Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.7 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão Hino do município de Vitorino Freire 0 137427 554524 554436 2026-06-20T02:41:10Z Nicolas28237 43162 554524 wikitext text/x-wiki {{hino |obra=Hino do município de [[w:Vitorino Freire|Vitorino Freire]] |letra por= Enoch Edson Figueiredo |melodia por= Enoch Edson Figueiredo |notas= }} <poem> Batalhando pela grandeza da terra A luta na inspira tanto horror E conquistando os louros dessa guerra A batalha foi um sonho de primor. ''Batalhar! Batalhar! Batalhar!'' ''Batalhar! Batalhar! E trabalhar,'' ''Trabalhar pela grandeza da terra'' ''É o lema guerra do povo de cá.'' Nossos corações esquecem o passado O trágico sentimento de rancor Fincando este episódio retratado No estandarte da paz do nosso amor ''Batalhar! Batalhar! Batalhar!'' ''Batalhar! Batalhar! E trabalhar,'' ''Trabalhar pela grandeza da terra'' ''É o lema guerra do povo de cá.'' E sonhando com o passado da guerra Nosso espírito interpreta gloriosamente O gingante que em seus olhos se encerram A bravura e a tradição de nossa gente. ''Batalhar! Batalhar! Batalhar!'' ''Batalhar! Batalhar! E trabalhar,'' ''Trabalhar pela grandeza da terra'' ''É o lema guerra do povo de cá.'' Neste lema o povo vitorinense Se orgulha entrar na luta sem temor Feliz cultuando a flama maranhense Que seu garboso exército conquistou. ''Batalhar! Batalhar! Batalhar!'' ''Batalhar! Batalhar! E trabalhar,'' ''Trabalhar pela grandeza da terra'' ''É o lema guerra do povo de cá.''</poem> [[Categoria:Hinos do Maranhão|Vitorino Freire]] 4fvoju207ohw059e7t946mxmsn785sx Hino do município de Santa Bárbara do Sul 0 213888 554521 458449 2026-06-19T21:39:07Z ~2026-35963-07 43176 554521 wikitext text/x-wiki {{hino |obra=Hino do município de [[:w:Santa Bárbara do Sul|Santa Bárbara do Sul]] |letra por=Sérgio José Pastório |melodia por= Alberi da Rosa |notas=Instituído pela Lei Municipal Nº 1.656, de 26 de junho de 1996 }} <poem> Na pujança do viandante concebida, E a semente nessa terra espalhou; Fecundava como a seiva da esperança, Para o mundo de certezas e esplendor. Ao nascer já empunhavas a bandeira, Do trabalho, do progresso e da união; Foi crescendo pela senda da vitória, E se revela de amor e devoção. ''Santa Bárbara, Santa Bárbara do Sul,'' ''O teu nome todo o povo a proclamar;'' ''E com braços de liberdade e confiança,'' ''Vamos juntos sempre avante caminhar.'' Tua infância e juventude bem vivida, Foi suporte invulgar na formação; Pra alcançar a independência merecida, Como estágio natural da evolução. Hoje és grande, forte, altiva e imponente, Que a bonança como a lira se alinha; Tua beleza é orgulho da tua gente, E te fazem das coxilhas, a rainha. ''Santa Bárbara das Picassas e Porongos,'' ''Entre as glórias e a história revelou;'' ''Da Santinha, acolhendo o visitante,'' ''Berço honrado de ventura abençoou.'' Os teus filhos te veneram e te bendizem, Nesta terra tudo é paz e harmonia; O teu nome de Mãe Santa nos protege, Do trovão, da tempestade e ventania. Aqui a certeza de um futuro bem facejo, Se agiganta na esperança do amanhã; Santa Bárbara, berço da hospitalidade, Do amor fraterno, da amizade e fé cristã. ''Santa Bárbara, Santa Bárbara do Sul,'' ''O teu nome todo o povo a proclamar;'' ''E com braços de liberdade e confiança,'' ''Vamos juntos sempre avante caminhar. (bis)'' </poem> [[Categoria:Hinos do Rio Grande do Sul|Santa Bárbara do Sul]] ca3zut5g33112345hbcup8b7ofo27gm Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/383 106 239586 554523 515016 2026-06-19T22:54:21Z JppBr98 28173 554523 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" /></noinclude>{{dhr|2}} {{c|'''INDICE.'''|fs=175%}} <div style="font-size:95%"> {| style="text-align:center;margin-left: auto; margin-right: auto; border: none;" |- | | | | | | colspan="2" | Na antiga edição | | |- | | | | | colspan="5" | {{chave|o|l}}{{chave|o|s}}{{chave|o|s}}{{chave|o|m}}{{chave|o|s}}{{chave|o|s}}{{chave|o|r}} |- | colspan="2" style="text-align:left; | [[Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda (1640)|Sermão pelo bom successo das armas de<br>{{gap|4em}}Portugal contra as de Hollanda]] | Pag. | [[Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/21|5]] | Tomo | 3.º | Pag. | 467 |- | style="width: 50px; |” | style="text-align:left; | [[Sermão de Santo António (1654)|de Santo Antonio (aos peixes)]] | ” | [[Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/46|30]] | ” | 2.º | ” | 309 |- | ” | style="text-align:left; | do Bom Ladrão | ” | [[Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/78|62]] | ” | 3.º | ” | 317 |- | ” | style="text-align:left; | de Santa Isabel | ” | [[Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/111|95]] | ” | 2.º | ” | 1 |- | ” | style="text-align:left; | da Gloria de Maria Mãe de Deus | ” | [[Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/133|117]] | ” | 2.º | ” | 27 |- | ” | style="text-align:left; | da 1.ª Dominga do Advento | ” | [[Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/156|140]] | ” | 5.º | ” | 1 |- | ” | style="text-align:left; | da Degollação de S. João Baptista | ” | [[Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/199|183]] | ” | 12.º | ” | 78 |- | ” | style="text-align:left; | da 4.ª Domingo da Quaresma | ” | [[Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/221|205]] | ” | ” | ” | 203 |- | ” | style="text-align:left; | da 3.ª Quarta feira da Quaresma | ” | [[Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/241|225]] | ” | 1.º | ” | 299 |- | ” | style="text-align:left; | [[Sermões do padre Antonio Vieira/Sermão da Sexagesima|da Sexagesima]] | ” | [[Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/265|249]] | ” | 1.º | ” | 1 |- | ” | style="text-align:left; | de Quarta feira de Cinza | ” | [[Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/296|280]] | ” | 1.º | ” | 1039 |- | ” | style="text-align:left; | pelo bom successo de nossas armas | ” | [[Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/325|309]] | ” | 7.º | ” | 460 |- | ” | style="text-align:left; | da Dominga 16.ª Post-Pentecosten | ” | [[Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/351|335]] | ” | 5.º | ” | 191 |} </div><noinclude></noinclude> bn9vgd5npyps5rr2i8vhnuletq741ig Utilizador:Trooper57 2 245626 554511 549511 2026-06-19T18:07:37Z Trooper57 24584 /* Em progreſſo */ 554511 wikitext text/x-wiki <pre>{{c|class=capa|}} {{Quebra de página|separador=2}}</pre> ==Casas== <gallery> Garnier Frères logo.svg|Garnier Logo Livraria Moderna.jpg|Livraria Moderna Magalhães & Cia. Marca editorial de Horácio Sabino.png|Horácio Sabino Logo Laemmert.png|Laemmert Lugan & Genelioux logo.png|Lugan & Genelioux </gallery> ==Fim== * [[Arte da Lingua Brasilica]] ==Em progreſſo== * [[Galeria:Chronica da Companhia de Jesu do estado do Brasil- e do que obrarão seus filhos nesta parte do Nouo Mundo. - Tomo primeiro da entrada da (IA chronicadacompan02vasc).pdf]] * [[Galeria:História dos animais e árvores do Maranhão]] * [[Galeria:Dialogos das grandezas do Brasil.pdf]] * [[O Selvagem]] * [[Tratado descritivo do Brasil em 1587]] * [[História da Província Santa Cruz]] * [[Tratados da terra e gente do Brasil]] * [[Diálogos das grandezas do Brasil]] ==Um dia eu faſſo== * [[Compendio de Botanica]] * [[Diccionario portuguez, e brasiliano]] * [[Epigrammas portuguezes]] * [[Faróis (Cruz e Sousa)]] * [[Raios de Extincta Luz]] * [[Últimos Cantos]] * [[As Victimas-Algozes]] * [[As Minas de Salomão]] hkwlpqgadzsqw43l0pnxk25gd0nl86a Página:Dialogos das grandezas do Brasil.pdf/29 106 250502 554512 545835 2026-06-19T18:10:31Z Trooper57 24584 554512 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{c|{{x-larger|DIALOGOS DAS GRANDEZAS DO BRASIL}}}}</noinclude>{{ch|DIALOGO PRIMEIRO}} {{c|{{sc|Alviano}}}} {{capitular|Q}}{{sc|ue}} bisalho é esse, Sr. Brandonio, que estaes revolvendo dentro nesse papel! — porque, segundo o consideraes com attenção, tenho para mim que deve ser de diamantes ou rubis. {{c|{{sc|Brandonio}}}} Nenhuma cousa dessas é, sinão uma lanugem que produz aquella arvore fronteira de nós em um fructo que dá, do tamanho de um pecego, que semelha propriamente a lã. E porque m’a trouxe agora ha pouco a amostrar uma menina, que o achou cahido no chão, considerava que se podia applicar para muitas cousas{{Dialogos das grandezas do Brasil (1930) ref|71|1}}. {{c|{{sc|Alviano}}}} Não de menos consideração me parece o modo da arvore que o fructo della; porque, segundo estou vendo, semelha haver-se produzido do sobrado desta casa, onde deve ter as raizes, pois está tão conjuncta a ella. {{c|{{sc|Bandonio}}}} A humidade de que gozam todas as terras do Brasil a faz ser tão fructifera no produzir que infinidade de estacas de diversos páos, mettidos na terra, cobram e em breve tempo chegam a dar fructo; e esta arvore, que vos parece nascer de dentro desta casa, foi um esteio que se metteu na terra, sobre o qual, com outros mais,<noinclude>{{c|23}}</noinclude> exwit4i1zomvcoy4hs5zy4g52u7orlk Página:Dialogos das grandezas do Brasil.pdf/28 106 251029 554514 544676 2026-06-19T18:16:23Z Trooper57 24584 554514 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{c|{{sc2|Dialogos das Grandezas do Brasil}}}}</noinclude>Outro foi Nuno Alvares, incluido na mesma denunciação. Eram ambos christãos-novos, ambos accusados de frequentarem a esnoga de Camaragibe, blasphemos e hereges, que trabalhavam e faziam trabalhar aos domingos e dias santos. Eram, portanto, correligionarios, exerciam cargos identicos e deviam ser amigos. Assim, se Ambrosio Fernandes Brandão é o interlocutor ''Brandonio'', como está admittido, o intelligente leitor destas linhas será levado a concluir sem maior esforço que o outro interlocutor, ''Alviano'', bem póde ser Nuno Alvares. — Conf. ''Primeira Visitação do Santo Officio ás Partes do Brasil'' — ''Denunciações da Bahia'', 518-520, São Paulo, Homenagem de Paulo Prado, 1925. {{d|''R. G.''}}<noinclude>{{C|22}}</noinclude> cm4ac9ipro43564904wbh76vht5g6f1 Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/272 106 254318 554489 2026-06-19T14:20:10Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Está situada na vertente meridional da serra da Boulhosa, na direcção da Chã das Pipas. É pobre, pouco populosa e uma das mais agrestes. É paroquiada pelo reverendo Joaquim Miranda, do concelho de Barcelos. Os moradores desta paróquia iam à «''anuduva''» e davam de comer ao «''Casteleiro''» seis vezes por mês, segundo se lê nas «''Inquirições''» de D. Afonso III. {{c|---}} {{c|'''RESENDE'''<ref>Nas «''Inquirições''» de D. Afonso... 554489 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Está situada na vertente meridional da serra da Boulhosa, na direcção da Chã das Pipas. É pobre, pouco populosa e uma das mais agrestes. É paroquiada pelo reverendo Joaquim Miranda, do concelho de Barcelos. Os moradores desta paróquia iam à «''anuduva''» e davam de comer ao «''Casteleiro''» seis vezes por mês, segundo se lê nas «''Inquirições''» de D. Afonso III. {{c|---}} {{c|'''RESENDE'''<ref>Nas «''Inquirições''» de D. Afonso III chama-se-lhe - «Reisindi».</ref>}} {{c|'''<small>Orago S. Salvador. População: 370 habitantes, sendo 161 do sexo masculino e 209 do feminino</small>'''}} Foi vigararia anexa à freguesia de Cunha. É pequena, pobre e pouco populosa. Produz cereais. e tem montados férteis. Não é abundante de águas, mas diz-se que, explorados devidamente os seus mananciais, podia obviar-se a esta falta. É saudável e bem arejada do norte, e está regularmente abastecida de lenhas. Pode dizer-se que não produz vinho. Duas estradas a cortam em diferentes direcções: a distrital, n.º 1, de poente a nascente, e a municipal, de norte a sul. Confina com a vila. A paroquial não é grande, mas tem capacidade suficiente para os serviços religiosos e está bem reparada, sobretudo a capela-mor. Ao seu zeloso ex-pároco o Snr. dr. Manuel J. da Cunha Ribas se deve o bom estado interno em que ela, actualmente, se encontra. Ao mesmo solícito Pastor de almas se deve também, pela sua iniciativa, a construção do cemitério paroquial. Tem duas capelas públicas: a da ''Piedade'', junto do adro da matriz, e a da ''Lapa'', no sítio deste nome, que é verdadeiramente aprazível. Quando se construiu o cemitério, apareceu muita telha de rebordo, conhecida por - ''tijolo romano''. É tradição que no sítio de «''Val de Donas''» houve um convento de freiras; e o autor do «Minho Pitoresco»<ref>Obra cit., vol. I, pág. 132.</ref> diz que aquela designação assim o parece indicar. A Igreja paroquial foi reconstruida no ano de 1743<ref></ref>. Tem esta freguesia um lugar, bastante afastado, chamado - ''Amieira''. Havia aqui uma capela, sob a invocação de Nossa Senhora das Neves, à qual foi permitido ter confessionário, por Provisão do arcebispo D. José, em 1745. {{c|---}} O Rei era padroeiro desta igreja, e de 16 partes recebia uma. Segundo as citadas «''Inquirições''», o casal de Real pagava ao Rei, de «''fossadeira''», 18 dinheiros, e os moradores da paróquia iam à «''anuduva''», à «''entruviscada''», pagavam ''lutuosa'' e davam de comer ao Mordomo uma vez por mês. {{rule}}<noinclude></noinclude> 0xqml1ygbpiuir6bysxhmh7e0ufzl2i 554490 554489 2026-06-19T14:23:06Z Ruiaraujo1972 38032 554490 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Está situada na vertente meridional da serra da Boulhosa, na direcção da Chã das Pipas. É pobre, pouco populosa e uma das mais agrestes. É paroquiada pelo reverendo Joaquim Miranda, do concelho de Barcelos. Os moradores desta paróquia iam à «''anuduva''» e davam de comer ao «''Casteleiro''» seis vezes por mês, segundo se lê nas «''Inquirições''» de D. Afonso III. {{c|---}} {{c|'''RESENDE'''<ref>Nas «''Inquirições''» de D. Afonso III chama-se-lhe - «Reisindi».</ref>}} {{c|'''<small>Orago S. Salvador. População: 370 habitantes, sendo 161 do sexo masculino e 209 do feminino</small>'''}} Foi vigararia anexa à freguesia de Cunha. É pequena, pobre e pouco populosa. Produz cereais. e tem montados férteis. Não é abundante de águas, mas diz-se que, explorados devidamente os seus mananciais, podia obviar-se a esta falta. É saudável e bem arejada do norte, e está regularmente abastecida de lenhas. Pode dizer-se que não produz vinho. Duas estradas a cortam em diferentes direcções: a distrital, n.º 1, de poente a nascente, e a municipal, de norte a sul. Confina com a vila. A paroquial não é grande, mas tem capacidade suficiente para os serviços religiosos e está bem reparada, sobretudo a capela-mor. Ao seu zeloso ex-pároco o Snr. dr. Manuel J. da Cunha Ribas se deve o bom estado interno em que ela, actualmente, se encontra. Ao mesmo solícito Pastor de almas se deve também, pela sua iniciativa, a construção do cemitério paroquial. Tem duas capelas públicas: a da ''Piedade'', junto do adro da matriz, e a da ''Lapa'', no sítio deste nome, que é verdadeiramente aprazível. Quando se construiu o cemitério, apareceu muita telha de rebordo, conhecida por - ''tijolo romano''. É tradição que no sítio de «''Val de Donas''» houve um convento de freiras; e o autor do «Minho Pitoresco»<ref>Obra cit., vol. I, pág. 132.</ref> diz que aquela designação assim o parece indicar. A Igreja paroquial foi reconstruida no ano de 1743<ref>Livro das «Visitações», no arquivo paroquial.</ref>. Tem esta freguesia um lugar, bastante afastado, chamado - ''Amieira''. Havia aqui uma capela, sob a invocação de Nossa Senhora das Neves, à qual foi permitido ter confessionário, por Provisão do arcebispo D. José, em 1745. {{c|---}} O Rei era padroeiro desta igreja, e de 16 partes recebia uma. Segundo as citadas «''Inquirições''», o casal de Real pagava ao Rei, de «''fossadeira''», 18 dinheiros, e os moradores da paróquia iam à «''anuduva''», à «''entruviscada''», pagavam ''lutuosa'' e davam de comer ao Mordomo uma vez por mês. {{rule}}<noinclude></noinclude> 3xqrqay34q9gz864a99wro0d8tc64gr Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/273 106 254319 554491 2026-06-19T14:34:08Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{c|'''ROMARIGAES'''}} {{c|'''<small>Orago S. Tiago. População: 495 habitantes, sendo 216 do sexo masculino e 279 do feminino</small>'''}} Antigamente chamava-se - «''Romariganes''», patronímico de - «''Romarigus''» ou «''Romariz''», nomes godos: vale o mesmo que dizer - descendente de Romarigo ou Romariguez. Segundo se depreende do «Códice da Divisão dos Condados de Entre-Douro e Minho» (é de 1026)<ref>Há quem diga que este Códice... 554491 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>{{c|'''ROMARIGAES'''}} {{c|'''<small>Orago S. Tiago. População: 495 habitantes, sendo 216 do sexo masculino e 279 do feminino</small>'''}} Antigamente chamava-se - «''Romariganes''», patronímico de - «''Romarigus''» ou «''Romariz''», nomes godos: vale o mesmo que dizer - descendente de Romarigo ou Romariguez. Segundo se depreende do «Códice da Divisão dos Condados de Entre-Douro e Minho» (é de 1026)<ref>Há quem diga que este Códice é apócrifo.</ref>, ''Romariganes'' era uma cidade, aqui fundada depois da ruina da antiga cidade da ''Labruja'', que já não existia. A tradução do texto daquele Códice, na parte respeitante a Romarigães, é: «O 1º condado principia no sítio de ''Cabeça de Minho'', onde o rio deste nome entra no mar e o rio Froilano (rio Coura) entra no rio Minho. Dali, pela costa do mar vai correndo até à foz e Cabeça do rio Lima e dali, pelo rio a cima até Britinia, onde antes foi Britonia. Depois até Pena-Maior, sobre a antiga ''cidade da Labruja'', que agora se chama - ''Romariganes''»... Efectivamente esta freguesia fica muito perto da Labruja, confinando com ela pelos seus montes; e por isso não seria para admirar que, arruinada ou abandonada a antiga cidade da Labruja, os seus moradores fossem procurar o vale de Romarigães, para aí se estabelecerem, edificando nova cidade. É verdade que o Códice não diz que Romarigães seja uma cidade nova, mas que a da Labruja mudou de nome. Não obstante, como, topograficamente, as situações são diferentes, devemos supor que não se deu somente uma mudança nominal, mas local, embora (o que é provável) fossem os moradores da cidade da Labruja que fundassem a de ''Romariganes''. Em Romarigães ergue-se um pequeno monte, chamado «''Cividade do Curral das Egoas''» ou somente «''Curral das Egoas''», onde se encontram manifestos vestígios e importantes restos de fortificação, como trincheiras, para-peitos, etc., a que já as «''Memorias Parochiaes''», de 1758, se referem nestes termos: «Nam é murada (a cidade), nem praça de armas, nam tem torres antigas, só ha nos limites d'ella vestigios de um antigo Castello de terra em monte chamado Cidade do Curral degoas, que fica para a parte do Norte, e todo está coberto de tôjo». O autor do ''Minho Pitoresco'' inclina-se a que fosse aqui a cidade de ''Cauca'', sendo a principal razão confinar esta freguesia com a de ''Coura'', que alguns querem que seja derivação de ''Cauca''. Esta opinião não se me afigura aceitável, porque, como em outro lugar mostrei, aquela derivação não tem fundamento. Foi vigairaria do abade de S. Paio de Agualonga e do arcediago da Labruja. O solo é um tanto frio. Produz cereais e tem bons montados. A igreja, como todas as do concelho, é duma só nave e não tem torre. O sino pende de uns paus ou vigas, espetados no adro. É situada nesta freguesia a casa e quinta do Amparo, que pertenceu a D. António Telmo de Meneses Montenegro, a qual, por título de arrematação judicial, passou para o falecido Par do Reino o Conselheiro Miguel Dantas e {{rule}}<noinclude></noinclude> 1y075eu5000fvfclnajbwid92j29azl Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/274 106 254320 554492 2026-06-19T14:41:30Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: hoje pertence a seu genro o snr. Conselheiro dr. Bernardino Machado. O pároco é o Reverendo José Bernardino de Sousa, daqui natural. {{c|---}} Pelo ''Foral'', pagava 128 alqueires de pão meado cada ano, 8 galinhas e 383 reais em dinheiro, excepto os casais de ''Moldes'', e da ''Igreja'', «desde a encruzilhada para cima», que não pagavam nada. {{c|---}} No último «''Tombo''» (1783), comum a esta freguesia e à de S. Paio, tratando-s... 554492 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>hoje pertence a seu genro o snr. Conselheiro dr. Bernardino Machado. O pároco é o Reverendo José Bernardino de Sousa, daqui natural. {{c|---}} Pelo ''Foral'', pagava 128 alqueires de pão meado cada ano, 8 galinhas e 383 reais em dinheiro, excepto os casais de ''Moldes'', e da ''Igreja'', «desde a encruzilhada para cima», que não pagavam nada. {{c|---}} No último «''Tombo''» (1783), comum a esta freguesia e à de S. Paio, tratando-se dos limites de Romarigães, referem-se sítios que cumpre relembrar, por terem conservado a sua antiquíssima denominação, como: ''Cidade Murada, Camboa, Cividade ou Curral das Egoas, Castelo de S. João, e Portela da Camboa''. {{c|---}} A capela do Amparo (Nossa Senhora) e a vínculo foram instituidos pelo Licenciado Gonçalo da Cunha em 27 de Janeiro, de 1618. {{c|---}} A capela de S. Roque serviu de paroquial durante o tempo da construção da actual matriz, que data do começo do século XIX (1801-1802). {{c|---}} Os termos em que os «''Visitadores''» do último quartel do século XVIII se referem à antiga paroquial, mostram que, além da ruína em que se encontrava, nem sequer tinha configuração de templo cristão. «A igreja, disse um deles, está fora de formalidade pela sua exterior disposição». Outro: «a igreja chegou ao último termo da sua ruína, por se achar, depois que a derrubaram, em parte reduzida a um alpendre aberto, cheio de madeiras podres e velhas»; «é escura, baixa e muito pequena», disse ainda outro. Na «''visitação''» de 1795 foi nomeada uma Comissão, composta de Fernando Luís Dantas Mendonça e Azevedo (senhor da quinta do Amparo), João da Rocha e João da Cunha, o primeiro «''inspector''» e os segundos «''ajudantes''», para levar a efeito a construção da nova igreja. O encargo de reparar e «venerar» a capela-mor pertencia, cumulativamente, ao Pároco de S. Paio e à Patriarcal de Lisboa. {{c|---}} A capela de Nossa Senhora das Dores, ou do Pisco, foi começada em 1790, mas o «''Visitador''» suspendeu então as obras, para o povo tratar da construção da igreja paroquial. {{c|---}} Na «''visitação''» de 1795 fala-se de uma capela que andava a construir-se na «''Portela da Camboa''».<noinclude></noinclude> 1cy26nxdydpm1a25h1nhlkxz1o9r400 Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/146 106 254321 554493 2026-06-19T14:42:06Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 554493 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>o cambito saqueado. Não posso andar, nem montar, com esta perna vasia... Narizinho não se conteve e riu-se, riu-se até não poder mais. — Eʼ isso ! exclamou Emilia, chorosa. Eu salvo a todos da morte, á custa da minha pobre perna, e em paga riem-se de mim !... — Perdôa, Emilia. Reconheço que nos salvaste, mas si soubesses como estás comica com esse pernilzinho vasio... O melhor é vires commigo, á garupa, agarradinha. Dá cá a mão ! Upa ! Com muita difficuldade Emilia conseguiu encara pitar-se. — Agora, agarra-te bem, que vou galopar, recommendou a menina. — Sossega, respondeu Emilia, que dʼaqui nem torquez me arranca ! Narizinho deu de esporas e o pangaré rompeu no galope, erguendo nuvens de poeira — ''pa-lá-lá ! pá-lá-lá !'' De repente: — E o Marquez ? perguntou Emilia, olhando para trás. Narizinho soffreou o cavallo e disse: — Eʼ verdade!... Aquelle poltrão com-<noinclude>{{c|☉{{gap}}142{{gap}}☉}}</noinclude> puynjiax5mm1u0cvbg690pjlcrv7d5z Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/147 106 254322 554494 2026-06-19T14:44:11Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 554494 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>portou-se de tal maneira que a coisa não póde ficar assim. Hei de vingar-me. E é já, queres ver ? Virou-se para o mato e gritou: — Mix, Mix, Mix ! Immediatamente Tom-Mix surgiu á frente della. — Aʼs vossas ordens, gentil princeza ! — Amigo Tom, disse ella, fui covardemente trahida pelo senhor Marquez de Rabicó, um poltrão que ao ver-nos em perigo só cuidou de si e abriu nos quatro pés. Quero vingar-me delle e já ! {{Imagem float-p |file=Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 147 crop).jpg |align=left |width=200px |padt=2em }} — Sereis vingada, princeza ! disse Tom, estendendo a mão. Mas de que fórma quereis ser vingada ? Narizinho pensou e disse: — Quero, hoje, ao jantar, comer com farinha um torresmo do Marquez... {{nop}}<noinclude>{{c|☉{{gap}}143{{gap}}☉}}</noinclude> 2nbmlilshxtsgdtmcwxdzusytzg12w6 Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/148 106 254323 554495 2026-06-19T14:46:56Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 554495 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude><section begin="Cap. 2"/>— Assim será, disse Tom, saudando-a e desapparecendo. — Coitado ! exclamou Emilia. — Coitado, nada ! Rabicó anda precisadissimo duma esfrega. E dou-lhe uma agora que nunca mais elle cae nʼoutra. — Pudéra ! Reduzido a torresmo... {{dhr|3}} <section end="Cap. 2"/> <section begin="Cap. 3"/>{{t2|TOM-MIX}} {{dhr|3}} Tom-Mix, assim que deixou a menina, voltou ao lugar do assalto, a fim de orientar-se. E descobriu logo na poeira os rastos do Marquez. Seguindo por elles caminhou até entrar no mato. Ahi se guiou pelos capinzinhos amassados e mais signaes que o Marquez na carreira fôra deixando. E andou, andou, andou até que, de repente, ouviu um barulhinho. — Eʼ elle ! disse comsigo Tom, agachando-se; e pé ante pé, sem fazer o menor barulho, approximou-se do lugar onde ouvira bulha. Espiou. Lá estava o Marquez — ''ron, ron, ron'' — com a cabeça mettida den-<section end="Cap. 3"/><noinclude>{{c|☉{{gap}}144{{gap}}☉}}</noinclude> 9f9hm7pnup4db1jm5gj78ds9bynn265 Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Terceira parte/II 0 254324 554496 2026-06-19T14:48:26Z Erick Soares3 19404 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf" from=142 to=148 fromsection="Cap. 2" tosection="Cap. 2" header=1/> {{PD-old-70-BR}} {{Modernização}} 554496 wikitext text/x-wiki <pages index="Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf" from=142 to=148 fromsection="Cap. 2" tosection="Cap. 2" header=1/> {{PD-old-70-BR}} {{Modernização}} buxww0bsxv4t97mie5om6qn4xug3l1p Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/275 106 254325 554497 2026-06-19T14:51:07Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Esta freguesia confina pelo sul com as da Labruja e Cabração (Ponte do Lima). {{c|---}} O penedo do «''Curral d'Egoas''» ou da «''Cidade''» é o ponto limite de quatro freguesias: S. Paio, S. Martinho de Coura, Rubiães e Romarigães. {{c|---}} A sudoeste da Portela Pequena está um morro, já na serra do Formigoso, limites desta freguesia, a que se dá o nome de «''Cidade Murada''», onde se encontram vestígios dum muro muito extenso. Ao... 554497 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Esta freguesia confina pelo sul com as da Labruja e Cabração (Ponte do Lima). {{c|---}} O penedo do «''Curral d'Egoas''» ou da «''Cidade''» é o ponto limite de quatro freguesias: S. Paio, S. Martinho de Coura, Rubiães e Romarigães. {{c|---}} A sudoeste da Portela Pequena está um morro, já na serra do Formigoso, limites desta freguesia, a que se dá o nome de «''Cidade Murada''», onde se encontram vestígios dum muro muito extenso. Ao sul deste morro estende-se uma pequena planíce. {{c|'''RUBIÂES (OU RUBIÂENS E RUVIÂES)'''}} {{c|'''<small>Orago S. Pedro. Pomalacão: 1011 habitantes, sendo 468 do sexo masculino e 543 do feminino</small>'''}} É antiguíssima. Nas «''Inquirições''», tantas vezes citadas, chamava-se - «Collatio Sancti Petri de «''Ruivalibus''»; e em documentos do século XV dá-se-lhe o nome de - ''Ruy-Vaaz''<ref>Ainda hoje há nesta freguesia muitos indivíduos com o apelido de - Vaz.</ref>. Cumpre, porém, acentuar que nas ditas ''Inquirições'' também se encontram as palavras - ''Ruviaes'' e ''Ruvyaes''; não podendo concluir-se se são tomadas no sentido de ''paróquia'', se de ''lugar'', afigurando-se-me, contudo, ser nesta última acepção, pois que, tratando-se no respectivo ponto das ''isenções'' de certos impostos, diz-se que «Martinho, que se fez herdador, foi morar em ''Ruviaes'', e Pedro Nunes, herdador, foi morar em ''Ruviaes''». Ora, se eles pertenciam à «''Colação''» de ''Rubiaes'', -- imagem -- Igreja de Rubiães seria desnecessário dizer que foram morar nesta freguesia; mas, dizendo-se, é porque, naturalmente, mudaram do lugar em que habitavam para outro, que tinha o nome de - ''Rubiães''. Noutro ponto, em que se trata dos impostos, ''comuns'' a esta freguesia, à de Romarigães, Coura e Agualonga, as ditas ''Inquirições'' empregam a palavra - «''Ruvyaes''» — como aqui se escreve. Em qualquer dos casos é fácil de ver que a actual denominação é uma modificação morfológica, apenas, de - Ruvyaes ou Ruy-Vaz. A freguesia tem grande área e é muito populosa. Ainda existem nela monumentos, que revelam, à {{rule}}<noinclude></noinclude> sqgz3yyrsimwl6twwawg7fwslf9yfp8 Página:Da Terra á Lua.pdf/180 106 254326 554498 2026-06-19T14:54:19Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: pouco densa, muito subtil, mas na actualidade a sciencia admitte geralmente a existencia dʼella. — Não nas montanhas, em que vos peze, replicou o desconhecido, que não queria dar o braço a torcer. Não, mas no fundo dos valles, e sem que a sua altura passe de alguns centos de pés. — Em todo o caso, não será mau que tomeis todas as precauções, porque esse ar ha de estar terrivelmente rarefeito. — Oh! meu estimavel senhor, sempre ha de ha... 554498 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|181|borda_inferior=sim}}</noinclude>pouco densa, muito subtil, mas na actualidade a sciencia admitte geralmente a existencia dʼella. — Não nas montanhas, em que vos peze, replicou o desconhecido, que não queria dar o braço a torcer. Não, mas no fundo dos valles, e sem que a sua altura passe de alguns centos de pés. — Em todo o caso, não será mau que tomeis todas as precauções, porque esse ar ha de estar terrivelmente rarefeito. — Oh! meu estimavel senhor, sempre ha de haver que farte para um homem só; e demais, depois de lá estar em cima, eu tratarei de o economisar o melhor que podér; não respirarei senão nas grandes occasiões!» Retumbou uma estrepitosa gargalhada aos ouvidos do mysterioso interlocutor, que estendeu a vista por toda a assembléa, como que desafiando-a, altivo. «Consequentemente, proseguiu Miguel Ardan, visto como estamos de accordo ácerca da existencia de tal ou qual atmosphera, somos forçados a admittir tambem a presença de tal ou qual quantidade de agua. E é uma consequencia esta com que, pela minha parte, me alegro em extremo. Alem dʼisto permittirá o meu amavel contradictor que lhe submetta ainda mais outra observação. Nós só conhecemos uma das faces do disco da Lua, e se pouco ar póde haver na face que olha para nós, é possível que haja muito na face opposta. — E porque rasão? — Porque a Lua, em virtude da attracção terrestre é que tomou a fórma de um ovo, que nós vemos pelo lado da ponta mais achatada; e dʼahi vem a consequencia obtida pelos calculos de Houven, que o centro de gravidade da Lua está situado no outro hemispherio. E dʼahi tambem por conclusão, que todas as massas aereas e aquosas devem ter sido arrastados para a outra face do nosso satellite nos primeiros tempos da sua creação. {{nop}}<noinclude></noinclude> 000hevr8aghl1a5i8ijucx0ro2o6u0d Página:Da Terra á Lua.pdf/181 106 254327 554499 2026-06-19T14:55:36Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: — Puras phantasias! exclamou o desconhecido. — Isso não! mas sim puras theorias, aliás fundadas nas leis da mechanica, e que me parecem de difficil refutação. Appello portanto para o juizo da assembléa, e ponho á votação a questão de saber se a vida, tal como existe na Terra, é ou não possivel na superficie da Lua?» Trezentos mil auditores applaudiram simultaneamente a proposição. O adversario de Miguel Ardan ainda quiz fallar, mas nem p... 554499 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|182|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>— Puras phantasias! exclamou o desconhecido. — Isso não! mas sim puras theorias, aliás fundadas nas leis da mechanica, e que me parecem de difficil refutação. Appello portanto para o juizo da assembléa, e ponho á votação a questão de saber se a vida, tal como existe na Terra, é ou não possivel na superficie da Lua?» Trezentos mil auditores applaudiram simultaneamente a proposição. O adversario de Miguel Ardan ainda quiz fallar, mas nem podia fazer-se ouvir. Caíu-lhe em cima como uma saraivada de gritos e ameaças. «Basta! Basta! diziam uns. — Fóra o intruso! repetiam outros. — Fóra! Fóra! clamava a multidão irritada. O desconhecido porém, firme, agarrado e bem seguro ao estrado, não arredou pé e deixou passar a tormenta, que teria assumido proporções formidaveis se Miguel Ardan não a tivera apaziguado com um gesto. Ardan era muito cavalheiro para abandonar um adversario em taes extremos. «Desejaes acrescentar mais algumas palavras? perguntou Ardan com a mais graciosa intonação. — Um cento! ou um milheiro! respondeu iracundo o desconhecido. Ou, para melhor dizer, não, basta só uma! Se perseveraes na empreza, é porque sois... — Imprudente! E com que fundamento me trataes vós por similhante fórma, a mim, que até pedi ao meu amigo Barbicane que a bala fosse cylindro-conica, só para não andar á roda no caminho como qualquer esquilo? — Mas, desgraçado, logo á partida ha de fazer-vos em estilhas a horrorosa repercussão do tiro! — Meu caro contradictor, agora sim, agora é que pozestes o dedo na chaga, na verdadeira e unica difficuldade; entretanto o conceito que formo do engenho industrial dos americanos é muito<noinclude></noinclude> 02ue2ruqut7pbrqfcizzzd3u06wpvv1 Página:Da Terra á Lua.pdf/182 106 254328 554500 2026-06-19T14:56:42Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: [183] elevado para que me permitta acreditar que não hão de conseguir resolve-la. — E o calor desenvolvido pela velocidade do projectil ao atravessar as camadas da atmosphera? — Oh! as paredes do projectil são espessas, e depois tanto é o tempo que eu hei de levar a atravessar a atmosphera!? — Mas viveres e agua? — Já calculei que podia levar commigo provisões para um anno, e a viagem dura só quatro dias! — E ar para respirar no camin... 554500 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|183|borda_inferior=sim}}</noinclude>[183] elevado para que me permitta acreditar que não hão de conseguir resolve-la. — E o calor desenvolvido pela velocidade do projectil ao atravessar as camadas da atmosphera? — Oh! as paredes do projectil são espessas, e depois tanto é o tempo que eu hei de levar a atravessar a atmosphera!? — Mas viveres e agua? — Já calculei que podia levar commigo provisões para um anno, e a viagem dura só quatro dias! — E ar para respirar no caminho? — Hei de fabrica-lo por processos chimicos. — Mas a quéda na Lua, dado mesmo que consigaes lá chegar? — Ha de ser seis vezes menos rapida do que o seria na superficie da Terra, visto como a gravidade é seis vezes menor na superficie da Lua. — Ainda assim ha de ser mais do que sufficiente para vos fazer em pedaços como a um bocado de vidro! — E quem é que me ha de impedir de retardar a queda por meio de foguetes convenientemente dispostos e inflammados em occasião opportuna. — Mas, emfim, demos que estão resolvidas todas as difficuldades, aplanados todos os obstaculos, e que se juntam ainda a vosso favor todas as probabilidades, admittamos que chegaes á Lua são e salvo, como é que haveis de voltar? — Não volto!» Ao ouvir tal resposta sublime em sua mesma simplicidade, a assembléa ficou muda. Mas aquelle silencio era mais eloquente do que quaesquer clamores de enthusiasmo. Dʼelle se aproveitou o desconhecido para lavrar o seu ultimo protesto. — É um suicidio infallivel, exclamou, e a vossa morte, que será apenas a morte de um insensato, nem ao menos servirá de proveito á sciencia! {{nop}}<noinclude></noinclude> ti1u58dzqic9qhsvt2vebw728k58b46 Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/276 106 254329 554501 2026-06-19T15:01:51Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: evidência, a sua longevidade, como são os ''marcos miliários'', a ''ponte romana'', a ''igreja paroquial'' e até a ''toponimia''. {{c|---}} A ''igreja'' é duma só nave, mas espaçosa, e merece registo. A tradição local diz ser obra dos «''Mouros''», mas tudo leva a crer que seja ''românica''. Está junto da estrada real n.º 30, que lhe cortou uma pequena parte do adro, orientada a poente. Tem sofrido algumas alterações, mas a capela... 554501 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>evidência, a sua longevidade, como são os ''marcos miliários'', a ''ponte romana'', a ''igreja paroquial'' e até a ''toponimia''. {{c|---}} A ''igreja'' é duma só nave, mas espaçosa, e merece registo. A tradição local diz ser obra dos «''Mouros''», mas tudo leva a crer que seja ''românica''. Está junto da estrada real n.º 30, que lhe cortou uma pequena parte do adro, orientada a poente. Tem sofrido algumas alterações, mas a capela-mor e o pórtico são da primitiva traça, assim como as paredes laterais do corpo principal. A frontaria, excepto o pórtico, e a torre é que são de data mais recente. Tem a forma de cruz latina; mas o estilo arquitectónico da haste menor da cruz, assim como a ornamentação da cimalha, é um pouco diferente da haste maior. É toda de silharia de granito, menos talvez a frontaria, que, por ter grossa camada de cal, não pude verificar. O pórtico é formado por três arcos concêntricos, arregaçando do interior para o exterior, ligados entre si, e apoiados, respectivamente, em seis colunatas, três de cada lado, cujos capiteis apresentam uns ornatos exquisitos, como vamos ver. Disse que de cada lado estão três colunatas, mas só as do centro é que tem aqueles labores, os quais formam uma espécie de chapéu, colocado sobre o fuste, que é uma figura humana, com vestes compridas e soltas a toda a altura do corpo. O capitel, do lado esquerdo, representa dois animais de que as linhas lombares formam ângulo obtuso, e cujo vértice é ''uma só cabeça'', pertencente àqueles. O da direita também representa dois animais, semelhantes a leões, lutando, estando um em atitude de vencer o outro, e lançando-lhe o braço sobre o dorso, que está em posição mais baixa, como dominado pelo adversário. Será uma alegoria do ''bem'' e do ''mal''? No pórtico parece ter sido enxertada a porta que lá está, justa-posta ao arco menor, na verga da qual se lê, -- imagem -- Fresta com vitrais em caracteres romanos, a era de M.C.C.V.C. (1295). A cimalha da capela-mor está apoiada em cachorros de granito, que representam diferentes figuras, muito esquisitas, algumas de animais; e tanto esta como a do pórtico tem o mesmo labor, em baixo relevo. O arco cruzeiro é de volta abatida. A ignorância, porém, deformou-o, ajustando-lhe outro, de madeira, de volta completa, que só serve para desfigurar a beleza do primitivo. Externamente, sobre o mesmo arco, vê-se a cima do telhado uma cruz, semelhante à dos Templários, vasada numa só pedra. O corpo principal tem duas portas laterais, de que<noinclude></noinclude> 2spgw691ivv8nshytupxx3cqy35zc0t Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/277 106 254330 554502 2026-06-19T15:11:15Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: damos o croquis, que estão fechadas a pedra e cal. Internamente, correm, encostados às paredes do corpo principal, dois balcões de pedra, como que substituindo roda-pés, com a altura de 0,50 centímetros a cima do pavimento e com igual largura. Parece terem servido de assentos. Por cima deles, à altura da cabeça de quem aí estivesse assentado, descobrem-se umas aberturas, quadradas, na parede sul, actualmente fechadas, dando a ideia de... 554502 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>damos o croquis, que estão fechadas a pedra e cal. Internamente, correm, encostados às paredes do corpo principal, dois balcões de pedra, como que substituindo roda-pés, com a altura de 0,50 centímetros a cima do pavimento e com igual largura. Parece terem servido de assentos. Por cima deles, à altura da cabeça de quem aí estivesse assentado, descobrem-se umas aberturas, quadradas, na parede sul, actualmente fechadas, dando a ideia de pequenos postigos para entrar luz, cujas dimensões são 0<sup>m</sup>,25x0,25 centímetros. -- imagem -- Porta lateral do corpo principal. É da primitiva A porta lateral do corpo central, isto é, daquele que forma a haste menor da cruz latina, é em arco de volta completa, diverso dos das outras. A cornija e cachorrada deste corpo divergem das restantes. A sua fresta também é diferente das do corpo principal do templo, nas dimensões e no estilo. Tem vitrais antigos, em cores, formando uma cruz. Junto da parede norte. corre, externamente, uma escala de pedra, que dá serviço para a torre e para o coro. É de dois lanços com um patamar. O cunhal deste começava por uma pedra, forma de coluna quadrangular, rente ao solo, onde descobri uma inscrição que foi lida e recolhida pelo Snr. dr. J. Leite de Vasconcelos no mês de Setembro, de 1905. -- imagem -- Lado sul da Igreja de Rubiães A junta de paróquia cedeu esta pedra para o Museu Etnológico, de Lisboa, a meu pedido. A inscrição, conforme a leitura daquele sábio, é esta: {{c|D M}} {{c|CORVN MEDAM ...ENTIEN F}} {{c|HS. CAM VS CORV F}} {{c|PIVS PA SVO FC}}<noinclude></noinclude> doqbsfuv5lft08e55773sa8r6knidqd 554503 554502 2026-06-19T15:12:26Z Ruiaraujo1972 38032 554503 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>damos o ''croquis'', que estão fechadas a pedra e cal. Internamente, correm, encostados às paredes do corpo principal, dois balcões de pedra, como que substituindo roda-pés, com a altura de 0,50 centímetros a cima do pavimento e com igual largura. Parece terem servido de assentos. Por cima deles, à altura da cabeça de quem aí estivesse assentado, descobrem-se umas aberturas, quadradas, na parede sul, actualmente fechadas, dando a ideia de pequenos postigos para entrar luz, cujas dimensões são 0<sup>m</sup>,25x0,25 centímetros. -- imagem -- Porta lateral do corpo principal. É da primitiva A porta lateral do corpo central, isto é, daquele que forma a haste menor da cruz latina, é em arco de volta completa, diverso dos das outras. A cornija e cachorrada deste corpo divergem das restantes. A sua fresta também é diferente das do corpo principal do templo, nas dimensões e no estilo. Tem vitrais antigos, em cores, formando uma cruz. Junto da parede norte. corre, externamente, uma escala de pedra, que dá serviço para a torre e para o coro. É de dois lanços com um patamar. O cunhal deste começava por uma pedra, forma de coluna quadrangular, rente ao solo, onde descobri uma inscrição que foi lida e recolhida pelo Snr. dr. J. Leite de Vasconcelos no mês de Setembro, de 1905. -- imagem -- Lado sul da Igreja de Rubiães A junta de paróquia cedeu esta pedra para o Museu Etnológico, de Lisboa, a meu pedido. A inscrição, conforme a leitura daquele sábio, é esta: {{c|D M}} {{c|CORVN MEDAM ...ENTIEN F}} {{c|HS. CAM VS CORV F}} {{c|PIVS PA SVO FC}}<noinclude></noinclude> 7a6th9tm9erj47x4h5wc77f4eml179w Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/278 106 254331 554504 2026-06-19T15:35:01Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Leitura: {{c|D (iis) M (anibus)}} {{c|Corun (us) Medam (us) ...entien (i) f(ilius) h (ic) s (itus).}} {{c|Cam (al) us Coru (nu) s f(ilius) pius pa (tri) suo f (aciendum) c (uravit).}} Este templo também foi visitado, no mesmo mês e ano, pelo Snr. dr. Luís Figueiredo da Guerra, ilustrado arqueólogo vianense. {{c|---}} Há poucos anos, depois da construção da estrada real em frente da igreja, foi -- imagem -- Fresta primitiva... 554504 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Leitura: {{c|D (iis) M (anibus)}} {{c|Corun (us) Medam (us) ...entien (i) f(ilius) h (ic) s (itus).}} {{c|Cam (al) us Coru (nu) s f(ilius) pius pa (tri) suo f (aciendum) c (uravit).}} Este templo também foi visitado, no mesmo mês e ano, pelo Snr. dr. Luís Figueiredo da Guerra, ilustrado arqueólogo vianense. {{c|---}} Há poucos anos, depois da construção da estrada real em frente da igreja, foi -- imagem -- Fresta primitiva preciso dar um rebaixe no adro para o regularizar, e apareceu um ''necrotério'', com duas camadas de sepulturas sobrepostas<ref>Sabendo-se que até meado do século XIV é que se fizeram os enterramentos nos adros, deve concluir-se que a ''primeira camada'' de sepulturas vinha, muito plausivelmente, do século XIII.</ref>. Servindo de sarcófago, encontrou-se um ''marco miliário''. (''cf. cap. IV''). Valia a pena proceder aqui a uma exploração. É tradição que no antiquíssimo lugar de ''Antas'' houve uma vila. E certo é que ainda existe nesta povoação um caminho, por entre casas, chamado - a ''rua''. Tem aqui assento o solar e Paço da nobre família dos - ''Antas'', cujos ramos foram entroncar em outras, também distintas, como a dos Pereiras da Cunha, de Mantelães, de Lizouros, de Boi-a-monte, etc., de que aquela foi a ''casa-mãe''. Conta-se que Estêvão Vasques d'Antas, tendo briga, em 1243, (de J. C.) com os criados de Santa Mafalda, nossa princesa, vieram às mãos; e, como as rixas não acabassem, interveio esta raínha, assistindo ao acto, como medianeiro das pazes, em 29 de Junho, daquele ano, D. Rodrigo Gil, Prior do Hospital de Malta, segundo tudo consta dum documento, extraído autenticamente do convento de Arouca, por Bartolomeu d'Antas, 3.º morgado. Ainda existe, posto que muito deteriorado, o antigo Paço desta família, que faz parte do seu vínculo, hoje possuído pelo Snr. Pedro d'Antas Bacelar e Barbosa, que lhe foi legado por seu tio o dr. António d'Antas Bacelar e Barbosa. O solar e Paço dos ''Montenegros'', ramo daquela família, é paredes-meias com o anterior, sob o mesmo telhado, mas tem aspecto manifestamente mais novo. Cada uma destas casas tem portão de entrada com brasão de armas, que encima aquele, mas o do primeiro caiu, há bastantes anos, jazendo, arrumadas a um lado da entrada, as pedras que o compõe. Há quem tenha confundido os dois solares, supondo ser até mais antigo o dos Montenegros. É erro. Ulteriores ligações de sangue é que deram origem ao último. {{rule}}<noinclude></noinclude> de8936isfji5ui8de7wyvw728ugl04j Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/279 106 254332 554505 2026-06-19T15:44:59Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Os da casa de Antas eram senhores da ''Honra'' de Fraião<ref>«''Honra''» era o senhorio dado pelo rei em recompensa de grandes serviços, ou actos de assinalada coragem. Compunha-se de um número indeterminado de aldeias e casais, ou duma, ou muitas freguesias. «''Portugal Antigo e Moderno''», vol. III, pág. 376.</ref>. {{c|---}} A capela de S. Bartolomeu de Antas, está situada neste lugar e foi fundada em 1592 por Lopo d'Antas, o ''Ro... 554505 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Os da casa de Antas eram senhores da ''Honra'' de Fraião<ref>«''Honra''» era o senhorio dado pelo rei em recompensa de grandes serviços, ou actos de assinalada coragem. Compunha-se de um número indeterminado de aldeias e casais, ou duma, ou muitas freguesias. «''Portugal Antigo e Moderno''», vol. III, pág. 376.</ref>. {{c|---}} A capela de S. Bartolomeu de Antas, está situada neste lugar e foi fundada em 1592 por Lopo d'Antas, o ''Romano'', na qual criou três capelanias com o encargo de haver aí missa todos os dias da semana, dotando-a convemientemente. No alpendre, encostado à porta principal, estão ''dois carneiros'', de granito, (e não três, como afirma Pinho Leal), onde se diz que repousam as ossadas do seu fundador, pai e irmãos. Consegui fazer desviar a tampa dum deles no dia 26 de Abril, de 1905 e verifiquei que continha crâneos, tibias enormes - ''femurs'', em proporção, etc., e... muita teia de aranha! Os ''carneiros'' são muito compridos e assim era preciso para receberem, inteiros, os cadáveres a que pertenceram aquelas ossaduras. Nesta capela, ou melhor, na sua capela-mor estão três sepulturas, brazonadas, pertencentes, respectivamente, aos snrs. Montenegros, Pedro d'Antas Bacelar e Barbosa, e Visconde da Carreira. A 1.ª é à entrada da porta travessa, pelo norte; a 2.ª está no centro; e a 3.ª junto da parede sul. Além destas, há mais duas por entre aquelas, sem brasão. A dita capela-mor pertence a estas très famílias eo corpo principal ao povo do lugar. {{c|---}} Já me referi, noutro passo, à ''ponte romana''. Acrescentarei agora, que está lançada sobre o rio Coura num ponto que fica a pequena distância cerca de 200 metros do lugar do ''Crasto'', onde talvez tenha existido, em tempos remotos, alguma fortificação para defesa da mesma ponte. Pelo menos o nome, configuração do terreno e quicá um ''marco miliário'', que lá existe, marcando 30 milhas de Braga, justificam aquela hipótese. {{c|---}} Esta freguesia produz cereais, vinho e frutas. É atravessada, de sul a norte, pela estrada real n.º 30, e de oeste a leste pela distrital n.º 1. Tem escola para o sexo masculino com casa própria, modelo oficial do snr. Adães Bermudes, que é regida pelo inteligente professor o snr. José Joaquim Ferreira Guerreiro. É banhada ao norte pelo rio Coura; e ao sul pelo ribeiro de Rieiro. {{c|---}} Nas já citadas «''Inquirições''» indicam-se ''casais'', cuja nomenclatura revela serem antiquíssimos, tais como: o de ''Gueda Gozendiz'', de ''Pelagio Froiaz'', de ''Suerio Pelaiz'', de ''Dona Ouverigo'', da ''Veyrana''. {{rule}}<noinclude></noinclude> nrx390osds20z26o3798z2nuhkn2mz0 Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/280 106 254333 554506 2026-06-19T15:52:27Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Estes e mais alguns casais pagavam ''fossadeira'' ao Rei e ''lutuosa'', iam à ''anuduva'' e «''entroviscada''», e davam de comer ao Mordomo seis vezes por mês. Rubiães, Romarigães, Agualonga e Coura pagavam ao Rei 30 moios de pão, 30 galinhas, 30 maravedis velhos, 2 soldos e 3 dinheiros. No Foral de D. Manuel faz-se alusão ao foro de oito alqueires, de pão meado, que esta freguesia pagava à de Agualonga, pela «servidão de água», que... 554506 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Estes e mais alguns casais pagavam ''fossadeira'' ao Rei e ''lutuosa'', iam à ''anuduva'' e «''entroviscada''», e davam de comer ao Mordomo seis vezes por mês. Rubiães, Romarigães, Agualonga e Coura pagavam ao Rei 30 moios de pão, 30 galinhas, 30 maravedis velhos, 2 soldos e 3 dinheiros. No Foral de D. Manuel faz-se alusão ao foro de oito alqueires, de pão meado, que esta freguesia pagava à de Agualonga, pela «servidão de água», que já era ''antiga''. Será daqui, desta água, que vinha daquela freguesia, e cujo percurso, pelo rego, é, realmente, muito extenso, que a paróquia de S. Paio tomou o nome de - ''Agualonga''? No tempo daquele monarca eram gravosos os tributos que pesavam sobre os moradores desta freguesia, dos quais eram exceptuados os do lugar do ''Rodízio''. Algumas propriedades particulares eram oneradas com foros, que se cobravam por acordo entre o senhorio e o enfiteuta; mas, quando não chegassem a tal acordo (''avença''), recorreriam ao «''Foral antigo da Torre do Tombo''». Que ''Foral'' seria este a que se refere, tão claramente, o de D. Manuel? Como já notei, eram pesados os tributos que esta freguesia pagava pelo Foral daquele monarca; a saber: 160 alqueires de pão meado, 366 reais e 10 galinhas. Além disso havia acertas terras foreiras», que pagavam 24 alqueires de pão meado ao Rei, mas estas eram isentas doutras contribuições. {{c|---}} {{c|'''VASCÕES'''}} {{c|'''<small>O seu orago é S. Pedro, e contudo é conhecida por-S. Martinho de Vascões. População: 324 habitantes, sendo 140 do sexo masculino e 184 do feminino</small>'''}} Nas «''Inquirições''», de D. Afonso III, chama-se-lhe - S. Martinho. É, pois, de crer que só mais tarde mudasse de padroeiro. É uma das freguesias com mais tradições de nobresa, pois está aqui o solar dos ''Caldas'', tão ramificados pela província do Minho. A sua denominação de ''Vascões'' diz-se que vem dos seus antigos povoadores -''Vasconsos'' ou ''Vascões'', soldados das Astúrias, que acompanharam D. Garcia Rodrigues de Caldas de Lima, quando veio prestar os seus serviços ao nosso rei D. Fernando<ref>Não é admissivel esta origem, porque envolve um erro histórico, pois no reinado de D. Afonso III - 1248-1279 - Já esta freguesia era conhecida por - S. Martinho de Vascões.</ref>. D. Garcia era filho de D. Álvaro Rodrigues de Caldas e neto de D. Fernando Alves de Caldas - ambos Ricos-Homens e senhores das vilas de Caldas de Rei, Caldelas, Pambre e Rozilhas, nas Asturias e reino de Leão. Veio para Portugal em 1369, quando governava este reino D. Fernando. Tendo sido assassinado o rei de Castela - D. Pedro - por seu irmão D. Henrique, uma grande parte da nobresa, desde que o fratricida se apoderou do trono, ficou mal avinda com ele, receava-o; e, por isso, veio oferecer os seus serviços ao monarca português, o qual, por ser bisneto de D. Sancho IV de Castela, era primo do rei assassinado, e, {{rule}}<noinclude></noinclude> ken4yuswphrinyglkkzuc79prkksxkj Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/281 106 254334 554507 2026-06-19T16:04:05Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: consequentemente, tinha pretensões àquela coroa, que aliás lhe foi oferecida. D. Fernando, vendo nos fidalgos espanhois valioso auxiliar para a realização dos seus projectos, estimou-os e beneficiou-os com mão larga, para os ter do seu lado. A maior parte deles por cá ficou, sendo progenitores de famílias muito nobres. Assim, Mem Rodrigues de Ceabra (Seabra) foi o tronco dos «Seabras»; Afonso Baeça, dos «Baeças»; Afonso Fernandes de... 554507 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>consequentemente, tinha pretensões àquela coroa, que aliás lhe foi oferecida. D. Fernando, vendo nos fidalgos espanhois valioso auxiliar para a realização dos seus projectos, estimou-os e beneficiou-os com mão larga, para os ter do seu lado. A maior parte deles por cá ficou, sendo progenitores de famílias muito nobres. Assim, Mem Rodrigues de Ceabra (Seabra) foi o tronco dos «Seabras»; Afonso Baeça, dos «Baeças»; Afonso Fernandes de Lacerda, dos «Lacerdas»; Pedro Vaz Tabuada, dos «Tabuadas», e outros muitos. Na mesma ocasião também veio com o dito D. Garcia Rodrigues de Caldas de Lima, progenitor dos Caldas, seu primo Fernão de Anes de Lima, pai do primeiro Visconde de Vila Nova de Cerveira. Muitos destes fidalgos já tinham os apelidos das terras dos seus senhorios, mas outros, como D. Garcia, que era Baeça, tomaram-o depois<ref>Consta de um instrumento, mandado tirar na cidade de Leão pelo dr. Gabriel Pereira de Castro, notável jurisconsulto português, bisneto de D. Garcia. O dr. Gabriel Pereira de Castro era filho do dr. Francisco de Caldas Pereira, e este, de João Gomes de Caldas, e este, de Gomes Rui de Caldas: - 3.º filho daquele D. Garcia. (Assim o li no «Resumo das Memórias genealógicas», pelo dr. Manuel da Cunha Andrade e Sousa. Inédito).</ref>. Teve moradia de Conde, de 4$600 reis e o senhorio de quási todo o concelho de Coura, que depois vendeu, por 800$000 reis, a seu primo Fernão Anes de Lima, já mencionado<ref>Mesmo inédito. Aí se diz que este preço constava do cartório da casa do Visconde de V. N. de Cerveira.</ref>. Dizem, porém, outros que D. Garcia, despeitado por àquele seu primo ser doada. pelo Rei, a terra dos Arcos de Valdevez, renunciou o senhorio de Coura, (que depois também foi doado ao mesmo Fernão Anes de Lima) por entender que era pequena recompensa para os seus serviços. Penso, porém, que é possível harmonizar as duas opiniões, pois D. Garcia podia ter vendido a seu primo a parte, que tinha no senhorio de Coura, e o Rei doar a este o resto, ficando consequentemente, a pertencer-lhe toda a terra de Coura<ref>Outro argumento é que os que sustentam, que D. Garcia recusou a doação da terra de Coura, despeitado por D. João I ter doado a Fernão Anes de Lima a terra dos Arcos, não atendem a que a doação, tanto duma como doutra terra, foi feita na ''mesma'' carta e não em duas. Donde se segue, que D. Garcia não podia despeitar-se por achar a sua doação inferior à de seu primo Fernão Anes de Lima, porque nenhuma tinha sido feita a este, separada, nem antes da de Coura. (''Cf. liv. dos registos na Cámara'').</ref>. Em todo o caso é fora de dúvida que D. Garcia ficou em Vascões, povoou a freguesia com a sua gente e constituiu nela o seu solar na casa da Chã do Souto, que edificou, tomando o nome de Paço, pelo qual é ainda hoje conhecida. Casou com D. Leonor de Sousa Magalhães, filha de Rui Gonçalves Magalhães e Sousa<ref>Dizem outros que era filha de Gil Rodrigues de Magalhães, senhor de Fontearcada.</ref>. Deste consórcio houve três filhos. 1.º - D. Isabel Rodrigues de Caldas. 2.º - Gomes Rui de Caldas. 3.º - Diogo de Caldas e Sousa. Diogo, 3.º filho, casou em Guimarães, com D. Isabel Rui de Faria, moraram no dito Paço da Chã do Souto, e tiveram também três filhos: 1.° - Henrique de Caldas e Sousa. {{rule}}<noinclude></noinclude> tkadaqiy5crl0js0b2casjdv2xgu9vp Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/282 106 254335 554508 2026-06-19T16:12:36Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 2.º - Francisco de Caldas e Sousa. 3.º - D. Isabel Rodrigues de Faria. Henrique, 1.º filho, supra, muito rico e muito respeitado, foi senhor do Paço de Mantelães, em Formariz, e casou com D. Francisca, Justeira, filha de João Fernandes Barriga e de sua mulher D. Brites Barbosa, da casa de Boiamonte, daquela freguesia. Moraram neste Paço e tiveram quinze filhos, sendo principalmente por estes que muito se ramificaram os Caldas por di... 554508 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>2.º - Francisco de Caldas e Sousa. 3.º - D. Isabel Rodrigues de Faria. Henrique, 1.º filho, supra, muito rico e muito respeitado, foi senhor do Paço de Mantelães, em Formariz, e casou com D. Francisca, Justeira, filha de João Fernandes Barriga e de sua mulher D. Brites Barbosa, da casa de Boiamonte, daquela freguesia. Moraram neste Paço e tiveram quinze filhos, sendo principalmente por estes que muito se ramificaram os Caldas por diversas terras. Henrique de Caldas e Sousa, com sua mulher, também moraram no Paço de Vascões. Da mesma família procedeu Baltasar Barbosa de Palhares, que foi tenente no castelo de S. Julião da Barra, em Lisboa; e o célebre dr. Lourenço de Sousa - o ''Giesteira''. Este descendente dos Caldas, depois de formado, foi para Salamanca, donde regressou, já idoso, à Giesteira, lugar do seu nascimento, nesta freguesia. Andou sempre mal-avindo com o pároco, donde lhe resultou ser perseguido pela justiça eclesiástica. Achando-se preso no Paço Arquiepiscopal de Braga, foi convidado para suprir - à última hora - a falta do pregador em uma festividade promovida pelo Arcebispo; e por tal forma se houve que, além dos agradecimentos do Prelado, conseguiu deste uma ordem para que, de futuro, não voltasse mais à Giesteira justiça eclesiástica. «Foi pregador afamado, de modo que, tendo morrido há 170 anos, ainda dura a sua memória»<ref>Em 1866 é que J. A. d'Almeida escrevia estas palavras, no seu «Dicionário Abreviado de Corografia».</ref>. O nome e a fama de sábio deste ilustre courense ainda se conserva na tradição local, dizendo-se dele que, estando a fazer-se uma ''malhada'' (debulhada) de trigo em dia sereno e de céu azul, passou por perto o dr. Giesteira e preveniu os malhadores de que, se não andassem depressa, em breve veriam fugir da eira, arrastado por chuva torrencial, o grão que estava nela; e que, acrescenta a mesma tradição passadas poucas horas, sobreveio violenta trovoada, que se desfez num dilúvio de água. Seu pai foi Fr. Pedro Barbosa, Vigário do Extremo, no concelho dos Arcos de Valdevez, e este era filho de João Vaz de Caldas. Uma irmã do dr. Lourenço era muito versada na língua latina: um irmão casou em Bico e outro em Infesta<ref>«Almanaque de Lembranças», ano de 18, pág. 231; «Dicionário Abreviado», de J. A. d'Almeida; e citado inédito do dr. Manuel da Cunha Andrade e Sousa.</ref>. Alguns escritores dizem que o mencionado D. Garcia foi Comendador de Rio Frio, nos Arcos; mas o dr. Manuel da Cunha Andrade e Sousa sustenta o contrário, porque em 1496 é que o papa Alexandre VI ''dispensou'' para os Comendadores poderem casar, e naquele ano já o progenitor dos Caldas era falecido: portanto ou ''não foi Comendador'', ou ''não foi casado''. {{c|---}} Das mencionadas «''Inquirições''» também consta que os moradores do casal de ''Mido-Mau'', desta freguesia, eram obrigados a levar madeira para o Castelo de Fraião, e todos os moradores à ''anuduva'' e ''entruviscada'', dar de comer ao Mordomo, uma vez por mês, e ''correr monte'' (eram monteiros) com o Rico-Homem<ref>O ''Rico-Homem'' correspondia, naquele tempo a mais do que Conde e Marquês, pois era da 1.ª nobresa, não só pela geração, mas pela riqueza. Era «mestre de campo» e general na guerra (Viterbo).</ref>. {{rule}}<noinclude></noinclude> ibti3i8y0br33k2cyyjcl1tw2kmy81d Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/283 106 254336 554509 2026-06-19T16:20:33Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: No livro Condessa Mumadona (Torre do Tombo) encontra-se uma escritura, de 1059, de bens pertencentes à Colegiada de Guimarães, em que se dá a ''Vascões'', o nome de ''Velionês'', a Parada - «Pausada» e a Castanheira - «Castiniaria»<ref>Foi-me fornecida esta informação pelo conhecido arqueólogo e investigador snr. dr. Figueiredo da Guerra.</ref>. {{c|---}} A igreja paroquial é muito modesta; mas, se vem da primitiva traça, mandada faz... 554509 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>No livro Condessa Mumadona (Torre do Tombo) encontra-se uma escritura, de 1059, de bens pertencentes à Colegiada de Guimarães, em que se dá a ''Vascões'', o nome de ''Velionês'', a Parada - «Pausada» e a Castanheira - «Castiniaria»<ref>Foi-me fornecida esta informação pelo conhecido arqueólogo e investigador snr. dr. Figueiredo da Guerra.</ref>. {{c|---}} A igreja paroquial é muito modesta; mas, se vem da primitiva traça, mandada fazer por D. Garcia, tem por si a veneração de muitos séculos. A norte dela encontra-se a importante capela de Santo António, onde está erecta a confraria desta invocação, uma das mais ricas do concelho. Antigamente fazia-se neste local, no dia 13 de Junho, imponente festividade em honra do padroeiro, com romaria muito concorrida pelo povo das freguesias circunvizinhas e de algumas dos Arcos. Há anos que vem em declinação. O falecido Barão de Vascões - Francisco António Vieira da Cunha - costumava oferecer, por ocasião desta festa, opíparo banquete a muitos dos seus amigos, seguindo a tradição que herdara de seu pai. Pouco acima da capela, a nascente, caminho dos Arcos, tinha o Barão mandado construir um palacete, que, pouco tempo depois do seu falecimento, foi vendido pelos herdeiros ao Snr. Joaquim José Ribeiro, acreditado comerciante da vila, o qual empregou, na construção de um prédio seu, grande parte dos materiais do mencionado edifício. No sítio do já dito Paço da Chã do Souto existe uma capela, em ruínas, sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário, que foi fundada por António Vaz Ledo Caramena e sua mulher D. Maria Barbosa de Sousa, que residiram naquela casa do Paço. Nesta capela ainda se conserva uma sepultura com esta inscrição: {{c|DA MTO.}} {{c|VA3 LED}} {{c|EDSVA-M}} {{c|MA-3AR BOD<sup>(o)</sup>}} {{c|SADSOSA}} {{c|FV.DDRES}} {{c|DSOTA}} No arco da porta principal lia-se, antes da reedificação da capela: «Esta ermida mandou fazer António Vaz Ledo Caramena na era de...»<ref>Depois da reedificação foi substituido o arco por verga, desaparecendo a inscrição.</ref> D. Leonor de Sousa Barbosa, 6.ª filha do mencionado Henrique de Caldas e Sousa, foi casar a S. Fins de Friestas (Valença) com Álvaro Veloso Bacelar, donde vem os da casa das Travessas, nos Arcos de Valdevez. {{c|---}} No lugar da Giesteira há uma ermida, fundada em 1774 pelo P.<sup>e</sup> Paulo «B.<sup>as</sup>», como consta da inscrição que se lê na frontaria. {{rule}}<noinclude></noinclude> rqk02nglrgdvpyiojjpcjxpn6v6na50 Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/284 106 254337 554510 2026-06-19T16:40:46Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: O altar é de talha antiga, trabalho apreciável, que veio da capela de Santo António, desta freguesia, aí por 1860, quando foi acrescentada. {{c|ESTA CAPPELA}} {{c|MAEDOV FA}} {{c|ZER O PADRE}} {{c|PAVLO Bos DES}} {{c|TE LVGAR 1774}} {{c|---}} Este benefício era da apresentação dos Teles, de Lisboa, por Gabriel Pereira de Castro, do Desembargo do Paço, descendente dos Caldas, como já disse. {{c|---}} Tem esta freguesia bons e... 554510 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>O altar é de talha antiga, trabalho apreciável, que veio da capela de Santo António, desta freguesia, aí por 1860, quando foi acrescentada. {{c|ESTA CAPPELA}} {{c|MAEDOV FA}} {{c|ZER O PADRE}} {{c|PAVLO Bos DES}} {{c|TE LVGAR 1774}} {{c|---}} Este benefício era da apresentação dos Teles, de Lisboa, por Gabriel Pereira de Castro, do Desembargo do Paço, descendente dos Caldas, como já disse. {{c|---}} Tem esta freguesia bons e largos montados, muita lenha e madeira de carvalho, matos, giestais, donde se corta o apreciado ''molime'' para adubo das terras. Está situada ao nascente do concelho e confina com o dos Arcos: é vistosa e sadia. O seu último pároco colado foi o reverendo António Joaquim Rodrigues, natural da freguesia de S. Julião da Silva (Valença), onde exerce as mesmas funções. Actualmente é paroquiada pelo Sr. Padre Francisco Bento Barbosa, seu Encomendado, natural de Formariz. Ao norte desta freguesia está a ''lagoa de Lamas'', também conhecida por - lagoa da Salgueirinha, principal origem do rio Coura. Próximo dela, numa pequena elevação, estão as ''antas'' conhecidas desde 1881, a que me refiro no cap. V<ref>Foram vistoriadas pelo sr. dr. J. L. de Vasconcelos, insigne arqueólogo, no mês de Setembro, de 1905, que explorou duas.</ref>. {{c|---}} Os do mencionado casal de ''Mido-Mau'' pagavam mais ao Rei - 3 ''reixelos'' e 1 cabrito; e pelo S. João 1 fogaça centeia, de uma teiga realenga, e 1 dinheiro por ''conducto'', e, tendo porca parida, 1 leitão; e em Janeiro 3 soldos, de ''fossadeira''. É para notar que, nesta «''Collatio''», uma grande parte dos seus casais pagava este último imposto, não acontecendo o mesmo nas outras, que era mais raro. {{rule}}<noinclude></noinclude> arcm6fafhbwew2d1cud761stmsxw9l6 Página:Dialogos das grandezas do Brasil.pdf/32 106 254338 554513 2026-06-19T18:12:37Z Trooper57 24584 /* Revista */ 554513 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{c|DIALOGOS DAS GRANDEZAS DO BRASIL}}</noinclude>e uso são cultivados e grangeados, e por isso dão o fructo perfeito; e é tanto assim, que nunca vimos o trigo ou legumes nascer pelos campos de si, sem serem cultivados dos homens. {{c|{{sc|Brandonio}}}} Quando essa vossa opinião tivera lugar, parece que se devia tambem conceder que os homens fossem os criadores desses fructos, o que seria tirar a Deus o haver criado tudo, e pelo mesmo caso blasphemia; pois sabemos bem que Deus eriou esse trigo, linho e legumes pelos campos, e depois a industria humana os cultivou pera se poder melhor aproveitar delles; porque nem pela Escriptura dizer que Noé plantou vinha, se deve de cuidar que elle fosse o criador della, sinão que tomou o vidonho, donde estava agreste, criado por Deus nos campos, e o poz em uso de se cultivar; com o qual levou o fructo mais perfeito. E se o trigo e mais legumes não nascem de per sí nos campos, é porque lhe falta a semente; e quando alguma cae, de onde se produz, o gado e as aves a trilham e comem; mas, si fôra semeado em parte onde não pudesse ser destruido das alimarias, elle por si produziria da semente que lhe fosse caindo ao pé, como fazem as demais plantas. {{c|{{sc|Alviano}}}} Confesso ser isso assim; porque sei mui bem que as cousas todas foram produzidas de um principio, o qual foi a primeira criação que nellas fez Deus; e posto que vemos alguns fructos, que parecem não ser criados neste principio, como são as limas doces, laranjas e outras semelhantes, que a industria humana se fez produzir por via de enxertos e outros modos que para isso buscaram todavia a causa de onde procedem são daquellas que por Deus foram primeiramente criadas. Mas esta não é a materia, sobre que começamos nossa pratica, sinão de me parecer que essa lanugem, que dizeis achastes semelhante a lã, deve de prestar pera pouco; porque, si fôra de effeito, já os nossos passados se aproveitaram della; nem me confundem os exemplos, que allegastes, da canna de assucar, papel e polvora, porque esses são uns partos que o tempo {{pt|pro-|produz }}<noinclude>{{c|26}}</noinclude> 8ssysmyb9q8lo800d2gdcwjj1oijkms Página:Comédias Martins Pena - Livraria Garnier.pdf/325 106 254339 554515 2026-06-19T18:46:18Z JppBr98 28173 /* Revista */ 554515 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|o caixeiro da taverna}}|259}}</noinclude>longe&nbsp;!… Serei sempre caixeiro&nbsp;!… caixeiro&nbsp;!… caixeiro&nbsp;!… pagarei sempre imposto… como uma sacca de café… um burro… um cavallo… não sou nada no mundo!… Cortem-me esta cabeça… pendurem-me na porta do açougue… Sou um boi… Paguei direitos na barreira… Sou um boi!… (''Assim dizendo, principia a berrar como boi.'') {{sc|todos}}. — Manoel!… (''Manoel berra.'') {{sc|deolinda}}. — Meu Deus! está louco!… {{sc|todos}}. — Louco!… (''Manoel berra.'') {{sc|deolinda}}. — Que desgraça!… {{sc|francisco}}, ''ao mesmo tempo''. — Coitado!… {{sc|quintino}}, ''ao mesmo tempo''. — Pobre homem!… {{sc|angelica}}, ''ao mesmo tempo''. — Faz-me pena!… {{sc|manoel}}, ''trazendo Antonio pelo braço para a frente''. — Antonio, eis-me de joelhos a teus pés… (''Ajoelha.'') Lembra-te da amizade que nos uniu, o faze-me o ultimo favor… (''Abre a camisa.'') Enterra-me no coração essa acha de lenha… traspassa-me o peito com ella… Não queres?… {{sc|angelica}}. — Manoel!… {{sc|manoel}}. — Quem me chama?… {{sc|angelica}}. — E’ tua ama!… Manoel, esqueço-me da affronta que me fizeste, e lembrar-me-hei somente dos serviços que me tens prestado… serás nosso socio… não é assim, Chiquinho? {{sc|francisco}}. — Sim… serás nosso socio&nbsp;!… {{sc|deolinda}}. — Serás socio&nbsp;!… (''Manoel levanta-se pouco a pouco, como procurando fixar-se no sentido das palavras que lhe dizem.'') {{sc|angelica}}. — Serás nosso socio… ficarás comnosco… Eu te perdôo. {{sc|manoel}}. — Socio!… ouviram bem meus ouvidos?… Serei socio!… (''Cahindo de joelhos, e levantando as mãos para o céo.'') Oh! meu Deus!… está satisfeita a minha ambição!… (''Todos fallam ao mesmo tempo.'') {{sc|deolinda}}. — Está salvo!… {{sc|quintino}}. — Pobre socio!… {{sc|angelica}}. — Pobre Manoel!… {{sc|francisco}}. — Pobre amigo!… {{sc|manoel}}. — Serei socio!… {{rule|6em}} {{nop}}<noinclude></noinclude> sw6ham0sp6hbjf350sh4epx9xhtug0o Página:Comédias Martins Pena - Livraria Garnier.pdf/323 106 254340 554516 2026-06-19T19:13:42Z JppBr98 28173 /* Revista */ 554516 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|o caixeiro da taverna}}|257}}</noinclude>quem é o marido de todas as mulheres?… disse o que me disseram… póde ser que me engane… Sra. minha ama, deixe-me… assim não nos entenderemos… {{sc|quintino}}, ''a Francisco, a quem ameaça com a espada''. — Pensas que has de mangar com o sargento Quintino?… Primeiro hei de tirar-te as tripas… pôl-as ao sol… Enganar minha irmã!… Tira as mãos… enfio-te… mariola… tira as mãos… {{sc|francisco}}, ''esforçando-se por sahir das mãos de Quintino''. — Deixe-me, não sou seu cunhado… já lhe disse… ai… ai… não me mate… ai… quem me acode!… Juro que não é minha mulher… ai… ai!… (''Todos acabam gritando.'') {{dhr}} {{c|{{x-larger|SCENA XVI}}}} {{c|{{sc|os mesmos, ANTONIO E JOSE}}, ''armados de achas de lenha'' {{sc|e}} DEOLINDA.}} {{sc|antonio}}. — Que aconteceu?… {{sc|deolinda}}. — Que é, Quintino?… {{sc|antonio}}. — Senhora minha ama!… {{sc|deolinda}}. — Que foi?… {{sc|quintino}}, ''a Deolinda''. — Que foi?!… vim encontrar teu marido aos pés desta senhora!… {{sc|deolinda}}. — Meu marido a seus pés?! {{sc|quintino}}. — Sim, dizendo que a amava! {{sc|deolinda}}, ''indo a Manoel''. — Traidor!… {{sc|manoel}}. — Hein?… {{sc|deolinda}}. —Assim éque me guardava fidelidade?… {{sc|angelica}}. — Ah!… {{sc|quintino}}. — Olha que te enganas… {{sc|deolinda}}. — Não, não me engano… este é o meu marido. {{sc|quintino e angelica}}. — Seu marido?!… {{sc|manoel}}, ''á parte''. — Ai! ai! ai!… {{sc|francisco}}, ''á parte, e ao mesmo tempo''. — Pobre Manoel!… {{sc|angelica}}, ''a Manoel''. — Ah!… tu eras casado, e enganavas-me!… {{nop}}<noinclude></noinclude> rwbpd95jb3tyu63orke0q1qyox6xhyx Página:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf/114 106 254341 554517 2026-06-19T20:27:50Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 554517 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|100|REV. DO INST. AROH. E GEOG. PERN.|borda_inferior=sim}}</noinclude>apparencias de enfermidade e fome consequentes de alimentação insufficiente e longa reclusão em lugares insalubres, estavam sentadas on deitadas nas ruas entre os mais immundos animaes. O espectaculo nos fez regressar para bórdo cheios de afficção e a resolução não ruidosa mas profunda» de não considerar, nem grande nem pequeno demais, o que nos for possivel emprehender no sentido de abolir ou alliviar a escravidão. ''Sexta-feira, 27 de Setembro.'' — Fui a terra afim de passar alguns dias com Miss Stewart, a unica senhora ingleza residente na cidade. Está agora morando na casa commercial de seu irmão, onde se acham o escriptorio e os armazens, porquanto a sua casa de campo está ao alcance dos patriotas. Suspiro por um passeio ou cavalgata ás tentadoras collinas verdejantes que circundam a cidade; mas, como isto não é possivel tenho que me contentar com o que existe dentro das linhas de defeza. Hoje voltando da Boa Vista encontramos una familia de sertanejos, que ha alguns dias trouxe provisões á cidade, de regresso ao sertão ou região selvagem do interior. Estes sertanejos são uma casta de homens activos e vigorosos, na maioria agricultores ; trazem para o littoral milho e cereaes, toucinho e dôces, e algumas vezes tambem couros e sêbo. O algodão é, entretanto, cultivado no sertão, sendo, porem duma colheita precaria, dependendo inteiramente da quantidade das chuvas na estação, e frequentemente não chove no sertão durante dous annos. O grupo que encontramos era de aspecto muito pittoresco : os homens vestidos de couro da cabeça aos pés e cujos ligeiros gibões e calções estreitos lhes moldavam as formas tão perfeitamente como as vestimentas dos marmores de Egina, conferiam-lhes de alguma sorte o mesmo aspecto ; o pequeno chapéo redondo é da fórma do petaso de Mercurio ; os sapatos e polainas da maior parte são excellentemente apropriados a preservar os pés e as pernas nas correrias atravez dos cerrados. A côr de todos era un bello pardo ; affligio-me que a mulher da comitiva trajasse vestido evidentemente de modelo francez, o que destoava da caracteristica uniformidade do grupo ; ia na garupa do chefe, sobre um dos pequenos mas<noinclude></noinclude> rp6hf6izlwz5ys59sxf7pgb7liq2w5n Página:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf/115 106 254342 554518 2026-06-19T20:39:57Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 554518 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.|101|borda_inferior=sim}}</noinclude>ardegos cavallos do paiz; seguiam-nos varias bestas de carga conduzindo utensilios domesticos e outros objectos em que haviam cambiado as suas provisões ; fazendas de lã e algodão, louça ordinaria, e outros artigos manufacturados, com especialidade facas, é o que principalmente acceitam em troca, comquanto se notasse alguns moveis, com pretenções a elegancia, na bagagem da familia que ancontramos; atraz dos cavallos vinha um grupo de homens, alguns a pé, marcando passo com o trote das bestas, e outros montados carregando as crianças ; no couce distinguia-se, pelas suas calças de baéta verde, um individuo muito gordo e bonito, fumando ao passar. Aʼ tarde demos um passeio a cavallo ; fôsse devido a estar tantas semanas a bórdo sem montar ou á peculiar suavidade e frescura da tarde, apóz o suffocante dia tropical, não sei dizer ; nunca, porém, gozei tanto duma horn ao ar livre. Sahimos da cidade por entre graciosas casas de campo, chamadas ''sitios'', até um dos postos avançados no Mondego, onde anteriormente residia o governador. As frondes de tamarineiras, e palmeiras sombreavam o caminho e mil arbustos graciosos adornavam os muros dos jardins. Eʼ impossivel descrever a sensação de deliciosa frescura duma tarde semelhante, dando repouso e saúde apóz o dia ardente. Ficamos muito penalisados quando força foi regressarmos para casa ; mas, o sol se tinha posto, não havia lua, e receavamos ser detidos pelas guardas dos diversos postos de defeza. De volta fomos demorados gritos de ''Que vem lá ! ;'' mas as palavras ''Amigos inglezes'' eram o nosso passaporte, de sorte que chegamos ao Recife a ''Ave Maria'' era entoada, bem apressada e desafinadamente, nas ruas, pelos negous e mulatos ; mas, tudo o que funde as almas num sentimento commum é digno de interesse. As portas das igrejas estavam abertas, os altares illuminados, e o proprio escravo sentia que apellava para o mesmo Deus, com o mesmo direito que o seu senhor. Foi una tarde que jámais poderei esquecer. ''Sabbado, 28 de Setembro.'' — Esta manhã, antes do almoço, olhando da saccada da casa de Mr. Stewart, vi uma mulher branca, ou antes uma furia, surrando uma negrinha e {{começo de palavra hifenizada|torcendo-|torcendo-lhe}}<noinclude></noinclude> t22qmplvwzny2k6t1olrls0cix64y5y Página:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf/116 106 254343 554519 2026-06-19T20:48:19Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 554519 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|102|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.|BORDA_INFERIOR=SIM}}</noinclude>{{término de palavra hifenizada|lhe|torcendo-lhe}} cruelmente os braços emquanto a pobre creatura lançava gritos de angustia, até que os nossos cavalheiros interviéram. Bom Deus ! porque permittis exista o trafico e a pratica da escravidão ? ! ! Proximo á casa em que estamos hospedados ha dous ou tres depositos de escravos, todos moços ; num vi, exposto á venda um menino de dous annos. Os viveres são actualmente tão escassos que nem uma migalha de alimento animal tempera o pirão de farinha de mandioca comida habitual dos escravos, e que deste mesmo raramente lhes dão o sufficiente o demonstram as faces encovadas e a ossatura saliente das crianças. Outrosim, o dinheiro igualmente subio tanto de preço que os compradorés são raros, e uma nova angustia augmenta a miseria do escravo : o vão desejo de encontrar um dono ! Dezenas destes infelizes se agglomeram a cada esquina das ruas, na completa apathia do desespero, e se alguma criança busca delles se affastar, á procura de infantil diversão, um olhar de piedade é tudo o que desperta. Andarão errados os patriotas? Elles puzeram armas nas mãos dos negros novos, trazendo vivida a lembrança dos patrios lares, do navio negreiro e das senzallas. Fui hoje até o mercado, onde ha pouca cousa : carne de vacca pouca e cara, nada de carneiro, raros gallinaceos, e alguns leitões, repugnantes porquanto se cevam nas ruas aonde são lançadas todas as immundicies, e das quaes, elles e os cães, são os unicos limpadores. O assedio é tão apertado que mesmo os legumes das hortas particulares, a duas milhas das avanguardas, não podem ser aproveitados pelos seus proprietarios. Não é possivel obter leite ; o pão de farinha de trigo americana custa o duplo do que na Inglaterra, e os bôlos de mandioca cozidos em leite de côco, são de preço excessivo demais para permittir ás classes inferiores sufficiente nutrição. Por uma carga de lenha pedem quantias extravagantes, e o carvão é escasso. Negros dominam o mercado, poucos por conta propria, na maioria pela de seus donos. O vestuario dos negros livres e o mesmo dos brancos : calças e jaqueta de algodão branco e<noinclude></noinclude> 54dplefbwdssv8a0vbchev4llnz34dt 554520 554519 2026-06-19T20:48:47Z Erick Soares3 19404 554520 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|102|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.|borda_inferior=sim}}</noinclude>{{término de palavra hifenizada|lhe|torcendo-lhe}} cruelmente os braços emquanto a pobre creatura lançava gritos de angustia, até que os nossos cavalheiros interviéram. Bom Deus ! porque permittis exista o trafico e a pratica da escravidão ? ! ! Proximo á casa em que estamos hospedados ha dous ou tres depositos de escravos, todos moços ; num vi, exposto á venda um menino de dous annos. Os viveres são actualmente tão escassos que nem uma migalha de alimento animal tempera o pirão de farinha de mandioca comida habitual dos escravos, e que deste mesmo raramente lhes dão o sufficiente o demonstram as faces encovadas e a ossatura saliente das crianças. Outrosim, o dinheiro igualmente subio tanto de preço que os compradorés são raros, e uma nova angustia augmenta a miseria do escravo : o vão desejo de encontrar um dono ! Dezenas destes infelizes se agglomeram a cada esquina das ruas, na completa apathia do desespero, e se alguma criança busca delles se affastar, á procura de infantil diversão, um olhar de piedade é tudo o que desperta. Andarão errados os patriotas? Elles puzeram armas nas mãos dos negros novos, trazendo vivida a lembrança dos patrios lares, do navio negreiro e das senzallas. Fui hoje até o mercado, onde ha pouca cousa : carne de vacca pouca e cara, nada de carneiro, raros gallinaceos, e alguns leitões, repugnantes porquanto se cevam nas ruas aonde são lançadas todas as immundicies, e das quaes, elles e os cães, são os unicos limpadores. O assedio é tão apertado que mesmo os legumes das hortas particulares, a duas milhas das avanguardas, não podem ser aproveitados pelos seus proprietarios. Não é possivel obter leite ; o pão de farinha de trigo americana custa o duplo do que na Inglaterra, e os bôlos de mandioca cozidos em leite de côco, são de preço excessivo demais para permittir ás classes inferiores sufficiente nutrição. Por uma carga de lenha pedem quantias extravagantes, e o carvão é escasso. Negros dominam o mercado, poucos por conta propria, na maioria pela de seus donos. O vestuario dos negros livres e o mesmo dos brancos : calças e jaqueta de algodão branco e<noinclude></noinclude> rny5r6j64n5w90hmp496jmtvvyyhnp7 Página:Comédias Martins Pena - Livraria Garnier.pdf/307 106 254344 554522 2026-06-19T22:41:22Z JppBr98 28173 /* Revista */ 554522 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|o caixeiro da taverna}}|241}}</noinclude>{{sc|francisco}}. — Mas não vejo porque não queres que eu me case com tua ama. {{sc|manoel}}. — Não vês? {{sc|francisco}}. — Logo que estiver casado dar-te-hei sociedade. {{sc|manoel}}. — Sabes tu se ella te ama? {{sc|francisco}}. — Julgo que não lhe sou indifferente. {{sc|manoel}}. — Pois digo-te que ella não te ama, porque me ama. {{sc|francisco}}. — A ti! {{sc|manoel}}. — Sim, e de uma maneira desesperada e damnada… Amigo, Deus te guarde do amor de mulher velha; é peior do que carrapato em orelha de burro! Comprehendes agora a minha posição? {{sc|francisco}}. — Ainda não muito bem. {{sc|manoel}}. — Por amor — maldito amor!… — casei-me em segredo com a Deolinda… nem o seu próprio irmão, o sargento Quintino, o sabe… Pensa agora que será de mim, se minha ama desconfiar que a desprezei por causa de outra mulher… Raivosa, expulsar-me-ha desta casa, e as minhas esperanças serão mallogradas… E’ preciso enganal-a até ao dia em que assignarmos a escriptura de sociedade… {{sc|angelica}}, ''dentro''. — Manoel? {{sc|manoel}}. — Ella que me chama… Vae-te embora. {{sc|francisco}}. — Adeus, e estimo que sejas bem succedido. {{sc|manoel}}. — Nem palavra… {{sc|francisco}}. — Fica descançado. (''Sae.'') {{dhr}} {{c|{{x-larger|SCENA V}}}} {{c|MANOEL, {{sc|depois}} ANGELICA.}} {{sc|manoel}}. — Ella ahi vem… estou frio!… ai que boccado amargo… eil-a. {{sc|angelica}}, ''entrando''. — Manoel? {{sc|manoel}}. — Senhora minha ama… {{sc|angelica}}. — Ah! já estava inquieta… {{nop}}<noinclude></noinclude> 5ttlzgflisag87tgrms520rdegr2m7b Página:Hystoria de Menina e Moça.pdf/25 106 254345 554525 2026-06-20T09:40:30Z JppBr98 28173 /* Revista */ 554525 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||Menina e Moça|viii}}</noinclude>agradecer quererdes ſaber de mi ho q̃ quereis,para ſeer ao menos eſcutado meu mal algũa oꝛa:pois dizeime (me tornou ella) ꝑo que ficardeſme deuendo ouuir vos eu, noua maneira he tãbem de mi obrigardes, mas aſſi me pareceis vos que de vos ſer obꝛigada folgo muito eu ainda ſatisfazendolhe, em tam diſſe. {{capitular|F|font-size=5em}}Ui hũa donzela que neſte monte da banda dalen deſte ribeiro pouco ha que viuo e nã poſſo viuer muito. noutra terra naſci,noutra tambem de muita gente me criey donde vim fugindo para eſte deſpouoado de tudo; ſe nã ſoo das magoas q̃ eu trouxe comigo, a eſte vale poꝛ onde coꝛrem eſtas agoas craras que vedes:o alto aruoꝛedo de eſpeſſas ſombꝛas ſobꝛe a verde erua e floꝛes que poꝛ aqui parecem a ſeu pꝛazer ſe eſtendem ribeiras deſta agua fria:doces moꝛadas e pouſos das ſoos deleitoſas aues ſam tam conſoꝛmes aos meus cuidados que o mais do tempo que o Sol affigurga a tr̃ra paſſo aqui.Que em q̃ me vejais ſoo acompanhada eſtou muito ha q̃ tenho vſado eſte caminho nũca vi ſe nã agora a vos,a grande ſoidade deſte vale e de toda a terra por a qui derredoꝛ me fez ouſar vir aſſi:molher fermoſa bem vedes que o nã<noinclude></noinclude> b0lbvkhx38u2wmomxwetz9i7e6m8m7g