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Hino do município de São João da Canabrava
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Introdução do novo hino da cidade
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|letra por=Prof. José Antônio da Luz
|melodia por=Prof. José Antônio da Luz
|notas=Autor Parceiro: Prof. Cláudio Roberto Borges de Sousa
}}
{{Info
| título = Hino de São João da Canabrava
| imagem1 = Brasão_de_S._João_da_Canabrava.png|130px
| subtítulo = Brasão Canabravense
| imagem2 = [[File:Hino de São João da Canabrava - Orquestra Sinfonica de Teresina.ogg|Hino de São João da Canabrava]]
| rodapé = Hino de São João da Canabrava
}}
<poem>
Do astro-rei a luz ardente iluminou
Pujante berço de São João da Canabrava
A farta plantação de cana alimentou
Filhos heroicos, estandartes de sua raça.
A Canabrava lembra a cana de seus campos
Que fez a expansão de fazendas de gado
O grande Padre Manoel Florêncio dos Santos
Vulto maior na formação do povoado.
Data marcante
Onze de Abril
Emancipou-se Canabrava para sempre.
São João, Padroeiro
Com tanto brio
De Canabrava é o protetor da sua gente.
Fulgura em seu Pendão labores de sua glória.
Valente chão canabravense, eis o seu Hino
Que hoje entoa sua majestosa história
Pelas chapadas, morros, campos e colinas.
Cantam pastores, lavradores varonis
Seu Hino, a marca da cultura popular
Belas planícies, sertanejos, céu de anil,
Filhos tão nobres Canabrava viu gerar.
Ó Taperinha!
Ó Bananeira!
Riachos doces que refrescam o clima quente.
De braços dados
Para o Guaribas
Juntinhos correm pelo chão canabravense.
Artes rupestres de São João Canabrava
São divulgadas pelos sábios cicerones.
Turistas andam pela Cidade de Pedras
Tão visitada pelos homens de renome.
Celeiro farto de artistas musicais,
De grandes lentes e políticos populares.
Todas as cores que desenham o arco-íris
Em São João da Canabrava estão nos ares.
E rumorejam
Nas invernadas
As virações, águas que brincam nas correntes.
Bis
Forte assim seja
Tão gentil povo
Na proteção de Canabrava eternamente.
</poem>
[[Categoria:Hinos do Piauí|Sao Joao da Canabrava]]
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[[Categoria:Sítio do Picapau Amarelo]]
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<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>Examinam primeiramente a carga do burro humilde, e,
— Farello! exclamam, desapontados. O demo o leve! Vejamos se ha coisa de mais valia no da frente.
— Ouro! ouro! gritamos arregalando os olhos. E atiram-se ao saque.
Mas o burrinho resiste. Desfere coices e dispara pelo campo afóra. Os ladrões correm-lhe atrás, cercam-no, e dão-lhe em cima de pau e pedra, sem dó nem piedade. Afinal, saqueiam-no.
Terminada a festa, o burrinho de ouro, mais morto que vivo e tão surrado que nem sustentar-se em pé podia, reclama auxilio do outro, que, muito fresco da vida, retouçava o capim sossegadamente.
— Socorro, amigo! Vem acudir-me que estou descadeirado...
O burrinho do farello respondeu zombeteiramente:
— Mas poderei, acaso, approximar-me de Vossa Excellencia?
— Como não? A minha fidalguia estava toda dentro da bruaca, e lá se foi nas mãos daquelles patifes. Sem as bruacas de ouro no lombo sou uma pobre besta igual a ti...
— Bem sei. E’s como certos grandes fidalgos do mundo que só valem pelo cargo que usurpam. No fundo, simples bestas de carga, eu, tu, elles...
E ajudou-o a regressar para casa, decorando para seu uso, bem decoradinha, a lição que ardia no lombo do vaidoso.
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<noinclude><pagequality level="4" user="Saturnow" /></noinclude>[[File:Fabulas de Narizinho (page 7 crop).jpg|centro|300px]]
{{c|{{larger|'''A cigarra e a formiga'''}}}}
Houve uma joven cigarra, de côres rebrilhantes, que tinha por costume chiar ao pé dum formigueiro. Só parava quando cansadinna; e era então seu divertimento observar as formigas operosas, na eterna faina de abastecer as tulhas de Formigopolis.
Mas o bom tempo, afinal, passou, e vieram as chuvas finas de Setembro. Os animaes todos, arrepiados, passavam o dia cochilando nas tócas, á espera de que cessasse o horrivel chuvisqueiro.
A pobre cigarra, sem abrigo em seu galhinho secco, e mettida em grandes apuros, deliberou soccorrer-se de alguem.
Manquitolando, com uma asa a arrastar, dirigiu-se a Formigopolis. Bateu — ''tic, tic, tic...''
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Página:Fabulas de Narizinho (Brasiliana).pdf/16
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Saturnow" /></noinclude>Surge uma formiga friorenta, embrulhada em fichú de paina.
— Que quer você? pergunta ella, examinando a triste mendiga, suja de lama e a tossir, a tossir...
— Venho em busca de agasalho. A garôa não cessa e eu...
A formiga olhou-a d'alto a baixo, franziu a testa e disse:
— E que fazia você durante o bom tempo que não construia a sua casa?
A pobre cigarra, treme—tremendo, respondeu depois dum accesso de tosse:
— Eu cantava, bem sabe...
— Ah!... exclamou a formiga, recordando—se. Era você, então, quem cantava. nessa arvore secca, emquanto nós labutavamos para abastecer as tulhas?
— Isso mesmo, era eu...
— Pois entre, amiguinha! Nunca poderemos esquecer as boas horas que sua cantoria nos proporcionou. Aquelle chiado nos divertia e nos alliviava o trabalho. Diziamos sempre: que felicidade ter como vizinha a uma tão gentil cantora! Entre, pois, amiga, que aqui tem cama e mesa emquanto o mau tempo durar.
A cigarra entrou, sarou da tosse e voltou a ser a alegre cantora dos dias de sol quente e ceu azul. E durante toda a temporada chuvosa encheu o formigueiro de alegria com a vibração das suas musicas chiantes.
Mais tarde, quando o sol reappareceu e a cigarra partiu, confessaram as formiguinhas, saudosas, nunca terem passado uma estação das aguas mais divertida que aquella...
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Página:Fabulas de Narizinho (Brasiliana).pdf/17
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>Já houve, entretanto, uma formiga má que não soube comprehender a cigarra e friamente a repelliu de sua porta.
Foi isso na Europa, em pleno inverno, quando a neve recobria o mundo com o seu cruel manto de gelo.
A cigarra, como de costume, cantara sem parar o estio inteiro, e o inverno viera pilhal-a desprovida de tudo, sem casa onde abrigar-se, nem folhinhas que comesse.
[[File:Fabulas de Narizinho (page 9 crop).jpg|300px|centro]]
Desesperada, bateu á porta da formiga e pediu — emprestado, notem! — uns miseraveis restos de comida. Pagaria. Pagaria com juros altos, essa comida de emprestimo, logo que o tempo lh'o permittisse.
Mas a formiga era uma usuraria sem entranhas. Além disso, invejosa. Como não soubesse cantar tinha odio de morte á cigarra por vel-a querida de todos os seres.
— Que fazia você, durante o bom tempo?
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>— Eu... eu cantava!...
— Cantava? Pois dance agora! e fechou-lhe a porta no nariz.
Resultado: a cigarra alli morreu, entanguidinha; e quando regressou a primavera, o mundo apresentava um aspecto mais triste. E' que faltava na symphonia das cousas a nota estridente daquella cigarra morta em consequencia da avareza da formiga. No entanto, se a usuraria morresse, ninguem daria pela falta della!
''Os artistas'' — ''poetas, pintores, musicos'' — ''são as cigarras da humanidade''.
[[File:Fabulas de Narizinho (page 10 crop).jpg|centro|300px]]
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Fabulas de Narizinho/A cigarra e a formiga
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| ano = 1921
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{{c|{{larger|'''O macaco e o gato'''}}}}
Simão — o macaco, e Bichano — o gato, moram juntos sob o mesmo tecto. E pintam o sete na casa. Um furta “as coisas”, remexe gavetas, esconde tesourinhas, atormenta o papagaio; outro arranha os tapetes, esfiapa as almofadas e bebe o leite das crianças, às escondidas
Apesar de amigos e socios, o macaco sabe agir com tal maromba que é elle quem leva a melhor em todas as peraltagens.
Foi assim no caso das castanhas.
A cozinheira puzera a assar, sobre brazas; uma duzia de {{PT||castanhas e sahira rumo da horta a colher temperos. Os dois malandros, vendo a cozinha vazia, approximaram-se de manso. com piscadelas de intelligencia. Disse o macaco:}}
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Saturnow" /></noinclude>{{PT|castanhas e sahira rumo da horta a colher temperos. Os dois malandros, vendo a cozinha vazia, approximaram-se de manso. com piscadelas de intelligencia. Disse o macaco:}}
— Amigo Bichano, tens uma pata geitosa, optima para tirar castanhas do fogo. Vamos! Toca a manejal-a!
O gato não se fez insistir e com arte sabia começa a tapear as castanhas, chamando-as para fóra das cinzas.
— Prompto, uma!...
— Agora aquella de lá... Isso! Agora aquella gorducha... Isso! E mais a da esquerda, que estalou...
O gato as tirava, mas quem as comia, gulosamente, piscando o olho, era o macaco...
De repente, eis que surge a cozinheira, furiosa, de vara na mão, ameaçadora:
— Espera ahi, diabada!...
Os dois gatunos esvaem-se, aos pinotes, até alcançar couto seguro no telhado.
O macaco diz então, esfregando as munhecas:
— Boa partida, hein?
Bichano suspira.
— Para ti, que comeste as castanhas. Para mim, pessima, pois arrisquei o pêlo, incidi na vingança da criada, que, mais dia menos dia me descadeira a pau, e estou em jejum, sem saber que gosto tem uma castanhasinha assada...
Simão, cavorteiramente, consolou-o:
— Não te amofines, porque a vida é assim mesmo. ''O bom bocado não é para quem o faz, e sim para quem o come...''
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Fabulas de Narizinho/O macaco e o gato
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Fabulas de Narizinho/Os dois burrinhos
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text/x-wiki
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{{c|{{larger|Os dois pombinhos}}}}
Eram felizes. Queriam-se muito e contentavam-se com o que tinham.
Mas um delles perdeu a cabeça e, farto de tanta paz, encasquetou a idéa de correr mundo.
— Para que? advertiu o companheiro. Não vives sossegado, aqui, neste remanso?
— Quero ver terras novas, respirar novos ares...
— Não vás! Ha mil perigos pelo caminho, incertezas, trai- {{PT||ções... Além disso, o tempo não é proprio. Epoca de temporaes, poderá um delles colher-te em viagem — e ai de ti!...}}
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Página:Fabulas de Narizinho (Brasiliana).pdf/24
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{{PT|ções... Além disso, o tempo não é proprio. Epoca de temporaes, poderá um delles colher-te em viagem — e ai de ti!...}}
De nada valeram os bons avisos. O pombinho assanhado beijou o companheiro e partiu.
Nem de proposito, uma hora depois o céo se tolda, os ventos rugem e sobre a terra desaba tremendo aguaceiro.
O imprudente viajante aguenta O temporal inteiro fóra de abrigo, repimpado numa arvore secca. Soffre horrores; mas salva-se e, vinda a bonança, póde continuar à viagem. Dirige-se a um lindo artozal, pensando:
— Que vidão irei passar neste mimoso tapete de verdura !
Ai!... Nem bem pousou e já se sentiu preso num laço cruel.
Uma hora de desespero, a debater-se...
Foi feliz, ainda. O laço, apodrecido pelas chuvas, rompeu-se e o pombinho safou-se. E fugiu, exhausto, com varias pennas de menos e uma tira de corda aos pés, a lhe embaraçar o vôo.
Nisto um gavião surge, que se precipita sobre elle com a rapidez da flexa. O misero pombinho, atarantado, mal tem tempo de lançar-se ao terreiro d'um casebre de lavrador. Livra-se dess'arte, do rapinante, mas não póde livrar-se dum menino que, de bodoque em punho, corre para cima delle e o espeloteia.
Corre que corre, pereréca que pereréca, o malaventurado pombinho consegue inda uma vez escapar, occulto num ôco de pão.
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text/x-wiki
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{{PT|ções... Além disso, o tempo não é proprio. Epoca de temporaes, poderá um delles colher-te em viagem — e ai de ti!...}}
De nada valeram os bons avisos. O pombinho assanhado beijou o companheiro e partiu.
Nem de proposito, uma hora depois o céo se tolda, os ventos rugem e sobre a terra desaba tremendo aguaceiro.
O imprudente viajante aguenta O temporal inteiro fóra de abrigo, repimpado numa arvore secca. Soffre horrores; mas salva-se e, vinda a bonança, póde continuar à viagem. Dirige-se a um lindo artozal, pensando:
— Que vidão irei passar neste mimoso tapete de verdura !
Ai!... Nem bem pousou e já se sentiu preso num laço cruel.
Uma hora de desespero, a debater-se...
Foi feliz, ainda. O laço, apodrecido pelas chuvas, rompeu-se e o pombinho safou-se. E fugiu, exhausto, com varias pennas de menos e uma tira de corda aos pés, a lhe embaraçar o vôo.
Nisto um gavião surge, que se precipita sobre elle com a rapidez da flexa. O misero pombinho, atarantado, mal tem tempo de lançar-se ao terreiro d'um casebre de lavrador. Livra-se dess'arte, do rapinante, mas não póde livrar-se dum menino que, de bodoque em punho, corre para cima delle e o espeloteia.
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Fabulas de Narizinho/Os dois pombinhos
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>E alli, curtindo as dores da asa quebrada, esperou pacientemente que o inimigo se fosse. Só então, com mil cautelas, logrou fugir e regressar para casa.
O companheiro, ao vel-o chegar assim, arrastando a asa, depennado, moido de canseira, beijou-o repetidas vezes entre lagrimas, e disse:
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>[[File:Fabulas de Narizinho (page 17 crop).jpg|centro|400px]]
{{c|{{larger|'''A mosca e o automovel'''}}}}
Um automovel encalhou em certo ponto de máo caminho, onde havia um atoleiro.
— E agora?
— Agora é procurar bois na vizinhança e arrancal-o á força viva.
Assim se faz. Vêm os bois — uma junta de coice. Atrelam-na ao carro e principia a faina.
— Vamos, Malhado! Puxa, Cuitelo!
Os bois estiram os musculos, num potente esforço, espicaçados pelo aguilhão.
Mas não basta. E' preciso que todos, serviçaes e passageiros, mettam hombros á tarefa e, empurrando de cá, alçapremando de lá, ajudem o arranco dos bovinos.
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Página:Fabulas de Narizinho (Brasiliana).pdf/27
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>Neste momento surge uma senhorita mosca. Assumpta o caso e resolve metter o bedelho onde não é chamada.
E toda afflictasinha começa — vôa doqui, pousa alli, zumbe á orelha de um, pica no focinho de outro, atormenta os bois, atrapalha os homens, multiplicando-se de tal maneira que dá a impressão de ser, não uma só, mas um enxame inteiro de moscardos infernaes.
O carro, afinal, arranca-se do atoleiro e a mosquinha, enxugando o suor que lhe cae da testa, exulta, orgulhosa:
— Se não fosse eu...
[[File:Fabulas de Narizinho (page 18 crop).jpg|centro|100px]]<noinclude></noinclude>
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Fabulas de Narizinho/A mosca e o automovel
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text/x-wiki
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Página:Fabulas de Narizinho (Brasiliana).pdf/28
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>[[File:Fabulas de Narizinho (page 19 crop).jpg|centro|300px]]
{{C|{{Larger|'''O corvo e o pavão'''}}}}
O pavão, de roda aberta em forma de leque, dizia com desprezo, ao côrvo:
— Repara como sou bello! Que cauda, hein? Que côres, que plumagem maravilhosa! Sou das aves a mais formosa e amais perfeita, não?
— Fóra de duvida que és um bello bicho, disse o côrvo. Mas, perfeito, alto lá!
— Quem quer criticar-me! Um avejão negro, caxingó, capenga, desengraçado e, além disso, ave de mau agouro!... Que falhas vês em mim, ó tição empennado?
Respondeu o córvo:
— Noto que a natureza, para refrear teu orgulho, deu-te<noinclude></noinclude>
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Página:Fabulas de Narizinho (Brasiliana).pdf/29
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Saturnow" /></noinclude>um par de patas que, faça-me o favor, envergonhariam até a um pobre diabo da minha marca!...
O pavão, que nunca tinha reparado nos proprios pés, abaixou-se e contemplou-os longamente. E, desapontado, foi andando o seu caminho, sem replicar coisa nenhuma.
Tinha razão o côrvo: ''não ha belleza sem senão''.
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Fabulas de Narizinho/O corvo e o pavão
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<noinclude><pagequality level="4" user="Saturnow" /></noinclude>[[File:Fabulas de Narizinho (page 21 crop).jpg|centro|300px]]
{{c|{{larger|'''As abelhas e os zangãos'''}}}}
Apparecendo numa arvore uns lindos favos de mel sem dono, os zangãos os reclamaram logo, como coisa delles. As abelhas, porém, protestaram.
— Alto lá! Mel é comnosco, disseram ellas.
Houve inquerito, exames, vistorias, interrogatorio de testemunhas, mil coisas; mas o caso, embrulhado pelos rabulas, dia a dia se tornava mais difficil de resolver. Emquanto isso o mel azedava e as formigas roiam a cera.
Cançadas de lidar com a justiça resolveram as partes consultar um jaboti de grande tino, que em duas palavras resolveu a questão.
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<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>— E' muito facil decidir uma pendenga destas. Basta que tanto os zangãos como as abelhas façam, aqui perto de mim, um trabalho igual. Deste modo, comparando os favos sem dono com a amostra do trabalho de cada uma das partes, verei logo qual é a legitima proprietaria delles.
— Prompto! disseram as abelhas, preparando-se para a tarefa.
Os zangãos, porém, emmudeceram e trataram de raspar-se, desapontadissimos.
''Não basta allegar, é preciso provar''.
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Fabulas de Narizinho/As abelhas e os zangãos
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<noinclude><pagequality level="4" user="Saturnow" /></noinclude>[[File:Fabulas de Narizinho (page 23 crop).jpg|centro|300px]]
{{c|{{larger|'''O leão e o ratinho'''}}}}
Ao sahir do seu buraco achou-se um ratinho entre as patas do leão. Estacou, de pêlos em pé, paralysado pelo terror. O leão, porém, não lhe fez mal nenhum.
— Segue em paz, ratinho; não tenhas medo do teu rei.
O pobre rato sumiu-se, radiante de alegria.
Dias depois cáe o leão numa rêde. Urra desesperadamente, debate-se, estorce-se, e quanto mais se agita mais preso no laço se sente.
Attrahido pelo rumor, surge o ratinho.
— Amor com amor se paga, diz lá comsigo; e põe-se a roer as cordas. Róe que róe, horas a fio, e tanto faz que consegue romper uma das malhas. E como a rêde era das taes, que, rompida a primeira malha as outras se afrouxam, poude o leão deslindar-se e fugir.
''Mais vale paciencia pequenina, que arrancos de leão.''
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Fabulas de Narizinho/O leão e o ratinho
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{c|{{larger|'''O veado e a moita'''}}}}
Perseguido por caçadores crueis esconde-se o veado, bem quietinho, em certa moita de folhagem cerrada. O abrigo era seguro, e tanto que por elle passaram os cães sem perceber coisa nenhuma.
Salvou-se dess'arte o veado. Mas, ingrato e imprudente, apenas ouviu latir ao longe o perigo, esqueceu o beneficio e pastou a bemfeitora, despindo a moita da espessa folhagem amiga.
Fez e pagou.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>Dias depois voltaram á carga os caçadores. Acuam-no os cães e elle, veloz, corre em procura da moita. Ai! Victima da sua ingratidão, a moita, nua de folhas e reduzida a varas, não mais poude escondel-o, e o triste veadinho acabou estraçalhado pelo dente dos cães impiedosos...
[[File:Fabulas de Narizinho (page 25 crop).jpg|centro|300px]]<noinclude></noinclude>
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Fabulas de Narizinho/O veado e a moita
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<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>[[File:Fabulas de Narizinho (page 26 crop).jpg|centro|300px]]
{{C|{{Larger|'''O gato e o sabiá'''}}}}
Cahira um triste sabiá nas unhas de esfaimadissimo bichano. E gemendo de dôr implorava:
— Felino de bote prompto e afiadas unhas, poupa-me! Repara, que se me devoras, commettes um crime de lésa-arte, pois darás cabo de uma garganta maravilhosa donde brotam as mais lindas canções da selva. Queres ouvir uma dellas?
— Tenho fome! respondeu o gato.
— Queres ouvir uma canção que já enlevou as proprias pedras, que dizem surdas, e fez exclamar á onça bruta: “Este sabiá é a obra prima da natureza?”
— Tenho fome! repetiu o gato.
— Tens fome, bem vejo, mas não é isso razão para que destruas a maravilha da floresta, matando o tenor cujos trinos cream o extase na alma dos mais rudes bichos. Queres ouvir o gorgeio em lá-menor da minha ltima symphonia?
— Tenho fome! insistiu o gato. Sei que tudo é assim como<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>dizes, mas tenho fome e acabou-se. Para satisfazel-a devoraria não só a ti como á propria musica, si ella me apparecêra encarnada em petisco. E isso, meu caro sabiá, porque a fome não tem ouvidos...
E comeu-o.
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Fabulas de Narizinho/O gato e o sabiá
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Saturnow" /></noinclude>[[File:Fabulas de Narizinho (page 28 crop).jpg|centro|300px]]
{{c|{{larger|'''Os animaes e a peste'''}}}}
— Em certo anno terrivel de peste entre os animaes, o leão, apprehensivo, chamou a conselho um afamado chimpanzé de barbas brancas.
— Esta peste é um castigo do céo, disse o oraculo, e o remedio é aplacarmos a colera divina sacrificando aos deuses um de nós.
— Ao qual? perguntou o leão.
— Ao mais carregado de crimes, respondeu o chimpanzé.
O rei dos animaes fechou os olhos, concentrou-se e, depois duma pausa, disse aos subditos reunidos em torno delle:
— Amigos! E' fóra de duvida que quem deve sacrificar-se sou eu. Commetti grandes crimes, matei centenas de veados, devorei innumeras ovelhas e até varios pastores. Offereço-me, pois, para o sacrificio necessario ao bem commum.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Saturnow" /></noinclude>Adeanta-se a raposa e diz:
— Acho conveniente ouvir a confissão das demais féras. Porque, para mim, nada do que V. M. allegou constitue crime. Matar veados, despreziveis creaturas! Devorar ovelhas, mesquinhos bichos de nenhuma importancia! Trucidar pastores, raça vil merecedora de exterminação! Nada disto é crime. São coisas, até, que muito honram o nosso virtuosissimo rei leão.
Grandes applausos abafaram as ultimas palavras da engrossadora e o leão foi posto de lado como improprio para o sacrificio.
Apresenta-se, em seguida, o tigre e repete-se a scena. Accusa-se elle de mil crimes, mas a raposa prova que tambem o tigre era um anjo de innocencia.
E o mesmo acontece com todas as féras de dente agudo e garras poderosas.
Nisto chega a vez do burro. Adeanta-se o pobre animal e diz:
— A consciencia só me accusa de haver entrado, movido pela fome, na horta do vigario, comendo alli uma folha de couve.
Os animaes entreolharam-se. Era muito sério aquillo. E a raposa, tomando a palavra, conclue:
— Eis, amigos, o grande criminoso! Tão horrivel é o que elle nos conta que é inutil proseguir nas investigações. A victima a sacrificar-se aos deuses não pode ser outra, porque não pode haver crime maior do que furtar a sacratissima couve do senhor vigario.
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Página:Fabulas de Narizinho (Brasiliana).pdf/39
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Saturnow" /></noinclude>Toda a bicharia concordou e o triste burro foi unanimemente eleito para o sacrificio.
— ''Aos poderosos tudo se desculpa; aos miseraveis nada se perdôa''.
[[File:Fabulas de Narizinho (page 30 crop).jpg|centro|300px]]<noinclude></noinclude>
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Fabulas de Narizinho/Os animaes e a peste
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>[[File:Fabulas de Narizinho (page 31 crop).jpg|centro|300px]]
{{c|{{larger|'''O elephante e o burro'''}}}}
No bom tempo em que os animaes falavam houve uma assembléa de bichos que se reuniu para deliberar sobre uma grande questão.
Compareceu, sem ser convidado, o burro e pedindo a palavra pronunciou longo discurso, fingindo-se estadista. Mas só disse asneiras. Era um zurrar, um zurrar...
Quando concluiu a quadrupedesca arenga, e parou á espera duma tempestade de applausos, o elephante, espichando a tromba para o seu lado, disse-lhe:
— Grande pedaço d'asno! Roubastes tempo, a nós e a ti. A nós, porque o perdemos a ouvir asneiras; e a ti, porque muito mais lucrarias empregando-o em pastar capim. Toma lá este conselho:
''Um tolo nunca é mais tolo do que quando se mette a sabio''.
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Fabulas de Narizinho/O elephante e o burro
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>[[File:Fabulas de Narizinho (page 32 crop).jpg|centro|300px]]
{{c|{{larger|'''O lobo e o cordeiro'''}}}}
Estava o cordeirinho a beber num corrego de aguas limpidas quando appareceu um lobo esfaimado, de horrendo aspecto.
— Que desaforo é esse de turbares a agua que venho beber? disse o monstro, arreganhando os dentes. Espera, que vou castigar a tua mácriação!...
O cordeirinho, tremulo de medo, respondeu com innocencia:
— Como posso turvar a agua que vaes beber se ella corre de ti para mim?
Era verdade aquillo e o lobo atrapalhou-se com a resposta. Mas não deu a perna a torcer:
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>— Além disso, inventou elle, sei que andaste a falar mal de mim, o anno passado.
— Como poderia dizer mal de ti o anno passado se nasci este anno?
Novamente confundido pela voz da innocencia, o lobo insistiu:
— Se não foste tu, foi teu irmão mais velho, o que dá no mesmo.
— Como poderia ser o meu irmão mais velho se sou filho unico?
O lobo, furioso, vendo que com razões claras não vencia o pobresinho, rematou a contenda com uma razão de lobo faminto:
— Pois se não foi teu irmão foi teu pae ou teu avô!
E — ''nhoc!'' — sangrou-o no pescoço.
''Contra a força, amigos não ha argumentos...''
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Fabulas de Narizinho/O lobo e o cordeiro
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Página:Fabulas de Narizinho (Brasiliana).pdf/43
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{c|{{larger|'''O gato e a raposa'''}}}}
Gato e raposa andavam a correr mundo, de sociedade, pilhando capoeiras e ninhos. Muito amigos, apesar de que a raposa, volta e meia, dava tréla á gabolice, depreciando o padre.
[[File:Fabulas de Narizinho (page 34 crop).jpg|right|300px]]
— Afinal de contas, meu caro, não és dos bichos mais bem quinhoados pela natureza{{gap}}Só tens um truque para illudir aos cães: trepar em arvore...
— E é quanto me basta. Vivo muito bem assim e não troco esta minha habilidade pela tua collecção inteira de manhas.
A raposa sorriu, compassivamente. Ora o gato a desfazer nella, dona de cem manhas cada qual melhor! E recor-<noinclude></noinclude>
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Página:Fabulas de Narizinho (Brasiliana).pdf/44
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>dou lá comsigo que sabia illudir os cães de mil maneiras, ora fingindo-se de morta, ora escondendo-se nas folhas seccas, já disfarçando as pegadas, já correndo em zig-zag. Recordou todos os seus truques classicos. Ennumerou-os. Chegou a contar noventa. E chegaria a cem si o rumor duma acuação lhe não viesse interromper os calculos.
— Está ahi a cachorrada! disse o gato, marinhando pela arvore acima. Applica lá os teus innumeraveis recursos que o meu recursozinho unico já está applicado.
A raposa, perseguida de perto, disparou como um foguete pelos campos afóra, pondo em pratica, um por um, todos os recursos da sua collecção.
Mas foi tudo inutil. Os cães eram mestres; não lhe deram tregoas, inutilisaram-lhe as mais engenhosas manhas e acabaram por ferral-a.
Só então se convenceu a raposa — muito tarde!... — de que é preferivel saber bem uma coisa só do que saber mal-e-mal noventa coisas diversas.
[[File:Fabulas de Narizinho (page 35 crop).jpg|centro|400px]]
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Fabulas de Narizinho/O gato e a raposa
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text/x-wiki
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>[[File:Fabulas de Narizinho (page 36 crop).jpg|right|300px]]
{{c|{{larger|'''O cão e o<br>lobo'''}}}}
Um lobo muito magro e faminto, todo pelle e ossos, poz-se um dia a philosophar sobre as tristezas da vida. E nisso estava, quando lhe surge pela frente um cão — mas um cão e tanto, gordo, forte, bem tratado, de pêlo fino e lustroso.
Estumado pela fome, o lobo teve impetos de atirar-se a elle. A prudencia, entretanto, cochichou-lhe ao ouvido: — Cuidado! Si te mettes a luctar com um cão desses quem sae perdendo és tu...
Ouviu a féra a voz da prudencia e humilhou-se. E disse:
— Bravos! Palavra d'honra que nunca vi cão mais gordo nem mais forte! Que pernas rijas, que pêlo macio! Vê-se que tu te tratas, amigo!
— E' verdade, respondeu o cão. Confesso que tenho um tratamento de fidalgo. Mas, amigo lobo, está em tuas mãos levar a boa vida que levo...
— Como?
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>appetece ao meu senhor. Mas que tem isso, se a comida é boa e
vem á hora certa?
O lobo entreparou, reflectiu e disse:
— Sabes que mais? Até logo! Prefiro viver assim, magro e faminto, porém livre e senhor de meu focinho, do que gordo e liso como tu, mas de colleira ao pescoço. Fica-te lá com a tua gordura de escravo que eu me contento com a minha magreza de animal livre.
E, girando nas patas, afundou no matto para sempre.
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<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>— Basta que abandones esse viver errante, esses habitos selvagens e que te civilizes como eu.
— Explica-me lá isso por miudo, pediu o lobo, com o brilho da esperança nos olhos.
— E' facil. Vens commigo; apresento-te ao meu senhor ; elle, está claro, sympathiza-se comtigo e te dá o mesmo tratamento que a mim : bons ossos de gallinha, succulentos restos de carne, um canil com palha macia... Além disso, agrados, mimos a toda hora, palmadas amigas, um nome.
Ficou o lobo satisfeitissimo d'aquelle programma e respondeu:
— Não ha duvida, irei comtigo. Quem não deixará uma vida miseravel como a minha por uma vida de regalos como a tua?
— Em troca disso, continuou o cão, guardarás o terreiro, não deixando entrar ladrões nem vagabundos. Agradarás ao senhor, e a sua familia, sacudindo a cauda e lambendo a mão a todos.
— Pois acceito, resolveu o lobo; e emparelhando-se com o cachorro partiu a caminho da casa.
Em meio da jornada, porém, notou que o seu amigo estava de colleira.
— Que diabo á isso que tens no pescoço?
— E' a coleira.
— E para que serve?
— Para me prender á corrente.
— Então não és livre, não vaes para onde queres, como eu?
— Nem sempre. Passo ás vezes varios dias preso, conforme<noinclude></noinclude>
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Portal:Sítio do Picapau Amarelo
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}}
Lista de obras do Sítio do Picapau Amarelo, do escritor [[Autor:Monteiro Lobato|Monteiro Lobato]].
==Lista==
{{Lista de documentos início}}
{{Documento|data=Circa. 1917|título=[[Nenê (rascunho)|Nenê]]|galeria=Nenê (transcrito).pdf|progresso=4|exportar=Nenê (rascunho)|scan= |notas=rascunho inicial}}
{{Lista de documentos final}}
;Lançamentos iniciais na década de 1920.
{{Lista de documentos início}}
{{Documento|data=1920|título=A Menina do Narizinho Arrebitado|galeria=A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf|progresso=4|exportar=A Menina do Narizinho Arrebitado|scan= |notas=}}
{{Documento|data=1921|edições=Narizinho Arrebitado}}
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{{Documento|data=1922|título=O Marquez de Rabicó}}
{{Documento|data=1924|título=A Caçada da Onça}}
{{Documento|data=1928|título=O Noivado de Narizinho}}
{{Documento|data=1928|título=Aventuras do Principe}}
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{{Documento|data=1929|título=O Circo do Escavallinho}}
{{Documento|data=1930|título=A Penna de papagaio}}
{{Documento|data=1930|título=O Pó de Pirlimpimpim}}
{{Lista de documentos final}}
;Lista da Brasiliense (1947)
* ({{ano|1931}}) - {{livro digitalizado|As Reinações de Narizinho|As Reinações de Narizinho.pdf}}
** ({{ano|1933}}) - Novas Reinações de Narizinho
* ({{ano|1932}}) - Viagem ao Céu
* ({{ano|1921}}) - O Saci
**{{livro digitalizado|O Saci (8ª edição)|O Saci (8ª edição).pdf|O Saci}}. O texto desta edição entrará em domínio público nos EUA 2037. As ilustrações entrarão em domínio público no Brasil em 2043.<ref name=JUCampos>{{Citar web|url=https://www.escritoriodearte.com/artista/jurandyr-ubirajara-campos|título=Jurandyr Ubirajara Campos|acessodata=2023-05-18}}</ref>
* ({{ano|1933}}) - {{livro digitalizado|As Caçadas de Pedrinho|As Caçadas de Pedrinho (1ª edição).pdf}} As ilustrações entrarão em domínio público no Brasil em 2050.<ref name=Ilustradores>{{Citar web|url=http://ameninacentenaria.bbm.usp.br/index.php/ilustradores/|título=Ilustradores de Lobato|acessodata=2023-05-18}}</ref> O Ilustrador Jean Gabriel Villin [https://www.saopaulominhacidade.com.br/historia/ver/4674/Jean+Gabriel+Villin,+o+criador+do+marco+zero+-+Praca+da+Se teve herdeiros].
* ({{ano|1927}}) - Aventuras de Hans Staden.
** {{livro digitalizado|Aventuras de Hans Staden (6ª edição)|Aventuras de Hans Staden (6ª edição).pdf|Aventuras de Hans Staden}}
*({{ano|1933}}) - História do Mundo para as Crianças.
*({{ano|1936}}) - Memórias da Emília {{esl|1=https://www.google.com/books/edition/_/2Qu6Ve1nPdwC}}
* ({{ano|1930}}) - Peter Pan
**({{ano|1935}}) - {{livro digitalizado|Peter Pan (Lobato, 1935)|Peter Pan (Lobato, 1935).pdf|Peter Pan}}
*({{ano|1934}}) - Emília no país da gramática
* ({{ano|1935}}) - Arimética da Emília
*({{ano|1935}}) - Geografia de Dona Benta
* ({{ano|1937}}) - ''Serões de Dona Benta''
* ({{ano|1935}}) - História das Invenções
** ({{ano|1944}}) - {{livro digitalizado|Historia das invenções (4ª edição)|Historia das invenções.pdf|4ª edição}}
* ({{ano|1936}}) - D. Quixote das Crianças.
* ({{ano|1937}}) - O Poço do Visconde.
* ({{ano|1937}}) - Histórias de Tia Nastácia
* ({{ano|1937}}) - O Picapau Amarelo
* ({{ano|1941}}) - A Reforma da Natureza
**{{livro digitalizado|A Reforma da Natureza (12ª edição)|A Reforma da Natureza (12ª edição).pdf|12ª edição}}
* ({{ano|1939}}) - O Minotauro
*({{ano|1942}}) - A chave do tamanho.
* ({{ano|1922}}) - Fábulas
**({{ano|1944}}) - {{livro digitalizado|Fabulas (9ª edição)|Fabulas (9ª edição).pdf|9ª edição}}
*({{ano|1944}}) - Os 12 trabalhos de Hércules
** Tomo 1
** Tomo 2
***[https://www.google.com.br/books/edition/Obras_completas_de_Monteiro_Lobato/t8zuAAAAMAAJ?hl=pt-BR&gbpv=0 293 páginas. 1967. Completo].
*({{ano|1947}}) - Histórias Diversas
**{{livro digitalizado|Histórias diversas (anos 70)|Histórias diversas (Mml obr0050).pdf|Edição da década de 1970}}
==Ver também==
* ({{ano|1931}}) [[Alice no País das Maravilhas (Trad. Lobato, 8ª edição)/Prefácio|Prefácio]] de [[Alice no País das Maravilhas (Trad. Lobato, 8ª edição)|Alice no País das Maravilhas]]
* ({{ano|2006}}) {{livro digitalizado|Projeto História/Volume 32/A Chave do Tamanho|A Chave do Tamanho (Lajolo).pdf|A Chave do Tamanho}} por [[Autor:Marisa Lajolo|Marisa Lajolo]]
* ({{ano|2019}}) {{livro digitalizado|DELTA/Volume 35/Número 1/Emília, a cidadã-modelo soviética|Emília, a cidadã-modelo soviética.pdf|Emília, a cidadã-modelo soviética}} por Marina Fonseca Darmaros e John Milton
{{Referências}}
{{portais}}
[[Categoria:!Portais]]
[[Categoria:Sítio do Picapau Amarelo]]
[[Categoria:Literatura infantil]]
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Fabulas de Narizinho/O cão e o lobo
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<noinclude><pagequality level="4" user="Saturnow" /></noinclude>{{c|{{larger|'''A raposa e as uvas'''}}}}
Certa raposa esfaimada encontrou uma parreira carregadinha de lindos cachos maduros, coisa de fazer vir agua á bocca. Mas alta, tão alta que nem pulando podia colher um bago só.
[[File:Fabulas de Narizinho (page 39 crop).jpg|left|300px]]
O matreiro bicho, torcendo o focinho, disse com desprezo:
— Estão verdes. Uvas assim só cães podem tragar.
E foi-se. Nisto deu o vento e uma folha tombou. A raposa, ouvindo o barulho, e julgando ser um bago, volta a toda a pressa e põe-se a farejar...
''Quem desdenha quer comprar.''<noinclude></noinclude>
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Fabulas de Narizinho/A raposa e as uvas
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<noinclude><pagequality level="4" user="Saturnow" /></noinclude>{{c|{{larger|'''O sabiá na gaiola'''}}}}
[[File:Fabulas de Narizinho (page 40 crop).jpg|right|150px]]
Lamentava-se na gaiola um velho sabiá{{gap}}.
— Que triste destino o meu, nesta prisão, toda a vida... E que saudades dos bons tempos de outróra, quando minha vida era um continuo esvoaçar de galho em galho, em procura das laranjas mais bellas... Madrugador, quem primeiro saudava a luz da manhã era eu; como era eu o ultimo a despedir-me do sol á tardinha. Cantava e era feliz...
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>Um dia, traiçoeiro visgo me ligou os pés. Esvoacei, debati-me em vão, e vim acabar nesta gaiola horrivel, onde saudoso chóro o tempo da liberdade. Que triste destino o meu! Haverá no mundo maior desgraça?
Nisto abre-se a porta e entra o caçador, de espingarda ao hombro e uma fieira de passarinhos na mão.
Ante o espectaculo das miseras avesinhas estraçalhadas a tiro, gottejantes de sangue, algumas ainda em agonia, o sabiá estremeceu.
E horripilando verificou que não era dos mais infelizes, pois vivia e inda não perdera a esperança de recobrar a liberdade de outróra.
Reflectiu sobre o caso e murmurou, lá comsigo:
— ''Antes penar que morrer!''
[[File:Fabulas de Narizinho (page 41 crop).jpg|150px|centro]]<noinclude></noinclude>
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Fabulas de Narizinho/O sabiá na gaiola
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>[[File:Fabulas de Narizinho (page 42 crop).jpg|centro|300px]]
{{c|{{larger|'''O cavallo e as mutucas'''}}}}
Um cavalleiro vinha chicoteando as mutucas apinhadas no pescoço da cavalgadura. Volta e meia ''plaf!'' uma lambada e um insecto de menos.
Mas o homem só chicoteava os insectos gordalhudos, pesadões, já empanturrados de sangue.
Em certo ponto o cavallo perdeu a paciencia e disse:
— Julgas que me prestas um serviço e no entanto....
— No entanto quê, cavallo? Pois livro-te das mutucas e inda não estás contente.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>— Beneficio seria se matasses as magras e poupasses as gordas. Porque estas, fartas que estão, nenhum maleficio me fazem, ao passo que as outras, famintas, torturam-me sem dó. Matando só as inoffensivas, o bem que me queres fazer transforma-se em mal, porque soffro a dor da lambada e nada lucro com a morte dos bichinhos.
''Quantos beneficios assim, beneficios só na apparencia!...''
[[File:Fabulas de Narizinho (page 43 crop).jpg|centro|200px]]<noinclude></noinclude>
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Fabulas de Narizinho/O cavallo e as mutucas
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{c|{{larger|'''O lobo, a raposa e a ovelha'''}}}}
Adoecera o lobo e, não podendo caçar, curtia na cama de palha a maior fome da sua vida. Foi quando lhe appareceu a raposa, a visital-o.
— Bem vinda sejas, comadre! E' o céo que te manda aqui. Estou morrendo de fome e se não me soccorres nesta apertura, adeus lobo!...
[[File:Fabulas de Narizinho (page 44 crop).jpg|right|250px]]
— Pois espera ahi que já te arranjo uma rica petisqueira, respondeu a raposa, com uma idéa na cabeça.
Fechou a porta sobre si e tocou para a montanha onde costumavam pastar as ovelhas.
Encontrou logo uma, desgarrada.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>— Viva, anjinho ! Que faz por aqui, tão inquieta? Está a tremer...
— E' que me perdi e tremo com medo do lobo.
— Medo ao lobo? Que bobagem é essa? Pois ignora você que o lobo já fez as pazes com o rebanho?
— Que me diz?
— A verdade, filha. Venho de casa delle, onde conversamos longamente. O pobre lobo está na agonia e muito arrependido da guerra que moveu ás ovelhas. Pediu-me que dissesse isto a vocês e as levasse lá, todas, afim de sellarem o pacto da reconciliação.
A ovelhinha ingenua pulou de alegria. Que sossego dali por deante, para ella e as demais companheiras! Que bom viver assim, sem o terror do lobo no coração!
E, enternecida, disse:
— Pois vou eu mesma sellar o accôrdo feliz.
Partiram. A raposa, á frente, condul-a á toca da féra.
Entram. A ovelhinha, ao dar com o lobo estirado no catre, por um triz que não desmaia de medo.
— Vamos, disse a raposa, beije a pata do magnanimo senhor! Abrace-o, menina !
A innocente, vencendo o horror, dirige-se para elle e abraça-o. Neste momento o monstro ferra-lhe o dente, mata-a e come-a.
''Muito padecem os bons que julgam os outros por si.''
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Fabulas de Narizinho/O lobo, a raposa e a ovelha
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{c|{{larger|'''A piúva e o jaboti'''}}}}
[[File:Fabulas de Narizinho (page 46 crop).jpg|left|300px]]
Brigaram certa vez o jaboti e a piúva.
— Deixa estar! disse esta, furiosa. Deixa estar que eu te curo, meu malandro! Prego-te uma peça das boas, verás...
E ficou de sobreaviso, com os olhos no astuto bichinho, que lá se ria della, sacudindo os hombros.
O tempo corre; esquece o kagado o succedido e um bello dia, distrahidamente, passa ao alcance da piúva.
A rija madeira, incontinente, torce-se, estala e despenca para cima do incauto.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{c|{{larger|'''A piúva e o jaboti'''}}}}
[[File:Fabulas de Narizinho (page 46 crop).jpg|left|300px]]
Brigaram certa vez o jaboti e a piúva.
— Deixa estar! disse esta, furiosa. Deixa estar que eu te curo, meu malandro! Prego-te uma peça das boas, verás...
E ficou de sobreaviso, com os olhos no astuto bichinho, que lá se ria della, sacudindo os hombros.
O tempo corre; esquece o kagado o succedido e um bello dia, distrahidamente, passa ao alcance da piúva.
A rija madeira, incontinente, torce-se, estala e despenca para cima do incauto.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>— Toma! Quero vêr agora como te arrumas. Estás entalado sob o meu tronco e, como sabes, sou páu que dura cem annos...
O Jaboty não se deu por vencido. Encorujou-se dentro da casca, cerrou os olhos como para dormir e disse philosophicamente:
— Pois como eu duro mais de cem annos, esperarei que apodreças...
''A paciencia dá conta dos maiores obstaculos.''
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Fabulas de Narizinho/A piúva e o jaboti
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Fabulas de Narizinho/A coruja e a aguia
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{c|{{larger|'''A cabra, o cabritinho e o lobo'''}}}}
Antes de sahir a pastar, a cabra, fechando a porta, disse ao cabritinho:
Cuidado, meu filho! O mundo anda cheio de perigos. Não abras a porta a ninguem antes de pedir a senha.
— E qual é a senha, mamãe?
— A senha é: "Para os quintos o lobo e toda a sua raça".
[[File:Fabulas de Narizinho (page 48 crop).jpg|right|250px]]
Decorou o cabritinho aquellas palavras e a cabrita lá se foi, sossegada da vida.
Mas o lobo, que rondava a casa, e ouvira a conversa, sem demora approximou-se e bateu. E, disfarçando a voz, repetiu a senha.
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Página:Fabulas de Narizinho (Brasiliana).pdf/58
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Erick Soares3
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<noinclude><pagequality level="4" user="Saturnow" /></noinclude>O cabritinho correu a abrir, mas ao pôr a mão no ferrolho, desconfiou. E pediu:
— Mostre-me a pata branca, faz favor...
Pata branca era coisa que o lobo não tinha e que não poude mostrar, portanto. E de focinho comprido, desapontadissimo, não teve remedio senão ir-se embora como veiu — de papo vazio...
Assim se salvou o cabritinho, porque teve a boa idéa de ''confiar, desconfiando...''
[[File:Fabulas de Narizinho (page 49 crop).jpg|centro|200px]]
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Fabulas de Narizinho/A cabra, o cabritinho e o lobo
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<noinclude><pagequality level="4" user="Saturnow" /></noinclude>{{c|{{larger|'''O asno pedante e o burro<br/>humilde'''}}}}
Um asno pachola e pedantissimo atormentava a paciencia dum humilde burro de corroça, desses que reconhecem o seu lugar na terra. Zurrava o asno, declamava, provava que era elle um talento de primeira grandeza, e sabio como nunca appareceu igual no mundo.
O outro, quieto, ouvia, de orelhas murchas, pastando.
[[File:Fabulas de Narizinho (page 50 crop).jpg|right|250px]]
— Que bruto és, amigo! Falo e não me respondes! Zurro sciencia pura e tu pastas! Vamos! Dize alguma coisa! Contraria-me, contesta-me as opiniões, que estou a arder por uma polemica. Do contra-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>rio envergonhar-me-hei de ter-te como irmão na fórma e na côr.
Um macaco, que tudo ouvia, comendo bananas num galho de pão, não se conteve e desfechou uma gargalhada.
— O mundo está perdido ! Esta besta a fazer-se de sabio, a zurrar centenas de asneiras e o auditorio a engulir tudo, caladinho...
O burro humilde replicou:
— Não zombes do coitado— porque é um coitado, não vês? Quanto a mim faço bem em não responder. O poeta Bocage ensinou-me estes versinhos que são profundamente verdadeiros:
{{c|<poem>
''Um tolo só em silencio
E' que se póde soffrer...''
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Fabulas de Narizinho/O asno pedante e o burro humilde
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>[[File:Fabulas de Narizinho (page 52 crop).jpg|centro|400px]]
{{c|{{larger|'''A gallinha dos ovos de ouro'''}}}}
João Impaciente descobriu no gallinheiro uma pedrez que punha ovos de ouro. Mas um por semana, apenas.
Louco de alegria, disse á mulher:
— Estamos ricos! Esta gallinha traz um tesouro no ovario. Mato-a e fico o graudão das redondezas.
— Porque matal-a, si conservando-a viva tens um ovo de ouro de sete em sete dias?
— Não fosse eu João Impaciente! Queres que me satisfaça com um por semana quando posso conseguir o tesouro inteiro neste instante?
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>E matou a pedrez.
Dentro della, porém, só havia tripas, como nas gallinhas communs, e João Impaciente, logrado, continuou a marcar passo a vida inteira, morrendo sem vintem.
''Quem não sabe esperar, pobre ha de acabar.''
[[File:Fabulas de Narizinho (page 53 crop).jpg|centro|150px]]<noinclude></noinclude>
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Fabulas de Narizinho/A gallinha dos ovos de ouro
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<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>— Não vejo motivo para tamanho barulho!... Fizeram-te uma vez o que fazes todos os dias. Não andas sempre a comer os filhos dos outros? Inda agora não mataste a filha da veada?
A onça arregalou os olhos, como que espantada da estupidez da anta.
— O' grosseira creatura! Então queres comparar os filhos dos outros com os meus? E equiparar a minha dôr á dôr dos outros?
Um macaco que do alto do seu galho assistia á scena metteu o bedelho na conversa.
— Amiga onça, é sempre assim. ''Pimenta na bocca dos outros não arde''...
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{c|{{larger|'''A onça, a anta e o macaco'''}}}}
[[File:Fabulas de Narizinho (page 54 crop).jpg|right|300px]]
A onça, ao voltar da caça, com uma veadinha nos dentes, encontrou a sua tóca vazia.
Desesperada, esguelou-se em urros que enchiam de espanto a floresta. Assustada com aquillo uma anta veio indagar o que era.
— Mataram-me as filhas! gemeu a onça. Infames caçadores commetteram o maior dos crimes: mataram-me as filhas!...
E de novo urrou, desesperadamente, espojando-se na terra e arranhando-se com as unhas.
Diz a anta:
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Fabulas de Narizinho/A onça, a anta e o macaco
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{c|{{larger|'''O charlatão'''}}}}
Um celebre patarata propalou pela cidade que era possivel ensinar a lêr aos burros. O rei soube do facto e fel-o vir á sua presença.
[[File:Fabulas de Narizinho (page 56 crop).jpg|right|300px]]
— E' verdade o que dizem por ahi?
— Que é possivel ensinar a lêr a um burro? Perfeitamente, majestade. Comprometto - me, em dez annos de ensino, a transformar o mais burro dos burros num perfeito grammatico.
— E que é preciso para isso?
— Em primeiro<noinclude></noinclude>
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Página:Fabulas de Narizinho (Brasiliana).pdf/66
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>logar um burro. Em segundo logar outro burro, perdão! uma pessoa que me garanta a subsistencia pelo espaço de dez annos.
— Pois dou-te o burro, disse o rei, e o mais de que necessitas. Se, porem, ao fim desse prazo não me apresentares o burro lendo e escrevendo correctamnte, ai de ti!...
O charlatão saiu do palacio esfregando as mãos de contente. E como seus amigos, assustados viessem criticar-lhe absurdo daquelle contracto e o fim desastroso que elle, charlatão, fatalmente teria, o nosso homem piscou velhacamente o olho, dizendo:
— Que ingenuos são vocês! Em dez annos, o rei, eu ou o burro, um de nós tres não existe mais. E, assim, de qualquer maneira sairei ganhando. E' ou não é?
Todos concordaram que era...
[[File:Fabulas de Narizinho (page 57 crop).jpg|centro|150px]]<noinclude></noinclude>
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Fabulas de Narizinho/O charlatão
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{c|{{larger|'''O pastor e o leão'''}}}}
[[File:Fabulas de Narizinho (page 58 crop).jpg|right|300px]]
Um pastorzinho, notando certa manhã a falta de varias rezes, enfureceu-se, tomou da espingarda e saiu para o monte.
— Raios me partam se eu não trouxer, vivo ou morto, o miseravel ladrão das minhas ovelhas! Hei de campear dia e noite, hei de encontral-o, hei de arrancar-lhe os figados...
E assim, furioso, a resmungar as maiores pragas, consumiu longas horas em inuteis investigações.
Cançado já, lembrou-se de pedir soccorro aos céos.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>— Valei-me Santo Antonio! Prometto-vos vinte rezes se me fizerdes dar de cara com o infame salteador.
Por estranha coincidencia, mal o pastorzinho disse aquillo, eisque lhe surge aos olhos um enorme leão de dentes arreganhados.
O nosso heroe treme dos pés á cabeça, a espingarda cae-lhe das mãos e tudo quanto consegue fazer é invocar de novo o santo.
— Valei-me Santo Antonio! Prometti-vos vinte rezes se me fizesseis apparecer o ladrão; prometto-vos agora o rebanho inteiro para que o façaes desapparecer...
''No momento do perigo é que se conhecem os heroes.''
[[File:Fabulas de Narizinho (page 59 crop).jpg|centro|150px]]<noinclude></noinclude>
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Fabulas de Narizinho/O pastor e o leão
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Autor:Lemmo Lemmi
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==Ilustrações==
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MLReis
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<div>? Palangana</div>
<div>? Pantalona</div>
<div>? Perceiro</div>
<div>Pelouro</div>
<div>Penacho</div>
<div>? Pires</div>
<div>Ponto</div>
<div>Prata</div>
<div style="height:1em;"></div>
<div>Queijo</div>
<div>Querubim</div>
<div>Rei</div>
<div>Renda</div>
<div>Rial</div>
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<div>Sábado</div>
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<div>*<div><nowiki>*</nowiki> Sagu</div>
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<div>Salada</div>
<div>Sapato</div>
<div>? Setim</div>
<div>Solda</div>
<div>Soldado</div>
<div>Sota</div>
<div style="height:1em;"></div>
<div>Tambor</div>
<div>? Tanto</div>
<div>Tangedor</div>
<div>Tabaco</div>
<div>Trombeta</div>
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<div>Veludo</div>
<div>Viola</div>
</div>
<center>'''CAMBOJANO'''</center>
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<div>Ananás</div>
<div style="height:1em;"></div>
<div>Café</div>
<div>Carta</div>
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<div>Cristão</div>
<div>Cruz</div>
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<div>Pimentos</div>
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<center>'''CANARÊS'''</center>
<div style="column-count:4; column-gap:2em;">
<div>Ama</div>
<div>Amen</div>
<div>Ananás</div>
<div>Apóstolo</div>
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<div>Arrátel</div>
<div style="height:1em;"></div>
<div>Bacia</div>
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<div>Damasco</div>
<div>Doce</div>
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<div>Espírito Santo</div>
<div>Esponja</div>
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MLReis
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>Assim discorrendo Americo provou que tudo estava errado e que só elle era capaz de dispor com intelligencia o mundo.
— Mas o melhor, concluiu elle, e não pensar nisto, e tomar uma somneca á sombra destas arvores, não achas?
E Pisca Pisca, pisca piscando que não acabava mais, esti rou-se á sombra, de papo acima.
Dormiu. Sonhou com o mundo novo, reformado pelas suas mãos. Uma belleza!
De repente, no melhor da festa, ''plaft'' uma haboticaba que cae e lhe esborracha o nariz.
Americo desperta de um pulo; pisca, pisca; medita sobre o caso e reconhece a final que o mundo não é tão mal feito assim.
E segue para casa, reflectindo:
— Que espiga!... Pois não é que si eu refizera o mundo a
primeira victima teria sido eu? Eu, Americo Pisca Pisca, morto
pela obobora por mim posta em lugar da jaboticaba? Hum !
Deixemo-nos de reformas. Fique tudo como está, que está tudo
muito bem.
E Pisca-Pisca continuou a piscar pela vida em fóra, mas
desde então perdeu a seisma de corrigir a natureza.
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text/x-wiki
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[[File:Fabulas de Narizinho (Brasiliana) (page 19 crop).jpg|right|200px]]
{{Dhm|3em}}
Seguiam sampeiros, dois burrinhos de tropa, trotando pela
estrada alem. O da frente conduzia bruacas de ouro em pó; e o
de trás, simples saccos de farello. Embora burros da mesma
igualha, não queria o primeiro que o segundo lhe caminhasse a
par.
— Alto lá! dizia elle. Não te emparelhes commigo, que quem
carrega ouro não é do naipe de quem conduz farello. Guarda
cinco passos de distancia, e caminha respeitoso como se fóras
um pagem.
O burrinho do farello submettia-se e lá trotava na trazeira,
de orelhas murchas, roendo-se de inveja do fidalgo.
De repente...
— Oah! ôah!...
São ladroes de estrada que surgem de trás de um tôco de
figueira e agarram os burrinhos pelo cabresto.
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Seguiam sampeiros, dois burrinhos de tropa, trotando pela
estrada alem. O da frente conduzia bruacas de ouro em pó; e o
de trás, simples saccos de farello. Embora burros da mesma
igualha, não queria o primeiro que o segundo lhe caminhasse a
par.
— Alto lá! dizia elle. Não te emparelhes commigo, que quem
carrega ouro não é do naipe de quem conduz farello. Guarda
cinco passos de distancia, e caminha respeitoso como se fóras
um pagem.
O burrinho do farello submettia-se e lá trotava na trazeira,
de orelhas murchas, roendo-se de inveja do fidalgo.
De repente...
— Oah! ôah!...
São ladroes de estrada que surgem de trás de um tôco de
figueira e agarram os burrinhos pelo cabresto.
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[[File:Fabulas de Narizinho (Brasiliana) (page 71 crop).jpg|right|200px]]
{{dhm|2em}}
Metteu-se um mono a falar numa roda de sabios e taes
asneiras disse quefoi corrido aos ponta pés.
— Que disse elle. Enxotam-me daqui ? Negam-me talento ?
Pois hei de provar que sou um grande figurão e voces, uns
tolos.
Enterrou o chapeu na cabeça e dirigiu-se á praça publica,
onde se apinhava copiosa multidão.
Lá chegando pediu uma pipa, trepou em cima, e poz-se a
declamar. Disse asneiras como nunca, tolices de duas arrobas,
parvoiçadas de dar com pau. Mas como gesticulava e berrava
furiosamente, o povo em delirio o applaudiu com palmas e vivório, acabando por carregal-o em triumpho.
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Metteu-se um mono a falar numa roda de sabios e taes
asneiras disse quefoi corrido aos ponta pés.
— Que disse elle. Enxotam-me daqui ? Negam-me talento ?
Pois hei de provar que sou um grande figurão e voces, uns
tolos.
Enterrou o chapeu na cabeça e dirigiu-se á praça publica,
onde se apinhava copiosa multidão.
Lá chegando pediu uma pipa, trepou em cima, e poz-se a
declamar. Disse asneiras como nunca, tolices de duas arrobas,
parvoiçadas de dar com pau. Mas como gesticulava e berrava
furiosamente, o povo em delirio o applaudiu com palmas e vivório, acabando por carregal-o em triumpho.
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