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A escrava Isaura
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* [[A escrava Isaura/I|Capítulo I]]
* [[A escrava Isaura/II|Capítulo II]]
* [[A escrava Isaura/III|Capítulo III]]
* [[A escrava Isaura/IV|Capítulo IV]]
* [[A escrava Isaura/V|Capítulo V]]
* [[A escrava Isaura/VI|Capítulo VI]]
* [[A escrava Isaura/VII|Capítulo VII]]
* [[A escrava Isaura/VIII|Capítulo VIII]]
* [[A escrava Isaura/IX|Capítulo IX]]
* [[A escrava Isaura/X|Capítulo X]]
* [[A escrava Isaura/XI|Capítulo XI]]
* [[A escrava Isaura/XII|Capítulo XII]]
* [[A escrava Isaura/XIII|Capítulo XIII]]
* [[A escrava Isaura/XIV|Capítulo XIV]]
* [[A escrava Isaura/XV|Capítulo XV]]
* [[A escrava Isaura/XVI|Capítulo XVI]]
* [[A escrava Isaura/XVII|Capítulo XVII]]
* [[A escrava Isaura/XVIII|Capítulo XVIII]]
* [[A escrava Isaura/XIX|Capítulo XIX]]
* [[A escrava Isaura/XX|Capítulo XX]]
* [[A escrava Isaura/XXI|Capítulo XXI]]
* [[A escrava Isaura/XXII|Capítulo XXII]]
}}
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[[Categoria:Bernardo Guimarães]]
[[Categoria:A escrava Isaura| ]]
[[Categoria:Romances brasileiros]]
[[Categoria:Romantismo brasileiro]]
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A escrava Isaura/I
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A escrava Isaura/II
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[[Categoria:A escrava Isaura| 02]]
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A escrava Isaura/XXII
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Foi desfeita a revisão [[Special:Diff/550981|550981]] de [[Special:Contributions/UmanocomR|UmanocomR]] ([[User talk:UmanocomR|discussão]])
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Suspiros poéticos e saudades (1865)/O Carcere de Tasso
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{{dtpl||Conflicto inevitavel|207|4}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ygor G. Alves de Souza" /></noinclude>Auto de corpo de delicto.
Aos vinte oido dias do mez
de Setembro de mil novecentos
e [?], nesta cidade de
Campinas, na Repartição
da Policia, presente o Dr. José
Manoel Lobo, Delegado de Po
licia,<noinclude></noinclude>
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Bbrunohigino
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Ygor G. Alves de Souza" /></noinclude>Auto de corpo de delicto.
Aos vinte oito dias do mez
de Setembro de mil novecentos
e [?], nesta cidade de
Campinas, na Repartição
da Policia, presente o Dr. José
Manoel Lobo, Delegado de Po- licia, [?] escrivão a seu
cargo adiante nomeado, os
peritos notificados Doutores
Euphrasio Cunha<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SUSPIROS POETICOS}}|205}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
Que como eu curiosos peregrinos
Vieram visitar este recinto.
:Vós, meus olhos, nada vedes;
:Mas minha alma no passado
:Um vate vê encerrado
:Nesta lugubre prisão.
:Aqui chorou longos dias,
:Longas noites, longos annos,
:Quem por olhos soberanos
:Enloquecêo de paixão.
:Tasso aqui como um escravo
:Amargurou a existencia;
:De um senhor a inclemencia
:Amorte, aqui lhe quiz dar.
:Triste elle a ausencia carpia
:De sua cara princeza.
:Seu amor, sua belleza
:Causaram só seu penar.
:Livre, qual Deos o criára,
:Entre ramos adejando,
}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|206|{{smaller|SUSPIROS POETICOS}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
:Melodias exhalando,
:Passa a vida o rouxinol.
:Saúda o sol quando nasce,
:Redobra o canto co’o dia,
:Enche os ares de harmonia,
:Geme ao deitar-se do sol.
:Mas si preso na gaióla
:Mão tyranna o encadeia,
:Inda assim elle gorgeia,
:Para dar allivio á dor.
:Assim, oh grande Torquato,
:Neste carcere horroroso
:Gemer te viram saudoso
:A liberdade, e o Amor,
Fado! Fado do vate!… A Italia toda
As doçuras gostava de teus versos;
Goffredo ao céo da gloria remontava
Sobre as sonoras azas de teu genio;
E tu, oh Tasso, aqui nesta masmorra
Como um vil criminoso definhavas!
Fado do vate! rigoroso fado!
}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SUSPIROS POETICOS}}|207}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
Mas Tasso ousou amar de um duque a filha!
Oh Ferrara! cem duques teus, cingidos
De aureas c’roas, de purpura cobertos,
:::Um só Tasso não valem.
Um vate é mais que um rei. Reis faz o povo,
E a seu grado os desfaz, como do mármor
Tira o esculptor um Nume, e quando apraz-lhe
Em simples animal converte-o, ou quebra-o.
Mas tu, sagrado fogo d’harmonia,
Quem te accende nas almas dos poetas?
O magico poder com que convertes
Achiles n’um heroe, Páris n’um fraco,
Acaso dos mortaes herdaste, oh vate?
Ou foi prenda do céo a lyra tua,
A lyra, que immortaes sons desferindo,
Vive no tempo, e impõe silencio á inveja?
Muros desta prisão! muros, que outr’ora
:::Um thesouro encerrastes,
Vós, que insensiveis testemunhas fostes
:::Dos suspiros de Tasso,
Dizei, muros, si acaso vós podestes
:::Tolher do engenho as azas?
}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|208|{{smaller|SUSPIROS POETICOS}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
Ou si o tyranno a gloria nodoou-lhe?
Vingou a Humanidade a affronta sua;
Como um astro no céo Tasso rutila,
E o nome do tyranno negrejando,
Augmenta-lhe o fulgor, que o illumina,
Mas oh da Providencia altos arcanos!
Que mais sofra na vida, quem co’a morte
Nova vida immortal viver começa!
:::Assim homens ingratos,
Emquanto vivo, o merito premeiam
:::Ah! consola-te, oh Tasso,
Que o unico não foste, que da sorte
:::Sorvêo tragos amargos.
Quasi é do vate estrella o infortunio!
Como os martyres são, que só morrendo
:::A apotheose recebem.
Aquelle a quem a Grecia erguêo altares,
Homero, mendigou de porta em porta!
Tu, oh Ravenna, o fugitivo Dante
Viste iracundo praguejar seu fado!
Camões, rival de Tasso, o pão esmola
Ante os olhos de Lisia. E tu, oh Silva[[Suspiros poéticos e saudades (1865)/O Carcere de Tasso#nota1|<sup>1</sup>]],
}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SUSPIROS POETICOS}}|209}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
:::Da minha Patria filho,
A fogueira subiste com pé firme,
Que a innocencia teus passos vigorava;
E entre as chammas, por mãos ímpias accesas,
Teu ultimo suspiro ao céo ergueste
:::Ante esse bruto povo,
:::Que outr’ora te applaudíra.
Tu Claudio octogenario[[Suspiros poéticos e saudades (1865)/O Carcere de Tasso#nota2|<sup>2</sup>]], na masmorra
Para a affronta evitar te déste a morte.
Lá de horrenda prisão correm ferrolhos,
:::A dura porta se abre,
Lá sai Dircêo[[Suspiros poéticos e saudades (1865)/O Carcere de Tasso#nota3|<sup>3</sup>]] saudoso, suspirando
:::Pela cara Marilia,
:::Lá vai morrer proscripto
Nas inhospitas plagas africanas!
Fado do vate! rigoroso fado!
::::Porêm dos vates
::::Porque lamento
::::A triste sorte?
::::Póde o tormento,
::::Ou póde a morte,
::::Inda que seja
}}<noinclude></noinclude>
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Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/220
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|210|{{smaller|SUSPIROS POETICOS}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=close|
::::Dura, affrontosa,
::::Fazer que a historia
::::Não perpetúe
::::Sua memoria?
::::Raivosa a inveja
::::Arme-se embora,
::::E os acommetta.
::::Do vate a gloria,
::::É qual planeta,
::::Que no céo mora,
::::No céo lampeja,
Para honra dos humanos,
E opprobrio dos tyrannos.
}}
{{x-smaller|Ferrara, 3 de Maio de 1835.}}
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>repente... onde é que havia de descobrir o
Pedrinho?
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|width=300px
|padt=2em
}}
Trepado numa arvore, lá perto da porteira!... Estava
todo encorujadinho, feito
um
mico.
Lucia approximou-se.
— Bom dia!
Como vae ?
O menino,
quieto...
— Então, virou passarinho ?
Vae fazer ninho
nesse galho ?
O menino,
quieto...
Lucia não
poude deixar de
rir-se lá por dentro, pensando: e
vovó que não quer
que o chamem pichochó! Eʼ pichochó e dos
legitimos...
{{nop}}<noinclude>{{c|☉{{gap}}119{{gap}}☉}}</noinclude>
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Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/124
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>E em voz alta:
— Então não desce ? Fica morando
ahi, toda a vida ?
Como Pedrinho continuasse immovel,
Lucia teve uma idéa. Correu á cozinha e
trouxe um punhado de farello, que espalhou
pelo chão. E saindo dʼalli foi esconder-se
atrás dʼum jacá, longe, mas de geito que pudesse espiar o menino.
Pedrinho, logo que viu Lucia afastar-se, mexeu-se na arvore e olhou para o chão.
— Que será que ella espalhou por alli ?
perguntou comsigo. E como era muito curioso não resistiu à tentação de descer para
examinar o que era.
Desceu. Mas ao pôr pé em terra, Nari-
zinho levantou-se de trás do jacá, batendo
palmas.
— Cahiu na esparrella ! Cahiu na arapuca ! E veiu correndo para elle.
— Bom dia, primo. Que modos, esses !... Parece que tem medo de gente ? !
Como vae ? Como tem passado ? Bem ? disse, espichando-lhe a mão.
Pedrinho não teve remedio sinão apertal-a. E Lucia continuou:
{{nop}}<noinclude>{{c|☉{{gap}}120{{gap}}☉}}</noinclude>
0i5rbez6sayiy4znhrzgme0ouonsb7t
Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/125
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>— Não caiu do cavallo pelo caminho?
Pedrinho respondeu, de cabeça baixa,
torcendo a ponta do paletó:
— Eu não cáio de cavallo...
— E de arvore, cae ? De arvore, sim,
acredito que você não caia...
— Porque ?
— Porque nunca vi passarinho cair de
arvore.
— E eu sou passarinho ?
— Pois não sabe ? Não sabe que é um
pichochó ?
— Eu ? Pichochó ? exclamou Pedrinho
com cara de espanto.
— Ora esta ! replicou a menina, com
um arzinho de troça. Esse bico, esse ar, esse
geito... Você é um puro pichochó, meu
caro !
Pedrinho avermelhou de colera e sem
dizer nada dirigiu-se para casa, entrando na
sala onde conversavam o capataz e a velha.
O homem, ao vel-o, exclamou:
— Olhe, dona Benta, veja que rapagão
chibante ! Vae a senhora ganhar um neto
quatro paus !
{{nop}}<noinclude>{{c|☉{{gap}}121{{gap}}☉}}</noinclude>
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/* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: levantar ferro a ficarem ancorados no porto para não faltarem á chegada do ''Atlanta'', os comboios a chegarem cheios e a saírem vasios, a bahia do Espirito Santo sulcada sem cessar por ''steamers, packets-boats,'' hiates de recreio e ''fly-boats'' de todas as dimensões; enumerar os milhares de curiosos que no espaço de quinze dias quadruplicaram a população de Tampa-Town, a ponto de terem de acampar em barracas como um exercito em campanh...
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|155|borda_inferior=sim}}</noinclude>levantar ferro a ficarem ancorados no porto para não faltarem á chegada do ''Atlanta'', os comboios a chegarem cheios e a saírem vasios, a bahia do Espirito Santo sulcada sem cessar por ''steamers, packets-boats,'' hiates de recreio e ''fly-boats'' de todas as dimensões; enumerar os milhares de curiosos que no espaço de quinze dias quadruplicaram a população de Tampa-Town, a ponto de terem de acampar em barracas como um exercito em campanha, é tarefa que excede as forças humanas, e que sem temeridade ninguem poderia emprehender.
No dia 20 de outubro, pelas nove horas da manhã, dava o telegrapho semaphorico do canal de Bahama noticia de fumo espesso no horisonte. Duas horas depois um grande ''steamer'' trocava com o telegrapho signaes de reconhecimento. Immediatamente foi expedido para Tampa-Town o nome do ''Atlanta''. Ás quatro horas dava o navio inglez entrada na bahia do Espirito Santo. Ás cinco passava a barra de Hillisboro a todo o vapor. Ás seis largava ferro no porto de Tampa.
Ainda a ancora não tinha mordido no fundo de areia, já quinhentas embarcações estavam em volta do ''Atlanta'', e tomavam o ''steamer'' de assalto. Barbicane foi o primeiro que saltou ao convez, e que em voz de que debalde tentára occultar a commoção exclamou:
«Miguel Ardan!—Presente!» respondeu um individuo que estava no castello de popa.
Barbicane, cruzados os braços, com o olhar interrogador e a bôca silenciosa, olhou fito para o passageiro do ''Atlanta''.
Era este homem de quarenta e dois annos, alto, mas já um tanto curvado, como os cariatides que aguentam nos hombros as sacadas dos balcões. A cabeça volumosa, verdadeira cabeça de leão, sacudia a cada instante a cabelleira ardente que a adornava como verdadeira juba. A cara curta, larga nas fontes, enfeitada por um bigode hirsuto como as barbas de um gato, e com pince-<noinclude></noinclude>
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Página:Da Terra á Lua.pdf/155
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/* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: linhos de pellos amarellados que irrompiam mesmo do meio das faces, os olhos redondos e um tanto desvairados, o olhar de myope, completavam-lhe a physionomia eminentemente felina. Mas o nariz era ousadamente modelado, a bôca particularmente humana, a fronte alta, intelligente e sulcada qual campo que nunca esteve de pousio. Finalmente o tronco robustamente desenvolvido e assente a prumo em cima de compridas pernas, os braços musculosos com...
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|156|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>linhos de pellos amarellados que irrompiam mesmo do meio das faces, os olhos redondos e um tanto desvairados, o olhar de myope, completavam-lhe a physionomia eminentemente felina. Mas o nariz era ousadamente modelado, a bôca particularmente humana, a fronte alta, intelligente e sulcada qual campo que nunca esteve de pousio. Finalmente o tronco robustamente desenvolvido e assente a prumo em cima de compridas pernas, os braços musculosos como possantes e bem articuladas alavancas, faziam do europeu um maganão de solida construcção, «feito na forja, que não no cadinho», como diria quem quizesse ir buscar á arte metallurgica termos de comparação.
Qualquer discipulo de Lavater ou de Gratiolet encontraria sem difficuldade no craneo e na physionomia do personagem os indicios mais indiscutiveis da combatividade, isto é, da coragem na occasião do perigo, e da tendencia para despedaçar todos os obstaculos; como tambem os da benevolencia e da ''maravilhosidade'', instincto que incita certos temperamentos a tomarem-se de paixão pelas cousas sobrehumanas; em compensação era absoluta a carencia das bossas que indicam os instinctos de posse e acquisição, que os phrenologos designam pela palavra ''adquisividade''.
Para dar o ultimo toque na descripção do typo physico do passageiro do ''Atlanta'', convem notar que o fato que usava era largo de fórmas e folgado de cavas. A calça e o ''paletot'' eram feitos com tal abundancia de fazenda, que o proprio Miguel Ardan chamava a si mesmo o ''mata-panno''; a gravata desapertada, o colleirinho aberto com largueza, deixavam ver o pescoço robusto; dos punhos invariavelmente desabotoados saiam-lhe as mãos febris. Bem se via que era homem que, nem na maior força do inverno, nem na maior força do perigo, havia de ter frio, nem mesmo na raiz do cabello.
Nunca estava quieto, no tombadilho do ''steamer'', no meio da<noinclude></noinclude>
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Erick Soares3
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/* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: multidão, de cá para lá, sem nunca parar «navegando sobre as amarras», como dizia a maruja; sempre a gesticular, tratando todos por tu e roendo as unhas com nervosa avidez. Era um dʼaquelles typos originaes que o Creador inventa nʼum momento de phantasia, quebrando-lhe desde logo o molde. E na realidade, a personalidade de Miguel Ardan dava campo largo ás observações do analysta. Aquelle homem espantoso vivia em perpetua disposição para a...
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|157|borda_inferior=sim}}</noinclude>multidão, de cá para lá, sem nunca parar «navegando sobre as amarras», como dizia a maruja; sempre a gesticular, tratando todos por tu e roendo as unhas com nervosa avidez. Era um dʼaquelles typos originaes que o Creador inventa nʼum momento de phantasia, quebrando-lhe desde logo o molde.
E na realidade, a personalidade de Miguel Ardan dava campo largo ás observações do analysta. Aquelle homem espantoso vivia em perpetua disposição para a hyperbole, não passára ainda alem da idade dos superlativos; desenhavam-se-lhe os objectos na retina com dimensões desmarcadas, e dʼahi lhe vinha uma associação de idéas gigantescas; via tudo em ponto grande, excepto os homens e as difficuldades. E comtudo isto era de uma natureza luxuriante, artista por instincto, moço de espirito, que sem dar descargas de ditos chistosos, sabia entretanto na conversação esgrimir como o mais habil atirador. Nas discussões, pouca importancia lhe merecia a logica. Rebelde ao syllogismo, que por certo nunca teria inventado, tinha um modo de argumentar só proprio dʼelle.
Passando por cima de tudo e de todos, atirava em cheio ao adversario uns argumentos ''ad hominem'' de effeito certeiro e seguro, e fazia gosto em defender com unhas e dentes as causas perdidas.
Entre outras manias tinha a de se proclamar «um ignorante sublime», como Shakspeare, e fazia profissão do desprezo pelos sabios: «Elles, dizia, entretem-se a marcar os pontos, e nós cá é que jogâmos a partida».
Em summa, era um bohemio do paiz dos montes e das maravilhas, aventuroso, mas não aventureiro, uma cabeça ôca, um Phaetonte que guiava a toda a brida o carro do Sol, um Icaro com azas de sobresallente. E era homem que sabia arriscar e arriscar a serio a propria pessoa, que se arrojava de cabeça levantada ás mais loucas emprezas, cortando a si proprio a retirada com mais enthusiasmo ainda do que Agathócles quando incendiou a esquadra<noinclude></noinclude>
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Na Europa diplomatica do seculo XVIII o Portugal de D. João V era uma excepção desanimadora. Despeára-se do progresso geral e ia attingir a quadra revolucionaria, mal disfarçando, com a exterioridade deslumbrante das minas do Brazil, os maximos desfallecimentos da originalidade e da vida.
Ha um attestado expressivo deste facto: a feição literaria do tempo, incolor e exotica, laivada de periphrases e trocadilhos, ou sulcada de metaphoras extravagantes, reveladoras dos resaibos corruptores
das ''canzoni'' alambicadas de Mazini ou das ''agudesas'' e hyperboles assombrosas de Gongora.
Era um recuo deploravel. O italianismo e o hespanholismo, que haviam sido um caracteristico geral da literatura enropéa, em passado recente, {{hífen|desap|desappareciam}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|134|{{sc|contrastes e confrontos}}}}</noinclude>{{hífen-fim|pareciam|desappareciam}} em toda a banda. Na Inglaterra, o excentrico euphuismo, que lembra um assalto de cansaço depois da formidavel elaboração shakspeareana, alastrando-se da phantusia maravilhosa de Milton, ás rimas infamissimas de Wicherley — desapparecia ante a phrase lapidaria de Burton: na Franca, o preciosismo acabava pelo proprio exaggero, embora se abrisse no salão de Luiz XIV o grande molde doirado do classicismo, com o recato do pensar e o requintado polido das maneiras e do dizer: e na mesma Italia, de onde surgira o primado ephemero dos ''pensieri'', o lyrismo vigoroso de Metastasio iniciava triumphalmente uma era nova. É que nestes paizes se formara a energia de uma renovação scientifica e philosophica que, com F. Bacon, Descartes e Gallileu, alevantára sobre a ruinaria da escolastica os elementos do espirito moderno. Em todos a arte de escrever era apenas um aspecto, o mais seductor talvez, e nada mais, das intelligencias que, em breve, encontrariam no maior operario da Encyclopedia — a um tempo romancista, dramaturgo, critico, scientista e philosopho — em Diderot, o exemplo vivo do quanto importam ao mais ousado idealisar esthetico os mais apparentemente frios recursos positivos.
Em Portugal, não. A lingua forte dos {{hífen|quinhen|quinhentistas}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|uma comedia historica}}|135}}</noinclude>{{hífen-fim|tistas|quinhentistas}} gaguejava nas silvas e aerosticos alambicados, nas maravalhas do falar e no requinte esteril de um culteranismo, onde a fragilidade das idéas facultava aos periodos vasios o caprichoso das fórmas mais bizarras. A terra de Vieira dava quasi o espectaculo da desordem da palavra numa especie de aphasia literaria.
O seculo XVIII teve o seu aspecto philosophico e o seu aspecto mundano. Teve Voltaire e teve Crebillon. Portugal copiava o ultimo, ao mesmo tempo que D. João V imitava a frivolidade resplandecente do rei Sol dos minuetes e das etiquetas, olvidando
o Luiz XIV dos tratados.
Dahi o burlesco daquella tentativa de transferir para Lisboa um lampejo de Versalhes, numa grandeza achamboada e informe que era, como todas as parodias, um contraste. E o contraposto entre o medido das phrases e das idéas, que na côrte parisiense transmudavam o classicismo numa systematisação da vulgaridade, e o retumbante e amaneirado das glosas e madrigaes dos versejadores portuguezes. Comparem-se o Camões do Rocio e Boileau; ou então a pragmatica dos saraus do Rambouillet aos festejos ruidosos de Lisboa onde se viam, sem escandalo á fradaria innumeravel rompentes nas procissões ou saracoteando nos salões,<noinclude></noinclude>
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