Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.15 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão Pensar é preciso/II/O Egito dos Faraós 0 131912 558985 226042 2026-08-16T20:20:09Z Rosseclipse 43584 /* */ 558985 wikitext text/x-wiki {{navegar |obra = [[Pensar é preciso]] |autor = Salvatore D’ Onofrio |seção = O Egito dos Faraós |anterior = [[Pensar é preciso/II|Capítulo II: Egito faraônico - Religião Oriental - Espiritismo]] |posterior = [[Pensar é preciso/II/Buda: a religião na Índia, na China e no Japão|'''Buda''': a religião na Índia, na China e no Japão]] |notas = }} <div class="prose"> Anteriormente à formação da civilização ocidental, que se desenvolveu na Grécia, na costa asiática e em várias ilhas do mar Egeu e Jônico, cujo marco histórico foi a Guerra de Tróia (séc.XII a.C.), existiam civilizações bem mais antigas no Médio e Extremo Oriente, na Europa e nas Américas. Vejam-se, por exemplo, as culturas pré-colombianas de incas e astecas. Neste trabalho, faremos referência apenas a algumas formas de vida religiosa, ética e social, que influenciaram o modo de sentir e de pensar do homem ocidental. O Egito da época dos Faraós registra a mais vetusta civilização do ''homo sapiens'' que se desenvolveu nas margens do rio Nilo, tendo como cidades principais Mênfis, Tebas e Heliópolis. Os estudiosos enumeram 30 dinastias, distribuídas ao longo de três Impérios (Antigo, Médio e Novo), de 2800 até 331 antes de Cristo, quando o Egito acabou sendo dominado pela Macedônia. As construções mais famosas do Império Antigo são as Pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos, situadas em Gizé, burgo não longe do Cairo. Trata-se de monumentos funerários de base quadrangular, tendo quatro faces triangulares, com terminação em agulha, significando o desejo de ascender a Rá, o deu Sol. Perto da pirâmide de Quéfren, podemos admirar a estátua monumental da Esfinge, construída aproximadamente ao redor do ano 2500, representando um leão deitado, que está lá protegendo a necrópole, sendo que sua cabeça tem o semblante do Faraó. Apenas para apontar a semelhança de cultos religiosos entre povos muitos diferentes no tempo e no espaço, lembramos que se encontram pirâmides também na Índia, na Tailândia, no México. A pirâmide de Chichén-Itzá é muito visitada, especialmente pelos turistas que freqüentam o balneário de Cancún. De modo semelhante, a Esfinge existe também na mitologia grega, ligada ao mito de Édipo. Outro mito comum à cultura egípcia e grega é a lenda sobre o famoso casal Ísis / Osíris. A deusa egípcia Ísis tem uma estreita relação com a figura grega de Io, sacerdotisa de Juno e amante de Júpiter, transformada numa novilha branca e perseguida pela ciumenta e vingativa esposa do pai dos deuses. O mito de Ísis e de seu marido Osíris, considerado neto de Rá e governante bondoso, cujo corpo foi feito em pedaços pelo seu cruel e invejoso irmão Seth, teve várias versões. Segundo uma variante da lenda, que se encontra na obra ''De Iside et Osiride'' do historiador grego Plutarco (séc.II d.C.), Seth armou uma cilada: à traição, fechou o corpo do irmão num caixão e o jogou no rio Nilo. Ísis, a esposa fiel, humilhada e em pranto, não descansou enquanto não recolhesse as partes e reconstruisse o corpo do amado. A morte e a ressurreição de Osíris passaram a simbolizar o ciclo da natureza e da fecundidade: a semente do trigo que morre para tornar-se pão. Os romanos elevaram um templo a Ísis no campo de Marte, associando seu culto a Ceres (daí o termo “cereal”), o nome latino de Deméter, a deusa grega da terra, considerada princípio feminino universal, inesgotável reinício de todas as coisas. Os primeiros documentos da civilização egípcia encontram-se nos ''Textos das Pirâmides'' (hieróglifos gravados nos túmulos) e no ''Livro dos mortos''. O maior deus do panteão egípcio é Rá, adorado em On, antiga cidade na extremidade do Delta, a que os gregos deram o nome de Heliópolis, a Cidade do Sol. Os habitantes do Nilo davam-lhe vários nomes: de manhã é o “Horo do Horizonte”, em forma de falcão; de noite é “Atum Rá”, que visita o reino dos mortos, situado debaixo das águas. Os Faraós eram considerados seus filhos pela crendice do povo. Este ''status'' divino, mais tarde, será atribuição também de vários Imperadores romanos: ''Divinus Caesar Augustus''. A religião egípcia, como as outras religiões, apresenta aspectos divergentes. De um lado, notamos sinais de alta espiritualidade, apresentando Rá como deus único, criador e providente, conforme o seguinte trecho do Hino de Tell el-Amarna, gravado em várias sepulturas: </div> <poem> ''“Quando eras só, criaste a terra a teu bel-prazer,'' ''Os homens, o grande rebanho e todos os animais,'' ''Tudo o que na terra anda com os pés,'' ''Tudo o que no ar voa com as asas,'' ''Toda a região, a Palestina, a Etiópia, o Egito.'' ''Pões cada qual em seu lugar, és a sua Providência,'' ''Cada um tem seu alimento”.'' </poem> <div class="prose"> Num hino posterior, talvez da época de Ramsés II, podemos notar até a concepção de uma Trindade na Unidade: </div> <poem> ''“Só há três deuses: Amon, Rá e Ftá;'' ''Não têm semelhantes:'' ''Quando esconde o nome é Amon,'' ''Rá é a sua Face, Ftá o seu Corpo”.'' </poem> <div class="prose"> Tal concepção de uma Trindade dentro de uma Unidade não deixa de ter uma certa semelhança com o Hinduísmo oriental (Brahman = Criador, Shiva = destruidor e construtor, Vishnu = mantenedor) e o dogma católico da existência de um único Deus, distinto nas três pessoas do Pai (Criador), Filho (Redentor) e Espírito Santo (Fecundador e Amor). Apesar desta aparente tríade monoteísta do Egito, há uma infinidade de outros deuses, venerados em lugares e épocas diferentes, inclusive com surpreendentes teogamias, pois os sacerdotes, para agradar os poderosos do momento, inventavam núpcias entre divindades e faraós. Os egípcios achavam que, no início, o país era governado por deuses e os faraós eram seus descendentes, ao longo das várias dinastias. Outros aspectos importantes, que colocam os textos egípcios como fonte de outras religiões posteriores, politeístas ou monoteístas, são o culto aos mortos, a crença numa vida além do túmulo e o julgamento final. Uma doutrina escatológica foi se formando gradativamente. No começo, a outra vida era a própria tumba, onde o defunto recebia as oferendas. Construir mausoléus, capelas funerárias e embalsamar os corpos: tudo isso visava a conservação dos restos mortais. Mais tarde, a partir do Novo Império, se generalizou a crença na existência do “Amenti”, um paraíso celeste, onde os antepassados, reunidos debaixo do governo de Osíris, viviam felizes. Mas, para ter acesso a este reino de felicidades, o defunto era submetido a um julgamento perante uma corte de 42 juízes, que pesavam numa balança pecados e méritos. De outro lado, a necessidade de tornar sensível a idéia da divindade levou os egípcios a formas de '''zoolatria (prestavam culto a animais: serpente, crocodilo, vaca, falcão, gato, entre outros), de''' '''animismo (crença em espíritos que animam todas as coisas do universo''') e de '''totemismo (relação mística com um objeto, animal ou planta). A antropologia considera “totem” um animal sagrado, visto como ancestral ou divindade protetora de uma tribo ou clã'''. Chegamos assim a uma inversão de papéis: o animal já não é mais servo do homem, mas seu dono. O homem, quando renuncia à sua capacidade de raciocinar e sucumbe à idiotice de crenças em divindades, messias ou tiranos considerados salvadores da pátria, torna-se pior do que a besta. Não dá nem para imaginar com quanto suor e sangue de escravos foram erguidas as Pirâmides do Egito, civilização marcada por uma profunda diferenciação de classes sociais, que vai do homem-escravo ao Faraó-deus! Talvez fossem essa concepção e prática de vida que levaram à decadência a religião egípcia e o sistema faraônico de governo, que não resistiram ao confronto com a civilização grega, bem mais evoluída, pelo culto da democracia, da filosofia, da ciência, da historiografia, da arte teatral e literária. Durante os três séculos do domínio macedônico, o helenismo invadiu a cultura egípcia, dando vida a um sincretismo entre as antigas divindades do Nilo e os deuses do Olimpo. O processo de aculturação se consumou na época do domínio latino, quando o Egito, rebaixado a colônia romana, perdeu seu fulgor e acabou aderindo ao Cristianismo. Na fase da hegemonia bizantina, o Egito foi dominado pelo Império Romano Cristão do Oriente. Com o advento de Maomé, a partir do séc. VII, as povoações que habitavam nas proximidades do Nilo começaram a sofrer as influências do Islamismo. Ao redor do ano mil, uma dinastia xiita fundou a cidade do Cairo, que se tornou o novo centro do Egito. </div> [[Categoria:Pensar é preciso|{{SUBPAGENAME}}]] cloiwt6rw2ixgxwbnque6or7mqcyemh Página:Til (Volume III e IV).djvu/290 106 156145 558988 387697 2026-08-17T00:13:03Z André Koehne 260 "a" 558988 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Phe-bot" /></noinclude>ao qual a guiara o Brás, por uma estulta malignidade. O idiota espreitara a cena anterior, e forjara no seu bestunto aquela vingança. O furor de Jão Fera transportou-se do cadáver, que já não o podia cevar, ao monstrengo; na sua raiva o teria despedaçado, se este não corresse a abrigar-se sob a proteção de Berta. A menina, alucinada pelo medonho espetáculo a que assistira, se tinha encostado ao tronco de uma árvore; e a grande custo conseguiu suster o corpinho trêmulo e vacilante. Foram os gritos de Brás, colhido pela mão do Bugre, que a despertaram. Vendo o perigo iminente do mísero idiota, recobrou um assomo de sua energia e arrebatou a vítima às garras da fera. Mais prostrada ainda por aquele novo<noinclude> <references/></noinclude> d2to7br5zl4xga8daz12e6ypnrrwnb9 Página:Alfarrabios.djvu/350 106 164494 558990 354130 2026-08-17T01:54:57Z André Koehne 260 ajustes 558990 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Phe-bot" /></noinclude><nowiki /> Lá volvem os anos; e um dia vem à flor da terra o crânio que foi um poeta, ou um herói. Quem se importa com o sobejo dos vermes? É um pouco de cal e nada mais. Não tarda que a pata do homem ou do bruto passando por aí triture esse pó, a que animou outrora o sopro de Deus, ''mens divinior''. O autor do ''Diário do Lázaro'' foi um de tantos engenhos, atados à grilheta da miséria. Poeta desconhecido, enquanto a sua alma inspirada se derramava em ânsias e prantos, o bestunto de muito zote agaloado lá se estava enfunando com os aplausos, furtados à virtude e saber. Foi há muito tempo. Era eu estudante na academia de Olinda. Tinha então dezenove anos; e sentia minhas quedas para a poesia, mas pela poesia plebeia, em prosa estirada, que isso de verso é cousa com que não se conformava o meu espírito. Vão lá medir o pensamento, rimar as paixões? Muitas vezes sucedia-me nas vigílias do estudo apanhar o ''eu'' em flagrante delito de literatura, a idear romances e fantasiar dramas, enquanto lá o outro, o estudante de carne e osso, tressuava às voltas com o ''Corpus Juris Civilis''. Qual é a alma que nas primeiras expansões da<noinclude> <references/></noinclude> htaxwbd8kasiljajufyjzfubp7hs0oe Predefinição:Progressos recentes 10 220893 558940 558923 2026-08-16T13:00:10Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 558940 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|0|0|75|0|12|13}} | [[Index:Campos-Traduccaoebreve.pdf|Traducção e breve analyse sobre M. Pasteur e M. Renan]] |- | {{Barra de progresso|0|0|34|1|4|61}} | [[Index:Contos infantis em verso e prosa.pdf|Contos infantis em verso e prosa (1886)]] |- | {{Barra de progresso|26|0|1|2|2|69}} | [[Index:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf|Diccionario da Lingoa Portugueza]] |- | {{Barra de progresso|39|0|50|8|3|0}} | [[Index:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf|S. 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Bernardo]] |- | {{Barra de progresso|0|0|61|0|4|35}} | [[Index:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|Á Roda da Lua]] |- | {{Barra de progresso|0|0|53|0|17|30}} | [[Index:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf|Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis]] |- | {{Barra de progresso|91|0|2|0|7|0}} | [[Index:Til (Volume III e IV).djvu|Til]] |- | {{Barra de progresso|1|0|3|0|2|94}} | [[Index:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf|Urupês]] |}<noinclude>{{documentação}}</noinclude> 04fqfnlxgt6q5hfs1u0iyf5k84a03df 558991 558989 2026-08-17T02:00:10Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 558991 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|75|0|3|0|7|15}} | [[Index:Alfarrabios.djvu|Alfarrabios]] |- | {{Barra de progresso|0|0|56|6|37|0.99999999999999}} | [[Index:Angelina Vidal - Semana da Paixão (1907).pdf|Semana da Paixão]] |- | {{Barra de progresso|0|0|73|0|18|9}} | [[Index:Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf|Homenagem a Luiz de Camões]] |- | {{Barra de progresso|0|0|75|0|12|13}} | [[Index:Campos-Traduccaoebreve.pdf|Traducção e breve analyse sobre M. Pasteur e M. Renan]] |- | {{Barra de progresso|0|0|35|1|4|60}} | [[Index:Contos infantis em verso e prosa.pdf|Contos infantis em verso e prosa (1886)]] |- | {{Barra de progresso|39|0|50|8|3|0}} | [[Index:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf|S. Bernardo]] |- | {{Barra de progresso|0|0|61|0|4|35}} | [[Index:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|Á Roda da Lua]] |- | {{Barra de progresso|0|0|53|0|17|30}} | [[Index:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf|Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis]] |- | {{Barra de progresso|91|0|2|0|7|0}} | [[Index:Til (Volume III e IV).djvu|Til]] |- | {{Barra de progresso|1|0|3|0|2|94}} | [[Index:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf|Urupês]] |}<noinclude>{{documentação}}</noinclude> 2zzavywp1wz841963w776u6uekju6d1 Autor:Antónia Pusich 102 237074 558987 555013 2026-08-16T22:40:49Z BlitzkriegBoop 37692 lista de obras modificada 558987 wikitext text/x-wiki {{Autor/v2 | InicialUltimoNome = P | nome = Antónia Pusich | nome completo = Antónia Gertrudes Pusich | nome nativo = | imagem = | imagem_tamanho = | legenda = | data_nascimento = {{dni|1|10|1805|si}} | nacionalidade = {{PRTn|a}} | data_morte = {{morte|6|10|1883|1|10|1805}} | género = | período = | temas = | abl = | Wikipedia = Antónia Pusich | Wikiquote = | Wikicommons = | MiscBio = '''Antónia Gertrudes Pusich''' (São Nicolau, Cabo Verde, 1 de outubro de 1805 — Lisboa, 6 de outubro de 1883) foi uma poetisa, dramaturga, jornalista, pianista e compositora portuguesa. }}{{autora}} == Obra == {{Lista de documentos início|gênero|}} {{documento|data=1844|título=O Sonho ou os gemidos das classes inactivas|galeria=|progresso=|gênero=Poesia|Fonte=|exportar=}} {{documento|data=1848|título=Olinda ou a Abadia de Cumnor Place: poema original em 5 cantos|galeria=|progresso=|gênero=Poesia|Fonte=|exportar=}} {{documento|data=1848|título=Galeria das Senhoras na Câmara dos Senhores Deputados ou as minhas observações|galeria=|progresso=|gênero=Monografia|Fonte=|exportar=}} {{documento|data=1848|título=Preces ou Cântico Devoto dedicado aos Fiéis Portugueses|galeria=|progresso=|gênero=Poesia|Fonte=|exportar=}} {{documento|data=1849|título=Irminio e Edgarde, ou doys mistérios|galeria=|progresso=|gênero=Romance|Fonte=|exportar=}} {{documento|data=1849|título=O Regedor da Paróquia|galeria=|progresso=|gênero=Drama/ Teatro|Fonte=|exportar=}} {{documento|data=1849|título=Constança ou o Amor Maternal|galeria=|progresso=|gênero=Drama/ Teatro|Fonte=|exportar=}} {{documento|data=1851|título=Ao ilustre Marechal Duque de Saldanha por occazião do seu triumphante regresso|galeria=|progresso=|gênero=Poesia|Fonte=|exportar=}} {{documento|data=1858|título=Homenagem a Sua Magestade a Rainha de Portugal Dona Estephania|galeria=|progresso=|gênero=Poesia|Fonte=|exportar=}} {{documento|data=1859|título=Saudade à memória da virtuosa rainha de Portugal, à Senhora D. Estephania, falecida em 17 de Julho de 1859, dedicada a seu augusto e saudoso consorte, El-Rei o Senhor D. Pedro V|galeria=|progresso=|gênero=Poesia|Fonte=|exportar=}} {{documento|data=1859|título=Lamentos à saudosa memoria de d. Maria Henriqueta do Casal Ribeiro|galeria=|progresso=|gênero=Poesia|Fonte=|exportar=}} {{documento|data=1861|título=Canto saudoso ou lamentos na solidão á memoria do Dom Pedro Quinto|galeria=|progresso=|gênero=Poesia|Fonte=|exportar=}} {{documento|data=1872|título=Biographia de Antonio Pusich : contendo 18 documentos de relevantes serviços prestados a Portugal por este ilustre varão Resumo da História da República de Ragusa e sua antiga literatura|galeria=|progresso=|gênero=Monografia|Fonte=|exportar=}} {{documento|data=1880|título=Homenagem a Luiz de Camões|galeria=Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf|progresso=4|gênero=Poesia|Fonte=https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Antónia_Pusich_-_Homenagem_a_Luiz_de_Camões_-_1880.pdf|exportar=Homenagem a Luiz de Camões}} {{Lista de documentos final}} [[Categoria:Antónia Pusich]] [[Categoria:Autores portugueses]] [[Categoria:Autoras]] sftmq406k11i0zte04xh86n37xp0yhh Página:Angelina Vidal - Semana da Paixão (1907).pdf/3 106 252868 558956 550234 2026-08-16T17:15:38Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558956 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude><div style="font-family:serif"> {{c|{{uc|Angelina Vidal}}}} {{linha customizada|w|40|w|40|w|40|w|40|w|40|w|40|w|40|w|40|w|40}} {{dhr|4em}} {{c|Semana de Paixão|fs=350%}} {{dhr}} {{C|{{uc|Carta}}|fs=200%}}</div> {{dhr}} {{c|{{uc|'''A sua magestade a rainha Sr.{{sup|a}} D. 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Ninguem comprehende estas palavras. Aquelle que proclama a existencia do infinito, e ninguem póde a isso escapar, accumula nʼesta affirmação maior dóse de sobrenatural do que a que ha em todos os milagres de todas as religiões; porquanto, a noção do infinito tem o duplo caracter de se impor e de ser incomprehensivel. Quando esta noção se apodera do entendimento, não ha senão inclinar-se. Ainda, nʼesse momento de pungentes agonias, é necessario pedir auxilio á propria rasão: todas as molas da vida intellectual ameaçam de se afrouxar; o homem sente-se quasi accommettido da sublime loucura de Pascal! Essa noção positiva e primordial, o positivismo desvia-a gratuitamente; e a desvia conjunctamente com todas as suas consequencias na vida das sociedades.}} {{fine|«Encontro por toda a parte a inevitavel expressão da noção do infinito no mundo. Por ella o sobrenatural está no intimo de todos os corações. A idéa de Deus é uma fórma da idéa do infinito. Emquanto o mysterio do infinito pesar sobre o pensamento humano, templos serão erguidos ao culto do infinito, quer o Deus se chame Brahma, Allah, Jehovah, ou Jesus. E sobre a lage dʼesses templos vereis homens ajoelhados, prostrados, abysmados no pensamento do infinito. Não faz a metaphysica outra cousa senão traduzir dentro de nós a dominadora noção do infinito. A concepção do ideal não será tambem a faculdade, reflexo do infinito que, em presença da belleza, nos leva a imaginar uma belleza superior? A sciencia e o ardor de comprehender são porventura outra cousa do que o aguilhão do saber, estimulo que o mysterio do universo põe em nossa alma? Onde estão as verdadeiras fontes da dignidade humana, da liberdade, e da democracia moderna, se não na noção do infinito, ante o qual todos os homens são iguaes?}} {{fine|«É necessario um laço espiritual na humanidade, diz M. Littré, sem o qual não haveria na sociedade senão familias isoladas, hordas, e nada de sociedade verdadeira.» Esse laço espiritual que elle collocava em uma especie de religião inferior da humanidade, não pode estar nʼoutra parte que na noção superior do infinito, porque esse laço espiritual deve ser associado ao mysterio do mundo. A religião da humanidade é uma dʼaquellas idéas de uma evidencia superficial e suspeita, que levaram um psychologo de um espirito eminente a dizer: olla muito que eu penso que aquelle que não tivesse idéas claras seria seguramente um parvo. As noções mais preciosas, acrescenta elle, que a intelligencia humana enco{{PT||bre, estão no fundo da scena, a uma meia luz, e em torno dʼessas idéas confusas cuja cohesão nos escapa, é que giram as idéas claras, para se estenderem, se desenvolverem, e elevarem-se. Se nós estivessemos separados dʼeste fundo da scena, as proprias sciencias exactas ali perderiam aquella grandeza que lhes provém das suas occultas relações com outras verdades infinitas, cuja existencia suspeitâmos.}}}} {{nop}}<noinclude></noinclude> gkvmrhnpw6zqf9uierlokka8nny4p7g Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/248 106 255927 558925 2026-08-16T12:31:46Z JppBr98 28173 /* Revista */ 558925 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 242 {{--}}}}</noinclude>Este funesto parasita da terra é o caboclo, especie de homem baldio, semi-nomade, inadaptavel á civilisação, mas que vive á beira della, na penumbra das zonas fronteiriças. A’ medida que o progresso vem chegando com a via ferrea, o italiano, o arado, a valorisação das terras, vae elle refugindo em silencio, com o seu cachorro, o seu pilão, a pica-pau e o isqueiro, de modo a sempre conservar-se fronteiriço, mudo e sorna. Encoscorado em uma rotina de pedra, recúa, para não adaptar-se. E’ de vê-lo abordar a um sitio novo para nelle armar a sua arapuca de «aggregado»; nomade, por força de vagos atavismos, não se liga á terra, como o camponio europeu, «aggrega-se-lhe», tal qual o «sarcoptes», pelo tempo necessario á completa sucção da seiva convizinha; feito o que, salta para adiante com a mesma bagagem com que alli chegou. Vem de um sapesal para criar outro. Coexistem em intima symbiose: sapé e caboclo são idéas associadas. Este inventou aquelle e lhe dilata os dominios; em troca disso o sapé lhe cobre a choça e lhe fornece fachos para queimar a colmeia das pobres abelhas. Chegam silenciosamente, elle e a «sarcopta» esposa, com um filhote no utero, outro ao peito, outro á ourela da saia, já de pito na bocca e faca á cinta. Completa o rancho um cachorro sarnento, — Brinquinho, a foice, a enxada, a pica-santo encardido, tres gallinhas pévas e um gallo pau, o pilãosinho de sal, a panella de barro, um<noinclude></noinclude> 7cj4tji8dhb4rdr6bc5jstziqrevxdt Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/146 106 255928 558926 2026-08-16T12:35:11Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558926 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|138|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>luz treze vezes mais intensa, e nāo temperada por camada alguma de atmosphera; a Terra enjo desapparecimento só se realisa no mesmo momento em que por seu turno reapparece o Sol! — Bonita phrase! disse Miguel Ardan, um pouco academica de mais, talvez. — Segue-se dʼaqui, proseguiu Barbicane, sem fazer reparo, que a tal face visivel do disco deve ser muito agradavel para habitar, visto olhar sempre, quer para o Sol quando é Lua-cheia, quer para a Terra quando é Lua-nova. — Essa vantagem, porém, disse Nicholl, deve reputar-se bem compensada pelo insustentavel calor que essa luz traz comsigo. — Pelo que diz respeito a temperatura, o inconveniente é ignal nas duas faces, porque a luz, reflectida pela Terra, está evidentemente desprovida de calor. E todavia a face invisivel soffre ainda mais intenso calor do que a visivel. Digo isto para vós, Nicholl, porque Miguel provavelmente nāo me comprehenderia. — Obrigado, resmungou Miguel. — Com effeito, proseguiu Barbicane, quando a face invisivel recebe a um tempo a luz e o calor solar, é a Lua-nova, quer dizer, está em conjuncçāo, está situada entre o Sol e a Terra. E portanto, — em relaçāo á situaçāo que occupa quando em opposiçāo, ou o que é o mesmo quando é cheia, — mais proxima do Sol o dobro da sua distancia á Terra. Esta distancia póde avaliar-se em 1/200 avos da que separa o Sol da Terra, ou, em numeros redondos, duzentas mil leguas. Por conseguinte está a face invisivel mais proxima do Sol duzentas mil leguas do que em igunes circumstancias o está a outra face, quando recebe os raios solares. — Perfeitamente exacto, respondeu Nicholl. — Pelo contrario... ia proseguindo Barbicane. — Espera um momento, disse Miguel interrompendo o grave companheiro. — Que queres? {{nop}}<noinclude></noinclude> 4vztahgnyh5yzgeupe9rija7ozglvbu Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/249 106 255929 558927 2026-08-16T12:37:50Z JppBr98 28173 /* Revista */ 558927 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 243 {{--}}}}</noinclude>indio. Com estes simples ingredientes o fazedor de sapeseiros perpetua a especie e a obra de esterilisação iniciada pelos remotissimos avós. Abancam. Em tres dias uma choça, que por euphemismo chamam casa, brota da terra como um urupê. Tirou tudo do lugar, os esteios, os caibros, as ripas, os barrotes, o cipó que os liga, o barro das paredes e a palha do tecto. E’ tão intima a communhão dessas palhoças com a terra local, que dariam idéa de coisa nascida do chão por obra espontanea da natureza, — se a natureza fosse capaz de crear coisas inestheticas. Barreada a casa, pendurado o santo, está lavrada a sentença de morte daquella paragem. Começam as requesições. Com a pica-pau limpa a floresta da volataria incauta. Polvora e chumbo adquire-os vendendo palmito no povoado visinho. E’ este um traço curioso da vida do caboclo que explica o seu largo dispendio de polvora; quando o palmito escasseia, rareiam os tiros, só a caça grande merecendo sua carga de chumbo; se o palmital se extingue, exultam as peças: está encerrado o cyclo venatorio. Depois, ataca a floresta. Roça e derruba, não perdoando ao mais bello pau, Arvores diante de cuja majestosa belleza Ruskin choraria de commoção, elle as derriba, impassivel, para extrahir o mel escondido num ôco. Prompto o roçado, e chegado o tempo da queima, entra em funcções o isqueiro. Mas aqui o «sarcopte» se faz raposa. Como não ignora que a lei impõe aos roçados um aceiro de dimensões<noinclude></noinclude> a04zlr75sccmkugkxpjxilun28jg1na Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/147 106 255930 558928 2026-08-16T12:38:20Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558928 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|139|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>— Desejo continuar eu a explicaçāo. — E porque? — Para vos provar que comprehendi. — Vá lá, obtemperou Barbicane sorrindo. — Pelo contrario, disse Miguel, imitando a voz e o geslo do presidente Barbicane, pelo contrario, quando a face visivel da Lua é illuminada pelo Sol, a Lua é cheia, isto é, está situada no ponto opposto ao Sol em relaçāo á Terra. A distancia que a separa do astro radiante ereseen, portanto, em duzentas mil leguas, numeros redondos, e o calor que recebe deve conseguintemente ser um pouco menos intenso. — Bem explicado! exclamou Barbicane. Olha, Miguel, que para um artista tens intelligencia como poucos! — Sim, respondeu sem se ufanar, Miguel, lá no ''boulevard'' dos Italianos somos todos assim ! Barbicane apertou com seriedade a māo do amavel companheiro, e continuou a enumerar-lhe algumas vantagens que a natureza reservára para os habitantes da face visivel. Citon, entre outras, a observaçāo de eclipses do Sol, unicamente possivel dʼaquelle lado do disco lunar, visto que, para se realisarem, necessario é que a Lua esteja em opposiçāo. Estes eclipses, que ali provém da interposiçāo da Terra entre a Lua e o Sol, podem durar duas horas, durante as quaes o globo terrestre, em virtude dos raios refractados pela atmosphera, deve apparecer apenas como um ponto negro projectado na superficie do Sol. — Assim, disse Nicholl, é esse hemispherio invisivel, um hemispherio mal dotado e muito desvalido da natureza. — É verdade, respondeu Barbicane, mas nāo todo elle. E com effeito a Lua, em virtude de um certo movimento de libraçāo, de um certo balancear em torno do seu centro, mostra á terra um pouco mais de metade do disco. É como um pendulo cujo centro de gravidade estivesse voltado para o globo terrestre e que oscillasse com regularidade. Dʼonde vem esta oscillaçāo da Lua? De que o seu movimento de rotaçāo em torno do eixo é uniforme, ao passo que o seu movimento de translaçāo, se-<noinclude></noinclude> 6l36f9auwfpq2ykusuayfahyk28mvru Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/148 106 255931 558929 2026-08-16T12:42:06Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558929 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|140|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>gundo uma orbita elliptica em volta da Terra, tem a velocidade variavel. No perigeo vence a velocidade de translaçāo, e mostra a Lua uma certa porçāo do seu bordo occidental. No apogeo, pelo contrario, é a velocidade de rotaçāo que vence, e apparece um pedaço de bordo oriental. É uma lunula de proximamente oito graus que apparece ora ao occidente, ora ao oriente. Dʼaqui resulta que, se dividirmos as duas faces do disco da Lua em mil partes, poderemos dizer que sāo dʼestas visiveis quinhentas e sessenta e nove. — Nāo importa, respondeu Miguel, se chegarmos alguma vez a ser selenitas, havemos de habitar a face visivel. Gosto da luz, eu! — A nāo ser, replicou Nicholl, que a atmosphera se condensasse toda do outro lado, como aflirmam alguns astronomos. — Isso, lá será caso para considerar, respondeu simplesmente Miguel. No entretanto, terminado o almoço, os observadores tinham volvido a postos. Tentaram ver através das escuras vigias, apagando todas as luzes do interior do projectil. Mas nem um só atomo luminoso atravessava aquella obscuridade. Barbicane estava preoccupado por um facto inexplicavel. E era este, ter o projectil passado a pequena distancia da Lua, — proximamente cincoenta kilometros, — e nāo ter lá caído. Se fôra enorme a velocidade do projectil, comprehender-se-ia que a quéda se nāo tivesse realisado. Mas com uma velocidade relativamente mediocre, mal se explicava aquella resistencia á attracçāo lunar. Estaria acaso o projectil submettido a uma influencia estranha? Mantido no ether por um corpo qualquer? Dʼora ávante ficava evidente que o projectil nāo viria a alcançar ponto algum da Lua. Para onde ía pois? Afastava-se ou aproximava-se do disco? Seria porventura arrastado nʼaquella profunda escuridāo através do intinito? Como sabel-o, como calculal-o, envolvido em trevas? Todos estes problemas causavam a Barbicane inquietaçāo, sem que todavia lhe fosse possivel resolvel-os. {{nop}}<noinclude></noinclude> i4k48on2uv72jj2kjublnbzlaeg77k1 558930 558929 2026-08-16T12:42:28Z Erick Soares3 19404 558930 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|140|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>gundo uma orbita elliptica em volta da Terra, tem a velocidade variavel. No perigeo vence a velocidade de translaçāo, e mostra a Lua uma certa porçāo do seu bordo occidental. No apogeo, pelo contrario, é a velocidade de rotaçāo que vence, e apparece um pedaço de bordo oriental. É uma lunula de proximamente oito graus que apparece ora ao occidente, ora ao oriente. Dʼaqui resulta que, se dividirmos as duas faces do disco da Lua em mil partes, poderemos dizer que sāo dʼestas visiveis quinhentas e sessenta e nove. — Nāo importa, respondeu Miguel, se chegarmos alguma vez a ser selenitas, havemos de habitar a face visivel. Gosto da luz, eu! — A nāo ser, replicou Nicholl, que a atmosphera se condensasse toda do outro lado, como aflirmam alguns astronomos. — Isso, lá será caso para considerar, respondeu simplesmente Miguel. No entretanto, terminado o almoço, os observadores tinham volvido a postos. Tentaram ver através das escuras vigias, apagando todas as luzes do interior do projectil. Mas nem um só atomo luminoso atravessava aquella obscuridade. Barbicane estava preoccupado por um facto inexplicavel. E era este, ter o projectil passado a pequena distancia da Lua, — proximamente cincoenta kilometros, — e nāo ter lá caído. Se fôra enorme a velocidade do projectil, comprehender-se-ia que a quéda se nāo tivesse realisado. Mas com uma velocidade relativamente mediocre, mal se explicava aquella resistencia á attracçāo lunar. Estaria acaso o projectil submettido a uma influencia estranha? Mantido no ether por um corpo qualquer? Dʼora ávante ficava evidente que o projectil nāo viria a alcançar ponto algum da Lua. Para onde ía pois? Afastava-se ou aproximava-se do disco? Seria porventura arrastado nʼaquella profunda escuridāo através do infinito? Como sabel-o, como calculal-o, envolvido em trevas? Todos estes problemas causavam a Barbicane inquietaçāo, sem que todavia lhe fosse possivel resolvel-os. {{nop}}<noinclude></noinclude> 3dtfbb2lcirdiej9nlv89xu79whbvje Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/250 106 255932 558931 2026-08-16T12:42:37Z JppBr98 28173 /* Revista */ 558931 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 244 {{--}}}}</noinclude>sufficientes á circumscripção do fogo, urde traças para illudir a lei, cocando dest’arte a velha preguiça e a velha malignidade. Foi neste momento que o viu o poeta. ''Scisma o caboclo á porta da cabana.'' Scisma, de facto, não devaneios lyricos, mas geitos de transgredir as posturas com a responsabilidade a salvo. E consegue-o. Arranja sempre um «alibi» demonstrativo de que não esteve lá no dia do fogo. Onze horas. O sol quasi a pino queima como chamma. Um «sarcopte» esgueira-se por ali, resabiado. Minutos após crepita a labareda inicial, medrosa, numa touça mais secca; oscilla, incerta; ondeia ao vento; mas logo encorpa, cresce, avulta, tumultua infrene e, senhora do terreno, estruge, fragorosa, com infernal violencia, devorando as tranqueiras, estorricando as mais altas frondes, despejando para o céu golphões de fumo escuro, estrellejado de faiscas. E’ o fogo de matto. E, como não o detem nenhum aceiro, invade a floresta, e caminha por ella a dentro, ora frouxo, nas capetingas ralas, ora massiço, aos estouros, nas moitas de taquarussú; caminha sem treguas, moroso e tibio quando a noite fecha, insolente se o sol o ajuda. E vae galgando montes em arrancadas furiosas, descendo encostas, em passo lento e traiçoeiro até que o detenha a barragem natural dum rio, estrada ou rampa noruega. Barrado, inflecte para os flancos, ladeia o obstaculo, deixa-o para atraz, esgueira-se para os {{hífen|la|lados,}}<noinclude></noinclude> 5al7qnkopd98t8luavtigpepyv98q03 Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/251 106 255933 558932 2026-08-16T12:47:16Z JppBr98 28173 /* Revista */ 558932 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 245 {{--}}}}</noinclude>{{hífen-fim|dos,|lados,}} e la continua o abrazamento implacavel. Amordaçado por uma chuva repentina, alapa-se numa «piúca», quieto e invisivel, para, no dia seguinte, ao esquentar do sol, proseguir na faina carbonisante. Quem foi o incendiario? Donde partiu o fogo? Indaga-se, descobre -se o Nero: é um urumbeva qualquer, de barba rala, amoitado n’um litro de terra litigiosa. E agora? Que fazer? Processal-o? Não ha recurso legal contra elle. A pena, unica possivel, barata, facil e já estabelecida como praxe, é «tocal-o». Curioso este preceito: «ao caboclo, toca-se». Toca-se, como se toca um cachorro importuno, ou uma gallinha que vareja pela sala. E tão affeito anda elle a isso que é commum ouvil-o dizer: se eu fizer tal coisa o senhor não me toca? Justiça summaria que não pune, entretanto, dado o nomadismo do paciente. Emquanto a matta arde, o «sarcopte» regala-se. — Eh! fogo bonito! No vazio de sua vida semi-selvagem, em que os incidentes são um jacú abatido, uma paca fisgada n’agua e o filho novimensal, a queimada é o grande espectaculo do anno, supremo regalo dos olhos e dos ouvidos. Entrado Setembro, o caboclo planta na terra em cinzas um boccado de milho, feijão e arroz; mas o valor da sua producção annual é nenhum diante dos males que para preparar uma quarta<noinclude></noinclude> eae97lb17v5hoow94f3q00ddpf2ukbq Página:Campos-Traduccaoebreve.pdf/18 106 255934 558933 2026-08-16T12:49:20Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{PT|bre, estão no fundo da scena, a uma meia luz, e em torno dʼessas idéas confusas cuja cohesão nos escapa, é que giram as idéas claras, para se estenderem, se desenvolverem, e elevarem-se. Se nós estivessemos separados dʼeste fundo da scena, as proprias sciencias exactas ali perderiam aquella grandeza que lhes provém das suas occultas relações com outras verdades infinitas, cuja existencia suspeitâmos.}} {{fine|«Os gregos tinham co... 558933 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Erick Soares3" />{{c|18<br>{{rule|4em}}}}</noinclude>{{PT|bre, estão no fundo da scena, a uma meia luz, e em torno dʼessas idéas confusas cuja cohesão nos escapa, é que giram as idéas claras, para se estenderem, se desenvolverem, e elevarem-se. Se nós estivessemos separados dʼeste fundo da scena, as proprias sciencias exactas ali perderiam aquella grandeza que lhes provém das suas occultas relações com outras verdades infinitas, cuja existencia suspeitâmos.}} {{fine|«Os gregos tinham comprehendido o mysterioso poder da dependencia em que umas cousas estão de outras: Foram elles que nos legaram uma das mais bellas palavras da nossa lingua, a palavra enthusiasmo: — Um Deus interior.}} {{fine|«A grandeza das acções humanas mede-se pela inspiração que as faz nascer, ou que as produz. Feliz aquelle que tem em si um deus, um ideal de belleza, e que lhe obedece; ideal dʼarte, ideal da sciencia, ideal da patria, ideal das virtudes do evangelho. Ali estão as fontes vivas dos grandes pensamentos, e das grandes acções. Todas se illuminam dos reflexos do infinito.}} {{fine|«M. Littré tinha seu deus interior. O ideal que enchia sua alma era o amor do trabalho e da humanidade.}} {{fine|«Não raro, apraz-me em represental-o na imaginação, assentado junto a sua mulher, como em um quadro dos primeiros tempos do christianismo: elle, olhando para a terra, cheio de compaixão por aquelles que padecem ; ella, fervente catholica, de olhos voltados para o céu ; elle, inspirado de todas as virtudes terrestres ; ella, de todas as magnificencias divinas, reunindo em um mesmo impulso, como em um mesmo coração, as duas santidades, que formam a aureola do Homem-Deus, aquella que procede da dedicação ao que é humano, aquella que procede do ardente amor divino; ella, uma santa na accepção canonica; elle, um santo leigo.}} {{fine|«Esta ultima expressão não é minha; eu a ouvi a todos que o conheceram.»}} {{dhr|2}} A resposta de M. Renan é de bem mediocre interesse. É mais um especimen das nihilidades brilhantes, que costumam resaltar da penna dʼeste academico, que sabe pôr os encantos do estylo, as destrezas e flexibilidades da linguagem ao serviço de miseraveis sophismas, cuja ultima consequencia é sempre a negação de todas as cousas! Mas, porque devemos ser veridicos e leaes, poremos em relevo algumas das passagens<noinclude></noinclude> h2mjfkkf0791jv1ed7nawvxr5r8fxoi 558934 558933 2026-08-16T12:49:28Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558934 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|18<br>{{rule|4em}}}}</noinclude>{{PT|bre, estão no fundo da scena, a uma meia luz, e em torno dʼessas idéas confusas cuja cohesão nos escapa, é que giram as idéas claras, para se estenderem, se desenvolverem, e elevarem-se. 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O ideal que enchia sua alma era o amor do trabalho e da humanidade.}} {{fine|«Não raro, apraz-me em represental-o na imaginação, assentado junto a sua mulher, como em um quadro dos primeiros tempos do christianismo: elle, olhando para a terra, cheio de compaixão por aquelles que padecem ; ella, fervente catholica, de olhos voltados para o céu ; elle, inspirado de todas as virtudes terrestres ; ella, de todas as magnificencias divinas, reunindo em um mesmo impulso, como em um mesmo coração, as duas santidades, que formam a aureola do Homem-Deus, aquella que procede da dedicação ao que é humano, aquella que procede do ardente amor divino; ella, uma santa na accepção canonica; elle, um santo leigo.}} {{fine|«Esta ultima expressão não é minha; eu a ouvi a todos que o conheceram.»}} {{dhr|2}} A resposta de M. Renan é de bem mediocre interesse. É mais um especimen das nihilidades brilhantes, que costumam resaltar da penna dʼeste academico, que sabe pôr os encantos do estylo, as destrezas e flexibilidades da linguagem ao serviço de miseraveis sophismas, cuja ultima consequencia é sempre a negação de todas as cousas! Mas, porque devemos ser veridicos e leaes, poremos em relevo algumas das passagens<noinclude></noinclude> 9jtypby7qbp1pdia9tor6d4py3mze0c Página:Campos-Traduccaoebreve.pdf/19 106 255935 558936 2026-08-16T12:53:07Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558936 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|19<br>{{rule|4em}}}}</noinclude>do seu discurso, que confirmam os nossos anteriores assertos a respeito dos displantes, e fluctuações do seu espirito sceptico. Depois de apreciar em largos traços a vida scientifica, e os titulos de gloria litteraria de M. Pasteur, prorompe nas seguintes singulares palavras: {{dhr}} {{fibe|«Eu vos farei a minha confissão: quando, em politica, e em philosophia, me acho em presença de idéas assentadas, sou sempre da opinião do meu interlocutor. Nʼestas delicadas materias, cada um tem rasão por algum lado. Pede a deferencia e a justiça que não procuremos na opinião, qué se nos propõe, senão a parte de verdade que contém. Effectivamente, trata-se aqui dʼessas questões por sobre as quaes aprouve á Providencia (entendo por esta palavra o complexo das condições fundamentaes do universo) que pairasse um absoluto mysterio. Nʼesta ordem de idéas, deve-se afastar toda a prevenção: é bom variar seus pontos de vista, e ouvir os rumores, que vem de todos os lados do horisonte.»}} {{dhr}} Foi, sem duvida, essa deferencia para com as opiniões de M. Pasteur que levou M. Renan a prevenil-o de que ellas poderiam errar o alvo, buscando um refugio na academia franceza. {{dhr}} {{fine|«Á philosophia de M. Littré, diz elle, vós preferis outra, que suppondes, encontraria aqui «um ultimo refugio». Ah! não vos fieis muito nʼisto. A zona da nossa protecção litteraria é demasiado larga; estende-se desde Bossuet até Voltaire. Muitas vezes nos é grato dar asylo aos vencidos; a causa porém que encontrasse aqui o seu ultimo refugio, poderia ser assás enferma. Nós não patrocinamos as doutrinas; distinguimos o talento. Eis porque não temos nunca lograções, nem contrariedade. Tudo passa, e nós ficâmos; porque não pômos mira senão em duas cousas que, esperamo-lo, serão eternas em França: o talento e o genio. Respeitâmos todas as fórmas de que se póde revestir uma crença elevada. Vós, por exemplo, vos servis de duas palavras de que jamais me servirei: espiritualismo e materialismo. O escopo do mundo é a idéa; mas eu não conheço um só caso em que a idéa seja produzida sem materia: não conheço espirito puro, nem obra de espirito puro. A obra divina effectua-se pela tendencia intima para o bem, e para}} {{nop}}<noinclude></noinclude> g3yrgvi98oa3zxlft1j3i73lai1iikg 558937 558936 2026-08-16T12:53:18Z Erick Soares3 19404 558937 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|19<br>{{rule|4em}}}}</noinclude>do seu discurso, que confirmam os nossos anteriores assertos a respeito dos displantes, e fluctuações do seu espirito sceptico. Depois de apreciar em largos traços a vida scientifica, e os titulos de gloria litteraria de M. Pasteur, prorompe nas seguintes singulares palavras: {{dhr}} {{fine|«Eu vos farei a minha confissão: quando, em politica, e em philosophia, me acho em presença de idéas assentadas, sou sempre da opinião do meu interlocutor. Nʼestas delicadas materias, cada um tem rasão por algum lado. Pede a deferencia e a justiça que não procuremos na opinião, qué se nos propõe, senão a parte de verdade que contém. Effectivamente, trata-se aqui dʼessas questões por sobre as quaes aprouve á Providencia (entendo por esta palavra o complexo das condições fundamentaes do universo) que pairasse um absoluto mysterio. Nʼesta ordem de idéas, deve-se afastar toda a prevenção: é bom variar seus pontos de vista, e ouvir os rumores, que vem de todos os lados do horisonte.»}} {{dhr}} Foi, sem duvida, essa deferencia para com as opiniões de M. Pasteur que levou M. Renan a prevenil-o de que ellas poderiam errar o alvo, buscando um refugio na academia franceza. {{dhr}} {{fine|«Á philosophia de M. Littré, diz elle, vós preferis outra, que suppondes, encontraria aqui «um ultimo refugio». Ah! não vos fieis muito nʼisto. A zona da nossa protecção litteraria é demasiado larga; estende-se desde Bossuet até Voltaire. Muitas vezes nos é grato dar asylo aos vencidos; a causa porém que encontrasse aqui o seu ultimo refugio, poderia ser assás enferma. Nós não patrocinamos as doutrinas; distinguimos o talento. Eis porque não temos nunca lograções, nem contrariedade. Tudo passa, e nós ficâmos; porque não pômos mira senão em duas cousas que, esperamo-lo, serão eternas em França: o talento e o genio. Respeitâmos todas as fórmas de que se póde revestir uma crença elevada. Vós, por exemplo, vos servis de duas palavras de que jamais me servirei: espiritualismo e materialismo. O escopo do mundo é a idéa; mas eu não conheço um só caso em que a idéa seja produzida sem materia: não conheço espirito puro, nem obra de espirito puro. A obra divina effectua-se pela tendencia intima para o bem, e para}} {{nop}}<noinclude></noinclude> rcl3e9e4x8m70a4itbiekead6hl4c6b 558938 558937 2026-08-16T12:54:02Z Erick Soares3 19404 558938 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|19<br>{{rule|4em}}}}</noinclude>do seu discurso, que confirmam os nossos anteriores assertos a respeito dos displantes, e fluctuações do seu espirito sceptico. Depois de apreciar em largos traços a vida scientifica, e os titulos de gloria litteraria de M. Pasteur, prorompe nas seguintes singulares palavras: {{dhr}} {{fine|«Eu vos farei a minha confissão: quando, em politica, e em philosophia, me acho em presença de idéas assentadas, sou sempre da opinião do meu interlocutor. Nʼestas delicadas materias, cada um tem rasão por algum lado. Pede a deferencia e a justiça que não procuremos na opinião, qué se nos propõe, senão a parte de verdade que contém. Effectivamente, trata-se aqui dʼessas questões por sobre as quaes aprouve á Providencia (entendo por esta palavra o complexo das condições fundamentaes do universo) que pairasse um absoluto mysterio. Nʼesta ordem de idéas, deve-se afastar toda a prevenção: é bom variar seus pontos de vista, e ouvir os rumores, que vem de todos os lados do horisonte.»}} {{dhr}} Foi, sem duvida, essa deferencia para com as opiniões de M. Pasteur que levou M. Renan a prevenil-o de que ellas poderiam errar o alvo, buscando um refugio na academia franceza. {{dhr}} {{fine|«Á philosophia de M. Littré, diz elle, vós preferis outra, que suppondes, encontraria aqui «um ultimo refugio». Ah! não vos fieis muito nʼisto. A zona da nossa protecção litteraria é demasiado larga; estende-se desde Bossuet até Voltaire. Muitas vezes nos é grato dar asylo aos vencidos; a causa porém que encontrasse aqui o seu ultimo refugio, poderia ser assás enferma. Nós não patrocinamos as doutrinas; distinguimos o talento. Eis porque não temos nunca lograções, nem contrariedade. Tudo passa, e nós ficâmos; porque não pômos mira senão em duas cousas que, esperamo-lo, serão eternas em França: o talento e o genio. Respeitâmos todas as fórmas de que se póde revestir uma crença elevada. Vós, por exemplo, vos servis de duas palavras de que jamais me servirei: espiritualismo e materialismo. O escopo do mundo é a idéa; mas eu não conheço um só caso em que a idéa seja produzida sem materia: não conheço espirito puro, nem obra de espirito puro. A obra divina effectua-se pela tendencia intima para o bem, e para {{PT||a verdade que está no universo: não sei bem se sou espiritualista ou materialista.}}}} {{nop}}<noinclude></noinclude> 8zjat8e5l64l4f5pqu87j2sx5n7t0do Página:Campos-Traduccaoebreve.pdf/20 106 255936 558939 2026-08-16T12:57:14Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558939 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|20<br>{{rule|4em}}}}</noinclude>{{PT|a verdade que está no universo: não sei bem se sou espiritualista ou materialista.}} {{fine|«É prudente não associar a sorte das crenças moraes a systema algum. A explicação do enigma, que nos atormenta e encanta, não nos será jamais dada. Quanto a mim, quando alguem nega esses dogmas fundamentaes, tenho desejo de cré-los; quando alguem os affirma de outro modo que em bellos versos, sou assaltado de uma duvida invencivel. Receio que deixe de haver nʼisso toda a segurança, e, como o mystico de que falla Joinville, desejaria por momentos fazer arder o paraizo por amor de Deus. Em caso similhante, a duvida é que constitue o merito.»}} {{dhr}} É singular! Dizia Descartes que um dos estados mais tormentosos para o espirito humano seria o da duvida permanente, da duvida por systema; M. Renan pelo contrario considera a duvida como merito, e até como fonte de recreio do espirito! Faremos uma ultima citação do seu discurso, em que mais evidentemente se revela, ou em que mais fortemente se accentúa o seu scepticismo atheu: ouçamol-o: {{dhr}} {{fine|«Os problemas moraes, diz elle, exigem o que poderiamos chamar critica geral. Não é possivel examina-los pelo methodo escolastico. Para podermos attingir aquellas verdades, que se divisam não de face, mas de esguelha, e como com o rabo do olho, é necessaria a cultura variada do espirito, o conhecimento da humanidade, de seus estados diversos, de suas fraquezas, de suas illusões, de seus preconceitos, sob tantas relações fundadas em rasão, dʼesses absurdos respeitaveis; — é necessaria a historia da philosophia, que algumas vezes torna religioso, a historia da religião, que muitas vezes torna philosopho, a historia da sciencia, que deveria tornar sempre modesto; — é necessario o conhecimento de uma multidão de cousas, que não se aprendem, senão para se ver que são vaidades; — é necessario, sobretudo, o espirito, a alegria, a boa saude intellectual de um Lucien, de um Montaigne, de um Voltaire. E o resultado final, é que o maior dos sabios foi o Ecclesiastes, quando representa o mundo entregue ás disputas dos homens para que elles não comprehendam cousa alguma. Que importa, em todo o caso, pois que o ponto imperceptivel da realidade, que entrevemos, está cheio de arrebatadoras harmonias, e a vida, tal}} {{nop}}<noinclude></noinclude> s2ju13ab4u4mvtkwqnjlwdfw59uiuh5 558996 558939 2026-08-17T11:49:24Z Erick Soares3 19404 558996 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|20<br>{{rule|4em}}}}</noinclude>{{PT|a verdade que está no universo: não sei bem se sou espiritualista ou materialista.}} {{fine|«É prudente não associar a sorte das crenças moraes a systema algum. A explicação do enigma, que nos atormenta e encanta, não nos será jamais dada. Quanto a mim, quando alguem nega esses dogmas fundamentaes, tenho desejo de cré-los; quando alguem os affirma de outro modo que em bellos versos, sou assaltado de uma duvida invencivel. Receio que deixe de haver nʼisso toda a segurança, e, como o mystico de que falla Joinville, desejaria por momentos fazer arder o paraizo por amor de Deus. Em caso similhante, a duvida é que constitue o merito.»}} {{dhr}} É singular! Dizia Descartes que um dos estados mais tormentosos para o espirito humano seria o da duvida permanente, da duvida por systema; M. Renan pelo contrario considera a duvida como merito, e até como fonte de recreio do espirito! Faremos uma ultima citação do seu discurso, em que mais evidentemente se revela, ou em que mais fortemente se accentúa o seu scepticismo atheu: ouçamol-o: {{dhr}} {{fine|«Os problemas moraes, diz elle, exigem o que poderiamos chamar critica geral. Não é possivel examina-los pelo methodo escolastico. Para podermos attingir aquellas verdades, que se divisam não de face, mas de esguelha, e como com o rabo do olho, é necessaria a cultura variada do espirito, o conhecimento da humanidade, de seus estados diversos, de suas fraquezas, de suas illusões, de seus preconceitos, sob tantas relações fundadas em rasão, dʼesses absurdos respeitaveis; — é necessaria a historia da philosophia, que algumas vezes torna religioso, a historia da religião, que muitas vezes torna philosopho, a historia da sciencia, que deveria tornar sempre modesto; — é necessario o conhecimento de uma multidão de cousas, que não se aprendem, senão para se ver que são vaidades; — é necessario, sobretudo, o espirito, a alegria, a boa saude intellectual de um Lucien, de um Montaigne, de um Voltaire. E o resultado final, é que o maior dos sabios foi o Ecclesiastes, quando representa o mundo entregue ás disputas dos homens para que elles não comprehendam cousa alguma. Que importa, em todo o caso, pois que o ponto imperceptivel da realidade, que entrevemos, está cheio de arrebatadoras harmonias, e a vida, tal {{PT||como nos foi outorgada, é um dom excellente, e para cada um de nós a revelação de uma bondade infinita?}}}} {{nop}}<noinclude></noinclude> cuvxacbdine7kxax2usmkwmzw0kffhl Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/252 106 255937 558941 2026-08-16T13:26:40Z JppBr98 28173 /* Revista */ 558941 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 246 {{--}}}}</noinclude>de chão elle semeou. O caboclo é uma quantidade negativa. Tala cincoenta alqueires de terra para extrahir delles o com que passar fome e frio durante o anno. Calcula as sementeiras pelo maximo da sua resistencia ás privações. Nem mais nem menos. «Dando para passar fome», sem virem a morrer disso, elle, a mulher e o cachorro — está tudo muito bem, assim fez o pae, o avô, assim fará a prole empanzinada, que naquelle momento brinca, núa, no terreiro. Quando se exhaure a terra, o aggregado muda de sitio. No lugar fica a tapera e o sapeseiro. Um anno que passe e só este attestará a sua estadia alli; o mais se apaga como por encanto. A terra reabsorve os frageis materiaes da choça, e como nem sequer uma laranjeira foi plantada, nada mais lembra a passagem do Manoel Peroba, Chico Marimbondo, Geca Tatu’ e outros sons ignaros de dolorosa memoria, á natureza circumvisinha. {{dhr}} {{rule|3em}} {{dhr}} Ha uma postura adoptada em quasi todos os codigos municipaes, prescrevendo, sob pena de multa, um aceiro de taes e taes dimensões em redor de todos os roçados destinados á queima. Como, entretanto, se não curou dos meios de lhe fiscalisar a execução, a sabia providencia dorme no cemiterio da Letra Morta. E’ mister, é urgente tiral-a dahi, completando-a de modo a fazel-a produzir todo o beneficio de que é capaz. E isso se conseguirá facilmente. Basta attribuir<noinclude></noinclude> 89o6h1k7wb239mxlc9ndi56q2htizl8 Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/253 106 255938 558942 2026-08-16T13:30:01Z JppBr98 28173 /* Revista */ 558942 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 247 {{--}}}}</noinclude>aos inspectores de quarteirão a tarefa de verificar se os aceiros obedecem as condições exigidas, prohibindo-se terminantemente, sob fortes penas, o deitar fogo ás roças sem a prévia inspecção dessa autoridade. Avultado como é o numero de taes inspectores, ramusculos terminaes da arvore da Autoridade, o serviço se organisaria facilmente, com grande efficacia, sem despezas, sem barulho, sem burocracia. Só das Camaras é licito esperar alguma cousa neste sentido. A União cuida de casos politicos, e, mesmo que voltasse a attenção para o problema{{corr|;|,}} viria logo com uma dessas machinas pesadas, complicadas, matracolejantes, carissimas e inuteis como a Defeza da Borracha, de papeluda memoria, caranguejolas que só funccionam nos relatorios e nas folhas do Thesouro. O Estado… Só as Camaras, só as Camaras poderão providenciar efficazmente, só ellas conhecem de perto as necessidades locaes, só dellas poderá partir a medida pratica e simples capaz de açaimar de vez o funestissimo fogo de Agosto. A ellas, pois, o brado de misericordia da legião de prejudicados. {{dhr|200%}} {{rule|3em}}<noinclude></noinclude> hv8ts8095ag5mni24qqqlgnlhwrnbto Página:Contos infantis em verso e prosa.pdf/75 106 255939 558944 2026-08-16T14:00:35Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558944 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Contos infantis}}|59}}{{lh}}</noinclude>dolorosamente o coração. O inverno era longo easperrimo, e faltava-lhes tudo! Veio um diaentão, em que nada encontraram para comer. O filhinho pouco mamava já, a mãe sentia-se febril. O pae, desesperado, não tinha recursos para acudir á esposa e pensava na sua triste sorte, quando vio a cabrinha adormecida a um canto. Teve uma ideia ― vendel-a! Leval-a-hia a uma feira e trocal-a-hia pelo sustento de alguns dias. Amarrou pois uma corda ao pescoço de Mimi, que o olhava melancolica como se lhe perguntasse: ― O que vaes fazer da ama de teu filho?! Arrastou-a á força d'alli, subiu e desceu montanhas, chegou por fim á villa onde a vendeu a um rico lavrador. Voltou: a mulher melhorára e andava louca á procura do esposo e do animal. Contou-lhe o marido tudo que fizera, ouvindo-o, a infeliz angustiada olhava compassiva para o filhinho adormecido. Ia se approximando a hora, em que elle costumava ter a sua ceia, moveu-se, chorou, chorou baixinho á espera da sua Mimi; acudio a mãe, mas o pequeno então chorou mais, e mais, e mais! Nada havia que o consolasse. Nada! O pae, afflicto, cheio de remorsos, arrepelava-se; a mãe em vão tentava socegal-o! O pequeno enrouquecia pelo excesso do choro. O vento soluçava entrando pelas fendas das paredes rusticas. 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Triumphou o grandioso pensamento Que a patria poude alfim desaffrontar. Salve excelso Camões! na eternidade Onde exultas de gloria, e immensa luz, Onde eclipse não ha, nem tempestade Tens ditosa, immortal vida sem cruz, De teus lumes um raio á terra envia, A patria que foi tu'aos filhos seus! Portugal te consagra n'este dia A homenagem devida aos manes teus! Sem te erguerem padrões, olvido ingente, Dormem seculos tres povos e reis! Mas... Fernando, e Luiz <ref>Sua Magestade o Senhor Dom Fernando em sua regencia honrou a memoria de Camões destinando a seus restos mortaes um jazigo real. Em 29 de outubro de 1855, anniversario de seu faustissimo nascimento, dissemos, no final de uma poesia que dedicámos ao mesmo Augusto Senhor, em memoria de seus actos exercidos em beneficio d'este paiz; o seguinte: ''E mais alto louvor inda te cabe'' ::''Na historia das nações:'' ''Hade teu nome honrar, quem honrar sabe'' ::''As cinzas de Camões..»'' E este principe foi, com Seu Augusto filho o Senhor Dom Luiz, segurando um dos cordões da cortina que velava a Estatua de Luiz de Camões, e a patentiou ao publico. No Palacio da Penna em Cintra, o Senhor Dom Fernando recorda em brilhante quadro das mais vivas cores as glorias de Portugal, e do Gama, cantadas por Camões nos immortaes Luziadas. Sua Magestade o Senhor D. Luiz assentou a pedra fundamental do Monumento, em 28 de junho de 1862 ― principio do seu reinado; decretou a inauguração em 2 de outubro de 1867 (referendou o decreto o Ex. João Baptista da Silva Ferrão de Carvalho Martens, Ministro do Reino). Realisou-se a inauguração em 9 do referido mez e anno, sendo presidente do conselho o Ex. Joaquim Antonio de Aguiar. Lembramos algumas palavras do eloquente discurso de Sua Magestade, as quaes revelam os elevados sentimentos de seu magnanimo coração. Eil-as: «''Para louvar Luiz de Camões basta escutar a fama; é a voz dos seculos quem inspira o seu elogio. Esse monumento consagraram-o já os nossos maiores, por que nunca a consciencia do povo esquece os nomes dos seus homens illustres.'' «''Se a patria por um momento pareceu olvidal-o, prantiava ella então desolada as desgraças que a opprimiam!... «''O Nome do grande poeta, inscripto no elevado pedestal da fama ao lado dos primeiros poetas do mundo, descança seguro de que nunca será esquecido. A opinião creou-lhe um desses nomes soberanos, cujo imperio não perece, como perecem os imperios que só a força sustenta. «''Os grandes espiritos são a sós sufficientes a si mesmos. E por isso que levantando no bronze um monumento a Luiz de Camões, não elevamos mais o seu nome; vinculamos-lhe sim, o reconhecimento e a admiração da patria.''»</ref>, co' a lusa gente Cumprem do alto dever sagradas leis! <br> </poem><noinclude>{{bloco centro/f}} <references/></noinclude> obwhoxai7zteii2pdzwv6zgw2g5w6vp 558969 558948 2026-08-16T18:19:55Z BlitzkriegBoop 37692 558969 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{ch|Homenagem a Camões}} {{dhr}} {{Bloco direito|<poem> «Que se espalhe e se cante no universo, Se tão sublime preço cabe em verso.» {{D|{{Sc|Camões Canto 1.{{sup|o}}}}}}</poem>}} {{dhr}} {{Bloco centro/s}} <poem> Eil-o erguido! o faustoso monumento Que os vindouros e o tempo hão de acatar! Triumphou o grandioso pensamento Que a patria poude alfim desaffrontar. 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Realisou-se a inauguração em 9 do referido mez e anno, sendo presidente do conselho o Ex. Joaquim Antonio de Aguiar. Lembramos algumas palavras do eloquente discurso de Sua Magestade, as quaes revelam os elevados sentimentos de seu magnanimo coração. Eil-as: «''Para louvar Luiz de Camões basta escutar a fama; é a voz dos seculos quem inspira o seu elogio. Esse monumento consagraram-o já os nossos maiores, por que nunca a consciencia do povo esquece os nomes dos seus homens illustres.'' «''Se a patria por um momento pareceu olvidal-o, prantiava ella então desolada as desgraças que a opprimiam!... «''O Nome do grande poeta, inscripto no elevado pedestal da fama ao lado dos primeiros poetas do mundo, descança seguro de que nunca será esquecido. A opinião creou-lhe um desses nomes soberanos, cujo imperio não perece, como perecem os imperios que só a força sustenta. «''Os grandes espiritos são a sós sufficientes a si mesmos. 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Dá cobiça <ref>{{bloco centro| ''Oh'gloria de mandar, oh! va cobiça'' ''D'essa vaidade a que chamamos fama.''»{{D|{{sc|(Camões)}}}}}}</ref> de fama aos feitos alma A ti foi patrio amor co' a luz dos ceos!... De martyr, e de heroe ganhaste a palma Laureis, honras e amor!... dignos tropheos, E verás Portugal pagando o preito Devido ao grande heroe dos nautas rei; Que aos perigos expondo o egregio peito, Ao fero Adamastor impoz a lei! Que viu nascer o sol em berço d'oiro, E do Oriente, à patria, as chaves deu! Que inspirando Camões, melhor thesoiro, Mais subido valor offereceu! Padrão sublime, honroso monumento Do Gama illustre as cinzas guardará! A patria immortalise o sentimento Pois a fama do heroe eterna é já. E pudeste, nação altiva e forte Algum tempo olvidar teu proprio ser, Despertas! o lethargo iguala a morte! Contempla, oh! quanto è bello o alvorecer! </poem><noinclude>{{bloco centro/f}} <references/></noinclude> biw4n0fokhdhmhvfy3kfyu5b4lq7h3w 558970 558951 2026-08-16T18:21:01Z BlitzkriegBoop 37692 558970 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{c|— 6 —}} {{bloco centro/s}}</noinclude><poem>De seu filho adorado não podia A patria o nome, e as honras esquecer! As nações tem a sua lethargia... Mas os brios jamais hão-de morrer! Em teu canto divino eternisaste De terrenas acções gloria e louvor, Dos heroes que de louros coroaste, Grande assumpto!... maior inda o cantor!.... Dá cobiça <ref>{{bloco centro| ''Oh'gloria de mandar, oh! va cobiça''<br>''D'essa vaidade a que chamamos fama.''»{{D|{{sc|(Camões)}}}}}}</ref> de fama aos feitos alma A ti foi patrio amor co' a luz dos ceos!... 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Recordava o honrado portuguez as honras que Inglaterra consagrou aos seus nautas distinctos ''Newton'' e ''Nelson''; e supplicava as devidas á memoria gloriosa do grande nauta portuguez. Sua Magestade recebeu.com distincto aggrado e benevola expressão a supplica patriotica; e nós a publicamos em o nosso Jornal ― ''A Beneficencia'', (o segundo que fundámos e redigimos em Portugal.) Está em o n.{{sup|o}} 40 ― da 2.{{sup|a}} Serie ― 1.{{sup|o}} de outubro de 1855 = aonde tambem publicámos o Manifesto que dirigimos então ao Mesmo Soberano.</ref> que soubeste, Os memorandos restos conservar; C'roa déste de louro e de cypreste A quem deu brilho à terra, e leis ao mar! Salve oh! Gama! guiou-te ao oriente A estrella do teu sonho nacional! nol O universo abrangendo esplandecente, Eil-a agora pharol septentrional! Mostraste à Europa um mundo antes não visto! Domaste os mares, invocando os ceos! Levaste ao povo inculto a lei de Christo, Trouxeste á patria innumeros tropheos! A heroes marcaste o trilho, e mais que humanos Trocando as vidas pela gloria os ves! Dos evos não soffrendo horriveis damnos Renome dando ao nome portugues. Sobre escolhos firmar podeste um templo! Respeitam-o terriveis escarceus! E depois, que aos heroes legaste o exemplo, Ás alturas voaste! à gloria, aos ceus! {{tracejado}} Taes prodigios Camões ao mundo offrece! Une à patria os heroes, e o nome seu! De sempiterna luz, vive, esplandece. Quem na voz de Camões se engrandeceu! <br> </poem><noinclude>{{bloco centro/f}} <references/></noinclude> evg4ms6olt9kdf3mdq1ys7g56pmn1ia Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/254 106 255945 558953 2026-08-16T16:56:33Z JppBr98 28173 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: INDICE {{dtpl||Os pharoleiros|{{DJVU page link|13|6}}|6}} {{dtpl||O engraçado arrependido|{{DJVU page link|33|6}}|6}} {{dtpl||A colcha de retalhos|{{DJVU page link|51|6}}|6}} {{dtpl||Chóó! 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Foi com enthusiasmo acolhida a idéa em Portugal e no Brazil; pelos portuguezes, e por muitos subditos brazileiros, distinguindo-se o Imperador Senhor Dom Pedro II, concedendo-se para auxilio 16:000$000 réis, quantia em grande parte perdida pela falencia da casa Souto e Comp. Acudiram porém os srs. Fontes Pereira de Mello, e conde de Castro, representando o governo portuguez: reparando-se o prejuizo, e o projecto salvou-se do escolho em que esteve prestes a naufragar. A commissão central promotora da subscripção para o monumento a Luiz de Camões, foi composta pelos cavalheiros seguintes senhores:— Duque de Saldanha, presidente. ― Francisco de Paula Sant'Iago, vice presidente. ― Joaquim Pedro de Sousa, secretario. ― Luiz Tiburcio Ferreira, vice secrétario. — Carlos Kruz, thesoureiro. — Abbade de Castro Antonio Feleciano de Castilho ― Antonio José Pereira Serzedello Junior ― Antonio da Silva Tulio — Conde de Farrobo ― Conde de Thomar, Francisco Lourenço da Fonseca ― José Maria Eugenio de Almeida — José Pedro Collares Junior ― José da Silva Mendes Leal ― Luiz de Almeida Albuquerque — Marquez de Sousa Holstein. D. Pedro da Costa de Sousa Macedo ― Visconde da Condeixa ― Visconde de Menezes ― Visconde de Porto Covo ― Visconde de Valmor. Os poetas mais distinctos d'este seculo, cantaram louvores a Luiz de Camões, Garrett, Castilho, Vale, Mendes Leal, Thomaz Ribeiro, Palmeirim, Silvestre Ribeiro e muitos outros portuguezes e estrangeiros, em prosa e verso offerecendo homenagem ao excelso principe dos poetas, remindo o passado honram o presente, illuminam o porvir! {{dhr}} {{tracejado}} {{dhr}} {{bloco centro|<poem> Nem só d'Africa, ou Azia, e America poderam Nas plagas esparger das armas o esplendor! Aqui a Hespanha, a Italia e a França já souberam Que o luso povo é heroe nos brios e valor. Nem só teve os laureis das lides afanosas, Nas armas, e nas lettras, foi grande Portugal; Das artes ostentando as obras primorosas, Se eleva triumphante a estatua sem rival A foz do Tejo entrae! vereis floridas margens D'altiva capital o solo alcatifar; E Cintra erguida além, por entre as lindas vargens, Aos feilos gloriosos memoria levantar.</poem>{{D|{{uc|A auctora}}}}}} {{nop}}<noinclude></noinclude> ad24cq37dy9upqunyxomwjz2rmlduh0 Página:Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf/19 106 255950 558962 2026-08-16T17:59:55Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558962 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{ch|Concluzão}} As grandes adversidades fizeram Portugal menos culpado no cumprimento do seu dever para com a memoria de Camões. Dois annos, quiçá, depois da morte do inimitavel cantor das glorias da patria, caiu esta presa das garras do Leão de Castella! Sessenta annos de captiveiro, foram-lhe de morte! Ao nobre impulso patriotico de 1640 despertou — reagiu — desaffrontou-se! Então, coroando o grande triumpho, seria sublime a inauguração de um monumento a Camões, realisando-se o pensamento de Manuel de Faria e Sousa, illustre commentador dos Lusiadas, que mandou fazer em Roma uma estatua de Luiz de Camões, para ser collocada sobre o mausoleu. (1632 a 1642) — Em 1817, Joaquim de Lemos Seixas Castello Branco, provedor da junta do Monte-Pio litterario, e Antonio Maria do Canto procurador geral da mesma junta, lembraram que se promovesse uma subscripção a fim de se erigir um monumento a Camões: falharam todos estes projectos com a tempestade politica de 1820, e apenas por memoria resta uma missa de ''Requiem'', do maestro Bomtempo. ― Em 1836, o illustre vate, sr. Antonio Feleciano de Castilho, na sociedade dos amigos das lettras tomou a iniciativa de uma proposta para serem procurados os restos do grande poela na egreja de Santa Anna e se trasladassem para um campo que receberia o nome de Elizio, e onde se levantaria um mausoleu; e em 1849, em uma nota do seu drama ''Camões'', renovou a proposta mas sem resultado! ― Em 1854, o sr. Ayres de Sá Nogueira, como vereador da Camara Municipal de Lisboa, propoz que se levantasse um monumento a Luiz de Camões em Belem. Por esse tempo nomeou o governo uma commissão encarregada de procurar a sepultura do poeta na egreja de Santa Anna. — Em 1857, o Gremio Portuguez do Rio de Janeiro publicou um programa para se erguer uma estatua de Camões. Tambem ficou sem effeito. — Em 1858, o sr. visconde de Villa Maior sendo presidente da Camara Municipal de Lisboa, renovou a iniciativa do campo ''Elizio'', apresentada pelo sr. Castillo, lembrando que se poderia votar uma verba de 500$000 réis a 1:000$000 réis, para premiar o artista que apresentasse a melhor estatua de algum dos nossos personagens historicos; acudiu logo o sr. Castilho ienibrando que a primeira estatua fosse a de Camões. — Em fins de 1859, o artista eminente que modellou a estatua do immortal epico, lembrou que podia ser collocada na praça que resultou das demolições dos cazebres do Loureto, Alguns amigos do sr. Bastos, habil escultor, e admiradores das glorias nacionaes, empentaram-se, e conseguiram que se constituisse uma commissão, que tomando conhecimento do projecto, se installou em 6 de maio, de 1860, e logo em 16 d'esse mez for patente ao publico o modelo do monumento em uma das salas dos paços do conselho, aonde o fôra ver Sua Magestade El-Rei o Senhor Dom Pedro V, em 16 de junho de 1860. {{nop}}<noinclude></noinclude> 86wjkz9mrmz7oisoh49celb2ja8noge Página:Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf/18 106 255951 558964 2026-08-16T18:05:57Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558964 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{c|— 16 —}}</noinclude>(3) Em 1855, por occasião da aclamação do Senhor Dom Pedro V, cumprindo uma honrosa missão, apresentamos a Sua Magestade um requerimento assignado pelo sr. Francisco Raphael da Paz Furtado, supplicando, em nome dos habitantes da Vidigueira, um monumento a Dom Vasco da Gama, de quem, humilde sepultura encerrou os preciosos restos mortaes, n'um Presbiterio na Vidigueira. Recordava o honrado portuguez as honras que Inglaterra consagrou aos seus nautas distinctos ''Newton'' e ''Nelson''; e supplicava as devidas á memoria gloriosa do grande nauta portuguez. Sua Magestade recebeu.com distincto aggrado e benevola expressão a supplica patriotica; e nós a publicamos em o nosso Jornal — ''A Beneficencia'', (o segundo que fundámos e redigimos em Portugal.) Está em o n.{{sup|o}} 40 — da 2.{{sup|a}} Serie 1.{{sup|o}} de outubro de 1855= aonde tambem publicámos o Manifesto que dirigimos então ao Mesmo Soberano. (4) Do golpe mais profundo a dor mais forte! = que me tortura o coração maternal, na morte de uma filha adorada, anjo de bondade que ao ceu voou levando a palma do martyrio! = registremos nesta dolorosa pagina o seu nome gravado no mais intimo do meu coração, indelevel na minha memoria! ''D. Anna Izabel Philomena Pusich de Mello, fallecida em 23 de dezembro de 1879, ás 4 horas e meia da madrugada!'' = do dia mais fatal da minha existencia!... Até n'este transe doloroso me lembras immortal Camões, quando lamentas o dia em que nasceste! = {{bloco centro|<poem> ''«Oh! gente temerosa não te espantes, ''Que este dia deitou ao mundo a vida, ''Mais desgraçada que jamais se viu.</poem>}} Será por isso que se festeja o anniversario = ou tricentenario da sua morte?! = Foi esta sim, o resgate do seu captiveiro; o dia mais feliz, de sua eternal gloria!... de uma vida sem morte, {{bloco centro|<poem> ''Sem nuvens, sem procellas, que não se erguem ''Lá onde o Eterno vive!=</poem>}} (5){{bloco centro|<poem>''«Aquelle cuja Lyra Senorosa ''Será mais afamado que ditoso.»''</poem>{{D|{{uc|(Camões)}}}}}} {{nop}}<noinclude></noinclude> 2dmkav5gvobivrri2ds03dl6xuul90n Página:Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf/16 106 255952 558966 2026-08-16T18:10:19Z BlitzkriegBoop 37692 /* Sem texto */ 558966 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude><noinclude></noinclude> ltg9mtpefm08n2h0k9e81m08dk0hzmr Página:Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf/15 106 255953 558967 2026-08-16T18:11:25Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558967 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{linha customizada|fy3|40}} {{ch|Notas}} {{linha customizada|fy3|40}}<noinclude></noinclude> o4ybu0p62y23al428svktfdihsied4o Página:Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf/10 106 255954 558971 2026-08-16T18:27:11Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558971 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{c|— 8 —}}{{bloco centro/s}}</noinclude><poem> Camões! vate sublime, o inclito Gama, Em teus cantos eterno inda reluz! Déste ao merito altares, culto, fama! Sê meu phanal! ao templo me conduz! Na soidão que busquei, saudosa, triste, Junto á dôr<ref>Do golpe mais profundo a dor mais forte! = que me tortura o coração maternal, na morte de uma filha adorada, anjo de bondade que ao ceu voou levando a palma do martyrio! = registremos nesta dolorosa pagina o seu nome gravado no mais intimo do meu coração, indelevel na minha memoria! ''D. Anna Izabel Philomena Pusich de Mello, fallecida em 23 de dezembro de 1879, ás 4 horas e meia da madrugada!'' = do dia mais fatal da minha existencia!... Até n'este transe doloroso me lembras immortal Camões, quando lamentas o dia em que nasceste! = {{bloco centro|''«Oh! gente temerosa não te espantes,<br>Que este dia deitou ao mundo a vida,<br>Mais desgraçada que jamais se viu.''}} Será por isso que se festeja o anniversario = ou tricentenario da sua morte?! = Foi esta sim, o resgate do seu captiveiro; o dia mais feliz, de sua eternal gloria!... de uma vida sem morte, {{bloco centro|''Sem nuvens, sem procellas, que não se erguem<br>Lá onde o Eterno vive!=''}}</ref> sente o oppresso coração, O amor que do christão no peito existe, Que se expressa na voz da gratidão! Os seculos venceste, oh! genio immenso. Das mais longinquas, vastas regiões, Em tributo as nações dão loiro incenso, Homenagem ao nome de Camões. Eu dou-te uma oração!... d'essas alturas, Onde os voos ergueste Aguia veloz, Cisne, ou astro, onde vives e fulguras Dá luz ȧs trevas, da me força á voz! O teu nome cantar hoje pertendo, E o debil peito nem resiste à dôr! Á virtude homenagem offrecendo, Pintar quero as grandezas do Senhor! Habitando inda a terra, este ermo triste, Sondaste a eternidade, e mais que Orpheu, Do remoto porvir arcanos viste, E o laurel destinado ao nome teu.<ref>{{bloco centro|''«Aquelle cuja Lyra Senorosa''<br>''Será mais afamado que ditoso.»''{{D|{{uc|(Camões)}}}}}}</ref> Camões vate, e guerreiro se a aurea lyra Os sons quizesse à terra conferir, Saudoso o Tejo, que por ti suspira, Seu gyro suspendera p'ra te ouvir! <br> </poem><noinclude>{{bloco centro/f}}</noinclude> 2so1w0b71tin666z9fw46hsf8u4snrx Página:Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf/11 106 255955 558972 2026-08-16T18:28:35Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558972 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{c|— 9 —}}{{bloco centro/s}}</noinclude><poem>Cantaste ao som das procellas As glorias de Portugal, Disseste ao sol, e ás estrellas, Que uma luz à sua igual Tem de heroes as acções bellas, D'alta fama perennal! Cantaste dos lusitanos, Que inda o são, victorias mil, Desde os godos e romanos, E depois do mouro hostil, E dos lusos soberanos Cantaste o ardor varonil: Que d'Africa avassalaram Terras tantas com saber, E com valor alcançaram Seus dominios estender, Descobrindo subjeitaram Novo mundo ao seu poder! Mas hoje lamentarias Um progresso ardente e vão! :::Quantas colonias verias Onde não fulge o pendão, Que aos povos e monarchias Deu riqueza e galardão! Por nova estrada avançando Tornaras a ver ''Suez'', E o mar ''Erithreu'' passando Distante o ''Sinay'' lá ves, ''Meca'', o nome recordando Do teu solo portugues. <br> </poem><noinclude>{{bloco centro/f}}</noinclude> 535tav5lzzmcbfz8tn56sn9027kdgij Página:Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf/12 106 255956 558973 2026-08-16T18:30:10Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558973 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{c|— 10 —}}{{bloco centro/s}}</noinclude><poem> Os vergeis mais perfumados, A espessura de ''Ceilão'', ''Sincapura'' e os festejados Lindos jardins de Pinão; No commercio exercitados Os povos sem instrucção! Viras povo sem cultura Succumbindo ao jugo inglez, Foi tão outro na ventura Sob o mando portuguez! Quadro de tanta amargura Não vejamos outra vez! Suspenderias a lyra Que o ceu de estrellas c'rôou, Sentindo que inda respira Um ecco, e os ais acordou Na Gruta, que outr'ora ouvira Teu canto que a eternisou! E soltaras um gemido, Em vez de etherea canção, Vendo o teu Jau esquecido No glorioso padrão, Que ao teu nome esclarecido Erige a lusa nação!... {{tracejado}} Que estampido ao longe sôa!!... É o ribombar do canhão! Já do Tejo ás margens vôa Povo immenso em união! De Camões o nome echôa. Do universo na extensão!... <br> </poem><noinclude>{{bloco centro/f}}</noinclude> 85566mrank6iq9olb0nwp2q0c8b5v6c Página:Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf/13 106 255957 558974 2026-08-16T18:35:26Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558974 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{c|— 11 —}}{{bloco centro/s}}</noinclude><poem> {{tracejado}} Deslumbrada co’ a luz não vi o espaço Na amplidão que divide a terra e o ceu! Infindo é o sentimento, eterno o laço Que ligou Portugal ao nome teu! Nem já seguir teus vôos posso agora, Na mente em sombras esvaece a luzl De quem soffrendo aguarda a eterna aurora É culto uma oração aos pés da Cruz, {{tracejado}} Silencio!... a artilheria o espaço atrôa! Oh! salve honrosa luz de Portugal! O teu nome alta fama no orbe entôa, Memória tens, eterna universal! Não morreste Camões! vives na historia, Nos ''Lusiadas'' teus de immortal fama! Nos fieis corações, e na memória De quem a palria tua não desama, Do tempo alcanças perennal victoria, Na mente que de elhereo ardor se inflama, Do mais nobre sentir no iionroso empenho. Seguindo em vôos teu celeste engenho! Não morreste Camões! tu'aurea lyra Doaste aos lusos teus, irmãos queridos. Em seus cantos que o mundo attento admira, Teus sons divinos vivem repetidos! É tu'esta saudade que suspira; Que exhalaste nos últimos gemidos! A que por esta patria então sentiste Na patria com teu nome eterna existe! <br> </poem><noinclude>{{bloco centro/f}}</noinclude> djujzkh3zgc3nnzpeka7g15cko8eyf7 558975 558974 2026-08-16T18:36:13Z BlitzkriegBoop 37692 gralhas 558975 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{c|— 11 —}}{{bloco centro/s}}</noinclude><poem> {{tracejado}} Deslumbrada co’ a luz não vi o espaço Na amplidão que divide a terra e o ceu! Infindo é o sentimento, eterno o laço Que ligou Portugal ao nome teu! Nem já seguir teus vôos posso agora, Na mente em sombras esvaece a luzl De quem soffrendo aguarda a eterna aurora É culto uma oração aos pés da Cruz, {{tracejado}} Silencio!... a artilheria o espaço atrôa! Oh! salve honrosa luz de Portugal! O teu nome alta fama no orbe entôa, Memória tens, eterna universal! Não morreste Camões! vives na historia, Nos ''Lusiadas'' teus de immortal fama! Nos fieis corações, e na memória De quem a patria tua não desama, Do tempo alcanças perennal victoria, Na mente que de ethereo ardor se inflama, Do mais nobre sentir no honroso empenho. Seguindo em vôos teu celeste engenho! Não morreste Camões! tu'aurea lyra Doaste aos lusos teus, irmãos queridos. Em seus cantos que o mundo attento admira, Teus sons divinos vivem repetidos! É tu'esta saudade que suspira; Que exhalaste nos últimos gemidos! 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Antonia Pusich}} {{bloco centro/f}} {{dhr}} {{bloco centro| <poem> Não só a historia acclama os feitos do excellente Que, as quinas arvorando, a lua supplantou: Diz Africa, João, ''Manuel'' diz o Oriente: Conquistas de alem mar a fama eternisou! Descobre ousado ''Henrique'', atravessando os mares Occultas regiões; passou o cabo ''Nam'': Da China e do Brazil sonhou ardentes ares, E proseguindo a empreza, eis surge o nobre ''Cam''! Depois ''Zarco'' e ''Tristão'', das ilhas a princeza, Que as aguas tem por solio, e as nuvens por docel;: E do equador além, ''Cabral'' completa a empresa. Mostrando um novo imperio ao reino seu fiel!</poem>{{bloco direito|width=20em|A auctora no seu canto saudoso á memoria do senhor Dom Pedro V}}}} {{nop}}<noinclude></noinclude> t1g2joxtfx2wx7uccqoirzjmoldsifa 558977 558976 2026-08-16T18:40:15Z BlitzkriegBoop 37692 558977 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{c|— 12 —}} {{bloco centro/s}}</noinclude><poem> No grandioso quadro do universo, As vindoiras idades meditando, O sublime padrão escripto em verso, Contemplem, qual pharol que as vae salvando, Do escuro e fundo abysmo, onde submerso Jaz o mundo sem luz abrolhos dando! No clarim hão de ouvir de eterna fama, Portugal e Camões! — o Oriente e o Gama! </poem> Lisboa 10 de junho de 1880.{{D|''D. Antonia Pusich}} {{bloco centro/f}} {{dhr}} {{bloco centro| <poem> Não só a historia acclama os feitos do excellente Que, as quinas arvorando, a lua supplantou: Diz Africa, João, ''Manuel'' diz o Oriente: Conquistas de alem mar a fama eternisou! Descobre ousado ''Henrique'', atravessando os mares Occultas regiões; passou o cabo ''Nam'': Da China e do Brazil sonhou ardentes ares, E proseguindo a empreza, eis surge o nobre ''Cam''! Depois ''Zarco'' e ''Tristão'', das ilhas a princeza, Que as aguas tem por solio, e as nuvens por docel;: E do equador além, ''Cabral'' completa a empresa. Mostrando um novo imperio ao reino seu fiel!</poem>{{bloco direito|width=20em|A auctora no seu canto saudoso á memoria do senhor Dom Pedro V}}}} {{nop}}<noinclude></noinclude> kcjasuznm9kesxpqv9sr21s5baosull Página:Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf/5 106 255959 558980 2026-08-16T19:17:24Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558980 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|{{extrair imagem}}}} {{bloco direito|<poem> Cesse tudo o que a Musa antiga canta, Que outro valor mais alto se alevanta.</poem>{{D|{{sc|Camões — canto i.}}}}}}<noinclude></noinclude> 1rmv1zezldpmed81jqkan32u59vjhml 558986 558980 2026-08-16T20:38:43Z BlitzkriegBoop 37692 558986 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{Imagem float-p |file=Illustration_-_Homenagem_a_Luiz_de_Cam%C3%B5es_-_1880.png |width=400px |align=center |1=ilustração de busto de Luiz de Camões |padb=2em |padt=2em }} {{bloco direito|<poem> Cesse tudo o que a Musa antiga canta, Que outro valor mais alto se alevanta.</poem>{{D|{{sc|Camões — canto i.}}}}}}<noinclude></noinclude> 1w1r4thjxssq7prds8q8bod7qgi2a94 Página:Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf/6 106 255960 558981 2026-08-16T19:17:41Z BlitzkriegBoop 37692 /* Sem texto */ 558981 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude><noinclude></noinclude> ltg9mtpefm08n2h0k9e81m08dk0hzmr Página:Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf/3 106 255961 558982 2026-08-16T19:25:59Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558982 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude><div style="font-family:serif"> {{c|{{uc|'''Homenagem'''}}|fs=150%}} {{dhr}} {{c|A}} {{dhr}} {{c|{{uc|'''Luiz de Camões'''}}|fs=250%}} {{dhr}} {{c|{{uc|por}}}} {{dhr}} {{c|{{uc|D. Antonia Pusich}}|fs=120%}} {{dhr}} {{bloco direito|<poem> Vereis amor da patria, não movido De premio vil; mas alto, e quasi eterno: Por um pregão do ninho meu paterno. Ouvi; vereis o nome engrandecido D'aquelles de quem sois senhor superno: E julgareis qual he mais excellente Se ser do mundo Rei, se de tal gente.</poem> {{D|{{smaller|{{sc|Camões — canto i — x.{{sup|a}}}}}}}}}} {{dhr|6em}} {{c|{{uc|Lisboa|fs=110%}}}} {{c|Typographia Coelho & Irmão <nowiki>=</nowiki> Rua de S. Bento, 127-129}} {{c|1880|fs=110%}} </div><noinclude></noinclude> 9e4gbffn73y10aalkuq6rf1jro3efnl Página:Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf/1 106 255962 558983 2026-08-16T19:43:10Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558983 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{c|— capa —}}{{bloco centro/s}}</noinclude><div style="font-family:serif"> {{c|{{uc|'''Homenagem'''}}|fs=150%}} {{dhr}} {{c|A}} {{dhr}} {{c|{{uc|'''Luiz de Camões'''}}|fs=250%}} {{dhr}} {{c|{{uc|por}}}} {{dhr}} {{c|{{uc|D. Antonia Pusich}}|fs=120%}} {{dhr|6em}} {{c|{{extrair imagem}}}} {{dhr|6em}} {{c|{{uc|Lisboa|fs=110%}}}} {{c|Typographia Coelho & Irmão <nowiki>=</nowiki> Rua de S. Bento, 127-129}} {{c|1880|fs=110%}} </div><noinclude></noinclude> irqlwrn49rkrwvszw2dvgpdvq18unsc Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/149 106 255963 558992 2026-08-17T11:32:33Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558992 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|141|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>Com effeito, o astro invisivel estava ali, a poucas leguas somente, talvez a poucas milhas, mas nem Barbicane nem os companheiros o enxergavam já. Se algum ruido se realisava na superficie dʼelle, nāo podiam ouvil-o. Faltava o ar, que é o vehiculo do som, para lhes transmittir os gemidos dʼessa Lua, que as lendas arabes pintam como «um homem meio transformado em granito, mas ainda palpitante!» O caso era para excitar os nervos aos mais pacientes observadores, força é confessal-o, por ser precisamente o hemispherio a todos ignoto que se lhes furtava ás vistas? Aquella face da Lua que, quinze dias antes on depois, estava ou havia de estar esplendidamente illuminada pelos raios solares, escondia-se agora na obscuridade absoluta. E onde estaria o projectil dentro em quinze dias? Onde o teriam arrastado os acasos das attracçōes? Quem poderia dizel-o? Admitte-se geralmente, em virtude das observaçōes selenographicas, que o hemispherio invisivel da Lua é, quanto á sua constituiçāo, inteiramente similhante ao hemispherio visivel. Effectivamente, a setima parte, aproximadamente, do primeiro póde ser observada, em virtude dos movimentos da libraçāo de que Barbicane fallára. E nʼessas lunulas, que assim podem enxergar-se, nāo ha senāo planicies e montanhas, cratéras e circos, analogos aos já descriptos nos mappas. Póde, portanto, intuitivamente affirmar-se para o hemispherio invisivel a existencia da mesma natureza, do mesmo mundo árido e morto. E, todavia, quem sabe se a atmosphera se refugiou nʼaquella face? Se o ar com a agua levaram a vida áquelles continentes regenerados? Se a vegetaçāo lá persistirá ainda? Se esses continentes e esses mares estarāo povoados de animaes? Se com taes condiçōes de habitalidade ainda lá vivirá o homem? Quantos problemas que sería interessante resolver! Quantas soluçōes se poderiam tirar da contemplaçāo dʼesse hemispherio! Que satisfaçāo seria poder relancear um olhar por sobre aquelle mundo que o olhar humano nunea logrou prescrutar! Concebe-se, portanto, qual seria a zanga dos viajantes no meio dʼaquella negra noite. Era-lhes impossivel fazer qualquer ob<noinclude></noinclude> hvsupik1v7e71zg0dnlb0sl30kepshd 558993 558992 2026-08-17T11:32:47Z Erick Soares3 19404 558993 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|141|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>Com effeito, o astro invisivel estava ali, a poucas leguas somente, talvez a poucas milhas, mas nem Barbicane nem os companheiros o enxergavam já. Se algum ruido se realisava na superficie dʼelle, nāo podiam ouvil-o. Faltava o ar, que é o vehiculo do som, para lhes transmittir os gemidos dʼessa Lua, que as lendas arabes pintam como «um homem meio transformado em granito, mas ainda palpitante!» O caso era para excitar os nervos aos mais pacientes observadores, força é confessal-o, por ser precisamente o hemispherio a todos ignoto que se lhes furtava ás vistas? Aquella face da Lua que, quinze dias antes on depois, estava ou havia de estar esplendidamente illuminada pelos raios solares, escondia-se agora na obscuridade absoluta. E onde estaria o projectil dentro em quinze dias? Onde o teriam arrastado os acasos das attracçōes? Quem poderia dizel-o? Admitte-se geralmente, em virtude das observaçōes selenographicas, que o hemispherio invisivel da Lua é, quanto á sua constituiçāo, inteiramente similhante ao hemispherio visivel. Effectivamente, a setima parte, aproximadamente, do primeiro póde ser observada, em virtude dos movimentos da libraçāo de que Barbicane fallára. E nʼessas lunulas, que assim podem enxergar-se, nāo ha senāo planicies e montanhas, cratéras e circos, analogos aos já descriptos nos mappas. Póde, portanto, intuitivamente affirmar-se para o hemispherio invisivel a existencia da mesma natureza, do mesmo mundo árido e morto. E, todavia, quem sabe se a atmosphera se refugiou nʼaquella face? Se o ar com a agua levaram a vida áquelles continentes regenerados? Se a vegetaçāo lá persistirá ainda? Se esses continentes e esses mares estarāo povoados de animaes? Se com taes condiçōes de habitalidade ainda lá vivirá o homem? Quantos problemas que sería interessante resolver! Quantas soluçōes se poderiam tirar da contemplaçāo dʼesse hemispherio! Que satisfaçāo seria poder relancear um olhar por sobre aquelle mundo que o olhar humano nunea logrou prescrutar! Concebe-se, portanto, qual seria a zanga dos viajantes no meio dʼaquella negra noite. Era-lhes impossivel fazer qualquer ob-<noinclude></noinclude> iq3gsp74smq457aqjqhg6z98f9tmsum Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/150 106 255964 558994 2026-08-17T11:36:21Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558994 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|142|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>servaçāo lunar. Só as constellaçōes lhes solicitavam a attençāo, e, força é confessar, que nem os Faye, nem os Chacornac, nem os Secchi, nem astronomo algum lograra encontrar-se em condiçōes tāo favoraves para observal-as. Com effeito, cousa alguma podia imaginar-se igual em esplendor áquelle mundo sideral, como que banhando-se no limpido ether. Aquelles diamantes incrustados na abobada celeste lançavam seintillaçōes admiraveis. A vista abraçava o firmamento desde a Cruz do Sol até á Estrella do Norte, constellaçōes que dentro em doze mil annos, e em virtude da precessāo dos equinocios, hāo de ceder o papel que actualmente desempenham de estrellas polares, a primeira a Canopus do hemispherio austral, a segunda a Wega do hemispherio boreal. Perdia-se a imaginaçāo nʼaquella infinidade sublime. no meio da qual o projectil gravitava, qual novo astro creado pela māo do homem. As constellaçōes, por effeito de causas perfeitamente naturaes, brilhavam docemente, sem scintillaçāo, porque nāo havia ali atmosphera, que pela interposiçāo de camadas de desigual densidade e de diverso grau de hamidade produzisse tal phenomneo. As estrellas pareciam olhos languidos que através dʼaquellas trevas profundas relanceavam morbidos olhares no meio do silencio absoluto do espaço. Por largo tempo os viajantes, silenciosos, contemplaram assim o firmamento constellado, em que o enorme disco da Lua parecia abrir um negro buraco. Mas por fim veiu arrancal-os áquella muda contemplaçāo uma sensaçāo desagradavel. Foi a do frio penetrante que em breve fez cobrir a superficie interna dos vidros das vigias de espessa camada de gelo. Effectivamente, já o Sol nāo aquecia com os seus raios directos o projectil, que pouco e pouco ia perdendo todo o calorico armazenado dentro das suas paredes. Evaporara-se rapidamente este pela irradiaçāo para o espaço, e dʼahi viera o consideravel abaixamento da temperatura. Por consequencia a humidade interna em contacto com os vidros transformava-se em gelo, e impedia assim qualquer observaçāo. {{nop}}<noinclude></noinclude> syzqgkrvoia7x0aq5rcrtqc4wns116n Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/151 106 255965 558995 2026-08-17T11:48:02Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558995 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|143|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>Nicholl consultou o thermometro e viu que este tinha descido a dezesete graus centigrados abaixo de zero. Barbicane, que já tirara do gaz a luz apesar de todas as rasōes que lhe sobravam para o poupar, teve tambem que pedir-lhe o necessario calor, que à baixa temperatura do projectil já se nāo podia aguentar, e os habitantes dʼelle estam em risco de serem gelados vivos. — Nāo temos rasāo de queixa, disse Miguel Ardan, da monotonia da nossa viagem! Que diversidade, quando mais nāo seja na temperatura! Ora nos cega a luz e nos abraza o calor, como aos indios das Pampas! ora estamos immersos em profundas trevas, no meio de um frio boreal, quaes esquimós do pólo! Nāo de certo! nāo temos rasāo de queixa, que a natureza faz quanto póde para nos honrar. — Mas qual é a temperatura exterior? pergunton Nicholl. — É precisamente a dos espaços planetarios, disse Barbicane. — Nāo seria, nʼesse caso, a occasiāo propicia para fazer a experiencia que nāo podemos tentar, quando mergulhados na irradiaçāo solar? — Agora ou nunca, respondeu Barbicane, porque agora é que estamos em situaçāo conveniente para observar a temperatura do espaço, e verificar se os calculos de Fourier ou de Pouillet sāo ou nāo exactos. — Em todo o caso, faz bastante frio! respondeu Miguel. Olhem como a humidade interior se condensa nos vidros das vigias. Por pouco que augmente o abaixamento da temperatura, ha de cair em roda de nós transformado em frocos de neve o vapor da nossa propria respiraçāo! — Preparemos um thermometro, disse Barbicane. Facilmente se concebe que um thermometro ordinario nenhum resultado poderia dar, nas condiçōes da temperatura a que o instrumento ia ser exposto. Gelar-se-lhe-ia o mercurio no reservatorio, visto como este metal nāo se mantem no estado liquido alem de quarenta e dois graus abaixo de zero. Barbicane, porém, tinha tido o cuidado de se munir de um thermo-<noinclude></noinclude> 2293rukjm7775hfs4vnsoaxr9g1nu9h Página:Campos-Traduccaoebreve.pdf/21 106 255966 558997 2026-08-17T11:52:29Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558997 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|21<br>{{rule|4em}}}}</noinclude>{{PT|como nos foi outorgada, é um dom excellente, e para cada um de nós a revelação de uma bondade infinita?}} {{fine|«Aquelle que proclama, dizeis vós, a existencia do infinito, accumula nʼessa affirmação maior dóse de sobrenatural do que a que existe em todos os milagres de todas as religiões.» Vós ides, creio eu, um pouco mais longe, M. Pasteur; daes com isto um certificado de credibilidade a cousas estranhas. Permitti-me uma distincção. No campo do ideal, oh! vós tendes rasão; ahi se póde manobrar durante toda a eternidade sem se encontrar jamais. Mas o ideal não é o sobrenatural particular, que é julgado ter feito sua apparição em um ponto do tempo e do espaço. Este câe sob o dominio da critica. A ordem do possivel, que frisa com a do sonho, não é a ordem dos factos. As religiões dão-se como factos, e devem ser discutidas como factos, isto é, pela critica historica. Ora, os factos sobrenaturaes do genero dʼaquelles que enchem a historia religiosa, M. Littré primou em mostrar que não acontecem; e se elles não acontecem, não será o caso de perguntar com Cicero: «Porque desappareceram essas forças secretas? Não seria porque os homens se tornaram menos credulos?»}} Pois bem, M. Renan: quereis saber quem responde cabalmente a essa interrogação de Cicero, com que tão ufano fechaes o vosso discurso? É o mesmo Cicero! Sim, é o mesmo Cicero que proclama, não simplesmente a existencia do infinito em abstracto, mas a crença nʼum Deus providente, e infinito, dizendo: «Que a base de toda a legislação, como primeiro apoio do estado, é o temor do céu; que é preciso antes que tudo, que os cidadãos estejam intimamente convencidos da existencia de um Deus infinito; de sua providencia, que dirige o universo, e regula seus movimentos; de seu poder a que estão submettidos sem excepção todos os seres; de sua vigilancia, que penetra ainda os mais intimos pensamentos; de sua justiça emfim que faz distincção entre os homens piedosos, e os impios, para os avaliar pelas suas obras. Sabei que sem Deus as vossas leis não têem força, porque não têem sancção, e a união dos cidadãos não é inviolavel, senão quando é formada debaixo de suas vistas, e de algum modo no tribunal da divindade. Eis o preambulo (conclue o philosopho pagão) de toda a lei: assim o chama Platão.» {{nop}}<noinclude></noinclude> jcfuxppzm13hc354dswm9w4asbg5acc Página:Campos-Traduccaoebreve.pdf/22 106 255967 558998 2026-08-17T11:56:37Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558998 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|22<br>{{rule|4em}}}}</noinclude>Em uma palavra; os discursos dos dois academicos estiveram mui longe de ter produzido o mesmo effeito no esplendido auditorio, e de ter recebido o mesmo acolhimento. Os applausos calorosos, que interromperam tantas vezes M. Pasteur faltaram ás perfidas subtilezas de M. Renan. E porque? Porque a idéa e a necessidade do infinito estão sempre vivas na mente e no coração do homem. O scepticismo, por mais espirituoso e elegante, não passa de uma ironia amarga do soffrimento. A humanidade quer e aspira a um mundo melhor, onde encontre todas as consolações da fé. Foi esta fé tāo dignamente representada no Instituto que cobriu de applausos ao ''Credo'' de um dos primeiros sabios da França ! {{dhr|3}} {{rule|5em}} {{dhr|3}} ''P. S.'' Já estava no prelo este escripto quando lemos em jornaes estrangeiros outro discurso de M. Renan, em resposta a outro de M. Cherbuliez, recebido ultimamente como membro da academia franceza. Dʼesta vez, nào se tratando de idéas espiritualistas e religiosas, o discurso de M. Renan não foi uma declamação sceptica, nem athea. Fóra dʼeste terreno, M. Renan diz sempre, não ''nihilidades brilhantes'', mas cousas muito bellas em estylo bellissimo. A parte final do seu discurso refere-se ao actual estado politico da Europa. Ha na sua apreciação a maior justeza de idéas, o mais acrysolado bom senso! Nʼaquelle dia teve M. Renan intervallos os mais felizes? Daremos como prova dʼisto a seguinte confissão, que em tal bôca tem preço inestimavel. {{fine|«A seriedade, diz elle, dos tempos modernos, derivando quasi toda do christianismo, cada um de nós encontra de ordinario suas origens em alguma respeitavel sociedade religiosa, onde a gravidade dos costumes mantinha a gravidade do espirito, e onde a discussão theologica preparava a aptidão para os grandes arrasoados. Estas austeras tradições, continuadas durante seculos, accumularam as economias intellectuaes e moraes que nós hoje despendemos. »}} {{nop}}<noinclude></noinclude> bf1ejkp39s9f0eb265ydi3kqueqdh5a Página:Campos-Traduccaoebreve.pdf/23 106 255968 558999 2026-08-17T11:58:08Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558999 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|23<br>{{rule|4em}}}}</noinclude>Chatheaubriand não fallou com maior eloquencia a favor das ordens religiosas, esses vastos e fecundos sementaes, onde em todos os seculos christãos desabrocharam tantos e tão saborosos fructos de erudição e de virtude! E quem sabe se aindau não estará reservado a M. Renan cantar uma das mais sublimes palinodias dʼeste seculo, confessando e professando resolutamente os sagrados principios fundamentaes da religião, cuja origem divina tem tão obstinadamente negado! Altos juizos de Deus!... Tudo é permitido esperar da sua inexhaurivel misericordia. {{dhr|10}} {{rule|6em}} {{nop}}<noinclude></noinclude> hfh2j8a1qlw9v6pmju48po7clpqxwdz