Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.46.0-wmf.24 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão Predefinição:Progressos recentes 10 220893 551261 551231 2026-04-27T15:00:08Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 551261 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|0|0|0|100|0|0}} | [[Index:Ato Institucional Número Cinco.pdf|Ato Institucional Número Cinco]] |- | {{Barra de progresso|0|0|100|0|0|0}} | [[Index:Ato Institucional Número Dois (AI-2).pdf|Ato Institucional Número Dois]] |- | {{Barra de progresso|0|0|100|0|0|0}} | [[Index:Ato Institucional Número Três (AI-3).pdf|Ato Institucional Número Três]] |- | {{Barra de progresso|0|0|38|48|14|0}} | [[Index:Fabulas de Narizinho (Brasiliana).pdf|Fabulas de Narizinho]] |- | {{Barra de progresso|1|0|0|0|1|98}} | [[Index:Fabulas de Narizinho.pdf|Fabulas de Narizinho]] |- | {{Barra de progresso|86|0|3|1|5|5}} | [[Index:Machado de Assis - Teatro.djvu|Teatro]] |- | {{Barra de progresso|0|0|0|0|3|97}} | [[Index:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf|Narizinho Arrebitado]] |- | {{Barra de progresso|2|0|0|0|0|98}} | [[Index:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf|"[[No Alto Minho. 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Caça" 114=230-231 115=232-233 116=234-235 117="Capítulo XVII - Indústria" 118=238-239 119=Imagem 120=242-243 121=244-245 122="Capítulo XVIII - Instrução Popular" 123=248-249 124=250-251 125=252-253 126="Capítulo XIX - Imprensa periódica" 127=256-257 128=258-259 129="Capítulo XX - Viação" 130=Imagem 131=Imagem 132=Imagem 133=Imagem 134=270-271 135=272-273 136=274-275 137="Capítulo XXI - Feiras e Mercados" 138=Imagem 139=Imagem 140="Capítulo XXII - Hospital e Misericórdia" 141=Imagem 142=286-287 143=288-289 144="Capítulo XXII[sic] - Real Confraria do Espírito Santo" 145=Imagem 146=Imagem 147=296-297 148=Imagem 149=300-301 150=302-303 151="Capítulo XXIV - Linguagem popular, vocabulário e locuções" 152=306-307 153=308-309 154=310-311 155=312-313 156=314-315 157=316-317 158=318-319 159=320-321 160=322-323 161=324-325 162=326-327 163=328-329 164=330-331 165=332-333 166="Capítulo XXV - Galeria de courenses ilustres (Instantâneos)" 167=336-337 168=338-339 169=340-341 170=342-343 171=344-345 172=346-347 173=348-349 174=350-351 175=352-353 176=354-355 177=356-357 178=358-359 179="Capítulo XXVI - Cancioneiro regional" 180=362-363 181=364-365 182=366-367 183="Segunda Parte: Freguesias do Concelho" 184=370-371 185=372-373 186=374-375 187=376-377 188=378-379 189=380-381 190=382-383 191=384-385 192=386-387 193=388-389 194=390-391 195=392-393 196=394-395 197=396-397 198=398-399 199=400-401 200=402-403 201=404-405 202=406-407 203=Imagem 204=410-411 205=412-413 206=414-415 207=416-417 208=418-419 209=420-421 210=422-423 211=Imagem 212=426-427 213=428-429 214=430-431 215=432-433 216=434-435 217=Imagem 218=438-439 219=Imagem 220=Imagem 221=Imagem 222=446-447 223=448-449 224=450-451 225=Imagem 226=Imagem 227=Imagem 228=Imagem 229=460-461 230=462-463 231=464-465 232=466-467 233=Imagem 234=Imagem 235=472-473 236=474-475 237=476-477 238=478-479 239=480-481 240=482-483 241=484-485 242=486-487 243=488-489 244=Imagem 245=492-493 246=494-495 247=496-497 248=498-499 249=500-501 250=502-503 251=504-505 252=506-507 253=508-509 254=510-511 255=Imagem 256=514-515 257=516-517 258=518-519 259=Imagem 260=522-523 261=524-525 262=526-527 263=528-529 264=[repetida] 265=530-531 266=532-533 267=534-535 268=Imagem 269=538-539 270=Imagem 271=542-543 272=544-545 273=546-547 274=548-549 275=Imagem 276=552-553 277=Imagem 278=556-557 279=558-559 280=560-561 281=562-563 282=564-565 283=566-567 284=568-569 285="Quadros Estatisticos" 286=572-573 287=574-575 288="Índice" 289="Aditamento" 290="Índice das Principais Matérias" 291=582-583 292=584-585 293=586-587 294=588-589 295=590-591 296=592-593 297=594-595 298=596-597 299=598-599 300="Índice das gravuras" 301=- /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} [[Categoria:História]] [[Categoria:Portugal]] a716bmvfc9hn61ri1ombex1n6w4n9r9 551289 551287 2026-04-28T01:14:21Z Erick Soares3 19404 Formato de duas páginas por imagem. Necessário editar o PDF antes de prosseguir. 551289 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=[[No Alto Minho. Paredes de Coura (2ª edição)|No Alto Minho. 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ALVES DA CUNHA Presbytero, bacharel formado em direito, advogado e ex-conservador do registo predial 1.ª edição em 1909-2.ª edição em 1979 551241 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>NO ALTO MINHO PAREDES DE COURA NARCIZO C. ALVES DA CUNHA Presbytero, bacharel formado em direito, advogado e ex-conservador do registo predial 1.ª edição em 1909-2.ª edição em 1979<noinclude></noinclude> d8hty33ovnmgibu67qv6uy7ba9htmsu 551242 551241 2026-04-27T14:20:08Z Ruiaraujo1972 38032 551242 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>NO ALTO MINHO ———————————————— PAREDES DE COURA — NARCIZO C. ALVES DA CUNHA Presbytero, bacharel formado em direito, advogado e ex-conservador do registo predial 1.ª edição em 1909-2.ª edição em 1979<noinclude></noinclude> 7xwucwvw8xf80j3r73sqai8dc0s9ixd 551243 551242 2026-04-27T14:20:23Z Ruiaraujo1972 38032 551243 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>NO ALTO MINHO PAREDES DE COURA NARCIZO C. ALVES DA CUNHA Presbytero, bacharel formado em direito, advogado e ex-conservador do registo predial 1.ª edição em 1909-2.ª edição em 1979<noinclude></noinclude> 8xbiiw8fnj92wcmljdieqzwpqfrvn65 551244 551243 2026-04-27T14:24:31Z Ruiaraujo1972 38032 551244 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>{{c|text}}NO ALTO MINHO PAREDES DE COURA NARCIZO C. 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ALVES DA CUNHA Presbytero, bacharel formado em direito, advogado e ex-conservador do registo predial 1.ª edição em 1909 - 2.ª edição em 1979}}<noinclude></noinclude> pwgs7iy8ne2v0smy3gty9zmz9e3w92s Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/2 106 253109 551247 2026-04-27T14:34:54Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{c|Dr. Narciso Alves da Cunha}} ''Faz no próximo Domingo 27 anos que o Doutor Narciso Cândido Alves da Cunha morreu na capital da República Portuguesa. O ilustre courense nasceu na casa do Vale, freguesia de Formariz, concelho de Paredes de Coura, em 5 de Setembro de 1851, tendo por progenitores José Narciso Alves, escrivão de Direito na mesma comarca, e sua esposa D. Rita Cândida Soares da Cunha.Aprendeu as primeiras letras com o sa... 551247 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>{{c|Dr. Narciso Alves da Cunha}} ''Faz no próximo Domingo 27 anos que o Doutor Narciso Cândido Alves da Cunha morreu na capital da República Portuguesa. O ilustre courense nasceu na casa do Vale, freguesia de Formariz, concelho de Paredes de Coura, em 5 de Setembro de 1851, tendo por progenitores José Narciso Alves, escrivão de Direito na mesma comarca, e sua esposa D. Rita Cândida Soares da Cunha.Aprendeu as primeiras letras com o saudoso professor oficial Dionísio Barreiros da Cunha, da Escola de Insalde, do''<noinclude></noinclude> t5i3zw6ivbx2nduja5jle3o5qpgf0dc Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/3 106 253110 551248 2026-04-27T14:42:43Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ''referido concelho e aos 12 anos de idade foi para os Arcos estudar Latim, ai tendo por hospedagem o solar de uma sua prima, respeitável mãe do rev. Abade de Vilela. Aos 16 anos, seguiu para Braga, onde fez os preparatórios liceais e depois o curso teológico, que completou em 1875. No ano seguinte, matriculou-se na Faculdade de Direito, da Universidade de Coimbra, onde teve por condiscípulos os seus comprovincianos Adolfo Cruger Garçã... 551248 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>''referido concelho e aos 12 anos de idade foi para os Arcos estudar Latim, ai tendo por hospedagem o solar de uma sua prima, respeitável mãe do rev. Abade de Vilela. Aos 16 anos, seguiu para Braga, onde fez os preparatórios liceais e depois o curso teológico, que completou em 1875. No ano seguinte, matriculou-se na Faculdade de Direito, da Universidade de Coimbra, onde teve por condiscípulos os seus comprovincianos Adolfo Cruger Garção, António Joaquim Durais, António Maria Vieira Lisboa, Joaquim Augusto Barreto Pimentel e António José Alves de Melo, todos filhos deste distrito. Terminou a sua formatura no ano lectivo de 1880-81, sendo-lhe passada a respectiva carta em 7 de Junho daquele último ano, a qual foi firmada pelo Reitor Júlio Máximo de Oliveira Pimentel (Visconde Vila Maior) e pelo Chanceler António Luiz de Sousa Serra. Obteve durante a sua carreira académica, sempre, as melhores classificações, tendo sido Capelão da Capela da Universidade. Cantara missa nova em 4 de Abril de 1878, tendo como coadjutor o sábio lente da Faculdade de Teologia, seu amigo e vizinho Dr. Manuel de Azevedo Araújo e Gama, da casa de Mantelãis, freguesia de Formariz de Coura. Recolhendo à sua terra natal, voltando para junto dos seus conterrâneos-que o adoravam e que ele tanto amava, chegando a sacrificar-se e a sacrificar seus bons pais e estremosos irmãos pelo bem deste povo-aqui exerceu a advocacia, não como causidico que tem unicamente por norte a própria bolsa, mas qual outro elevado sacerdócio, pois que de ordinário o fazia obsequiosamente, nunca recebendo um ceitil dos pobres e sempre actuando com profundo saber e um desvelado interesse pelas causas de que se encarregava. Alguns dos seus trabalhos forenses estão impressos e são hoje bem raros. Foi Capelão da Real Confraria do Espírito Santo, da vila de Paredes de Coura e, mais tarde, da Confraria de N. Senhora do Livramento, da freguesia de Formariz, devendo-se-lhe importantes obras de embelezamento do muito aprazível local onde está a capela da mesma denominação. Nos templos dessas confrarias, como em outros deste concelho e ainda do nosso distrito, prègou admiráveis sermões, ainda hoje relembrados pelo seu alto merecimento literário e doutrinal.'' ''Em 3 de Fevereiro de 1885 foi nomeado Conservador do Registo Predial da comarca de Paredes de Coura, conservan- do-se no exercício destas funções até 13 de Setembro de 1901. Neste mesmo ano, em Outubro, foi despachado Juiz Auditor do distrito administrativo de Bragança. Tendo adoecido e prolongando-se este seu estado, foi passado ao quadro da magistratura, até que, mais tarde, regressou ao exercicio das suas funções de Auditor, servindo no distrito administrativo do Funchal, donde escreveu ao meu querido amigo sr. Júlio de Lemos aquelas encantadoras cartas que o mesmo cavalheiro publicou na curiosa revista literária a «Limiana».'' ''Em 1907, escreveu e publicou em opúsculo a biografia do seu imortal conterrâneo Frei Redempto da Cruz.'' ''Foi embora por pouco tempo-administrador de Paredes de Coura e presidiu à Câmara Municipal do mesmo concelho desde 1908 a 1910, prestando notáveis serviços à sua terra, como pode ver-se do apreciado relatório da sua gerência, que publicou e mereceu os mais rasgados elogios da imprensa.'' ''Dadas as suas ideias liberais e democráticas, sempre desassombradamente afirmadas, como por ocasião daquele memorabilíssimo discurso no banquete oferecido em Viana ao sr. Conselheiro Teixeira de Sousa, em que dirigiu uma impressionante exortação ao Rei e seus áulicos, para que se promovesse a regeneração nacional, governando com o povo, nada lhe''<noinclude></noinclude> elb0jocbc37zwm848174s5st8xqsugt 551252 551248 2026-04-27T14:54:54Z Ruiaraujo1972 38032 551252 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>''referido concelho e aos 12 anos de idade foi para os Arcos estudar Latim, ai tendo por hospedagem o solar de uma sua prima, respeitável mãe do rev. Abade de Vilela. Aos 16 anos, seguiu para Braga, onde fez os preparatórios liceais e depois o curso teológico, que completou em 1875. No ano seguinte, matriculou-se na Faculdade de Direito, da Universidade de Coimbra, onde teve por condiscípulos os seus comprovincianos Adolfo Cruger Garção, António Joaquim Durais, António Maria Vieira Lisboa, Joaquim Augusto Barreto Pimentel e António José Alves de Melo, todos filhos deste distrito. Terminou a sua formatura no ano lectivo de 1880-81, sendo-lhe passada a respectiva carta em 7 de Junho daquele último ano, a qual foi firmada pelo Reitor Júlio Máximo de Oliveira Pimentel (Visconde Vila Maior) e pelo Chanceler António Luiz de Sousa Serra. Obteve durante a sua carreira académica, sempre, as melhores classificações, tendo sido Capelão da Capela da Universidade. Cantara missa nova em 4 de Abril de 1878, tendo como coadjutor o sábio lente da Faculdade de Teologia, seu amigo e vizinho Dr. Manuel de Azevedo Araújo e Gama, da casa de Mantelãis, freguesia de Formariz de Coura. Recolhendo à sua terra natal, voltando para junto dos seus conterrâneos-que o adoravam e que ele tanto amava, chegando a sacrificar-se e a sacrificar seus bons pais e estremosos irmãos pelo bem deste povo-aqui exerceu a advocacia, não como causidico que tem unicamente por norte a própria bolsa, mas qual outro elevado sacerdócio, pois que de ordinário o fazia obsequiosamente, nunca recebendo um ceitil dos pobres e sempre actuando com profundo saber e um desvelado interesse pelas causas de que se encarregava. Alguns dos seus trabalhos forenses estão impressos e são hoje bem raros. Foi Capelão da Real Confraria do Espírito Santo, da vila de Paredes de Coura e, mais tarde, da Confraria de N. Senhora do Livramento, da freguesia de Formariz, devendo-se-lhe importantes obras de embelezamento do muito aprazível local onde está a capela da mesma denominação. Nos templos dessas confrarias, como em outros deste concelho e ainda do nosso distrito, prègou admiráveis sermões, ainda hoje relembrados pelo seu alto merecimento literário e doutrinal.'' ''Em 3 de Fevereiro de 1885 foi nomeado Conservador do Registo Predial da comarca de Paredes de Coura, conservan- do-se no exercício destas funções até 13 de Setembro de 1901. Neste mesmo ano, em Outubro, foi despachado Juiz Auditor do distrito administrativo de Bragança. Tendo adoecido e prolongando-se este seu estado, foi passado ao quadro da magistratura, até que, mais tarde, regressou ao exercicio das suas funções de Auditor, servindo no distrito administrativo do Funchal, donde escreveu ao meu querido amigo sr. Júlio de Lemos aquelas encantadoras cartas que o mesmo cavalheiro publicou na curiosa revista literária a «Limiana».'' ''Em 1907, escreveu e publicou em opúsculo a biografia do seu imortal conterrâneo Frei Redempto da Cruz.'' ''Foi embora por pouco tempo-administrador de Paredes de Coura e presidiu à Câmara Municipal do mesmo concelho desde 1908 a 1910, prestando notáveis serviços à sua terra, como pode ver-se do apreciado relatório da sua gerência, que publicou e mereceu os mais rasgados elogios da imprensa.'' ''Dadas as suas ideias liberais e democráticas, sempre desassombradamente afirmadas, como por ocasião daquele memorabilíssimo discurso no banquete oferecido em Viana ao sr. 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Terminou a sua formatura no ano lectivo de 1880-81, sendo-lhe passada a respectiva carta em 7 de Junho daquele último ano, a qual foi firmada pelo Reitor Júlio Máximo de Oliveira Pimentel (Visconde Vila Maior) e pelo Chanceler António Luiz de Sousa Serra. Obteve durante a sua carreira académica, sempre, as melhores classificações, tendo sido Capelão da Capela da Universidade. Cantara missa nova em 4 de Abril de 1878, tendo como coadjutor o sábio lente da Faculdade de Teologia, seu amigo e vizinho Dr. Manuel de Azevedo Araújo e Gama, da casa de Mantelãis, freguesia de Formariz de Coura. Recolhendo à sua terra natal, voltando para junto dos seus conterrâneos-que o adoravam e que ele tanto amava, chegando a sacrificar-se e a sacrificar seus bons pais e estremosos irmãos pelo bem deste povo-aqui exerceu a advocacia, não como causidico que tem unicamente por norte a própria bolsa, mas qual outro elevado sacerdócio, pois que de ordinário o fazia obsequiosamente, nunca recebendo um ceitil dos pobres e sempre actuando com profundo saber e um desvelado interesse pelas causas de que se encarregava. Alguns dos seus trabalhos forenses estão impressos e são hoje bem raros. Foi Capelão da Real Confraria do Espírito Santo, da vila de Paredes de Coura e, mais tarde, da Confraria de N. Senhora do Livramento, da freguesia de Formariz, devendo-se-lhe importantes obras de embelezamento do muito aprazível local onde está a capela da mesma denominação. Nos templos dessas confrarias, como em outros deste concelho e ainda do nosso distrito, prègou admiráveis sermões, ainda hoje relembrados pelo seu alto merecimento literário e doutrinal.'' ''Em 3 de Fevereiro de 1885 foi nomeado Conservador do Registo Predial da comarca de Paredes de Coura, conservan- do-se no exercício destas funções até 13 de Setembro de 1901. Neste mesmo ano, em Outubro, foi despachado Juiz Auditor do distrito administrativo de Bragança. Tendo adoecido e prolongando-se este seu estado, foi passado ao quadro da magistratura, até que, mais tarde, regressou ao exercicio das suas funções de Auditor, servindo no distrito administrativo do Funchal, donde escreveu ao meu querido amigo sr. Júlio de Lemos aquelas encantadoras cartas que o mesmo cavalheiro publicou na curiosa revista literária a «Limiana».'' ''Em 1907, escreveu e publicou em opúsculo a biografia do seu imortal conterrâneo Frei Redempto da Cruz.'' ''Foi embora por pouco tempo-administrador de Paredes de Coura e presidiu à Câmara Municipal do mesmo concelho desde 1908 a 1910, prestando notáveis serviços à sua terra, como pode ver-se do apreciado relatório da sua gerência, que publicou e mereceu os mais rasgados elogios da imprensa.'' ''Dadas as suas ideias liberais e democráticas, sempre desassombradamente afirmadas, como por ocasião daquele memorabilíssimo discurso no banquete oferecido em Viana ao sr. 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Terminou a sua formatura no ano lectivo de 1880-81, sendo-lhe passada a respectiva carta em 7 de Junho daquele último ano, a qual foi firmada pelo Reitor Júlio Máximo de Oliveira Pimentel (Visconde Vila Maior) e pelo Chanceler António Luiz de Sousa Serra. Obteve durante a sua carreira académica, sempre, as melhores classificações, tendo sido Capelão da Capela da Universidade. Cantara missa nova em 4 de Abril de 1878, tendo como coadjutor o sábio lente da Faculdade de Teologia, seu amigo e vizinho Dr. Manuel de Azevedo Araújo e Gama, da casa de Mantelãis, freguesia de Formariz de Coura. Recolhendo à sua terra natal, voltando para junto dos seus conterrâneos-que o adoravam e que ele tanto amava, chegando a sacrificar-se e a sacrificar seus bons pais e estremosos irmãos pelo bem deste povo-aqui exerceu a advocacia, não como causidico que tem unicamente por norte a própria bolsa, mas qual outro elevado sacerdócio, pois que de ordinário o fazia obsequiosamente, nunca recebendo um ceitil dos pobres e sempre actuando com profundo saber e um desvelado interesse pelas causas de que se encarregava. Alguns dos seus trabalhos forenses estão impressos e são hoje bem raros. Foi Capelão da Real Confraria do Espírito Santo, da vila de Paredes de Coura e, mais tarde, da Confraria de N. Senhora do Livramento, da freguesia de Formariz, devendo-se-lhe importantes obras de embelezamento do muito aprazível local onde está a capela da mesma denominação. 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''Foi embora por pouco tempo-administrador de Paredes de Coura e presidiu à Câmara Municipal do mesmo concelho desde 1908 a 1910, prestando notáveis serviços à sua terra, como pode ver-se do apreciado relatório da sua gerência, que publicou e mereceu os mais rasgados elogios da imprensa.'' ''Dadas as suas ideias liberais e democráticas, sempre desassombradamente afirmadas, como por ocasião daquele memorabilíssimo discurso no banquete oferecido em Viana ao sr. 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Terminou a sua formatura no ano lectivo de 1880-81, sendo-lhe passada a respectiva carta em 7 de Junho daquele último ano, a qual foi firmada pelo Reitor Júlio Máximo de Oliveira Pimentel (Visconde Vila Maior) e pelo Chanceler António Luiz de Sousa Serra. Obteve durante a sua carreira académica, sempre, as melhores classificações, tendo sido Capelão da Capela da Universidade. Cantara missa nova em 4 de Abril de 1878, tendo como coadjutor o sábio lente da Faculdade de Teologia, seu amigo e vizinho Dr. Manuel de Azevedo Araújo e Gama, da casa de Mantelãis, freguesia de Formariz de Coura. 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''Foi embora por pouco tempo-administrador de Paredes de Coura e presidiu à Câmara Municipal do mesmo concelho desde 1908 a 1910, prestando notáveis serviços à sua terra, como pode ver-se do apreciado relatório da sua gerência, que publicou e mereceu os mais rasgados elogios da imprensa.'' ''Dadas as suas ideias liberais e democráticas, sempre desassombradamente afirmadas, como por ocasião daquele memorabilíssimo discurso no banquete oferecido em Viana ao sr. 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''Terminou a sua formatura no ano lectivo de 1880-81, sendo-lhe passada a respectiva carta em 7 de Junho daquele último ano, a qual foi firmada pelo Reitor Júlio Máximo de Oliveira Pimentel (Visconde Vila Maior) e pelo Chanceler António Luiz de Sousa Serra. ''Obteve durante a sua carreira académica, sempre, as melhores classificações, tendo sido Capelão da Capela da Universidade. Cantara missa nova em 4 de Abril de 1878, tendo como coadjutor o sábio lente da Faculdade de Teologia, seu amigo e vizinho Dr. Manuel de Azevedo Araújo e Gama, da casa de Mantelãis, freguesia de Formariz de Coura. Recolhendo à sua terra natal, voltando para junto dos seus conterrâneos-que o adoravam e que ele tanto amava, chegando a sacrificar-se e a sacrificar seus bons pais e estremosos irmãos pelo bem deste povo-aqui exerceu a advocacia, não como causidico que tem unicamente por norte a própria bolsa, mas qual outro elevado sacerdócio, pois que de ordinário o fazia obsequiosamente, nunca recebendo um ceitil dos pobres e sempre actuando com profundo saber e um desvelado interesse pelas causas de que se encarregava. Alguns dos seus trabalhos forenses estão impressos e são hoje bem raros. Foi Capelão da Real Confraria do Espírito Santo, da vila de Paredes de Coura e, mais tarde, da Confraria de N. Senhora do Livramento, da freguesia de Formariz, devendo-se-lhe importantes obras de embelezamento do muito aprazível local onde está a capela da mesma denominação. Nos templos dessas confrarias, como em outros deste concelho e ainda do nosso distrito, prègou admiráveis sermões, ainda hoje relembrados pelo seu alto merecimento literário e doutrinal.'' ''Em 3 de Fevereiro de 1885 foi nomeado Conservador do Registo Predial da comarca de Paredes de Coura, conservan- do-se no exercício destas funções até 13 de Setembro de 1901. Neste mesmo ano, em Outubro, foi despachado Juiz Auditor do distrito administrativo de Bragança. Tendo adoecido e prolongando-se este seu estado, foi passado ao quadro da magistratura, até que, mais tarde, regressou ao exercicio das suas funções de Auditor, servindo no distrito administrativo do Funchal, donde escreveu ao meu querido amigo sr. Júlio de Lemos aquelas encantadoras cartas que o mesmo cavalheiro publicou na curiosa revista literária a «Limiana».'' ''Em 1907, escreveu e publicou em opúsculo a biografia do seu imortal conterrâneo Frei Redempto da Cruz.'' ''Foi embora por pouco tempo-administrador de Paredes de Coura e presidiu à Câmara Municipal do mesmo concelho desde 1908 a 1910, prestando notáveis serviços à sua terra, como pode ver-se do apreciado relatório da sua gerência, que publicou e mereceu os mais rasgados elogios da imprensa.'' ''Dadas as suas ideias liberais e democráticas, sempre desassombradamente afirmadas, como por ocasião daquele memorabilíssimo discurso no banquete oferecido em Viana ao sr. Conselheiro Teixeira de Sousa, em que dirigiu uma impressionante exortação ao Rei e seus áulicos, para que se promovesse a regeneração nacional, governando com o povo, nada lhe''<noinclude></noinclude> rjz7n8k3wna1udfzs11bwioeaykzqhd 551257 551256 2026-04-27T14:57:02Z Ruiaraujo1972 38032 551257 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>''referido concelho e aos 12 anos de idade foi para os Arcos estudar Latim, ai tendo por hospedagem o solar de uma sua prima, respeitável mãe do rev. Abade de Vilela.'' ''Aos 16 anos, seguiu para Braga, onde fez os preparatórios liceais e depois o curso teológico, que completou em 1875.'' ''No ano seguinte, matriculou-se na Faculdade de Direito, da Universidade de Coimbra, onde teve por condiscípulos os seus comprovincianos Adolfo Cruger Garção, António Joaquim Durais, António Maria Vieira Lisboa, Joaquim Augusto Barreto Pimentel e António José Alves de Melo, todos filhos deste distrito. ''Terminou a sua formatura no ano lectivo de 1880-81, sendo-lhe passada a respectiva carta em 7 de Junho daquele último ano, a qual foi firmada pelo Reitor Júlio Máximo de Oliveira Pimentel (Visconde Vila Maior) e pelo Chanceler António Luiz de Sousa Serra. ''Obteve durante a sua carreira académica, sempre, as melhores classificações, tendo sido Capelão da Capela da Universidade. Cantara missa nova em 4 de Abril de 1878, tendo como coadjutor o sábio lente da Faculdade de Teologia, seu amigo e vizinho Dr. Manuel de Azevedo Araújo e Gama, da casa de Mantelãis, freguesia de Formariz de Coura. ''Recolhendo à sua terra natal, voltando para junto dos seus conterrâneos-que o adoravam e que ele tanto amava, chegando a sacrificar-se e a sacrificar seus bons pais e estremosos irmãos pelo bem deste povo-aqui exerceu a advocacia, não como causidico que tem unicamente por norte a própria bolsa, mas qual outro elevado sacerdócio, pois que de ordinário o fazia obsequiosamente, nunca recebendo um ceitil dos pobres e sempre actuando com profundo saber e um desvelado interesse pelas causas de que se encarregava. Alguns dos seus trabalhos forenses estão impressos e são hoje bem raros. ''Foi Capelão da Real Confraria do Espírito Santo, da vila de Paredes de Coura e, mais tarde, da Confraria de N. Senhora do Livramento, da freguesia de Formariz, devendo-se-lhe importantes obras de embelezamento do muito aprazível local onde está a capela da mesma denominação. Nos templos dessas confrarias, como em outros deste concelho e ainda do nosso distrito, prègou admiráveis sermões, ainda hoje relembrados pelo seu alto merecimento literário e doutrinal.'' ''Em 3 de Fevereiro de 1885 foi nomeado Conservador do Registo Predial da comarca de Paredes de Coura, conservan- do-se no exercício destas funções até 13 de Setembro de 1901. Neste mesmo ano, em Outubro, foi despachado Juiz Auditor do distrito administrativo de Bragança. Tendo adoecido e prolongando-se este seu estado, foi passado ao quadro da magistratura, até que, mais tarde, regressou ao exercicio das suas funções de Auditor, servindo no distrito administrativo do Funchal, donde escreveu ao meu querido amigo sr. Júlio de Lemos aquelas encantadoras cartas que o mesmo cavalheiro publicou na curiosa revista literária a «Limiana».'' ''Em 1907, escreveu e publicou em opúsculo a biografia do seu imortal conterrâneo Frei Redempto da Cruz.'' ''Foi embora por pouco tempo-administrador de Paredes de Coura e presidiu à Câmara Municipal do mesmo concelho desde 1908 a 1910, prestando notáveis serviços à sua terra, como pode ver-se do apreciado relatório da sua gerência, que publicou e mereceu os mais rasgados elogios da imprensa.'' ''Dadas as suas ideias liberais e democráticas, sempre desassombradamente afirmadas, como por ocasião daquele memorabilíssimo discurso no banquete oferecido em Viana ao sr. Conselheiro Teixeira de Sousa, em que dirigiu uma impressionante exortação ao Rei e seus áulicos, para que se promovesse a regeneração nacional, governando com o povo, nada lhe''<noinclude></noinclude> gg4yzvsyqlkwv49nbat7q90hpxh1ipi Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/4 106 253111 551249 2026-04-27T14:52:06Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ''escondendo dos negócios públicos e respeitando a liberdade, «cujos cantos os homens da sua terra ouvem nas brisas que varrem os outeiros dos seus montes ou perpassam pelas suas encostas suaves», dadas as suas ideias, repetimos, uma vez implantada a República, compareceu à sessão da sua proclamação, na Câmara do seu concelho, para a qual fora convidado pelos republicanos locais, todos eles seus dedicados amigos pessoais e num discurso... 551249 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>''escondendo dos negócios públicos e respeitando a liberdade, «cujos cantos os homens da sua terra ouvem nas brisas que varrem os outeiros dos seus montes ou perpassam pelas suas encostas suaves», dadas as suas ideias, repetimos, uma vez implantada a República, compareceu à sessão da sua proclamação, na Câmara do seu concelho, para a qual fora convidado pelos republicanos locais, todos eles seus dedicados amigos pessoais e num discurso dos mais entusiásticos e eloquentes que em sua vida proferiu, declarou solenemente aderir ao novo regime, como soldado, ficando ao seu dispor para os serviços que pudesse prestar-lhe.'' ''Tão leal adesão e o seu raro prestígio como homem público determinaram o círculo de Ponte do Lima a elegê-lo seu Deputado à Constituinte de 1911, sendo depois Senador, e como tal propugnando no Parlamento por importantes melhoramentos do Alto Minho e defendendo problemas de subido interesse nacional, como causa dos respectivos discursos, que correm impressos.'' ''Esteve indigitado para sobraçar a pasta da Justiça― cargo para que possuía uma preparação completa, não chegando a ser nomeado devido a uma embolia cerebral, que o havia de tornar presa da morte, assim terminando a sua brilhantissima existência uma das mais lidimas glórias de Paredes de Coura.'' ''Como já disse, o Dr. Narciso faleceu em Lisboa, na casa n.º 64 da Travessa da Palmeira, no dia 14 de Janeiro de 1913, tendo seus estremosos irmãos feito trasladar o seu cadáver para o cemitério de Formariz, onde jaz junto ao seu grande amigo e insigne benemérito courense sr. Conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira.'' ''Morrendo pobríssimo, o Dr. Narciso deixou imorredoura obra espiritual, legando à posteridade escritos de inestimável valor jurídico e literário, sobressaindo entre todos esse primoroso livro «No Alto Minho-Paredes de Coura», um verdadeiro hino de amor ao seu torrão natal e que é considerado o que há de melhor no género em Portugal.'' ''A minha terra pode orgulhar-se deste seu ilustre filho e decerto jamais o esquecerá, desta sorte manifestando a gratidão que deve a quem tanto a honrou e tão inspiradamente a descreveu.'' ''Cóvinha - Formariz de Coura.'' Manuel António Rodrigues (Separata de A Aurora do Lima- de 12 de Janeiro de 1940) * {{c|AVISO}} Narciso Candido Alves da Cunha, bacharel formado em direito pela Universidade de Coimbra, avisa os seus amigos e clientes de que, desde o dia 1.0 de junho do corrente anno, terá aberto o seu escriptorio de advogado todos os dias, excepto domingos e dias sanctificados, desde as 9 horas da manhã até ás 3 da tarde, na conservatoria d'esta comarca. Todas as 6.as feiras dá consultas gratis para as pessoas pobres, que lhe apresentarem bilhete de pobreza passado pelo seu Parocho. Paredes de Coura, 24 de maio de 1888. {{c|O advogado Narciso Candido Alves da Cunha}}<noinclude></noinclude> sgiqwq8ja2s0o52mb93486xkn5hq752 551250 551249 2026-04-27T14:52:29Z Ruiaraujo1972 38032 551250 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>''escondendo dos negócios públicos e respeitando a liberdade, «cujos cantos os homens da sua terra ouvem nas brisas que varrem os outeiros dos seus montes ou perpassam pelas suas encostas suaves», dadas as suas ideias, repetimos, uma vez implantada a República, compareceu à sessão da sua proclamação, na Câmara do seu concelho, para a qual fora convidado pelos republicanos locais, todos eles seus dedicados amigos pessoais e num discurso dos mais entusiásticos e eloquentes que em sua vida proferiu, declarou solenemente aderir ao novo regime, como soldado, ficando ao seu dispor para os serviços que pudesse prestar-lhe.'' ''Tão leal adesão e o seu raro prestígio como homem público determinaram o círculo de Ponte do Lima a elegê-lo seu Deputado à Constituinte de 1911, sendo depois Senador, e como tal propugnando no Parlamento por importantes melhoramentos do Alto Minho e defendendo problemas de subido interesse nacional, como causa dos respectivos discursos, que correm impressos.'' ''Esteve indigitado para sobraçar a pasta da Justiça― cargo para que possuía uma preparação completa, não chegando a ser nomeado devido a uma embolia cerebral, que o havia de tornar presa da morte, assim terminando a sua brilhantissima existência uma das mais lidimas glórias de Paredes de Coura.'' ''Como já disse, o Dr. Narciso faleceu em Lisboa, na casa n.º 64 da Travessa da Palmeira, no dia 14 de Janeiro de 1913, tendo seus estremosos irmãos feito trasladar o seu cadáver para o cemitério de Formariz, onde jaz junto ao seu grande amigo e insigne benemérito courense sr. Conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira.'' ''Morrendo pobríssimo, o Dr. Narciso deixou imorredoura obra espiritual, legando à posteridade escritos de inestimável valor jurídico e literário, sobressaindo entre todos esse primoroso livro «No Alto Minho-Paredes de Coura», um verdadeiro hino de amor ao seu torrão natal e que é considerado o que há de melhor no género em Portugal.'' ''A minha terra pode orgulhar-se deste seu ilustre filho e decerto jamais o esquecerá, desta sorte manifestando a gratidão que deve a quem tanto a honrou e tão inspiradamente a descreveu.'' ''Cóvinha - Formariz de Coura.'' Manuel António Rodrigues (Separata de A Aurora do Lima- de 12 de Janeiro de 1940) * {{c|AVISO}} Narciso Candido Alves da Cunha, bacharel formado em direito pela Universidade de Coimbra, avisa os seus amigos e clientes de que, desde o dia 1.0 de junho do corrente anno, terá aberto o seu escriptorio de advogado todos os dias, excepto domingos e dias sanctificados, desde as 9 horas da manhã até ás 3 da tarde, na conservatoria d'esta comarca. Todas as 6.as feiras dá consultas gratis para as pessoas pobres, que lhe apresentarem bilhete de pobreza passado pelo seu Parocho. Paredes de Coura, 24 de maio de 1888. {{c|O advogado Narciso Candido Alves da Cunha}}<noinclude></noinclude> 98y2zz07bgm1d094bsylrh91b6o63l5 551251 551250 2026-04-27T14:52:43Z Ruiaraujo1972 38032 551251 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>''escondendo dos negócios públicos e respeitando a liberdade, «cujos cantos os homens da sua terra ouvem nas brisas que varrem os outeiros dos seus montes ou perpassam pelas suas encostas suaves», dadas as suas ideias, repetimos, uma vez implantada a República, compareceu à sessão da sua proclamação, na Câmara do seu concelho, para a qual fora convidado pelos republicanos locais, todos eles seus dedicados amigos pessoais e num discurso dos mais entusiásticos e eloquentes que em sua vida proferiu, declarou solenemente aderir ao novo regime, como soldado, ficando ao seu dispor para os serviços que pudesse prestar-lhe.'' ''Tão leal adesão e o seu raro prestígio como homem público determinaram o círculo de Ponte do Lima a elegê-lo seu Deputado à Constituinte de 1911, sendo depois Senador, e como tal propugnando no Parlamento por importantes melhoramentos do Alto Minho e defendendo problemas de subido interesse nacional, como causa dos respectivos discursos, que correm impressos.'' ''Esteve indigitado para sobraçar a pasta da Justiça― cargo para que possuía uma preparação completa, não chegando a ser nomeado devido a uma embolia cerebral, que o havia de tornar presa da morte, assim terminando a sua brilhantissima existência uma das mais lidimas glórias de Paredes de Coura.'' ''Como já disse, o Dr. Narciso faleceu em Lisboa, na casa n.º 64 da Travessa da Palmeira, no dia 14 de Janeiro de 1913, tendo seus estremosos irmãos feito trasladar o seu cadáver para o cemitério de Formariz, onde jaz junto ao seu grande amigo e insigne benemérito courense sr. Conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira.'' ''Morrendo pobríssimo, o Dr. Narciso deixou imorredoura obra espiritual, legando à posteridade escritos de inestimável valor jurídico e literário, sobressaindo entre todos esse primoroso livro «No Alto Minho-Paredes de Coura», um verdadeiro hino de amor ao seu torrão natal e que é considerado o que há de melhor no género em Portugal.'' ''A minha terra pode orgulhar-se deste seu ilustre filho e decerto jamais o esquecerá, desta sorte manifestando a gratidão que deve a quem tanto a honrou e tão inspiradamente a descreveu.'' ''Cóvinha - Formariz de Coura.'' Manuel António Rodrigues (Separata de A Aurora do Lima- de 12 de Janeiro de 1940) * {{c|AVISO}} Narciso Candido Alves da Cunha, bacharel formado em direito pela Universidade de Coimbra, avisa os seus amigos e clientes de que, desde o dia 1.0 de junho do corrente anno, terá aberto o seu escriptorio de advogado todos os dias, excepto domingos e dias sanctificados, desde as 9 horas da manhã até ás 3 da tarde, na conservatoria d'esta comarca. Todas as 6.as feiras dá consultas gratis para as pessoas pobres, que lhe apresentarem bilhete de pobreza passado pelo seu Parocho. Paredes de Coura, 24 de maio de 1888. {{c|O advogado Narciso Candido Alves da Cunha}}<noinclude></noinclude> iycjrw74k32qmksbms0ykqgbn64tx2s 551258 551251 2026-04-27T14:57:49Z Ruiaraujo1972 38032 551258 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>''escondendo dos negócios públicos e respeitando a liberdade, «cujos cantos os homens da sua terra ouvem nas brisas que varrem os outeiros dos seus montes ou perpassam pelas suas encostas suaves», dadas as suas ideias, repetimos, uma vez implantada a República, compareceu à sessão da sua proclamação, na Câmara do seu concelho, para a qual fora convidado pelos republicanos locais, todos eles seus dedicados amigos pessoais e num discurso dos mais entusiásticos e eloquentes que em sua vida proferiu, declarou solenemente aderir ao novo regime, como soldado, ficando ao seu dispor para os serviços que pudesse prestar-lhe.'' ''Tão leal adesão e o seu raro prestígio como homem público determinaram o círculo de Ponte do Lima a elegê-lo seu Deputado à Constituinte de 1911, sendo depois Senador, e como tal propugnando no Parlamento por importantes melhoramentos do Alto Minho e defendendo problemas de subido interesse nacional, como causa dos respectivos discursos, que correm impressos.'' ''Esteve indigitado para sobraçar a pasta da Justiça― cargo para que possuía uma preparação completa, não chegando a ser nomeado devido a uma embolia cerebral, que o havia de tornar presa da morte, assim terminando a sua brilhantissima existência uma das mais lidimas glórias de Paredes de Coura.'' ''Como já disse, o Dr. Narciso faleceu em Lisboa, na casa n.º 64 da Travessa da Palmeira, no dia 14 de Janeiro de 1913, tendo seus estremosos irmãos feito trasladar o seu cadáver para o cemitério de Formariz, onde jaz junto ao seu grande amigo e insigne benemérito courense sr. Conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira.'' ''Morrendo pobríssimo, o Dr. Narciso deixou imorredoura obra espiritual, legando à posteridade escritos de inestimável valor jurídico e literário, sobressaindo entre todos esse primoroso livro «No Alto Minho-Paredes de Coura», um verdadeiro hino de amor ao seu torrão natal e que é considerado o que há de melhor no género em Portugal.'' ''A minha terra pode orgulhar-se deste seu ilustre filho e decerto jamais o esquecerá, desta sorte manifestando a gratidão que deve a quem tanto a honrou e tão inspiradamente a descreveu.'' ''Cóvinha - Formariz de Coura.'' Manuel António Rodrigues (Separata de A Aurora do Lima- de 12 de Janeiro de 1940) * {{c|AVISO}} Narciso Candido Alves da Cunha, bacharel formado em direito pela Universidade de Coimbra, avisa os seus amigos e clientes de que, desde o dia 1.0 de junho do corrente anno, terá aberto o seu escriptorio de advogado todos os dias, excepto domingos e dias sanctificados, desde as 9 horas da manhã até ás 3 da tarde, na conservatoria d'esta comarca. Todas as 6.as feiras dá consultas gratis para as pessoas pobres, que lhe apresentarem bilhete de pobreza passado pelo seu Parocho. Paredes de Coura, 24 de maio de 1888. {{c|O advogado Narciso Candido Alves da Cunha}}<noinclude></noinclude> 5cb3ytngfezs1z0tubaj5tzof3zkrh6 551259 551258 2026-04-27T14:58:14Z Ruiaraujo1972 38032 551259 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>''escondendo dos negócios públicos e respeitando a liberdade, «cujos cantos os homens da sua terra ouvem nas brisas que varrem os outeiros dos seus montes ou perpassam pelas suas encostas suaves», dadas as suas ideias, repetimos, uma vez implantada a República, compareceu à sessão da sua proclamação, na Câmara do seu concelho, para a qual fora convidado pelos republicanos locais, todos eles seus dedicados amigos pessoais e num discurso dos mais entusiásticos e eloquentes que em sua vida proferiu, declarou solenemente aderir ao novo regime, como soldado, ficando ao seu dispor para os serviços que pudesse prestar-lhe.'' ''Tão leal adesão e o seu raro prestígio como homem público determinaram o círculo de Ponte do Lima a elegê-lo seu Deputado à Constituinte de 1911, sendo depois Senador, e como tal propugnando no Parlamento por importantes melhoramentos do Alto Minho e defendendo problemas de subido interesse nacional, como causa dos respectivos discursos, que correm impressos.'' ''Esteve indigitado para sobraçar a pasta da Justiça― cargo para que possuía uma preparação completa, não chegando a ser nomeado devido a uma embolia cerebral, que o havia de tornar presa da morte, assim terminando a sua brilhantissima existência uma das mais lidimas glórias de Paredes de Coura.'' ''Como já disse, o Dr. Narciso faleceu em Lisboa, na casa n.º 64 da Travessa da Palmeira, no dia 14 de Janeiro de 1913, tendo seus estremosos irmãos feito trasladar o seu cadáver para o cemitério de Formariz, onde jaz junto ao seu grande amigo e insigne benemérito courense sr. Conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira.'' ''Morrendo pobríssimo, o Dr. Narciso deixou imorredoura obra espiritual, legando à posteridade escritos de inestimável valor jurídico e literário, sobressaindo entre todos esse primoroso livro «No Alto Minho-Paredes de Coura», um verdadeiro hino de amor ao seu torrão natal e que é considerado o que há de melhor no género em Portugal.'' ''A minha terra pode orgulhar-se deste seu ilustre filho e decerto jamais o esquecerá, desta sorte manifestando a gratidão que deve a quem tanto a honrou e tão inspiradamente a descreveu.'' ''Cóvinha - Formariz de Coura.'' Manuel António Rodrigues (Separata de A Aurora do Lima- de 12 de Janeiro de 1940) * {{c|AVISO}} Narciso Candido Alves da Cunha, bacharel formado em direito pela Universidade de Coimbra, avisa os seus amigos e clientes de que, desde o dia 1.0 de junho do corrente anno, terá aberto o seu escriptorio de advogado todos os dias, excepto domingos e dias sanctificados, desde as 9 horas da manhã até ás 3 da tarde, na conservatoria d'esta comarca. Todas as 6.as feiras dá consultas gratis para as pessoas pobres, que lhe apresentarem bilhete de pobreza passado pelo seu Parocho. Paredes de Coura, 24 de maio de 1888. {{c|O advogado Narciso Candido Alves da Cunha}}<noinclude></noinclude> ptyundw59oa3w3vlgrlanfndkj4fv01 Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/5 106 253112 551260 2026-04-27T14:59:26Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Dedicatória A MEUS IRMÃOS: ''Não tenho mais que oferecer-vos, nem com que pagar o muito que vos devo. ''Insolvente, apenas posso entregar-vos ''um Título, de confissão de dívida. ''É este livro, que fica sendo vosso. ''Ao vosso afecto fraternal e carinhosa ''estima, confio a guarda d'esta minha ''derradeira vontade. VOSSO IRMÃO Narciso. 551260 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Dedicatória A MEUS IRMÃOS: ''Não tenho mais que oferecer-vos, nem com que pagar o muito que vos devo. ''Insolvente, apenas posso entregar-vos ''um Título, de confissão de dívida. ''É este livro, que fica sendo vosso. ''Ao vosso afecto fraternal e carinhosa ''estima, confio a guarda d'esta minha ''derradeira vontade. VOSSO IRMÃO Narciso.<noinclude></noinclude> kwq33iq0hhn5n1b61qotvf80ezlt4ph Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/6 106 253113 551262 2026-04-27T15:01:38Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{c|À minha Terra}} VENHO trazer-te a oblata do meu afecto. O teu altar, para mim sagrado, bem merece as minhas oferendas. No entardecer da vida, caminhando para o coval, venho despedir-me de ti e dizer-te que não posso esquecer-me dos teus campos, matizados de flores, nem da música suavissima das brisas que perpassam pelas encostas dos teus montes. Ainda agora, quando, ao anoitecer, ouço o som do ''Angelus'', convidando o meu misti... 551262 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>{{c|À minha Terra}} VENHO trazer-te a oblata do meu afecto. O teu altar, para mim sagrado, bem merece as minhas oferendas. No entardecer da vida, caminhando para o coval, venho despedir-me de ti e dizer-te que não posso esquecer-me dos teus campos, matizados de flores, nem da música suavissima das brisas que perpassam pelas encostas dos teus montes. Ainda agora, quando, ao anoitecer, ouço o som do ''Angelus'', convidando o meu misticismo consciente a olhar para o alto para o céu, que me dá luz, calor e vida, penso que ele me vem segredar saudades daquela santa mulher-''minha mãe''-, que junto da braseira, me ensinou a oração das crianças: a ''Avé-Maria''. Bendita seja ela! E aquelas caminhadas, sem fim, para a escola?! É por isso que a ''minha terra'' é o centro de gravitação dos meus afectos.<noinclude></noinclude> hjvvef0jzwms5m4wdhp7hhvodr1uh9p Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/7 106 253114 551263 2026-04-27T15:08:03Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Este ''fetichismo'' bom por uns nadas, sem nome, sem importância, que me cercavam o berço, foi ela - a minha terra - que o criou no meu espírito. Paredes de Coura! Saúdo-te! na tua caminhada para o futuro, porque vais entrajada de galas e alumiada pelo sol do progresso, que vejo esbater-se na linha sinuosa das tuas estradas, nos beirais dos teus novos edifícios e até no espelho das tuas águas de cristal. Tens feições novas, mais ale... 551263 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Este ''fetichismo'' bom por uns nadas, sem nome, sem importância, que me cercavam o berço, foi ela - a minha terra - que o criou no meu espírito. Paredes de Coura! Saúdo-te! na tua caminhada para o futuro, porque vais entrajada de galas e alumiada pelo sol do progresso, que vejo esbater-se na linha sinuosa das tuas estradas, nos beirais dos teus novos edifícios e até no espelho das tuas águas de cristal. Tens feições novas, mais alegres, mais sadias, mais da moda. Já te disseram um deserto, por ventura um covil: e contudo entraste no banho lustral das modernas conquistas, para te purificares de vícios passados. Caminha, pois!... O AUTOR {{c|Ao Leitor}} NUNCA tive, nem posso ter a pretensão de ser literato ou escritor, e, menos ainda, de erudito. Mas, pelo que quero à minha terra e pelo que devo aos meus conterrâneos, tentei esboçar a ''actualidade'' de Paredes de Coura e arquivar, neste livro, algumas notícias do seu ''passado''<sup>1</sup><ref>No Archeologo Portuguez, vol. XI, fl. 135, escreveu, muito judiciosamente, o distinto arqueólogo Sr. Dr. Félix A. Pereira: «... sendo tão imperiosa a necessidade de salvar do olvido a lembrança fugitiva de coisas do passado.»</ref>para não se obliterar, de todo, da memória dos presentes. Conheço, como poucos, o viver, as circunstâncias e condições de existência da população local, assim como os terrenos, cultivados e incultos, deste retalho do Alto Minho, suas comunicações, comércio, indústria, instrução, estradas, rios, montes, etc. O ressurgimento deste concelho para a vida moderna, data de há 30 anos.<noinclude></noinclude> 4kyde2rh5mhibdos4qr3sb9g1j4mydx 551264 551263 2026-04-27T15:08:27Z Ruiaraujo1972 38032 551264 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Este ''fetichismo'' bom por uns nadas, sem nome, sem importância, que me cercavam o berço, foi ela - a minha terra - que o criou no meu espírito. Paredes de Coura! Saúdo-te! na tua caminhada para o futuro, porque vais entrajada de galas e alumiada pelo sol do progresso, que vejo esbater-se na linha sinuosa das tuas estradas, nos beirais dos teus novos edifícios e até no espelho das tuas águas de cristal. Tens feições novas, mais alegres, mais sadias, mais da moda. Já te disseram um deserto, por ventura um covil: e contudo entraste no banho lustral das modernas conquistas, para te purificares de vícios passados. Caminha, pois!... O AUTOR {{c|Ao Leitor}} NUNCA tive, nem posso ter a pretensão de ser literato ou escritor, e, menos ainda, de erudito. Mas, pelo que quero à minha terra e pelo que devo aos meus conterrâneos, tentei esboçar a ''actualidade'' de Paredes de Coura e arquivar, neste livro, algumas notícias do seu ''passado''<ref>No Archeologo Portuguez, vol. XI, fl. 135, escreveu, muito judiciosamente, o distinto arqueólogo Sr. Dr. Félix A. Pereira: «... sendo tão imperiosa a necessidade de salvar do olvido a lembrança fugitiva de coisas do passado.»</ref>para não se obliterar, de todo, da memória dos presentes. Conheço, como poucos, o viver, as circunstâncias e condições de existência da população local, assim como os terrenos, cultivados e incultos, deste retalho do Alto Minho, suas comunicações, comércio, indústria, instrução, estradas, rios, montes, etc. O ressurgimento deste concelho para a vida moderna, data de há 30 anos.<noinclude></noinclude> dw1dytq2ecv1qjszdrv8fatvm95tpkl 551265 551264 2026-04-27T15:09:01Z Ruiaraujo1972 38032 551265 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Este ''fetichismo'' bom por uns nadas, sem nome, sem importância, que me cercavam o berço, foi ela - a minha terra - que o criou no meu espírito. Paredes de Coura! Saúdo-te! na tua caminhada para o futuro, porque vais entrajada de galas e alumiada pelo sol do progresso, que vejo esbater-se na linha sinuosa das tuas estradas, nos beirais dos teus novos edifícios e até no espelho das tuas águas de cristal. Tens feições novas, mais alegres, mais sadias, mais da moda. Já te disseram um deserto, por ventura um covil: e contudo entraste no banho lustral das modernas conquistas, para te purificares de vícios passados. Caminha, pois!... O AUTOR {{c|'''Ao Leitor'''}} NUNCA tive, nem posso ter a pretensão de ser literato ou escritor, e, menos ainda, de erudito. Mas, pelo que quero à minha terra e pelo que devo aos meus conterrâneos, tentei esboçar a ''actualidade'' de Paredes de Coura e arquivar, neste livro, algumas notícias do seu ''passado''<ref>No Archeologo Portuguez, vol. XI, fl. 135, escreveu, muito judiciosamente, o distinto arqueólogo Sr. Dr. Félix A. Pereira: «... sendo tão imperiosa a necessidade de salvar do olvido a lembrança fugitiva de coisas do passado.»</ref>para não se obliterar, de todo, da memória dos presentes. Conheço, como poucos, o viver, as circunstâncias e condições de existência da população local, assim como os terrenos, cultivados e incultos, deste retalho do Alto Minho, suas comunicações, comércio, indústria, instrução, estradas, rios, montes, etc. O ressurgimento deste concelho para a vida moderna, data de há 30 anos.<noinclude></noinclude> bnhgvln9xvioo3v8xop8kt1seqq10l0 551266 551265 2026-04-27T15:09:49Z Ruiaraujo1972 38032 551266 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Este ''fetichismo'' bom por uns nadas, sem nome, sem importância, que me cercavam o berço, foi ela - a minha terra - que o criou no meu espírito. Paredes de Coura! Saúdo-te! na tua caminhada para o futuro, porque vais entrajada de galas e alumiada pelo sol do progresso, que vejo esbater-se na linha sinuosa das tuas estradas, nos beirais dos teus novos edifícios e até no espelho das tuas águas de cristal. Tens feições novas, mais alegres, mais sadias, mais da moda. Já te disseram um deserto, por ventura um covil: e contudo entraste no banho lustral das modernas conquistas, para te purificares de vícios passados. Caminha, pois!... O AUTOR {{c|'''Ao Leitor'''}} NUNCA tive, nem posso ter a pretensão de ser literato ou escritor, e, menos ainda, de erudito. Mas, pelo que quero à minha terra e pelo que devo aos meus conterrâneos, tentei esboçar a ''actualidade'' de Paredes de Coura e arquivar, neste livro, algumas notícias do seu ''passado''<ref>No «Archeologo Portuguez», vol. XI, fl. 135, escreveu, muito judiciosamente, o distinto arqueólogo Sr. Dr. Félix A. Pereira: «... sendo tão imperiosa a necessidade de salvar do olvido a lembrança fugitiva de coisas do passado.»</ref>para não se obliterar, de todo, da memória dos presentes. Conheço, como poucos, o viver, as circunstâncias e condições de existência da população local, assim como os terrenos, cultivados e incultos, deste retalho do Alto Minho, suas comunicações, comércio, indústria, instrução, estradas, rios, montes, etc. O ressurgimento deste concelho para a vida moderna, data de há 30 anos.<noinclude></noinclude> g8xwhot83jv2yhnndyx6qrw7l1dke5b 551267 551266 2026-04-27T15:10:14Z Ruiaraujo1972 38032 551267 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Este ''fetichismo'' bom por uns nadas, sem nome, sem importância, que me cercavam o berço, foi ela - a minha terra - que o criou no meu espírito. Paredes de Coura! Saúdo-te! na tua caminhada para o futuro, porque vais entrajada de galas e alumiada pelo sol do progresso, que vejo esbater-se na linha sinuosa das tuas estradas, nos beirais dos teus novos edifícios e até no espelho das tuas águas de cristal. Tens feições novas, mais alegres, mais sadias, mais da moda. Já te disseram um deserto, por ventura um covil: e contudo entraste no banho lustral das modernas conquistas, para te purificares de vícios passados. Caminha, pois!... O AUTOR {{c|'''Ao Leitor'''}} NUNCA tive, nem posso ter a pretensão de ser literato ou escritor, e, menos ainda, de erudito. Mas, pelo que quero à minha terra e pelo que devo aos meus conterrâneos, tentei esboçar a ''actualidade'' de Paredes de Coura e arquivar, neste livro, algumas notícias do seu ''passado''<ref>No «Archeologo Portuguez», vol. XI, fl. 135, escreveu, muito judiciosamente, o distinto arqueólogo Sr. Dr. Félix A. Pereira: «... sendo tão imperiosa a necessidade de salvar do olvido a lembrança fugitiva de coisas do passado.»</ref> para não se obliterar, de todo, da memória dos presentes. Conheço, como poucos, o viver, as circunstâncias e condições de existência da população local, assim como os terrenos, cultivados e incultos, deste retalho do Alto Minho, suas comunicações, comércio, indústria, instrução, estradas, rios, montes, etc. O ressurgimento deste concelho para a vida moderna, data de há 30 anos.<noinclude></noinclude> sm0eue4wdcgf93b424ol1gr8o05cd9y Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/8 106 253115 551268 2026-04-27T15:13:09Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Fotografar-lhe as novas feições, é desbravar terreno a obreiros mais competentes. Este o meu fito. Não se trata, pois, de arquitectar uma ''memória'' ou ''monografia'', senão duma tentativa, bem intencionada, de utilidade local. Despertar a atenção dos meus conterrâneos, fazendo-a convergir para o que é seu e convidar estranhos a auscultar a vida nova duma localidade que está a refazer-se, para que, uns e outros, a estudem nos capítu... 551268 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Fotografar-lhe as novas feições, é desbravar terreno a obreiros mais competentes. Este o meu fito. Não se trata, pois, de arquitectar uma ''memória'' ou ''monografia'', senão duma tentativa, bem intencionada, de utilidade local. Despertar a atenção dos meus conterrâneos, fazendo-a convergir para o que é seu e convidar estranhos a auscultar a vida nova duma localidade que está a refazer-se, para que, uns e outros, a estudem nos capítulos que vou inven- tariar, é o labor, que me propus nesta miscelânia sem importância. Contém duas partes este despretencioso trabalho: uma ''geral'', que diz respeito áquilo que, segundo o meu ponto de vista, mais ou menos se relaciona com todo o concelho; e outra ''especial'', que traduz uma breve notícia de cada freguesia. Nesta localidade não há livrarias, nem arquivos poei- rentos: datam, geralmente, do fim do século XVII e estão incompletos os que existem. Nesta observação vai uma sincera petição de benevo- lência ao leitor. Vista geral da vila de Paredes de Coura<noinclude></noinclude> s9c5n6s24xarcmxlpffikd6dzwi7npy 551269 551268 2026-04-27T15:13:45Z Ruiaraujo1972 38032 551269 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Fotografar-lhe as novas feições, é desbravar terreno a obreiros mais competentes. Este o meu fito. Não se trata, pois, de arquitectar uma ''memória'' ou ''monografia'', senão duma tentativa, bem intencionada, de utilidade local. Despertar a atenção dos meus conterrâneos, fazendo-a convergir para o que é seu e convidar estranhos a auscultar a vida nova duma localidade que está a refazer-se, para que, uns e outros, a estudem nos capítulos que vou inven- tariar, é o labor, que me propus nesta miscelânia sem importância. Contém duas partes este despretencioso trabalho: uma ''geral'', que diz respeito áquilo que, segundo o meu ponto de vista, mais ou menos se relaciona com todo o concelho; e outra ''especial'', que traduz uma breve notícia de cada freguesia. Nesta localidade não há livrarias, nem arquivos poeirentos: datam, geralmente, do fim do século XVII e estão incompletos os que existem. Nesta observação vai uma sincera petição de benevolência ao leitor. Vista geral da vila de Paredes de Coura<noinclude></noinclude> old2vpopqiq00c71r75sdfplal4fa8b Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/9 106 253116 551270 2026-04-27T15:14:39Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{c|'''PRIMEIRA PARTE''' CAPÍTULO I O Concelho de Paredes de Coura}} QUASI todos os escritores, que se têem ocupado deste concelho, dizem que a sua denominação Coura vem de Cauca, cidade romana da Gallaecia (Galiza), onde nasceu o imperador Theodosio, dando-lhe alguns como situação o monte da Cividade, na freguesia de Cossourado, que ainda conserva os restos de um Castrum, outros a freguesia de S. Martinho de Coura, e ainda outros, a... 551270 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>{{c|'''PRIMEIRA PARTE''' CAPÍTULO I O Concelho de Paredes de Coura}} QUASI todos os escritores, que se têem ocupado deste concelho, dizem que a sua denominação Coura vem de Cauca, cidade romana da Gallaecia (Galiza), onde nasceu o imperador Theodosio, dando-lhe alguns como situação o monte da Cividade, na freguesia de Cossourado, que ainda conserva os restos de um Castrum, outros a freguesia de S. Martinho de Coura, e ainda outros, a de Insalde. O dr. Manuel da Cunha Andrade e Sousa, no seu Epitome Historica, sustenta que a palavra-Coura- é deri- vada, efectivamente, de- Cauca ou- Couca-, fundando-se em que o Padre Francisco de Santa Maria, no seu «Anno Hist.», diz que esta cidade era situada entre Braga e Valença, e que Fr. Francisco de Vivar, nos «Commentarios a Dextero», ano de Cristo 382 n.° 4, referindo-se à mesma cidade como pátria daquele imperador romano, chama-lhe 21<noinclude></noinclude> 4vx91xbv5hvsgeko38ec28hbb3yr15o 551271 551270 2026-04-27T15:14:57Z Ruiaraujo1972 38032 551271 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>{{c|'''PRIMEIRA PARTE''' '''CAPÍTULO I O Concelho de Paredes de Coura'''}} QUASI todos os escritores, que se têem ocupado deste concelho, dizem que a sua denominação Coura vem de Cauca, cidade romana da Gallaecia (Galiza), onde nasceu o imperador Theodosio, dando-lhe alguns como situação o monte da Cividade, na freguesia de Cossourado, que ainda conserva os restos de um Castrum, outros a freguesia de S. Martinho de Coura, e ainda outros, a de Insalde. O dr. Manuel da Cunha Andrade e Sousa, no seu Epitome Historica, sustenta que a palavra-Coura- é deri- vada, efectivamente, de- Cauca ou- Couca-, fundando-se em que o Padre Francisco de Santa Maria, no seu «Anno Hist.», diz que esta cidade era situada entre Braga e Valença, e que Fr. Francisco de Vivar, nos «Commentarios a Dextero», ano de Cristo 382 n.° 4, referindo-se à mesma cidade como pátria daquele imperador romano, chama-lhe 21<noinclude></noinclude> f17zbwflladdtr92zv1xezfojb0zofy 551272 551271 2026-04-27T15:15:10Z Ruiaraujo1972 38032 551272 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>{{c|'''PRIMEIRA PARTE''' '''CAPÍTULO I '''O Concelho de Paredes de Coura''''''}} QUASI todos os escritores, que se têem ocupado deste concelho, dizem que a sua denominação Coura vem de Cauca, cidade romana da Gallaecia (Galiza), onde nasceu o imperador Theodosio, dando-lhe alguns como situação o monte da Cividade, na freguesia de Cossourado, que ainda conserva os restos de um Castrum, outros a freguesia de S. Martinho de Coura, e ainda outros, a de Insalde. O dr. Manuel da Cunha Andrade e Sousa, no seu Epitome Historica, sustenta que a palavra-Coura- é deri- vada, efectivamente, de- Cauca ou- Couca-, fundando-se em que o Padre Francisco de Santa Maria, no seu «Anno Hist.», diz que esta cidade era situada entre Braga e Valença, e que Fr. Francisco de Vivar, nos «Commentarios a Dextero», ano de Cristo 382 n.° 4, referindo-se à mesma cidade como pátria daquele imperador romano, chama-lhe 21<noinclude></noinclude> estl8u0nor601jzskybfc74lc5vc92d 551273 551272 2026-04-27T15:15:22Z Ruiaraujo1972 38032 551273 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>{{c|'''PRIMEIRA PARTE''' '''CAPÍTULO I '''O Concelho de Paredes de Coura'''''}} QUASI todos os escritores, que se têem ocupado deste concelho, dizem que a sua denominação Coura vem de Cauca, cidade romana da Gallaecia (Galiza), onde nasceu o imperador Theodosio, dando-lhe alguns como situação o monte da Cividade, na freguesia de Cossourado, que ainda conserva os restos de um Castrum, outros a freguesia de S. Martinho de Coura, e ainda outros, a de Insalde. O dr. Manuel da Cunha Andrade e Sousa, no seu Epitome Historica, sustenta que a palavra-Coura- é deri- vada, efectivamente, de- Cauca ou- Couca-, fundando-se em que o Padre Francisco de Santa Maria, no seu «Anno Hist.», diz que esta cidade era situada entre Braga e Valença, e que Fr. Francisco de Vivar, nos «Commentarios a Dextero», ano de Cristo 382 n.° 4, referindo-se à mesma cidade como pátria daquele imperador romano, chama-lhe 21<noinclude></noinclude> bgl9c4v1xwhxchdgh16n2wskk45ope0 551274 551273 2026-04-27T15:17:58Z Ruiaraujo1972 38032 551274 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>{{c|'''PRIMEIRA PARTE''' '''CAPÍTULO I '''O Concelho de Paredes de Coura'''''}} QUASI todos os escritores, que se têem ocupado deste concelho, dizem que a sua denominação - Coura - vem de Cauca, cidade romana da Gallaecia (Galiza), onde nasceu o imperador Theodosio, dando-lhe alguns como situação o monte da ''Cividade'', na freguesia de Cossourado, que ainda conserva os restos de um ''Castrum'', outros a freguesia de S. Martinho de Coura, e ainda outros, a de Insalde. O dr. Manuel da Cunha Andrade e Sousa, no seu ''Epitome Historica'', sustenta que a palavra - ''Coura'' - é derivada, efectivamente, de - ''Cauca'' ou - ''Couca'' -, fundando-se em que o Padre Francisco de Santa Maria, no seu «Anno Hist.», diz que esta cidade era situada entre Braga e Valença, e que Fr. Francisco de Vivar, nos «Commentarios a Dextero», ano de Cristo 382 n.° 4, referindo-se à mesma cidade como pátria daquele imperador romano, chama-lhe<noinclude></noinclude> rc433i49tmd0nx37e3nc47vloy72658 Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/10 106 253117 551275 2026-04-27T15:33:00Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: - ''Couca:'' «haec (Cauca) hodie dicitur ''Couca'', inter Bracharam, et Valentiam». Idácio, escritor consciencioso e contemporâneo de Constantino, principia o seu ''Chronicon'' por estas palavras: ''«Theodosius, natione hispanus, de Provinciae Gallaeciae civitate Cauca, à Gratiano Angustus appelatur»''<ref>«Portugal Antigo e Moderno», vol. 2.º, pag. 414.</ref> Outros, ainda, dão-lhe por assento a serra do Formigoso. Que a cidade de... 551275 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>- ''Couca:'' «haec (Cauca) hodie dicitur ''Couca'', inter Bracharam, et Valentiam». Idácio, escritor consciencioso e contemporâneo de Constantino, principia o seu ''Chronicon'' por estas palavras: ''«Theodosius, natione hispanus, de Provinciae Gallaeciae civitate Cauca, à Gratiano Angustus appelatur»''<ref>«Portugal Antigo e Moderno», vol. 2.º, pag. 414.</ref> Outros, ainda, dão-lhe por assento a serra do Formigoso. Que a cidade de ''Cauca'' existiu na Galiza e que foi pátria de Teodosio, parece averiguado<ref>Teodósio reinou pelos anos de 392, de Cristo.</ref>; e, se a sua situação, como pretendem os escritores citados, era entre ''Braga'' e ''Valença'', subscrevo, sem relutância, a localizá-la dentro dos limites deste concelho, embora me faleçam dados precisos para determinar, restrictamente, a sua situação. Mas só isto. É sabido que os romanos ocuparam esta região e demoraram-se nela, como atestam os ''castros'', ''marcos miliários'', ''moedas'', ''pontes'', ''via romana'', ''cividades'', etc., que aqui deixaram. Mas tudo isto não basta para poder afirmar-se que a palavra - ''Coira'' ou ''Coyra'' - (como antigamente se escrevia), tira a sua origem da cidade de ''Cauca'' ou ''Couca''. Conjecturas, mais ou menos plausíveis e talvez fun- dadas na semelhança ''gráfica'' dos dois vocábulos, é ao que se reduz o que fica exposto. O meu ilustrado patrício Sr. tenente-coronel Cunha Brandão, parece filiar - ''Coira'' - em «''queirã'' (urze), palavra de origem fenícia, supondo que este terreno, pitoresco, mas agreste, fosse apontado como próprio para a vegetação daquele arbusto, e que pela evolução fonética-gráfica se fizesse a transformação, dando - ''Coira''»1 <ref>«Consagração», número único, comemorativo do 31.º aniversário da criação da comarca de Paredes de Coura, publicado em 7br.º de 1905, tipografia de Costa & Carvalho, Porto.</ref>. No caminho das hipóteses, eu diria que - ''Coira'' - vem de - ''Cora'' - palavra de origem céltica, que significa - ''paz, segurança'' 2 <ref>«Apuentes Historicos», por D. Ricardo Rodrigues Blanco, pág. 458, edic. de 1870.</ref>. Com efeito, tudo leva a crer que os Celtas se demoraram nesta região montanhosa em tempos pré-históricos, como é lícito inferir de documentos arqueológicos as - antas - , espalhadas principalmente pela parte montanhosa do concelho, e, nesta, pela mais alta - ''Boulhosa, Chã de Lamas e Corno de Bico''. Instalados nestes pontos, que, pelo que ainda resta, podem considerar-se ''estações dolmenicas'', e onde a natural feracidade do solo, abundância de águas, de pastagens, de caça, e a própria ''situação topográfica'', convidavam a tomar ali assento; é natural que esta região lhes merecesse o nome de - ''Cora'' - «segurança», por isso que todos aqueles três pontos eram verdadeiros redutos naturais, e, consequentemente, ''segurança'' para os seus habitadores. Acresce ainda que, tanto pelo número, como pela relativa proximidade das ''antas'', sobretudo na ''Chá de Lamas'', é lícito suspeitar que neste ponto, pelo menos, houve uma ''necrópole'', uma importante estação mortuária, à qual quadrava bem a designação de - Cora - , para significar a paz dos túmulos, o respeito pelos mortos, tão arreigado no<noinclude></noinclude> kzj7roqgcmuk88wxcounj1g136lus6z Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/11 106 253118 551276 2026-04-27T15:42:08Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: espírito dos Celtas, como atestam os seus monumentos funerários. Quer, pois, pelo lado da ''defesa'' natural, quer pela paz sepulcral, ajustava o nome de - ''Cora'' - a esta região. O concelho de Coura, dantes conhecido, como fica dito, por - ''Coira'' ou ''Coyra'' e agora por - ''Paredes de Coura'' -, deve estar incorporado na monarquia portuguesa desde a sua fundação. Não precisamos, pois, de nos enredarmos na averiguação da sua... 551276 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>espírito dos Celtas, como atestam os seus monumentos funerários. Quer, pois, pelo lado da ''defesa'' natural, quer pela paz sepulcral, ajustava o nome de - ''Cora'' - a esta região. O concelho de Coura, dantes conhecido, como fica dito, por - ''Coira'' ou ''Coyra'' e agora por - ''Paredes de Coura'' -, deve estar incorporado na monarquia portuguesa desde a sua fundação. Não precisamos, pois, de nos enredarmos na averiguação da sua origem, porque não havemos mister de pergaminhos mais longevos<ref>A denominação de Paredes de Coura-data da criação desta comarca, em 15 de Novembro de 1875.</ref>. Em todo o caso devo observar que, tanto numa doação, feita por Theodomiro à Sé de Tuy, como noutra (ou confirmação daquela) de D. Teresa e seu filho D. Afonso Henriques ao bispo da mesma cidade, em 1125, se diz que a freguesia de ''Colina'' (Cunha) pertencia a Coira: «Ego Terasia Regina..., concedo et confirmo... mediatas Ecclesiae Sanctae Mariae de Colina ''in Coira''...>><ref>«Apuentes Históricos» por el Licd.º D. Ricardo Rodrigues Blanco, pág. 138, nota.</ref> E nos «Portugaliae Monumenta», vol. 1.º, fascículo 3.º, encontram-se diferentes passos que reforçam o meu asserto. Assim, no ''Judicato de Froyom'', a propósito da «Collatio de Castinaria», afirmaram os louvados ter ouvido dizer que «um campo desta freguesia foi doado ''por D. Afonso I'' a Pedro Barco». Já era, pois, D. Afonso Henriques padroeiro daquela freguesia. No mesmo diploma, tratando-se da de Mozelos, diz-se que a mesma Rainha D. Teresa doou esta Igreja a D. Paio Guterres, para ele a doar ao convento de Oya (Galiza). Quanto à de Cristelo, informaram os louvados que «a quarta menos uma quarta d'esta Egreja, era reguenga, assim como o casal doado, por sua vida, a D. Paio Vadasco por El-Rei: e, acrescentaram, que ouviram dizer isto ''«a seus pais e seus avós»''. O testemunho é concludente, porque, tendo sido feitas as ''inquirições'' de D. Afonso III em 1258, a informação dos «paes e avós» compreendia, muito provavelmente, o rei- nado de D. Afonso Henriques, fundador da nossa monarquia. A respeito da «''collatio''» de S. Martinho de Coura, também se lê, no referido diploma, este passo: que «a meya d'esta ecclesia era regaenga, etc., e que ''El-Rei D. Sancho 1.°'' a dera ao Abbade e a Carvom.» Ora, é sabido que D. Sancho I foi o 2.º monarca de Portugal, reinando desde 1185 a 1211 e que, por isso, esta e outras freguesias, que sempre pertenceram à ''«Terra de Coyra»'', fizeram parte integrante da nossa nacionalidade, desde os seus primórdios. Acrescentarei ainda, que esta região foi habitada desde remotíssimos tempos, pois da passagem dos romanos por aqui dão testemunho muitos restos, - como os ''milliarios, ponte romana,'' de Rubiães, ''moedas'', etc. E, antes deles, estiveram os ''celtas'', como é lícito inferir das ''antas, machados de bronze, silex,'' etc., encontrados dentro da área do concelho.<noinclude></noinclude> o44wlxxncndplah4q29yw35kliyin4x 551277 551276 2026-04-27T15:42:30Z Ruiaraujo1972 38032 551277 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>espírito dos Celtas, como atestam os seus monumentos funerários. Quer, pois, pelo lado da ''defesa'' natural, quer pela paz sepulcral, ajustava o nome de - ''Cora'' - a esta região. O concelho de Coura, dantes conhecido, como fica dito, por - ''Coira'' ou ''Coyra'' e agora por - ''Paredes de Coura'' -, deve estar incorporado na monarquia portuguesa desde a sua fundação. Não precisamos, pois, de nos enredarmos na averiguação da sua origem, porque não havemos mister de pergaminhos mais longevos<ref>A denominação de Paredes de Coura-data da criação desta comarca, em 15 de Novembro de 1875.</ref>. Em todo o caso devo observar que, tanto numa doação, feita por Theodomiro à Sé de Tuy, como noutra (ou confirmação daquela) de D. Teresa e seu filho D. Afonso Henriques ao bispo da mesma cidade, em 1125, se diz que a freguesia de ''Colina'' (Cunha) pertencia a Coira: «Ego Terasia Regina..., concedo et confirmo... mediatas Ecclesiae Sanctae Mariae de Colina ''in Coira''...»<ref>«Apuentes Históricos» por el Licd.º D. Ricardo Rodrigues Blanco, pág. 138, nota.</ref> E nos «Portugaliae Monumenta», vol. 1.º, fascículo 3.º, encontram-se diferentes passos que reforçam o meu asserto. Assim, no ''Judicato de Froyom'', a propósito da «Collatio de Castinaria», afirmaram os louvados ter ouvido dizer que «um campo desta freguesia foi doado ''por D. Afonso I'' a Pedro Barco». Já era, pois, D. Afonso Henriques padroeiro daquela freguesia. No mesmo diploma, tratando-se da de Mozelos, diz-se que a mesma Rainha D. Teresa doou esta Igreja a D. Paio Guterres, para ele a doar ao convento de Oya (Galiza). Quanto à de Cristelo, informaram os louvados que «a quarta menos uma quarta d'esta Egreja, era reguenga, assim como o casal doado, por sua vida, a D. Paio Vadasco por El-Rei: e, acrescentaram, que ouviram dizer isto ''«a seus pais e seus avós»''. O testemunho é concludente, porque, tendo sido feitas as ''inquirições'' de D. Afonso III em 1258, a informação dos «paes e avós» compreendia, muito provavelmente, o rei- nado de D. Afonso Henriques, fundador da nossa monarquia. A respeito da «''collatio''» de S. Martinho de Coura, também se lê, no referido diploma, este passo: que «a meya d'esta ecclesia era regaenga, etc., e que ''El-Rei D. Sancho 1.°'' a dera ao Abbade e a Carvom.» Ora, é sabido que D. Sancho I foi o 2.º monarca de Portugal, reinando desde 1185 a 1211 e que, por isso, esta e outras freguesias, que sempre pertenceram à ''«Terra de Coyra»'', fizeram parte integrante da nossa nacionalidade, desde os seus primórdios. Acrescentarei ainda, que esta região foi habitada desde remotíssimos tempos, pois da passagem dos romanos por aqui dão testemunho muitos restos, - como os ''milliarios, ponte romana,'' de Rubiães, ''moedas'', etc. E, antes deles, estiveram os ''celtas'', como é lícito inferir das ''antas, machados de bronze, silex,'' etc., encontrados dentro da área do concelho.<noinclude></noinclude> sj1cf0i9wnkdprmfnpyf2ztgget8uug Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/12 106 253119 551279 2026-04-27T16:05:52Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A mesma toponimia regional<ref>''Maldo, Grobellas'', ou Gorvellas, ''Avelléda, Crasto, Moimentas, Madorra'', Lamarigo, Reirigo, Bazarra, Mamoa (do Ranhadouro), Fagildes, Sabariz, etc.</ref> é elemento que não pode desprezar-se para o nosso caso; e essa aí está a comprovar a passagem daqueles povos, assim como a dos godos, etc. Não pode, pois, duvidar-se de que esta parte da ''Gallaecia'' foi habitada desde tempos proto-históricos pelo... 551279 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>A mesma toponimia regional<ref>''Maldo, Grobellas'', ou Gorvellas, ''Avelléda, Crasto, Moimentas, Madorra'', Lamarigo, Reirigo, Bazarra, Mamoa (do Ranhadouro), Fagildes, Sabariz, etc.</ref> é elemento que não pode desprezar-se para o nosso caso; e essa aí está a comprovar a passagem daqueles povos, assim como a dos godos, etc. Não pode, pois, duvidar-se de que esta parte da ''Gallaecia'' foi habitada desde tempos proto-históricos pelo menos. Quási ao centro do distrito de Viana do Castelo, rodeado de montanhas, como que formando-lhe alcandorado ninho, encontra-se este retalho da provincia do Minho - «Paredes de Coura» -, seu ''celleiro'', como lhe chamam, pela abundante produção de cereais, em que predomina o milho maïz. Pertence ao arcebispado de Braga<ref>Já pertenceu ao de Tuy (até 1440) e depois ao de Ceuta (até 1512).</ref> e tem uma superfície de 13.000 hectares. Confina, do nascente, com o concelho dos Arcos de Valdevez, do qual está separado pelos montes do Cotão, Chã de Lamas e Corno de Bico; do poente, com Cerveira, servindo de divisória os montes de Cossourado e Antas; do norte, com Monção, pelas serras da Boulhosa e Chã das Pipas; do sul, com Ponte do Lima, ficando de premeio os montes da Travanca, Carvalhal, Labruja e Formigoso, que constituem, com a serra de Arga, a poente, e Corno de Bico, a nascente, uma extensa cordilheira: a noroeste, limita com Valença, pelos montes de S. Silvestre e Carvalho. O concelho compreende vinte e uma freguesias, que demoram pelos vales e encostas dos seus montes. O clima, com quanto frio no inverno, é benéfico e saudável, concorrendo para isso, além de outros factores, o serem raros os intensos nevoeiros que costumam alastrar nas bacias dos grandes rios, de outras regiões. Não há, pode dizer-se, o frio ''húmido'', mas o frio seco. E é por isso e pela sua altitude, segundo penso, que alguns tuberculosos têem encontrado nele muitas melhoras e até curas. Moléstias endémicas, de carácter grave, não têem aparecido senão as febres fifoides, em 1856, que não ultra- passaram os limites da freguesia de Formariz; e uma vez ou outra, a varíola, que, em geral, não tem feito estragos sensíveis. Há poucos anos não se registava o óbito de um tuberculoso, que aqui tivesse residido sempre: e não será temeridade atribuir isto às condições climatéricas, e à pureza e frugalidade da alimentação popular, - caldo de feijão e hortaliça, leite, batata, carne de porco, pão de milho e bacalhau. O ilustrado facultativo do hospital civil da vizinha praça de Valença, sr. dr. Manuel Marreca, notou, quando exerceu a clínica neste concelho de Paredes de Coura, que, ''dos poucos casos (de tuberculose) aqui ocorrentes'' o maior<noinclude></noinclude> bmz8w6o1dfi8n3t6wb5g4ytr3iccawd Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/13 106 253120 551280 2026-04-27T16:11:56Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: número era contraído fora desta localidade, por indiví- duos que daqui saíam e depois regressavam, contaminados, ao seio das suas famílias <ref>«Voz de Coura», ano de 1905, n.° 85.</ref>. E cita, para exemplo, o soldado. Podia acrescentar o caixeiro e o emigrante. Varrido pelo norte, situado a grande altitude, tempe- rado, ainda, pelas brisas do mar, sensivelmente arbori- zado, abastecido de abundantes e cristalinas águas, cortado em... 551280 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>número era contraído fora desta localidade, por indiví- duos que daqui saíam e depois regressavam, contaminados, ao seio das suas famílias <ref>«Voz de Coura», ano de 1905, n.° 85.</ref>. E cita, para exemplo, o soldado. Podia acrescentar o caixeiro e o emigrante. Varrido pelo norte, situado a grande altitude, tempe- rado, ainda, pelas brisas do mar, sensivelmente arbori- zado, abastecido de abundantes e cristalinas águas, cortado em todas as direcções por límpidos ribeiros, o concelho é salubre e valioso ''sanatório'' para os seus naturais. Não é raro encontrarem-se velhos de 80, 85, 90 e mais anos<ref>Há cinco anos faleceu na freguesia de Rubiães a mãe do sr. José A. d'Antas Montenegro, com 101 anos de idade. Ainda costurava e enfiava a agulha, sem óculos! O pároco de Formariz faleceu este ano (1907) com 91; e na mesma freguesia, também neste ano, faleceram mais dois individuos, tendo, respectivamente, 85 e 86 anos.</ref>. Todavia, desde que à alimentação do povo faltou o bacalhau, pelo seu exagerado custo, e a subsistência se tornou cara, parece que a terrível moléstia tende a desenvolver-se. Efectivamente, na inspecção sanitária dos mancebos recrutados para o serviço militar, realizada desde 10 a 12 de Outubro de 1905, apareceram alguns casos de tuberculose incipiente. Todos reconhecem quanto interesse deve inspirar às classes dirigentes e abastadas a alimentação do povo, que trabalha e produz, isto é, que se depaupera todos os dias, sem ter a recíproca reparação de forças. A raça de fortes e valentes, que se creava por estes vales e encostas, está condenada a desaparecer, mercê das ''mixórdias'' comerciais e extrema careza de muitos géneros de primeira necessidade. Triste! A sua população rural é dócil, sóbria, respeitadora e hospitaleira, com certa paixão pela música. Religiosa por tradição e convicções, não é fanática, nem carola. Acata as autoridades e pastores espirituais, sem subserviência: cumpre obrigações, mas sabe que tem direitos. Entregue à faina dos campos, é, pelo geral, ordeira, parcimoniosa e comedida no seu viver social. Entretanto, é preciso não esquecer, para sermos justos, que o povo, dantes tão modesto e equilibrado nas suas necessidades, tem-se deixado fascinar, um pouco, pelos desvarios do luxo e vai-lhe pagando pesado e quiçá ruinoso tributo. Aquele afã com que nossas mães sabiam confeccionar os seus lençois, as suas toalhas, a sua roupa branca, de linho, - a «frescura» - como se costuma dizer, vai desaparecendo e, com ele, aquela educação das filhas nessa escola de trabalho caseiro, que lhes prendia a atenção e tomava tempo para a aprendizagem, evitando-lhes horas de ócio, que a astuciosa virilidade transforma, por vezes, em dias de amargurada tristeza para os pais. Bem sei que os novos processos de fabricação podem dispensar aquele arranjo de família - aquela oficina rudi- mentar: mas não dispensam, nem substituem, aquele compêndio de maternal moralização e de virtudes domésticas. Suprimir, portas a dentro do lar, o trabalho familiar,<noinclude></noinclude> 03ldg1k352cyqt6wbwb9dj5ik78aqz5 551281 551280 2026-04-27T16:12:09Z Ruiaraujo1972 38032 551281 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>número era contraído fora desta localidade, por indivíduos que daqui saíam e depois regressavam, contaminados, ao seio das suas famílias <ref>«Voz de Coura», ano de 1905, n.° 85.</ref>. E cita, para exemplo, o soldado. Podia acrescentar o caixeiro e o emigrante. Varrido pelo norte, situado a grande altitude, tempe- rado, ainda, pelas brisas do mar, sensivelmente arbori- zado, abastecido de abundantes e cristalinas águas, cortado em todas as direcções por límpidos ribeiros, o concelho é salubre e valioso ''sanatório'' para os seus naturais. Não é raro encontrarem-se velhos de 80, 85, 90 e mais anos<ref>Há cinco anos faleceu na freguesia de Rubiães a mãe do sr. José A. d'Antas Montenegro, com 101 anos de idade. Ainda costurava e enfiava a agulha, sem óculos! O pároco de Formariz faleceu este ano (1907) com 91; e na mesma freguesia, também neste ano, faleceram mais dois individuos, tendo, respectivamente, 85 e 86 anos.</ref>. Todavia, desde que à alimentação do povo faltou o bacalhau, pelo seu exagerado custo, e a subsistência se tornou cara, parece que a terrível moléstia tende a desenvolver-se. Efectivamente, na inspecção sanitária dos mancebos recrutados para o serviço militar, realizada desde 10 a 12 de Outubro de 1905, apareceram alguns casos de tuberculose incipiente. Todos reconhecem quanto interesse deve inspirar às classes dirigentes e abastadas a alimentação do povo, que trabalha e produz, isto é, que se depaupera todos os dias, sem ter a recíproca reparação de forças. A raça de fortes e valentes, que se creava por estes vales e encostas, está condenada a desaparecer, mercê das ''mixórdias'' comerciais e extrema careza de muitos géneros de primeira necessidade. Triste! A sua população rural é dócil, sóbria, respeitadora e hospitaleira, com certa paixão pela música. Religiosa por tradição e convicções, não é fanática, nem carola. Acata as autoridades e pastores espirituais, sem subserviência: cumpre obrigações, mas sabe que tem direitos. Entregue à faina dos campos, é, pelo geral, ordeira, parcimoniosa e comedida no seu viver social. Entretanto, é preciso não esquecer, para sermos justos, que o povo, dantes tão modesto e equilibrado nas suas necessidades, tem-se deixado fascinar, um pouco, pelos desvarios do luxo e vai-lhe pagando pesado e quiçá ruinoso tributo. Aquele afã com que nossas mães sabiam confeccionar os seus lençois, as suas toalhas, a sua roupa branca, de linho, - a «frescura» - como se costuma dizer, vai desaparecendo e, com ele, aquela educação das filhas nessa escola de trabalho caseiro, que lhes prendia a atenção e tomava tempo para a aprendizagem, evitando-lhes horas de ócio, que a astuciosa virilidade transforma, por vezes, em dias de amargurada tristeza para os pais. Bem sei que os novos processos de fabricação podem dispensar aquele arranjo de família - aquela oficina rudi- mentar: mas não dispensam, nem substituem, aquele compêndio de maternal moralização e de virtudes domésticas. Suprimir, portas a dentro do lar, o trabalho familiar,<noinclude></noinclude> bbc9pr2faw6r213k4owlslplllizyg6 551282 551281 2026-04-27T16:12:23Z Ruiaraujo1972 38032 551282 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>número era contraído fora desta localidade, por indivíduos que daqui saíam e depois regressavam, contaminados, ao seio das suas famílias <ref>«Voz de Coura», ano de 1905, n.° 85.</ref>. E cita, para exemplo, o soldado. Podia acrescentar o caixeiro e o emigrante. Varrido pelo norte, situado a grande altitude, temperado, ainda, pelas brisas do mar, sensivelmente arbori- zado, abastecido de abundantes e cristalinas águas, cortado em todas as direcções por límpidos ribeiros, o concelho é salubre e valioso ''sanatório'' para os seus naturais. Não é raro encontrarem-se velhos de 80, 85, 90 e mais anos<ref>Há cinco anos faleceu na freguesia de Rubiães a mãe do sr. José A. d'Antas Montenegro, com 101 anos de idade. Ainda costurava e enfiava a agulha, sem óculos! O pároco de Formariz faleceu este ano (1907) com 91; e na mesma freguesia, também neste ano, faleceram mais dois individuos, tendo, respectivamente, 85 e 86 anos.</ref>. Todavia, desde que à alimentação do povo faltou o bacalhau, pelo seu exagerado custo, e a subsistência se tornou cara, parece que a terrível moléstia tende a desenvolver-se. Efectivamente, na inspecção sanitária dos mancebos recrutados para o serviço militar, realizada desde 10 a 12 de Outubro de 1905, apareceram alguns casos de tuberculose incipiente. Todos reconhecem quanto interesse deve inspirar às classes dirigentes e abastadas a alimentação do povo, que trabalha e produz, isto é, que se depaupera todos os dias, sem ter a recíproca reparação de forças. A raça de fortes e valentes, que se creava por estes vales e encostas, está condenada a desaparecer, mercê das ''mixórdias'' comerciais e extrema careza de muitos géneros de primeira necessidade. Triste! A sua população rural é dócil, sóbria, respeitadora e hospitaleira, com certa paixão pela música. Religiosa por tradição e convicções, não é fanática, nem carola. Acata as autoridades e pastores espirituais, sem subserviência: cumpre obrigações, mas sabe que tem direitos. Entregue à faina dos campos, é, pelo geral, ordeira, parcimoniosa e comedida no seu viver social. Entretanto, é preciso não esquecer, para sermos justos, que o povo, dantes tão modesto e equilibrado nas suas necessidades, tem-se deixado fascinar, um pouco, pelos desvarios do luxo e vai-lhe pagando pesado e quiçá ruinoso tributo. Aquele afã com que nossas mães sabiam confeccionar os seus lençois, as suas toalhas, a sua roupa branca, de linho, - a «frescura» - como se costuma dizer, vai desaparecendo e, com ele, aquela educação das filhas nessa escola de trabalho caseiro, que lhes prendia a atenção e tomava tempo para a aprendizagem, evitando-lhes horas de ócio, que a astuciosa virilidade transforma, por vezes, em dias de amargurada tristeza para os pais. Bem sei que os novos processos de fabricação podem dispensar aquele arranjo de família - aquela oficina rudi- mentar: mas não dispensam, nem substituem, aquele compêndio de maternal moralização e de virtudes domésticas. Suprimir, portas a dentro do lar, o trabalho familiar,<noinclude></noinclude> e9v0kpx9svvxftxu03fb1ewocvo3vnd 551283 551282 2026-04-27T16:12:54Z Ruiaraujo1972 38032 551283 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>número era contraído fora desta localidade, por indivíduos que daqui saíam e depois regressavam, contaminados, ao seio das suas famílias <ref>«Voz de Coura», ano de 1905, n.° 85.</ref>. E cita, para exemplo, o soldado. Podia acrescentar o caixeiro e o emigrante. Varrido pelo norte, situado a grande altitude, temperado, ainda, pelas brisas do mar, sensivelmente arborizado, abastecido de abundantes e cristalinas águas, cortado em todas as direcções por límpidos ribeiros, o concelho é salubre e valioso ''sanatório'' para os seus naturais. Não é raro encontrarem-se velhos de 80, 85, 90 e mais anos<ref>Há cinco anos faleceu na freguesia de Rubiães a mãe do sr. José A. d'Antas Montenegro, com 101 anos de idade. Ainda costurava e enfiava a agulha, sem óculos! O pároco de Formariz faleceu este ano (1907) com 91; e na mesma freguesia, também neste ano, faleceram mais dois individuos, tendo, respectivamente, 85 e 86 anos.</ref>. Todavia, desde que à alimentação do povo faltou o bacalhau, pelo seu exagerado custo, e a subsistência se tornou cara, parece que a terrível moléstia tende a desenvolver-se. Efectivamente, na inspecção sanitária dos mancebos recrutados para o serviço militar, realizada desde 10 a 12 de Outubro de 1905, apareceram alguns casos de tuberculose incipiente. Todos reconhecem quanto interesse deve inspirar às classes dirigentes e abastadas a alimentação do povo, que trabalha e produz, isto é, que se depaupera todos os dias, sem ter a recíproca reparação de forças. A raça de fortes e valentes, que se creava por estes vales e encostas, está condenada a desaparecer, mercê das ''mixórdias'' comerciais e extrema careza de muitos géneros de primeira necessidade. Triste! A sua população rural é dócil, sóbria, respeitadora e hospitaleira, com certa paixão pela música. Religiosa por tradição e convicções, não é fanática, nem carola. Acata as autoridades e pastores espirituais, sem subserviência: cumpre obrigações, mas sabe que tem direitos. Entregue à faina dos campos, é, pelo geral, ordeira, parcimoniosa e comedida no seu viver social. Entretanto, é preciso não esquecer, para sermos justos, que o povo, dantes tão modesto e equilibrado nas suas necessidades, tem-se deixado fascinar, um pouco, pelos desvarios do luxo e vai-lhe pagando pesado e quiçá ruinoso tributo. Aquele afã com que nossas mães sabiam confeccionar os seus lençois, as suas toalhas, a sua roupa branca, de linho, - a «frescura» - como se costuma dizer, vai desaparecendo e, com ele, aquela educação das filhas nessa escola de trabalho caseiro, que lhes prendia a atenção e tomava tempo para a aprendizagem, evitando-lhes horas de ócio, que a astuciosa virilidade transforma, por vezes, em dias de amargurada tristeza para os pais. Bem sei que os novos processos de fabricação podem dispensar aquele arranjo de família - aquela oficina rudimentar: mas não dispensam, nem substituem, aquele compêndio de maternal moralização e de virtudes domésticas. Suprimir, portas a dentro do lar, o trabalho familiar,<noinclude></noinclude> 34l3u6m3ivj02moir21mcljgurqbsg3 Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/14 106 253121 551284 2026-04-27T16:21:25Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: diário, regulamentado pela previdência carinhosa dos pais, é abrir, cá fora, ensejo a vícios, a dolorosas desilusões e a muito atropelo, legal e moral. Não se elimine, pois dos nossos costumes concelhios esta tradicional escola: antes se avivente e impulsione, como sendo o nervo da solidariedade doméstica e da austeridade de carácter. Continuem as nossas mulheres a confeccionar, na sua roca e no seu tear, o linho - o branco e fresco... 551284 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>diário, regulamentado pela previdência carinhosa dos pais, é abrir, cá fora, ensejo a vícios, a dolorosas desilusões e a muito atropelo, legal e moral. Não se elimine, pois dos nossos costumes concelhios esta tradicional escola: antes se avivente e impulsione, como sendo o nervo da solidariedade doméstica e da austeridade de carácter. Continuem as nossas mulheres a confeccionar, na sua roca e no seu tear, o linho - o branco e fresco linho - para uso caseiro, adestrando, neste e noutros misteres familiares, suas filhas, e verão como as seduções do luxo hão-de ficar reduzidas aos seus justos limites. A limpeza e o asseio são virtudes: o luxo é um vício. Creiam que a cutis, rosada e sadia, da rapariga do campo, vale mais do que o almiscarado pó de arroz, com que a doidivanas da moda costuma mascarar o desmaiado pé de galinha de muita pretensiosa, dos teatros e dos salões. O censo de 1900 acusa uma população de 13.020 almas, assim distribuídas: sexo masculino-5.765; feminino -7.255. Se não fora a voluntária expatriação para o Brasil, seria muito mais elevada aquela cifra. «''Voluntária'' expatriação», disse! Quanto tem de cruel aquela ''voluntariedade!'' Uma importante parcela de braços úteis e vigorosos da população rural, é sacrificada, naquela república, por causa de uma fascinadora ilusão, ou sugestão de riqueza, precedida de uma enervante desesperança de obter magra subsistência na terra-mãe. Daqui, a intensa emigração<ref>No ano de 1904 emigraram 140 pessoas, em 1905-91, e em 1906 - 104, sendo, ao todo, 260 varões e 75 mulheres. Deve notar-se que neste número não entram os que emigraram clandestinamente, que não são poucos.</ref>. E, entretanto, o concelho é, verdadeiramente fértil, e já o era desde séculos, como atesta o facto de, na guerra da restauração (1640-1665), quando este concelho foi escolhido para centro de operações militares contra a Galiza, chegando a ferir-se aqui a gloriosa batalha da Travanca e reunirem-se forças importantes, nunca faltarem víveres para elas, nem ser preciso importá-los<ref>Posteriormente, para o empréstimo nacional de 1801, só concorreram dois prestamistas, não obstante ser convocado todo o povo pela Câmara Municipal. Esses prestamistas foram os abades de Cunha - José António de Sá Sottomayor Leones, com 24.000 rs. e o de Infesta - Francisco da Cruz Pias, com igual quantia. O povo alegou, então, que estava pronto a concorrer com sua pessoa e bens, mas não com dinheiro, porque não tinha reservas. (Liv. dos registos, no arquivo da Câmara). Modernamente, há um facto que bem mostra a grande produção cerealifera do concelho. É este: em Fevereiro de 1870, a Câmara Municipal oficiou à Real Associação Central, solicitando a sua intervenção junto do Governo, para este apresentar um projecto de lei que reprimisse o «contrabando de cereaes», por isso que, enquanto em Lisboa havia falta deles, em Coura definhava-se no meio da abundância, porque ''estavam as celleiros cheios e ninguem os procurava»''. (Copiador da correspondência de 1870, no mesmo arch.).</ref>. Era neste concelho que se preparava o abastecimento da guarnição de algumas praças da margem do rio Minho<ref>''Voz de Coura'' de 25 de Maio de 1907, n.° 169, artigo do sr. CunhaBrandão.</ref>. Confirmando este conceito, escreveu J. A. de Almeida "no seu «Diccionario Chorographico»:<noinclude></noinclude> ef2wou0r56y73v3b2uyyjvh64mnrhwb 551285 551284 2026-04-27T16:23:28Z Ruiaraujo1972 38032 551285 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>diário, regulamentado pela previdência carinhosa dos pais, é abrir, cá fora, ensejo a vícios, a dolorosas desilusões e a muito atropelo, legal e moral. Não se elimine, pois dos nossos costumes concelhios esta tradicional escola: antes se avivente e impulsione, como sendo o nervo da solidariedade doméstica e da austeridade de carácter. Continuem as nossas mulheres a confeccionar, na sua roca e no seu tear, o linho - o branco e fresco linho - para uso caseiro, adestrando, neste e noutros misteres familiares, suas filhas, e verão como as seduções do luxo hão-de ficar reduzidas aos seus justos limites. A limpeza e o asseio são virtudes: o luxo é um vício. Creiam que a cutis, rosada e sadia, da rapariga do campo, vale mais do que o almiscarado pó de arroz, com que a doidivanas da moda costuma mascarar o desmaiado pé de galinha de muita pretensiosa, dos teatros e dos salões. O censo de 1900 acusa uma população de 13.020 almas, assim distribuídas: sexo masculino-5.765; feminino -7.255. Se não fora a voluntária expatriação para o Brasil, seria muito mais elevada aquela cifra. «''Voluntária'' expatriação», disse! Quanto tem de cruel aquela ''voluntariedade!'' Uma importante parcela de braços úteis e vigorosos da população rural, é sacrificada, naquela república, por causa de uma fascinadora ilusão, ou sugestão de riqueza, precedida de uma enervante desesperança de obter magra subsistência na terra-mãe. Daqui, a intensa emigração<ref>No ano de 1904 emigraram 140 pessoas, em 1905-91, e em 1906 - 104, sendo, ao todo, 260 varões e 75 mulheres. Deve notar-se que neste número não entram os que emigraram clandestinamente, que não são poucos.</ref>. E, entretanto, o concelho é, verdadeiramente fértil, e já o era desde séculos, como atesta o facto de, na guerra da restauração (1640-1665), quando este concelho foi escolhido para centro de operações militares contra a Galiza, chegando a ferir-se aqui a gloriosa batalha da Travanca e reunirem-se forças importantes, nunca faltarem víveres para elas, nem ser preciso importá-los<ref>Posteriormente, para o empréstimo nacional de 1801, só concorreram dois prestamistas, não obstante ser convocado todo o povo pela Câmara Municipal. Esses prestamistas foram os abades de Cunha - José António de Sá Sottomayor Leones, com 24.000 rs. e o de Infesta - Francisco da Cruz Pias, com igual quantia. O povo alegou, então, que estava pronto a concorrer com sua pessoa e bens, mas não com dinheiro, porque não tinha reservas. (Liv. dos registos, no arquivo da Câmara). Modernamente, há um facto que bem mostra a grande produção cerealifera do concelho. É este: em Fevereiro de 1870, a Câmara Municipal oficiou à Real Associação Central, solicitando a sua intervenção junto do Governo, para este apresentar um projecto de lei que reprimisse o «contrabando de cereaes», por isso que, enquanto em Lisboa havia falta deles, «em Coura definhava-se no meio da abundância, porque ''estavam as celleiros cheios e ninguem os procurava»''. (Copiador da correspondência de 1870, no mesmo arch.).</ref>. Era neste concelho que se preparava o abastecimento da guarnição de algumas praças da margem do rio Minho<ref>''Voz de Coura'' de 25 de Maio de 1907, n.° 169, artigo do sr. CunhaBrandão.</ref>. Confirmando este conceito, escreveu J. A. de Almeida "no seu «Diccionario Chorographico»:<noinclude></noinclude> m3sq65ta2zarzr2c48zhhl7h84tbz8m Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/15 106 253122 551286 2026-04-27T16:34:07Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: «Em 1663, na guerra da aclamação de D. João IV, repetidas vezes se juntou aqui o nosso exército e passavam a combater o inimigo e aqui tornavam a recolher, tendo nos seus acampamentos a ''maior abundância'', cousa que admirou não só às outras províncias, mas até aos de outras nações». (Vb.° «Coura»). Em documentos oficiais, arquivados na Torre do Tombo<ref>''Consulta ao Conselho de Guerra'', de 14 de Setembro de 1663, documento encont... 551286 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>«Em 1663, na guerra da aclamação de D. João IV, repetidas vezes se juntou aqui o nosso exército e passavam a combater o inimigo e aqui tornavam a recolher, tendo nos seus acampamentos a ''maior abundância'', cousa que admirou não só às outras províncias, mas até aos de outras nações». (Vb.° «Coura»). Em documentos oficiais, arquivados na Torre do Tombo<ref>''Consulta ao Conselho de Guerra'', de 14 de Setembro de 1663, documento encontrado pelo sr. tenente-coronel Cunha Brandão. ''Voz de Coura'', n.º 169, 4.º ano.</ref>, consignou-se que em Coura se estabeleceu um governo militar, destinado a superintender na defesa da terra, continuamente assaltada pelo inimigo, e que se preparava aqui o ''abastecimento'' da guarnição de praças de Riba-Minho. No referido documento, Coura é considerado «escala ordinária de tudo». «Assim era, com efeito, pois que ali eram mandados apresentar todos os socorros enviados do sul e que tinham, em parte, de seguir para Riba-Minho; ali se fazia a primeira ''étape'' dos que pelas circunstâncias ocorrentes precisavam retirar para o sul. Por ali se estabelecia comunicação, segura, com o interior do país, e por ali, finalmente, passavam todas as ordens do governo para o teatro da guerra, no extremo norte e vice-versa<ref>''Voz de Coura'', 4.º ano, n.º 169.</ref>. O concelho, antes de 1834, era governado pelo juíz ordinário - presidente nato da Câmara -, très vereadores, procurador do concelho e pelouro, de eleição trienal popu- lar<ref>Chorographia do P. Carvalho, tomo 1.º, pág. 261.</ref>, presidida pelo Corregedor de Viana do Castelo. Tinha escrivão da câmara, almotacés, distribuidor, inquiridor, e contador. Cinco tabeliães, alcaide e almoxarife, data do Visconde, de Vila Nova de Cerveira, como donatário da ''terra de Coira''<ref>Os juizes ordinários eram eleitos pelos homens bons, ou pessoas gradas do concelho. Na sessão camarária de 7 de Julho de 1751, tratando-se da nomeação do meirinho, o Visconde fez-se representar pelo abade de Paredes, D. Prancisco Xavier de Lima.</ref>. {{c|'''Foral de D. Manuel'''}} Foi D. Manuel o primeiro monarca que deu «foral» a Coura, em 2 de Junho de 1512. Neste «foral declara-se que da - pena de sangue e de arma -, se não levaria mais de 200 reaes; porque, até então, pagavam-se duas penas - uma para o meirinho e outra do sangue -, na importância de 1.080 reaes, ficando reduzidas a uma só<ref>O «real» era moeda portuguesa. Havia-os de ouro, prata e cobre; e, destes, havia reaes ''brancos'' e reaes ''pretos''. No reinado de D. Manuel os reses de prata valiam uns 20 reis, e outros 30 reis. Os ''brancos'' chamavam-se assim por terem muita liga de estanho. Os lavrados depois de 1462 valiam 6 ceitis. No tempo do Rei D. Duarte um ''real branco'' valia 10 pretos, e cada um destes, ultimamente, 6 ceitis (Vitervo). Cada ''maravedi'' valia, no tempo do Rei D. Manuel, 27 reis da nossa moeda. O real de prata subiu depois a 40 rs. e no tempo de D. João IV a 50 rs.: era a nossa conhecida moeda de ''meio tostão''.</ref>. Todo aquele que disparasse arma, com o fim de fazer mal a alguém, pagava a pena e perdia a arma. No caso, até de fazer sangue, a pena não mudava, excepto se o sangue fosse do ''sobre-olho'', porque, então, os 200 reaes seriam para o Senhorio da terra e a arma para o Alcaide<noinclude></noinclude> 6erhqfm8wp8qfv79xh8vp0jxvcp1vu2