Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.15 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão Página:Historias da meia noite.djvu/151 106 160039 558866 406898 2026-08-15T12:29:17Z JppBr98 28173 /* Revista */ 558866 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|ernesto de tal}}|151}}</noinclude>felicidade das mãos, sem ao menos merecer a sua estima, porque o senhor despreza-me; sem ao menos saber o que é essa calúmnia para desmentil-a ou desmascaral-a… — É capaz d’isso? perguntou Ernesto com fogo. É capaz de confundir a calúmnia&nbsp;? — Sou, disse ella com um magnifico gesto de dignidade. Ernesto expoz em resumo a conversa que tivera com o rapaz de nariz comprido, e concluiu dizendo que víra uma carta d’ella. Rosina ouviu callada a narração&nbsp;; tinha o peito offegante; sentia-se a commoção que a dominava. Quando elle acabou, soltou uma torrente de lagrymas. — Meu Deus! disse baixinho Ernesto, podem ouvil-a. — Não importa, exclamou a moça; estou disposta a tudo… — Diga-me, pode negar o que lhe acabo de contar&nbsp;? — Tudo, não; alguma cousa é verdade, respondeu ella com voz triste. — Ah&nbsp;! — A promessa de casamento é mentira&nbsp;; não houve mais que duas cartas, duas apenas, e isso… por sua culpa… — Por minha culpa&nbsp;! exclamou Ernesto tão assombrado como se acabasse de ver um dos castiçaes a dansar. {{nop}}<noinclude>{{d|{{small|10}}{{gap}}}} <references/></noinclude> jmcqa4sco0s12v0nfeda4nbjn1e91vk Página:Historias da meia noite.djvu/152 106 160040 558878 406899 2026-08-15T13:13:58Z JppBr98 28173 /* Revista */ 558878 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|152|{{sc|historias da meia noite}}}}</noinclude>— Sim, repetiu ella, por sua culpa. Não se lembra? Tinha-se arrufado uma vez commigo, e eu… foi uma loucura… para metel-o em brios, para vingar-me… que loucura!… correspondi ao namôro d’aquelle individuo sem educação… foi demencia minha, bem vejo… Mas que quer? eu estava despeitada… A alma de Ernesto ficou fortemente abalada com ésta exposição que a moça lhe fazia dos acontecimentos. Era claro para elle que Rosina negaria tudo, se o seu procedimento tivesse alguma intenção má; a carta, diria que era imitação da sua lettra. Mas não; ella confessava tudo com a mais nobre e rude singellesa deste mundo; somente, — e nisto estava a chave da situação, — a moça explicava a que impulsos de despeito cedêra, mostrando assim, se podemos comparar o coração a um pastel, debaixo do envolucro da {{sic|levianvidade|leviandade}} a nata do amor. Decorreram alguns segundos de silêncio, em que a moça tinha os olhos pregados no chão, na mais triste e melancholica attitude que jamais teve uma donzella arrependida. — Mas não viu que esse acto de loucura podia causar a minha morte&nbsp;? disse Ernesto{{corr|..|.}} Rosina estremeceu ouvindo éstas palavras que Ernesto lhe disse com a voz mais doce dos seus antigos dias; levantou os olhos para elle e tornou a pousal-os no chão. {{nop}}<noinclude> <references/></noinclude> 0w2uw157je2plco5d50kxx6p2iwdqtz Página:Historias da meia noite.djvu/153 106 160041 558867 406900 2026-08-15T12:33:05Z JppBr98 28173 /* Revista */ 558867 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|ernesto de tal}}|153}}</noinclude>— Se eu tivesse reflectido nisso, observar ella, não faria nada do que fiz. — Tem rasão, ia dizendo Ernesto, mas levado de um mau espirito de vingança entendeu que a leviandade da moça devia ser punida com alguns minutos mais de dúvida e recriminação. A moça ouviu ainda muitas cousas que lhe disse Ernesto, e a todas respondeu com um ar tão contricto e palavras tão repassadas de amargura, que o nosso namorado sentiu quasi rebentarem-lhe os lagrymas dos olhos. Os de Rosina estavam ja mais tranquillos, e a limpidez começava a tomar o lugar da sombra melancholica. A situação era quasi a mesma de algumas semanas antes; faltava so {{corr|consilida-a|consolidal-a}} com o tempo. Entre tanto, disse Rosina: — Não pense que lhe peço mais do que me cumpre. Meu procedimento alguma punição hade ter, e eu estou perfeitamente resignada. Pedi-lhe que viesse aqui de afim de me explicar o seu silêncio; pela minha parte expliquei-lhe o meu desvario. Não posso ambicionar mais… — Não póde?… — Não. Meu fim era não desmerecer a sua estima. — E porque não o meu amor? perguntou Ernesto. Parece-lhe que o coração possa apagar de repente, e por simples esforço de vontade, a chamma de que viveu longos dias? {{nop}}<noinclude> <references/></noinclude> 7pn26x5rga8n6j6z1cvm5l9908ucguv Página:Historias da meia noite.djvu/154 106 160042 558879 406901 2026-08-15T13:18:25Z JppBr98 28173 /* Revista */ 558879 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|154|{{sc|historias da meia noite}}}}</noinclude>— Oh&nbsp;! isso è impossivel! respondeu a moça; e pela minha parte sei o que vou padecer… — Demais, disse Ernesto, a culpa de tudo fui eu, francamente o confesso. Ambos nós temos que perdoar um a outro; perdoo-lhe a leviandade; perdoa-me o fatal arrufo&nbsp;? Rosina, a menos de ter um coração de bronze, não podia deixar de conceder o perdão que o namorado lhe pedia. Foi reciproca a generosidade. Como na volta do filho prodigo, as duas almas festejaram aquella renascença da felicidade, e amaram-se com mais força que nunca. Tres mezes depois, dia por dia, foi celebrado na egreja de S. Anna, que era então no Campo d’Acclamação, o consorcio dos dous namorados. A noiva estava radiante de ventura; o noivo parecia respirar os ares do paraiso celeste. O tio de Rosina deu um saráu a que compareceram os amigos de Ernesto, excepto o rapaz de nariz comprido. Não quer isto dizer que a amisade dos dous viesse a esfriar. Pelo contrario, o rival de Ernesto revelou certa magnanimidade, apertando ainda mais os laços que o prendiam desde a singular circumstância que os aproximou. Houve mais&nbsp;; dous annos depois do casamento de Ernesto, vemos os dous associados n’um armarinho, reinando entre ambos a mais serena intimidade. O rapaz de nariz comprido é padrinho de um filho de Ernesto. {{nop}}<noinclude> <references/></noinclude> qabvgehsyr9irjkgut62191ravmqxje Página:Historias da meia noite.djvu/155 106 160043 558869 406902 2026-08-15T12:34:59Z JppBr98 28173 /* Revista */ 558869 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|ernesto de tal}}|155}}</noinclude>— Porque não te casas? pergunta Ernesto ás vezes ao seu socio, amigo e compadre. — Nada, meu amigo, responde o outro, eu ja agora morro solteiro. {{dhr|1000%}} {{c|{{sc|fim de ernesto de tal}}}}<noinclude> <references/></noinclude> j3pvwxtd43h7ptq536yjody14qcdrkh Predefinição:Progressos recentes 10 220893 558877 558863 2026-08-15T13:00:10Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 558877 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|0|0|62|0|12|26}} | [[Index:Campos-Traduccaoebreve.pdf|Traducção e breve analyse sobre M. Pasteur e M. 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Melhor do que mereço a Deus, disse a velha enxugando na saia de riscado os cambitos das pernas. {{--}} Falta alguma coisa lá no rancho? {{nop}}<noinclude></noinclude> 7s0dk05yw1hd19yzx1cec6zl0sb3tnr 558908 558907 2026-08-16T02:22:25Z Wuopisht 5109 558908 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude><br><br>{{t2|XXIII}}<br> Era domingo, de tarde, e eu voltava do descaroçador e da serraria, onde tinha estado a arengar com o machinista. Um volante empenado e um dynamo que emperrava. O homem promettera endireitar tudo em dois dias. Contratempo. Montes de madeira, algodão enchendo os paioes. {{--}} Desleixados. Á beira do riacho, topei a velha Margarida sentada numa pedra, lavando as cannelas finas como gravetos. {{--}} Boa tarde, mãe Margarida. {{--}} Louvado seja Nosso Senhor Jesus Christo, respondeu a negra procurando reconhecer-me com o nariz e com a orelha. Descobriu-me entre cheiros e ruidos: {{--}} Ahn! {{--}} Como vai isso, mãe Margarida? 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A culpada era Magdalena, que tinha offerecido á Rosa um vestido de seda. É verdade que o vestido tinha um rasgão. Mas era disparate. {{--}} Deitasse fóra, foi o que eu disse a Magdalena. Se estava estragado, era deitar fóra. Não é pelo prejuizo, é pelo desarranjo que traz a esse povinho um vestido de seda. Magdalena respondeu-me com quatro pedras na mão, e ficámos de venta inchada uma semana. Eu por mim remoi um rancor excessivo. O telhado da serraria era uma nodoa vermelha que as chuvas, aqui e ali, haviam tingido de preto. Na outra margem do riacho a cabeça curvada de Margarida mexia-se lentamente por cima das hastes do capim. E, subindo uma vereda, a figurinha de Marciano collava-se ás rezes. {{nop}}<noinclude></noinclude> 7pg7ah0tpk4xfza0u8knsmppphdz1jz 558881 558880 2026-08-15T13:19:57Z Wuopisht 5109 558881 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>{{--}} Falta nada! Tem tudo, a sinhá manda tudo. Um despotismo de luxo: lençoes, sapatos, tanta roupa! Para que isso? Sapato no meu pé não vai. E não me cubro. Só preciso uma esteira. Uma esteira e o fogo. {{--}} Está direito, mãe Margarida. Passe bem. E sahi, agastado com Magdalena. Avistei na outra banda Marciano, que tangia o gado. {{--}} Espera lá. Atravessei a pinguela e fui ver o ultimo producto Limosino-Caracu. {{--}} Magreirão. Não estava, mas achei que estava. {{--}} Não me responda, entupa-se. A culpada era Magdalena, que tinha offerecido á Rosa um vestido de seda. É verdade que o vestido tinha um rasgão. Mas era disparate. {{--}} Deitasse fóra, foi o que eu disse a Magdalena. Se estava estragado, era deitar fóra. Não é pelo prejuizo, é pelo desarranjo que traz a esse povinho um vestido de seda. Magdalena respondeu-me com quatro pedras na mão, e ficámos de venta inchada uma semana. Eu por mim remoi um rancor excessivo. O telhado da serraria era uma nodoa vermelha que as chuvas, aqui e ali, haviam tingido de preto. Na outra margem do riacho a cabeça curvada de Margarida mexia-se lentamente por cima das hastes do capim. E, subindo uma vereda, a figurinha de Marciano collava-se ás rezes. {{nop}}<noinclude></noinclude> oikv8dis9wddfeqtamhd14u6zo3ufa0 Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/139 106 250004 558882 541218 2026-08-15T13:27:05Z Wuopisht 5109 558882 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>{{--}} Estupida! exclamei com raiva. E pensei no vestido da Rosa, nos sapatos e nos lençoes da velha Margarida. {{--}} Desperdicio. Depois recordei o volante e o dynamo. {{--}} Estupida! Está visto que Magdalena não tinha nada com o descaroçador e a serraria, mas naquelle momento não reflecti nisso: misturei tudo e a minha colera augmentou. Uma colera despropositada. Esqueci os presentes que, ha alguns annos, a Rosa me comeu (pó de arroz, voltas de conta) e as despesas que fiz com Margarida, até automovel ao sertão, até clichés para o jornal do Gondim. O que me pareceu foi que Magdalena estava gastando à toa. {{--}} À toa, percebem? Repeti para convencer-me: {{--}} À toa. Desperdicio. Por cima do capim gordura já não se via a cabecinha branca de Margarida. Num cotovello do caminho o vulto de Marciano tinha desapparecido. Com o descambar do sol, o telhado da serraria estava mais vermelho. Não seria mau despedir o machinista. {{--}} Que gente! Concentrei-me no caso do dynamo, que era o que me havia predisposto a considerar prodigalidades os sapatos, os lençoes e o vestido de seda. Depois tranquillizei-me. Arredar o machinista, sim senhor, boa solução. {{nop}}<noinclude></noinclude> 1oyfc03fggwchxbvxa9h77lcpy5l8f0 Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/140 106 250005 558883 541220 2026-08-15T13:33:51Z Wuopisht 5109 558883 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>Demorei-me um instante vendo um casal de papa-capins namorando escandalosamente. Uma gallinhagem desgraçada. Dentro de alguns dias aquillo se descasava, cada qual tomava seu rumo, sem dar explicações a ninguem. Que sorte! E dirigi-me a casa. No alpendre Magdalena, Padilha, d. Gloria e seu Ribeiro conversavam. Com a minha chegada calaram-se. Puxei uma cadeira e sentei-me longe delles. Era possivel que a palestra não me interessasse, mas suspeitei que estivessem falando mal de mim. Provavelmente. D. Gloria sempre com segredinhos ao ouvido de seu Ribeiro. E Magdalena escutando o Padilha. O Padilha, que tinha uma alma baixa, na opinião della. Para o inferno. Tão bom era um como o outro. Entretidos, animados. Conspiração. Talvez não fosse nada. Mas para quem, como eu, andava com a pulga atraz da orelha! Aborrecia. Estavam constrangidos, certamente adivinhando o que eu pensava. Padilha mastigava com os dentes estragados o sorriso servil. Levantei-me, encostei-me à balaustrada e comecei a encher o cachimbo, voltando-me para fóra, que no interior da minha casa tudo era desagradavel. No fim do pateo um moleque passou, com um bodoque na mão. Estava ali para que servia a escola. Vadiando, matando passarinhos, num dia de<noinclude></noinclude> r10k18gz6lxzeha7o4r16zcklb8r3m3 Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/141 106 250006 558885 541222 2026-08-15T13:41:59Z Wuopisht 5109 558885 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>descanço, bom para soletrar a cartilha e riscar papel. Seis contos de taboas, mappas, quadros e outros enfeites de parede. Seis contos! Carrancudo, olhei de esguelha para Magdalena, que ficou socegada, como se aquillo não tivesse sido feito por ella. Accendi o cachimbo, furiosamente, e procurei distrahir-me. O rancho de Margarida escondia-se entre as folhas das bananeiras. Marciano sahiu do estabulo e veio vindo, banzeiro, derreando-se; diante da casa grande tirou o chapeo e escondeu o cigarro. A pedreira, lá em cima, estava quasi invisivel depois que o caminho para ella se tinha fechado. A prefeitura não queria mais comprar pedras, as construcções na fazenda estavam terminadas. E mestre Caetano, gemendo no catre, recebia todas as semanas um dinheirão de Magdalena. Sim senhor, uma panqueca. Visitas, remedios de pharmacia, gallinhas. {{--}} Não ha nada como ser entrevado. Necessitava, é claro, mas se eu fosse sustentar os necessitados, arrasava-me. Alem de tudo vestido de seda para a Rosa, sapatos e lençoes para Margarida. Sem me consultar. Já viram descaramento assim? Um abuso, um roubo, positivamente um roubo. Voltei a sentar-me. Magdalena entrou a falar com o Padilha, mas não percebi o que diziam. O<noinclude></noinclude> e7g3t1tqdnp5j6qr7ydjj2qwaslh8rq Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/142 106 250007 558886 541223 2026-08-15T13:49:59Z Wuopisht 5109 558886 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>constrangimento foi desapparecendo. Padilha tinha os olhos baixos. Porque era que eu não punha o Padilha fóra de casa, aquelle parasita que me levava cento e cineoenta mil reis por mez com a tapeação da escola e estava fuchicando, visivelmente fuchicando? Virei o rosto e descancei a vista no pateo, muito alvo, coberto de pedra miuda e areia. Andavam. ali áquella hora pombos como os diabos, voando baixo, passeando, emproados, belliscando o chão. Contei uns cincoenta. Perdi a conta, recomecei sem resultado. Eram bem duzentos. Recordei o tempo em que aquillo só tinha mussambês e lama. O riacho, um pouco de agua turva num sulco estreito e tortuoso, derramava-se pela varzea, empapando o solo. E as cercas do Mendonça avançando. Que differença! Senti desejo de levantar-me e exclamar: {{--}} Vejam isto. Estão dormindo! Accordem. As casas, a igreja, a estrada, o açude, as pastagens, tudo é novo. O algodoal tem quasi uma legua de comprimento e meia de largura. E a mata é uma riqueza. Cada pé de amarello! cada cedro! Olhem. o descaroçador, a serraria. Pensam que isto nasceu assim sem mais nem menos? Padilha continuava tagarelando eom Magdalena. Ergui os hombros: {{--}} Para o inferno, para a casa da peste! {{nop}}<noinclude></noinclude> swcqlwacda53ygxha8y9scyf7w2yliq 558887 558886 2026-08-15T13:51:46Z Wuopisht 5109 558887 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>constrangimento foi desapparecendo. Padilha tinha os olhos baixos. Porque era que eu não punha o Padilha fóra de casa, aquelle parasita que me levava cento e cincoenta mil reis por mez com a tapeação da escola e estava fuchicando, visivelmente fuchicando? Virei o rosto e descancei a vista no pateo, muito alvo, coberto de pedra miuda e areia. Andavam. ali áquella hora pombos como os diabos, voando baixo, passeando, emproados, belliscando o chão. Contei uns cincoenta. Perdi a conta, recomecei sem resultado. Eram bem duzentos. Recordei o tempo em que aquillo só tinha mussambês e lama. O riacho, um pouco de agua turva num sulco estreito e tortuoso, derramava-se pela varzea, empapando o solo. E as cercas do Mendonça avançando. Que differença! Senti desejo de levantar-me e exclamar: {{--}} Vejam isto. Estão dormindo! Accordem. As casas, a igreja, a estrada, o açude, as pastagens, tudo é novo. O algodoal tem quasi uma legua de comprimento e meia de largura. E a mata é uma riqueza. Cada pé de amarello! cada cedro! Olhem. o descaroçador, a serraria. Pensam que isto nasceu assim sem mais nem menos? Padilha continuava tagarelando eom Magdalena. Ergui os hombros: {{--}} Para o inferno, para a casa da peste! {{nop}}<noinclude></noinclude> sqfckshtkn76wfm5omlozngjgm269ba 558888 558887 2026-08-15T13:54:53Z Wuopisht 5109 558888 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>constrangimento foi desapparecendo. Padilha tinha os olhos baixos. Porque era que eu não punha o Padilha fóra de casa, aquelle parasita que me levava cento e cincoenta mil reis por mez com a tapeação da escola e estava fuchicando, visivelmente fuchicando? Virei o rosto e descancei a vista no pateo, muito alvo, coberto de pedra miuda e areia. Andavam. ali áquella hora pombos como os diabos, voando baixo, passeando, emproados, belliscando o chão. Contei uns cincoenta. Perdi a conta, recomecei sem resultado. Eram bem duzentos. Recordei o tempo em que aquillo só tinha mussambês e lama. O riacho, um pouco de agua turva num sulco estreito e tortuoso, derramava-se pela varzea, empapando o solo. E as cercas do Mendonça avançando. Que differença! Senti desejo de levantar-me e exclamar: {{--}} Vejam isto. Estão dormindo! Accordem. As casas, a igreja, a estrada, o açude, as pastagens, tudo é novo. O algodoal tem quasi uma legua de comprimento e meia de largura. E a mata é uma riqueza. Cada pé de amarello! cada cedro! Olhem o descaroçador, a serraria. Pensam que isto nasceu assim sem mais nem menos? Padilha continuava tagarelando com Magdalena. Ergui os hombros: {{--}} Para o inferno, para a casa da peste! {{nop}}<noinclude></noinclude> fw42xj5hja7wdjelmgvzi2iji288lsu Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/143 106 250008 558889 541226 2026-08-15T13:59:32Z Wuopisht 5109 558889 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>Seu Ribeiro approvava com gravidade as tolices de d. Gloria. Casimiro Lopes veio sentar-se num degrau da calçada. Picando fumo com a faca de ponta e preparando o cigarro de palha, deitava os olhos de cão ao prado, ao açude, á igreja, ás plantações. Pobre do Casimiro Lopes. Ia-me esquecendo delle. Calado, fiel, pau para toda a obra, era a unica pessoa que me comprehendia. Mandou-me um sorriso triste. Estirei o beiço, dizendo em silencio: {{--}} Isto vai ruim, Casimiro. Casimiro Lopes arregaçou as ventas numa careta desgostosa. Os outros continuavam a zumbir. Sebo! Uns insectos. Não valia a pena prestar attenção a semelhantes insignificancias. Gente besta. Ergui-me, bocejando. O que eu estava era cançado. O dia inteiro no campo, inquirindo, esmiuçando. Senti as pernas bambas. Cançado. A noite chegava. Um pretume no interior da casa. Lembrei-me do dynamo encrencado. Mais esta. Deixei o alpendre e entrei: {{--}} Maria das Dores, accenda os candieiros.. O pequeno berrava como bezerro desmammado. Não me contive: voltei e gritei para d. Gloria e Magdalena: {{--}} Vão ver aquelle infeliz. Isso tem geito? Ahi na prosa, e pode o mundo vir abaixo. A criança esguelando-se! Magdalena tinha tido menino.<noinclude></noinclude> p9tql0oxlmo330v1n06f7ylk577ogkz 558891 558889 2026-08-15T14:02:07Z Wuopisht 5109 558891 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>Seu Ribeiro approvava com gravidade as tolices de d. Gloria. Casimiro Lopes veio sentar-se num degrau da calçada. Picando fumo com a faca de ponta e preparando o cigarro de palha, deitava os olhos de cão ao prado, ao açude, á igreja, ás plantações. Pobre do Casimiro Lopes. Ia-me esquecendo delle. Calado, fiel, pau para toda a obra, era a unica pessoa que me comprehendia. Mandou-me um sorriso triste. Estirei o beiço, dizendo em silencio: {{--}} Isto vai ruim, Casimiro. Casimiro Lopes arregaçou as ventas numa careta desgostosa. Os outros continuavam a zumbir. Sebo! Uns insectos. Não valia a pena prestar attenção a semelhantes insignificancias. Gente besta. Ergui-me, bocejando. O que eu estava era cançado. O dia inteiro no campo, inquirindo, esmiuçando. Senti as pernas bambas. Cançado. A noite chegava. Um pretume no interior da casa. Lembrei-me do dynamo encrencado. Mais esta. Deixei o alpendre e entrei: {{--}} Maria das Dores, accenda os candieiros. O pequeno berrava como bezerro desmammado. Não me contive: voltei e gritei para d. Gloria e Magdalena: {{--}} Vão ver aquelle infeliz. Isso tem geito? Ahi na prosa, e pode o mundo vir abaixo. A criança esguelando-se! Magdalena tinha tido menino.<noinclude></noinclude> 5v0sfy5helmt0y25axx0r98tntebqqc Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/144 106 250009 558905 541227 2026-08-16T02:19:44Z Wuopisht 5109 558905 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>Fazia dois annos que eu estava casado, e por isso João Nogueira, padre Silvestre e Azevedo Gondim jantavam comnosco. Ora exactamente nesse dia reprehendi Padilha e elle me gaguejou umas desculpas a que não liguei importancia, mas que depois de algumas horas cresceram muito. {{--}} Oh Padilha, chegue cá, disse-lhe de manhã no jardim, onde elle colhia flores. Ninguem aqui está preso. Se o serviço lhe desagrada, é arribar. {{--}} Porque, seu Paulo? exclamou Luiz Padilha atordoado. {{--}} Ora porque! Apanhando flores, homem! Olhe o relogio. {{--}} Foi a d. Magdalena que mandou tirar umas rosas. {{--}} Você é jardineiro? A d. Magdalena não dá ordens. Você me anda gastando o tempo com falatorios! {{--}} Isso não é commigo, defendeu-se Padilha. Queixe-se della. A moça me pediu umas flores<noinclude></noinclude> 0liv64drjpf9bchqld9d62fubgy7ehs 558906 558905 2026-08-16T02:21:25Z Wuopisht 5109 558906 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude><br><br>{{t2|XXIV}}<br> Fazia dois annos que eu estava casado, e por isso João Nogueira, padre Silvestre e Azevedo Gondim jantavam comnosco. Ora exactamente nesse dia reprehendi Padilha e elle me gaguejou umas desculpas a que não liguei importancia, mas que depois de algumas horas cresceram muito. {{--}} Oh Padilha, chegue cá, disse-lhe de manhã no jardim, onde elle colhia flores. Ninguem aqui está preso. Se o serviço lhe desagrada, é arribar. {{--}} Porque, seu Paulo? exclamou Luiz Padilha atordoado. {{--}} Ora porque! Apanhando flores, homem! Olhe o relogio. {{--}} Foi a d. Magdalena que mandou tirar umas rosas. {{--}} Você é jardineiro? A d. Magdalena não dá ordens. Você me anda gastando o tempo com falatorios! {{--}} Isso não é commigo, defendeu-se Padilha. Queixe-se della. A moça me pediu umas flores<noinclude></noinclude> 3cdmugvwe21wdhz0ezstifhjd4qspsa Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/145 106 250010 558909 541228 2026-08-16T02:34:24Z Wuopisht 5109 558909 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>para enfeitar a mesa, á tarde. Que é que eu havia de fazer? Havia de negar? E quanto ás conversas, seu Paulo comprehende. Uma senhora instruida metter-se nestas bibocas! Precisa uma pessoa com quem possa entreter de vez em quando palestras amenas e variadas. Achei graça. E não prestei mais attenção a Padilha, que, espetando os dedos nos espinhos, devastou uma roseira, á pressa, e escapuliu-se. Palestras amenas! Mais tarde, no escriptorio, uma idéa indeterminada saltou-me na cabeça, esteve por lá um instante quebrando louça e deu o fóra. Quando tentei agarral-a, ia longe. Interrompi a leitura da carta que tinha diante de mim e, sem saber porque, olhei Magdalena desconfiado. Estava de pé, encostada á carteira, mexia distrahida {{SIC|as folhas do razão|Antes da informatização da contabilidade, o razão era um livro físico, grosso, onde cada conta tinha a sua folha (ou página). Daí a expressão: Folha do razão: a página onde se registam os movimentos de uma determinada conta. E tambem: As folhas do razão: o conjunto dessas páginas.}} e contemplava pela janella os paus d'arco, distantes. Machinalmente, assignei o papel; Magdalena extendeu-me outro, machinalmente. Nisto a idéa voltou. Movia-se, porém, com tanta rapidez que não me foi possivel distinguil-a. Estremeci, e pareceu-me que a cara de Magdalena estava mudada. Mas a impressão durou pouco. Embrenhei-me no trabalho e, á tarde, quando os amigos desceram do automovel, sentia-me perfeitamente tranquillo. {{--}} Ora sejam bem apparecidos. Como não eram de cerimonia, levei-os para o<noinclude></noinclude> rrjkggmrj4cccnij35zrpm7x4e8ow43 558910 558909 2026-08-16T03:51:42Z Wuopisht 5109 558910 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>para enfeitar a mesa, á tarde. Que é que eu havia de fazer? Havia de negar? E quanto ás conversas, seu Paulo comprehende. Uma senhora instruida metter-se nestas bibocas! Precisa uma pessoa com quem possa entreter de vez em quando palestras amenas e variadas. Achei graça. E não prestei mais attenção a Padilha, que, espetando os dedos nos espinhos, devastou uma roseira, á pressa, e escapuliu-se. Palestras amenas! Mais tarde, no escriptorio, uma idéa indeterminada saltou-me na cabeça, esteve por lá um instante quebrando louça e deu o fóra. Quando tentei agarral-a, ia longe. Interrompi a leitura da carta que tinha diante de mim e, sem saber porque, olhei Magdalena desconfiado. Estava de pé, encostada á carteira, mexia distrahida {{SIC|as folhas do razão|Antes da informatização da contabilidade, o razão era um livro físico, grosso, onde cada conta tinha a sua folha (ou página). Daí a expressão: Folha do razão: a página onde se registam os movimentos de uma determinada conta. E tambem: As folhas do razão: o conjunto dessas páginas.}} e contemplava pela janella os paus d'arco, distantes. Machinalmente, assignei o papel; Magdalena {{SIC|extendeu|estendeu}}-me outro, machinalmente. Nisto a idéa voltou. Movia-se, porém, com tanta rapidez que não me foi possivel distinguil-a. Estremeci, e pareceu-me que a cara de Magdalena estava mudada. Mas a impressão durou pouco. Embrenhei-me no trabalho e, á tarde, quando os amigos desceram do automovel, sentia-me perfeitamente tranquillo. {{--}} Ora sejam bem apparecidos. Como não eram de cerimonia, levei-os para o<noinclude></noinclude> hq5xn3eqz7c994ydq65auaxut6ws6ul Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/146 106 250011 558911 541229 2026-08-16T04:00:26Z Wuopisht 5109 558911 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>interior, fui matar a sede do Gondim, que, quando chega a S. Bernardo, exige cognac. Durante o jantar, estiveram todos muito animados. E até eu, que ignoro os assumptos que elles debatiam, entrei na dança. Para começar, Azevedo Gondim, a quem o cognac tinha tirado as peias da lingua, elogiou a vida campestre: {{--}} Isto é que é! Vejam se na cidade, ciscando no fundo dos quintaes, se criava um peru deste tamanho. Que bicho fornido! Benza-o Deus. D. Gloria deu um muchocho e desviou a vista do centro da mesa, onde, acocorado na travessa, um peru recebia aquelles louvores despropositados. Padre Silvestre acompanhou o movimento de d. Gloria e deu com os olhos nos canteiros do jardim e nas alamedas do pomar. {{--}} Realmente deve ser uma delicia viver neste paraiso. Que belleza! {{--}} Para quem vem de fóra, atalhei. Aqui a gente se acostuma. Afinal não cultivo isto como enfeite. É para vender. {{--}} As flores tambem? perguntou Azevedo Gondim. {{--}} Tudo. Flores, hortaliça, fructa... {{--}} Está ahi! exclamou padre Silvestre balançando a cabecinha grisalha e enrugando a testa estreita. O que é ter senso! Se todos os brasileiros pensassem assim, não estariamos presenciando tanta miseria. {{nop}}<noinclude></noinclude> 9sc2d4m6ljs0kotnlgadg7u6nj595cz Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/147 106 250012 558912 541230 2026-08-16T06:26:23Z Wuopisht 5109 558912 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>{{--}} Politica, padre Silvestre? fez João Nogueira sorrindo. Padre Silvestre arregalou os olhinhos baços: {{--}} Porque não? O senhor ha de confessar que estamos á beira dum abysmo. Padre Silvestre é desorientado. Com uma freguezia trabalhosa, anda no mundo da lua. Damnadamente liberal. Padilha metteu o bedelho na conversa: {{--}} Apoiado. {{--}} Um abysmo, repetiu padre Silvestre. {{--}} Que abysmo? perguntou Azevedo Gondim. O reverendo estudou uma resposta energica: {{--}} Isso que se vê. É a fallencia do regimen. Deshonestidades, patifarias. {{--}} Quaes são os patifes? inquiriu João Nogueira. Padre Silvestre estirou o beiço inferior e amoitou-se. As opiniões delle são as opiniões dos jornaes. Como, porém, essas opiniões variam, padre Silvestre, impossibilitado de admittir coisas contradictorias, lê apenas as folhas da opposição. Acredita nellas. Mas experimenta ás vezes duvidas. Ellas juram que os homens do governo são malandros, e elle conhece alguns respeitaveis. Isso prejudica as convicções que a letra impressa lhe dá. Necessitando accommodar as suas observações com as affirmações alheias, acha que os politicos, individualmente, são criaturas como as outras, mas em conjuncto são uns malfeitores. {{nop}}<noinclude></noinclude> c560erlh7dvwxk0abm8z6vfbs3b1mlh Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/148 106 250013 558924 541232 2026-08-16T10:07:02Z Wuopisht 5109 558924 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Cacaup" /></noinclude>{{--}} Ora essa! Não me compete denunciar ninguem. Os factos são os factos. Observe. {{--}} É bom apontar, insistiu João Nogueira. {{--}} Para que? A facção dominante está cahindo de podre. O paiz naufraga, seu doutor. É o que lhe digo: o paiz naufraga. Passei-lhe uma garrafa e informei-me: {{--}} Que foi que lhe aconteceu para o senhor ter essas idéas? Desgostos? Cá no meu fraco entender, a gente só fala assim quando a receita não cobre a despesa. Supponho que os seus negocios vão bem. {{--}} Não se trata de mim. São as finanças do Estado que vão mal. As finanças e o resto. Mas não se illudam. Ha de haver uma revolução! {{--}} Era o que faltava. Escangalhava-se esta gangorra. {{--}} Porque? perguntou Magdalena. {{--}} Você tambem é revolucionaria? exclamei com mau modo. {{--}} Estou apenas perguntando porque. {{--}} Ora porque! Porque o credito se sumia, o cambio baixava, a mercadoria extrangeira ficava pela hora da morte. Sem falar na atrapalhação politica. {{--}} Seria magnifico, interrompeu Magdalena. Depois se endireitava tudo. {{--}} Com certeza, apoiou Luiz Padilha. {{--}} Vocês sabem o que estão dizendo? {{--}} O que admira é padre Silvestre desejar a<noinclude></noinclude> nvelmapudjy7rqg7a4xgqrcjg40i31f Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/6 106 255892 558864 558839 2026-08-15T12:24:18Z Erick Soares3 19404 558864 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Sintegrity" /></noinclude>VIAGENS MARAVILHOSAS AOS MUNDOS CONHECIDOS E DESCONHECGCIDOS Por JULIO VERNE Edição de luxo, em oitavo grande, papel 18 gravuras superior, da edicáo franceza ilustrada com em numero de toda 3:000 Prego em moeda forto dos volumes publicados: Da terra á lua, 4 vol. com grav. 3. edicáo... A roda da lua, L vol. co A 43 O cataclismo cosmico, AA 2.4 parte, Os habitantes 5900 AN 4 Avoltadomundoem80días,A vol com 58 gray, 2,2 edicño . 1.5000 AVENTURAS DO CAPITAO HATTERAS: 4.2 parte, Os in ylezes no polo norte, A yr 2.1 parte, com Linco vol. A IA ..«w... O deserto de gelo, 435 grav semanas em com 76 grav b : Viagem ao centro da terra, 4 com DB grav....... OS FILHOS DO GRANT: 4.4 parte vol. do ray A Australia Meridional, com 45 3,* parte, vol America grav... 4 A 4 15400 aguas, DOMO com 54 4.5000 1 ILHA MYSTERIOSA: Le, Os naufragos do ar, 4.% par Uhancel vol. com RA | Dl gray GA 3. parte, Osegredodailha, A vol com 0 grav... 2,* parte, MONTAN 4 A 00... 0 eclipse de vol, oras 1860, CATRE com de « 4 vol, terrivel, 3 parte, A .... * Ox, 1 vol. A HEITOR 15000 e...o..no.o.. 15000 comó9 gray. PRA A .r..».... vol. com 42 AE SERVADAC: No prélo: 18100 15000 na China, 4 vol. 1 A vol. 4 com 43 justifi grav... o, e 48000 com 1 vol. com o 5004 Math 1.* parte Ssandorf, 1400 | 18$000 IS) 2.2 vol. ? ARO O segreda gray A escola dos Robinsons, GRANDES parte, vol. 5900 vol, com A bi vol. 000 com VIAJANTES: A descoberta da com 1.2 parte: vol. 57 gr A 4 y $ / 19.4] A &gt; com 99 n vi Os 1.2 «coso. ALO grav......... 14400 l na XIX, 1.9 vol. ( ; 1100 rav... 1400 com 53 3.% parte, Os explora AIX,2.9 y mb O raio e verde, 4 50 vinheta vol KERABAN O . A vol. lo gra m secul 44 gray ... CABECUDO:; pate, De Consta tari, graw com 34 4,2 15100 15100 15000. ropta a Seu grav 5900. 2.* parte,Oregri i vol. com DU grav A Estrella do Sul, Os piratas com 54 do Arch J0, grav... MATHIAS SANDORF, te, O pombe 34 grav.... illustrado .o» A vol. eto, 65 A ei A com numerosas 4.* vol. ES y 4.4 terra, ES A descobertadaterra X VIH, 2.9 vol 15000 4 cidade fluctuante, A vol, com 42 Pa CAN com S errante, 20... 15100 | 2,* parte, «..... ilha errante,A vol. Is indias negras, vol. . da Begun chinez Á rest Bra 2. czar, A vol. com ¿1 et . 18000 Á invasdo, 4 d'um gray 900 Y hb grav. Ano, 1000 1S GRANDES VIAGENSE 0S RO parte O PAIZ DAS PELLES: 4.* parte, 45 i 1 » 15400 AN- E 15100 | 3.* parte,Osexploradoresdoseculo MIGUEL STROGOFF: 4.* O correio do ÑO grav..... 15100 AR $100 | AJANGADA: 1.* parte, l PAN milh chamma com 92 graV................ 464400 | 2.* parte, Os 2,2 parte, O abundonedo, A vol A VIT, 4.9 com es QUINZE AA 2.“ parte, grav.... 18000 ira A il vol O fundo do mar, 4 vol. EA gray com comet d vol. com 55 grav.......... $900 | A CASA A VAPOR, 4.2 parte ir BOO l vol. A Atribulacóes VINTE MIL LEGUAS SUBMA RINAS:4.% parte, O homem das 2.* parte, DE vol. do NOS: 4.% parte, A viagem fatal, 1 vol. com 46 grav...... parte, Na Africa, A vol, com A sx... 1$4100 | 2." Oceano Paci COM AAA com 50 50 grav 1400 | Os quinhentos CAPITAO ul,4 vol, com7 2.1% parte, 1$100 . Aventurasdetres vu glezes, £ vol. com ! 2.2 com £ vol vol. UM HEROE 1 .. PUDO grav. 14100. vol. . par- 15000 com dE grayuras 90 1 l 1 y p (A Ú 1) A N<noinclude></noinclude> 1clt1n9k2fxrxg6uwc7i4wuaj6u90w6 Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/143 106 255901 558865 2026-08-15T12:27:29Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558865 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|{{sc|uma noite de cento e cincoenta e quatro horas e meia}}|CAPITULO XIV}} {{dhr|3}} No mesmo momento em que se realisava tāo subitaneo aquelle phenomeno, rasava o projectil o pólo norte da Lua a menos de cincocnta kilometros de distancia. Tinham-lhe bastado alguns segundos para ficar immerso nas trévas absolutas do espaço. A transiçāo tinha-se realisado tāo rapida, tāo sem matizes, sem gradaçōes de luz, sem attenuaçāo das ondulaçōes luminosas, que o astro parecia ter-se apagado pela influencia de algam sopro enorme. — Derreteu-se, desappareceu, a Lna! exclamára Miguel Ardan estupefacto. E na verdade, nem um reflexo, nem uma sombra sequer. Dʼaquelle disco ainda ha pouco deslumbrante nada restava já, nada apparecia. A obscuridade era completa e mais profunda ainda pelo contraste da irradiaçāo das estrellas. Era «aquella tréva» de que se impregnam as noites lunares que duram trezentas e cincoenta e quatro horas em cada ponto do disco, comprida noite que é resultado dos movimentos de translaçāo e de<noinclude></noinclude> 9gndbag4madz83yfrhl9ng1fr1uwxsw Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/144 106 255902 558868 2026-08-15T12:33:32Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558868 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|136|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>rotaçāo da Lua, um sobre si proprio, outro em volta da Terra. O projectil immerso no cone de sombra do satellite estava fóra da acçāo dos raios solares, como se fôra um dos pontos da parte invisivel. Por consequencia, no interior da bala reinava completa obscuridade. Ninguem via os companheiros. Havia portanto necessidade de dissipar aquellas trévas, e por muito desejoso que Barbicane estivesse de poupar o gaz, cuja reserva era tāo minguada, teve que tirar dʼelle a luz artificial, a illuminaçāo dispendiosa que o Sol entāo lhe recusava. Diabo leve o astro radiante! exclamou Miguel Ardan, que nos vae obrigar a despezas de gaz, em vez de nos fornecer gratuitamente os seus raios. — É culpa do Sol! teimava Miguel. — Da Lua! replicava Nicholl. Disputa ociosa a que poz termo Barbicane, dizendo: — Amigos meus, a culpa nem é do Sol nem da Lua. A culpa é do projectil, que em vez de seguir rigorosamente a trajectoria calculada, se afastou dʼella tāo inopportunamente. Ou, se ainda quizermos ser mais justos, a culpa é dʼesse malaventarado bolido que tāo deploravelmente nos fez desviar da nossa direcçāo primitiva. — Bem! respondeu Miguel Ardan, visto estar a questāo terminada, vamos almoçar. Depois de uma noite inteira de observaçōes, sempre é bom refazer-se a gente um pouco. A proposiçāo nāo encontrou contradictores. Em poucos minutos tinha Miguel preparado o almoço. Todos comeram porém por pura necessidade de comer; bebeu-se, mas nem houve saudes nem hurrahs. Sentiam os ousados viajantes, arrastados por aquelles espaços obscuros, sem o habitual cortejo de raios luminosos, como que uma vaga anciedade que lhes opprimia o coraçāo. Encerrava-os por todos os lados a «horrenda treva», tāo cara á penna de Victor Hugo. {{nop}}<noinclude></noinclude> 7k1yo88xxj4arqk109o03g76eecqmbu Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/145 106 255903 558870 2026-08-15T12:37:28Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558870 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|137|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>Sem embargo, serviu-lhes de assumpto de conversa aquella mesma noite sem fim de trezentas e cincoenta e quatro horas, eu perto de quinze dias, que as leis da natureza impozeram aos habitantes da Lua. Barbicane deu aos amigos algumas explicações acerea das causas e das consequencias dʼaquelle curioso phenomeno. — Curioso é de certo, disse, porque se cada hemispherio da Lua está privado de luz solar por espaço de quinze dias, aquelle por cima do qual vogámos agora, nem mesmo gosa, durante a sua longa noite, da vista da terra esplendidamente illuminada. Numa palavra, nāo ha Lua, — applicando agora esta qualificaçāo ao nosso espheroide, — senāo para uma das faces do disco. Imaginem qual seria o espanto de um europeu que chegasse á Australia, se assim succedesse para a Terra, e se, por exemplo, da Europa nunca se visse a Lua e esta só fosse visivel dos antipodas? — Valeria a pena fazer a viagem só para ver a Lua! respondeu Miguel. — Pois bem, proseguiu Barbicane, está este espanto reservado para os selenitas que habitam a face da Lua opposta á Terra, face para todo o sempre invisivel para os nossos compatriotas do globo terrestre. — E que nós veriamos, acrescentou Nicholl, se cá tivessemos chegado na época do novilunio, quer dizer, quinze dias mais tarde. — Em compensaçāo, acrescentarei, acudiu Barbicane, que of habitante da face visivel é singularmente favorecido pela natureza em prejuizo de seus irmāos da face invisível. Este ultimo, como acabaes de ver, tem noites de trezentas e cincoenta e quatro horas, e tāo profundas que nenhum raio luminoso lhes corta a obscuridade. O outro, pelo contrario, quando se esconde no horisonte o Sol que o alumiou durante quinze dias, vê nascer no horisonte opposto um astro esplendido. É a Terra, treze vezes maior que a pequena Laa que nós conhecemos; a Terra, que se estende por um diametro de dois graus, e que sobre elle entorna uma<noinclude></noinclude> 1tybowpd7rgg43u1ef01mljy7tmd6sj Página:Campos-Traduccaoebreve.pdf/15 106 255904 558871 2026-08-15T12:42:21Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558871 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|15<br>{{rule|4em}}}}</noinclude>forme a opinião de M. Pasteur, no genero de estudos de M. Littré. Nós reproduzimos essa these um tanto paradoxal, segundo a qual os trabalhos de historia, e de erudição teriam uma tendencia a encerrar o espirito na especialisação dos factos contingentes, ao passo que os estudos scientificos, e experimentaes elevam a intelligencia acima do mundo creado. {{fine|«Os trabalhos de M. Littré versaram sobre investigações de historia, de linguistica, de erudição scientifica e litteraria. A materia de taes estudos cifra-se toda em factos pertencentes ao passado, aos quaes nada se póde acrescentar, nem diminuir. É sufficiente o methodo de observação que o mais das vezes não poderá dar demonstrações rigorosas. O essencial, pelo contrario, da experiencia, é não admittir outras.}} {{fine|«O experimentador, homem de conquistas sobre a natureza, acha-se de contínuo a braços com factos, que ainda se não manifestaram, e que, pela maior parte, não existem, senão na possibilidade de se tornarem em leis naturaes. O desconhecido no possivel, e não no que tem sido ou foi, eis seu dominio, e, para exploral-o, tem o auxilio dʼaquelle maravilhoso methodo experimental, de que se póde dizer com verdade, não que elle baste para tudo, mas que engana raras vezes, e só engana aquelles que dʼelle se servem mal. Elimina certos factos, provoca outros, interrega a natureza, força-a a responder, e não pára, senão quando o espirito está plenamente satisfeito. O attractivo dos nossos estudos, o encanto da sciencia, se assim se póde dizer, consiste em que, por toda a parte, e sempre, podemos dar a justificação dos nossos principios, e a prova dos nossos descobrimentos.}} {{fine|«O erro de M. Auguste Comte e de M. Littré é confundir esse methodo com o methodo restricto de observação. Estranhos ambos á experimentação, dão á palavra experiencia a accepção em que se toma na conversação commum, e que de fórma alguma tem o mesmo. sentido que na linguagem scientifica. No primeiro caso, a experiencia não é senão a simples observação das cousas, e a inducção que conclue, mais ou menos legitimamente, do que foi para o que poderia ser. O verdadeiro methodo experimental vae atéiá prova sem replica.}} {{fine|«As condições e o resultado quotidiano do trabalho do homem de sciencia, habituam, alem dʼisto, o seu espirito a não attribuir uma idéa de progresso, senão a uma idéa de invenção. Para julgar<noinclude>}}</noinclude> shh6r9i1bfkhli9xowcx1wxrpksguzq 558874 558871 2026-08-15T12:48:00Z Erick Soares3 19404 558874 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|15<br>{{rule|4em}}}}</noinclude>forme a opinião de M. Pasteur, no genero de estudos de M. Littré. Nós reproduzimos essa these um tanto paradoxal, segundo a qual os trabalhos de historia, e de erudição teriam uma tendencia a encerrar o espirito na especialisação dos factos contingentes, ao passo que os estudos scientificos, e experimentaes elevam a intelligencia acima do mundo creado. {{fine|«Os trabalhos de M. Littré versaram sobre investigações de historia, de linguistica, de erudição scientifica e litteraria. A materia de taes estudos cifra-se toda em factos pertencentes ao passado, aos quaes nada se póde acrescentar, nem diminuir. É sufficiente o methodo de observação que o mais das vezes não poderá dar demonstrações rigorosas. O essencial, pelo contrario, da experiencia, é não admittir outras.}} {{fine|«O experimentador, homem de conquistas sobre a natureza, acha-se de contínuo a braços com factos, que ainda se não manifestaram, e que, pela maior parte, não existem, senão na possibilidade de se tornarem em leis naturaes. O desconhecido no possivel, e não no que tem sido ou foi, eis seu dominio, e, para exploral-o, tem o auxilio dʼaquelle maravilhoso methodo experimental, de que se póde dizer com verdade, não que elle baste para tudo, mas que engana raras vezes, e só engana aquelles que dʼelle se servem mal. Elimina certos factos, provoca outros, interrega a natureza, força-a a responder, e não pára, senão quando o espirito está plenamente satisfeito. O attractivo dos nossos estudos, o encanto da sciencia, se assim se póde dizer, consiste em que, por toda a parte, e sempre, podemos dar a justificação dos nossos principios, e a prova dos nossos descobrimentos.}} {{fine|«O erro de M. Auguste Comte e de M. Littré é confundir esse methodo com o methodo restricto de observação. Estranhos ambos á experimentação, dão á palavra experiencia a accepção em que se toma na conversação commum, e que de fórma alguma tem o mesmo. sentido que na linguagem scientifica. No primeiro caso, a experiencia não é senão a simples observação das cousas, e a inducção que conclue, mais ou menos legitimamente, do que foi para o que poderia ser. O verdadeiro methodo experimental vae atéiá prova sem replica.}} {{fine|«As condições e o resultado quotidiano do trabalho do homem de sciencia, habituam, alem dʼisto, o seu espirito a não attribuir uma idéa de progresso, senão a uma idéa de invenção. Para julgar {{pt||do valor do positivismo, o meu primeiro pensamento foi procurar nʼelle a invenção. Não a encontrei. Não se póde verdadeiramente attribuir a idéa de invenção á lei chamada dos tres estados do espirito humano, nem tão pouco á classificação hierarchica das sciencias, que ambas não são outra cousa mais do que umas approximações sem grande alcance. O positivismo, não me offerecendo nenhuma idéa nova, deixa-me em reserva, e desconfiança.»}}}} {{nop}}<noinclude></noinclude> pqz06yea6y5xhftikom4rbw6vydnemp Página:Campos-Traduccaoebreve.pdf/16 106 255905 558872 2026-08-15T12:46:39Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558872 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|16<br>{{rule|4em}}}} {{fine|</noinclude>do valor do positivismo, o meu primeiro pensamento foi procurar nʼelle a invenção. Não a encontrei. Não se póde verdadeiramente attribuir a idéa de invenção á lei chamada dos tres estados do espirito humano, nem tão pouco á classificação hierarchica das sciencias, que ambas não são outra cousa mais do que umas approximações sem grande alcance. O positivismo, não me offerecendo nenhuma idéa nova, deixa-me em reserva, e desconfiança.»}} Em algumas linhas mais adiante, fallando das crenças religiosas, e particularmente da existencia de Deus, e da immortalidade da alma, M. Pasteur acrescenta: {{fine|«Quanto a mim, que julgo que as palavras progresso e invenção são synonymas, pergunto: Em nome de que descobrimento novo, philosophico ou scientifico, se podem arrancar da alma humana essas altas preoccupações! Ellas me parecem de essencia eterna, porque o mysterio que envolve o universo, e de que são uma emanação, é o mesmo eterno por sua natureza.»}} M. Pasteur mostra os erros sociologicos a que a applicação do positivismo conduziu M. Littré, e dʼisso tira occasião para fazer uma eloquente e magnifica profissão de fé espiritualista. Essa pagina não admitte analyse, lè-se: {{fine|«Em muitas occasiões, diz o orador, M., Littré define assim o positivismo encarado sob o ponto de vista pratico: Chamo positivismo tudo o que se faz na sociedade para organisal-a segundo a concepção positiva, isto é, scientifica do mundo. »}} {{fine|«Estou prompto a acceitar esta definição, com a condição que dʼella se não faça uma applicação rigorosa; mas a grande, e visivel lacuna do systema consiste em que, na concepção positiva do mundo, elle não leva em conta as mais importante das noções positivas, a do infinito.»}} {{fine|«Que ha ao través dʼessa abobada estrellada? Novos ceus estrellados. Seja. E alem? O espirito humano impellido por uma força invencivel não cessará nunca de perguntar: Que ha alem? Quer parar ou no tempo, ou no espaço? Como o ponto onde elle pára não é senão uma grandeza finita, maior sómente que as precedentes, apenas começa a encaral-a, eis que surje a implacavel pergunta, e sempre, sem que possa fazer calar o grito de sua curiosidade. Não serve de nada responder: «Alem estão espaços, tem-<noinclude>}}</noinclude> h1dfdmpu2axidos7ufr5v5ziy2h9xd9 558873 558872 2026-08-15T12:47:34Z Erick Soares3 19404 558873 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|16<br>{{rule|4em}}}}</noinclude>{{pt|do valor do positivismo, o meu primeiro pensamento foi procurar nʼelle a invenção. Não a encontrei. Não se póde verdadeiramente attribuir a idéa de invenção á lei chamada dos tres estados do espirito humano, nem tão pouco á classificação hierarchica das sciencias, que ambas não são outra cousa mais do que umas approximações sem grande alcance. O positivismo, não me offerecendo nenhuma idéa nova, deixa-me em reserva, e desconfiança.»}} Em algumas linhas mais adiante, fallando das crenças religiosas, e particularmente da existencia de Deus, e da immortalidade da alma, M. Pasteur acrescenta: {{fine|«Quanto a mim, que julgo que as palavras progresso e invenção são synonymas, pergunto: Em nome de que descobrimento novo, philosophico ou scientifico, se podem arrancar da alma humana essas altas preoccupações! Ellas me parecem de essencia eterna, porque o mysterio que envolve o universo, e de que são uma emanação, é o mesmo eterno por sua natureza.»}} M. Pasteur mostra os erros sociologicos a que a applicação do positivismo conduziu M. Littré, e dʼisso tira occasião para fazer uma eloquente e magnifica profissão de fé espiritualista. Essa pagina não admitte analyse, lè-se: {{fine|«Em muitas occasiões, diz o orador, M., Littré define assim o positivismo encarado sob o ponto de vista pratico: Chamo positivismo tudo o que se faz na sociedade para organisal-a segundo a concepção positiva, isto é, scientifica do mundo. »}} {{fine|«Estou prompto a acceitar esta definição, com a condição que dʼella se não faça uma applicação rigorosa; mas a grande, e visivel lacuna do systema consiste em que, na concepção positiva do mundo, elle não leva em conta as mais importante das noções positivas, a do infinito.»}} {{fine|«Que ha ao través dʼessa abobada estrellada? Novos ceus estrellados. Seja. E alem? O espirito humano impellido por uma força invencivel não cessará nunca de perguntar: Que ha alem? Quer parar ou no tempo, ou no espaço? Como o ponto onde elle pára não é senão uma grandeza finita, maior sómente que as precedentes, apenas começa a encaral-a, eis que surje a implacavel pergunta, e sempre, sem que possa fazer calar o grito de sua curiosidade. Não serve de nada responder: «Alem estão espaços, tem-<noinclude>}}</noinclude> eylomsd4l9oupofve0ax9d2b09qdori 558876 558873 2026-08-15T12:54:06Z Erick Soares3 19404 558876 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|16<br>{{rule|4em}}}}</noinclude>{{pt|do valor do positivismo, o meu primeiro pensamento foi procurar nʼelle a invenção. Não a encontrei. Não se póde verdadeiramente attribuir a idéa de invenção á lei chamada dos tres estados do espirito humano, nem tão pouco á classificação hierarchica das sciencias, que ambas não são outra cousa mais do que umas approximações sem grande alcance. O positivismo, não me offerecendo nenhuma idéa nova, deixa-me em reserva, e desconfiança.»}} Em algumas linhas mais adiante, fallando das crenças religiosas, e particularmente da existencia de Deus, e da immortalidade da alma, M. Pasteur acrescenta: {{fine|«Quanto a mim, que julgo que as palavras progresso e invenção são synonymas, pergunto: Em nome de que descobrimento novo, philosophico ou scientifico, se podem arrancar da alma humana essas altas preoccupações! Ellas me parecem de essencia eterna, porque o mysterio que envolve o universo, e de que são uma emanação, é o mesmo eterno por sua natureza.»}} M. Pasteur mostra os erros sociologicos a que a applicação do positivismo conduziu M. Littré, e dʼisso tira occasião para fazer uma eloquente e magnifica profissão de fé espiritualista. Essa pagina não admitte analyse, lè-se: {{fine|«Em muitas occasiões, diz o orador, M., Littré define assim o positivismo encarado sob o ponto de vista pratico: Chamo positivismo tudo o que se faz na sociedade para organisal-a segundo a concepção positiva, isto é, scientifica do mundo. »}} {{fine|«Estou prompto a acceitar esta definição, com a condição que dʼella se não faça uma applicação rigorosa; mas a grande, e visivel lacuna do systema consiste em que, na concepção positiva do mundo, elle não leva em conta as mais importante das noções positivas, a do infinito.»}} {{fine|«Que ha ao través dʼessa abobada estrellada? Novos ceus estrellados. Seja. E alem? O espirito humano impellido por uma força invencivel não cessará nunca de perguntar: Que ha alem? Quer parar ou no tempo, ou no espaço? Como o ponto onde elle pára não é senão uma grandeza finita, maior sómente que as precedentes, apenas começa a encaral-a, eis que surje a implacavel pergunta, e sempre, sem que possa fazer calar o grito de sua curiosidade. Não serve de nada responder: «Alem estão espaços, tem{{PT||pos, ou grandezas sem limites. Ninguem comprehende estas palavras. Aquelle que proclama a existencia do infinito, e ninguem póde a isso escapar, accumula nʼesta affirmação maior dóse de sobrenatural do que a que ha em todos os milagres de todas as religiões; porquanto, a noção do infinito tem o duplo caracter de se impor e de ser incomprehensivel. Quando esta noção se apodera do entendimento, não ha senão inclinar-se. Ainda, nʼesse momento de pungentes agonias, é necessario pedir auxilio á propria rasão: todas as molas da vida intellectual ameaçam de se afrouxar; o homem sente-se quasi accommettido da sublime loucura de Pascal! Essa noção positiva e primordial, o positivismo desvia-a gratuitamente; e a desvia conjunctamente com todas as suas consequencias na vida das sociedades.}}}} {{nop}}<noinclude></noinclude> tti7n49vijfaszcw6d58zcs4s9c3oi5 Página:Campos-Traduccaoebreve.pdf/17 106 255906 558875 2026-08-15T12:53:36Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558875 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|17<br>{{rule|4em}}}}</noinclude>{{PT|pos, ou grandezas sem limites. Ninguem comprehende estas palavras. Aquelle que proclama a existencia do infinito, e ninguem póde a isso escapar, accumula nʼesta affirmação maior dóse de sobrenatural do que a que ha em todos os milagres de todas as religiões; porquanto, a noção do infinito tem o duplo caracter de se impor e de ser incomprehensivel. Quando esta noção se apodera do entendimento, não ha senão inclinar-se. Ainda, nʼesse momento de pungentes agonias, é necessario pedir auxilio á propria rasão: todas as molas da vida intellectual ameaçam de se afrouxar; o homem sente-se quasi accommettido da sublime loucura de Pascal! Essa noção positiva e primordial, o positivismo desvia-a gratuitamente; e a desvia conjunctamente com todas as suas consequencias na vida das sociedades.}} {{fine|«Encontro por toda a parte a inevitavel expressão da noção do infinito no mundo. Por ella o sobrenatural está no intimo de todos os corações. A idéa de Deus é uma fórma da idéa do infinito. Emquanto o mysterio do infinito pesar sobre o pensamento humano, templos serão erguidos ao culto do infinito, quer o Deus se chame Brahma, Allah, Jehovah, ou Jesus. E sobre a lage dʼesses templos vereis homens ajoelhados, prostrados, abysmados no pensamento do infinito. Não faz a metaphysica outra cousa senão traduzir dentro de nós a dominadora noção do infinito. A concepção do ideal não será tambem a faculdade, reflexo do infinito que, em presença da belleza, nos leva a imaginar uma belleza superior? A sciencia e o ardor de comprehender são porventura outra cousa do que o aguilhão do saber, estimulo que o mysterio do universo põe em nossa alma? Onde estão as verdadeiras fontes da dignidade humana, da liberdade, e da democracia moderna, se não na noção do infinito, ante o qual todos os homens são iguaes?}} {{fine|«É necessario um laço espiritual na humanidade, diz M. Littré, sem o qual não haveria na sociedade senão familias isoladas, hordas, e nada de sociedade verdadeira.» Esse laço espiritual que elle collocava em uma especie de religião inferior da humanidade, não pode estar nʼoutra parte que na noção superior do infinito, porque esse laço espiritual deve ser associado ao mysterio do mundo. A religião da humanidade é uma dʼaquellas idéas de uma evidencia superficial e suspeita, que levaram um psychologo de um espirito eminente a dizer: olla muito que eu penso que aquelle que não tivesse idéas claras seria seguramente um parvo. As noções mais preciosas, acrescenta elle, que a intelligencia humana enco-}} {{nop}}<noinclude></noinclude> m96i5qdf4is4f2d0hnahor9j3gwy1bi Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/244 106 255907 558884 2026-08-15T13:41:48Z JppBr98 28173 /* Sem texto */ 558884 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="JppBr98" /></noinclude><noinclude></noinclude> rldsui2aafkmkayqcjgir6gixvbaoys Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/458 106 255908 558892 2026-08-15T15:15:00Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ALU efpirito, com illusão on impoftura. TELL. Chr. I, 1, 34. n. Ifto deve fer algum embufte ou enredo, ou algum modo de illusão ou alumbramento. {{lema|ALUMEAR}}. v. a. e os feus derivados. Vej. Alumiar. {{lema|ALUMIADAMENTE}}. adv. mod. pouc. uf. Com luz e cla- ridade. No fentido proprio e metaphorico. D. CATH. INF. Reg. 1, 9 E por tanto alumiadamente com o olho da prudencia deve prover o Prclado profundamente em o feu fubdito. {{... 558892 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>ALU efpirito, com illusão on impoftura. TELL. Chr. I, 1, 34. n. Ifto deve fer algum embufte ou enredo, ou algum modo de illusão ou alumbramento. {{lema|ALUMEAR}}. v. a. e os feus derivados. Vej. Alumiar. {{lema|ALUMIADAMENTE}}. adv. mod. pouc. uf. Com luz e cla- ridade. No fentido proprio e metaphorico. D. CATH. INF. Reg. 1, 9 E por tanto alumiadamente com o olho da prudencia deve prover o Prclado profundamente em o feu fubdito. {{lema|ALUMIADO, A}}. p. p. de Alumiar. SA DE MIR. Cart. 3, 29. BARR. Dec. 3, 3, 1. Luc. Vid. 3, 6. {{lema|ALUMIADOR, ORA}} adj. Que alumia. HEIT. PINT. Dial. 2, 4, 21 O Sol alumiador do mundo. Ros. Vid. 2, 160, 3 E no Efpirito Santo alumiador e confolador de todos os juftos. BRIT. Mon. 2, 7. c. 8 Em nome de Deos Pa- dre, que gerou, e de feu Filho unigenito, e tambem do Efpirito Santo alumiador. Subft. VIT. CHRIST. 1, 5, 15 E em quanto ef- trella ou alumeador tem femelhança dos contemplativos. MONTEIR. Art. 25, 27 Na luz fe moftra alumiador de bons, na quentura caftigador de mãos. VILIR. Serm. 6. Exhort. 2, 5, 473 Ainda eftava efcondido no ventre da mãi, mas aflim e condido, e antes de nacer, alumiou tambem antes de nacer ao maior dos nacidos: o alumia- dor e o alumiado ambos por meio das máis. O que lança o cavallo á egoa. BENT. PER. Thef. {{lema|ALUMIAMENTO}}. s. mn. ant. Acção e effeito de alumiar. VIT. CHRIST. 3, 24, 61 De que fe moftra, que tal alumiamento foi maravilhofo. D. HILAR. Voz, 16, 99 Chamalhe [Deos Padre a Chrifto Jefu, feu filho] ori- ente polo minifterio do alumiamento, que nos fez. Met. Illuftração, illuminação fobrenatural do efpiri- to..D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 3,8 E por ranto rece- be maior alumiamento. D. HILAR. Voz, 8, 44 Eu vi cm meus dias, quem tomou pera morrificação da carne, c alumiamento de feu efpirito tão eftreitos jejuns, e rão comprida abftinencia, que &c. FR. MARC. Exerc. 28, 130 Sem o voflo alumiamiento a vaidade me parece verda- de, a malicia juftiça, o vicio virtude. Acção de dar vista a bum cégo. VIT CIRIT. 2, 70 E per alumiamento de tal cégo he neceffario haver rres coufas. D. CATH. INF. Regr. 1, 1 Depois do alumiamento dos cégos. FR. G. DA SILV. Vid. 6, 10 E conheceo o fanto homem en efpiřiro a cura e alumiamento d'hum moco, que era de todo cégo. ant. e {{lema|ALUMIANTE}}. p. a. de Alumiar. ant. e pouc. ul. Vir. CHRIST. 4, 21, 121 Depois que forem empuxadas as trévas, e efcuridades dos peccados per a graça aliani- ante. {{lema|ALUMIAR}}. v. a. Dar luz e claridade. Do Sol, Lua, e Eftrellas, ou do fogo, e outros córpos luminofos. (A- lumear) CAM. Luf. 6, 77 A noite negra e feia fe, alu- mia Cos raios, em que o pólo todo ardia. HEIT. PINT. Dial. 1, 1, 5 Com o refplendor da fua luz alumeia [o Solo univerfo. VIEIR. Serm. 6, 7, 6. n. 214 Efti he a igualdade, com que o Sol nos alumia e aquenta. Met. FERR. Poem. Son. 2, 42 Com teu raio de luz refplandecente O mundo efcuro e trifte alumiafte. BRIT. Chr. 1, I Duas tochas, que com o refplendor da fua fan- tidade, o alumidrão [o mundo] quaes forão o gloriofo Pa- triarca S. Bento, e fua irmãa Santa Efcolaftica. PINT. RIB. Rel. 1, 24 He a Justiça hum fogo, que alumeia e purifica hum Reino; e fe fe defconcerta e altera, o abrazą rodo. Alumiar. Efclarecer, tornar claro algum lugar, dan- dolhe ou pondolhe luz. BARR. Dec. 3, 7, 11 E que feu pai e feu avô, fendo gentios, tinhão cuidado de alumiar aquella cafa. SorтON. Ribeir. 5, 150 Levavão na mão tres fachas accezas, com o que alumiavão o caminho. LEON. DA COST. Ecl. 7, 29 y. not. i Nos lugares onde ha abundancia deftas arvores, fe alumeão com a lenha dellas em lugar de candèas. Accender, fazer arder, para dar luz e claridade, GOES, Chr. de D. Man. 1, 64 E affi ordenou, que fe compraffem rendas em Galliza pera fe efta alampada a- lumiar. FERR. Poem. Od. 2, 5 Olho claro do céo, vida do mundo, Luz, que a Lua e.eftrellas alumias. BRIT. Mon. 2, 5. c. 5 Pera do azeire dellas [azeitonas] fe alumiar a alampada, que pendia ante o feu altar, Met. Fazer patente e claro o que estava efcuro, pou co intelligivel, on mal ordenado. D. CATH. INF. Regt. 2, 3. Até que venha o Senhor, que alumiard as coufas ef- condidis, e manifeftará os confelhos dos corações. BARR. Dec. 1, 2, 2 Fez ainda Gomez Eanes outra obra no rombo defte Reino, que alumiou as coufas delle, que forão os livros do regiftro. A. GALV. Tr. 76 Por fer já perdida a memoria de Sayavedra, que afli faz tudo, o que não alumeia a efcritura. Illuftrar, enfinar, ou dar a conhecer a outro o que ignorava, duvidava ou não alcançava. Sous. Hift. 1,, 2 Difcorria que poderia fazer da fua parte em ferviço d'aquelles proximos, que foffe de momento pera os alu- miar. Feo, Tr. Quadt. 1. Prol. As divinas Efcrituras li- das e entendidas de nós, alumião os entendimentos. SE- VER. Prompt. 26, 1, 84 A lição dos livros fantos inftrue e alumia o entendimento. Aluminar ou illuftrar o efpirito fobrenaturalmente, e por virtude divina. ORDEN. DE D. MAN. I, I Afli por fua infinda bondade os alumie [Deos] e esforce, pera con- feguir todo o bem. AVEIR. Itin. 31 Meu Senhor Deos, que quer que todos fe falvem, e nenhum peteça, os - lumee, e traga ao feu gremio. BAIT. Chr. 2, 17 De induftria refiftis ao efpiriro e graça divina, que defeja por meio de fuas amoeftações alumiar volla alina. Dar vifta ao cégo. Reg. alg. abf. ou alg. nos olhos cu os olhos e cegueira de alg. VIT. CHRIST. 2., 71 Senhor Jefu Chrifto, que alumeafte os olhos do cégo de fua naf- cença, alumeia, eu te peço, os olhos de meu coraçom. BRIT. Mon. 2, 5. rir. I Alumiou 'dous cégos, pondolbe as mãos fobre os olhos. TELL. Chr. 1, 3, 23. n. z.Ti- nha feito maiores milagres na Igreja de Deos, do que fe alumiára cégos, e reffufcitára mortos. Met. FERR. Poem. Caftr. 2 Senhor, que eftás nos céos, e vês as almas... Alumia minha alma, não fe cégue No perigo, em que eftá. Bair. Chr. 1, 8 Ro- gandolhe, que fe lembraffe delle diante de Deos, pera o alumiar nos olhos] do efpirito. VIEIR, Serm. 6, 8,9. n. 256 A Virgem... com hum raio de viva té alumie a cegueira e ignorancia de noffos entendimentos. Alumiar. Conceder parto feliz à mulher, fazela pa- rir com bom fucceffo. GoEs, Chr. de D. Man. 14 Ha- via já alguns dias, que a Infante Dona Beatriz fua mai andaya, com dores fem poder parir, e quiz noffo Senhor alumicala com o Santo Sacramento, BRIT. Mon. 2, 7. c. 24 Concebeo aos 24 de Fevereiro hum filho de que Deos à alumion aos 26 de Novembro. CUNH, Caral. 2, 19 Pedindolhe que a primeira [mulher] que lhe levaffe novas, que Deos alumiára a Rainha, The deffe grandes alviçaras. Agric. Defafogar ou defembaraçar a vide ou cepa da terra, que fe lhe bavia arrimado para eftar abrigada. Particularmente fe diz da vinha plantada de pouco, pa- ra que o podador cab. rveja e reconheça a vide: BLUT. Vo- Alumiar as letras. Dar fogo as letras de betume, que fe abrem nos letreiros de pedra, para que affim fiquem negras. BLUT. Vocab. Aluniar. neutt. Dar luz ou claridade. LoB. Primav. 3.8 A Lua alumea Sobre o Tejo claro. Fɛo, Tr. 1, 128, z A véla acceza não póde eftar fem alumiar, ou aqui ou alli, e em alumiando a huma parre, deixa de alumiar em outra. L. ALv. Céo, 16, 1 Effes dous Planeras de dia, e de noite vigião, e rondão alumiando. Alumiar o trabalho em alguma obra. Luzir on me- drar nella o trabalho. BARR. Dec. 1, 10, 2 Vendo que os Cafres com cobiça de premio acudião bem ao trába. lho, que alumisva na obra. Covт. Dec. 4, 7, 12 A pe- dra trazida pera os muros, que alumion muiro na obra, que hia crecendo a olho. Adag. O ignorante e a candèa a fi queima, e a outros alumea. DELIC. Adag. 10. {{lema|ALUMINADO, A}}. p. p. de Aluminar. FR. MARC. Chr. 2, 8, 36. CEIT. Serm. 1, 210, 2. {{lema|ALUMINAR}}. v. a. Alumiar, illuminar, illuftrar. Ufafe em fentido metaphorico. PINT. PER. Hift 2,6, 17 Ra- zões que podem aluminar pera fazerem [os pruden- tes e fabedores] mais acertado juizo nas materias. FEO, Tr. Quadr. 2, 1, 3 Alaminando noffas cegueitas [da al- ma] M. BERN. Medit. 10, 3 Efte he o que ha de alu- minar o mundo. Pintur. Dar luz aos quadros, pondo fombras pela parte contraria daquella, por onde vem a luz. A. DE VASC. Anj, 2, 4, 7. part. 8. p. 212 Se applique mui de propo-. pelo mais fubido da fua arte. fito a formar as perfeiçoes, e aluminar as cores e matizes {{lema|ALUMINOSO, A}}. adj. Que tem miftura de pedra hume. Do Lat. Aluminofus. MADEIR. Meth. 1, 8, 2 Aluminofa [a- goa] fe faz defte modo &c, MORAT. Pratic. 3, 32.<noinclude></noinclude> 7vpmh2a2od8pgw39j22tyughtpxled0 Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/245 106 255909 558895 2026-08-15T20:10:59Z JppBr98 28173 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: VELHA PRAGA Andam todos, em nossa terra, por tal forma estonteados pelas proezas infernaes dos bellacissimos «vons» allemães, que não sobram olhos para enxergar males caseiros. Venha, pois, uma voz do sertão dizer ás gentes da cidade que, se por lá fóra o fogo da guerra lavra implacavel, fogo não menos destruidor devasta as nossas mattas com furor não menos germanico. Em agosto, por força da excessiva secca do inverno «von Fogo» lam... 558895 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="JppBr98" /></noinclude>VELHA PRAGA Andam todos, em nossa terra, por tal forma estonteados pelas proezas infernaes dos bellacissimos «vons» allemães, que não sobram olhos para enxergar males caseiros. Venha, pois, uma voz do sertão dizer ás gentes da cidade que, se por lá fóra o fogo da guerra lavra implacavel, fogo não menos destruidor devasta as nossas mattas com furor não menos germanico. Em agosto, por força da excessiva secca do inverno «von Fogo» lambeu montes e valles, sem um momento de treguas durante o mez inteiro. Vieram em começos de Setembro chuvas leves, chuvinhas de apagar poeira, e, breve, novo «verão de sol» se estirou por Outubro a dentro, dando azo a que se torrasse tudo quanto escapára á sanha de Agosto. A serra da Mantiqueira ardeu como uma aldeia belga arde, e é hoje um cinzeiro immenso, entremeiado, aqui e acolá, de manchas de verdura —<noinclude></noinclude> jfutyd7ldys74an14vd90umqauug2s6 Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/246 106 255910 558896 2026-08-15T20:15:43Z JppBr98 28173 /* Revista */ 558896 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 240 {{--}}}}</noinclude>as restingas humidas, as grotas frias, as nesgas salvas a tempo pela cautella dos aceiros. Tudo mais é crepe negro. A’ hora em que escrevemos, fins de Outubro, chove. Mas que chuvinha sordida! Que miseria d’agua! Emquanto caem do ceu pingos homeopathicos, medidos por conta-gottas, o fogo, amortecido mas não dominado, amoita-se insidioso nas piúcas, a fumegar imperceptivelmente, prompto para rebentar em chammas mal se limpe o ceu e o sol lhe dê a mão. Preoccupa a toda gente o conhecer em quanto fica, por dia, em francos e centimos, um soldado em guerra: mas ninguem cuida de calcular os prejuizos de toda a ordem, provindos de uma assombrosa queima destas. As velhas camadas de humus destruidas; os saes preciosos que, breve, as enxurradas deitarão fóra, rio abaixo, via oceano; o rejuvenescimento florestal da terra paralysado e retrogradado; a destruição das aves silvestres e o possivel advento de pragas insectiformes; a alteração para peior do clima, pela aggravação crescente das seccas; os vedos e aramados perdidos; o gado morto ou depreciado pela falta de pastos; as mil e uma particularidades que dizem respeito a esta ou aquella zona, e, dentro della, a esta ou aquella situação agricola… Isto, bem sommado, daria algarismos de apavorar; infelizmente, no Brasil subtrahe-se; sommar ninguem somma. {{nop}}<noinclude></noinclude> 81icpewodq0klnqmyn1h4wl9tgrmydv Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/255 106 255911 558897 2026-08-15T20:18:03Z JppBr98 28173 /* Sem texto */ 558897 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 249 {{--}}}}</noinclude><noinclude></noinclude> riisaabwuh937ht6v2ba6olvcoqbocs Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/257 106 255912 558898 2026-08-15T20:18:21Z JppBr98 28173 /* Sem texto */ 558898 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 251 {{--}}}}</noinclude><noinclude></noinclude> nm2clgcfduwslwlm0lv9sdxrq2qycnl Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/258 106 255913 558899 2026-08-15T20:18:28Z JppBr98 28173 /* Sem texto */ 558899 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 252 {{--}}}}</noinclude><noinclude></noinclude> g9h9x5d7kic4nd23xokjg1bb0rjvwdp Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/259 106 255914 558900 2026-08-15T20:18:39Z JppBr98 28173 /* Sem texto */ 558900 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 253 {{--}}}}</noinclude>Stanford University Libraries Stanford, California Return this book on or before date due. MAR +1995 OCT 14 1977<noinclude></noinclude> 7xfu6i4q2vwox7m8usruwga11oismcr Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/260 106 255915 558901 2026-08-15T20:18:49Z JppBr98 28173 /* Sem texto */ 558901 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 254 {{--}}}}</noinclude><noinclude></noinclude> nnnlrprixdw1uvb1do62cb0dbfm2p22 Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/247 106 255916 558903 2026-08-15T20:25:48Z JppBr98 28173 /* Revista */ 558903 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 241 {{--}}}}</noinclude>E’ peculiar de Agosto, e typica, esta desastrosa queima de mattas; nunca, porém, assumiu tamanha violencia e alcançou tal extensão como neste tortissimo 1914 que, benza-o Deus, parece aparentado de perto com o celebre anno mil de macabra memoria. Tudo nelle culmina, e vae logo ás do cabo, sem conta nem medida. As queimas não fugiram á regra. Razão sobeja, para, desta feita, encarar seriamente com o problema e resolvel-o de vez. Do contrario a Mantiqueira em pouco tempo será toda um sapeseiro sem fim erysipelado de samambaia — esses dois pontos finaes á uberdade das terras montanhosas. Qual a causa da renitente calamidade? E’ mister um rodeio para chegar lá. A nossa montanha é victima de um parasita, um piolho da terra, peculiar ao solo brasilio como Argas o é aos gallinheiros e o «Sarcoptes mutans» á perna das aves domesticas. Poderiamos, analogicamente, classifical-o entre as variedades do «porrigo decalvans», o parasita do couro cabelludo productor da «pellada», pois que, onde elle assiste, se vae despojando a terra de sua coma vegetal até cahir em morna decrepitude, nua e descalvada. Em quatro annos, a mais ubertosa região se despe dos jequetibás e perobeiras millenarias, seu orgulho e grandeza, para, em achincalho crescente, cahir em capoeira, passar desta á humildade da vassourinha, e, decahindo sempre, encruar definitivamente na desdita do sapeseiro, — sua tortura e vergonha. {{nop}}<noinclude></noinclude> 8s6s9a4x6mz35gvxf0p2j28ow3hw622 Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/122 106 255917 558913 2026-08-16T07:11:12Z Trooper57 24584 /* Sem texto */ 558913 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Trooper57" /></noinclude><noinclude></noinclude> 78ffh1ztzf5pdvw08ppv0myz8dt2adu Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/182 106 255918 558914 2026-08-16T07:12:10Z Trooper57 24584 /* Sem texto */ 558914 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Trooper57" /></noinclude><noinclude></noinclude> 78ffh1ztzf5pdvw08ppv0myz8dt2adu Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/170 106 255919 558915 2026-08-16T07:12:25Z Trooper57 24584 /* Sem texto */ 558915 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Trooper57" /></noinclude><noinclude></noinclude> 78ffh1ztzf5pdvw08ppv0myz8dt2adu Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/144 106 255920 558916 2026-08-16T07:12:53Z Trooper57 24584 /* Sem texto */ 558916 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Trooper57" /></noinclude><noinclude></noinclude> 78ffh1ztzf5pdvw08ppv0myz8dt2adu Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/148 106 255921 558917 2026-08-16T07:13:08Z Trooper57 24584 /* Sem texto */ 558917 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Trooper57" /></noinclude><noinclude></noinclude> 78ffh1ztzf5pdvw08ppv0myz8dt2adu Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/152 106 255922 558918 2026-08-16T07:14:13Z Trooper57 24584 /* Sem texto */ 558918 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Trooper57" /></noinclude><noinclude></noinclude> 78ffh1ztzf5pdvw08ppv0myz8dt2adu Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/156 106 255923 558919 2026-08-16T07:16:01Z Trooper57 24584 /* Sem texto */ 558919 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Trooper57" /></noinclude><noinclude></noinclude> 78ffh1ztzf5pdvw08ppv0myz8dt2adu Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/160 106 255924 558920 2026-08-16T07:16:16Z Trooper57 24584 /* Sem texto */ 558920 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Trooper57" /></noinclude><noinclude></noinclude> 78ffh1ztzf5pdvw08ppv0myz8dt2adu Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/166 106 255925 558921 2026-08-16T07:17:57Z Trooper57 24584 /* Sem texto */ 558921 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Trooper57" /></noinclude><noinclude></noinclude> 78ffh1ztzf5pdvw08ppv0myz8dt2adu Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/174 106 255926 558922 2026-08-16T07:18:30Z Trooper57 24584 /* Sem texto */ 558922 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Trooper57" /></noinclude><noinclude></noinclude> 78ffh1ztzf5pdvw08ppv0myz8dt2adu