.
Sakuna (N.). An Intermediate Japonese-English Dictionary. Tokio, 1904.
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Santos (Pr. João dos). Ethiopia Oriental. Lisboa, 1892.
S. Bernardino (Fr. Gaspar de—). Itinerário da índia por terra até este reino
de Portugal. Lisboa, 1611.
Sohuohardt (Hugo). Kreolische Studien, IX. Ueber das Malaio-portugiesische
von Batavia und Tugu. Wien, 1891.
Beitrãge zur Kenntnis des hreolischen Romanisch, v.
■ Sen (Ram Comul). A Dictionary in English and Bengalee. Serampore, 1834.
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Subsídios para a Historia da índia Portuguesa, compreendendo os livros
de Simão Botelho e Antonio Nunes, e Lembranças das Cousas da Índia. Lisboa,
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Turnbull (Rev. A.). Nepali Grcmmar and Vocabulary. Darjeeling, 1904.<noinclude></noinclude>
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Página:O Selvagem (Senado Federal).pdf/331
106
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Trooper57
24584
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{rh||'''O SELVAGEM DO BRAZIL'''|borda_inferior=1}}</noinclude>{{t2|I}}{{c|{{larger|O HOMEM AMERICANO}}}}
{{bloco direito|''Apparecimento do homem na terra. Periodo em que apparece na America o tronco vermelho. Cruzamentos pre-historicos com os brancos. Avaliação de qual era o estado das industrias selvagens pelos usos que faziam do fogo.''}}
Aquelles que estudam as diversas revoluções por que
tem passado a terra, desde o periodo em que fazia
parte da grande nebulosa que se decompoz no systema
solar, até nossos dias, ficarão convencidos de que os
phenomenos que nós denominamos vitaes estão intimamente
ligados a taes revoluções.
O homem só podia apparecer nos fins da época ternaria.
As hypotheses sobre a creação do homem, que me
parecem mais conformes com a geologia, são:
Como o tronco negro é que melhor supporta o calor;
como a marcha do planeta que habitamos tem sido do
calor para o frio, e como todos os phenomenos vitaes.
se ligam á marcha da temperatura, o tronco negro
parece que foi o primeiro creado, e devia sêl-o {{pt|n’a-|n’aquella }}<noinclude>{{rh|r.||1}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{rh|2|{{sc2|O HOMEM AMERICANO}}}}</noinclude><noinclude>quella</noinclude> parte do globo, onde, primeiro do que em outras,
a temperatura desceu ao gráo que era compativel com o
organismo do homem.
Pela mesma serie de comparações creio que o tronco
amarello veiu depois do preto, o vermelho depois do
amarello, e finalmente o branco, que deve ser contemporaneo
dos primeiros gelos, foi o ultimo. Julgo tambem
que, na ordem do desapparecimento, a natureza
ha de proceder pela mesma fórma — o tronco preto ha
de desapparecer antes do amarello, e assim successivamente
até o branco. Este ha de talvez por sua vez desapparecer
tambem no fim do periodo geologico de que
somos contemporaneos para, quem sabe, dar lugar ao
apparecimento d’uma outra humanidade, tanto mais
perfeita e tão distante da actual quanto esta o é dos
grandes quadrumanos anthropomorphos que chegaram
até nossos dias.
A sciencia, por emquanto, não póde aceitar estas
cousas senão como conjecturas; dia virá em que ellas
serão esclarecidas e provadas.
Eu supponho, pois, a actual familia humana dividida
em 4 troncos — O terceiro em idade é o vermelho ou
americano a que pertencem os selvagens de nossa
America.
{{c|{{sc2|APPARECIMENTO DO TRONCO VERMELHO}}}}
Por uma serie de considerações geologicas que eu
não posso agora desenvolver por que excedem aos {{pt|li-|limites }}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>PARTE PRATICA
41
LIÇÃO SETIMA
O marinheiro.
Sua arvore.
Seu (d'elle) espelho.
Aljava.
Seu pente.
Sua esteira.
Curára paraná-póra (sol-
dado que mora no mar). (*)
I jua.
I uáruá.
Ulua-rerú.
I kiuáua.
A pistola.
O estrangeiro.
Este. Aquelle.
I tupé.
Mukána-miri (espingar-
dinha).
Amú-tetama-uára.
Quahá. Nhaha.
Seu-traduz-se por-i-anteposto ao nome, quando
este não começa port ou r-Quando começa por tour-
perde este e toma em seu lugar um--; assim: :-
reçá-olho olho d'elle-ceçá: róca-casa; cóca-
casa d'elle.
Este boi.
Esta herva.
Este homem.
Este viado.
Quahá tapiíra.
Quahá capií.
Quahá apgaua.
Quahá cuaçú.
() A palavra curára é corrupção do portuguez
soldado é porém a que está em uso.<noinclude></noinclude>
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DOS
VOCÁBULOS PORTUGUESES
DE CADA UMA DAS LÍNGUAS}}}}<noinclude></noinclude>
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DOS
VOCÁBULOS PORTUGUESES
DE CADA UMA DAS LÍNGUAS}}}}<noinclude></noinclude>
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