Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.46.0-wmf.26 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão Hino do município de Porto Grande 0 213749 551360 497242 2026-04-30T09:51:52Z ~2026-26305-32 42772 551360 wikitext text/x-wiki <poem> Desbravantes da nossa história, Ao chegar neste novo rincão; Consagraram um tempo de glória, Nova terra, um novo torrão. ''Terra fértil de muitos amores,'' ''Terra verde de encantos mil;'' ''Coroada de muitos valores,'' ''Ó! Porto Grande do céu cor de anil.'' ''Que em punho tremula a bandeira,'' ''Simbolismo de um povo viril;'' ''Ó! Porto Grande, tu és parte da estrela,'' ''Do Amapá e do nosso Brasil.'' Este porto de outrora seria, A esperança de um novo porvir; Navegantes do ouro que via, Na aurora do Araguari. ''Terra fértil de muitos amores,'' ''Terra verde de encantos mil;'' ''Coroada de muitos valores,'' ''Ó! Porto Grande do céu cor de anil.'' ''Que em punho tremula a bandeira,'' ''Simbolismo de um povo viril;'' ''Ó! Porto Grande, tu és parte da estrela,'' ''Do Amapá e do nosso Brasil.'' Teu passado reflete a história, Deste povo que luta e faz; Um presente de honra e de glória, Nos encanta com seus festivais. ''Terra fértil de muitos amores,'' ''Terra verde de encantos mil;'' ''Coroada de muitos valores,'' ''Ó! Porto Grande do céu cor de anil.'' ''Que em punho tremula a bandeira,'' ''Simbolismo de um povo viril;'' ''Ó! Porto Grande, tu és parte da estrela,'' ''Do Amapá e do nosso Brasil.'' </poem> [[Categoria:Hinos do Amapá|Porto Grande]] o2bay8g1lqbmdelsmuk0ebda5a0293z Utilizador:James500 2 220074 551334 472293 2026-04-29T13:35:02Z James500 35679 Remove template 551334 wikitext text/x-wiki {{Página de usuário}} {{Babel|en}} [[en:User:James500]] 4ga8eei00w8qrlcajap84j8eydb955d Predefinição:Progressos recentes 10 220893 551331 551323 2026-04-29T13:00:08Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 551331 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|0|0|96|1|3|0}} | [[Index:A wikimedia no Brasil - o poder e os desafios do conhecimento livre.pdf|A Wikimedia no Brasil]] |- | {{Barra de progresso|0|0|0|100|0|0}} | [[Index:Ato Institucional Número Cinco.pdf|Ato Institucional Número Cinco]] |- | {{Barra de progresso|0|0|100|0|0|0}} | [[Index:Ato Institucional Número Dois (AI-2).pdf|Ato Institucional Número Dois]] |- | {{Barra de progresso|0|0|100|0|0|0}} | [[Index:Ato Institucional Número Três (AI-3).pdf|Ato Institucional Número Três]] |- | {{Barra de progresso|0|0|38|48|14|0}} | [[Index:Fabulas de Narizinho (Brasiliana).pdf|Fabulas de Narizinho]] |- | {{Barra de progresso|1|0|0|0|1|98}} | [[Index:Fabulas de Narizinho.pdf|Fabulas de Narizinho]] |- | {{Barra de progresso|0|0|0|0|3|97}} | [[Index:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf|Narizinho Arrebitado]] |- | {{Barra de progresso|8|0|0|0|0|92}} | [[Index:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf|No Alto Minho. 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O velho códice diz, na parte respectiva: «Item, Este concelho de Coyra e Frayam he do Bisconde terra de montanhas fragorosas nom tem vyla nem povoaçam junta, e tem Porte... 551328 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>{{c|***}} '''{{c|Censo da população de Coura no ano de 1527}}''' Refere-se à população do antigo concelho de Coura e Fraião e foi extraído do censo da comarca de Entre Douro e Minho, ordenado por carta régia de D. João III, expedida de Coimbra a 17 de Julho de 1527. O velho códice diz, na parte respectiva: «Item, Este concelho de Coyra e Frayam he do Bisconde terra de montanhas fragorosas nom tem vyla nem povoaçam junta, e tem Portezelo<ref>Lugar da freguesia de Verdoejo junto do rio Minho. Esta freguesia pertencia ao Couto de S. Fins, que, por sua vez, fazia parte do concelho e julgado Frayão.</ref> junto do rio de Minho em que vyvem oito moradores e todos os mais vyvem por casaes apartados e quyntas e erdades perto huas das outras nas freguezias abaixo declaradas, o quall tem de termo de larguo duas leguoas, de targuo, e de comprydo tres e parte com o concelho de Vall de Vez do nascente e com o termo da vyla de Monçom e vae entestar do norte no rio do Minho que vae antre este concelho e Galliza, e para o poente parte com termo da vyla de Valença e com o termo de Vyla Nova de Cerveira e o termo de Camynha, e com o termo de Ponte do Lyma per baixo ao sull e moram dentro n'elles per freguezias os moradores seguidos prymeyramente. Item na freguezia de S. Martinho de Coyra 30 moradores -, na freguezia de Romaryguães 33 -, na freguezia de Sampayo de Coyra 38-, na freguezia de Ruyvyāes 72 -, na freguezia de Cassoyrado 36 -, na freguezia de Lynhares 15 -, na freguezia de Ferreira 61 -, na freguezia de Mozellos 30 -, outra freguezia de Ferreira<ref>Deve ser erro de cópia. No original devia ler-se - Formariz.</ref> 40 -, na freguezia de Porreyras 13 -, na freguezia d'Ensalde 54 -, na freguezia de Padornello 54 -, na freguezia de Parada 26 -, na freguezia de Sam Martinho 32 -, na freguezia de Byquo 76 -, na freguezia de Crastello 51 -, na freguezia de Castinheyra 44 -, na freguezia de Rezende 12 -, na freguezia de Cunha 60 -, na freguezia de Emfesta 41 -, na freguezia de Paredes 48 -, na freguezia de Boyvão de Sam Fiz 40 -, na freguezia de Gondomill 60 -, na freguezia de Sam Mamede, 32<ref>Friestas.</ref>-na freguezia do Monte, 22<ref>S. Fins.</ref> -na freguezia de Santa Marinha, 47<ref>Verdoejo.</ref>. Somam estes moradores per todos lavradores, e vyuvas clerigos e escudeiros e pessoas que fazem foguo per sy ao todo, 1067. Item. A mais n'este concelho e terra de Coyra homês solteyros de edade de dezoyto pera trynta annos, que vyvem com seus paes e amos, 820 mancebos»<ref>Foi encontrado este documento na Torre do Tombo pelo Sr. Tenente-coronel C. Brandão.</ref>. De onde se vê que o antigo concelho confinava, ao norte, com o rio Minho, e era pouco povoado. {{c|***}} As «Posturas» mais antigas da Câmara, de que tenho conhecimento, são as votadas na sessão de 1 de Abril de {{rule}}<noinclude></noinclude> 9biadxnx32ttuvr5gm9hpbh05um0xfv 551329 551328 2026-04-29T12:13:22Z Ruiaraujo1972 38032 551329 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>{{c|***}} '''{{c|Censo da população de Coura no ano de 1527}}''' Refere-se à população do antigo concelho de Coura e Fraião e foi extraído do censo da comarca de Entre Douro e Minho, ordenado por carta régia de D. João III, expedida de Coimbra a 17 de Julho de 1527. O velho códice diz, na parte respectiva: «Item, Este concelho de Coyra e Frayam he do Bisconde terra de montanhas fragorosas nom tem vyla nem povoaçam junta, e tem Portezelo<ref>Lugar da freguesia de Verdoejo junto do rio Minho. Esta freguesia pertencia ao Couto de S. Fins, que, por sua vez, fazia parte do concelho e julgado Frayão.</ref> junto do rio de Minho em que vyvem oito moradores e todos os mais vyvem por casaes apartados e quyntas e erdades perto huas das outras nas freguezias abaixo declaradas, o quall tem de termo de larguo duas leguoas, de targuo, e de comprydo tres e parte com o concelho de Vall de Vez do nascente e com o termo da vyla de Monçom e vae entestar do norte no rio do Minho que vae antre este concelho e Galliza, e para o poente parte com termo da vyla de Valença e com o termo de Vyla Nova de Cerveira e o termo de Camynha, e com o termo de Ponte do Lyma per baixo ao sull e moram dentro n'elles per freguezias os moradores seguidos prymeyramente. Item na freguezia de S. Martinho de Coyra 30 moradores -, na freguezia de Romaryguães 33 -, na freguezia de Sampayo de Coyra 38-, na freguezia de Ruyvyāes 72 -, na freguezia de Cassoyrado 36 -, na freguezia de Lynhares 15 -, na freguezia de Ferreira 61 -, na freguezia de Mozellos 30 -, outra freguezia de Ferreira<ref>Deve ser erro de cópia. No original devia ler-se - Formariz.</ref> 40 -, na freguezia de Porreyras 13 -, na freguezia d'Ensalde 54 -, na freguezia de Padornello 54 -, na freguezia de Parada 26 -, na freguezia de Sam Martinho 32 -, na freguezia de Byquo 76 -, na freguezia de Crastello 51 -, na freguezia de Castinheyra 44 -, na freguezia de Rezende 12 -, na freguezia de Cunha 60 -, na freguezia de Emfesta 41 -, na freguezia de Paredes 48 -, na freguezia de Boyvão de Sam Fiz 40 -, na freguezia de Gondomill 60 -, na freguezia de Sam Mamede, 32<ref>Friestas.</ref>-na freguezia do Monte, 22<ref>S. Fins.</ref> -na freguezia de Santa Marinha, 47<ref>Verdoejo.</ref>. Somam estes moradores per todos lavradores, e vyuvas clerigos e escudeiros e pessoas que fazem foguo per sy ao todo, 1067. Item. A mais n'este concelho e terra de Coyra homês solteyros de edade de dezoyto pera trynta annos, que vyvem com seus paes e amos, 820 mancebos»<ref>Foi encontrado este documento na Torre do Tombo pelo Sr. Tenente-coronel C. Brandão.</ref>. De onde se vê que o antigo concelho confinava, ao norte, com o rio Minho, e era pouco povoado. {{c|***}} As «Posturas» mais antigas da Câmara, de que tenho conhecimento, são as votadas na sessão de 1 de Abril de {{rule}}<noinclude></noinclude> rsu2b8thebe42hg99bibffggntatx26 551330 551329 2026-04-29T12:13:33Z Ruiaraujo1972 38032 551330 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>{{c|***}} '''{{c|Censo da população de Coura no ano de 1527}}''' Refere-se à população do antigo concelho de Coura e Fraião e foi extraído do censo da comarca de Entre Douro e Minho, ordenado por carta régia de D. João III, expedida de Coimbra a 17 de Julho de 1527. O velho códice diz, na parte respectiva: «Item, Este concelho de Coyra e Frayam he do Bisconde terra de montanhas fragorosas nom tem vyla nem povoaçam junta, e tem Portezelo<ref>Lugar da freguesia de Verdoejo junto do rio Minho. Esta freguesia pertencia ao Couto de S. Fins, que, por sua vez, fazia parte do concelho e julgado Frayão.</ref> junto do rio de Minho em que vyvem oito moradores e todos os mais vyvem por casaes apartados e quyntas e erdades perto huas das outras nas freguezias abaixo declaradas, o quall tem de termo de larguo duas leguoas, de targuo, e de comprydo tres e parte com o concelho de Vall de Vez do nascente e com o termo da vyla de Monçom e vae entestar do norte no rio do Minho que vae antre este concelho e Galliza, e para o poente parte com termo da vyla de Valença e com o termo de Vyla Nova de Cerveira e o termo de Camynha, e com o termo de Ponte do Lyma per baixo ao sull e moram dentro n'elles per freguezias os moradores seguidos prymeyramente. Item na freguezia de S. Martinho de Coyra 30 moradores -, na freguezia de Romaryguães 33 -, na freguezia de Sampayo de Coyra 38-, na freguezia de Ruyvyāes 72 -, na freguezia de Cassoyrado 36 -, na freguezia de Lynhares 15 -, na freguezia de Ferreira 61 -, na freguezia de Mozellos 30 -, outra freguezia de Ferreira<ref>Deve ser erro de cópia. No original devia ler-se - Formariz.</ref> 40 -, na freguezia de Porreyras 13 -, na freguezia d'Ensalde 54 -, na freguezia de Padornello 54 -, na freguezia de Parada 26 -, na freguezia de Sam Martinho 32 -, na freguezia de Byquo 76 -, na freguezia de Crastello 51 -, na freguezia de Castinheyra 44 -, na freguezia de Rezende 12 -, na freguezia de Cunha 60 -, na freguezia de Emfesta 41 -, na freguezia de Paredes 48 -, na freguezia de Boyvão de Sam Fiz 40 -, na freguezia de Gondomill 60 -, na freguezia de Sam Mamede, 32<ref>Friestas.</ref>-na freguezia do Monte, 22<ref>S. Fins.</ref> -na freguezia de Santa Marinha, 47<ref>Verdoejo.</ref>. 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Legislavam sobre: 1.º aferimentos de pesos e medidas; 2.º licenças para vender azeite, vinho, etc.; 3.º montarias; 4.º cartas de ofícios para c... 551332 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>1756, sendo juiz ordinário (presidente nato da corporação) Miguel Soares Rocha Sotto-Maior e vereadores - Leonel de Sousa de Andrade, Alexandre Fernandes de Sousa Marinho e Augusto José Brandão de Castro: Procurador do Concelho era Luís Alves Barbosa<ref>Liv. das vereações de 1756-1758.</ref>. Legislavam sobre: 1.º aferimentos de pesos e medidas; 2.º licenças para vender azeite, vinho, etc.; 3.º montarias; 4.º cartas de ofícios para carpinteiros, ferreiros, etc.; 5.º plantação de hortas e nabaes; 6.º caça e pesca; 7.º venda de ovos, que não devia exceder 10 reis cada dezena; 8.º açambarcadores; 9.º apregoar em todas as feiras a postura contra açambarcadores; 10.º manifestos dos «terços»; 11.º preços dos carretos; 12.º manifesto do vinho; 13.º proibição de atirar às pombas; 14.º pousada a homens ou mulheres de má nota; 15.º mulheres grávidas solteiras; 16.º enterramentos de animais mortos; 17.º padreação de éguas; 18.º galinhas e porcos presos, nas sementeiras e S. Miguel. É natural que antes destas leis municipais tivesse havido outras, pois elas devem ser tão antigas como a instituição dos municípios, embora só começassem a ser escritas desde o reinado de D. Afonso III. O nosso arquivo não vai além de 1750, devendo atribuir-se a esta falta o desconhecimento de «Posturas». mais remotas. Depois vieram as de 1859, que foram substituídas pelas de 1884; e ultimamente as de 1900, que estão em vigor, com umas modificações sobre pesca e caça, deste ano (1907). {{c|***}} Quem folhear os livros das vereações e dos registos, há-de notar que, em geral, para exercer as funções camarárias só eram chamados munícipes de consideração, como ''«nobres»'', «bachareis formados», «monteiros-móres», etc. Os ''almotocés'' eram quasi sempre nomeados de entre os vereadores que tinham acabado de servir. Parece que estes cargos eram privativos dos nobres, pois li uma reclamação, neste sentido, dirigida ao Corregedor. As funções administrativas e judiciais eram exercidas, cumulativamente, pelos juizes do foro, ora individualmente, ora colectivamente com os vereadores. Neste concelho só no último quartel do século XVIII é que os juizes ordinários começaram a usar da fórmula - «por S. Majestade...», pois até ali era - «pelo Visconde de Vila Nova de Cerveira». Devemos observar que, se a ideia democrática, que presidiu à instituição dos municípios, foi muito cerceada pela nomeação régia dos juizes, que por este facto foram antes factores do engrandecimento do poder do Rei, do que defensores do povo; hoje, esse feroz ''centralismo'', que escraviza os municípios, sob a máscara de ''protecção tutelar'', foi verdadeiro golpe de misericórdia nestas instituições. São tantas as peias, as dificuldades e formalismos que entravam a iniciativa municipal, que as melhores intenções e até decididas vontades desfalecem, sobretudo, nos municípios da província. Se, «cada terra tem seu uso...», deixem que o povo administre, por si, o que é seu.<noinclude></noinclude> 3ighve5ar2b2a35fe0ytvkdf32c58ab 551333 551332 2026-04-29T13:32:48Z Ruiaraujo1972 38032 551333 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>1756, sendo juiz ordinário (presidente nato da corporação) Miguel Soares Rocha Sotto-Maior e vereadores - Leonel de Sousa de Andrade, Alexandre Fernandes de Sousa Marinho e Augusto José Brandão de Castro: Procurador do Concelho era Luís Alves Barbosa<ref>Liv. das vereações de 1756-1758.</ref>. Legislavam sobre: 1.º aferimentos de pesos e medidas; 2.º licenças para vender azeite, vinho, etc.; 3.º montarias; 4.º cartas de ofícios para carpinteiros, ferreiros, etc.; 5.º plantação de hortas e nabaes; 6.º caça e pesca; 7.º venda de ovos, que não devia exceder 10 reis cada dezena; 8.º açambarcadores; 9.º apregoar em todas as feiras a postura contra açambarcadores; 10.º manifestos dos «terços»; 11.º preços dos carretos; 12.º manifesto do vinho; 13.º proibição de atirar às pombas; 14.º pousada a homens ou mulheres de má nota; 15.º mulheres grávidas solteiras; 16.º enterramentos de animais mortos; 17.º padreação de éguas; 18.º galinhas e porcos presos, nas sementeiras e S. Miguel. É natural que antes destas leis municipais tivesse havido outras, pois elas devem ser tão antigas como a instituição dos municípios, embora só começassem a ser escritas desde o reinado de D. Afonso III. O nosso arquivo não vai além de 1750, devendo atribuir-se a esta falta o desconhecimento de «Posturas». mais remotas. Depois vieram as de 1859, que foram substituídas pelas de 1884; e ultimamente as de 1900, que estão em vigor, com umas modificações sobre pesca e caça, deste ano (1907). {{c|***}} Quem folhear os livros das vereações e dos registos, há-de notar que, em geral, para exercer as funções camarárias só eram chamados munícipes de consideração, como ''«nobres»'', «bachareis formados», «monteiros-móres», etc. Os ''almotocés'' eram quasi sempre nomeados de entre os vereadores que tinham acabado de servir. Parece que estes cargos eram privativos dos nobres, pois li uma reclamação, neste sentido, dirigida ao Corregedor. As funções administrativas e judiciais eram exercidas, cumulativamente, pelos juizes do foro, ora individualmente, ora colectivamente com os vereadores. Neste concelho só no último quartel do século XVIII é que os juizes ordinários começaram a usar da fórmula - «por S. Majestade...», pois até ali era - «pelo Visconde de Vila Nova de Cerveira». Devemos observar que, se a ideia democrática, que presidiu à instituição dos municípios, foi muito cerceada pela nomeação régia dos juizes, que por este facto foram antes factores do engrandecimento do poder do Rei, do que defensores do povo; hoje, esse feroz ''centralismo'', que escraviza os municípios, sob a máscara de ''protecção tutelar'', foi verdadeiro golpe de misericórdia nestas instituições. São tantas as peias, as dificuldades e formalismos que entravam a iniciativa municipal, que as melhores intenções e até decididas vontades desfalecem, sobretudo, nos municípios da província. Se, «cada terra tem seu uso...», deixem que o povo administre, por si, o que é seu. {{rule}}<noinclude></noinclude> khu4359ubl7vgesldkp9l9a6dbpou9b Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/25 106 253135 551335 2026-04-29T13:43:25Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Faça-se menos política e mais administração nos muni- cípios, e o povo proteste sempre pelas suas regalias. {{c|---}} A eleição do juiz ordinário, vereadores, e procurador do concelho, quando algum falecia ou se livrava do cargo, era o Corregedor quem mandava proceder a ela, e os seus trâmites eram estes: a câmara designava o dia da eleição, sendo avisados para ela ''«as gentes da governança do concelho»'', afim de votarem «em acto de... 551335 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Faça-se menos política e mais administração nos muni- cípios, e o povo proteste sempre pelas suas regalias. {{c|---}} A eleição do juiz ordinário, vereadores, e procurador do concelho, quando algum falecia ou se livrava do cargo, era o Corregedor quem mandava proceder a ela, e os seus trâmites eram estes: a câmara designava o dia da eleição, sendo avisados para ela ''«as gentes da governança do concelho»'', afim de votarem «em acto de Câmara» (em sessão), e no «pelourinho» afixava-se um edital para o mesmo efeito. Chegado o dia designado, deitava-se um «pregão», convidando «todos da governança», que estivessem presentes, a reunirem-se para dar o seu voto. Terminado o pregão, começava a votação; e, feita esta, o juiz presidente mandava anunciar que, «se houvesse mais quem quizesse votar, viesse». A seguir fazia-se o «regulamento» dos votos (escrutínio), o apuramento para cada eleito, e por último a proclamação do mais votado. Terminadas estas operações, passava-se mandado para notificar os eleitos definitivamente, afim de se apresentarem a prestar juramento e entrarem no exercício dos seus cargos, devendo, antes do juramento, apresentar «folha corrida». {{c|---}} O cargo de «procurador do concelho» parece que era pouco apetecido, pois havia, quasi sempre, pedidos de isenção ou reclamações para o não servirem. --imagem-- {{c|ÍDOLO PRÉ-HISTÓRICO (Fol encontrado pelo autor, em 1905, na porteleira de uma propriedade de bravio, que fica ao sul da região das antas, na serra da Boulhosa. Está agora no Museu Etnológico de Lisboa)}}<noinclude></noinclude> hummfge6jq96lzb9a9zj41uyzlthzas Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/26 106 253136 551336 2026-04-29T13:47:11Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''{{c|CAPÍTULO II Orografia}}''' ESTE concelho é, sensivelmente, montanhoso. Não só está separado dos circunvizinhos por uma verdadeira e continuada cinta de montes, senão também que, interiormente, é muito recortado por eles. Daqui, como é natural, os seus numerosos vales, abundância de águas e a variedade de paisagens, que o enfeitam de diversa maneira, sendo algumas extremamente impressionantes. Todos os montes desta região são... 551336 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|CAPÍTULO II Orografia}}''' ESTE concelho é, sensivelmente, montanhoso. Não só está separado dos circunvizinhos por uma verdadeira e continuada cinta de montes, senão também que, interiormente, é muito recortado por eles. Daqui, como é natural, os seus numerosos vales, abundância de águas e a variedade de paisagens, que o enfeitam de diversa maneira, sendo algumas extremamente impressionantes. Todos os montes desta região são derivações das serras da «Peneda» ou Suajo que, em Coura, constituem vasto planalto. Não apresentam fragosas escarpas, nem cortes rápidos e abruptos, mas ramificam-se, suavemente, em todas as direcções, chegados aqui. Em geral, o seu acesso é, relativamente, fácil e agra- dável: encantador é o seu panorama. ''«S. Silvestre»'', a ''«Pena»'', o ''«Cotão»'', ''«Chã de Lamas»'', ''«Corno de Bico»'', ''«Carvalhal»'', ''«Travanca»'', a ''«Chã das<noinclude></noinclude> nc6ucdf95mamad7x90ninhitctqfznp 551337 551336 2026-04-29T13:47:23Z Ruiaraujo1972 38032 551337 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|CAPÍTULO II Orografia}}''' ESTE concelho é, sensivelmente, montanhoso. Não só está separado dos circunvizinhos por uma verdadeira e continuada cinta de montes, senão também que, interiormente, é muito recortado por eles. Daqui, como é natural, os seus numerosos vales, abundância de águas e a variedade de paisagens, que o enfeitam de diversa maneira, sendo algumas extremamente impressionantes. Todos os montes desta região são derivações das serras da «Peneda» ou Suajo que, em Coura, constituem vasto planalto. Não apresentam fragosas escarpas, nem cortes rápidos e abruptos, mas ramificam-se, suavemente, em todas as direcções, chegados aqui. Em geral, o seu acesso é, relativamente, fácil e agra- dável: encantador é o seu panorama. ''«S. Silvestre»'', a ''«Pena»'', o ''«Cotão»'', ''«Chã de Lamas»'', ''«Corno de Bico»'', ''«Carvalhal»'', ''«Travanca»'', a ''«Chã das<noinclude></noinclude> ry395bi2wvue7y422xvoix7lrei1rzb 551338 551337 2026-04-29T13:47:58Z Ruiaraujo1972 38032 551338 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|CAPÍTULO II}}''' '''{{c|Orografia}}''' ESTE concelho é, sensivelmente, montanhoso. Não só está separado dos circunvizinhos por uma verdadeira e continuada cinta de montes, senão também que, interiormente, é muito recortado por eles. Daqui, como é natural, os seus numerosos vales, abundância de águas e a variedade de paisagens, que o enfeitam de diversa maneira, sendo algumas extremamente impressionantes. Todos os montes desta região são derivações das serras da «Peneda» ou Suajo que, em Coura, constituem vasto planalto. Não apresentam fragosas escarpas, nem cortes rápidos e abruptos, mas ramificam-se, suavemente, em todas as direcções, chegados aqui. Em geral, o seu acesso é, relativamente, fácil e agra- dável: encantador é o seu panorama. ''«S. Silvestre»'', a ''«Pena»'', o ''«Cotão»'', ''«Chã de Lamas»'', ''«Corno de Bico»'', ''«Carvalhal»'', ''«Travanca»'', a ''«Chã das<noinclude></noinclude> l2l3hcbj2lpyzy4fz3eztz24qdrg868 Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/27 106 253137 551339 2026-04-29T13:55:52Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ''Pipas»'' e a ''«Boulhosa»'', etc., são outros tantos pontos, cujo horizonte se abre, ao largo, sob o docel anilado do espaço, em alpestres e campestres belezas, que seduzem e embriagam. Vamos percorrê-los, leitor amigo? Queres tonificar o pulmão com ar sadio da encosta, impregnado dos suaves eflúvios do rosmaninho? Deixa a Suissa, o estrangeiro, e vem ver o que é teu. Estuda, observa e admira o que tens ''de casa''. Valoriza o qu... 551339 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>''Pipas»'' e a ''«Boulhosa»'', etc., são outros tantos pontos, cujo horizonte se abre, ao largo, sob o docel anilado do espaço, em alpestres e campestres belezas, que seduzem e embriagam. Vamos percorrê-los, leitor amigo? Queres tonificar o pulmão com ar sadio da encosta, impregnado dos suaves eflúvios do rosmaninho? Deixa a Suissa, o estrangeiro, e vem ver o que é teu. Estuda, observa e admira o que tens ''de casa''. Valoriza o que a natureza - mãe pródiga - espontânea e liberalmente, te oferece, ''intra muros''. Serei o ''«cicerone»'' e vamos a ''«S. Silvestre»'' de Venade, até junto da pequena ermida, em abóbada de granito, que, no alto - esquecida faroleira - tem reagido contra o açoite das tempestades. Está só, no ermo, a remirar-se nos vales de esmeralda, que lhe ficam aos pés, como que velando por eles, a microscópica edícula. O pegureiro e o caçador saudam-na na sua passagem, e ela - a solitária sentinela - fica a observar quem lhe vai contornando a montanha ondulosa. Um raio desprendeu-se das nuvens, há poucos anos, e veio cair-lhe no dorso granítico; lascou-lhe as aduelas, abriu-lhe fendas, derruiu-lhe o ''marco geodesico'', alçado num cunhal posterior, mas não a prostrou!!<ref>Foi reparada neste ano (1907).</ref> Vamos, pois, lá. Uma manhã de Junho, um modesto ''farnel'', um binóculo e... a caminho do monte de S. Silvestre. {{c|***}} Estamos no alto, a 734 metros acima do nível do mar. Que soberbo espectáculo! Ao largo, no último horizonte, por todos os lados, formando continuados arcos de círculo, divisam-se as seguidas cordilheiras - austeras molduras -, em que se engasta este ridente e inconfundível retalho da nossa formosa província do Minho. Que largueza de vistas para Valença, para a Galiza, para Cerveira! Lá estão as muralhas da praça de Valença, da antiga ''«Contrasta»'', enroscando-se e estrangulando a povoação ''términus'' do nosso país, em frente de Tuy. Mais para cá, ainda no perímetro da praça, as novas e graciosas edificações da Esplanada, que dão a visão de pombas brancas, por aí pousadas. Daqui vos saudo, bons e ilustres valencianos! Além, um pouco mais para norte, repousa a sombria e vetusta cidade das ''ninās'' - a prolífera fábrica galaica de padres - Tuy. Ao fundo, entre as duas povoações fronteiriças, pode ver o leitor aquela larga fita, que se esconde diante da praça, para reaparecer, cá abaixo, pelo Tuydo, descrevendo pequenas curvas, por entre renques de choupos e salgueirais. É o rio Minho, que lhes está lambendo, languidamente, os pés e a dizer-lhes: ''«sois irmãs, mas independentes»''. Para oeste, os largos pinheirais da bacia de Cerdal, Fontoura e S. Pedro da Torre, serpeados por outra extensa<noinclude></noinclude> inrm835lavypzm9kmdkaaullwoyl1hf 551340 551339 2026-04-29T13:56:09Z Ruiaraujo1972 38032 551340 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>''Pipas»'' e a ''«Boulhosa»'', etc., são outros tantos pontos, cujo horizonte se abre, ao largo, sob o docel anilado do espaço, em alpestres e campestres belezas, que seduzem e embriagam. Vamos percorrê-los, leitor amigo? Queres tonificar o pulmão com ar sadio da encosta, impregnado dos suaves eflúvios do rosmaninho? Deixa a Suissa, o estrangeiro, e vem ver o que é teu. Estuda, observa e admira o que tens ''de casa''. Valoriza o que a natureza - mãe pródiga - espontânea e liberalmente, te oferece, ''intra muros''. Serei o ''«cicerone»'' e vamos a ''«S. Silvestre»'' de Venade, até junto da pequena ermida, em abóbada de granito, que, no alto - esquecida faroleira - tem reagido contra o açoite das tempestades. Está só, no ermo, a remirar-se nos vales de esmeralda, que lhe ficam aos pés, como que velando por eles, a microscópica edícula. O pegureiro e o caçador saudam-na na sua passagem, e ela - a solitária sentinela - fica a observar quem lhe vai contornando a montanha ondulosa. Um raio desprendeu-se das nuvens, há poucos anos, e veio cair-lhe no dorso granítico; lascou-lhe as aduelas, abriu-lhe fendas, derruiu-lhe o ''marco geodesico'', alçado num cunhal posterior, mas não a prostrou!!<ref>Foi reparada neste ano (1907).</ref> Vamos, pois, lá. Uma manhã de Junho, um modesto ''farnel'', um binóculo e... a caminho do monte de S. Silvestre. {{c|***}} Estamos no alto, a 734 metros acima do nível do mar. Que soberbo espectáculo! Ao largo, no último horizonte, por todos os lados, formando continuados arcos de círculo, divisam-se as seguidas cordilheiras - austeras molduras -, em que se engasta este ridente e inconfundível retalho da nossa formosa província do Minho. Que largueza de vistas para Valença, para a Galiza, para Cerveira! Lá estão as muralhas da praça de Valença, da antiga ''«Contrasta»'', enroscando-se e estrangulando a povoação ''términus'' do nosso país, em frente de Tuy. Mais para cá, ainda no perímetro da praça, as novas e graciosas edificações da Esplanada, que dão a visão de pombas brancas, por aí pousadas. Daqui vos saudo, bons e ilustres valencianos! Além, um pouco mais para norte, repousa a sombria e vetusta cidade das ''ninās'' - a prolífera fábrica galaica de padres - Tuy. Ao fundo, entre as duas povoações fronteiriças, pode ver o leitor aquela larga fita, que se esconde diante da praça, para reaparecer, cá abaixo, pelo Tuydo, descrevendo pequenas curvas, por entre renques de choupos e salgueirais. É o rio Minho, que lhes está lambendo, languidamente, os pés e a dizer-lhes: ''«sois irmãs, mas independentes»''. Para oeste, os largos pinheirais da bacia de Cerdal, Fontoura e S. Pedro da Torre, serpeados por outra extensa {{rule}}<noinclude></noinclude> 3grly0goyeygrdxajuc2m2vwotpv8ig Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/28 106 253138 551342 2026-04-29T14:02:31Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: fita alvacenta - a estrada real n.º 24, e os campanários de brancas igrejas, e os campos em flor e as muitas serranias da Galiza, distendendo os colos até à ''«Guardia»''. Acentuado trecho de paisagem minhota! S. Silvestre! Foi no dia 31 de Dezembro, de há muitos anos, por formosíssimo dia, sereno, tranquilo, como tudo que jazia em redor da montanha, que eu presenciei - surpreendido e maravilhado - um fenómeno atmosférico, como só p... 551342 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>fita alvacenta - a estrada real n.º 24, e os campanários de brancas igrejas, e os campos em flor e as muitas serranias da Galiza, distendendo os colos até à ''«Guardia»''. Acentuado trecho de paisagem minhota! S. Silvestre! Foi no dia 31 de Dezembro, de há muitos anos, por formosíssimo dia, sereno, tranquilo, como tudo que jazia em redor da montanha, que eu presenciei - surpreendido e maravilhado - um fenómeno atmosférico, como só poderá ser observado por quem, suspenso na barquinha do balão, for subindo, subindo, subindo... até navegar sobre o dorso doirado das altas nuvens, no estonteante oceano do ar. Um lençol enorme, para lhe não chamar mortalha, de muitos quilómetros quadrados, feito de densos farrapos de nevoeiro, alastrara, rapidamente, ao fundo, sobre a parte baixa do concelho, direcção sul, chegando a Cerveira, Caminha e serra d'Arga. Debaixo desta farta túnica cinzenta devia existir a sombra, a melancolia, porque ela interceptava a luz, os raios solares: e por cima via eu, com os amigos que me acompanhavam, ligeiras ondulações, como ténues vagas do mar, onde se reflectia uma bela luz anil. E estas ondulações apertavam-se em longas camadas e eram súbtis, de ligeira gase, onde se espelhava o sol, do alto. Uma ''folha'' do grande livro da natureza, ostentando duas páginas contraditórias - a treva e a luz! Os campos, os montes, as águas, envolvidos naquela mortalha de tristeza, existiam para mim, porque os retinha na memória, que da vista tudo desaparecera, quasi instantaneamente, como cena de mágica; e contudo, ''na página superior'', lá estava «S. Silvestre», a capelita, a realidade, a luz. Plena solidão, que não era bem a do mar, nem a do espaço indefinido; pois não sugestionava a vertigem do abismo, nem o receio da asfixia pela água. Empolgante quadro! A subida para o monte não é fadigosa, tomando-se o caminho de ''Venade'', povoação serrana, da freguesia de Ferreira, deitada ao sopé da montanha, que corre de norte a sul. A meia vertente, olhando para o meio dia, pode o meu companheiro, imaginário, de jornada, observar as graciosas povoações de Formariz, Infesta e outras, as encostas profusamente arborizadas, e as flexas de muitos campanários, encravados nos diversos canteiros deste jardim da natureza; e, na linha do extremo horizonte, envolvida em frouxa neblina azulada, a serra de Arga - a montanha santa -, tendo encostados a si, correndo na mesma direcção, os montes que se vão levantando de Romarigães e de S. Martinho de Coura, como bancadas sucessivas, assentes em larga praça. «Arga»! Outrora semeada de cenóbios, de grutas religiosas, de casas de oração, de anacoretas, que fugiam da cilada social, para ali, por entre fráguas afiadas, conversarem, no silêncio do ermo, com a Divindade! «Arga»! O ''altíssimo monte'', de que reza a Divisão dos Condados de D. Fernando, de Leão, e onde, no século VI, The fazia sentinela, em alcantilado píncaro, o ''Mosteiro Máximo!'' Foi nesta montanha, reza a lenda, que o ''«Aginha»'' - emérito salteador - redimiu os seus crimes, pelo martírio. 59<noinclude></noinclude> efvro4o8ecfav068c8sh1bxk5sxnimn 551343 551342 2026-04-29T14:03:10Z Ruiaraujo1972 38032 551343 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>fita alvacenta - a estrada real n.º 24, e os campanários de brancas igrejas, e os campos em flor e as muitas serranias da Galiza, distendendo os colos até à ''«Guardia»''. Acentuado trecho de paisagem minhota! S. Silvestre! Foi no dia 31 de Dezembro, de há muitos anos, por formosíssimo dia, sereno, tranquilo, como tudo que jazia em redor da montanha, que eu presenciei - surpreendido e maravilhado - um fenómeno atmosférico, como só poderá ser observado por quem, suspenso na barquinha do balão, for subindo, subindo, subindo... até navegar sobre o dorso doirado das altas nuvens, no estonteante oceano do ar. Um lençol enorme, para lhe não chamar mortalha, de muitos quilómetros quadrados, feito de densos farrapos de nevoeiro, alastrara, rapidamente, ao fundo, sobre a parte baixa do concelho, direcção sul, chegando a Cerveira, Caminha e serra d'Arga. Debaixo desta farta túnica cinzenta devia existir a sombra, a melancolia, porque ela interceptava a luz, os raios solares: e por cima via eu, com os amigos que me acompanhavam, ligeiras ondulações, como ténues vagas do mar, onde se reflectia uma bela luz anil. E estas ondulações apertavam-se em longas camadas e eram súbtis, de ligeira gase, onde se espelhava o sol, do alto. Uma ''folha'' do grande livro da natureza, ostentando duas páginas contraditórias - a treva e a luz! Os campos, os montes, as águas, envolvidos naquela mortalha de tristeza, existiam para mim, porque os retinha na memória, que da vista tudo desaparecera, quasi instantaneamente, como cena de mágica; e contudo, ''na página superior'', lá estava «S. Silvestre», a capelita, a realidade, a luz. Plena solidão, que não era bem a do mar, nem a do espaço indefinido; pois não sugestionava a vertigem do abismo, nem o receio da asfixia pela água. Empolgante quadro! A subida para o monte não é fadigosa, tomando-se o caminho de ''Venade'', povoação serrana, da freguesia de Ferreira, deitada ao sopé da montanha, que corre de norte a sul. A meia vertente, olhando para o meio dia, pode o meu companheiro, imaginário, de jornada, observar as graciosas povoações de Formariz, Infesta e outras, as encostas profusamente arborizadas, e as flexas de muitos campanários, encravados nos diversos canteiros deste jardim da natureza; e, na linha do extremo horizonte, envolvida em frouxa neblina azulada, a serra de Arga - a montanha santa -, tendo encostados a si, correndo na mesma direcção, os montes que se vão levantando de Romarigães e de S. Martinho de Coura, como bancadas sucessivas, assentes em larga praça. «Arga»! Outrora semeada de cenóbios, de grutas religiosas, de casas de oração, de anacoretas, que fugiam da cilada social, para ali, por entre fráguas afiadas, conversarem, no silêncio do ermo, com a Divindade! «Arga»! O ''altíssimo monte'', de que reza a Divisão dos Condados de D. Fernando, de Leão, e onde, no século VI, The fazia sentinela, em alcantilado píncaro, o ''Mosteiro Máximo!'' Foi nesta montanha, reza a lenda, que o ''«Aginha»'' - emérito salteador - redimiu os seus crimes, pelo martírio.<noinclude></noinclude> oet1swhwhm2sqfjup3qltclr2dg2hej Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/29 106 253139 551344 2026-04-29T14:13:26Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Será esta a serra ''Medullio'' dos romanos?<ref>«Portugal Ant. e Moderno», vol. 5.º, pág. 157: «Era, pois, o monté Medulio no paiz dos Bracaros e segundo as suas confrontações...não pode deixar de ser a actual serra de Arga». Nesta serra existem muitos vestígios de edifícios e fortificações, e até da célebre ''«cava»'', de que fala Orosio. Esta ''«cava»'' tinha 4 léguas de extensão e foi mandada fazer pelos legados romanos Antistio e... 551344 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Será esta a serra ''Medullio'' dos romanos?<ref>«Portugal Ant. e Moderno», vol. 5.º, pág. 157: «Era, pois, o monté Medulio no paiz dos Bracaros e segundo as suas confrontações...não pode deixar de ser a actual serra de Arga». Nesta serra existem muitos vestígios de edifícios e fortificações, e até da célebre ''«cava»'', de que fala Orosio. Esta ''«cava»'' tinha 4 léguas de extensão e foi mandada fazer pelos legados romanos Antistio e Firmio, para dominarem e vencerem muita gente que se tinha refugiado na serra».</ref> Ficar-lhe-ia por certo a antiga cidade de «Benis», se teve existência real?<ref>Argote, «De Antiquitatibus», pg. 122.</ref> Caminho de Insalde, rumo nordeste e vamos seguindo para um dos pontos mais altos do concelho - o cerro do ''«Cotão»'' por entre fechadas e frescas devezas de umbrosas carvalheiras, que nos protegem contra a incidência afogueada dos raios solares, que se esbatem no copado arboredo. Estamos na serra da ''Boulhosa'', caminho do ''Estremo''. As ''pilecas'', ofegantes pelo calor de Julho, vão chouteando, cadenciadamente, insensíveis ao acicate. Duzentos metros mais e defrontaremos com o ''Cotão'', que será o ''términus'' da nossa caminhada. A trilha, aberta na macia relva, é suave e dá a impressão de fofo tapete. Apear, pois; e as montadas irão forragear no verde e aromático feno do ''cerrado'' próximo. Nós - eu e o amável leitor - iremos subindo o resto da encosta noroeste, a pé. Eis-nos no alto do cabeço, a 844 metros de altitude. Horizonte desafogado, largo, interessante e variado na paisagem, tintas e colorido. É esta a primeira impressão ao evolucionar da vista, sem a prender, nos seus voos rápidos, às multiplices tonalidades do majestoso espectáculo, que nos deslumbra. A leste, os massiços da ''Peneda'' e de ''Melgaço'', onde se vislumbram uns lugarejos, meio escondidos nos seus recortes e ravinas. A sudoeste, como que caindo das montanhas, começam a desenhar-se as várzeas do concelho dos Arcos de Valdevez, as quais vão seguindo duas sinuosidades esfumadas - o rio Vez e a estrada para Monção. - ''Cabreiro, Vilela, Gondoriz, Couto, Ázere'' e ''Giela'', são freguesias que se estendem, graciosamente, na margem esquerda do rio, cujas águas se tingiram de sangue, diz a tradição, na ''«Veiga da matança»'', pouco abaixo da vila, quando ali se feriu uma «batalha» entre portugueses e castelhanos<ref>Teve lugar entre as forças de D. Afonso Henriques e Afonso VII de Castela em 25 de Junho de 1128. Dizem outros que não foi batalha, mas um recontro, apenas.</ref>. Ao largo, para o sul, a antiga vila de ''Vice'', da qual conservo saudosa recordação, desde os tempos em que nela fiz a iniciação da aprendizagem do ''«qui, quae, quod»'', na aula régia do ríspido professor José Maria da Cunha, em 1863-1864. A minha pousada era na casa de uns bons parentes meus, da freguesia de Giela, que me receberam e trataram amoravelmente e cujo chefe tinha sido sargento miliciano de D. Miguel, a quem serviu não platonicamente, mas batendo-se nas campanhas fratricidas, donde trouxe duas formosas condecorações: uma bala de fuzil, num pulso, e {{rule}}<noinclude></noinclude> a729l6hm6d1q0pgsq6n3frrlch78kyg Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/30 106 253140 551345 2026-04-29T14:27:58Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: dois dedos de menos, num pé, que o estilhaço de uma granada lhe amputara. A enfeitar tudo isto, feroz reumatismo o acompanhou à vala comum. Todos os dias fazia eu o itinerário regulamentar para a vila pelo pontelhão da Valeta. Às vezes, porém, na quadra invernosa, o río engrossava tanto, que tomava impossível a passagem a pé enxuto, porque as águas, galgando o pontelhão, dificultavam a sua travessia. Valia-me então, quando a torment... 551345 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>dois dedos de menos, num pé, que o estilhaço de uma granada lhe amputara. A enfeitar tudo isto, feroz reumatismo o acompanhou à vala comum. Todos os dias fazia eu o itinerário regulamentar para a vila pelo pontelhão da Valeta. Às vezes, porém, na quadra invernosa, o río engrossava tanto, que tomava impossível a passagem a pé enxuto, porque as águas, galgando o pontelhão, dificultavam a sua travessia. Valia-me então, quando a tormenta me surpreendia na vila, um bom e santo comerciante - António Vaz -, que punha à minha disposição um seu ''marçano'', sobre os ombros do qual eu cavalgava, para transpor o difícil pego. À memória, pois, do honrado comerciante aqui deixo o testemunho, agradecido, da minha veneração, pelos favores que ele e os seus dispensaram ao bisonho «caloiro». Na aula de gramática latina foi meu primeiro ''«decurião»'' o Sr. Teixeira de Queiroz - um laureado nas Letras - que nelas se chama Bento Moreno. Por isso, ainda quero muito à terra de Valdevez, embora não me lembre se o meu decurião me alumiou, por fortuna, o caminho do estudo com os olhos da milagrosa Santa Luzia, cujo culto se dilatava, então, por todo o país, tendo, aliás, no distinto professor fervoroso devoto. Se fora vivo, podia depor, sobre o facto, o Padre Francisco Sequeiros, da casa de Vidão, em Coura, cujas mãos, por causa de certa lição, não ficaram em ''lençois de vinho'', mas da cor do mais retinto, que produz esta bela região. Aí está, porém, o dr. António J. Alves de Melo, Director não sei de que Escola na terra das ''clássicas frigideiras'' - Braga -, e o também dr. Silvestre Saraiva, já então valentaço, que, se forem chamados à barra, hão-de sustentar, ''convictos'', esta tese: «O professor José María da Cunha era tão bom latinista, como destro adorador da ''férula''.» Silvestre Saraiva, porém, levava-nos as lampas nos ''santos exercícios ferulenses:'' se não tinha, parecia que as palmas das mãos estavam forradas de sola. Era impassível no martírio! Bons amigos, perdoai a minha tagarelice: quiz, apenas, registar, aqui, os vossos nomes e, com eles, o da vossa terra natal, de que não posso, nem devo esquecer-me. Continuando: O «Cotão», como gigante selvagem, vai alongando os braços, ingentes, pelo concelho de Coura, e, na sua passagem, abraça, em largos amplexos, as povoações que encontra até ao mar, tomando diferentes nomes. É severo, cheio de imponência e majestade, o panorama que ele nos oferece; e quem aí estiver, quando o sol vai atufar-se nas salsas águas, verá por uma nesga do horizonte, aberta por entre montanhas, como que uma enorme fogueira, de clarões avermelhados, na direcção de Caminha. É o grande espelho do oceano, reflectindo as últimas fulgurações sanguíneas do astro-rei. Não se traz do «Cotão» a impressão de uma paisagem delicada, fina, burilada em moldes de miniatura, senão a repercussão de um quadro austero, empolgante pelo rasgado das linhas e largueza de contornos. Faz lembrar um Sinai, trovejando na sarça. Perante este espectáculo, quasi se chega a desculpar um assomo panteísta.<noinclude></noinclude> m9djgduzltoxgqpv8uyytdva4rhfc76 Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/31 106 253141 551347 2026-04-29T15:02:01Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A ''«Pena»'' é uma ondulação, arremessada para ali pelo monte do ''Crasto''. Serve de anteparo à freguesia de Moselos, para a resguardar das ingratas rajadas do norte. --imagem-- Capela da Pena Cortada quasi a pique sobre ela, é indispensável costear, até ao pino, a eminência, para se poder avaliar, com justeza, das variadas tonalidades campesinas desta região. Que fértil e larga bacia, constituída pelo ubérrimo solo das freguesia... 551347 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>A ''«Pena»'' é uma ondulação, arremessada para ali pelo monte do ''Crasto''. Serve de anteparo à freguesia de Moselos, para a resguardar das ingratas rajadas do norte. --imagem-- Capela da Pena Cortada quasi a pique sobre ela, é indispensável costear, até ao pino, a eminência, para se poder avaliar, com justeza, das variadas tonalidades campesinas desta região. Que fértil e larga bacia, constituída pelo ubérrimo solo das freguesias de Moselos, Formariz, Paredes, Cristelo e Parada, (na sua parte baixa), toda ela burilada por longos fios de água, que vão enrelvando a pradaria! Além, para o sul, no contraforte do pequeno monte da ''Cotaleira'', alveja a vila de Paredes de Coura, muito lavada, muito limpa e... muito remoçada, como que a sorrir-se para o forasteiro que, da Pena, estivesse a fotografar-lhe as suas feições novas. O horizonte é adorável. Por entre os longos maciços do arvoredo, saltitados de casas e capelitas de neve, aparecem trechos de verdura, fazendo o fundo filigranado deste canteiro virgiliano - desta «natureza que parece cantada», como disse João Chagas<ref>«Primeiro de Janeiro», ano 38.º, n.º 208, de 2 de Novembro de 1906, «As minhas razões».</ref>. Quem olhar para baixo, para a raiz do monte, pensa estar à beira de um grande berço, feito de esmeraldas. Dá vontade de ficar ali, a gastar os olhos nesta zona encantadora. Visitar este concelho e não ir ao monte da ''Pena'', é como entrar num jardim às escuras. Ide lá, de verão. {{c|---}} O ''«Corno de Bico»'', a 889 metros sobre o nível do mar, é a Sibéria desta região, pois é nele que pousam os nevões com mais frequência, posto que pouca demora. Corre a leste, na linha norte-sul. De longe, afigura-se árido, invio e pesado, e contudo o solo contém muito ''húmus'', e é vivificado por muitas nascentes, de boas águas, que, decorrendo pelas ravinas, o tornariam apto para a cultura. A sua encosta poente, voltada para este concelho, armada de longos giestais, é na primavera um interessante retalho de paisagem, enflorado de amarelo. Coroado de enormes blocos de granito, o ''«Corno de'' {{rule}}<noinclude></noinclude> 1cb908nvbzfab033mnv3etxn8r1c4hs 551348 551347 2026-04-29T15:02:22Z Ruiaraujo1972 38032 551348 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>A ''«Pena»'' é uma ondulação, arremessada para ali pelo monte do ''Crasto''. Serve de anteparo à freguesia de Moselos, para a resguardar das ingratas rajadas do norte. --imagem-- Capela da Pena Cortada quasi a pique sobre ela, é indispensável costear, até ao pino, a eminência, para se poder avaliar, com justeza, das variadas tonalidades campesinas desta região. Que fértil e larga bacia, constituída pelo ubérrimo solo das freguesias de Moselos, Formariz, Paredes, Cristelo e Parada, (na sua parte baixa), toda ela burilada por longos fios de água, que vão enrelvando a pradaria! Além, para o sul, no contraforte do pequeno monte da ''Cotaleira'', alveja a vila de Paredes de Coura, muito lavada, muito limpa e... muito remoçada, como que a sorrir-se para o forasteiro que, da Pena, estivesse a fotografar-lhe as suas feições novas. O horizonte é adorável. Por entre os longos maciços do arvoredo, saltitados de casas e capelitas de neve, aparecem trechos de verdura, fazendo o fundo filigranado deste canteiro virgiliano - desta «natureza que parece cantada», como disse João Chagas<ref>«Primeiro de Janeiro», ano 38.º, n.º 208, de 2 de Novembro de 1906, «As minhas razões».</ref>. Quem olhar para baixo, para a raiz do monte, pensa estar à beira de um grande berço, feito de esmeraldas. Dá vontade de ficar ali, a gastar os olhos nesta zona encantadora. Visitar este concelho e não ir ao monte da ''Pena'', é como entrar num jardim às escuras. Ide lá, de verão. {{c|---}} O ''«Corno de Bico»'', a 889 metros sobre o nível do mar, é a Sibéria desta região, pois é nele que pousam os nevões com mais frequência, posto que pouca demora. Corre a leste, na linha norte-sul. De longe, afigura-se árido, invio e pesado, e contudo o solo contém muito ''húmus'', e é vivificado por muitas nascentes, de boas águas, que, decorrendo pelas ravinas, o tornariam apto para a cultura. A sua encosta poente, voltada para este concelho, armada de longos giestais, é na primavera um interessante retalho de paisagem, enflorado de amarelo. Coroado de enormes blocos de granito, o ''«Corno de'' {{rule}}<noinclude></noinclude> muk6jxugtqbvdzjthlnu0d8zvqn1vvt Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/32 106 253142 551349 2026-04-29T15:11:24Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ''Bico»'' faz lembrar, visto de distância, uma fortaleza desmoronada, um desmantelado ''Castrum''. Nunca há-de esquecer-me que, ao atravessar da freguesia de Miranda para a de Castanheira, fui surpreendido, nesta montanha por nevoeiro tão intenso e cerrado, que, perdido o caminho e desnorteado, andei errante desde as 5 horas da tarde até às 11 da noite, sempre à espera de ir de encontro a um dos seus penedos, ou de ser sepultado vivo... 551349 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>''Bico»'' faz lembrar, visto de distância, uma fortaleza desmoronada, um desmantelado ''Castrum''. Nunca há-de esquecer-me que, ao atravessar da freguesia de Miranda para a de Castanheira, fui surpreendido, nesta montanha por nevoeiro tão intenso e cerrado, que, perdido o caminho e desnorteado, andei errante desde as 5 horas da tarde até às 11 da noite, sempre à espera de ir de encontro a um dos seus penedos, ou de ser sepultado vivo nas guelas de algum barranco, aberto pelas águas! A nevoeirada transformara-se, depois, em catadupas pesadíssimas, que me fizeram crer que de novo se tinham aberto as cataratas bíblicas. As trevas eram as do abismo, as torrentes faziam-me prever que, como a barca de Noé, eu seria levado por elas, visto não haver meio de poder alcandorar-me no próprio ''«Corno de Bico»'', que talvez seja algum bloco, que por lá ficasse com esta configuração e donde o monte tirasse o nome. Uma ânsia horrorosa! ''«Horresco referens»''! Que longas e infinitas horas! Ensopado em água até à medula, sem uma réstea de luz para me nortear, sem uma estrela que me alumiasse, preso à rédea da montada, da qual, prudentemente, tinha apeado, sentia-me desfalecer, lembrando-me de que, para cúmulo de desgraças, podia ser triturado nas fauces de algum lobo, que também os havia na hórrida montanha. O acaso, porém, bendito seja ele! depois de tanta ansiedade, precipícios e perigos, que tinham posto em jogo a minha vida, deparou-me uma quebrada, onde, havia anos, eu passara, com o meu parente e amigo dr. António Pereira de Sousa, considerado médico em Melgaço, caçando às perdizes, a qual me foi pista para poder abordar à igreja de Bico. Agora desforço-me, imprecando este «Corno de Bico» com todas as maldições do Averno e previno o meu benevolente leitor de que tenha cuidado com ele em dias nevoeirentos. Quem sabe se outra vítima lhe atirou para cima da lombada com a denominação que tem, decerto anátema cruel? «Corno de... Bico»! ''Dois qualificativos''... para ficar bem patente a sua índole traiçoeira. '''{{c|Travanca}}''' Manhã tépida e carinhosa. Avesitas a gorjear os hinos da primavera; o mês das flores e das lavradas: Maio. Vamos à «Travanca»? É ao sul e corre de leste a oeste. Saúdo-te, histórica montanha e quisera beijar-te! porque tu e a humilde capelinha de Cerdeira<ref>Povoação montanhosa da freguesia de Cunha, situada na encosta da Travanca.</ref> sois as testemunhas seculares que, atravessando as idades, ides relembrando um glorioso feito de guerra da antiga alma portuguesa, que teve por teatro a encosta leste da montanha! A religião da natureza e a religião do altar deram-se as mãos para testificar da valentia de nossos pais, quando nos memoráveis dias 9 e 10 de Agosto de 1662, sob as ordens do Conde do Prado D. Francisco de Sousa, batiam {{rule}}<noinclude></noinclude> qtcdejw96mbis50lj9t44d5hvtj5a76 Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/33 106 253143 551350 2026-04-29T15:22:43Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: aqui as forças de Castela, comandadas por Roxas e Pantoja<ref>Em 1663 o mesmo Conde invadiu a Galiza e conquistou Goyan, povoação fronteira a Vila Nova de Cerveira. Em 1665 o general português João da Cunha Sotto-Maior, com 300 soldados de cavalaria e 200 de infantaria, bateu D. Inigo Fernandes de Velasco, Vice-Rei da Galiza. Em Junho do mesmo ano, o mesmo Conde do Prado atravessou o Minho em uma ponte de barcas, em direcção à Guardia... 551350 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>aqui as forças de Castela, comandadas por Roxas e Pantoja<ref>Em 1663 o mesmo Conde invadiu a Galiza e conquistou Goyan, povoação fronteira a Vila Nova de Cerveira. Em 1665 o general português João da Cunha Sotto-Maior, com 300 soldados de cavalaria e 200 de infantaria, bateu D. Inigo Fernandes de Velasco, Vice-Rei da Galiza. Em Junho do mesmo ano, o mesmo Conde do Prado atravessou o Minho em uma ponte de barcas, em direcção à Guardia, ameaçada pelo general espanhol, que não aceitou batalha. Em Outubro do mesmo ano, também o Conde, deixando Scomberg na província de Entre Douro e Minho, passou outra vez à Galiza, saqueou o Rozal, caminhou sobre ''Bayona'' e ''Bouças'', perto de Vigo, sendo esperado em ''S. Colmado'' pelo general espanhol D. Luiz Poderico, que fugiu, apenas avistou o exército português. Então o Conde seguiu para o ''Porrinho'', que incendiou, e destruiu as suas fábricas de farinhas e biscoito, donde se abastecia o exército espanhol. Flanqueou para o sul e caiu sobre a Guardia, pondo-lhe cerco, que fechou em 12 de Novembro. Depois desta lição aos espanhóis, voltou o Conde à sua província.</ref>. ''«O monumento»'' não condiz com a grandeza do feito, mas é eloquente bastante para fazer evocar, com veneração, a memória dos valentes portugueses que aqui selaram com sangue generoso a vitória das nossas armas. Por isso, saúdo-te, gloriosa estância e quisera beijar-te! A «Travanca»! Foi na sua vertente leste que, em 1662, se feriram os combates dos dias 9 e 10 de Agosto<ref>Devo a informação particular do Sr. Cunha Brandão as referências que vão seguir-se, extraidas dum escrito seu, destinado a ser publicado no aniversário destes combates.</ref>. Não temos informações minuciosas acerca deles, fornecidas pela história militar ou pelas crónicas coevas e posteriores. Contudo, pelos relatos que se encontram na Torre do Tombo<ref>«Consultas» ao Conselho de Guerra de 1662.</ref> e por notícias avulsas, sabe-se que os combates da Travanca foram precedidos, acompanhados e seguidos de importantes evoluções táctico-estratégicas pelos montes deste concelho e pelos vales do Minho e do Vez; que os habitantes de Coura, capitaneados por António Pereira da Cunha, não só secundaram, brilhantemente, as tropas de linha, mas empregaram, durante alguns meses, --imagem do lado esquerdo -- Histórica capela de Cerdeira os mais generosos esforços para sustentar as mesmas a tropas; que morreram cerca de 1.500 inimigos: que o quartel general do Conde do Prado se achava instalado na Boulhosa sobre o Estremo a 28 de Julho; que no relatório deste dia participou ao Conselho de guerra a ocupação daquela posição para «cobrir todas as freguesias de Coura, sem as quais se não pode sustentar o exército»; que em 2 de Agosto estava o quartel general em Paredes, tendo esta data o relatório de um pequeno combate junto à Gandra de Prozelo, nos Arcos, e bem assim das providências adoptadas para cobrir Coura e Valença, visto Pantoja aproximar-se do Estremo; e, finalmente, que foi em Paredes que o Conde escreveu o relatório dos referidos combates da Travanca. {{rule}}<noinclude></noinclude> cgniec5sgup8bgryk9cix3ijtreua8e Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/34 106 253144 551351 2026-04-29T15:34:28Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A modesta capela de Cerdeira é o seu padrão: não nos maravilha pela imponència do alçado, mas é motivo de desvanecimento para esta terra, que tantos serviços prestou ǎ pátria, durante a guerra da Restauração. Cumpre, pois, não descurar a conservação desta relíquia veneranda - a capela de S. Lourenço de Cerdeira; e à Câmara Municipal incumbe velar por ela, como padrão de glórias concelhias. Acresce que o espírito popular, para explica... 551351 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>A modesta capela de Cerdeira é o seu padrão: não nos maravilha pela imponència do alçado, mas é motivo de desvanecimento para esta terra, que tantos serviços prestou ǎ pátria, durante a guerra da Restauração. Cumpre, pois, não descurar a conservação desta relíquia veneranda - a capela de S. Lourenço de Cerdeira; e à Câmara Municipal incumbe velar por ela, como padrão de glórias concelhias. Acresce que o espírito popular, para explicar, em certo modo, a importância do feito, bordou-o com uma lenda maravilhosa, ainda conservada na tradição local, como pessoalmente verifiquel. A lenda é esta: a batalha da Travanca iniciara-se a 9 de Agosto, ficando indecisa. Na noite de 9 para 10 apareceram iluminadas, miraculosamente, as pontas do gado manadio, que pascia no monte e que, então, costumava ser muito numeroso. O inimigo, observando o estranho caso, supôs serem soldados portugueses com luzes; e intimidado com ''tamanho exército'', bateu em retirada no dia 10, sempre acossado pelos nossos. Foi S. Lourenço, continua a lenda, que, por esta forma, quis assinalar o dia que a Igreja lhe consagra (10 de Agosto), manifestando-se a favor dos portugueses<ref>Esta lenda não é privativa desta localidade (Vide freguesia de Cunha).</ref>. {{c|---}} Esboçada a parte histórica da Travanca, vamos à sua crista - a 702 metros de altitude. Domina esta serra todo o baixo concelho, servindo- -lhe como que de ''atalaia''; e do ponto em que nos encontramos, o seu horizonte abarca grande parte dos concelhos de Cerveira e Ponte do Lima. O horizonte é, com efeito, largo, mas o que, principalmente, prende a nossa observação de ''«touriste»'' são os montes internos do concelho. Dir-se-ia uma grande tela coberta de ondulações. O melhor percurso para a Travanca é a estrada municipal desta vila a Ponte do Lima, pois, apeando-se na «Bouça Redonda» (limite entre os dois concelhos), está-se na encosta leste da serra. {{c|***}} Como estamos perto, sigamos para o ''«Carvalhal»'', continuação poente da Travanca. No regresso, viremos ao moinho do Túmio, para tomarmos, em Cunha, o carro que nos levará à vila, onde nos espera a hospedagem da Sr.a Miquelina, que manda servir aos seus hóspedes abundantes e suculentas refeições, já reclamadas pelo rebate da nossa viscera estomacal, cujo funcionamento se apressou com o passeio e com o ar puro, tonificante, da montanha. E, depois; a boa hospedeira está para a nossa terra como o antigo ''Matta'' para Lisboa: quer que a sua clientela coma bem. Mas vejamos o monte do Carvalhal: defronta com a serra do ''Formigoso'', havendo entre ambos duas ''Portelas'' - a grande e a pequena, - que dão comunicação deste concelho para o de Ponte do Lima. Ali, abaixo, estão fugindo para o ar as flechas de dois campanários, que parece nascerem da copa escura dos pinheirais da encosta sul. É o majestoso templo do ''Socorro'', onde no 1.º Domingo de Julho tem lugar a afamada romaria deste nome, na {{rule}}<noinclude></noinclude> 09k5iybgblo527fepqk0ybrhyx4n3gd Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/35 106 253145 551352 2026-04-29T15:44:31Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: qual, em tempos idos, se fazia a exibição das ''«papas de Coura»'', que as nossas mães sabiam preparar com incontestada mestria culinária e oferecer, em alvas toalhas de linho, com graciosa gentileza. Creio que os nossos vizinhos limarenses ainda se lembrarão delas - das lendárias papas - preparadas em butiroso leite com o milho alvo, descascado. Além, para o sul, beijada pelo rio ''Lima'', denuncia-se intensa aglomeração de casaria... 551352 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>qual, em tempos idos, se fazia a exibição das ''«papas de Coura»'', que as nossas mães sabiam preparar com incontestada mestria culinária e oferecer, em alvas toalhas de linho, com graciosa gentileza. Creio que os nossos vizinhos limarenses ainda se lembrarão delas - das lendárias papas - preparadas em butiroso leite com o milho alvo, descascado. Além, para o sul, beijada pelo rio ''Lima'', denuncia-se intensa aglomeração de casaria branca: é a vila de Ponte do Lima, a donairosa castelã do Marquês, a mais risonha e sugestiva povoação do distrito de Viana do Castelo. Está a remirar-se, de envaidecida, nas águas de cristal do seu poético rio, como uma noiva, toucada de branco, embebecida na contemplação, indiscreta, das suas galas nupciais. Adorável este raio visual! Há bons anos, percorri este monte de arma ao ombro e perdigueiro ao lado, em excursão cinegética. Trouxe, porém, de lá uma grande impressão de tristeza e melancolia. Foi o caso que, ao passar junto de umas ramificadas ''«luras»'' de coelhos, com grandes ''«portas»'', referiu-me o meu companheiro um caso de ferocidade humana, que me enoiteceu a alma. Dissera ele que, havia poucos anos, tinha aparecido dentro duma daquelas ''«portas»'', o cadáver de um infeliz, que fora assassinado na próxima freguesia de Rendufe, (Ponte do Lima) e depois conduzido, ''pelo próprio assassino'', para aquele sinistro esconderijo, ficando ali à mercê da cainçada esfaimada! Arrepiaram-se-me as carnes, fiquei estarrecido ao ouvir contar o fúnebre caso e julguei-me à beira de um repositório de ossadas, em terra de cafres, bandidos, ou canibais. Horroroso! Hoje, nem armado... para a caça, ousaria ir ao sítio. {{c|***}} Mais para o poente da Portela Grande fica a ''Portela Pequena'', onde começam a encontrar-se vestígios e restos da ''via militar romana'' de Braga para Astorga, na Galiza. Quem seguir deste ponto para o sul, verá uns ''cortes'', a meia encosta da vertente leste da serra do Formigoso, con- tornando os acidentes da montanha, sempre com regular e ''estudada inclinação'', até se perderem de vista numa grande curva, correspondente a uma ondulação do terreno, na proximidade da igreja da Labruja. O traçado desta ''via'', procurando flanquear suavemente a encosta, desenvolve-se, desde o fundo, até dominar a passagem desta Portela. O leito esboroado, e, em partes, cortado por caminhos que se dirigem ao monte, e noutras, coberto pela camada de terra, que a acção das chuvas tem arrastado e depositado nele, ainda apresenta pequenos trechos de empedrado. Próximo do lugarejo da ''Cámboa'', pertencente áquela freguesía, caminho da Portela, há uma ''curva'', bastante apertada, que foi aberta na rocha a picão. Na distância de todo o lugarejo desaparece a ''via'', naturalmente por ter sido cultivado o seu leito. A ''«Cámboa»'', pequena e pobríssima povoação serrana, jaz escondida numa funda ravina da mencionada encosta do Formigoso. Vêem-se lá ruínas de muitos edifícios - pequenas e acanhadas casas, - muito juntas, de configuração rectangular.<noinclude></noinclude> fvur7gulz3loq6xzi47lppt6cke2x2v Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/36 106 253146 551353 2026-04-29T15:52:24Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Dentro de uma, que havia sido desobstruída, internamente, pouco tempo antes da minha inspecção, (como denunciava o entulho espalhado à porta) para ser adaptada a curral de cabras, ficou a descoberto, no pavimento, uma pedra, configuração de mó, com orificio incompleto ao centro. Afigura-se-me estação arcaica, que merece estudo. Foi no dia 20 de Outubro de 1905 que, com os meus amigos José Guerreiro, inteligente professor da escola de... 551353 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Dentro de uma, que havia sido desobstruída, internamente, pouco tempo antes da minha inspecção, (como denunciava o entulho espalhado à porta) para ser adaptada a curral de cabras, ficou a descoberto, no pavimento, uma pedra, configuração de mó, com orificio incompleto ao centro. Afigura-se-me estação arcaica, que merece estudo. Foi no dia 20 de Outubro de 1905 que, com os meus amigos José Guerreiro, inteligente professor da escola de Rubiães, e José Bacelar, distinto secretário da administração deste concelho, descobri estes restos da ''«via militar»''<ref>Voz de Coura», 3.º ano, n.º 108.</ref>. {{c|---}} A sudoeste da mesma Portela Pequena levanta-se alto cabeço, a que se chama ''«Cidade murada»'', onde se encontra extensa linha de pedras soltas, que dão a ideia de terem ruído de algum muro. O sítio - amplo ponto de vista - domina a mencionada Portela e todo o vale adjacente da freguesia de Romarigães. Ao sul do cabeço estende-se espaçoso terreno plano, bem próprio para edificações, cuja existência aí, em tempos remotíssimos, não repugna admitir, em vista da muita pedra faceada que por lá se vê. E esta hipótese está em concordância com a toponímia local e com a tradição oral. Chamo para este ponto a atenção dos arqueólogos. '''{{c|Chã das Pipas}}''' Não vai longe que as excursões da ''élite'' courense se faziam, de preferência, para o monte da ''Chã das Pipas'', continuação poente da serra da Boulhosa. Esta preferência era justificada. A ''Chã das Pipas'' como que serve de docel ao lendário ''Castelo da Furna'', e tem diferentes altitudes. As marcadas na carta topográfica são de 621, 629 e 666 metros <ref>Carta topográfica, n.º 1, da Comissão geodésica.</ref>. É verdadeiramente deslumbrante o panorama da «Chã das Pipas». A feracíssima bacia de Monção, o rio Minho, a Galiza com os seus esfumados montes, as ribeiras, os templos, as estradas, os largos maciços de pinheirais, desenham painel tão o brincado de luz, de belezas, de fascinações, que dá vontade de ficar ali. Lá fora, ao longe, para o norte, as montanhas galaicas, fechando o horizonte como extensa faixa de mar: mais para cá, um pouco contra o rio internacional, vão-se fixando, mais nítidos, os verdejantes vales, os casais, as povoações. Que modalidades! O que ao largo é nebuloso e indefinido, acentua-se, determina-se, à medida que o raio visual se torna mais restrito. As enormes massas graníticas, escuras, das serranias longinquas, são substituídas por outras, de formas precisas, que se levantam na margem galega. E aí mesmo, divisa-se uma longa faixa branca, qual muro de quinta de burguês rico: é a risonha povoação das ''*Niéves»''. {{rule}}<noinclude></noinclude> kmkqpd4af5bxrxkvxctan0w0czo5pqw 551354 551353 2026-04-29T15:52:48Z Ruiaraujo1972 38032 551354 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Dentro de uma, que havia sido desobstruída, internamente, pouco tempo antes da minha inspecção, (como denunciava o entulho espalhado à porta) para ser adaptada a curral de cabras, ficou a descoberto, no pavimento, uma pedra, configuração de mó, com orificio incompleto ao centro. Afigura-se-me estação arcaica, que merece estudo. Foi no dia 20 de Outubro de 1905 que, com os meus amigos José Guerreiro, inteligente professor da escola de Rubiães, e José Bacelar, distinto secretário da administração deste concelho, descobri estes restos da ''«via militar»''<ref>«Voz de Coura», 3.º ano, n.º 108.</ref>. {{c|---}} A sudoeste da mesma Portela Pequena levanta-se alto cabeço, a que se chama ''«Cidade murada»'', onde se encontra extensa linha de pedras soltas, que dão a ideia de terem ruído de algum muro. O sítio - amplo ponto de vista - domina a mencionada Portela e todo o vale adjacente da freguesia de Romarigães. Ao sul do cabeço estende-se espaçoso terreno plano, bem próprio para edificações, cuja existência aí, em tempos remotíssimos, não repugna admitir, em vista da muita pedra faceada que por lá se vê. E esta hipótese está em concordância com a toponímia local e com a tradição oral. Chamo para este ponto a atenção dos arqueólogos. '''{{c|Chã das Pipas}}''' Não vai longe que as excursões da ''élite'' courense se faziam, de preferência, para o monte da ''Chã das Pipas'', continuação poente da serra da Boulhosa. Esta preferência era justificada. A ''Chã das Pipas'' como que serve de docel ao lendário ''Castelo da Furna'', e tem diferentes altitudes. As marcadas na carta topográfica são de 621, 629 e 666 metros <ref>Carta topográfica, n.º 1, da Comissão geodésica.</ref>. É verdadeiramente deslumbrante o panorama da «Chã das Pipas». A feracíssima bacia de Monção, o rio Minho, a Galiza com os seus esfumados montes, as ribeiras, os templos, as estradas, os largos maciços de pinheirais, desenham painel tão o brincado de luz, de belezas, de fascinações, que dá vontade de ficar ali. Lá fora, ao longe, para o norte, as montanhas galaicas, fechando o horizonte como extensa faixa de mar: mais para cá, um pouco contra o rio internacional, vão-se fixando, mais nítidos, os verdejantes vales, os casais, as povoações. Que modalidades! O que ao largo é nebuloso e indefinido, acentua-se, determina-se, à medida que o raio visual se torna mais restrito. As enormes massas graníticas, escuras, das serranias longinquas, são substituídas por outras, de formas precisas, que se levantam na margem galega. E aí mesmo, divisa-se uma longa faixa branca, qual muro de quinta de burguês rico: é a risonha povoação das ''*Niéves»''. {{rule}}<noinclude></noinclude> lmjdn985pnybvyulyh070mktwmv0n1q Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/37 106 253147 551356 2026-04-29T16:08:07Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A ''«Chā das Pipas»!'' Fale João Chagas, o inconfundível, o original escritor das gazetas: «A Boulhosa é uma alcandorada varanda sobre o vale de Monção, mas não é na realidade um vale que se vê de cima. É um pedaço da superfície da terra, com a sua exacta configuração. No momento de atingirmos essa alta cumiada, varrida pelas ventanias do espaço, o dr. F..., que levara um binóculo, descreveu-nos o vale... Eu, porém, não lhe dava atenç... 551356 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>A ''«Chā das Pipas»!'' Fale João Chagas, o inconfundível, o original escritor das gazetas: «A Boulhosa é uma alcandorada varanda sobre o vale de Monção, mas não é na realidade um vale que se vê de cima. É um pedaço da superfície da terra, com a sua exacta configuração. No momento de atingirmos essa alta cumiada, varrida pelas ventanias do espaço, o dr. F..., que levara um binóculo, descreveu-nos o vale... Eu, porém, não lhe dava atenção, todo ocupado a olhar a terra, a ver se via mover-se a terra, porque a impressão que sentimos quando ascendemos a tão elevados cimos não é topográfica, ou pitoresca, ou pictoral, mas vagamente, nebulosamente, misteriosamente planetária».<ref>A caravana, que acompanhava o inimitável-publicista, compunha-se do sr. Conselheiro dr. Bernardino Machado, seus filhos António, Miguel, Bernardino e Domingos, José Bacelar e quem isto escreve.</ref> Obrigado, meu excelente amigo, pelo seu inapreciável reclame. «Da enxurrada, da molha, da terra sem habitantes, sem casas, sem esperança de abrigo, arrastando uma pobre alimária que não quer andar, - de essa situação de vencidos -...<ref>«Primeiro de Janeiro», ano 38.º, n.º 213, de 8 de Setembro de 1906: «As minhas razões».</ref>, nada direi. De ofício, sei guardar sigilo... {{c|---}} À raiz da ''Chā das Pipas'' levanta-se o lendário ''Castelo da Furna'', outrora de Frayam, colossal agregado, irregular, disforme, de enormes blocos graníticos, encostados, sobrepostos, de forma caprichosa, figurando fantasmas descomunais que a natureza para ali tivesse atirado, em arrancos ingentes, quando no ventre lhe referviam ígnias matérias incandescentes. Contém repartimentos naturais, abrigados, constituídos pela rocha, os quais, na lenda popular, já serviram de aposento a uma formosa princesa e... a ''mouras encantadas''. E é por isso que a uns recantos de terra, por entre o fraguedo, o povo deu designações românticas e sugestivas, como ''«Horta da Rainha»''. As feras, quando por ali as havia, iam acoitar-se nos fundos e escuros meandros da penedia. Em redor deste ''castelo'' bordou o lirismo popular um enredo de cenas amorosas entre o Rei de Aragão e sua esposa Aragúncia, que tem sido recopilado por diversos escritores. É que o povo há-de ser sempre o eterno sonhador, o poeta da natureza e das dores da alma! Há já bastantes anos, acompanhando o Sr. Cons.º dr. Bernardino Machado, cuja rijeza dos músculos locomotores não é inferior à sua rijeza moral, fomos à ''«Furna»'', fazendo o percurso a pé, e dentro de um dos mencionados compartimentos do ''«Castelo»'', onde a hospedeira natureza colocara uma mesa de pedra, saboreamos apetitoso e fornido almoço, que a Ex.<sup>ma</sup> Sr.ª D. Maria Dantas, com o seu gentil e distinto ''savoir faire'', ali nos mandara. Nunca poderei esquecer que, de regresso, seguindo nós pela freguesia das Poreiras[sic], observamos que corria, açodadamente, no nosso encalço, uma mulher. Paramos e esperamos. Que pretenderia ela dos excursionistas? Era nova, menos de 25 anos, feições correctas, porventura distintas, rosto branco com uns toques acarminados {{rule}}<noinclude></noinclude> lmkrkd9mthg1m65gpfwrk8uttsvaevh 551357 551356 2026-04-29T16:08:57Z Ruiaraujo1972 38032 551357 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>A ''«Chā das Pipas»!'' Fale João Chagas, o inconfundível, o original escritor das gazetas: «A Boulhosa é uma alcandorada varanda sobre o vale de Monção, mas não é na realidade um vale que se vê de cima. É um pedaço da superfície da terra, com a sua exacta configuração. No momento de atingirmos essa alta cumiada, varrida pelas ventanias do espaço, o dr. F..., que levara um binóculo, descreveu-nos o vale... Eu, porém, não lhe dava atenção, todo ocupado a olhar a terra, a ver se via mover-se a terra, porque a impressão que sentimos quando ascendemos a tão elevados cimos não é topográfica, ou pitoresca, ou pictoral, mas vagamente, nebulosamente, misteriosamente planetária».<ref>A caravana, que acompanhava o inimitável-publicista, compunha-se do sr. Conselheiro dr. Bernardino Machado, seus filhos António, Miguel, Bernardino e Domingos, José Bacelar e quem isto escreve.</ref> Obrigado, meu excelente amigo, pelo seu inapreciável reclame. «Da enxurrada, da molha, da terra sem habitantes, sem casas, sem esperança de abrigo, arrastando uma pobre alimária que não quer andar, - de essa situação de vencidos -»...<ref>«Primeiro de Janeiro», ano 38.º, n.º 213, de 8 de Setembro de 1906: «As minhas razões».</ref>, nada direi. De ofício, sei guardar sigilo... {{c|---}} À raiz da ''Chā das Pipas'' levanta-se o lendário ''Castelo da Furna'', outrora de Frayam, colossal agregado, irregular, disforme, de enormes blocos graníticos, encostados, sobrepostos, de forma caprichosa, figurando fantasmas descomunais que a natureza para ali tivesse atirado, em arrancos ingentes, quando no ventre lhe referviam ígnias matérias incandescentes. Contém repartimentos naturais, abrigados, constituídos pela rocha, os quais, na lenda popular, já serviram de aposento a uma formosa princesa e... a ''mouras encantadas''. E é por isso que a uns recantos de terra, por entre o fraguedo, o povo deu designações românticas e sugestivas, como ''«Horta da Rainha»''. As feras, quando por ali as havia, iam acoitar-se nos fundos e escuros meandros da penedia. Em redor deste ''castelo'' bordou o lirismo popular um enredo de cenas amorosas entre o Rei de Aragão e sua esposa Aragúncia, que tem sido recopilado por diversos escritores. É que o povo há-de ser sempre o eterno sonhador, o poeta da natureza e das dores da alma! Há já bastantes anos, acompanhando o Sr. Cons.º dr. Bernardino Machado, cuja rijeza dos músculos locomotores não é inferior à sua rijeza moral, fomos à ''«Furna»'', fazendo o percurso a pé, e dentro de um dos mencionados compartimentos do ''«Castelo»'', onde a hospedeira natureza colocara uma mesa de pedra, saboreamos apetitoso e fornido almoço, que a Ex.<sup>ma</sup> Sr.ª D. Maria Dantas, com o seu gentil e distinto ''savoir faire'', ali nos mandara. Nunca poderei esquecer que, de regresso, seguindo nós pela freguesia das Poreiras[sic], observamos que corria, açodadamente, no nosso encalço, uma mulher. Paramos e esperamos. Que pretenderia ela dos excursionistas? Era nova, menos de 25 anos, feições correctas, porventura distintas, rosto branco com uns toques acarminados {{rule}}<noinclude></noinclude> 591n0a2jv1wt5h9gj1hyts733k3rx8w Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/38 106 253148 551358 2026-04-29T16:17:51Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: nas maçãs, olhos castanho-escuros e cabelo bem cuidado. Vestia de luto rigoroso. Dirige-se, desembaraçadamente, ao conselheiro, que é todo bondades e atenções para ela, e interpela-o: - Viu o ''«meu homem»?'' - Onde? - No Brasil. - Não vimos do Brasil: descemos do monte,- da «Chã das Pipas». - E o senhor não conhece ''o meu homem?'' - Não. - Ai! queira desculpar: enganei-me. A pobre mulher, que tão agradavelmente nos impressi... 551358 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>nas maçãs, olhos castanho-escuros e cabelo bem cuidado. Vestia de luto rigoroso. Dirige-se, desembaraçadamente, ao conselheiro, que é todo bondades e atenções para ela, e interpela-o: - Viu o ''«meu homem»?'' - Onde? - No Brasil. - Não vimos do Brasil: descemos do monte,- da «Chã das Pipas». - E o senhor não conhece ''o meu homem?'' - Não. - Ai! queira desculpar: enganei-me. A pobre mulher, que tão agradavelmente nos impressionara, pois, moralmente, devia ser uma pérola engastada nas asperezas daquele aro espinhoso e agreste, vestia, como notei, de luto, que lhe realçava a beleza campesina; vestia a cor da morte, porque, conforme o costume regional, o marido tinha deixado o templo da família para ir a longes terras amassar, em vagas de suor, as migalhas com que havia de prover à sua subsistência e à dos seus. E partir para o desconhecido, é morrer. Depois, despedindo-se, cumprimentou-nos e retirou-se, mas ainda pudemos ler bem. no seu ar dolorido, quanto lhe ia sangrando a alma por ter sido iludida na grata espectativa de ter noticias do ''«seu homem»''. Formoso coração aquele, onde tudo lhe dava rebate, alvoroçado, de quem, ajoelhado com ela ante o altar, em dia de emoções inolvidáveis, talvez àquela hora estivesse prostrado na lágea da praça pública, de cansado e de nostalgia. É tão acariciador e tem tantos sorrisos o céu azul da infância... {{c|***}} Encontram-se no ''Castelo da Furna'', gravados na face sul de alguns penedos, uns sinais, à semelhança de ''fossettes,'' que não podem deixar de considerar-se como ''esculturas pré-históricas'', pois que, sendo a face da rocha cortada a prumo e plana, não podem atribuir-se à acção das águas pluviais, visto que o seu próprio peso as faria decorrer para o solo. No ''«Archeologo Portuguez»'', vol. 7.º, pag. 72, vem uma gravura com sinais semelhantes, a propósito de um artigo intitulado - ''«O Alto do Carocedo ou Carrocêdo»''. E propriamente ''fossettes'' vêem-se num dos mais altos blocos da penedice, que, por receberem e conservarem por muito tempo as águas da chuva, corre que ''nunca se esgotam''<ref>«Portugal Antigo e Moderno», vol. 1.°, pag. 408, col. 1.ª; «Diccionario Chorographico» de J. A. d'Almeida, vol. 1.°, freguesia de Boibão, pag: 153, e «Appenso» do 3.º vol., palavra Boibão, pag. 64.</ref>. Não é verdade. {{c|***}} Afora estes, ainda merecem registo os montes da ''Chā de Lamas'' pelas suas numerosas ''antas;'' da ''Cividade'', na freguesia de Cossourado, pelos restos do seu ''castrum;'' de ''Ventuzelo'', na de Infesta, onde se encontram grandes trincheiras e fossos de importante fortificação, etc. {{rule}}<noinclude></noinclude> a4j9vi6lfhrgozjub6q1pft4xs7v3c5 Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/39 106 253149 551361 2026-04-30T10:02:55Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''{{c|CAPÍTULO III}}''' '''{{c|Hidrografia}}''' RIO «Coura», é a grande artéria fertilizadora deste concelho. Não é fácil atinar com o seu primitivo nome, porque ''«tot capita, quod sententia»''. Assim, Argote<ref>«De Antiquitatibus», pag. 32.</ref>, notando que Estrabão dava ao rio Minho o nome de - Benis, entende que esta denominação se refere ao rio ''Coura''. Neste sentido se pronunciou também Pinho Leal<ref>«Portugal Antigo e... 551361 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|CAPÍTULO III}}''' '''{{c|Hidrografia}}''' RIO «Coura», é a grande artéria fertilizadora deste concelho. Não é fácil atinar com o seu primitivo nome, porque ''«tot capita, quod sententia»''. Assim, Argote<ref>«De Antiquitatibus», pag. 32.</ref>, notando que Estrabão dava ao rio Minho o nome de - Benis, entende que esta denominação se refere ao rio ''Coura''. Neste sentido se pronunciou também Pinho Leal<ref>«Portugal Antigo e Modernos», vol. 1.º, pag. 387, col. 1.º, e vol. 5.º, pag. 236.</ref>. Este mesmo escritor<ref>Obra citada, vol. 2.º, pag. 413, col. 1.ª.</ref> afirma, que no 1.° século de Cristo se chamou - ''Froylano''. O «Códice da Divisão dos Condados de Entre Douro e Minho» também designa este rio por - Froylano. {{rule}}<noinclude></noinclude> 4hvxcw4r9xu81w7mvqwtrg184h409qw 551362 551361 2026-04-30T10:05:32Z Ruiaraujo1972 38032 551362 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|CAPÍTULO III}}''' '''{{c|Hidrografia}}''' RIO «Coura», é a grande artéria fertilizadora deste concelho. Não é fácil atinar com o seu primitivo nome, porque ''«tot capita, quod sententia»''. Assim, Argote<ref>«De Antiquitatibus», pag. 32.</ref>, notando que Estrabão dava ao rio Minho o nome de - Benis, entende que esta denominação se refere ao rio ''Coura''. Neste sentido se pronunciou também Pinho Leal<ref>«Portugal Antigo e Modernos», vol. 1.º, pag. 387, col. 1.º, e vol. 5.º, pag. 236.</ref>. Este mesmo escritor<ref>Obra citada, vol. 2.º, pag. 413, col. 1.ª.</ref> afirma, que no 1.° século de Cristo se chamou - ''Froylano''. O «Códice da Divisão dos Condados de Entre Douro e Minho» também designa este rio por - Froylano. {{rule}}<noinclude></noinclude> ey1fb4ssgs8i26fpfkb3qp73w8cxfil 551363 551362 2026-04-30T10:05:55Z Ruiaraujo1972 38032 551363 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|CAPÍTULO III}}''' '''{{c|Hidrografia}}''' O RIO «Coura», é a grande artéria fertilizadora deste concelho. Não é fácil atinar com o seu primitivo nome, porque ''«tot capita, quod sententia»''. Assim, Argote<ref>«De Antiquitatibus», pag. 32.</ref>, notando que Estrabão dava ao rio Minho o nome de - Benis, entende que esta denominação se refere ao rio ''Coura''. Neste sentido se pronunciou também Pinho Leal<ref>«Portugal Antigo e Modernos», vol. 1.º, pag. 387, col. 1.º, e vol. 5.º, pag. 236.</ref>. Este mesmo escritor<ref>Obra citada, vol. 2.º, pag. 413, col. 1.ª.</ref> afirma, que no 1.° século de Cristo se chamou - ''Froylano''. O «Códice da Divisão dos Condados de Entre Douro e Minho» também designa este rio por - Froylano. {{rule}}<noinclude></noinclude> hfdjxjkg2w4h7cenoq2sh0omf1n271p Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/40 106 253150 551364 2026-04-30T10:36:20Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Mas o sr. tenente-coronel Manuel J. da Cunha Brandão sustenta, com bons argumentos, que o rio ''Coura'' nunca teve o nome de - Froylano<ref>«Voz de Coura», ano de 1905, n.08 109, 111 e 112.</ref>. E o distintíssimo arqueólogo sr. dr. J. Leite de Vasconcelos supõe que Estrabão se ''equivocou'', chamando ''Baenis'' ao rio Minho, e que escreveu Baenis por Naevis (rio Neiva)<ref>«Religiões da Lusitania», vol. 2.º pag. 37. Dizem outros que... 551364 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Mas o sr. tenente-coronel Manuel J. da Cunha Brandão sustenta, com bons argumentos, que o rio ''Coura'' nunca teve o nome de - Froylano<ref>«Voz de Coura», ano de 1905, n.08 109, 111 e 112.</ref>. E o distintíssimo arqueólogo sr. dr. J. Leite de Vasconcelos supõe que Estrabão se ''equivocou'', chamando ''Baenis'' ao rio Minho, e que escreveu Baenis por Naevis (rio Neiva)<ref>«Religiões da Lusitania», vol. 2.º pag. 37. Dizem outros que, antigamente, se chamou - ''Caluber'' -, pelas muitas voltas que dá, e que do río passou o nome ao concelho, por corrupção deste nome no de Coura: «Diccionario Abreviado», de J. d'Almeida, Suplemento. «Voz de Coura», 2.º ano, n.º 48.</ref>. Froylano, Froylão, e Froyla são nomes de homens, como é sabido<ref>Argote»<sup>1</sup> fala de um ''D. Froila'', que desafiou o Conde D. Gonçalo. Um ''Froylano'', bispo de Oviedo, firmou a doação feita por D. Urraca à Sé de Tuy, em 13 de Janeiro de 1109<sup>2</sup>. <sup>1</sup> «De Antiquitatibus», pag. 489, edição de 1738. <sup>2</sup> «O Minho Pittoresco», pag. 131 (nota) também considera a nascente de ''Lamas'' como a principal origem deste rio. </ref>. O rio ''Coura'', correndo de leste para oeste, divide o concelho em duas partes, sensivelmente iguais, e recebe todos os afluentes que derivam do sistema orográfico desta região. Têm-lhe sido assinadas diferentes origens: - ''«Conto de Bico»'', ''«Boulhosa»'' e ''«Chã de Lamas»''. Para mim, porém, que as conheço perfeitamente e que as tenho percorrido, considero a última - ''«Chá de Lamas»'' - como a principal, com quanto a primeira faça maior percurso. As de ''Bico'' e ''Boulhosa'' são, de verão, nascentes pouco importantes. Pelo contrário, a lagoa de ''«Lamas»'', também conhecida por - lagoa da ''«Salgueirinha»'', impõe-se, não só pela sua largueza, mas pelo seu abundante manancial<ref>Sr. Cunha Brandão entende que ''fluvius Froylanos'', do Codice, deve traduzir-se por - ''rio de Froyão'' e não - rio Froilano.</ref>. Está situada ao norte da freguesia de Vascões, limites deste concelho e dos Arcos de Valdevez. O rio só toma o nome de ''Coura'' a montante da ponte de ''Casaldata'', na confluência das duas nascentes de ''Lamas'' e ''Bico''; porque, até este ponto, são, respectivamente, conhecidos pelos nomes de regatos de ''S. Gonçalo'' e dois ''Cavaleiros''. A nascente, ou antes, as nascentes que derivam, da serra da ''Boulhosa'', uma pela freguesia das Poreiras e outra pela de Insalde, reunem-se em um só ribeiro, nesta última, um pouco ao sul da igreja paroquial, tomando depois diversos nomes, conforme os sítios por onde passa, tais como: dos ''Velhos'', de ''Lagido'', dos ''Brunheiros'', e de ''Linhares''. A juzante da antiga ponte de ''Sigo'' e montante da ''Fèteira'', sobre a estrada real n.º 24 lança-se no rio ''Coura'', correndo, aí, por entre as freguesias de Padornelo e Mozelos, o ribeiro de Insalde ou Brunheiros. Tem o rio ''Coura'' outros afluentes, de relativa importância para o regadio dos terrenos de cultura, como são: o regato do ''Bouço'', que se reune com o de ''Quintão'' no sítio da ''Costa'', entre as freguesias de Formariz e Ferreira. Aquele nasce no lugar de ''Venade'' e este no de ''Carreiros'', ambos desta freguesia<ref>Perto da nascente do regato de Quintão em Carreiros, brota outra de águas ''ferruginosas''. Ainda não foram analisadas.</ref>. Depois da sua junção, tomam estas duas correntes o nome de regato de ''Gonçalvinho'', que vai lançar-se no {{rule}}<noinclude></noinclude> 4s0q65iodd3qoj5cloe7yfp873z022e 551365 551364 2026-04-30T10:37:10Z Ruiaraujo1972 38032 551365 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Mas o sr. tenente-coronel Manuel J. da Cunha Brandão sustenta, com bons argumentos, que o rio ''Coura'' nunca teve o nome de - Froylano<ref>«Voz de Coura», ano de 1905, n.08 109, 111 e 112.</ref>. E o distintíssimo arqueólogo sr. dr. J. Leite de Vasconcelos supõe que Estrabão se ''equivocou'', chamando ''Baenis'' ao rio Minho, e que escreveu Baenis por Naevis (rio Neiva)<ref>«Religiões da Lusitania», vol. 2.º pag. 37. Dizem outros que, antigamente, se chamou - ''Caluber'' -, pelas muitas voltas que dá, e que do río passou o nome ao concelho, por corrupção deste nome no de Coura: «Diccionario Abreviado», de J. d'Almeida, Suplemento. «Voz de Coura», 2.º ano, n.º 48.</ref>. Froylano, Froylão, e Froyla são nomes de homens, como é sabido<ref>Argote»<sup>1</sup> fala de um ''D. Froila'', que desafiou o Conde D. Gonçalo. Um ''Froylano'', bispo de Oviedo, firmou a doação feita por D. Urraca à Sé de Tuy, em 13 de Janeiro de 1109<sup>2</sup>. <sup>1</sup> «De Antiquitatibus», pag. 489, edição de 1738. <sup>2</sup> «O Minho Pittoresco», pag. 131 (nota) também considera a nascente de ''Lamas'' como a principal origem deste rio. </ref>. O rio ''Coura'', correndo de leste para oeste, divide o concelho em duas partes, sensivelmente iguais, e recebe todos os afluentes que derivam do sistema orográfico desta região. Têm-lhe sido assinadas diferentes origens: - ''«Corno de Bico»'', ''«Boulhosa»'' e ''«Chã de Lamas»''. Para mim, porém, que as conheço perfeitamente e que as tenho percorrido, considero a última - ''«Chá de Lamas»'' - como a principal, com quanto a primeira faça maior percurso. As de ''Bico'' e ''Boulhosa'' são, de verão, nascentes pouco importantes. Pelo contrário, a lagoa de ''«Lamas»'', também conhecida por - lagoa da ''«Salgueirinha»'', impõe-se, não só pela sua largueza, mas pelo seu abundante manancial<ref>Sr. Cunha Brandão entende que ''fluvius Froylanos'', do Codice, deve traduzir-se por - ''rio de Froyão'' e não - rio Froilano.</ref>. Está situada ao norte da freguesia de Vascões, limites deste concelho e dos Arcos de Valdevez. O rio só toma o nome de ''Coura'' a montante da ponte de ''Casaldata'', na confluência das duas nascentes de ''Lamas'' e ''Bico''; porque, até este ponto, são, respectivamente, conhecidos pelos nomes de regatos de ''S. Gonçalo'' e dois ''Cavaleiros''. A nascente, ou antes, as nascentes que derivam, da serra da ''Boulhosa'', uma pela freguesia das Poreiras e outra pela de Insalde, reunem-se em um só ribeiro, nesta última, um pouco ao sul da igreja paroquial, tomando depois diversos nomes, conforme os sítios por onde passa, tais como: dos ''Velhos'', de ''Lagido'', dos ''Brunheiros'', e de ''Linhares''. A juzante da antiga ponte de ''Sigo'' e montante da ''Fèteira'', sobre a estrada real n.º 24 lança-se no rio ''Coura'', correndo, aí, por entre as freguesias de Padornelo e Mozelos, o ribeiro de Insalde ou Brunheiros. Tem o rio ''Coura'' outros afluentes, de relativa importância para o regadio dos terrenos de cultura, como são: o regato do ''Bouço'', que se reune com o de ''Quintão'' no sítio da ''Costa'', entre as freguesias de Formariz e Ferreira. Aquele nasce no lugar de ''Venade'' e este no de ''Carreiros'', ambos desta freguesia<ref>Perto da nascente do regato de Quintão em Carreiros, brota outra de águas ''ferruginosas''. Ainda não foram analisadas.</ref>. Depois da sua junção, tomam estas duas correntes o nome de regato de ''Gonçalvinho'', que vai lançar-se no {{rule}}<noinclude></noinclude> i0fty8iwwptqo3o96a7tc1rxkj0p3wt Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/41 106 253151 551366 2026-04-30T10:46:55Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Coura, junto do Crasto de Bruzendes, entre as freguesias de Formariz e Linhares. O ribeiro da Valsa é outro afluente. Nasce na serra da Travanca, corre por entre os lugares de Cerdeira e Amieira, respectivamente das freguesias de Cunha e Resende, corta a de Infesta e desagua no Coura, no sítio da Revolta. O de ''Rieiro'' tem a sua origem na freguesia de Cunha, que atravessa, assim como as de Agualonga e Rubiães, e vai entrar no Cour... 551366 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Coura, junto do Crasto de Bruzendes, entre as freguesias de Formariz e Linhares. O ribeiro da Valsa é outro afluente. Nasce na serra da Travanca, corre por entre os lugares de Cerdeira e Amieira, respectivamente das freguesias de Cunha e Resende, corta a de Infesta e desagua no Coura, no sítio da Revolta. O de ''Rieiro'' tem a sua origem na freguesia de Cunha, que atravessa, assim como as de Agualonga e Rubiães, e vai entrar no Coura, pouco abaixo da ponte de onde tira o nome, isto é, depois de banhar o lugar dos Casais, desta última freguesia. Em todos eles há pontes para dar acesso de uma para a outra margem. Os dos ''Cavaleiros'', ''Valsa'' e ''Rieiro'' correm de sul para norte e entram no Coura pela sua margem esquerda: os outros têm a corrente em sentido oposto àqueles, e entram pela margem direita. De verão, são todos escassos de águas, mas no inverno engrossam e rebentam em cachoeiras espumosas sobre o seu leito pedregoso é inclinado; e a sua modesta corrente da estação calmosa transforma-se em arremetidas audaciosas, quando a invernia lhes abastece os cabedais. Então é vê-los galgar os campos marginais, derruir-lhes as vedações, levar-lhes as «novidades» e deixar aí grossa camada de areia e detritos pedregosos ou fundos sulcos, cavados pela impetuosidade da torrente. Em todos eles se criam saborosas «trutas». {{c|***}} Menos volumosas, mas representando factor valiosíssimo na irrigação das terras, sua fertilidade, frescura e amenidade da temperatura, são as - ''«levadas»'' -, principais canalizações para os ''paúes'' (na linguagem popular - ''«panascos»'') e para os terrenos destinados à cultura dos cereais. As ''levadas'' têm, em geral, por ponto de partida o rio Coura ou os ribeiros, onde se travam as represas (''«mottas»'' lhes chama o povo), que abastece aquelas de água. Algumas têm percursos muito extensos e por isso fertilizam largos tractos de terreno. Em todo o caso deve dizer-se que estas águas são, na maior parte, repartidas por «horas», na quadra das «regas» (24 de Junho a 8 de Setembro) pelas propriedades que lhes ficam inferiores; e isto ou por «sentença» ou por ''antigo uso e costume''. Esta partilha dá, muitas vezes, ocasião a bulhas, altercações e desordens entre os possuidores dos prédios. As ''fontes'', para usos domésticos, são nascentes de água límpida, potável, cristalina, que brotam, profusamente, em todas as freguesias, e raro será o lugar ou povoação que não tenha a sua própria. Há muitas ''fontes públicas'', assim como ''particulares'', e quasi sempre acontece haver junto de umas e outras tanques para lavagem das roupas e tecidos. Sendo, em geral, leves e frescas as suas águas, contudo a observação local especializa algumas, em cada fre- {{rule}}<noinclude></noinclude> ow24rx61p75y9ddw6eg8pfy7xjbh2jw 551367 551366 2026-04-30T10:47:11Z Ruiaraujo1972 38032 551367 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Coura, junto do Crasto de Bruzendes, entre as freguesias de Formariz e Linhares. O ribeiro da Valsa é outro afluente. Nasce na serra da Travanca, corre por entre os lugares de Cerdeira e Amieira, respectivamente das freguesias de Cunha e Resende, corta a de Infesta e desagua no Coura, no sítio da Revolta. O de ''Rieiro'' tem a sua origem na freguesia de Cunha, que atravessa, assim como as de Agualonga e Rubiães, e vai entrar no Coura, pouco abaixo da ponte de onde tira o nome, isto é, depois de banhar o lugar dos Casais, desta última freguesia. Em todos eles há pontes para dar acesso de uma para a outra margem. Os dos ''Cavaleiros'', ''Valsa'' e ''Rieiro'' correm de sul para norte e entram no Coura pela sua margem esquerda: os outros têm a corrente em sentido oposto àqueles, e entram pela margem direita. De verão, são todos escassos de águas, mas no inverno engrossam e rebentam em cachoeiras espumosas sobre o seu leito pedregoso é inclinado; e a sua modesta corrente da estação calmosa transforma-se em arremetidas audaciosas, quando a invernia lhes abastece os cabedais. Então é vê-los galgar os campos marginais, derruir-lhes as vedações, levar-lhes as «novidades» e deixar aí grossa camada de areia e detritos pedregosos ou fundos sulcos, cavados pela impetuosidade da torrente. Em todos eles se criam saborosas «trutas». {{c|***}} Menos volumosas, mas representando factor valiosíssimo na irrigação das terras, sua fertilidade, frescura e amenidade da temperatura, são as - ''«levadas»'' -, principais canalizações para os ''paúes'' (na linguagem popular - ''«panascos»'') e para os terrenos destinados à cultura dos cereais. As ''levadas'' têm, em geral, por ponto de partida o rio Coura ou os ribeiros, onde se travam as represas (''«mottas»'' lhes chama o povo), que abastece aquelas de água. Algumas têm percursos muito extensos e por isso fertilizam largos tractos de terreno. Em todo o caso deve dizer-se que estas águas são, na maior parte, repartidas por «horas», na quadra das «regas» (24 de Junho a 8 de Setembro) pelas propriedades que lhes ficam inferiores; e isto ou por «sentença» ou por ''antigo uso e costume''. Esta partilha dá, muitas vezes, ocasião a bulhas, altercações e desordens entre os possuidores dos prédios. As ''fontes'', para usos domésticos, são nascentes de água límpida, potável, cristalina, que brotam, profusamente, em todas as freguesias, e raro será o lugar ou povoação que não tenha a sua própria. Há muitas ''fontes públicas'', assim como ''particulares'', e quasi sempre acontece haver junto de umas e outras tanques para lavagem das roupas e tecidos. Sendo, em geral, leves e frescas as suas águas, contudo a observação local especializa algumas, em cada fre-<noinclude></noinclude> 5uhtzb0pu3mihtdqdij3bq9nefnpbjf Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/42 106 253152 551368 2026-04-30T10:55:34Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: guesia. Assim, na de Formariz, minha naturalidade, são notavelmente finas e distintas as águas das fontes da ''Maceira'' e ''Sabugueiro'' (públicas) e do ''Corgo'', em uma propriedade do meu parente o Sr. José A. Pedreira Bacelar<ref>O «Almanach de Vianna do Castello», para o ano de 1905, regista as águas potáveis deste concelho como - «excellentes».</ref>. Do que fica dito facilmente se depreende não só que este concelho é abundante... 551368 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>guesia. Assim, na de Formariz, minha naturalidade, são notavelmente finas e distintas as águas das fontes da ''Maceira'' e ''Sabugueiro'' (públicas) e do ''Corgo'', em uma propriedade do meu parente o Sr. José A. Pedreira Bacelar<ref>O «Almanach de Vianna do Castello», para o ano de 1905, regista as águas potáveis deste concelho como - «excellentes».</ref>. Do que fica dito facilmente se depreende não só que este concelho é abundante de águas, mas que esta abundância vai reflectir-se, vantajosamente, na sua produção cerealífera. E, havendo no rio Coura altas quedas de água, pena é que a grande indústria não as conheça, nem as tenha procurado. Importantes motores hidráulicos encontraria ela nesta corrente, para fazer laborar as suas fábricas, e na facilidade de comunicações em que se encontra o concelho, que está ligado à estação de S. Pedro da Torre, na linha férrea do Minho e Douro, por magnífica estrada a macadam, teria a mesma indústria igual facilidade para levar os seus produtos aos grandes centros. Na mesma povoação de S. Pedro da Torre encontraria, ainda, a via fluvial do Minho até Caminha, que porventura poderia baratear transportes. {{c|---}} Feito este pequeno esboço físico do sistema hidrográfico do concelho, vamos dar um passeio, ''à vol d'oiseau,'' pelas margens do rio Coura. Apenas é navegável, alguns quilómetros, desde a sua foz, na margem esquerda do rio Minho, em Caminha, até à freguesia de Vilar de Mouros, no mesmo concelho. A nordeste daquela formosa vila é atrevessado pela extensa ponte de ferro que dá serviço à linha do Minho e Douro, e, um pouco mais abaixo, pela de madeira, assente em pegões de pedra. As suas margens, orladas, em grande parte, de extensos renques de arvoredo - ''amieiros'', ''salgueiros'', ''aveleiras'', ''carvalhos'', ''freixos'', etc.- são pitorescas e interessantes. Aqui e além, beijam-nas longos tractos de terrenos cultivados, que mais aformoseiam a tela, recortando a paisagem em graciosos tons. A contrastar, porém, com esta sugestiva tonalidade, aparecem trechos a que se poderia adaptar a designação de - belo horrível, como se vê quando o rio vai deixar o concelho de Coura, na freguesia de S. Martinho. Os «moinhos» - fábricas rudimentares de moer grãos - dispersos pelas duas margens, quasi sempre escondidos na ramaria adjacente, com o monótono ''rom-rom'' das suas pesadas mós, que engolem grãos para nos darem farinha, revelam a secular rotina de que tanto enferma o povo minhoto. As sinuosidades descritas pelo rio, as suas ''«mottas»'', que o multiplicam em plácidos lagos; a própria corrente, ora serpeando a descoberto, ora escondendo-se sob a penedia, como nas ''«Penices»'', em Formariz; já deslizando mansamente por cima da fina areia, já dominando todos os obstáculos que, na invernia, se lhe opõe à desfilada, tudo isto daria um feixe de empolgantes situações que a minha pena não sabe descrever. Julho ou Agosto, ide internar-vos na ''«Deveza das''<noinclude></noinclude> 51esku4krlyhktmhhn2m9sn46cetzw5 551369 551368 2026-04-30T10:55:56Z Ruiaraujo1972 38032 551369 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>guesia. Assim, na de Formariz, minha naturalidade, são notavelmente finas e distintas as águas das fontes da ''Maceira'' e ''Sabugueiro'' (públicas) e do ''Corgo'', em uma propriedade do meu parente o Sr. José A. Pedreira Bacelar<ref>O «Almanach de Vianna do Castello», para o ano de 1905, regista as águas potáveis deste concelho como - «excellentes».</ref>. Do que fica dito facilmente se depreende não só que este concelho é abundante de águas, mas que esta abundância vai reflectir-se, vantajosamente, na sua produção cerealífera. E, havendo no rio Coura altas quedas de água, pena é que a grande indústria não as conheça, nem as tenha procurado. Importantes motores hidráulicos encontraria ela nesta corrente, para fazer laborar as suas fábricas, e na facilidade de comunicações em que se encontra o concelho, que está ligado à estação de S. Pedro da Torre, na linha férrea do Minho e Douro, por magnífica estrada a macadam, teria a mesma indústria igual facilidade para levar os seus produtos aos grandes centros. Na mesma povoação de S. Pedro da Torre encontraria, ainda, a via fluvial do Minho até Caminha, que porventura poderia baratear transportes. {{c|---}} Feito este pequeno esboço físico do sistema hidrográfico do concelho, vamos dar um passeio, ''à vol d'oiseau,'' pelas margens do rio Coura. Apenas é navegável, alguns quilómetros, desde a sua foz, na margem esquerda do rio Minho, em Caminha, até à freguesia de Vilar de Mouros, no mesmo concelho. A nordeste daquela formosa vila é atrevessado pela extensa ponte de ferro que dá serviço à linha do Minho e Douro, e, um pouco mais abaixo, pela de madeira, assente em pegões de pedra. As suas margens, orladas, em grande parte, de extensos renques de arvoredo - ''amieiros'', ''salgueiros'', ''aveleiras'', ''carvalhos'', ''freixos'', etc.- são pitorescas e interessantes. Aqui e além, beijam-nas longos tractos de terrenos cultivados, que mais aformoseiam a tela, recortando a paisagem em graciosos tons. A contrastar, porém, com esta sugestiva tonalidade, aparecem trechos a que se poderia adaptar a designação de - belo horrível, como se vê quando o rio vai deixar o concelho de Coura, na freguesia de S. Martinho. Os «moinhos» - fábricas rudimentares de moer grãos - dispersos pelas duas margens, quasi sempre escondidos na ramaria adjacente, com o monótono ''rom-rom'' das suas pesadas mós, que engolem grãos para nos darem farinha, revelam a secular rotina de que tanto enferma o povo minhoto. As sinuosidades descritas pelo rio, as suas ''«mottas»'', que o multiplicam em plácidos lagos; a própria corrente, ora serpeando a descoberto, ora escondendo-se sob a penedia, como nas ''«Penices»'', em Formariz; já deslizando mansamente por cima da fina areia, já dominando todos os obstáculos que, na invernia, se lhe opõe à desfilada, tudo isto daria um feixe de empolgantes situações que a minha pena não sabe descrever. Julho ou Agosto, ide internar-vos na ''«Deveza das'' {{rule}}<noinclude></noinclude> pc910sxmssay4qo7rmjan2cdfy8zrhm Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/43 106 253153 551371 2026-04-30T11:02:13Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ''Quintas»'', dois quilómetros da vila, sob o docel de folhagem das suas copadas carvalheiras. Olhai para o ''«Taboão»'' - esse extenso lago de prata que vos fica aos pés - , refrescai os pulmões, em haustos tonificantes, com a ligeira brisa, que perpassa sobre a face deste límpido espelho, encrespando-lhe as águas, e depois julgai se este retalho da natureza não convida ao...''dolce far niente''. --imagem-- Ponte de Mantelães Vamo... 551371 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>''Quintas»'', dois quilómetros da vila, sob o docel de folhagem das suas copadas carvalheiras. Olhai para o ''«Taboão»'' - esse extenso lago de prata que vos fica aos pés - , refrescai os pulmões, em haustos tonificantes, com a ligeira brisa, que perpassa sobre a face deste límpido espelho, encrespando-lhe as águas, e depois julgai se este retalho da natureza não convida ao...''dolce far niente''. --imagem-- Ponte de Mantelães Vamos andando. Estamos em Mantelães, sobre a lendária ponte de ''boroa de unto''. Debruçai-vos no seu elegante gradil de ferro, escutai o batelar do motor hidráulico da próxima e conhecida fábrica de lacticínios, a afinar, em rumorosa gama, com o marulhar da corrente: voltai-vos, de seguida, para todos os lados e tereis um quadro novo, vivo, flagrante de intensa beleza. «Chega-se a ter vontade de pedir, de empréstimo, à natureza esta deliciosa paisagem, para nunca mais lha restituir. Admite-se o roubo com uma jóia desta natureza.»<ref>«Minho Pitoresco», pag. 126, 1.º vol.</ref> Ao nascente, um lago, que acaba; ao poente, outro lago, que começa; ao sul, o giestal em flor, a estrada real para Infesta, e ao norte, em anfiteatro, o painel mais brincado e característico de uma ridente aldeia - ''«Formariz de cima»''. E, para nada faltar, até a lenda, com a poética simplicidade da imaginação popular, fazendo ver na imagem da lua, espelhando-se no cristal das águas adormecidas, opulenta ''«boroa de unto»'', conspira para tornar este sítio uma verdadeira jóia bucólica, dando à remoçada ponte uns ares de castelã fidalga, que ali estivesse a modular canções amorosas em noites luarentas. Dantes, a pouca distância, havia a ''Torre Airosa'', e depois edificou-se o primeiro Paço do Concelho, de que nada resta, a não ser a memória. {{c|---}} Mas vamos seguindo e observando o nosso rio até ao ''Crasto de Bruzendes'', estação arcaica, porventura pré-romana. Primeiramente, encontraremos o ''Poço do Alves'', em Formariz, onde os peixes - trutas, vogas e escálos - saltitam, em tardes de Agosto, vindo apanhar ao lume da água a descuidosa borboleta ou o importuno mosquito. As dezenas, as centenas, os infindos círculos concen- {{rule}}<noinclude></noinclude> dogo6rx6iibrbyulodljbll6s62lqf5 Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/44 106 253154 551372 2026-04-30T11:09:21Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: tricos, produzidos na superfície pelos saltos acrobáticos dos peixes, fazem lembrar uma grande toalha esburacada. A arborização, que contorna o açude, é fresca, variada e espessa. Ao meio dia o sol bate-lhe de chapa. O ''Poço do Alves'' é o estuário fluvial, que serve de escola de natação à rapaziada travessa e arrojada das freguesias de Formariz e Ferreira, assim como o ''Taboão'' à de Paredes e Mozelos, que neles se reune, aos domi... 551372 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>tricos, produzidos na superfície pelos saltos acrobáticos dos peixes, fazem lembrar uma grande toalha esburacada. A arborização, que contorna o açude, é fresca, variada e espessa. Ao meio dia o sol bate-lhe de chapa. O ''Poço do Alves'' é o estuário fluvial, que serve de escola de natação à rapaziada travessa e arrojada das freguesias de Formariz e Ferreira, assim como o ''Taboão'' à de Paredes e Mozelos, que neles se reune, aos domingos, para iniciar ou completar os seus exercícios natatórios, quasi sempre feitos com as vestes do velho Adão. A seguir, encontraremos a ''Ponte Nova'', de Formariz, moinhos, engenhos de serrar madeiras, de ''fazer-linho''<ref>Locução popular, que corresponde a maçar linho.</ref>, paues, e mais abaixo ainda, o ''Corgo'', que, como a palavra indica, é profundo e longo sulco, aberto na terra pelas águas do rio, o qual vai correndo, amparado, então, por duas ingremes encostas, salpicadas de pinheiros, freixos, plátanos, salgueiros, aveleiras, carvalhos, espinheiros, madre-silvas... uma flora a dizer-lhe adeus, quando ele vai correndo, apressadamente, para o seu destino. E, ao fundo das encostas, como que a enfeitá-lo de verdes colarinhos, lá estão duas longas fitas de fetos a lamber-lhe a linfa buliçosa. Singularmente belo! O ''Crasto de Bruzendes'' é o ponto onde desagua o ribeiro de ''Gonçalvinho''. Na margem fronteira, Infesta, estendem-se algumas folhas de terreno apaúlado, onde se vêem largos massiços de fetos formosíssimos, que atingem altura superior a um metro e que nos encantam pela sua frescura e pronunciada cor de esmeralda. O rio, abraçando ali a esquecida fortificação, vai continuando a dar os seus amplexos carinhosos nos terrenos que o marginam até à nova ponte de Rubiães, na estrada real n.º 30. Segui-lo neste trajecto, é sentir a fascinação da natureza, cantada na sua linguagem mística e suavemente fascinadora. --imagem-- Casa da escola, de Rubiães Mas são horas de descansar e ingerir o parco ''lunch'' de que nos fizemos acompanhar. À sombra, pois, dos salgueirais, no extenso paúl que a estiagem crestou, e junto da moderna fábrica de serragem, devida à inteligente iniciativa do amigo José Guerreiro, distinto professor, estender-se-á a branca toalha de linho... {{rule}}<noinclude></noinclude> c8qappj93vq375nkgcmo49qjelf6ip7 551373 551372 2026-04-30T11:09:41Z Ruiaraujo1972 38032 551373 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>tricos, produzidos na superfície pelos saltos acrobáticos dos peixes, fazem lembrar uma grande toalha esburacada. A arborização, que contorna o açude, é fresca, variada e espessa. Ao meio dia o sol bate-lhe de chapa. O ''Poço do Alves'' é o estuário fluvial, que serve de escola de natação à rapaziada travessa e arrojada das freguesias de Formariz e Ferreira, assim como o ''Taboão'' à de Paredes e Mozelos, que neles se reune, aos domingos, para iniciar ou completar os seus exercícios natatórios, quasi sempre feitos com as vestes do velho Adão. A seguir, encontraremos a ''Ponte Nova'', de Formariz, moinhos, engenhos de serrar madeiras, de ''fazer-linho''<ref>Locução popular, que corresponde a maçar linho.</ref>, paues, e mais abaixo ainda, o ''Corgo'', que, como a palavra indica, é profundo e longo sulco, aberto na terra pelas águas do rio, o qual vai correndo, amparado, então, por duas ingremes encostas, salpicadas de pinheiros, freixos, plátanos, salgueiros, aveleiras, carvalhos, espinheiros, madre-silvas... uma flora a dizer-lhe adeus, quando ele vai correndo, apressadamente, para o seu destino. E, ao fundo das encostas, como que a enfeitá-lo de verdes colarinhos, lá estão duas longas fitas de fetos a lamber-lhe a linfa buliçosa. Singularmente belo! O ''Crasto de Bruzendes'' é o ponto onde desagua o ribeiro de ''Gonçalvinho''. Na margem fronteira, Infesta, estendem-se algumas folhas de terreno apaúlado, onde se vêem largos massiços de fetos formosíssimos, que atingem altura superior a um metro e que nos encantam pela sua frescura e pronunciada cor de esmeralda. O rio, abraçando ali a esquecida fortificação, vai continuando a dar os seus amplexos carinhosos nos terrenos que o marginam até à nova ponte de Rubiães, na estrada real n.º 30. Segui-lo neste trajecto, é sentir a fascinação da natureza, cantada na sua linguagem mística e suavemente fascinadora. --imagem-- Casa da escola, de Rubiães Mas são horas de descansar e ingerir o parco ''lunch'' de que nos fizemos acompanhar. À sombra, pois, dos salgueirais, no extenso paúl que a estiagem crestou, e junto da moderna fábrica de serragem, devida à inteligente iniciativa do amigo José Guerreiro, distinto professor, estender-se-á a branca toalha de linho... {{rule}}<noinclude></noinclude> tmk22cl57z5d7c1w6i92d8jysefyo7o Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/45 106 253155 551374 2026-04-30T11:24:53Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Quatro horas da tarde. Matamos quem nos matava... e o Albano, com a Maria<ref>Meus sobrinhos, de tenra idade.</ref>, já colheram no leito arenoso do rio, agora escassamente provido de águas, umas pedritas polidas, afeiçoadas em oval e estriadas de diversa maneira. O sol começa a declinar e em breve irá lançar-se --imagem-- Ponte romana de Rubiães (lado sul) detrás do monte da ''Cividade'', em Cossourado: a brisa já vai agitando, de... 551374 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Quatro horas da tarde. Matamos quem nos matava... e o Albano, com a Maria<ref>Meus sobrinhos, de tenra idade.</ref>, já colheram no leito arenoso do rio, agora escassamente provido de águas, umas pedritas polidas, afeiçoadas em oval e estriadas de diversa maneira. O sol começa a declinar e em breve irá lançar-se --imagem-- Ponte romana de Rubiães (lado sul) detrás do monte da ''Cividade'', em Cossourado: a brisa já vai agitando, delicadamente, a ramaria. Vejamos o que nos rodeia. Ao fim do paúl, alveja a mencionada fábrica, que é um passo fora do círculo rotineiro. Mais acima, seguindo a estrada real para o sul, ergue-se o novo edifício da escola, modelo Bermudes, que logo nos fere a retina pela côr de rosa da pintura; mais adiante - uma centena de metros -, a vetusta e veneranda igreja paroquial, construção românica. Para o poente, a uns duzentos metros sobre o rio, dorme um sono de muitos séculos a ''ponte romana''<ref>Diz-se que esta ponte é romana, mais pela tradição do que por revelar as características de construções similares daquele tempo.</ref>, por onde, decerto, passaram as legiões do povo-rei. Tais são os pontos capitais que podem ser observados neste acanhado horizonte. Duas obras, que herdamos de civilizações passadas - ''a igreja e a ponte romana'' -, e outras duas, da civilização que nos está deslumbrando - ''a escola e a fábrica.'' O passado e o presente, a defrontarem-se, neste estreito âmbito! A fábrica - movimento da matéria - e a escola - movimento do espírito -, estão a olhar para a ponte, que em verdade representa o imperialismo, e para o templo, que simboliza a paż, o amor. A ponte, é a conquista, pela guerra; o templo, a conquista, pela cruz. Quando pela ponte passava o romano, talvez o rio se chamasse, ainda, ''Belion;'' quando eu passo, chama-se ''Coura.'' Dantes, a ponte romana estava só, e agora, a montante, vê-se outra, mais lavada, mais alegre, que a engenharia do meu tempo ali foi lançar. A primeira - a romana - é de construção humilde, mas vem de séculos, porque no próximo lugar do ''Crasto'' lá está, ainda, um ''miliário'' do tempo de Júlio César (14 anos {{rule}}<noinclude></noinclude> pccvtpizjbc42mvn6exnnfm8jzuuh6q Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/46 106 253156 551375 2026-04-30T11:33:00Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: de J. C.); a segunda - a portuguesa - é esbelta, donairosa, faz honra à arte e tem quartos de cone, para que as águas lhe não piquem os alicerces. Chegará a durar tanto como aquela? Duas pontes e dois templos! Duas actividades e duas religiões. A religião da inteligência, na escola; a religião da fé, no presbitério. Para a crença, a igreja: para o espírito, a escola. É que os velhos oravam: os novos instruem-se. --imagem-- Pórt... 551375 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>de J. C.); a segunda - a portuguesa - é esbelta, donairosa, faz honra à arte e tem quartos de cone, para que as águas lhe não piquem os alicerces. Chegará a durar tanto como aquela? Duas pontes e dois templos! Duas actividades e duas religiões. A religião da inteligência, na escola; a religião da fé, no presbitério. Para a crença, a igreja: para o espírito, a escola. É que os velhos oravam: os novos instruem-se. --imagem-- Pórtico da igreja de Rubiáes Pela ponte, de séculos, caminhava o soldado, abroquelado para a conquista do mundo: pela ponte, de agora, vão o industrial, o comerciante, o pedagogo, para a confraternização dos povos. O soldado assassinava; os outros libertam e moralizam. Quem deixará, à ponte romana, de cismar no passado? Quem, à ponte nova, não terá um sorriso para o futuro? Ide às duas pontes, e não vos esqueçais de pedir que velem pela rugosa velhinha<ref>Esta ponte deve ter sido construída entre 100 a 50 anos, antes de J. C. - Ler «Voz de Coura», 3.º ano n.º 144.</ref>, que tem dado passagem a tantas gerações: a velhice também tem direitos. {{c|***}} E as águas do rio, rolando sobre si, lá continuam no seu movimento infindo. Seguindo a sua corrente, teremos mais moinhos, engenhos e açudes e depois a ponte ''nova'', para o lugar de Antas, construída a expensas do Pe. João Soares Brandão, instituidor do vínculo da Gandra, que, ao fechar dos olhos, tinha nas suas arcas muito ouro em pó, segundo reza o seu testamento<ref>Vi e li este testamento, e nele foram deixados alguns legados em ouro em pó.</ref>. Percorridas as ribas de Rubiães, entra o rio na freguesia de S. Martinho de Coura e depois na de Covas, concelho de Cerveira. Então, as suas margens são áridas, pedregosas e alcan- doradas, dando lugar a trechos inacessíveis, duma rusticidade desoladora. Vamos, pois, retroceder, para, noutro dia, abordarmos o ribeiro da Balsa, que desce da serra da Travanca. Vale a pena ir a esta nesga de terra minhota, na quadra invernosa, para se observar uma miniatura do Niagara. É, verdade, uma formosíssima queda de água, que se despenha de 40 a 50 metros de altura, em rolos espumantes, com desusado fragor, quasi aos nossos pés, torvelinhando {{rule}}<noinclude></noinclude> it2nb78u9kteiqo7m720nixtxm8weiq Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/47 106 253157 551376 2026-04-30T11:40:06Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: em níveos cachões, donde se levanta subtil neblina, que se transforma em multiplicados arco-iris, que o sol bebe. Salto audaz, temeroso, que parece deixar exausto de forças o ribeiro! Tal é a sua mansidão ao deslizar, depois, por entre dois tufos de verdura, que lhe esmaltam as orlas! Empolgante este quadro! E, contudo, o indígena, à força de o ver repetido, passa por ele, inconsciente e descuidoso, porque o fastio da repetição emb... 551376 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>em níveos cachões, donde se levanta subtil neblina, que se transforma em multiplicados arco-iris, que o sol bebe. Salto audaz, temeroso, que parece deixar exausto de forças o ribeiro! Tal é a sua mansidão ao deslizar, depois, por entre dois tufos de verdura, que lhe esmaltam as orlas! Empolgante este quadro! E, contudo, o indígena, à força de o ver repetido, passa por ele, inconsciente e descuidoso, porque o fastio da repetição embota-lhe a delicadeza do sentimento estético<ref>O abade de Infesta, Domingos da Cruz Alves, no seu «Relatório» de 1758, dizia que era digna de ver-se no inverno a «queda d'agua». no sítio das Lageas d'Agua d'Alto. É a esta que nos referimos. Cfr. «Voz de Coura», 2.º ano n.º 47.</ref>. {{c|***}} O rio Coura é atravessado, dentro do concelho, por 11 pontes, de maior ou menor importância, todas de pedra, excepto a chamada das ''Poldras das Barrocas'', entre a freguesia de Linhares e a de Rubiães, que assenta em tramos de ferro. Criam-se nele muitas trutas, vogas, escálos e enguias. '''{{c|CAPÍTULO IV}}''' '''{{c|Miliários}}''' RESTOS de uma civilização, que passou, mas que ainda nos deslumbra, são esses ''monolitos'', que jazem na freguesia de Rubiães. Ainda despertam a veneração que se deve à velhice, porque os seus ''cabelos brancos'' impõem culto reverencioso. Os marcos miliários são blocos graníticos, de configuração cilíndrica, afeiçoados pelo artista, nos quais se gravava uma ''epígrafe'', e eram levantados à margem das vias romanas, de mil em mil passos<ref>O «passo», nas medidas romanas, era o intervalo compreendido entre o lugar que ocupava um pé e aquele que o mesmo ia ocupar em seguida. «Mil passos» regulavam por 1.500 metros de extensão. O sr. dr. Félix A. Pereira assina-lhe 1.481 metros. - ''Archeologo Port., vol. XII, pag. 131.''</ref>, donde lhes adveio a designação. Como os marcos ''quilométricos'', de agora, eram aqueles destinados a ''marcar'' certa extensão das ''vias,'' referida à cidade de Roma, ou a uma povoação importante, e, conco- {{rule}}<noinclude></noinclude> lybs1u68qat5ehphl88wp5sxfyfvcmx 551377 551376 2026-04-30T11:40:39Z Ruiaraujo1972 38032 551377 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>em níveos cachões, donde se levanta subtil neblina, que se transforma em multiplicados arco-iris, que o sol bebe. Salto audaz, temeroso, que parece deixar exausto de forças o ribeiro! Tal é a sua mansidão ao deslizar, depois, por entre dois tufos de verdura, que lhe esmaltam as orlas! Empolgante este quadro! E, contudo, o indígena, à força de o ver repetido, passa por ele, inconsciente e descuidoso, porque o fastio da repetição embota-lhe a delicadeza do sentimento estético<ref>O abade de Infesta, Domingos da Cruz Alves, no seu «Relatório» de 1758, dizia que era digna de ver-se no inverno a «queda d'agua». no sítio das Lageas d'Agua d'Alto. É a esta que nos referimos. Cfr. «Voz de Coura», 2.º ano n.º 47.</ref>. {{c|***}} O rio Coura é atravessado, dentro do concelho, por 11 pontes, de maior ou menor importância, todas de pedra, excepto a chamada das ''Poldras das Barrocas'', entre a freguesia de Linhares e a de Rubiães, que assenta em tramos de ferro. Criam-se nele muitas trutas, vogas, escálos e enguias. '''{{c|CAPÍTULO IV}}''' '''{{c|Miliários}}''' RESTOS de uma civilização, que passou, mas que ainda nos deslumbra, são esses ''monolitos'', que jazem na freguesia de Rubiães. Ainda despertam a veneração que se deve à velhice, porque os seus ''cabelos brancos'' impõem culto reverencioso. Os marcos miliários são blocos graníticos, de configuração cilíndrica, afeiçoados pelo artista, nos quais se gravava uma ''epígrafe'', e eram levantados à margem das vias romanas, de mil em mil passos<ref>O «passo», nas medidas romanas, era o intervalo compreendido entre o lugar que ocupava um pé e aquele que o mesmo ia ocupar em seguida. «Mil passos» regulavam por 1.500 metros de extensão. O sr. dr. Félix A. Pereira assina-lhe 1.481 metros. - ''Archeologo Port., vol. XII, pag. 131.''</ref>, donde lhes adveio a designação. Como os marcos ''quilométricos'', de agora, eram aqueles destinados a ''marcar'' certa extensão das ''vias,'' referida à cidade de Roma, ou a uma povoação importante, e, conco- {{rule}}<noinclude></noinclude> 9xiwkydln9yzox2ei4whgh21d1zja6f Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/48 106 253158 551378 2026-04-30T11:52:20Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: mitantemente, as obras de reparação e os nomes das autoridades que as mandaram fazer. Os ''miliários'' desta região, conhecidos há mais tempo, são os que se encontram no átrio da capela de S. Bartolomeu de Antas, servindo-lhe de suportes. São ''quatro''<ref>Alguns escritores dizem ser seis. Não é verdade.</ref>. O erudito epigrafista sr. Pe. Martins Capela trasladou para a sua obra - ''Miliários'' - as legendas de ''três''<ref>Obra... 551378 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>mitantemente, as obras de reparação e os nomes das autoridades que as mandaram fazer. Os ''miliários'' desta região, conhecidos há mais tempo, são os que se encontram no átrio da capela de S. Bartolomeu de Antas, servindo-lhe de suportes. São ''quatro''<ref>Alguns escritores dizem ser seis. Não é verdade.</ref>. O erudito epigrafista sr. Pe. Martins Capela trasladou para a sua obra - ''Miliários'' - as legendas de ''três''<ref>Obra citada, pag. 111, 172 e 235.</ref>. É que a epígrafe do quarto está tão delida pela acção corrosiva do tempo, que é impossivel a sua leitura a olho nú. Talvez se obtivesse, pelo menos em parte, por ''decalque''. Diz-se que foram de Cossourado para o sítio em que agora se encontram, mas não é isso plausível, porque a ''distância'' do rio, entre a ponte romana de Rubiães e o monte da ''Cividade'', donde consta que vieram, não comportava ''quatro'' miliários. Este percurso não excede ''três'' quilómetros. Estariam, porém, agrupados. Além destes, há mais ''três miliários'' na mesma freguesia de Rubiães, a saber: um, no ''adro da igreja paroquial,'' outro, dentro do ''quinteiro'' do sr. Gaspar Teixeira, e o terceiro, à ''entrada do portão'' da casa deste mesmo cavalheiro, situada no lugar do Crasto. O primeiro está servindo de pilastra a uma escada de pedra no tabuleiro superior do adro desta freguesia; o segundo, de suporte a uma ''ramada'', e ao terceiro está preso um gancho, donde partem uns arames de ferro zincado para outra ''ramada''. Na sessão camarária de 21 de Julho, de 1894, foi lido um ofício meu, dirigido a esta corporação, no qual não só chamava a sua atenção para os nossos miliários, mas solicitava a sua trasladação para a vila, onde melhor pudessem ser resguardados da acção destruidora do tempo, e acautelados da estupidez malévola de muitos. Mais tarde, renovei a minha instância, pessoalmente, ao presidente doutra vereação, mas... tudo como dantes. {{c|***}} Nas «Memórias do Arcebispo de Braga»<ref>Edição de 1734, pag. 610 e seguintes.</ref> lê-se: «Na aldeia de Antas, concelho de Coura, na capela de S. Bartolomeu existem ''duas'' colunas, que dizem se transferiram para ali, existindo primeiro no ''alto do monte'' por onde ''corria a via militar'' de Braga para Tuy; e de uma se mostra ser esta estrada reedificada no tempo do imperador Magnencio, a cujo irmão está dedicada a dita coluna, como se colhe da inscrição...» Na outra obra de D. Jerónimo Contador de Argote, - ''«De Antiquitatibus Conventus Bracara-augustani»'' - escreveu ele: «... prossegue (a via militar) já outra vez encorporada com a estrada actual até Ponte do Lima, e depois ao concelho de Coura, como se infere de ''duas colunas'' que existem na igreja (aliás capela) de S. Bartolomeu de Antas, daquele concelho, as quais foram transferidas ''do alto do monte,'' por onde corria a via militar». Estes extractos merecem comentário. Primeiramente, o conceituado antiquário diz-nos que de Cossourado - ''alto do monte,'' - foram para Antas ''dois'' miliários, e isto vem {{rule}}<noinclude></noinclude> 903awh7xq6zr6xgkkdouyyz6su4ucbm