Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.15 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão Hino do município de Quixadá 0 8607 558777 80981 2026-08-14T20:21:03Z Pauloa668 43570 Hino original 558777 wikitext text/x-wiki {{hino |obra=Hino do município de [[w:Quixadá|Quixadá]] |melodia por=Manoel Ferreira |letra por=Edgardo Moraes de Oliveira |notas= }} <poem> Linda terra rica e querida, Povo forte, nobre e alterneiro. Quixadá, tu és minha vida. Me orgulho em ser brasileiro. Teus monólitos e fazendas, Contornando esse imenso sertão, Mais parecem de Deus oferendas Aos seus filhos com devoção. Quantas glórias cidade-menina, Te contemplam em teu fadário. És a luz, pura e bela, cristalina, Nessa festa de teu centenário. Vou cantando feliz e contente Tua história com amor e paixão, Quixadá, grande, forte e valente viverás sempre em meu coração. </poem> [[Categoria:Hinos do Ceará|Quixada]] kych7pvn2i34ypi95bgo1kwjja3n25r O Rio de Janeiro em 1877/I 0 117139 558854 186106 2026-08-15T01:40:34Z André Koehne 260 /* Cena XXVII */ ajustes 558854 wikitext text/x-wiki {{navegar |obra=O Rio de Janeiro em 1877 |autor=Artur de Azevedo |anterior=[[O Rio de Janeiro em 1877/Prólogo|Prólogo]] |posterior=[[O Rio de Janeiro em 1877/II|Segundo ato]] |seção=Primeiro ato |notas= }} ==Quadro II== ===Cena I=== (Depois da sinfonia, Um Espectador, que está nUm camarote dirige-se ao público naturalmente.) Espectador - Parece-me que, desta vez, temos coisa nova. Antes de vir para aqui, tinha dito a Um dos meus amigos que creio deve estar aí na platéia: Palpita-me que vou ter Uma imitação francesa parecida com a da Madame Angu ou Uma tradução, como a da Mulher do Saltimbanco, mais ou menos apropriadas aos acontecimentos passados: mas julgo que me enganei. Errare hUmanUm est. Ainda que me custe a engolir como genuinamente original, aquela esperteza de começar a peça pelo couplet final. Enfim, nihil sub sole novUm. Uma das coisas que nunca falham nUma revista francesa é o Monsieur du parterre, sujeito que finge ser do público, que fala como por acaso... Bem acredito eu nos tais casos... e que, no fim de contas, não passa de Um ator com mais ou menos espírito. Felizmente nesta peça parece-me que estamos livres dele... do ator se entende... porque o espírito é de crer que o haja por atacado e a varejo, apesar da peça não ser do Varejão. Sem querer, falei demais... Não vão agora os senhores pensar que faço parte da peça! Deus me livre, que meu pai não me educou para cômico. Vamos ver o que sai por detrás daquele pano. (Sobe o pano. Praça, gafanhotos, vaga-lUmes, Gatunos, Moleques, Policiais) ===Cena II=== Gafanhoteos e depois (Ilegível.) ''Coro'' ===Cena III=== 1º, 2º Gatuno e Zé Povinho 1º Gatuno (Deixando cair Uma carta no chão.) - Lá vai a isca. 2º Gatuno (Agarra a carta na ocasião em que o 1º vai também para lhe pegar, ficando o 2º com ela.) - Largue, que é minha. 1º Gatuno - Não há tal! Esta carta caiu-me da algibeira. Zé (Que tem visto.) - Caiu, que eu vi. 2º Gatuno - O senhor está combinado com ele! Zé - Combinado vá ele. Veja se quer exprimentar a peroba. (Ameaça-o.) 2º Gatuno - A carta é minha, e a prova é que tem dentro Uma trancinha. 1º Gatuno - A carta caiu-me da algibeira, e não tem nada dentro. 2º Gatuno - Aposto em como tem Uma trancinha. Zé - Aposto também eu! Aqui está dinheiro! 1º Gatuno - Também eu aposto. Vamos, feito! Zé - Quanto val a aposta? 2º Gatuno - Duzentos bicos... Zé - Case. os meus aqui estão. Vão para a mão deste cavalheiro. 1º Gatuno - Abra a carta. 2º Gatuno (Abrindo a carta e mostrando Uma trancinha.) - Ganhei. 1º Gatuno (Para Zé Povinho.) - Perdemos. (os Gatunos saem.) ===Cena IV=== Zé Povinho só; depois Boato, vestido de urbano; Nota de Duzentos Mil Réis que nada fala Zé (Meio atordoado.) - Perdemos. É singular este plural. Devia ter dito ganhamos, e perdeu! Querem ver que fui embarrilado? Creio que sim. Pelo sim, pelo não, vou queixar-me à Polícia. (Entra o Boato.) Ó camarada. (Boato não responde.) Ó seu guita! (O mesmo.) Vai a dormir. (Chega-se e grita-lhe no ouvido. O urbano desperta, puxa da espada e põe-se a gritar.) Boato (Com volubilidade.) - O que é isso? O que é que é? O que há? Quem foi o ladrão? Onde é o fogo? Onde está a carroça? Que número tinha o bonde? Quantas facadas deu ele? Zé - Uma só... mas foi taluda. Boato - Onde? Zé - Aqui. (Mostra o bolso.) Duzentos mil réis, Por sinal foi Uma nota... Boato - Uma nota de duzentos. (Passa Uma nota perseguida por Um urbano.) Zé - Olhe, exatamente como aquela!! Boato - Como aquela? Zé - Tal e qual. (A nota faz negaças ao urbano até sair.) Boato - Mas aquela é Uma nota falsa! Você parece-me passador de moeda falsa. Venha à presença da autoridade. Está preso em flagrante de delito! HUm... amanhã dirão os jornais: “graças ao zelo da Polícia, foi preso Um dos passadores de notas falsas. A Autoridade segue o rasto de vasta conspiração”. Zé - Qual conspiração nem qual carapuças. Conspirando está você contra o meu sistema nervoso. O que me parece é que você está a dormir! Boato - Insultos! Oh! que parte! Zé - Você quer tomar o peso ao cacete. Boato - Ameaças! Oh! que parte! Zé (Levantando a bengala.) - E se não se safa.. Boato (Apita.) - Vias de fato! Oh! que parte! ===Cena V=== Os mesmos e Política Política - Pára. Boato - Manda quem pode. Política - O que foi isto? Boato - Tomei este uniforme de urbano, e acabo de prender Um passador de moeda falsa, visto que não podemos agarrar mais nenhUm. Agarramos Um, prendemo-lo, processamo-lo, levamo-lo ao júri, absolvemo-lo, apelamos, processamo-lo de novo, levamo-lo de novo ao tribunal, condenamo-lo, mas damos-lhe tempo para deitar sebo nas canelas. (Baixo.) Mas...esse... coitado... não passou: foi passado Política - Nesse caso, retira-te... Boato - Para onde? Política - Vai vestir-te à paisana e assistir às sessões da Câmara. Boato - Lá vou... lá vou... (Vendo entrar o Capoeira.) E vou em boa Companhia. ===Cena VI=== Os mesmos e Capoeira Zé (Fugindo para o regulador.)- Ai mau! Ai mau! Capoeira - Vamos à Câmara? Boato - Eu vou para lá: vem comigo. (Enlaçam-se.) Trazes a navalha? Capoeira - Trago. Vamos. É mais perto ir pela estrada do... (Indica à esquerda.) Boato - ...do que ir pela travessa. (Saem.) ===Cena VII=== Zé Povinho e Política Zé (Rolando o chapéu nas mãos.) - Eu faltaria ao mais sagrado de Todos os deveres se não lhe agradecesse... Política - Nada tem que me agradecer. Somos conhecidos velhos. Zé - Vossa Mercê já andou pela Província? Política - Eu ando em toda a parte. Zé - Mas nunca tive o gosto de a encontrar! Política - Olá! Se tiveste! Sou a Política! Zé - Qual! Política - Duvidas? Zé - Que esperança! Pois se sou Uma vítima de tal víbora! Ainda nas últimas eleições, ela me fez gastar bons cobres! E afinal de contas o Sérgio pulou fora como Um catita! Foi repelido à correia! Não o quiseram lá! Fora mais fácil meter Um prado na Câmara, e não meteram, apesar de vir por obra e graça do Espírito Santo. Mas, apesar disso tudo, em se falando de eleições, sou outro Homem; é defeito que me está na massa do sangue. Apesar da Política lá na terra ser velha e feia como o demônio. Você ao menos é toda chique, toda boa, pra não dizer mesmo toda coxa. A coisa por cá parece que rende. Política - Qual! Vão-se acabando os privilégios. Já estão inventados Todos os melhoramentos. Zé - Já eu tenho ouvido falar nisso. Isto por cá vai de vento em popa. É Empresa de Esgotos, Carris de Copacabana. Política - Isso anda meio entruviscado. Botanical que dividir a Copacabana; quer ficar com a copa e deixar a cabana aos outros. Zé -Quem ocupa a copa esquipa sob a melhor capa! No copus hic labor est. Política - Faço como Pilatos, que era Homem asseado, e lavava as mãos mesmo quando estavam limpas... Zé - As mãos da Política não podem estar muito limpas... Oh! Mas vossemecê traz luvas... e que as não trouxesse! Tinha água da Empresa do Anjo Gabriel... É verdade que a tal água pode untar as suas mãozinhas, em vez de limpá-las... Mas posso saber quem é esse sujeito de quem me livrou? Política - É Um dos meus mais fiéis aliados: é o Boato. Zé - O Boato? Política - O “consta-nos”, o “diz-se”, o “ouvi dizer”, o “somos informados com toda a reserva”. Uma espécie de calúnia de BeaUmarchais... Zé - E você tem conhecimento com sujeito dessa ordem? Que ordem de sujeito! Está sujeito a ser chamado à ordem! Política - Está bem: deixa-te de trocadilhos e anda daí a ver a cidade do meu afeto. Zé - Aceito. Mas receio que minha mulher, Opinião, vendo-me com vossemecê, faça Uma cena dos diabos. Política - Acharei artes para livrarmos dela. É ciUmenta? Zé - Uma víbora! Política - E como é que não está contigo? Zé - Ficamos de nos encontrar em Botafogo; mas, para aproveitar alguns momentos livre dela, ensinei-lhe o bonde de Vila Isabel. Política - Pois amanhã o meu fiel Boato te livrará dela. Zé - Mas nada de intrigas. Política - Sossega; não há ninguém como a Política para guardar as conveniências. Zé - E se todo em todo me não pode livrar dela? Política - Quem não pode, trapaceia... Zé - Pois também a Política? Política - Vem daí, ingênuo e primitivo caboclo. (Passam ao fundo dois personagens esgrimindo-se com penas de pato. Um deve ser Padre.) Zé - O que vão fazendo aqueles dois indivíduos? Política - São dois amigos meus que estão tratando da Questão religiosa. Zé - Pois ainda isso dura? Política - E durará. (Vai ao fundo e aperta a mão dos esgrimadores.) Zé - O que foi vossemecê lá fazer? Política - Estavam Um pouco cansados; fui lhes dar novas forças. Vamos! (Saem.) ===Cena VIII=== Opinião, só Opinião - Ora, Uma destas só a mim acontece! Ah! que se o encontro dou-lhe Uma sova de o deixar em lençóis de vinho. Larga-se Um Homem e mais a sua mulher lá dessas terras por onde Cristo nunca andou, para vir à corte opor-se ao concurso de abastecimento de carne verde à capital, sai-lhe pela proa Um Berlinch e adeus minhas encomendas! Há de dar bons burros ao dízimo! A sua carne verde faz Febre Amarela! Ao menos há patriotismo nas cores! E o tratante do Zé Povinho mal aqui se apanha, foi Uma vez! É capaz de andar rendendo preitos aberta... mente às francesas, e à ida para casa com este sistema, há de ser bonita... Se o apanho... ===Cena IX=== A mesma, o Boato, à paisana Opinião (Vai sair e encontra-se com Boato.) - Vai cego? Boato - Irribus! Pisou-me o melhor calo! Opinião - Para outra vez, veja por onde pisa. Boato - O que quer? Venho atordoado com o que me contaram. Opinião - O que foi? Boato - Dizem que Um pobre Homem, não vi, mas ouvi dizer a pessoa de confiança, tendo-se perdido esta manhã da mulher... Opinião - O que faz? Valha-me Deus! Mas o marido também se perdeu de mim! Boato - da senhora? Opinião - De mim, sim; já lhe disse tintim por tintim. Boato - Pare lá com o sino! Enfim! E como se chamava ele? Opinião - Zé Povinho. Boato - É o mesmo. Opinião - Mas o que lhe aconteceu? Ah! Conte! Céus! Diga! Estou nUm desespero incrível! Boato - Pois, minha boa e pobre senhora... Opinião - Estou viúva? Boato -Provisoriamente! Opinião - Explique-se ou o agatanho! Boato - Seu marido, consta fez as malas e sem amá-la... pôs-se a panos mal a mala. (Sai.) ===Cena X=== Opinião e Espectador Opinião - Mas isto é horrível! Abandonar-me no meio dUma cidade desconhecida em risco de ser cantada... em alguma “ocorrência da rua”. Em verdade, se fora segunda feira: e em prosa, se for a semana. Isto é ignóbil. Espectador - É muito mais do que a senhora julga! Opinião - É porque terá outra amante? Espectador - Tem, e a pior de todas... Opinião - Diga-me quem é, porque quero esganá-la! Espectador - Não fazia nada demais, porque ela tem esmagado a muita gente. Opinião - Quem é ela? Espectador - A Política; Opinião - Ai, que mulher sem-vergonha. Hei de desmascará-la. Espectador - Olhe que veio a propósito atrás dele! O seu Zé Povinho estava sossegado, como a linda Inês! Opinião - Então ele não partiu? Espectador - Qual! A senhora foi vítima da Seca... Ai, da Seca. Oh! Perdão! Vítima do logro. Opinião - É do que vive aquela sujeita, é de lograr todo o mundo! Espectador - Se a senhora quer, eu acompanho, até encontrar o Homem. Opinião - Com todo o gosto ''Dueto'' Lá vou, lá vou, lá vou sinhá. pois sim, pois sim, pois sim, venha cá. (À parte.) - É bem simpático este moço! Parece-me com a Vale, do Teatro São Luiz. Vou enciUmar o pérfido e assim que lhe deitar as unhas, deito-lhe as ditas e dentes, e ponho-lhe as malas à costas e marcho para Goiás, que é terra de progresso, onde há Um cabriolé ganho com o suor do rosto. (O Espectador desce para o palco.) Espectador - Pronto. Opinião - Principiemos a exploração. (Derretida.) Não? Espectador - Está dito então. Opinião - Onde vamos? Espectador - Ver a inauguração do plano inclinado para Santa Teresa! Opinião - Plano inclinado? Nunca ouvi falar nisso, senão a respeito das nossas finanças. Espectador - Essas estão em muito bom pé... Agora em boa mão é que não sei... Ouvi falar aí nUma história de dez mil contos, que é Um verdadeiro romance. Opinião - Mas então o que é o plano? Espectador - Venha, e depois lho explicarei. Opinião - Por onde? Espectador - Metemo-nos no bonde aqui no largo. ==Quadro III== ===Cena XI=== (Vista do plano inclinado de Santa Teresa. Coro de inauguração de gente do povo.) Espectador e Opinião Opinião (Abanando-se.) - Ai tanta gente e o Senhor Zé Povinho nem pintado o vejo. Ai! O que é que vem ali? Nunca vi animal semelhante. Espectador - Vem aqui por causa de sê-lo. ===Cena XII=== Os mesmos e o Correio, montado numa tartaruga (Correio é cercado e cUmprimentado por Todos os jornais.) Opinião (À parte.) - Ele anda tão devagar... (Ao Espectador.) Pois o Senhor Diretor é bem ativo e inteligente. Espectador - Assim é que é o Correio geral! Mais moroso que aquilo só o Telégrafo. Correio - Agradeço a pontualidade. Vim Um pouco mais tarde, porque tive de fechar a mala para Chapéu d’Uvas. Espero que haveis de ficar contente com a convenção de Berne. Todos - O quê? Correio - Quero dizer que haveis de ficar satisfeitos com o plano, e eu, por meu lado, não hei de ficar no primeiro plano. Espectador - Não falo da carta; refiro-me ao plano. Correio - Desde que se aperte o freio do novo sistema, já não há perigo que as cartas sejam violadas; Espectador - Mas a que inviolabilidade se refere? Correio - À da vida dos que subirem o plano. Já dei ordem para serem carimbados... Todos - Carimbados? Correio - Todos os bilhetes. Por estas e outras mereço todo o elogio. Na qualidade de Correio Geral e reconhecendo que Uma carta levava dois dias para chegar da cidade a Santa Teresa, acho excelente a idéia do plano inclinado! O próprio indivíduo pode levar a sua carta, e entregá-la em mão própria em meia hora. (Sente-se o apoio e grande algazarra do povo.) Todos - É agora. É agora. Vai subir. Um Moleque - Quer balas, freguês, quer balas? (Aparece o bonde no plano inclinado. Estão Zé Povinho e a Política.) Zé - Eu cá estou. Política - E eu também. Opinião - (Que está à boca de cena.) - Lá está o pérfido! Acompanhado dUma mulher! Oh! Quero saber quem é! ===Cena XIII=== Os mesmos e Boato Boato (Ao ouvido da Opinião.) - Consta-me... não sei... mas parece-me que é a Política! Opinião - Mas o que vai ele ali cheirar? Espectador - Não se admire: a Política cá na terra mete o nariz em toda a parte. Opinião - Deus queira que não as meta nas algibeiras do velho. Basta que eu o faça. Espectador- É limpeza geral! Zé - A Opinião! Minha mulher! Ó Senhora Política, mande subir até onde há cabo. Ao cabo do mundo que seja, senão acabo! Ela dá cabo de mim. ===Cena XIV=== O Veículo e o Anjo da Humanidade Veículo (Entrando desaforado com o tílburi na cabeça.) - Maldita invenção do bonde. Até mesmo esta subida já tem condução à noite. Pois bem guerra de Morte! Comecemos por cortar o cabo! (Vai a dirigir-se para o fundo.) Anjo (Derrubando-o.) - Para trás! As conquistas do Progresso protege-as Anjo da HUmanidade. Veículo - Ora esta. Não sei o que tenho. Vinho não é, porque só bebi cachaça. (Aparece na plataforma do bonde o Anjo, que sobe ao som de gerais aclamações, levando a reboque a tartaruga em que vai montado o Correio.) Opinião - Lá se vai o Homem pela corda acima. Boato - E dizem que a coisa vai descarrilar! Opinião - Então lá leva o diabo o velho. (Cai desmaiada nos braços d’alguém.) (Mutação.) ==Quadro IV== ===Cena XV=== (Um botequim, mesas, cadeiras) Caixeiro, só, à porta Caixeiro (À parte.) - Estamos hoje em maré de vazante. Não aparece ninguém... Não admira... os fregueses estão metidos aí em algUm teatro a ouvir algUma Conferência... E o mais é que estas coisas de Conferência têm feito Um mal dos diabos ao comércio. Há estabelecimento por aí que está sempre às moscas, outros estão como Nero. Nem mesmo Uma mosca... Todos os fregueses fugiram... foram naturalmente ser oradores de Conferências. Que também não sei por que se não há de chamar de conferentes a esses oradores. Conferente!... Só o título quanto val! (Ouve-se Um trovão.) Santa Bárbara!... Lá está Um a orar... Ah! É Um trovão. Ora, ó Lopes... Felizmente lá vem Um freguês, mais do que Um... é Uma Companhia. ===Cena XVI=== O mesmo, Diretores da Comanhia de ConsUmo, depois Taberneiros 1º Diretor - O senhor é dono desta casa? Caixeiro - Por enquanto não, senhor. Sou apenas Um dos interessados... em que ela ganhe dinheiro. 1º Diretor - Pois nós cooperamos o consUmo, e vínhamos saber quantas ações quer que reservemos. Caixeiro - Para quê? 1º Diretor - Para comer mais barato do que em qualquer outra parte... tudo puro e sem confeição. (os Taberneiros têm estado a espreitar a porta e entram ameaçadores.) ''Coro'' Caixeiro - Mas isto é Uma invasão! Estão por acaso suspensas as garantias?... O que é isto, vivemos nUm império ou nUma republiqueta? 1º Taberneiro - Nós, os secos e molhados... fazemos de guerra de Morte a essa Companhia, que jurou a nossa ruína. Nós somos o monopólio do bacalhau, a composição do vinho, a farinha avariada.os paios em salmoura podre, o azeite rançoso e Todos esses gêneros que fazem tapar o nariz à Junta da Higiene, que emagrecem o povo e nos engordam a nós. Eis o que somos. Caixeiro - Pois eu, como cá cheiro, não me cheira essa contenda, e ponham-se todo na rua. Rua! Senhores do ConsUmo, não me consUmam a paciência. Todos - Guerra! Guerra! (Saem em perseguição uns aos outros pela esquerda.) ===Cena XVII=== Caixeiro, depois, Zé, Política Caixeiro - Além de se não ter fregueses, ainda em cima me cai em casa Uma praga destas! Onde estão as autoridades? Já não temos constituição, senão na Praça do Rossio. O país está perdido. (Entra Zé e Política.) A nação vai por Um plano inclinado. Zé - De lá venho eu agora... e gostei. (Entra.) Caixeiro - Ó coração despaisado... Pois o senhor gosta da desgraça do país? Zé - Do país? Quem lhe fala nessas coisas? Eu refiro-me ao plano inclinado de Santa Teresa, e eu mesmos estou inclinado a fazer Um plano daqueles lá na terra; mas puxado a burros. Caixeiro - A burros?! Queira desculpar. Zé - Não há de quê. (À Política.) Tomas algUma coisa? Política - Isso não se pergunta, eu tomo sempre. Zé - Traga-me lá Uma cajuada com groselha. (Sentam-se à mesa.) Pois gostei da tal caranguejola, é obra acabada... agora o que falta é acabar a obra. Política - Não se há de demorar... Eu interesso-me pelo melhoramento. Zé - Tu também interessas-te por tudo... és a salvação do Povo... Política - O Povo é os meus encantos, a minha tetéia... ou em melhor e moderna tradução, o meu bijou... Olha, lá vem Um dos meus amigos. Zé - Quem? Aquele Homem de capote que vem com aquela criançada toda? Política - Esse mesmo. Dirige-se para aqui. Caixeiro - Estamos arranjados... se nos apanha de jeito, é capaz de nos pedir a camisa. ===Cena XVIII=== Os mesmos e o Major Major - Meus senhores, venho implorar a sua caridade... Qualquer cosa me serve... Umas calças... até Uma casaca me faz conta... mesmo das viradas... se é que há algUmas por aqui... Zé (Baixo à Política.) - Aquilo parece que é contigo. Política - Não é, mas faz-me arder.. Major - Querem Uma amostra do pano? Pois aí vai o pano d’amostra. Eu tinha Uma casaca. DUma das abas fiz Um cueiro... vejam. (Mostra Uma criança embrulhada nUma aba da casaca.) Com outra, arranja-se Uma capa como esta. (Vai mostrando o que diz.) O que este tem na cabeça é Uma manga... cujo canhão disparou... quero dizer, desapareceu... a outra manga deu meias calças para este que está a espera d’outra casaca para completar a toalete... e o resto... o casco... desabado... cobre os ombros deste patusco... Vejam pois que as casacas di...abas são casacas Santas... Vamos, meus senhores, qualquer cosa serve. Zé - Eu só lhe dei Um cheque para o Banco Mauá. Major - Depois que levou o xeque-mate, é quanto de mau... há. Zé - Pois se lhe não serve... (O Caixeiro que tem saído, entra com Uma grande porção de roupa velha com que se vestem os pequenos caricatamente.) Caixeiro - Aqui tem o que há. Por hoje acabou-se a roupa velha cá em casa. Zé - É pena, porque o petisco é do gosto. Política - E olha que não é mau petisco. Major - Obrigado. Caixeiro - Quando o senhor sair condecorado, lembre-se de meu padrinho, que é Uma jóia e vende as ditas na Rua Estreita de São Joaquim. Major - Agora, rapazes, vamos a outra freguesia. (Dão a volta à roda da cena, ao som da Marcha.) ===Cena XIX=== Caixeiro, Zé, Política, depois Boato Zé - É original este tipo! Política - As intenções são boas... Zé - Já não acontece o mesmo a Todos... (Vai sentar-se nUm banco do que cai a perna.) Veja este banco que peça me armou... estava quebrado... não me preveni... convidou-me a sentar, e depois zás... Uma destas faz perder a confiança nos bancos. (Ouve-se rUmor.) Política - Que rUmor é este? Caixeiro - É na... o que lá vai. Política - O que é? Boato - Querem saber o que é, não se assustem. Todos os rapazes da Instrução Pública que, em vez de conhecerem os sujeitos da oração... ora... são a atacar Todos os sujeitos que passam. Zé - Mas então estão incursos nos artigos da Lei. Boato - São artigos indefinidos ainda. Zé - Mas isso não tem nome... Se hão de estudar a gramática e respeitar a regência... Boato - Fazem-se prosas e fazem o inverso. Política - Eu vou sossegá-los. Boato - Talvez que o seu verbo ativo... Zé - ... os faça concordar... Mas eu creio que fazes mal em te ires meter com os pequenos... lembra-te do ditado: Quem se... Política - Qual, de pequenino é que se torce o pepino. Boato - E ela quer começar a torcê-los de pequenos. Vá, Dona Política... e veja se tem proposições capazes de fazer a concordância geral e pôr o complemento à questão. Não se ponha com interrogações, e ponha ponto na oração. (Política sai. Boato a Zé.) Enquanto apeamos, quer tomar café, para depois irmos gozar de Uma partida de bilhar? Zé - A dinheiro vai... jogo o bilhar por Uma partida de café. Boato - Dizem que tem bom preço este ano? Zé - Isto é lá com os comissários... Vamos a isto. ===Cena XX=== Os mesmos, Espectador, Opinião, Tubo e Homem Canhão Espectador - Lá está ele... então o que lhe disse eu... encontramo-lo ou não. Zé - A Opinião! Estou asseado. Boato - Coragem. Opinião - Ora, até que tenho o gosto de lhe por a vista em cima... então, como se entende isto, senhor?... Que procedimento é esse? Quando o senhor subiu ao monte... Espectador - Foi quando ela subiu a serra! Opinião - Vamos é arranjar malas e partir. Zé - Partir? Opinião - Pois, por que espera? Zé - Por quê?... Ah! Sim... Quero que ande à roda! Comprei Um bilhete com duas garantias, par a sorte grande ser mais certa! Opinião - Com a cabeça à roda anda você desde que se apanhou com essas fúrias de cara caiada e de carro à porta! Ah! não sei o que me contou... (Raivosa.) Estou sedenta... Boato (Muito breve.) - Rapaz, já Um copo d’águia. Caixeiro - Acabou-se; Todos - Acabou-se?! Caixeiro - O Fiscal fechou a torneira pela manhã. Espectador - Deve haver outras... Caixeiro - Há, mas são verdes... ou digo, são para os outros. Todos - Água, água! Tubo - Pronto. (Mete Um Tubo pelo chão abaixo e sai Um repuxo.) Todos - Nada, nada. Tubo - Isto é simples. Boato - Dizem que não pega... porque é bom! Tubo - Há de sair... Boato - Olhe, canta-lhe...Quero dizer, toque-lhe a bomba... Todos (dando à bomba.) - Ajudemos Todos, (dando Todos à bomba.) Espectador - Se eu tivesse Um talismã, captava como o Vale , na Pêra de Satanás. Boato - Eu também. Espectador - Vá de valetas. Boato - De valetas. está dito. ''Cantam'' Talismã poderoso, que opera com o teu alto poder, maravilhas a nós Todos, que a sede devora Um pinga vem dar, seja embora do Cartaxo, do Porto, ou das |ilhas. (Jorra água por Um lado e vinho do outro.) Boato - Viva o nosso chafa... Tubo - ... ris? do progresso?... Boato - Vivam os Tubos. Todos - Vivam. Opinião - Vamos, Juquinha... Agora estou saciada, vamos para a tua terra. (Ouve-se Um grande tiro.) O que é isto? (Passa ao fundo o Homem-canhão.) Espectador - É o Homem-canhão. Boato - Homem-canhão... mulheres tenho visto. Espectador - Um Homem que dispara... e põe logo a andar Uma bala de calibre três mil, oitocentos e cinco... Zé - Que pena não haver Um batalhão destes no Paraguai. Boato - Para quê? Para se acabar a guerra nUm dia? Opinião- E para nos livrar dos impostos para ela, que ainda estamos pagando. (Música fora.) Todos - O que é isto? Boato - Isto deve ser... ruim... parece-me que é algUma manifestação qualquer... porquê... Espectador - Desembuche... Boato - Lá vai... conta-se... dizem que houve Uma combinação entre o Diretor do Corpo de Bombeiros... eu não vi... mas afirma-se. ===Cena XXI=== Anjo, Zé e Espectador Anjo - (Aparecendo ao fundo.) - Afirma-se que houve Um tempo em que os incêndios alteravam e destruíam com Uma voracidade assombrosa a propriedade e os bens. Zé - Bem me lembro. No tempo em que eram circunscritos. Espectador - Um incêndio deixa sempre o juízo a arder. Anjo - E que esse tempo, graças à energia, zelo, boa vontade e coragem dUm intrépido e benemérito militar, desapareceu... e que, por esse motivo, as Companhias de Seguro lhe vão oferecer Uma casa para ele habitar... Não é muito que se dê Um lar a quem tantos salvou! (Ouvem-se foguetes e música.) Zé - Viva o heróis dos fogos! Todos - Viva! (Saem.) ''Mutação'' ==Quadro V== ===Cena XXII=== (Vista da praça, a mesma cena do Quadro II. Vendilhões, pretas, rapazes com Gazetas. Ao fundo, Um grupo de gente dá atenção ao Preto, que canta alguns trechos de Maria Angú.) ''Canção'' ===Cena XXIII=== Os mesmos e Opinião Zé (Entra da esquerda.) - Para fugir à Opinião tive que também que fugir da Política!...Parece sina... Estou em maré de perder de vista as mulheres... Ora, a minha Opinião, isto é coisa que ora está para o Norte, ora para o Sul... Mas a Política? Segundo me informaram, essa senhora quando se pespega no cachaço de qualquer, não é com duas razões que o deixa. Opinião (Entrando pelo lado. À parte.) - Onde estará encafuado aquele maldito Boato? Se o desalmado corre, que ninguém o pode apanhar... (Vendo Zé.) Ola Seu Zé Povinho, apanhei-o. Zé - Credo, ela! Opinião - Com esta não contavas tu, confessa! Zé - Confesso que estou satisfeito. Opinião - Vamos, passa adiante! Zé - Onde diabos queres tu que eu vá? Opinião - Vamos embarcar. Zé - Ora esta! Ainda não tomei o gostinho... Nem vi os teatros. Opinião - As varietées, não?! Ora, passa adiante de mim. Zé (À parte.) - Se fosse a Política que governasse o Zé Povinho, ainda eu iria, mas da Opinião não me importa. Eu hei de me ver livre dela. Opinião (Que tem subido a falar com alguém e desce agora.) - Vamos (Saem.) ===Cena XXIV=== A Companhia de ConsUmo do Pão perseguida pelos Professores Públicos, Boato e Anúncio Professor - Dê cá o pão! Dê cá o pão! 1º da Companhia - Largue o pão! Largue o pão! Boato - O que é isto? O que é isto? 1º da Companhia - Senhores, nós somos a Companhia do ConsUmo do Pão. Boato - Ah!! 1º da Companhia - Andamos à cata de acionistas! Boato - Fazem mal, fiquem descansados em casa, que eles lá irão ter. 1º da Companhia - Precisamos de acionistas como de pão para a boca. Boato - Isso é o que não aprece.os senhores tem aí para Um exército. 1º da Companhia - Isto é Uma amostra do nosso pão. Professor - Senhor, nós é os pobre Professor público. Boato - Nós é... sim, senhor. Está se vendo... está se vendo... Professor - Nossos vencimento foi reduzido! Nós está com fome. Queremos este pão. Todos - Queremos este pão! 1º da Companhia- Mas isto é Uma violência. (Frases desencontradas de parte a parte e saem altercando para a direita.) Boato (Só.) - Dizem que Jesus Cristo, com cinco pães, deu de comer a cinco mil pessoas. Se fossem Todos da Companhia do ConsUmo, não era milagre nenhUm. Aí vem o Anúncio: fujamos deste amolador. Anúncio (Sombrio.) - Qual é a melhor cerveja nacional? A Cristiana! Dê-se Um prêmio a quem provar o contrário. (Passeia e pára de novo.) O melhor favor que se pode fazer a Uma senhora é indicar-lhe a casa especial de fazendas pretas. (O mesmo jogo.) O rend l’argent a quem comprar por menos. Aux 100.000 Palitots. (Sai majestosamente.) ===Cena XXV=== [Zé Povinho (Só.)] Zé - Então livrei-me dela ou não? A Opinião nunca está com o Zé Povinho, que é o mesmo que dizer que o Zé Povinho não tem Opinião. O que é aquilo? Que povaréu é aquele? ===Cena XXVI=== O mesmo, Dondon, Operários da Alfândega Os Recém-chegados - É Um desaforo! É Uma pouca vergonha! Zé - Vossas Excelências queiram desculpar, mas o que foi que aconteceu? Dondon - Eu lhe conto, cidadão... Antes que tudo, qual é a sua cor Política? Zé - O azul. Dondon - Como o azul? Zomba, cidadão? Olhe que lhe desanco com a musa do povo! Zé - Perdão, o que foi que perguntou? Dondon - Perguntei-lhe qual era sua cor Política. Zé - Pois então desculpe, julguei que me perguntasse qual era minha cor predileta. Dondon - Política. A que corpo pertence. Zé - Eu não tenho cor po...lítica. Dondon - Saiba que aquele senhor, ou por outra, aquele charuto que ali passa ao fundo fez Umas tantas exigências vexatórias e inconseqüentes a esta pobre gente! Fizeram greve... Zé - Uma greve é grave... Dondon - Vieram ter comigo, o Tribuno do Povo, o Mimoso das Multidões, o Hirsuto, o Encapotado, e pedirem-me que advogasse a sua causa. Fui a quem de direito... E o que julga o senhor que me respondesse quem de direito? Zé - Mandou-o pentear monos... ou pentear-se a si mesmo, que bem precisa disso. Dondon - Nada, cidadão! Disse-me - Por que se meteu nisso: os OPERÁRIos - É Um desaforo, é Uma pouca vergonha. Dondon - Hei de me vingar nUm seu colega a quem não cansarei de repetir com toda a força dos meus cabelos: - Larga a pasta. (Aos outros.) Amigos, segui-me e gritemos Todos. ''Coro'' ===Cena XXVII=== Política e Zé Povinho Política (Ouvindo ainda o coro.) - Imbecis, ora querem, ora não querem! (Vendo Zé.) Enfim te encontro. Zé - Onde andaste? Política - Então julgas que sou alguma vadia? Estás muito enganado! A Política não tem descanso. Ainda agora andei atrapalhada, apaziguando Uma divergência que se estabeleceu entre Um sujeito e Um marceneiro... Zé - Por quê? Política - Porque queria a viva força apoderar-se duma cadeira que estava em sua casa para cobrir de palhinha... e afinal apoderou-se. Zé - E quem é esse pândego? Política - Um sujeito velho... Zé - Desembuche! Quem é esse sujeito velho? Política - Não posso dizê-lo para evitar censura. Basta de darmos à taramela. Vamos. Zé - Aonde? Política - Vamos aí à toa, não nos faltará o que ver. (Saem.) ===Cena XXVIII=== Espectador e Boato Espectador - Nada, não me faça entrar na... para cá... olhe que não sou da peça. Boato - Não faz mal. Espectador - O empresário pode escamar-se... e com razão, que diabo. Um Homem que sai do camarote e entra no palco. E o demônio do contra-regra onde tem a cabeça?... Boato - Venha cá... venha cá... Espectador - De mais a mais, ó Seu Boato, olhe que isto é maçada... o espetáculo pode acabar depois da meia noite... e depois não há bonde. Boato - Lá vai Um vapor. (Passa Um vapor.) Espectador - Agora pergunto-lhe eu: se estando sem vapor fazem tantas vítimas, a vapor com vapor quantas farão? É Uma regra de três. Boato - Quais são os três? Espectador - Ora esta! sempre é muito tolo!... Uma regra de três é... é... Eu lhe explico... É Uma regra sem exceção. Você sabe que não há regra sem exceção. Boato - Quanto ao número de vítimas não se amedronte. Agora há Uma salva-vidas. Espectador - Mas já está posto em prática? Boato - Posto em pratos? Em pratos limpos. Espectador - Em prática! Boato - Por ora, está apenas posto em teoria. Espectador - Por força. Nesta terra é sempre assim. Se se tratasse dUm salva-Mortes, já a coisa andava na berra. mas diga-me cá: Você trata ou não de procurar a Dona Opinião? Boato - Havemos de encontrá-la nas festas do carnaval. (vendo cair Uma pasta, das bambolinas.) Ai! Espectador - Ai! Boato - Caiu Uma pasta. Espectador - Coitada! Donde cairia ela? Boato - Do poder. Espectador - Então o poder é lá em cima? Boato - É sim, senhor: dali é que nasce a corrupção dos povos. Espectador - É de cima. Sei. ===Cena XXIX=== Espectador e Política Política - Ah! Cá está a pobre pasta... Que queda! Espectador - Mas quem a atirou lá de cima? Política (Misteriosa.) Psiu! Vamos assistir ao carnaval? (Mutação.) ==Quadro VI== Sobe o pano do fundo e vêem-se diferentes grupos carnavalescos com as bandeiras das várias sociedades. Tocando a orquestra em surdina Um cancã. Todos (Gritando.) - Viva a folia! Febre Amarela (da esquerda.) - Bem, a ocasião é propícia para a ceifa. A Febre Amarela vai tirar o ventre da miséria. Anjo da HUmANIdaDE (Do outro lado.) - Ainda não há de ser desta vez, peste maldita. Para trás! (Ficam à boca de cena os personagens últimos e termina o ato com a música do Zé Pereira, e grande algazarra e confusão.) Fim do primeiro ato. [(Cai o pano.)] [[Categoria:O Rio de Janeiro em 1877]] 0p3dyhfqtahqcfdgflupaw77fg2elha Predefinição:Progressos recentes 10 220893 558769 558753 2026-08-14T14:00:11Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 558769 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|0|0|46|0|12|42}} | [[Index:Campos-Traduccaoebreve.pdf|Traducção e breve analyse sobre M. Pasteur e M. 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Preso J(uizo) de Paz do Primeiro Cart(ório) do Pillar Summario Escr[iv]am Felippe S[antIago] S[ilva] Baldaia <big>Anno</big> do Nascimento do Nosso Se nhor Jesus Christo de mil oito centos e oitenta e cinco aos dez dias do mez de Abril nesta cidade da Bahia e meu cartório authoei a Portaria e ma is papeis que innqueri? eu Felippe Sant Iago Sil va Baldaia Escrivam? es crev?<noinclude></noinclude> s8286qv6fi5h7gxeu8oo3zzq45xo9uu Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/129 106 248037 558797 541183 2026-08-14T23:15:19Z Wuopisht 5109 558797 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Wuopisht" /></noinclude>silencios, que ella ia ali deplorar a sorte da sobrinha. Estava sempre ao pé da carteira, amolando. Magdalena batia no teclado da machina. Seu Ribeiro escrevia com lentidão tremula, ás vezes se aperreava procurando a regua, a borracha, o frasco de colla, que se ausentavam, porque d. Gloria tinha o mau costume de mexer nos objectos e não os pôr nunca onde os encontrava. Eu me damnava com essa desordem, fechava a cara, dava ordens seccas rapidamente e sahia para não estourar. Emfim desabafei. Num dia quatro o balancete do mez passado não estava prompto. {{--}} Porque foi esse atrazo, seu Ribeiro? Doença? O velho esfregou as suissas, angustiado: {{--}} Não senhor. É que ha uma differença nas sommas. Desde hontem procuro fazer a conferencia, mas não posso. {{--}} Porque, seu Ribeiro? E elle calado. {{--}} Está bem. Ponha um cartaz ali na porta prohibindo a entrada ás pessoas que não tiverem negocio. Aqui trabalha-se. Um cartaz com letras bem grandes. Todas as pessoas, ouviu? Sem excepção. {{--}} Isso é commigo? disse d. Gloria esticando-se. {{--}} Prepare logo o cartaz, seu Ribeiro. {{--}} Perguntei se era commigo, tornou d. Gloria diminuindo um pouco. {{nop}}<noinclude></noinclude> ocg9swcrp52tat78x3h3p5v3o0jb4ly Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/130 106 249874 558786 541184 2026-08-14T23:10:04Z Wuopisht 5109 558786 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Cacaup" /></noinclude>{{--}} Ora, minha senhora, é com toda a gente. Se eu digo que não ha excepção, não ha excepção. {{--}} Vim falar com minha sobrinha, balbuciou d. Gloria reduzindo-se ao seu volume ordinario. {{--}} Sua sobrinha, emquanto estiver nesta sala, não recebe visitas, é um empregado como os outros. {{--}} Eu não sabia. Pensei que não interrompesse. {{--}} Pensou mal. Ninguem pode escrever, calcular e conversar ao mesmo tempo. D. Gloria sahiu deserevendo um angulo recto: esgueirou-se da carteira até a parede e, beirando-a, alcançou a porta, que se abriu e fechou silenciosamente. Sentei-me e comecei a confrontar o diario com {{SIC|o|artigo feminino: a}} razão. Seu Ribeiro approximou-se para auxiliar-me. {{--}} Obrigado. Seu Ribeiro apromptou, com o canivete e a regua, um quadrado de papelão. Magdalena levantou-se, cobriu a machina, trouxe-me as cartas, esperou que eu terminasse a leitura dellas e retirou-se. Assignei as cartas e metti-as nos enveloppes. {{--}} Que é que d. Gloria vem fuchicar aqui, seu Ribeiro? {{--}} Nada de importancia, respondeu o guarda-livros. A senhora d. Gloria é um coração de ouro e versa differentes themas com proficiencia, mas eu, para ser franco, não a tenho escutado com a devida attenção.<noinclude></noinclude> t07bl65wmp2oeaxvmlvg9w2wwbeop7c 558789 558786 2026-08-14T23:11:01Z Wuopisht 5109 558789 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Cacaup" /></noinclude> {{--}} Ora, minha senhora, é com toda a gente. Se eu digo que não ha excepção, não ha excepção. {{--}} Vim falar com minha sobrinha, balbuciou d. Gloria reduzindo-se ao seu volume ordinario. {{--}} Sua sobrinha, emquanto estiver nesta sala, não recebe visitas, é um empregado como os outros. {{--}} Eu não sabia. Pensei que não interrompesse. {{--}} Pensou mal. Ninguem pode escrever, calcular e conversar ao mesmo tempo. D. Gloria sahiu deserevendo um angulo recto: esgueirou-se da carteira até a parede e, beirando-a, alcançou a porta, que se abriu e fechou silenciosamente. Sentei-me e comecei a confrontar o diario com {{SIC|o|artigo feminino: a}} razão. Seu Ribeiro approximou-se para auxiliar-me. {{--}} Obrigado. Seu Ribeiro apromptou, com o canivete e a regua, um quadrado de papelão. Magdalena levantou-se, cobriu a machina, trouxe-me as cartas, esperou que eu terminasse a leitura dellas e retirou-se. Assignei as cartas e metti-as nos enveloppes. {{--}} Que é que d. Gloria vem fuchicar aqui, seu Ribeiro? {{--}} Nada de importancia, respondeu o guarda-livros. A senhora d. 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Sentei-me e comecei a confrontar o diario com {{SIC|o|artigo feminino: a}} razão. Seu Ribeiro approximou-se para auxiliar-me. {{--}} Obrigado. Seu Ribeiro apromptou, com o canivete e a regua, um quadrado de papelão. Magdalena levantou-se, cobriu a machina, trouxe-me as cartas, esperou que eu terminasse a leitura dellas e retirou-se. Assignei as cartas e metti-as nos enveloppes. {{--}} Que é que d. Gloria vem fuchicar aqui, seu Ribeiro? {{--}} Nada de importancia, respondeu o guarda-livros. A senhora d. Gloria é um coração de ouro e versa differentes themas com proficiencia, mas eu, para ser franco, não a tenho escutado com a devida attenção.<noinclude></noinclude> hc48r6ymkoumedg8lkvk36e3v7sor3s 558798 558792 2026-08-14T23:15:38Z Wuopisht 5109 558798 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Cacaup" /></noinclude>{{--}} Ora, minha senhora, é com toda a gente. Se eu digo que não ha excepção, não ha excepção. {{--}} Vim falar com minha sobrinha, balbuciou d. 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Gloria é um coração de ouro e versa differentes themas com proficiencia, mas eu, para ser franco, não a tenho escutado com a devida attenção.<noinclude></noinclude> t07bl65wmp2oeaxvmlvg9w2wwbeop7c 558806 558798 2026-08-14T23:25:37Z Wuopisht 5109 558806 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Cacaup" /></noinclude>{{--}} Ora, minha senhora, é com toda a gente. Se eu digo que não ha excepção, não ha excepção. {{--}} Vim falar com minha sobrinha, balbuciou d. Gloria reduzindo-se ao seu volume ordinario. {{--}} Sua sobrinha, emquanto estiver nesta sala, não recebe visitas, é um empregado como os outros. {{--}} Eu não sabia. Pensei que não interrompesse. {{--}} Pensou mal. Ninguem pode escrever, calcular e conversar ao mesmo tempo. D. Gloria sahiu descrevendo um angulo recto: esgueirou-se da carteira até a parede e, beirando-a, alcançou a porta, que se abriu e fechou silenciosamente. Sentei-me e comecei a confrontar o diario com {{SIC|o|artigo feminino: a}} razão. Seu Ribeiro approximou-se para auxiliar-me. {{--}} Obrigado. Seu Ribeiro {{SIC|apromptou|apromptou é um verbo regional, arcaico ou popular, usado em algumas áreas do Brasil, especialmente em linguagem rural antiga. Significa cortar, aparar, acertar as bordas, geralmente com ferramenta simples (canivete, faca, tesoura)}}, com o canivete e a regua, um quadrado de papelão. Magdalena levantou-se, cobriu a machina, trouxe-me as cartas, esperou que eu terminasse a leitura dellas e retirou-se. Assignei as cartas e metti-as nos enveloppes. {{--}} Que é que d. Gloria vem fuchicar aqui, seu Ribeiro? {{--}} Nada de importancia, respondeu o guarda-livros. A senhora d. Gloria é um coração de ouro e versa differentes themas com proficiencia, mas eu, para ser franco, não a tenho escutado com a devida attenção.<noinclude></noinclude> btgruv0xgs5wpp9lpvgopp3y7fq1uqs 558808 558806 2026-08-14T23:28:19Z Wuopisht 5109 558808 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Cacaup" /></noinclude>{{--}} Ora, minha senhora, é com toda a gente. Se eu digo que não ha excepção, não ha excepção. {{--}} Vim falar com minha sobrinha, balbuciou d. Gloria reduzindo-se ao seu volume ordinario. {{--}} Sua sobrinha, emquanto estiver nesta sala, não recebe visitas, é um empregado como os outros. {{--}} Eu não sabia. Pensei que não interrompesse. {{--}} Pensou mal. Ninguem pode escrever, calcular e conversar ao mesmo tempo. D. Gloria sahiu descrevendo um angulo recto: esgueirou-se da carteira até a parede e, beirando-a, alcançou a porta, que se abriu e fechou silenciosamente. Sentei-me e comecei a confrontar o diario com {{SIC|o|artigo feminino: a}} razão. Seu Ribeiro approximou-se para auxiliar-me. {{--}} Obrigado. Seu Ribeiro {{SIC|apromptou|apromptou é um verbo regional, arcaico ou popular, usado em algumas áreas do Brasil, especialmente em linguagem rural antiga. Significa cortar, aparar, acertar as bordas, geralmente com ferramenta simples (canivete, faca, tesoura)}}, com o canivete e a regua, um quadrado de papelão. Magdalena levantou-se, cobriu a machina, trouxe-me as cartas, esperou que eu terminasse a leitura dellas e retirou-se. Assignei as cartas e metti-as nos enveloppes. {{--}} Que é que d. Gloria vem fuchicar aqui, seu Ribeiro? {{--}} Nada de importancia, respondeu o guarda-livros. A senhora d. Gloria é um coração de ouro e versa differentes themas com proficiencia, mas eu, para ser franco, não a tenho escutado com a devida attenção. {{nop}}<noinclude></noinclude> cd5yfiqgc30i07sejh3ql8c9uve0p4o Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/131 106 249991 558813 541187 2026-08-14T23:43:12Z Wuopisht 5109 558813 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Cacaup" /></noinclude>Achei ridiculo interrogar aquelle homem grave sobre os mexericos de d. Gloria. {{--}} Excellente senhora, affirmava seu Ribeiro pautando a lapis o quadrado de papelão. {{--}} Mais ou menos. Enderecei a correspondencia e levantei-me: {{--}} Cuidado com os intrusos. {{--}} Perfeitamente, respondeu seu Ribeiro. No salão encontrei Magdalena cahida no sofá, acabrunhada. Enxugou os olhos á pressa: {{--}} Porque foi aquella brutalidade? Magdalena estava prenhe, e eu pegava nella como em louça fina. Ultimamente dizia-me coisas desagradaveis, que eu fingia não comprehender. Via a barriga crescer-lhe. Uma compensação. Sentei-me e, para não desgostal-a: {{--}} Foi realmente brutalidade. Brutalidade necessaria, mas emfim brutalidade. E' uma peste recorrer a isso. {{--}} E para que recorre? chasqueou Magdalena. {{--}} Já você começa. Esses modos não, tenha paciencia. Detesto picuinhas. Commigo é traz zaz, nó cego. Subterfugios não.. {{--}} Quem é que está com subterfugios! Foi uma brutalidade. {{--}} Necessaria. {{--}} Desnecessaria. Vê-se bem que você não gosta de minha tia. {{--}} Eu? Nem gosto nem desgosto. Pensei que ella quizesse alguma occupação. A proposito, é<noinclude></noinclude> krmrnupk2p1oj7rivb2xw6jjqv8seqq 558815 558813 2026-08-14T23:47:31Z Wuopisht 5109 558815 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Cacaup" /></noinclude>Achei ridiculo interrogar aquelle homem grave sobre os mexericos de d. Gloria. {{--}} Excellente senhora, affirmava seu Ribeiro pautando a lapis o quadrado de papelão. {{--}} Mais ou menos. Enderecei a correspondencia e levantei-me: {{--}} Cuidado com os intrusos. {{--}} Perfeitamente, respondeu seu Ribeiro. No salão encontrei Magdalena cahida no sofá, acabrunhada. Enxugou os olhos á pressa: {{--}} Porque foi aquella brutalidade? Magdalena estava prenhe, e eu pegava nella como em louça fina. Ultimamente dizia-me coisas desagradaveis, que eu fingia não comprehender. Via a barriga crescer-lhe. Uma compensação. Sentei-me e, para não desgostal-a: {{--}} Foi realmente brutalidade. Brutalidade necessaria, mas emfim brutalidade. E' uma peste recorrer a isso. {{--}} E para que recorre? chasqueou Magdalena. {{--}} Já você começa. Esses modos não, tenha paciencia. Detesto picuinhas. Commigo é traz zaz, nó cego. Subterfugios não. {{--}} Quem é que está com subterfugios! Foi uma brutalidade. {{--}} Necessaria. {{--}} Desnecessaria. Vê-se bem que você não gosta de minha tia. {{--}} Eu? Nem gosto nem desgosto. Pensei que ella quizesse alguma occupação. A proposito, é<noinclude></noinclude> k47ukbjtrv35pbg7zmkwi2hapq5dqxx Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/132 106 249992 558819 541191 2026-08-14T23:53:15Z Wuopisht 5109 558819 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Cacaup" /></noinclude>bom você deixar a machina. Aquillo é ruim para a barriga. Não se sente mal? {{--}} Não. {{--}} Em todo o caso uns mezes antes e uns mezes depois do parto tem ferias. {{--}} Obrigada. {{--}} Como ia dizendo, julguei que sua tia quizesse trabalhar. Até uma vez dei a ella uns conselhos, no trem. Espinhou-se. Vive ahi com as mãos abanando, lendo bobagens. Não lhe quero mal por isso. Agora o que não acho direito é empatar o serviço dos outros. {{--}} Escute, Paulo, soluçou Magdalena. Está enganado. Não tem razão, garanto que não tem razão. Minha tia é uma criatura digna. {{--}} Effectivamente, ella tem uma especie de dignidade, ás vezes, mas a dignidade nella dura pouco. Magdalena proseguiu: {{--}} Não conheço ninguem que trabalhe mais que d. Gloria. {{--}} Ora essa! bradei com um espanto que me levantou do sofá. {{--}} Vai sahir? Pensando bem, ereio que não foi o espanto que me levantou. Provavelmente foi o costume que eu tinha de me dirigir ao campo todos os dias pela manhã. É verdade que o meu espirito estava completamente afastado da lavoura, mas d. Gloria e Magdalena já me haviam retardado quasi uma hora,<noinclude></noinclude> 0m13sw31a1qciitfvsuh28zlfxa3kd3 558820 558819 2026-08-14T23:55:33Z Wuopisht 5109 558820 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Cacaup" /></noinclude>bom você deixar a machina. Aquillo é ruim para a barriga. Não se sente mal? {{--}} Não. {{--}} Em todo o caso uns mezes antes e uns mezes depois do parto tem ferias. {{--}} Obrigada. {{--}} Como ia dizendo, julguei que sua tia quizesse trabalhar. Até uma vez dei a ella uns conselhos, no trem. Espinhou-se. Vive ahi com as mãos abanando, lendo bobagens. Não lhe quero mal por isso. Agora o que não acho direito é empatar o serviço dos outros. {{--}} Escute, Paulo, soluçou Magdalena. Está enganado. Não tem razão, garanto que não tem razão. Minha tia é uma criatura digna. {{--}} Effectivamente, ella tem uma especie de dignidade, ás vezes, mas a dignidade nella dura pouco. Magdalena proseguiu: {{--}} Não conheço ninguem que trabalhe mais que d. Gloria. {{--}} Ora essa! bradei com um espanto que me levantou do sofá. {{--}} Vai sahir? Pensando bem, creio que não foi o espanto que me levantou. Provavelmente foi o costume que eu tinha de me dirigir ao campo todos os dias pela manhã. É verdade que o meu espirito estava completamente afastado da lavoura, mas d. Gloria e Magdalena já me haviam retardado quasi uma hora,<noinclude></noinclude> bzbzkvmpa2cc6xl2v8vwbimad7gbqbn Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/133 106 249994 558823 541192 2026-08-14T23:58:25Z Wuopisht 5109 558823 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Cacaup" /></noinclude>e o movimento que fiz correspondia a uma necessidade que se tornou clara quando me puz de pé. {{--}} Vamos? Magdalena acompanhou-me e em caminho falou desta fórma: {{--}} Você, pelo que me disse, principiou a vida. muito pobre. {{--}} Sei lá como principiei! Quando dei por mim, era guia de cego. Depois vendi as cocadas da velha Margarida. Já lhe contei. {{--}} Já. Luctou muito. Mas aeredite que dona Gloria tem desenvolvido mais actividade que você. {{--}} Estou esperando. Que fez ella? cou-me. {{--}} Tomou conta de mim, sustentou-me e edu- {{--}} Só? {{--}} Acha pouco E' porque você não sabe o esforço que isso eustou. Maior que o seu para obter S. Bernardo. E o que é certo é que d. Gloria não me troca por S. Bernardo. Vaidade. Professorinhas de primeiras letras a escola normal fabricava ás duzias. 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É porque você não sabe o esforço que isso custou. Maior que o seu para obter S. Bernardo. E o que é certo é que d. Gloria não me troca por S. Bernardo. Vaidade. Professorinhas de primeiras letras a escola normal fabricava ás duzias. Uma propriedade como S. Bernardo era differente. {{--}} Não ha comparação. {{--}} Moravamos em casa de jogador de espada, disse Magdalena. Havia duas cadeiras. Se chegava visita, d. Gloria sentava-se num caixão de kerosene.<noinclude></noinclude> htmuyhnnbu0kqur06ws7nubet7yirpr Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/134 106 249996 558849 541194 2026-08-15T01:26:41Z Wuopisht 5109 558849 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>A saleta de jantar era o meu gabinete de estudo. A mesa tinha uma perna quebrada e encostava-se á parede. Trabalhei ali muitos annos. A' noite baixava a luz do candieiro, por economia. D. Gloria ia para a cozinha resmungar, chorar, lastimar-se. O habito que ella tem de cochichar e caminhar na ponta dos pés vem desse tempo. Dormiamos as duas numa cama estreita. Se eu adoecia, d. Gloria passava a noite sentada; quando não aguentava o somno, deitava-se no chão. Magdalena calou-se. Impressionado com aquella pobreza, exclamei: {{--}} Diabo! Vocês comeram uma cachorra ensossa. {{--}} Quem não adoecia era d. Gloria, continuou Magdalena. Eu sahia para a escola e ella punha o chale, ia cavar a vida. Tinha muitas profissões. Conhecia padres {{--}} e fazia flores, punha em ordem alphabetica os assentamentos de baptizados, enfeitava altares. Conhecia desembargadores {{--}} e copiava os accordams do tribunal. Á noite vendia bilhetes no Floriano. E como o padeiro nosso vizinho era analphabeto, escripturava as contas delle num caderno de balcão. Está claro que, dedicando-se a tantas occupações miudas, era mal paga. {{--}} Deve comprehender... murmurei vagamente, olhando os dorsos vermelhos das novilhas mergulhadas no capim gordura.<noinclude></noinclude> 48n7xurb8iceaohjn7vbyidkk6rl38w 558851 558849 2026-08-15T01:31:50Z Wuopisht 5109 558851 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>A saleta de jantar era o meu gabinete de estudo. A mesa tinha uma perna quebrada e encostava-se á parede. Trabalhei ali muitos annos. A' noite baixava a luz do candieiro, por economia. D. Gloria ia para a cozinha resmungar, chorar, lastimar-se. O habito que ella tem de cochichar e caminhar na ponta dos pés vem desse tempo. Dormiamos as duas numa cama estreita. Se eu adoecia, d. Gloria passava a noite sentada; quando não aguentava o somno, deitava-se no chão. Magdalena calou-se. Impressionado com aquella pobreza, exclamei: {{--}} Diabo! Vocês comeram uma cachorra ensossa. {{--}} Quem não adoecia era d. Gloria, continuou Magdalena. Eu sahia para a escola e ella punha o chale, ia cavar a vida. Tinha muitas profissões. Conhecia padres {{--}} e fazia flores, punha em ordem alphabetica os assentamentos de baptizados, enfeitava altares. Conhecia desembargadores {{--}} e copiava os accordams do tribunal. Á noite vendia bilhetes no Floriano. E como o padeiro nosso vizinho era analphabeto, escripturava as contas delle num caderno de balcão. Está claro que, dedicando-se a tantas occupações miudas, era mal paga. {{--}} Deve comprehender... murmurei vagamente, olhando os dorsos vermelhos das novilhas mergulhadas no capim gordura. {{nop}}<noinclude></noinclude> mzgshmwut8lwnlafk86krjhcyrf7twt Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/135 106 250000 558850 541208 2026-08-15T01:31:22Z Wuopisht 5109 558850 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>Magdalena interrompeu-me: {{--}} E nos exames ainda tinha tempo de caba- lar os examinadores, Deus e o mundo para eu não ser reprovada. D. Gloria é incançavel. O que ella não pode é dedicar-se a um trabalho continuado: consome-se em trabalhos incompletos. E' por isso. a inquietação em que vive. Aqui não ha os bilhe- tes do cinema, os accordams do tribunal, os assen- tamentos de baptizados, o caderno de contas do padeiro. D. Gloria vê machinas e homens que funccionam como as machinas. Entretanto d. Glo- ria procura ser util: vai á igreja, põe flores nos al- tares e limpa os vidros das imagens na sacristia; tenta cozinhar e não se entende com Maria das Dores; offerece-se para ajudar seu Ribeiro; já ex- perimentou escrever ein machina. I'm eaminhão rodou em direcção à serraria; vinham da mata pancadas seccas de machado; car- ros de bois cliavam para os lados de Bom Successo. -- Como tenho dito, não concordo com esse es- banjamento de energia. A gente deve habituar-se a fazer uma coisa só. D. Gloria nada ganharia se se aperfeiçoas- se em vender bilhetes no cinema ou escrever os ba- ptizados: a paga seria sempre insignificante. rendoso? Porque não se empregou em officio mais Difficil. Demais é necessario haver quem venda os bilhetes e copie os accordams..<noinclude></noinclude> sx62vw2t80j8ikpq4fkpjq70uhkudeb 558852 558850 2026-08-15T01:36:20Z Wuopisht 5109 558852 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>Magdalena interrompeu-me: {{--}} E nos exames ainda tinha tempo de cabalar os examinadores, Deus e o mundo para eu não ser reprovada. D. Gloria é incançavel. O que ella não pode é dedicar-se a um trabalho continuado: consome-se em trabalhos incompletos. E' por isso a inquietação em que vive. Aqui não ha os bilhetes do cinema, os accordams do tribunal, os assentamentos de baptizados, o caderno de contas do padeiro. D. Gloria vê machinas e homens que funccionam como as machinas. Entretanto d. Gloria procura ser util: vai á igreja, põe flores nos altares e limpa os vidros das imagens na sacristia; tenta cozinhar e não se entende com Maria das Dores; offerece-se para ajudar seu Ribeiro; já experimentou escrever em machina. Um caminhão rodou em direcção à serraria; vinham da mata pancadas seccas de machado; carros de bois chiavam para os lados de Bom Successo. {{--}} Como tenho dito, não concordo com esse esbanjamento de energia. A gente deve habituar-se a fazer uma coisa só. {{--}} D. Gloria nada ganharia se se aperfeiçoasse em vender bilhetes no cinema ou escrever os baptizados: a paga seria sempre insignificante. {{--}} Porque não se empregou em officio mais rendoso? {{--}} Difficil. Demais é necessario haver quem venda os bilhetes e copie os accordams. {{nop}}<noinclude></noinclude> 5ug4e1c1j2q4i2d5rvnw8z4qe9aoniz 558853 558852 2026-08-15T01:39:52Z Wuopisht 5109 558853 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>Magdalena interrompeu-me: {{--}} E nos exames ainda tinha tempo de {{SIC|cabalar|cabalar=verbo português antigo/regional, hoje praticamente fora de uso na norma padrão. Sentido derivado: vigiar, fiscalizar}} os examinadores, Deus e o mundo para eu não ser reprovada. D. Gloria é incançavel. O que ella não pode é dedicar-se a um trabalho continuado: consome-se em trabalhos incompletos. E' por isso a inquietação em que vive. Aqui não ha os bilhetes do cinema, os accordams do tribunal, os assentamentos de baptizados, o caderno de contas do padeiro. D. Gloria vê machinas e homens que funccionam como as machinas. Entretanto d. Gloria procura ser util: vai á igreja, põe flores nos altares e limpa os vidros das imagens na sacristia; tenta cozinhar e não se entende com Maria das Dores; offerece-se para ajudar seu Ribeiro; já experimentou escrever em machina. Um caminhão rodou em direcção à serraria; vinham da mata pancadas seccas de machado; carros de bois chiavam para os lados de Bom Successo. {{--}} Como tenho dito, não concordo com esse esbanjamento de energia. A gente deve habituar-se a fazer uma coisa só. {{--}} D. Gloria nada ganharia se se aperfeiçoasse em vender bilhetes no cinema ou escrever os baptizados: a paga seria sempre insignificante. {{--}} Porque não se empregou em officio mais rendoso? {{--}} Difficil. Demais é necessario haver quem venda os bilhetes e copie os accordams. {{nop}}<noinclude></noinclude> fszui4roxu3o1vu469gnzfww7e0ttu9 558855 558853 2026-08-15T01:41:14Z Wuopisht 5109 558855 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>Magdalena interrompeu-me: {{--}} E nos exames ainda tinha tempo de {{SIC|cabalar|cabalar: verbo português antigo/regional, hoje praticamente fora de uso na norma padrão. Sentido derivado: vigiar, fiscalizar}} os examinadores, Deus e o mundo para eu não ser reprovada. D. Gloria é incançavel. O que ella não pode é dedicar-se a um trabalho continuado: consome-se em trabalhos incompletos. E' por isso a inquietação em que vive. Aqui não ha os bilhetes do cinema, os accordams do tribunal, os assentamentos de baptizados, o caderno de contas do padeiro. D. Gloria vê machinas e homens que funccionam como as machinas. Entretanto d. Gloria procura ser util: vai á igreja, põe flores nos altares e limpa os vidros das imagens na sacristia; tenta cozinhar e não se entende com Maria das Dores; offerece-se para ajudar seu Ribeiro; já experimentou escrever em machina. Um caminhão rodou em direcção à serraria; vinham da mata pancadas seccas de machado; carros de bois chiavam para os lados de Bom Successo. {{--}} Como tenho dito, não concordo com esse esbanjamento de energia. A gente deve habituar-se a fazer uma coisa só. {{--}} D. Gloria nada ganharia se se aperfeiçoasse em vender bilhetes no cinema ou escrever os baptizados: a paga seria sempre insignificante. {{--}} Porque não se empregou em officio mais rendoso? {{--}} Difficil. Demais é necessario haver quem venda os bilhetes e copie os accordams. {{nop}}<noinclude></noinclude> lquqgywzmywn0kso8wt9621a3u9sl1h 558856 558855 2026-08-15T01:44:40Z Wuopisht 5109 558856 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>Magdalena interrompeu-me: {{--}} E nos exames ainda tinha tempo de {{SIC|cabalar|cabalar: Verbo português antigo/regional, hoje praticamente fora de uso na norma padrão. Sentido derivado: vigiar, fiscalizar}} os examinadores, Deus e o mundo para eu não ser reprovada. D. Gloria é incançavel. O que ella não pode é dedicar-se a um trabalho continuado: consome-se em trabalhos incompletos. E' por isso a inquietação em que vive. Aqui não ha os bilhetes do cinema, os accordams do tribunal, os assentamentos de baptizados, o caderno de contas do padeiro. D. Gloria vê machinas e homens que funccionam como as machinas. Entretanto d. Gloria procura ser util: vai á igreja, põe flores nos altares e limpa os vidros das imagens na sacristia; tenta cozinhar e não se entende com Maria das Dores; offerece-se para ajudar seu Ribeiro; já experimentou escrever em machina. Um caminhão rodou em direcção à serraria; vinham da mata pancadas seccas de machado; carros de bois chiavam para os lados de Bom Successo. {{--}} Como tenho dito, não concordo com esse esbanjamento de energia. A gente deve habituar-se a fazer uma coisa só. {{--}} D. Gloria nada ganharia se se aperfeiçoasse em vender bilhetes no cinema ou escrever os baptizados: a paga seria sempre insignificante. {{--}} Porque não se empregou em officio mais rendoso? {{--}} Difficil. Demais é necessario haver quem venda os bilhetes e copie os accordams. {{nop}}<noinclude></noinclude> p8x57twhoc2ntdw6eyfz3z4k5mjpcxm Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/136 106 250001 558857 541210 2026-08-15T01:52:11Z Wuopisht 5109 558857 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>{{--}} Calei-me e não senti nenhuma sympathia á pobre da d. Gloria. Continuei a julgal-a uma velha bisbilhoteira e de mãos lastimaveis, que deitavam a perder o que pegavam. Aquellas occupações espalhadas aborreciam-me. Levantei os hombros. E, para não descontentar Magdalena: {{--}} Póde ser que você tenha razão. Eu discordo. Mas emfim cada qual tem lá o seu modo de matar pulgas.<noinclude></noinclude> h6j8v9oo3t0csp5608orgu1sszqdyoy 558858 558857 2026-08-15T01:53:08Z Wuopisht 5109 558858 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>{{--}} Calei-me {{--}} e não senti nenhuma sympathia á pobre da d. Gloria. Continuei a julgal-a uma velha bisbilhoteira e de mãos lastimaveis, que deitavam a perder o que pegavam. Aquellas occupações espalhadas aborreciam-me. Levantei os hombros. E, para não descontentar Magdalena: {{--}} Póde ser que você tenha razão. Eu discordo. Mas emfim cada qual tem lá o seu modo de matar pulgas.<noinclude></noinclude> rrb4jgrjt5t67eh5ckslg5aeezzbijx Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/137 106 250002 558859 541212 2026-08-15T01:57:24Z Wuopisht 5109 558859 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>Era domingo, de tarde, e eu voltava do descaroçador e da serraria, onde tinha estado a arengar com o machinista. Um volante empenado e um dynamo que emperrava. O homem promettera endireitar tudo em dois dias. Contratempo. Montes de madeira, algodão enchendo os paioes. {{--}} Desleixados. Á beira do riacho, topei a velha Margarida sentada numa pedra, lavando as cannelas finas como gravetos. {{--}} Boa tarde, mãe Margarida. {{--}} Louvado seja Nosso Senhor Jesus Christo, respondeu a negra procurando reconhecer-me com o nariz e com a orelha. Descobriu-me entre cheiros e ruidos: {{--}} Ahn! {{--}} Como vai isso, mãe Margarida? A saude? {{--}} Aqui vamos dando, meu filho. Melhor do que mereço a Deus, disse a velha enxugando na saia de riscado os cambitos das pernas. {{--}} Falta alguma coisa lá no rancho? {{nop}}<noinclude></noinclude> 00pz5u6a594jxkwbr3dqfchgibnl5ob Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/151 106 250428 558778 556963 2026-08-14T22:49:37Z Sintegrity 35105 /* Validada */ 558778 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sintegrity" />{{rh|{{sc|54}}|CHAPA CHAPA|}}</noinclude>esta '''chapa''' era como selo se não que era aberta de parte a parte, e punhasse cõ almagre<ref>«Mas no seguinte passo emprega-o no sentido continental: Mandou fazer hum caniço de mastos de naos '''chapados''' com muytas '''chapas''' de ferro». Liv. I, cap. 72. Cf. L.-Hindust. ''chápas''.</ref>. E Bluteau relaciona ''chapado'' com ''chapa'' indiana: «Homem chapado. Que anda como guarnecido com a chapa da sua virtude, do seu esforço, etc. He tomada a metaphora das chapas, ou laminas de metal, em que os Reys da India fazem gravar seus alvarás». Beames, Thomson, Fallon e muitos outros indianistas não duvidam que o vocábulo seja vernáculo do hindi. No ''Tombo do Estado da India'', vem «o trellado do contrato que o governador Nuno da Cunha assentou com Nizamafe Zaman sobre Cambaya, o ano de 537», onde ocorrem, alêm do substantivo ''chapa'', o verbo ''chapar'' e o seu particípio ''chapado'', todos empregados em sentidos genuinamente indianos: «Logo perante mim asynou e jurou em seu moçafo de a todo teer e manter, e cumprir este, como nelle he conteudo e o '''chapou''' de sua '''chapa'''» (isto é, «selou com o seu sêlo»)... «E quanto á moeda ser '''chapada''' de sua sita» (''sic'', aliás sica), quer dizer, «cunhada com a sua marca». Diogo do Couto tambêm diz: «Elle lhe passou um formão com letras grandes, e fermosas, '''chapado''' com '''chapa''' de suas armas». Déc. VI, VII, 7<ref>Gaspar Correia, referindo-se a Pedro de Covilhã, diz: «Mostrando a '''chapa''' de cobre, em que hião talhadas letras do nome d'ElRey dom João e do Preste, em caldeu». Liv. III, p. 29.</ref>. Convêm notar que na Índia o vocábulo ''chapa'' se encontra tam sómente nas línguas modernas, à excepção, que eu saiba, do tamul e do singalês, que o não teem. ''Chāpa'' em sânscrito é nome do arco. A introdução da imprensa tem-lhe proporcionado novos significados e maior expansão. Yule & Burnell não admitem, contra a opinião de alguns autores, que ''chap'', usado no Extremo Oriente, provenha do chinês, mas manteem que foi levado da Índia. Quanto à sematologia, a principal diferença consiste em não ter ''chapa'', na Índia, o significado de «lâmina» (sem inscrição ou desenho), para o qual há termos especiais, como ''pātí'', ''tagaḍ'' ou ''lagaḍ'', ''patrém''. Tambêm se não usa no sentido de «chapada, planície». Há uma coincidência notável, se não houve transmissão. Molesworth regista ''chhápo'' «''a play among children''» (= jôgo de crianças), como termo usado no marata do Concão; e o Sr. Cândido de Figueiredo dá, entre outros significados de ''chapa'', == Notas == <references /><noinclude></noinclude> t9v8lanhszypb5fyvp9lwipfauxg4un Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/152 106 250429 558779 557130 2026-08-14T22:49:56Z Sintegrity 35105 /* Validada */ 558779 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sintegrity" />{{rh||CHAPÉU CHARUTO|{{sc|55}}}}</noinclude>o de «espécie de jogo de rapazes». O ''Dicc. Contemp.'' explica, como o faz Bluteau, a natureza do «jogo da ''chapa'', o dos cunhos e cruzes»<ref>Não consegui saber em que consiste o jôgo do Concão.</ref>. Parece-me que ''chámp'' ou ''cháp'' (com ''ch'' inaspirado), «cão de espingarda», que aparece em algumas línguas indianas, tem outro étimo, talvez ''chāmpná'' em hindustani, ''chāpṇém'' em marata, «premer, comprimir». Em concani diz-se ''kámv''. Em conclusão. É quási certo que ''chapa'' não foi de Portugal para a Índia. O argumento de maior pêso é que ''chháp'' ou ''chhapá'' é «termo técnico usado pelos vaixnavas para denotar as marcas sectárias (lódão, tridente, etc.) que desenham nos seus corpos» (''Hobson-Jobson''); e tal termo não pode ser estrangeiro, modernamente importado. E sendo incerta a origem do vocábulo português, não é improvável que seja indiana, não havendo nenhum documento do seu emprêgo, anterior às conquistas orientais. Note-se porêm que Duarte Barbosa (1516) emprega ''chapeado'' no sentido europeu: «Ho preste Joom em outro caro (= carro) ''chapeado'' douro». P. 215. '''[[:d:Lexeme:L447142|Chapéu.]]''' Conc., Mar. ''chepém''. — Mal. ''chapéu'', ''chapíyu''. — Sund. ''chapéo''. — Mak., Bug. ''chapíyo''. — Nic. ''xapéo''<ref>«Hum '''chapeo''' de guedelha de seda cramezim». Gaspar Correia, I, p. 534. «Na cabeça hum '''chapeo''' de veludo preto». Diogo do Couto, Déc. VII, IV, 6.</ref>. Molesworth diz: «''Chepem'' n. R. (Rájápur) W (Wari) (''chepṇem''). A low, flattish hat or cap. Used esp. of the military hat or cap of the Sepoys and their officers». ''Chepṇém'', de que o autor tira erradamente a origem, significa «achatar, comprimir». ''Chèpekàr'', o que usa chapéu; chapeleiro. Concani. '''[[:d:Lexeme:L448429|Chapinha]]''' («pequena lâmina de metal»). Malayál. ''chappiñña''. — ? Siam. ''cha'ping'', ''ta'ping''. '''[[:d:Lexeme:L1375286|Charamela.]]''' Conc. ''chermél''. — Mak., Bug. ''charaméle''. — Jap. ''charumera'', ''charumeru''. Term. vern. ''rappa''<ref>«Com muitas '''charamelas''', trombetas». ''Id.'', Déc. VI, IV, 6.</ref>. '''[[:d:Lexeme:L447879|Charuto.]]''' Tet., Gal. ''sarútu''. O étimo primordial desta palavra, adoptada por muitas línguas indianas e malaio-polinésias, é o tam. ''churuṭṭu'', «rôlo, torcida, charuto; envolver, enrolar» (Percival). «É pois evidente, diz com muita razão o Sr. Gonçalves Viana, que da Índia, e não de Portugal, passou à língua malaia o termo, como passou à inglesa, e desta ao português»<ref>«Os '''cherutos''' constituindo huma especie distincta, devem ser despachados em caixas, pagando hum direito por milheiro». F. N. Xavier, ''Collecção de Bandos'', I, p. 200.</ref>. == Notas == <references /><noinclude></noinclude> 9cbndt7qvkch40iq4p111gb4ufpgjrz Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/153 106 250431 558780 556965 2026-08-14T22:51:01Z Sintegrity 35105 /* Validada */ 558780 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sintegrity" />{{rh|{{sc|56}}|CHIRIPOS CHITA|}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:L448432|Chave.]]''' Conc., Mar. ''tsāví''. — Guj. ''chāví''. — Hindi ''chābí''. — Hindust. ''chāví'', ''chābí'', ''chābhí''. — L.-Hindust. ''chāví'', ''chābí'', passador (naut., ingl. ''fid''). — Nep., Or. ''chābí''. — Beng. ''chābi'', ''chábi'', ''sābí''. — Ass. ''chábi'', ''sábi''. — Term. neo-áricos: ''kilí'', ''tālí'', ''kunji'', ''kunz''. — Tam. ''sávi''. Term. vern. ''tir̥appu'', ''tir̥avukól''. — Tel. ''sávi'', ''chevi''. — Can., Tul. ''chávi''. — Indo-ingl. ''chabee''. — Gar. ''chabi''. — Khas. ''shabi''. — Tet., Gal. ''chávi''. ''Tsāvyekár'', chaveiro. ''Tsāvêr'' (''chaveiro'' no português de Goa), molho de chaves. Concani. '''[[:d:Lexeme:|Chicara.]]''' Conc. ''chíkr''. — Tet., Gal. ''chíkara''. '''[[:d:Lexeme:|Chinela.]]''' Conc. ''chinel''. ''Chinelkárṇ'', mulher que usa chinelas. — Sing. ''chinélaya''. — Tam. ''chinelei''. — Mal., Sund. ''chinela''. — Jav. ''chinélô'', ''chanélô''. — Mad. ''chinélô''. — Tet., Gal. ''sinela''<ref>«Humas '''chinelas''' de veludo preto». Lucena, liv. IX, cap. 5.</ref>. '''[[:d:Lexeme:|? Chiripos]]''' («tamancos»). Conc. ''chirpám'' (n. pl.). Term. vern. ''khaḍhāvô''. — Tam. ''cherippu''. — Malayál. ''cherippu''. ''Muṭṭu cherippu'', botas. ''Oruvaka cherippu'', chinelas. — Mal. ''cherpu''. O ''Dicc. Contemp.'' e o de Cândido de Figueiredo não registam ''chiripos'', talvez por ser desusado o vocábulo. Bluteau, Morais, Vieira, João de Deus e o Dr. Adolfo Coelho dizem simplesmente: «V. ''tamancos''». Parece que é de origem dravídica, levado pelos portugueses para Gôa e Malaca. Usa-se tambêm no português da nossa Índia. Gabriel Rebêlo diz: «Alguns trazem (em Maluco) '''chiripos''' de pão»<ref>''Informação das Cousas de Maluco'', ed. da Academia, p. 158. O Sr. Cândido de Figueiredo, por mim consultado, respondeu que não registou ''chiripos'', provávelmente porque nada achou que justificasse o termo.</ref>. '''[[:d:Lexeme:|Chita]]''' (do indo-português). Conc. ''chít''. — Sing. ''chitta''. — Indo-franc. ''chite''. — Mal., Mad. ''chita''. — Sund. ''chita'', ''inchit''. — Jav. ''chîtô''. — Day. ''chita'', ''sita''. — Mak., Bug. ''chí''. — Tet., Gal. ''sita''. O bengali, o marata e o sindhi teem ''chhít''. O ingl. ''chintz'' é do hindust. ''chint'', donde tambêm procede o persa ''chít''. O étimo primordial é o sânsc. ''chitra''<ref>«Toutes les '''Chites''' qui se font dans l'Empire du Grand Mogol sont imprimées et de différente beauté, tant pour l'impression que pour la finesse de la toile» (1676). Tavernier, ''Voyages'', III, p. 359. «E eu o presenteei com seis botijas de genebra, seis garrafas de vinho, uma peça de '''chita''' de ramagem, e um collar de coralinas». A. J. de Castro (1845), in ''Bol. S. G. L.'', 2.ª sér., p. 57. Os antigos escriptores portugueses chamam à fazenda ''pano pintado'', e o vocábulo passou ao indo-inglês.</ref>. == Notas == <references /><noinclude></noinclude> rpl9dsjhn3re4p5u5ikak9wudkmut4j Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/154 106 250432 558781 556966 2026-08-14T22:51:45Z Sintegrity 35105 /* Validada */ 558781 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sintegrity" />{{rh||CIFRA COBRA|{{sc|57}}}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:|Chocolate.]]''' Conc. ''chokolát''. — ? Sing. ''sokalat''. — Tet., Gal. ''chokoláti''. — * Tonk. ''cù-lac''. '''[[:d:Lexeme:|Chouriço.]]''' Conc. ''chaurís'' (mais us. ''lingis'' = linguiça). — Tet. ''surisa''. '''[[:d:Lexeme:|Chumbo.]]''' Nic. ''chumbo''. Os nicobareses receberam o vocábulo directamente dos portugueses, como o nome de ''cabra'' e o de ''sal'', visto que não são usados em nenhuma outra língua asiática. '''[[:d:Lexeme:|Chumane]]''' (indo-português gáurico; ''chunambo'', indo-português dravídico. ''Chuna'', que he cal, Garcia da Orta). Indo-ingl. ''chunam'', ''chinam''. O étimo é o malayál. ''chuṇṇámbu'', relacionado com o neo-áric. ''chuná'', sânsc. ''chūrṇa''<ref>«Com muitos pagens, dos quaes um lhe leva o abano, outro a boceta de prata cheia de ''betel'', outro outra boceta com '''chuname''', que é cal». Pyrard, ''Viagem'', II, p. 117. «Pedimos a vossa senhoria nos mande dar madeira, telha, '''chunambo''' para o concerto». A. Bocarro, Déc. XIII, p. 736.</ref>. '''[[:d:Lexeme:L447391|Cidade.]]''' Conc. ''sidád''. Term. vern. ''xahár'', ''nagar'', ''pur''. — Tam. ''sīdári''. — Batav., Tet. ''sidádi''. '''[[:d:Lexeme:|Cidrão.]]''' Sing. ''sideran'', ''sidaran''. Term. vern. ''maharaṭadehi''. '''[[:d:Lexeme:|Cifra.]]''' Conc. ''síphr'' (us. entre os cristãos). Term. vern. ''púz'', ''xúnaya'', ''bindu''. — Tet., Gal. ''sifra''. De origem arábica, e do árabe passou imediatamente ao persa, hindi e hindustani. '''[[:d:Lexeme:|Cigarro.]]''' Conc. ''sígár''. Term. vern. ''viḍí''. — Tet. ''sigáru'' (mais us. ''canudo'', como em indo-português). '''[[:d:Lexeme:L448609|Cinta]]''' (naut.). L.-Hindust. ''sinta'', ''sit''. '''[[:d:Lexeme:|Cinto.]]''' Mal. ''cinto'' (Haex). '''[[:d:Lexeme:|Cinturão.]]''' Conc. ''sinturámv''. Term. vern. ''kamarband''. — Tet. ''sinturã''. '''[[:d:Lexeme:|Cinzel.]]''' Malayál. ''chiññer'' (= ''chinnher''). '''[[:d:Lexeme:|Cipai]]''' («soldado indígena»). Indo-ingl. ''sepoy'', ''seapoy''. Indo-franc. ''cipaye''<ref>«Se ordenou que se formassem outras companhias, porém que estas fossem de '''sipaes'''». Cunha Rivara, ''O Chron. de Tissuary'', I, p. 30.</ref>. Do pers. ''sipāhí''. '''[[:d:Lexeme:|Citação.]]''' Conc. ''sitsámv''. — Sing. ''sitásiya'', ''sitāsikeríma''. ''Setásiya karaṇavā'', citar. — Mal. ''sita''. ''Surat sita'', mandado de citação. '''[[:d:Lexeme:|Citar.]]''' Conc. ''sitár-karunk''. — Mal., Ach., Sund., Bug. ''sita''. — Mad. ''nyíta''. '''[[:d:Lexeme:|? Coa.]]''' Mal. ''coa'' (Haex), ''kua'', coada. ''Coa-anghar'' (lit. «sumo de uvas»), vinho. '''[[:d:Lexeme:|Cobra, cobra de capelo]]''' (''Naga tripudiens''). Indo-ingl. ''cobra'', ''cobra de capello'', ''cobra capella''. — Indo-franc. ''cobra-de-capello'', ''cobra-capello''. — Mal. ''kobra''<ref>«Algũas serpentes, ha que hos Indios chamaom Nurcas, e nós '''cobras de capelo''', porque fazem huũ sombreiro sobre ha cabeça». Duarte Barbosa, p. 344. «Vimos tãbẽ aquy grande soma de '''cobras de capello''', de grossura da coxa de hum homem». Fernão Pinto, ''Peregrinação'', cap. 14. «Ha muytas serpentes, a que chama o vulgo '''cobras de capelo'''; e nós em latim as podemos chamar ''regulus serpens''». Garcia da Orta, ''Col.'' XLII.</ref>. == Notas == <references /><noinclude></noinclude> p2e763on03rrgcrygf1hva7yjh6xahl Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/155 106 250435 558784 556967 2026-08-14T23:05:01Z Sintegrity 35105 /* Validada */ 558784 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sintegrity" />{{rh|{{sc|58}}|COCHONILHA COIFA|}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:|Cobra manila]]''' (''Bungarus caeruleus'' ou ''Daboia Russellii''). Tel. ''maníla-páyu'', ''manyala-páyu'' (''páyu'' é cobra). — Indo-ingl. ''cobra manilla'' ou ''minelle'' (us. no sul da Índia). O étimo é o marata-conc. ''maṇêr'', do sânsc. ''maṇi'', «joia». O vocábulo telúgu parece importado<ref>«Ha outra sorte de cobras muyto mais peçonhentas, ha que hos Indios chamaom '''Madalis'''». Duarte Barbosa, p. 344.</ref>. '''[[:d:Lexeme:|Coche.]]''' Conc. ''kôch'', palanquim. — ? Guj., Hindi, Beng. ''kôch'', sofá. — ? Sindh. ''kôchu'', sofá. — ? Sing. ''kôssiya''. Provávelmente importado do ingl. ''couch'', como o hindust. ''kauch'', atenta a diversidade dos significados. '''[[:d:Lexeme:|Cocheiro.]]''' Conc. ''kochêr''. Term. vern. ''gāḍīvāló''. — ? Hindust. ''kochbán'' (talvez do ingl. ''coachman''). — Tet. ''kochéiru''. — Term. vern. ''kuchata''. '''[[:d:Lexeme:|? Cochonilha.]]''' Mal. ''kosnil'' (Heyligers)<ref>«Hum manteo de '''cochonylha''' avalliado em tres myll réys» (1601). A. Tomás Pires, ''Materiaes'', etc., in ''Bol. S. G. L.'', 16.ª sér., p. 715.</ref>. '''[[:d:Lexeme:L448202|Côco.]]''' Indo-ingl. ''cocoa'', ''cocoa-nut''. — Indo-franc. ''coco'', ''cocotier''<ref>«O mantimento era '''coquos'''». ''Roteiro de Vasco da Gama'', p. 95. «Não achou mais que '''cocos''' e jagra». Castanheda, I, 25. Quanto à origem do vocábulo ''côco'', vid. Conde de Ficalho, ''Col.'' XVI; Cândido de Figueiredo, no ''Instituto'' de Coimbra, vol. XLVIII, p. 655, e Gonçalves Viana, ''Apostilas''.</ref>. '''[[:d:Lexeme:|Codilho.]]''' Mak., Bug. ''dílu''. '''[[:d:Lexeme:|Côco do mar]]''' («côco das Maldivas», Garcia, ''Lodoicea Seychellarum'')<ref>«Nas ilhas de Maldiva nasce a planta No fundo das aguas soberana, Cujo pomo contra o veneno urgente He tido por antídoto excellente». ''Lusiad.'', X, 136.</ref>. Indo-ingl. ''coco-de-Mer''. — Indo-franc. ''coco de Mer''<ref>«É provável que G. d'Orta foi o primeiro europeu que descreveu esta forma de coco, e os portugueses foram os primeiros que o introduziram na Europa». Dr. D. G. Dalgado, ''Classificação Botanica das Plantas e Drogas'', etc., p. 9.</ref>. '''[[:d:Lexeme:L31587|Coelho.]]''' Mal. ''kovélu'', ''tarvélu''. — Jav. ''tarvéla'', ''trevela''. — Tet., Gal. ''koêlhu''. Vid. ''cavalo''<ref>«E duas duzias de '''coelhos''' machos e femeas, pera Elrey em suas tapadas, pellos não auer em Cambaya». Diogo do Couto, Déc. VII, III, 1.</ref>. '''[[:d:Lexeme:L450514|Cofre.]]''' Conc. ''kophr''. — Tet., Gal. ''kófri''. '''[[:d:Lexeme:|Coifa.]]''' Mal. ''kofíah'', ''kúpia'', barrete<ref>«E na cabeça sobre hũa '''coifa''' de ouro, hũa carapuça de veludo». João de Barros, Déc. II, X, 8.</ref>. == Notas == <references /><noinclude></noinclude> p8j36nucgq8ajo66lo3vbsxqb1r8l8x Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/159 106 250442 558785 556989 2026-08-14T23:09:54Z Sintegrity 35105 /* Validada */ 558785 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sintegrity" />{{rh||CORJA CORONEL|{{sc|62}}}}</noinclude>indo-português é o malayál. ''koppara'', do hindust. ''khopra'', sânsc. ''kharpara''<ref>«Desque elles (coquos) despedem a casca, ficão secos em pedaços e chamão-lhes '''copra'''». Garcia da Orta, Col. XVI. «Este miolo de coco depois de secco e avellado, se chama '''copra'''». Fr. João dos Santos, ''Ethiopia Oriental'', I, p. 294. «O seu pão são cocos secos ao sol, a que na India communmente chamão '''copra'''». Diogo do Couto, Déc. IV, IV, 8.</ref>. '''[[:d:Lexeme:L477647|Côr.]]''' Conc. ''kôr''. Term. vern. ''rang''. — Tet. ''kôr''<ref>«Não se emprega esta palavra ''côr'', mas só a qualidade d'ella, como: côr branca, ''mútin'', e não ''côr mútin'', etc.». P. Aparício da Silva.</ref>. '''[[:d:Lexeme:L448008|Coração.]]''' Conc. ''kurāsámv'', jóia do feitio de coração. — Mal. ''korsang'', ''krusang'', ''krungsang'', «sorte d'épingle ou brochette en or servant à fermer l'habillement des femmes par devant». P. Favre. — Jav. ''korsañ''. '''[[:d:Lexeme:L447397|Corda.]]''' Conc. ''kórd'' (— de instrumentos músicos). — Malayál. ''karaḍa''. '''[[:d:Lexeme:|Cordame.]]''' L.-Hindust. ''kúrdamí''. '''[[:d:Lexeme:|Cordão.]]''' Conc. ''kordámv''. — Hindust. ''kardhaní''. — L.-Hindust. ''kurdam''. — Tam. ''kordan''. — Malayál. ''koḍudam''. '''[[:d:Lexeme:|Corja]]''' («vintena»). Conc. ''kórj''. Malayál. ''kórja'', ''kórchchu''. — Tul. ''kórji''. — Indo-ingl. ''corge'', ''coorge''. — Indo-franc. ''corge'', ''courge''<ref>«Estas sortes de panos prendem eles por '''corjas''', que antre eles he hũu conto de uinte, como qua dizemos duzia». Duarte Barbosa, p. 283. «A '''corja''' de quotonyas vall cento e corenta ''tangas''». ''Lembranças das Cousas da India'', p. 49. «Chamamos rubins de '''corja''', que he tanto dizer como comprados 20 a vinte». Garcia da Orta, Col. XLIV.</ref>. Parece que o étimo é o neo-árico ''koḍí''. Wilson (''A Glossary of Judicial and Revenue Terms'') indica o tel. ''khorjam'', que Yule & Burnell presumem ser corrução do termo comercial. '''[[:d:Lexeme:|Cornaca.]]''' Indo-ingl., Indo-franc. ''cornac''. Provávelmente do sing. ''kúravannáyaka'', «maioral da manada de elefantes»<ref>«A molher de vm '''Cornaca''' (que são os que gouernam os alifantes)». Diogo do Couto, Déc. V, VII, 11. «Os '''cornacas''' são os que domão, e servem de aios aos elefantes». João Ribeiro, ''Fatalidade Histórica da Ilha de Ceilão'', liv. I, cap. 10. «Estes animaes andão no mato em bandos, e sempre nelles ha hum de maior corpo e respeito que os outros, ao qual chamão ''guarda-bando''». ''Id''., I, cap. 17.</ref>. '''[[:d:Lexeme:|Côro.]]''' Conc. ''kôr''. — Tet. ''kôru''. '''[[:d:Lexeme:L558182|Coroa.]]''' Conc. ''kurôv''. Term. vern. ''mukuṭ'', ''táz''. — Tet., Gal. ''korôa''. Em concani designa tambêm a «tonsura clerical», a que o vulgo chama igualmente ''pharád'' (fem.), do port. ''frade''. '''[[:d:Lexeme:L620499|Coronel.]]''' Conc. ''kornél''. — Mar. ''karnel''. — Guj. ''karnel''. — Hindi ''karnel''. — Hindust. ''karnail''. — Beng. ''karnel''. — Sing. ''kôrnel''. — Tul. ''karnélu''. — Mal. ''karnel''. — Bug. ''kornéli''. — Tet., Gal. ''koronel''. Pode ser que em algumas das línguas indianas o termo tenha entrado pelo inglês, e no malaio pelo holandês. == Notas == <references />'''[[:d:Lexeme:L620499|Coronel.]]''' Conc. ''kornél''. — Mar. ''karnel''. — Guj. ''karnel''. — Hindi ''karnel''. — Hindust. ''karnail''. — Beng. == Notas == <references /><noinclude></noinclude> e77xe0dtimoipcdflx0henou07qq6la Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/160 106 250443 558787 556990 2026-08-14T23:10:19Z Sintegrity 35105 /* Validada */ 558787 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sintegrity" />{{rh|{{sc|63}}|COSTA COTÃO|}}</noinclude>''karnel''. — Sing. ''kôrnel''. — Tul. ''karnélu''. — Mal. ''karnel''. — Bug. ''koronéli''. — Tet., Gal. ''koronel''. Pode ser que em algumas das línguas indianas o termo tenha entrado pelo inglês, e no malaio pelo holandês. '''[[:d:Lexeme:|Corpinho]]''' («veste»). Mal. ''kurpinyu''. '''[[:d:Lexeme:|Corredor.]]''' Conc. ''kurredór''. — ? Mal. ''koridor'', sacada, varanda. Em malaio é provável que o vocábulo seja de origem holandesa ou inglesa. '''[[:d:Lexeme:L662370|Corrente]]''' (subst.). Conc. ''kurrênt'', grilhão. Term. vern. ''sarpaḷí''. — Tet. ''korrénti'', grilheta. Term. vern. ''bési''. '''[[:d:Lexeme:|Cortesia.]]''' Conc. ''kortési'', mesura. — Tet. ''kortezia''. Term. vern. ''úkur'', ''kuát''. '''[[:d:Lexeme:L447779|Cortina.]]''' Conc. ''kurtín''. Term. vern. ''paḍḍó''. — Guj. ''kurtaní''. — Tet., Gal. ''kortina''. '''[[:d:Lexeme:L447779|Corveta.]]''' Conc. ''kurvêt''. — Tet. ''kurveta''. '''[[:d:Lexeme:L447779|Costa.]]''' Mal. ''kósta'', Costa de Choromândel. ''Sagu sa-Costa'', sagu da Costa (Haex). ''Saputangang kosta'', ou ''supo etangang kosta'', lenço da Costa («lénsu di costa», no crioulo). — Sund. ''kósta''. ''Kain kosta'' ou simplesmente ''kosta'', variedade de fazenda estampada ''Chav kosta'' (lit. «banana da Costa»), espécie de banana<ref>«Aquy (em Malaca) uivem jágora todo ho genero de grosos mercadores mouros e gentios, muytos de Choromandel». Duarte Barbosa, p. 371.</ref>. Em indo-inglês a palavra ''Coast'' tambêm tinha a mesma significação restrita<ref>«Grande foy o alvoroço e alegria em toda a '''Costa''' com a chegada do seu grande, e santo padre Francisco». Lucena, liv. V, cap. 23. «Da instrucçam, e regimento, que deu na '''Costa''' aos padres». ''Id''., cap. 25.</ref>. '''[[:d:Lexeme:|Costado]]''' (do navio). L.-Hindust. ''kustád''. '''[[:d:Lexeme:|Costume.]]''' Conc. ''kustum'' (p. us.). Term. vern. ''sanvay'', ''váz'', ''tsál''. — Mal. ''costume'' (Haex). Term. vern. ''ádat'', ''resam''. — Tet. ''kostúmi''. '''[[:d:Lexeme:|Costura]]''' (naut.). L.-Hindust. ''kasturá''. '''[[:d:Lexeme:|Cotão.]]''' Conc. ''kutámv'', túnica, roupão; corpete de damas<ref>«Especie de baniana [camisola] ou '''cutão''' justa ao corpo». ''O Gabinete Litterario das Fontainhas''. «Francisco Barreto hia em hum cavallo dos que escaparam da peçonha em Sena, sempre armado em hum '''cottão''' grosso de malha». P. Monclaio (1569), in ''Bol.'' S. G. L., 2.ª sér., p. 550. «'''Cutão''' ou Jaqueta azul ferrete com canhões escarlates» (parte do uniforme militar em Goa, 1828). ''Bosquejo das Possessões Portuguezas'', I, p. 81.</ref>. — Sing. ''kottama'', jaqueta. — Tam. ''kuttán'', camisola. — ? Mal., Mak., Bug. ''kútang'', justilho, camisola. — ? Sund. ''kutang'', ''kutung''. — ? Jav. ''kotang''. Não é bem clara a origem desta palavra nas línguas asiáticas. Pode ser o port. ''cotão'', no sentido de == Notas == <references /><noinclude></noinclude> nqw24wv8g2b81l637c4rmc7ly4adx0i Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/161 106 250444 558788 556991 2026-08-14T23:10:50Z Sintegrity 35105 /* Validada */ 558788 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sintegrity" />{{rh||COTÃO COTÃO|{{sc|64}}}}</noinclude>«vestido de cote, o que se traz todos os dias» (Morais), ou como augmentativo de ''cota'', «cotão de grossa malha» (''Segundo Cerco de Diu'', citado por Morais). Mas tambêm é possível, se não provável, que o étimo seja o mal. ''kútong'', que igualmente se usa no crioulo malaio, levado para a Índia pelos portugueses, junto com ''baju'', outra peça do trajo malaio, trazida por cima do ''kútong''. E ajustaria melhor aos significados indianos, à excepção do primeiro em concani («roupão»), que parece prender-se ao augmentativo ''cotão''. Note-se porêm que ''kútong'', por seu turno, se pode filiar no persa ''khaftán'', «camisola», já que o Padre Favre supõe que tambêm ''báju'' tem a mesma procedência, sem embargo da diferença dos significados: «''bazu'', nom d'un vêtement pour se bagner et qui s'attache à la ceinture». Há outro vocábulo em persa, ''kattán'' ou ''kuttán'', que significa «fazenda de linho». Segundo Shakespeare, ''qaftán'', em turco, é «veste de honra». Quanto a ''baju'', o vocábulo pertence ao léxico português. O Sr. Cândido de Figueiredo regista-o como termo de Miranda, e o ''Dicc. Contemp.'' diz que «se chama assim, na provincia do Minho, ás roupinhas usadas pelas mulheres». João de Sousa deriva ''baju'' do ár. ''badjú'' e define-o «certa especie de roupão que as mulheres muito usavão, e de que algumas ainda usão nas nossas Províncias, aonde lhe dão este nome»; e abona-o com Damião de Góis: «ElRey de Calicut estava vestido com um Baju branco de seda e ouro, sentado em um Catel»<ref>«El Rei... tinha vestido hum '''Baju''' (que he quomo roupeta curta) de pano dalgodão muito fino, com muitos botões douro e perlas, na cabeça huma carapuça de veludo guarnecida de pedraria, e chaparia douro, ho qual trajo he o ordinario de todollos Reis do Malabar, porque nenhuma pessoa traz ho '''baju''', e carapuça se não elles». I, cap. 41.</ref>. Morais, que lhe atribui a mesma origem, diz que é «um vestido, que cobre o corpo, de mangas curtas e fralda até o joelho: na Asia trazem-no homens e mulheres; no Brasil, só estas, e algumas aí lhe chamão bajó». Vieira regista ambas as formas, ''bajó'' e ''bajú'', define-as «vestido asiatico á maneira de jaqueta», abona-as com Castanheda<ref>«Tinha (elrei de Ceilão) vestido um ''bajo'' [não ''bajó''] de seda, que he uma vestidura de feição de jaqueta çarçada». «Elles (os reis das ilhas de Maluco)... se vestem ao modo malaio e os '''bajús''' são de seda rica com botões d'ouro».</ref>, e observa que o termo é «usado nos Cantos populares do Archipelago Açoriano». Bluteau tem ''baju'' por «palavra da India», e dá-lhe o significado de «camisa de meio corpo». O autor da ''Chronica dos Reis de Bisnaga'' dá a forma ''bajuris'' e nota «que são como camisas e a == Notas == <references /><noinclude></noinclude> le9z2ijf995j3skd69ubvjw2ir71603 Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/162 106 250449 558790 556993 2026-08-14T23:11:10Z Sintegrity 35105 /* Validada */ 558790 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sintegrity" />{{rh|{{sc|65}}|COTÃO COUVE|}}</noinclude>fralda». No português de Goa emprega-se o termo especialmente na frase ''pano-baju'', designativa de certa espécie de trajo das mulheres, em distinção de ''pano paló'', outro trajo, puramente indígena<ref>«Nos trajos das mulheres christãs do Damão e Diu se encontra a palavra, e até em Goa, com a forma ''saráss'', designando, salvo erro, o ''pano-baju'' das bramanes salsêtanas christãs». Alberto de Castro, p. 172.</ref>. De entre as línguas indianas só o concani conhece o vocábulo (''bāzú''), e emprega-o no sentido malaio. As mulheres singalesas trazem o ''baju'', a que chamam ''báchchiya''<ref>«Tambem trazem ''bajú'' e pano até a ponta do pé por modo muito grave e honesto.» João Ribeiro, liv. I, cap. XVI.</ref>. Os dicionários de árabe e de persa que consultei não registam ''badju'' ou ''bazu'' com o significado de «roupão» ou cousa semelhante, nem os arabistas a que recorri puderam esclarecer-me acêrca do assunto. Mas H. N. van der Tuuk opina que o persa ''bāju'', «braço» (sânsc. ''bāhu'') é o étimo do vocábulo, por isso que origináriamente ''bājū'' não era outra cousa senão «''een kleedingstuk met armen'', uma peça de vestido com braços», mangas! Yule & Burnell teem por certo que o étimo do indo-ingl. ''badjoe'' ou ''bajoo'', «jaqueta malaia», é o mal. ''bājū''; e os autores que citam parece que o confirmam<ref>«Over this they wear the '''badjoo''', which resembles a morning gown, open at the neck, but fastened close at the wrist, and half-way up the arm». Marsden. «They wear above it a short-sleeved jacket, the ''baju'', beautifully made, and often very tastefully decorated in fine needle-work». Bird.</ref>. O termo encontra-se nos principais idiomas da Insulíndia, como javanês, batak, dayak, makassarês, búgui. '''[[:d:Lexeme:|Cotonia.]]''' Conc., Mar. ''kutní'', pano listrado de seda e algodão. — Indo-ingl. ''cuttanee''<ref>«Das toldas das fustas, e algumas velas e '''cotonias''' que comprarão fizerão tendas e emparos». Gaspar Correia, III, p. 617. Vid. ''corja''. «'''Cotonias''' dalgodam, toadas dalgodam, roupa baixa doutras sortes». A. de Albuquerque, ''Cartas'', t. I, p. 224. «Com calções de '''cotonia''' a mea perna, saya de malha, e montante nas mãos». Diogo do Couto, Déc. VII, II, 11. «'''Cotoni''' de soye... '''Cotoni''' de soye et or, et de soye et argent». Tavernier, ''Voyages'', V, p. 202.</ref>. O étimo é o ár. ''quṭnía''; mas Yule & Burnell sugerem dubitativamente o pers. ''kuttán''. '''[[:d:Lexeme:|Couve.]]''' Conc. ''kôb''. — Mar. ''kôb'', ''kobí'', ''koí''. Term. vern. ''karam''. — Guj. ''kobí''; ''kobíj'' (= couves). — Hindi ''kobí'', ''gobí'', ''gobhí''. Term. vern. ''karamukallá''. — Hindust. ''kobí''. — Or. ''kobi''. — Beng. ''kobi'', ''kobixák'', ''kopixák'' (''xâk'' = hortaliça). — Sing. ''kóvi''. Term. vern. ''sudumul'', ''góva'', ''gova-geḍiya'' (lit. «fruto de Goa»). — Tam. ''kóvi''. — Malayál. ''góvi'', ''goviṇṇu''. Can. ''kōbísu''. — Tul. ''góbi''. == Notas == <references /><noinclude></noinclude> 3dueun05s8gldcc83296jhwi0ydcbuk Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/163 106 250461 558791 556996 2026-08-14T23:11:59Z Sintegrity 35105 /* Validada */ 558791 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sintegrity" />{{rh||CRASSO CRAVO|{{sc|66}}}}</noinclude>— Gar. ''kóbi''. Term. vern. ''mesumasa''. — Tib. ''ko-pi''. Term. vern. ''pe-tshe''. ''Ko-pi metok'', couve-flor. — Khas. ''kubi''. — Mal. ''kóbis'', ''kúbis''. — Jav. ''koubis'', ''kúbis''. — Mad. ''kóbis''. — Tet., Gal. ''kóbi''. O composto híbrido ''phúl-kobí'' ou ''phúl-gobí'' é o nome de couve-flor em quási todas as línguas indianas. Na Malásia usa-se mais ''kól'', do hol. ''kool''. '''[[:d:Lexeme:|Cova.]]''' Mal. ''koba'' (termo de jôgo). — Mak. ''kova''. '''[[:d:Lexeme:|Côvado.]]''' Conc. ''kôbd''. — Indo-ingl. ''covid'' (obsol.). — Tet., Gal. ''kóvadu''. O termo estava outrora muito vulgarizado no comércio da Índia. Tavernier (1676) refere-se-lhe freqüentemente, e toma-o por vernáculo. «''Bofetas''... sont de 21 '''Cobits''', étant crûs, et étant lavé, de 20 '''Cobits'''. (V, p. 200). '''[[:d:Lexeme:|Cozido]]''' (subst.). Conc. ''kuzíd''. — Tam. ''kujíd''. '''[[:d:Lexeme:L1416815|Cozinha.]]''' Conc. ''kuzín''. — Sing. ''kŭssiya''. — Tam. ''kusini''. ''Kusinikáran'', cozinheiro. — Tel. ''kusinikára'', ''kusini-vádu'', cozinheiro. — Can. ''kuxini''. — Tul. ''kusinu'', ''kusini'', ''kusni''. ''Kusnida'', culinário. — Malg. ''kozina''. * '''[[:d:Lexeme:|Crasso.]]''' Mal., Sund., Jav. ''kras'', ''keras'' (adj. e adv.), forte, vigoroso; fortemente, enérgicamente. Haex e Swettenham tambêm registam a fórma ''dras''. O Dr. Heyligers admite a procedência portuguesa; mas parece-me que não tem fundamento. ''Crasso'' é termo erudito. Vid. ''grosso''. '''[[:d:Lexeme:|? Cravado.]]''' Tam., Malayál. ''karuváḍu'', peixe salgado. A derivação, sugerida por Gundert, é improvável por motivo do significado. ''Karavala'' é «peixe sêco» em singalês, e Percival diz que o tam. «''karuvāttivāli'' é nome duma ave cuja cauda é como a de peixe, — ''Corvus Balicassius''». <sup>1</sup>'''[[:d:Lexeme:L448671|Cravo]]''' (''Caryophyllus aromaticus''). Beng. ''karábu''. — Sing. ''krábu'', ''karábu''. Term. vern. ''lamange'' (sânsc. ''lavaṅga''), ''dēxakusuma'' (sânsc., lit. «flor de Deus»). ''Krábu-gaha'', craveiro. — Tam. ''karámbu'', ''kirámbu''. Term. vern. ''lavangam'', ''ilavangam''. — Malayál. ''karámbu'', ''karayábu'', ''karappa''. — Siam. ''kravhn'' cardamomo. Gundert diz que ''karappa'' vem do ár. ''qarfah''. Mas ''qarfah'' significa «casca, canela», e ''qaranful'', dado por Belot como vernáculo, é o nome de cravo, como o é em persa, alêm de ''mēkheh'' ou ''mekheh'', «prego pequeno». Shakespear, no seu dicionário hindustani, deriva ''qaranful'' ou ''qaranphúl'' do grego ''karyóphyllon'', que lit. quer dizer «folha de nogueira». «Os vossos Gregos, diz Garcia da Orta a Ruano (Col. XXV), nam falaram neste ''gariofilo''». É curioso que só o concani tem, que eu saiba, afora de ''lavang'', ''kālāphúl'' ou ''kālāphúr'', que talvez seja corrução de ''qaranful'', se não é, antes, composto do sânsc. ''kāla'',<noinclude></noinclude> g22xt1jubtrx6mel6lhxz5zt13wy6mr Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/164 106 250462 558793 556998 2026-08-14T23:13:22Z Sintegrity 35105 /* Validada */ 558793 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sintegrity" />{{rh|{{sc|67}}|CRISTÃO CRUZ|}}</noinclude>«preto», e ''phulla'', «flor». ''Kālāphúr'' é tambêm o nome de uma freguesia de Goa, que em português se chama ''Santa Cruz''<ref>«Mas Orta diz: «O Arabio, o Persio, o Turco, e a mór parte dos Indianos lhe chamam ''calafur''». «Os medicos Bramanes o conhecem por ''Lauanga'', posto que tambem o nomeão, pelo nome dos mouros». Diogo do Couto, Déc. IV, VII, 9.</ref>. <sup>2</sup>'''[[:d:Lexeme:L448671|Cravo]]''' («brinco de orelhas»). Conc. ''karáb''. — Sing. ''krábuva'', ''karábuva''. — Malayál. ''krábuva''. — Mal. ''krábu'', ''kerábu''. — Ach. ''kerábu''. — Sund. ''karābu'', ''kurābu''. ''Karábu-ros'' (lit. «cravo-rosa»), «arrecada de muitos ornatos» (Rigg). — Mak., Bug., Tet. ''karábu''<ref>«As orelhas são ornadas com tres pares de '''cravos'''». ''O Gabinete Litterario das Fontainhas''.</ref>. '''[[:d:Lexeme:|Crescer.]]''' Mal. ''crescer'' (Haex). '''[[:d:Lexeme:L494116|Criado.]]''' Conc. ''kryád'' (criado, criada). Term. vern. ''tsākar'', ''rāraylalo''; ''rāvaylalém''. — Tet., Gal. ''kriádu''. Term. vern. ''áta máne'', ''klósan''. '''[[:d:Lexeme:L558248|Criar]]''' («educar»). Mal. ''crear'' (Haex). — Gal. ''kriar''. '''[[:d:Lexeme:|Crisma.]]''' Conc. ''krízm''. — Beng. ''krisma''. — Tam. ''krismei''. — Tel. ''krismu''. — Tet., Gal. ''krisma''. — Jap. ''kirismo''. '''[[:d:Lexeme:L448177|Cristão.]]''' Conc. ''kristámv''. — Beng. ''kristáñ''. — Tam. ''kiristavan''. — Malayál. ''kiristānmár''. — Tel. ''kristan-nú'', ''kirastuvánu''. — Can. ''kiristánu''. — Camb. ''kristăng''. — Siam. ''khrĭstăng''. — Jap. ''kirishtan'', ''kirishitan''. Outras línguas indianas teem ''kristi'', derivado de «Cristo», ou ''kristiyan'', do inglês. As malaio-polinésias teem ''nasaráni'' ou ''saráni'', de «nazareno». É digno de nota que o cambojano conserva a forma portuguesa. O próprio singalês tem ''kristiyáni'', a despeito de ter sido Ceilão duas vezes cristianizada pelos portugueses. '''[[:d:Lexeme:L448587|Crítica.]]''' Conc. ''kirít'', difamação. ''Kirít marunk'', difamar. — Malayál. ''krittikka'', criticar. '''[[:d:Lexeme:L500660|Cruz.]]''' Conc. ''khurís''. ''Khurís kāḍhunk'' (lit. «tirar a cruz»), persignar-se). ''Khursár kāḍhunk'' (lit. «tirar sôbre a cruz»), atormentar, martirizar. ''Khursár zaḍunk'', pregar na cruz. ''Khursár mārunk'' (lit. «matar sôbre a cruz»), crucificar. ''Khurís karunk'' (lit. «fazer cruz»), assinar de cruz. Não há termo vernáculo equivalente. ''Tsavó'' significa «cruz de Santo André». Mar. ''krús''. ''Krusāchí nixāṇi'', sinal da cruz, assinatura de cruz. ''Krusár chaḍhavném'', ''-deṇém'' (lit. «levantar, dar sôbre a cruz»), crucificar. ''Krusāverêl Khristāchi múrtti'' (lit. «a imagem de Cristo sôbre a cruz»), crucifixo. Guj. ''krus'', ''krús''. ''Krúspar jaḍhavavum'', crucificar. Hindi: ''krús''. ''Krús-'', ''krussa-'', ''krusiya pratimá'', crucifixo. Hindust. ''krús''. Term. vern. ''salíb'' (do ár.). == Notas == <references /><noinclude></noinclude> 20zr0ok2e3owgt0jxxwq1t05cap88ck Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/165 106 250463 558794 556999 2026-08-14T23:13:56Z Sintegrity 35105 /* Validada */ 558794 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sintegrity" />{{rh||CURAR CURRAL|{{sc|68}}}}</noinclude>Beng. ''krux''. ''Kruxākṛiti'', ''kruxākár'', cruciforme. ''Kruxe hata-kṛi'' (lit. «fazer morto sôbre a cruz»), crucificar. Sing. ''kurŭsiya'', ''kurẹsiya''. ''Kurẹsi surẹvama'', crucifixo. ''Kurẹsi ākára'', cruciforme. ''Kurẹsiyé ẹngasa-navá'', crucificar. Tam. ''kurus''. Term. vern. ''siluvei''. ''Kurusadi'', cruz grande no extremo ou no meio do adro, cruzeiro. Malayál. ''krúxu'', ''kurixa''. ''Krúxil tarekka'', ''kruxikka'', crucificar. ''Kruxāróhaṇaní'', crucifixão. Can. ''krúji''. — Tul. ''krussu'', ''kursu'', ''krúji''. — Camb. ''crus'', ''chhú crus''. ''Chhu'' é «madeira». — Tet., Gal. ''kruz''. — Jap. ''kurusu'', ''kurosu''. '''[[:d:Lexeme:|Cuidado.]]''' Conc. ''kuidád'' (us. em Goa entre os cristãos). — Mal. ''cuidado'', ''cudado'' (Haex). — Tet. ''kuidádu''. Term. vern. ''aládi-diak''. '''[[:d:Lexeme:L1119437|Cuidar.]]''' Mal. ''cudir'' («''cordi habere'', ''curae esse''». Haex). De ''acudir''? — Tet. ''kúida''. Term. vern. ''hanôin''. '''[[:d:Lexeme:|Cunha.]]''' Conc. ''kunh'', ''kunj''. Term. vern. ''pátsavém'', ''koyadám''. — Hindust. ''kuñya'', ''kuñiyáñ'', ''koniyá''. Vid. ''bolina''. — Sing. ''kuññaya'', ''kuññeva'', ''kuññe''. — Gal. ''kunha''. — Pers. ''kuhnah'', bucha. '''[[:d:Lexeme:|Cunhada.]]''' Beng. ''koindó''. — Mal. ''cuniada'' (Haex). Term. vern. ''ipar parampuan''. '''[[:d:Lexeme:L307425|Cunhado.]]''' Conc. ''kunhád'' (marido da irmã; tratamento honorífico ao preto). — Beng. ''koindú''. — Mal. ''cuniado'' (Haex). Term. vern. ''ipar laki''. '''[[:d:Lexeme:|Curar.]]''' Conc. ''kurár-karunk''. — Malayál. ''kura'', cortir coiro. — Mal. ''curar'' (Haex). '''[[:d:Lexeme:|Curral.]]''' Indo-ingl. ''corral'' (us. em Ceilão), recinto para apanhar elefantes bravos. — ? Camb. ''crol''. Pode ser termo vernáculo. A palavra ''curral'' não aparece nos dicionários de singalês ou de tamul, nem está actualmente em uso, segundo me informam, nem sei se voga no indo-português com êste significado. Devia porêm estar vulgarizada na ilha no tempo do domínio dos holandeses, que a levaram para a África, em forma de ''kral'', «bairro ou aldeia indígena». Vid. Webster, s. v. ''kraal''. Diz o Conde de Ficalho (Col. XXI): «Parece que a introducção ou a generalisação ali (em Ceilão) d'este methodo de caçar é devida aos portugueses; e o recinto chamado na India ''keddah'', recebe ali o nome de ''korahl'' ou ''corral'', que é evidentemente a palavra portuguesa curral». Mas o método era conhecido e praticado antes do século XVI, conforme o testemunho de Tomé Lopes, que embarcou para a Índia em 1502: «Tem (Cilão) bastantes elefantes selvagens, muito grandes, os quaes domestição fazendo hum grande tapume de estacada forte, com huma ponte levadiça entre duas arvores, dentro da qual põem hum elefante femea domesticado». ''Navegação ás Indias Orientaes'', na col. de Ramúsio, tradução da Academia, cap. XIX.<noinclude></noinclude> mjhdqf2np4buo4mzesajc5qehmdbh0e Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/166 106 250464 558795 557003 2026-08-14T23:14:20Z Sintegrity 35105 /* Validada */ 558795 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sintegrity" />{{rh|{{sc|69}}|DADO DEDAL|}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:|Curva]]''' (nautico). L.-Hindust. ''karvá''. '''[[:d:Lexeme:|Cuspidor]]''' (ant. por «cuspideira»). Conc. ''kuspidôr''. Term. vern. ''thukpáṭ'', ''pikdāṇí''. — Indo-ingl. ''cuspadoré'' (obsol.)<ref>«Estaua ali hum '''cospidor''' d'ouro». Castanheda, I, cap. 17.</ref>. Usado na mesma acepção pelos crioulos indianos. '''[[:d:Lexeme:|Custar.]]''' Conc. ''kustár-zāvunk'', valer; ser difícil. Term. vern. ''lágunk'', ''paḍunk''; ''puró zāvunk''. — Mar. ''kust hoṇém'', ficar maguado. — Tet. ''kústa'' (tambêm «custoso»). Term. vern. ''tós''. Molesworth não indica a origem da frase marata. Em concani ''kustár'', simplesmente, significa «à custa de». {{center|{{larger|D}}}} '''[[:d:Lexeme:L447213|Dado]]''' («peça de jôgo»). Conc. ''dád''. Term. vern. ''phāsó''. — Sing. ''dáduva''. ''Dádu hinkaradíma'', rifa. — ? Siam. ''tau''. Term. vern. ''pō'', ''săká''. — Mal. ''dádu'', ''dadu''. ''Dadu-dádu'', balas de canhão. — Ach., Batt. ''dádu''. — Sund. ''dádu''. ''Mata dádu'', padrão axadrezado. — Jav. ''dadu'', ''ḍaḍu''. ''Adadu'', jogar com dados. ''Andadu'', semelhante ao dado. — Mak., Bug. ''dádu''. Vid. ''jôgo''. Fonéticamente, ''dado'' pode dar ''tau'' em siamês. ''D'' inicial troca-se por ''t''. Cf. ''tipya'' = sânsc. ''divya'', ''tavipa'' = sânsc. ''dvípa'', ''tasa'' = pali ''dasa''. Pode cair fácilmente o ''d'' para se formar monossílabo. Cf. ''mít'' = ingl. ''mister'', ''Rut'' = Rússia, ''Phrĭk'' = África, ''khrūt'' = sânsc. ''garuḍa''. '''[[:d:Lexeme:L499943|Dama]]''' («jôgo de damas»). Conc. ''dám''. — Mal. ''dam''. '''[[:d:Lexeme:|Damasco.]]''' Conc. ''damásk''. — Mar. ''dhumás''. — Guj. ''dhumás'', ''ḍumás''. — Beng. ''damás''. — Tam., Can. ''damásu''. — Tul. ''damása''<ref>«Muy boa seda, de que fazem muyta cantidade de panos de '''damasquo''' de cores». Duarte Barbosa, p. 382. «Com seis telizes de '''Damascos''' de cores». Diogo do Couto, Déc. VII, III, 1.</ref>. '''[[:d:Lexeme:L501704|Dança.]]''' Conc. ''dáms'' (mais us. ''náts''). — Mal. ''dánsa'', ''dánsu''. ''Dánsah'', dançar. '''[[:d:Lexeme:L500978|Decreto.]]''' Conc. ''dekrét''. Term. vern. ''xásan'', ''hukum'', ''pharmaṇ''. — Tet. ''dekretu''. '''[[:d:Lexeme:|Dedal.]]''' Conc. ''didál''. — Sing. ''didálaya'', ''didále''. — Malayál. ''titaḷ''. Tambêm ''thimbaḷa'', ''tumbala'', do ingl. ''thimble''. — Mal. ''didal'', ''lidal'', ''bídal'', ''deidál''. — Sund. ''bidal''. — Tet., Gal. ''dedál''. == Notas == <references /><noinclude></noinclude> 150jm1aw912j5cspzhy0z4c6v80swb3 Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/167 106 250466 558796 557004 2026-08-14T23:15:00Z Sintegrity 35105 /* Validada */ 558796 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sintegrity" />{{rh||DEUS DIABO|{{sc|70}}}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:L447936|Degrau.]]''' Conc. ''degráv'' (p. us.). Term. vern. ''pāunḍó'', ''sopaṇ''. — Tet. ''degrau''. Term. vern. ''héin''. '''[[:d:Lexeme:|Desconfiar.]]''' Conc. ''diskomphyár-závunk'' (p. us.). Term. vern. ''dubhāvonk''. — Tet. ''deskonfía''. Term. vern. ''téan''. '''[[:d:Lexeme:|Descontar.]]''' Conc. ''diskontár-karunk''. Term. vern. ''bád divunk''. — Tet. ''deskónta''. Term. vern. ''ha sái''. '''[[:d:Lexeme:L477666|Desgraça.]]''' Conc. ''dizgrás''. Term. vern. ''nirbhág'', ''hál''. — Tet. ''desgrasa''. Term. vern. ''óti''. '''[[:d:Lexeme:|Desmorecer]]''' (por «esmorecer»). Mal. ''desmorecer'' («animo deficere», Haex). '''[[:d:Lexeme:|Despacho.]]''' Conc. ''despách''. — Tet., Gal. ''despáchu''. '''[[:d:Lexeme:|Despensa.]]''' Conc. ''dispens''. — Mal. ''dispén'', ''spens'', ''spen'', ''sepén''. — ''Túkan-sepén'', despenseiro. — Tet., Gal. ''despénsa''. '''[[:d:Lexeme:L499930|Despesa.]]''' Conc. ''despêz''. Term. vern. ''kharts''. — Tet. ''despeza''. '''[[:d:Lexeme:|Desprezar.]]''' Conc. ''desprezár-karunk''. Term. vern. ''beparvá karunk'', ''haḷuvāṭunk''. Tet. ''despréza''. Term. vern. ''heunai''. '''[[:d:Lexeme:|Desterrar.]]''' Mal., Tet., Gal. ''destérra''. '''[[:d:Lexeme:L447211|Deus.]]''' Beng. ''Devus''. Us. na locução ''Devus bons diyá'', ''Devus bons noiti''. — Mal. ''Deos''. ''Deos tuong'', querendo Deus, se Deus quiser (Haex). — Gal. ''ámu Deus''. ''Ámu'', port. «amo», está por «senhor». — Nic. ''Deuse''. ''Menlúana Deuse'', sacerdote, padre. — Pid.-Engl. ''Joss'', ''Josh'', Deus, ídolo. ''Joss-house'' (lit. «casa de Deus»), igreja. ''Joss-house-man'', padre. ''Joss-pidgin'' (lit. «negócio de Deus»), bonzo; ministro de Deus. — ''Joss-stick'' (lit. «pau de Deus»), pivete. «E ante delles (mouros) não auia (em Maluco) conta do ano, peso ou medida, e viuião sem conhecimento de hum só Deos, ou noticia de algũa certa religião». João de Barros, Déc. III, V, 5. «Antigamente os malaios, não tendo tido conhecimento de Deus, não lhe applicaram nenhum vocábulo. Mas no decurso do tempo, tendo recebido dos árabes a mourisma, tomaram juntamente a dicção ''Alla e alla te alla'', a saber, nas ilhas de Amboina, Molucas, etc. Quando os habitantes foram instruídos pelos portugueses na fé católica, adoptaram, por seu turno, o nome de Deus». Haex<ref>«A palavra ''dev'' ou ''deva'', usada em concani e outras línguas indianas, provêm directamente do sânsc. ''deva''.</ref>. '''[[:d:Lexeme:|Devoção.]]''' Conc. ''devosámv'', ''devaspaṇ''. Term. vern. ''bhakti'', ''bhaktibháv''. — Tet., Gal. ''devosã''. Em concani: ''devôt'' (adj.) devoto; ''devót'' (subst. n.), serenata religiosa, feita durante a quaresma; «devota», no português de Goa. '''[[:d:Lexeme:L642148|Diabo.]]''' Conc. ''dyáb'' (p. us. e sómente fig. entre os cristãos). — Malayál. ''diyáb''. — ? Gar. ''diabol''. Talvez do italiano ''diavolo'', introduzido pelos missionários. — Tet. ''diábu''. == Notas == <references /><noinclude></noinclude> 43a3unrqx9f3a8yj7264xbj251vn9tp Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/168 106 250467 558799 557005 2026-08-14T23:15:39Z Sintegrity 35105 /* Validada */ 558799 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sintegrity" />{{rh|{{sc|71}}|DOBRADO DOMINGO|}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:|Diamante.]]''' Conc. ''dyamánt''. Term. vern. ''vajr'' (sânsc.). — Sing. ''diyamántiya''. Term. vern. ''vajraya'', ''vadura'' (forma ''elu''). — Tet., Gal. ''diamánti''. Term. vern. ''phátuk laka''. '''[[:d:Lexeme:|Dicionário.]]''' Conc. ''disyonár''. Term. vern. ''kox'', ''xabdakox''. — Tet. ''disionári''. '''[[:d:Lexeme:L630940|Dinheiro.]]''' Mal., Tet., Gal. ''diné''<ref>«''Dinár'' (Ach.), ''dínārā'' ou ''jíngara'' (Mak.), ''dinara'', ''jínara'', ''jingara'' (Bug.), «moeda de oiro», são do árabe-pers. ''dīnár'', que se prende ao lat. ''denarius''. ''Amarakoça'', dicionário sânscrito do 3.º século, regista ''dīnāra'' como sinónimo de ''nishka'', «moeda de oiro». Mas há ''dinares'' de pouco valor. «Dous fules valem hum ''dynare'', e doze ''dynares'' hũa tanga» (moedas de Lara no Golfo Pérsico). ''Lembranças das Cousas da Ymdia''. «The ''dīnār'' in modern Persia is a very small imaginary coin, of which 10,000 make a ''tomaum''». ''Hobson-Jobson''.</ref>. «Laurou (Afonso de Albuquerque) duas sortes: a hũa chamou '''dinheiro''', e a outra que continha dez '''dinheiros''', chamou soldo, e a outra de dez soldos bastardos». João de Barros, Déc. II, VI, 6. '''[[:d:Lexeme:|Dispensa.]]''' Conc. ''dispens''. Term. vern. ''māphí''. — Tet. ''dispensa''. '''[[:d:Lexeme:L474583|Dobrado.]]''' Conc. ''dobrád''. Term. vern. ''dupêṭ''. — L.-Hindust. ''dubrál'', nó dobrado. — Tul. ''dubrálu'', ''dibrálu'' (subst.), espírito duas vezes destilado. Em concani tambêm se diz ''tibrád saró'', aguardente três vezes destilada. Vid. ''tresdobrado''. '''[[:d:Lexeme:|Dôbro.]]''' Conc. ''dôbr'' (p. us.). — Mak., Bug. ''dóbalō'', usado no jôgo de cartas. '''[[:d:Lexeme:L449761|Doce]]''' (subst.). Conc. ''dôs''. — Sing. ''dôsi'' (tambêm «geleia, conserva»). — Tam. ''dósei'', bôlo de farinha de arroz. ''Dōseikkal'', frigideira. — Malayál. ''dôx''. — Can. ''dôse'', bôlo, filhó. — Tul. ''dôse'', bôlo de farinha de arroz. — Tet. ''dôsi''. Term. vern. ''mídel''. '''[[:d:Lexeme:|Doirado]]''' (adj.). — Conc. ''daurád'' (p. us.). Term. vern. ''bhāngār kāḍhlaló''. — Bug. ''dorádu''. '''[[:d:Lexeme:|Dom]]''' (título). Conc. ''dom''. — Sing. ''don''. — Tet., Gal. ''dom''<ref>«Os chefes do sul e oeste perpetuam com orgulho o honorífico título de '''dom''', que lhes foi concedido pelos primeiros conquistadores». Tennent, ''Ceylon''. «Presentemente muitos indígenas têem '''Dom'''; quando é certo que no principio de instituição do governo só se dava esse titulo aos regulos por serviços prestados e como mercê honorifica, de que pagavam até direitos». José dos Santos Vaquinhas, ''Timor'', in ''Bol.'' S. G. L., 5.ª sér., p. 63.</ref>. '''[[:d:Lexeme:L450523|Domingo.]]''' Mal. ''domingo'', ''dumingo'' (Haex), ''domingo'' (Castro), ''míngo'', ''míngu''. ''Hári mingo'' (lit. «dia domingo»), domingo. Term. vern. ''ahad'' (ár.), ''hári-ahad''. ''Sátu mingo'' (lit. «um domingo»), semana. Term. vern. ''sátu jema'at'' (ár.), ''tújoh hári'' (lit. «sete dias»). Sund., Mad. ''mingo'', semana. — Jav. ''míngu'' (mais us. ''ahad''). ''Mingon'' (adj.), relativo ao domingo, domingueiro. — Day. == Notas == <references /><noinclude></noinclude> katxu4b07uk67wwmop8q9va4i2bn7g1 Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/169 106 250468 558800 557006 2026-08-14T23:18:44Z Sintegrity 35105 /* Validada */ 558800 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sintegrity" />{{rh||DONA DONA|{{sc|72}}}}</noinclude>''mingo'', ''mengo''<ref>Cae a primeira sílaba, para se tornar a palavra dissilábica, conforme a índole da família malaia.</ref>. — Jap. ''domingo'', ''domiigo''. '''[[:d:Lexeme:|Dona.]]''' Sing. ''nónā'', dama, mulher europeia. — Mal. ''nóma'', ''nónya'', ''nyonya'', ''noña'' (= ''nonha''), ''ñóña'' (= ''nhonha''), dama de origem europeia ou chinesa, ou mulher casada com europeu ou chinês. — Ach. ''nona'', filha de europeu e chinesa; donzela. ''Ñoña'', mulher de europeu ou chinês; dama. — Sund. ''nóna'', donzela; ''núnya'', dama europeia ou chinesa. — Jav. ''ñóña''. — Day. ''ñoña'', dama, especialmente europeia. — Mak., Bug. ''nóna'', donzela; ''nhónha'', dama. — Batav. ''ñóña'' ou ''nyónya''. — Tet., Gal. ''dona''. O P. Favre distingue entre ''ñóña'' e ''nóna'', quanto à sematologia e à etimologia, dando por significado de ''nóna'', sem indicar a sua proveniência, «femme non mariée, demoiselle, fille de qualité», e indicando como étimo provável de ''ñoña'' o port. ''dona'' ou o espanhol ''dueña''. O Dr. Heiligers tambêm sugere ''dueña''. O Dr. Fokker diz: Quanto à origem da palavra ''ñoña'', que alguns pronunciam ''ñôña'' (mulher casada com europeu ou chinês), os etimologistas não estão de acôrdo. É mais provável que a palavra venha do chinês, do que do português ''senhora'', com elisão da primeira sílaba, como em ''gareja'', «igreja». O Sr. Gonçalves Viana entronca, insinuando ao mesmo tempo o processo evolutivo, ''nyóra'', ''nyónya'', ''nónya'' e ''nóna'', com ''senhora''; e o Dr. Schuchardt tem por certíssima essa procedência, por uma forma intermédia, como ''nhonha'', usada em Cabo Verde. Mas parece que não é tão certo. O vocábulo ''nóna'', como prenome honorífico e ''pronomen reverentiae'', voga nos crioulos portugueses de Ceilão, Cochim, Mahé, Bombaim, Diu, Malaca, Singapura; e em alguns dêles toma o significado adicional de «avó», como ''nono'', no de Ceilão, designa exclusivamente «avô». Ora no crioulo malaio e alguns caboverdianos ''dono'' significa «avô», e ''dona'' «avó», e tais significados são registados por Morais como antiquados em português<ref>«Sabe a razão? É porque '''Dona''' n'aquelle logar é um nome que em creolo se chama «nome de casa», e usa-se nas meninas (creanças). É por esse nome que ellas são chamadas até a maioridade ou até a morte... Agora se quizer saber o que quer dizer '''Dona''', eu lhe digo, em portuguez é avó e '''Dono''' avô». ''Creolo da ilha de Santo Antão'', in ''Bol.'' S. G. L., 2.ª sér., p. 131.</ref>. A transição de ''dona'' para ''nona'' é muito mais fácil e natural (por assimilação regressiva) do que de ''senhora'' (''sinhara'', ''nhara'', ''siara'' em crioulos), que teria de se sujeitar == Notas == <references /><noinclude></noinclude> 6ij66inaeey155h3hr89k4hxzi8jmg6 Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/170 106 250470 558801 557007 2026-08-14T23:19:42Z Sintegrity 35105 /* Validada */ 558801 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sintegrity" />{{rh|{{sc|73}}|DONA DOURADO|}}</noinclude>ao longo processo de aférese duma sílaba, de assimilação da líquida à nasal palatal e de despalatização singela e dupla. E êste processo não se deu no malaio com ''senhor'', que se modificou em ''sínho'' e ''síyu''. Alêm disto, é possível a influência doutro vocábulo homótropo, ''nona'' = anona (''q. v.''), não só na fonética, mas igualmente na significação deminutiva. Convêm tambêm notar que as variantes malaias não são de facto sucessivas, mas sincrónicas, com diferença de significados, e que ''dona'' significava antigamente «dama, senhora nobre», e se empregava isoladamente<ref>«A honrada '''Dona''', batendo então nos peytos por sinal de grande espanto». Fernão Pinto, cap. XXXV. «Nestas vias das cartas que Sua Magestade escreveo a V. S. vay huma lista de despachos que este anno mandou dar a algumas '''donas''', molheres de fidalgos, e outras pessoas que tem servido esse estado» (1597). ''Archivo Port. Or.'', fasc. 5.º, p. 1493. «Era esta '''Dona''' na idade ainda moça, e mui gentil molher». Diogo do Couto, Déc. V, X, 7.</ref>. Com esta acepção, o vocábulo ainda hoje está em vigor na África Oriental, onde se aplica a certas damas oriundas de portugueses<ref>«'''Dona'''. Titulo que na Africa Oriental se dá ás mulatas mestiças». A. C. de Paiva Raposo, ''Dic. da língua landina'', in ''Bol.'' S. G. L., 18.ª sér., p. 59. O Sr. Ismael Gracias deu a uma sua interessante publicação o título de «Uma '''Dona''' Portuguesa na Côrte do Grão-Mogol» (Dona Juliana Dias da Costa, dos séculos XVII-XVIII).</ref>. As formas palatizadas ''nonha'' e ''nhonha'' não implicam necessáriamente a derivação ou a influência de ''senhora''; podem ter resultado da evolução de ''nona'', como em português ''vizinha'' &lt; ''vicina'', ''ponha'' &lt; ''poniat'', ''nenhum'' &lt; ''nem hum'', ''ninho'' &lt; ''nidum'', com prévia assimilação de ''d''. Cf. ''pipínhu'' = pepino, no crioulo malaio. Demais, ''nonha'' (p. us.) no dialecto ceilonense, e ''nhonha'' no macaense teem sentido deminutivo, e são provávelmente formas deminutivas. Não acho, portanto, improvável a derivação de ''dona'' e o contacto de ''dona'' e ''senhora'' e mútua influência; e parece-me mesmo possível a influência de ''nona'' = anona, e de ''nina'' = menina, que no português macaense faz o deminutivo em ''nhinina'', segundo J. F. Marques Pereira (''Ta-ssí-yang-kuo'', sér. I, vol. I, n.º 1). Vid. ''senhor'' e ''senhora''<ref>«O Sr. Gonçalves Viana diz que língua ''nhonha'' denota «o dialecto crioulo português falado em Macau». ''Apostilas''.</ref>. '''[[:d:Lexeme:|Dossel.]]''' Conc. ''dosél''. Term. vern. ''sezó'', ''māndví''. — Tet. ''dosel''. '''[[:d:Lexeme:|Dourado]]''' (subst., «peixe»). Indo-ingl. ''dorado''. Indo-franc. ''dorade''. Diz-se ''dourada'' no português de Goa. == Notas == <references /><noinclude></noinclude> 103fe4fjoxntn6lqf3k629cjxe2405x Galeria:Campos-Traduccaoebreve.pdf 104 255720 558772 558647 2026-08-14T14:00:59Z Erick Soares3 19404 558772 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=[[Traducção e breve analyse sobre M. Pasteur e M. 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A idéa da minha insufficiencia assoberba-me de novo, e enleiado subiria a esta cadeira, se não me corresse o dever de attribuir á sciencia em si mesma a honra, por assim dizer impessoal, que me conferistes.}} {{Fine|«A sciencia opera quotidianos prodigios. Quizestes testemunhar mais uma vez a impressão profunda que o mundo, os habitos da vida, e as lettras por sua vez recebem de tamanha accumulação de descobrimentos. Se vos dignastes de volver olhos sobre a minha carreira litteraria, estou bem certo de que a indole dos meus trabalhos vos não terá fallado em meu desfavor. Sob alguns aspectos, elles interessam ás manifestações da vida.}} {{Fine|«Demonstrando-vos que até este momento a vida não se tem jamais apresentado ao homem como um producto das forças, que regem a matería, não tenho feito mais que render homenagem á doutrina espiritualista, muito esquecida nʼoutras regiões, porém segura de achar ao menos em vossas fileiras um glorioso refugio.»}} E antes de examinar a vida de seu predecessor, M. Littré, o novo academico declara que não admitte a philosophia positiva, dizendo: {{Fine|«Encontro tanto que louvar, e por tantas formas, na bella vida de M. Littré, que fio me desculpareis a sinceridade de assignalar desde já a minha discordancia das suas opiniões philosophicas.»}} O retrato de M. Littré é fiel, e seductor. A rectidão, o desinteresse, a modestia, o caracter dʼaquelle espirito notavel, são<noinclude></noinclude> fn0p9xjf9y5a8kwjofh8lif262kj9u4 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/451 106 255856 558754 2026-08-14T12:57:37Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ALT foberba, E aquella opinião em tudo altiva. ARR. Dial. 4, 23 Com mofcas e gafanhoros expugnou o Senhor a altiva dureza del Rei Pharaó. Maus. Aff. Afr. 20, 18 Co refluxo, e c'o fluxo, que crefcia Das ondas ora hu- mildes, ora altivas. Mufic. M. NUN. Explan. 74 Cada hum deftes tons compoftos com propriedade tem diverfos effeitos... o fetimo altivo. {{lema|ALTO, A}}. adj. Levantado ou clevado fobre a terra. {{etim|Do Lat. Altus}}. BE... 558754 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>ALT foberba, E aquella opinião em tudo altiva. ARR. Dial. 4, 23 Com mofcas e gafanhoros expugnou o Senhor a altiva dureza del Rei Pharaó. Maus. Aff. Afr. 20, 18 Co refluxo, e c'o fluxo, que crefcia Das ondas ora hu- mildes, ora altivas. Mufic. M. NUN. Explan. 74 Cada hum deftes tons compoftos com propriedade tem diverfos effeitos... o fetimo altivo. {{lema|ALTO, A}}. adj. Levantado ou clevado fobre a terra. {{etim|Do Lat. Altus}}. BERNARD. Rin. Menin. 1, 2 Nefte monte mais alto de todos. Goxs, Chr. de D. Man. 2, 8 O que feito feguia a fróta viagem de longo daquella terra, de que a maior parte era mui alta. Can. Luf. 3, 84 Os al- tos promontorios o choráráo. Que tem eftatura ou altura mais que ordinaria. Das peffoas e coufas, Goes, Chr. de D. Man. 1, 90 No ca- bo desta ponta mandou fazer hum baftilhão, no qual pós hum pão alto. FERR. Poem. Son. 1, 50 Ifto cortou Alcip- po n'huma alta faia. VIEIR. Serm. 2, 12, 3. n. 38; Ap- pareceo Saul, ... e virão rodos, que dos hombros pa-. ra cima era mais alto que todos. Levantado ou erguido para cima. MEMOR. DAS PROEZ. I, 29 Arremetteo com a efpada alta a Pedragonte. Fr. MARC. Chr. 2, 6 6, 5 Altos os olhos em o céo. Lor. Con- delt. 9, 82 A lança entre os arções, alta a vileira. Pofta em cima, que está em lugar Juperior. Azue. Chr. 3, 100 Os navios, que havião de partir, erão já todos preftes, e huns tinhão as vergas altas, &c. CAM. Luf. 4, 104 Não commettêra o moço miferando O al- to carro do pai, c o ar vazio. SorToM. Ribeir. 2, 7% Vamos, tornou Galatéa, que vem já o Sol muito alto, e tangerão no bofque a recolher do monte.. Met. Superior ou excellente. Applicafe ás peffons muito qualificadas por nafcimento, empregos, talen:os ou outra diftinta prerogativa. BERNARD. RIB. Menin. 1,5 Cá contão, que ellas erão filhas de hum alto homem, como fe depois por .tempo fufpeitou. FERR. Poem. Cart. 1, 3 Quanto foi mais fentida, e mais chorada A mor- te do alto Homero por feu canto, Que a tua, Achil- les, que elle fez honrada. VIEIR. Sem. 4, 10, 4. n. 349 A natureza a todos os homens fez iguaes, a fortuna he a que fez os altos e os baixos cos baixiffimos, quaes são os fervos. Applicafe aos Soberanos, e particularmente a Deos, e tambein ás vezes fe lhe ajunta o adverbio Muito. CAM. Luf. 2, 80 Rei alto e fublimado. ANDRAD. Chr. I, 9 Eu recebo por Senhor e Rei natural o muito alto, muito excellente, muito poderofo Principe D. João, nof- fo Senhor. HEIT. PIT. Dial. 1, 2, 3 Quando de fracos não podião cantar, lançar a voz e oração ao alto Deos. Applicafe tambem no animo e feus effeitos, ou ás acções de relevante diftinção. BERNARD. RIB. Menin. 1, 6 Foi de tão alto coração, que não pôde fupportar fer vencido. CAN. Luf. 4, 10; Quanto melhor nos fora, Prometheo, E quanto pera o mundo menos damno, Que a tua eftatua illuftre não tivera. Fogo de altos defejos, que a movèra. Cour. Dec. 4, 1, 5 Tão altas proezas fizerão, &c. veflava hum donzel pequeno, chorando em altas vozesi Luc. Vid. 1, 7 Reperinfo palavra em gritos táo altos, que &c. Caro, fubido. Applicafe ao preço. Luc. Vid. 7; 25 Em fim aos homens, porque podia fer que fe defaviel- fem no preço, não lho punhão tão alto, e as mulhe res polas roubarem de tudo, punhãolho altiffimo. Mer- Doç. Jorn. 2, 6 Muitos homens havia, aos quaes feus amos tinhão prezos nas cadeias públicas, por fe cortarem em alto preço. Sous. DE MAC. Ev. 1, 18, 88. n. 12 Noś comprou pelo alto preço do feu fangue, Remoto, afajtado. Applicafe ao tempo. FERR. Poem. Cart. Que efpantos nos renova a alta memoria De tantos Gregos e Romács gentios; Senhores do fa- ber, paz e victoria! Sous. Hift. 1, 1, 14 Querolhes con- ceder toda a mais alta antiguidade, que pertendem no ufe das contas. Quando fe falla do poder, jurifdicção, &c. enten- defe o que fe póde exercer com abfoluto e illimitado imperio, A's vezes fe lhe contrapõe Baixo. PIN. Chr. de D. Aff. IV. 65 E que dahi cm diante em todolos luga- res do Reino, por onde andaffe e eftiveffe, ufaffe do toda a juridicção e poder alto e baixo. D. HILAR. Voz 3 io Nem inquiras de feu alto poder curiofamente. LEÃO 3 Chr. de D. Duart. 44 Jurdicção civel e criminal, nita é baixa, mero e mixto imperio. Grande, enorme, exuberante. Applicafe aos ctimes, offenfas, &c. Euraos. 5, 8 A mi fe me he fcita a mais alta ribaldaria, que fe fez a homem. CAM. Luf. 4, 104 Nenhum commettimento alto e.nefando Deixa inten- tado a humana geração. Geogr. Situado em maior altura d refpeito de outro. Aflim fe denominão certos paizes, provincias, e re- gióes. BARR. Dec. 2, 3, 10 Affentar paz e amizade com o Prete, Senhor daquellas Regiões da alta Ethiopia. A. GALV. Tr. 59 Donde fe tornou pela alta Alemanha. ESPER. Hift. 2, 7, 16. n. 3 Na cidade de Ubeda, da Andaluzia alta. Mufic. A. FERNAND. Art. 1, 49 Eftes modos fe partem em duas partes, quatro altos ou meftres, e qua- tro baixos ou difcipulos. Sous. DE MAC. Ev. 1, 22, 117 n. 11 Nefte cantico notou hum ouvido de bom gofto... o alto. Alto. Profundo, de grande fundo. EurRos. Prol: Alto vào vai eite. Cam. Lu.6,8 No mais etemo fun do das profundas Cavernas altas, onde o mar fe efcon- de. Paiv. Serm. 1, 9 Os Sacerdotes porque. aquelle. fo- go fanto não foffe profanado, o efconderão em hum po- ço alto. Met. BERNARD. RIB. Menin. 1, 19 Na prefença lo- go fe enxerga, que alguma alta trifteza lhe fogiga o coração. ARR. Dial. 1,8 Que a da noite commummen- te he mais accommodada à aguda e alta contemplação dos que meditáo e eftudão. FERNAND. Halm. 3, 28 Tád altas tinha as raizes o mal, que lhe queria: Difficil de fe penetrar e comprehender. Can. Luf. 5, 18 Não foi menos a todos excellivo Milagre, e cou- fa certo de alto efpanto, Ver, &c. ORIENT. Lufit. 98 A noite foi teftemunha e fecrétaria de tão alto myf terio. (Falla do Natal.) L. ALv. Céo, 10, 8 Confulta- vão os Theologos fobre materias e pontos de alta Tbeo- logia Applicafe no mefmo fentido a qualquer coufa, em que fe dà alguma qualidade ou condição vantajofa e mui- to fobre o ordinario no feu genero. FERR. Poem. Son. I, 6 Outro alto eftado, outra honra, outras riquezas Lhe deo quem tudo cria. EsTaç. Tr. 1, 23 A geração de alto Alto bordo. Marinh. BARR. Dec. 3,8,7 Com Por- e claro fangue faz fem duvida nobres aos que delle naf- cem. BRIT: Chr. 1, 19 Tendo que não feria bon mi niftro, quem não receava tão alto lugar. (o Sacerdocio) Hutuguezes e navios de alto bordo não fe pode pelėjar com as lancharas razas, como eu trago. ANDRAD. Cetc. 8, 36, 4 Achão d'embarcações, gráp quantidade. mas são d'alto bordo, outras rafteiras. TELL. Chr. 2; 6, 59. n. 5 Afóra outros navios de alto bordo, bem artilha dos, e providos de Janiferos e foldados velhos. Poet. Applicafe o céo e as coufas, que lhe perten- ccm. FERR. Poem. Od. 1, 2 Pois tendes là tão certos os affentos Nos altos céos. CAM. Luf. 5, 85 Até que aqui no teu leguro porto, ... Nos trouxe a piedade do alto Alto dia. Muito depois. de amanhecer. BERNARDE affento. CORT. R. Cerc. 4, 49 Atroando Os mares, altos céos com trovões falfos. 10 varicul Alto. Sublime. Applicafe ao eftilo, ás fentenças, ás palavras, &c. GORT. R. Naufr. 1, 15 Efcrevelhem por ella não por palavras De artificio affeitadas, e al- to effilo. Luc. Vid. 9, 6 Nenhuma de fuas palavras tem contradicção, nem réplica, que aindaque por altas po- nhão espanto a quem as ouve, conformafe porém tanto com ellas toda a boa razão, que &c. VIEIR. Serm. 6, 2, 7. n. 67 Efta he a grande energia e alto penfamen- to, com que diffe Job, &c. sup.onlades: De fom forte, e que fe ouve bem. Applicafe a voz; gritos, &c. BARR. Dec. 1. Ded. Por a pratica fer hum pou co alta &c. Mon. Palm. 1, 24 Pelo qual valle] atra Rix, Menin. 1, 2 E ainda não foi alto dia, quando, &c. BARR. Dec. 1, 1, 10 Quando já chegarão a aldea, era alto dial Alta eftofa. met. Peffon de alta eftofa. A que sient conhecida bondade, on fingular merecimento. HEIT. PINT. Dial. 1, 2,5 E como os Religiofos de alta estofa... todaviaisád humanos, &c form Alta manháa. O mesmo que Alto dia. BARR. Deca 4,8,13 Que era já alta manba: PROY. DA HIST, GENA 3,4 161. p. 308 Devemos mandar que deni, as trom- betas cedo alta mauhia por tal, que &c. Alto mar. Largo, em que fe perde a terra de vista ou diftante da mefma terra. FERR. Poem. Son. I,:48 Af- fopra o bravo vento, o alto mar genie, CoRT. R. Cerc.<noinclude></noinclude> obhxoyrxbihj1fl7n058hdop1oxl2m9 558755 558754 2026-08-14T12:58:01Z MLReis 41056 558755 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>ALT foberba, E aquella opinião em tudo altiva. ARR. Dial. 4, 23 Com mofcas e gafanhoros expugnou o Senhor a altiva dureza del Rei Pharaó. Maus. Aff. Afr. 20, 18 Co refluxo, e c'o fluxo, que crefcia Das ondas ora hu- mildes, ora altivas. Mufic. M. NUN. Explan. 74 Cada hum deftes tons compoftos com propriedade tem diverfos effeitos... o fetimo altivo. {{lema|ALTO, A}}. adj. Levantado ou clevado fobre a terra. Do Lat. Altus. BERNARD. Rin. Menin. 1, 2 Nefte monte mais alto de todos. Goxs, Chr. de D. Man. 2, 8 O que feito feguia a fróta viagem de longo daquella terra, de que a maior parte era mui alta. Can. Luf. 3, 84 Os al- tos promontorios o choráráo. Que tem eftatura ou altura mais que ordinaria. Das peffoas e coufas, Goes, Chr. de D. Man. 1, 90 No ca- bo desta ponta mandou fazer hum baftilhão, no qual pós hum pão alto. FERR. Poem. Son. 1, 50 Ifto cortou Alcip- po n'huma alta faia. VIEIR. Serm. 2, 12, 3. n. 38; Ap- pareceo Saul, ... e virão rodos, que dos hombros pa-. ra cima era mais alto que todos. Levantado ou erguido para cima. MEMOR. DAS PROEZ. I, 29 Arremetteo com a efpada alta a Pedragonte. Fr. MARC. Chr. 2, 6 6, 5 Altos os olhos em o céo. Lor. Con- delt. 9, 82 A lança entre os arções, alta a vileira. Pofta em cima, que está em lugar Juperior. Azue. Chr. 3, 100 Os navios, que havião de partir, erão já todos preftes, e huns tinhão as vergas altas, &c. CAM. Luf. 4, 104 Não commettêra o moço miferando O al- to carro do pai, c o ar vazio. SorToM. Ribeir. 2, 7% Vamos, tornou Galatéa, que vem já o Sol muito alto, e tangerão no bofque a recolher do monte.. Met. Superior ou excellente. Applicafe ás peffons muito qualificadas por nafcimento, empregos, talen:os ou outra diftinta prerogativa. BERNARD. RIB. Menin. 1,5 Cá contão, que ellas erão filhas de hum alto homem, como fe depois por .tempo fufpeitou. FERR. Poem. Cart. 1, 3 Quanto foi mais fentida, e mais chorada A mor- te do alto Homero por feu canto, Que a tua, Achil- les, que elle fez honrada. VIEIR. Sem. 4, 10, 4. n. 349 A natureza a todos os homens fez iguaes, a fortuna he a que fez os altos e os baixos cos baixiffimos, quaes são os fervos. Applicafe aos Soberanos, e particularmente a Deos, e tambein ás vezes fe lhe ajunta o adverbio Muito. CAM. Luf. 2, 80 Rei alto e fublimado. ANDRAD. Chr. I, 9 Eu recebo por Senhor e Rei natural o muito alto, muito excellente, muito poderofo Principe D. João, nof- fo Senhor. HEIT. PIT. Dial. 1, 2, 3 Quando de fracos não podião cantar, lançar a voz e oração ao alto Deos. Applicafe tambem no animo e feus effeitos, ou ás acções de relevante diftinção. BERNARD. RIB. Menin. 1, 6 Foi de tão alto coração, que não pôde fupportar fer vencido. CAN. Luf. 4, 10; Quanto melhor nos fora, Prometheo, E quanto pera o mundo menos damno, Que a tua eftatua illuftre não tivera. Fogo de altos defejos, que a movèra. Cour. Dec. 4, 1, 5 Tão altas proezas fizerão, &c. veflava hum donzel pequeno, chorando em altas vozesi Luc. Vid. 1, 7 Reperinfo palavra em gritos táo altos, que &c. Caro, fubido. Applicafe ao preço. Luc. Vid. 7; 25 Em fim aos homens, porque podia fer que fe defaviel- fem no preço, não lho punhão tão alto, e as mulhe res polas roubarem de tudo, punhãolho altiffimo. Mer- Doç. Jorn. 2, 6 Muitos homens havia, aos quaes feus amos tinhão prezos nas cadeias públicas, por fe cortarem em alto preço. Sous. DE MAC. Ev. 1, 18, 88. n. 12 Noś comprou pelo alto preço do feu fangue, Remoto, afajtado. Applicafe ao tempo. FERR. Poem. Cart. Que efpantos nos renova a alta memoria De tantos Gregos e Romács gentios; Senhores do fa- ber, paz e victoria! Sous. Hift. 1, 1, 14 Querolhes con- ceder toda a mais alta antiguidade, que pertendem no ufe das contas. Quando fe falla do poder, jurifdicção, &c. enten- defe o que fe póde exercer com abfoluto e illimitado imperio, A's vezes fe lhe contrapõe Baixo. PIN. Chr. de D. Aff. IV. 65 E que dahi cm diante em todolos luga- res do Reino, por onde andaffe e eftiveffe, ufaffe do toda a juridicção e poder alto e baixo. D. HILAR. Voz 3 io Nem inquiras de feu alto poder curiofamente. LEÃO 3 Chr. de D. Duart. 44 Jurdicção civel e criminal, nita é baixa, mero e mixto imperio. Grande, enorme, exuberante. Applicafe aos ctimes, offenfas, &c. Euraos. 5, 8 A mi fe me he fcita a mais alta ribaldaria, que fe fez a homem. CAM. Luf. 4, 104 Nenhum commettimento alto e.nefando Deixa inten- tado a humana geração. Geogr. Situado em maior altura d refpeito de outro. Aflim fe denominão certos paizes, provincias, e re- gióes. BARR. Dec. 2, 3, 10 Affentar paz e amizade com o Prete, Senhor daquellas Regiões da alta Ethiopia. A. GALV. Tr. 59 Donde fe tornou pela alta Alemanha. ESPER. Hift. 2, 7, 16. n. 3 Na cidade de Ubeda, da Andaluzia alta. Mufic. A. FERNAND. Art. 1, 49 Eftes modos fe partem em duas partes, quatro altos ou meftres, e qua- tro baixos ou difcipulos. Sous. DE MAC. Ev. 1, 22, 117 n. 11 Nefte cantico notou hum ouvido de bom gofto... o alto. Alto. Profundo, de grande fundo. EurRos. Prol: Alto vào vai eite. Cam. Lu.6,8 No mais etemo fun do das profundas Cavernas altas, onde o mar fe efcon- de. Paiv. Serm. 1, 9 Os Sacerdotes porque. aquelle. fo- go fanto não foffe profanado, o efconderão em hum po- ço alto. Met. BERNARD. RIB. Menin. 1, 19 Na prefença lo- go fe enxerga, que alguma alta trifteza lhe fogiga o coração. ARR. Dial. 1,8 Que a da noite commummen- te he mais accommodada à aguda e alta contemplação dos que meditáo e eftudão. FERNAND. Halm. 3, 28 Tád altas tinha as raizes o mal, que lhe queria: Difficil de fe penetrar e comprehender. Can. Luf. 5, 18 Não foi menos a todos excellivo Milagre, e cou- fa certo de alto efpanto, Ver, &c. ORIENT. Lufit. 98 A noite foi teftemunha e fecrétaria de tão alto myf terio. (Falla do Natal.) L. ALv. Céo, 10, 8 Confulta- vão os Theologos fobre materias e pontos de alta Tbeo- logia Applicafe no mefmo fentido a qualquer coufa, em que fe dà alguma qualidade ou condição vantajofa e mui- to fobre o ordinario no feu genero. FERR. Poem. Son. I, 6 Outro alto eftado, outra honra, outras riquezas Lhe deo quem tudo cria. EsTaç. Tr. 1, 23 A geração de alto Alto bordo. Marinh. BARR. Dec. 3,8,7 Com Por- e claro fangue faz fem duvida nobres aos que delle naf- cem. BRIT: Chr. 1, 19 Tendo que não feria bon mi niftro, quem não receava tão alto lugar. (o Sacerdocio) Hutuguezes e navios de alto bordo não fe pode pelėjar com as lancharas razas, como eu trago. ANDRAD. Cetc. 8, 36, 4 Achão d'embarcações, gráp quantidade. mas são d'alto bordo, outras rafteiras. TELL. Chr. 2; 6, 59. n. 5 Afóra outros navios de alto bordo, bem artilha dos, e providos de Janiferos e foldados velhos. Poet. Applicafe o céo e as coufas, que lhe perten- ccm. FERR. Poem. Od. 1, 2 Pois tendes là tão certos os affentos Nos altos céos. CAM. Luf. 5, 85 Até que aqui no teu leguro porto, ... Nos trouxe a piedade do alto Alto dia. Muito depois. de amanhecer. BERNARDE affento. CORT. R. Cerc. 4, 49 Atroando Os mares, altos céos com trovões falfos. 10 varicul Alto. Sublime. Applicafe ao eftilo, ás fentenças, ás palavras, &c. GORT. R. Naufr. 1, 15 Efcrevelhem por ella não por palavras De artificio affeitadas, e al- to effilo. Luc. Vid. 9, 6 Nenhuma de fuas palavras tem contradicção, nem réplica, que aindaque por altas po- nhão espanto a quem as ouve, conformafe porém tanto com ellas toda a boa razão, que &c. VIEIR. Serm. 6, 2, 7. n. 67 Efta he a grande energia e alto penfamen- to, com que diffe Job, &c. sup.onlades: De fom forte, e que fe ouve bem. Applicafe a voz; gritos, &c. BARR. Dec. 1. Ded. Por a pratica fer hum pou co alta &c. Mon. Palm. 1, 24 Pelo qual valle] atra Rix, Menin. 1, 2 E ainda não foi alto dia, quando, &c. BARR. Dec. 1, 1, 10 Quando já chegarão a aldea, era alto dial Alta eftofa. met. Peffon de alta eftofa. A que sient conhecida bondade, on fingular merecimento. HEIT. PINT. Dial. 1, 2,5 E como os Religiofos de alta estofa... todaviaisád humanos, &c form Alta manháa. O mesmo que Alto dia. BARR. Deca 4,8,13 Que era já alta manba: PROY. DA HIST, GENA 3,4 161. p. 308 Devemos mandar que deni, as trom- betas cedo alta mauhia por tal, que &c. Alto mar. Largo, em que fe perde a terra de vista ou diftante da mefma terra. FERR. Poem. Son. I,:48 Af- fopra o bravo vento, o alto mar genie, CoRT. R. Cerc.<noinclude></noinclude> csluif2b3ti3dyylf11qhsmltiu5amm Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/452 106 255857 558756 2026-08-14T12:58:52Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 15, 254 E acrevolta Da gente, que embareavà, en- furdecia O porto e alto mar. Los. Primav. 1, 4 Pro- figa o navegante fua eftrella, E fobre o. fraco lenho no mar alto Ande fempre c'os ventos en cautéla. Alta noite. Muito de noite ou depois de fer noite. FERN. Lor. Chr. de D. J. I. 1, 2 E indo o Conde alta noite defacompanhado &c. MENOR. DAS PROEZ. I, 24 Cuja terra tomárão já alta noite. AvELR. Itin. 71 Eftive- mos todos até alta noite... 558756 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>15, 254 E acrevolta Da gente, que embareavà, en- furdecia O porto e alto mar. Los. Primav. 1, 4 Pro- figa o navegante fua eftrella, E fobre o. fraco lenho no mar alto Ande fempre c'os ventos en cautéla. Alta noite. Muito de noite ou depois de fer noite. FERN. Lor. Chr. de D. J. I. 1, 2 E indo o Conde alta noite defacompanhado &c. MENOR. DAS PROEZ. I, 24 Cuja terra tomárão já alta noite. AvELR. Itin. 71 Eftive- mos todos até alta noite em boa converfação. Alta paz. A que he fegura, e fem alteração. Sous. DE MAC. Ev. 2, 9, 315. n. 16 Huma alta paz geral flo- refcerá. VIEIR. Serm. 6, 9, 2. n. 263 Salamão foi o Rei, que em todo o feu reinado gozou da mais alta e fegu- -ra paz. Alto Sol. O mefmo que Alto dia. FERNAND. Palm. 5, 38 Andou a maior parte da menháa cm feu, fegui- mento, até que já Sul alto, ao pé de hum mouite en- stre huns altos freixos os vio todos feis aptados. Alto fomno. O que he profundo. BERNARD, RIB. Me- nin. 1, 8 Foi a fenhora Aonia rijo chamar Lamentor, que no mais alto fomno dormia. FR. MARC. Chr. 2, 5, 43 Eftava em alto fomno de repoufo. Ana. Dial. 2, 17 A fombra da morte, cm que jazião, os monftros hor- rendos, que tinha em companhia, e o alto fonino, que entre elles dormia, &c. Alto. Ufafe frequentemente como fubft. A parte mais elevada de alguma coufa. Mon. Palm. 1, 17 & fendo já de todo no alto da montanha &c. FERR. Poem. Ecl. 8 D'hum alto, que o mar longe defcobria... Lidia c'os olhos trifte em vão feguia. BRIT. Chr. 1, 8 No alto defta figura. . . apparecco huma grande claridade. Comprimento ou extensão para cima. Fx. GASP. DA CRUZ, T. 14, 5 0 [caixão] affentão fobre dous ban- quinhos, e lanção do alto até o chão por cima do cai- A xão hum panno. Luc. Vid. 3, 5. Ja alli havia huma la- gem de marmore branco de quatro palmos de alto. GA- sve, Cerc. 2, 7 Os Cavalleiros fobre os baluartes terão de alto rrinta palmos. Alto ou o Mui Alto. ant. Denominação, que fe dá a Deos por antonomafia. .D. FR. BR. DE BARR. Ef- pelh. 3, 8 O Mui Alto fantificou fua morada com a avondança das fantas graças. GRAN. Comp. 1, 3 Eu dif- fe que fois Deofes, e todos filhos do Alto. BRIT. Chr. , 7 Ifto ordenou affi o Mui. Alto, cujos fegredos são incomprehenfiveis. Alto. Profundidade, fundo de alguma coufa. VIEIR. Serm. 7, 12, 7. n. 407 Baftão as fepulturas] dos que No alto ou no mais alto da noite. Depois de fer- muito tempo noite ou no micio della. Los. Peregr. 1, z E no mais alto da noite fe lhe reprefentou em fonhos &c. CUNN. Catal. 2, 11 Ouvirãofe naquelle lugar no al- to da noite por muitas vezes muficas fuaviffimis. VIEIR. Serm. 2, 6, 1. n. 162 Nenhum efteve mais alerta, e com os olhos mais abertos, nem no mais alto e profun- do da noite, nem em noites mais efcuras, e mais cer- radas. No alto ou no mais alto dia. Depois de fer dia cla- ro, ou na fua maior claridade, ou ao meio dia. CEIT. Qua- drag. 1, 31, 3 Se diz a terceira Miffa no mais alto e claro do dia Serm. 1, 105, 4 E como o comer ha- via de fer na hora ordinaria, conjecturamos fer no alto do dia. No alto e no baixo. Com jurifdicção abfoluta fobre Grandes e pequenos. CART. DE JAP. 2, 146, 2 O Capi- tão Tachibana, que he o que governa no alto e no baixo rodo o Bungo, fe põe afperamente contra elic. Por alto. fórm. adv. uf. O mefmo que Por contra- bando. Ufafe commuminente com os verbos entrar,. met- ter ou tirar. Verb. Dar... Milic. O mefmo que Fizer... A- RAUJ. Succell. 1, 16. Eftar com as velas de... Marinh. (o mefmio que eftar de verga de...) ALBUQ. Comm. 4, 25. de verga de... Marinh. (cftar pronto a navegar com as velas em cim.1.) CORT. R. Cerc. 15, 254. VIEIR. Serm. 6, 6, 2. n. 129. Fazer... Milic. (parar ou fufpender a marcha à foldadefca.) LOBAT. Palm. 5, 48. Cour. Dec. 4, 6, 9. (dizfe de outra qualquer gente, que, cami- nha.) LEIT, D'ANDRAD. Mifc. 16, 469. VIEIR. Serm. 9. do Rof. 3, 6, 126. met. VIEIR. Serm. 12, 8, 3. n. 196 Vendofe David com Reino, com paz, e com fuccefsão, parou o defejo, fez alto a fortuna &c. Paffar alg. c. outra por... mer. (excedela, ferlbe Juperior.) D. HIL. Voz. 10. Liss. Jard. 6co, 5. alg. alg. c. por... ou deixala pajar por... met. (não a attender, defprezala.) BRIT. Mon. 1, 3. c. 3. Feo, Tr. 1, 44, 1. alg. c. alg. por... met. (não a advertir ou deixar de a entender.) ORIENT. Lufit. 114 Sous. Vid. 2, 24. alg. ou alg. c. por dos olhos. a alg. (efcaparlhe da vifta. BARRET. Eneid. 6, 33, Alto. fubft. Mufic. O que faz o alto na Musica. M. Nun. Art. 42 F fe o Tiple tiver clave de C fol faut na terceira, o alto a terá na quarta Luz, Serm. 1, 117, 1 Nem todos os que eftão á eftante, hão fer tipres ou altos, ha tambem tenores e baixos. de i ella [terra] recebe em fere pés de comprimento, e co- Altos. fubft. no pl. Outeiros, ou as partes mais al- bre com quatro de alto. Alto. O mar, principalmente já largo, e afaftado da terra. BARR. Dec. 4, 4, 19 E pera a poder tirar ao alto [a náo]a nado, alijavão alguns fardos de merca- edorias. CAM. Ecl. 6, 11 Mancebo era de idade florefcen- bite, Pefcador grande do alto. Sous. Vid. 1, 26 Dei- xando todos aninofamente a pobreza das redes, cafe- gurança das praias pelos perigos do alto. Alto. Milic: Foz, de que fe ufa nas tropas para pararem os fold ados, ou fufpenderem a acção, em quc fe achão. BUT. Vocab. Voz, de que ufa o Capitão, quando manda aos fol- dados, que levantem as picas. Biur. Vocab. Altobaixos. O mefmo que Altibaixos. M. BERNARD. Paraif. 36 O corpo todo rifcado de fangue, e com alto. baixos dos vergoes dos açoutes. De alto abaixo. fórm. adv. Defde a parte mais al- ta de alguma coufa até à infima. MENOR. DAS PROEZ. I, 13 Veftião camizas mourifcas lavradas d'ouro d'alto abai- -xo. Luc. Vid. 7, Não darão a ninguem huma fó palavra, mas eftimarão fender hum homem d'alto abai- Luxo. SA DE MEN. Mal. 11, 33 A efpada toma, e de al- to abaixo o fende. has Do alto. Por antonomafia fe entende o mefmo que do céo. Azur. Chr. 3, 43 Grandes louvoresivos fejão dados a vos, minha Senhora, porque vos prouve de me virdes vifitar do alto. Maus. Aff. Afr. 3, 46 y Mas Deos, do alto vio tamanha pena, &c Sous. Hift. 1, 2, 2 É como o negocio vinha traçado do alto, donde vem to- do o ben, &c. A MT21 Emalto. Para cima, ou para a parte fuperior. mdio, Chr. de D. Aff. IV. 143 y Deo com grande de- fenvoltura hum tão grande falto em alto, que a todos fcz maravilhar. Soven. Hiftor. 2; 18 Todos têm as mãos levantadas em alto. Los. Primav. 3, i Bocca brafgada en alto graciofa. tas de algum lugar. SANT. Ethiop. 1, 1, 20 A caça to- da foge pera os altos. TELL. Chr. I, 1, 19. n. 4 Tratou de edificar o novo Collegio nos altos della [Coimbra.] Altos e baixos. As partes altas e baixas de algum terreno. FERNAND. GALY. Serm. 3, 310, 2 He terra que. tem altos e baixos, que fo do ceo efpera a chuva &c. HIST. TRAG. MARIT. I, 76 Nao cellavamos de anda: fem caminho, nem carreira pelos altos e baixos daquelles ma- tos.. Met. Defigualdade ou variedade dos fuccefos, &c. D. F. MAN. Cart. 1, 37 Nem o confidero pequeno [tra- balho] para metter em armonia a diffonancia das políticas humanas, cujos altos e baixos guardão pouca proporção. {{lema|ALTO}}. adv. ou fórm. adv. lug. Em ou para lugar alto. FERR. Poem: Cart 2, 4 Quem pera effe, fanto, ocio te ... chamou, Te chamará mais alto, vive e efpera. Maus. Aff. Afr. 1, 14 y Logo mais alto defta efcura cova... Outra morada jaz de gente nova. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 7 4 93 Ainda fubio mais alto [o demonio.] Adv. mod. Em fom diftincto, e que fe houve bem. Re- SEND. Chr. 14 E dahi a poucos dias difle al:o c publica- mente &c. SA' DE MIR Vilbalp. 4, 5 Não tangera e cantatá tão alto, que &c. FERA. Poem. Caftr. 2 Entre fonhos t'ouvi chorat tão alto, Que de, medo e d'ef panto fiquei fria. Alto e de bom fom: En woz intelligivel, e que fe ouve em distancia. EUFROS. 3, IE vós, fenhora, mui- to defapaixonada eftaveislho ouvindo alto e de bom font. Alto. interj. Eia pois, ou vamos. Yoz, com que cfe exhorta a principiar ou a dar principio a alguma cou- fa. MACHAD. Cerc. 2, 46 Alto, cantiga na mão, Que o trabalho.com cantar, He de melhor defiftáo, Alto, 30 trabalho, que he hora. F. DE MENDOÇ. Serm. 1, 26, 25 Pois alto: cégos, vede, furdos, ouvi. VIEIR. Serm. 14, 2, 7 n. 70 Pois que remedio? não ha outro fenão fu gir, alto, deixemos a patria.<noinclude></noinclude> te6nlex7wnglkvg01k13ygvhd5k3fah Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/453 106 255858 558757 2026-08-14T13:00:36Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A LAT Altos. Sobrados nas cafas, levantados fobre as lo- jas, e que formão os differentes andates das mesmas cafas. BLUT: Vocab.net como mile! Altos de vazio. Expressão metaphorica para declarar a falta de juizo de alguma peffoa: como quando fe diz, que ella paga os altos de vazio, &c. SOVER. Hift. 3, 4 Ainda he mais o que fe conta de Quinto Fulvio Flacco, Cenfor Romano, que por tirar humas telhas do telhado do remplo de Jupiter em Lo... 558757 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A LAT Altos. Sobrados nas cafas, levantados fobre as lo- jas, e que formão os differentes andates das mesmas cafas. BLUT: Vocab.net como mile! Altos de vazio. Expressão metaphorica para declarar a falta de juizo de alguma peffoa: como quando fe diz, que ella paga os altos de vazio, &c. SOVER. Hift. 3, 4 Ainda he mais o que fe conta de Quinto Fulvio Flacco, Cenfor Romano, que por tirar humas telhas do telhado do remplo de Jupiter em Locres, fubitamente endoude- ceo, compenfandofe o que tirára do alto do templo.com lhe deixarem os altos de vazio. Altos ou tres altos. Dizfe de certos recidos, co- mo do brocado, do veludo, &c, que tem tres ordens, que são o fundo, o lavor, e fobre efta o efcarchado, co- mo anneiszinhos. GASP. DOS REIS, Rel. 34, 42 Cujas meias de retrós junto com os altos do veludo carnezin, de corte luftrofo, faziáo &c. Sous. Vid. 6, 18 Lança- ráolhe por cima [da eça] hum rico panno de brocado de tres altos. S. MAR. Chr. 2, 9, 26. n. 12 Deo mais hum ornamento de brocado de tres pelos ou de tres altos. Adag. Altas ou baixas em Abril vem as Pafcoas. DELIC. Adag. 26. Alto mar, e não de vento, não promette feguro tem- po. DELIC, Adag. 26. Alto para váo, baixo para barco. DELIC. Adag, 157. Come caldo, vive em alto, anda quenre, vivirás longa-" mente. DELIC. Adag. 122. Feno ou alto ou baixo em Junho he cegado. DELIC. A- dag. 7. Neroa em alto, agoa em baixo. DELIC. Adag. 27. Quem em mais alto nada, mais prefto fe afoga. DELIC. Adag. 73. Quem faz cafa na praça, huns dizem que he alta, outros que he baixa. DELIC. Adag. 78. Tu ribeira alta vás, nem te paffarei, nem me levarás. DELIC. Adag. 36. {{lema|ALTOR}}. s. m. antiq. e pouc. uf. O mefmo que Altura. MoR. Palm. 2, 149 E era ramanha, que com a cabeça igua- lava com o altor dellas o cavallo. {{lema|ALTO SUS}}. fórm. adv. ant. Voz on exprefsão, com que fe exhorta a fazer alguma coufa; ou tambem com que fe manda a alguem deter ou fafpender o paffo, a acção, ou o difcurfo. PREST. Aut. y Alto fus em hora benta Seja ef. ra obra começada. {{lema|ALTRACAR}}. v. a. antiq. O mefino que Altercar. CANCIÓN. 92,.1. {{lema|ALTRIX}}. [faculdade] Med. Faculdade nutritiva, ou que alimenta. Lat. Altrix. MADEIR. Meth. 1, 19, 3 E pela humidade fubftantifica e accrefcenta o humido radical, e favorece a faculdade altrix, e faz engordar os que della fua usáo. {{lema|ALTURA}}. s. f. Elevação de algum corpo fobre a fuperficie da terra, Goes, Chr. de D. Man. z, 1. E que como a fortaleza fofle pofta em altura, que fe pudeffe defender partiffe pera Quiloa. Mor. Palm. 1, 14 O qual [valle] hia por meio de duas tão altas ferras, que a altura del las impedia a entrada do Sol o mais do anno. Laño, Chr. de D. A. Henr. 43 A qual [arvore] começou de enverdecer, e lançar folhas, e crefcer fobre a terra em jufta altura. Cabeço, cume ou parte mais alta dos montes, ferras, citeiros, c. Tambem fe diz affim no plural. FERR. Poem. Ecl. Tinhaos por ventura o voffo monte, Ou as al- turas là do frefco Pindo CAM. Luf. 10, 105 Mas vês o fermofo Indo, que daquella Altura nace, junto à qual tambem D'outra altura correndo o Gange vem. CASTR. 0 Ulyff. 3, 25 Ferindo c'os primeiros refplandores Des impinados montes as alturas. Distancia da parte fuperior d inferior. BARR. Dec. 1, 1, 11 Entre os quaes vinha hum mancebo, que quan- do chegou abaixo da altura donde cahio, veio feito em pedaços. CoxT. R. Cerc. 7, 81 E vem dando, Dal- li daquella altura grandes faltos. SANT. Ethiop. 1, 1, 22 São de comprimento de duas varas de medir, e de quarro paimos de altura. Mer. Coar. R. Nauft. 2, 17. Se imaginava alli naquella altura Poder outro lograrvos, me ficava O fangue frio, a vida mal fegura. Los, Coit. 11, 119 Co- mo de tanra altura decefte da graça de N. a eftà mife- ria? VIEIR. Serm. 7, 5, 5. n. 145 Por accrefcentarem altura à fua Mageftade [da Virgem Santiffima.] Altura. Profundidade. BARREIR. Chorogr. 57 Hum poço talhado na pedra viva de mui defcompaffada altu Ta. BRIT. Chr. 124 Lhe moftrou hum poço redondo mui largo, e defconpaffado, táo profundo e tenterofo em fua altura, que o velho fe não atrevia a pôr os olhos nel- le. LEON. DA Cost. Ecl. 3, 14 . not. Aquelle po ço, que efta em Cycne... de excefliva altura. Epith. Admiravel. M. BERN. Floreft. 2, 3, 130, C. Afperiffima. ARAUI. Succeff. 3, 1. Celefte (o ceo.) ORIENT. Lufit. 150 y. Clara (o ceo.) FERR. Poem. Carr. 1, 11. Demafiada. L. ALv. Serm. 3, 8, 7 n. 26. Def compafada. BARREIR. Chorogr. 57. Defcompofta. SA' DE MEN. Mal. 1, 34. Defmedida. S MAR. Chr. 2, 5; 8. n. 9. Diffical tofa. ESTIM. Do AM. Div. 3, 17. Elevada. MATT. Jeruf. 6, 62. Excelfa. ROLL. Noviff. 2. Argum. Exceffive. LEON DA COST. Ecl. 3, 14 . not. h. Honef- ta (proporcionada.) FR. GASP. DA CRUZ, Tr. 6, 4. Ima menfa. CoRT. R. Nauft. 2, 25. Inacceffivel. Viets. Scrm. 7, 3, 7. n. 119. Ingreme. Conr. R. Naufr. 12, 134 . Innumeravel. Moa. Palm. 2, 120. Maravilhofa. CART DE JAP. I, 166, 4. Medonha. Sous. Vid. 2, 33. Monf- truefa. BRIT. Mon. 2, 7. c 4. Notavel. Laño, Defcripg. 9. Peregrina. ARAU. Succeff. 3, 1. Proporcionada. S. Mart Chr. 2, 7, 22. n. 11. Remontada. M. Bean. Luz e Cal. 2, 1, 268 Summa. ORIENT. Lufit. 8 . Verb. Eftar alg. c. em tal... (acharfe em tal estado. ) TELL. Chr. 1, 1, 21. 11. 7.alg, em grande...cu cnt grandes... uf. (eftar muito elevado pelas fuas dignidades, bens on favor. Por alg. em grandis...(elevalo em for- tuna, &c.) Luz, Serm. 1, 50, 1. na mor...(en- grar ccelo, louvalo muito.) ConT. R. Naufr. 6, 67 y. Altura ou Alturas. pl. O ar on o céo. FERR. Poem. Cart. 1, 11 Téque voando Vamos deíta baixeza á clara altura. ARR. Dial. 2, 13 Mas as [aves ] que tem o paf- to por fufpeito, voão às alturas livres e Talvas. CATHEC. Rom. 60 No livro da Sabedoria lemos: quem faberá teu fentido, fe tu não deres fabedoria, e enviares o teu Ef- pirito Santo das alturas? Nefte fentido fe diz: Deos das alturas, Gir. Vic. Obr. 1, 65 Adorai montanhas O Deos das alturas. Aftron. Altura do Pólo. O arco do meridiano compre- hendido entre o horizonte de algum lugar e o polo do fer hemisferio. VAL DE SA' Regim. 2 A altura do Polo, ou largura do lugar, que he o mefmo, são os graos, que elle éftiver levantado fobre o horizonte, em qualquer par- te, aonde nos acharmos, e eftes fempre são iguaes aos gráos, que a Equinoccial eftá apartada do noffo Zenith. AVELL. Report, z, 84 A altura do Polo... aproveita muito pera faber a latitude da região, que chamão altu ra da rerra, que he o que eftamos apartados da linha c- quinoccial LAVANH. Regim. 24 Altura do Polo são os gráos, que elle eftá levanrado fobre o noffo Horizonte, e fempre são igunes em numero aos que o noflo Verti- ce, ou nós cftamos apartados da Equinoccial, de manei- ra, que fe rivermos 40 gráos de altura do Polo, por el- le eftar levantado fobre o noflo Horizonre, outros tantos eftaremos apartados da Equinoccial, o qual apartamento fe chama largura. Altura do Sol. CAM. Luf. 5, 2 Porém eu c'os pi- loros na arenofa Praia, por vermos em que parte ef Me detenho em romar do Sol a altura. MARIZ, Dial. 4, 10 Os quaes de muitas confiderações, e efpe- culações marhematicas achárão efta maneira de navegar pela altura do Sol. Tomafe abfolutamente nefte fentido. BARR. Pancg. 13, 313 Endireitão as derrotas, diminuem ou accrefcen- to os grãos, e emendão as alturas. BARREIR. Chorogr. Ded. Os quaes de melhor vontade rodearão a terra, pe ra alcançar a noticia de uma planta ou herva 2 que pera faber os fitios e alturas dos lugares. Corr. R. Naufre 7, 68 Quando fagaz piloto inveftigando O curfo das eftrellas, determina Saber certo a que rumo córta, c leva A náo encaminhada, e em qual ettura. Met. Los. Cort. 16, 158 E fabereis que de cer- to não ha hum Letrado, que não traga cafcavel, par onde lhe conheçais a altura, em que anda, como fo- rão. D. F. MAN. Cart. 2, 99 Ora ficamos em huma mef- ma altura V. M. e eu. VIEIR. Serm. 6, 7, 6. n. 213 E com o aftrolabio tomando S. Pedro] as alturas havia de achar igualmente que [Chrifto] de nenhum [Apof- tolo] eftava mais perto com a prefença, nem mais lon- ge com a aufencia. {{lema|ALVA}}. s. f. Madrugada, a primeira laz do dia. Chamafe aflim, porque fe divifa no ar como alva ou branca. Ufafe abfolutamente ou fe diz Alva do dia. BARR. Cla- rim. Começou a luz da alva mui graciofa e rofa- da a cfclarecer as terras. Gons, Chr. de D. Man. 163<noinclude></noinclude> ktjd7czdchguy9wivfluj5f4x285t1q Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/454 106 255859 558758 2026-08-14T13:05:48Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ALV Nifto fe paffou toda aquella noite até a alva do dia. ALBUQ, Comm. I, 28 E dalli a pouco fe começou a al- va a levanrat, on Met. GIL Vic. Obr. 1, 29 Filha e Madre do Senhor dos céos, Alva do dia com mais refplandor. TELL. Hift. 6, 4, 657. Aqui, na cabeça do mundo, Roma, teve a alva do feu oriente fermofa luz [o P. Bruno Bruni]. Subft. Eftrella d... (eftrella de. Venus, vulgar- mente chamada bozira, que aponta fobre o herizonte pou... 558758 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>ALV Nifto fe paffou toda aquella noite até a alva do dia. ALBUQ, Comm. I, 28 E dalli a pouco fe começou a al- va a levanrat, on Met. GIL Vic. Obr. 1, 29 Filha e Madre do Senhor dos céos, Alva do dia com mais refplandor. TELL. Hift. 6, 4, 657. Aqui, na cabeça do mundo, Roma, teve a alva do feu oriente fermofa luz [o P. Bruno Bruni]. Subft. Eftrella d... (eftrella de. Venus, vulgar- mente chamada bozira, que aponta fobre o herizonte pouco antes de amanhecer.) Sous. Hift. 2, 3, 5. BARRET. Eneid. 2, 190. Misa d... (a que fe celebra de madrugada, ou antes de nafeer 0 Spl.) BARREIR. Chorogr. 31. CART. DE JAP. 1, 138, 1. Quarto da ultima das tres partes, em que fe divide a noite para as centinelas) ALBUQ. Comm. 1, 30. MEND. PINT. Heregr. 33. Féla d (o mefmo que Quarto d..) GOES, Chr. do Princ. 62. Verb. Levantarfe a (começar a amanhecer.) ALBUQ. Comm. 1, 50. Romper a...(o mefmo que Levan- tarfe a BARR. Dec. 4, I, II. Maus. Aff. Afr. 1, 3. Ao romper da... Ao amanhecer. LosAT. Palm. 5, 39. BRIT. Mon. 2, 6. c. 23. Alva. Certa vestidura on tunica talar de panno bran- co, que os Sacerdotes, Diaconos, e Subdiaconos põe fobr o veftido proprio co amico, para celebrar a fanto facrifi- cio da Miffa, e cutros officios divinos. FR. MARC. Vid. 1, 2 E na Mila levantando ambas as mãos juntas o céo, cahindo abaixo as mangas da alva, ficáriolhe os braços defcobertos. Gouv. Jorn. 2, 15 Veftimentas, frontaés, corporacs, alvas. Barr. Chr. 1, 11 As alvas e amiros [mandou fazer] de linho puro, fem outra curiofidade. Certa vestidura de panno branco, que levão, para o patibulo, os que vão a padecer a pena ultima. PINT. PER. Hill. 2, 20, 55 Mindando enforcar de noite fecreta- mente à vifta das eftancias alguns Mouros brancos... mettidos em alvas cerradas. AvEIR. Itin. 87 A, outra juf- tiça foi que degollárão vinte e cinco homens veftidos em fuas alvas de eftopa. Sous. Hift. 1, 2 38 Notavamos a forca, e o pendurado em fua alva veftido, e rofto co- berto, e pés eftirados... d Alva do olho. MARIZ, Dial. 4, 11 Os olhos pre- tos e graciofos, e nas alvas delles tinha algumas veias de fangue. Gavi, Cerc. 18, 89 Quando tomava alguma pai- xão, fe lhe fazião humns veias fanguinas nas alvas dos olhos, que o fazião temerofo. Barr. Mon. 2, 5. tit. 2 Os olhos pretos, e as alvas delles muito accezas. Alva de cáo. Pharmac. Pos de jafmim, feitos de ex- cremento de cão, ou efte mefmo excremento. CABREIR. Comp. - Tomem marroios, e alva de cão, e atem as cm hum panno. CURV. Polyanth. 2, 16, 122. n. 51 Tres oitavas -de pó fubtiliffimo de alva de cão. {{lema|ALVAÇÃO}}. s. m. antiq. CANCION. 131, 1 Meu capuz par- or do frizado, Alvação, De veludo bem bordado {{lema|ALVAÇARIA}}. s. f. EsTag. Antig. 41, 1 [Efcrit. da Era de 1380] Foi pofta a Cruz na alvaçaria de Guimares. {{lema|ALVACENTO, A}}. adj. Efvranquiçado, que tira para bran- Co. JER. CARDOS. Dict. BAREOS. Dict. BENT. PER. Thef. {{lema|ALVADIO, A}}. adj. uf. O mefimo que Alvacento. Applicafe particularmente ao panno de la defta côr. {{lema|ALUADO, A}}. adj. Lunatico, que está fugciso aos influxos da Lua, e ás fuas mudanças; ou a que fe augmenta ou diminue a melancolia cu loucura fegundo os crefcentes ou mingoantes defte Planeta. Onr. Colloq. 43, 164 Dizem fer [a pedra de cevar ] veneno, e que faz o homem a- luado. PREST. Aut. 172 Não fei fe lhe deo o ar De peplexia aluado Esta noite o embuçado. Fɛo, Tr. Quadr. 1, 125; 2 Quando à Chrifto trouxerão aquelle endemonhiado entre as coufas, que differão delle a Chrifto foi huma que o Demonio lhes tinha mettido em cabeça, convén a faber, que era alundo. {{lema|ALVADO}}. s. m. Parte do ferro da lança ou outra femelban-Met. Patv. Serm. 1, 8y y. Dirvoshei com verda- te arma, em que fe encaixa o páo. CASTANH. Hift. 2, 6 Tomando a lança por junto do alvado do ferro..BARR. Dec. 3, 7, 11 E o ferro de huma lança, e hum peque- no de pão mettido no alvado della. MEND. PINT. Pere- gr. 18 E com ifto me deo huma carta com hum pre- iente de feis azagaias com os alvados de ouro. {{lema|ALVAIADADO, A}}. adj. Tinto ou pintado com alvalade. JER. CARDOS. Dict. BENT. PER. Thef. {{lema|ALVATADE}}. s. m. Chim. Certa materia branca como cal, extrabida do chumbo por meio do vinagre, que ferve, ap- plicado exteriormente, para diverfos ufos medicos e nas artes. Do Arab. albiade. Derivale do verbo baiada, branquear. SABELL. Eneid. 22, 18 Era dado [Sardanapalo] a tanta malicia, que fendo já velho, fe enfeitava com alvalade e folimão, como fazem as moças. GIL Vic. Obr. 3, 188 Emerqueilhe d'hum Judeo D'huns torrões que hi ha, Não fei que nome: he o feu, Alvalade creo eu, Que o lelles chamáo cá. MADEIR. Meth. 2, 2, 4 A qual [decoada de cinza, bebida] outro fi aproveira aos que to- inário alvaiade, veneno tambem calido e rodenre. Met. HET. PINT. Dial. 2, 5, 23 O alvaiade e as tintas da eloquencia dos homens não lhe convém. Adag. Soccorrer ao correr com, alyaiade, que feis- centos annos não le vão debalde. HERN. Nun. Refran. 118. {{lema|ALVAIADO, A}}. adj. Omafmo que Alvaiadado. BARBOS. Dict. {{lema|ALVALA}}. s. f. antiq. O mefimo que Alvará GIL-Vic, Obr. 3, 186.b to sam {{lema|ALVANEL}}. s. m. Pedreiro, official, que trabalha com pedra e cal, be na fabrica das cafas e outras fimelhantes obras. ant. Alvaner, Alvener. Do Arab. allannai, Sous. Hift. 1, 4, 14 E edificando pera fi, criavão outro edifi- acio mais alto e importante nos animos do povo, que a- cudia em bandos a ver... taes alvaneres. S. ANN. Chr. 21, 13 47; Muitas vezes fendo elle o primeiro, fervião aos Meftres da obra e alvaneres no que cumpria. PIMENT. Meth. 2, 21 Suppomos por noticias e informações, que dous officiaes pedreiros, como nós lhe chamamos em Lisboa, e albanez na Provincia do Alemtéjo, fazem cada dia em paredes muito groffas... quarro braças &c. {{lema|ALVANIR}}. s. m. O mesmo que Alvanel. CARDOS. Agiol. 3, 403 Acarretou a pedra aos hombros... como qual- quer alvanir. of {{lema|ALVAR}}. adj. de huma term. Efbranquiçado, de cor bran- ca. Dizfe determinadamente de certas arvores, fructos ou aves. D. M. DE PORTUG. Obr. 15, 404 Aguia do meu fructo, que. eftendendo O colo, e a bocca erguendo por travar D'hum efpinheiro alvar nos tenros gomos. LEÃO, Defcrip. 33 Outras [ameixas] brunhos alvares. FERNAND. FERR. Art. 1, 8. Picanços alvares e negraes. Met. Atoleimado, falso de talento ou de preftimo. Tambem fe acha tomado em boa parte, por fincero, fem refolho. CEIT. Serm. 2, 15, 1 E não devia de fer tão alvar o Joab, Capitão, como o era o Urias, ma- ..rido da mulher. Quadrag. 1, 60, 1 E como a, in- nocencia feja mui alvar e confiada, alto, dizem elles &c. {{lema|ALVARA}}. s. f. Carta, Cédula, ou Diploma Real, porque fe concede alguma mercê ou fe dd providencia a alguma coufa. Differençafe dos Decretos e Cartas de Lei na for- malidade, na fubftancia, e nos effeitos. Do Arab. alba- rat. Alvaraes. pl. ant. ANDRAL. Chr. 1, 6 Dizião, fe provião d'alvarás fecretos de coufas, que importavão à fua honra. FERNAND. GALV. Serm. 3, 189, z Chama [S. Gregorio Nazianzeno] fidalgos de papel, que por mer- cê e alvará do Rei alcançárão o ferem nobres, e não por fua virtude e merecimento. PINT. RIB. Iujuft. Suc- ceff. 3, 71 Elta união dos povos com o Rei refpeitava tambem o cítilo dos noffos Reis expedirem feus alvarás por Nós el Rei. Não fó os Tribunaes paísão Alvarás em nome del- Rei, mas tambem alguns Magiftrados e Peffoas da pri- meira grandeza tem autoridade para os paffarem em fleu proprio nome. ORDEN. DE D. MAN. I, 1 E bem affi man- darà [o Regedor] pagar por feus alvaracs a Carcerei- ro, Guardas da cadea &c. DIAS, Vid. 23 Aos que te- nho dado alvarás de cafamento. Defpacbo, licença, recibo, efcritura, ou outro algum inftrumento público, pelo qual confta alguma cousa. On- DEN. D. MAN. 1, 16 Em tal cafo nom haverá mefter [o Alcaide] alvará, fomente quando o houver de prender. 3,16 Em que maneira fe procederà contra os de- mandados por efcrituras públicas, ou alvaraes, que tem força de eferitura pública, ou reconhecidos pela parte. de, que hoje fe vos apregoa aqui hum alvard affinado pela mão propria de Deos. HEIT. PINT., Dial. 1, 3, 1 Affi na virtude, pera fer virtude, o entendimento ha de fazer o alvará e a vontade aflinar. FERNAND. GALV. Serm. 3, 264, 4 Ninguem fe metta nas occafióes, ef- perando que Deos o livrará, porque eftes cafos são par- ticulares, e pera elles he neceffario privilegio, e alvará de fóra." Differençãofe os Alvarás, fegundo o fim para que são dados; e aflim fe diz: Alvará de correr. ESTAT. DA UNIV. 2, 26, 6. Alvará de edicos. Edital, porque fe citão as peffoas.<noinclude></noinclude> ahorwpgxkw0ky4bmbpomr4s8boivqdo Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/455 106 255860 558759 2026-08-14T13:09:25Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A L V aufentes para comparecerem em juízo dentro de certo tempo. ORDEN. DE D. MAN. 3, 1. Alvará de fiança. O mefmo que Alvará de feguro. PAEZ, Serm. 2, 369, 2. PINT. Ris. Luftr. 1, 71. SERR. Difc. Prol. Alvará de lembrança. Carta on Cédula folemne, em que o Soberano promette lembrarfe de alguem para lhe fa- zer merce. CASTANH. Hift. 1, 29. PAIV. Serm. 2, 349. MARIZ, Dial. 4, 11. Alvará de feguro. Carta ou falvoconducto paffado em nome... 558759 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A L V aufentes para comparecerem em juízo dentro de certo tempo. ORDEN. DE D. MAN. 3, 1. Alvará de fiança. O mefmo que Alvará de feguro. PAEZ, Serm. 2, 369, 2. PINT. Ris. Luftr. 1, 71. SERR. Difc. Prol. Alvará de lembrança. Carta on Cédula folemne, em que o Soberano promette lembrarfe de alguem para lhe fa- zer merce. CASTANH. Hift. 1, 29. PAIV. Serm. 2, 349. MARIZ, Dial. 4, 11. Alvará de feguro. Carta ou falvoconducto paffado em nome do Rei ao que be accufado de algum crime, pa- a delle fe defender fóra da prizão; ou porque o nejmo Rei fegura a vida a alguma peloa. CHRON. DO CONDEST. 71. 1. {{lema|ALVARADA}}. s. f. ant. Talvez o mefino que Alvorada. CAN-38, 3. {{lema|ALVARAZ}}. s. m. ou {{lema|ALVARAZO}}. s. m. pouc. uf. Efpccie de impigem, bustella - ou mancha branea, afpera e efcamofa, que fahe na pelle das bestas cavallares. Ufafe commummente no pl. Do Arab. albarás. Derivafe de baraga, padecer lepra. (pl. 28 Alvarazes, e Alvarazos) LEIS EXTRAV, Addig. 38, As mais prejudiciaes [doenças dos cavallos ] são quartos fallos alvarazes, cafquiffeccós, &c. PINT. PACHEC. Tr. 37 Se tem alvarazes [os cavallos] lhos tingen.com tinra, ou cortiça queimada com azeite. REG. Summul. 38 Os alvarazos he hum achaque, que fe põe nas orelhas pela parte de dentro, e tambem nos narizes, olhos, beiços, fello, verilhas, e em fim em todas as partes, que estão faltas de pelo. Tambem fe diz do corpo humano. BENT. PER. Thef. {{lema|ALVARAZES}}. s. m. pl. antiq. O mefmo que Alvarás. pl. PROV. DA HIST. GR. 4, 6, 92: p. 2. ann. 1520 O dito Senhor [Duque de Bragança ] tinha promettido por car- tas e alvarazes &c. {{lema|ALVARES}}. s. m. O mefmo que Chicharo. BARBOS. Dict. {{lema|ALVARICOQUE}}. s. m. O mefmo que Albriquoque. BAR- Bos. Dict. BENT. PER. Thef. {{lema|ALVARICOQUEIRO}}. s. m. ant. O mefmo que Albricoquei- ro: BARBOS. Dict. BENT. PER. Thef. {{lema|ALVARINHO, A}}. adj. dim! pouc. ul. Esbranquiçado, de cor alva. Dizfe das peffons. MORAT. Luz, 5, 1 Sangrão os meninos fortes, e não os de peito fracos, e alvarinhos, que adoecem de cruezas e lombrigas. {{lema|ALVARRADA}}. s. f. ant: O mefino que Albarrada. JER. CAR- Dos. Dict. BENT. PER. Thef. {{lema|ALVARRAL}}. (peneira) Vej. Pereira. BLUT. Vocab. {{lema|ALVASIL}}. s. m. ant. O mesmo que Guazil ou Aguazil, He officio público entre os Mouros. Do Arab. vafil ou vafir, accrefcentado o articulo al. BRIT. Mon. 2, 7. c. 9 E elle a levou diante do Alvafil, para que mandaffe fa- zer delle o que a lei difpunha della... Mas o Alvafil mandou então que queimaffem a Ariovigildo. ( Affim tra- duz huma efcritura do ann. de J. C. 791; porém expon- do o melmo fucceffo com palavras fuas, nomeia Agoa- zil o que havia na traducção nomeado Alvafil.) Alcaide de Caftello on Fortaleza entre os Chriftãos. BRIT. Mon. 2, 7. c. 30. [Efcrit. do ann. de J. C. 1088.] BRAND. Mon. 2, 7. c. 30. (Nas Cortes de Lamego, onde em Latim fe acha repetidas vezes, ora traduz Al- caide, ora Agoazil.) Vereador da Camera. BRAND. Mon. 4, 13, 24. [Efcrit. de D. Aff. II.] Nas firmas defta Efcritura fe affignão: Practor de Santarem, Alvafiles et Tabell. et Practor Ulixb. Alvafiles e Tabell. Praetor Colimb. A- vafiles et Tabell. &c. [Efcrit. 11, 268. Provisão de D. Aff. 11.] Alfonfus Dei gratia Portug.. Rex Praetori de Santarem et Alvafiliis, &c. traduz 4, 13, 22 Af- fonfo pela graça de Deos, Rei de Portugal ao Alcaide de Santarem, Auguafis, &c. Prov. DA HIST. GEN. I, 135. [Feft. de Tarcja Annes do ann. de 1350.] E man- do que depois das mortes do dito Conde, e Pero Efte- ves, que os Alvafis, que em cada hum anno forem do Concelho de Lisboa, &c. EsrER. Hift. 2, 6, 35. 1. 2 Diogo Fernandes Efteves, e Vafco Martins, Vereado- res, que então fe chamavão Alvafis, e todo o mais Con- celho &c. {{lema|ALVEARIO}}. s. m. pouc. uf. Colmeal. Do Lat. Alvearium. BLUT. Vocab: 20 Met. M. FERNAND. Alm. 2, 1 28. n. 39. Por if- fo Santo Agostinho chamava a efta chaga [do lado] al- vcario de mel; pera o qual efte mefmo Santo: convida 70eftas abelhinhas celeftes. {{lema|ALVEDRIO}}. s. m. Vej. Alvidrio.. {{lema|ALVEJADO, A}}. p. pde Alvejar. JER. CARDOS. Dict. {{lema|ALVEJAR}}. v. n. Branquejar, moftrarfe ou parecer alvo. SABELL. Encid. I, 2, 9 A cabeça do monte no meio do eftio eftava alvejando de neve. Leão, Defcripç. 23 Cha farizes e fontes, que eflão alvejando, BARRET. Eneid. 12, 9. Cos offos todo o campo em roda alveja {{lema|ALVEITAR}}. s. m. O que tem por officio curar as enfermi- dades das beftas. Do Arab. albeitar, ferradur, official, que ferra as beftas. Derivale do verbo de quatro letras baitara, ferrar huma befta. F. ALv. Inform. 103 E. hia pera conhecer os cavallos hum Pero Affonfo, alveitar. ORT. Colloq. 7, 23 Os Medicos veterenarios, a que cha- mamos alveitares. D. F. MAN. Apol. 11 Encommendárão- me a hum alveitar, que vivia junto de mim. Met. FERR. de Vasc. Ulyflip. 4, 4 Vedelo aqui que foi o maior xaftre, e o melhor alveitar de mulhe- res, que podeis ver daqui até o Cairo. Adag. Cavallo foueiro á porta do alveitar, ou do bom cavalleiro. DELIC. Adag. 39 Que fifo de alveitar! Mulla morta, mandaa fangrar. DELIC. Adag. {{lema|ALVEITARIA}}. f. Arte de curar as enfermidades das bef- tas. OBT. Colloq. 2, 5. De modo que o que diz Sc- rapia por autoridade de Alcamzi, fe deve entender, que- pera albitaria, e chagas, fe póde ufar com menos dám- no do [aloes] caballino. PINT: PACHEC. Tr. y Eftas regras são as ordinarias, que os livros e Alveitaria enfinão. M. BERNARD. Floreft. 4, 1, 295 Sabia bem da alveitaria. Met. EUFROS. 2, 7 Que mal peccado, todos fabe- mos hum pouco de alveitaria. FERR. DE VASC. Uly flip. 24 Ora effai quedo, e vereis coino fou deftro neffa alveitaria. {{lema|ALVELA}}. s. f. O mefmo que Minhoto. GL Vic. Obr. 2, 92 Então canta o tintilhão, E bate a alvela o rabo. BARBOS. Dict. Alvela, ave de rapina. Milvus, i, vel, Milvius, ii., BENT. PER. Thef. Alvela, ave de rapina. Milvus, ou Milvius. {{lema|ALVELOA}}. s. f. Certa ave pequena, pintada de preto e branco, com o bico fino, pernas altas, e delgadas, e a cauda comprida, e fempre em movimento. Habita nas mar- gens dos rios, nos prados, e curraes, à caça de mof- cas e infectos, que apanha no chão e no ar. SABELL. Eneid. 1, 2, 11 Amizidade tem antre fi eftas aves; cs pavócs com as pombas, as rollas com os papagaios, a gralha com a alvcloa. EurRos. 3, 2, Porque fempre os vi contraminados do mefmo amor, que he hum rapaz muito tredo, e rirado de rapazes, que o cftomentão, e não The efperão a tiro, como alveloa. FERR. DE VASC. Ulyf- fip. 37 Parecia alveloa por aquelles telhados. Adag. Quem mata alveloa, fabe mais que ella. DELIC. Adag. 23- {{lema|ALVENEL}}. s. m. ant. ou {{lema|ALVENER}}. s. m. ant. Vej. Alvanel: {{lema|ALVENARIA}}. s. f. Arte ou officio de fabricar cafas, ou outras obras que exercitão os pedreiros. (Alvanaria) Sous. Hift. 2, 1, 2 Que até aos officiaes de alvenaria mettia medo o que gattaria de tempo &c. Pedia quebrada e não cortada, nem lavrada, que ferve para fazer paredes, &c. SABELL. Eneid. 2, 4, 59 E os muros, que erão primeiro feitos d'alvanaria, foi elle o primeiro, que os começou de pedras grandes la- vradas de cantaria. ALño, Antig. 19 Daqui le tirou, c tira a pedra pera as obras, que fe fazem nefta fanta ca- fa, que he a melhor pera alvenaria, cal e pedraria la- vrada, que ha daqui muito longe. Liss. Jard. 370, 4 São ellas paredes] de alvenaria, c não de cantaria. {{lema|ALVEO}}. s. m. Madre, bojo on leito do rio, por onde cor- rem as agoas entre as fuas ribanceiras. Do Lat. Alveus. BARREIR. Chorogr. 109 Por caufa das areas vermelhas occuparem o feu alveo, por onde correm. {{lema|ALVERCA}}. s. f. ant. Tanque pequeno,, onde Je recolhe e ajunta a agoa, que fe tira dos pocos e noras para regar as bortas, e para outros ufos comniummente he feito de pe- dra ou de ladrilbo, e cal. Segundo Covarrubias he voz tomada do Arab. berque, ou fegundo o P. Alcalá de berg, que fignifica o mefmo, accrefcentado o articulo al. FR. SIN. COELH. Chr. 2, 21, 196 E he ido de maneira, que pelas muitas follas e alvercas, que delle [rio Euphra- tes] fe titáo, dá vão em muitas partes aos que o que- rem paffar. FR. BERNARD. DA SILv. Defenf. 1, 14 E huma alverca de peixes, em que cabião vinte mil quar- tas d'agoa. {{lema|ALVERGUE}}. s. m. ant. e os feus derivados. Vej: Albergue.<noinclude></noinclude> 5uw1qi05ktpiuq5x9vbxcgy3sge2yex Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/456 106 255861 558760 2026-08-14T13:12:02Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ALAU {{lema|A LUFADAS}}. Form. adv. Vej. Lufada. {{lema|ALUGADO, A}}. p. p. de Alugar. BARR. Dec. 2, 5, 9. MEND. PINT. Pereg. 68. Sous. Vid. 1, 20. {{lema|ALUGADOR}}. s. m. O que aluga. RESEND. Mifc. 1, 68 Vemos tudo levantar, Mantimentos mãos de achar, Officiaes, mercadores, Logreiros, alugadores, Tudo mui caro cuftar. Leão, Report. 5 Aingador da cafa, co- mo a requererá ao fenhor, querendoa por mais tempo. FR. NIC. DE OLIV. Grande... 558760 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>ALAU {{lema|A LUFADAS}}. Form. adv. Vej. Lufada. {{lema|ALUGADO, A}}. p. p. de Alugar. BARR. Dec. 2, 5, 9. MEND. PINT. Pereg. 68. Sous. Vid. 1, 20. {{lema|ALUGADOR}}. s. m. O que aluga. RESEND. Mifc. 1, 68 Vemos tudo levantar, Mantimentos mãos de achar, Officiaes, mercadores, Logreiros, alugadores, Tudo mui caro cuftar. Leão, Report. 5 Aingador da cafa, co- mo a requererá ao fenhor, querendoa por mais tempo. FR. NIC. DE OLIV. Grandez. 4; 8 Alugadores de camas trinta e oito. Met. PAEX, Serm. 1, 174 Diffe... S. Chryfofto- mo, que os appetites, goftos, e paffatempos do mundo tinhão moradores, e alugadores. {{lema|ALUGAMENTO}}. s. m. Acção e effeito de alugar. Best. PER. Thef. {{lema|ALUGAR}}, v. a. Tomar alguem, ou alguma coufa albeia para ufo ou fervico proprio por tempo prefixo, e com cfti- pulação de preço. Do Lat. Locare. TENKEIR. Itin. 4 As mullas dos recoveiros, que alugamos em Lara. FER. Poem. Cart. 2, 4 Depois recebetás por hun duzentos Do jufto pagador, que hi te alugou, E as obras vê de cima e os penfamientos. VIEIR. Serm. 6, 14, 7. n. 435 Quando o pai de familias chegou à praça, ja os jornaleiros alli eltavão esperando por quem os aluga. Met. FERNAND. GALV. Serm. I, 121, 3, Aflim ef- tes alugavão cftas virtudes fingidas aos olhos dos homens. Dar alguma coufa propria para ufo on ferviço de outro por tempo determinado, e preço convencionado. BARK. Dec. 2, 6, 9 Era o lavrador tão caridofo, que nem os quiz agafalhar, nem alugar huma befta, TENREIR. Itin. 25 Então me bufcou hum Chriftão, que me alugon hu- ma mulla. Var. FERNAND. Report. E tinhão por inui an- tigo coftume de tributar e alugar os cidadãos fuas cafas. Com pron. peff. Afalariarfe, affoldadarfe. Leão, Chr. de D. Fern. 220 Porque como a gente, que fe põe a foldo pera a guerra, he pola mór parte mal coftumada, e de pouca conciencia, pois fe alugio para matar homens, &c. TELL. Hift. 1, 16, 43 As quaes [mulheres] fe alu- gavão pera follemnizarem eftes chóros, que &c. D. F. MAN. Carc. 1, 85 Bem he verdade, que não feria o pri- meiro, que havendofe perdido a fi, fe alugaffe para guiar a outros. Adag. Quem fe aluga pelo S. Miguel, não fahe fóra, quando quer. {{lema|ALUGUEL}}. s. m. Acção de tomar ou dar alguma confa por preço determinado, e tempo certo. ant. Aluguer. ORLEN. DE D. MAN. I, I Nem mande requerer poufadas, que fe podem dar de apoufentadoria a feus donos, das cafas cafas nem as tome delle pot aluguer. SAAT. Ethiop. 1, 2, 8 Andão os Caftes a este ganho por aluguer, como bef- tas de carga. TELL. Chr. 1, 1, 19. n. 4 Tomou logo hu- mas cafas de aluguel no fundo da que chamavão fua nova del Rei. Preço, que fe dá pelo fo de uma ccufa alheia por determinado tempo. Aveia. Itin. 84 Porque já tinhão os alugueres gaftados com tantas detenças. MED. PINT. Pe- regr. 68 Ein tanto, que muitos mercadores são ricos fó dos alugueres deftas coufas. CEIT. Serm. 1, 256, 2 A cafa do barbeiro a mandava bufcar [a navalha] e mais cuftandolhe feu aluguer. Verb. Andar alg. ou alg. c. ao ganho por... SANT, Ethiop. 1, 2, 8. Dar... a alg. c. CEIT. Quadrag. 2, 412, 1. alg. c. de... CONSг. Do Fusch. 28, 1. Ganbar alg. ou alg. c. fcu FERNAND, GALV. Serm, I, 121, 3. Pagar... de alg. c. Lise. Jard. 68, 9. L. ALv. Serm. 2, 1, 4. n. 11.a alg. GiL. Vic. Obr. 4, 231 y. PAEZ, Serm. 1, 175. Tomar alg. c. de... Sous. Vid. 5, 30. TELL. Chr. 1, 1, 19. 11. 4. por... de alg. ORDEN. DE D. MAN. 1, I. Pl. ant. Alugués. Esraç. Antig. 50, z Mandando- the elle pagar muito bem feus alugues. {{lema|ALUGUEIRO}}. s. m. antiq. O mefino que Aluguel. PROV. DA HIST. GEN. 2, 4, 1. p. 2. ann. 1449 E fação pa- gar peira, finta... e ciradega, alugeiro, portages, &c. {{lema|ALVIÃO}}. s. m. Certo inftrumento de ferro, com cabo de pão, o qual tem corte por buma das partes, como enxada, e por outra bico, como picareta. Serve tanto para arrancar pedra, como para tirar terra, cavando. EvrROS. I, I E paffar a isha, dos extremos por huma gentil fenhora, mais fer- rugenta que alvião achado em pardieiro. PER. Elegiad. 5, 62 Enxadas, alviões, ferras, machados, Fouces, devancas, e marrões pezados. CUNH. Catal. 1, 14 E to- mando logo hum alvião, idevos aquella fonte, que eftá mais vizinha, e a poucas enxadadas achareis hum thefou- ro riquiffimo. {{lema|ALVIÇARA}}. s. f: Premio, que fe dá ao que traz alguma boa nova. Do Arab. albexará. Derivafe do verbo bdxxara, .annunciar, dar boas novas, evangelizar. ant. Alvicera cás vezes com dous fl, ou com hum fó em lugar do ç FERN. Lor. Chr. de D. J. I. 2, 21 Que lhe promettia, que fe affi foffe, que lhe deffe hum bom cavallo de al- viçara. CORT. R. Naufr. 1, 2 y Ouvefe juntamente hum tenro choto,. E huma contente voz, que diz; alviffe- ra. Leño, Chr. de D. Aff. IV. 146 ElRei com rofto talegre lhes difle, que a alviffara fora mui pequena. Ufafe ordinariamente no plural. BARR. Paneg. 74, 339 Não foi [a Magdalena] a que pedio aos Apoftolos alviçaras. Luc. Vid. 5, 12 Por haverem ou darem as pri- meiras alviçaras. Cour. Dec. 4, 1, 6 E prometteo a Jorge Cabral aquella capitania de alviçaras. Alviçaras. abf. Voz de huma peffoa, que annuncia algum fucceffo feliz. Pin. Chr. de D. Afr. IV. 5 Lhe dif- fe com o gefto prazenteiro e alegre, alviçaras, alvica- ras, que a Rainha com a graça de Deos e faude já pa- rio hum filho. GUERREIR. Kel. 5, 4, 3 Alvigaras, Pa- dre, que tem Voffa Reverencia Padres do Reino. VIEIR. Serm. 1, 1, 1. col. 7 Alviçaras, peccadora, enxuga as lagrinias. Epith. Alegres. M. THоx. Inful. 3, 118. Boas. Goes, Chr. de D. Man. I, 37. Groffas BRIT. Mon. I, 3. c. 22.. Liberacs. GIL. Vic. Obr. 3, 158. Primeiras. Luc. Vid. 5 12. Verb. Dara alg. de alg. c. SA DE MIR. Vilhalp. 5, 7. TENREIR. Itin. 39. por alg. c. Leão, Chr. de D. J. I. 95. alg. c. de... PINT. PER. Hift. 2, 53, 156. LoB. Condeft. 18, 54. Ganbar... ou as... CEIT. Serm. 1, 38, 2. VIEIR. Serm. 6, 4, 3. n. 112. Haver as... CHR. DO CONDEST. 54. Luc. Vid. 5, 12. Levar as... de alg. c. BARR. Clarim. 1, 23. L. ALV. Serm. 3, 16, 6. n. 22. Pedir... abf. CEIT. Quadrag. 2, 39, I. SOUS. DE MAC. Ev. 2, 51, 476. n. 5. ... ou as a alg. Paiv. Serni. 1., 289. MEND. PINT. Peregr. 67. de alg. c. Lon. Peregi. 2, 1. FR. LEño, Bened. 1, 2., 3. c. 6. alg. c. por... de cutra. TELL. Chr. 2, 5, 38. n. 11. L. ALv. Serm. 2, 6, 6. n. 18. Prometter... a alg. Goes, Chr. dc D. Man. I, 38.alg. c. de... a alg. Cour. Dec. 4; 1,6. Querer... SA' DE MIR. Vilhalp. 5, 7. Requerer as... D. F. MAN. Muf. 228. Viol. de Thal. Decim. 50. Ter....Sous. DE MAC. Ev. 2, 39, 435. n. 7 alg. c. por.... TELL. Chr. 1, 3, 29. n. 6. {{lema|ALVIÇAREIRO, A}}. adj. Que dd on promette alviçaras. D. F. MAR. Muf.. 228 Viol, de Thal. Decim. 5 Meu Con- de, fc ando lampeiro, Vós tendes a culpa de tudo, Pois em fim d'homem fefudo Déftes em alvicareiro. {{lema|ALVIDEJECTORIO, A}}. adj. Med. Que evacua o ven- tre por baixo. Applicafe aos medicamentos purgantes. CURV. Obferv. 30, 3 Porque fe tiver alguma coufa def- tas, o matará quem o fangrar, fem primeiro lhe limpar o estomago com buma purga vomitiva ou alvidejectoria. {{lema|ALVIDRADO, A}}. p. p. de Alvidrar. TELL. Hift. 5, 25. {{lema|ALVIDRADOR}}. s. m. O que alvidre. VIT. CHRIST. I, 2, 11 Nem efperava que homem fofle alvidrador ou jul- gador de fua mente, mas Deos fó. ORDEN. DE D. MAN. 3, 82 Dos alvidradores, que quer tanto dizer, como a- valiadores ou eftimadores. Gors, Chr. de D. Man. 4, 86 E que rebatido o que os alvidradores diffeffem, &c. {{lema|ALVIDRAMENTO}}. s. m. Acção e effeito de alvidrar. OR- DEN. DE D. MAN. 3, 82 Havida a determinação [dos Jui- zes Ordinarios] procederão [os alvidradores] em feu al- vidramento, fegundo lhe bem parecer. Leño, Report. 5 Alvidramento em. que defcordão os Juizes. Sous. Hift. 1, 1, 21 Dará a fatisfação, que jufto för a juizo e alvidramento de D. Sueiro. {{lema|ALVIDRAR}}. v. a. Avaliar, eftimar, julgar como arbitro, ou por estimativa. Dizfe particularmente dos falarios, premios, &c. Do Lat. Arbitrari. ORDEN. DE D. MAN. 1, 67 E diffo que alli alvidrarem, pagarão ametade aos ditos orfáos. CEIT. Quadrag. 1, 72, 1 Pedindo conta, e alvi- drando pena. Sous. Vid. 4, 22 Alvidrárão ao fanto Ve- lho hum curto eftipendio, como fe foffe hum pobre Vi- fitador ordinario. {{lema|ALVIDRIO}}. s. m. Determinação e refolução da propria razão; acção livre, procedida fó da vontade fem Jujeição on dependencia de cutra alguma coufa. (Alvedrio) ant. Arvedrio. Do Lat. Arbitrium. CART. DE JAP. 1, 277, 2 E quanto a fe baptizar, iffo fica no alvedrio de cada hum. BRIT. Chr. 1, 6 E recebidas as letras do Senhor Papa nas quaes commettia tudo a nós, e a noffa.<noinclude></noinclude> owdvywtqen96h1rtjp54fylk3nafmth Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/457 106 255862 558761 2026-08-14T13:15:02Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A L V difpofição e alvedrio. Sous. Hift. 3, 2, 22 E o mandei com cenfuras e penas Ecclefiafticas, que a voffo alve- drio fulminareis. Met. PER. Elegiad. 6, 72 Sigamos o furor. do fero Oefte E a feu alvedrio naveguemos. MENDOÇ. Jorn. 2, 1 Não póde fempre o valor humano ter ligado a for- tuna a feu alvedrio. Arr. GUERREIR. Feft. 36 O poder da fama eftà fubjecto ao alvedrio do tempo. Ordinariamente fe lhe ajuntão para diftinção do fi- gn... 558761 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A L V difpofição e alvedrio. Sous. Hift. 3, 2, 22 E o mandei com cenfuras e penas Ecclefiafticas, que a voffo alve- drio fulminareis. Met. PER. Elegiad. 6, 72 Sigamos o furor. do fero Oefte E a feu alvedrio naveguemos. MENDOÇ. Jorn. 2, 1 Não póde fempre o valor humano ter ligado a for- tuna a feu alvedrio. Arr. GUERREIR. Feft. 36 O poder da fama eftà fubjecto ao alvedrio do tempo. Ordinariamente fe lhe ajuntão para diftinção do fi- gnificado os adjectivos livre, humano, proprio. Me- MOR. DAS PROEZ. I, 8 O homem nacco livre... è foi- lhe dado pera repairo e arma defenfiva e offenfiva o livre alvedrio. BARRET. Eneid. 6, 82 E irás além por teu proprio alvedrio. VIEIR. Serm. 9. do Rof. 5, 4, 184 São precisamente neceffarios aquelles dous concurfos. da parte de Deos o da graça divina, e da parte do homem o de alvedrio bumano. Faculdade de obrar, fegundo o que mais agrada. PINT. RID. Rel. 1, 24 Ninguem fe defapega do feu al- vedrio c razão. VIEIR. Serm. I, 1, 3. col. 26 Não triun- far dos alvedrios hoje a palavra de Deos... não he por culpa e indifpofição dos ouvintes. CHAG. Obr. 1, 15, 15 A quem govemma o alvedrio, armão as virtudes, e foc- corre Deos. Epith. Depravado. VIEIR. Serm. 9. do Rof. 5, 7, 209. Furiofo. VIEIR. Serm. 9. do Rof. 5, 3, 182. Huma- no. VIEIR. Serm. g. do Rof. 5, 4, 184. Irracional. VIEIR. Serm. 9. do Rof. 5, 4, 188. Livre. D. FR. BR. DE BARR. Efpelb. 1, 2. CORT. R. Naufr. 14, 154 y. Natural. Vi- KIR. Cart. 1, 11, Proprio. BARRET. Eneid. 6, 82. VIEIR. Serm. 6, 11, 4. n. 324. Rebelde. VIEIR. Serm. 9. do Rof. * 5, 3, 182. Verb. Cativar o... ou o livre... TELL. Chr. 2, 5, 35. n. 3. Vicia. Serm. 4, 14, 2. n. 496. Domar o... VIEIR. Serm. 9. do Rof. 5, 3, 183. Perder o... VIEIR. Serm. 4, 14, 2. n. 496. Pofto no... FERNAND. GALV. Serm. I, I, 4. {{lema|ALVIDRO}}. adj. [Juiz] Juiz on louvado, em que as par- tes concordes põe a decisão de algum pleito on ponto duvi- .dofo. SABELL. Eneid. 1, 6, 67 Porque fendo feito Juiz an alvidro antre feu pai e Hercules, julgou o preço a Her- cules. ORDEN. DE D. MAN. 3, 81 Antre os Juizes alvidros e os alvidradores ha hi differença. CASTANH. Hift. 7, 48 Nomeȧráo... as peffoas, que havião de fer Juizes al- vidros da differença, que havia. Subft. Leão, Report. 5 y Alvidros e alvidradores como differem. {{lema|ALVIDRO}}. s.m. antiq. O mefimo que Alvidrio. VIT. CHRIST. 2, 67 Todo homem foi creado livre, e pofeo Deos em livre alvidro, mas elle fe fez fervo. D. CATH. INF. Re- gr. 1, 1 Nem fe commetta ao alvidro de qualquer. OR- DEN. DE D. MAN. 1, 67 E tornando elle [prodigo] em algum tempo a bons coftumes, e temperança de fua def- peza, por fua fama, e alvidro e juizo de feus parentes, .amigos e vizinhos, &c. {{lema|ALVIDUCO, A}}. adj. Med. Purgante, que facilita o ventre. ...Do Lat. Alvum e ducere. Cuxv. Polyanth. I, 4, 16 Os *purguei com purgas alviducas. {{lema|ALVINEO}}. s. m. O mefmo que Alvanel. BLUT. Vocab. {{lema|ALVINHO, A}}. adj. dim. de Alvo. GIL. Vic.. Obr. 3, 54. SLEIT. D'ANDRAD. Mifc. 19, 603. {{lema|ALUIR}}. v. n. Bolir com força para abalar coufa firme. BARR. Dec. 2, 9, 1. Acertou de achar alli os pãos não muito fir- mes, e tanto efteve aluindo nelles que fez entrada. Arruinarje, desfazerfe à força de fe abalar, ou de fe bolir. M. BERN. Serm. I, 1, 7 Não fó não ha de cahir [a terra] como dizia o Ecclefiaftes, fenão que não ha de aluir ou inclinar inteiramente. {{lema|ALVISSIMO, A}}. fuperl. de Alvo. LEIT. D'ANDRAD. Mifc. ala, z. Cor. R. Cerc. 16, 192. Sous. Hift. 1, 3, 5. {{lema|ALVITANA}}. s. f. Efpecie de rede mais larga, que ferve. no -trefmalho, e com que fe pefca em rio. BLUT. Vocab. Suppl. {{lema|ALVITANADO, A}}. adj. Feito á maneira de rede alvita- - ma. FERNAND. FERR. Art. 5, 3 E com hum molde, a- -alametade menos do da rede, fe farà huma malha, allim na parte, que ha de cftar de cima, como na debaixo, xo, que als fique alvitanado, que quer dizer a malha mais pequena quafi metade, e feita com os mesmos, nós. {{lema|ALVITE}}. s. m. T. dos Mouros, GALY. Ch essidando feus alvites, que elles [Mouros] entre fi hão, por homens de fanta vida, que foffem pregar e requerer da parte de Mafamede, que accorreffem a terra, que cftaya sem ponto de fe perder. {{lema|ALVITRE}}. s.m. Tropoficão ou confelbo de hum meio extraordinario para fe confeguir algum fim. Do Lat. Arbitrium. FERR. DE VASC. Ulyflip. 5, 1 A voffa [mulher] cuidou que hia com grande alvitre à minha. Berr. Mon. 1, 4. c. 18 Eftimou Didio em muito aquelle alvitre. VIEIR. Sermi. 12, 6, 2. n. 215 Eftas duas coufas [dar pão, e dar muito pão] que Chrifto fez raquelle milagre, são as que vos prometti fem milagrè: alvitre para ter pão: al vitre para ter muito pão Epith. Aprazivel. SovER. Hift. Prol. Bom. Luc. Vid. 3, 9. Falfa. EsPER. Hift. 2, 8, 28. n. 1. Gentil. Lo- BAT. Palm. 5, 20: Grande. Luz, Serm. 1, 56, 1. Im- portante. Gouv. Rel. 3, 13. Novo. FERNAND. GALV. Serm. 2, 77, 1. Occulto. PAEZ, Serm. 2, 175, 2. Verb. Acceitar. Leão, Defcripç. 86. Cuidar... CEIT. Quadrag. 1, 227, 3. Dar...abf. L. BRAND. Medit. 1, 3, 96. p. 578. à alg. PAv. Serm. 3, 123 . TELL. Chr. 1, 1, 4. n. 2.alg. c. por... TELL. Chr. 2, 6, 47. n. 5. S., MAR. Chr. I, 4, 5. n. 16. Inventar... VIEIR. Serm. 4, 1, 3. n. 7. It & alg: com... FERR. DE VASC, Ulyflip. 5. TELL. Chr. 2, 5, 3. n. 5. Levar ... á alg. Czir. Quadrag. 1, 124, 4. Sous. Vid. 4, 7. Offerecer... à alg. Viers. Serm. 8, 383. Pagar... VIEIR. Scrm. 4, 1, 3. n. 7. Trazer... á alg. BRIT. Mon. 7, 7. c. 19. CEIT. Serm. 1, 99, 2.alg.c. por GAVI, Cerc. 1, 4 y. Vir com... FERR. DE VASC. Ulyflip. 2, 4. LOBAT. Palm. 5, 20. Alvitre. Nova, noticia, novidade, principalmente a- gradavel cu de proveito. Gavi, Cerc. i, 4 E junta- mente trazia [o Mouro] como por alvitre a vinda do Xa- rife ao Cerco. Fro, Tr. 2, 283, 4 E me di alvitre que fe vende huma pedra preciofa, em que fe intereffa mui- to. Sous. Vid. 4, 7 Veio à noticia do Arcebifpo o que pallava por dito de quem por ventura cuidou que levava alvitre de gofto. Tributo, contribuição, finta, principalmente fe fe lan- çou de commum confenfo e voto de loivados. HisT. TRAG. MARIT. I, 226 Aconteceo ... irem dar os trabalhadores com huns fardos de anil, de hum alvitre, de que el Rei Dom João fazia cada anno efmóla, e mercé para as o- bras da Igreja de Noffa Senhora da Graça de Lisboa. CEIT. Serm. I, 121, 4 Qual ha de vós, que não de graças a Deos, que a criou [a agoa] e que a não met- teo em mão de rendeiros, nem em o rol dos alvitres dos calaceiros? Sous. Hift. 3, 3, 15 Applicandolhe algumas efmólas em dinheiro, e alguns alvitres de importancia. {{lema|ALVITREIRO, A}}. adj. Que dá ou coftuma dar alvitres. M. FERNAND. Alm. 3, 2, 6. n. 71. p. 435 El Rei ven- do que lhe tardava a noticia do caleiro, mandou ... ao pagem alvitreiro com recado ao calciro, que &c. {{lema|ALVITREIRO}}. s. m. que dá alvitres, o que coftuma offerecelos, e be amigo de os dar. PINT. RIB. Ularp. 16 Ven do porém que lhe refpondia [o tributo] como fe efpera- va, e os alvitreiros promettião &c. VIEIR. Serin. 2, 4, 7. n. 114 Primeiramente me parece, que são merecedo- res do hum Não muito claro, e muito fecco certo ge- nero de alvitreiros &c. {{lema|ALVITRISTA}}. s. m. O mefmo que Alvitreiro. Liste. Fug. 6, 11, 187. col. 1 E eftando David. com tantos mere- cimentos defterrado e perfeguido: o traidor alvitrifta el- tava pofto no lugar, que fó a elle fe deviá. D. F. MAN. Apol. 64 Não fez affim aquelle Grão Turco... quando em noffos tempos mandou efpetar o Judeo alvitrifti. {{lema|ALUMBRADO, A}}. adj. Aluminado on illuftrado espiritual. mente. Só fe diz em mão fentido, quando ha illusão ou impoftura. M. FERNAND. Alm. 1, 5, 3. n. 5; Eftas [Si- byllas forão tidas por mulheres efpiritadas e alumbra- das. M. BERN. Floreft. 4; 12, 79 O Conde lançando o cafo a zombaria lhe perguntou fe era alumbrado, ou fe queria efmóla. {{lema|ALUMBRADOS}}. s. m. pl. Certos Herejes, que fe defcobrirão em Sevilha pelos annos de 1623, e forão penitenciados pela Inquifição da mefma Cidade no anno de 1627. Além de outros muitos erros, que abraçavão, admittião por unico principio de toda a prefeição o contemplar e orar, com, o que por illuminação do Efpitito Santo fe extinguia de todo no homem o fomes, que provoca ao mal, de maneira que não tinhão neceflidade de refrear as paixões. Defta illuminação procedeo o nome Caftelhano, que fe the deo. TELL. Chr. 1, 13 Man- 34. n. 2 Não fe nos criem aquí alguns alumbrados. S. ANN. Chr. 1, 29, 161 Se re- folveo de accufar à Inquifição as Religiofas, principal- mente a Priorela e a Santa, dizendo que tinhão coufas de Alumbrados. {{lema|ALUMBRAMENTO}}. s. m. Illuminação ou illuftração do<noinclude></noinclude> p9bi4jdvd8octw51g6casfh0bibcsxb Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/140 106 255863 558762 2026-08-14T13:41:27Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558762 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|132|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>nha de montanhas, que se destacavam alumiadas em cheio. Á direita, pelo contrario, abria-se um buraco negro, como que enorme poço, insondavel e obscuro, que tivessem excavado no solo lunar. Este buraco era o Lago Negro, era Platāo, circo profundo, que se póde estudar convenientemente da Terra, entre o ultimo quarto e o novilunio, quando as sombras se projectam de oeste para leste. Este colorido negro é raro de encontrar na superficie do satellite. Até hoje apenas foi observado nas profundezas do circo de Endimiāo, a leste do Mar do Frio, no hemispherio norte, e no fundo do circo de Grimaldi no Equador, na proximidade do bordo oriental do astro. Platāo é uma montanha annular, situada a 51º de latitude norte por 9º de longitude leste. O circo dʼesta montanha tem noventa e dois kilometros de comprimento por sessenta e um de largura. Barbicane sentiu nāo passar a prumo por cima dʼesta enorme abertura, onde havia um abysmo para sondar, e talvez algum mysterioso phenomeno a prescrutar. Nāo podia, porém, modificar-se a marcha do projectil, que os observadores tinham de soffrer por força de rigorosa necessidade. Encerrado entre as paredes de um balāo ou de um projectil ninguem póde dirigil-o. Por volta das cinco da manhā tinham os viajantes a final transposto o limite septentrional do Mar das Chuvas. As montanhas La Condamine e Fontenelle estavam-lhes uma pela direita, outra pela esquerda. A partir do sexagesimo grau, aquella parte do disco era absolutamente montanhosa. Representavam-nʼa as lunetas a uma legua, distancia inferior á que se mede do nivel do mar ao cume do Monte Branco. Aquella regiāo era semeada de picos e de circos. Na proximidade do septuagesimo grau erguia-se altivo Philolaus, com uma altura de tres mil e setecentos metros, abrindo uma cratéra elliptica de dezeseis leguas de comprimento por quatro de largura. {{nop}}<noinclude></noinclude> 434kfjufhro6oj7q1isyk5pht7q55s0 Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/141 106 255864 558763 2026-08-14T13:45:18Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558763 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|133|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>O disco, visto entāo aquella distancia, apparentava um aspecto notavelmente singular. As paizagens appareciam á vista do observador em condiçōes muito differentes das da Terra, mas tambem muito inferiores. Como a Lua nāo tem atmosphera, esta ausencia de envolucro gazoso tem consequencias já demonstradas. Nāo ha crepusculo na superficie da Lua, a noite segue-se ao dia e o dia á noite com a subitaneidade de uma lampada que se apaga on se accende em meio de profunda obscuridade. Nāo ha tambem ali transiçāo do frio para o calor, que a temperatura desce nʼum instante do grau de agua a ferver para o dos frios do espaço. Ha outra consequencia dʼesta ausencia do ar, que é a seguinte: Na Lua, onde nāo chegam os raios do Sol, reina a treva absoluta. O que na Terra se chama luz diffusa, materia luminosa como que em suspensāo no ar, que cria os crepusculos e as alvoradas, que produz as sombras e penumbras, e toda a magia do claro-escuro, nāo existe na Laa. Dʼahi vem uma brutalidade de contrastes que nāo admitte outras côres senāo o preto e o branco. Se um selenita abrigar os olhos dos raios solares, apparecer-the-ha o céu absolutamente negro, brilharāo para elle as estrellas como brilham para nós nas noites mais escuras. Imagine-se por isto qual seria a impressāo produzida em Barbicane e nos dois amigos por aquelle aspecto estranho. A vista perturbava-se-lhes por forma que nem já percebiam a distancia respectiva dos differentes planos. Nenhum paizagista terrestre poderia representar convenientemente aquellas paizagens lunares, cuja dureza o phenomeno do claro-escuro nāo mitiga. Sāo borrōes de tinta nʼuma pagina em branco, nada mais. Nāo se modificou este aspecto mesmo quando o projectil chegado ás alturas do nonagesimo parallelo, distava apenas da Lua uns cem kilometros. Nem mesmo quando, por volta das cinco da manhā, o projectil passou a menos de cincoenta kilometros da montanha de Gioja, distancia esta que as lunetas re-<noinclude></noinclude> bfo0o3ohwul8dx0ghddgd48amwwa8ar Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/142 106 255865 558764 2026-08-14T13:48:07Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558764 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|134|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>duziam a meio quarto de legua. Parecia entāo que se podia chegar á Lua com a māo. Parecia impossivel que a bala nāo fosse dentro em pouco dar de encontro ao astro, ao menos no pólo norte dʼeste, cuja aresta scintillante se destacava com violencia no fundo negro: do céu. Miguel Ardan queria até abrir uma das vigias e precipitar-se na superficie lunar. Queda de doze leguas de altura ! Mas isso, para elle, que era ? A tentativa seria aliás inutil, porque se o projectil nāo tinha de alcançar um ponto qualquer do satellite, tambem Miguel, que ia arrastado pelo movimento commum, o nāo alcançaria. Nʼaquelle momento eram seis horas, e apparecia o pólo lunar. O disco apresentava apenas entāo aos viajantes um semi-hemispherio violentamente illuminado; o outro occultava-se nas trevas. Subito o projectil transpoz a linha limite entre a luz intensa e a sombra absoluta, e ficou repentinamente immerso nʼuma noite profunda. {{nop}}<noinclude></noinclude> rq5wlfvok78usjbxn4t836op1hbmueu Á Roda da Lua (5ª edição)/XIII 0 255866 558765 2026-08-14T13:50:04Z Erick Soares3 19404 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf" from=134 to=142 header=1/> {{Modernização}} {{DP-3}} [[pl:Podróż Naokoło Księżyca/XIII]] [[ru:Вокруг_Луны_(Верн;_1869)/ДО#ГЛАВА_XIII._Человѣческіе_ландшафты.]] [[cs:Cesta kolem měsíce/Kapitola třináctá]] [[en:Around the Moon/Chapter XIII]] [[fr:Autour de la Lune/13]] 558765 wikitext text/x-wiki <pages index="Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf" from=134 to=142 header=1/> {{Modernização}} {{DP-3}} [[pl:Podróż Naokoło Księżyca/XIII]] [[ru:Вокруг_Луны_(Верн;_1869)/ДО#ГЛАВА_XIII._Человѣческіе_ландшафты.]] [[cs:Cesta kolem měsíce/Kapitola třináctá]] [[en:Around the Moon/Chapter XIII]] [[fr:Autour de la Lune/13]] s2r5pqlbpva35j1lqlhr4dcrljpi245 Página:Campos-Traduccaoebreve.pdf/12 106 255867 558767 2026-08-14T13:56:51Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558767 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|12<br>{{rule|6em}}}}</noinclude>ali traçados com naturalidade, e vigor. M. Littré percorreu o campo tão vasto dos conhecimentos humanos. Poucos assumptos deixaram de ser tocados por sua laboriosa penna. Seus numerosos artigos no jornalismo ou nas mais sabias revistas, seu diccionario de medicina, suas obras de philosophia, de linguistica, de litteratura, bem como seu diccionario da lingua franceza, não bastaram ainda á sua actividade intellectual, e é com pesar que dizia antes de morrer: {{Fine|«Que de cousas não tenho revolvido em meu espirito?... Se minha velhice tivesse sido mais forte, se a molestia não me tivesse acabrunhado, eu teria posto mão, com alguns collaboradores, em uma historia universal, cujo plano havia traçado. »}} No numero de seus collaboradores, cumpre collocar em primeira plana sua boa mulher, e sua filha. M. Pasteur descreve, com uma simplicidade encantadora, esse sanctuario do trabalho, e esse remanso intimo de familia: {{Fine|«Teria Horacio acaso escripto o seu ''Hoc erat in votis'', se a sua casa de campo se assimilhasse áquella que M. Littré possuia em Mesnil? Lá se não vê nem o regato de agua viva, nem as frondes do bosque, nem nada que se parecesse com a abastança, que Horacio havia phantasiado. Só o mais singelo presbyterio da mais mesquinha das aldeias póde dar uma idéa dʼessa casa, onde tudo reflecte uma vida de isolamento, de labor e de abnegação. M. Littré tinha o culto da austeridade. Um piedoso respeito deixou todas as cousas em seu logar, como se devesse elle, de um momento para outro, ali voltar, e encontrar em seu gabinete livros abertos, e apontamentos esparsos. Acolá uma mesasinha, onde sua mulher e sua filha trabalhavam junto dʼelle, e em cima da qual apparece (visivel testemunho da profunda tolerancia de M. Littré), uma imagem de Christo.).}} A tolerancia de M. Littré provinha de que seu coração não participou jamais da perversão do espirito. Os intimos — porque M. Littré não recebia se não intimos — repetem a amenidade de seu trato, o encanto de suas relações, a franqueza de seu caracter, o extremo de sua dedicação. Os enfermos sobretudo tinham direitos privilegiados aos seus serviços, visto como<noinclude></noinclude> gy9toz0e36igbfu22y2uxc23au3497t 558771 558767 2026-08-14T14:00:41Z Erick Soares3 19404 558771 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|12<br>{{rule|4em}}}}</noinclude>ali traçados com naturalidade, e vigor. M. Littré percorreu o campo tão vasto dos conhecimentos humanos. Poucos assumptos deixaram de ser tocados por sua laboriosa penna. Seus numerosos artigos no jornalismo ou nas mais sabias revistas, seu diccionario de medicina, suas obras de philosophia, de linguistica, de litteratura, bem como seu diccionario da lingua franceza, não bastaram ainda á sua actividade intellectual, e é com pesar que dizia antes de morrer: {{Fine|«Que de cousas não tenho revolvido em meu espirito?... Se minha velhice tivesse sido mais forte, se a molestia não me tivesse acabrunhado, eu teria posto mão, com alguns collaboradores, em uma historia universal, cujo plano havia traçado. »}} No numero de seus collaboradores, cumpre collocar em primeira plana sua boa mulher, e sua filha. M. Pasteur descreve, com uma simplicidade encantadora, esse sanctuario do trabalho, e esse remanso intimo de familia: {{Fine|«Teria Horacio acaso escripto o seu ''Hoc erat in votis'', se a sua casa de campo se assimilhasse áquella que M. Littré possuia em Mesnil? Lá se não vê nem o regato de agua viva, nem as frondes do bosque, nem nada que se parecesse com a abastança, que Horacio havia phantasiado. Só o mais singelo presbyterio da mais mesquinha das aldeias póde dar uma idéa dʼessa casa, onde tudo reflecte uma vida de isolamento, de labor e de abnegação. M. Littré tinha o culto da austeridade. Um piedoso respeito deixou todas as cousas em seu logar, como se devesse elle, de um momento para outro, ali voltar, e encontrar em seu gabinete livros abertos, e apontamentos esparsos. Acolá uma mesasinha, onde sua mulher e sua filha trabalhavam junto dʼelle, e em cima da qual apparece (visivel testemunho da profunda tolerancia de M. Littré), uma imagem de Christo.).}} A tolerancia de M. Littré provinha de que seu coração não participou jamais da perversão do espirito. Os intimos — porque M. Littré não recebia se não intimos — repetem a amenidade de seu trato, o encanto de suas relações, a franqueza de seu caracter, o extremo de sua dedicação. Os enfermos sobretudo tinham direitos privilegiados aos seus serviços, visto como<noinclude></noinclude> t3kf7ztpwnshq7sf8b03k1vsv4ajtnc Página:Campos-Traduccaoebreve.pdf/13 106 255868 558768 2026-08-14T14:00:01Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558768 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|13<br>{{rule|6em}}}}</noinclude>no ardor que o levava a investigar «noções de tudo» converteu toda a sua vida nʼum campo de estudos de predilecção: a medicina. {{Fine|«Era elle em Mesnil, diz M. Pasteur, o medico de consulta de toda a aldeia. Prolongando suas vigilias até tres horas da manhã, a claridade de sua alampada brilhava ao longe durante a noite, como um phanal, que animava os enfermos. Sabiam que ao primeiro chamado, M. Littré abriria mão de seu trabalho, para ir levar-lhes os desvelos a toda a parte aonde elles estivessem.»}} Tal foi a vida de M. Littré; vida toda de trabalho, intimidade e dedicação. Dʼonde vem pois, pergunta M. Pasteur, que fosse esse homem desconhecido, e mal comprehendido até o ponto de ser calumniado? A resposta é facil. Ha nas grandes vocações grandes mysterios que escapam ao alcance das turbas ignaras. O illustre recepiendario continúa depois: {{Fine|«Sendo as suas opiniões philosophicas o causal dʼisso, é chegado para mim o momento de examinal-as. Não porei outro cuidado senão o de conservar a minha propria liberdade de pensar.»}} Antes de seguir M. Pasteur nʼeste exame, cumpre protestar contra a parte indigna que uma certa imprensa attribue ao clero nos ataques de que M. Littré foi victima. Sem duvida era dever dos catholicos refutar a philosophia positivista, e negar as consequencias materialistas de um tal systema. As obras de M. Littré, ácerca dʼesta materia, eram sujeitas á critica que, é necessario confessar, lhe não faltou ; mas houve sempre todo o esmero em não confundir o philosopho com o homem sabio, e honesto: este foi sempre acatado. Quando Monsenhor Dupanloup julgou da sua dignidade de bispo dever deixar a academia franceza por occasião de nʼella entrar M. Littré, o digno prelado dirigiu-lhe logo uma carta, que se tornou publica nʼaquelle anno, com o fim de estabelecer clara e francamente, que, retirando-se dʼaquella illustre corporação, obedecia a um principio, e que de nenhuma sorte envolvia o menor desapreço para com o caracter da pessoa, a quem muito respeitava. M. Littré tinha pelo contrario numerosas sympa-<noinclude></noinclude> 0enlxynrtbo74679n7712vg5pw2dqt9 558770 558768 2026-08-14T14:00:28Z Erick Soares3 19404 558770 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|13<br>{{rule|4em}}}}</noinclude>no ardor que o levava a investigar «noções de tudo» converteu toda a sua vida nʼum campo de estudos de predilecção: a medicina. {{Fine|«Era elle em Mesnil, diz M. Pasteur, o medico de consulta de toda a aldeia. Prolongando suas vigilias até tres horas da manhã, a claridade de sua alampada brilhava ao longe durante a noite, como um phanal, que animava os enfermos. Sabiam que ao primeiro chamado, M. Littré abriria mão de seu trabalho, para ir levar-lhes os desvelos a toda a parte aonde elles estivessem.»}} Tal foi a vida de M. Littré; vida toda de trabalho, intimidade e dedicação. Dʼonde vem pois, pergunta M. Pasteur, que fosse esse homem desconhecido, e mal comprehendido até o ponto de ser calumniado? A resposta é facil. Ha nas grandes vocações grandes mysterios que escapam ao alcance das turbas ignaras. O illustre recepiendario continúa depois: {{Fine|«Sendo as suas opiniões philosophicas o causal dʼisso, é chegado para mim o momento de examinal-as. Não porei outro cuidado senão o de conservar a minha propria liberdade de pensar.»}} Antes de seguir M. Pasteur nʼeste exame, cumpre protestar contra a parte indigna que uma certa imprensa attribue ao clero nos ataques de que M. Littré foi victima. Sem duvida era dever dos catholicos refutar a philosophia positivista, e negar as consequencias materialistas de um tal systema. As obras de M. Littré, ácerca dʼesta materia, eram sujeitas á critica que, é necessario confessar, lhe não faltou ; mas houve sempre todo o esmero em não confundir o philosopho com o homem sabio, e honesto: este foi sempre acatado. Quando Monsenhor Dupanloup julgou da sua dignidade de bispo dever deixar a academia franceza por occasião de nʼella entrar M. Littré, o digno prelado dirigiu-lhe logo uma carta, que se tornou publica nʼaquelle anno, com o fim de estabelecer clara e francamente, que, retirando-se dʼaquella illustre corporação, obedecia a um principio, e que de nenhuma sorte envolvia o menor desapreço para com o caracter da pessoa, a quem muito respeitava. M. Littré tinha pelo contrario numerosas sympa-<noinclude></noinclude> jdloq97bceadjsidkcse7cmq7lh9n1i Página:Campos-Traduccaoebreve.pdf/14 106 255869 558773 2026-08-14T14:04:09Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558773 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|14<br>{{rule|4em}}}}</noinclude>thias no clero. Honrava-se da amisade do reverendo abbade Huvelin, que o preparou, e dispoz para uma morte christã, assim como vivia em intimas relações com o padre Millériot, a respeito de cujo fallecimento escreveu ao superior dos jesuitas este bello, e tocante elogio funebre! «É viver alguns dias de mais o viver para ver morrer homens taes como o padre Millériot! Tinha elle para commigo uma bondade angelica. Amava-me sem que houvesse em mim predicado algum que podesse justificar aquella affeição que eu não merecia, mas que gosava como uma graça de que lhe sou muito reconhecido. Vós sabeis melhor do que eu, meu caro padre, que a graça nos é dada, sem que nós a mereçâmos.» A graça que almas amadas haviam merecido para M. Littré foi a da conversão, e estamos seguros que é elle feliz de ter por successor na cadeira academica um sabio ainda mais illustre que elle, que tem a coragem de lhe estigmatisar uma doutrina, que foi o erro da sua vida, para exaltar crenças, que foram a consolação da sua morte. M. Pasteur expõe em alguma palavras a philosophia positivista ; philosophia que tem o triste privilegio de ser hoje seguida por muitos, que, por isso mesmo que a não comprehendem, a acham excellente! Corneille havia dito, ha dois seculos, a um amigo, que lhe indicava quatro versos sonoros, mas obscuros: Deixae-os como estão: aquelle que os não comprehender, admiral-os-ha por esse mesmo motivo. ''Laisses: qui ne'' ''les comprendra pas, les admirera.'' {{Fine|«O principio fundamental de Auguste Comte, diz M. Pasteur, é pôr de lado toda a investigação metaphysica sobre as causas primeiras e finaes; é reduzir a factos todas as idéas e todas as theorias, e não attribuir o caracter de certeza senão ás demonstrações da experiencia. Este systema comprehende uma classificação das sciencias, e uma pretensa lei da historia, que se resume nʼesta affirmação: Que as concepções do espirito humano passam successivamente por tres estados: o estado theologico, o estado metaphysico, o estado scientifico ou positivo.»}} M. Littré havia-se tornado o apostolo sincero, e perseverante do positivismo. A primeira causa dʼessa convicção está, con-<noinclude></noinclude> 7c1dqiudlxmq39v8grk6v5bmvj5vznk Galeria:Enciclopédia Brasileira de Alarico Silveira (1958).pdf 104 255870 558775 2026-08-14T17:42:48Z Sintegrity 35105 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 558775 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=Enciclopédia Brasileira de Alarico Silveira |Subtítulo= |Language=pt |Autor=Alarico Silveira |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição=1 |Volume=1 |Editora= |Gráfica= |Local=Rio de Janeiro |Ano=1958 |ISBN= |Fonte= |Imagem= |Capa= |Progresso=X |Páginas=<pagelist /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} 15iufj7tipkjf5x3vd07lk77eni9exo 558776 558775 2026-08-14T19:37:09Z Albertoleoncio 17561 558776 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=Enciclopédia Brasileira de Alarico Silveira |Subtítulo= |Language=pt |Autor=Alarico Silveira |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição=1 |Volume=1 |Editora= |Gráfica= |Local=Rio de Janeiro |Ano=1958 |ISBN= |Fonte= |Imagem= |Capa=3 |Progresso=X |Páginas=<pagelist 1="Capa" 2="Gravura" 3="Folha de rosto" 4="–" 5="Créditos" 6="–" 7=11 7to55="highroman" 56="–" 57=3 142=86 204=146 340=280 /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} 2w9gqxrn71h88x1togcpxizzoxfh972 Página:Historias da meia noite.djvu/216 106 255871 558802 2026-08-14T23:23:28Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558802 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />210 HISTORIAS DA MEIA NOITE</noinclude>VI Á MESMA. Côrte, 27 de Novembro. A sua carta chegou quando estavamos almoçando, e foi bom tel-a lido depois, porque se a leio antes não acabava de almoçar. Que história é essa, e quem lhe metteu na cabeça semelhante cousa? Eu, namorada do Alberto! Isso é cassoada de mau gôsto, Luiza! Se alguem lhe mandou dizer tal, teve certamente intenção de me envergonhar. Se voce o conhecesse, não era necessário este meu protesto. Ja lhe disse as boas quali¬ dades d'elle, mas os seus defeitos são para mim superiores ás qualidades. Voce bem sabe como eu sou; para mim a menor nodoa destroe a maior alvura. Uma estatua... estatua é o termo proprio, porque o tal Alberto tem certa rigidez esculptural. Ah! Luiza, o homem que o ceu me destina ainda não veiu. Sei que não veiu porque ainda não senti dentro de mim aquelle estremecimento sympathico que indica a harmonia de duas almas. Quando elle vier,fique certa de que sera a primeira a quem eu confiarei tudo. Dir-me-ha que, se eu sou assim fatalista, devo admit- tir a possibilidade de um marido sem todas as condições que exijo.<noinclude></noinclude> 73e20ej99s4vpgeo9t45tgbpdg7r2ir 558803 558802 2026-08-14T23:23:54Z Sintegrity 35105 558803 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />210 HISTORIAS DA MEIA NOITE</noinclude>VI Á MESMA. Côrte, 27 de Novembro. A sua carta chegou quando estavamos almoçando, e foi bom tel-a lido depois, porque se a leio antes não acabava de almoçar. Que história é essa, e quem lhe metteu na cabeça semelhante cousa? Eu, namorada do Alberto! Isso é cassoada de mau gôsto, Luiza! Se alguem lhe mandou dizer tal, teve certamente intenção de me envergonhar. Se voce o conhecesse, não era necessário este meu protesto. Ja lhe disse as boas quali¬ dades d'elle, mas os seus defeitos são para mim superiores ás qualidades. Voce bem sabe como eu sou; para mim a menor nodoa destroe a maior alvura. Uma estatua... estatua é o termo proprio, porque o tal Alberto tem certa rigidez esculptural. Ah! Luiza, o homem que o ceu me destina ainda não veiu. Sei que não veiu porque ainda não senti dentro de mim aquelle estremecimento sympathico que indica a harmonia de duas almas. Quando elle vier,fique certa de que sera a primeira a quem eu confiarei tudo. Dir-me-ha que, se eu sou assim fatalista, devo admit- tir a possibilidade de um marido sem todas as condições que exijo.<noinclude></noinclude> lojhent9u1yx9nyq03cl5bihl7wh876 558805 558803 2026-08-14T23:24:43Z Sintegrity 35105 558805 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />216 HISTORIAS DA MEIA NOITE</noinclude>VI Á MESMA. Côrte, 27 de Novembro. A sua carta chegou quando estavamos almoçando, e foi bom tel-a lido depois, porque se a leio antes não acabava de almoçar. Que história é essa, e quem lhe metteu na cabeça semelhante cousa? Eu, namorada do Alberto! Isso é cassoada de mau gôsto, Luiza! Se alguem lhe mandou dizer tal, teve certamente intenção de me envergonhar. Se voce o conhecesse, não era necessário este meu protesto. Ja lhe disse as boas quali¬ dades d'elle, mas os seus defeitos são para mim superiores ás qualidades. Voce bem sabe como eu sou; para mim a menor nodoa destroe a maior alvura. Uma estatua... estatua é o termo proprio, porque o tal Alberto tem certa rigidez esculptural. Ah! Luiza, o homem que o ceu me destina ainda não veiu. Sei que não veiu porque ainda não senti dentro de mim aquelle estremecimento sympathico que indica a harmonia de duas almas. Quando elle vier,fique certa de que sera a primeira a quem eu confiarei tudo. 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Uma estatua... estatua é o termo proprio, porque o tal Alberto tem certa rigidez esculptural. Ah! Luiza, o homem que o ceu me destina ainda não veiu. Sei que não veiu porque ainda não senti dentro de mim aquelle estremecimento sympathico que indica a harmonia de duas almas. Quando elle vier,fique certa de que sera a primeira a quem eu confiarei tudo. Dir-me-ha que, se eu sou assim fatalista, devo admit- tir a possibilidade de um marido sem todas as condições que exijo.<noinclude></noinclude> tv1fujkvg7c6ml2hyyt3b5x256v6xc7 Página:Historias da meia noite.djvu/217 106 255872 558804 2026-08-14T23:24:30Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558804 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />PONTO DE VISTA 217</noinclude> Engano. Deus que me fez assim, e me deu ésta percepção intima para conhecer e amar a superioridade, Deus me ha de deparar uma creatura digna de mim. E agora que me expliquei deixe-me ralhar-lhe um poucQ. Por que motivo dá tão facilmente ouvidos a uma calúmnia contra mim? Voce que me conhece ha tanto devia ser a primeira a pôr de quarentena esses ditos sem senso commum. Porque o não faz ? Gastou voce duas páginas para defender a Mariqui¬ nhas. Eu não a accuso ; deploro-a. Pode ser que o noivo venha a ser um excellente marido, mas não creio que-Bst(| na altura d’ella. E é n’este sentido que eu a deploro. • A nossa divergência tem natural explicação. Eu sou uma moça solteira, cheia de caraminholas, sonhos, ambições e poesia; voce é já uma dona de casa, es¬ posa tranquillae feliz, mãe de familia dentro de pouco tempo ; ve a cousa por outro prisma. Sera isto ? Parece que a companhialyrica não vem. A cidade está hoje muito alegre; andam bandas de musica nas ruas; chegaram boas notícias do Paraguay. Natural¬ mente sahiremos hoje; não tem saudades de ca? Meus. Lembranças de todos a seu marido. Rachel.<noinclude></noinclude> eq1bbgab9dmi3iitlj1i331aeb49nvm 558807 558804 2026-08-14T23:27:19Z Sintegrity 35105 558807 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />PONTO DE VISTA 217</noinclude> Engano. Deus que me fez assim, e me deu ésta percepção intima para conhecer e amar a superioridade, Deus me ha de deparar uma creatura digna de mim. E agora que me expliquei deixe-me ralhar-lhe um pouco. Por que motivo dá tão facilmente ouvidos a uma calúmnia contra mim? Voce que me conhece ha tanto devia ser a primeira a pôr de quarentena esses ditos sem senso commum. Porque o não faz? Gastou voce duas páginas para defender a Mariqui- nhas. Eu não a accuso; deploro-a. Pode ser que o noivo venha a ser um excellente marido, mas não creio que esteja na altura d’ella. E é n’este sentido que eu a deploro. A nossa divergência tem natural explicação. Eu sou uma moça solteira, cheia de caraminholas, sonhos, ambições e poesia; voce é já uma dona de casa, es- posa tranquilla e feliz, mãe de familia dentro de pouco tempo; ve a cousa por outro prisma. Sera isto? Parece que a companhia lyrica não vem. A cidade está hoje muito alegre; andam bandas de musica nas ruas; chegaram boas notícias do Paraguay. Natural- mente sahiremos hoje; não tem saudades de ca? Adeus. Lembranças de todos a seu marido. Rachel.<noinclude></noinclude> csr17wefcwgej7fi75nc5zieocashws Página:Historias da meia noite.djvu/218 106 255873 558809 2026-08-14T23:29:42Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558809 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />218 HISTORIA DA MEIA NOITE</noinclude>VIII Á MESMA Côrte, 20 de Dezembro. Tem razão; pareço ingrata. Ha quasi um mez que lhe não escrevo, apezar de ter recebido ja duas cartas. Seria longo explicar ésta démora, e eu infelizmente não tenho tempo para tanto, porque estão aqui, alguns dias, as primas Alvarengas. Como que então, voce confessa que apenas me quiz experimentar? Eu logo vi que ninguém lhe poderia dizer semelhante cousa a respeito do Dr. Alberto. O casamento da Mariquinhas está marcado para ves- pera de Reis. Iremos assistir ao sacrifício. Desculpe-me, Luiza; bem sabe como sou sarcastica, e ás vezes... Desculpe-me, sim? E todavia, quer saber uma cousa? Mudei de opinião a certos respeito. Hoje penso que antes o pae que o filho. Que espirito frívolo! que sujeito superficial e tolo é o tal Alberto! O pae é grave e sabe ser ama- vel; e é amavel sem deixar de ser grave. Tem uma distincção própria, uma conversa animada, é enge- nhoso e sagaz. Mil vezes o velho... para ella.<noinclude></noinclude> qrzi9qwgo5vpbrp9xcij3xmo9ryn131 Página:Historias da meia noite.djvu/219 106 255874 558810 2026-08-14T23:33:26Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558810 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />PONTO OE VISTA 219</noinclude>Pergunta-me o que farei eu no caso de nunca en- contrar o ideial que procuro? Ja lhe disse: n’esse caso fico solteira. O casamento é uma grande cousa, é a flor dos estados, concordo; mas é mister que não seja um captiveiro, e captiveiro é tudo o que não realisa as nossas aspirações íntimas. Agradeço os seus conselhos, mas quer que lhe diga? Voce falla como quem é feliz; parece-lhe que o casa- mento, quaesquer que sejam as condições, é um ante- gôsto do paraiso. Creio que nem sempre ha de ser assim. Verdade é que, dependendo as cousas das impres- sões de cada um, a Mariquinhas póde ser feliz, visto que o marido que escolheu parece fallar-lhe ao cora- ção. Não o nego; mas, n’esse caso, continúo a lasti- mal-a, porque (repito) não comprehendo a união de uma flor com uma carapuça. E não escrevo mais por não dizer mal della. Perdoe-me voce éstas tolices, e creia que sou amiga, agora e sempre. Rachel. VIII Á MESMA Côrte, 8 de Janeiro. Casou-se a Mariquinhas. Festa íntima, mas brillian- te. A noiva estava explendida, risonha, orgulhosa. O<noinclude></noinclude> cnag00xeass2i89uciq9851ifixgrrg Página:Historias da meia noite.djvu/220 106 255875 558811 2026-08-14T23:38:02Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558811 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />220 HISTORIAS DA MEIA NOITE</noinclude>mesmo se póde dizer do noivo, que parecia ainda mais moço do que me parecera uma vez no theatro, a ponto de me fazer desconfiar da velhice d’elle. A cada ins- tante cuidava que o homem tirava a mascara e con- fessava ser irmão do filho. Perguntar-me-he voce se eu não tive inveja? Confesso que sim. Não sei bem se era inveja; confesso porêm que sus- pirei quando vi a nossa formosa Mariquinhas com o seu veu e a sua grinalda de flores de laranja, derra- mar um olhar tão celeste em torno de si, feliz por se despedir d’este mundo de futilidades como é a vida de uma moça solteira. Suspirei, é verdade. Se n’aquella mesma noite eu podesse escrever o que senti, acredite voce que teria uma página de litteratura digna de figurar nos jornaes. Hoje tudo passou. O que não passou, entretanto, porque existia antes e existirá sempre, porque nasceu commigo e cammigo morrerá, é este sonho de uns amores que eu nunca vi na terra, uns amores que eu não posso exprimir, mas que devem existir visto que eu tenho a imagem d’elles no espirito e no cora- ção. Mamãe, quando me ve aborrecida e devaneadora, costuma perguntar-me se estou respirando as nuvens. Ella ignora |talvez| que exprime com essa palavra<noinclude></noinclude> oghq42quwf6uhyp7kuyriojjvlp4czl Página:Historias da meia noite.djvu/221 106 255876 558812 2026-08-14T23:41:53Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558812 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />PONTO DE V1STA 221</noinclude>o estado do meu espirito. Pensar n’estas cousas não é ir respirar as nuvens la tão longe da terra? Acabo de reler o que escrevi, e riscaria tudo se tivesse mais papel para escrever. Infelizmente não tenho, é meia noite, e ésta carta ha de seguir amanhã cedo. Risque pois o que ahi fica escripto; não vale a pena guardar tolices. Novidade não ha que mereça a pena de men- cionar. Esquecia-me dizer-lhe que achei uma ver- dadeira qualidade no Dr. Alberto. Adivinha? Dansa admiravelmente. Ma lingua! dirá voce. E para que não diga mais nada, aqui me fico. Rachel. IX. Á MESMA Isto é apenas um bilhetinho. Dou-lhe notícia de que vamos ter aqui uma apresentação familiar, como faziiamos no collegio. O Dr. Alberto foi encarregado de escrever a comédia; affianção-me que ha de sahir boa. Representa commigo a Carlota. Os homens são o primo Abreo, o Juca e o Dr. Rodrigues. Ah! se voce ca estivesse!<noinclude></noinclude> 5lf6hmbeazg9ba2vdlz0g8lz2ib3zpl Página:Historias da meia noite.djvu/222 106 255877 558814 2026-08-14T23:45:19Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558814 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />222 HISTORIAS DA MEIA NOITE</noinclude>X. D. Luiza a D. Rachel. Juiz de Fóra, 15 de Janeiro. Meu marido quer ir á côrte no fim do mez que vem. Ver-nos-hemos emfim depois de alguns mezes de separação. Escrevo apenas para lhe dar ésta notícia que voce ha de estimar de certo. E ao mesmo tempo o meu fim é prevenil-a, afim de que procure disfarçar na presença aquillo que me disfarça no papel. Adeus. Luiza. XI. D. Rachel a D. Luiza Côrte, 20 de Janeiro. 0 que é que eu disfarço no papel? Estou a meditar, a esquadrinhar, e nada descubro. Podia imaginar que voce se refere ao assumpto do Al- berto; mas depois do que eu lhe escrevi seria demasiada insistência... Explique-se.<noinclude></noinclude> 418vrc99cbipp5wbmbsvckk30l1livl Página:Historias da meia noite.djvu/223 106 255878 558816 2026-08-14T23:47:49Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558816 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />PONTO DE VISTA 223</noinclude>Quanto á noticia que me dá de que vem ca, é para mim a sorte grande. Por mais que eu queira explicar no papel o prazer que sinto com isto, não posso. Não sei escrever; não me acodem as palavras proprias. 0 Dr. Alberto (o tal!) dizia outro dia que a lingua humana é cabal para dizer o que se passa no espirito, mas incapaz de dizer o que vem do coração. E accrescentou ésta sen- tença que é engenhosa, mas velha. Com os lábios falla a cabeça, com os olhos o coração. Voce pôrem adivinhará o que eu sinto e apres- sará a sua vinda. E o nenê? Rachel. XII Á MESMA Côrte, 28 de Janeiro. Faz um calor insupportavel; mas como eu abri a ja- nella que dá para o jardim, estou a ver o ceu «todo recamado de estrêllas» como dizem os poetas, e o es- pectáculo compensa o calor. Que noite, minha Luiza! Gósto immensamente destes grandes silêncios, por que então ouço-me a mim mesma, e vivo mais em cinco mi- nutos de solidão do que em vinte horas de bulicio. A Mariquinhas Rocha esteve ésta noite ca em casa<noinclude></noinclude> b8q112v0lebopohbj2p9e82n0cny1c8 Página:Historias da meia noite.djvu/224 106 255879 558818 2026-08-14T23:51:58Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558818 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />224 HISTORIAS DA MEIA NOITE</noinclude>com o marido. Ambos parecem felizes, ella ainda mais do que elle, o que se me afigura completa inversão das leis naturaes. Não se admira de me ouvir fallar em «leis natu- raes?» A ideia não é minha, é do proprio enteado, o Dr. Alberto. Conversamos os dous a respeito das boas e santas qualidades de' Mariquinhas, e eu dizia o que ella foi sempre desde creança. — Creança é ainda ella, observou elle sorrindo. Não posso chamar madrasta a uma creatura que parece antes minha irmã mais moça. — Na edade, sim, tornei eu; mas na circumspecçâo e na compostura é positivamente mais velha que o senhor. Elle sorriu, mas de um sorriso amarello, e con- tinuou: — Meu pae é feliz; minha madrasta parece ainda mais feliz que meu pae. Não é isto uma inversão das leis naturaes? Critique se lhe parece, a opinião do filho, mas aproveito a occasião para dizer que na sua última carta ha duas linhas em que parece ter um resto de suspeita. Mande-me dizer como quer que a convença de que elle é para mim uma creatura egual a tantas outras? Ande, confesse que é cruel commigo, e disponha-se a um sermão na primeira occasião em que estivermos juntas.<noinclude></noinclude> oirs0zzfx8gy2s9vnxkqbo8ilccnh7g Página:Historias da meia noite.djvu/225 106 255880 558821 2026-08-14T23:56:06Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558821 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />PONTO DE VISTA</noinclude>Sabe quem eu vi hoje? Dou-lhe um doce se adivi- nhar. O Garcia, aquelle Garcia que a nam.... Não, não, paremos aqui. Rachel. XIII D. LUIZA A D. RACHEL Juiz de Fóra, 10 de Fevereiro. Não confesso nada; não fui cruel. Tive uma suspeita e preferi dizel-a a guardal-a. A amisade manda isto mesmo. Porque razão deixaríamos nós aquella fran- queza e confiança do tempo do collegio? Acredito que realmente nada ha, mas acredito tam- bem outra cousa. Estou a ver que é alguma figura grotesca, e que voce foi antes offendida na vaidade que no coração. Va, confesse isso. Sabe voce uma cousa? Está-me parecendo mais poeta do que era, mais romanesca, mais cheia de cara- minholas. Bem sei que a edade explica muita cousa; mas ha um limite, Rachel; não confunda o romance com a vida, ou viverá desgraçada.... . . . Um sermão! ahi começava eu a fazer-lhe um sermão chocho e insulso, e sobretudo ineFficaz. Ve- nhamos a cousas mais de prosa. Meu marido quer entrar na política. Não se arrepia com esta palavra? Política e lua de mel, que duas cousas tão inimigas!<noinclude></noinclude> rvuhf47cvha8vhn94unam2xysoldiaw 558822 558821 2026-08-14T23:56:40Z Sintegrity 35105 558822 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />PONTO DE VISTA 225</noinclude>Sabe quem eu vi hoje? Dou-lhe um doce se adivi- nhar. O Garcia, aquelle Garcia que a nam.... Não, não, paremos aqui. Rachel. XIII D. LUIZA A D. RACHEL Juiz de Fóra, 10 de Fevereiro. Não confesso nada; não fui cruel. Tive uma suspeita e preferi dizel-a a guardal-a. A amisade manda isto mesmo. Porque razão deixaríamos nós aquella fran- queza e confiança do tempo do collegio? Acredito que realmente nada ha, mas acredito tam- bem outra cousa. Estou a ver que é alguma figura grotesca, e que voce foi antes offendida na vaidade que no coração. Va, confesse isso. Sabe voce uma cousa? Está-me parecendo mais poeta do que era, mais romanesca, mais cheia de cara- minholas. Bem sei que a edade explica muita cousa; mas ha um limite, Rachel; não confunda o romance com a vida, ou viverá desgraçada.... . . . Um sermão! ahi começava eu a fazer-lhe um sermão chocho e insulso, e sobretudo ineFficaz. Ve- nhamos a cousas mais de prosa. Meu marido quer entrar na política. Não se arrepia com esta palavra? Política e lua de mel, que duas cousas tão inimigas!<noinclude></noinclude> mfehq4cuwu3k1d3bkyosw71t2w6yz8a Página:Historias da meia noite.djvu/226 106 255881 558825 2026-08-15T00:00:38Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558825 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />226 HISTORIAS DA MEIA NOITE</noinclude>Mas sera o que Deus quizer. Lembranças delle e mi- nhas a sua mamãe e a voce. Até breve. Luiza. XIY D. RACHEL A D. LUIZA Côrte, 15 de Fevereiro. Engana-se quando suppõe que o Dr. Alberto é uma ligura grotesca; ja lhe disse que é rapaz elegante; e até aquelle ar compassado e esculptural que eu lhe achava, até isso parece ter desapparecido desde que tem intimidade comnosco. Não foi pois a minha vaidade que se offendeu; não foi tambem o meu coração. Senti que voce não me acreditasse, nada mais. Eu podia fazer-lhe agora uma dissertação a respeito do amor; mas retraio a penna por me lembrar que iria ensinar o padre-nosso ao vigário. Seu marido quer entrar na política? Vae voce admi- rar-se da minha opinião a este respeito, que não pa- rece opinião de uma devaneadora, como voce me chama. Eu penso que a política para voce tem uma onça de inconvenientes e uma libra de vantagens. A politica hade ser uma rival, mas pesadas as cousas antes essa que outra. Essa ao menos occupa o espirito<noinclude></noinclude> s1169rwhkbhcpt5xuzuqd9koo2nnuse 558826 558825 2026-08-15T00:00:54Z Sintegrity 35105 558826 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />226 HISTORIAS DA MEIA NOITE</noinclude>Mas sera o que Deus quizer. Lembranças delle e mi- nhas a sua mamãe e a voce. Até breve. Luiza. XIV D. RACHEL A D. LUIZA Côrte, 15 de Fevereiro. Engana-se quando suppõe que o Dr. Alberto é uma ligura grotesca; ja lhe disse que é rapaz elegante; e até aquelle ar compassado e esculptural que eu lhe achava, até isso parece ter desapparecido desde que tem intimidade comnosco. Não foi pois a minha vaidade que se offendeu; não foi tambem o meu coração. Senti que voce não me acreditasse, nada mais. Eu podia fazer-lhe agora uma dissertação a respeito do amor; mas retraio a penna por me lembrar que iria ensinar o padre-nosso ao vigário. Seu marido quer entrar na política? Vae voce admi- rar-se da minha opinião a este respeito, que não pa- rece opinião de uma devaneadora, como voce me chama. Eu penso que a política para voce tem uma onça de inconvenientes e uma libra de vantagens. A politica hade ser uma rival, mas pesadas as cousas antes essa que outra. Essa ao menos occupa o espirito<noinclude></noinclude> te4r325qd0xaf8d9vqrftyf7a1p6g4o Página:Historias da meia noite.djvu/227 106 255882 558828 2026-08-15T00:06:10Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558828 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />PONTO DE VISTA 227</noinclude>e a vida; mas deixa o coração livre e puro. Demais, eu nem sempre sou a scismadora quem tens na cabeça; sinto um grãosinho de ambição commigo, a ambição de ser... ministra. Ri-se? Eu tambem me rio, o que prova que o meu espirito anda despreoccupado e livre, livre como a penna que me corre agora no papel, produzindo uma lettra que não sei se entenderá. Adeus. Rachel XV O Dr. Alberto a Rachel 18 de fevereiro. Perdoe-me a audacia; peço-lhe de joelhos uma res- posta que os seus olhos teimam em me não dar. Não lhe digo no papel o que sinto; não o poderia exprimir cabalmente. Mas o seu espirito hade ter comprendido o que se passa no meu coração, hade ter lido no meu rosto aquillo que eu nunca me atreveria a dizer de viva voz. Alberto. XVI D. Rachel a D. Luiza 21 de fevereiro. Mamãe estava com disposições de ir visital-a ; mas eu infelizmente não me acho boa, e adiamos a viagem.<noinclude></noinclude> ln02it5we9d7jdleji7osxz4zzn2dyl Página:Historias da meia noite.djvu/228 106 255883 558829 2026-08-15T00:08:20Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558829 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />228 HISTORIAS DA MEIA NOITE</noinclude>Quando desempenha voce a sua palavra vindo passar alguns dias na côrte? Conversaríamos muito. Rachel. XVII Á MESMA 5 de março. Não é carta; ó apenas um bilhetinho. Não me dira o que é o coração humano? Um logogrypho. Mysterio! exclamará voce ao ler estas linhas. Pois sera. Rachel. XVIII Alberto a D. Rachel 8 de março. Oh! não sabe como lhe agradeço a sua carta! Enfim veio! Foi um raio de luz entre as sombras da minha incertesa. Sou amado? Não me illude? Tambem sente ésta paixão que me devora o peito, capaz de levar-me ao ceu, capaz de levar-me ao inferno? Tem razão quando me pergunta se o não percebera ja nos seus olhos. É verdade que eu julguei 1er n’elles a minha felicidade. Mas podia illudir-me; suppuz que a suprema felicidade não era tão prompta, e se me illudisse, não sei se viveria....<noinclude></noinclude> 0kgfqx6c75l87woy61x1s8a1prkqu2w Página:Historias da meia noite.djvu/229 106 255884 558830 2026-08-15T00:10:59Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558830 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />PONTO DE VISTA 229</noinclude>Por que razão duvida de mim? por que motivo receia que o meu amor seja um passatempo de sala? Que mortal haveria n’este mundo que brincasse com a coroa de gloria trazida á terra nas mãos de um anjo? Não, Rachel.. perdão se lhe chamo assim! Não, o meu amor é immenso, casto, sincero, como os verda- deiros amores. Uma so palavra sua e podemos converter ésta paixão no mais doce e delicioso estado de bemaventuraça. Quer ser minha espôsa? Diga, responda essa palavra. Alberto. XIX D. LUIZA A D. RACHEL. Juiz de Fóra, 10 de março O coração é um mar, sujeito á influencia da lua e dos ventos. Serve-lhe ésta definição? Pena foi que o bilhetinho não tivesse mais quatro linhas: saberia agora tudo. Ainda assim adivinho alguma cousa; adivi- nho que ama. Luiza. XX Á MESMA Juiz de Fóra, 17 de março A 10 deste mez escrevi-lhe uma carta de que ainda não obteve resposta.<noinclude></noinclude> 58xra7difjmgji5wmefsk8xoc3yjr60 Página:Historias da meia noite.djvu/230 106 255885 558831 2026-08-15T00:13:06Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558831 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />230 HISTORIAS DA MEIA NOITE</noinclude>Porque ? Ja me lembrou se estaria doente; mas creio que se assim fosse ter-me-hiam mandado dizer. Èsta carta vae por mão propria; o portador não volta ca, mas sendo por mão propria tenho certeza de que lhe sera entregue. E quero que me responda imme- diatamente. Va; um esfôrço. Adeus. Luiza. XXI D. LUIZA A D. RACHEL Juiz de Fóra, 24 de março. Nada até hoje! Que é isso, Rachel? O portador da minha carta anterior mandou-me dizer que lhe havia entregue em mão propria; não estava doente; porque razão este esquecimento? Ésta é a última; se me não escrever, acreditarei que outra amiga lhe merece mais, e que voce esqueceu a confi- dente do collegio Luiza. XXII D. RACHEL A D. LUIZA Côrte, 30 de março. Esquecer-me de voce? Está louca ! Onde acharia eu melhor amiga nem tão boa? Não tenho escripto, é ver-<noinclude></noinclude> sk8slsdhcq37dl76es0jq4q53rw7ftl 558832 558831 2026-08-15T00:13:19Z Sintegrity 35105 558832 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />230 HISTORIAS DA MEIA NOITE</noinclude>Porque? Ja me lembrou se estaria doente; mas creio que se assim fosse ter-me-hiam mandado dizer. Èsta carta vae por mão propria; o portador não volta ca, mas sendo por mão propria tenho certeza de que lhe sera entregue. E quero que me responda imme- diatamente. Va; um esfôrço. Adeus. Luiza. XXI D. LUIZA A D. RACHEL Juiz de Fóra, 24 de março. Nada até hoje! Que é isso, Rachel? O portador da minha carta anterior mandou-me dizer que lhe havia entregue em mão propria; não estava doente; porque razão este esquecimento? Ésta é a última; se me não escrever, acreditarei que outra amiga lhe merece mais, e que voce esqueceu a confi- dente do collegio Luiza. XXII D. RACHEL A D. LUIZA Côrte, 30 de março. Esquecer-me de voce? Está louca ! Onde acharia eu melhor amiga nem tão boa? Não tenho escripto, é ver-<noinclude></noinclude> dsjlxswg6ppd3ihhci93ptn6fdrn62x Página:Historias da meia noite.djvu/231 106 255886 558833 2026-08-15T00:16:10Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558833 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />PONTO DE VISTA 231</noinclude>dade, por mil rasões, a qual mais justa, sendo a prin- cipal dellas, ou antes a que as resume todas, uma razão... Não sei como lhe diga isto. Amor? Ah! Luiza, o mais puro e ardente que póde imagi- nar, e o mais inesperado tambem. Aquella devanea- dora que você conhece, a que vive nas nuvens, viu la mesmo das nuvens o esperado do seu coração, tal qual o sonhára um dia e desesperára de achar jamais. Não lhe posso dizer mais nada; não sei. Tudo o que eu poderia escrever aqui estaria abaixo da realidade. Mas venha, venha, e talvez leia no meu rosto a felici- dade que experimento, e no ''delle'' o signal característico daquella superioridade que eu ambicionei sempre e tão rara é na terra. Emfim, sou feliz ! Rachel. XXII D. LUIZA A D. RACHEL Juiz de Fóra, 8 de abril. Chegou emfim uma carta, e chegou a tempo, por que eu ja estava disposta a esquecer-me de voce. Ainda assim não lhe perdoava, se não fôsse a razão... Ceus! que razão! Ama emfim? achou o homem... quero dizer, o archanjo que procurava a minha scismadora?<noinclude></noinclude> 5r96x7ejx1gxbpw9126quwi04ftlvcu Página:Historias da meia noite.djvu/232 106 255887 558834 2026-08-15T00:18:48Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558834 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />232 HISTORIAS DA MEIA NOITE</noinclude>Que figura tem? é bonito? é alto? é baixo? Va, di- ga-me tudo. Agora vejo que estive a pique de fazel-a perder a sua felicidade. Tanto lhe fallei no tal Dr. Alberto, que, era bém possivel, como ás vezes acontece, vir a namo- rar-se delle, e então quando o oütro chegasse... era tarde. E diga-me; sera elle velho como- o da Mariquinhas Rocha? Não se zangue, Rachel, mas o peixe morre pela boca, e era possivel que voce fosse castigada por ter fallado della. Pela minha parte, não acharia que dizer, uma vez que elle a amasse e fosse homem digno de casar com a minha Rachel. Em todo o caso, antes um moço. Não me atrevo a pedir-lhe o retrato; mas meu ma- rido pede-lh’o. Não se zangue, eu contei tudo, e elle manda-lhe muitos parabéns. Os meus, irei eu mesma leval-os. Luiza. XXIV D. RACHEL AO DR. ALBERTO 10 de abril. Estou müito zangada por não teres vindo hontem; cedo começas a esquecer-me. Vem hoje ou eu fico zangada. Ao mesmo tempo<noinclude></noinclude> jjzneg7g37c6bdswtfg7cby2xr89lr3 Página:Historias da meia noite.djvu/233 106 255888 558835 2026-08-15T00:21:02Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558835 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />PONTO DE VISTA 233</noinclude>quero que me tragas um retrato dos teus; é um segredo. Hontem perdeste muito; esteve aqui a G., e natural- mente sentiu a tua falta. Sentes isso, não? Pobre da Rachel! Adeus. Rachel. XXV O DR. ALBERTO A D. RACHEL 40 de abril. Perdoa-me se não fui hontem la; em compensação pensei muito em ti. Teu pae pediu-me que eu fosse jantar hoje com a família; espera-me cedo. Levarei nessa occasião o meu retrato, sem saber para que é; mas espero que não sera para cousa ma. Quanto á G... eu ja não sei como te heide de dizer que é uma delambida de quem não faço caso; se queres, limitar-me-hei a comprimental-a apenas. Que mais desejas? Adeus, minha desconfiada. Crê que eu te amo muito, muito e muito, agora e sempre. Teu Alberto.<noinclude></noinclude> fsbjo6jpq0jjvxhbwb9b7cq2xvbepnh Página:Historias da meia noite.djvu/234 106 255889 558836 2026-08-15T00:22:45Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558836 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />234 HISTORIAS DA MEIA NOITE</noinclude>XXVI D. RACHEL A D. LUIZA 17 de abril. Uma grande noticia! Fui hontem pedida a papae, e vou casar. Se soubesse como sou feliz! .. Quizera que estivesse aqui para dar-lhe muitos e muitos beijos. Mas hade vir ao casamento, não? Se não vier, declaro que não caso. Naturalmente adivinha que o retrato que vae dentro desta carta é o do meu noivo. Não é bonito? Que dis- tincção! que intelligencia! que espirito!... A alma, sobretudo, não creio que Deus mandasse a este mundo nenhuma outra que se lhe compare. Creio que eu não merecia tanto. Venha depressa; o casamento hade ser em maio. Dê a notícia a seu marido. Rachel. XXVII D. LUIZA A D. RACHEL Juiz de Fóra, 22 de abril. Que cabeça! disse tudo menos o nome do noivo! Luiza.<noinclude></noinclude> bryjoppzipuvbqvcpe6lkczwquxgbsr Página:Historias da meia noite.djvu/235 106 255890 558837 2026-08-15T00:23:57Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558837 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />PONTO DE VISTA 235</noinclude>XXVIII D. RACHEL A D. LUIZA Corte, 27 de abril Tem razão; sou uma cabeça no ar. Mas a felicidade explica ou desculpa tudo. O meu noivo é o Dr. Alberto. Rachel. XXIX D. LUIZA A D. RACHEL Juiz de Fóra, 1° de maio. ! ! ! Luiza. FIM DO PONTO DE VISTA<noinclude></noinclude> sspfppkpp03kr3zgso8b8c5tp5ehx01 Página:Historias da meia noite.djvu/236 106 255891 558838 2026-08-15T00:24:11Z Sintegrity 35105 /* Sem texto */ 558838 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Sintegrity" /></noinclude><noinclude></noinclude> 6f0q6rhr181jot2bysidz9nom5nkpq2 Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/6 106 255892 558839 2026-08-15T00:28:03Z Sintegrity 35105 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: VIAGENS MARAVILHOSAS AOS MUNDOS CONHECIDOS E DESCONHECGCIDOS Por JULIO VERNE Edição de luxo, em oitavo grande, papel 18 gravuras superior, da edicáo franceza ilustrada com em numero de toda 3:000 Prego em moeda forto dos volumes publicados: Da terra á lua, 4 vol. com grav. 3. edicáo... A roda da lua, L vol. co A 43 O cataclismo cosmico, AA 2.4 parte, Os habitantes 5900 AN 4 Avoltadomundoem80días,A vol com 58 gray,... 558839 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Sintegrity" />{{rvh|Adv|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>VIAGENS MARAVILHOSAS AOS MUNDOS CONHECIDOS E DESCONHECGCIDOS Por JULIO VERNE Edição de luxo, em oitavo grande, papel 18 gravuras superior, da edicáo franceza ilustrada com em numero de toda 3:000 Prego em moeda forto dos volumes publicados: Da terra á lua, 4 vol. com grav. 3. edicáo... A roda da lua, L vol. co A 43 O cataclismo cosmico, AA 2.4 parte, Os habitantes 5900 AN 4 Avoltadomundoem80días,A vol com 58 gray, 2,2 edicño . 1.5000 AVENTURAS DO CAPITAO HATTERAS: 4.2 parte, Os in ylezes no polo norte, A yr 2.1 parte, com Linco vol. A IA ..«w... O deserto de gelo, 435 grav semanas em com 76 grav b : Viagem ao centro da terra, 4 com DB grav....... OS FILHOS DO GRANT: 4.4 parte vol. do ray A Australia Meridional, com 45 3,* parte, vol America grav... 4 A 4 15400 aguas, DOMO com 54 4.5000 1 ILHA MYSTERIOSA: Le, Os naufragos do ar, 4.% par Uhancel vol. com RA | Dl gray GA 3. parte, Osegredodailha, A vol com 0 grav... 2,* parte, MONTAN 4 A 00... 0 eclipse de vol, oras 1860, CATRE com de « 4 vol, terrivel, 3 parte, A .... * Ox, 1 vol. A HEITOR 15000 e...o..no.o.. 15000 comó9 gray. PRA A .r..».... vol. com 42 AE SERVADAC: No prélo: 18100 15000 na China, 4 vol. 1 A vol. 4 com 43 justifi grav... o, e 48000 com 1 vol. com o 5004 Math 1.* parte Ssandorf, 1400 | 18$000 IS) 2.2 vol. ? ARO O segreda gray A escola dos Robinsons, GRANDES parte, vol. 5900 vol, com A bi vol. 000 com VIAJANTES: A descoberta da com 1.2 parte: vol. 57 gr A 4 y $ / 19.4] A &gt; com 99 n vi Os 1.2 «coso. ALO grav......... 14400 l na XIX, 1.9 vol. ( ; 1100 rav... 1400 com 53 3.% parte, Os explora AIX,2.9 y mb O raio e verde, 4 50 vinheta vol KERABAN O . A vol. lo gra m secul 44 gray ... CABECUDO:; pate, De Consta tari, graw com 34 4,2 15100 15100 15000. ropta a Seu grav 5900. 2.* parte,Oregri i vol. com DU grav A Estrella do Sul, Os piratas com 54 do Arch J0, grav... MATHIAS SANDORF, te, O pombe 34 grav.... illustrado .o» A vol. eto, 65 A ei A com numerosas 4.* vol. ES y 4.4 terra, ES A descobertadaterra X VIH, 2.9 vol 15000 4 cidade fluctuante, A vol, com 42 Pa CAN com S errante, 20... 15100 | 2,* parte, «..... ilha errante,A vol. Is indias negras, vol. . da Begun chinez Á rest Bra 2. czar, A vol. com ¿1 et . 18000 Á invasdo, 4 d'um gray 900 Y hb grav. Ano, 1000 1S GRANDES VIAGENSE 0S RO parte O PAIZ DAS PELLES: 4.* parte, 45 i 1 » 15400 AN- E 15100 | 3.* parte,Osexploradoresdoseculo MIGUEL STROGOFF: 4.* O correio do ÑO grav..... 15100 AR $100 | AJANGADA: 1.* parte, l PAN milh chamma com 92 graV................ 464400 | 2.* parte, Os 2,2 parte, O abundonedo, A vol A VIT, 4.9 com es QUINZE AA 2.“ parte, grav.... 18000 ira A il vol O fundo do mar, 4 vol. EA gray com comet d vol. com 55 grav.......... $900 | A CASA A VAPOR, 4.2 parte ir BOO l vol. A Atribulacóes VINTE MIL LEGUAS SUBMA RINAS:4.% parte, O homem das 2.* parte, DE vol. do NOS: 4.% parte, A viagem fatal, 1 vol. com 46 grav...... parte, Na Africa, A vol, com A sx... 1$4100 | 2." Oceano Paci COM AAA com 50 50 grav 1400 | Os quinhentos CAPITAO ul,4 vol, com7 2.1% parte, 1$100 . Aventurasdetres vu glezes, £ vol. com ! 2.2 com £ vol vol. UM HEROE 1 .. PUDO grav. 14100. vol. . par- 15000 com dE grayuras 90 1 l 1 y p (A Ú 1) A N<noinclude></noinclude> an0eulroaqjhgjflmxggiomjdwvg0l6 Página:Contos infantis em verso e prosa.pdf/74 106 255893 558840 2026-08-15T00:32:01Z Sintegrity 35105 /* Revistas e corrigidas */ 558840 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />{{rh|58|{{uc|Contos infantis}}|58}}{{lh}}</noinclude>XXIII '''Mimi ou a cabrinha cinzenta''' N ’uma aldeia solilaria, entre montanhas, vi- via n’um casebre arruinado e tosco uma fami- lia pobre. 0 homem lidava no campo, a mulher acompanhava-o na faina deixando em casa a amammentar o filhinho uma cabra cinzenta, que era o seu descanço e toda a sua fortuna. O menino crescia gordo, nédio, bem tratado; a cabrinha, a bôa cabrinha, que dava pelo nome de Mimi, acariciava-o, tinha para elle todos os desvellos! Passou a primavera, passou o verão, passou o outomno, chegou emfim o inverno. Os campos não davam sustento; veio o tempo da cruel necessidade! Os pobres trabalhadores voltaram para debai- xo das telhas do seu cazebre, por onde entrava o frio gemendo n'uns soluços, que lhes feriam<noinclude></noinclude> l2esc3mtr44a4o8h94tzl2tjrm379ah 558841 558840 2026-08-15T00:32:31Z Sintegrity 35105 558841 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Sintegrity" />{{rh|58|{{uc|Contos infantis}}|58}}{{lh}}</noinclude>XXIII '''Mimi ou a cabrinha cinzenta''' N ’uma aldeia solitaria, entre montanhas, vi- via n’um casebre arruinado e tosco uma fami- lia pobre. 0 homem lidava no campo, a mulher acompanhava-o na faina deixando em casa a amammentar o filhinho uma cabra cinzenta, que era o seu descanço e toda a sua fortuna. O menino crescia gordo, nédio, bem tratado; a cabrinha, a bôa cabrinha, que dava pelo nome de Mimi, acariciava-o, tinha para elle todos os desvellos! Passou a primavera, passou o verão, passou o outomno, chegou emfim o inverno. Os campos não davam sustento; veio o tempo da cruel necessidade! Os pobres trabalhadores voltaram para debai- xo das telhas do seu cazebre, por onde entrava o frio gemendo n'uns soluços, que lhes feriam<noinclude></noinclude> 3vzn3ryyzdzsv9qtrs1rs1qkmw3232m Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/111 106 255894 558842 2026-08-15T00:57:50Z Trooper57 24584 /* Revista */ 558842 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|POSER, POSE}}{{traço}}{{t3|XXI}} Não sei como a Policia me consente ainda andar livremente pelas ruas d’esta cidade!... Estes neologismos têm, contra a minha expectativa, alvorotado o Municipio Neutro, (que n’este assumpto não se mostrou ''neutro'') e até algumas provincias do Imperio, aquellas, d’onde por mais proximas da capital, me hão çhegado noticias. Clero, nobreza, e povo, tudo está em revolução!... A imprensa diaria, e periodica (não se tome por ''preconnicio'' o que estou dizendo) — puzeram-se do meo lado. — Matei o {{lang|fr|''pince-nez''}}, mandando dar-lhe um tiro de bala por um bravo soldado, de nome — ''Nasoculos'': os jornaes têm annunciado este grande feito em caracteres colossaes. — Nos bailes em noute çhuvosa as formosas damas pedem, ao sahir, o ''focale;'' porque o {{lang|fr|''cache-nez''}} morreu de ''morte natural''. Eu tenho estado em maré de inaudita felicidade! Recebi de presente um rico lampeão, e no bilhete, que acompanhava o mimo, liam-se estas palavras: «Este lampeão com o seo ''lucivelo'' offerece-o o<noinclude></noinclude> iws5062l6epbc80gzogpiuw76avk78j Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/112 106 255895 558844 2026-08-15T01:01:14Z Trooper57 24584 /* Revista */ 558844 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />68</noinclude>abaixo assignado ao auctor dos neologismos, etc.» Tive tambem um delicado convite para um ''convescóte'' (o fallecido {{lang|en|''pic-nic''}}) nas Paineiras, e á mesa juncto de cada prato estava impressa em lindo papel a lista das viandas, com o titulo ''Chardapio'' (antigo {{lang|fr|''menu''}}) em lettras douradas. De volta estive em um saráo (a {{lang|fr|''soirée''}} foi-se), em que ouvi quasi todas as moças repetirem alegres o nome ''choribel'' (o velho, e commercial {{lang|fr|''carnet''}}) como para mostrarem que tinham acceitado o neologismo. A orchestra era excellente, e começou tocando uma linda ''Protophonia'' (aquelle insupportavel gallicismo ''ouvertura''). N’esse baile, por observar e admirar tamanha mudança na linguagem, dizia a outro um rapaz, que não era nenhum ''plutenil''; ({{lang|fr|''parvenu''}} d’outros tempos) mas um ''ludambulo'' de bom gosto (os ''britannelhos'' diriam {{lang|en|''tourist''}}): — Elle tem feito neologismos innegavelmente bons; ha porém palavras em francez intraduziveis, por exemplo, {{lang|fr|''poser''}}. — É verdade; accudiu o outro; é verdade; {{lang|fr|''poser''}}, que os francezes empregam, quando querem exprimir que o pintor colloca convenientemente, em posição artistica, a pessoa, que vae ser retratada. A proposito d’essa conversa fiz então o presente neologismo para traduzir o tal — {{lang|fr|''poser''}}. {{nop}}<noinclude></noinclude> fdkmt4gkomu765scara60v6x815mwiz Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/113 106 255896 558845 2026-08-15T01:05:31Z Trooper57 24584 /* Revista */ 558845 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{d|69}}</noinclude>{{lang|fr|''Poser''}} é verbo francez; vem do substantivo {{lang|fr|''pose''}}, que quer dizer ''attitude, postura'', legitimo significado de {{lang|fr|''pose''}}. Ora, tendo os francezes formado do substantivo {{lang|fr|''pose''}} (postura) o verbo {{lang|fr|''poser''}}, façamos nós tambem a mesma cousa: do substantivo ''postura'' creemos um verbo. De ''cura'' formou-se o verbo ''curar''; de ''dura durar;'' de ''escriptura escripturar;'' de ''figura figurar;'' de ''mistura misturar;'' de ''moldura moldurar;'' de procura procurar; de ''tortura torturar;'' porque não se fará de ''postura posturar?'' Seja portanto ''posturar'' traducção de {{lang|fr|''poser''}}, verbo activo transitivo; e tenha como significação ''dar postura, collocar na postura''. {{lang|fr|''Poser''}} não indica simplesmente ''pôr''; mas ''pôr'' em {{lang|fr|''pose''}} (posição artistica); analogamente ''posturar'' não é simplesmente ''pôr'', porém ''pôr em uma posição artistica'' (postura). E creio que os dous mocinhos do baile, quando lerem este artigo, dar-se-hão por satisfeitos; e sinão, que lhes façam muĩto bom proveito o seo {{lang|fr|''poser''}}, e a sua {{lang|fr|''pose''}}.<noinclude>{{traço}}</noinclude> tkxm5e3l9owuvvhqu00gn80uezad761 Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/XXI 0 255897 558846 2026-08-15T01:05:59Z Trooper57 24584 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf" from=111 to=113 header=1 /> 558846 wikitext text/x-wiki <pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf" from=111 to=113 header=1 /> r55wwvi3t5cf2sto5ohhg1z9mo48hvk Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/114 106 255898 558847 2026-08-15T01:10:59Z Trooper57 24584 /* Sem texto */ 558847 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Trooper57" /></noinclude><noinclude></noinclude> 78ffh1ztzf5pdvw08ppv0myz8dt2adu Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/118 106 255899 558848 2026-08-15T01:11:20Z Trooper57 24584 /* Sem texto */ 558848 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Trooper57" /></noinclude><noinclude></noinclude> 78ffh1ztzf5pdvw08ppv0myz8dt2adu Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/119 106 255900 558861 2026-08-15T02:48:13Z Trooper57 24584 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{t2|CHARIVARI}}{{traço}}{{t3|XXIII}} Para tractar do neologismo, que deve substituir a palavra franceza Charivari, não posso deixar de historiar o termo. Designavam outr’ora os francezes pelo nome de Charivari um divertimento, que consistia em reunir-se maior ou menor numero de pessoas juncto á casa de uma velha viuva, quando esta contrahia novas nupcias. Essa reunião era á noute, e os gaiatos munidos de caçarolas, frigideiras, sinos... 558861 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|CHARIVARI}}{{traço}}{{t3|XXIII}} Para tractar do neologismo, que deve substituir a palavra franceza Charivari, não posso deixar de historiar o termo. Designavam outr’ora os francezes pelo nome de Charivari um divertimento, que consistia em reunir-se maior ou menor numero de pessoas juncto á casa de uma velha viuva, quando esta contrahia novas nupcias. Essa reunião era á noute, e os gaiatos munidos de caçarolas, frigideiras, sinos, timbales, e tachos batiam e rebatiam a poncto de ensurdecer, fazendo ao mesmo tempo algazarra descommunal, assuadas, emfim uma matinada insupportavel. Foi a palavra Charivari formada do celtico Chari (jogo, divertimento), e vari (pena, incommodo); porque esse diabolico concerto instrumental e vocal só tinha por fim affligir, e incommodar os noivos. {{nop}}<noinclude></noinclude> gjb3zxpob5ugj8ljsy3migxb6z3ldjn