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<poem>
Desbravantes da nossa história,
Ao chegar neste novo rincão;
Consagraram um tempo de glória,
Nova terra, um novo torrão.
''Terra fértil de muitos amores,''
''Terra verde de encantos mil;''
''Coroada de muitos valores,''
''Ó! Porto Grande do céu cor de anil.''
''Que em punho tremula a bandeira,''
''Simbolismo de um povo viril;''
''Ó! Porto Grande, tu és parte da estrela,''
''Do Amapá e do nosso Brasil.''
Este porto de outrora seria,
A esperança de um novo porvir;
Navegantes do ouro que via,
Na aurora do Araguari.
''Terra fértil de muitos amores,''
''Terra verde de encantos mil;''
''Coroada de muitos valores,''
''Ó! Porto Grande do céu cor de anil.''
''Que em punho tremula a bandeira,''
''Simbolismo de um povo viril;''
''Ó! Porto Grande, tu és parte da estrela,''
''Do Amapá e do nosso Brasil.''
Teu passado reflete a história,
Deste povo que luta e faz;
Um presente de honra e de glória,
Nos encanta com seus festivais.
''Terra fértil de muitos amores,''
''Terra verde de encantos mil;''
''Coroada de muitos valores,''
''Ó! Porto Grande do céu cor de anil.''
''Que em punho tremula a bandeira,''
''Simbolismo de um povo viril;''
''Ó! Porto Grande, tu és parte da estrela,''
''Do Amapá e do nosso Brasil.''
</poem>
[[Categoria:Hinos do Amapá|Porto Grande]]
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'''{{c|Censo da população de Coura no ano de 1527}}'''
Refere-se à população do antigo concelho de Coura e
Fraião e foi extraído do censo da comarca de Entre
Douro e Minho, ordenado por carta régia de D. João III,
expedida de Coimbra a 17 de Julho de 1527.
O velho códice diz, na parte respectiva: «Item, Este
concelho de Coyra e Frayam he do Bisconde terra de montanhas fragorosas nom tem vyla nem povoaçam junta, e
tem Portezelo<ref>Lugar da freguesia de Verdoejo junto do rio Minho. Esta freguesia pertencia ao Couto de S. Fins, que, por sua vez, fazia parte do concelho e julgado Frayão.</ref> junto do rio de Minho em que vyvem oito moradores e todos os mais vyvem por casaes apartados e quyntas e erdades perto huas das outras nas freguezias abaixo declaradas, o quall tem de termo de larguo duas leguoas, de targuo, e de comprydo tres e parte com o concelho de Vall de Vez do nascente e com o termo da
vyla de Monçom e vae entestar do norte no rio do Minho
que vae antre este concelho e Galliza, e para o poente
parte com termo da vyla de Valença e com o termo de
Vyla Nova de Cerveira e o termo de Camynha, e com o
termo de Ponte do Lyma per baixo ao sull e moram
dentro n'elles per freguezias os moradores seguidos prymeyramente.
Item na freguezia de S. Martinho de Coyra 30 moradores -, na freguezia de Romaryguães 33 -, na freguezia
de Sampayo de Coyra 38-, na freguezia de Ruyvyāes
72 -, na freguezia de Cassoyrado 36 -, na freguezia de Lynhares 15 -, na freguezia de Ferreira 61 -, na freguezia
de Mozellos 30 -, outra freguezia de Ferreira<ref>Deve ser erro de cópia. No original devia ler-se - Formariz.</ref> 40 -, na freguezia de Porreyras 13 -, na freguezia d'Ensalde 54 -, na freguezia de Padornello 54 -, na freguezia de Parada 26 -, na freguezia de Sam Martinho 32 -, na freguezia de Byquo 76 -, na freguezia de Crastello 51 -, na freguezia de Castinheyra 44 -, na freguezia de Rezende 12 -, na freguezia de Cunha 60 -, na freguezia de Emfesta 41 -, na freguezia de Paredes 48 -, na freguezia de Boyvão de Sam Fiz 40 -, na freguezia de Gondomill 60 -, na freguezia de Sam Mamede, 32<ref>Friestas.</ref>-na freguezia do Monte, 22<ref>S. Fins.</ref> -na freguezia de Santa Marinha, 47<ref>Verdoejo.</ref>.
Somam estes moradores per todos lavradores, e vyuvas
clerigos e escudeiros e pessoas que fazem foguo per sy ao
todo, 1067.
Item. A mais n'este concelho e terra de Coyra homês
solteyros de edade de dezoyto pera trynta annos, que
vyvem com seus paes e amos, 820 mancebos»<ref>Foi encontrado este documento na Torre do Tombo pelo
Sr. Tenente-coronel C. Brandão.</ref>.
De onde se vê que o antigo concelho confinava, ao
norte, com o rio Minho, e era pouco povoado.
{{c|***}}
As «Posturas» mais antigas da Câmara, de que tenho
conhecimento, são as votadas na sessão de 1 de Abril de
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Ruiaraujo1972
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'''{{c|Censo da população de Coura no ano de 1527}}'''
Refere-se à população do antigo concelho de Coura e
Fraião e foi extraído do censo da comarca de Entre
Douro e Minho, ordenado por carta régia de D. João III,
expedida de Coimbra a 17 de Julho de 1527.
O velho códice diz, na parte respectiva:
«Item, Este concelho de Coyra e Frayam he do Bisconde terra de montanhas fragorosas nom tem vyla nem povoaçam junta, e tem Portezelo<ref>Lugar da freguesia de Verdoejo junto do rio Minho. Esta freguesia pertencia ao Couto de S. Fins, que, por sua vez, fazia parte do concelho e julgado Frayão.</ref> junto do rio de Minho em que vyvem oito moradores e todos os mais vyvem por casaes apartados e quyntas e erdades perto huas das outras nas freguezias abaixo declaradas, o quall tem de termo de larguo duas leguoas, de targuo, e de comprydo tres e parte com o concelho de Vall de Vez do nascente e com o termo da
vyla de Monçom e vae entestar do norte no rio do Minho
que vae antre este concelho e Galliza, e para o poente
parte com termo da vyla de Valença e com o termo de
Vyla Nova de Cerveira e o termo de Camynha, e com o
termo de Ponte do Lyma per baixo ao sull e moram
dentro n'elles per freguezias os moradores seguidos prymeyramente.
Item na freguezia de S. Martinho de Coyra 30 moradores -, na freguezia de Romaryguães 33 -, na freguezia
de Sampayo de Coyra 38-, na freguezia de Ruyvyāes
72 -, na freguezia de Cassoyrado 36 -, na freguezia de Lynhares 15 -, na freguezia de Ferreira 61 -, na freguezia
de Mozellos 30 -, outra freguezia de Ferreira<ref>Deve ser erro de cópia. No original devia ler-se - Formariz.</ref> 40 -, na freguezia de Porreyras 13 -, na freguezia d'Ensalde 54 -, na freguezia de Padornello 54 -, na freguezia de Parada 26 -, na freguezia de Sam Martinho 32 -, na freguezia de Byquo 76 -, na freguezia de Crastello 51 -, na freguezia de Castinheyra 44 -, na freguezia de Rezende 12 -, na freguezia de Cunha 60 -, na freguezia de Emfesta 41 -, na freguezia de Paredes 48 -, na freguezia de Boyvão de Sam Fiz 40 -, na freguezia de Gondomill 60 -, na freguezia de Sam Mamede, 32<ref>Friestas.</ref>-na freguezia do Monte, 22<ref>S. Fins.</ref> -na freguezia de Santa Marinha, 47<ref>Verdoejo.</ref>.
Somam estes moradores per todos lavradores, e vyuvas
clerigos e escudeiros e pessoas que fazem foguo per sy ao
todo, 1067.
Item. A mais n'este concelho e terra de Coyra homês
solteyros de edade de dezoyto pera trynta annos, que
vyvem com seus paes e amos, 820 mancebos»<ref>Foi encontrado este documento na Torre do Tombo pelo
Sr. Tenente-coronel C. Brandão.</ref>.
De onde se vê que o antigo concelho confinava, ao
norte, com o rio Minho, e era pouco povoado.
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As «Posturas» mais antigas da Câmara, de que tenho
conhecimento, são as votadas na sessão de 1 de Abril de
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'''{{c|Censo da população de Coura no ano de 1527}}'''
Refere-se à população do antigo concelho de Coura e
Fraião e foi extraído do censo da comarca de Entre
Douro e Minho, ordenado por carta régia de D. João III,
expedida de Coimbra a 17 de Julho de 1527.
O velho códice diz, na parte respectiva:
«Item, Este concelho de Coyra e Frayam he do Bisconde terra de montanhas fragorosas nom tem vyla nem povoaçam junta, e tem Portezelo<ref>Lugar da freguesia de Verdoejo junto do rio Minho. Esta freguesia pertencia ao Couto de S. Fins, que, por sua vez, fazia parte do concelho e julgado Frayão.</ref> junto do rio de Minho em que vyvem oito moradores e todos os mais vyvem por casaes apartados e quyntas e erdades perto huas das outras nas freguezias abaixo declaradas, o quall tem de termo de larguo duas leguoas, de targuo, e de comprydo tres e parte com o concelho de Vall de Vez do nascente e com o termo da
vyla de Monçom e vae entestar do norte no rio do Minho
que vae antre este concelho e Galliza, e para o poente
parte com termo da vyla de Valença e com o termo de
Vyla Nova de Cerveira e o termo de Camynha, e com o
termo de Ponte do Lyma per baixo ao sull e moram
dentro n'elles per freguezias os moradores seguidos prymeyramente.
Item na freguezia de S. Martinho de Coyra 30 moradores -, na freguezia de Romaryguães 33 -, na freguezia
de Sampayo de Coyra 38-, na freguezia de Ruyvyāes
72 -, na freguezia de Cassoyrado 36 -, na freguezia de Lynhares 15 -, na freguezia de Ferreira 61 -, na freguezia
de Mozellos 30 -, outra freguezia de Ferreira<ref>Deve ser erro de cópia. No original devia ler-se - Formariz.</ref> 40 -, na freguezia de Porreyras 13 -, na freguezia d'Ensalde 54 -, na freguezia de Padornello 54 -, na freguezia de Parada 26 -, na freguezia de Sam Martinho 32 -, na freguezia de Byquo 76 -, na freguezia de Crastello 51 -, na freguezia de Castinheyra 44 -, na freguezia de Rezende 12 -, na freguezia de Cunha 60 -, na freguezia de Emfesta 41 -, na freguezia de Paredes 48 -, na freguezia de Boyvão de Sam Fiz 40 -, na freguezia de Gondomill 60 -, na freguezia de Sam Mamede, 32<ref>Friestas.</ref>-na freguezia do Monte, 22<ref>S. Fins.</ref> -na freguezia de Santa Marinha, 47<ref>Verdoejo.</ref>.
Somam estes moradores per todos lavradores, e vyuvas
clerigos e escudeiros e pessoas que fazem foguo per sy ao
todo, 1067.
Item. A mais n'este concelho e terra de Coyra homês
solteyros de edade de dezoyto pera trynta annos, que
vyvem com seus paes e amos, 820 mancebos»<ref>Foi encontrado este documento na Torre do Tombo pelo
Sr. Tenente-coronel C. Brandão.</ref>.
De onde se vê que o antigo concelho confinava, ao
norte, com o rio Minho, e era pouco povoado.
{{c|***}}
As «Posturas» mais antigas da Câmara, de que tenho
conhecimento, são as votadas na sessão de 1 de Abril de
{{rule}}<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 1756, sendo juiz ordinário (presidente nato da corporação) Miguel Soares Rocha Sotto-Maior e vereadores - Leonel de Sousa de Andrade, Alexandre Fernandes de Sousa Marinho e Augusto José Brandão de Castro: Procurador do Concelho era Luís Alves Barbosa<ref>Liv. das vereações de 1756-1758.</ref>. Legislavam sobre: 1.º aferimentos de pesos e medidas; 2.º licenças para vender azeite, vinho, etc.; 3.º montarias; 4.º cartas de ofícios para c...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>1756, sendo juiz ordinário (presidente nato da corporação)
Miguel Soares Rocha Sotto-Maior e vereadores - Leonel
de Sousa de Andrade, Alexandre Fernandes de Sousa Marinho e Augusto José Brandão de Castro: Procurador do
Concelho era Luís Alves Barbosa<ref>Liv. das vereações de 1756-1758.</ref>.
Legislavam sobre: 1.º aferimentos de pesos e medidas;
2.º licenças para vender azeite, vinho, etc.; 3.º montarias; 4.º cartas de ofícios para carpinteiros, ferreiros, etc.; 5.º plantação de hortas e nabaes; 6.º caça e pesca; 7.º venda de ovos, que não devia exceder 10 reis cada dezena; 8.º açambarcadores; 9.º apregoar em todas as feiras a postura contra açambarcadores; 10.º manifestos dos «terços»; 11.º preços dos carretos; 12.º manifesto do vinho; 13.º proibição de atirar às pombas; 14.º pousada a homens ou mulheres de má nota; 15.º mulheres grávidas solteiras; 16.º enterramentos de animais mortos; 17.º padreação de éguas; 18.º galinhas e porcos presos, nas sementeiras e S. Miguel.
É natural que antes destas leis municipais tivesse
havido outras, pois elas devem ser tão antigas como a
instituição dos municípios, embora só começassem a ser
escritas desde o reinado de D. Afonso III.
O nosso arquivo não vai além de 1750, devendo atribuir-se a esta falta o desconhecimento de «Posturas». mais
remotas.
Depois vieram as de 1859, que foram substituídas pelas de 1884; e ultimamente as de 1900, que estão em vigor, com umas modificações sobre pesca e caça, deste ano (1907).
{{c|***}}
Quem folhear os livros das vereações e dos registos,
há-de notar que, em geral, para exercer as funções camarárias só eram chamados munícipes de consideração, como
''«nobres»'', «bachareis formados», «monteiros-móres», etc.
Os ''almotocés'' eram quasi sempre nomeados de entre
os vereadores que tinham acabado de servir.
Parece que estes cargos eram privativos dos nobres,
pois li uma reclamação, neste sentido, dirigida ao Corregedor.
As funções administrativas e judiciais eram exercidas,
cumulativamente, pelos juizes do foro, ora individualmente,
ora colectivamente com os vereadores.
Neste concelho só no último quartel do século XVIII é
que os juizes ordinários começaram a usar da fórmula -
«por S. Majestade...», pois até ali era - «pelo Visconde
de Vila Nova de Cerveira».
Devemos observar que, se a ideia democrática, que
presidiu à instituição dos municípios, foi muito cerceada
pela nomeação régia dos juizes, que por este facto foram
antes factores do engrandecimento do poder do Rei, do
que defensores do povo; hoje, esse feroz ''centralismo'', que escraviza os municípios, sob a máscara de ''protecção tutelar'', foi verdadeiro golpe de misericórdia nestas instituições.
São tantas as peias, as dificuldades e formalismos que
entravam a iniciativa municipal, que as melhores intenções
e até decididas vontades desfalecem, sobretudo, nos municípios da província.
Se, «cada terra tem seu uso...», deixem que o povo
administre, por si, o que é seu.<noinclude></noinclude>
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Ruiaraujo1972
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>1756, sendo juiz ordinário (presidente nato da corporação)
Miguel Soares Rocha Sotto-Maior e vereadores - Leonel
de Sousa de Andrade, Alexandre Fernandes de Sousa Marinho e Augusto José Brandão de Castro: Procurador do
Concelho era Luís Alves Barbosa<ref>Liv. das vereações de 1756-1758.</ref>.
Legislavam sobre: 1.º aferimentos de pesos e medidas;
2.º licenças para vender azeite, vinho, etc.; 3.º montarias; 4.º cartas de ofícios para carpinteiros, ferreiros, etc.; 5.º plantação de hortas e nabaes; 6.º caça e pesca; 7.º venda de ovos, que não devia exceder 10 reis cada dezena; 8.º açambarcadores; 9.º apregoar em todas as feiras a postura contra açambarcadores; 10.º manifestos dos «terços»; 11.º preços dos carretos; 12.º manifesto do vinho; 13.º proibição de atirar às pombas; 14.º pousada a homens ou mulheres de má nota; 15.º mulheres grávidas solteiras; 16.º enterramentos de animais mortos; 17.º padreação de éguas; 18.º galinhas e porcos presos, nas sementeiras e S. Miguel.
É natural que antes destas leis municipais tivesse
havido outras, pois elas devem ser tão antigas como a
instituição dos municípios, embora só começassem a ser
escritas desde o reinado de D. Afonso III.
O nosso arquivo não vai além de 1750, devendo atribuir-se a esta falta o desconhecimento de «Posturas». mais
remotas.
Depois vieram as de 1859, que foram substituídas pelas de 1884; e ultimamente as de 1900, que estão em vigor, com umas modificações sobre pesca e caça, deste ano (1907).
{{c|***}}
Quem folhear os livros das vereações e dos registos,
há-de notar que, em geral, para exercer as funções camarárias só eram chamados munícipes de consideração, como
''«nobres»'', «bachareis formados», «monteiros-móres», etc.
Os ''almotocés'' eram quasi sempre nomeados de entre
os vereadores que tinham acabado de servir.
Parece que estes cargos eram privativos dos nobres,
pois li uma reclamação, neste sentido, dirigida ao Corregedor.
As funções administrativas e judiciais eram exercidas,
cumulativamente, pelos juizes do foro, ora individualmente,
ora colectivamente com os vereadores.
Neste concelho só no último quartel do século XVIII é
que os juizes ordinários começaram a usar da fórmula -
«por S. Majestade...», pois até ali era - «pelo Visconde
de Vila Nova de Cerveira».
Devemos observar que, se a ideia democrática, que
presidiu à instituição dos municípios, foi muito cerceada
pela nomeação régia dos juizes, que por este facto foram
antes factores do engrandecimento do poder do Rei, do
que defensores do povo; hoje, esse feroz ''centralismo'', que escraviza os municípios, sob a máscara de ''protecção tutelar'', foi verdadeiro golpe de misericórdia nestas instituições.
São tantas as peias, as dificuldades e formalismos que
entravam a iniciativa municipal, que as melhores intenções
e até decididas vontades desfalecem, sobretudo, nos municípios da província.
Se, «cada terra tem seu uso...», deixem que o povo
administre, por si, o que é seu.
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Faça-se menos política e mais administração nos muni- cípios, e o povo proteste sempre pelas suas regalias. {{c|---}} A eleição do juiz ordinário, vereadores, e procurador do concelho, quando algum falecia ou se livrava do cargo, era o Corregedor quem mandava proceder a ela, e os seus trâmites eram estes: a câmara designava o dia da eleição, sendo avisados para ela ''«as gentes da governança do concelho»'', afim de votarem «em acto de...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Faça-se menos política e mais administração nos muni-
cípios, e o povo proteste sempre pelas suas regalias.
{{c|---}}
A eleição do juiz ordinário, vereadores, e procurador
do concelho, quando algum falecia ou se livrava do cargo,
era o Corregedor quem mandava proceder a ela, e os seus
trâmites eram estes: a câmara designava o dia da eleição,
sendo avisados para ela ''«as gentes da governança do concelho»'', afim de votarem «em acto de Câmara» (em sessão), e no «pelourinho» afixava-se um edital para o mesmo efeito. Chegado o dia designado, deitava-se um «pregão», convidando «todos da governança», que estivessem presentes, a reunirem-se para dar o seu voto. Terminado o
pregão, começava a votação; e, feita esta, o juiz presidente mandava anunciar que, «se houvesse mais quem quizesse votar, viesse».
A seguir fazia-se o «regulamento» dos votos (escrutínio), o apuramento para cada eleito, e por último a proclamação do mais votado. Terminadas estas operações, passava-se mandado para notificar os eleitos definitivamente, afim de se apresentarem a prestar juramento e entrarem no exercício dos seus cargos, devendo, antes do juramento, apresentar «folha corrida».
{{c|---}}
O cargo de «procurador do concelho» parece que era
pouco apetecido, pois havia, quasi sempre, pedidos de
isenção ou reclamações para o não servirem.
--imagem--
{{c|ÍDOLO PRÉ-HISTÓRICO
(Fol encontrado pelo autor, em 1905, na porteleira de uma propriedade de bravio, que fica ao sul da região das antas, na serra da Boulhosa. Está agora no Museu Etnológico de Lisboa)}}<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''{{c|CAPÍTULO II Orografia}}''' ESTE concelho é, sensivelmente, montanhoso. Não só está separado dos circunvizinhos por uma verdadeira e continuada cinta de montes, senão também que, interiormente, é muito recortado por eles. Daqui, como é natural, os seus numerosos vales, abundância de águas e a variedade de paisagens, que o enfeitam de diversa maneira, sendo algumas extremamente impressionantes. Todos os montes desta região são...
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|CAPÍTULO II
Orografia}}'''
ESTE concelho é, sensivelmente, montanhoso.
Não só está separado dos circunvizinhos por uma verdadeira e continuada cinta de montes, senão também que, interiormente, é muito recortado por eles.
Daqui, como é natural, os seus numerosos vales, abundância de águas e a variedade de paisagens, que o enfeitam
de diversa maneira, sendo algumas extremamente impressionantes.
Todos os montes desta região são derivações das serras
da «Peneda» ou Suajo que, em Coura, constituem vasto
planalto. Não apresentam fragosas escarpas, nem cortes
rápidos e abruptos, mas ramificam-se, suavemente, em
todas as direcções, chegados aqui.
Em geral, o seu acesso é, relativamente, fácil e agra-
dável: encantador é o seu panorama.
''«S. Silvestre»'', a ''«Pena»'', o ''«Cotão»'', ''«Chã de Lamas»'', ''«Corno de Bico»'', ''«Carvalhal»'', ''«Travanca»'', a ''«Chã das<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|CAPÍTULO II
Orografia}}'''
ESTE concelho é, sensivelmente, montanhoso.
Não só está separado dos circunvizinhos por uma verdadeira e continuada cinta de montes, senão também que, interiormente, é muito recortado por eles.
Daqui, como é natural, os seus numerosos vales, abundância de águas e a variedade de paisagens, que o enfeitam
de diversa maneira, sendo algumas extremamente impressionantes.
Todos os montes desta região são derivações das serras
da «Peneda» ou Suajo que, em Coura, constituem vasto
planalto. Não apresentam fragosas escarpas, nem cortes
rápidos e abruptos, mas ramificam-se, suavemente, em
todas as direcções, chegados aqui.
Em geral, o seu acesso é, relativamente, fácil e agra-
dável: encantador é o seu panorama.
''«S. Silvestre»'', a ''«Pena»'', o ''«Cotão»'', ''«Chã de Lamas»'', ''«Corno de Bico»'', ''«Carvalhal»'', ''«Travanca»'', a ''«Chã das<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|CAPÍTULO II}}'''
'''{{c|Orografia}}'''
ESTE concelho é, sensivelmente, montanhoso.
Não só está separado dos circunvizinhos por uma verdadeira e continuada cinta de montes, senão também que, interiormente, é muito recortado por eles.
Daqui, como é natural, os seus numerosos vales, abundância de águas e a variedade de paisagens, que o enfeitam
de diversa maneira, sendo algumas extremamente impressionantes.
Todos os montes desta região são derivações das serras
da «Peneda» ou Suajo que, em Coura, constituem vasto
planalto. Não apresentam fragosas escarpas, nem cortes
rápidos e abruptos, mas ramificam-se, suavemente, em
todas as direcções, chegados aqui.
Em geral, o seu acesso é, relativamente, fácil e agra-
dável: encantador é o seu panorama.
''«S. Silvestre»'', a ''«Pena»'', o ''«Cotão»'', ''«Chã de Lamas»'', ''«Corno de Bico»'', ''«Carvalhal»'', ''«Travanca»'', a ''«Chã das<noinclude></noinclude>
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Ruiaraujo1972
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ''Pipas»'' e a ''«Boulhosa»'', etc., são outros tantos pontos, cujo horizonte se abre, ao largo, sob o docel anilado do espaço, em alpestres e campestres belezas, que seduzem e embriagam. Vamos percorrê-los, leitor amigo? Queres tonificar o pulmão com ar sadio da encosta, impregnado dos suaves eflúvios do rosmaninho? Deixa a Suissa, o estrangeiro, e vem ver o que é teu. Estuda, observa e admira o que tens ''de casa''. Valoriza o qu...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>''Pipas»'' e a ''«Boulhosa»'', etc., são outros tantos pontos, cujo horizonte se abre, ao largo, sob o docel anilado do espaço, em alpestres e campestres belezas, que seduzem e embriagam.
Vamos percorrê-los, leitor amigo?
Queres tonificar o pulmão com ar sadio da encosta, impregnado dos suaves eflúvios do rosmaninho?
Deixa a Suissa, o estrangeiro, e vem ver o que é teu. Estuda, observa e admira o que tens ''de casa''.
Valoriza o que a natureza - mãe pródiga - espontânea e liberalmente, te oferece, ''intra muros''.
Serei o ''«cicerone»'' e vamos a ''«S. Silvestre»'' de Venade, até junto da pequena ermida, em abóbada de granito, que, no alto - esquecida faroleira - tem reagido contra o açoite das tempestades. Está só, no ermo, a remirar-se nos vales de esmeralda, que lhe ficam aos pés, como que velando por eles, a microscópica edícula.
O pegureiro e o caçador saudam-na na sua passagem,
e ela - a solitária sentinela - fica a observar quem lhe
vai contornando a montanha ondulosa.
Um raio desprendeu-se das nuvens, há poucos anos, e
veio cair-lhe no dorso granítico; lascou-lhe as aduelas,
abriu-lhe fendas, derruiu-lhe o ''marco geodesico'', alçado
num cunhal posterior, mas não a prostrou!!<ref>Foi reparada neste ano (1907).</ref>
Vamos, pois, lá. Uma manhã de Junho, um modesto ''farnel'', um binóculo e... a caminho do monte de S. Silvestre.
{{c|***}}
Estamos no alto, a 734 metros acima do nível do mar.
Que soberbo espectáculo!
Ao largo, no último horizonte, por todos os lados,
formando continuados arcos de círculo, divisam-se as seguidas cordilheiras - austeras molduras -, em que se engasta este ridente e inconfundível retalho da nossa formosa província do Minho.
Que largueza de vistas para Valença, para a Galiza,
para Cerveira!
Lá estão as muralhas da praça de Valença, da antiga
''«Contrasta»'', enroscando-se e estrangulando a povoação
''términus'' do nosso país, em frente de Tuy. Mais para cá,
ainda no perímetro da praça, as novas e graciosas edificações da Esplanada, que dão a visão de pombas brancas, por aí pousadas.
Daqui vos saudo, bons e ilustres valencianos!
Além, um pouco mais para norte, repousa a sombria e
vetusta cidade das ''ninās'' - a prolífera fábrica galaica de padres - Tuy.
Ao fundo, entre as duas povoações fronteiriças, pode
ver o leitor aquela larga fita, que se esconde diante da
praça, para reaparecer, cá abaixo, pelo Tuydo, descrevendo pequenas curvas, por entre renques de choupos e salgueirais. É o rio Minho, que lhes está lambendo, languidamente, os pés e a dizer-lhes: ''«sois irmãs, mas independentes»''.
Para oeste, os largos pinheirais da bacia de Cerdal,
Fontoura e S. Pedro da Torre, serpeados por outra extensa<noinclude></noinclude>
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Ruiaraujo1972
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>''Pipas»'' e a ''«Boulhosa»'', etc., são outros tantos pontos, cujo horizonte se abre, ao largo, sob o docel anilado do espaço, em alpestres e campestres belezas, que seduzem e embriagam.
Vamos percorrê-los, leitor amigo?
Queres tonificar o pulmão com ar sadio da encosta, impregnado dos suaves eflúvios do rosmaninho?
Deixa a Suissa, o estrangeiro, e vem ver o que é teu. Estuda, observa e admira o que tens ''de casa''.
Valoriza o que a natureza - mãe pródiga - espontânea e liberalmente, te oferece, ''intra muros''.
Serei o ''«cicerone»'' e vamos a ''«S. Silvestre»'' de Venade, até junto da pequena ermida, em abóbada de granito, que, no alto - esquecida faroleira - tem reagido contra o açoite das tempestades. Está só, no ermo, a remirar-se nos vales de esmeralda, que lhe ficam aos pés, como que velando por eles, a microscópica edícula.
O pegureiro e o caçador saudam-na na sua passagem,
e ela - a solitária sentinela - fica a observar quem lhe
vai contornando a montanha ondulosa.
Um raio desprendeu-se das nuvens, há poucos anos, e
veio cair-lhe no dorso granítico; lascou-lhe as aduelas,
abriu-lhe fendas, derruiu-lhe o ''marco geodesico'', alçado
num cunhal posterior, mas não a prostrou!!<ref>Foi reparada neste ano (1907).</ref>
Vamos, pois, lá. Uma manhã de Junho, um modesto ''farnel'', um binóculo e... a caminho do monte de S. Silvestre.
{{c|***}}
Estamos no alto, a 734 metros acima do nível do mar.
Que soberbo espectáculo!
Ao largo, no último horizonte, por todos os lados,
formando continuados arcos de círculo, divisam-se as seguidas cordilheiras - austeras molduras -, em que se engasta este ridente e inconfundível retalho da nossa formosa província do Minho.
Que largueza de vistas para Valença, para a Galiza,
para Cerveira!
Lá estão as muralhas da praça de Valença, da antiga
''«Contrasta»'', enroscando-se e estrangulando a povoação
''términus'' do nosso país, em frente de Tuy. Mais para cá,
ainda no perímetro da praça, as novas e graciosas edificações da Esplanada, que dão a visão de pombas brancas, por aí pousadas.
Daqui vos saudo, bons e ilustres valencianos!
Além, um pouco mais para norte, repousa a sombria e
vetusta cidade das ''ninās'' - a prolífera fábrica galaica de padres - Tuy.
Ao fundo, entre as duas povoações fronteiriças, pode
ver o leitor aquela larga fita, que se esconde diante da
praça, para reaparecer, cá abaixo, pelo Tuydo, descrevendo pequenas curvas, por entre renques de choupos e salgueirais. É o rio Minho, que lhes está lambendo, languidamente, os pés e a dizer-lhes: ''«sois irmãs, mas independentes»''.
Para oeste, os largos pinheirais da bacia de Cerdal,
Fontoura e S. Pedro da Torre, serpeados por outra extensa
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: fita alvacenta - a estrada real n.º 24, e os campanários de brancas igrejas, e os campos em flor e as muitas serranias da Galiza, distendendo os colos até à ''«Guardia»''. Acentuado trecho de paisagem minhota! S. Silvestre! Foi no dia 31 de Dezembro, de há muitos anos, por formosíssimo dia, sereno, tranquilo, como tudo que jazia em redor da montanha, que eu presenciei - surpreendido e maravilhado - um fenómeno atmosférico, como só p...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>fita alvacenta - a estrada real n.º 24, e os campanários de
brancas igrejas, e os campos em flor e as muitas serranias
da Galiza, distendendo os colos até à ''«Guardia»''.
Acentuado trecho de paisagem minhota!
S. Silvestre!
Foi no dia 31 de Dezembro, de há muitos anos, por
formosíssimo dia, sereno, tranquilo, como tudo que jazia
em redor da montanha, que eu presenciei - surpreendido
e maravilhado - um fenómeno atmosférico, como só
poderá ser observado por quem, suspenso na barquinha
do balão, for subindo, subindo, subindo... até navegar
sobre o dorso doirado das altas nuvens, no estonteante
oceano do ar.
Um lençol enorme, para lhe não chamar mortalha, de
muitos quilómetros quadrados, feito de densos farrapos de
nevoeiro, alastrara, rapidamente, ao fundo, sobre a parte
baixa do concelho, direcção sul, chegando a Cerveira,
Caminha e serra d'Arga.
Debaixo desta farta túnica cinzenta devia existir a
sombra, a melancolia, porque ela interceptava a luz, os
raios solares: e por cima via eu, com os amigos que me
acompanhavam, ligeiras ondulações, como ténues vagas
do mar, onde se reflectia uma bela luz anil.
E estas ondulações apertavam-se em longas camadas
e eram súbtis, de ligeira gase, onde se espelhava o sol,
do alto.
Uma ''folha'' do grande livro da natureza, ostentando
duas páginas contraditórias - a treva e a luz!
Os campos, os montes, as águas, envolvidos naquela
mortalha de tristeza, existiam para mim, porque os retinha
na memória, que da vista tudo desaparecera, quasi instantaneamente, como cena de mágica; e contudo, ''na página superior'', lá estava «S. Silvestre», a capelita, a realidade, a luz.
Plena solidão, que não era bem a do mar, nem a do
espaço indefinido; pois não sugestionava a vertigem do
abismo, nem o receio da asfixia pela água.
Empolgante quadro!
A subida para o monte não é fadigosa, tomando-se o
caminho de ''Venade'', povoação serrana, da freguesia de
Ferreira, deitada ao sopé da montanha, que corre de norte
a sul.
A meia vertente, olhando para o meio dia, pode o meu
companheiro, imaginário, de jornada, observar as graciosas povoações de Formariz, Infesta e outras, as encostas
profusamente arborizadas, e as flexas de muitos campanários, encravados nos diversos canteiros deste jardim da natureza; e, na linha do extremo horizonte, envolvida em frouxa neblina azulada, a serra de Arga - a montanha santa -, tendo encostados a si, correndo na mesma direcção, os montes que se vão levantando de Romarigães e de S. Martinho de Coura, como bancadas sucessivas, assentes
em larga praça.
«Arga»! Outrora semeada de cenóbios, de grutas religiosas, de casas de oração, de anacoretas, que fugiam da cilada social, para ali, por entre fráguas afiadas, conversarem, no silêncio do ermo, com a Divindade!
«Arga»! O ''altíssimo monte'', de que reza a Divisão dos
Condados de D. Fernando, de Leão, e onde, no século VI,
The fazia sentinela, em alcantilado píncaro, o ''Mosteiro
Máximo!''
Foi nesta montanha, reza a lenda, que o ''«Aginha»'' -
emérito salteador - redimiu os seus crimes, pelo martírio.
59<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>fita alvacenta - a estrada real n.º 24, e os campanários de
brancas igrejas, e os campos em flor e as muitas serranias
da Galiza, distendendo os colos até à ''«Guardia»''.
Acentuado trecho de paisagem minhota!
S. Silvestre!
Foi no dia 31 de Dezembro, de há muitos anos, por
formosíssimo dia, sereno, tranquilo, como tudo que jazia
em redor da montanha, que eu presenciei - surpreendido
e maravilhado - um fenómeno atmosférico, como só
poderá ser observado por quem, suspenso na barquinha
do balão, for subindo, subindo, subindo... até navegar
sobre o dorso doirado das altas nuvens, no estonteante
oceano do ar.
Um lençol enorme, para lhe não chamar mortalha, de
muitos quilómetros quadrados, feito de densos farrapos de
nevoeiro, alastrara, rapidamente, ao fundo, sobre a parte
baixa do concelho, direcção sul, chegando a Cerveira,
Caminha e serra d'Arga.
Debaixo desta farta túnica cinzenta devia existir a
sombra, a melancolia, porque ela interceptava a luz, os
raios solares: e por cima via eu, com os amigos que me
acompanhavam, ligeiras ondulações, como ténues vagas
do mar, onde se reflectia uma bela luz anil.
E estas ondulações apertavam-se em longas camadas
e eram súbtis, de ligeira gase, onde se espelhava o sol,
do alto.
Uma ''folha'' do grande livro da natureza, ostentando
duas páginas contraditórias - a treva e a luz!
Os campos, os montes, as águas, envolvidos naquela
mortalha de tristeza, existiam para mim, porque os retinha
na memória, que da vista tudo desaparecera, quasi instantaneamente, como cena de mágica; e contudo, ''na página superior'', lá estava «S. Silvestre», a capelita, a realidade, a luz.
Plena solidão, que não era bem a do mar, nem a do
espaço indefinido; pois não sugestionava a vertigem do
abismo, nem o receio da asfixia pela água.
Empolgante quadro!
A subida para o monte não é fadigosa, tomando-se o
caminho de ''Venade'', povoação serrana, da freguesia de
Ferreira, deitada ao sopé da montanha, que corre de norte
a sul.
A meia vertente, olhando para o meio dia, pode o meu
companheiro, imaginário, de jornada, observar as graciosas povoações de Formariz, Infesta e outras, as encostas
profusamente arborizadas, e as flexas de muitos campanários, encravados nos diversos canteiros deste jardim da natureza; e, na linha do extremo horizonte, envolvida em frouxa neblina azulada, a serra de Arga - a montanha santa -, tendo encostados a si, correndo na mesma direcção, os montes que se vão levantando de Romarigães e de S. Martinho de Coura, como bancadas sucessivas, assentes
em larga praça.
«Arga»! Outrora semeada de cenóbios, de grutas religiosas, de casas de oração, de anacoretas, que fugiam da cilada social, para ali, por entre fráguas afiadas, conversarem, no silêncio do ermo, com a Divindade!
«Arga»! O ''altíssimo monte'', de que reza a Divisão dos
Condados de D. Fernando, de Leão, e onde, no século VI,
The fazia sentinela, em alcantilado píncaro, o ''Mosteiro
Máximo!''
Foi nesta montanha, reza a lenda, que o ''«Aginha»'' -
emérito salteador - redimiu os seus crimes, pelo martírio.<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Será esta a serra ''Medullio'' dos romanos?<ref>«Portugal Ant. e Moderno», vol. 5.º, pág. 157: «Era, pois, o monté Medulio no paiz dos Bracaros e segundo as suas confrontações...não pode deixar de ser a actual serra de Arga». Nesta serra existem muitos vestígios de edifícios e fortificações, e até da célebre ''«cava»'', de que fala Orosio. Esta ''«cava»'' tinha 4 léguas de extensão e foi mandada fazer pelos legados romanos Antistio e...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Será esta a serra ''Medullio'' dos romanos?<ref>«Portugal Ant. e Moderno», vol. 5.º, pág. 157: «Era, pois, o monté Medulio no paiz dos Bracaros e segundo as suas confrontações...não pode deixar de ser a actual serra de Arga».
Nesta serra existem muitos vestígios de edifícios e fortificações, e até da célebre ''«cava»'', de que fala Orosio. Esta ''«cava»'' tinha 4 léguas de extensão e foi mandada fazer pelos legados romanos Antistio e Firmio,
para dominarem e vencerem muita gente que se tinha refugiado na serra».</ref> Ficar-lhe-ia por certo a antiga cidade de «Benis», se teve existência real?<ref>Argote, «De Antiquitatibus», pg. 122.</ref>
Caminho de Insalde, rumo nordeste e vamos seguindo para um dos pontos mais altos do concelho - o cerro do ''«Cotão»'' por entre fechadas e frescas devezas de umbrosas carvalheiras, que nos protegem contra a incidência
afogueada dos raios solares, que se esbatem no copado arboredo.
Estamos na serra da ''Boulhosa'', caminho do ''Estremo''.
As ''pilecas'', ofegantes pelo calor de Julho, vão chouteando, cadenciadamente, insensíveis ao acicate.
Duzentos metros mais e defrontaremos com o ''Cotão'',
que será o ''términus'' da nossa caminhada.
A trilha, aberta na macia relva, é suave e dá a impressão de fofo tapete.
Apear, pois; e as montadas irão forragear no verde e
aromático feno do ''cerrado'' próximo.
Nós - eu e o amável leitor - iremos subindo o resto
da encosta noroeste, a pé.
Eis-nos no alto do cabeço, a 844 metros de altitude.
Horizonte desafogado, largo, interessante e variado na
paisagem, tintas e colorido.
É esta a primeira impressão ao evolucionar da vista,
sem a prender, nos seus voos rápidos, às multiplices tonalidades do majestoso espectáculo, que nos deslumbra.
A leste, os massiços da ''Peneda'' e de ''Melgaço'', onde se vislumbram uns lugarejos, meio escondidos nos seus recortes e ravinas.
A sudoeste, como que caindo das montanhas, começam
a desenhar-se as várzeas do concelho dos Arcos de Valdevez,
as quais vão seguindo duas sinuosidades esfumadas - o
rio Vez e a estrada para Monção. - ''Cabreiro, Vilela, Gondoriz, Couto, Ázere'' e ''Giela'', são freguesias que se estendem, graciosamente, na margem esquerda do rio, cujas águas se tingiram de sangue, diz a tradição, na ''«Veiga da matança»'', pouco abaixo da vila, quando ali se feriu uma «batalha» entre portugueses e castelhanos<ref>Teve lugar entre as forças de D. Afonso Henriques e Afonso VII de Castela em 25 de Junho de 1128. Dizem outros que não foi batalha, mas um recontro, apenas.</ref>.
Ao largo, para o sul, a antiga vila de ''Vice'', da qual
conservo saudosa recordação, desde os tempos em que
nela fiz a iniciação da aprendizagem do ''«qui, quae, quod»'', na aula régia do ríspido professor José Maria da Cunha, em 1863-1864.
A minha pousada era na casa de uns bons parentes
meus, da freguesia de Giela, que me receberam e trataram
amoravelmente e cujo chefe tinha sido sargento miliciano
de D. Miguel, a quem serviu não platonicamente, mas
batendo-se nas campanhas fratricidas, donde trouxe duas
formosas condecorações: uma bala de fuzil, num pulso, e
{{rule}}<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: dois dedos de menos, num pé, que o estilhaço de uma granada lhe amputara. A enfeitar tudo isto, feroz reumatismo o acompanhou à vala comum. Todos os dias fazia eu o itinerário regulamentar para a vila pelo pontelhão da Valeta. Às vezes, porém, na quadra invernosa, o río engrossava tanto, que tomava impossível a passagem a pé enxuto, porque as águas, galgando o pontelhão, dificultavam a sua travessia. Valia-me então, quando a torment...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>dois dedos de menos, num pé, que o estilhaço de uma
granada lhe amputara. A enfeitar tudo isto, feroz reumatismo o acompanhou à vala comum.
Todos os dias fazia eu o itinerário regulamentar para
a vila pelo pontelhão da Valeta.
Às vezes, porém, na quadra invernosa, o río engrossava tanto, que tomava impossível a passagem a pé enxuto,
porque as águas, galgando o pontelhão, dificultavam a sua
travessia.
Valia-me então, quando a tormenta me surpreendia na vila, um bom e santo comerciante - António Vaz -, que punha à minha disposição um seu ''marçano'', sobre os
ombros do qual eu cavalgava, para transpor o difícil pego.
À memória, pois, do honrado comerciante aqui deixo o testemunho, agradecido, da minha veneração, pelos favores
que ele e os seus dispensaram ao bisonho «caloiro».
Na aula de gramática latina foi meu primeiro ''«decurião»''
o Sr. Teixeira de Queiroz - um laureado nas Letras -
que nelas se chama Bento Moreno.
Por isso, ainda quero muito à terra de Valdevez, embora não me lembre se o meu decurião me alumiou, por fortuna, o caminho do estudo com os olhos da milagrosa Santa Luzia, cujo culto se dilatava, então, por todo o país, tendo, aliás, no distinto professor fervoroso devoto.
Se fora vivo, podia depor, sobre o facto, o Padre Francisco Sequeiros, da casa de Vidão, em Coura, cujas
mãos, por causa de certa lição, não ficaram em ''lençois de vinho'', mas da cor do mais retinto, que produz esta bela região.
Aí está, porém, o dr. António J. Alves de Melo, Director
não sei de que Escola na terra das ''clássicas frigideiras'' - Braga -, e o também dr. Silvestre Saraiva, já então valentaço, que, se forem chamados à barra, hão-de sustentar, ''convictos'', esta tese: «O professor José María da Cunha era tão bom latinista, como destro adorador da ''férula''.»
Silvestre Saraiva, porém, levava-nos as lampas nos ''santos exercícios ferulenses:'' se não tinha, parecia que as palmas das mãos estavam forradas de sola.
Era impassível no martírio!
Bons amigos, perdoai a minha tagarelice: quiz, apenas,
registar, aqui, os vossos nomes e, com eles, o da vossa
terra natal, de que não posso, nem devo esquecer-me.
Continuando: O «Cotão», como gigante selvagem, vai
alongando os braços, ingentes, pelo concelho de Coura, e,
na sua passagem, abraça, em largos amplexos, as povoações que encontra até ao mar, tomando diferentes nomes.
É severo, cheio de imponência e majestade, o panorama que ele nos oferece; e quem aí estiver, quando o sol vai atufar-se nas salsas águas, verá por uma nesga do horizonte, aberta por entre montanhas, como que uma
enorme fogueira, de clarões avermelhados, na direcção de
Caminha.
É o grande espelho do oceano, reflectindo as últimas
fulgurações sanguíneas do astro-rei.
Não se traz do «Cotão» a impressão de uma paisagem
delicada, fina, burilada em moldes de miniatura, senão a
repercussão de um quadro austero, empolgante pelo rasgado das linhas e largueza de contornos.
Faz lembrar um Sinai, trovejando na sarça.
Perante este espectáculo, quasi se chega a desculpar um assomo panteísta.<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A ''«Pena»'' é uma ondulação, arremessada para ali pelo monte do ''Crasto''. Serve de anteparo à freguesia de Moselos, para a resguardar das ingratas rajadas do norte. --imagem-- Capela da Pena Cortada quasi a pique sobre ela, é indispensável costear, até ao pino, a eminência, para se poder avaliar, com justeza, das variadas tonalidades campesinas desta região. Que fértil e larga bacia, constituída pelo ubérrimo solo das freguesia...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>A ''«Pena»'' é uma ondulação, arremessada para ali pelo monte do ''Crasto''.
Serve de anteparo à freguesia de Moselos, para a resguardar das ingratas rajadas do norte.
--imagem--
Capela da Pena
Cortada quasi a pique sobre ela, é indispensável costear, até ao pino, a eminência, para se poder avaliar, com
justeza, das variadas tonalidades campesinas desta região.
Que fértil e larga bacia, constituída pelo ubérrimo
solo das freguesias de Moselos, Formariz, Paredes, Cristelo
e Parada, (na sua parte baixa), toda ela burilada por
longos fios de água, que vão enrelvando a pradaria!
Além, para o sul, no contraforte do pequeno monte da
''Cotaleira'', alveja a vila de Paredes de Coura, muito lavada, muito limpa e... muito remoçada, como que a sorrir-se para o forasteiro que, da Pena, estivesse a fotografar-lhe as suas feições novas.
O horizonte é adorável.
Por entre os longos maciços do arvoredo, saltitados de
casas e capelitas de neve, aparecem trechos de verdura,
fazendo o fundo filigranado deste canteiro virgiliano -
desta «natureza que parece cantada», como disse João
Chagas<ref>«Primeiro de Janeiro», ano 38.º, n.º 208, de 2 de Novembro de 1906, «As minhas razões».</ref>.
Quem olhar para baixo, para a raiz do monte, pensa
estar à beira de um grande berço, feito de esmeraldas.
Dá vontade de ficar ali, a gastar os olhos nesta zona
encantadora.
Visitar este concelho e não ir ao monte da ''Pena'', é
como entrar num jardim às escuras. Ide lá, de verão.
{{c|---}}
O ''«Corno de Bico»'', a 889 metros sobre o nível do mar,
é a Sibéria desta região, pois é nele que pousam os nevões
com mais frequência, posto que pouca demora. Corre a
leste, na linha norte-sul.
De longe, afigura-se árido, invio e pesado, e contudo o
solo contém muito ''húmus'', e é vivificado por muitas nascentes, de boas águas, que, decorrendo pelas ravinas, o
tornariam apto para a cultura.
A sua encosta poente, voltada para este concelho,
armada de longos giestais, é na primavera um interessante
retalho de paisagem, enflorado de amarelo.
Coroado de enormes blocos de granito, o ''«Corno de''
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Ruiaraujo1972
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>A ''«Pena»'' é uma ondulação, arremessada para ali pelo monte do ''Crasto''.
Serve de anteparo à freguesia de Moselos, para a resguardar das ingratas rajadas do norte.
--imagem--
Capela da Pena
Cortada quasi a pique sobre ela, é indispensável costear, até ao pino, a eminência, para se poder avaliar, com
justeza, das variadas tonalidades campesinas desta região.
Que fértil e larga bacia, constituída pelo ubérrimo
solo das freguesias de Moselos, Formariz, Paredes, Cristelo
e Parada, (na sua parte baixa), toda ela burilada por
longos fios de água, que vão enrelvando a pradaria!
Além, para o sul, no contraforte do pequeno monte da
''Cotaleira'', alveja a vila de Paredes de Coura, muito lavada, muito limpa e... muito remoçada, como que a sorrir-se para o forasteiro que, da Pena, estivesse a fotografar-lhe as suas feições novas.
O horizonte é adorável.
Por entre os longos maciços do arvoredo, saltitados de
casas e capelitas de neve, aparecem trechos de verdura,
fazendo o fundo filigranado deste canteiro virgiliano -
desta «natureza que parece cantada», como disse João
Chagas<ref>«Primeiro de Janeiro», ano 38.º, n.º 208, de 2 de Novembro de 1906, «As minhas razões».</ref>.
Quem olhar para baixo, para a raiz do monte, pensa
estar à beira de um grande berço, feito de esmeraldas.
Dá vontade de ficar ali, a gastar os olhos nesta zona
encantadora.
Visitar este concelho e não ir ao monte da ''Pena'', é
como entrar num jardim às escuras. Ide lá, de verão.
{{c|---}}
O ''«Corno de Bico»'', a 889 metros sobre o nível do mar,
é a Sibéria desta região, pois é nele que pousam os nevões
com mais frequência, posto que pouca demora. Corre a
leste, na linha norte-sul.
De longe, afigura-se árido, invio e pesado, e contudo o
solo contém muito ''húmus'', e é vivificado por muitas nascentes, de boas águas, que, decorrendo pelas ravinas, o
tornariam apto para a cultura.
A sua encosta poente, voltada para este concelho,
armada de longos giestais, é na primavera um interessante
retalho de paisagem, enflorado de amarelo.
Coroado de enormes blocos de granito, o ''«Corno de''
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ''Bico»'' faz lembrar, visto de distância, uma fortaleza desmoronada, um desmantelado ''Castrum''. Nunca há-de esquecer-me que, ao atravessar da freguesia de Miranda para a de Castanheira, fui surpreendido, nesta montanha por nevoeiro tão intenso e cerrado, que, perdido o caminho e desnorteado, andei errante desde as 5 horas da tarde até às 11 da noite, sempre à espera de ir de encontro a um dos seus penedos, ou de ser sepultado vivo...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>''Bico»'' faz lembrar, visto de distância, uma fortaleza desmoronada, um desmantelado ''Castrum''.
Nunca há-de esquecer-me que, ao atravessar da freguesia de Miranda para a de Castanheira, fui surpreendido,
nesta montanha por nevoeiro tão intenso e cerrado, que,
perdido o caminho e desnorteado, andei errante desde as 5
horas da tarde até às 11 da noite, sempre à espera de ir de
encontro a um dos seus penedos, ou de ser sepultado vivo
nas guelas de algum barranco, aberto pelas águas!
A nevoeirada transformara-se, depois, em catadupas
pesadíssimas, que me fizeram crer que de novo se tinham
aberto as cataratas bíblicas. As trevas eram as do abismo,
as torrentes faziam-me prever que, como a barca de Noé,
eu seria levado por elas, visto não haver meio de poder
alcandorar-me no próprio ''«Corno de Bico»'', que talvez seja algum bloco, que por lá ficasse com esta configuração e donde o monte tirasse o nome.
Uma ânsia horrorosa! ''«Horresco referens»''!
Que longas e infinitas horas! Ensopado em água até à
medula, sem uma réstea de luz para me nortear, sem uma
estrela que me alumiasse, preso à rédea da montada, da
qual, prudentemente, tinha apeado, sentia-me desfalecer,
lembrando-me de que, para cúmulo de desgraças, podia
ser triturado nas fauces de algum lobo, que também os
havia na hórrida montanha.
O acaso, porém, bendito seja ele! depois de tanta
ansiedade, precipícios e perigos, que tinham posto em
jogo a minha vida, deparou-me uma quebrada, onde, havia
anos, eu passara, com o meu parente e amigo dr. António
Pereira de Sousa, considerado médico em Melgaço, caçando
às perdizes, a qual me foi pista para poder abordar à
igreja de Bico.
Agora desforço-me, imprecando este «Corno de Bico»
com todas as maldições do Averno e previno o meu benevolente leitor de que tenha cuidado com ele em dias
nevoeirentos.
Quem sabe se outra vítima lhe atirou para cima da
lombada com a denominação que tem, decerto anátema
cruel?
«Corno de... Bico»!
''Dois qualificativos''... para ficar bem patente a sua
índole traiçoeira.
'''{{c|Travanca}}'''
Manhã tépida e carinhosa. Avesitas a gorjear os hinos
da primavera; o mês das flores e das lavradas: Maio.
Vamos à «Travanca»? É ao sul e corre de leste a oeste.
Saúdo-te, histórica montanha e quisera beijar-te! porque
tu e a humilde capelinha de Cerdeira<ref>Povoação montanhosa da freguesia de Cunha, situada na encosta da Travanca.</ref> sois as testemunhas seculares que, atravessando as idades, ides relembrando um glorioso feito de guerra da antiga alma portuguesa, que teve por teatro a encosta leste da montanha!
A religião da natureza e a religião do altar deram-se
as mãos para testificar da valentia de nossos pais, quando
nos memoráveis dias 9 e 10 de Agosto de 1662, sob as
ordens do Conde do Prado D. Francisco de Sousa, batiam
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Ruiaraujo1972
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: aqui as forças de Castela, comandadas por Roxas e Pantoja<ref>Em 1663 o mesmo Conde invadiu a Galiza e conquistou Goyan, povoação fronteira a Vila Nova de Cerveira. Em 1665 o general português João da Cunha Sotto-Maior, com 300 soldados de cavalaria e 200 de infantaria, bateu D. Inigo Fernandes de Velasco, Vice-Rei da Galiza. Em Junho do mesmo ano, o mesmo Conde do Prado atravessou o Minho em uma ponte de barcas, em direcção à Guardia...
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>aqui as forças de Castela, comandadas por Roxas e
Pantoja<ref>Em 1663 o mesmo Conde invadiu a Galiza e conquistou Goyan, povoação fronteira a Vila Nova de Cerveira.
Em 1665 o general português João da Cunha Sotto-Maior, com 300 soldados de cavalaria e 200 de infantaria, bateu D. Inigo Fernandes de Velasco, Vice-Rei da Galiza. Em Junho do mesmo ano, o mesmo Conde do Prado atravessou o Minho em uma ponte de barcas, em direcção à Guardia, ameaçada pelo general espanhol, que não aceitou batalha. Em Outubro do mesmo ano, também o Conde, deixando Scomberg na província de Entre Douro e Minho, passou outra vez à Galiza, saqueou o Rozal, caminhou sobre ''Bayona'' e ''Bouças'', perto de Vigo, sendo esperado em ''S. Colmado'' pelo general espanhol D. Luiz Poderico, que fugiu, apenas avistou o exército português. Então o Conde seguiu para o ''Porrinho'', que incendiou, e destruiu as suas fábricas de farinhas e biscoito, donde se abastecia o exército espanhol. Flanqueou para o sul e caiu sobre a Guardia, pondo-lhe cerco, que fechou em 12 de Novembro. Depois desta
lição aos espanhóis, voltou o Conde à sua província.</ref>.
''«O monumento»'' não condiz com a grandeza do feito, mas é eloquente bastante para fazer evocar, com veneração, a memória dos valentes portugueses que aqui selaram
com sangue generoso a vitória das nossas armas.
Por isso, saúdo-te, gloriosa estância e quisera beijar-te!
A «Travanca»! Foi na sua vertente leste que, em 1662, se feriram os combates dos dias 9 e 10 de Agosto<ref>Devo a informação particular do Sr. Cunha Brandão as referências que vão seguir-se, extraidas dum escrito seu, destinado a ser publicado no aniversário destes combates.</ref>.
Não temos informações minuciosas acerca deles, fornecidas pela história militar ou pelas crónicas coevas e posteriores. Contudo, pelos relatos que se encontram na Torre do Tombo<ref>«Consultas» ao Conselho de Guerra de 1662.</ref> e por notícias avulsas, sabe-se que os combates da Travanca foram precedidos, acompanhados e seguidos de importantes evoluções táctico-estratégicas pelos montes deste concelho e pelos vales do Minho e do Vez; que os habitantes de Coura, capitaneados por António
Pereira da Cunha, não só secundaram, brilhantemente, as
tropas de linha, mas empregaram, durante alguns meses,
--imagem do lado esquerdo --
Histórica capela de Cerdeira
os mais generosos esforços para sustentar as mesmas a tropas; que morreram cerca de 1.500 inimigos: que o quartel general do Conde do Prado se achava instalado na Boulhosa sobre o Estremo a 28 de Julho; que no relatório deste dia participou ao Conselho de guerra a ocupação daquela posição para «cobrir todas as freguesias de Coura, sem as quais se não pode sustentar o exército»; que em 2 de Agosto estava o quartel general em Paredes, tendo esta data o relatório de um pequeno combate junto à Gandra de Prozelo, nos Arcos, e bem assim das providências adoptadas para cobrir Coura e Valença, visto Pantoja aproximar-se do Estremo; e, finalmente, que foi em Paredes que o Conde escreveu o relatório dos referidos combates da Travanca.
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Ruiaraujo1972
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A modesta capela de Cerdeira é o seu padrão: não nos maravilha pela imponència do alçado, mas é motivo de desvanecimento para esta terra, que tantos serviços prestou ǎ pátria, durante a guerra da Restauração. Cumpre, pois, não descurar a conservação desta relíquia veneranda - a capela de S. Lourenço de Cerdeira; e à Câmara Municipal incumbe velar por ela, como padrão de glórias concelhias. Acresce que o espírito popular, para explica...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>A modesta capela de Cerdeira é o seu padrão: não nos
maravilha pela imponència do alçado, mas é motivo de
desvanecimento para esta terra, que tantos serviços prestou
ǎ pátria, durante a guerra da Restauração.
Cumpre, pois, não descurar a conservação desta relíquia veneranda - a capela de S. Lourenço de Cerdeira; e
à Câmara Municipal incumbe velar por ela, como padrão
de glórias concelhias.
Acresce que o espírito popular, para explicar, em
certo modo, a importância do feito, bordou-o com uma
lenda maravilhosa, ainda conservada na tradição local,
como pessoalmente verifiquel.
A lenda é esta: a batalha da Travanca iniciara-se a 9
de Agosto, ficando indecisa. Na noite de 9 para 10 apareceram iluminadas, miraculosamente, as pontas do gado
manadio, que pascia no monte e que, então, costumava
ser muito numeroso. O inimigo, observando o estranho
caso, supôs serem soldados portugueses com luzes; e intimidado com ''tamanho exército'', bateu em retirada no dia 10, sempre acossado pelos nossos.
Foi S. Lourenço, continua a lenda, que, por esta forma,
quis assinalar o dia que a Igreja lhe consagra (10 de
Agosto), manifestando-se a favor dos portugueses<ref>Esta lenda não é privativa desta localidade (Vide freguesia de Cunha).</ref>.
{{c|---}}
Esboçada a parte histórica da Travanca, vamos à sua crista - a 702 metros de altitude.
Domina esta serra todo o baixo concelho, servindo-
-lhe como que de ''atalaia''; e do ponto em que nos encontramos, o seu horizonte abarca grande parte dos concelhos de Cerveira e Ponte do Lima. O horizonte é, com efeito, largo, mas o que, principalmente, prende a nossa observação de ''«touriste»'' são os montes internos do concelho. Dir-se-ia uma grande tela coberta de ondulações.
O melhor percurso para a Travanca é a estrada municipal desta vila a Ponte do Lima, pois, apeando-se na «Bouça Redonda» (limite entre os dois concelhos), está-se
na encosta leste da serra.
{{c|***}}
Como estamos perto, sigamos para o ''«Carvalhal»'', continuação poente da Travanca.
No regresso, viremos ao moinho do Túmio, para tomarmos, em Cunha, o carro que nos levará à vila, onde nos espera a hospedagem da Sr.a Miquelina, que manda servir aos seus hóspedes abundantes e suculentas refeições, já reclamadas pelo rebate da nossa viscera estomacal, cujo funcionamento se apressou com o passeio e com o ar puro, tonificante, da montanha.
E, depois; a boa hospedeira está para a nossa terra como o antigo ''Matta'' para Lisboa: quer que a sua clientela coma bem.
Mas vejamos o monte do Carvalhal: defronta com a serra do ''Formigoso'', havendo entre ambos duas ''Portelas'' - a
grande e a pequena, - que dão comunicação deste concelho
para o de Ponte do Lima.
Ali, abaixo, estão fugindo para o ar as flechas de dois
campanários, que parece nascerem da copa escura dos
pinheirais da encosta sul.
É o majestoso templo do ''Socorro'', onde no 1.º Domingo
de Julho tem lugar a afamada romaria deste nome, na
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: qual, em tempos idos, se fazia a exibição das ''«papas de Coura»'', que as nossas mães sabiam preparar com incontestada mestria culinária e oferecer, em alvas toalhas de linho, com graciosa gentileza. Creio que os nossos vizinhos limarenses ainda se lembrarão delas - das lendárias papas - preparadas em butiroso leite com o milho alvo, descascado. Além, para o sul, beijada pelo rio ''Lima'', denuncia-se intensa aglomeração de casaria...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>qual, em tempos idos, se fazia a exibição das ''«papas de Coura»'', que as nossas mães sabiam preparar com incontestada mestria culinária e oferecer, em alvas toalhas de linho, com graciosa gentileza.
Creio que os nossos vizinhos limarenses ainda se lembrarão delas - das lendárias papas - preparadas em butiroso leite com o milho alvo, descascado.
Além, para o sul, beijada pelo rio ''Lima'', denuncia-se
intensa aglomeração de casaria branca: é a vila de Ponte
do Lima, a donairosa castelã do Marquês, a mais risonha
e sugestiva povoação do distrito de Viana do Castelo.
Está a remirar-se, de envaidecida, nas águas de cristal
do seu poético rio, como uma noiva, toucada de branco,
embebecida na contemplação, indiscreta, das suas galas
nupciais.
Adorável este raio visual!
Há bons anos, percorri este monte de arma ao ombro e perdigueiro ao lado, em excursão cinegética.
Trouxe, porém, de lá uma grande impressão de tristeza
e melancolia.
Foi o caso que, ao passar junto de umas ramificadas
''«luras»'' de coelhos, com grandes ''«portas»'', referiu-me o meu companheiro um caso de ferocidade humana, que me
enoiteceu a alma.
Dissera ele que, havia poucos anos, tinha aparecido
dentro duma daquelas ''«portas»'', o cadáver de um infeliz,
que fora assassinado na próxima freguesia de Rendufe,
(Ponte do Lima) e depois conduzido, ''pelo próprio assassino'', para aquele sinistro esconderijo, ficando ali à mercê da cainçada esfaimada!
Arrepiaram-se-me as carnes, fiquei estarrecido ao ouvir
contar o fúnebre caso e julguei-me à beira de um repositório de ossadas, em terra de cafres, bandidos, ou canibais.
Horroroso!
Hoje, nem armado... para a caça, ousaria ir ao sítio.
{{c|***}}
Mais para o poente da Portela Grande fica a ''Portela Pequena'', onde começam a encontrar-se vestígios e restos
da ''via militar romana'' de Braga para Astorga, na Galiza.
Quem seguir deste ponto para o sul, verá uns ''cortes'', a
meia encosta da vertente leste da serra do Formigoso, con-
tornando os acidentes da montanha, sempre com regular e
''estudada inclinação'', até se perderem de vista numa grande curva, correspondente a uma ondulação do terreno, na
proximidade da igreja da Labruja.
O traçado desta ''via'', procurando flanquear suavemente
a encosta, desenvolve-se, desde o fundo, até dominar a
passagem desta Portela. O leito esboroado, e, em partes,
cortado por caminhos que se dirigem ao monte, e noutras,
coberto pela camada de terra, que a acção das chuvas tem
arrastado e depositado nele, ainda apresenta pequenos
trechos de empedrado.
Próximo do lugarejo da ''Cámboa'', pertencente áquela
freguesía, caminho da Portela, há uma ''curva'', bastante
apertada, que foi aberta na rocha a picão. Na distância de
todo o lugarejo desaparece a ''via'', naturalmente por ter
sido cultivado o seu leito.
A ''«Cámboa»'', pequena e pobríssima povoação serrana,
jaz escondida numa funda ravina da mencionada encosta
do Formigoso. Vêem-se lá ruínas de muitos edifícios -
pequenas e acanhadas casas, - muito juntas, de configuração rectangular.<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Dentro de uma, que havia sido desobstruída, internamente, pouco tempo antes da minha inspecção, (como denunciava o entulho espalhado à porta) para ser adaptada a curral de cabras, ficou a descoberto, no pavimento, uma pedra, configuração de mó, com orificio incompleto ao centro. Afigura-se-me estação arcaica, que merece estudo. Foi no dia 20 de Outubro de 1905 que, com os meus amigos José Guerreiro, inteligente professor da escola de...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Dentro de uma, que havia sido desobstruída, internamente, pouco tempo antes da minha inspecção, (como denunciava o entulho espalhado à porta) para ser adaptada a curral de cabras, ficou a descoberto, no pavimento, uma pedra, configuração de mó, com orificio incompleto ao centro. Afigura-se-me estação arcaica, que merece estudo.
Foi no dia 20 de Outubro de 1905 que, com os meus
amigos José Guerreiro, inteligente professor da escola de
Rubiães, e José Bacelar, distinto secretário da administração deste concelho, descobri estes restos da ''«via militar»''<ref>Voz de Coura», 3.º ano, n.º 108.</ref>.
{{c|---}}
A sudoeste da mesma Portela Pequena levanta-se alto cabeço, a que se chama ''«Cidade murada»'', onde se encontra extensa linha de pedras soltas, que dão a ideia de terem ruído de algum muro.
O sítio - amplo ponto de vista - domina a mencionada
Portela e todo o vale adjacente da freguesia de Romarigães.
Ao sul do cabeço estende-se espaçoso terreno plano,
bem próprio para edificações, cuja existência aí, em tempos
remotíssimos, não repugna admitir, em vista da muita pedra faceada que por lá se vê. E esta hipótese está em concordância com a toponímia local e com a tradição oral.
Chamo para este ponto a atenção dos arqueólogos.
'''{{c|Chã das Pipas}}'''
Não vai longe que as excursões da ''élite'' courense se
faziam, de preferência, para o monte da ''Chã das Pipas'',
continuação poente da serra da Boulhosa.
Esta preferência era justificada.
A ''Chã das Pipas'' como que serve de docel ao lendário ''Castelo da Furna'', e tem diferentes altitudes. As marcadas na carta topográfica são de 621, 629 e 666 metros <ref>Carta topográfica, n.º 1, da Comissão geodésica.</ref>.
É verdadeiramente deslumbrante o panorama da «Chã das Pipas».
A feracíssima bacia de Monção, o rio Minho, a Galiza
com os seus esfumados montes, as ribeiras, os templos, as
estradas, os largos maciços de pinheirais, desenham painel
tão o brincado de luz, de belezas, de fascinações, que dá
vontade de ficar ali.
Lá fora, ao longe, para o norte, as montanhas galaicas,
fechando o horizonte como extensa faixa de mar: mais para cá, um pouco contra o rio internacional, vão-se fixando,
mais nítidos, os verdejantes vales, os casais, as povoações.
Que modalidades!
O que ao largo é nebuloso e indefinido, acentua-se,
determina-se, à medida que o raio visual se torna mais
restrito.
As enormes massas graníticas, escuras, das serranias
longinquas, são substituídas por outras, de formas precisas, que se levantam na margem galega. E aí mesmo, divisa-se uma longa faixa branca, qual muro de quinta de burguês rico: é a risonha povoação das ''*Niéves»''.
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Dentro de uma, que havia sido desobstruída, internamente, pouco tempo antes da minha inspecção, (como denunciava o entulho espalhado à porta) para ser adaptada a curral de cabras, ficou a descoberto, no pavimento, uma pedra, configuração de mó, com orificio incompleto ao centro. Afigura-se-me estação arcaica, que merece estudo.
Foi no dia 20 de Outubro de 1905 que, com os meus
amigos José Guerreiro, inteligente professor da escola de
Rubiães, e José Bacelar, distinto secretário da administração deste concelho, descobri estes restos da ''«via militar»''<ref>«Voz de Coura», 3.º ano, n.º 108.</ref>.
{{c|---}}
A sudoeste da mesma Portela Pequena levanta-se alto cabeço, a que se chama ''«Cidade murada»'', onde se encontra extensa linha de pedras soltas, que dão a ideia de terem ruído de algum muro.
O sítio - amplo ponto de vista - domina a mencionada
Portela e todo o vale adjacente da freguesia de Romarigães.
Ao sul do cabeço estende-se espaçoso terreno plano,
bem próprio para edificações, cuja existência aí, em tempos
remotíssimos, não repugna admitir, em vista da muita pedra faceada que por lá se vê. E esta hipótese está em concordância com a toponímia local e com a tradição oral.
Chamo para este ponto a atenção dos arqueólogos.
'''{{c|Chã das Pipas}}'''
Não vai longe que as excursões da ''élite'' courense se
faziam, de preferência, para o monte da ''Chã das Pipas'',
continuação poente da serra da Boulhosa.
Esta preferência era justificada.
A ''Chã das Pipas'' como que serve de docel ao lendário ''Castelo da Furna'', e tem diferentes altitudes. As marcadas na carta topográfica são de 621, 629 e 666 metros <ref>Carta topográfica, n.º 1, da Comissão geodésica.</ref>.
É verdadeiramente deslumbrante o panorama da «Chã das Pipas».
A feracíssima bacia de Monção, o rio Minho, a Galiza
com os seus esfumados montes, as ribeiras, os templos, as
estradas, os largos maciços de pinheirais, desenham painel
tão o brincado de luz, de belezas, de fascinações, que dá
vontade de ficar ali.
Lá fora, ao longe, para o norte, as montanhas galaicas,
fechando o horizonte como extensa faixa de mar: mais para cá, um pouco contra o rio internacional, vão-se fixando,
mais nítidos, os verdejantes vales, os casais, as povoações.
Que modalidades!
O que ao largo é nebuloso e indefinido, acentua-se,
determina-se, à medida que o raio visual se torna mais
restrito.
As enormes massas graníticas, escuras, das serranias
longinquas, são substituídas por outras, de formas precisas, que se levantam na margem galega. E aí mesmo, divisa-se uma longa faixa branca, qual muro de quinta de burguês rico: é a risonha povoação das ''*Niéves»''.
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A ''«Chā das Pipas»!'' Fale João Chagas, o inconfundível, o original escritor das gazetas: «A Boulhosa é uma alcandorada varanda sobre o vale de Monção, mas não é na realidade um vale que se vê de cima. É um pedaço da superfície da terra, com a sua exacta configuração. No momento de atingirmos essa alta cumiada, varrida pelas ventanias do espaço, o dr. F..., que levara um binóculo, descreveu-nos o vale... Eu, porém, não lhe dava atenç...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>A ''«Chā das Pipas»!''
Fale João Chagas, o inconfundível, o original escritor
das gazetas: «A Boulhosa é uma alcandorada varanda sobre o vale de Monção, mas não é na realidade um vale que se vê de cima. É um pedaço da superfície da terra, com a sua exacta configuração. No momento de atingirmos essa alta cumiada, varrida pelas ventanias do espaço, o dr. F..., que levara um binóculo, descreveu-nos o vale... Eu, porém, não lhe dava atenção, todo ocupado a olhar a terra, a ver se via mover-se a terra, porque a impressão que sentimos quando ascendemos a tão elevados cimos não é topográfica, ou pitoresca, ou pictoral, mas vagamente, nebulosamente, misteriosamente planetária».<ref>A caravana, que acompanhava o inimitável-publicista, compunha-se do sr. Conselheiro dr. Bernardino Machado, seus filhos António, Miguel, Bernardino e Domingos, José Bacelar e quem isto escreve.</ref>
Obrigado, meu excelente amigo, pelo seu inapreciável reclame.
«Da enxurrada, da molha, da terra sem habitantes, sem casas, sem esperança de abrigo, arrastando uma pobre
alimária que não quer andar, - de essa situação de vencidos -...<ref>«Primeiro de Janeiro», ano 38.º, n.º 213, de 8 de Setembro de 1906: «As minhas razões».</ref>, nada direi. De ofício, sei guardar sigilo...
{{c|---}}
À raiz da ''Chā das Pipas'' levanta-se o lendário ''Castelo da Furna'', outrora de Frayam, colossal agregado, irregular, disforme, de enormes blocos graníticos, encostados, sobrepostos, de forma caprichosa, figurando fantasmas descomunais que a natureza para ali tivesse atirado, em arrancos ingentes, quando no ventre lhe referviam ígnias matérias incandescentes.
Contém repartimentos naturais, abrigados, constituídos pela rocha, os quais, na lenda popular, já serviram de
aposento a uma formosa princesa e... a ''mouras encantadas''. E é por isso que a uns recantos de terra, por entre o fraguedo, o povo deu designações românticas e sugestivas, como ''«Horta da Rainha»''.
As feras, quando por ali as havia, iam acoitar-se nos
fundos e escuros meandros da penedia.
Em redor deste ''castelo'' bordou o lirismo popular um
enredo de cenas amorosas entre o Rei de Aragão e sua
esposa Aragúncia, que tem sido recopilado por diversos
escritores.
É que o povo há-de ser sempre o eterno sonhador, o poeta da natureza e das dores da alma!
Há já bastantes anos, acompanhando o Sr. Cons.º dr.
Bernardino Machado, cuja rijeza dos músculos locomotores não é inferior à sua rijeza moral, fomos à ''«Furna»'',
fazendo o percurso a pé, e dentro de um dos mencionados
compartimentos do ''«Castelo»'', onde a hospedeira natureza
colocara uma mesa de pedra, saboreamos apetitoso e fornido almoço, que a Ex.<sup>ma</sup> Sr.ª D. Maria Dantas, com o
seu gentil e distinto ''savoir faire'', ali nos mandara.
Nunca poderei esquecer que, de regresso, seguindo nós pela freguesia das Poreiras[sic], observamos que corria, açodadamente, no nosso encalço, uma mulher.
Paramos e esperamos. Que pretenderia ela dos excursionistas?
Era nova, menos de 25 anos, feições correctas, porventura distintas, rosto branco com uns toques acarminados
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>A ''«Chā das Pipas»!''
Fale João Chagas, o inconfundível, o original escritor
das gazetas: «A Boulhosa é uma alcandorada varanda sobre o vale de Monção, mas não é na realidade um vale que se vê de cima. É um pedaço da superfície da terra, com a sua exacta configuração. No momento de atingirmos essa alta cumiada, varrida pelas ventanias do espaço, o dr. F..., que levara um binóculo, descreveu-nos o vale... Eu, porém, não lhe dava atenção, todo ocupado a olhar a terra, a ver se via mover-se a terra, porque a impressão que sentimos quando ascendemos a tão elevados cimos não é topográfica, ou pitoresca, ou pictoral, mas vagamente, nebulosamente, misteriosamente planetária».<ref>A caravana, que acompanhava o inimitável-publicista, compunha-se do sr. Conselheiro dr. Bernardino Machado, seus filhos António, Miguel, Bernardino e Domingos, José Bacelar e quem isto escreve.</ref>
Obrigado, meu excelente amigo, pelo seu inapreciável reclame.
«Da enxurrada, da molha, da terra sem habitantes, sem casas, sem esperança de abrigo, arrastando uma pobre
alimária que não quer andar, - de essa situação de vencidos -»...<ref>«Primeiro de Janeiro», ano 38.º, n.º 213, de 8 de Setembro de 1906: «As minhas razões».</ref>, nada direi. De ofício, sei guardar sigilo...
{{c|---}}
À raiz da ''Chā das Pipas'' levanta-se o lendário ''Castelo da Furna'', outrora de Frayam, colossal agregado, irregular, disforme, de enormes blocos graníticos, encostados, sobrepostos, de forma caprichosa, figurando fantasmas descomunais que a natureza para ali tivesse atirado, em arrancos ingentes, quando no ventre lhe referviam ígnias matérias incandescentes.
Contém repartimentos naturais, abrigados, constituídos pela rocha, os quais, na lenda popular, já serviram de
aposento a uma formosa princesa e... a ''mouras encantadas''. E é por isso que a uns recantos de terra, por entre o fraguedo, o povo deu designações românticas e sugestivas, como ''«Horta da Rainha»''.
As feras, quando por ali as havia, iam acoitar-se nos
fundos e escuros meandros da penedia.
Em redor deste ''castelo'' bordou o lirismo popular um
enredo de cenas amorosas entre o Rei de Aragão e sua
esposa Aragúncia, que tem sido recopilado por diversos
escritores.
É que o povo há-de ser sempre o eterno sonhador, o poeta da natureza e das dores da alma!
Há já bastantes anos, acompanhando o Sr. Cons.º dr.
Bernardino Machado, cuja rijeza dos músculos locomotores não é inferior à sua rijeza moral, fomos à ''«Furna»'',
fazendo o percurso a pé, e dentro de um dos mencionados
compartimentos do ''«Castelo»'', onde a hospedeira natureza
colocara uma mesa de pedra, saboreamos apetitoso e fornido almoço, que a Ex.<sup>ma</sup> Sr.ª D. Maria Dantas, com o
seu gentil e distinto ''savoir faire'', ali nos mandara.
Nunca poderei esquecer que, de regresso, seguindo nós pela freguesia das Poreiras[sic], observamos que corria, açodadamente, no nosso encalço, uma mulher.
Paramos e esperamos. Que pretenderia ela dos excursionistas?
Era nova, menos de 25 anos, feições correctas, porventura distintas, rosto branco com uns toques acarminados
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: nas maçãs, olhos castanho-escuros e cabelo bem cuidado. Vestia de luto rigoroso. Dirige-se, desembaraçadamente, ao conselheiro, que é todo bondades e atenções para ela, e interpela-o: - Viu o ''«meu homem»?'' - Onde? - No Brasil. - Não vimos do Brasil: descemos do monte,- da «Chã das Pipas». - E o senhor não conhece ''o meu homem?'' - Não. - Ai! queira desculpar: enganei-me. A pobre mulher, que tão agradavelmente nos impressi...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>nas maçãs, olhos castanho-escuros e cabelo bem cuidado.
Vestia de luto rigoroso.
Dirige-se, desembaraçadamente, ao conselheiro, que é todo bondades e atenções para ela, e interpela-o:
- Viu o ''«meu homem»?''
- Onde?
- No Brasil.
- Não vimos do Brasil: descemos do monte,- da «Chã das Pipas».
- E o senhor não conhece ''o meu homem?''
- Não.
- Ai! queira desculpar: enganei-me.
A pobre mulher, que tão agradavelmente nos impressionara, pois, moralmente, devia ser uma pérola engastada nas asperezas daquele aro espinhoso e agreste, vestia,
como notei, de luto, que lhe realçava a beleza campesina;
vestia a cor da morte, porque, conforme o costume regional,
o marido tinha deixado o templo da família para ir a
longes terras amassar, em vagas de suor, as migalhas com
que havia de prover à sua subsistência e à dos seus.
E partir para o desconhecido, é morrer.
Depois, despedindo-se, cumprimentou-nos e retirou-se, mas ainda pudemos ler bem. no seu ar dolorido, quanto lhe ia sangrando a alma por ter sido iludida na grata espectativa de ter noticias do ''«seu homem»''.
Formoso coração aquele, onde tudo lhe dava rebate,
alvoroçado, de quem, ajoelhado com ela ante o altar, em
dia de emoções inolvidáveis, talvez àquela hora estivesse
prostrado na lágea da praça pública, de cansado e de
nostalgia.
É tão acariciador e tem tantos sorrisos o céu azul da
infância...
{{c|***}}
Encontram-se no ''Castelo da Furna'', gravados na face sul de alguns penedos, uns sinais, à semelhança de ''fossettes,'' que não podem deixar de considerar-se como ''esculturas pré-históricas'', pois que, sendo a face da rocha cortada a prumo e plana, não podem atribuir-se à acção das águas pluviais, visto que o seu próprio peso as faria decorrer para o solo.
No ''«Archeologo Portuguez»'', vol. 7.º, pag. 72, vem uma
gravura com sinais semelhantes, a propósito de um artigo
intitulado - ''«O Alto do Carocedo ou Carrocêdo»''.
E propriamente ''fossettes'' vêem-se num dos mais altos
blocos da penedice, que, por receberem e conservarem por
muito tempo as águas da chuva, corre que ''nunca se esgotam''<ref>«Portugal Antigo e Moderno», vol. 1.°, pag. 408, col. 1.ª; «Diccionario Chorographico» de J. A. d'Almeida, vol. 1.°, freguesia de Boibão, pag: 153, e «Appenso» do 3.º vol., palavra Boibão, pag. 64.</ref>. Não é verdade.
{{c|***}}
Afora estes, ainda merecem registo os montes da ''Chā de Lamas'' pelas suas numerosas ''antas;'' da ''Cividade'', na
freguesia de Cossourado, pelos restos do seu ''castrum;'' de ''Ventuzelo'', na de Infesta, onde se encontram grandes trincheiras e fossos de importante fortificação, etc.
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''{{c|CAPÍTULO III}}''' '''{{c|Hidrografia}}''' RIO «Coura», é a grande artéria fertilizadora deste concelho. Não é fácil atinar com o seu primitivo nome, porque ''«tot capita, quod sententia»''. Assim, Argote<ref>«De Antiquitatibus», pag. 32.</ref>, notando que Estrabão dava ao rio Minho o nome de - Benis, entende que esta denominação se refere ao rio ''Coura''. Neste sentido se pronunciou também Pinho Leal<ref>«Portugal Antigo e...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|CAPÍTULO III}}'''
'''{{c|Hidrografia}}'''
RIO «Coura», é a grande artéria fertilizadora deste concelho.
Não é fácil atinar com o seu primitivo nome, porque ''«tot capita, quod sententia»''.
Assim, Argote<ref>«De Antiquitatibus», pag. 32.</ref>, notando que Estrabão dava ao rio Minho o nome de - Benis, entende que esta denominação se refere ao rio ''Coura''. Neste sentido se pronunciou também Pinho Leal<ref>«Portugal Antigo e Modernos», vol. 1.º, pag. 387, col. 1.º, e vol. 5.º, pag. 236.</ref>.
Este mesmo escritor<ref>Obra citada, vol. 2.º, pag. 413, col. 1.ª.</ref> afirma, que no 1.° século de
Cristo se chamou - ''Froylano''.
O «Códice da Divisão dos Condados de Entre Douro e Minho» também designa este rio por - Froylano.
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Ruiaraujo1972
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|CAPÍTULO III}}'''
'''{{c|Hidrografia}}'''
RIO «Coura», é a grande artéria fertilizadora deste concelho.
Não é fácil atinar com o seu primitivo nome, porque ''«tot capita, quod sententia»''.
Assim, Argote<ref>«De Antiquitatibus», pag. 32.</ref>, notando que Estrabão dava ao rio Minho o nome de - Benis, entende que esta denominação se refere ao rio ''Coura''. Neste sentido se pronunciou também Pinho Leal<ref>«Portugal Antigo e Modernos», vol. 1.º, pag. 387, col. 1.º, e vol. 5.º, pag. 236.</ref>.
Este mesmo escritor<ref>Obra citada, vol. 2.º, pag. 413, col. 1.ª.</ref> afirma, que no 1.° século de
Cristo se chamou - ''Froylano''.
O «Códice da Divisão dos Condados de Entre Douro e Minho» também designa este rio por - Froylano.
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|CAPÍTULO III}}'''
'''{{c|Hidrografia}}'''
O RIO «Coura», é a grande artéria fertilizadora deste concelho.
Não é fácil atinar com o seu primitivo nome, porque ''«tot capita, quod sententia»''.
Assim, Argote<ref>«De Antiquitatibus», pag. 32.</ref>, notando que Estrabão dava ao rio Minho o nome de - Benis, entende que esta denominação se refere ao rio ''Coura''. Neste sentido se pronunciou também Pinho Leal<ref>«Portugal Antigo e Modernos», vol. 1.º, pag. 387, col. 1.º, e vol. 5.º, pag. 236.</ref>.
Este mesmo escritor<ref>Obra citada, vol. 2.º, pag. 413, col. 1.ª.</ref> afirma, que no 1.° século de
Cristo se chamou - ''Froylano''.
O «Códice da Divisão dos Condados de Entre Douro e Minho» também designa este rio por - Froylano.
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Mas o sr. tenente-coronel Manuel J. da Cunha Brandão sustenta, com bons argumentos, que o rio ''Coura'' nunca teve o nome de - Froylano<ref>«Voz de Coura», ano de 1905, n.08 109, 111 e 112.</ref>. E o distintíssimo arqueólogo sr. dr. J. Leite de Vasconcelos supõe que Estrabão se ''equivocou'', chamando ''Baenis'' ao rio Minho, e que escreveu Baenis por Naevis (rio Neiva)<ref>«Religiões da Lusitania», vol. 2.º pag. 37. Dizem outros que...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Mas o sr. tenente-coronel Manuel J. da Cunha Brandão
sustenta, com bons argumentos, que o rio ''Coura'' nunca
teve o nome de - Froylano<ref>«Voz de Coura», ano de 1905, n.08 109, 111 e 112.</ref>.
E o distintíssimo arqueólogo sr. dr. J. Leite de Vasconcelos supõe que Estrabão se ''equivocou'', chamando ''Baenis'' ao rio Minho, e que escreveu Baenis por Naevis (rio Neiva)<ref>«Religiões da Lusitania», vol. 2.º pag. 37. Dizem outros que, antigamente, se chamou - ''Caluber'' -, pelas muitas voltas que dá, e que do río passou o nome ao concelho, por corrupção deste nome no de Coura: «Diccionario Abreviado», de J. d'Almeida, Suplemento. «Voz de Coura», 2.º ano, n.º 48.</ref>.
Froylano, Froylão, e Froyla são nomes de homens, como é sabido<ref>Argote»<sup>1</sup> fala de um ''D. Froila'', que desafiou o Conde D. Gonçalo. Um ''Froylano'', bispo de Oviedo, firmou a doação feita por D. Urraca à Sé de Tuy, em 13 de Janeiro de 1109<sup>2</sup>.
<sup>1</sup> «De Antiquitatibus», pag. 489, edição de 1738.
<sup>2</sup> «O Minho Pittoresco», pag. 131 (nota) também considera a nascente de ''Lamas'' como a principal origem deste rio.
</ref>.
O rio ''Coura'', correndo de leste para oeste, divide o
concelho em duas partes, sensivelmente iguais, e recebe
todos os afluentes que derivam do sistema orográfico desta
região.
Têm-lhe sido assinadas diferentes origens: - ''«Conto de Bico»'', ''«Boulhosa»'' e ''«Chã de Lamas»''.
Para mim, porém, que as conheço perfeitamente e que as tenho percorrido, considero a última - ''«Chá de Lamas»'' - como a principal, com quanto a primeira faça maior
percurso. As de ''Bico'' e ''Boulhosa'' são, de verão, nascentes pouco importantes.
Pelo contrário, a lagoa de ''«Lamas»'', também conhecida por - lagoa da ''«Salgueirinha»'', impõe-se, não só pela sua largueza, mas pelo seu abundante manancial<ref>Sr. Cunha Brandão entende que ''fluvius Froylanos'', do Codice, deve traduzir-se por - ''rio de Froyão'' e não - rio Froilano.</ref>.
Está situada ao norte da freguesia de Vascões, limites
deste concelho e dos Arcos de Valdevez.
O rio só toma o nome de ''Coura'' a montante da ponte
de ''Casaldata'', na confluência das duas nascentes de ''Lamas'' e ''Bico''; porque, até este ponto, são, respectivamente, conhecidos pelos nomes de regatos de ''S. Gonçalo'' e dois ''Cavaleiros''.
A nascente, ou antes, as nascentes que derivam, da
serra da ''Boulhosa'', uma pela freguesia das Poreiras e outra pela de Insalde, reunem-se em um só ribeiro, nesta última, um pouco ao sul da igreja paroquial, tomando depois
diversos nomes, conforme os sítios por onde passa, tais
como: dos ''Velhos'', de ''Lagido'', dos ''Brunheiros'', e de ''Linhares''.
A juzante da antiga ponte de ''Sigo'' e montante da ''Fèteira'', sobre a estrada real n.º 24 lança-se no rio ''Coura'', correndo, aí, por entre as freguesias de Padornelo e Mozelos, o ribeiro de Insalde ou Brunheiros.
Tem o rio ''Coura'' outros afluentes, de relativa importância para o regadio dos terrenos de cultura, como são: o regato do ''Bouço'', que se reune com o de ''Quintão'' no sítio da ''Costa'', entre as freguesias de Formariz e Ferreira. Aquele nasce no lugar de ''Venade'' e este no de ''Carreiros'', ambos desta freguesia<ref>Perto da nascente do regato de Quintão em Carreiros, brota outra de águas ''ferruginosas''. Ainda não foram analisadas.</ref>.
Depois da sua junção, tomam estas duas correntes
o nome de regato de ''Gonçalvinho'', que vai lançar-se no
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Mas o sr. tenente-coronel Manuel J. da Cunha Brandão
sustenta, com bons argumentos, que o rio ''Coura'' nunca
teve o nome de - Froylano<ref>«Voz de Coura», ano de 1905, n.08 109, 111 e 112.</ref>.
E o distintíssimo arqueólogo sr. dr. J. Leite de Vasconcelos supõe que Estrabão se ''equivocou'', chamando ''Baenis'' ao rio Minho, e que escreveu Baenis por Naevis (rio Neiva)<ref>«Religiões da Lusitania», vol. 2.º pag. 37. Dizem outros que, antigamente, se chamou - ''Caluber'' -, pelas muitas voltas que dá, e que do río passou o nome ao concelho, por corrupção deste nome no de Coura: «Diccionario Abreviado», de J. d'Almeida, Suplemento. «Voz de Coura», 2.º ano, n.º 48.</ref>.
Froylano, Froylão, e Froyla são nomes de homens, como é sabido<ref>Argote»<sup>1</sup> fala de um ''D. Froila'', que desafiou o Conde D. Gonçalo. Um ''Froylano'', bispo de Oviedo, firmou a doação feita por D. Urraca à Sé de Tuy, em 13 de Janeiro de 1109<sup>2</sup>.
<sup>1</sup> «De Antiquitatibus», pag. 489, edição de 1738.
<sup>2</sup> «O Minho Pittoresco», pag. 131 (nota) também considera a nascente de ''Lamas'' como a principal origem deste rio.
</ref>.
O rio ''Coura'', correndo de leste para oeste, divide o
concelho em duas partes, sensivelmente iguais, e recebe
todos os afluentes que derivam do sistema orográfico desta
região.
Têm-lhe sido assinadas diferentes origens: - ''«Corno de Bico»'', ''«Boulhosa»'' e ''«Chã de Lamas»''.
Para mim, porém, que as conheço perfeitamente e que as tenho percorrido, considero a última - ''«Chá de Lamas»'' - como a principal, com quanto a primeira faça maior
percurso. As de ''Bico'' e ''Boulhosa'' são, de verão, nascentes pouco importantes.
Pelo contrário, a lagoa de ''«Lamas»'', também conhecida por - lagoa da ''«Salgueirinha»'', impõe-se, não só pela sua largueza, mas pelo seu abundante manancial<ref>Sr. Cunha Brandão entende que ''fluvius Froylanos'', do Codice, deve traduzir-se por - ''rio de Froyão'' e não - rio Froilano.</ref>.
Está situada ao norte da freguesia de Vascões, limites
deste concelho e dos Arcos de Valdevez.
O rio só toma o nome de ''Coura'' a montante da ponte
de ''Casaldata'', na confluência das duas nascentes de ''Lamas'' e ''Bico''; porque, até este ponto, são, respectivamente, conhecidos pelos nomes de regatos de ''S. Gonçalo'' e dois ''Cavaleiros''.
A nascente, ou antes, as nascentes que derivam, da
serra da ''Boulhosa'', uma pela freguesia das Poreiras e outra pela de Insalde, reunem-se em um só ribeiro, nesta última, um pouco ao sul da igreja paroquial, tomando depois
diversos nomes, conforme os sítios por onde passa, tais
como: dos ''Velhos'', de ''Lagido'', dos ''Brunheiros'', e de ''Linhares''.
A juzante da antiga ponte de ''Sigo'' e montante da ''Fèteira'', sobre a estrada real n.º 24 lança-se no rio ''Coura'', correndo, aí, por entre as freguesias de Padornelo e Mozelos, o ribeiro de Insalde ou Brunheiros.
Tem o rio ''Coura'' outros afluentes, de relativa importância para o regadio dos terrenos de cultura, como são: o regato do ''Bouço'', que se reune com o de ''Quintão'' no sítio da ''Costa'', entre as freguesias de Formariz e Ferreira. Aquele nasce no lugar de ''Venade'' e este no de ''Carreiros'', ambos desta freguesia<ref>Perto da nascente do regato de Quintão em Carreiros, brota outra de águas ''ferruginosas''. Ainda não foram analisadas.</ref>.
Depois da sua junção, tomam estas duas correntes
o nome de regato de ''Gonçalvinho'', que vai lançar-se no
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Coura, junto do Crasto de Bruzendes, entre as freguesias de Formariz e Linhares. O ribeiro da Valsa é outro afluente. Nasce na serra da Travanca, corre por entre os lugares de Cerdeira e Amieira, respectivamente das freguesias de Cunha e Resende, corta a de Infesta e desagua no Coura, no sítio da Revolta. O de ''Rieiro'' tem a sua origem na freguesia de Cunha, que atravessa, assim como as de Agualonga e Rubiães, e vai entrar no Cour...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Coura, junto do Crasto de Bruzendes, entre as freguesias
de Formariz e Linhares.
O ribeiro da Valsa é outro afluente.
Nasce na serra da Travanca, corre por entre os lugares
de Cerdeira e Amieira, respectivamente das freguesias de
Cunha e Resende, corta a de Infesta e desagua no Coura,
no sítio da Revolta.
O de ''Rieiro'' tem a sua origem na freguesia de Cunha,
que atravessa, assim como as de Agualonga e Rubiães, e
vai entrar no Coura, pouco abaixo da ponte de onde tira o
nome, isto é, depois de banhar o lugar dos Casais, desta
última freguesia.
Em todos eles há pontes para dar acesso de uma para
a outra margem.
Os dos ''Cavaleiros'', ''Valsa'' e ''Rieiro'' correm de sul para norte e entram no Coura pela sua margem esquerda: os outros têm a corrente em sentido oposto àqueles, e entram pela margem direita.
De verão, são todos escassos de águas, mas no inverno
engrossam e rebentam em cachoeiras espumosas sobre o
seu leito pedregoso é inclinado; e a sua modesta corrente
da estação calmosa transforma-se em arremetidas audaciosas, quando a invernia lhes abastece os cabedais.
Então é vê-los galgar os campos marginais, derruir-lhes as vedações, levar-lhes as «novidades» e deixar aí
grossa camada de areia e detritos pedregosos ou fundos
sulcos, cavados pela impetuosidade da torrente.
Em todos eles se criam saborosas «trutas».
{{c|***}}
Menos volumosas, mas representando factor valiosíssimo na irrigação das terras, sua fertilidade, frescura e
amenidade da temperatura, são as - ''«levadas»'' -, principais canalizações para os ''paúes'' (na linguagem popular - ''«panascos»'') e para os terrenos destinados à cultura dos cereais.
As ''levadas'' têm, em geral, por ponto de partida o rio
Coura ou os ribeiros, onde se travam as represas (''«mottas»'' lhes chama o povo), que abastece aquelas de água.
Algumas têm percursos muito extensos e por isso fertilizam largos tractos de terreno.
Em todo o caso deve dizer-se que estas águas são, na
maior parte, repartidas por «horas», na quadra das «regas»
(24 de Junho a 8 de Setembro) pelas propriedades que
lhes ficam inferiores; e isto ou por «sentença» ou por ''antigo uso e costume''.
Esta partilha dá, muitas vezes, ocasião a bulhas, altercações e desordens entre os possuidores dos prédios.
As ''fontes'', para usos domésticos, são nascentes de água
límpida, potável, cristalina, que brotam, profusamente,
em todas as freguesias, e raro será o lugar ou povoação
que não tenha a sua própria.
Há muitas ''fontes públicas'', assim como ''particulares'', e quasi sempre acontece haver junto de umas e outras tanques para lavagem das roupas e tecidos.
Sendo, em geral, leves e frescas as suas águas, contudo a observação local especializa algumas, em cada fre-
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Ruiaraujo1972
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Coura, junto do Crasto de Bruzendes, entre as freguesias
de Formariz e Linhares.
O ribeiro da Valsa é outro afluente.
Nasce na serra da Travanca, corre por entre os lugares
de Cerdeira e Amieira, respectivamente das freguesias de
Cunha e Resende, corta a de Infesta e desagua no Coura,
no sítio da Revolta.
O de ''Rieiro'' tem a sua origem na freguesia de Cunha,
que atravessa, assim como as de Agualonga e Rubiães, e
vai entrar no Coura, pouco abaixo da ponte de onde tira o
nome, isto é, depois de banhar o lugar dos Casais, desta
última freguesia.
Em todos eles há pontes para dar acesso de uma para
a outra margem.
Os dos ''Cavaleiros'', ''Valsa'' e ''Rieiro'' correm de sul para norte e entram no Coura pela sua margem esquerda: os outros têm a corrente em sentido oposto àqueles, e entram pela margem direita.
De verão, são todos escassos de águas, mas no inverno
engrossam e rebentam em cachoeiras espumosas sobre o
seu leito pedregoso é inclinado; e a sua modesta corrente
da estação calmosa transforma-se em arremetidas audaciosas, quando a invernia lhes abastece os cabedais.
Então é vê-los galgar os campos marginais, derruir-lhes as vedações, levar-lhes as «novidades» e deixar aí
grossa camada de areia e detritos pedregosos ou fundos
sulcos, cavados pela impetuosidade da torrente.
Em todos eles se criam saborosas «trutas».
{{c|***}}
Menos volumosas, mas representando factor valiosíssimo na irrigação das terras, sua fertilidade, frescura e
amenidade da temperatura, são as - ''«levadas»'' -, principais canalizações para os ''paúes'' (na linguagem popular - ''«panascos»'') e para os terrenos destinados à cultura dos cereais.
As ''levadas'' têm, em geral, por ponto de partida o rio
Coura ou os ribeiros, onde se travam as represas (''«mottas»'' lhes chama o povo), que abastece aquelas de água.
Algumas têm percursos muito extensos e por isso fertilizam largos tractos de terreno.
Em todo o caso deve dizer-se que estas águas são, na
maior parte, repartidas por «horas», na quadra das «regas»
(24 de Junho a 8 de Setembro) pelas propriedades que
lhes ficam inferiores; e isto ou por «sentença» ou por ''antigo uso e costume''.
Esta partilha dá, muitas vezes, ocasião a bulhas, altercações e desordens entre os possuidores dos prédios.
As ''fontes'', para usos domésticos, são nascentes de água
límpida, potável, cristalina, que brotam, profusamente,
em todas as freguesias, e raro será o lugar ou povoação
que não tenha a sua própria.
Há muitas ''fontes públicas'', assim como ''particulares'', e quasi sempre acontece haver junto de umas e outras tanques para lavagem das roupas e tecidos.
Sendo, em geral, leves e frescas as suas águas, contudo a observação local especializa algumas, em cada fre-<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: guesia. Assim, na de Formariz, minha naturalidade, são notavelmente finas e distintas as águas das fontes da ''Maceira'' e ''Sabugueiro'' (públicas) e do ''Corgo'', em uma propriedade do meu parente o Sr. José A. Pedreira Bacelar<ref>O «Almanach de Vianna do Castello», para o ano de 1905, regista as águas potáveis deste concelho como - «excellentes».</ref>. Do que fica dito facilmente se depreende não só que este concelho é abundante...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>guesia. Assim, na de Formariz, minha naturalidade, são
notavelmente finas e distintas as águas das fontes da
''Maceira'' e ''Sabugueiro'' (públicas) e do ''Corgo'', em uma propriedade do meu parente o Sr. José A. Pedreira Bacelar<ref>O «Almanach de Vianna do Castello», para o ano de 1905, regista as águas potáveis deste concelho como - «excellentes».</ref>.
Do que fica dito facilmente se depreende não só que
este concelho é abundante de águas, mas que esta abundância vai reflectir-se, vantajosamente, na sua produção cerealífera.
E, havendo no rio Coura altas quedas de água, pena é
que a grande indústria não as conheça, nem as tenha
procurado.
Importantes motores hidráulicos encontraria ela nesta
corrente, para fazer laborar as suas fábricas, e na facilidade de comunicações em que se encontra o concelho, que está ligado à estação de S. Pedro da Torre, na linha férrea do Minho e Douro, por magnífica estrada a macadam, teria a mesma indústria igual facilidade para levar os seus produtos aos grandes centros.
Na mesma povoação de S. Pedro da Torre encontraria,
ainda, a via fluvial do Minho até Caminha, que porventura
poderia baratear transportes.
{{c|---}}
Feito este pequeno esboço físico do sistema hidrográfico do concelho, vamos dar um passeio, ''à vol d'oiseau,''
pelas margens do rio Coura.
Apenas é navegável, alguns quilómetros, desde a sua foz, na margem esquerda do rio Minho, em Caminha, até à freguesia de Vilar de Mouros, no mesmo concelho.
A nordeste daquela formosa vila é atrevessado pela
extensa ponte de ferro que dá serviço à linha do Minho e
Douro, e, um pouco mais abaixo, pela de madeira, assente
em pegões de pedra.
As suas margens, orladas, em grande parte, de extensos
renques de arvoredo - ''amieiros'', ''salgueiros'', ''aveleiras'', ''carvalhos'', ''freixos'', etc.- são pitorescas e interessantes.
Aqui e além, beijam-nas longos tractos de terrenos
cultivados, que mais aformoseiam a tela, recortando a
paisagem em graciosos tons.
A contrastar, porém, com esta sugestiva tonalidade,
aparecem trechos a que se poderia adaptar a designação
de - belo horrível, como se vê quando o rio vai deixar o
concelho de Coura, na freguesia de S. Martinho.
Os «moinhos» - fábricas rudimentares de moer grãos -
dispersos pelas duas margens, quasi sempre escondidos
na ramaria adjacente, com o monótono ''rom-rom'' das suas
pesadas mós, que engolem grãos para nos darem farinha,
revelam a secular rotina de que tanto enferma o povo
minhoto.
As sinuosidades descritas pelo rio, as suas ''«mottas»'',
que o multiplicam em plácidos lagos; a própria corrente,
ora serpeando a descoberto, ora escondendo-se sob a
penedia, como nas ''«Penices»'', em Formariz; já deslizando
mansamente por cima da fina areia, já dominando todos
os obstáculos que, na invernia, se lhe opõe à desfilada,
tudo isto daria um feixe de empolgantes situações que a
minha pena não sabe descrever.
Julho ou Agosto, ide internar-vos na ''«Deveza das''<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>guesia. Assim, na de Formariz, minha naturalidade, são
notavelmente finas e distintas as águas das fontes da
''Maceira'' e ''Sabugueiro'' (públicas) e do ''Corgo'', em uma propriedade do meu parente o Sr. José A. Pedreira Bacelar<ref>O «Almanach de Vianna do Castello», para o ano de 1905, regista as águas potáveis deste concelho como - «excellentes».</ref>.
Do que fica dito facilmente se depreende não só que
este concelho é abundante de águas, mas que esta abundância vai reflectir-se, vantajosamente, na sua produção cerealífera.
E, havendo no rio Coura altas quedas de água, pena é
que a grande indústria não as conheça, nem as tenha
procurado.
Importantes motores hidráulicos encontraria ela nesta
corrente, para fazer laborar as suas fábricas, e na facilidade de comunicações em que se encontra o concelho, que está ligado à estação de S. Pedro da Torre, na linha férrea do Minho e Douro, por magnífica estrada a macadam, teria a mesma indústria igual facilidade para levar os seus produtos aos grandes centros.
Na mesma povoação de S. Pedro da Torre encontraria,
ainda, a via fluvial do Minho até Caminha, que porventura
poderia baratear transportes.
{{c|---}}
Feito este pequeno esboço físico do sistema hidrográfico do concelho, vamos dar um passeio, ''à vol d'oiseau,''
pelas margens do rio Coura.
Apenas é navegável, alguns quilómetros, desde a sua foz, na margem esquerda do rio Minho, em Caminha, até à freguesia de Vilar de Mouros, no mesmo concelho.
A nordeste daquela formosa vila é atrevessado pela
extensa ponte de ferro que dá serviço à linha do Minho e
Douro, e, um pouco mais abaixo, pela de madeira, assente
em pegões de pedra.
As suas margens, orladas, em grande parte, de extensos
renques de arvoredo - ''amieiros'', ''salgueiros'', ''aveleiras'', ''carvalhos'', ''freixos'', etc.- são pitorescas e interessantes.
Aqui e além, beijam-nas longos tractos de terrenos
cultivados, que mais aformoseiam a tela, recortando a
paisagem em graciosos tons.
A contrastar, porém, com esta sugestiva tonalidade,
aparecem trechos a que se poderia adaptar a designação
de - belo horrível, como se vê quando o rio vai deixar o
concelho de Coura, na freguesia de S. Martinho.
Os «moinhos» - fábricas rudimentares de moer grãos -
dispersos pelas duas margens, quasi sempre escondidos
na ramaria adjacente, com o monótono ''rom-rom'' das suas
pesadas mós, que engolem grãos para nos darem farinha,
revelam a secular rotina de que tanto enferma o povo
minhoto.
As sinuosidades descritas pelo rio, as suas ''«mottas»'',
que o multiplicam em plácidos lagos; a própria corrente,
ora serpeando a descoberto, ora escondendo-se sob a
penedia, como nas ''«Penices»'', em Formariz; já deslizando
mansamente por cima da fina areia, já dominando todos
os obstáculos que, na invernia, se lhe opõe à desfilada,
tudo isto daria um feixe de empolgantes situações que a
minha pena não sabe descrever.
Julho ou Agosto, ide internar-vos na ''«Deveza das''
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Ruiaraujo1972
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ''Quintas»'', dois quilómetros da vila, sob o docel de folhagem das suas copadas carvalheiras. Olhai para o ''«Taboão»'' - esse extenso lago de prata que vos fica aos pés - , refrescai os pulmões, em haustos tonificantes, com a ligeira brisa, que perpassa sobre a face deste límpido espelho, encrespando-lhe as águas, e depois julgai se este retalho da natureza não convida ao...''dolce far niente''. --imagem-- Ponte de Mantelães Vamo...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>''Quintas»'', dois quilómetros da vila, sob o docel de folhagem das suas copadas carvalheiras.
Olhai para o ''«Taboão»'' - esse extenso lago de prata
que vos fica aos pés - , refrescai os pulmões, em haustos
tonificantes, com a ligeira brisa, que perpassa sobre a face deste límpido espelho, encrespando-lhe as águas, e depois julgai se este retalho da natureza não convida ao...''dolce far niente''.
--imagem--
Ponte de Mantelães
Vamos andando. Estamos em Mantelães, sobre a lendária ponte de ''boroa de unto''. Debruçai-vos no seu elegante
gradil de ferro, escutai o batelar do motor hidráulico da
próxima e conhecida fábrica de lacticínios, a afinar, em
rumorosa gama, com o marulhar da corrente: voltai-vos,
de seguida, para todos os lados e tereis um quadro novo,
vivo, flagrante de intensa beleza.
«Chega-se a ter vontade de pedir, de empréstimo, à
natureza esta deliciosa paisagem, para nunca mais lha
restituir. Admite-se o roubo com uma jóia desta natureza.»<ref>«Minho Pitoresco», pag. 126, 1.º vol.</ref>
Ao nascente, um lago, que acaba; ao poente, outro lago, que começa; ao sul, o giestal em flor, a estrada real
para Infesta, e ao norte, em anfiteatro, o painel mais
brincado e característico de uma ridente aldeia - ''«Formariz de cima»''.
E, para nada faltar, até a lenda, com a poética simplicidade da imaginação popular, fazendo ver na imagem da lua, espelhando-se no cristal das águas adormecidas,
opulenta ''«boroa de unto»'', conspira para tornar este sítio uma verdadeira jóia bucólica, dando à remoçada ponte
uns ares de castelã fidalga, que ali estivesse a modular canções amorosas em noites luarentas.
Dantes, a pouca distância, havia a ''Torre Airosa'', e
depois edificou-se o primeiro Paço do Concelho, de que
nada resta, a não ser a memória.
{{c|---}}
Mas vamos seguindo e observando o nosso rio até ao
''Crasto de Bruzendes'', estação arcaica, porventura pré-romana.
Primeiramente, encontraremos o ''Poço do Alves'', em
Formariz, onde os peixes - trutas, vogas e escálos - saltitam, em tardes de Agosto, vindo apanhar ao lume da água a descuidosa borboleta ou o importuno mosquito.
As dezenas, as centenas, os infindos círculos concen-
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: tricos, produzidos na superfície pelos saltos acrobáticos dos peixes, fazem lembrar uma grande toalha esburacada. A arborização, que contorna o açude, é fresca, variada e espessa. Ao meio dia o sol bate-lhe de chapa. O ''Poço do Alves'' é o estuário fluvial, que serve de escola de natação à rapaziada travessa e arrojada das freguesias de Formariz e Ferreira, assim como o ''Taboão'' à de Paredes e Mozelos, que neles se reune, aos domi...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>tricos, produzidos na superfície pelos saltos acrobáticos
dos peixes, fazem lembrar uma grande toalha esburacada.
A arborização, que contorna o açude, é fresca, variada
e espessa. Ao meio dia o sol bate-lhe de chapa.
O ''Poço do Alves'' é o estuário fluvial, que serve de
escola de natação à rapaziada travessa e arrojada das
freguesias de Formariz e Ferreira, assim como o ''Taboão'' à de Paredes e Mozelos, que neles se reune, aos domingos,
para iniciar ou completar os seus exercícios natatórios,
quasi sempre feitos com as vestes do velho Adão.
A seguir, encontraremos a ''Ponte Nova'', de Formariz,
moinhos, engenhos de serrar madeiras, de ''fazer-linho''<ref>Locução popular, que corresponde a maçar linho.</ref>, paues, e mais abaixo ainda, o ''Corgo'', que, como a palavra indica, é profundo e longo sulco, aberto na terra pelas águas do rio, o qual vai correndo, amparado, então, por duas ingremes encostas, salpicadas de pinheiros, freixos, plátanos, salgueiros, aveleiras, carvalhos, espinheiros, madre-silvas... uma flora a dizer-lhe adeus, quando ele vai correndo, apressadamente, para o seu destino.
E, ao fundo das encostas, como que a enfeitá-lo de verdes colarinhos, lá estão duas longas fitas de fetos a lamber-lhe a linfa buliçosa.
Singularmente belo!
O ''Crasto de Bruzendes'' é o ponto onde desagua o ribeiro de ''Gonçalvinho''.
Na margem fronteira, Infesta, estendem-se algumas folhas de terreno apaúlado, onde se vêem largos massiços de fetos formosíssimos, que atingem altura superior a um metro e que nos encantam pela sua frescura e pronunciada cor de esmeralda.
O rio, abraçando ali a esquecida fortificação, vai continuando a dar os seus amplexos carinhosos nos terrenos
que o marginam até à nova ponte de Rubiães, na estrada
real n.º 30.
Segui-lo neste trajecto, é sentir a fascinação da natureza, cantada na sua linguagem mística e suavemente
fascinadora.
--imagem--
Casa da escola, de Rubiães
Mas são horas de descansar e ingerir o parco ''lunch'' de que nos fizemos acompanhar.
À sombra, pois, dos salgueirais, no extenso paúl que a
estiagem crestou, e junto da moderna fábrica de serragem,
devida à inteligente iniciativa do amigo José Guerreiro,
distinto professor, estender-se-á a branca toalha de linho...
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Ruiaraujo1972
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>tricos, produzidos na superfície pelos saltos acrobáticos
dos peixes, fazem lembrar uma grande toalha esburacada.
A arborização, que contorna o açude, é fresca, variada
e espessa. Ao meio dia o sol bate-lhe de chapa.
O ''Poço do Alves'' é o estuário fluvial, que serve de
escola de natação à rapaziada travessa e arrojada das
freguesias de Formariz e Ferreira, assim como o ''Taboão'' à de Paredes e Mozelos, que neles se reune, aos domingos,
para iniciar ou completar os seus exercícios natatórios,
quasi sempre feitos com as vestes do velho Adão.
A seguir, encontraremos a ''Ponte Nova'', de Formariz,
moinhos, engenhos de serrar madeiras, de ''fazer-linho''<ref>Locução popular, que corresponde a maçar linho.</ref>, paues, e mais abaixo ainda, o ''Corgo'', que, como a palavra indica, é profundo e longo sulco, aberto na terra pelas águas do rio, o qual vai correndo, amparado, então, por duas ingremes encostas, salpicadas de pinheiros, freixos, plátanos, salgueiros, aveleiras, carvalhos, espinheiros, madre-silvas... uma flora a dizer-lhe adeus, quando ele vai correndo, apressadamente, para o seu destino.
E, ao fundo das encostas, como que a enfeitá-lo de verdes colarinhos, lá estão duas longas fitas de fetos a lamber-lhe a linfa buliçosa.
Singularmente belo!
O ''Crasto de Bruzendes'' é o ponto onde desagua o ribeiro de ''Gonçalvinho''.
Na margem fronteira, Infesta, estendem-se algumas folhas de terreno apaúlado, onde se vêem largos massiços de fetos formosíssimos, que atingem altura superior a um metro e que nos encantam pela sua frescura e pronunciada cor de esmeralda.
O rio, abraçando ali a esquecida fortificação, vai continuando a dar os seus amplexos carinhosos nos terrenos
que o marginam até à nova ponte de Rubiães, na estrada
real n.º 30.
Segui-lo neste trajecto, é sentir a fascinação da natureza, cantada na sua linguagem mística e suavemente
fascinadora.
--imagem--
Casa da escola, de Rubiães
Mas são horas de descansar e ingerir o parco ''lunch'' de que nos fizemos acompanhar.
À sombra, pois, dos salgueirais, no extenso paúl que a
estiagem crestou, e junto da moderna fábrica de serragem,
devida à inteligente iniciativa do amigo José Guerreiro,
distinto professor, estender-se-á a branca toalha de linho...
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Quatro horas da tarde. Matamos quem nos matava... e o Albano, com a Maria<ref>Meus sobrinhos, de tenra idade.</ref>, já colheram no leito arenoso do rio, agora escassamente provido de águas, umas pedritas polidas, afeiçoadas em oval e estriadas de diversa maneira. O sol começa a declinar e em breve irá lançar-se --imagem-- Ponte romana de Rubiães (lado sul) detrás do monte da ''Cividade'', em Cossourado: a brisa já vai agitando, de...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Quatro horas da tarde. Matamos quem nos matava... e
o Albano, com a Maria<ref>Meus sobrinhos, de tenra idade.</ref>, já colheram no leito arenoso do rio, agora escassamente provido de águas, umas pedritas polidas, afeiçoadas em oval e estriadas de diversa maneira.
O sol começa a declinar e em breve irá lançar-se
--imagem--
Ponte romana de Rubiães (lado sul)
detrás do monte da ''Cividade'', em Cossourado: a brisa já
vai agitando, delicadamente, a ramaria.
Vejamos o que nos rodeia.
Ao fim do paúl, alveja a mencionada fábrica, que é um passo fora do círculo rotineiro. Mais acima, seguindo a estrada real para o sul, ergue-se o novo edifício da
escola, modelo Bermudes, que logo nos fere a retina pela
côr de rosa da pintura; mais adiante - uma centena de
metros -, a vetusta e veneranda igreja paroquial, construção românica. Para o poente, a uns duzentos metros
sobre o rio, dorme um sono de muitos séculos a ''ponte romana''<ref>Diz-se que esta ponte é romana, mais pela tradição do que por revelar as características de construções similares daquele tempo.</ref>, por onde, decerto, passaram as legiões do povo-rei.
Tais são os pontos capitais que podem ser observados
neste acanhado horizonte.
Duas obras, que herdamos de civilizações passadas -
''a igreja e a ponte romana'' -, e outras duas, da civilização que nos está deslumbrando - ''a escola e a fábrica.''
O passado e o presente, a defrontarem-se, neste estreito
âmbito!
A fábrica - movimento da matéria - e a escola -
movimento do espírito -, estão a olhar para a ponte, que
em verdade representa o imperialismo, e para o templo,
que simboliza a paż, o amor.
A ponte, é a conquista, pela guerra; o templo, a conquista, pela cruz.
Quando pela ponte passava o romano, talvez o rio se
chamasse, ainda, ''Belion;'' quando eu passo, chama-se ''Coura.''
Dantes, a ponte romana estava só, e agora, a montante,
vê-se outra, mais lavada, mais alegre, que a engenharia do
meu tempo ali foi lançar.
A primeira - a romana - é de construção humilde, mas vem de séculos, porque no próximo lugar do ''Crasto'' lá está, ainda, um ''miliário'' do tempo de Júlio César (14 anos
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Ruiaraujo1972
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: de J. C.); a segunda - a portuguesa - é esbelta, donairosa, faz honra à arte e tem quartos de cone, para que as águas lhe não piquem os alicerces. Chegará a durar tanto como aquela? Duas pontes e dois templos! Duas actividades e duas religiões. A religião da inteligência, na escola; a religião da fé, no presbitério. Para a crença, a igreja: para o espírito, a escola. É que os velhos oravam: os novos instruem-se. --imagem-- Pórt...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>de J. C.); a segunda - a portuguesa - é esbelta, donairosa,
faz honra à arte e tem quartos de cone, para que as águas
lhe não piquem os alicerces.
Chegará a durar tanto como aquela?
Duas pontes e dois templos!
Duas actividades e duas religiões.
A religião da inteligência, na escola; a religião da fé, no
presbitério.
Para a crença, a igreja: para o espírito, a escola.
É que os velhos oravam: os novos instruem-se.
--imagem--
Pórtico da igreja de Rubiáes
Pela ponte, de séculos, caminhava o soldado, abroquelado para a conquista do mundo: pela ponte, de agora, vão o industrial, o comerciante, o pedagogo, para a confraternização dos povos.
O soldado assassinava; os outros libertam e moralizam.
Quem deixará, à ponte romana, de cismar no passado?
Quem, à ponte nova, não terá um sorriso para o futuro?
Ide às duas pontes, e não vos esqueçais de pedir que
velem pela rugosa velhinha<ref>Esta ponte deve ter sido construída entre 100 a 50 anos, antes de J. C. - Ler «Voz de Coura», 3.º ano n.º 144.</ref>, que tem dado passagem a tantas gerações: a velhice também tem direitos.
{{c|***}}
E as águas do rio, rolando sobre si, lá continuam no seu
movimento infindo.
Seguindo a sua corrente, teremos mais moinhos, engenhos e açudes e depois a ponte ''nova'', para o lugar de Antas, construída a expensas do Pe. João Soares Brandão,
instituidor do vínculo da Gandra, que, ao fechar dos olhos,
tinha nas suas arcas muito ouro em pó, segundo reza o seu
testamento<ref>Vi e li este testamento, e nele foram deixados alguns legados em ouro em pó.</ref>.
Percorridas as ribas de Rubiães, entra o rio na freguesia
de S. Martinho de Coura e depois na de Covas, concelho de
Cerveira.
Então, as suas margens são áridas, pedregosas e alcan-
doradas, dando lugar a trechos inacessíveis, duma rusticidade desoladora.
Vamos, pois, retroceder, para, noutro dia, abordarmos o
ribeiro da Balsa, que desce da serra da Travanca.
Vale a pena ir a esta nesga de terra minhota, na quadra
invernosa, para se observar uma miniatura do Niagara.
É, verdade, uma formosíssima queda de água, que se despenha de 40 a 50 metros de altura, em rolos espumantes,
com desusado fragor, quasi aos nossos pés, torvelinhando
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Ruiaraujo1972
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: em níveos cachões, donde se levanta subtil neblina, que se transforma em multiplicados arco-iris, que o sol bebe. Salto audaz, temeroso, que parece deixar exausto de forças o ribeiro! Tal é a sua mansidão ao deslizar, depois, por entre dois tufos de verdura, que lhe esmaltam as orlas! Empolgante este quadro! E, contudo, o indígena, à força de o ver repetido, passa por ele, inconsciente e descuidoso, porque o fastio da repetição emb...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>em níveos cachões, donde se levanta subtil neblina, que se
transforma em multiplicados arco-iris, que o sol bebe.
Salto audaz, temeroso, que parece deixar exausto de forças o ribeiro!
Tal é a sua mansidão ao deslizar, depois, por entre dois
tufos de verdura, que lhe esmaltam as orlas!
Empolgante este quadro!
E, contudo, o indígena, à força de o ver repetido, passa
por ele, inconsciente e descuidoso, porque o fastio da
repetição embota-lhe a delicadeza do sentimento estético<ref>O abade de Infesta, Domingos da Cruz Alves, no seu «Relatório» de 1758, dizia que era digna de ver-se no inverno a «queda d'agua». no sítio das Lageas d'Agua d'Alto. É a esta que nos referimos. Cfr. «Voz de Coura», 2.º ano n.º 47.</ref>.
{{c|***}}
O rio Coura é atravessado, dentro do concelho, por 11
pontes, de maior ou menor importância, todas de pedra,
excepto a chamada das ''Poldras das Barrocas'', entre a
freguesia de Linhares e a de Rubiães, que assenta em
tramos de ferro.
Criam-se nele muitas trutas, vogas, escálos e enguias.
'''{{c|CAPÍTULO IV}}'''
'''{{c|Miliários}}'''
RESTOS de uma civilização, que passou, mas que ainda nos deslumbra, são esses ''monolitos'', que jazem na freguesia de Rubiães.
Ainda despertam a veneração que se deve à velhice,
porque os seus ''cabelos brancos'' impõem culto reverencioso.
Os marcos miliários são blocos graníticos, de configuração cilíndrica, afeiçoados pelo artista, nos quais se gravava uma ''epígrafe'', e eram levantados à margem das vias romanas, de mil em mil passos<ref>O «passo», nas medidas romanas, era o intervalo compreendido entre o lugar que ocupava um pé e aquele que o mesmo ia ocupar em seguida. «Mil passos» regulavam por 1.500 metros de extensão. O sr. dr. Félix A. Pereira assina-lhe 1.481 metros. - ''Archeologo Port., vol. XII, pag. 131.''</ref>, donde lhes adveio a designação.
Como os marcos ''quilométricos'', de agora, eram aqueles
destinados a ''marcar'' certa extensão das ''vias,'' referida à cidade de Roma, ou a uma povoação importante, e, conco-
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>em níveos cachões, donde se levanta subtil neblina, que se
transforma em multiplicados arco-iris, que o sol bebe.
Salto audaz, temeroso, que parece deixar exausto de forças o ribeiro!
Tal é a sua mansidão ao deslizar, depois, por entre dois
tufos de verdura, que lhe esmaltam as orlas!
Empolgante este quadro!
E, contudo, o indígena, à força de o ver repetido, passa
por ele, inconsciente e descuidoso, porque o fastio da
repetição embota-lhe a delicadeza do sentimento estético<ref>O abade de Infesta, Domingos da Cruz Alves, no seu «Relatório» de 1758, dizia que era digna de ver-se no inverno a «queda d'agua». no sítio das Lageas d'Agua d'Alto. É a esta que nos referimos. Cfr. «Voz de Coura», 2.º ano n.º 47.</ref>.
{{c|***}}
O rio Coura é atravessado, dentro do concelho, por 11
pontes, de maior ou menor importância, todas de pedra,
excepto a chamada das ''Poldras das Barrocas'', entre a
freguesia de Linhares e a de Rubiães, que assenta em
tramos de ferro.
Criam-se nele muitas trutas, vogas, escálos e enguias.
'''{{c|CAPÍTULO IV}}'''
'''{{c|Miliários}}'''
RESTOS de uma civilização, que passou, mas que ainda nos deslumbra, são esses ''monolitos'', que jazem na freguesia de Rubiães.
Ainda despertam a veneração que se deve à velhice,
porque os seus ''cabelos brancos'' impõem culto reverencioso.
Os marcos miliários são blocos graníticos, de configuração cilíndrica, afeiçoados pelo artista, nos quais se gravava uma ''epígrafe'', e eram levantados à margem das vias romanas, de mil em mil passos<ref>O «passo», nas medidas romanas, era o intervalo compreendido entre o lugar que ocupava um pé e aquele que o mesmo ia ocupar em seguida. «Mil passos» regulavam por 1.500 metros de extensão. O sr. dr. Félix A. Pereira assina-lhe 1.481 metros. - ''Archeologo Port., vol. XII, pag. 131.''</ref>, donde lhes adveio a designação.
Como os marcos ''quilométricos'', de agora, eram aqueles
destinados a ''marcar'' certa extensão das ''vias,'' referida à cidade de Roma, ou a uma povoação importante, e, conco-
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: mitantemente, as obras de reparação e os nomes das autoridades que as mandaram fazer. Os ''miliários'' desta região, conhecidos há mais tempo, são os que se encontram no átrio da capela de S. Bartolomeu de Antas, servindo-lhe de suportes. São ''quatro''<ref>Alguns escritores dizem ser seis. Não é verdade.</ref>. O erudito epigrafista sr. Pe. Martins Capela trasladou para a sua obra - ''Miliários'' - as legendas de ''três''<ref>Obra...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>mitantemente, as obras de reparação e os nomes das autoridades que as mandaram fazer.
Os ''miliários'' desta região, conhecidos há mais tempo,
são os que se encontram no átrio da capela de S. Bartolomeu de Antas, servindo-lhe de suportes.
São ''quatro''<ref>Alguns escritores dizem ser seis. Não é verdade.</ref>.
O erudito epigrafista sr. Pe. Martins Capela trasladou
para a sua obra - ''Miliários'' - as legendas de ''três''<ref>Obra citada, pag. 111, 172 e 235.</ref>.
É que a epígrafe do quarto está tão delida pela acção
corrosiva do tempo, que é impossivel a sua leitura a olho
nú. Talvez se obtivesse, pelo menos em parte, por ''decalque''.
Diz-se que foram de Cossourado para o sítio em que agora se encontram, mas não é isso plausível, porque a ''distância'' do rio, entre a ponte romana de Rubiães e o
monte da ''Cividade'', donde consta que vieram, não comportava ''quatro'' miliários. Este percurso não excede ''três'' quilómetros.
Estariam, porém, agrupados.
Além destes, há mais ''três miliários'' na mesma freguesia
de Rubiães, a saber: um, no ''adro da igreja paroquial,'' outro, dentro do ''quinteiro'' do sr. Gaspar Teixeira, e o terceiro, à ''entrada do portão'' da casa deste mesmo cavalheiro, situada no lugar do Crasto.
O primeiro está servindo de pilastra a uma escada de pedra no tabuleiro superior do adro desta freguesia; o segundo, de suporte a uma ''ramada'', e ao terceiro está preso um gancho, donde partem uns arames de ferro zincado para outra ''ramada''.
Na sessão camarária de 21 de Julho, de 1894, foi lido um ofício meu, dirigido a esta corporação, no qual não só
chamava a sua atenção para os nossos miliários, mas
solicitava a sua trasladação para a vila, onde melhor
pudessem ser resguardados da acção destruidora do tempo,
e acautelados da estupidez malévola de muitos.
Mais tarde, renovei a minha instância, pessoalmente,
ao presidente doutra vereação, mas... tudo como dantes.
{{c|***}}
Nas «Memórias do Arcebispo de Braga»<ref>Edição de 1734, pag. 610 e seguintes.</ref> lê-se: «Na
aldeia de Antas, concelho de Coura, na capela de S. Bartolomeu existem ''duas'' colunas, que dizem se transferiram para ali, existindo primeiro no ''alto do monte'' por onde ''corria a via militar'' de Braga para Tuy; e de uma se mostra ser esta estrada reedificada no tempo do imperador Magnencio, a cujo irmão está dedicada a dita coluna, como se colhe da inscrição...»
Na outra obra de D. Jerónimo Contador de Argote, -
''«De Antiquitatibus Conventus Bracara-augustani»'' - escreveu ele: «... prossegue (a via militar) já outra vez encorporada com a estrada actual até Ponte do Lima, e depois ao concelho de Coura, como se infere de ''duas colunas'' que existem na igreja (aliás capela) de S. Bartolomeu de Antas, daquele concelho, as quais foram transferidas ''do alto do monte,'' por onde corria a via militar».
Estes extractos merecem comentário. Primeiramente,
o conceituado antiquário diz-nos que de Cossourado -
''alto do monte,'' - foram para Antas ''dois'' miliários, e isto vem
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