Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.1 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão Mãos (Augusto dos Anjos) 0 7730 552121 249929 2026-05-10T22:08:46Z ~2026-28145-11 42886 552121 wikitext text/x-wiki {{navegar |obra={{PAGENAME}} |autor=Augusto dos Anjos }} Há mãos que fazem medo Feias agregações pentagonais, Umas, em sangue, a delinqüentes natos, Assinalados pelo mancinismo, Pertencentes talvez... Outras, negras, a farpas de rochedo Completamente iguais... Mãos de linhas análogas e anfratos Que a Natureza onicriadora fez Em contraposição e antagonismo Às da estrela, às da neve, ás dos cristais. Mãos que adquiriram olhos, pituitárias Olfativas, tentáculos sutis, E à noite, vão cheirar, quebrando portas O azul gasofiláceo silencioso Dos tálamos cristãos. Mãos adúlteras, mãos mais sanguinárias E estupradoras do que os bisturis Cortando a carne em flor das crianças mortas. Monstruosíssimas mãos, Que apalpam e olham com lascívia e gozo A pureza dos corpos infantis. ''([[Outras Poesias (Augusto dos Anjos)|Outras Poesias]], 33)'' [[Categoria:Poesia brasileira|Augusto dos Anjos]] [[Categoria:Augusto dos Anjos]] jqfhndiyww3qzxjdgxdy5esvg8f3ryi Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/256 106 37599 552103 364551 2026-05-10T18:46:56Z Junglk 34905 /* Revista */ 552103 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|234|DOM JOÃO VI NO BRAZIL|}}</noinclude>gidos e ampliados mais de uma vez aquelles estatutos de 1812, foi possivel executal-os integralmente e dotar o curso nacional de estudos medicos de toda a indispensavel propria dignidade <ref>Mello Moraes, Chor. Hist.</ref>. No emtanto, mesmo em tempo de Dom João VI, a escola do Rio foi cumprindo a missão a que se destinava, educando, entre outros, rapazes vindos das colonias portuguezas da Africa para se habilitarem como facultativos e voltarem a clinicar nas suas terras, e moços pobres pensionados pelo governo, os quaes ficavam obrigados a servir nos regimentos de linha. O conde de Linhares, para quem a integridade nacional era mais do que uma preoccupação, constituia uma obcessão, não descançou emquanto não estabeleceu na séde da nova côrte uma academia de guardas-marinha em substituição da que fundara em Lisboa. Organizou-a no hospicio do mosteiro de São Bento com todos os instrumentos, livros, modelos, machinas, cartas e planos que possuia em Portugal, sendo em 1809, por virtude de uma das providencias subsequentes, creado um observatorio astronomico para uso da companhia dos guardas-marinha. Logo depois fundou uma academia militar, aggregando-se d’este modo por completo ao cultivo das sciencias exactas o ensino das professionaes, a technica da guerra e a arte da defeza. Nos tempos coloniaes funccionara no Rio uma aula de fortificação, mandada estabelecer em 1699, e em 1793, durante o vice-reinado do conde de Rezende, abrira-se no Arsenal de Guerra (então Casa do Trem) uma aula para preparo dos soldados e officiaes de linha e milicias. A Academia Militar creada pela carta regia de 4 de Dezembro de 1810<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> g19y7nasi23ddo9qygyjiy5fibtjx47 Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/257 106 37600 552105 364552 2026-05-10T18:51:35Z Junglk 34905 /* Revista */ 552105 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|235}}</noinclude>e aberta aos 23 de Abril de 1811, fecho das providencias tomadas por Linhares no sentido de reformar o exercito do Brazil, dar-lhe disciplina e instrucção, representava porém alguma cousa de muito mais comprehensivo. Na propria expressão official — visava a “estabelecer um curso regular das sciencias exactas, de observação, de todas as que conteem applicações aos estudos militares e praticos, constitutivas da sciencia militar em todos os seus difficeis e interessantes ramos, e a formar habeis officiaes de artilheria e engenharia, e ainda mesmo officiaes da classe de engenheiros geographos e topographicos, que possam tambem ter o util emprego de dirigir objectos administrativos de minas, caminhos, portos, canaes, pontes, fontes e calçadas.” A Academia Militar foi installada no largo de São Francisco de Paula, onde se andara construindo a Sé Nova, cujos alicerces e mais material abandonado se aproveitaram para essa obra <ref>A Academia Militar, á qual chegou a estar reunida durante um anno (1832-33) a Academia de Marinha, transformou-se mais tarde (1858) na Escola Central e por fim (1874) na Escola Polytechnica de hoje, funcionando no primitivo local. Vide Dr. Moreira de Azevedo, ''O Rio de Janeiro, Sua historia, monumentos,'' etc., 1877, vol. II.</ref>. Os professores da instituição fluminense gosavam dos mesmos privilegios, indultos e franquezas que possuiam os lentes de Coimbra, e eram tidos e havidos como membros da faculdade de mathematica da Universidade: assim o estatuira judiciosamente o ministro para dar a maior importancia á sua creação cujo curso completo abrangia sete annos. Estudavam-se no primeiro anno arithmetica, algebra, analyse geometrica, trigonometria rectilinea e desenho de figura; no segundo, algebra, calculo differencial e integral e geometria descriptiva; no terceiro, mechanica, hydraulica e<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> n6xtcafh380ejxbg1vegfy6o21akz50 Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/258 106 37601 552106 364553 2026-05-10T18:55:15Z Junglk 34905 /* Revista */ 552106 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|236|DOM JOÃO VI NO BRAZIL|}}</noinclude>desenho de paizagem; no quarto, trigonometria espherica, optica, astronomia, geodesia e physica; no quinto, tactica e fortificação de campanha, chimica, philosophia chimica e desenho militar; no sexto, fortificação permanente, ataque e defeza das praças e mineralogia; no septimo, artilheria, minas militares, theoria da polvora da artilheria, zoologia, botanica e desenho de machinas de guerra. Tudo isto afóra os exercicios praticos, as linguas franceza e ingleza e a esgrima <ref>José Silvestre Ribeiro, ''ob. cit.''</ref>. A organização e regulamento d’esta Academia Militar, com toda a sua exhibição de conhecimentos mathematicos e indigestão das materias accumuladas no programma extenso, copioso e vistoso, são da lavra do proprio Linhares, cujo fraco consistia em passar por homem de sciencia, como de facto o era no meio de uma nobreza na sua grande maioria de uma deploravel ignorancia. Nada comtudo melhor justifica do que aquelle pomposo projecto a alcunha de ''Doutor Trapalhada'' ou ''Doutor Barafunda'' que lhe puzera a espirituosa Rainha Dona Carlota. Depois, onde achar gente sufficiente e assaz habilitada para dar immediata execução a um plano assim grandioso? Tudo por isso ficava incompleto e falho, sem correspondencia exacta entre o resultado pratico e a concepção creadora. Si as escolas de medicina experimentaram difficuldades serias para lograrem preencher os illustrados intuitos da sua fundação, não foi muito mais afortunada no seu proximo destino a Academia Militar. A frequencia que logo teve não pode taxar-se de diminuta pois que offereceu um numero<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> trz54l1azsgtdnfiolfns5owkcj4p4e Hino do município de Aquiraz 0 121157 552083 230507 2026-05-10T16:25:49Z Erick Emanuel 1 42882 552083 wikitext text/x-wiki {{hino |obra=Hino do município de [[w:Aquiraz|Aquiraz]] |letra por= Luciano Miranda |melodia por= Amaro Penna |notas= }} <poem> És o canto da ave que norteia És da vida a fina teia Que a luz semeia Em cada coração Primeira capital Das terras do Ceará És nau capitânia Lembrança imortal Que cada filho teu Para sempre guardará Primeira capital do Ceará Serenai verdes mares de Aquiraz, Para que as árvores mostrem o seu verde Serenai verdes mares do Aquiraz E todo o povo também mostra sua paz Aquiraz, Tua Historia É a memória De uma etnia viva De belas raças que o tempo soube guardar De um gente que o tempo soube guardar Em tuas praças o passado Brinca de presente, Alegre encontro de uma gente Que luta para futuro conquistar Teus rios,campos e lagoas Sereno canto de amor tecendo loas Ao guerreiro,herói obstinado Que lavra a terra neste chão nordestinado. E lá no horizonte, Infinito mar, Brancas asas trazem homens peixes, Que nas ondas vivem a pescar. Serenai verdes mares de Aquiraz, Para que as árvores mostrem o seu verde Serenai verdes mares do Aquiraz E todo o povo também mostra sua paz </poem> [[Categoria:Hinos do Ceará|Aquiraz]] llfpupgl86hwas2zlhjx2d024iivun8 Página:Historias da meia noite.djvu/9 106 159886 552088 370759 2026-05-10T18:12:42Z JppBr98 28173 /* Validada */ 552088 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|9}}</noinclude>canape, e começou a desfiar comsigo mesmo um rosario de crueis desventuras. Na opinião d’elle, nunca houvera mortal que mais dolorosamente experimentasse a hostilidade do destino. Nem no martyrologio cristão, nem nos tragicos gregos, nem no livro de Job havia sequer um pallido esbôço dos seus infortunios. Vejamos alguns traços patheticos da existencia do nosso heroe. Nascêra rico, filho de um proprietario de Goyaz, que nunca vira outra terra alêm da sua provincia natal. Em 1828 estivera alli um naturalista francez, com quem o commendador Seabra travou relações, e de quem se fez tão amigo, que não quiz outro padrinho para o seu unico filho, que então contava um anno de edade. O naturalista, muito antes de o ser, commettêra umas venialidades poeticas que mereceram alguns elogios em 1810, mas que o tempo, — velho trapeiro da eternidade, — levou comsigo para o infinito depósito das cousas inuteis. Tudo lhe perdoára o ex-poeta, menos o esquecimento de um poema em que elle metrificára a vida de Furio Camillo, poema que ainda então lia com sincero enthusiasmo. Como lembrança d’esta obra da juventude, chamou elle ao afilhado Camillo, e com esse nome o baptisou o padre Maciel, a grande aprazimento da familia e seus amigos. — Compadre, disse o comendador ao naturalista, se este pequeno vingar, hei de mandal-o para sua terra, a aprender medicina ou qualquer outra cousa em que<noinclude> <references/></noinclude> r620m5q7iflemq3192sajad1yxriq55 Página:Historias da meia noite.djvu/10 106 159887 552089 429262 2026-05-10T18:14:19Z JppBr98 28173 552089 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Giro720" />{{cabeçalho|10|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>se faça homem. No caso de lhe achar geito para andar com plantas e mineraes, como o senhor, não se acanhe; dê-lhe o destino que lhe parecer como se fôra seu pae, que o é, espiritualmente fallando. — Quem sabe se eu viverei n’esse tempo? disse o naturalista. — Oh! ha de viver! protestou Seabra. Esse corpo não engana; a sua têmpera é de ferro. Não o vejo eu andar todos os dias por esses mattos e campos, indifferente a soes e a chuvas, sem nunca ter a mais leve dôr de cabeça? Com metade dos seus trabalhos ja eu estava defunto. Ha de viver e cuidar do meu rapaz, apenas elle tiver concluido ca os seus primeiros estudos. A promessa de Seabra foi pontualmente cumprida. Camillo seguiu para París, logo depois de alguns preparatorios, e alli o padrinho cuidou d’elle como se realmente fôra seu pae. O commendador não poupava dinheiro para que nada faltasse ao filho; a mezada que lhe mandava podia bem servir para duas ou tres pessoas em eguaes circumstâncias. Alêm da mezada, recebia elle por occasião da Paschoa e do Natal amendoas e festas que a mãe lhe mandava, e que lhe chegavam ás mãos debaixo da fórma de alguns excellentes mil francos. Até aqui o unico ponto negro na existencia de Camillo, era o padrinho, que o trazia peado, com receio de que o rapaz viesse a perder-se nos precipicios da grande cidade. Quiz, porêm, a sua boa estrella que o<noinclude> <references/></noinclude> f6ck8gkqimkh6neipe4zx161kh2z2cy Página:Historias da meia noite.djvu/11 106 159888 552090 370579 2026-05-10T18:16:06Z JppBr98 28173 /* Validada */ 552090 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|11}}</noinclude>ex-poeta de 1810 fosse repousar no nada ao lado das suas producções extinctas, deixando na sciencia alguns vestigios da sua passagem por ella. Camillo apressou-se a escrever ao pae uma carta cheia de reflexões philosophicas. O periodo final dizia assim: « Em summa, meu pae, se lhe parece que eu tenho o necessario juizo para concluir aqui os meus estudos, e se tem confiança na boa inspiração que me ha de dar a alma d’aquelle que la se foi d’este valle de lagrymas para gozar a infinita bemaventurança, deixe-me ca ficar até que eu possa regressar ao meu paiz como um cidadão esclarecido e apto para o servir, como é do meu dever. Caso a sua vontade seja contrária a isto que lhe peço, diga-o com franqueza, meu pae, porque então não me demorarei um instante mais n’esta terra, que ja foi meia patria para mim, e que hoje (''hélas!'') é apenas uma terra de exilio. » O bom velho não era homem que pudesse ver por entre as linhas d’esta lacrymosa epistola o verdadeiro sentimento que a dictára. Chorou de alegria ao ler as palavras do filho, mostrou a carta a todos os seus amigos, e apressou-se a responder ao rapaz que podia ficar em París todo o tempo necessario para completar os seus estudos, e que, alêm da mezada que lhe dava, nunca recusaria tudo quanto lhe fosse indispensavel em circumstâncias imprevistas. Alêm d’isto, approvava de coração os sentimentos que elle manifestava<noinclude> <references/></noinclude> i4x5sg5x4nvrkik4pae9x3sk2bj4080 Página:Historias da meia noite.djvu/12 106 159889 552091 370589 2026-05-10T18:17:43Z JppBr98 28173 /* Validada */ 552091 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{cabeçalho|12|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>em relação á sua patria e á memoria do padrinho. Transmittia-lhe muitas recommendações do tio Jorge, do padre Maciel, do coronel Veiga, de todos os parentes e amigos, e concluia deitando-lhe a benção. A resposta paterna chegou ás mãos de Camillo no meio de um almôço, que elle dava no Cafe de Madrid a dous ou tres estroinas de primeira qualidade. Esperava aquillo mesmo, mas não resistiu ao desejo de beber á saude do pae, acto em que foi acompanhado pelos elegantes milhafres seus amigos. N’esse mesmo dia planeou Camillo algumas circumstâncias imprevistas (para o commendador) e o proximo correio trouxe para o Brazil uma extensa carta em que elle agradecia as boas expressões do pae, dizia-lhe as suas saudades, confiava-lhe as suas esperanças, e pedia-lhe respeitosamente, em ''post scriptum'', a remessa de uma pequena quantia de dinheiro. Graças a éstas facilidades atirou-se o nosso Camillo a uma vida sôlta e dispendiosa, não tanto, porêm, que lhe sacrificasse os estudos. A intelligencia que possuia, e certo amor proprio que não perdêra, muito o ajudaram n’este lance; concluido o curso, foi examinado, approvado e doutorado. A notícia do acontecimento foi transmittida ao pae com o pedido de uma licença para ir ver outras terras da Europa. Obteve a licença, e sahiu de París para visitar a Italia, a Suissa, a Allemanha e a Inglaterra. No fim de alguns mezes estava outra vez na grande<noinclude> <references/></noinclude> iprzzm4rucxnnxsynt26s00sv5mdw5c Página:Historias da meia noite.djvu/13 106 159890 552092 370600 2026-05-10T18:19:22Z JppBr98 28173 /* Validada */ 552092 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|13}}</noinclude>capital, e ahi reatou o fio da sua antiga existencia, ja livre então de cuidados extranhos e aborrecidos. A escala toda dos prazeres sensuaes e frivolos foi percorrida por este esperançoso mancebo com uma sofreguidão que parecia antes suicidio. Seus amigos eram numerosos, solicitos e constantes; alguns não duvidavam dar-lhe a honra de o constituir seu credor. Entre as môças de Corintho era o seu nome verdadeiramente popular; não poucas o tinham amado até o delirio. Não havia pateada célebre em que a chave dos seus aposentos não figurasse, nem corrida, nem ceiata, nem passeio, em que não occupasse um dos primeiros logares ''cet aimable brésilien''. Desejoso de o ver, escreveu-lhe o commendador pedindo que regressasse ao Brazil; mas o filho, parisiense até á medula dos ossos, não comprehendia que um homem pudesse sahir do cerebro da França para vir internar-se em Goyaz. Respondeu com evasivas e deixou-se ficar. O velho fez vista grossa a ésta primeira desobediencia. Tempos depois insistiu em chamal-o; novas evasivas da parte de Camillo. Irritou-se o pae e a terceira carta que lhe mandou foi ja de amargas censuras. Camillo cahiu em si e dispoz-se com grande magua a regressar á patria, não sem esperanças de voltar e acabar os seus dias no boulevard dos Italianos ou á porta do Cafe Helder. Um incidente, porêm, demorou ainda d’esta vez o regresso do joven médico. Elle, que até alli vivêra de<noinclude> <references/></noinclude> plqo0s147jlr6la8irf1myx5a0mvv0v Página:Historias da meia noite.djvu/14 106 159891 552093 370611 2026-05-10T18:23:20Z JppBr98 28173 /* Validada */ 552093 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{cabeçalho|14|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>amores faceis e paixões de uma hora, veiu a enamorar-se repentinamente de uma linda princeza russa. Não se assustem; a princeza russa de quem fallo, affirmavam algumas pessoas que era filha da rua do Bac e trabalhára n’uma casa de modas, até á revolução de 1848. No meio da revolução apaixonou-se por ella um major polaco, que a levou para Varsovia, d’onde acabava de chegar transformada em princeza, com um nome acabado em ''ine'' ou em ''off'', não sei bem. Vivia mysteriosamente, zombando de todos os seus adoradores, excepto de Camillo, dizia ela, por quem sentia que era capaz de aposentar as suas roupas de viuva. Tão depressa, porêm, soltava éstas expressões irreflectidas, como logo protestava com os olhos no ceu: — Oh! não! nunca, meu caro Alexis, nunca deshonrarei a tua memoria unindo-me a outro. Isto eram punhaes que dilaceravam o coração de Camillo. O joven médico jurava por todos os santos do calendario latino e grego que nunca amára a ninguem como á formosa princeza. A barbara senhora parecia ás vezes disposta a crer nos protestos de Camillo; outras vezes porêm abanava a cabeça e pedia perdão á sombra do venerando principe Alexis. N’este meio tempo chegou uma carta decisiva do commendador. O velho goyano intimava pela ultima vez ao filho que voltasse, sob pena de lhe suspender todos os recursos e trancar-lhe a porta. {{NOP}}<noinclude> <references/></noinclude> kcgoyw5fn2m263tahss4yx7wqmzvgfv Página:Historias da meia noite.djvu/15 106 159892 552094 370622 2026-05-10T18:25:36Z JppBr98 28173 /* Validada */ 552094 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|15}}</noinclude>Não era possivel tergiversar mais. Imaginou ainda uma grave molestia; mas a ideia de que o pae podia não acreditar n’ella e suspender-lhe realmente os meios, aluiu de todo este projecto. Camillo nem ânimo teve de ir confessar a sua posição á bella princeza; receava alêm disso que ella, por um rasgo de generosidade,—natural em quem ama,—quizesse dividir com elle as suas terras de Novogorod. Acceital-as sería humiliação, recusal-as poderia ser offensa. Camillo preferiu sahir de París deixando á princeza uma carta em que lhe contava singelamente os acontecimentos e promettia voltar algum dia. Taes eram as calamidades com que o destino quizera abater o ânimo de Camillo. Todas ellas repassou na memoria o infeliz viajante, até que ouviu bater oito horas da noite. Sahiu um pouco para tomar ar, e ainda mais se lhe accenderam as saudades de París. Tudo lhe parecia lugubre, acanhado, mesquinho. Olhou com desdem olympico para todas as lojas da rua do Ouvidor, que lhe pareceu apenas um becco muito comprido e muito illuminado. Achava os homens deselegantes, as senhoras desgraciosas. Lembrou-se, porêm, que Santa Luzia, sua cidade natal, era ainda menos parisiense que o Rio de Janeiro, e então, abatido com ésta importuna ideia correu para o hotel e deitou-se a dormir. No dia seguinte, logo depois do almôço, foi á casa do correspondente de seu pae. Declarou-lhe que {{começo de palavra hifenizada|ten|tencionava}}<noinclude> <references/></noinclude> 2u34v6f7p33545wzbfc3zktm51q6d19 Página:Historias da meia noite.djvu/16 106 159893 552095 370632 2026-05-10T18:27:15Z JppBr98 28173 /* Validada */ 552095 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{cabeçalho|16|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>{{término de palavra hifenizada|cionava|tencionava}} seguir dentro de quatro ou cinco dias para Goyaz, e recebeu d’elle os necessarios recursos, segundo as ordens ja dadas pelo commendador. O correspondente accrescentou que estava incumbido de lhe facilitar tudo o que quizesse no caso de desejar passar algumas semanas na côrte. — Não, respondeu Camillo; nada me prende á côrte, e estou ancioso por me ver a caminho. — Imagino as saudades que ha de ter. Ha quantos annos? — Oito. — Oito! Ja é uma ausencia longa. Camillo ia-se dispondo a sahir, quando viu entrar um sujeito alto, magro, com alguma barba em baixo do queixo e bigode, vestido com um paletó de brim pardo e trazendo na cabeça um chapéu de Chile. O sujeito olhou para Camillo, estacou, recuou um passo, e depois de uma razoavel hesitação, exclamou: — Não me engano! é o sr. Camilo! — Camillo Seabra, com effeito, respondeu o filho do commendador, lançando um olhar interrogativo ao dono da casa. — Este senhor, disse o correspondente, é o sr. Soares, filho do negociante do mesmo nome, da cidade de Santa Luzia. — Que! é o Leandro que eu deixei apenas com um buço… {{NOP}}<noinclude> <references/></noinclude> 8gmpehzgab5kg7ad428k6o00lofh9kk Página:Historias da meia noite.djvu/17 106 159894 552096 370643 2026-05-10T18:28:56Z JppBr98 28173 /* Validada */ 552096 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|17}}</noinclude>— Em carne e osso, interrompeu Soares; é o mesmo Leandro que lhe apparece agora todo barbado, como o senhor, que tambem está com uns bigodes bonitos! — Pois não o conhecia… — Conheci-o eu apenas o vi, apezar de o achar muito mudado do que era. Está agora um moço apurado. Eu é que estou velho. Ja ca estão vinte e seis… Não se ria: estou velho. Quando chegou? — Hontem. — E quando segue viagem para Goyaz? — Espero o primeiro vapor de Santos. — Nem de proposito! Iremos juntos. — Como está seu pae? Como vae toda aquella gente? O padre Maciel? O Veiga? Dê-me noticias de todos e de tudo. — Temos tempo para conversar á vontade. Por agora so lhe digo que todos vão bem. O vigario é que esteve dous mezes doente de uma febre maligna e ninguem pensava que arribasse; mas arribou. Deus nos livre que o homem adoeça, agora que estamos com o Espirito Santo á porta. — Ainda se fazem aquellas festas? — Pois então! O imperador este anno, é o coronel Veiga; e diz que quer fazer as cousas com todo o brilho. Ja prometteu que daria um baile. Mas nós temos tempo de conversar, ou aqui ou em caminho. Onde está morando? {{NOP}}<noinclude> <references/></noinclude> 1db2a6ll87xtqat4rz7x74qxdc23lix Página:Historias da meia noite.djvu/18 106 159895 552097 370654 2026-05-10T18:29:43Z JppBr98 28173 /* Validada */ 552097 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{cabeçalho|18|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>Camillo indicou o hotel em que se achava, e despediu-se do comprovinciano, satisfeito de haver encontrado um companheiro que de algum modo lhe diminuisse os tedios de tão longa viagem. Soares chegou á porta e acompanhou com os olhos o filho do commendador até perdêl-o de vista. — Veja o senhor o que é andar por essas terras extrangeiras, disse elle ao correspondente, que tambem chegava á porta. Que mudança fez aquelle rapaz, que era pouco mais ou menos como eu! {{NOP}}<noinclude> <references/></noinclude> 5va3800ri7hitae6tqoqqhgvdd3ltxj Página:Historias da meia noite.djvu/19 106 159896 552098 370665 2026-05-10T18:32:38Z JppBr98 28173 /* Validada */ 552098 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|19}} {{T2|{{sc|para goyaz}}|II|fs=1.25em}} <div /></noinclude>D’ahi a dias seguiam ambos para Santos, de la para S. Paulo e tomavam a estrada de Goyaz. Soares, á medida que ia rehavendo a antiga intimidade com o filho do commendador, contava-lhe as memorias da sua vida, durante os oito annos de separação, e, á falta de cousa melhor, era isto o que entretinha o médico nas occasiões e logares em que a natureza lhe não offerecia algum espectaculo dos seus. Ao cabo de umas quantas leguas de marcha estava Camillo informado das rixas eleitoraes de Soares, das suas aventuras na caça, das suas proezas amorosas, e de muitas cousas mais, umas graves, outras futeis, que Soares narrava com egual enthusiasmo e interesse. Camillo não era espirito observador; mas a alma de Soares andava-lhe tão patente nas mãos, que era impossivel deixar de a ver e examinar. Não lhe pareceu mau rapaz; notou-lhe porêm, certa fanfarronice, em todo o genero de cousas, na politica, na caça, no jôgo, e até nos amores. N’este último capítulo havia um paragrapho serio; era o que dizia respeito a uma moça, que elle<noinclude> <references/></noinclude> 2kxhldqi3psetgc9kr67wah3oqdb37m Página:Historias da meia noite.djvu/20 106 159897 552099 370676 2026-05-10T18:34:26Z JppBr98 28173 /* Validada */ 552099 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{cabeçalho|20|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>amava loucamente, de tal modo que promettia anniquilar a quem quer que ousasse levantar olhos para ella. — É o que lhe digo, Camillo, confessava o filho do commerciante, se alguem tiver o atrevimento de pretender essa moça póde contar que ha no mundo mais dois desgraçados, elle e eu. Não ha de acontecer assim felizmente; la todos me conhecem; sabem que não cochilo para executar o que prometto. Ha poucos mezes o major Valente perdeu a eleição so porque teve o atrevimento de dizer que ia arranjar a demissão do juiz municipal. Não arranjou a demissão, e por castigo tomou taboca; sahio na lista dos supplentes. Quem lhe deu o golpe fui eu. A cousa foi… — Mas porque não se casa com essa moça? perguntou Camillo desviando cautelosamente a narração da última victória eleitoral de Soares. — Não me caso porque… tem muita curiosidade de o saber? — Curiosidade… de amigo e nada mais. — Não me caso porque ella não quer. Camillo estacou o cavallo. — Não quer? disse elle espantado. Então por que motivo pretende impedir que ella… — Isso é uma história muito comprida. A Isabel… — Isabel?… interrompeu Camillo. Ora espere, sera a filha do Dr. Mattos, que foi juiz de direito ha dez annos? — Essa mesma. {{NOP}}<noinclude> <references/></noinclude> gvjknxwcklpmxjix39pdx79356yt129 Página:Historias da meia noite.djvu/21 106 159898 552100 370685 2026-05-10T18:36:20Z JppBr98 28173 /* Validada */ 552100 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|21}}</noinclude>— Deve estar uma moça? — Tem seus vinte annos bem contados. — Lembra-me que era bonitinha aos doze. — Oh! mudou muito… para melhor! Ninguem a ve que não fique logo com a cabeça voltada. Tem regeitado ja uns poucos de casamentos. O último noivo recusado fui eu. A causa porque me recusou foi ella mesma que me veio dizer. — E que causa era? — « Olhe, Sr. Soares, disse-me ella. O senhor merece bem que uma moça o acceite por marido; eu era capaz d’isso, mas não o faço porque nunca seriamos felizes. » — Que mais? — Mais nada. Respondeu-me apenas isto que lhe acabo de contar. — Nunca mais se fallaram? — Pelo contrario, fallâmo-nos muitas vezes. Não mudou commigo; trata-me como dantes. A não serem aquellas palavras que ella me disse, e que ainda me doem ca dentro, eu podia ter esperanças. Vejo, porêm, que seriam inuteis; ella não gosta de mim. — Quer que lhe diga uma cousa com franqueza? — Diga. — Parece-me um grande egoista. — Póde ser; mas sou assim. Tenho ciumes de tudo, até do ar que ella respira. Eu, se a visse gostar de outro, e não pudesse impedir o casamento, mudava de terra. O que me vale é a convicção que tenho de que ella não ha<noinclude> <references/></noinclude> 6g4dpzwhda0cxp4reupuopprmk2a14s Página:Historias da meia noite.djvu/22 106 159899 552101 370686 2026-05-10T18:38:03Z JppBr98 28173 /* Validada */ 552101 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{cabeçalho|22|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>de gostar nunca de outro, e assim pensam todos os mais. — Não admira que não saiba amar, reflexionou Camillo pondo os olhos no horizonte como se estivesse alli a imagem da formosa subdita do tzar. Nem todas receberam do ceu esse dom, que é o verdadeiro distinctivo dos espiritos selectos. Algumas ha porêm, que sabem dar a vida e a alma a um ente querido, que lhe enchem o coração de profundos affectos, e d’este modo fazem jus a uma perpétua adoração. São raras, bem sei, as mulheres d’esta casta; mas existem… Camillo terminou esta homenagem á dama dos seus pensamentos abrindo as azas a um suspiro que, se não chegou ao seu destino, não foi por culpa do auctor. O companheiro não comprehendeu a intenção do discurso, e insistiu em dizer que a formosa goyana estava longe de gostar de ninguem, e elle ainda mais longe de lh’o consentir. O assumpto agradava aos dois comprovincianos; fallaram d’elle longamente até o approximar da tarde. Pouco depois chegaram a um — pouso, — onde deviam pernoitar. Tirada a carga dos animaes, cuidaram os criados primeiramente do cafe, e depois do jantar. N’essas occasiões ainda mais pungiam ao nosso heróe as saudades de París. Que differença entre os seus jantares dos ''restaurants'' dos ''boulevards'' e aquella refeição ligeira e tosca, n’um miseravel — pouso de estrada, — sem os acepipes<noinclude> <references/></noinclude> oi84p8u9nx0kphqf1zlfy8seyuhk85o Página:Historias da meia noite.djvu/23 106 159900 552102 370687 2026-05-10T18:39:43Z JppBr98 28173 /* Validada */ 552102 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|23}}</noinclude>da cosinha franceza, sem a leitura do ''Figaro'' ou da ''Gazette des Tribunaux!'' Camillo suspirava comsigo mesmo; tornava-se então ainda menos communicativo. Não se perdia nada porque o seu companheiro fallava por dois. Acabada a refeição, accendeu Camillo um charuto e Soares um cigarro de palha. Era ja noite. A fogueira do jantar allumiava um pequeno espaço em roda; mas nem era precisa, porque a lua, começava a surgir de traz de um morro, pallida e luminosa, brincando nas folhas do arvoredo e nas aguas tranquillas do rio que serpeava alli ao pe. Um dos tropeiros saccou a viola e começou a gargantear uma cantiga, que a qualquer outro encantaria pela rude singeleza dos versos e da toada, mas que ao filho do commendador apenas fez ''lembrar'' com tristeza as volatas da Opera. Lembrou-lhe mais; lembrou-lhe uma noite em que a bella moscovita, mollemente sentada n’um camarote dos Italianos, deixava de ouvir as ternuras do tenor, para contemplal-o de longe cheirando um raminho de violetas. Soares atirou-se á rede e adormeceu. O tropeiro cessou de cantar, e dentro de pouco tempo tudo era silêncio no pouso. Camillo ficou sosinho diante da noite, que estava realmente formosa e solemne. Não faltava ao joven goyano a intelligencia do bello; e a quasi novidade d’aquelle<noinclude> <references/> {{rodapé|||<small>2</small>}}</noinclude> i8yv1fiq49983x8rox5fm2muygj73j1 Página:Historias da meia noite.djvu/24 106 159901 552104 406903 2026-05-10T18:49:24Z JppBr98 28173 /* Revista */ 552104 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|24|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>espectaculo, que uma longa ausencia lhe fizera esquecer, não deixava de o impressionar immensamente. De quando em quando chegavam aos seus ouvidos urros longinquos, de alguma fera que vagueava na solidão. Outras vezes eram aves nocturnas, que soltavam ao perto os seus pios tristonhos. Os grillos, e também as rãs e os sapos formavam o côro d’aquella opera do sertão, que o nosso heróe admirava de certo, mas á qual preferia indubitavelmente a opera comica. Assim esteve longo tempo, cêrca de duas horas, deixando vagar o seu espirito ao sabor das saudades, e levantando e desfazendo mil castellos no ar. De repente foi chamado a si pela voz do Soares, que parecia víctima de um pesadelo. Afiou o ouvido e escutou éstas palavras sòltas e abafadas que o seu companheiro murmurava: {{--}} Isabel… querida Isabel… Que é isso?… Ah! meu Deus! Acudam! As últimas syllabas eram ja mais afflictas que as primeiras. Camillo correu ao companheiro e fortemente o sacudiu. Soares acordou espantado, sentou-se, olhou em roda de si e murmurou: {{--}} Que é? {{--}} Um pesadelo. {{--}} Sim, foi um pesadelo. Ainda bem! Que horas são? {{--}} Ainda é noite. {{--}} Já está levantado? {{--}} Agora é que me vou deitar. Durmamos que é tempo. {{nop}}<noinclude> <references/></noinclude> p2mchmwlnj3m0kcqef9bcpvkcwn16e0 Página:Historias da meia noite.djvu/25 106 159902 552107 406904 2026-05-10T18:55:22Z JppBr98 28173 /* Revista */ 552107 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|25}}</noinclude>{{--}} Amanhã lhe contarei o sonho. No dia seguinte effectivamente, logo depois das primeiras vinte braças de marcha, referiu Soares o terrivel sonho da vespera. {{--}} Estava eu ao pe de um rio, disse ele, com a espingarda na mão, espiando as capivaras. Olho casualmente para a ribanceira que ficava muito acima, do lado opposto, e vejo uma moça montada n’um cavallo preto, vestida de preto, e com os cabellos, que tambem eram pretos, cahidos sobre os ombros… {{--}} Era tudo uma escuridão, interrompeu Camillo. {{--}} Espere; admirei-me de ver alli, e por aquelle modo, uma moça que me parecia franzina e delicada. Quem pensava o senhor que era? {{--}} A Isabel. {{--}} A Isabel. Corri pela margem adiante, trepei acima de uma pedra fronteira ao logar onde ella estava, e perguntei-lhe o que fazia alli. Ella esteve algum tempo calada. Depois, apontando para o fundo do grotão, disse: « {{--}} O meu chapeu cahiu la em baixo. « {{--}} Ah! « {{--}} O senhor ama-me? disse ella passados alguns minutos. « {{--}} Mais que a vida! « {{--}} Fara o que eu lhe pedir? « {{--}} Tudo. « {{--}} Bem, va buscar o meu chapeu. {{nop}}<noinclude> <references/></noinclude> hdyglih5e1zax9ezrwjtdb751n503ym Página:Historias da meia noite.djvu/26 106 159903 552109 406905 2026-05-10T19:00:43Z JppBr98 28173 /* Revista */ 552109 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|26|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>« {{--}} Olhei para baixo. Era um imenso grotão em cujo fundo fervia e roncava uma agua barrenta e grossa. O chapeu, em vez de ir com a corrente por alli abaixo até perder-se de todo, ficára espetado na ponta de uma rocha, e la do fundo parecia convidar-me a descer. Mas era impossivel. Olhei para todos os lados, a ver se achava algum recurso. Nenhum havia… {{--}} Veja o que é imaginação escaldada! observou Camillo. {{--}} Já eu procurava algumas palavras com que dissuadisse Isabel da sua terrivel ideia, quando senti pousar-me uma mão no hombro. Voltei-me; era um homem, era o senhor. {{--}} Eu? {{--}} É verdade. O senhor olhou para mim com um ar de desprezo, sorriu para ela e depois olhou para o abysmo. Repentinamente, sem que eu possa dizer como, estava o senhor em baixo e estendia a mão para tirar o chapelinho fatal. {{--}} Ah! {{--}} A agua porêm, engrossando subitamente, ameaçava submergil-o. Então Isabel, soltando um grito de angústia, esporeou o cavallo e atirou-se pela ribanceira abaixo. Gritei… chamei por soccorro; tudo foi inutil. Ja a agua os enrolava em suas dobras… quando fui acordado pelo senhor. Leandro Soares concluiu esta narração do seu pesadelo parecendo ainda assustado do que lhe acontecêra…<noinclude> <references/></noinclude> 3hivilxwbmiemnl6n6g61awvgy14otj Página:Historias da meia noite.djvu/27 106 159904 552110 406906 2026-05-10T19:06:04Z JppBr98 28173 /* Revista */ 552110 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|27}}</noinclude>imaginariamente. Convem dizer que elle acreditava nos sonhos. {{--}} Veja o que é uma digestão mal feita! exclamou Camillo quando o comprovinciano terminou a narração. Que porção de tolices! O chapeu, a ribanceira, o cavallo, e mais que tudo a minha presença n’esse melodrama fantastico, tudo isso é obra de quem digeriu mal o jantar. Em París ha theatros que representam pesadelos assim, {{--}} peiores do que o seu porque são mais compridos. Mas o que eu vejo tambem é que essa moça não o deixa nem dormindo. {{--}} Nem dormindo! Soares disse éstas duas palavras quasi como um echo, sem consciencia. Desde que concluíra a narração, e logo depois das primeiras palavras de Camillo, entrára a fazer comsigo uma serie de reflexões que não chegaram ao conhecimento do auctor d’esta narrativa. O mais que lhes posso dizer é que não eram alegres, porque a fronte lhe descahiu, enrugou-se-lhe a testa, e elle, cravando os olhos nas orelhas do animal, recolheu-se a um inviolavel silêncio. A viagem, d’aquelle dia em diante, foi menos supportavel para Camillo de que ate alli. Alêm de uma leve melancolia que se apoderára do companheiro, ia-se-lhe tornando enfadonho aquelle andar leguas e leguas que pareciam não acabar mais. Afinal voltou Soares á sua habitual verbosidade, mas ja então nada<noinclude> <references/></noinclude> tilwv74jbodcqmahnu8lcf780f7edqh Página:Historias da meia noite.djvu/28 106 159905 552111 370692 2026-05-10T19:08:23Z JppBr98 28173 /* Revista */ 552111 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|28|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>podia vencer o tedio mortal que se apoderára do misero Camillo. Quando porêm avistou a cidade, perto da qual estava a fasenda, onde vivêra as primeiras auroras da sua mocidade, Camillo sentia abalar-se-lhe fortemente o coração. Um sentimento serio o dominava. Por algum tempo, ao menos, París com os seus esplendores cedia o logar á pequena e honesta patria dos Seabras. {{nop}}<noinclude> <references/></noinclude> rl1iuwswlmhce8mi9cxsqlbq5borbi4 Página:Historias da meia noite.djvu/29 106 159919 552118 406907 2026-05-10T21:56:49Z JppBr98 28173 /* Revista */ 552118 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|29}} {{T2|{{sc|O encontro}}|III|fs=1.25em}}</noinclude>Foi um verdadeiro dia de festa aquelle em que o commendador cingiu ao peito o filho que oito anos antes mandara a terras extranhas. Não pôde reter as lagrymas o bom velho, {{--}} não pôde, que ellas vinham de um coração ainda viçoso de affectos e exhuberante de ternura. Não menos intensa e sincera foi a alegria de Camillo. Beijou repetidamente as mãos e a fronte do pae, abraçou os parentes, os amigos de outro tempo, e durante alguns dias, {{--}} não muitos, {{--}} parecia completamente curado dos seus desejos de regressar á Europa. Na cidade e seus arredores não se fallava em outra cousa. O assumpto, não principal, mas exclusivo das palestras e commentarios era o filho do commendador. Ninguem se fartava de o elogiar. Admiravam-lhe as maneiras e a elegancia. A mesma superioridade com que elle fallava a todos achava enthusiastas sinceros. Durante muitos dias foi totalmente impossivel que o rapaz pensasse em outra cousa que não fosse contar as suas viagens aos amaveis conterraneos. Mas pagavam-lhe a massada, porque a menor cousa que elle<noinclude> <references/></noinclude> 18mkuvtz7atc2osnfgco1q1w0s7y0uf Página:Historias da meia noite.djvu/30 106 159920 552120 406908 2026-05-10T22:06:52Z JppBr98 28173 /* Revista */ 552120 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|30|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>dissesse tinha aos olhos dos outros uma graça indefinivel. O padre Maciel, que o baptisára vinte e sete annos antes, e que o via ja homem completo, era o primeiro pregoeiro da sua transformação. {{--}} Póde gabar-se, Sr. commendador, dizia elle ao pai de Camillo, póde gabar-se de que o ceu lhe deu um rapaz de truz! Santa Luzia vae ter um médico de primeira ordem, se me não engana o affecto que tenho a esse que era ainda hontem um pirralho. E não so médico, mas até bom philosopho; é verdade, parece-me bom philosopho. Sondei-o hontem n’esse particular, e não lhe achei ponto fraco ou duvidoso. O tio Jorge andava a perguntar a todos o que pensavam do sobrinho Camillo. O tenente coronel Veiga agradecia á Providencia a chegada do Dr. Camillo nas proximidades do Espirito Santo. {{--}} Sem elle, o meu baile seria incompleto. O Dr. Mattos não foi o último que visitou o filho do commendador. Era um velho alto e bem feito, ainda que um tanto quebrado pelos annos. {{--}} Venha, doutor, disse o velho Seabra apenas o viu assomar á porta; venha ver o meu homem. {{--}} Homem, com effeito, respondeu Mattos contemplando o rapaz. Está mais homem do que eu suppunha. Tambem ja la vão oito annos! Venha de la esse abraço! O moço abriu os braços ao velho. Depois, como era costume fazer a quantos o iam ver, contou-lhe alguma<noinclude> <references/></noinclude> reixtxsvprgwvmls6stx9xnunbxyf7r Página:Historias da meia noite.djvu/31 106 159921 552122 406909 2026-05-10T22:14:14Z JppBr98 28173 /* Revista */ 552122 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|31}}</noinclude>cousa das suas viagens e estudos. É perfeitamente inutil dizer que o nosso heroe omittiu sempre tudo quanto pudesse abalar o bom conceito em que estava no ânimo de todos. A dar-lhe credito, vivêra quasi como um anachoreta; e ninguem ousava pensar o contrário. Tudo eram pois alegrias na boa cidade e seus arredores; e o joven médico, lisonjeado com a inesperada recepção que teve, continuou a não pensar muito em París. Mas o tempo corre, e as nossas sensações com elle se modificam. No fim de quinze dias tinha Camillo esgotado a novidade das suas impressões; a fazenda começou a mudar de aspecto; os campos ficaram monotonos, as árvores monotonas, os rios monotonos, a cidade monotona, elle proprio monotono. Invadiu-o então uma cousa a que podemos chamar {{--}} nostalgia do exilio. — Não, dizia elle comsigo, não posso ficar aqui mais trez meses. París ou o cemiterio, tal é o dilemma que se me offerece. D’aqui a trez meses, estarei morto ou em caminho da Europa. O aborrecimento de Camillo não escapou aos olhos do pai, que quasi vivia a olhar para elle. — Tem razão, pensava o commendador. Quem viveu por essas terras que dizem ser tão bonitas e animadas, não póde estar aqui muito alegre. É preciso dar-lhe alguma occupação… a politica, por exemplo. {{--}} Politica! exclamou Camillo, quando o pai lhe<noinclude> <references/></noinclude> d26gw6tr23yjtn9kkjmurc8zbqvhhic Página:Historias da meia noite.djvu/32 106 159922 552123 406910 2026-05-10T22:31:57Z JppBr98 28173 /* Revista */ 552123 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|32|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>fallou n’esse assumpto. De que me serve a politica, meu pai? {{--}} De muito. Seras primeiro deputado provincial; podes ir depois para a camara no Rio de Janeiro. Um dia interpellas o ministerio, e se elle cahir, podes subir ao governo. Nunca tiveste ambição de ser ministro? {{--}} Nunca. {{--}} É pena! {{--}} Porque? {{--}} Porque é bom ser ministro. {{--}} Governar os homens, não é? disse Camillo rindo; é um sexo ingovernavel; prefiro o outro. Seabra riu-se do repente, mas não perdeu a esperança de convencer o herdeiro. Havia ja vinte dias que o médico estava em casa do pai, quando se lembrou da história que lhe contára Soares e do sonho que este tivera no pouso. A primeira vez que foi á cidade e esteve com o filho do negociante, perguntou-lhe: {{--}} Diga-me, como vai sua Isabel, que ainda a não vi? Soares olhou para elle com o sobr’olho carregado {{SIC|a|e}} levantou os hombros resmungando um sêcco: {{--}} Não sei. Camillo não insistiu. — A molestia ainda está no periodo agudo, disse elle comsigo. Teve porêm curiosidade de ver a formosa {{hífen|Isabeli|Isabelinha,}}<noinclude> <references/></noinclude> rummwdkq394ddt6z28ygargvgq1ojin Página:Historias da meia noite.djvu/33 106 159923 552124 406911 2026-05-10T22:41:56Z JppBr98 28173 /* Revista */ 552124 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|33}}</noinclude>{{hífen-fim|nha,|Isabelinha,}} que tão por terra deitára aquelle verboso cabo eleitoral. A todas as moças da localidade, em dez leguas em redor, havia ja falado o joven médico. Isabel era a única esquiva até então. Esquiva não digo bem. Camillo fôra uma vez á fazenda do Dr. Mattos; mas a filha estava doente. Pelo menos foi isso o que lhe disseram. {{--}} Descance, dizia-lhe um visinho a quem elle mostrára impaciencia de conhecer a amada de Leandro Soares; ha de vel-a no baile do coronel Veiga, ou na festa do Espirito Santo, ou em outra qualquer occasião. A belleza da moça, que elle não julgava pudesse ser superior nem sequer egual á da viuva do principe Alexis, a paixão incuravel de Soares, e o tal ou qual mysterio com que se fallava de Isabel, tudo isso excitou ao último ponto a curiosidade do filho do commendador. No domingo proximo, oito dias antes do Espirito Santo, sahiu Camillo da fazenda para ir á missa na egreja da cidade, como ja fizera nos domingos anteriores. O cavallo ia a passo lento, a compasso com o pensamento do cavalleiro, que se espreguiçava pelo campo fora em busca de sensações que ja não tinha e que anciava ter de novo. Mil singulares ideias atravessavam o cerebro de Camillo. Ora, almejava alar-se com cavallo e tudo, rasgar os ares e ir cahir defronte do Palais-Royal, ou em outro qualquer ponto da capital do mundo. Logo depois fazia a si mesmo a descripção de um cataclisma tal, que elle viesse a achar-se almoçando no Café Tortoni,<noinclude> <references/></noinclude> 28r4mxlpsso70dofy7ypcwaul45r80c Página:Historias da meia noite.djvu/34 106 159924 552125 406912 2026-05-10T22:47:44Z JppBr98 28173 /* Revista */ 552125 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|34|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>dois minutos depois de chegar ao altar o padre Maciel. De repente, ao quebrar uma volta da estrada, descobriu ao longe duas senhoras a cavallo acompanhadas por um pagem. Picou de esporas e dentro de pouco tempo estava junto dos tres cavalleiros. Uma das senhoras voltou a cabeça, sorriu e parou. Camillo aproximou-se, com a cabeça descoberta, e estendeu-lhe a mão, que ella apertou. A senhora a quem cumprimentára era a esposa do tenente-coronel Veiga. Representava ter quarenta e cinco annos, mas estava assaz conservada. A outra senhora, sentindo o movimento da companheira, fez parar tambem o cavallo, e voltou egualmente a cabeça. Camillo não olhava então para ella. Estava occupado em ouvir D. Gertrudes, que lhe dava notícias do tenente-coronel. {{--}} Agora so pensa na festa, dizia ella; ja deve estar na egreja. Vae á missa, não? {{--}} Vou. {{--}} Vamos juntos. Trocadas éstas palavras, que foram rapidas, Camillo procurou com os olhos a outra cavalleira. Ella porêm ia ja alguns passos adiante. O médico collocou-se ao lado de D. Gertrudes, e a comitiva continuou a andar. Iam assim conversando havia ja uns dez minutos, quando o cavallo da senhora que ia adiante estacou. {{--}} Que é, Isabel? perguntou D. Gertrudes. {{--}} Isabel! exclamou Camillo, sem dar attenção ao<noinclude> <references/></noinclude> n1n30tacnjrk5t1xpna70051vy6y1i1 Página:Historias da meia noite.djvu/35 106 159925 552126 406913 2026-05-10T22:53:54Z JppBr98 28173 /* Revista */ 552126 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|35}}</noinclude>incidente que provocára a pergunta da esposa do coronel. A moça voltou a cabeça e levantou os hombros respondendo seccamente: {{--}} Não sei. A causa era um rumor que o cavallo sentíra por traz de uma espessa moita de taquaras que ficava á esquerda do caminho. Antes porêm que o pagem ou Camillo fosse examinar a causa da reluctancia do animal, a moça fez um esforço supremo, e chicoteando vigorosamente o cavallo, conseguiu que este vencesse o terror, e deitasse a correr a galope adiante dos companheiros. {{--}} Isabel! disse Camillo a D. Gertrudes. Aquella moça sera a filha do Dr. Mattos? {{--}} É verdade. Não a conhecia? {{--}} Ha oito annos que a não vejo. Está uma flor! Ja não me admira que se falle aqui tanto na sua belleza. Disseram-me que estava doente… {{--}} Esteve; mas as suas doenças são cousas de pequena monta. São nervos; assim se diz, creio eu, quando se não sabe do que uma pessoa padece… Isabel parára ao longe, e voltada para a esquerda da estrada, parecia admirar o espectaculo da natureza. D’ahi a alguns minutos estavam perto d’ella os seus companheiros. A moça ia proseguir a marcha, quando D. Gertrudes lhe disse: {{--}} Isabel! A moça voltou o rosto. D. Gertrudes aproximou-se d’ella. {{nop}}<noinclude> <references/></noinclude> m55f9vt4ck7qww53rd854z7eta8gj9y Página:Historias da meia noite.djvu/36 106 159926 552127 406914 2026-05-10T23:00:05Z JppBr98 28173 /* Revista */ 552127 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|36|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>{{--}} Não te lembras do Dr. Camillo Seabra? {{--}} Talvez não se lembre, disse Camillo. Tinha doze annos quando eu sahi d’aqui, e ja la vão oito! {{--}} Lembro-me, respondeu Isabel curvando levemente a cabeça, mas sem olhar para o médico. E chicoteando de mansinho o cavallo, seguiu para diante. Por mais singular que fosse aquella maneira de reatar um conhecimento antigo, o que mais impressionou então o filho do commendador foi a belleza de Isabel, que lhe pareceu estar na altura da reputação. Tanto quanto se podia julgar á primeira vista, a esbelta cavalleira devia ser mais alta que baixa. Era morena, {{--}} mas de um moreno assetinado e macio, com uns delicadissimos longes côr de rosa, {{--}} o que sería effeito da agitação, visto que affirmavam ser extremamente pallida. Os olhos, {{--}} não lhes pôde Camillo ver a côr, mas sentiu-lhes a luz que valia mais talvez, apezar de o não terem fitado, e comprehendeu logo que com olhos taes a formosa goyana houvesse fascinado o misero Soares. Não averiguou, {{--}} nem pôde, as restantes feições da moça; mas o que pôde contemplar á vontade, o que ja vinha admirando de longe, era a elegancia nativa do busto e o gracioso desgarro com que ella montava. Víra muitas amazonas elegantes e destras. Aquella porêm tinha alguma coisa em que se avantajava ás outras; era talvez o desalinho do gesto, talvez a expontaneidade dos movimentos, outra cousa talvez, ou todas essas juntas<noinclude> <references/></noinclude> gic22h5pm96vocw49aa1f6aes9ha5x7 Página:Historias da meia noite.djvu/37 106 159927 552129 406915 2026-05-10T23:07:04Z JppBr98 28173 /* Revista */ 552129 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|37}}</noinclude>que davam á interessante goyana incontestavel supremacia. Isabel parava de quando em quando o cavallo e dirigia a palavra á esposa do coronel, a respeito de qualquer accidente, {{--}} de um effeito de luz, de um passaro que passava, de um som que se ouvia, {{--}} mas em nenhuma occasião encarava ou sequer olhava de esguelha o filho do commendador. Absorvido na contemplação da moça, Camillo deixou cahir a conversa, e havia ja alguns minutos que ele e D. Gertrudes iam cavalgando, sem dizer palavra, ao lado um do outro. Foram interrompidos em sua marcha silenciosa por um cavalleiro, que vinha atraz da comitiva a trote largo. Era Soares. O filho do negociante vinha bem differente do que até alli andava. Comprimentou-os sorrindo e jovial como estivera nos primeiros dias de viagem do médico. Não era porêm difficil conhecer que a alegria de Soares era um artificio. O pobre namorado fechava o rosto de quando em quando, ou fazia um gesto de desespêro que felizmente escapava aos outros. Elle receiava o triumpho de um homem que, physica e intelectualmente lhe era superior; que, alêm d’isso, gosava n’aquella occasião a grande vantagem de dominar a attenção publica, que era o urso da aldea, o acontecimento do dia, o homem da situação. Tudo conspirava para derrubar a última esperança de Soares, que era a esperança de ver morrer a moça isenta de todo o vínculo conjugal. O infeliz<noinclude> <references/></noinclude> pnjvppk75a6nkb7imao5lk8i7lf3nzt Página:Historias da meia noite.djvu/38 106 159928 552131 406916 2026-05-11T01:01:15Z JppBr98 28173 /* Revista */ 552131 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|38|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>namorado tinha o sestro, alias commum, de querer {{Reconstruído|ver}} quebrada ou inutil, a taça que elle não podia levar {{Reconstruído|aos}} labios. Cresceu porêm seu receio quando, estando {{Reconstruído|escondido}} no taquaral de que fallei acima, para ver passar {{Reconstruído|Isabel,}} como costumava fazer muitas vezes, descobriu a {{Reconstruído|pessoa}} de Camillo na comitiva. Não pôde reter uma {{Reconstruído|exclamação}} de sorpreza, e chegou a dar um passo na direcção {{Reconstruído|da}} estrada. Deteve-se a tempo. Os cavalleiros, como {{Reconstruído|vimos,}} passaram adiante, deixando o cioso pretendente a {{Reconstruído|jurar}} aos ceus e á terra que tomaria desforra do seu {{Reconstruído|atrevido}} rival, se o fosse. Não era rival, bem sabemos; o coração de {{Reconstruído|Camillo}} guardava ainda fresca a memoria da Arthemisa {{Reconstruído|moscovita,}} cujas lagrymas, apezar da distância, o rapaz {{Reconstruído|sentia}} que eram ardentes e afflitivas. Mas quem poderia {{Reconstruído|convencer}} a Leandro Soares que o elegante ''moço da {{Reconstruído|Europa}}'', como lhe chamavam, não ficaria {{Reconstruído|enamorado da}} esquiva goyana? Isabel, entretanto, apenas víra o infeliz {{Reconstruído|pretendente,}} deteve o cavallo e estendeu-lhe affectuosamente a {{Reconstruído|mão.}} Um adoravel sorriso acompanhou esse movimento. {{Reconstruído|Não}} era bastante para dissipar as dúvidas do pobre {{Reconstruído|moço.}} Diversa foi porêm a impressão de Camillo. — Ama-o, ou é uma grande velhaca, pensou {{Reconstruído|elle.}} Casualmente, {{--}} e pela primeira vez, — olhava {{Reconstruído|Isabel}} para o filho do commendador. Perspicacia ou {{Reconstruído|advinhação,}} leu-lhe no rosto esse pensamento oculto; {{Reconstruído|franziu}}<noinclude> <references/></noinclude> rt50rc4nmntzkzlkwtq3yu14luau6fc Página:Historias da meia noite.djvu/39 106 159929 552132 406917 2026-05-11T01:06:11Z JppBr98 28173 /* Revista */ 552132 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|39}}</noinclude>levemente a testa com uma expressão tão viva de estranheza, que o médico ficou perplexo e não pòde deixar de acrescentar, ja então com os labios, á meia voz fallando para si. {{--}} Ou falla com o diabo. {{--}} Talvez, murmurou a moça com os olhos fitos no chão. Isto foi dito assim, sem que os outros dois percebessem. Camillo não podia desviar os olhos da formosa Isabel, meio espantado, meio curioso, depois da palavra murmurada por ella em tão singulares condições. Soares olhava para Camillo com a mesma ternura com que um gavião espreita uma pomba. Isabel brincava com o chicotinho. D. Gertrudes, que temia perder a missa do padre Maciel e receber um reparo amigavel do marido, deu voz de marcha, e a comitiva seguiu immediatamente. {{nop}}<noinclude> <references/></noinclude> hlc6a2k9uy67szqlhow39xm2ghtyc9a Utilizador:Erick Soares3 2 184902 552078 552046 2026-05-10T14:30:56Z Erick Soares3 19404 552078 wikitext text/x-wiki {{página de usuário}} {{#babel:pt-br|en-3}} {{Userbox/Idade|dia=24|mes=12|ano=1999}} [[W:Usuário:Erick Soares3|Página na Wikipédia]]. [https://xtools.wmflabs.org/pages/pt.wikisource.org/Erick%20Soares3/all#106 Meu trabalho feito aqui] ;Trabalhos que desejo adicionar {| class="wikitable" |- ! WS !! Livro !! Páginas |- |Pt |{{livro digitalizado|Narizinho Arrebitado (1ª edição)|Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf|Narizinho Arrebitado}} | |- |en |[https://www.cia.gov/readingroom/docs/CIA-RDP91T01172R000300020010-7.pdf Vargas] |- |pt |[[Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano/11|Darwin e Graham]] | |- |en |[https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Wireless_Telegraph_(LM-0063).pdf Wireless] | |- |pt |[[Galeria:O Cruzeiro (1928 - N001).pdf|Previsão]] | |- |pt |[https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Landelphone_(LM-0018).pdf Landelphone] | |- |pt |[[Galeria:O Saneamento do Brasil (Vol. 1).pdf|Problema]] | |- |pt |[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 1]] | |- |en |[[:commons:File:Translation of Preamble to Institutional Act.pdf|Preamble]] | |- |en |[[:commons:File:Translation of the Institutional Act.pdf|TIA]] | |- |pt |[[Galeria:Lara, tr. T. A. Craveiro (1837).pdf|Lara]] | |- |en |[[:commons:File:Preamble to Institutional Act 5.pdf|TIA5]] | |- |en |[[:commons:File:Institutional Act Number Five.pdf|TIA5]] | |- |pt |[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 2]] | |- |pt |[https://www.google.com/books/edition/_/hnUlAQAAMAAJ América] | |- |pt |[https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/4926 Revo] | |- |pt |[https://www.google.com.br/books/edition/O_minotauro/4N3uAAAAMAAJ?hl=pt-BR&gbpv=0&bsq=%22Monteiro%20Lobato%22 Minotauro] | |- |en |[https://en.wikisource.org/wiki/Author:Maria_Callcott Journey to Brasil] | |- |pt/en |[http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-765X2023000100321&lang=pt Swartz] | |- |pt |[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 3]] | |- |pt |[[Galeria:O Federalista, 1840 (Vol. 1).pdf]] | |- |pt |[https://www.google.com/books/edition/_/2Qu6Ve1nPdwC Memorias] | |- |pt |[https://web.archive.org/web/20240305091556/https://taubate.sp.gov.br/museumonteirolobato/acervo/wp-content/uploads/tainacan-items/2868/8629/mml_obr0025.pdf Viagem ao Céu] | |- |pt |[[Galeria:Os noivos (v.1).pdf|Os Noivos 1]] | |- |pt |[[A Maravilhosa Vida de Santos=Dumont]] |11 |- |pt |[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 4]] | |- |pt |[[Galeria:Jean de Léry - História de uma Viagem Feita à Terra do Brasil (trad. Monteiro Lobato, 1926).pdf|Terra do Brasil]] | |- |en |[https://books.google.com/books?id=WLBCAQAAMAAJ&newbks=1&newbks_redir=0&dq=Monteiro%20Lobato%20children%27s&hl=pt-BR&pg=RA26-PP125 Thimoty] | |- | |[https://www.google.com/books/edition/_/QiA_AAAAIAAJ Pommery] | |} {| class="wikitable mw-collapsible mw-collapsed" |+ class="nowrap" | Lista |- |{{tabela-começo}} *[https://www.jstor.org/stable/community.38768246 Constituição paulista] *[https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8872 estrella] *[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 5]] *[https://acervo.bn.gov.br/Sophia_web/acervo/detalhe/1225052 direitos] ([https://piaui.folha.uol.com.br/travessura-revolucionaria/ ler também]) *[https://books.google.ch/books?id=p8BLAQAAIAAJ&hl=pt-BR&source=gbs_navlinks_s Exilio] *[https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/242552 Tradução] * [https://literaturabrasileira.ufsc.br/autores/?id=8065 ernani] *[[Galeria:História de Napoleão Bonaparte (I).pdf|Napoleão 1]] - IV *[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 6]] * [[:en:Index:The Path to the Stars, by K. E. Tsiolkovsky, English transl., AD0644808.pdf|Stars]] *[[:en:Index:Machado of Brazil (Machado).djvu|Machado of Brazil]] * [[:File:Diretas já (Pedro Simon, 1984).pdf|Diretas já]] *[[Lincoln: narração de sua vida pessoal]] *[[Galeria:Futuros Imaginarios.pdf|Futuros]] *[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 7]] *[https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/768199 Mon to Rep] *[https://www.jstor.org/stable/community.38767768 Pasteur] - 23 * [[Galeria:Efêmero Revisitado.pdf]] * [[Galeria:Revista da Exposição Anthropologica Brazileira (1882).pdf|Revista da exposição]] * [https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8913 Barão] *[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 8]] * [[Galeria:Os Noivos (v.2).pdf]] *[[Galeria:O Federalista, 1840 (Vol. 2).pdf|Federalista 2]] *[https://www.jstor.org/stable/community.38769569 O cerco do corintho] - 50 *[[Galeria:Cronicas-de-um-Tetranacional-do-Software-Livre.pdf]] * [[Galeria:Idéas de Géca Tatú.pdf|Géca]] *[[Galeria:Contos Escolhidos.pdf|Contos]] *[[Galeria:A Cultura é Livre.pdf]] * [[Galeria:A Onda Verde (1922).pdf]] * [[:File:Preito a Camões.pdf|Camões]] * [https://www.jstor.org/stable/community.38767573 Minor Camões] - 33 *[[Galeria:O Federalista, 1840 (Vol. 3).pdf]] * [[Galeria:O Senhor D. Pedro II, imperador do Brasil, biographia, por Joaquim Pinto de Campos ; e com uma advertencia por Camillo Castello Branco.pdf|Biografia do Senhor D. Pedro II]] - 96 * [[:File:Statira e Zoroastes.pdf|Statira]] - 56 {{tabela-meio}} *[https://www.jstor.org/stable/community.38769995 Portugal, Brasil e Grã-Bretanha] - 53 *[https://www.jstor.org/stable/community.38768623 Portugal, Brazil and United Kingdon] *[[:File:Da vida e feitos de Alexandre de Gusmão e de Bartholomeu Lourenço de Gusmão.pdf|Da vida]] - 117 *{{livro digitalizado|Os Sabios Illustres|Os Sabios Illustres.pdf}} - 162 *{{livro digitalizado|Galeria Illustre (Mulheres Célebres)|Galeria Illustre (Mulheres Célebres).pdf|Galeria Illustre}} - 173 páginas *{{livro digitalizado|A Genealogia da Moral|A genealogia da moral.pdf}} - 176 páginas * [https://taubate.sp.gov.br/museumonteirolobato/acervo/obras-completas/memorias-da-emilia/?order=ASC&orderby=meta_value&metakey=19&perpage=12&search=Mem%C3%B3rias&pos=0&source_list=collection&ref=%2Fmuseumonteirolobato%2Facervo%2Fobras-completas%2F 122] *{{livro digitalizado|Diario de um Soldado (Vol. 1)|Diario de um Soldado Vol. 1.pdf|Diário de um soldado}} - 189 *{{livro digitalizado|Vida e viagens de Fernão de Magalhães|Vida e viagens de Fernão de Magalhães, por Diego de Barros Arana; traducção do hespanhol de Fernando de Magalhães Villas-Boas. Com um appendice original.pdf}} - 206 * [https://taubate.sp.gov.br/museumonteirolobato/acervo/obras-completas/o-picapau-amarelo/?order=ASC&orderby=meta_value&metakey=19&perpage=12&paged=1&search=picapau%20amarelo&pos=0&source_list=collection&ref=%2Fmuseumonteirolobato%2Facervo%2Fobras-completas%2F 178] *[[Galeria:Quem trabalha tem alfaia.pdf|Quem trabalha tem alfaia]] - 242 *[[:File:Brazilian Literature (IA brazilianliterat00gold).pdf|Brazilian literature]] 303 *[https://permalinkbnd.bnportugal.gov.pt/records/item/92629-resumo-do-systema-de-medicina-e-traduccao-da-materia-medica-do-doutor-erasmo-darwin Erasmo] *[https://bibliotecadigital.stf.jus.br/xmlui/handle/123456789/603 justiniano] *[https://bibliotecadigital.stf.jus.br/xmlui/handle/123456789/497 Ferdinand] {{tabela-fim}} |} <div style="clear:both;"></div> <div style="box-shadow: 0 0 .3em #999; border-radius: .2em; margin: 1em 0 2em 0; padding: 1px;"> <div style="background: #ffe6a7; border-radius: .2em; color: #282828; font-size:125%; padding: .4em .8em .5em;"><span style="opacity: .7;">[[File:Icons8 flat approval.svg|25px|link=|alt=]]</span> &nbsp; '''Projetos Finalizados''' </div> <div title="Projets en chantier" style="padding: 1em;font-size:80%"> <gallery heights="240px" widths="180px" mode="packed" class="center"> <!--2025--> Ficheiro:Historia das invenções.pdf|page=7|thumb|'''[[Historia das invenções (4ª edição)]]''' File:Franklin - A Sciencia do bom homem (1864).pdf|page=3|thumb|'''[[A Sciencia do Bom Homem Ricardo]]''' File:Apontamentos de Psychologia.pdf|page=1|thumb|'''[[Apontamentos de Psychologia]]''' File:Vida Ociosa Capa (Restored).jpg|thumb|link=Galeria:Vida Ociosa (2ª edição).pdf|'''[[Vida Ociosa (2ª edição)]]''' File:Byron-Giaurpoema.pdf|thumb|page=2|link=Galeria:Byron-Giaurpoema.pdf|'''[[O Giaur]]''' File:Representação à Assembléia Geral Constituinte e Legislativa do Império do Brasil sobre a escravatura.pdf|thumb|link=Galeria:Representação à Assembléia Geral Constituinte e Legislativa do Império do Brasil sobre a escravatura.pdf|'''[[Representação de José Bonifácio sobre a escravatura]]''' File:Byron, Parisina (1905).pdf|link=Galeria:Byron, Parisina (1905).pdf|thumb|page=2|'''[[Parisina (1905)|Parisina]]''' File:A Verdade (Honorio Lima, 1900).pdf|link=Galeria:A Verdade (Honorio Lima, 1900).pdf|page=2|thumb|'''[[A Verdade]]''' File:Tratado de amizade e commercio entre Portugal e o Império da China.pdf|thumb|link=Galeria:Tratado de amizade e commercio entre Portugal e o Império da China.pdf|'''[[Tratado de amizade e commercio entre Portugal e o Império da China]]''' File:Lisboa no anno três mil.pdf|thumb|page=5|link=Galeria:Lisboa no anno três mil.pdf|'''[[Lisboa no anno três mil]]''' File:A Nova Aurora.pdf|thumb|link=Galeria:A Nova Aurora.pdf|'''[[A Nova Aurora]]''' File:Em direção à paz.pdf|thumb|link=Galeria:Em direção à paz.pdf|'''[[Em direção à paz]]''' File:Credo de Liberdade.pdf|page=3|thumb|link=Galeria:Credo de Liberdade.pdf|'''[[Credo de Liberdade]]''' File:Dois Discursos (Vargas, 1940).pdf|thumb|link=Galeria:Dois Discursos (Vargas, 1940).pdf|page=2|'''[[Dois discursos]]''' File:Poesias de Dom Pedro II.pdf|thumb|link=:oldwikisource:Index:Poesias de Dom Pedro II.pdf|page=6|'''[[:oldwikisource:Poesias de Dom Pedro II|Poesias de D. Pedro II]]''' File:Dialogo entre dous mortos.pdf|page=3|thumb|link=Galeria:Dialogo entre dous mortos.pdf|'''[[Dialogo entre dous mortos]]''' File:Os Noivos (filme de 1913).pdf|thumb|link=Galeria:Os Noivos (filme de 1913).pdf|page=2|'''[[Os Noivos (filme de 1913)]]''' File:Os ultimos dias de Pompeia (filme de 1913).pdf|link=Galeria:Os ultimos dias de Pompeia (filme de 1913).pdf|thumb|page=2|'''[[Os ultimos dias de Pompeia]]''' File:Combate de Oscar e Dermid.pdf|thumb|link=Galeria:Combate de Oscar e Dermid.pdf|page=2|'''[[Combate de Oscar e Dermid]]''' File:Congratulação brasileira pela independência.pdf|thumb|link=Galeria:Congratulação brasileira pela independência.pdf|page=2|'''[[Congratulação brasileira pela ratificação do tratado da independencia do Brasil]]''' File:A Constituição Americana (Luiz Vossion).pdf|thumb|link=Galeria:A Constituição Americana (Luiz Vossion).pdf|page=2|'''[[A Constituição Americana]]''' File:Declaração das Nações Unidas e Carta do Atlântico.pdf|thumb|page=2|link=Galeria:Declaração das Nações Unidas e Carta do Atlântico.pdf|'''[[Declaração das Nações Unidas e Carta do Atlântico]]''' File:Terceiro discurso de inauguração (FDR).pdf|thumb|page=2|link=Galeria:Terceiro discurso de inauguração (FDR).pdf|'''[[Terceiro Discurso de Investidura do Senhor Franklin D. Roosevelt]]''' File:Discurso de Pearl Harbor.pdf|thumb|link=Galeria:Discurso de Pearl Harbor.pdf|page=2|'''[[Discurso de Pearl Harbor]]''' File:Pushkin-Semtitulo.pdf|thumb|link=Galeria:Pushkin-Semtitulo.pdf|page=2|'''[[Sem titulo]]''' File:Ultimo adeos de J. Washington.pdf|thumb|link=Galeria:Ultimo adeos de J. Washington.pdf|page=14|'''[[Ultimo adeos de J. Washington à nação americana]]''' File:O Beija-Flor, No. 8, 1830.pdf|link=Galeria:O Beija-Flor, No. 8, 1830.pdf|thumb|'''[[O Beija-Flor (1830)/Número 8|O Beija-Flor, N° 8]]''' File:O Beija-Flor, No. 7, 1830.pdf|link=Galeria:O Beija-Flor, No. 7, 1830.pdf|thumb|'''[[O Beija-Flor (1830)/Número 7|O Beija-Flor, N° 7]]''' File:O Beija-Flor, No. 6, 1830.pdf|link=Galeria:O Beija-Flor, No. 6, 1830.pdf|thumb|'''[[O Beija-Flor (1830)/Número 6|O Beija-Flor, N° 6]]''' File:O Beija-Flor, No. 5, 1830.pdf|link=Galeria:O Beija-Flor, No. 5, 1830.pdf|thumb|'''[[O Beija-Flor (1830)/Número 5|O Beija-Flor, N° 5]]''' File:O Beija-Flor, No. 4, 1830.pdf|link=Galeria:O Beija-Flor, No. 4, 1830.pdf|thumb|'''[[O Beija-Flor (1830)/Número 4|O Beija-Flor, N° 4]]''' File:O Beija-Flor, No. 3, 1830.pdf|link=Galeria:O Beija-Flor, No. 3, 1830.pdf|thumb|'''[[O Beija-Flor (1830)/Número 3|O Beija-Flor, N° 3]]''' File:Byron-MazeppaLord.pdf|thumb|link=Galeria:Byron-MazeppaLord.pdf|page=2|'''[[Mazeppa]]''' File:O descobrimento do Brasil (J. C. Rodrigues., 1905).pdf|link=Galeria:O descobrimento do Brasil (J. C. Rodrigues., 1905).pdf|thumb|page=2|'''[[O descobrimento do Brasil]]''' File:Dialogo entre dous cidadãos do reino de Zilbra.pdf|thumb|link=Galeria:Dialogo entre dous cidadãos do reino de Zilbra.pdf|page=2|'''[[Dialogo entre dous cidadãos do reino de Zilbra]]''' File:O Beija-Flor, No. 2, 1830.pdf|link=Galeria:O Beija-Flor, No. 2, 1830.pdf|thumb|'''[[O Beija-Flor (1830)/Número 2|O Beija-Flor, N° 2]]''' File:Cabral-DialogoentreBonaparte.pdf|thumb|link=Galeria:Cabral-DialogoentreBonaparte.pdf|page=2|'''[[Dialogo entre Bonaparte, seu irmão José, Berthier e Lasnnes]]''' File:O Beija-Flor, No. 1, 1830.pdf|link=Galeria:O Beija-Flor, No. 1, 1830.pdf|thumb|'''[[O Beija-Flor (1830)/Número 1|O Beija-Flor, N° 1]]''' File:Nosso primo americano, Machado de Assis.pdf|thumb|link=Galeria:Nosso primo americano, Machado de Assis.pdf|'''[[Machado de Assis em linha/Volume 6/Número 11/Nosso primo americano, Machado de Assis|Nosso primo americano, Machado de Assis]]''' File:José de Anchieta à luz da Historia Patria - compilação historica.pdf|thumb|link=Galeria:José de Anchieta à luz da Historia Patria - compilação historica.pdf|'''[[José de Anchieta à Luz da Historia Patria]]''' File:A Historia do Fantasma Inexperiente (Wells, 1923).pdf|thumb|link=Galeria:A Historia do Fantasma Inexperiente (Wells, 1923).pdf|'''[[A Historia do Fantasma Inexperiente]]''' File:Descripçaõ do novo invento aerostatico.pdf|thumb|link=Galeria:Descripçaõ do novo invento aerostatico.pdf|'''[[Descripçaõ do novo invento aerostatico]]''' File:Manifesto da Independencia dos Estados Unidos d'America.pdf|link=Galeria:Manifesto da Independencia dos Estados Unidos d'America.pdf|thumb|page=2|'''[[Manifesto da Independencia dos Estados Unidos d՚America]]''' File:Poesias.pdf|page=3|link=Galeria:Poesias.pdf|thumb|'''[[Poesias (Zaluar)|Poesias]]''' File:Patente brasileira n.3279.pdf|thumb|link=Galeria:Patente brasileira n.3279.pdf|'''[[Patente brasileira 3279]]''' File:Democracia (Wells).pdf|link=Galeria:Democracia (Wells).pdf|thumb|'''[[Correio da Manhã/19 de fevereiro de 1928/Democracia|Democracia]]''' File:O Teleforo.pdf|link=Galeria:O Teleforo.pdf|thumb|'''[[Jornal do Commercio/1899/O Teleforo|O Teleforo]]''' File:Pau Brasil (Andrade, 1925) (page 7 crop).jpg|link=Galeria:Pau Brasil (Andrade, 1925).pdf|thumb|'''[[Pau Brasil]]''' <!--2024--> File:O escândalo do petroleo.pdf|thumb|link=Galeria:O escândalo do petroleo.pdf|page=7|'''[[O Escandalo do Petroleo]]''' File:Cartas tupis dos Camarões.pdf|thumb|page=2|link=:oldwikisource:Index:Cartas tupis dos Camarões.pdf|'''[[: oldwikisource:Cartas tupis dos Camarões|Cartas tupis dos Camarões]] File:Restauração historica da Villa de Santo André da Borda do Campo.pdf|thumb|page=1|link=Galeria:Restauração historica da Villa de Santo André da Borda do Campo.pdf|'''[[Revista do Instituto Historico e Geographico de S. 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Pedro Duque de Bragança.pdf|page=9|thumb|link=Galeria:Carta posthuma de D. Pedro Duque de Bragança.pdf|'''[[Carta posthuma de D. Pedro, Duque de Bragança aos Brasileiros]]''' File:Decreto. Tendo de ausentar-Me desta Capital por mais de uma semana, para ir visitar a Provincia de S. Paulo, e cumprindo, (.).pdf|thumb|link=Galeria:Decreto. Tendo de ausentar-Me desta Capital por mais de uma semana, para ir visitar a Provincia de S. 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Bartholomeu de Gusmão]]''' File:A lavoura e a guerra.pdf|thumb|page=1|link=Galeria:A lavoura e a guerra.pdf|'''[[A lavoura e a guerra]]''' File:Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|thumb|link=Galeria:Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|page=113|'''[[Revista do Brasil/Volume 5/Número 17/Cartas Inéditas|Cartas Inéditas]]''' File:Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|link=Galeria:Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|page=60|thumb|'''[[Revista do Brasil/Volume 5/Número 17/O Corvo|O Corvo]]''' File:As biografias históricas de Santos Dumont.pdf|link=Galeria:As biografias históricas de Santos Dumont.pdf|thumb|page=1|'''[[Scientiae Studia/Volume 11/Número 3/As biografias históricas de Santos Dumont|As biografias históricas de Santos Dumont]]''' File:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf|link=Galeria:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf|thumb|page=1|'''[[A toponímia indígena artificial no Brasil]]''' File:A Novella Semanal.pdf|link=Galeria:A Novella Semanal.pdf|page=264|thumb|'''[[A Novella Semanal/O Avô|O Avô]]''' <!--2021--> File:Os topônimos com a posposição tupi -pe no território brasileiro.pdf|link=Galeria:Os topônimos com a posposição tupi -pe no território brasileiro.pdf|thumb|page=1|'''[[Os topônimos com a posposição tupi -pe no território brasileiro]]''' File:Sîn-lēqi-unninni, Ele o abismo viu (Série de Gilgámesh 1).pdf|link=Galeria:Sîn-lēqi-unninni, Ele o abismo viu (Série de Gilgámesh 1).pdf|thumb|page=1|'''[[Sîn-lēqi-unninni, Ele o abismo viu]]''' File:Como se faz um Herói.pdf|thumb|page=1|link=Galeria:Como se faz um Herói.pdf|'''[[Como se faz um Herói]]''' File:Santos Dumont - o vôo que mudou a história da aviação.pdf|page=1|thumb|link=Galeria:Santos Dumont - o vôo que mudou a história da aviação.pdf|'''[[Santos Dumont: o vôo que mudou a história da aviação]]''' File:Primeiras trovas burlescas de Getulino (1904).djvu|link=Galeria:Primeiras trovas burlescas de Getulino (1904).djvu|thumb|page=1|'''[[Primeiras Trovas Burlescas de Getulino]]''' File:Certidão de óbito de Alberto Santos Dumont.pdf|link=Galeria=Certidão de óbito de Alberto Santos Dumont.pdf|thumb|'''[[Certidão de Óbito de Alberto Santos Dumont]]''' Ficheiro:Cadu_Simões.jpg|thumb|'''[[Sobre Domínio Público e Cultura Livre]]''' File:Concedendo um conto de réis à Santos Dumont.pdf|link=Galeria:Concedendo um conto de réis à Santos Dumont.pdf|thumb|'''[[Concedendo um conto de réis a Santos Dumont]]''' <!--2020--> <!--[[Discurso do Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante Cerimônia de Posse no Congresso Nacional (1 de janeiro de 2019)|Discruso]]--> File:A Novella Semanal.pdf|link=Galeria:A Novella Semanal.pdf|page=9|thumb|'''[[A Novella Semanal/O 22 da "Marajó"|O 22 da Marajó]]''' File:Machado de Assis @ A Nação (Rio de Janeiro, 13 de agosto de 1874).pdf|page=1|thumb|link=Galeria:Machado de Assis @ A Nação (Rio de Janeiro, 13 de agosto de 1874).pdf|'''[[A Nação (Rio de Janeiro)/1874/08-13/«Jerusalém» por monsenhor Pinto de Campos|«Jerusalém» por monsenhor Pinto de Campos]]''' File:Revista Luso-Brasileira (1860), n2.pdf|link=Galeria:Revista Luso-Brasileira (1860), n2.pdf|thumb|page=25|'''[[Revista Luso-Brasileira/1860/2/Lembranças de minha mãi|Lembranças de minha mãi]]''' File:Almanach Brazileiro Illustrado (1877).pdf|link=Galeria:Almanach Brazileiro Illustrado (1877).pdf|thumb|page=309|'''[[Almanach brazileiro illustrado/1877/Charitas|Charitas]]''' File:Marmota Fluminense n830.pdf|link=Galeria:Marmota Fluminense n830.pdf|thumb|page=4|'''[[Marmota Fluminense/830/Beijos|Beijos]]''' File:Almanach Brazileiro Illustrado (1878).pdf|link=Galeria:Almanach Brazileiro Illustrado (1878).pdf|thumb|page=394|'''[[Almanach brazileiro illustrado/1878/Job|Job]]''' File:O Jequitinhonha (1862).pdf|link=Galeria:O Jequitinhonha (1862).pdf|thumb|'''[[A historia do Brasil escripta pelo Dr. Jeremias no anno de 2862]]''' File:Fantina- (scenas da escravidão).pdf|link=Galeria:Fantina- (scenas da escravidão).pdf|thumb|page=7|'''[[Fantina]]''' <!--2019--> File:A propósito da exposição Malfatti.jpg|link=Galeria:A propósito da exposição Malfatti.jpg|thumb|'''[[O Estado de S. Paulo/A propósito da exposição Malfatti|A propósito da exposição Malfatti]]''' File:86311283-Original-Version-of-Alice-s-Adventures-in-Wonderland-by-Lewis-Carroll.djvu|link=Galeria:86311283-Original-Version-of-Alice-s-Adventures-in-Wonderland-by-Lewis-Carroll.djvu|thumb|'''[[Aventuras de Alice em Baixo da Terra]]''' File:畫麗珠萃秀 Gathering Gems of Beauty (梁木蘭) 2.jpg|link=A Balada de Mulan|thumb|'''[[A Balada de Mulan]]''' Ficheiro%3AA_Menina_do_Narizinho_Arrebitado_(Capa).png|link=Galeria:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf|thumb|'''[[A Menina do Narizinho Arrebitado]]''' File:Machado de Assis aos 57 anos.jpg|link=Hynno Nacional|thumb|'''[[Hynno Nacional]]''' File:Negrinha- Contos (1920).pdf|link=Galeria:Negrinha- Contos (1920).pdf|thumb|page=3|'''[[Negrinha (4º milheiro)]]''' File:Monteiro Lobato.jpg|link=Rabiscando|thumb|'''[[Rabiscando]]''' File:Meteorito de Bendegó - relatório apresentado ao ministerio da agricultura, commercio e obras publicas (...) sobre a remoção do meteorito de Bendengó do sertão da provincia da Bahia para o Museu Nacional.pdf|link=Galeria:Meteorito de Bendegó - relatório apresentado ao ministerio da agricultura, commercio e obras publicas (...) sobre a remoção do meteorito de Bendengó do sertão da provincia da Bahia para o Museu Nacional.pdf|thumb|'''[[Meteorito de Bendegó: relatorio (1888)]]''' File:Jéca Tatuzinho (1924).pdf|link=Galeria:Jéca Tatuzinho (1924).pdf|thumb|page=1|'''[[Jéca Tatuzinho]]''' <!--2018--> File:Aaron Swartz at Boston Wikipedia Meetup, 2009-08-18.jpg|link=Manifesto da Guerrilha do Livre Acesso|thumb|'''[[Manifesto da Guerrilha do Livre Acesso]]''' </gallery> </div> </div> p68utpou6566rcae7sju20pgwwvxi3z Predefinição:Progressos recentes 10 220893 552082 552063 2026-05-10T15:00:07Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 552082 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|86|3|3|5|2|1}} | [[Index:Categorias - Aristóteles.pdf|Categorias]] |- | {{Barra de progresso|4|0|0|0|1|95}} | [[Index:Chronica do Emperador Clarimundo - Tomo I.pdf|Chronica do Emperador Clarimundo]] |- | {{Barra de progresso|0|0|9|7|0|84}} | [[Index:Da Terra á Lua.pdf|Da Terra á Lua]] |- | {{Barra de progresso|4|0|85|10|1|0}} | [[Index:Dom Casmurro-1899.pdf|Dom Casmurro]] |- | {{Barra de progresso|0|0|30|2|4|64}} | [[Index:Euclides da Cunha - Os Sertões (1902).pdf|Os Sertões]] |- | {{Barra de progresso|0|0|6|0|3|91}} | [[Index:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf|Narizinho Arrebitado]] |- | {{Barra de progresso|0|0|4|0|3|93}} | [[Index:O Atheneu (Chronica de saudades).pdf|O Atheneu]] |- | {{Barra de progresso|4|0|0|0|0|96}} | [[Index:O Cruzeiro (1928 - N001).pdf|O Cruzeiro]] |- | {{Barra de progresso|3|0|2|0|0|95}} | [[Index:Relatório da CNV 01.pdf|Relatório da Comissão Nacional da Verdade, Volume I]] |- | {{Barra de progresso|0|0|1|0|1|98}} | [[Index:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. 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A ''sociedade de historia natural'' de Boston, a ''sociedade americana de sciencias e artes'' de Albany, a ''sociedade geographica e estatistica'' de New-York, a ''sociedade philosophica americana'' de Philadelphia, e o ''Instituto Smithsoniano'' de Washington enviaram ao Gun-Club milhares de cartas de felicitação, com offerecimentos promptos de coadjuvação e dinheiro. Póde portanto dizer-se que nunca proposta alguma alcançou tão grande numero de adhesões; de hesitar, duvidar ou arreceiar-se pelo bom exito dʼella, é que ninguem se lembrou; e se a alguem occorresse, como de certo teria succedido na Europa, e particularmente em França, responder com mofas, caricaturas ou cançonetas epigrammaticas á idéa de enviar um projectil á Lua, de bem mau proveito lhe haviam de servir, que nem todos os ''guarda-vidas''<ref>''Guarda-vida'' (life-preserver). Arma de algibeira, formada de um feixe de barbas de baleia, ligadas nʼuma das extremidades por uma bola de metal.</ref> do mundo lhe poderiam guardar as costas contra a indignação geral. Ha cousas de que não é permittido rir no novo mundo. A partir dʼaquelle dia foi pois Impey Barbicane considerado como um dos mais notaveis e maiores cidadãos dos Estados Unidos, uma especie de Washington da sciencia; um só facto entre {{PT||muitos bastará para evidenciar a que ponto chegára aquella infeudação subita de um povo inteiro a um homem.}} {{nop}}<noinclude> {{smallrefs}}</noinclude> aeljps3yt4z8asphbbpwhmk3e4z708b Página:Da Terra á Lua.pdf/31 106 253281 552085 552033 2026-05-10T17:02:57Z Erick Soares3 19404 552085 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|32|VIAGENS MARAVILHOSAS||borda_inferior=sim}}</noinclude>[[File:Delaterrelalun00vern 0034 1.png|centro|300px]] {{c|O observatorio de Cambridge (pag. 35).}} {{PT|muitos bastará para evidenciar a que ponto chegára aquella infeudação subita de um povo inteiro a um homem.}} Passados alguns dias depois da famosa sessão do Gun-Club, {{PT||annunciou, no theatro de Baltimore, o director de uma companhia ingleza a representação de ''Much ado about nothing''<ref>''Muita bulha para nada'', comedia de Shakspeare.</ref>. Ora a {{PT||população da cidade, que viu no titulo da comedia uma allusão offensiva aos projectos do presidente Barbicane, invadiu a sala, escangalhou os bancos, e obrigou o desgraçado do director a alterar o cartaz. O director, que era homem fino, soube curvar-se perante a vontade publica, e substituiu a desventurada comedia por ''As you like it''<ref>''Como vos aprouver'', outra comedia de Shakspeare.</ref>. O resultado foi ter, durante muitas semanas consecutivas, enchentes phenomenaes.}}}} {{nop}}<noinclude></noinclude> tkemau5xiox3ea4nithtkrbxbain63a 552087 552085 2026-05-10T17:04:49Z Erick Soares3 19404 552087 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|32|VIAGENS MARAVILHOSAS||borda_inferior=sim}}</noinclude>[[File:Delaterrelalun00vern 0034 1.png|centro|300px]] {{c|O observatorio de Cambridge (pag. 35).}} {{PT|muitos bastará para evidenciar a que ponto chegára aquella infeudação subita de um povo inteiro a um homem.}} {{nop}}Passados alguns dias depois da famosa sessão do Gun-Club, {{PT||annunciou, no theatro de Baltimore, o director de uma companhia ingleza a representação de ''Much ado about nothing''<ref>''Muita bulha para nada'', comedia de Shakspeare.</ref>. Ora a {{PT||população da cidade, que viu no titulo da comedia uma allusão offensiva aos projectos do presidente Barbicane, invadiu a sala, escangalhou os bancos, e obrigou o desgraçado do director a alterar o cartaz. O director, que era homem fino, soube curvar-se perante a vontade publica, e substituiu a desventurada comedia por ''As you like it''<ref>''Como vos aprouver'', outra comedia de Shakspeare.</ref>. O resultado foi ter, durante muitas semanas consecutivas, enchentes phenomenaes.}}}} {{nop}}<noinclude></noinclude> fhkgesf81ppsqrtmg4sru6dogdvtkoo Página:Da Terra á Lua.pdf/32 106 253282 552086 552032 2026-05-10T17:03:13Z Erick Soares3 19404 552086 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||DA TERRA Á LUA|33|borda_inferior=sim}}</noinclude>[[File:Da Terra á Lua (page 32 crop).jpg|centro|400px]] {{c|Movimentos de translação da Lua (pag. 43).}} {{PT|annunciou, no theatro de Baltimore, o director de uma companhia ingleza a representação de ''Much ado about nothing''<ref>''Muita bulha para nada'', comedia de Shakspeare.</ref>. Ora a {{PT||população da cidade, que viu no titulo da comedia uma allusão offensiva aos projectos do presidente Barbicane, invadiu a sala, escangalhou os bancos, e obrigou o desgraçado do director a alterar o cartaz. O director, que era homem fino, soube curvar-se perante a vontade publica, e substituiu a desventurada comedia por ''As you like it''<ref>''Como vos aprouver'', outra comedia de Shakspeare.</ref>. O resultado foi ter, durante muitas semanas consecutivas, enchentes phenomenaes.}}}} {{nop}}<noinclude>{{smallrefs}} {{right|{{smaller|3}}}}</noinclude> 9k5ssloaavqgx718zors1l2t1mpgesv Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf/387 106 253285 552079 552036 2026-05-10T14:35:28Z Erick Soares3 19404 552079 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{c|'''INDICE'''}} {{dhr|3}} {{c|{{smaller|DAS MATERIAS CONTIDAS NA PRIMEIRA PARTE.}}}} {{dhr|3}} {{rule|3em}} {{dhr|3}} {{c|'''TOMO PRIMEIRO.'''}} {{dhr|3}} {{rule|3em}} {{dhr|3}} {{c|'''LIVRO PRIMEIRO.'''}} {{dhr|2}} {{tabela | largura = 25em | largura-p = 25 | seção = [[Os Miseraveis (Vol. 1)/Tomo primeiro/Livro primeiro/I|'''I''']] | título = {{gap}}O senr. Myriel | página = [[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf/9|5]] }} {{tabela | largura = 25em | largura-p = 25 | seção = [[Os Miseraveis (Vol. 1)/Tomo primeiro/Livro primeiro/II|'''II''']] | título = {{gap}}Myriel torna-se o revm. Bemvindo | página = [[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. 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Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf/34|30]] }}<noinclude></noinclude> 5pe22wdd1n8f2to9myunw97fc4d217y Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/13 106 253293 552064 2026-05-10T13:58:02Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 552064 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|O ESPIRRO|III}} {{dhr|5}} Em seguida o peixinho, com o feixe de barbatanas em baixo do braço, desceu e principiou a examinar attentamente os labios e as faces da menina. Deante do nariz parou e, apontando para as ventas, disse: — Ora aqui está uma tóca muito geitosa [[File:Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 13 crop).jpg|centro|400px]] para um casal de besouros. Dois commodos, um para o marido, outro para a senhora besoura. Não acha?... {{nop}}<noinclude>{{c|☉{{gap}}9{{gap}}☉}}</noinclude> beujqafjyrrnhacr7kyla60066xk0qs Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/14 106 253294 552065 2026-05-10T14:00:25Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 552065 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>— Bem geitosa ella é, disse o besouro, mas bom será que não móre aqui algum maldicto escorpião !... — Não creio, retrucou o peixinho. Os escorpiões mudaram-se para o outro lado do rio, onde ha grande numero de cupins velhos. — Apesar disso, accrescentou o besouro, corre por ahi na bocca do povo que um delles anda do lado de cá, fazendo estrepolias. E bem pode ser que esteja escondido justamente nesta caverna !... — Não creio, disse o peixinho. Tenho uma boa policia que me informa dos menores passos desses monstros. — Em todo o caso vejamos, disse prudentemente o besouro. E sacudiu dentro da “tóca” o seu bengalão: — Hu! Hu! Sae fóra, tinhoso ! Ora aconteceu que a bengala fez cocegas nas ventas da menina e Lucia, por mais que se expremesse, não poude conter um grande espirro: — “Atchin !” {{nop}}<noinclude>{{c|☉{{gap}}10{{gap}}☉}}</noinclude> hsx4155ptjy5fp3ikqh310jszhgsyv9 Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/15 106 253295 552066 2026-05-10T14:05:17Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 552066 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>Os dois bichinhos, pegados de surpreza, reviraram de pernas para o ar, cahindo um grande tombo no chão. {{Imagem float-p |file=Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 15 crop).jpg |align=left |width=200px |padt=2em }} — Não disse? exclamou o besouro, erguendo-se e limpando com a manga o chapéo sujo de terra. Não disse que havia “coisa ahi dentro? Eu tenho um faro que não nega fogo! Já meu fallecido avô, que Deus haja, dizia sempre: este besourinho vae longe, pois enxerga, dormindo, mais que tres duzias de vagalumes acordados! Eʼ a tóca do Escorpião Negro, não resta a menor duvida, e eu com raças de ferrão venenoso não quero historias, não! Até logo, amigo Escamado, sáre bem e seja muito feliz. Caspité ! E lá se foi pelos ares afóra, zumbindo que nem um aeroplano... {{nop}}<noinclude>{{c|☉{{gap}}11{{gap}}☉}}</noinclude> j6640gzsa5axniou25uwu33ucnulop7 Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/III 0 253296 552067 2026-05-10T14:08:26Z Erick Soares3 19404 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf" from=13 to=15 header=1/> {{PD-old-70-BR}} {{Modernização}} 552067 wikitext text/x-wiki <pages index="Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf" from=13 to=15 header=1/> {{PD-old-70-BR}} {{Modernização}} 56wg06nqhjs8uf88i3yb5sk0h46e93e Página:Da Terra á Lua.pdf/34 106 253297 552068 2026-05-10T14:12:01Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: satellite de Sirius. Todos os precedentes dʼeste estabelecimento celebre justificavam portanto a confiança do Gun-Club. E com effeito, dois dias depois, chegava ás mãos do presidente Barbicane a resposta tão impacientemente esperada. Era concebida nos seguintes termos: «Do director do observatorio de Cambridge para o presidente do Gun-Club, em Baltimore. «Logoque se recebeu a vossa honrosa missiva de 6 do corrente, endereçada ao observ... 552068 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||DA TERRA Á LUA||borda_inferior=sim}}</noinclude>satellite de Sirius. Todos os precedentes dʼeste estabelecimento celebre justificavam portanto a confiança do Gun-Club. E com effeito, dois dias depois, chegava ás mãos do presidente Barbicane a resposta tão impacientemente esperada. Era concebida nos seguintes termos: «Do director do observatorio de Cambridge para o presidente do Gun-Club, em Baltimore. «Logoque se recebeu a vossa honrosa missiva de 6 do corrente, endereçada ao observatorio de Cambridge em nome dos socios do Gun-Club, de Baltimore, reuniu-se o pessoal scientifico d'este estabelecimento, e houve por conveniente<ref>Está no texto a palavra ''expedient'', que é absolutamente intraduzivel em portuguez.</ref> responder como se segue: «As perguntas que lhe foram feitas são as seguintes: «1.º Será possivel enviar um projectil até á Lua ? «2.º Qual é a distancia exacta que ha entre a Terra e o seu satellite ? «3.º Quanto tempo durará o trajecto do projectil ao qual tenha sido imprimida a velocidade inicial sufficiente, e por consequencia, em que momento deverá ser arremessado para que encontre a Lua n'um ponto determinado ? «4.º Em que momento prefixo estará a Lua na posição mais favoravel para ser alcançada pelo projectil ? «5.º A que ponto do céu deve fazer-se a pontaria com o canhão destinado a lançar o projectil? «6.º Que logar ha de occupar a Lua no céu, no momento da partida do projectil ? «Em relação á primeira pergunta: Será possivel enviar um projectil até á Lua ? «Sim, é possivel alcançar a Lua com um projectil, comtanto que se consiga animar esse projectil de uma velocidade inicial de 12:000<noinclude>{{smallrefs}}</noinclude> 4b0jr1xd4rsfdx4e19weuin7ndmew36 552070 552068 2026-05-10T14:17:08Z Erick Soares3 19404 552070 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||DA TERRA Á LUA|35|borda_inferior=sim}}</noinclude>satellite de Sirius. Todos os precedentes dʼeste estabelecimento celebre justificavam portanto a confiança do Gun-Club. E com effeito, dois dias depois, chegava ás mãos do presidente Barbicane a resposta tão impacientemente esperada. Era concebida nos seguintes termos: «Do director do observatorio de Cambridge para o presidente do Gun-Club, em Baltimore. «Logoque se recebeu a vossa honrosa missiva de 6 do corrente, endereçada ao observatorio de Cambridge em nome dos socios do Gun-Club, de Baltimore, reuniu-se o pessoal scientifico d'este estabelecimento, e houve por conveniente<ref>Está no texto a palavra ''expedient'', que é absolutamente intraduzivel em portuguez.</ref> responder como se segue: «As perguntas que lhe foram feitas são as seguintes: «1.º Será possivel enviar um projectil até á Lua ? «2.º Qual é a distancia exacta que ha entre a Terra e o seu satellite ? «3.º Quanto tempo durará o trajecto do projectil ao qual tenha sido imprimida a velocidade inicial sufficiente, e por consequencia, em que momento deverá ser arremessado para que encontre a Lua n'um ponto determinado ? «4.º Em que momento prefixo estará a Lua na posição mais favoravel para ser alcançada pelo projectil ? «5.º A que ponto do céu deve fazer-se a pontaria com o canhão destinado a lançar o projectil? «6.º Que logar ha de occupar a Lua no céu, no momento da partida do projectil ? «Em relação á primeira pergunta: Será possivel enviar um projectil até á Lua ? «Sim, é possivel alcançar a Lua com um projectil, comtanto que se consiga animar esse projectil de uma velocidade inicial de 12:000<noinclude>{{smallrefs}}</noinclude> swjjbn4lkekxg3yur55e9ucvihns5wp Página:Da Terra á Lua.pdf/35 106 253298 552069 2026-05-10T14:16:36Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: jardas por segundo. Demonstra o calculo que tal velocidade é bastante. «Á medida que nos afastâmos da terra, a acção da gravidade diminue na rasão inversa do quadrado das distancias, isto é, por exemplo, para uma distancia tres vezes maior, torna-se nove vezes menor. Por consequencia o peso da bala ha de decrescer rapidamente, até chegar a ser completamente nullo, o que ha de succeder no momento em que a attracção da Lua fizer equilibrio... 552069 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|36|VIAGENS MARAVILHOSAS||borda_inferior=sim}}</noinclude>jardas por segundo. Demonstra o calculo que tal velocidade é bastante. «Á medida que nos afastâmos da terra, a acção da gravidade diminue na rasão inversa do quadrado das distancias, isto é, por exemplo, para uma distancia tres vezes maior, torna-se nove vezes menor. Por consequencia o peso da bala ha de decrescer rapidamente, até chegar a ser completamente nullo, o que ha de succeder no momento em que a attracção da Lua fizer equilibrio á da Terra, isto é, quando tiver percorrido <math>\frac{47}{52},</math> avos do seu trajecto. Nʼesse momento o projectil não terá peso algum, e se passar alem dʼesse ponto ha de cair ''para'' a Lua só por effeito da attracção lunar. Fica portanto irrecusavelmente demonstrada a possibilidade theorica da experiencia; emquanto ao seu bom exito, esse depende unicamente da potencia do machinismo que se empregar. «Com respeito á segunda pergunta: Qual é a distancia exacta que ha entre a Terra e o seu satellite? «A Lua não descreve em torno da terra uma circumferencia de circulo, mas sim uma ellipse, nʼum dos focos da qual está situado o nosso globo; dʼahi vem por consequencia que a Lua está, ora mais proxima, ora mais afastada da terra, ou em termos astronomicos, agora no apogeo, logo no perigeo; e a differença entre a maior e a menor distancia é relativamente bastante consideravel para que não devamos despreza-la. Com effeito, no apogeo está a Lua a 247:552 milhas (99:640 leguas de 4 kilometros) e no perigeo a 218:657 milhas sómente (88:010 leguas) da Terra, o que dá uma differença de 28:895 milhas (11:630 leguas), que é mais da nona parte do percurso total. Portanto a distancia perigea da Lua é que deve servir de base aos calculos. «Ácerca da terceira pergunta: Qual será a duração do trajecto do projectil ao qual tenha sido imprimida a velocidade inicial bastante, e consequentemente em que momento deverá ser lançado para que vá encontrar a Lua em um determinado ponto? {{nop}}<noinclude></noinclude> 2heiktuydjq2475fj1ophtw0kw7n740 Página:Da Terra á Lua.pdf/36 106 253299 552071 2026-05-10T14:18:27Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: «Se a bala conservasse indefinidamente a velocidade inicial de 12 jardas por segundo, que lhe fosse imprimida no momento da partida, gastaria apenas nove horas approximadamente para chegar ao seu destino; mas como a velocidade inicial ha de ir continuamente decrescendo, deduz-se, feitos os calculos, que o projectil ha de empregar 300:000 segundos ou 83 horas e 20 minutos para chegar ao ponto onde as attracções terrestre e lunar se equilibr... 552071 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||DA TERRA Á LUA|37|borda_inferior=sim}}</noinclude>«Se a bala conservasse indefinidamente a velocidade inicial de 12 jardas por segundo, que lhe fosse imprimida no momento da partida, gastaria apenas nove horas approximadamente para chegar ao seu destino; mas como a velocidade inicial ha de ir continuamente decrescendo, deduz-se, feitos os calculos, que o projectil ha de empregar 300:000 segundos ou 83 horas e 20 minutos para chegar ao ponto onde as attracções terrestre e lunar se equilibram, e a partir d'este ponto ha de cair na superficie da Lua em 50:000 segundos ou 13 horas, 53 minutos e 20 segundos. Convem pois lançar o projectil 97 horas, 13 minutos e 20 segundos antes do momento em que a Lua haja de chegar ao ponto de mira. «Em relação á quarta pergunta: Em que instante prefixo estará a Lua na posição mais favoravel para ser alcançada pelo projectil? «Em consequencia do que deixâmos dito, deve, em primeiro logar, escolher-se a epocha em que a Lua estiver no perigeo, e simultaneamente o instante em que passar pelo zenith, circumstancia que ha de diminuir ainda o percurso do projectil de uma distancia igual ao raio da terra, isto é, de 3:919 milhas, vindo por esta fórma a ser o trajecto definitivo de 214:976 milhas (86:410 leguas). Porém a Lua, que passa todos os mezes pelo seu perigeo, nem sempre se encontra no zenith no mesmo instante, e só a largos intervallos satisfaz simultaneamente a estas duas condições. Necessario é portanto esperar a coincidencia da passagem pelo perigeo com a passagem pelo zenith. «Por feliz acaso, no dia 4 de dezembro do anno proximo, a Lua ha de preencher as duas condições indicadas: á meia noite estará no perigeo, isto é, no ponto da sua orbita dʼonde é mais curta a distancia á Terra, e passará no mesmo instante pelo zenith. «Em relação á quinta pergunta: A que ponto do céu deve fazer-se a pontaria com o canhão destinado a lançar o projectil? {{nop}}<noinclude></noinclude> 5hzlk11k5y5ccgzht0cz83uf8il5ohk Página:Da Terra á Lua.pdf/37 106 253300 552072 2026-05-10T14:21:31Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: «Suppondo admittidas as considerações que precedem, o canhão deve ser dirigido para o zenith<ref>O zenith é o ponto da abobada celeste, situado na vertical que passa pelo observador.</ref> do logar, por maneira que o tiro venha a ser perpendicular ao plano do horisonte e o projectil fuja assim mais rapidamente aos effeitos da attracção terrestre. Mas para que a Lua passe pelo zenith de um logar terrestre, é necessario que este logar não te... 552072 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>«Suppondo admittidas as considerações que precedem, o canhão deve ser dirigido para o zenith<ref>O zenith é o ponto da abobada celeste, situado na vertical que passa pelo observador.</ref> do logar, por maneira que o tiro venha a ser perpendicular ao plano do horisonte e o projectil fuja assim mais rapidamente aos effeitos da attracção terrestre. Mas para que a Lua passe pelo zenith de um logar terrestre, é necessario que este logar não tenha latitude maior do que a declinação do astro, por outra que o logar esteja comprehendido entre o equador e os parallelos, que distam d'elle 28° para norte ou sul. Em qualquer outro logar da terra o tiro havia necessariamente de ser obliquo, o que seria prejudicial ao bom exito da experiencia. «A respeito da sexta pergunta: Que logar deve occupar a Lua no céu, no instante da partida do projectil? «No momento em que o projectil for lançado ao espaço, a Lua que avança em cada dia 13°, 10ʼ e 35ʼʼ, deve estar afastada do ponto zenithal quatro vezes esta grandeza, isto é, 52°, 42ʼ e 20ʼʼ, espaço que corresponde ao caminho que ha de andar durante o percurso do projectil. Mas como se deve tambem attender ao desvio que ha de vir ao projectil do movimento de rotação da Terra, e como, quando a bala chegar á Lua, este desvio deve ter attingido uma grandeza igual a dezeseis raios terrestres, que contados sobre a superficie da Lua, dão proximamente 11°, devem juntar-se estes 11° aos já mencionados, que exprimem o atrazo da Lua, o que dá 64° em numeros redondos. «Consequentemente o raio visual dirigido para a Lua deve, no momento do tiro, fazer com a vertical do logar um angulo de 64°. «Taes são as respostas ás perguntas feitas pelos socios do Gun-Club ao observatorio de Cambridge. {{nop}}<noinclude></noinclude> rqbejogzn7y23yei38bq5bvu0cr0mmf 552073 552072 2026-05-10T14:22:17Z Erick Soares3 19404 552073 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|38|VIAGENS MARAVILHOSAS||borda_inferior=sim}}</noinclude>«Suppondo admittidas as considerações que precedem, o canhão deve ser dirigido para o zenith<ref>O zenith é o ponto da abobada celeste, situado na vertical que passa pelo observador.</ref> do logar, por maneira que o tiro venha a ser perpendicular ao plano do horisonte e o projectil fuja assim mais rapidamente aos effeitos da attracção terrestre. Mas para que a Lua passe pelo zenith de um logar terrestre, é necessario que este logar não tenha latitude maior do que a declinação do astro, por outra que o logar esteja comprehendido entre o equador e os parallelos, que distam d'elle 28° para norte ou sul. Em qualquer outro logar da terra o tiro havia necessariamente de ser obliquo, o que seria prejudicial ao bom exito da experiencia. «A respeito da sexta pergunta: Que logar deve occupar a Lua no céu, no instante da partida do projectil? «No momento em que o projectil for lançado ao espaço, a Lua que avança em cada dia 13°, 10ʼ e 35ʼʼ, deve estar afastada do ponto zenithal quatro vezes esta grandeza, isto é, 52°, 42ʼ e 20ʼʼ, espaço que corresponde ao caminho que ha de andar durante o percurso do projectil. Mas como se deve tambem attender ao desvio que ha de vir ao projectil do movimento de rotação da Terra, e como, quando a bala chegar á Lua, este desvio deve ter attingido uma grandeza igual a dezeseis raios terrestres, que contados sobre a superficie da Lua, dão proximamente 11°, devem juntar-se estes 11° aos já mencionados, que exprimem o atrazo da Lua, o que dá 64° em numeros redondos. «Consequentemente o raio visual dirigido para a Lua deve, no momento do tiro, fazer com a vertical do logar um angulo de 64°. «Taes são as respostas ás perguntas feitas pelos socios do Gun-Club ao observatorio de Cambridge. {{nop}}<noinclude></noinclude> pmn2jxdo9q6zdyj0mtu11t4pj948y2p 552074 552073 2026-05-10T14:22:48Z Erick Soares3 19404 552074 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|38|VIAGENS MARAVILHOSAS||borda_inferior=sim}}</noinclude>«Suppondo admittidas as considerações que precedem, o canhão deve ser dirigido para o zenith<ref>O zenith é o ponto da abobada celeste, situado na vertical que passa pelo observador.</ref> do logar, por maneira que o tiro venha a ser perpendicular ao plano do horisonte e o projectil fuja assim mais rapidamente aos effeitos da attracção terrestre. Mas para que a Lua passe pelo zenith de um logar terrestre, é necessario que este logar não tenha latitude maior do que a declinação do astro, por outra que o logar esteja comprehendido entre o equador e os parallelos, que distam dʼelle 28° para norte ou sul. Em qualquer outro logar da terra o tiro havia necessariamente de ser obliquo, o que seria prejudicial ao bom exito da experiencia. «A respeito da sexta pergunta: Que logar deve occupar a Lua no céu, no instante da partida do projectil? «No momento em que o projectil for lançado ao espaço, a Lua que avança em cada dia 13°, 10ʼ e 35ʼʼ, deve estar afastada do ponto zenithal quatro vezes esta grandeza, isto é, 52°, 42ʼ e 20ʼʼ, espaço que corresponde ao caminho que ha de andar durante o percurso do projectil. Mas como se deve tambem attender ao desvio que ha de vir ao projectil do movimento de rotação da Terra, e como, quando a bala chegar á Lua, este desvio deve ter attingido uma grandeza igual a dezeseis raios terrestres, que contados sobre a superficie da Lua, dão proximamente 11°, devem juntar-se estes 11° aos já mencionados, que exprimem o atrazo da Lua, o que dá 64° em numeros redondos. «Consequentemente o raio visual dirigido para a Lua deve, no momento do tiro, fazer com a vertical do logar um angulo de 64°. «Taes são as respostas ás perguntas feitas pelos socios do Gun-Club ao observatorio de Cambridge. {{nop}}<noinclude></noinclude> pgmp1y90janeby7hsrwut8xoqllmeh1 Página:Da Terra á Lua.pdf/38 106 253301 552075 2026-05-10T14:23:46Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: «Em resumo: «1.º O canhão deve ser collocado nʼuma região situada entre o equador e os parallelos de 28 graus de latitude norte ou sul. «2.º Deve ser dirigido para o zenith do logar. «3.º O projectil deve ir animado de uma velocidade inicial de doze mil jardas por segundo. «4.º Deve ser lançado no dia 1.º de dezembro do anno proximo, ás onze horas menos treze minutos e vinte segundos. «5.º O projectil ha de encontrar a Lua, quatro dia... 552075 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||DA TERRA Á LUA|39|borda_inferior=sim}}</noinclude>«Em resumo: «1.º O canhão deve ser collocado nʼuma região situada entre o equador e os parallelos de 28 graus de latitude norte ou sul. «2.º Deve ser dirigido para o zenith do logar. «3.º O projectil deve ir animado de uma velocidade inicial de doze mil jardas por segundo. «4.º Deve ser lançado no dia 1.º de dezembro do anno proximo, ás onze horas menos treze minutos e vinte segundos. «5.º O projectil ha de encontrar a Lua, quatro dias depois da partida, no dia 4 de dezembro á meia noite exacta, no momento em que o astro passa pelo zenith. «Devem portanto os socios do Gun-Club dar começo sem demora aos trabalhos necessarios para realisar um emprehendimento de tal ordem, e prepararem-se para a execução no momento determinado, porque se deixarem passar a data indicada de 4 de dezembro, só dezoito annos e onze dias depois volverá a Lua a entrar nas mesmas condições em relação ao zenith e ao perigeo. «O pessoal scientifico do observatorio de Cambridge fica inteiramente á disposição do Gun-Club para todos os assumptos de astronomia theorica, e aproveita a occasião da presente para juntar as suas felicitações ás da America inteira. «Pelo pessoal scientifico do estabelecimento.--''J. M. Belfast,'' director do observatorio de Cambridge.» {{nop}}<noinclude></noinclude> lqeofst8xrv2uehxhfwg2gu7yx6bb6a Da Terra á Lua/IV 0 253302 552076 2026-05-10T14:25:22Z Erick Soares3 19404 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Da Terra á Lua.pdf" from=34 to=38 fromsection="Cap. 4" header=1/> {{rule|5em|align=left}} {{dhr}} {{Smallrefs}} {{Modernização}} {{DP-3}} [[fr:De la Terre à la Lune/Chapitre 4]] [[en:From the Earth to the Moon/Chapter IV]] [[be:З пушкі на Луну/Ад Зямлі да Луны/IV]] [[it:Dalla Terra alla Luna/Capitolo IV]] 552076 wikitext text/x-wiki <pages index="Da Terra á Lua.pdf" from=34 to=38 fromsection="Cap. 4" header=1/> {{rule|5em|align=left}} {{dhr}} {{Smallrefs}} {{Modernização}} {{DP-3}} [[fr:De la Terre à la Lune/Chapitre 4]] [[en:From the Earth to the Moon/Chapter IV]] [[be:З пушкі на Луну/Ад Зямлі да Луны/IV]] [[it:Dalla Terra alla Luna/Capitolo IV]] fe7k3eczyon9xbyt6sltf3joc901842 552077 552076 2026-05-10T14:25:50Z Erick Soares3 19404 552077 wikitext text/x-wiki <pages index="Da Terra á Lua.pdf" from=33 to=38 fromsection="Cap. 4" header=1/> {{rule|5em|align=left}} {{dhr}} {{Smallrefs}} {{Modernização}} {{DP-3}} [[fr:De la Terre à la Lune/Chapitre 4]] [[en:From the Earth to the Moon/Chapter IV]] [[be:З пушкі на Луну/Ад Зямлі да Луны/IV]] [[it:Dalla Terra alla Luna/Capitolo IV]] nq6vufz1snj3p6rdc65vpmpn3k7lz24 Página:Da Terra á Lua.pdf/248 106 253303 552113 2026-05-10T21:26:49Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{t2|{{smaller|UM ASTRO NOVO}}|CAPITULO XVIII}} {{dhr|3}} Nʼaquella mesma noite, a palpitante nova com tanta impaciencia esperada rebentou como um raio nos Estados da União, e dʼali correndo através do oceano, percorreu todos os fios telegraphicos do globo. O projectil fôra visto, graças ao gigantesco reflector de Longʼs-Peak. Eis a nota redigida pelo director do observatorio de Cambridge, que contém as conclusões scientificas da grande e... 552113 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||DA TERRA Á LUA|249|borda_inferior=sim}}</noinclude>{{t2|{{smaller|UM ASTRO NOVO}}|CAPITULO XVIII}} {{dhr|3}} Nʼaquella mesma noite, a palpitante nova com tanta impaciencia esperada rebentou como um raio nos Estados da União, e dʼali correndo através do oceano, percorreu todos os fios telegraphicos do globo. O projectil fôra visto, graças ao gigantesco reflector de Longʼs-Peak. Eis a nota redigida pelo director do observatorio de Cambridge, que contém as conclusões scientificas da grande experiencia do Gun-Club. «Longʼs-Peak, 12 de dezembro.--Aos ex.<sup><small>mos</small></sup> srs. membros do pessoal technico do observatorio de Cambridge. «O projectil arremessado pela Columbiada de Stoneʼs-Hill foi visto pelos srs. Belfast e J.-T. Maston, no dia 12 de dezembro, ás oito horas e quarenta e sete minutos da tarde, já a Lua entrára no ultimo quarto. «O projectil não deu no alvo, passou-lhe ao lado, mas todavia bastantemente proximo para ficar retido pela attracção lunar. «Chegado ali, transformou-se-lhe o movimento rectilineo em movimento circular de rapidez vertiginosa, e actualmente percorre uma orbita elliptica em volta da Lua, da qual se tornou verdadeiro satellite. «Os elementos do novo astro não poderam ainda determinar-se. Nem é conhecida a sua velocidade de translação, nem a de rotação. A distancia a que está da superficie da Lua, póde avaliar-se em duas mil oitocentas e trinta e tres milhas approximadamente. {{nop}}<noinclude>{{right|32}}</noinclude> osyb47zp81umusgw7r14xzxph3sw4cr Página:Da Terra á Lua.pdf/249 106 253304 552114 2026-05-10T21:30:29Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: «Nʼestes termos, uma de duas hypotheses póde realisar-se, que ha de ter por consequencia modificação no actual estado de cousas. «Ou vencerá a attracção da Lua, e nʼeste caso chegarão os viajantes ao termo da sua viagem; «Ou o projectil mantido n'uma ordem immutavel, gravitará até final dos seculos em volta do disco lunar. «É o que nos hão de dizer um dia as observações; até agora porém, a tentativa do Gun-Club não colheu outro result... 552114 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|250|VIAGENS MARAVILHOSAS||borda_inferior=sim}}</noinclude>«Nʼestes termos, uma de duas hypotheses póde realisar-se, que ha de ter por consequencia modificação no actual estado de cousas. «Ou vencerá a attracção da Lua, e nʼeste caso chegarão os viajantes ao termo da sua viagem; «Ou o projectil mantido n'uma ordem immutavel, gravitará até final dos seculos em volta do disco lunar. «É o que nos hão de dizer um dia as observações; até agora porém, a tentativa do Gun-Club não colheu outro resultado senão enriquecer com um astro novo o nosso systema solar.--''J. T. Belfast''.» Quantos problemas surgiram dʼesta inesperada solução! Que situação cheia de mysterios reservava o futuro ás investigações da sciencia! Graças á coragem e á dedicação de tres homens, aquella empreza apparentemente assás futil, de arremessar uma bala á Lua, acabava de ter um resultado immenso, e cujas consequencias eram incalculaveis. Os viajantes encerrados no novo satellite, se não tinham realisado o seu fim, faziam pelo menos parte do mundo lunar; gravitavam em torno do astro das noites, cujos mysterios o olho do homem ía pela vez primeira penetrar. Os nomes de Nicholl, Barbicane e Miguel Ardan devem portanto para todo o sempre ser celebrados nos fastos da astronomia, porque estes ousados exploradores, avidos de alargar o circulo dos conhecimentos humanos, lançaram-se audaciosamente através do espaço, e jogaram a vida na mais notavel tentativa dos tempos modernos. Como quer que fosse, logoque foi do dominio publico a nota de Longʼs-Peak, apossou-se do universo inteiro um sentimento de surpreza e de espanto. Acaso seria possivel prestar auxilio áquelles ousados habitantes da Terra? Não, por certo, que se tinham collocado fóra da humanidade, logo que transpozeram os limites impostos por Deus ás creaturas terrestres. Ar podiam elles obte-lo pelo espaço de dois mezes. Viveres, levavam-nʼos para<noinclude></noinclude> fyvp9ca394h1hrw3d9yj5fxlery8yx2 Página:Da Terra á Lua.pdf/250 106 253305 552115 2026-05-10T21:32:10Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: um anno. Mas depois ?... Ao formular-se tal pergunta palpitavam até os corações mais insensiveis. Só havia um homem, um só, que não podia admittir que a situação fosse para desesperar. Um só tinha confiança, e era esse o amigo dedicado dos tristes, e tanto como elles audaz e resoluto, era o estimavel J.-T. Maston. E tambem não os largava de olho. Assentára definitivamente os penates no posto de Longʼs-Peak, onde tinha por unico horisonte... 552115 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||DA TERRA Á LUA|251|borda_inferior=sim}}</noinclude>um anno. Mas depois ?... Ao formular-se tal pergunta palpitavam até os corações mais insensiveis. Só havia um homem, um só, que não podia admittir que a situação fosse para desesperar. Um só tinha confiança, e era esse o amigo dedicado dos tristes, e tanto como elles audaz e resoluto, era o estimavel J.-T. Maston. E tambem não os largava de olho. Assentára definitivamente os penates no posto de Longʼs-Peak, onde tinha por unico horisonte o espelho do immenso reflector. Logoque a Lua surgia acima do horisonte, fixava-a no campo do telescopio e não a perdia de vista nem um momento, seguindo-a com assiduidade na sua marcha através dos espaços estellares; observava com eterna paciencia a passagem do projectil pelo disco de prata; na realidade podia dizer-se que o estimavel secretario estava em perpetua communicação com os tres amigos, que ainda, um dia esperava tornar a ver. «Havemos de nos corresponder com elles, dizia a quem queria ouvi-lo, logoque as circumstancias o permittam. Havemos de ter novidades de lá, e elles tambem as hão de ter de cá! E demais, eu conheço-os, são homens engenhosos. Juntos os tres, levaram comsigo para o espaço todos os recursos da arte, da sciencia e da industria. Com taes elementos faz-se tudo quanto se quer. Hão de saír-se da difficuldade, e senão veremos!» {{dhr|6}} {{c|'''FIM DE «DA TERRA Á LUA».'''}} {{nop}}<noinclude></noinclude> b9hif6jt24mc3uy9ma0xxc2yv36xk7y Da Terra á Lua/XXVIII 0 253306 552116 2026-05-10T21:33:50Z Erick Soares3 19404 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Da Terra á Lua.pdf" from=248 to=250 header=1/> {{rule|5em|align=left}} {{dhr}} {{Smallrefs}} {{Modernização}} {{DP-3}} [[fr:De la Terre à la Lune/Chapitre 28]] [[en:From the Earth to the Moon/Chapter XXVIII]] [[be:З пушкі на Луну/Ад Зямлі да Луны/XXVIII]] [[it:Dalla Terra alla Luna/Capitolo XXVIII]] 552116 wikitext text/x-wiki <pages index="Da Terra á Lua.pdf" from=248 to=250 header=1/> {{rule|5em|align=left}} {{dhr}} {{Smallrefs}} {{Modernização}} {{DP-3}} [[fr:De la Terre à la Lune/Chapitre 28]] [[en:From the Earth to the Moon/Chapter XXVIII]] [[be:З пушкі на Луну/Ад Зямлі да Луны/XXVIII]] [[it:Dalla Terra alla Luna/Capitolo XXVIII]] tpcy2sswlbg3gb8qggqd6pgxenr3k4d 552117 552116 2026-05-10T21:34:21Z Erick Soares3 19404 552117 wikitext text/x-wiki <pages index="Da Terra á Lua.pdf" from=248 to=250 header=1/> {{Modernização}} {{DP-3}} [[fr:De la Terre à la Lune/Chapitre 28]] [[en:From the Earth to the Moon/Chapter XXVIII]] [[be:З пушкі на Луну/Ад Зямлі да Луны/XXVIII]] [[it:Dalla Terra alla Luna/Capitolo XXVIII]] 9xyzk0ds68v0w8yuk02vip8w4fix5cq Página:O Atheneu (Chronica de saudades).pdf/21 106 253307 552134 2026-05-11T02:01:25Z Yutrobog 31067 /* Revista */ 552134 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Yutrobog" /></noinclude>— 17 — á altura da fronte, contra a rutilação do dia n'um bloco de nuvens que crescia do céu. Acima do estrado, balouçavam docemente, sussurravam bosquetes de bambú, projectando franjas longuissimas de sombra pelo campo de relva. Algumas damas empunhavam binoculos. Na direcção dos binoculos distinguia-se um movimento alvejante. Eram os rapazes. « Ahi vêm, disse-me meu pai; vão desfilar por diante da princeza. » A princeza imperial, Regente n'essa época, achava-se á direita em gracioso palanque de sarrafos. Momentos depois adiantavam-se por mim os alumnos do ''Atheneu''. Cerca de tresentos ; produziam-me a impressão do innumeravel. Todos de branco, apertados em larga cinta vermelha, com alças de ferro sobre os quadris; na cabeça um pequeno gorro cingido por um cadarço de pontas livres. Ao hombro esquerdo traziam laços distinctivos das turmas. Passaram a toque de clarim, sopesando os petrechos diversos dos exercicios. Primeira turma, Os ''haltères'', segunda, as ''massas'', terceira, ''as barras''. Fechavam a marcha, desarmados, os que figurariam simplesmente nos exercicios geraes.<noinclude></noinclude> 8ca1zb2k84e4hqzk80mric9470m63t8